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“Circularidade tem dimensão econômica e estratégica”, diz nova presidente da Abralatas

Depois de quase duas décadas atuando no setor de embalagens metálicas, Thais Fagury iniciou em setembro um novo capítulo da carreira. A executiva assumiu a presidência da Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), sucedendo Cátilo Cândido, que esteve à frente da entidade por seis anos.

A mudança coloca Thais diante de uma indústria diretamente ligada aos movimentos do mercado de bebidas e que tenta ampliar a presença da lata em novas categorias, ao mesmo tempo em que acompanha discussões sobre tributação, logística reversa, descarbonização e competitividade.

A cerveja ocupa lugar importante nesse cenário. Além da presença consolidada entre as grandes marcas, a lata avançou nos últimos anos entre cervejarias artesanais e produtos de maior valor agregado, enquanto antigas percepções sobre a embalagem começaram a perder espaço.

A seguir, Thais detalha o que leva da experiência no setor de embalagens de aço para a nova função, as possibilidades de crescimento no mercado cervejeiro e o peso da reciclagem em uma cadeia exposta às oscilações do alumínio, câmbio, energia e cenário internacional.

Você chega à Abralatas depois de quase duas décadas atuando no setor de embalagens metálicas, inclusive à frente da Abeaço e da Prolata. O que dessa experiência você traz para a indústria de latas de alumínio e quais devem ser as prioridades da sua gestão neste primeiro ciclo?

Minha trajetória profissional sempre esteve muito ligada à indústria de embalagens, à economia circular e à construção de políticas públicas. Uma das principais lições que trago de quase duas décadas nesse setor é que sustentabilidade e competitividade industrial precisam caminhar juntas. E que nenhuma transformação acontece de forma isolada: é preciso conectar indústria, poder público, cadeia de reciclagem e sociedade, sempre com transparência, dados estruturados e resultados concretos.

Chego à Abralatas com muita disposição para ouvir as empresas associadas e toda a cadeia, e para contribuir para consolidar ainda mais a entidade como uma voz técnica e estratégica do setor. Neste primeiro ciclo, nossas prioridades passam por fortalecer a circularidade como instrumento de descarbonização, defender um ambiente regulatório e tributário que reconheça o desempenho ambiental efetivamente entregue pelas diferentes embalagens, ampliar a inteligência de mercado e apoiar o crescimento competitivo das diferentes categorias de bebidas envasadas em alumínio.

Você construiu sua trajetória no setor de embalagens de aço e agora passa a representar a indústria de latas de alumínio. O que muda nessa transição? E quais desafios são específicos da lata para bebidas?

Existe uma base importante em comum entre os dois setores. Estamos falando de embalagens metálicas, materiais 100% e infinitamente recicláveis, e cadeias que têm como lastros a circularidade, a inovação e a articulação entre diferentes elos. São aprendizados que certamente contribuem para a minha atuação agora na Abralatas.

Ao mesmo tempo, cada segmento tem sua própria dinâmica. A lata de alumínio para bebidas está inserida em uma cadeia extremamente ágil, diretamente conectada à indústria de bebidas e às mudanças no comportamento do consumidor. E temos no Brasil uma cadeia de reciclagem bastante madura: há mais de 15 anos o índice de reciclagem das latas se mantém acima de 95% e, em 2024, ultrapassou os 97%. Uma lata usada pode retornar como uma nova lata em cerca de 60 dias.

O desafio é continuar evoluindo e acompanhar a velocidade das transformações do mercado. O consumidor busca cada vez mais praticidade, conveniência e responsabilidade ambiental, e a indústria precisa ter capacidade produtiva, inovação e previsibilidade para acompanhar essas novas demandas.

Energéticos, cervejas sem álcool, sucos e águas cresceram cerca de 30% em latas no primeiro semestre e chegaram, juntos, a 1 bilhão de unidades. O que essa diversificação representa para o setor? E onde fica a cerveja nesse novo mercado?

Chegar a 1 bilhão de unidades em apenas seis meses nessas categorias mostra uma mudança importante no mercado de bebidas e também na relação do consumidor com as embalagens. Temos novas ocasiões de consumo, novos produtos e uma busca crescente por conveniência, praticidade e formatos adequados a diferentes momentos. A lata consegue acompanhar muito bem essa transformação.

A cerveja continua sendo fundamental para o nosso setor e mantém uma relação histórica com a lata. A diversificação não significa perda de espaço para a cerveja. Pelo contrário: fortalece todo o ecossistema, amplia as ocasiões de consumo, estimula novos formatos e mostra para consumidores e marcas a versatilidade da embalagem. Hoje vemos a lata também avançando em energéticos, cervejas sem álcool, sucos e águas, ao mesmo tempo em que segue muito presente no mercado cervejeiro.

A lata avançou entre cervejas artesanais e produtos de maior valor agregado, mas ainda convive com outras embalagens e diferentes percepções de consumo. Onde ela pode ganhar mais espaço no mercado cervejeiro brasileiro?

Há espaço principalmente onde inovação, conveniência, sustentabilidade e experiência de consumo caminham juntas. O avanço da lata entre cervejas artesanais e produtos de maior valor agregado mostra justamente que a embalagem pode estar presente em diferentes posicionamentos, ocasiões e faixas de mercado.

Do ponto de vista técnico, o alumínio oferece atributos importantes para a cerveja: bloqueia a entrada de luz, reduz a exposição ao oxigênio, resfria rapidamente e ajuda a preservar as características do produto. Soma-se a isso a facilidade de transporte, as possibilidades de design e diferenciação, segurança e uma cadeia de reciclagem consolidada.

Ainda existe um trabalho de informação a ser feito para superar algumas percepções históricas sobre a embalagem. Não se trata de estabelecer uma disputa entre materiais, mas de mostrar de maneira objetiva os atributos da lata e permitir que cervejarias e consumidores façam suas escolhas com mais informação. A própria presença crescente da lata entre cervejas artesanais e premium mostra como essa percepção já vem mudando.

A Abralatas defende que a sustentabilidade das embalagens seja considerada nas discussões regulatórias e tributárias. Na prática, quais critérios deveriam diferenciar os impactos ambientais de cada embalagem?

Defendemos um princípio bastante objetivo: os impactos ambientais devem ser analisados a partir de resultados concretos, e não apenas do potencial de uma solução. Quando políticas públicas e instrumentos regulatórios ou tributários incorporam critérios ambientais, é importante que existam parâmetros públicos, objetivos, verificáveis e isonômicos.

Na prática, isso significa considerar indicadores como os resultados efetivamente alcançados em reciclagem, a capacidade de reinserção dos materiais em novos ciclos produtivos, a eficiência dos sistemas de logística reversa e os impactos econômicos e sociais associados a essas atividades.

Câmbio, energia, preço do alumínio, frete e tensões geopolíticas pressionam uma cadeia global como a de latas. Em um cenário internacional mais instável, quais são hoje os principais riscos e oportunidades para a indústria brasileira?

Somos uma indústria inserida em uma cadeia global e, naturalmente, exposta à volatilidade do preço do alumínio, câmbio, energia, logística, barreiras comerciais e tensões geopolíticas. Esse ambiente exige cada vez mais planejamento e previsibilidade.

Ao mesmo tempo, o Brasil possui um ativo muito importante: uma cadeia de reciclagem extremamente desenvolvida. Quando conseguimos manter o alumínio circulando na economia, reduzimos a necessidade de utilização de matéria-prima primária e aproveitamos um material que já está disponível no país. A reciclagem do alumínio pode representar economia de até 95% de energia em relação à produção do metal primário.

Por isso, a circularidade não é apenas uma agenda ambiental. Ela tem uma dimensão econômica e estratégica. O Brasil tem indústria instalada, capacidade produtiva, escala de consumo e um sistema de reciclagem consolidado. Temos a oportunidade de usar esses atributos para fortalecer nossa competitividade e nos posicionar cada vez mais como referência em uma indústria de baixo carbono.

6 marcas de cerveja que conectam periferia, cultura e representatividade

A cerveja artesanal também é produzida, servida e pensada a partir das periferias brasileiras. Em alguns casos, o território está no próprio endereço das marcas ou das cervejarias periféricas. Em outros, aparece na história de quem criou o negócio, nas causas que representa ou nos espaços culturais que passou a ocupar.

Os seis projetos desta lista nasceram em contextos diferentes. Há marcas que tiveram fábrica própria e mudaram de modelo, bares que se tornaram pontos de cultura, uma cerveja que entrou até no roteiro turístico de uma das maiores favelas do país e outra que nasceu dentro de uma escola de gastronomia.

Em comum, ajudam a ampliar o mapa da cultura cervejeira brasileira e mostram diferentes relações entre cerveja, território, identidade e empreendedorismo.

Graja Beer: cerveja com raízes no extremo sul de São Paulo

Grajaú, São Paulo (SP) | Instagram: @grajabeeroficial

Cerveja do rapper Edi Rock, feita como colab com a Graja Beer (Crédito: Divulgacão)
Cerveja do rapper Edi Rock, feita como colab com a Graja Beer (Crédito: Divulgacão)

A história da Graja Beer começou em 2016, quando um grupo de educadores, professores e artistas conversava numa mesa de bar no Grajaú, extremo sul de São Paulo, sobre uma questão bem concreta: por que o dinheiro gasto em cerveja no bairro seguia para fora daquele território?

Foram quase dois anos de pesquisa até o lançamento oficial, em 25 de janeiro de 2018, no Centro Cultural Grajaú. Vieram depois três bares da marca ao longo dos anos, cada um maior que o anterior, além de eventos, parcerias e uma relação cada vez mais próxima com samba, hip-hop, futebol de várzea e educação.

Há dois anos, o bar mais recente fechou as portas. Não por ter fracassado: pressionado por dívidas acumuladas e pelo desgaste do pós-pandemia, o fundador Leandro Sequelle decidiu pausar a operação física antes de comprometer a própria saúde mental. Daí em diante, a marca passou a operar sem endereço fixo, com o que Sequelle chama de “raízes e asas”: uma rede autônoma dentro da comunidade, somada a parcerias com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de São Paulo para a realização de eventos.

Em 2026, ao completar dez anos desde sua concepção, a Graja lançou Origens, colaboração com Edi Rock, dos Racionais MC’s, e a Cervejaria Tarantino. A parceria marcou o retorno de um rótulo próprio do rapper, que já havia lançado cerveja em nome próprio anos antes, e resume um caminho que a Graja vem construindo desde o início: aproximar a produção cervejeira de referências culturais que já faziam parte da vida do bairro.

Para Sequelle, a cerveja nunca foi o objetivo em si, mas uma ferramenta de emancipação econômica de pessoas pretas, periféricas, mulheres e LGBTs. Entre os planos de longo prazo que ele contou ao Guia da Cerveja está a criação de uma escola de educação infantil voltada para crianças da periferia.

Pokazideia: cerveja que nasce dentro de uma escola de gastronomia periférica

Capão Redondo, São Paulo (SP) | Instagram: @gastronomiaperiferica

A Pokazideia é a cerveja desenvolvida dentro do projeto Gastronomia Periférica, criado em 2012 pelo chef Edson Leite, no Capão Redondo, ao voltar de uma temporada na Europa. O projeto se consolidou como um negócio social com a missão de transformar vidas através da alimentação e da formação, unindo uma escola de gastronomia que profissionaliza moradores da região.

O nome vem de uma gíria da periferia que significa abreviar ou encerrar uma conversa ou afirmar algo. A ideia central, segundo Leite, é transformar o morador da periferia, muitas vezes operando maquinário em grandes fábricas, em protagonista, produtor e consumidor de cerveja de qualidade.

A receita usa a azedinha (Rumex acetosa), uma Panc (Planta Alimentícia Não Convencional) cultivada no sítio Nossa Vida, em Parelheiros, que gera renda para o pequeno produtor responsável pelo cultivo. Desenvolvida por Leite em parceria com Rafael Orlandi e refinada com o mestre-cervejeiro Frank Skwirut, da Cervejaria Tria, o resultado é uma Lager leve, de 4,5% de teor alcoólico, com final seco e sabor cítrico e umami da erva.

O alcance foi além do circuito cervejeiro artesanal: a linha pasteurizada é vendida há três anos na rede Carrefour em São Paulo, somando mais de 30 mil litros produzidos, e uma versão exclusiva e de produção limitada foi desenvolvida para o hotel cinco estrelas Pullman Ibirapuera.

Apesar do sucesso comercial, o foco do projeto segue sendo a formação e o domínio da técnica cervejeira como ferramenta de mudança econômica e cultural para quem vive na periferia. Como resumiu o próprio Leite ao Guia da Cerveja: “Resistir não é atacar, é pensar para que aquilo se perpetue.”

Sobe Aê!: cerveja dentro da rota da Rocinha

Rocinha, Rio de Janeiro (RJ) | Instagram: @sobeaecerveja | Projeto: @nafavelaturismo

A Sobe Aê! nasceu dentro do circuito de turismo da Rocinha, a partir da ideia de criar uma cerveja que também carregasse a identidade do território.

A marca foi criada por Renan Monteiro, idealizador do Mirante Rocinha e do Na Favela Turismo. Lançada em dezembro de 2025, começou sendo produzida pela Cervejaria Pontal, em Nova Friburgo. Desde o lançamento, o projeto fala na possibilidade de futuramente levar também a fabricação para dentro da comunidade.

A ligação com a Rocinha aparece principalmente na maneira como a cerveja circula. A Sobe Aê! passou a ser comercializada em bares da Rocinha, do Vidigal e de comunidades vizinhas e foi integrada às experiências do turismo comunitário da região.

No passeio Rocinha a Pé, organizado pelo Na Favela Turismo, a cerveja aparece no próprio roteiro. Depois de passar por mirantes, becos e projetos culturais, o visitante chega ao Samba na Favela, onde conhece artesanato local e pode tomar uma Sobe Aê!. O percurso segue depois pelo Largo do Boiadeiro e pela Via Ápia, um dos principais eixos comerciais, gastronômicos e boêmios da comunidade.

A cerveja também aparece inserida nessa cena de bares e restaurantes da Rocinha, caso do Nordestino da Rocinha, na Estrada da Gávea, casa conhecida por eventos gastronômicos e culturais que recebe moradores e turistas.

Dentro desse circuito, a cerveja vira parte da experiência de conhecer a Rocinha por quem vive, trabalha e empreende ali.

Corisca: cerveja artesanal feita na quebrada

Taboão da Serra, Grande São Paulo | Instagram: @cervejacorisca

A Corisca começou sua trajetória em 2017, ainda como Cerveja Benedita. O projeto é comandado por Melissa Miranda e Eneide Gama e nasceu na periferia de São Paulo com uma identidade ligada ao protagonismo de mulheres, lésbicas e periféricas.

A própria origem da marca dialoga com o acesso. A ideia era produzir cerveja artesanal também para consumidores que estavam longe dos bairros e circuitos onde esse mercado inicialmente se concentrou.

Com sede em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, a marca já colocou em linha estilos como Lager, Witbier, APA e IPA. Ao longo dos anos, também aproximou a produção cervejeira de temas como feminismo, diversidade LGBTQIA+, economia solidária e empreendedorismo periférico.

A Corisca já apareceu no Guia da Cerveja justamente por esse trabalho. A marca integra um movimento em que representatividade passa também por quem produz, administra e transforma a cerveja em negócio.

Implicantes: a fábrica mudou, a história continuou

Cidade Baixa, Porto Alegre (RS) | Instagram: @cervejariaimplicantes

Público do bar Mocambo, da Cervejaria Implicantes, é hoje mais diversificado do que era o público da cervejaria (Crédito: Implicantes)
Público do bar Mocambo, da Cervejaria Implicantes, é hoje mais diversificado do que era o público da cervejaria (Crédito: Implicantes)

Criada em Porto Alegre (RS) em 2018, a Implicantes ficou conhecida como a primeira fábrica cervejeira negra do Brasil. A marca construiu sua identidade aproximando cerveja artesanal, cultura negra e representatividade.

Os próprios rótulos ajudavam a contar essa história, com homenagens a personagens como Luiz Gama, Ruth de Souza, Leônidas da Silva e Maria Firmina dos Reis.

A pandemia e os anos seguintes mudaram o modelo do negócio. A estrutura própria de produção foi vendida, enquanto as receitas permaneceram com a Implicantes e passaram a ser feitas por cervejarias parceiras.

Em 2023 surgiu o Mocambo, na Rua Joaquim Nabuco, na Cidade Baixa. O bar manteve as cervejas e ampliou a presença cultural do projeto. Nas paredes, na programação e nos encontros aparecem referências à história negra, música, arte e atividades da comunidade. Em 2026, o espaço seguia ativo nessa proposta.

É um caso que mostra como uma marca cervejeira pode mudar radicalmente de estrutura sem abandonar a identidade construída desde a origem.

2BlackBeer: cerveja e cultura sob o Viaduto Santa Tereza

Viaduto Santa Tereza, Belo Horizonte | Instagram: @2blackbeer

A 2BlackBeer nasceu em 2019 em um dos territórios mais conhecidos da cultura urbana de Belo Horizonte (MG): a região sob o Viaduto Santa Tereza.

O projeto foi criado com foco no fortalecimento da representatividade preta e na inclusão dentro da cultura cervejeira. O espaço passou a reunir cerveja artesanal, música, arte, esporte e manifestações que já faziam parte da história do viaduto.

Entre as cervejas ligadas ao projeto está O Viaduto Nunca Mais Foi o Mesmo, uma Haze Session IPA com adição de goiaba e nome diretamente inspirado no lugar onde a 2BlackBeer se desenvolveu.

A programação cultural continua sendo parte importante da casa. Em setembro de 2026, o espaço recebeu a mostra 2Black Cultural – A Rua Vive, com gastronomia afro-diaspórica, artes visuais e discotecagens de música preta, realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Embora esteja numa área central de Belo Horizonte, a 2BlackBeer mantém uma relação direta com a cultura negra e periférica. O endereço, a cerveja e a programação acabaram crescendo juntos.

Diferentes caminhos para chegar ao copo

Graja Beer, Pokazideia, Sobe Aê!, Corisca, Implicantes e 2BlackBeer chegaram à cerveja por caminhos diferentes. Também sustentam modelos de negócio variados, como produção terceirizada, colaborações com outras cervejarias, parceria com grandes redes de varejo, bar, turismo, eventos e programação cultural. Mas o fato é um só: conhecer esses projetos ajuda a enxergar como a cerveja artesanal brasileira também se desenvolve a partir de outros territórios, referências e experiências, e como, em cada um deles, o que chega ao copo pode carregar um pouco da história do lugar de onde veio.

Governo perde o prazo do Imposto Seletivo e cervejarias ficam sem saber a alíquota de 2027

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O prazo para que o Imposto Seletivo começasse a ser cobrado em 1º de janeiro de 2027 terminou na sexta-feira (2), sem que o governo editasse a Medida Provisória (MP) com as alíquotas do novo tributo. A partir de agora, cada dia de atraso empurra a data de início da cobrança, e as cervejarias entram no ano da virada da Reforma Tributária sem saber quanto vão pagar.

O Imposto Seletivo (IS), apelidado de Imposto do Pecado, vai substituir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre as bebidas alcoólicas a partir do próximo ano. Por se tratar de tributo novo, está sujeito à noventena, o intervalo de 90 dias entre a publicação da norma e o início da cobrança. Para valer já no primeiro dia de 2027, portanto, a MP teria de sair até sexta passada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no mesmo dia que o envio ao Congresso ainda estava em tratativas. “Esse é um tema que eu vou tratar na sequência”, disse, segundo a Folha de S.Paulo.

A decisão de deixar a medida para depois das eleições foi tomada na quinta-feira (1º), em reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros da Casa Civil, do Planejamento e da Fazenda, segundo apurou o Valor Econômico. Pesou a avaliação de que o tema poderia ser explorado eleitoralmente, segundo o veículo. Saindo apenas em novembro, o tributo só passa a incidir em fevereiro — e a Folha calcula a perda em R$ 3,82 bilhões, 9% dos R$ 42 bilhões que o Orçamento prevê arrecadar no ano que vem.

O calendário agora corre dia a dia

Advogado tributarista e mestre em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Clairton Gama explica que são duas as barreiras a vencer. “O Imposto Seletivo precisa respeitar duas anterioridades. A de exercício e também a chamada noventena”, diz. Com alíquotas definidas só em novembro, a cobrança avança para fevereiro, conforme a data de publicação.

A MP pode fixar essas alíquotas, acrescenta, por ter força de lei. Mas, editada em 2026, precisaria ser convertida em lei ainda neste ano para produzir efeitos em 2027. E o tempo perdido não se recupera cobrando para trás: “É juridicamente inviável tentar cobrar depois, de forma retroativa, o imposto sobre operações realizadas durante essa janela.”

Para o contador e advogado tributarista Marcos Moraes, diretor tributário da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a data nunca esteve cravada. A legislação da Reforma fixa como marco o ano de 2027, não o seu primeiro dia, analisa. O efeito prático é que a transição não começa inteira. “A gente não vai ter o ano fechado da reforma, vai ter aí dois meses no mínimo, por causa do ano eleitoral”, afirma.

Um ano de pedidos sem resposta

Para quem produz, o problema não é a data em si. “A insegurança é justamente planejar preço, produção e estoque sem saber ainda a alíquota e a data exata de início da cobrança”, resume Gama. É a queixa que o Guia da Cerveja ouviu de mais de dez cervejarias e entidades em julho, e que a Abracerva e o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) repetem desde o ano passado: neutralidade da carga tributária, diferenciação das bebidas por teor alcoólico e das fábricas por porte. Nenhum desses pontos tem resposta oficial.

O caminho da MP é o que o setor menos queria. Em março, Moraes alertou ao Guia da Cerveja que, “na hipótese de MP, haverá muita limitação ao setor em poder contribuir”, porque o texto passa a valer antes da discussão.

Até novembro, o que o setor tem é o calendário. Cada semana sem a medida provisória encurta o prazo para o Congresso discutir alíquotas que passam a valer no ano que vem.

O que é o Imposto Seletivo

Criado pela Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023), o Imposto Seletivo é um tributo federal de natureza extrafiscal. Sua natureza é menos para arrecadar e mais para desestimular o consumo de produtos que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Daí o apelido de Imposto do Pecado. Ele vai incidir sobre bebidas alcoólicas, cigarros, bebidas açucaradas, veículos poluentes, minérios, aeronaves e embarcações.

No caso da cerveja, o novo tributo ocupa o lugar do IPI a partir de 2027. O ponto que interessa ao setor é que a Lei Complementar 214/2025 permite, mas não garante, dois tratamentos que as cervejarias pedem desde a tramitação da Reforma: alíquotas progressivas conforme o teor alcoólico da bebida e redução para pequenos produtores, em função do volume de produção. Quem transforma essa permissão em regra é justamente a lei ordinária que ainda não saiu. A mesma que a Medida Provisória adiada na sexta-feira deveria encaminhar.

Não faltava cerveja boa ao Brasil; faltava passagem para o pódio mundial

Em agosto, a Cervejaria Landel, de Campinas (SP), inscreveu uma cerveja no World Beer Awards (WBA), um dos concursos mundiais de cerveja mais conceituados. Uma só. A Atrás do Bloco, uma Hazy IPA nascida em 2023 como rótulo sazonal de Carnaval, voltou de Londres com três títulos — entre eles o de Melhor IPA do Mundo, uma das categorias mais disputadas da cerveja especial. “Por uma questão financeira e de confiança, a gente inscreveu só ela”, me disse Bruno Cardoso, sócio-fundador e cervejeiro da casa. Aproveitamento de 100%.

Rene Aduan Junior, coordenador do WBA no Brasil desde 2015, enxerga raridade nessa história — mas não onde parece. Para ele, o extraordinário não está no número de inscrições, e sim em quem levou o troféu. “O campeonato confronta cervejas do mundo todo e, às vezes, um ‘patinho feio’ — uma cervejaria de que nunca se ouviu falar internacionalmente, como a Landel — ganha o maior ícone cervejeiro”, explicou.

Patinho feio lá fora, combinado. Aqui dentro, não. Antes de embarcar para o Reino Unido, a Atrás do Bloco já somava nove prêmios em concursos nacionais: ouro no Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC) em 2024 e em 2026, ouro na Brasil Beer Cup e na Copa Paulista de 2024, prata em outras três competições em 2025. Não foi um desconhecido que surpreendeu Londres, mas um rótulo premiado há dois anos aqui que finalmente chegou à mesa de quem decide o pódio.

E é aí que está o ponto que me interessa. O que mudou de dois anos para cá não foi a qualidade do que sai dos nossos tanques. Foi o preço do bilhete para os concursos mundiais.

Duas portas de concursos mundiais que ficaram mais baratas

A Landel ganhou ouro no CBC 2026, em Blumenau (SC), e com o ouro veio um desconto para inscrever a cerveja no concurso britânico. “Já era meu intuito mandar para o WBA, independentemente disso, mas o desconto ajudou muito”, contou Bruno. Repare no que ele faz e no que não faz: não mexe uma vírgula na receita, no dry hopping ou no tanque. Mexe na conta de risco de uma fábrica pequena — onde a decisão de competir de fato acontece.

Rene defende a seletiva nacional por dois motivos. O primeiro é o acesso: “É o caso da cervejaria pequena que entrou com uma amostra vinda do CBC e ganhou o prêmio máximo. Isso é fantástico e é o que o campeonato permite.” O segundo é técnico e joga a nosso favor: julgada em casa, a bebida chega fresca à mesa dos jurados — e cerveja artesanal não viaja bem.

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) fez o mesmo com o World Beer Cup (WBC), competição da Brewers Association americana: os vencedores da etapa final da Copa Cerveja Brasil recebem inscrição no mundial. O resultado de abril está aí. O Brasil foi o quinto país com mais amostras no WBC deste ano — 164, de 37 cervejarias — e trouxe cinco medalhas, três de ouro. Quatro delas saíram das inscrições distribuídas aos 18 campeões da Copa.

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, lê o resultado pelo lado da reputação. A parceria com os americanos é, segundo ele, “uma maneira importante de levar ao conhecimento do mundo a qualidade da cerveja brasileira”.

Eu leio pelo lado do mérito. Quatro em cinco significa que o júri brasileiro apontou quase todos os nossos vencedores antes do júri internacional encostar a boca no copo. A seletiva daqui foi um ensaio geral que deu o mesmo resultado da estreia. Isso não é palpite de curadoria: é aferição de qualidade no mesmo padrão.

O que a medalha faz, e o que não faz

Preciso dizer o óbvio: concurso é negócio. Desconto e gratuidade são também estratégias de captação — os concursos mundiais querem mais amostras, as entidades daqui querem relevância. Mas isso não desmerece em nada o fato; põe o crédito no lugar certo. A parceria não fabrica qualidade. Fabrica oportunidade.

E medalha não é venda. Nenhuma taça conserta consumo em queda ou margem apertada. O que ela entrega é credencial — algo que se põe na mesa diante de um importador ou de um distribuidor do outro lado do mundo.

O topo, aliás, não ficou mais fácil. Com a Atrás do Bloco, o Brasil chega a cinco títulos de World’s Best no WBA e mantém, ao longo de dez anos, a média de um a cada biênio. Ou seja: lá em cima, o ritmo brasileiro é o mesmo de uma década atrás. O que mudou não foi a quantidade de troféus. Foi quem consegue disputá-los.

Uma inscrição, três títulos. Essa conta não diz que a Landel deu sorte, nem que a cerveja brasileira melhorou de repente. Diz que havia uma fila de rótulos prontos esperando o preço da entrada cair. Caiu um pouco. Deu nisso.


Luís Celso Jr. é diretor de conteúdo e editor do Guia da Cerveja.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Hofbräuhaus Blumenau abre com atraso a quatro dias da Oktoberfest

A Hofbräuhaus (HB), cervejaria de Munique fundada em 1589, abre a sua segunda casa brasileira neste sábado (3), às 11h30, no centro de Blumenau (SC) — quatro dias antes da 41ª Oktoberfest, de 7 a 25 de outubro. A proximidade não é coincidência: a marca alemã chegou vencendo duas concorrências da prefeitura — a do antigo Biergarten da Praça Hercílio Luz, onde agora inaugura, e a do Setor 5, o novo pavilhão da festa. A entrada é aberta ao público e as mesas ficam por ordem de chegada.

O sábado chega dois meses depois do previsto. A inauguração estava na programação dos 176 anos da cidade, no começo de setembro, e foi adiada sem nova data porque a chuva atrasou a obra. A corrida vinha de longe: em março, o mestre cervejeiro da casa de Belo Horizonte, Carlos Henrique Vasconcelos, dizia à Exame que abrir a tempo seria “um marco épico para a cervejaria”, e que as chances eram mínimas. Deu tempo. A produção ficou com o blumenauense Rodolfo Rebelo, fundador da Malteria Blumenau, primeira micromalteria do país, e as receitas vêm da matriz, sob a lei de pureza bávara.

A chegada não é consensual na cidade que se chama capital brasileira da cerveja. A Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja (ABCBC) contestou em nota pública o edital do Setor 5, que exigia atuação na Oktoberfest de Munique — requisito que, para a entidade, restringiu a concorrência —, e apontou a diferença nas condições econômicas: a HB paga R$ 40.100 de outorga mais 12% das vendas, enquanto as artesanais que já atuam na festa pagam R$ 188 mil mais 15%. A organização responde que o espaço tem características distintas dos demais setores, exige investimento mais alto e que a licitação seguiu a legislação — e diz já ter se reunido com as cervejarias.

Confira neste Menu Degustação:

Corona Extra é a marca mais valiosa da América Latina

A marca mais valiosa da América Latina é uma cerveja — e a terceira também. O ranking Brand Finance Latin America 100 2026, divulgado em 24 de setembro, avalia a Corona Extra em US$ 13,9 bilhões e a coloca à frente de todos os setores da região, com a Modelo Especial, de US$ 8 bilhões, em terceiro; as duas pertencem à AB InBev, dona da Ambev no Brasil. A liderança, porém, ficou mais apertada: a Corona Extra ganhou 4% de valor de marca no período, contra 15% do Itaú, segundo colocado com US$ 9,9 bilhões. É a sexta vez que a cerveja fica no topo do ranking regional e a terceira seguida. No Brasil, a Ambev credita à marca parte do desempenho das categorias premium e super premium, que cresceram acima de 20% no último trimestre — mas o avanço mais rápido veio de onde ela ainda é novata: o segmento wellness, em que entra a Corona Cero, sem álcool, subiu mais de 60% no mesmo período, diz a companhia.

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Oktoberfest de Igrejinha abre com 350 torneiras e novo pavilhão

A 37ª Oktoberfest de Igrejinha (RS) abre os portões na sexta-feira (9) e vai até 18 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings, com 20 bares, 350 torneiras e expectativa de vender cerca de 250 mil litros de chope — quatro estilos da Eisenbahn: pilsen, weizenbier, pale ale e american IPA. A maior novidade de estrutura é o Bierhalle, instalado no ginásio do parque, o mesmo lugar onde a festa começou, em 1988: climatizado, com decoração inspirada na Baviera, chopes Pilsen e especiais em copos de vidro e telão para acompanhar os shows nacionais de dentro do pavilhão. “O Bierhalle ocupa o antigo ginásio, lugar onde aconteceu a primeira Oktoberfest de Igrejinha”, diz a presidente da edição, Aline Hess. A festa também germanizou os nomes dos espaços — a Lona virou Oktoberzelt, o Multipalco virou Treffzelt — e criou o Craftbier, dedicado às cervejas artesanais. São mais de 80 atrações em nove palcos, com Alok, Simone Mendes e a banda alemã voXXclub, e a organização espera mais de 200 mil visitantes, mobilizados por 3,5 mil voluntários. Os ingressos estão no site oficial do evento.

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Tour da Heineken abre de graça para professores

As duas unidades do Inside the Star, o tour de visitação do Grupo Heineken, dão entrada gratuita a professores em 15 de outubro, Dia do Professor — basta reservar o ingresso pelo Sympla e apresentar a carteira profissional na recepção. Em Ponta Grossa (PR), onde a unidade completa dois anos, os moradores da cidade também pagam metade do ingresso de 13 a 17 de outubro, mediante comprovante de residência; a outra unidade fica em Jacareí (SP). O roteiro passa por ingredientes, etapas de produção e história das marcas, e termina em degustação — na versão com harmonização, oferecida na sexta à tarde e no sábado, com cervejas selecionadas do portfólio. Fora das datas promocionais, o tour convencional custa R$ 60 e o harmonizado R$ 80, com meia-entrada pela metade, para maiores de 18 anos. A programação completa está no site da cervejaria.

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Lagunitas une feira de adoção e nova loja pet

A Lagunitas, marca californiana super premium do Grupo Heineken, tem um cão no logotipo desde a origem — e vem transformando isso em duas frentes de negócio e de causa. Em 10 de outubro, das 11h às 16h, a marca realiza a segunda feira de adoção responsável do ano na Heineken House, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, em parceria com a ONG Desabandone; a entrada é gratuita e não exige inscrição. No mesmo dia, a artista Julia Fioretti conduz uma oficina de customização de copos em duas turmas, às 11h e às 14h, com 15 vagas cada e renda integralmente destinada à ONG. Na outra frente, a linha de produtos para cães e tutores — bandanas, frisbees, coleiras, guias, meias, camisetas e bonés, de R$ 49,90 a R$ 239,90 — acaba de chegar ao Mercado Livre, somando-se à loja que a marca já mantinha no TikTok Shop. As vagas da oficina estão à venda no Sympla, e os acessórios, na loja no marketplace.

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Estrella Galicia põe fãs brasileiros a entrevistar Carlos Sainz

A Estrella Galicia levou o criador de conteúdo Rodolpho Santos a Madri (Espanha) para entrevistar o piloto Carlos Sainz durante o Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 — e, em vez de escrever o roteiro, pediu as perguntas às páginas de fãs brasileiros do piloto, como @carlossainzbrazil_ e @sainznews. “Fã não é apenas audiência. Quando existe uma comunidade tão apaixonada e engajada como a do automobilismo, faz muito mais sentido criar com essas pessoas do que simplesmente produzir um conteúdo para elas”, afirma Renata Cecco, diretora de marketing da cervejaria. A lógica se repete na parceria da marca com a cantora Liniker, em que superfãs participaram da gravação de um clipe. A viagem também incluiu o MEGA, museu da cervejaria na Corunha, na Galícia, onde a Estrella Galicia é líder de mercado desde bem antes de chegar ao Brasil, há quase 15 anos.

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Calor e demanda põem as fábricas de bebida sob pressão

A temporada quente é quando a fábrica descobre os próprios limites — e ela chega com previsão de temperatura acima da média. O Inmet aponta alta probabilidade de El Niño no segundo semestre de 2026, com possibilidade de se estender até o verão de 2026/2027, mais chuva no Sul e períodos secos no centro-norte. A demanda, por sua vez, vem crescendo em duas pontas: a Ambev reportou alta de 1,2% no volume de cerveja no primeiro trimestre de 2026, e a produção nacional de cerveja sem álcool saltou 536,9% entre 2023 e 2024, de 118,9 milhões para 757,4 milhões de litros, segundo dados da Firjan. Para Drauzio Menezes, diretor da Hercules Energia em Movimento, a conta não se resolve com equipamento maior: “A temporada de maior consumo não deveria ser o momento de descobrir limitações da fábrica”. A recomendação é antecipar inspeção e manutenção de motores, acionamentos e sistemas de transmissão antes do pico.

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Amstel renova o patrocínio da Conmebol após dez anos

A Amstel anunciou na quarta-feira (30) a renovação do contrato que a mantém como cerveja oficial das competições de clubes da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) — a Libertadores masculina e feminina, a Sudamericana e a Recopa —, dez anos depois do primeiro acordo. O novo contrato mantém a exclusividade na categoria e os direitos de venda de cerveja dentro dos estádios. O número que explica o tamanho da aposta não está no futebol, e sim no mapa de vendas: o Brasil é o maior mercado da Amstel no mundo e responde por cerca de 51% do volume global da marca e 65% do volume nas Américas, segundo a companhia, que cita ainda tração em Equador, Argentina e Paraguai. No país, a Amstel é a quinta cerveja mais consumida.

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Illegaal lança IPA sem glúten feita só para o Brasil

A belga Illegaal, no Brasil desde 2017, lançou a 6 Roses, uma IPA sem glúten e de baixo carboidrato, com 4,5% de álcool e 29 kcal por 100 g, desenvolvida só para o mercado brasileiro — e com um detalhe que inverte a lógica da matriz: “A 6 Roses na Bélgica é sem álcool. Mas, para ampliar a linha de produtos mais saudáveis, o Brasil ganhou a cerveja com o mesmo nome, porém, como uma IPA low carb e glúten free”, explica Marcos Evangelista, gestor de negócios da marca no país. O rótulo foi criado pelos artistas do Ateliê Lapinha. A aposta tem base em dado duro: a produção brasileira de cerveja sem glúten chegou a 367,9 milhões de litros em 2025, alta de 417,6% sobre o ano anterior e cerca de 2,35% de tudo o que o país produziu, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Anuário da Cerveja. A cervejaria está em mais de 150 pontos de venda e quer dobrar esse número até 2027, com expansão fora de São Paulo. Mais informações no site da marca.

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ÜBrew estreia sem álcool, com proteína vegetal e dois ouros

Entrou em venda na terça-feira (29) a ÜBrew, cerveja sem álcool e sem glúten da Ücompany, de Erechim (RS), em duas versões: uma IPA e uma Fruit Beer com polpa de laranja e caju. A diferença que a empresa reivindica está no processo, em fase de patente: a proteína do trigo entra antes de a cerveja ficar pronta, e não como aditivo depois — o desenvolvimento nasceu dentro da Transfertech, que há duas décadas trabalha com biotecnologia e que, por dois anos, atuou ao lado da Micro Cervejaria Mina Beer fazendo testes e provas. Cada lata traz 15 gramas de proteína vegetal e 32 kcal a cada 100 ml. Antes mesmo de chegar às prateleiras, a Fruit Beer levou dois ouros no Brasil Beer Cup 2026, anunciado em 12 de setembro: melhor cerveja com ingredientes nativos brasileiros sem álcool e o Best of Show Non-Alcohol Malt Beverage. A venda é pelo e-commerce da marca, com entrega para todo o país.

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Chope de vinho da Rock Brewing mistura pilsen e tinto

A Rock Brewing estreia no mercado com um coquetel composto que junta cerveja pilsen a um blend de vinhos de mesa tintos, batizado de Chope de Vinho. Da cerveja vêm a refrescância e a espuma, aqui de tom rosado; do vinho, o aroma dominante, com notas de frutas vermelhas. A aposta é de ocasião, não de estilo: ocupar a faixa entre o happy hour e o jantar, num segmento de bebidas prontas para beber que cresce puxado pela busca por novidade. A distribuição começa por supermercados, atacarejos, conveniências e distribuidoras, e há mais informações no site da marca.

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Proibida troca o rótulo para disputar a atenção na gôndola

A Proibida Extra Puro Malte chega às prateleiras com nova garrafa de 600 ml: rótulo de fundo preto, detalhes dourados e os símbolos do lúpulo e do malte em destaque. A marca, que em 2015 foi a primeira a levar o termo “puro malte” para o rótulo, volta a tratar a embalagem como argumento de venda — a disputa, no supermercado, se decide em segundos diante da estante. No copo, a Extra é uma Golden Malty Lager de cor dourada intensa, espuma cremosa e aroma floral e herbal, feita com três variedades de lúpulos europeus. A distribuição é do Grupo Notória.

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Verano Ultra nasce para o pós-treino e o fim de tarde

Também do Grupo Notória, a Verano Ultra é uma puro malte zero açúcar, sem glúten e de baixa caloria — 27 kcal a cada 100 ml — lançada em julho. O território que a marca escolheu não é um estilo nem uma faixa de preço, mas uma hora do dia: o fim do beach tennis ou do futevôlei, o sol baixando, a roda de amigos. Entre as importadas ultra-premium e as cervejas de massa, a Verano se posiciona no meio, e a distribuição começou por supermercados e adegas de capitais e cidades litorâneas. A leitura de mercado que a sustenta é a da premiumização: segundo levantamento do Instituto Foodservice Brasil, o consumo de cerveja fora do lar cresceu 17% em valor nos 12 meses até junho, mesmo com queda de 3% no volume de transações.

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Heineken trata o zero álcool como preferência, não restrição

A Heineken apresentou sua leitura sobre o avanço da versão sem álcool no país: a 0.0 teria deixado de ser resposta a uma restrição — dirigir, trabalhar, treinar — para ocupar momentos em que o consumidor simplesmente prefere não beber. É a tese da campanha global 0.0 Reasons Needed, que questiona a pressão social sobre quem recusa o álcool sem dar explicação. “A versão Original e a zero álcool cumprem papéis complementares, apesar de trazerem a mesma qualidade e experiência que só Heineken proporciona”, diz Bruna Rosato, gerente de marketing de Heineken 0.0 no Brasil. A cervejaria afirma liderar o segmento com base em dados da Kantar Insights do Brasil, mas não divulgou números.

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Monka troca a marchinha pelo rock na fábrica

A Monka Cervejaria, de Belo Horizonte (MG), abre a fábrica em 17 de outubro, das 12h às 22h, para a Rocktoberfest Monka — uma festa de outubro sem oompah, com chope tirado direto dos tanques a partir de R$ 15 (copo de 400 ml). Tocam as bandas Rockfied e Big Ones, com discotecagem do DJ Love, e a programação inclui jogos cervejeiros e espaço kids. Os ingressos são vendidos pelo Sympla.

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Corona Cero patrocina a etapa da WSL em Maresias

A etapa do Challenger Series da World Surf League (WSL) na praia de Maresias, em São Sebastião (SP), vai até este sábado (3) e reúne 128 atletas na disputa por vagas no Championship Tour de 2027. É o segundo ano seguido em que a Corona Cero, versão sem álcool da marca, patrocina a competição, que ganha no entorno a Casa Corona, espaço com programação de música e bem-estar. “Estar em Maresias pelo segundo ano consecutivo, agora também acompanhando o Challenger Series, reforça a nossa conexão com o surfe e com o Litoral Norte de São Paulo”, afirma Mariana Dedivitis, diretora de marketing de Corona.

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Academia da Cerveja une pintura de taças e degustação

A Academia da Cerveja, escola da Ambev em Pinheiros, São Paulo, promove na quinta-feira (8), das 19h às 21h30, a oficina “Um Brinde à Arte”: cada participante pinta e personaliza as próprias taças, com orientação de um instrutor, durante um happy hour guiado, e leva as peças para casa no fim do encontro. A inscrição custa R$ 89 mais taxas e inclui materiais, instrução e o consumo de cerveja. O evento é para maiores de 18 anos e as vagas são vendidas pelo Sympla.

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Corona e Austral apresentam a coleção Solar em Maresias

Corona e Austral se juntam pela terceira vez em uma coleção de roupas, a Solar, com camisetas estampadas, corta-vento, bonés, swimshorts, boardshorts e moletons. O pré-lançamento acontece durante a etapa do Challenger Series em Maresias, na primeira semana de outubro, e a venda ao público começa na semana seguinte, nas lojas físicas e no e-commerce da Austral. Segundo as marcas, o desenvolvimento priorizou matérias-primas de menor impacto ambiental, como algodão BCI e tecidos feitos de PET reciclado.

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Oktoberfest 2026 divide outubro com a urna: veja a agenda das 14 festas no Brasil

Outubro começou na quinta-feira (1º) e com ele a alta temporada das festas alemãs no Brasil. Para fazer essa agenda especial de Oktoberfest 2026, o Guia da Cerveja fez um levantamento de 14 Oktoberfests em 13 cidades, de Gramado (RS) a Fortaleza (CE) — e a maior delas, a de Blumenau (SC), abre a 41ª edição na quarta (7) com 19 dias de programação. A diferença de 2026 não está no copo, está no calendário: duas das três maiores do país terminam justamente no domingo do segundo turno das eleições.

A festa que deu nome a tudo isso, aliás, está se despedindo. A Oktoberfest de Munique, na Alemanha, encerra no domingo (4) a edição deste ano. Tradicionalmente, o evento original começa em setembro para aproveitar o finalzinho do verão no hemisfério Norte. Quando a alemã fecha as portas, a brasileira mal levantou a primeira caneca.

Três das quatro maiores estão no Sul, e todas terminam em outubro: Blumenau, de 7 a 25; Santa Cruz do Sul (RS), de 8 a 25; Igrejinha (RS), de 9 a 18; e a São Paulo Oktoberfest, a única já em reta final, que se encerra no domingo (4).

A agenda abaixo está em ordem de data e reúne o que o Guia da Cerveja confirmou no site oficial, na prefeitura ou na imprensa local até o fechamento desta reportagem. Cada evento traz período, endereço e link de ingresso — ou o aviso de que não se paga nada, o que vale para três deles.

O caneco e a urna no mesmo dia

O primeiro turno é neste domingo (4); o segundo, em 25 de outubro. São o primeiro e o último domingo do mês, como define a Constituição, e os dois caem em cima da agenda: no primeiro encerram São Paulo e Ribeirão Preto; no segundo, Blumenau e Santa Cruz do Sul.

Não existe lei seca eleitoral nacional. A decisão é de cada Tribunal Regional Eleitoral em conjunto com a secretaria de segurança do estado e pode variar de município para município. Até o fechamento, Alagoas havia proibido a venda das 3h às 18h de domingo (4), e Minas Gerais anunciou que não vai restringir nada; Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo — os três estados das maiores festas — não tinham posição divulgada. Quem for levantar o caneco em dia de votação faz bem em checar a regra local antes de sair de casa.

Agenda Oktoberfest 2026, cidade por cidade

Gramado (RS) — 18 de setembro a 2 de outubro

A Oktoberfest Hortênsias Gramado termina nesta sexta (2), ainda na segunda edição — o nome vem da Região das Hortênsias, batizada pela flor que domina a paisagem serrana. A base é o Expogramado, na Avenida Borges de Medeiros, com 170 expositores e três palcos, mas a novidade de 2026 foi espalhar o circuito oficial por hotéis, bares e espaços culturais da cidade inteira. A melhor história, porém, é de bairro: em 19 de setembro a festa ressuscitou o Baile do Chope, que animou Gramado nos anos 1970 e 1980, na sede da Sociedade Ipiranga, homenageada da edição ao completar 80 anos. Os preços de 2026 não haviam sido divulgados até o fechamento; na estreia, no ano passado, a entrada geral custou a partir de R$ 63. Informações no site oficial.

São Paulo (SP) — 19 de setembro a 4 de outubro

A maior festa alemã fora do Sul mudou de endereço. Depois da edição de 2025 no Villa-Lobos, a São Paulo Oktoberfest 2026 se instalou na Arena de Eventos do Parque Ibirapuera, na zona sul, e entra no último fim de semana: restam sexta (2), sábado (3) e o domingo (4) de eleição.

São 13 dias de programação divididos em três fins de semana, em duas estruturas: a Biertent, tenda coberta com palco principal e pista de dança, e o Biergarten, a área externa de mesas. A casa fabrica o próprio chope, o SPOF Bier, e vende uma salsicha de 30 centímetros, a SPOF Wurst.

Ingressos a partir de R$ 90 pela Ticketmaster. Horários e atrações no site oficial.

Itapiranga (SC) — 26 de setembro a 18 de outubro

A 47ª Oktoberfest de Itapiranga, no extremo oeste catarinense, é a mais espalhada da lista: quatro momentos ao longo de três semanas, e a abertura já passou. Ainda vêm o Desfile Cultural na Rua do Comércio, no sábado (3), as noites de pavilhão no bairro Jardim Bela Vista, de 9 a 11 de outubro, e o Domingo Cultural de encerramento, em 18 de outubro. O tema é o centenário de Porto Novo, e os valores não haviam sido divulgados até o fechamento.

Marechal Cândido Rondon (PR) — 26 de setembro a 24 de outubro

Apresentada como a maior celebração alemã do Paraná, a 36ª Oktoberfest de Marechal Cândido Rondon trabalha em capítulos. Abriu em 26 de setembro na Casa Cultural, com entrada franca, Desfile do Carretão e eleição das soberanas. Depois vêm três pré-Oktoberfests, em 9, 16 e 22 de outubro, em pontos diferentes da cidade. As duas noites oficiais são 23 e 24 de outubro, no Centro de Eventos, com a Tarde Alemã dos Idosos na primeira e o desfile alegórico na segunda. A organização não divulgou valores até o fechamento.

Santa Rosa (RS) — 26 de setembro e 9 a 17 de outubro

No noroeste gaúcho, a 27ª Oktoberfest de Santa Rosa é outra feita de dias soltos. Começou com as brincadeiras típicas — jogo do barril, chope em metro, chute ao pneu — e volta em quatro noites de baile, 9, 10, 16 e 17 de outubro, com bandas regionais como San Francisco, 0800 e Estação 4. Quem chegar de traje típico alemão, dentro do regulamento, não paga entrada. Ingressos pela plataforma HDPass, com informações no site oficial.

Ribeirão Preto (SP) — 30 de setembro a 4 de outubro

Não é a mais barata da lista: é a de graça. A Oktoberfest Ribeirão ocupa o Parque Municipal Dr. Luís Carlos Raya até domingo (4) sem cobrar entrada, e a organização a descreve como a maior edição já realizada. Começou na quarta (30), com parque de diversões ampliado, operado pela Coney Island, e as torneiras divididas entre a Spaten, patrocinadora master, e os rótulos artesanais da Walfänger. Na música, Danilo Teoro e Balaco; na parte cultural, os grupos de dança Rotkappen e Weisser Schwan. A programação está no perfil do evento no Instagram.

Nova Petrópolis (RS) — 2 a 12 de outubro

A Nova Oktoberfest 2026 muda de casa em 2026: sai do centro e vai para a Linha Imperial, com um trenzinho gratuito, o Oktober Zug, levando o público da Praça das Flores até lá. A entrada não custa nada. O tema é “Das ist unsere Musik” — “esta é a nossa música” —, com mais de 60 horas de programação em dois fins de semana e uma homenagem a cinco músicos da região. Abre nesta sexta (2) e vai até domingo (4), volta de 9 a 11 de outubro e fecha no feriado de 12, dedicado ao Kindertag, o dia das crianças.

Belo Horizonte (MG) — 3 de outubro

A capital mineira entra na agenda com um evento de um dia e cara de festival de música. A Oktoberfest Beagá acontece no sábado (3), a partir das 12h, na Nova Serraria, com show do Biquini e mais cinco atrações, entre elas os grupos Cash e Velotrol e o tributo 100% Charlie Brown. Do lado cervejeiro são 20 cervejarias artesanais mineiras e mais de 40 rótulos, além de gastronomia alemã e brincadeiras como o Desafio do Chopp. A organização diz que os ingressos estão no último lote, vendidos pelo Sympla.

Blumenau (SC) — 7 a 25 de outubro

Oktoberfest de Blumenau terá entrada grátis para quem chegar cedo este ano (Crédito: Divulgação / Oktoberfest de Blumenau)
Oktoberfest de Blumenau terá entrada grátis para quem chegar cedo este ano (Crédito: Divulgação / Oktoberfest de Blumenau)

A 41ª Oktoberfest de Blumenau abre na quarta (7) e segue sendo a maior das Américas: 19 dias no Parque Vila Germânica e oito desfiles gratuitos ao longo do mês.

O ingresso de lá funciona de forma diferente: quem chega cedo não paga. Além dos seis dias de entrada franca — 7, 8, 13, 19, 20 e 25 de outubro —, nos demais a cobrança só começa às 18h de quarta a sexta e às 13h nos sábados, domingos e no feriado. Depois disso, a inteira vai de R$ 24 nas quartas, quintas e em alguns domingos a R$ 80 nos sábados, com R$ 60 nas sextas e R$ 40 no feriado de 12 de outubro. A meia vale para estudante, professor, pessoa com 60 anos ou mais, pessoa com deficiência e acompanhante, doador regular de sangue, jovem de baixa renda inscrito no CadÚnico — e para quem aparecer de traje típico.

A novidade da edição é o Festzelt, pavilhão móvel de 2,2 mil metros quadrados operado pela Hofbräuhaus, marca de Munique fundada em 1589 e presente na festa original. Ao lado dele estreia o Schützen Platz, arena de jogos germânicos, do tiro de ar comprimido ao cabo de guerra. Voltam o pavilhão do Galegão e o Oktoberfest Summit. E há uma banda gerada por inteligência artificial, a Frida und Fritz, em seis apresentações em telão — a mais tradicional das festas brasileiras também quis ver no que dá.

Os ingressos estão na Eleven Tickets, com informações no site oficial; na bilheteria do parque, a partir da abertura, não há taxa de conveniência.

Santa Cruz do Sul (RS) — 8 a 25 de outubro

A Oktoberfest de Santa Cruz do Sul também chega à 41ª edição e é a que mais aposta no desfile: são três blocos de dias — 8 a 12, 15 a 18 e 21 a 25 de outubro — e cerca de 1,2 mil bailarinos nos carros alegóricos e nas apresentações típicas. A organização projeta 420 mil visitantes.

Foi a única grande festa a se pronunciar sobre a coincidência com o segundo turno. A Assemp, associação empresarial que organiza o evento, avisou desde janeiro que a programação de 25 de outubro vai seguir as orientações da Justiça Eleitoral. O preço muda conforme o dia e a hora de entrada: na abertura, em 8 de outubro, o parque funciona das 14h às 5h, com entrada gratuita na primeira hora, R$ 15 até as 19h e R$ 35 depois. Ingressos pela Eleven Tickets, informações completas no site oficial.

Igrejinha (RS) — 9 a 18 de outubro

Grupos folclóricos se apresentam na Oktoberfest de Igrejinha (Crédito: Os Silveiras / Divulgação)
Grupos folclóricos se apresentam na Oktoberfest de Igrejinha (Crédito: Os Silveiras / Divulgação)

No Vale do Paranhana, a 37ª Oktoberfest de Igrejinha se define como a maior festa voluntária do Brasil — é tocada pela Amifest, a associação de amigos da festa, e esse é o traço que a separa das outras duas gigantes do Sul. São nove dias de programação entre 9 e 18 de outubro, no Parque de Eventos Almiro Grings, sob o tema “Um brinde ao que nos move”. Mais de 60% do parque é coberto, o que ajuda quando chove na serra.

A programação musical mostra que a Oktoberfest brasileira é diversa e não só típica. Simone Mendes faz a abertura e o encerramento traz o voXXclub, banda alemã de volksmusik pop, seguido de Alok. Entre os dois, Di Ferrero, Turma do Pagode, Guilherme & Benuto e Acústicos & Valvulados. Há ainda três dias temáticos: Besonderertag em 13 de outubro, Kindertag em 14 e Seniorentag em 15. O ingresso individual de arena vale para um dia só e custa de R$ 27 a R$ 48 no primeiro lote, conforme a data. A novidade é o Passaporte Promocional Solidário, que libera os nove dias, permite sair e voltar ao parque e destina 20% da receita ao Hospital Bom Pastor, de Igrejinha — na arena, sai por seis parcelas de R$ 29,90. Na modalidade camarote, os passaportes já esgotaram. Vendas no site oficial.

Porto Alegre (RS) — 10 de outubro

A capital gaúcha faz a sua no miolo do Centro Histórico, e de graça. A segunda Oktoberfest de Porto Alegre toma a rua Sete de Setembro e o entorno — Mercado Público, Praça da Alfândega, Casa de Cultura Mario Quintana — em 12 horas de programação, com 150 torneiras de chope, desfile germânico e show do Cachorro Grande. A estreia, em 2025, reuniu mais de 25 mil pessoas. A organização é dos hubs POA Centro e Quarto POA, com apoio da prefeitura.

Fortaleza (CE) — 10 e 17 de outubro

O Nordeste entra na agenda por Fortaleza, com dois eventos de um dia. Em 10 de outubro, a Oktoberfest do Floresta ocupa o Floresta Hall, na Aldeota, das 18h às 2h. Uma semana depois, a Cervejaria Turatti abre a própria fábrica, no Lagoa Redonda, para a quarta edição da festa que divide com a Hey Ho e a 5 Elementos, das 15h às 23h. As duas vendem pelo Sympla.

Amstel 0.0 estreia no Brasil e coloca a quinta marca mais consumida do país no zero álcool

A Amstel 0.0 chegou ao mercado brasileiro como a primeira cerveja sem álcool e sem glúten da marca, em lata de 350 ml e receita puro malte, com 59,5 kcal (quilocalorias) por unidade — 17 kcal por 100 ml. Com o lançamento, realizado na quarta-feira (30) durante o evento de renovação de contrato com a Conmebol, o Grupo Heineken leva a quinta marca mais consumida do país para um segmento que cresce 17,9% em volume no acumulado de 2026 sobre o mesmo período de 2025 e já está em 14,4% dos lares brasileiros, segundo a NielsenIQ.

A distribuição começa pelas regiões Sul e Sudeste e pelos estados de Goiás, Bahia e Sergipe, em atacadistas, bares e restaurantes. A meta é alcançar a maior parte do Brasil até 2027, segundo a marca.

A companhia posiciona a novidade na faixa mainstream de preço, mas nesse primeiro momento não divulgou o preço da novidade. “A chegada de Amstel 0.0 representa um passo importante na estratégia de expansão da marca no país”, afirma Cecília Bottai, vice-presidente de marketing do Grupo Heineken no Brasil. Segundo ela, a versão zero preserva o que sustenta o rótulo — puro malte e origem internacional — e amplia as ocasiões de consumo.

Amstel 0.0 entra na prateleira que faltava

Uma dessas ocasiões explica o momento do anúncio, feito durante a renovação da parceria com a Conmebol Libertadores, nesta quinta-feira (1) em São Paulo. O acordo completa dez anos e garante à Amstel exclusividade na categoria cerveja e os direitos de chope dentro das arenas da confederação. Um estádio que não vende álcool era a única prateleira que a cervejaria não podia ocupar.

“O futebol é uma ocasião de consumo muito importante para a categoria e, agora, Amstel passa a oferecer uma opção sem álcool que amplia as possibilidades de consumo, inclusive em estádios onde bebidas alcoólicas não são permitidas”, diz Cecília.

Fora do futebol, a previsão é levar a Amstel 0.0 para as mesmas plataformas da versão regular: Carnaval, Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, Festival de Verão e o evento proprietário Kings Day, realizado em São Paulo e no Recife (PE).

O movimento acompanha uma curva internacional. Estudo do IWSR, instituto britânico de pesquisa do mercado de bebidas, aponta que 61 milhões de novos consumidores entraram no segmento sem álcool entre 2022 e 2024 nos dez principais mercados da categoria, Brasil incluído. Em 2024, esses mercados cresceram 13% em volume.

Dentro de casa, a versão 0.0 se junta a Heineken 0.0 e Sol Zero na plataforma +Equilíbrio, que reúne as opções de menor teor alcoólico e menos calorias. Fundada em Amsterdã em 1870, a Amstel chega ao zero álcool depois das duas.

Metade da Amstel do mundo é bebida no Brasil

A renovação com a Conmebol, assinada em São Paulo na quarta-feira,, vai além da Libertadores masculina: o novo acordo passa a cobrir também a Libertadores Femenina, a Sudamericana e a Recopa, com exclusividade na categoria cerveja e o serviço da bebida dentro dos estádios. A assinatura foi simbolicamente feita em uma bola de futebol, numa noite com os ex-jogadores Chicão e Carlos Germano, Lendas da Conmebol, e a embaixadora Rosana dos Santos.

O peso do país nesse acordo está no quanto a marca vende aqui. O Brasil é hoje o maior mercado da Amstel no mundo e responde por cerca de 51% do volume global e por aproximadamente 65% do total vendido nas Américas, segundo o Grupo Heineken, com crescimento também em Equador, Argentina e Paraguai. “Renovar nossa parceria com a Conmebol depois de dez anos significa continuar aproximando os torcedores e criando momentos inesquecíveis em toda a região”, afirma Alexandre Carreteiro, presidente da Heineken nas Américas.

Presidente da Abracerva reforça a importância de voto que dialogue com o setor

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O presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino, reforçou ao Guia da Cerveja o pedido que a entidade fez aos associados na terça-feira (22): votar, no primeiro turno das Eleições 2026, no domingo (4), em candidatos que apoiem o setor cervejeiro. Segundo o comunicado, este é “um momento decisivo para termos representantes em todos os estados e em Brasília, pessoas que nos recebam e apoiem nos desafios que temos pela frente, como a reforma tributária e demais regulamentações”.

Para Tarantino, o objetivo do alerta é aproximar as cervejarias da política. “Esse nosso alerta é para que as cervejarias de todo o país conversem, tenham interesse na política como um direito cívico, e que a gente faça pleitos que no futuro possamos cobrar desses candidatos que tanto pedem nossos votos”, afirmou.

Reforma tributária ainda não acabou

O principal desafio citado pelo presidente da Abracerva é a reforma tributária, cuja regulamentação ainda está em curso. Segundo ele, a Abracerva pediu tratamento tributário diferenciado no Imposto Seletivo (IS), que ainda não tem alíquotas definidas. “Se a gente pegar o mapa do Brasil, a gente vai ver que os três estados do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, o Norte, todos os estados têm benefício fiscal. Isso faz muita diferença. Com a reforma vai acabar o benefício fiscal e aí a única diferença vai ser o imposto seletivo.”

O IS, popularmente conhecido como “Imposto do Pecado”, é um novo tributo federal criado pela reforma (Emenda Constitucional 132/2023). Tem natureza extrafiscal, ou seja, seu objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre produtos como cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos e a extração de minérios, petróleo e gás.

O comunicado também orienta os associados sobre como escolher e abordar os candidatos. “Busque e converse com candidatos que compartilham a ideia do empreendedorismo como um pilar do seu objetivo”, diz o texto. A entidade sugere apresentar a eles os números do setor: “Diga que o Brasil é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, que empregamos mais de 2,5 milhões de pessoas e que a cerveja representa 2% do PIB nacional”.

Visitas em Brasília

O comunicado ainda pede que o cervejeiro já busque uma audiência com o candidato “para irmos juntos pleitear melhores condições para as pequenas cervejarias e para todo o nosso setor”.

Depois das eleições, a Abracerva e outras entidades do setor vão organizar dois dias de visitas a gabinetes de deputados e senadores que apoiam a cerveja, no Congresso Nacional. As visitas acontecem no primeiro semestre de 2027, perto do lançamento do Anuário da Cerveja, pelo terceiro ano consecutivo. A delegação reúne representantes de cervejarias de todo o país, do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) e da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil). A meta é levar um ou dois representantes por estado.

“Esse trabalho não é pontual; ele é contínuo”, disse Tarantino. Com a renovação de parte do Congresso, segundo ele, será preciso conhecer os novos parlamentares e se apresentar a eles. Neste ano, a Abracerva também se aproximou da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) para incluir nesse trabalho o comércio que vende cerveja.

O presidente vê um papel também para o consumidor de cerveja artesanal. O primeiro é frequentar as cervejarias. Depois, participar da vida política: “Pode assinar um abaixo-assinado, pode falar com um vereador, com um deputado, com um senador conhecido”. Para o presidente da Abracerva, em muitas cidades do interior a população tem orgulho da cervejaria local, “da cervejaria que é feita na terra dele”.

Estados Unidos proíbem cerveja canadense em novo capítulo da guerra tarifária

A guerra tarifária de Donald Trump ganha mais um capítulo nesta terça-feira (29): a partir das 0h01, no horário de Nova York, os Estados Unidos (EUA) proíbem a importação de cerveja canadense embalada, em garrafa, lata ou barril. Antes dela vieram a tarifa de 50% sobre o alumínio, que encareceu a lata e levou cervejarias canadenses a comprar da China, e a taxação do alumínio nas latas mexicanas, que apertou a margem da dona da Corona no mercado americano. Em pouco mais de um ano e meio, o conflito comercial atingiu a bebida, a embalagem e o lucro.

A proibição da cerveja canadense se apoia na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930 e responde às restrições que as províncias do Canadá impuseram à venda de bebidas americanas. Chega, porém, a um comércio que já havia quase desaparecido: segundo o governo dos Estados Unidos, as exportações de bebidas alcoólicas para o país vizinho caíram cerca de 81% desde 2024, de US$ 718 milhões para US$ 137 milhões. Com a cerveja foi pior — dados do Censo americano citados pela Brewers Association, associação das cervejarias artesanais independentes do país, apontam recuo de 85% desde 2025 e de 94% desde 2024.

O escopo abrange até a marca americana. Como escreve Michael Mohr-Ramirez, gerente de assuntos federais da associação, a regra vale pelo lugar de produção, não por quem é o dono da marca — o que barra quem fabrica sob contrato no Canadá. Ficaram fora da lista a cerveja sem álcool e a remessa a granel para envase nos Estados Unidos (em caminhões-tanque, por exemplo); esta ainda está sujeita à tarifa de 50% que já existia.

A associação recomenda revisar contratos e cargas em trânsito, porque produto embarcado antes de terça e desembaraçado depois tem tratamento próprio.

Já os produtores de cerveja canadense que têm vendas para os Estados Unidos estavam correndo contra o relógio para entregar antes da data. É o caso da Moosehead, a maior cervejaria independente do Canadá, com sede em Saint John, em New Brunswick. “Estamos tentando agilizar ao máximo o processo”, disse Oland, CEO da Moosehead ao Toronto Star.

Cerca de 15% do volume total de cerveja da Moosehead é exportado para os EUA. Portanto, a correria só resolve parte do problema. “Provavelmente teremos cerveja nos EUA até o final de outubro ou início de novembro”, disse Oland. “Se não tivermos clareza até lá [do desenrolar das tarifas impostas], simplesmente não consigo prever o que acontecerá.”

A conta que chega pela lata na cerveja canadense

No entanto, a frente que mais atinge quem produz não é a bebida, é a embalagem. A tarifa americana sobre alumínio e aço começou em 25%, em março de 2025, com resposta canadense na mesma moeda, e dobrou para 50% no fim de agosto deste ano.

Em Windsor, Ontário, a Walkerville Brewery viu a lata de 473 ml passar de cerca de 31 para 35 centavos — alta de aproximadamente 13% —, segundo o proprietário, Mike Brkovich, em entrevista ao portal especializado AL Circle. São 40 mil unidades por mês, compradas de um fornecedor canadense. “Vamos ter de aumentar os preços, eu acho, nos próximos três ou quatro meses. Mas estamos tentando segurar”, diz ele.

O aumento chega até quem compra dentro do país por causa do desenho da cadeia: o Canadá tem grandes fundições de alumínio, movidas a hidrelétrica, mas não tem laminadora da chapa específica usada em lata. O metal cruza a fronteira para ser laminado e volta como embalagem. “Os fabricantes de lata têm custos dramaticamente mais altos com a matéria-prima (…). O que eles mandam de volta para o Canadá e o que mandam para o mercado americano vai ficar bem mais caro”, disse John Taylor, chefe do departamento de marketing e gestão de cadeia de suprimentos da Universidade Wayne State.

A saída apareceu do outro lado do Pacífico. Vadim Bajgoric, dono da Canvas Craft, que imprime latas na Colúmbia Britânica, contou ao site Vinetur que dois anos atrás todo o seu estoque era feito na América do Norte. Hoje metade vem da China, com desconto de cerca de um terço. “A China tem uma vantagem enorme”, disse, em reportagem reproduzida pela The Drinks Business. Em Vancouver, em British Columbia, o presidente da Strait & Narrow, Yuri Akeroyd, levou a maior parte das suas compras para a China nos últimos oito meses e classificou a decisão como “sobrevivência”.

A troca, porém, é tendência em formação, não debandada: os dados comerciais canadenses mostram que o valor importado de latas chinesas subiu 14% em 2025, mas o gasto com as americanas também subiu 11%. As grandes seguem presas a contratos de vários anos. Quem está mudando de fornecedor é o pequeno.

O capítulo mexicano

O México passou pelo mesmo aperto um ano e meio antes, e o resultado ajuda a medir o estrago. Em abril de 2025, o Departamento de Comércio americano esclareceu que a tarifa sobre cerveja importada em lata incide apenas sobre o valor do alumínio da embalagem, não sobre a bebida. Como cerca de 60% do que o país manda aos Estados Unidos vai em garrafa, boa parte do volume escapou.

Escapou do líquido, não da margem. A Constellation Brands, que vende Corona e Modelo no mercado americano, fechou o ano fiscal encerrado em fevereiro com US$ 8,3 bilhões em vendas de cerveja, 3% menos que no ano anterior, e com a margem operacional do negócio em 38% — 170 pontos-base abaixo, citando entre as causas o custo mais alto do produto vendido por causa das tarifas do alumínio.

País mal começou a explorar as madeiras brasileiras que já rendem ouro à sua cerveja

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Quem encomenda um barril de carvalho francês pode escolher de que floresta ele vem. Allier, Bertranges, Limousin, Nevers e Vosges dão carvalhos diferentes entre si, cada um com características próprias. No entanto, com madeiras brasileiras é diferente. Para a amburana, velha conhecida da cachaça, ninguém faz essa pergunta. No mercado, amburana é amburana, ainda que a principal espécie se espalhe por um território quatro vezes maior que o da França.

A comparação é de Agenor Maccari, que estuda madeiras brasileiras em bebidas desde 2004 e é sócio da 277 Craft Beer, de Foz do Iguaçu (PR). E ela resume um paradoxo. As madeiras nativas já mostraram do que são capazes: nos dois últimos anos, duas cervejas brasileiras envelhecidas em castanheira ganharam ouro no World Beer Cup, considerado o concurso mais importante do mundo. Uma é a Quadruppel 277, da cervejaria de Maccari. A outra é a Terminus 2026, da Daoravida, de Campinas (SP). Mas o país ainda conhece pouco o que tem.

Os números dão a medida da distância entre o que o país tem e o que conhece. A área onde a Amburana cearensis foi efetivamente registrada soma 572 km², segundo avaliação de 2012 do Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Já as florestas de carvalho da França ocupam cerca de 50 mil km², de acordo com dados do instituto geográfico e florestal francês (IGN) citados por Maccari. “Temos que ‘acordar’ para o potencial técnico e econômico no uso destas madeiras”, diz ele.

Muito território, pouco mapa

Para Maccari, os dois números contam histórias complementares. Se a amburana se espalha por uma área tão grande, sua diversidade deve ser muito maior que a do carvalho francês, e quase toda ainda por descobrir. Mas a área ocupada pelo carvalho na França é cerca de 90 vezes maior que a da amburana registrada no Brasil. A diferença, segundo ele, está no manejo das florestas e no reflorestamento.

E a lista não para na amburana. Maccari cita dezenas de espécies nativas usadas em bebidas: amendoim, araribá, bálsamo, cabreúva, castanheira, freijó, jequitibá (branco e rosa), louro. Sobre quase todas, falta estudo. Até a tosta, a queima controlada do interior do barril que muda os aromas passados à bebida, segue sem resposta. “A tosta nos barris de carvalho é um tema consolidado. E tosta de amburana?”, provoca.

Madeiras brasileiras: presas à cachaça

Wagner Falci, cofundador e cervejeiro da Daoravida, explica por que o carvalho, americano ou europeu, ainda domina as adegas das cervejarias. “Existe uma indústria de tanoaria gigantesca, padronizada e secular, sustentada pela produção mundial de vinhos e destilados, como o Bourbon”, diz. E, lembra ele, a ciência de como o carvalho libera taninos e vanilina, o composto do aroma de baunilha, está amplamente documentada.

As madeiras brasileiras seguiram outro caminho. Historicamente ligadas à cachaça, dependem de uma tanoaria nacional que, segundo Falci, “ainda está em processo de adaptação para atender às demandas de assepsia e padronização das cervejarias”. São também madeiras potentes, ricas em óleos essenciais e resinas. A curva de aprendizado fica mais íngreme e afasta quem busca resultados rápidos e previsíveis.

Agenor Maccari é um dos maiores conhecedores de maderias brasileiras foi professor da UFPR e é hoje sócio da 277 Craft Beer (Foto: Arquivo Pessoal)
Agenor Maccari é um dos maiores conhecedores de maderias brasileiras foi professor da UFPR e é hoje sócio da 277 Craft Beer (Foto: Arquivo Pessoal)

A ponte entre a cachaça e a cerveja já existe, e Maccari ajudou a construí-la. Professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) por 30 anos, na área de tecnologia de alimentos e bebidas, ele tem participação numa destilaria que exporta bebidas envelhecidas em madeira. Em 2010, trabalhou com a Way Beer (Curitiba – PR) na Amburana Lager, que ele aponta como a primeira cerveja maturada em barril de madeira brasileira que antes guardou cachaça. Depois vieram outras parcerias, como as versões da DUM Petroleum envelhecidas em barris. A 277, brewpub (bar com cervejaria própria) aberto em 2019, é consequência desse percurso. “A função de ‘fornecedor de madeira para cerveja’ me agradou muito. Disto surgiu a ideia de ser ‘produtor de cerveja em madeira'”, conta.

O nome certo e a proteção da lei

Para Maccari, um dos maiores entraves é a falta de conhecimento técnico, agravada pelos nomes populares. Em algumas regiões, a amburana também é chamada de cumaru. O cumaru “verdadeiro”, a Dipteryx odorata, conhecida como fava-tonca, tem uso restrito por causa do teor de cumarina, substância aromática presente nas sementes. Resultado: mesmo com baixíssimo teor de cumarina, bebidas com amburana acabam sofrendo restrições em alguns mercados. “E esta confusão se aplica para quase todas as espécies de madeira usadas, com nomes científicos, populares e regionais criando um emaranhado”, afirma.

O nome certo também importa para a lei. Das duas espécies de amburana, a Amburana acreana está na lista nacional de plantas ameaçadas de extinção, na categoria vulnerável; a cearensis, não. A castanheira (Bertholletia excelsa) tem proteção dupla. Um decreto federal de 2006 veta sua exploração madeireira em florestas naturais, e ela integra a lista de ameaçadas desde 2014. Pela portaria do Ministério do Meio Ambiente que oficializa a lista, espécies nessa condição não podem ser cortadas nem comercializadas, salvo exemplares de plantios licenciados ou, no caso das vulneráveis, de manejo sustentável autorizado.

Daoravida Terminus 2026 foi maturada em Castanheira e premiada este ano no World Beer Cup (Crédito: Divulgação / Daoravida)
Daoravida Terminus 2026 foi maturada em Castanheira e premiada este ano no World Beer Cup (Crédito: Divulgação / Daoravida)

Por isso, a compra de madeira ou barril exige documentação ambiental junto com a nota fiscal: o Documento de Origem Florestal (DOF), federal, ou guias estaduais, como a Guia Florestal (GF) e, em São Paulo, o CADMADEIRA. “Estes documentos identificam a madeira, contendo lado a lado o nome popular e o nome científico”, explica Maccari. Ou seja, o papel que garante a origem legal também resolve a confusão dos nomes.

As duas campeãs trabalham assim, por caminhos diferentes. A 277 usa barris que antes envelheceram cachaça, comprados de tanoarias tradicionais, com procedência documentada. A Daoravida compra barricas novas. “Todas as nossas barricas são novas e adquiridas das melhores tanoarias do Brasil e possuem DOF e nota fiscal”, diz Falci. O conselho dele a quem quer seguir o mesmo caminho é direto: “Não economize na hora de comprar uma barrica de madeira nativa. Diferente do carvalho, que você pode comprar um refugo recondicionado por um valor muito atrativo, quando falamos de madeira nativa precisamos levar isso a sério”.

Levar a sério, para Maccari, vale também para o país. Ele defende o uso das madeiras nativas “obviamente com o manejo racional/sustentável das florestas e reflorestamentos”, o mesmo caminho que transformou o carvalho francês em fornecedor global. “Este manejo garante o fornecimento contínuo e sustentável de carvalho para o segmento de bebidas no mundo todo. Enquanto isto, para a amburana…”.