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Janeiro Seco: Conheça o movimento e sua influência no mercado cervejeiro

Ficar um mês sem consumir bebidas alcoólicas. A iniciativa, adotada informalmente por milhares de pessoas pelos mais diversos motivos, ganhou, há dez anos, um movimento, o Dry January, ou Janeiro Seco, em uma tradução livre, adotada no Brasil. E com uma década de existência, tem movimentado o mercado, amparado pela propagação do consumo consciente, assim como pelo aumento da procura por cervejas sem álcool.

A ideia do Dry January surgiu por um dos diversos motivos que levam uma pessoa a ficar algum tempo sem consumir bebidas alcoólicas: a preparação para uma prova física. Foi o que aconteceu com Emily Robinson, às vésperas de uma maratona. Posteriormente, ela foi a responsável pela criação da iniciativa quando estava na Alcohol Concern, hoje Alcohol Change UK, realizando o primeiro “Janeiro Seco” no mês inicial de 2013.

A campanha não era inédita, tanto que existem relatos de outras iniciativas parecidas, como na Finlândia, nos anos 1940, em meio à Segunda Guerra Mundial. Mas fato é que o Dry January do grupo britânico que trabalha para reduzir os danos do álcool ganhou mais notoriedade, inclusive fora do Reino Unido.

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“Essa não foi a primeira vez que o termo Janeiro Seco apareceu. Houve uma campanha chamada Sober January (Janeiro Sóbio, em português), em 1942, feita pelo governo da Finlândia. Mas a mais forte é dessa ONG britânica e que também chega aos Estados Unidos com muita força anos atrás. Também vem chegando aos poucos aqui no Brasil”, diz Luis Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso.com.

No Reino Unido, o programa inicial teve a adesão de 4 mil pessoas, número que saltou para 130 mil no ano passado. Nesse período, a Alcohol Change UK também lançou um aplicativo, o Try Dry, mesmo nome do guia oficial para um mês sem álcool para as pessoas inscritas, que podem receber e-mails diários sobre o tema. Além disso, algumas pesquisas mostraram que participantes do Janeiro Seco passaram a consumir álcool de forma mais saudável.

Com o sucesso local, o Dry January não mais se restringiu ao Reino Unido. O programa tem parceiros oficiais em diversos países, com alguns deles tendo lançado campanhas próprias, como França, Suíça, Noruega e Islândia. Os Estados Unidos também aderiram ao Janeiro Seco.

“O legal dessa campanha é que ela foi abraçada por muitas cervejarias e se espalhou pelo mundo, já que hoje existe muita variedade de oferta de cervejas sem álcool. Claro que as cervejarias americanas enxergaram uma oportunidade nisso. Nos EUA, o Dry January ganhou força e foi incorporado ao marketing buscando aqueles consumidores que se identificam com o conceito chamado wellness – bem-estar físico e mental”, diz Rodrigo Sena, sommelier, responsável pelo canal Beersenses e colunista do Guia.

No Brasil, marcas também estão atentas a essa possibilidade, que coincide com o crescimento do consumo de cervejas sem álcool.  Apesar de ainda representar uma parcela discreta do consumo total do mercado, a categoria de cerveja sem teor alcoólico foi considerada uma das mais bem-sucedidas nas vendas ao varejo em 2021. Segundo levantamento da empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International para o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, esse segmento registrou volume de 284,6 milhões de litros, um aumento de 44% em relação ao ano anterior.

O número de pessoas que se interessam por assuntos ligados a esse conceito só aumenta e as cervejarias passaram a lançar produtos para esse público. Além disso, é também uma baita oportunidade das cervejarias apresentarem seus rótulos sem álcool para aqueles consumidores que não estão tão ligados nisso. Por isso o Dry January ganhou tanta força

Rodrigo Sena, sommelier e responsável pelo canal Beersenses

Não à toa, muitas cervejarias ampliaram seus portfólios de cerveja com opções não alcoólicas, caso da Doktor Bräu, que possui a Isotonic Fruitbeer, e da Paulistânia, que lançou, no último fim de semana, um rótulo não alcoólico, a Interlagos.

“Esse movimento foi impulsionado pelo aumento da busca pela saúde e do consumo consciente e traz mais oportunidades de atuação para cervejarias. A Doktor Bräu, percebendo essas mudanças no mercado, investiu pesado em tecnologias de última geração e passou a produzir cervejas sem álcool”, diz Nuberto Hopfgartner, um dos fundadores da da Doktor Bräu.

Inclusive, na visão de Sena, o Janeiro Seco forçará adaptações nas estratégias das cervejarias, sob risco de perda de participação no mercado. “Acredito que é um movimento que veio para ficar e a cada mês de janeiro terá mais força aqui no Brasil. Faz todo o sentido, pois além de ser uma boa oportunidade de aumentar o volume de vendas, ainda contribui diretamente para o branding da cervejaria. Quem não estiver atento a isso ficará para trás”, alerta.

Além disso, campanhas como a do Janeiro Seco podem reverberar durante o restante do ano – e não apenas para aqueles que aderiram à abstinência temporal. Afinal, reforça a importância do consumo moderado, uma prática que tem sido destacada por outras iniciativas, assim como amplia as opções de bebidas a serem oferecidas ao público.

“Isso estimula a produção de cerveja sem álcool, que é um tema que está super em voga hoje. Então você pode, sim, consumir uma cerveja sem álcool, matando a vontade. Outra coisa que há de se pensar é que não adianta nada ficar janeiro inteiro sem beber e beber nos outros meses tudo o que não se bebeu nesse período. O importante é valorizar a moderação”, diz Celso.

O grande impacto no mercado é começarmos a pensar em moderação sem se abster 100% da cerveja. E a cerveja sem álcool é um ótimo exemplo

Luis Celso Jr., sommelier e fundador do BarDoCelso.com

Com 16,1%, Rio lidera inflação da cerveja em 2022; veja outras capitais

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A cidade do Rio de Janeiro terminou o ano de 2022 com a liderança em um ranking que em nada agrada ao consumidor de cerveja. A cidade fluminense foi a capital entre as 15 pesquisadas pelo IBGE com a maior inflação da cerveja no domicílio, de 16,10%.

A inflação da cerveja no Rio de Janeiro, assim, ficou quase 7% acima do índice médio em todo o país no ano passado, quando foi de 9,37%. Mas a expressiva alta dos preços no domicílio, em geral em estabelecimentos varejistas, não se repetiu fora do domicílio no Rio de Janeiro. Por lá, nos bares e restaurantes, a inflação foi de apenas 4,50%, abaixo, inclusive, do índice oficial, de 6,42%.

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O Rio de Janeiro liderou uma relação de 10 capitais, entre as 15 pesquisadas pelo IBGE, em que a inflação da cerveja no domicílio superou a barreira dos dois dígitos em 2022. A lista também conta com Salvador (15,15%), Aracaju (13,14%), Campo Grande (12,83%), Recife (12,35%), Fortaleza (11,30%), Brasília (10,63%), Belo Horizonte (10,33%), Grande Vitória (10,25%) e São Luís (10,01%).

Na outra ponta, Porto Alegre foi a capital com a menor variação no preço da cerveja no domicílio em 2022, de 5,01% e, portanto, menos de 11% do que a inflação do mesmo item no Rio de Janeiro.

Nos bares e restaurantes
No ano passado, o preço da cerveja fora do domicílio pesou mais para os moradores de Recife. A cidade pernambucana foi a capital com a maior inflação entre as 15 pesquisadas pelo IBGE, ficando em 12,55%. Foi quase o dobro do índice nacional, de 6,42%.

Além de Recife, apenas uma outra cidade apresentou inflação acima dos 10% para a cerveja vendida em bares e restaurantes no ano passado. Foi Porto Alegre, que registrou baixa variação dos preços no varejo, mas apresentou alta de 11,72% para o consumo fora do lar.

Em 2022, duas das capitais pesquisadas pelo IBGE apresentaram inflação da cerveja em bares e restaurantes abaixo dos 2%: Belém, com variação de 1,94%, e Brasília, com alta de apenas 1,98%.

Confira os dados da inflação da cerveja no Brasil na capitais pesquisadas pelo IBGE:

Setor cervejeiro tem alta na busca por novos negócios e ampliações, avalia consultor

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Apesar das empresas ainda lutarem para superar os efeitos da pandemia da Covid-19, o ano de 2022 foi marcado pela retomada e crescimento dos negócios na indústria da cerveja no país. E isso se refletiu no surgimento do desejo de abertura de negócios ou de incremento dos já existentes, em iniciativas que devem consolidar essa recuperação, se transformando em uma expansão do mercado cervejeiro em 2023.

Esse início de uma nova fase de crescimento do mercado é a aposta de Filipe Bortolini, sócio-administrador da Beer Business. Ele relata que muitos estabelecimentos aumentaram seus volumes de venda no ano passado, criando um cenário de recuperação da confiança dentro do segmento cervejeiro.

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O otimismo, inclusive, tem causado efeitos diretos na sua atividade, com o crescimento da busca por serviços oferecidos pela sua empresa, especialmente as consultorias para quem está montando um novo negócio. “Isso tem se refletido nas conversas com os clientes e também com os fornecedores”, conta.

De acordo com Bortolini, clientes têm apresentado grande interesse em definir detalhes do planejamento de novos negócios para 2023. Além disso, há preocupação com a ampliação e melhoria nas operações em andamento. “Vemos 2023 como uma oportunidade para o crescimento da empresa e para a consolidação das iniciativas desenvolvidas durante o ano de 2022″, relata o sócio-administrador da Beer Business.

Bortolini assegura que a sua consultoria está preparada para lidar com o aumento da procura pelos serviços, pois passou por uma reestruturação em 2022, podendo apresentar novidades ao mercado cervejeiro ao longo de 2023. “Já estamos com as novas consultorias rodando e desenvolvendo mais cursos que pretendemos lançar no decorrer do ano”, explica.

A estruturação interna citada por Bortolini envolveu a criação de novos conteúdos e a aplicação de novas consultorias, como a que foi lançada no início de 2022, após testes envolvendo o Sebrae da Bahia em 2021. Isso, inclusive, levou a Beer Business a ampliar o seu alcance.

“Pudemos consolidar nosso curso de Tributação para o Mercado Cervejeiro como uma referência para o setor e estamos atendendo diversas cervejarias de todo o país na contabilidade mensal, do Amazonas ao Rio Grande do Sul”, conta.

Também como preparação para 2023, a empresa de consultoria e cursos cervejeiros ainda realizou diversos projetos internos para a estruturação de sua área de marketing digital e comunicação, sob a perspectiva de aumento da demanda por esse tipo de serviço.

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria começar 2023 com o pé direito

Balcão do Advogado: Para sua cervejaria começar 2023 com o pé direito

Para auxiliar no planejamento de 2023, elaboramos uma lista com dicas para a sua cervejaria começar voando já em janeiro:

– DECLARAÇÃO DE PRODUÇÃO ANUAL (exigência do MAPA): anualmente relembramos às cervejarias, mas ainda são poucas as que atendem a essa exigência. Todas as cervejarias devem apresentar, até o dia 31 de janeiro, a Declaração de Produção Anual ao órgão técnico especializado da Superintendência Federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do seu estado, na qual conste a quantidade de produto elaborado e os estoques existentes ao final de 2022. O não cumprimento desta exigência implica multa de até R$ 117.051,00 (artigos 86, 107, inc. XVI, e 108 do Decreto nº 6.871/2009). Para baixar o modelo de Declaração de Produção Anual, acesse aqui.

– ADESÃO AO SIMPLES: as cervejarias que estejam aptas, mas ainda não aderiram ao regime do Simples Nacional, devem fazê-lo também até o dia 31 de janeiro. Converse com o seu contador, verifique eventuais pendências, regularize-as e faça a opção pelo regime do Simples, caso seja mais vantajoso.

– ADEQUAÇÃO DOS RÓTULOS: a quantidade de rótulos com erros grosseiros e não atendimento da legislação é enorme. É preciso mais cuidado por parte das cervejarias nesse aspecto, já que muitas empresas estão sofrendo sanções por isso. Caso tenha dúvidas sobre rotulagem, acesse aqui.

– REGISTRE seus rótulos: mesmo com alguns avanços, ainda são poucas as cervejarias que registram o nome/logo dos seus rótulos no INPI, o que tem ocasionado uma série de conflitos entre os cervejeiros. Ao deixar de registrá-los, a cervejaria simplesmente abdica da exclusividade dos seus rótulos, tendo em vista que, sem os registros no INPI, qualquer outra cervejaria pode utilizar o nome da cerveja ou a sua identidade visual, sem contar que pode até “roubar” a marca ao registrá-la primeiro. É muito importante que as cervejarias entendam a necessidade do registro dos seus rótulos como medida de resguardar algo que, muitas vezes, possui valor imensurável. Para entender mais sobre a importância do registro de marca, acesse nosso e-book sobre o tema.

–  REFORMA TRABALHISTA: é preciso ficar atento a eventuais alterações nas leis trabalhistas pelo novo governo. É essencial fazer uma consultoria trabalhista preventiva para a cervejaria adequar-se às novidades legislativas, a fim de diminuir passivos na esfera laboral.

– ANUIDADE DOS CONSELHOS PROFISSIONAIS: os conselhos profissionais (principalmente o de química – CRQ – e o de engenharia – CREA) costumam cobrar das cervejarias anuidade de pessoa jurídica, além de obrigarem a empresa a contratar profissionais ligados aos seus conselhos. A cobrança na pessoa jurídica e a imposição de multas por parte dos conselhos são ilegais, haja vista que o MAPA é o único órgão com capacidade jurídico-fiscalizadora sobre as cervejarias. As cervejarias precisam ingressar com uma ação judicial para obter o cancelamento do registro de pessoa jurídica e a suspensão das cobranças por parte dos conselhos. Isso porque os pedidos administrativos são sempre indeferidos, tendo em vista que as únicas hipóteses aceitas pelos conselhos para cancelamento do registro na via administrativa são o fechamento da empresa ou a mudança da atividade principal. No Judiciário, ainda é possível pleitear a restituição das anuidades pagas nos últimos 5 (cinco) anos.

– ASSOCIE-SE À ABRACERVA: as cervejarias artesanais precisam de representatividade e isso só ocorrerá com uma maior adesão das cervejarias às associações de microcervejarias estaduais e, principalmente, à Abracerva. Com a Abracerva cada vez mais forte, será possível conseguir alterações legislativas benéficas (principalmente tributárias) específicas para as microcervejarias.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Plantações de lúpulo vão reforçar turismo cervejeiro na região serrana do Rio

O turismo foi uma das atividades que mais sofreu nos primeiros anos de pandemia da Covid-19, mas tem atuado para compensar os prejuízos de um dos capítulos mais difíceis da atividade. Em sua trajetória de retomada, o turismo cervejeiro na região serrana do Rio de Janeiro também vem ganhando impulso e deverá se aquecer em 2023, de acordo com as expectativas da Rota Cervejeira RJ, com a possibilidade de acesso dos visitantes às plantações de lúpulo.  

“Para 2023, as perspectivas são as melhores possíveis, uma vez que o turismo é uma das principais ferramentas de fomento econômico de nossa região”, frisa Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ.

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Esse otimismo existe porque, além das tradicionais visitas às cervejarias, eventos e festivais, o turismo cervejeiro na região serrana deverá ser incrementado pela possibilidade de os visitantes conhecerem plantações de lúpulo, ainda mais que a região se tornou um dos polos produtivos desse insumo no Brasil. “Algumas plantações de lúpulo vão começar a colheita da safra neste ano e vão entrar na rota do turismo cervejeiro”, conta.

A coordenadora da Rota RJ destaca que o turismo cervejeiro precisa de mais apoio do poder público, entrando na pauta de divulgação de atrações do estado, o que faria mais pessoas se atentarem para a possibilidade de visitas à região serrana com esse intuito.  “Que possamos entrar, de fato, na divulgação institucional do governo do estado”, pede.

De qualquer forma, há otimismo com o turismo cervejeiro para 2023 por outros fatores, como a volta do público aos eventos, cenário que pode ser aproveitado pelas marcas da Rota RJ, que já vivenciaram essa maior movimentação do público no final de 2022.

“Eu participei do Mondial de la Bière Rio em dezembro e vi o encantamento e aquela sede das pessoas voltarem a estar presentes nesses grandes eventos. Então, acreditamos que o turismo cervejeiro irá funcionar da mesma maneira”, diz Ana.

Além disso, o turismo no Brasil vem se aquecendo novamente. O Índice de Atividades Turísticas, medido pelo IBGE, mostrou que a movimentação financeira registrada em novembro alcançou 97,5% do patamar pré-pandemia de Covid-19 (fevereiro de 2020), demonstrando a recuperação progressiva do setor.

Já no acumulado de janeiro a novembro de 2022, o setor de turismo nacional teve expansão de 32,0% frente a igual período do ano anterior. No quesito regional, o acumulado do ano mostra taxas positivas em vários estados, com destaque para São Paulo (39,1%), Minas Gerais (51,9%),  Rio Grande do Sul (40,1%), Bahia (26,0%) e Rio de Janeiro (16,3%).

No Rio, aliás, nos últimos anos, a Rota RJ tem se mobilizado para tornar o turismo cervejeiro uma das referências do estado. Em 2022, além da participação em tradicionais encontros do setor cervejeiro, como o Mondial, a Rota também organizou seus próprios eventos, como o Festival Cerveja das Montanhas, e buscou fortalecer a vocação turística cervejeira reforçando a presença em encontros de turismo.

“2022 foi um ano onde vimos o turismo começar a respirar novamente e várias ações turísticas das cervejarias começaram e se formar mediante a possibilidade de retomada de fato. O setor em geral teve um impulso forte do poder público e com isso vemos felizes a possibilidade de crescimento nos destinos onde estão as cervejarias da Rota Cervejeira”, finaliza a coordenadora da Rota RJ.

Implicantes volta às raízes e concentra produção em cervejas de tom castanho

Criada em 2018, a cervejaria Implicantes decidiu relembrar o seu começo para definir o futuro da sua produção. A marca de Porto Alegre optou por, nesse momento da sua trajetória, focar as suas criações em cervejas de coloração castanho, algo que marcou o começo da atuação dos irmãos Diego e Daniel Dias e agora recebe o nome de Impli Browns.

“O que motivou foi a ideia do início da Implicantes, desde o nascimento, nas panelas caseiras. Sempre nos encantou cervejas com essa coloração e após estarmos produzindo como ciganos, vimos essa oportunidade de retomar nossa proposta inicial”, explica Diego Dias, sócio-fundador da Implicantes.

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Ainda como caseiros, ele e o irmão focavam na fabricação de Brown Ales em seus primeiros passos como cervejeiros. Foi, também, uma Brown Ale a primeira produção da Implicantes de modo industrial, a Abolicionista, que trazia em seu rótulo a imagem de Luiz Gama.

Se autointitulando a primeira cervejaria negra do mercado nacional, a Implicantes, então, vai se concentrar na fabricação de estilos de cor castanho claro e escuro. Não é uma ação inédita entre as artesanais, que tem o caso da Avós, com a aposta nas Lagers, como um dos exemplos mais emblemáticos de atuação focada em alguns estilos ou tonalidades específicas de cerveja.

Embora vá concentrar a sua produção, a partir de agora, em cervejas de estilos que tenham o castanho como cor, a Implicantes não acredita que isso irá limitar a inventividade e as opções oferecidas ao público. Ao contrário, como explica Diego, a ideia é ofertar ainda mais rótulos, ainda que em edições limitadas.

“A proposta é abranger tanto nosso portfólio como nossos rótulos. Temos maior liberdade artística de produzir peças gráficas diferentes assim como receitas que vão ter uma rotatividade frequente a cada nova produção”, diz Diego.

A ideia, sempre com cervejas de coloração castanho claro/escuro, é explorar estilos clássicos e modernos, com Brown Ale, Belgian Dark Strong Ale e Weizenbock. “Queremos trazer uma nova visão da cerveja com esta coloração, mostrando que os seus sabores e possibilidades vão muito além da cerveja que remete ao café“, acrescenta o sócio-fundador da Implicantes.

Os primeiros lançamentos
Nesses primeiros passos desse foco concentrado nas cervejas de tom castanho, a Implicantes fez dois lançamentos: uma Brown Pilsner e uma Brown IPA, a Basketbrown, que faz referência aos jogos de videogame dos anos 1990. A marca gaúcha, aliás, sem deixar de lado a postura combativa que marca a sua trajetória, também optou por adotar um tom mais cômico na divulgação das novidades, em vídeos publicados no seu canal no YouTube.

“É uma cerveja equilibrada, com aroma cítrico, sabor maltado e amargor na medida, assim como uma bela IPA pede. Basketbrown pode ser dividida durante uma partida de videogame. Quem sabe, até mesmo ser a premiação do vencedor ou, mais uma vez, dividida entre ambos, celebrando o espírito esportivo”, afirma Diego.

“Brown Pilsner é uma cerveja leve e não filtrada, o que lhe dá um aspecto de turbidez, com uma coloração castanho claro. O rótulo traz a referência da charge, utilizada aqui para debater que cerveja escura não necessariamente é para ser consumida somente no inverno nem que possua uma graduação alcoólica alta.  É uma cerveja que pode ser tomada em todas as estações do ano, podendo ser leve, refrescante e saborosíssima”, acrescenta.

Para além da Impli Browns…
A criação de cervejas da tonalidade castanho não é a única novidade que a Implicantes pretende apresentar ao mercado cervejeiro ao longo dos próximos meses. A marca de Porto Alegre também está imbuída em ampliar a participação em rótulos colaborativos. E, inclusive, já participou da produção de alguns.

Ao lado da Tolokazi e da Lohn, a Implicantes lançou a Catharina Sour Marula e Cacau. Em parceria com a Wiembier e a Ball Corporation, fez uma Dark Lager Puro Malte, motivada pelo Mês da Consciência Negra. Com a Proa, produziu a Sarava uma Tripel de coloração ouro escuro.

“Estamos focando em parcerias e colaborativas. Temos mais tempo disponível para estudar propostas e planejar novos projetos. Estamos estudando a possibilidade de fazer collabs com cervejarias internacionais”, revela o sócio-fundador da Implicantes.

Corinthians vai expor marca do Zé Delivery em camisas de treino

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O Corinthians passará a exibir a marca do Zé Delivery em seus uniformes de treino. A exposição do aplicativo para entrega de bebidas é uma das ativações previstas no acordo de patrocínio fechado entre o clube paulista e a Brahma, que será válido ao longo dos próximos dois anos.

“Onde tem futebol, tem Zé Delivery, pois somos apaixonados pelo esporte mais popular do mundo. E essa parceria reforça nosso compromisso de estar presente nos melhores momentos, especialmente com uma das torcidas mais apaixonadas do país, que é a do Timão, sempre com bebida gelada, rápida e no precinho”, diz Thais Azevedo, diretora de marketing do Zé Delivery.

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Além da exposição do Zé Delivery nas camisas de treino, o acordo com o Corinthians também prevê outras iniciativas, como um camarote exclusivo da Brahma na Neo Química Arena. No anúncio do contrato, também houve a indicação de que as marcas da Ambev vão realizar ações direcionadas aos torcedores do clube nas redes sociais.

O acordo entre Corinthians e Brahma reforça a ligação da marca com o futebol brasileiro. Na última semana, inclusive, a empresa havia anunciado a renovação do seu contrato com o Vasco, uma das dezenas das equipes nacionais que tem o apoio da Ambev, com vários acordos longevos.

O Corinthians, porém, já foi patrocinado recentemente por uma outra marca de cerveja, a Estrella Galicia, no período de setembro de 2016 a dezembro de 2020. Assim, o acordo com o clube foi celebrado pela Brahma.

“Brahma quer fortalecer o vínculo do brasileiro com a sua maior paixão, que é o futebol. E é com muita satisfação que iniciamos uma nova etapa nessa relação com o Corinthians. Vamos nos aproximar da torcida e valorizar a paixão e história gigantesca do clube.”, diz Lucas Lobão, gerente de marketing regional São Paulo.

“O Corinthians busca formar parcerias que reflitam a grandeza do nosso clube e que tragam benefícios à nossa imensa torcida. Desta forma, estamos muito felizes em retomar nossa parceria vitoriosa com a Brahma”, acrescenta José Colagrossi, superintendente de marketing, comunicação e inovação do clube.

Como será 2023 para a indústria da cerveja? 9 empresas opinam

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Ainda que existam ressalvas em função dos desafios econômicos a serem encarados ao longo do ano recém-iniciado, a indústria da cerveja está otimista para 2023. A perspectiva, na visão de 9 executivos ouvidos pela reportagem do Guia, é de que o cenário de expansão e crescimento se consolide.

Afinal, após encarar duros desafios em 2020 e 2021, ampliados em função da continuidade da pandemia, a indústria da cerveja iniciou uma recuperação em 2022, das vendas e do faturamento, e acredita que poderá ampliá-la em 2023, desde que surpresas não surjam, como novas variantes da Covid-19.

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As empresas consultadas enxergam movimentações para abertura de empreendimentos ou para a expansão da atividade, como relata Filipe Bortolini, sócio-administrador da Beer Business. “Muitos clientes e interessados têm nos procurado para trabalhar no planejamento de novos negócios para 2023 e também para melhoria nas operações em andamento”, diz.

É, assim, um exemplo da expectativa de crescimento da produção pela indústria da cerveja, provocada pela esperança no aumento do consumo e da recuperação do poder de compra da população em 2023.

Essa retomada vem também acompanhada pelo desejo de estabilidade que faça o segmento de artesanais crescer de modo saudável e em um ritmo semelhante ao do período que antecedeu a pandemia, ampliando a sua participação no mercado de artesanais.

“As cervejarias independentes precisam brigar para ocupar parte relevante deste crescimento”, afirma Gustavo Barreira, CEO da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais, a CBCA.

Confira, na avaliação de 9 empresas, as perspectivas para a indústria da cerveja em 2023:

Beer Business (Filipe Bortolini, sócio-administrador)
Creio que o mercado cervejeiro vem se recuperando das dificuldades enfrentadas e 2023 deve ser um ano de bastante crescimento no setor, o que reflete diretamente na procura por serviços de consultoria para quem está montando um novo negócio. Muitos clientes e interessados têm nos procurado para trabalhar no planejamento de novos negócios para 2023 e também para melhoria nas operações em andamento.

BierHeld (Ewerton Miglioranza, sócio-fundador)
Embora as cervejarias tenham conseguido reconciliar o seu faturamento para níveis pré-pandemia, o setor ainda apresenta um pouco de incerteza em relação a 2023, em parte pelo ressurgimento de novas variantes da Covid-19 e também pela incerteza da política econômica a ser adotada pelo governo federal. Como dizem, o mercado ainda está “andando de lado”.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Acreditamos que o crescimento do mercado de cervejas especiais ainda tem um longo caminho pela frente. Em países mais maduros, o percentual de especiais dentro do mercado total de cervejas já chega a 20% e ainda estamos em 3%. Não acredito que chegaremos aos mesmos 20% por diversos fatores, entre eles tributários e questões de renda, mas, ainda assim, temos um longo caminho, com bons anos de crescimento, até os 12% que acredito ser o número para o mercado brasileiro. As cervejarias independentes precisam brigar para ocupar parte relevante deste crescimento.

Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, sócia)
A perspectiva é de que tenhamos um aumento nas produções. Temos observado um movimento na direção de cervejas de entrada, até mesmo por conta dos custos. Claro que se temos uma melhora no poder de consumo, esse panorama melhora e possibilita outros níveis de consumo. Olhamos de uma maneira um pouco mais otimista, mas ainda sentimos a necessidade de ter como pauta a tributação, que é importante e precisa estar sempre nas discussões do setor.

Eureka (Dario Ocelli, CEO)
2023 será um ano de muitos desafios, mas continuaremos com a mesma política de crescimento gradativo e sustentável. Estamos bem otimistas de que o setor cervejeiro artesanal volte a ter os mesmos patamares de crescimento dos anos anteriores à pandemia.

Meu Garrafão (Helton Aguiar, diretor)
Eu acredito que o setor tem se moldado a tendências nacionais e internacionais. Afinal, a cultura de degustações e experiências de bebidas é forte aqui no Brasil. Portanto, acho que há espaço para crescer em 2023 muito pela análise da adaptação dos produtos e serviços, para o consumidor se identificar com os produtos e passar a consumir mais.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
A perspectiva é de crescimento de mais de 4% em um cenário com mais estabilidade política e econômica, restaurando o poder de compra e a confiança do consumidor. Com o consumo nos lares consolidado e as compras online em ampla expansão, estamos apostando em algumas oportunidades para aumentar em mais de 15% nosso crescimento.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, proprietário)
Nossa esperança é que as empresas continuem na retomada do equilíbrio e crescimento para que possamos contribuir ainda mais com o mercado. Acredito que o setor esteja ainda com ressalvas, mas, lá no fundo, vejo que todos esperamos essa melhora generalizada.

Rota RJ (Ana Cláudia Pampillón (coordenadora)
As perspectivas são as melhores possíveis uma vez que o turismo é uma das principais ferramentas de fomento econômico de nossa região. E o turismo tem tido um olhar mais cuidadoso nos últimos dois anos. Acredito fortemente que deverá continuar desse jeito.

Jogo do Flamengo no Espírito Santo terá 15 mil litros de chope de graça para torcida

A volta do Flamengo ao Espírito Santo ficará marcada por uma iniciativa especial. A torcida que for ao estádio Kleber Andrade, em Cariacica, nesta quarta-feira (18), acompanhar o jogo entre Madureira e Flamengo, terá 15 mil litros de chope à disposição. A ação é da startup capixaba MeuChope.

“Esta iniciativa é uma forma de mostrar que a cerveja artesanal pode estar em todos os lugares, até nos grandes e renomados eventos”, afirma Augusto Sato, um dos CEOs da MeuChope.

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O chope gratuito para a torcida que for acompanhar o jogo do Flamengo contrasta com o alto valor cobrado por um ingresso para o compromisso em Cariacica. As entradas têm valor de R$ 400, com meia-entrada (R$ 200) extensiva a todas as pessoas que levarem 1 quilo de alimento não perecível.

A partida com o Madureira, a partir das 19 horas, é válida pelo Campeonato Carioca, em que o Flamengo venceu os dois jogos que disputou. E é vista como mais um passo na preparação da equipe para o Mundial de Clubes da Fifa, que vai ser disputado em fevereiro, no Marrocos.

Além disso, o torcedor do Flamengo em terras capixabas irá matar saudades do time, que não atuava no Espírito Santo desde 2018, e agora podendo consumir um chope – ou até mais – de graça.

De acordo com a startup responsável pela promoção, a iniciativa faz parte do lançamento do pacote de incentivo de R$ 5 milhões para bares e restaurantes utilizarem o MeuChope Marketplace. A MeuChope estima que sua tecnologia está espalhada por mais de 230 pontos de venda espalhados pelo país.

Inclusão em CNAE amplia reconhecimento do sommelier de cervejas

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O reconhecimento à atuação profissional do sommelier de cervejas deu mais um importante passo no Brasil: a obtenção da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) própria para a atividade exercida por essas pessoas. Isso se deu com os serviços de sommelieria de cervejas sendo incluídos na Comissão Nacional de Classificação.

A partir disso, a CNAE 7490-1/99 foi alterada para que passasse a abranger os profissionais de sommelieria que trabalham com cerveja. Anteriormente, pessoas jurídicas que exerciam essa função, como prestadoras de serviços para empresas, precisavam utilizar alguma CNAE que não contemplava as funções de um sommelier de cerveja.

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“A obtenção de uma CNAE própria para a atividade de sommelieria é importante, já que o Código Nacional de Atividades Econômicas é instrumento de enquadramento administrativo e tributário e tem uma influência econômica direta na vida das pessoas, além de definir quais impostos devem ser pagos um CNAE que engloba a atividade de sommelieria de cerveja contribui para o reconhecimento da profissão como atividade econômica”, destaca Priscilla Colares, coordenadora do núcleo de sommeliers da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

A CNAE é o instrumento de padronização nacional dos códigos de atividade econômica e dos critérios de enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do Brasil. Esse tipo de classificação é utilizada pela administração pública tributária, como no registro do CNPJ, algo obrigatório para pessoas jurídicas. E elas são classificadas em tipo de tributação e de atividade exercida, como indústria, serviços e comércio.

“Com a alteração, os profissionais que estão enquadrados no regime de tributação do Simples Nacional já podem emitir nota fiscal com a CNAE que realmente representa a atividade exercida por um sommelier de cervejas”, acrescenta Priscilla.

A obtenção da CNAE para a atividade de sommelier de cervejas se junta a outras conquistas dos últimos anos, como o reconhecimento de profissão e sua inclusão na Classificação Brasileira de Ocupações do então Ministério da Economia.

Essas conquistas tiveram importante apoio, pedidos e cobranças da Abracerva, especialmente através do grupo de trabalho composto por Priscilla, Bia Amorim e Eduardo Marcusso, que vem atuando para regulamentar, reconhecer e valorizar a profissão de sommelier de cerveja, que teve seus primeiros diplomas emitidos no Brasil a partir de 2010.

E os representantes do setor esperam novos avanços. Envolvendo diretamente a CNAE, a próxima demanda envolve a inclusão da classificação que agora abrange o sommelier de cervejas na figura jurídica do MEI, o microempreendedor individual, pessoa que trabalha como autônomo e se legaliza como pequeno empresário.

Estamos aguardando a resposta do secretário-executivo do Comitê Gestor do Simples Nacional, órgão ligado à Receita Federal, sobre o pedido de inclusão da CNAE acima citada nas atividades do MEI. Acredito que esse seja um regime tributário mais adequado à realidade dos profissionais sommeliers de cervejas autônomos do Brasil

Priscilla Colares, coordenadora do núcleo de sommeliers da Abracerva

Também há um pedido para que o sommelier de cervejas seja incluído na lei que regulamenta o exercício da profissão de sommelier – só aqueles que trabalham com vinhos foram incluídos no texto original.

“Foi solicitada a alteração da Lei nº 12.467, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da profissão de sommelier, para inclusão do sommelier de cervejas na descrição da lei – que aguarda votação na Câmara (dos Deputados) através dos PL1104/2021 e PL2229/2022”, explica Priscilla.