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No Dia da Pizza, conheça 7 combinações perfeitas com cerveja

Anualmente, em 10 de julho, milhares de pessoas comemoram o Dia da Pizza, um dos pratos mais democráticos do mundo. Além de ser prática, versátil e agradar a diferentes paladares, é também um símbolo de convívio social, fartura e festa. E há uma bebida que também é exatamente assim: a cerveja! Então, se há toda essa  afinidade de significados, que tal aproveitar a data para conhecer algumas ótimas combinações?

A arte e técnica de combinar sabores de comidas e bebidas é conhecida como harmonização. E se trata de ir além do mero acompanhamento. O objetivo aqui é fazer com que os sabores de ambos interajam entre si, transformando a combinação final.

E a cerveja, em específico, é uma bebida muito versátil para harmonizar. Ela tem uma ampla gama de aromas e sabores diferentes e combina virtualmente com tudo — basta escolher o estilo e rótulo certos para cada alimento. E não se engane: apesar do nome meio pomposo, não é algo só para jantares chiques. A harmonização pode ser feita tanto com o prato de um chef como com petiscos, churrasco, salgadinhos, doces, sorvete e até, claro, a pizza.

Dia da Pizza Internacional vs. Dia da Pizza no Brasil

Não existe um Dia da Pizza Internacional. Cada país segue um calendário diferente para comemorar a data. E os motivos são tão diversos quanto os próprios sabores dessa iguaria. 

Na Itália, a data é 17 de janeiro, Dia de Santo Antão (Sant’Antonio Abate), que é considerado o protetor dos padeiros e pizzaiolos. Nos Estados Unidos é 9 de fevereiro, mas não há um motivo claro. O mote existe desde os anos 2000, quando o prato virou febre por lá e foi explorado pelas pizzarias nessa data aparentemente aleatória. Essa é a data que também é mais associada a um suposto Dia Mundial da Pizza, erroneamente.

Já o Dia da Pizza no Brasil é 10 de julho. Ele é comemorado desde 1985, quando a data foi instituída por Caio Luiz de Carvalho, então secretário de Turismo da cidade de São Paulo — a capital brasileira da pizza. O dia escolhido foi o do encerramento de um concurso estadual que elegeu as melhores receitas de muçarela e Margherita. E o sucesso foi tanto que a comemoração virou tradição oficial.

A pizza no Brasil é um sucesso absoluto. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Itália, onde a “redonda” nasceu. São mais de 160 mil pizzarias, segundo estimativa de 2024 da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) com base em dados da Receita Federal. Segundo outra estatística do Sebrae-SP, quase três em cada quatro pizzarias atendem exclusivamente por entregas ou retiradas. Já a plataforma iFood diz que, no mesmo ano, 103 milhões de pizzas foram entregues.

Mãos à massa!

Para comemorar a data, a reportagem do Guia da Cerveja elaborou sete combinações de sabores clássicos com diferentes cervejas. Todas elas já levam em consideração um certo dulçor e gordura a mais que estão presentes na base da maioria das receitas, da própria farinha, do molho de tomate e da muçarela.

Calabresa

A mais popular das pizzas no Brasil leva linguiça calabresa, criada em São Paulo em 1937 por imigrantes italianos com base num embutido da região da Calábria. Ela é feita com carne suína, utiliza pimenta calabresa e é curada, fazendo com que não precise de refrigeração. Tem um percentual alto de gordura, gosto salgado e picância característica. Em todo o Brasil é feita com muçarela, mas em São Paulo existem versões sem o queijo — só com a massa, molho de tomate e calabresa. 

Há sempre vários caminhos possíveis na harmonização. Um deles é com cervejas de sabores e aromas mais maltados, que enfatizam o sabor da carne. Nesse caso, uma American Brown Ale como a Dog Fight, da cervejaria Salvador (Caxias do Sul – RS), é uma boa opção. Ela traz notas tostadas e caramelizadas, que também suavizam a picância, além de um amargor um pouco mais acentuado e 5,5% de álcool para contrastar o excesso de gordura da pizza.

Uma outra abordagem interessante é enfatizar a picância com cervejas de amargor de lúpulo mais acentuado, como as American Pale Ale (APAs). A citricidade dos lúpulos norte-americanos, característica nesse estilo, também complementa o sabor do embutido. Experimente com a Leopoldina APA.

Frango com Catupiry

Trata-se da segunda versão mais popular de pizza do país. O sabor depende muito do tempero do frango, que costuma ser refogado e desfiado antes, e da untuosidade do queijo cremoso, que também aumenta o percentual de gordura. Uma cerveja Special Bitter, como a clássica inglesa Fuller’s London Pride, pode ser uma saída interessante. Ela vai ajudar a simular um grau de assado a mais, pelas notas tostadas do malte, e os sabores caramelizados se misturam com o amanteigado do Catupiry, criando aromas semelhantes a toffee. Além disso, tem amargor mais elevado para contrastar a gordura. Já as notas herbais do lúpulo também podem enfatizar o sabor de temperos verdes, comuns em refogados de frango.

Muçarela

A beleza da pizza muçarela está na sua simplicidade. Só massa, molho de tomate e queijo. Uma das formas de combinar é por semelhança com cervejas mais tradicionais, como as Pilsen (American Lager). Feitas à base de maltes claros, que trazem notas de panificação, elas enfatizam o sabor da massa assada enquanto a carbonatação e o álcool contrastam com o dulçor e a gordura da pizza. Uma mistura simples, mas perfeita, de forma que não se sabe onde começa uma e termina a outra.

Margherita

Além da base da pizza muçarela, a Margherita traz tomate, com sua acidez, e manjericão, que é muito aromático. Para valorizar esses ingredientes, cervejas condimentadas vão muito bem. Uma Witbier, cerveja de trigo de tradição belga que leva cascas de laranja e sementes de coentro na receita, como a Blue Moon, é uma ótima combinação. As notas cítricas e condimentadas da cerveja enfatizam o sabor do manjericão, enquanto a acidez do tomate contrasta com o leve dulçor da cerveja.

Portuguesa

A portuguesa tradicional leva muçarela, presunto, cebola, ovos cozidos, tomate, azeitonas e orégano. São sabores muito variados, fazendo da harmonização um desafio. Uma cerveja de trigo de tradição alemã, conhecida como Weizenbier ou Weissbier, faz um bom trabalho aqui. Ela contrasta a acidez acentuada dos ingredientes como cebola e tomate com leve dulçor maltado e também suaviza o toque sulfuroso dos ovos. Além disso, enfatiza o orégano e as notas frutadas da azeitona. Experimente com a cerveja alemã Paulaner Weissbier.

Pizza de milho com bacon

Pizzas com sabor à base de bacon, como a de milho com bacon, acabam sendo muito marcadas pelo sabor do embutido. São gordurosas, têm sal acentuado e são defumadas. E para quem gosta de bacon, vale a pena valorizá-lo. A receita mais fácil para isso é harmonizar com cervejas de maltes defumados, as Rauchbiers. Por serem semelhantes, elas enfatizam essas notas de fumaça. Experimente com a Bamberg Rauchbier, de Votorantim (SP).

Pizza de chocolate

Ela não poderia ficar de fora. Uma invenção brasileira, a pizza de chocolate é a sobremesa que não sai do tema principal. Para harmonizar cervejas , é preciso ficar atento ao tipo e à qualidade do chocolate. Quanto mais doces e gordurosos, mais torrados podem ser os maltes que trazem sabor às cervejas. E vice-versa.

Dessa forma, a Munich Dunkel Therezópolis Ebenholz seria uma boa combinação para o chocolate meio amargo. Ela valoriza o sabor do chocolate, equilibrando o dulçor da combinação. Já o chocolate ao leite ou trufado (com creme de leite) acompanha bem uma Porter, como a Louvada Porter (MT), que tem mais riqueza de torra.

As 15 cervejas que Messi receberia pelos seus 21 gols em Copas do Mundo

A Copa do Mundo 2026 está sendo marcada por recordes. Além de ser o maior Mundial de todos os tempos — envolvendo três países-sede, 48 seleções e 104 jogos — a edição deste ano está presenteando o público com uma bela disputa pelo título de maior artilheiro de todos. Se antes do início desta edição da competição o alemão Miroslav Klose era o recordista com 16 gols, depois da vitória da Argentina sobre o Egito na terça-feira (7), Lionel Messi se isolou na liderança com 21 bolas no fundo da rede em 31 jogos — oito somente este ano.

E se cada seleção que sofreu nas mãos do argentino lhe desse uma cerveja de seu país de presente, quais seriam esses rótulos? Foi essa pergunta que motivou o Guia da Cerveja a elaborar a lista de 15 cervejas que têm como base os rótulos mais populares de cada país. O número menor que o total de gols se justifica porque Nigéria, Argélia, França e Áustria foram alvejadas mais de uma vez.

Nas seis edições do Mundial de que participou, Messi só não marcou em 2010, na África do Sul. E foram tantas vítimas da pontaria do artilheiro que a relação é quase um tour cultural pelo mundo. Ele foi algoz de times dos cinco continentes.

Mas é bom lembrar: a Copa do Mundo 2026 não terminou. Tanto a Argentina quanto a França continuam no torneio. Messi ainda pode ampliar a vantagem ou o francês Kylian Mbappé, com 19 gols em 19 jogos, pode alcançar ou até ultrapassar o ídolo argentino.

Quem será que termina a competição em primeiro lugar?

Star Lager – Nigéria

A Nigéria foi um dos times mais alvejados por Messi ao longo das Copas. Foram três gols sofridos na fase de grupos, sendo 2 no Brasil em 2014 e um na Rússia em 2018.

A cerveja que Messi receberia de presente da Nigéria provavelmente seria a Star Lager, uma American Lager dourada, leve e suave em aroma e sabor, fabricada pela Nigerian Breweries desde 1949. Conhecida como uma das cervejas mais baratas do mundo, hoje ela pertence ao portfólio internacional da Heineken.

Mas poderia ser também um Guinness Foreign Extra Stout — tipo de cerveja Stout escura, com aromas e sabores de torra mais intensa, mais alcoólica e encorpada —, já que o país é o segundo maior mercado do mundo da marca irlandesa e consome bastante cerveja especificamente desse estilo. Com qual será que o artilheiro ficaria mais feliz?

Tango – Argélia

Ao lado da Nigéria, a Argélia foi outra grande vítima da pontaria do atual maior artilheiro das Copas de todos os tempos. Messi castigou com três gols no primeiro jogo da Argentina no Grupo J deste ano no estádio de Kansas City, nos Estados Unidos, no dia 16 de junho. A cerveja-prêmio aqui seria a Tango, uma American Lager de 4,8% produzida pela SARL Tango, também subsidiária da Heineken.

Strela Kriola – Cabo Verde

Sensação da Copa do Mundo 2026, a seleção de Cabo Verde protagonizou um confronto épico na segunda fase do torneio e deu um sufoco na seleção argentina. Por duas vezes, os cabo-verdianos ficaram atrás no placar e buscaram o empate, mas foram eliminados com um gol da Argentina nos minutos finais. Messi marcou o primeiro.

A cerveja mais consumida no arquipélago é a Strela Kriola (5% ABV), uma American Lager dourada e leve que é feita com água do mar. Isso porque as ilhas têm poucas fontes de água potável — a grande maioria do precioso líquido vem de dessalinização.

A Strela foi lançada em 2006 na cidade da Praia, capital de Cabo Verde. Foi produzida pela Sociedade Cabo-verdiana de Cerveja e Refrigerantes (SCCR), que pertence ao grupo Equatorial Coca-Cola Bottling Company (ECCBC), uma engarrafadora da Coca-Cola que começou a atuar no país em 1997.

Corona – México

Parece que Messi não consegue performar muito bem em termos de gols na Copa do Mundo contra países do continente americano. Nessas condições, ele marcou apenas um gol contra o México na fase de grupos da Copa de 2022, no Catar.

Se ganhasse uma cerveja dos mexicanos, ela com certeza seria a Corona Extra — a marca de cerveja mais valiosa do mundo. Produzida originalmente pelo Grupo Modelo, a marca pertence hoje à multinacional AB InBev e também está disponível no Brasil por meio da Ambev, sua subsidiária. É uma American Lager leve, refrescante e frequentemente consumida com uma fatia de limão no gargalo.

Great Northern Super Crisp – Austrália

Também em 2022, no Catar, a Argentina eliminou a Austrália nas oitavas de final por 2 a 1, com um gol de Messi. Apesar de uma alta carga tributária e muita regulamentação, há boas cervejas no país da Oceania. A mais consumida em 2025 foi a Great Northern Super Crisp, uma American Lager de teor alcoólico reduzido (apenas 3,5%) e super leve, que pertence à Carlton & United Breweries, subsidiária da cervejaria japonesa Asahi. Lançada em 2010, foi adaptada ao clima local e, por isso, concorre diretamente com a Corona.

Heineken – Países Baixos

Se por um lado Messi não marcou muito contra times americanos e da Oceania, por outro ele foi um verdadeiro carrasco dos europeus. Também na Copa de 2022, ele foi decisivo na derrota dos Países Baixos — a famosa seleção holandesa — nas quartas de final. O jogo foi tão caótico e disputado que ficou conhecido como a “Batalha de Lusail”, nome do estádio da partida. Foram 18 cartões amarelos, o recorde das Copas do Mundo.

No tempo regulamentar, Messi deu um passe para o primeiro gol e marcou o segundo de pênalti. Mas os holandeses empataram com dois gols na metade final do segundo tempo — o segundo numa cobrança de falta ensaiada aos 54 minutos. Como o empate persistiu na prorrogação, os times foram decidir nos pênaltis e a Argentina levou a melhor.

A Holanda é a terra da Heineken, onde também é a cerveja mais vendida. Messi, então, guarda na sua cesta uma verdinha para levar para casa.

Kronenbourg 1664 – França

A seleção de Mbappé também é “freguesa” de Messi. Ela foi alvejada duas vezes no mesmo jogo. Foi em 18 de dezembro, na final da Copa do Mundo de 2022 no Catar. Uma data inesquecível para os argentinos, pois foi quando a seleção conquistou seu terceiro campeonato mundial após a disputa de pênaltis.

Como troféu, Messi ganharia com certeza uma Kronenbourg 1664, uma Premium Lager da Brasseries Kronenbourg amplamente reconhecida como uma das melhores da França. A cervejaria foi fundada em Estrasburgo em 1664 e fica localizada na principal região cervejeira do país, a Alsácia. Em 2008, o conglomerado multinacional dinamarquês Carlsberg Group adquiriu a fábrica.

Gösser Märzen – Áustria

Os austríacos também levaram dois gols este ano, na segunda partida dos argentinos na fase de grupos no dia 22 de junho no estádio de Dallas, também na terra do Tio Sam.

Mas, em termos de cerveja, o artilheiro argentino aqui poderia escolher a sua entre uma ampla gama de estilos variados — a Áustria compartilha muitas das mesmas raízes cervejeiras da Baviera, no sul da Alemanha. Apesar de ter um estilo nacional com o nome de sua capital, a Vienna Lager, grande parte das cervejas mais consumidas lá pertence ao estilo Märzen (ironicamente, há muito poucas Viennas hoje).

As cervejas desse estilo na Áustria costumam ser mais claras, chegando à cor dourada de uma cerveja mainstream. Mas não se engane, elas preservam o corpo médio, a proeminência dos maltes e a graduação alcoólica mais elevada do estilo. A Gösser Märzen é a mais popular, pertencente ao grupo Brau Union — do qual a Heineken é a acionista majoritária.

Nikšićko Pivo – Sérvia e Montenegro

O time da Sérvia e Montenegro enfrentou a Argentina na fase de grupos na Copa da Alemanha em 2006. Esse gol é especial para Messi justamente porque foi o seu primeiro em Mundiais. O jogador entrou em campo vindo do banco aos 74 minutos e, aos 88, marcou o sexto gol da goleada de 6 a 0.

Sérvia e Montenegro foi um país que só existiu entre 2003 e 2006 e substituiu a República Federal da Iugoslávia. Ele deu origem a dois Estados independentes após um referendo no qual os cidadãos votaram pela independência de Montenegro.

Nessa época, o presente seria uma Nikšićko Pivo, American Lager com raízes de Czech Pale Lager da Trebjesa Brewery, maior cervejaria de Montenegro até os dias atuais. Ela fica na cidade de Nikšić e é controlada pelo grupo Molson Coors.

Nektar – Bósnia e Herzegovina

Marcar gol em times de países com dois nomes parece também ser uma das especialidades do argentino. Ele fez um gol na vitória da Argentina sobre a Bósnia e Herzegovina por 2 a 1 na fase de grupos da Copa de 2014. O jogo foi disputado no Maracanã, no Rio de Janeiro.

A cerveja mais popular do país é a Nektar, uma American Lager de 5% da Banjalučka Pivara, uma das cervejarias mais antigas do país, fundada originalmente por monges em 1873. A marca é também a principal patrocinadora da seleção de futebol deles.

Ožujsko – Croácia

Com a bola rolando, Messi também tem outro recorde das Copas do Mundo: o de maior perdedor de pênaltis da competição. Em oito cobranças no tempo regulamentar, converteu apenas quatro. Porém, foram todos decisivos. E foi justamente assim que ajudou a Argentina a eliminar a Croácia por 3 a 0 na semifinal da Copa do Mundo de 2022.

Por essa vitória, ele ganharia uma Ožujsko, cerveja produzida pela Zagrebačka Pivovara, na capital Zagreb. Trata-se de uma American Lager extremamente famosa no país. Hoje ela faz parte do portfólio internacional do grupo Molson Coors.

Petra – Jordânia

A Argentina venceu a Jordânia por 3 a 1 no último dia 27 nesta Copa do Mundo. O palco foi o estádio de Dallas, nos Estados Unidos, e Messi marcou um gol. 

A Jordânia também é um dos países do Oriente Médio de maioria muçulmana, religião que tem muitas correntes que proíbem o consumo de álcool. No entanto, as regras costumam variar entre os territórios.

Os jordanianos costumam ser um povo árabe mais tolerante ao consumo de álcool. A cerveja e outras bebidas alcoólicas são facilmente encontradas em cardápios de hotéis, restaurantes e bares, especialmente em áreas turísticas. No entanto, beber nas ruas ou em locais públicos não designados é ilegal.

A marca nacional mais famosa é Petra, uma Lager de impressionantes 8% (na versão Premium, são 10% de álcool). Ela é produzida desde 1964 pela General Investment Company (GIC), hoje subsidiária da Heineken. Mas a marca mais vendida é Amstel. Messi poderia escolher.

Sakara – Egito

O jogo da Argentina contra o Egito foi outra disputa histórica que aconteceu pelas oitavas de final no estádio de Atlanta nesta Copa do Mundo. Os argentinos começaram perdendo com um gol do Egito aos 15 minutos. Messi chegou a perder um pênalti ainda no primeiro tempo. No segundo período, os egípcios fizeram mais um gol e  ampliaram a diferença. Quando tudo parecia perdido, os argentinos viraram o jogo com três gols em 13 minutos. Messi marcou o segundo.

Mais uma cerveja merecida para o herói argentino. No Egito, que também é bastante tolerante à cerveja, ele poderia escolher entre a local Sakara, que pertence à Al Ahram Beverages Company, subsidiária da Heineken, ou Stella Artois, produzida pela gigante AB Inbev.

Holsten Classic – Arábia Saudita

A Argentina perdeu de virada para a Arábia Saudita por 2 a 1 na estreia da Copa do Mundo de 2022, numa das maiores zebras da história das Copas. Sorte dos argentinos que aconteceu na fase de grupos e eles permaneceram na competição para serem campeões mais tarde. Messi abriu o placar de pênalti ainda no primeiro tempo, mas os sauditas viraram com dois gols no começo do segundo tempo.

A Arábia Saudita proíbe o consumo de álcool no seu território, sendo um dos países mais rígidos nessa questão. Porém, são permitidas cervejas sem álcool. Messi ganharia provavelmente uma Holsten Classic, pertencente ao Grupo Carlsberg. Outras alternativas muito populares por lá são cervejas sem álcool com frutas, como as Holsten morango, maçã, uvas-pretas ou romã.

Istak – Irã

A Argentina venceu o Irã por 1 a 0 com um gol de Messi num chute de fora da área literalmente aos 45 minutos do segundo tempo. Foi na segunda rodada do Grupo F da Copa do Brasil e o jogo foi realizado no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte.

O Irã proíbe as bebidas alcoólicas desde a Revolução Islâmica de 1979, se enquadrando entre os países mais rígidos da região. Mas, assim como na Arábia Saudita, os habitantes podem consumir cervejas sem álcool. As marcas mais populares são Istak e Delster. As versões com frutas também fazem sucesso por lá.

Setor cervejeiro demonstra preocupação com indefinições da Reforma Tributária

O setor cervejeiro brasileiro atravessa um período de cautela diante da Reforma Tributária. Embora a modernização e a simplificação do sistema sejam reconhecidas como necessárias, restam incertezas sobre a falta de definições de regras e alíquotas. Além das dúvidas comuns a outros negócios, pesa sobre o mercado cervejeiro também a falta de clareza sobre os métodos e alíquotas de cobrança do Imposto Seletivo (IS) — que deve passar a vigorar no início de 2027 e, até agora, não teve o projeto de lei encaminhado ao Congresso. Com isso, gestores e donos de fábricas operam hoje com dificuldade de planejamento, o que impede que o mercado projete com precisão os impactos em seus modelos de negócio.

Essa foi a avaliação de mais de uma dezena de proprietários, administradores e representantes de associações cervejeiras entrevistados pelo Guia da Cerveja. Além do Imposto, existe um ceticismo sobre a proposta de simplificação da Reforma. Há desconfiança de que o processo pode, na verdade, gerar mais complexidade para a gestão, principalmente no período de transição. Por fim, as microcervejarias clamam por uma diferenciação fiscal que garanta igualdade de condições competitivas entre os pequenos produtores e a grande indústria.

Reforma Tributária: necessária, mas com pontos indefinidos

A maioria dos entrevistados concorda que a Reforma Tributária é um passo importante para o desenvolvimento do país. Porém, principalmente entre os pequenos produtores, há uma sensação de incerteza sobre o novo sistema, além de uma desconfiança sobre se ele vai de fato simplificar a vida das empresas na área de impostos.

Para Isaac Deutsch e Jessika Alves, sócio-proprietário e gerente administrativo-financeira da Cervejaria Tarantino (SP), respectivamente, a Reforma era indispensável para o Brasil. No entanto, o período de transição será desafiador e há ainda muitas “dubiedades, contradições e falta de clareza jurídica” nos textos atuais da lei.

Ladir Almada Neto, diretor de Marketing e Vendas da Cervejaria Campinas (SP), também está muito cauteloso com a mudança. “A Reforma em si está no início da transição, ainda sem alíquotas definidas, e vejo pouca discussão e informação de qualidade sobre o tema. Portanto, o cenário é tão incerto que é muito difícil criar cenários e prognósticos”, diz.

Para Marcelo Naves, fundador da Quatro Poderes, de Brasília (DF), e Wagner Falci, cofundador e cervejeiro da Daoravida Brewpub, as indefinições vão contra o próprio objetivo de simplificar o sistema. “A Reforma Tributária ainda é uma grande incógnita em vários aspectos, mas é certo que o objetivo de simplificar a tributação está bem longe. Além do IS que vai impactar fortemente o valor ao cliente final, entender qual será o melhor modelo tributário adotado por cada cervejaria será um grande desafio”, diz Naves. “A Reforma está cercada de muita confusão”, avalia Falci, que reforça a necessidade de se pensar nos pequenos produtores optantes do Simples Nacional”.

Na incerteza, resta aos gestores seguir o fluxo e se preocupar com o momento presente, como no caso de Joice Pauli, diretora operacional da Stannis Co, de Jaraguá do Sul (SC). “Neste estágio, estamos concentrados na adequação dos sistemas de gestão, processos fiscais e parametrizações necessárias para atender às novas exigências legais”.

Grandes cervejarias

Para Marcio Maciel, presidente executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) — que representa, entre outras, Ambev e o Grupo Heineken — a Reforma representa uma oportunidade para simplificar e modernizar o sistema tributário brasileiro. Porém, é fundamental preservar a neutralidade da carga tributária para o setor, evitando aumentos de impostos que possam comprometer investimentos, competitividade e previsibilidade.

“No caso do Imposto Seletivo, a regulamentação ainda oferece uma oportunidade de aperfeiçoamento. Defendemos que o novo tributo seja construído com critérios técnicos, segurança jurídica e previsibilidade, respeitando as características de cada categoria de bebida. Esse é o caminho para que a transição ocorra de forma equilibrada e alinhada aos objetivos da própria reforma”, diz.

Cuidados com o Imposto Seletivo

Rafael Leal, cofundador da Caatinga Rocks, de Murici (AL), concorda que ainda é muito difícil avaliar os aspectos práticos da Reforma. Primeiro, pela profundidade da ruptura com o modelo atual. “Segundo, pela ausência de definição sobre a regulamentação desse fantasma chamado ‘seletividade’”.

Além dos muitos pontos da Reforma ainda em aberto, o setor cervejeiro deve ser impactado pelo Imposto Seletivo, que ainda passa por debates de regulamentação. Apesar de constar na lei da Reforma, a regulamentação do novo tributo, com a forma de aplicação e as alíquotas, deve ser feita por meio de lei ordinária. No entanto, o projeto de lei ainda não foi enviado ao Congresso. O governo cogita duas saídas diante do calendário apertado: ou enviar com urgência ou definir a situação via Medida Provisória, o que dificulta as discussões com o setor, que por sua vez pede agilidade.

O IS, também conhecido como Imposto do Pecado, é um tributo federal extrafiscal que tem como objetivo desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e itens prejudiciais ao ecossistema, como derivados de petróleo e minerais.

Os administradores da Cervejaria Tarantino alertam que o imposto pode jogar contra os objetivos da própria Reforma Tributária. “Enquanto o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) busca a neutralidade fiscal, o Imposto Seletivo caminha na direção oposta, injetando complexidade em um sistema que deveria ser simplificado”, avaliam. 

“Se os critérios de classificação e a determinação das alíquotas não forem baseados no risco real do produto, e se a arrecadação não estiver atrelada a políticas públicas de redução de danos, o tributo irá sufocar pequenas indústrias e provocar uma substituição predatória de consumo entre produtos similares”, alerta Alves.

João Giovanella, CEO e fundador da Salva Craft Beer, de Bom Retiro do Sul (RS), acredita que o debate sobre o Imposto Seletivo ainda precisa ser amadurecido. “É um instrumento que exige bastante cuidado na regulamentação para que cumpra seus objetivos sem criar novas distorções para o setor produtivo. A previsibilidade e a proporcionalidade serão fundamentais para que ele funcione de maneira justa”, diz.

Diferenciação de porte na Reforma Tributária

Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), avalia que, apesar de não estar totalmente definido, um provável  IVA entre 27% e 29% é alto. E defende que os pequenos produtores deveriam ter um mecanismo de diferenciação que os habilitasse a pagar menos. “Deveria ser metade disso, como acontece na Itália hoje, por exemplo. Inclusive, eu quero levar essa ideia para o Congresso”, explica. A associação também apresentou uma proposta ao Ministério da Fazenda sugerindo reduções de até 95% no Imposto Seletivo de acordo com o porte da fábrica.

Flávio Moret, sócio-proprietário da Cervejaria DosMoret, espera que a regulamentação considere as particularidades do setor. “Deveria diferenciar os pequenos dos grandes produtores, evitando que as pequenas cervejarias sejam mais penalizadas do que as grandes indústrias. A simplificação tributária é bem-vinda, mas precisa vir acompanhada de equilíbrio e justiça fiscal”, diz.

Já o proprietário da Salva Craft Beer explica que a reforma deveria estabelecer um ambiente concorrencial mais equilibrado. “Hoje existe uma distorção importante no setor cervejeiro. No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma microcervejaria incentivada pode chegar a recolher mais de 40% de carga tributária antes do Imposto de Renda, enquanto grandes grupos do setor operam com cargas significativamente menores, em alguns casos próximas de 20%. Ou seja, proporcionalmente, quem produz menos acaba pagando mais imposto, o que dificulta a competitividade das pequenas empresas”, diz.

1ª cervejaria artesanal dos EUA retoma rótulos clássicos e sinaliza que reabrirá em breve

A Anchor Brewing, cervejaria de São Francisco, nos Estados Unidos, recebeu a aprovação do governo federal para usar novamente os seus rótulos clássicos. A medida resgata as ilustrações originais feitas à mão por Jim Stitt, designer que construiu uma parceria de 45 anos com a marca — e ajudou a imortalizar cervejas icônicas, como a Anchor Steam Beer e a Old Foghorn Ale. Esse é um dos sinais recentes que mostram que a primeira cervejaria artesanal dos Estados Unidos pode estar perto de reabrir após a longa novela do seu fechamento.

A retomada das artes dos rótulos encerra definitivamente o controverso “rebranding” realizado em 2021, já sob gestão da gigante japonesa Sapporo. Naquela ocasião, a Anchor Brewing adotou um design minimalista que provocou fortes críticas e revoltou os consumidores fiéis. Os amantes de cerveja argumentaram que as novas latas pareciam embalagens de marcas genéricas e apagavam a rica história da cervejaria, segundo publicação de sexta-feira (3) do jornal New York Post.

O retorno da arte icônica sinaliza uma fase promissora para a Anchor Brewing. O bilionário turco Hamdi Ulukaya, fundador e CEO da gigante de iogurtes Chobani, comprou os ativos da cervejaria em maio de 2024. A aquisição englobou as marcas, as receitas e as históricas instalações de 2,17 acres em Potrero Hill, localizadas na cidade de São Francisco. O novo dono prometeu restaurar a identidade amada da marca e reconectar a empresa com os seus antigos funcionários.

Fechamento e renascimento da Achor Brewing

O mercado cervejeiro já observa sinais práticos de retomada nas antigas instalações. Segundo a publicação, moradores locais avistaram trabalhadores em atividade na fábrica recentemente. Além disso, o próprio Ulukaya publicou uma foto no Instagram enquanto assistia a uma partida da Copa do Mundo no famoso bar da cervejaria (o taproom), local que estava sem atividades. 

A trajetória de turbulência da Anchor Brewing começou após a marca ser adquirida pela japonesa Sapporo em 2017. Nos anos seguintes, a icônica cervejaria de São Francisco enfrentou um cenário financeiro desafiador. O impacto da pandemia, o aumento dos custos operacionais e a concorrência crescente com outras categorias de bebidas pressionaram os custos. Em uma tentativa malsucedida de modernizar a marca e reverter a queda nas vendas, a gestão realizou um polêmico “rebranding” em 2021.

A combinação desses tropeços comerciais com graves pressões financeiras e tensões trabalhistas culminou no encerramento abrupto de todas as atividades em 2023. A fábrica fechou as portas e todos os 61 funcionários da cervejaria foram demitidos na ocasião. Chegou a existir uma tentativa de aquisição liderada pelos próprios trabalhadores. Mas o movimento não se concretizou, deixando o futuro da Anchor mergulhado em incertezas.

A reviravolta decisiva nessa novela ocorreu em maio de 2024, quando o bilionário turco Hamdi Ulukaya, CEO da fabricante de iogurtes Chobani, comprou os ativos da empresa por meio de sua gestora familiar, a Shepherd Futures.

Essas novas ações da cervejaria aumentam as esperanças de que a Achor Brewing não só reabrirá as portas em breve, como também honrará a sua herança histórica no mercado de cervejas artesanais.

Entrevista: Iniciativa de R$ 1,1 bi da Agrária deve baratear maltes especiais em até 40%

No início de maio, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) noticiou a aprovação de um financiamento de R$ 49,8 milhões para a Cooperativa Agroindustrial Agrária, do distrito de Entre Rios, em Guarapuava (PR). O dinheiro é destinado à construção de uma nova torre com capacidade de 80 mil toneladas, além da modernização do parque industrial. No entanto, a novidade é só a ponta de um iceberg de R$ 1,1 bilhão: o projeto de construção de uma nova maltaria dedicada a maltes especiais que deve dar frutos a partir de 2028. Além de reduzir a dependência brasileira de importações, o projeto pode reduzir o preço desse tipo de produto em até 40%.

Foi o que explicou ao Guia da Cerveja o superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária, Jeferson Caus, ao detalhar os planos de expansão da empresa. O executivo contou que é um projeto inédito nessa escala no Brasil — hoje apenas algumas micromaltarias fazem pequenos lotes desse tipo de produto. 

O projeto está sendo realizado em parceria com a empresa alemã Ireks, referência mundial no setor de ingredientes para panificação e cervejaria, e conta com o apoio do governo estadual por meio do programa de incentivos fiscais.

Confira os detalhes da nova maltaria de maltes especiais da Agrária na entrevista abaixo.

Congresso Técnico da Agrária Malte revelou tendências e rumos do setor. Na imagem, Jeferson Caus , superintendente da Agrária Malte (esq.), Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, e Adam Stemmer CEO da Agraria Malte (dir.). (Crédito: Gilberto Tarantino / Arquivo Pessoal)
Na imagem, Jeferson Caus, superintendente da Agrária Malte (esq.), Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva, e Adam Stemmer, CEO da Agrária Malte (dir.). (Crédito: Gilberto Tarantino / Arquivo Pessoal)

A notícia do empréstimo do BNDES para a ampliação da maltaria nos chamou a atenção. Quais são os planos para essa nova torre? E o valor de aproximadamente R$ 50 milhões divulgado compõe o total do projeto? 

Vamos por partes. O montante do anúncio do BNDES é só uma pequena parte de um projeto maior: a construção de uma maltaria de maltes especiais. São maltes torrados e caramelizados, que fogem dos maltes base, como o Pilsen, Pale, Viena e Munique. Eles precisam de um cuidado maior na sua criação. Hoje, a grande maioria desses maltes não é produzida em grande escala no Brasil e ficamos muito dependentes de importação.

E a Agrária vem há muito tempo pensando em dar um passo nesse sentido, o que seria importante até para o mercado brasileiro, uma vez que, a partir daí, as cervejarias poderão ter a possibilidade de contar com matéria-prima nacional, produzida no Brasil com cevada brasileira. Com certeza, isso traria um benefício em termos de custo, uma vez que haverá economia com a questão da importação e dos impostos.

Então, a gente entende que, com isso, vamos ajudar a viabilizar muitos projetos de cervejeiros e cervejarias que estavam na gaveta por conta de custos. E agora poderão sair do papel. Mas não é fácil. Por isso vamos contar com um parceiro para trazer  know-how para o projeto.

Acontece que, junto com essa iniciativa, a gente vai aproveitar e fazer uma série de melhorias no nosso processo. Inclusive uma reforma total da nossa primeira maltaria (a M1, iniciada em 1977 e que produz desde 1981). E, para não perder produtividade nesses anos do projeto, decidimos construir uma nova torre.

O financiamento do BNDES foi mais atrelado a essa reforma do que ao projeto como um todo. Mas o investimento total gira mesmo em torno de R$ 1,1 bilhão.

Então, a reforma, a parte do BNDES, fazem parte de um projeto maior, de uma maltaria de maltes especiais. Primeiro, sobre a reforma, qual é a ideia?

A gente vai aproveitar e fazer uma série de melhorias no nosso parque industrial, desde a armazenagem, transferência e beneficiamento da cevada, até a reforma na M1. Serão automações e inovações tecnológicas para elevar nossa maltaria mais antiga ao patamar que ela merece. Inclusive, vamos trabalhar toda a parte de caldeiras, de energia térmica, toda a parte de sustentabilidade, automação 4.0, manutenção 4.0… Então é um investimento bem grande. Vamos mexer em toda a parte logística também, nos caminhões, com um novo pátio, um centro logístico. 

Enfim, uma série de investimento que juntamos num mesmo pacote, até para buscar financiamento e também para sentar com o Estado e falar de incentivos. Algo assim vai gerar empregos e será uma inovação importante, porque estamos falando de um novo produto que não existe. O Brasil e o Paraná vão deixar de importar para gerar valor dentro do estado, dentro do país. Então, é um passo bem importante para o mercado.

O projeto focado em maltes especiais é inédito? Não há quem os faça em escala industrial no Brasil? 

Existem pequenas iniciativas de microindústrias, com produções quase artesanais, mas não em escala industrial para atender o mercado de maneira relevante. É um projeto inovador.

E vocês já têm ideia de quais maltes serão produzidos? 

Temos uma ideia inicial de ter de dez a 12 produtos (SKUs) num primeiro momento. Mas é tudo muito incipiente ainda. O mercado varia muito na sua demanda por tipo de cerveja, mas a única certeza é que vamos produzir tanto maltes torrados quanto caramelizados, que são totalmente diferentes. O objetivo é ter flexibilidade para afinar a cor e a torra de acordo com a necessidade, atendendo desde as grandes cervejarias até as artesanais (crafts) do mercado inteiro.

Você mencionou uma parceria tecnológica para viabilizar isso. Pode dizer quem é?

A nossa parceira é a Ireks, que já é uma grande produtora de maltes especiais no mundo. Nós já somos sócios deles no Brasil em uma fábrica focada no mercado de misturas para panificação e confeitaria. Entendemos que seria muito conveniente conceber esse projeto com eles, e a nova planta de maltes especiais ficará ao lado de onde já operamos com a Ireks. Eles vão nos dar todo o suporte e know-how tecnológico, mas quem produzirá os maltes será a Agrária e a marca será Agrária. Importante ressaltar que continuaremos com as nossas outras parcerias, como a Weyermann, para produtos específicos que optarmos por não produzir aqui.

O impacto desses maltes especiais não se mede necessariamente por volume, já que, apesar de serem uma parte pequena nas receitas da cerveja, têm um valor agregado maior em comparação ao malte base. Qual é a projeção de impacto desse produto no faturamento e no mercado? 

Esse mercado específico de maltes especiais deve girar em algo em torno de R$ 100 milhões. Pode parecer pouco se pensarmos isoladamente no ingrediente, já que ele vai numa fórmula numa proporção de 3%, 5%, 10% ou menos. No entanto, ele vai baratear custos e viabilizar projetos bilionários de inúmeras cervejarias. Hoje, o cervejeiro desenvolve a receita conosco, mas esbarra no alto custo e desiste. Quando passarmos a produzir maltes especiais aqui, ele terá economia na logística e nos impostos de importação.

É possível estimar de quanto seria essa redução no custo do malte especial em relação ao importado? 

Hoje, cerca de 30% a 40% do custo desses maltes é oriundo de logística e imposto de importação. A estimativa é de que o produto da Agrária chegue a ser aproximadamente 30% a 40% mais barato, embora isso dependa muito do tipo de produto que vamos desenvolver. Além do preço, existe o ganho da conveniência e da disponibilidade. Atualmente, o prazo de trânsito (transit time) para importar um contêiner é de 3 a 5 meses. Produzindo no Brasil, nós paramos de falar em meses de espera para falar em dias.

Por que esse investimento bilionário foi focado na planta de Entre Rios, em Guarapuava, e não na Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa, que é uma estrutura mais nova e da qual vocês são sócios?

A gente entende que esse é um projeto bem menor e que a Campos Gerais não previa algo do tipo na sua concepção. Então, não tem envase e uma série de questões que tornariam a nova iniciativa mais complicada ali. Nós já planejávamos ter os maltes especiais em Entre Rios mesmo antes da existência da Maltaria Campos Gerais. A estrutura de Entre Rios tem armazenagem e certas tecnologias mais adequadas para maltes especiais.

Esse projeto já começou? E qual a previsão de conclusão? 

O projeto já começou e hoje já temos um canteiro de obras movimentado em Entre Rios. Em 2028 já teremos algumas estruturas prontas e as demais finalizarão em 2029. É uma obra complexa porque não estamos começando do zero num terreno vazio; trata-se de uma reforma profunda em uma fábrica que continuará funcionando. Faremos todo esse investimento sem deixar de atender os nossos clientes e o mercado atual; por isso, exige um cronograma de 2 a 3 anos. Foram cinco anos de estudos apenas para conceber o projeto.

Para encerrar, com um investimento tão alto, a Agrária vê, então, um bom futuro para o mercado cervejeiro nacional, não? Seria possível até exportar?

Estamos investindo muito neste momento, acreditando justamente numa melhora do mercado. O setor tem crises e ondas que são cíclicas, como a que tivemos com as cervejas puro malte entre 2018 e 2019. Acreditamos que a Agrária poderá ser parte de uma nova revolução. Sobre a exportação, esse é um ponto muito importante: no caso do malte Pilsen, é muito difícil competir mundialmente; mas com os maltes especiais, quem sabe a Agrária mude esse paradigma. O Brasil pode deixar de ser apenas um importador e passar a ser um exportador desse insumo, atendendo não só o mercado local com matéria-prima nacional, mas também países da América do Sul e da América Central. Já estamos olhando para essas possibilidades.

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Brasil supera tradição da Noruega e vence por 3 a 2 na Copa do Mundo da Cerveja

A Seleção Brasileira de futebol e o time da Noruega se enfrentam neste domingo (5) no estádio de Nova York/Nova Jersey às 17 horas, no horário de Brasília, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. E se o peso da camisa pende a balança a favor dos canarinhos em campo, na cerveja é o contrário. Os noruegueses fabricam a bebida há mais de mil anos — desde pelo menos a Era dos Vikings! — fazendo com que a tradição esteja a favor deles. Mas entre o gigantismo cervejeiro do nosso país (terceiro maior produtor do mundo) e a longa história dos escandinavos, quem vence?

A resposta ainda é Brasil, que sobrevive para jogar mais um dia. Mas, como no jogo contra o Japão, o páreo foi duríssimo na Copa do Mundo da Cerveja, quadro elaborado pela equipe do Guia da Cerveja para comparar os países que se enfrentam em campo por meio de seus mercados cervejeiros. Funciona como um “Super Trunfo”, com cinco critérios: tamanho do mercado, consumo per capita, preço, tradição cervejeira e variedade. Ganha quem marcar mais gols, ou seja, quem tiver maior nota em cada um dos quesitos.

Nesse confronto, depois de perderem em tamanho de mercado e consumo per capita, os noruegueses marcariam lindos gols em tradição e variedade cervejeira, empatando o jogo. Mas o peso dos impostos sobre a bebida na Noruega acaba favorecendo o Brasil no critério de preço, que decide a disputa a nosso favor.

Confira como seria essa disputa:

Tamanho do mercado

O Brasil começa o jogo com força total, pega o adversário distraído e marca o primeiro gol facilmente nos primeiros minutos. Um ótimo início!

O mercado cervejeiro brasileiro é muito grande. Nosso país produziu 15 bilhões de litros de cerveja em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Isso garante o terceiro lugar em fabricação no ranking mundial, atrás apenas da China (35,9) e dos Estados Unidos (19,3).

Já a produção norueguesa é de 273 milhões de litros anuais, de acordo com o Barth Haas Report 2025. Isso é equivalente a menos de 2% da produção brasileira.

Consumo per capita

O segundo golaço do Brasil vem numa jogada de talento, com toda a ginga brasileira. Em consumo per capita, damos outra lição à Noruega. Cada brasileiro bebe 70,3 litros de cerveja por ano, segundo números do relatório Global Beer Consumption 2025 da Kirin Holdings. Já os noruegueses, diferentemente do que se possa imaginar, ficam em 55,8 litros/ano apenas, como se algo os limitasse nessa área. 

Na pontuação, o resultado é uma nota 4,7 contra 3,7 dos europeus. Isso porque nota 10 mesmo seria um consumo como o da República Checa, que chega a 148,8 litros/ano.

Tradição cervejeira

Mas com esse início fácil, o Brasil relaxa em campo e dá chances para o adversário, que finalmente chega para o jogo e marca um belíssimo gol de placa no início do segundo tempo.

A tradição cervejeira da Noruega remonta a mais de mil anos, na chamada Era Viking (entre 800 e 1050 d.C.). A cerveja para os escandinavos em geral era uma bebida ao mesmo tempo do cotidiano e sagrada. Era feita em fazendas, onde se plantava a própria cevada, e proporcionava conexão com os deuses. É muito presente na mitologia nórdica, apesar de não ser a única bebida, dividindo espaço com hidromel e sidra.

A cerveja era, portanto, basicamente rural e caseira. As grandes cervejas acabam surgindo com a industrialização no século 19: Bryggeri em 1834, Borg Bryggerier em 1855 e Ringnes em 1877 — a última hoje pertence à dinamarquesa Carlsberg. O país passa, então, a ser dominado pelas Pilsens e Lagers industriais.

Já a história da cerveja no Brasil é mais modesta. O território em que hoje se encontra o país teve uma das primeiras cervejarias do continente americano, instalada pelos holandeses em 1640 em Recife (PE) durante o período em que dominaram a região Nordeste. O país contou também com influência britânica, de quem importou cervejas ao longo do século 19. 

A indústria nacional cresce principalmente a partir de 1850 pelas mãos de imigrantes, e acaba sob forte influência alemã. Já as grandes cervejarias no final do século 19: Antarctica é fundada em 1885 em São Paulo e a Brahma em 1888 no Rio de Janeiro.

Variedade

Os noruegueses empatam o jogo ao vencerem uma bola dividida numa disputa acirrada na pequena área. Não é um gol bonito, mas ainda assim a bola entra e garante a igualdade no placar.

Em termos de variedade cervejeira, os países se parecem bastante. Ambos acabam desenvolvendo um maior número de opções para o consumidor a partir do Renascimento da Cerveja Artesanal que chega ao Brasil na década de 1990 e em 2000 no país escandinavo. Além disso, em volume, são equiparáveis. As cervejas artesanais ocupam de 1% a 3% de ambos os mercados.

Mas a primeira grande diferença está na proporcionalidade. Apesar de ter mais cervejarias (1.954 segundo o último Anuário da Cerveja), a população brasileira é muito maior (203 milhões de habitantes), gerando uma média de uma cervejaria para cada 103 mil pessoas. Na Noruega, são cerca de 300 para 5,6 milhões de residentes. O que dá um número de cervejarias por habitante muito menor: uma para cada 18 mil.

Além disso, o Brasil só está desenvolvendo estilos próprios de cerveja agora. Enquanto a Noruega conserva estilos tradicionais, que ganharam mais visitabilidade recentemente.

Preço

Depois de passar mais um sufoco com o empate, nosso país consegue vencer com um gol decisivo no final do jogo: o preço.

Enquanto o Brasil tem uma cerveja bem mais acessível que a média mundial, a bebida na Noruega já foi eleita uma das mais caras do mundo. Nos supermercados, a basileira custa cerca de 1,38 dólares, enquanto a norueguesa sai por mais que o dobro: 3,5 dólares em média. Mas a grande diferença aparece mesmo nos bares. Um pint custa entre 9,9 e 14 dólares na capital Oslo. Já no Brasil, é possível encontrar o mesmo volume de 2,5 a 4 dólares.

O fator decisivo aqui foi a alta alíquota de impostos do governo, que encarece muito a cerveja no país europeu, além de outros fatores de regulação específicos, como horários para comprar bebidas nos supermercados e limitações para bebidas acima de 4,75%. Elas só podem ser compradas nas lojas de bebidas Vinmonopolet, controladas pelo governo. 

Brasil bate a Noruega por 3 a 2

Graças à desvantagem fiscal, que afeta o preço e com certeza também influencia o consumo per capita, o Brasil bateu a Noruega num jogo bastante disputado, apesar das claras vantagens para cada um dos lados. Melhor para os canarinhos!

Agora só resta saber se em campo a história vai se repetir. Lembrando que é mata-mata. Quem perder está fora. Vale vaga nas quartas de final.

Se eu fosse a técnica da Seleção Brasileira de cervejas 

Coluna bia amorim

De tanto ouvir falar em Copa do Mundo, resolvi fazer minha própria convocação de uma Seleção Brasileira de cervejas: onze estilos que, para mim, são craques do jogo. Até porque eu entendo mais de cerveja do que de futebol e, se tem algo pelo qual eu visto a camisa, é o mercado cervejeiro.

E como, neste espaço, a técnica, a juíza e a comentarista de botequim sou eu, está aberta a escalação da minha Seleção Brasileira cervejeira. Você pode pedir o VAR, discordar da convocação e até reclamar da ausência daquele estilo que merecia uma chance. Mas, se não concordar, vá ao BAR, vá proVAR e desmistificar você o seu próprio PALADAR. 

Precisei fazer um esforço extra e pedir ajuda ao banco, com o especialista aqui em casa: qual seria o esquema tático para organizar esse time? Acabei escolhendo um 3-4-3, e explico. 

Na defesa: o time de guarda da Seleção Brasileira

Escolhi Barley Wine, Imperial Stout e Manipueira

Guardar uma cerveja nem precisa significar décadas de espera. Às vezes, um ano em uma cervejeira já é um exercício considerável de paciência e temperatura. Mas nem todo estilo sobrevive bem ao tempo. Algumas receitas pedem frescor, consumo rápido, espuma viva e um abridor sem muita cerimônia. Aqui, a defesa entra para proteger outra coisa: uma espera sem pressa ou uma estação mais fria, um brinde especial de ocasião ou não, uma visita inesperada. Uma garrafa nem sempre precisa pedir ocasião. 

Nem só de geladeira se faz maturação. Algumas cervejas habitam bem fundos de guarda-roupa, cantos escuros e lugares de baixa umidade. Mas o tempo também pode ser vilão. Não vale segurar demais a ansiedade de beber bem, nem transformar toda e qualquer garrafa em relíquia. E, nessa escalação, também defende a nossa brasilidade, o fazer em casa, a dancinha simpática, mesmo que ácida, funk, de sabores que a gente cria por aqui. 

No meio-campo: o time popular, que faz o jogo rolar 

Escolhi Light Lager, IPA, Malzbier e Lagers escuras. E, como queridinha da técnica, a Juicy IPA: minha camisa 10 do momento. 

O meio-campo é onde a partida acontece. É onde a bola circula, onde se constrói a jogada. Aqui entram os estilos que conversam com o público de formas muito diferentes e de forma muito ampla. Como aponta o Anuário do MAPA 2026, com referência aos dados de 2025, as cervejas puro malte têm espaço, mas quem domina o campo são as cervejas feitas também com outros grãos. Nem só de cevada é feito esse jogo e sempre foi assim e sempre será. E talvez seja importante olhar para isso menos como defeito e mais como parte da história da categoria no Brasil. Lager é regra. As outras, muitas vezes, vivem do tempo de acréscimo que o consumidor decide dar. O consumidor é o juiz.

No ataque: o time agressivo 

Escolhi Gose, Catharina Sour e Quadrupel. 

Vamos à acidez. Vamos ao frutado brasileiro. Vamos às notas de fermentação. Vamos ao salgado, ao maltado, ao clássico, ao tradicional e ao inovador. O importante é fazer gol. Esse ataque é para marcar sabor. E sabor, vale lembrar, não precisa atacar o paladar alheio. Quase controverso, eu sei. Mas o seu gol, quando você marca suas preferências, pode ser de cabeça, de calcanhar, com paradinha, de longe, sem querer ou até contra. O que vale é arriscar degustar. O sal e a acidez são como quem cruza uma bola inesperada. O malte é uma nota que pode trazer bastante complexidade. E o amargor, querendo ou não, traz equilíbrio, mesmo que muitas vezes não seja usado como destaque.

No gol: Saison 

Por fim, no gol, a Saison. 

Porque vai bem com muita coisa, é flexível. Porque carrega várias histórias que não serão contadas, não foram escritas, não foram cantadas, não foram desenhadas. Uma cerveja que vem da ideia do campo, do trabalho agrícola, de um tempero próprio e também do improviso, do imaginado, do invisível. Porque permite diferentes assinaturas de quem gosta de cerveja, de cozinha e de construção de sabor. É um estilo que parece feito com tijolos de referência: um pouco rústico, um pouco elegante, um pouco imprevisível. 

A formação dessa Seleção Brasileira de cervejas foi pensada para disputar o paladar em diferentes ocasiões. Mais do que escolher “as melhores cervejas”, a ideia é montar um mapa de referências, preferências e combinações possíveis. Toda convocação é injusta. Toda lista deixa alguém de fora. E toda seleção cervejeira, felizmente, pode ser refeita no próximo copo.

Em algum momento você pensou que eu estava falando da Escola Cervejeira Brasileira? E que eu traria um monte de estilos nacionais? Mas que as receitas de estilos que eu citei são baseadas em outras nações? Espero que sim. Mas não ainda desta vez nesta Copa. Eu torço para que um dia tenhamos um Guia Brasileiro, recheado de nomes e léxicos bem nacionais, criativos e deliciosos. 

Timaço.

Saúde!

Aprecie com moderação.


Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Rise Beer aposta em IA própria, App e certificação reconhecida pelo MEC em novo curso de sommelier de cervejas online

A Rise Beer Academy está lançando sua Formação Beer Sommelier, um curso de sommelier de cervejas 100% online que aposta em inteligência artificial e aplicativo próprios, além de certificação de curso de extensão universitária emitida por instituição de ensino superior devidamente autorizada pelo Ministério da Educação (Mec). Para as aulas práticas, o curso também enviará para a casa dos alunos um kit cervejeiro com rótulos selecionados pelo desafio sensorial que proporcionam nas aulas.

“O mercado está cheio de pessoas que estudaram cerveja, mas poucas realmente sabem lê-la. Nosso objetivo é que os alunos desenvolvam repertório, percepção e leitura técnica multidisciplinar”, afirma Denis Rodrigues, diretor de tecnologia da Rise Beer Academy.

O uso da tecnologia para o treinamento prático à distância é um dos grandes diferenciais do novo curso da Rise Beer. Os alunos recebem acesso ao Raio Cheers, aplicativo exclusivo criado para substituir as fichas analógicas e planilhas. Ele guia o estudante pelos pontos de avaliação e tem mais de 120 estilos cervejeiros (incluindo diretrizes BJCP/BA) para estudo e comparação direta. Somado a isso, a plataforma introduz a Cerevis.IA, a inteligência artificial da Rise Beer que funciona como uma mentora sensorial disponível 24 horas por dia. Ela ajuda os estudantes a investigar aromas, interpretar sensações de boca, aprofundar análises de off-flavors e harmonização, acelerando a evolução perceptiva.

Inscrições e mais informações sobre o curso podem ser obtidas no site oficial da Rise Beer. Leitores do Guia da Cerveja têm direito a um desconto exclusivo de R$ 500,00 na inscrição. Para usufruir do benefício, basta utilizar o código GUIADACERVEJA no momento da matrícula.

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Ambev seleciona startups para a oitava edição de programa global de sustentabilidade

A Ambev abriu as inscrições para a oitava edição do 100+ Accelerator, programa global de aceleração da AB InBev. A iniciativa busca startups de todo o mundo que desenvolvam soluções para desafios ambientais e sociais. Os projetos devem focar em áreas como clima, gestão hídrica, embalagens circulares, agricultura sustentável e cadeia de suprimentos. As empresas selecionadas receberão até 100 mil dólares em financiamento inicial para a execução de projetos-piloto. Os empreendedores também terão acesso a mentoria especializada e suporte técnico da companhia e de parceiros. O prazo para envio das propostas termina na próxima sexta-feira (10). As inscrições e mais informações estão disponíveis no site do 100+ Accelerator.

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Piracicaba sedia concurso de cerveja caseira com inscrições até agosto

As inscrições para o Caipira Beer Cup, concurso voltado a produtores artesanais caseiros, começam no dia 25 de julho. Os interessados de Piracicaba (SP) e região podem registrar as amostras até o dia 31 de agosto. A taxa inicial é de 60 reais para a primeira cerveja e passa para 50 reais a partir da segunda inscrição. A avaliação técnica seguirá o guia de estilos internacional BJCP e ocorrerá em setembro, com entrega de medalhas e insumos aos vencedores do Best of Show. O evento é organizado pela Cadeia Produtiva Local da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Serviços para Cervejarias junto ao Simespi e à Rota Cervejeira de Piracicaba. Os registros devem ser feitos pelo site do Beer Awards Platform.

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Heineken 0.0 promove corrida de rua e brunch em Porto Alegre

A Heineken 0.0 realizou no último sábado (27) a primeira edição do Rolê 0.0 em Porto Alegre (RS). O evento reuniu corredores locais para um percurso de 5 quilômetros com largada e chegada na boutique cultural Block Office. O trajeto passou por pontos tradicionais da capital gaúcha, como o Parque Redenção e a Rua Gonçalo de Carvalho. Conduzida pelas equipes Corre Preto e Salve Corre, a corrida terminou com um brunch e apresentações de música eletrônica da Senso Rádio. A iniciativa faz parte do Finish Line Club, plataforma da marca voltada a conectar praticantes do esporte pós-percurso.

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Laboratório da Verallia conquista acreditação internacional inédita

O LABCETEV, laboratório de análises da fabricante de embalagens Verallia, obteve a acreditação na norma ISO 17025 concedida pelo Inmetro. O reconhecimento valida a competência técnica do centro para ensaios globais de matérias-primas e vidros. A unidade atende indústrias de alimentos e bebidas no mercado brasileiro e apoia fábricas do grupo na Europa e América Latina. No Brasil, a Verallia mantém três plantas industriais localizadas em Campo Bom (RS), Porto Ferreira (SP) e Jacutinga (MG).

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Bodebrown produz cerveja solidária para reconstruir mosteiro beneditino

A cervejaria Bodebrown realiza neste sábado (4) uma brassagem beneficente em sua fábrica em Curitiba (PR). O objetivo é arrecadar fundos para a Abadia da Ressurreição, mosteiro de Ponta Grossa (PR) danificado por um vendaval em maio. Os participantes acompanharão a produção da Superioren, cerveja do estilo Belgian Dubbel com 7% de teor alcoólico desenvolvida com os monges. O investimento é de 250 reais e inclui almoço com pratos belgas e degustação de chope. Metade da receita das entradas e das vendas futuras da garrafa, que custará 50 reais, será doada para as obras do mosteiro.

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Oktoberfest de Igrejinha sorteia ingressos e acessos ao camarim

A Associação de Amigos da Oktoberfest de Igrejinha abriu uma campanha promocional para marcar os 100 dias para o início da festa no Rio Grande do Sul. Até o próximo domingo (5), os visitantes que comprarem a partir de 150 reais em ingressos participam de um sorteio exclusivo. O prêmio inclui um combo com 100 tickets de chope e acesso ao camarim de um artista do evento. A 37ª edição da maior festa voluntária do País ocorrerá de 9 a 18 de outubro, no Parque de Eventos Almiro Grings. As compras devem ser feitas na plataforma digital Oktoberfest de Igrejinha.

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Baden Baden lança campanha de inverno com brindes nos pontos de venda

A Baden Baden, marca de cervejas do Grupo Heineken, iniciou sua campanha nacional para a temporada de inverno. A ação distribui pratos e canecas exclusivas em redes de supermercados participantes de estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Na compra de quatro garrafas de rótulos como IPA, Golden ou Witbier, o cliente ganha um prato personalizado. Para a versão de café, o brinde é uma caneca na compra de duas unidades. A marca também promove degustações guiadas em cidades turísticas de inverno até o fim de julho.

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Brahma e economista alemão debatem previsões após vitória do Brasil

O economista alemão Joachim Klement participou de uma ação com a marca de cerveja Brahma para comentar os resultados de seus modelos estatísticos na Copa do Mundo. O especialista havia previsto a eliminação do Brasil, mas a Seleção Brasileira venceu o Japão de virada por 2 a 1. A colaboração faz parte da campanha publicitária que incentiva os torcedores a confiarem no time acima das probabilidades. O vídeo com as declarações do economista foi distribuído nas redes sociais da fabricante. O mercado cervejeiro e o setor de bares registram alta na movimentação de consumidores nos dias de jogos.

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Great American Beer Festival cria categoria para malte artesanal

A Brewers Association anunciou a criação de uma categoria temporária para o Great American Beer Festival de 2026. A nova divisão vai premiar cervejas produzidas com malte artesanal de pequenas maltarias locais. O regulamento exige que pelo menos 50% dos grãos utilizados na receita sejam provenientes de malthouses com produção anual inferior a 10 mil toneladas. As inscrições para a competição do festival abrem no dia 23 de junho no site da Brewers Association. O julgamento final e a entrega das medalhas ocorrerão em outubro.

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Governo lança Rotas da Cerveja de São Paulo; setor vê impacto positivo na economia e vendas

O Governo do Estado de São Paulo lançou nesta terça-feira (1º) as Rotas da Cerveja de São Paulo, uma iniciativa que integra mais de 80 cervejarias distribuídas por 55 municípios paulistas. Para os empreendedores do segmento cervejeiro, a medida vai muito além do fomento ao turismo: o projeto é avaliado como uma virada de chave fundamental, uma oportunidade de gerar impacto positivo na economia, chancelar a profissionalização do setor e estruturar de forma integrada uma cadeia produtiva bilionária.

Na prática, as Rotas da Cerveja de São Paulo são roteiros estruturados que facilitam o planejamento de viagens para quem busca visitar fábricas, brewpubs, participar de degustações e festivais (confira os roteiros baixando a revista oficial). No entanto, o projeto também funciona como estratégia de desenvolvimento econômico. A iniciativa conecta todas as pontas da região, desde o agricultor que planta o lúpulo até a indústria metalmecânica que fabrica os equipamentos e o mestre cervejeiro que produz a bebida, movimentando também hotéis, restaurantes e o comércio local.

As Rotas da Cerveja são divididas em sete regiões temáticas: Capital e Região Metropolitana, Campinas e Região Metropolitana, Circuito das Águas e Frutas, Mogiana Paulista, Noroeste Paulista, Serra do Itaqueri/Cuesta/Centro Paulista, e Sorocaba e Região. Além das rotas tradicionais, o programa engloba 21 destinos cervejeiros pelo estado, dois polos agrícolas especializados no cultivo de lúpulo e seis destinos focados em negócios e fornecimento.

O projeto é a quinta rota oficializada pelo programa “Rotas de São Paulo”, integrando-se aos roteiros já existentes do vinho, café, queijo e cachaça. O material com todos os detalhes da rota cervejeira foi publicado em uma revista especial (baixe aqui a revista das Rotas da Cerveja de São Paulo) e está disponível no site oficial das rotas paulistas — que também oferece mapas interativos com todos os detalhes.

Rotas da Cerveja de São Paulo: do campo ao copo

Durante a abertura do evento, Jorge Lima, secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, destacou que a política pública aposta no adensamento das Cadeias Produtivas Locais (CPLs). A meta é encurtar a logística e criar um raio de fornecimento de 50 quilômetros para insumos básicos, como as garrafas de vidro, visando reduzir a dependência de importações. “Tudo o que não tem em São Paulo deveria estar em São Paulo”, afirmou Lima. O secretário reforçou que, embora o estado já comercialize 47% de tudo o que se vende no Brasil, o consumo per capita local ainda apresenta uma ampla margem de crescimento quando comparado aos estados da região Sul.

O impacto dessa movimentação econômica ganha escala ao ser associado aos números do turismo e da gastronomia. Gustavo Lopes, secretário municipal de Turismo de São Paulo, pontuou que a capital paulista recebeu 47 milhões de turistas no último ano. A criação da rota cervejeira adiciona valor direto aos mais de 150 mil bares e restaurantes do município, fortalecendo a rede de serviços.

Os indicadores macroeconômicos do setor justificam o investimento estatal. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de cerveja, fabricando mais de 15 bilhões de litros anuais. O mercado nacional gera R$ 230 bilhões em valor, R$ 35 bilhões em impostos e sustenta cerca de 3,1 milhões de empregos. No recorte paulista, o estado lidera com 427 cervejarias registradas, representando 22% do parque produtivo nacional. Somente as pequenas cervejarias de São Paulo (que produzem até 10 milhões de litros ao ano) são responsáveis por fabricar mais de 44,4 milhões de litros, gerando 150 mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativas apresentadas pelo presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Gilberto Tarantino.

Apesar da alta capacidade produtiva, o Brasil ainda importa 99% do lúpulo que consome. Para atender à demanda atual do estado por cervejas artesanais, São Paulo necessita de aproximadamente 100 hectares de lúpulo plantado, mas possui apenas 21 hectares cultivados, se acordo com Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani, empresa-membro da CPL do Lúpulo. Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento, enfatizou que o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio paulista alcança R$ 657 bilhões – quase um quarto do total brasileiro – e que a missão agora é estimular o plantio de lúpulo dentro das propriedades rurais do estado.

Esse esforço de estruturação funciona de maneira transversal. Marília Marton, secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas, explicou que elementos de design, como a elaboração de rótulos criativos, agregam valor econômico ao produto final, fortalecendo a identidade das marcas. Ana Biselli, secretária de Turismo e Viagens, acrescentou que as rotas demandam um trabalho integrado para identificar as vocações regionais e preparar os destinos para receber um turista exigente. Como resultado desse ambiente de negócios fortalecido, Thiago Camargo Lopes, vice-presidente executivo da InvestSP, relembrou que as políticas de fomento já ajudaram São Paulo a registrar a abertura de 1,12 milhão de novas empresas e a criação de mais de 1,38 milhão de empregos.

Expectativa dos produtores paulistas

Essa visão macroeconômica do governo converge com as necessidades práticas sentidas pelos empreendedores no dia a dia das fábricas. 

Para Gilberto Tarantino, representante do setor cervejeiro, a iniciativa inaugura um diálogo estruturado com o poder público. “Com esse olhar das Rotas, acho que a cerveja vai começar a ser vista pelo Estado de São Paulo de maneira diferente, mais profissional. E a gente está aqui exatamente para fazer essa ponte, para colocar cervejarias em contato com o governo para uma construção. E eu espero que isso realmente leve a outros projetos numa parceria grande mesmo dos empreendedores e do governo de São Paulo”, avalia.

A chancela governamental também resolve o desafio de visibilidade para os pequenos produtores. Bruno Cardoso, sócio-fundador e cervejeiro da Cervejaria Landel e presidente do Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas, relata que as ações de marketing são normalmente custosas para as microcervejarias. A rota oficial atrai um público qualificado e impulsiona, por tabela, a ocupação hoteleira e os restaurantes das regiões interioranas. “Queremos ser esse provedor de turismo para a região de Campinas”, diz.

O ecossistema de Piracicaba

A efetividade prática das Rotas da Cerveja ganha contornos nítidos quando se observa o ecossistema de Piracicaba (SP). O município do interior paulista abriga não apenas polos de produção da bebida, mas também a Cadeia Produtiva Local (CPL) de Máquinas e Equipamentos.

O professor Carlos Roberto Zem, gestor da CPLCERVA (Cadeia Produtiva Local da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Serviços para Cervejarias), explica que o mapeamento turístico nasceu alinhado ao setor industrial. Segundo o coordenador, a chegada do visitante gera um senso de urgência benéfico para o amadurecimento das empresas. “Quando você tem essa movimentação do turismo, automaticamente você cria um senso nas cervejarias para que elas se qualifiquem de uma maneira mais organizada”, avalia Zem. Ele ressalta que a própria engenharia nacional vira vitrine: “A fábrica é um atrativo para que, quando o turista passa, além de consumir a cerveja, ele visualize o espaço. É um valor agregado saber que a cerveja consumida ali é produzida com uma estrutura própria”.

O impacto dessa organização industrial deságua diretamente na rede de serviços do município. Clarissa Quiararia, secretária de Turismo de Piracicaba, detalha que a cidade já conta com mais de 12 cervejarias artesanais — sendo três delas (Em Nome do Malte, Dama Bier e Cevada Pura) integrantes oficiais do novo roteiro estadual. A prefeitura utiliza essa vocação fabril para manter a rede hoteleira aquecida o ano todo, realizando e apoiando grandes festivais, como o Pira Bier e a Oktoberfest local. “O turista vai para Piracicaba para passear, conhece as cervejarias, mas o inverso também acontece: ele viaja motivado por essas divulgações e pelos eventos que têm o foco principal na cerveja”, comemora a secretária.

Essa maturidade estrutural e governamental atende a uma nova demanda do consumidor brasileiro. Renato Bazzo, proprietário da Dama Bier, ressalta que a cidade construiu uma infraestrutura gastronômica capaz de atrair e reter o visitante que busca excelência longe das metrópoles. “As pessoas estão procurando hoje por experiências e por sair muitas vezes da capital para conhecer cervejarias que são referência”, pontua Renato. “Piracicaba tem a vantagem de ter grandes cervejarias premiadas nacional e internacionalmente. Isso traz cultura cervejeira, agrega na parte gastronômica e fomenta toda a cadeia produtiva da região”, conclui.

Revista das Rotas da Cerveja de São Paulo

A revista das Rotas da Cerveja de São Paulo lista individualmente mais de cem estabelecimentos pelo estado, sendo 80 cervejarias nos sete roteiros temáticos, 21 destinos cervejeiros, 2 estabelecimentos de lúpulo e 6 destinos de negócios.

Confira o que tem na revista:

Nos Sete Roteiros Temáticos (77 cervejarias listadas)

  • Rota Campinas e Região Metropolitana (16 estabelecimentos): Maali Brewing Co., Kalango Cervejaria, Cervejaria Seven Hands, Daoravida Brewpub, Cervejaria Landel, Tesla Cervejaria, Formiga Cervejaria, Barossa, Cervejaria Garimpero, Cervejaria Tábuas, El Coyote, Cervejaria St. Kitts, Cosvesi Brewpub, Cervejaria Campinas, Ruera Cervejaria e Bierinbox.
  • Rota Capital e Região Metropolitana (16 estabelecimentos): LAB. Cervejaria, Cervejaria To Fly, Cervejaria Palácio, X Craft Beer, Tarantino Cervejaria, Triângulo das Bermudas, Cybeer Cervejaria, Alvorada Cervejaria, Cervejaria Quinkas, Brework, Cervejaria Dinastia, Sóbrejja!, Drøm Cerveja & Fogo, Cervejaria Gutembeer, Cervejaria Central e Brewto’s Cervejaria.
  • Rota Circuito das Águas e Frutas (14 estabelecimentos): Cervejaria Dortmund, Cervejaria Stark, Holambier, Cervejaria Louvada, Itaici Cervejaria, Cervejaria Seo Carneiro, Cervejaria Jaguariúna, Giffa Cervejaria, Pharmaó, Gravetos Cervejaria, Grifo Beer, Cervejaria Quinta do Malte, Cervejaria Pangea e Nineties Bier.
  • Rota Serra do Itaqueri, Cuesta e Centro Paulista (10 estabelecimentos): Cachorro Magro, Cerveja Ópera, Mazzeo Cervejaria, Cervejaria Toma Uma, Cervejaria Tempo, Módena Cervejaria, Cevada Pura, Dama Bier, Em Nome do Malte e Jaracabier.
  • Rota Mogiana Paulista (8 estabelecimentos): Cervejaria Cigana, Cervejaria Maltvs, Microcervejaria Klaro, Cervejaria Macumba, Cervejaria Amarillo, Cervejaria It’s Hop, Cervejaria Invicta e Usina do Malte.
  • Rota Noroeste Paulista (7 estabelecimentos): Cervejaria Octano, Cervejaria Magal, Cervejaria Velvet, Beco do Malte, Lord Lion Cervejaria, Cervejaria Revoluta e Casamalte.
  • Rota Sorocaba e Região (6 estabelecimentos): Cervejaria Wayne190, Cervejaria Estação Beer, Cerveja Los Gatos, Cervejaria Sorocabana, Cervejaria Bamberg e Imperatriz Cervejaria.

Destinos Cervejeiros (21 estabelecimentos)

São pontos que não estão agrupados em um circuito regional contínuo, mas se destacam turisticamente. A revista lista: Cervejaria Matsumi, Refúgio do Barba, Zox Cervejaria, Melkenbier, Cervejaria Ahtrio, Cervejaria Bragantina, RT166 Cervejaria, Confraria das Véia, Mandi Brew Bar, Kalevala Bier, Amabile Dragons, Cervejaria Madessa, Cervejaria Araukarien, Cervejaria Everbrew, Cervejaria Santista, Georges Seven Beer, Cervejaria Trip70, Dela Cervejaria, Hockenheim Cervejaria, Cervejaria Weinberg e Cervejaria Marítima.

Além da Cerveja – Polos de Lúpulo (2 estabelecimentos)

A revista destaca dois polos rurais focados no fornecimento e na pesquisa de lúpulo: o Lúpulo Guarani (Araraquara) e o Lúpulo do Ribeira (Pariquera-Açu).

Negócios Cervejeiros (6 estabelecimentos)

Focados com exclusividade na produção para atacado/terceiros e vendas estruturadas: Cervejaria Germânia, Cervejaria Kaya, Destiny Brewing Co., Cervejaria Cogumelo, Arkangel Beer e Stormy Brewing Co.

Confira ou baixe a revista abaixo:

Entrevista: Zine “Na Língua” mapeia a “poliglotia líquida” do Brasil para descolonizar o paladar

Durante séculos, fomos ensinados a olhar para o copo e associar sofisticação quase que exclusivamente àquilo que vem de fora do país. E nosso ecossistema brasileiro de bebidas gasta muita energia para dominar os cânones importados, como estilos de cerveja estrangeiros ou tipos de vinhos europeus. Enquanto isso, tecnologias fermentativas complexas e ricas de matriz afro-indígena foram invisibilizadas ou tratadas como saberes “menores” ao longo da nossa história. Mas e se a gente começasse a propor um “reflorestamento” do nosso próprio paladar?

Essa é uma das provocações de “Na Língua”, uma fanzine lançada no início de junho que busca uma reflexão cultural, histórica e sensorial sobre o beber brasileiro. Idealizada pelas sommelières Aline Smaniotto (que também é antropóloga) e Bia Amorim (colunista do Guia), à frente da agência BeberÚ, a publicação faz um resgate riquíssimo da nossa “poliglotia líquida” — mostrando que o país fala a língua de bebidas que vão muito além do comum, incluindo fermentados ancestrais, como o Tarubá e o Aluá.

O projeto é um desdobramento direto do curso “Sommelieria Pindorama”, criado pela dupla em 2023, e se materializou graças ao apoio do Edital Fermenta 2025, da Academia da Cerveja, da Ambev. “Na língua” foge da estética engessada dos guias tradicionais e mistura ensaios, memórias afetivas, ilustrações e até cartas para refletir sobre a nossa cultura etílica. 

São muitos nomes e textos que valem a leitura. Citar aqui apenas alguns seria injusto. A boa notícia é que o leitor interessado pode ver tudo isso no próprio material, que está disponível para download gratuito no site da BeberÚ.

Para mergulhar de cabeça nessa tentativa de explorar a brasilidade e “descolonizar o copo” e fugir do lugar comum, o Guia da Cerveja fez uma entrevista exclusiva com Aline e a Bia. Na conversa a seguir, elas explicam por que colocar um ingrediente exótico no copo não é o suficiente para criar brasilidade e fazem um convite irrecusável para valorizarmos o nosso jeito de servir e beber.

No editorial, vocês citam que a zine “Na Língua” nasceu para “instigar mais bebericagens sobre os Brasis que habitamos”, no plural. O que a maioria das pessoas e dos negócios ainda confunde quando tenta vender ou servir “brasilidade” em formato líquido?

Pouca gente efetivamente vende ou serve o Brasil com esse olhar atualmente. A brasilidade surge muitas vezes como tema, decoração ou ingrediente pontual, mas não como uma reflexão mais profunda sobre território, memória, clima, hábitos de consumo e modos de convivência. 

Falar dos Brasis no plural é justamente reconhecer que não existe uma forma única de ser brasileiro e como isso se reflete nas práticas do comer e beber. Existem muitos repertórios, ingredientes, histórias e tecnologias convivendo ao mesmo tempo.

Talvez a principal confusão seja transformar a brasilidade em uma estética quase única, quando ela poderia ser entendida como uma experiência cultural viva, diversa e interessante de ser consumida e mais conectada aos comensais.

Como o mercado pode abraçar ingredientes nossos (como o pequi, o buriti ou o caju) sem tratá-los como mera curiosidade ou “gourmetização” passageira?

Esse ponto é complexo e muito interessante de ser investigado. O desafio é dar forma, assinatura e identidade sem recorrer ao óbvio. Construir uma linguagem que escape dos clichês de brasilidade e da estética gourmet previsível. 

Talvez o caminho seja tirar esses ingredientes do exótico e olhar para os contextos que o cercam: quem produz, quem consome, quais saberes estão envolvidos e quais histórias ele carrega. O ingrediente passa a ser entendido como cultura alimentar, ganha profundidade e permanência.

Olhar para os Brasis e valorizar os nossos sabores, técnicas e memórias, tanto quanto ou até mais do que valorizamos aquilo que vem de fora. 

“Na Língua” faz um resgate riquíssimo de tecnologias ancestrais e locais, como o Tarubá e o Aluá. Por que o ecossistema de bebidas no Brasil prefere gastar energia dominando os cânones e estilos de escolas estrangeiras (como IPAs ou vinhos europeus) em vez de codificar e valorizar a nossa própria “poliglotia” líquida?

Durante muito tempo aprendemos a reconhecer qualidades a partir de referências externas. Isso aconteceu com as cervejas, com os vinhos, com a gastronomia no geral e até com a ideia de sofisticação que isso trazia. Os estilos europeus e norte-americanos possuem séculos de documentação, instituições, mercado e prestígio construídos. Quem domina as histórias e as formas de contá-las detém o poder.

Precisamos também construir essa relevância, experienciar e documentar essas culturas diversas, trazendo diferentes falas, de diferentes personagens, de diferentes regiões.

Já muitas das nossas tecnologias alimentares e fermentativas foram invisibilizadas ou consideradas menores ao longo da história. O que a zine “Na Língua” propõe não é abandonar esses repertórios internacionais, mas ampliar a conversa. O Brasil possui uma enorme poliglotia líquida, formada por bebidas indígenas, afro-brasileiras, rurais e urbanas. Valorizar esse patrimônio também é uma forma de produzir conhecimento e inovação.

Bia, no seu ensaio você faz um “convite para um serviço à brasileira”. Na prática do bar, do restaurante ou até do isopor na rua, como se materializa esse serviço? É uma questão de temperatura, de copo, de hospitalidade ou de tudo junto?

Bia Amorim: Tudo junto. Entendo que o Brasil já possui uma assinatura própria de hospitalidade, mas ela ainda precisa ganhar mais força quando colocamos nossos sabores e saberes à mesa e também nossa forma, atenção e cuidado. Essa materialização passa pela construção de uma identidade que reconhecemos como nossa e que precisa ser fortalecida em toda a cadeia do beber.

O serviço à brasileira precisa ser compreendido por quem serve e por quem bebe. Por isso considero fundamental trazer essa conversa para a rotina dos bares, restaurantes e eventos, valorizando também as pessoas que estão com a bandeja na mão e fazem a experiência acontecer.

Eu defendo, por exemplo, que beber uma cerveja bem gelada faz parte de uma cultura construída em um país de temperaturas elevadas, onde o refresco tem papel importante na sociabilidade. Diante das mudanças climáticas, é interessante pensar como até as tradições consideradas universais podem se transformar. Será que os verões europeus não começam a pedir cervejas mais leves e mais geladas do que no passado?

O convite para um serviço à brasileira nem sempre precisa acontecer por meio de um discurso. Muitas vezes ele acontece no próprio gesto de servir, acolher e compartilhar.

Aline, como antropóloga, você menciona no seu texto que regimes etílicos coloniais violentos tentaram apagar os modos de fermentação dos povos originários. Como essa estrutura colonial ainda dita o que o brasileiro médio considera uma “bebida de status” hoje em dia?

Aline Smaniotto: Quando falamos em descolonizar pensamentos e paladares, não é apenas sobre uma única classe. A questão não é sobre um status médio do consumo. É toda uma estrutura social. Quem dita as regras do jogo comercial e do consumo são os discursos dominantes. Inverter as regras do jogo é então reflorestar nosso paladar por meio de nos aproximarmos, valorizarmos e permitirmos que nós mesmos ditemos as nossas próprias preferências. Narrar e ouvir nossas próprias histórias. 

O comer e o beber fizeram parte da tecnologia de memória para as culturas afro-indígenas. São culturas que construíam o social e seus modos de se relacionar entre si, com os animais, com as plantas, através de suas cosmologias. Que, por sua vez, a todo momento nos contam sobre o que, com quem e para que se come e se bebe. O apagamento de povos passa pelo apagamento de tudo o que os une, e uma das pontas desse elo é a cultura alimentar. 

Quiseram nos fazer acreditar que as bebidas do dito norte do mundo, que as suas técnicas e seus ingredientes eram melhores que os nossos. E nos desconectaram de nossos territórios, da nossa gente. Por isso, a urgência em retomá-los em todo o seu valor e seus sentidos. 

Agora é continuar nossa pesquisa e entender as demandas de uma nova edição de “Na Língua”, com mais bebidas, mais brasilidade, provocações e debates sobre esse beber brasileiro.