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Antes de balanço, ação da Ambev recua em mês de tombo da B3; veja prévias

Em um mês com valorização de apenas 11 das ações que compõem o Ibovespa, a Ambev não passou ilesa. O papel da cervejaria fechou fevereiro valendo R$ 13,39, queda de 1,98% em relação a janeiro, mas que pode ser considerada modesta em relação ao recuo do principal índice da B3, a bolsa de valores brasileira. O Ibovespa caiu 7,5% no período, para 104.931,93 pontos.

A queda da ação da Ambev no mês passado se deu, principalmente, pelo tombo de 1º de fevereiro. Naquela data, o papel recuou 3,51%, na sequência da publicação de uma matéria no site da revista Veja em que a CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, afirmava que a Ambev poderia ter inconsistências em suas demonstrações financeiras, geradas por manobras envolvendo a atuação na Zona Franca de Manaus – a companhia negou as acusações.

Naquele dia, a ação da Ambev recuou dos R$ 13,66, que havia fechado o mês de janeiro, para R$ 13,18. E embora tenha registrado leve recuperação nos dias seguintes, o avanço não foi suficiente para colocar a cervejaria no seleto grupo das ações que se valorizaram em fevereiro na B3. E agora já acumula queda de 7,78% em 2023.

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Outra razão para explicar a queda da ação da Ambev no mês recém-encerrado é a baixa expectativa em relação ao balanço do quarto trimestre, a ser divulgado nesta quinta-feira (2). Afinal, a avaliação entre as equipes de analistas de bancos de investimento é de que o resultado será menos positivo do que se imaginava inicialmente.

O título da prévia da análise da XP Investimentos, “Faltavam só 4 minutos”, explica a frustração com um balanço para o qual algumas casas imaginavam um resultado exuberante. Mas a eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo do Catar, em que estava classificado às semifinais a até 4 minutos do fim da prorrogação contra a Croácia, e um dezembro mais chuvoso e de menos calor causaram efeitos negativos na Ambev.

Assim, a expectativa é de que o volume de cerveja no Brasil no quarto trimestre seja menor do que a expectativa inicial. “O clima abaixo da média no trimestre e o impacto limitado da Copa do Mundo devido à eliminação precoce da seleção brasileira e datas de partidas caindo em dias que já eram de ocasiões de consumo foram os principais culpados para os resultados mais fracos do que o esperado no início do trimestre. Portanto, esperamos que os volumes aumentem em 6% ano a ano, enquanto as expectativas do mercado parecem ter variado de 8% a 12%”, afirma a prévia do Itaú BBA. 

E isso se dá dentro de um cenário de alta das despesas no período, provocadas pela elevação do preço do diesel e dos investimentos em marketing em virtude da Copa, o que deve causar impacto negativo no lucro da Ambev. Além disso, o BTG Pactual exibe preocupação com o desempenho da Ambev para 2023.

“Se o desempenho abaixo do esperado do volume em um trimestre impulsionado pela Copa do Mundo for confirmado, pode sinalizar uma indústria em desaceleração (a produção de bebidas alcoólicas parece apoiar isso), trazendo riscos para a sustentabilidade do poder de reajustes de preços da Ambev para 2023 em meio a uma economia desacelerando”, afirmam seus analistas.

O balanço também será divulgado na sequência da revelação do escândalo contábil da Americanas, que tem, assim como a Ambev, Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles como alguns dos seus principais acionistas. Mas a situação não preocupa, de acordo com os analistas, por causa da posição de caixa da cervejaria. Além disso, eles não acreditam que o trio possa vender suas ações na Ambev para reduzir o rombo da varejista.

Queda inferior
O recuo da ação da Ambev em fevereiro, porém, foi bem menor do que o do Ibovespa, que tem a sua carteira puxada por Petrobras e Vale. E se uma empresa oscilou com a incerteza sobre a política para os combustíveis do governo Lula, o recuo dos preços do minério de ferro pressionaram a outra gigante.

Além disso, a expectativa de aceleração da inflação em fevereiro e as críticas públicas de Lula à gestão do Banco Central afetaram o humor do mercado. E ninguém sofreu mais do que a Azul, com recuo de 39,83% em fevereiro, seguida por CVC (-32,67%), Yduqs (-31,75%), Alpargatas (-30,71%) e Gol (-27,81%). Já a maior alta no período, mas de apenas 8,76%, foi da São Martinho.

Fora do Brasil
A queda da ação da Ambev em fevereiro se repetiu em Nova York. Na bolsa dos Estados Unidos, o papel terminou o mês cotado a US$ 2,55, caindo 4,85%. No ano, o recuo está em 6,25%.

Por outro lado, também fora do Brasil, as ações das duas maiores cervejarias do mundo apresentaram alta em fevereiro. O papel da AB InBev fechou o mês valendo 57,23 euros na Europa, apresentando valorização de 3,88%. No bimestre, a alta é mais modesta, de 1,71%.

Já a ação do Grupo Heineken acumulou o segundo mês de valorização em 2023, terminando fevereiro com preço de 96,50 euros. O papel, inclusive, teve alta relevante após a divulgação do balanço de 2022, ficando 5,38 euros mais caro desde então. Assim, subiu 5,42% em fevereiro, chegando aos 9,81% de valorização neste começo de ano.

Entrevista: “Ação com Gisele pode ser polêmica, mas traz algo novo”

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Foram 12 anos sem aparecer no carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas bastaram três horas presentes em um camarote da Brahma para que Gisele Bündchen se tornasse o nome mais falado na Marquês de Sapucaí em 2023. Afinal, sua presença provocou comoção e interesse, mas também causou controvérsia pelas altas cifras envolvidas dentro de um evento realizado sob muitos contrastes sociais.

Na conta final entre investimento e retorno, o saldo foi positivo em termos de marketing, na avaliação apresentada por Gabriel Rossi, pesquisador e professor de comunicação da ESPM, em entrevista ao Guia. Para isso, ele se baseia em alguns aspectos, como a mídia espontânea conquistada pela Brahma em função da presença de Gisele Bündchen no carnaval do Rio.

Afinal, sem ir à Marquês de Sapucaí desde 2011, ela chamou a atenção para uma raríssima aparição pública desde a separação do astro do futebol americano Tom Brady, oficializada em outubro. E mostrou que mesmo aposentada das passarelas desde 2015, continua sendo uma das mais famosas modelos do mundo.

Em sua passagem pelo carnaval, Gisele Bündchen também chamou a atenção pelo estilo – calça branca e abadá do camarote da Brahma transformado em top –, em um despojamento que contrasta com os supostos R$ 10 milhões recebidos para passar três horas na Marquês de Sapucaí.

“Se pensarmos bem, muitos veículos de imprensa falaram disso sem que tivessem qualquer vínculo comercial com a Ambev. Muitas críticas aconteceram, mas as menções positivas foram maiores. A Gisele está em um patamar que lhe garante a chamada inocuidade de marca”, diz o pesquisador e professor de comunicação na ESPM.

Mas além da ação com a modelo, o carnaval de 2023, o primeiro sem qualquer restrição e realizado no período tradicional desde 2020, também ficou marcado por outras iniciativas de marketing. Houve, por exemplo, grande disputa pela condição de patrocinador dos diversos carnavais de rua, que lotaram capitais brasileiras, e ações de marketing de guerrilha.

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Na entrevista ao Guia, Gabriel Rossi fala sobre esses assuntos envolvendo marketing, carnaval e a indústria da cerveja. Confira:

Em 2023, vimos uma grande disputa entre marcas em busca do patrocínio do carnaval de rua de diversas cidades. Quais razões motivam a entrada em uma concorrência que em alguns casos envolve o pagamento de milhões de reais?
Primeiramente, mídia espontânea, aquela mídia que você ganha sem pagar pelo espaço. E porque esse tipo de carnaval vem ganhando muita influência. Claro que tem a questão do consumo, mas ela é mais a médio e longo prazo. É uma forma de também tentar oferecer uma experiência ao consumidor em busca de um relacionamento mais para frente com a marca. Ativações, como áreas temáticas, com jogos e brindes, geram isso, sendo formas de ampliar o contato do consumidor com a marca.

Além da oferta de experiências, como o carnaval pode ter ajudado marcas de cerveja a conquistar o consumidor?
Tem algo que falamos sobre marcas fortes que é awareness. Esse é um dos pontos para uma marca ser forte. Ter visibilidade é algo importante. Também tem um aspecto geracional. A geração Z, tende a consumir menos álcool, a atitude em relação à bebida mudou bastante, com preocupação sobre a saudabilidade. Dialogar com esse público no carnaval pode fazê-lo pensar em consumir aquele produto. E isso é algo sempre buscado.

Uma das mais faladas ações de marketing desse carnaval envolveu a Gisele Bundchen, patrocinada pela Brahma a ir a um dos camarotes da Marquês de Sapucaí. Pelo tamanho da iniciativa, valores envolvidos e repercussão, acha que valeu a pena?
Muita gente criticou e há questões que realmente valem uma reflexão, inclusive sobre passagem do tempo, gastos envolvidos e responsabilidade social da marca. Mas se você olhar pragmaticamente, do ponto de vista do marketing, foi uma boa ação. Primeiro, pela mídia espontânea. A Gisele tem apelo internacional.

Houve, porém, críticas, em função, principalmente, dos valores desembolsados pela Ambev. Você acha que essas questões podem atingir a imagem da Brahma e da Gisele Bündchen?
Se pensarmos bem, muitos veículos de imprensa falaram disso sem que tivessem qualquer vínculo comercial com a Ambev. Muitas críticas aconteceram, mas as menções positivas foram maiores. A Gisele está em um patamar que lhe garante a chamada inocuidade de marca. Isso significa que ela teve um percurso tão relevante, fez uma construção de marca tão forte, que para ela seria concedido o direito ao erro. Já a Ambev não tem tanto isso, ela já teve alguns problemas, então não tem a mesma gordura para queimar. Vale lembrar que ela não só é uma influenciadora, ela é uma celebridade internacional. A Gisele construiu uma carreira como celebridade. E traz outros públicos para a cerveja.

Em um mundo de tantos nichos e com tantas personalidades instantâneas, ainda vale investir alto em uma grande figura, para associá-la a sua marca, como fez a Brahma com a Gisele Bündchen?
Se o processo é bem construído, com certeza. As pessoas dialogam mais com outras pessoas do que com marcas e instituições. Trazendo uma pessoa do calibre da Gisele para consumir a mesma cerveja que você, isso cria um diálogo. Principalmente se você pensar que a Ambev está nessa categoria da cerveja há muito tempo e isso torna o diálogo mais desafiador. Então, você precisa encontrar novas formas de chegar ao público.

Como essa ação de marketing da Brahma com a Gisele Bündchen impacta o consumidor?
O consumo de cerveja é culturalmente compartilhado. Você tomando uma cerveja, está passando uma mensagem para outra pessoa. A Gisele traz valores e tributos para a marca. A grande sacada da Ambev, como está há muito tempo em uma categoria, é que ela precisa encontrar novos caminhos. Você traz a Gisele, faz uma ação que acaba até sendo polêmica, mas vale a pena, pois traz algo novo ao consumidor.

No carnaval, além de patrocínios a grandes festas e associação a astros, também se viu muitas ações de “marketing de guerrilha” em 2023. Qual é a sua visão sobre esse tipo de iniciativa?

Usadas com criatividade, essas ações não depõem contra as marcas e transmitem valores associados a elas. Pode ser importante para quem está entrando no mercado e gera mídia espontânea. Uma marca pode não ter dinheiro para pagar um patrocínio e usa isso como uma estratégia. Vemos muito disso nos grandes eventos. É uma forma de fazer ativação da marca. Isso também ajuda a rejuvenescer a marca, mesmo aquelas com uma longa trajetória.

Algo em específico nas ações de marketing no carnaval chamou a atenção ou deve ser tendência para os próximos meses?
Vejo uma clara tentativa de reaproximação com os jovens que não enxergam a bebida alcoólica como outrora. Então, se tenta trazer para o ambiente deles, falando em saudabilidade. A inteligência artificial também tem entrado muito nas ações de marketing, segmentando o consumidor dentro de clusters. Hoje se usa cada vez mais os algoritmos para entender os consumidores.

Eureka prepara abertura de empório como vitrine para cervejarias em São Paulo

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Conhecido por ser um dos bairros mais boêmios e com vida noturna em São Paulo, a Vila Madalena é um dos principais destinos para quem busca diversão e boas cervejas na capital paulista. Agora, a região está prestes a receber um novo empreendimento, que será uma vitrine para marcas de cerveja, o empório da Eureka Insumos Cervejeiros.

A previsão é de que a abertura do Empório Eureka aconteça na segunda quinzena de março, só dependendo de alguns ajustes para ser confirmada, pois as obras já estão concluídas, com a fase atual sendo de instalação de equipamentos.

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A ideia da Eureka, com o seu empório, de acordo com o CEO Dario Occelli é oferecer aos parceiros a possibilidade de expor, divulgar e colocar à venda as suas cervejas em um dos mais conhecidos bairros cervejeiros do Brasil.

“Fazendo uma análise do mercado de cervejas artesanais e conversando com nossos clientes e parceiros, notamos que existe uma grande barreira que impede o crescimento e a divulgação de excelentes cervejas produzidas em pequenas cervejarias artesanais locais”, diz.

Assim, como a Eureka tem atuação nacional, garante a possibilidade de cervejarias de diferentes regiões oferecerem seus produtos para o público que for ao empório na Vila Madalena. “É praticamente impossível uma pequena cervejaria artesanal, que produz excelentes cervejas localizada no interior da Bahia, por exemplo, conseguir exportar seus rótulos para os grandes centros consumidores, especialmente São Paulo”, afirma.

Com o empório, então, o CEO da Eureka espera contribuir para os parceiros com a abertura de mercado, mas também trazer satisfação ao consumidor, sonhando que o espaço seja encarado como uma “Disneylândia para os amantes de cervejas artesanais”.

Para isso, o empório, além da cerveja, terá ambiente de sport bar, lounges, bancadas de trabalho com wi-fi e música ao vivo nos finais de semana. “O apreciador de cervejas artesanais poderá desfrutar de momentos agradáveis com os amigos e encontrar os mais diferentes estilos de cervejas produzidas em cervejarias artesanais espalhadas por todo o Brasil”, conta Occelli.

O empório da Eureka, porém, não funcionará somente como um bar, também tendo funcionalidades de uma loja. Assim, o cervejeiro poderá consumir as bebidas no local, juntamente com petiscos, ou levar para casa em latas, garrafas e growlers, além de encontrar kits e souvenirs para presentes.

A ideia da Eureka, com o empório, também é oferecer aos clientes a possibilidade de realização de eventos. “No mezanino, com toda a estrutura, os parceiros da Eureka poderão utilizar (mediante prévio agendamento) o espaço para fazerem o lançamento de novas cervejas, palestras sobre seus produtos, eventos de degustação etc”, explica o CEO.

A abertura do Empório Eureka também está em consonância com os planos de expansão da empresa, que inaugurou em agosto do ano passado um centro de distribuição em Juiz de Fora (MG). E a expectativa de Ocelli é dar sequência a esse crescimento ao longo dos próximos meses.

“Além de nossa matriz localizada em Sorocaba (SP) e filiais em Araquari (SC) e Juiz de Fora (MG), novas filiais da Eureka estão sendo implementadas em breve em outras regiões do Brasil. E o Empório Eureka tem como principal objetivo ajudar cervejarias de outras regiões do Brasil a divulgarem suas cervejas nesse importante polo consumidor de São Paulo”, completa Occelli.

Carnaval na Sapucaí recicla quase 10 toneladas de latas e entra no Guinness

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Conhecido mundialmente pela exuberância dos desfiles e o ritmo das baterias, o carnaval na Marquês de Sapucaí agora tem um recorde sustentável a comemorar. Em 2023, o carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro entrou para o Guinness World Records, o Livro dos Recordes, como o evento com a maior coleta de latas de alumínio no mundo para reciclagem, com quase 10 toneladas.

A ação que tornou o carnaval da Sapucaí um exemplo global de sustentabilidade aconteceu entre 17 e 20 fevereiro, datas dos desfiles do Grupo Especial e da Série Ouro, e no dia 25, quando aconteceu o festivo desfile das campeãs. 

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A iniciativa durante o carnaval foi coordenada pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), fazendo parte das ações do Cada Lata Conta, um programa internacional de conscientização ambiental e promoção da reciclagem da lata de alumínio para bebidas.

No sambódromo do Rio de Janeiro, foi montada uma estrutura para coletar, separar e destinar as latinhas para a reciclagem. E a ação teve, também, as participações da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, do Sesc RJ, com o projeto Recicla Sapucaí, que contou com o apoio do Instituto Fecomércio de Sustentabilidade e das redes cariocas de cooperativas de catadores de materiais recicláveis Recicla Rio, Movimento e Febracom.

A ação na Sapucaí envolveu a participação de mais de 120 pessoas, com mais de 100 catadores entre elas. De acordo com a Abralatas, o trabalho, além da coleta, também buscou conscientizar o público presente aos desfiles sobre a importância da reciclagem.

Iniciativa semelhante já havia sido realizada no ano passado no desfile das escolas de samba do Rio, quando 8 milhões de toneladas de latas de alumínio tinham sido coletadas. Agora, então, não só esse número foi superado como qualquer outro, colocando a ação de 2023 no Livro dos Recordes.

Para o presidente executivo da Abralatas, Cátilo Cândido, o trabalho de coleta no desfile das escolas de samba do Rio e a entrada no Guinness mostram como grandes eventos podem estar associados à sustentabilidade.

“O Rio de Janeiro já era conhecido pela sua beleza, pelo seu samba, pelo seu Carnaval. Agora entra no mapa mundial pelo seu legado na reciclagem. Contamos com o importante trabalho dos catadores mais uma vez como verdadeiros agentes ambientais. Ter o reconhecimento do Guinness nos mostra que estamos no caminho certo, mostrando para o mundo que é possível um evento desta magnitude ser sustentável”, diz.

O trabalho realizado no carnaval do Rio também se insere em um cenário de elevadíssimos índices de reciclagem das latas de alumínio no Brasil. Segundo a Abralatas, o país mantém uma média de 95% de reaproveitamento nos últimos 15 anos, tendo chegado ao recorde de 98,7% e mais de 30 bilhões de unidades recicladas em 2021.

Balcão da Nadhine: O cenário da cerveja artesanal na Hungria

Balcão da Nadhine: Primeiras impressões sobre o cenário da cerveja artesanal na Hungria


A cerveja artesanal como conhecemos vem se tornando cada vez mais popular, não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Essa mudança no perfil de consumo também atinge o Velho Mundo. Com esse artigo pretendo falar sobre o cenário da cerveja artesanal na Hungria, que teve seu boom praticamente no mesmo período que o Brasil, aproximadamente 8 anos atrás. Farei esse panorama da perspectiva de Budapeste, sua capital, onde está florescendo uma importante cena com muitas cervejarias e taprooms disponíveis para explorar a cultura cervejeira nesse mercado crescente, que representa hoje de 5 a 6% do mercado cervejeiro total do país.

A Hungria é um país com uma história tradicional de vinho e mel, cortado pelo Rio Danúbio, sendo famoso por suas termas. Tem território equivalente ao estado de Santa Catarina e população equivalente à de Pernambuco. O país hoje é o lar de cerca de 120 cervejarias artesanais. Estas cervejarias locais produzem uma grande variedade de cervejas únicas, usando ingredientes locais e receitas seguindo as tendências modernas mundiais.

Havia uma cena cervejeira húngara carregada das cultura alemã e checa e existia uma variedade interessante até a Segunda Guerra Mundial. Mas durante o regime soviético, a Hungria se tornou um dos países mais isolados do mundo, a maioria das pessoas era estritamente proibida de beber qualquer coisa além de álcool de origem estatal. Após o término dessa época, em 1989, a restrição acabou. Isto abriu as portas para o retorno de uma cultura cervejeira.

Na Hungria, algumas das movimentações políticas são feitas em conjunto com as cervejarias pequenas (as que produzem até 200 mil hectolitros de cerveja por ano). Alguns dos meus entrevistados contaram que existem dois grandes marcos na história da cerveja artesanal na Hungria. O primeiro período de desenvolvimento de cervejarias de pequena escala ocorreu no início dos anos 1990. A maioria das empresas da época já fechou, mas há algumas entre as primeiras que não apenas operam, mas são referência até os dias atuais, como a Szent András Sörfózde, com mais de 30 anos.

O segundo marco ocorreu em 2010, com alterações de lei para redução do imposto para as pequenas cervejarias, além de uma legislação específica para produção de cerveja caseira. O mercado interno foi atingido por um choque de oferta, o comércio de matéria-prima também se voltou para a qualidade e isso criou uma revolução na cerveja nacional húngara.

A recente lei Kósa Lajos, de 2020, determina que pelo menos 20% da venda de cerveja dos restaurantes, pubs, lojas especializadas e prateleiras de supermercados dedicados à venda de cerveja, seja destinada à cerveja dos pequenos produtores. É uma outra ação ativa do governo que impacta profundamente o mercado de cerveja artesanal húngaro e com a qual podemos aprender bastante em terras brasileiras.

Como amante de cerveja artesanal, eu estava animada em visitar algumas das cervejarias locais e experimentar algumas de suas melhores cervejas. Decidi visitar cervejarias com diferentes perfis e ver o que elas tinham a oferecer, aproveitando para conversar com especialistas do mercado e, assim, também comparar com o mercado brasileiro de cervejas artesanais.

Para os brasileiros, a participação de mercado de mais de 5% pode parecer um sonho distante, mas o caminho do mercado de craft beer na Hungria também não é fácil. Com uma produção anual de 5.378 milhões de hectolitros, a cerveja húngara mais popular também é tradicionalmente a Light Lager. Com presença das marcas gigantes Borsodi, Dreher, Soproni (do Grupo Heineken), Carlsberg e Pécsi. Apesar da distância entre Brasil e Hungria, os desafios de mudança da cultura cervejeira são parecidos.

A primeira cervejaria visitada foi, na verdade, um brewpub onde conversei com o proprietário Greg Kieckhefer. A Gravity Brewing tem duas produções, uma de 600 litros e uma de 120L, para testes e receitas mais ousadas. Foi fundada em 2018, mas com os problemas da pandemia, só passou a operar nos moldes atuais há um ano e meio.

Apesar de ter sido construída numa antiga estrutura de bunker, o visual e a atmosfera são leves. Possui uma equipe enxuta, mas mesmo assim diversa. Lá, pude degustar cervejas, que apesar da complexidade, se apresentaram extremamente bem executadas e fáceis de beber.

A segunda visita foi à cervejaria First Craft Beer. Fundada em 2017, tem uma estrutura moderna e bastante automatizada, com panelas de 2 mil litros que produzem famosas cervejas de linha. Mas também sempre lança algumas sazonais. A produção anual é de aproximadamente 15.000hl. Conversei com Ádám Sipos, gerente de marca da cervejaria. Com um nível de profissionalismo e atenção aos detalhes surpreendente, a marca tem um foco muito grande no controle de qualidade. Para eles, é imprescindível entregar o mesmo produto para o consumidor final. Com cervejas populares para quem está introduzindo à cultura cervejeira craft como as com adição de mirtilo e de cereja, a empresa considera que essa educação cervejeira vai sendo construída aos poucos.

Visitei também a Mad Scientist, fundada em 2016, que se localiza no complexo de Kőbánya, em Budapeste, um lugar incrível, que foi construído nos séculos XIX e XX. Como o centro da indústria cervejeira nacional, o espaço já foi o lar de várias fábricas famosas (Dreher, Haggenmacher, Ézvény, Polgári, Király etc.). E hoje a Király Beer Brewery, um antigo complexo de edifícios históricos, é o lar das cervejarias Mad Scientist, Horizont e Hoptop. Elas habitam, hoje, parte dos prédios centenários que guardam nas paredes a história do mosto fermentado húngaro. Conversei com Márton Sefcsik, gerente de desenvolvimento de negócios. Márton e o lugar inteiro tinham a energia quase palpável de que eles transbordam o amor pela cerveja artesanal. Foi uma experiência incrível.

A seguir, vou dar uma pincelada sobre as conversas que tive com cada um deles, apresentando três pontos de vista diferentes do mesmo setor, tendo como base perguntas pré-definidas por mim para nortear a pauta. Segue o resumo dessas conversas:

Assim como no Brasil, a Hungria tem uma tradição de consumo e produção de cervejas Light Lager. Como você descreveria o crescimento do mercado de cervejas artesanais no seu país?
Todos lembraram dos marcos na história da cerveja húngara e de como a cultura de vinho e cerveja Lager é muito forte, mas houve uma ruptura com o crescimento do movimento craft e as mudanças de lei. Ádám falou que essa é uma transformação lenta, o consumidor ainda não está preparado para uma mudança muito brusca. Além da limitação financeira, não existe a cultura de gastar mais para beber uma cerveja melhor para a maioria dos húngaros. Greg, da Gravity, por ser dono de um brewpub, consegue ser um pouco mais ousado, possui um público que já entende um pouco mais de cerveja, e como seu atendimento é com contato direto com o cliente, prefere pressionar um pouco mais os iniciantes, para terem experiências que normalmente não teriam. 

Temos uma tendência forte de seguir o que é moda nas cervejarias americanas. O que seria de fato uma produção pensada para o mercado local?
Todos acreditam que não existe ainda. Esse mercado está sendo formado, por isso não existe uma clara linha para uma produção pensada ao mercado local. Para Greg, o uso de alguns ingredientes regionais pode criar o vínculo do consumidor com a cerveja como algo local, mas não necessariamente é o desejo do mercado e sim uma ação ativa das cervejarias de criar esse vínculo.

O que já é feito e o que poderia melhorar para aumentar a cultura cervejeira entre os húngaros?
Os eventos são de extrema importância para a propagação da cultura da cerveja artesanal na Hungria. O primeiro grande evento foi um marco para todos os cervejeiros: o Főzdefeszt (“Fest Brew”) surpreendeu até os organizadores, o festival foi um sucesso. Dizem que 10 mil pessoas compareceram ao longo dos três dias do festival, e as cervejarias acabaram com os estoques previstos para todo o festival na primeira noite. Isso provou que existia uma demanda no país, o fato abriu as portas para novas cervejarias e novos eventos.

Seria possível criar um vínculo de regionalidade com algum tipo de cerveja como o vinho Tokaj1? Como seria essa cerveja?
Márton conta que a Mad Scientist produz bastante braggot, tipo de hidromel feito com mel e malte de cevada, o que poderia ter uma identidade local por conta da cultura do mel no país, mas isso não necessariamente é uma demanda do mercado local, boa parte da produção da cervejaria vai para outros países na Europa.

Meggy sör, a “cerveja de cereja”, é um produto muito popular aqui, por isso se torna uma oportunidade de criar novos entrantes no mercado de cerveja artesanal. Ádám conta que as cervejas com cereja e blueberry da First servem como porta de entrada para muitos consumidores.

Como foi o impacto da pandemia nas cervejarias craft húngaras e o que mudou?
A pandemia teve um grande impacto nas cervejarias artesanais húngara. Assim como no Brasil, várias delas dependiam dos bares e eventos para escoar seus produtos. E tiveram que aprender como fazer a venda direta para os clientes, além de lidar com mais profissionalismo em relação ao marketing, logística etc. Para Greg, a pandemia significou o adiamento da abertura da casa. Então, foi um grande impacto em relação ao tempo para retorno do investimento.

Márton me contou que a Mad Scientist possui uma filosofia muito forte em relação ao impacto social da cervejaria, então, para eles, foi extremamente importante não demitir ninguém nessa fase difícil. Eles estavam um pouco mais preparados que as outras cervejarias, pois desde o começo eles possuem uma forte estrutura para as vendas online. A cervejaria tem um foco forte no e-commerce para toda a Europa, então mantiveram os lançamentos inovadores mesmo durante a pandemia.

Existe uma tendência nas Américas de cervejas com menos álcool. Você acha que isso é realidade também aqui na Europa?
Todos os entrevistados, além de todos os húngaros com quem conversei, não acreditam que essa tendência possa crescer de maneira relevante na Hungria em alguns anos. A cultura do consumo de álcool é muito forte nessa região e isso não deve mudar. Além disso, dentro do nicho da cerveja artesanal, as cervejas com mais álcool são vistas como cervejas de maior valor, de maneira geral. Como ainda está se criando essa cultura de beber produtos de melhor qualidade, levará um tempo para o próximo passo do “beba menos, beba melhor”. Mas todos os entrevistados garantem que têm isso em mente e que muito brevemente pretendem disponibilizar produtos de menor teor alcoólico para o público em geral.

O mercado cervejeiro húngaro também é majoritariamente formado por homens? O que você acha que pode ser feito para trazer mais diversidade?
Para os donos das cervejarias, a diversidade vem sendo construída aos poucos, à medida que algumas mulheres têm se interessado e procurado formação na área. Mas majoritariamente as cervejarias foram formadas por amigos que faziam cerveja em casa, então, a maioria é, sim, masculina. A Hungria não ajuda muito nessa questão, existe uma lei que impede que mulheres realizem trabalhos nos quais seja necessário carregar uma determinada quantidade de peso, o que inviabiliza o carregamento de um Keg cheio, por exemplo, impedindo mulheres de realizarem esse tipo de atividade, muito corriqueira dentro de qualquer cervejaria.

Na Gravity, Greg conta que apesar de ter uma equipe muito pequena, no brewpub, ele acha que a equipe é bastante diversa. São duas mulheres numa equipe de cinco pessoas. Ele costuma fazer análise sensorial com todos da equipe para decisões de futuras receitas e avaliação do próprio produto. Ele reforça que ter diferentes perspectivas e diferentes histórias de vida enriquece muito essas reuniões. E isso se reflete no produto final.


O cenário cervejeiro dos grandes conglomerados é marcado por uma competição ferrenha, como você vê essa competição no mercado craft húngaro?
Assim como no Brasil, algumas das grandes cervejarias criaram algumas receitas que “conversam” com os termos do mundo craft. Ádám vê isso de forma positiva, pois essas cervejas servem para introduzir o cliente no mercado craft. Muitos vão se familiarizando com termos como IPA e Session, o que facilita na hora de eles escolherem na prateleira do supermercado uma cerveja especial para tomar em casa. Mas os mercados são completamente diferentes. E apesar de as cervejarias artesanais estarem disputando dentro de uma fatia pequena de mercado de 5-6%, ainda consideram que o convívio é amistoso.

Existem algumas parcerias locais, vários eventos conjuntos, Além disso, diversas cervejarias possuem taprooms próprios e recebem algumas cervejarias convidadas, fazem receitas colaborativas, etc. Para Mártom “somos como pequenos peixes nadando juntos”.

Mergulhar nesse cenário tão diferente, mas com tantas semelhanças ao mercado de cerveja artesanal do Brasil está sendo uma experiência encantadora. No próximo artigo, falarei um pouco sobre o impacto da guerra da Ucrânia no mercado de cerveja artesanal húngaro e como o país foi fundamental na história da cerveja Pilsen, produzida em grande escala.


1Tokaj é o nome dos vinhos da região vinícola Tokaj, na Hungria, conhecida por seus vinhos doces feitos de uvas afetadas pela terroir local. É um estilo de vinho nobre que tem uma longa história na região, tão importante que é até mencionado no hino nacional da Hungria. E possui regulamentação de controle de qualidade húngaro.


Nadhine França foi a primeira mulher a ocupar a presidência executiva da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), também sendo responsável pela criação e coordenação do Núcleo de Diversidade. É analista de sistemas, cervejeira, beer sommelière, Cicerone Certified Beer Server, juíza internacional de cerveja, organizadora de eventos, concursos e congressos cervejeiros. Hoje mora em Budapeste.

Por expansão, BrewDog faz parceria com a Budweiser na China

A BrewDog se aliou a uma das maiores marcas de cerveja do mundo em busca de mais espaço no mercado da China. A cultuada marca artesanal escocesa anunciou uma joint venture com a Budweiser Brewing Company APAC Limited, a divisão para a Ásia e Pacífico da AB InBev, para comercialização e produção das suas cervejas no país. A expectativa é de que a parceria esteja operando até o final de março.

A AB InBev inaugurou recentemente uma fábrica na China, destinada à produção de cervejas especiais. O espaço foi aberto em julho de 2022 em Putian e tem 7.400 m². Por lá, hoje são fabricados rótulos de marcas como Goose Island, Boxing Cat e 059 Coastline Craft. E a unidade industrial, de acordo com a Budweiser APAC, existe para atender à crescente demanda por cerveja premium na China.

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Será lá, também, onde vão ser fabricadas algumas das cervejas da BrewDog, como Punk IPA, Hazy Jane e Elvis Juice. Além disso, a marca terá acesso à rede de vendas e distribuição da Budweiser. E com esse impulso, também tem planos de abrir até dez bares na China nos próximos cinco anos.

Apesar do acordo com a AB InBev, a BrewDog está presente na China desde 2015, tendo inaugurado um bar em Xangai em 2020. Porém, reconhece que tem pouco impacto por lá, ao menos até agora. O país, afinal, responde por menos de 1% das vendas globais da marca. “Dizer que mal arranhamos a superfície desse mercado dinâmico e em rápido crescimento seria um eufemismo enorme”, afirma a cervejaria escocesa em um comunicado.

A BrewDog também defende ser necessário contar com um parceiro estruturado para conquistar espaço no mercado chinês. “A China é um daqueles mercados onde você realmente precisa trabalhar com um parceiro estabelecido que tenha uma infraestrutura de vendas, distribuição instalada e conhecimento do mercado local. É por isso que estamos muito satisfeitos por ter assinado um acordo de parceria com a Bud China para nos permitir acelerar nossos negócios na China”, diz.

No comunicado em que anunciou o acordo, a BrewDog lembrou que possui parcerias semelhantes com outras cervejarias fora do Reino Unido, citando Molson Coors, Asahi, Heineken, Estrella Galicia, Warsteiner e Swinkels. O acordo com a Asahi, inclusive, envolve outro mercado relevante na Ásia, o Japão, tendo sido firmado em 2021.

“Essas parcerias nos permitem colocar nossa cerveja nas mãos de mais pessoas e, em alguns casos, fabricar nossa cerveja muito mais perto do consumidor final, o que é ótimo para a qualidade da cerveja e, de maneira importante, causa menor impacto para o nosso planeta”, comenta a BrewDog.

A China é responsável pelo consumo de, aproximadamente, um quinto das cervejas do mundo. Além disso, o país tem aumentado exponencialmente o consumo das artesanais, tendo atingido os 6,5 milhões de hectolitros em 2020.

O acordo com a marca artesanal escocesa foi celebrado por Nicolas Morelli, vice-presidente de cervejas artesanais e especiais da Budweiser China. “Estamos entusiasmados em adicionar a BrewDog ao nosso portfólio de cervejas artesanais para enriquecer a experiência dos amantes da cerveja chinesa com mais opções de cervejas artesanais”, diz.

Olhar o passado para construir: cerveja Sankofa resgata cultura africana

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Os provérbios e símbolos africanos carregam reflexões, propagam conhecimento e representam manifestações da cultura do povo negro ao longo dos séculos. Por isso, eles também são formas de resgatar a história e servem de inspiração para criações na sociedade, como é o caso da cerveja surgida da parceria entre o Bock, o grupo de afinidades dos funcionários da Ambev, e a Implicantes. O rótulo, que leva o nome Sankofa, não só faz um resgate da ancestralidade africana, como também terá o lucro obtido com as vendas destinado aos jovens da comunidade do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Sankofa é um símbolo gráfico dos Akan (grupo étnico de Gana e Costa do Marfim) utilizado no sistema de escrita ideográfico. Como explica Leila Maria Hernandez, professora de História da África do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), o símbolo é formado por sanko = voltar; e fa = buscar, trazer.

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“Origina-se de um provérbio tradicional. Tem dois significados: ‘aprender com o passado para a construção do presente e do futuro’; e ‘não é tabu voltar atrás e buscar o que esqueceu’”, conta a professora da USP.

Como grande importância para o povo negro, sankofa pode ser representado por um pássaro místico que voa para a frente, tendo a cabeça voltada para trás, carregando no seu bico um ovo, o futuro. “Destaca a importância de ver de onde se veio. É a valorização da identidade, da memória e da cultura negra”, diz Leila.

A professora avalia que sankofa é importante, também, para ressaltar a diversidade do conhecimento humano e a possibilidade de observação do mundo de formas diferentes, além de ressaltar a imigração forçada dos negros, através do Atlântico. “Sankofa é um símbolo gráfico presente na África e nas Américas, dando ênfase ao passado como pré-condição do presente e do futuro”, acrescenta.

Lembrar a história afro-americana e afro-brasileira é fundamental para que os erros do passado não sejam cometidos novamente, com a sankofa representando uma forma de resistência, com o simbolismo do ideograma de que o futuro deve ser construído sem nunca se esquecer do passado.

Assim, a vivência do presente deve vir carregada do conhecimento do passado e das suas culturas. E se dá em torno da necessidade de resgate do que não pode ser esquecido a união entre a Implicantes e o Bock, que possui mais de 700 membros espalhados pelo país, sendo responsável por fomentar discussões e ações práticas voltadas para questões étnico-raciais. E, agora, liderou as ações para a criação de uma cerveja.

Parceria de luta
Com uma trajetória de luta racial e resgate da história do povo negro, a Implicantes se juntou ao grupo de afinidade da Ambev em um projeto que busca contribuir para a luta por uma sociedade livre de preconceitos e em que a diversidade seja valorizada, modificando um cenário que em alguns momentos parece solidificado.

E foi dessa união que surgiu a “versão em cerveja” da Sankofa. Se trata de uma International Dark Lager com graduação alcoólica de 4,7% e 15 IBUs de amargor, sendo uma cerveja de cor marrom e espuma bege. De aroma leve e caramelo com um toque frutado, teve em sua produção, realizada no Centro de Inovação Tecnológica da Ambev, a atuação de pessoas pretas em cada etapa de seu processo criativo, desde a concepção até o produto final.

Além disso, todo o lucro da venda da Sankofa, hoje disponível no Empório da Cerveja, será revertido para a ONG Abraço Campeão, que desenvolve o potencial dos jovens da comunidade do Complexo do Alemão por meio de artes marciais, educação e desenvolvimento pessoal, para que sejam protagonistas da sua história e autores do seu próprio futuro.

“A gente acredita que é por meio de um ambiente diverso que as pessoas se sentem mais confiantes e à vontade para propor novas ideias. Por isso, atuamos em várias frentes para combater ativamente a homofobia, o machismo e a objetificação da mulher no universo cervejeiro. Da mesma forma, trabalhamos também para buscar a equidade racial. A Sankofa, em parceria com a Implicantes, é um dos nossos resultados deste processo”, afirma Charleston Agrícola, sommelier de cervejas na Ambev.

Para que isso não fique apenas no campo das ideias, a Ambev anunciou, há alguns anos, metas específicas para aumentar a diversidade racial entre seus líderes e da cadeia de valor, buscando agir ativamente na promoção da equidade racial dentro e fora da companhia.

E isso vem sendo feito através de alguns compromissos, como a ampliação da representatividade de pessoas negras em processos seletivos e contratações, bem como em promoções, capacitando profissionais com potencial; do incentivo à conscientização da pauta de diversidade e inclusão em todas as unidades; do trabalho de diversidade e inclusão no ecossistema, influenciando fornecedores, clientes e parceiros a colocar em prática iniciativas em relação ao tema.

“Investimos em treinamento antirracista para 100% dos nossos líderes, e expandindo essa conscientização sobre diversidade e inclusão a todos os nossos fornecedores”, diz Charleston.

A Ambev também assinou os “10 Compromissos das Empresas com a Promoção da Igualdade Racial”, pacto entre companhias e o terceiro setor para valorização da diversidade étnico-racial no meio corporativo. “Sabemos que ainda há muito a ser feito e que esse é só o começo. Mas é com muita atitude, compromisso e parceria que a gente acredita que pode contribuir para romper essa falha estrutural”, finaliza o sommelier de cervejas.

Por busca do consumidor, bares devem ampliar transformação digital

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A pandemia do coronavírus forçou a adaptação de bares e restaurantes, que precisaram atualizar seus processos, adotar novas funcionalidades e reforçar as soluções tecnológicas. E essa transformação digital vai se consolidar ao longo dos próximos meses, sendo imperativa a integração entre os diferentes modelos de atuação adotados pelos bares por causa das demandas do consumidor.

Para representantes de associações, esses estabelecimentos devem reforçar o uso da tecnologia em suas atividades, mesmo em um cenário de funcionamento sem qualquer tipo de restrição, pois elas também permitiram a otimização de processos.

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“Podemos prever um aprofundamento desses novos modelos, sobretudo de dark kitchens e modelos digitais, o uso acelerado de ferramentas de transformação digital, como totens de autoatendimento e cardápios eletrônicos, de maneira que o digital e o presencial estejam cada vez mais integrados”, afirma Fernando Blower, diretor-executivo da Associação Nacional de Restaurantes.

Essa ampliação do uso dos recursos eletrônicos por bares e restaurantes permite a ampliação da gama de serviços oferecidos, que não se resumem mais ao atendimento in loco, passando também pela criação e continuidade do sistema de delivery e mesmo por diferentes vertentes e horários de atendimento.

Isso é importante, pois a relação com o cliente para bares e restaurantes não se dá mais apenas presencialmente, o que reforça a necessidade de transformação digital desses estabelecimentos. “É fundamental aprendermos a lidar com o cliente tanto pessoalmente quanto no digital, especialmente, explorando o mercado dentro de casa, que ganhou força com os serviços de entregas por meio de aplicativos”, destaca Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Além disso, o uso de ferramentas digitais pode auxiliar bares a compreenderem, através de dados estatísticos, o perfil do consumidor, suas características e preferências. “Toda e qualquer ferramenta que traz insights estatísticos sobre seu público, seus produtos, tendências do mercado, sazonalidade do negócio, entre outras informações relevantes, é muito valioso”, diz Mateus Bodanese, CEO da myTapp.

Esse maior entendimento das demandas do consumidor também passa pela apresentação de novidades. Com isso, ao mesmo tempo em que bares precisam consolidar tendências advindas da pandemia, podem aproveitar a retomada da normalidade para surpreender o consumidor com ofertas de serviços e produtos que ele ainda não conhecia.

“A força da inovação está em marcar positivamente o consumidor e atrelar a marca a uma experiência, isso é muito significativo. Mas inovar dá trabalho, por isso, para não perder nenhuma oportunidade em 2023, meu conselho é fazer testes, apostar em estratégias consolidadas e tentar inovar em tudo que estiver ao seu alcance”, acrescenta Bodanese.

Assim, com a ampliação da atuação e um trabalho de aproximação do consumidor, os bares deverão conhecer os desejos do seu público-alvo, aproveitando a expectativa de alta do consumo ao longo de 2023.  “O importante é aprender a lidar com o consumidor, que está cada vez mais exigente, conhecendo mais os produtos no que diz respeito a cerveja”, conclui Solmucci.

Bill Gates compra participação na Heineken por quase R$ 5 bilhões

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Bill Gates agora é acionista do Grupo Heineken. O bilionário fundador da Microsoft comprou 3,76% dos ativos da Heineken Holding NV, que possui o controle acionário da gigante holandesa de bebidas, em uma negociação fechada após a mexicana Femsa decidir vender a sua participação.

A compra de uma parcela das ações do Grupo Heineken por Bill Gates foi confirmada pela Autoridade de Mercados Financeiros da Holanda. Foram adquiridas 10,8 milhões de ações por 883 milhões de euros (aproximadamente R$ 4,863 bilhões), em uma transação realizada pela Fundação Bill & Melinda Gates.

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A aquisição de uma parcela do Grupo Heineken por Bill Gates despertou de imediato a lembrança na imprensa que segue os passos e investimentos do magnata de que o fundador da Microsoft está longe de ser um grande consumidor de cerveja.

“Quando acabo indo em algo como um jogo de beisebol, bebo cerveja light para entrar na vibe de todos os outros bebedores de cerveja. Desculpe desapontar os verdadeiros bebedores de cerveja”, afirmou em 2018, quando participou de um bate-papo no Reddit.

Anteriormente, a Femsa havia anunciado a decisão de deixar de ter qualquer participação junto ao Grupo Heineken, em um desinvestimento que deve durar entre 2 e 3 anos. O grupo mexicano possuía 18 milhões de ações da Heineken Holding. É, assim, desse montante que o fundador da Microsoft adquiriu os seus papéis.

A Femsa optou por concentrar suas atividades em outros negócios, como a engarrafadora que administra junto com a Coca-Cola, a rede varejista Oxxo, sua fintech e seus postos de gasolina. E além de vender suas ações, seus membros que fazem parte de conselhos de supervisão e administração do Grupo Heineken irão renunciar.

“A Heineken respeita a decisão da Femsa de reorientar suas prioridades estratégicas e gostaria de agradecer a Femsa por sua contribuição e apoio no crescimento de nossos negócios nos últimos 13 anos”, diz a companhia de origem holandesa em comunicado.

Heineken também compra
Outra parcela relevante das ações da Heineken Holding que eram da Femsa foram adquiridas pelo próprio Grupo Heineken. Foram 3.891.050 ações compradas por 292 milhões de euros (R$ 1,6 bilhão). Como também comprou papéis da Heineken que eram do grupo mexicano – 7.782.100 ações por 708 milhões de euros (R$ 3,882 bilhões) – investiu um valor agregado de 1 bilhão de euros (R$ 5,48 bilhões).

“A participação nesta oferta de ações por meio da compra de ações da Heineken e da Heineken Holding NV representa uma oportunidade única de investimento e reflete nossa confiança na estratégia EverGreen, que continua a ganhar impulso. Nosso forte balanço patrimonial nos permite aproveitar esta oportunidade. Isso não altera nossos princípios de alocação de capital, que priorizam o investimento no crescimento orgânico e na expansão de nossos negócios, respeitando nossa meta de longo prazo de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) abaixo de 2,5x”, afirma Dolf van den Brink, CEO e presidente do Conselho Executivo do Grupo Heineken.

“Nenhuma embalagem dominará as artesanais como foi com a garrafa”

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O setor de cervejas artesanais se tornou mais diverso em relação ao uso das opções de embalagem. O enorme domínio apresentado ao longo dos tempos pelas garrafas de vidro não mais acontece ou acontecerá, de acordo Bruno Lage, sócio-fundador da Label Sonic, empresa especializada em rotulagem.

As garrafas de vidro continuarão, claro, tendo grande importância e participação no mercado de embalagem dentro do segmento de cervejas artesanais, mas tendências advindas da pandemia do coronavírus se consolidaram. E elas envolvem tanto as latas, que já tem parcela relevante de clientes do setor em outros países, como o PET e os growlers, que inicialmente foram vistos como opções emergenciais em meio aos momentos mais graves da crise sanitária.

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“Nenhuma embalagem mais vai dominar o mercado de cervejas artesanais como a garrafa dominou”, prevê Lage, que atua diretamente com as marcas através dos serviços de rotulagem fornecidos pela sua empresa e tem enxergado uma nova dinâmica no segmento, com a diversificação do envase.

“No chamado pós-pandemia, a garrafa perdeu espaço. Claro que a garrafa continua muito forte, mas perdeu espaço para a lata. Mas não só para a lata. O volume também passou para o growler e a embalagem PET”, acrescenta o sócio-fundador da Label Sonic.

Se o uso do envase em lata para cervejas artesanais é uma tendência vista no mercado internacional, a adoção da embalagem PET é uma solução que até algum tempo atrás era vista sob desconfiança por uma parcela do consumidor, algo que começou a ser dissipado com a pandemia.

“A embalagem PET vai crescer na cerveja artesanal. O PET oferece preço. Claro que ainda depende de uma cadeia refrigerada para fazer a distribuição. Mas acho que é uma embalagem promissora”, avalia Lage.

Para referendar seu argumento, o sócio-fundador da Label Sonic aponta que o uso do PET não tem se resumido à cerveja via delivery, também sendo oferecido em bares e restaurantes como uma “cerveja fresca”.

“O consumidor pode ver o PET como uma cerveja fresca no ponto de venda. E não mais como uma cerveja inferior, como era muito comum de se ver esse pensamento, especialmente fora da região Sul. Começou a ser mais comum você pedir um growler para consumo em um restaurante, por exemplo, com mais pessoas. É uma mudança de percepção do consumidor, passando a entender que se trata de uma cerveja fresca”, diz.

Conversa pela embalagem
Como muitas cervejarias vêm mudando o envase da sua produção, esse processo também necessita de diálogo com o consumidor. E o rótulo pode ser o local ideal para isso, pelo contato direto com o público, lhe informando sobre a nova estratégia da marca e suas motivações.

“O rótulo acompanha todas as mudanças. A dor é adaptar a comunicação do rótulo para essas novas embalagens. O rótulo é uma das principais formas de falar com o cliente sobre a mudança de embalagem, é uma fonte de informação”, diz Lage.

O profissional da Label Sonic também ressalta que adotar a comunicação certa ao dialogar com o consumidor pode ter impacto sobre a decisão de compra, pois costuma ser somente quando está no ponto de venda que ele escolhe qual será o produto a ser adquirido.

“Algumas pesquisas já mostraram que 90% da decisão de compra é tomada no ponto de venda. E é ali onde o rótulo está. Então, em casos de adoção de nova embalagem, é preciso explicar essa mudança no rótulo, falar que está evoluindo, usando uma embalagem de menor impacto ambiental, por exemplo. Você também pode destacar que é uma cerveja fresca, que precisa ser armazenada e consumida rapidamente”, comenta.

Certo mesmo é que, independentemente da embalagem adotada em sua cerveja artesanal, as marcas precisam ficar atentas à comunicação visual para um consumidor exigente, que busca uma experiência completa com a bebida.

“O cliente da cerveja artesanal quer uma diferenciação que passa pela embalagem e pelo rótulo. Ele quer ficar bonito no Instagram, nos grupos de WhatsApp, nas redes sociais. O produto é sempre o mais importante, precisa ser bom, mas também tem que estar bonito. A embalagem faz parte do produto”, conclui o sócio-fundador da Label Sonic.