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Tanoarias ampliam atuação e aumentam uso de madeiras nacionais

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As tanoarias vêm ampliando o uso de madeiras e recorrendo a opções nacionais na preparação de barris para a produção de cerveja e outras bebidas alcoólicas que contam com o processo de envelhecimento. Essa movimentação foi percebida, em 2022, pelo CEO da Tanoaria Agulhas Negras, Luis Claudio de Castro Nogueira.  

A ação de diversificação, inclusive, não tem se resumido ao uso de madeiras nacionais. De acordo com o relato do seu CEO, a Tanoaria Agulhas Negras vem, até mesmo, diversificado a sua área de atuação. Assim, aproveita os barris para, também, produzir móveis que atendam aos seus clientes.

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“Aqui, no caso da Tanoaria Agulhas Negras, estamos fabricando móveis, móveis de decoração, tudo a partir do barril. E começamos a investir também em madeiras nacionais, algo com o que não trabalhávamos. Hoje, contamos com um leque de madeiras, como jequitiba, amburana, bálsamo, cabreúva… São várias madeiras nacionais com as quais não trabalhávamos”, diz.

A aposta na diversidade, que inclui o maior uso de madeiras nacionais, faz parte da estratégia da Tanoaria Agulhas Negras, assim como de outras empresas do ramo, sendo adotada para ampliar a clientela e o alcance.

“Estamos tendo a necessidade de abrir o leque para manter o nosso faturamento. E eu tenho visto que as outras tanoarias estão na mesma luta: aumentando a diversidade de madeiras, tamanhos e barris”, detalha o CEO.

Essa movimentação da Tanoaria Agulhas Negras se dá por uma mudança de perspectiva para quem atua com madeiras. Ele explica que o abrandamento da pandemia do coronavírus também provocou uma redução na demanda pelos serviços das tanoarias, que tiveram seu auge durante o período de isolamento.

Naquele momento, de acordo com Nogueira, houve grande busca pelos serviços por pessoas que estavam isoladas. “A pandemia foi nosso melhor momento e nós chegamos a triplicar a quantidade de funcionários naquela época. Os proprietários dos alambiques foram para suas fazendas e lá começaram a fazer uma limpeza, uma reviravolta, aumentando a produção, melhorando o armazenamento e o envelhecimento”, diz.

Assim, passado esse boom, o CEO da Tanoaria Agulhas reconhece que o ano de 2022 foi bastante desafiador. “Esse ano surpreendentemente foi um ano muito calmo, muito parado. Poucas vendas, sendo que em anos anteriores tivemos recordes de venda”, afirma Nogueira. “A gente sentiu que esse ano foi um ano de muita expectativa e poucos negócios”, conclui.

Eventos em sequência pressionaram fornecedores da indústria cervejeira

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O ditado de que “tudo em excesso faz mal” pode ter sido confirmado no segundo semestre por representantes da indústria cervejeira. Com eleições em outubro e Copa do Mundo nos meses de novembro e dezembro, alguns fornecedores tiveram dificuldade em operar.

A constatação é de Bruno Lage, sócio-fundador da Label Sonic, empresa de rotulagem. Atuando diretamente junto a fornecedores de embalagens e cervejarias, ele avaliou que algumas empresas do segmento acabaram sendo afetadas em seu planejamento, assim como tiveram atenções divididas e perderam dias de trabalho.

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“Na hora de aproveitar, as atenções estavam dispersas, com a eleição sendo seguida pela Copa do Mundo. A Copa é, claro, uma oportunidade, mas é também um problema, porque muitas empresas não conseguem trabalhar no dia dos jogos da seleção. Além disso, tira a atenção da reta final do ano. É difícil, por exemplo, falar de Natal em meio à Copa do Mundo”, diz.  

O sócio da Label Sonic lembra que a disputa da Copa do Mundo no final do ano provocou paralisações na operação de algumas empresas da indústria cervejeira em um período do ano que é chave, em função dos preparativos para as festas de Natal e réveillon. Isso, inclusive, acabou por provocar atrasos em entregas e mesmo a impossibilidade de atender pedidos.

“Os fornecedores da indústria tiveram jornadas de trabalho prejudicadas. Isso causou acúmulo de pedidos, gargalos e atrasos. Soubemos lidar bem com isso na Label Sonic, mas senti que a demanda foi menor nessa época do ano por causa dessas particularidades”, explica Lage.

Atuando diretamente com a rotulagem de produtos, o sócio da Label Sonic também aponta que a intensa disputa política apresentou desafios para a comunicação por parte da indústria cervejeira. Assim, observa que várias marcas adotaram a cautela para evitar riscos.

“Hoje é preciso ter muito cuidado sobre como você faz a sua comunicação. Até a cor do Papai Noel é polêmica, assim como a camisa da seleção. Os riscos se tornaram grandes. Você acaba sendo tachado de alguma coisa e pode desagradar metade do público”, afirma.

Normalidade provoca otimismo
Na avaliação do sócio da Label Sonic, o ano de 2023 deve ser melhor, tanto para a sua empresa como para os demais atores da indústria cervejeira. E essa expectativa positiva é provocada por uma tendência de normalidade, sem os problemas provocados em 2020 e 2021 pela pandemia do coronavírus, além do acúmulo de eventos no segundo semestre de 2022.

“Será um ano de crescimento. Os problemas da pandemia ficaram para trás e não teremos esses eventos juntos como em 2022. Acaba sendo um ano de agenda mais cheia. Quero estar atento às movimentações de embalagens na indústria da cerveja. Elas não pararam, algumas vão se consolidar. E estaremos prontos para entregar boas soluções de embalagens para nossos clientes”, conclui o sócio da Label Sonic.

Guia na Copa: Conquista argentina consagra relação entre Messi e Budweiser

O histórico tricampeonato mundial conquistado no último domingo (18) pela seleção da Argentina ainda deve render muita celebração por parte de seus torcedores e certamente está sendo festejado por uma marca de cerveja. Trata-se da Budweiser, que patrocina o craque Lionel Messi, eleito o melhor jogador da Copa do Mundo.

A marca de origem norte-americana tem uma relação estreita com Messi, tanto que às vésperas do início do torneio no Catar lançou uma edição limitada que estampava uma imagem do argentino e seu punho erguido, celebrando a conquista da Copa América de 2021, sobre a seleção brasileira, no Maracanã.

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Mas esta não foi a principal ação da Budweiser envolvendo Messi – e nem mesmo a mais espirituosa. Em 2020, a marca apresentou a campanha “Be a King (seja um rei, em uma tradução livre): 20 anos, 1 clube, 644 gols”. O número faz referência a um recorde alcançado pelo argentino, o de atleta a marcar mais gols em jogos oficiais por um único clube – no caso do argentino, o Barcelona.

Além disso, a Budweiser produziu garrafas numeradas de 1 a 644, em referência aos gols Messi, e as destinou aos 159 goleiros que foram vazados pelo então jogador do Barcelona. Alguns deles, inclusive, entraram na brincadeira e posaram com as garrafas recebidas, como o italiano Buffon.

“Bud, obrigado pelas cervejas. Vou encarar isso como um elogio. Tivemos grandes batalhas ao longo dos anos! Parabéns por quebrar o recorde de 644, Messi. É realmente uma conquista inacreditável. Saúde”, publicou, à época, Buffon em seu perfil no Twitter.

Já após a classificação da Argentina para a final no Catar, a Budweiser iniciou outra ação de marketing: a marca promoverá um sorteio para pagar tatuagens de torcedores que prometeram eternizar Messi em seus corpos caso a seleção vencesse a Copa do Mundo, o que agora acabou se concretizando. Para isso, basta preencher um cadastro.

Assim, o triunfo da Argentina nos pênaltis, após o empate por 3 a 3 entre o tempo normal e a prorrogação com a França, também representa uma vitória para a Budweiser, que semanas antes enfrentou um contratempo no Catar: faltando dois dias para o início da competição, o governo local proibiu a venda de cerveja com álcool nos estádios da Copa. E isso quando a marca já armazenava milhares de latinhas em um depósito no país.

Restou, assim, à Budweiser vender a sua versão sem álcool dentro das arenas que receberam a 22ª edição do Mundial de seleções e o rótulo original na fan fest montada em Doha e único ambiente oficial da competição em que sua comercialização estava permitida.

Além disso, em uma ação de marketing, prometeu destinar o estoque que precisou ficar armazenado no Catar para o país campeão mundial. E, durante o período de realização da Copa, espalhou contêineres por diferentes lugares do mundo, incluindo a Argentina e o Brasil, em uma ativação da sua iniciativa.

Agora, então, a promessa deverá ser paga na Argentina. E ter o país sul-americano como destino certamente agrada muito mais a Budweiser, não só pela sua relação estreita com Messi, mas também pelo adversário na decisão da Copa.

Mbappé evita marca
Autor dos três gols da França na final e artilheiro do Mundial no Catar, Mbappé buscou dissociar sua figura da marca de cerveja durante a competição, inclusive escondendo o logo da Budweiser que estampa o troféu destinado ao jogador eleito o melhor de cada partida da competição.

O problema de Mbappé não é especificamente com a Budweiser, mas uma decisão do jogador de evitar realizar publicidade para marcas de bebidas alcoólicas e outros produtos pouco associados a uma vida saudável, como refrigerantes e marcas de fast food.

De qualquer forma, ninguém pode negar que a vitória da Argentina na decisão da Copa do Mundo, com o brilho do garoto-propaganda Messi, é melhor para a cervejaria em termos de estratégia de marketing.

BierHeld aproveita avanço tecnológico e retomada para ampliar atuação

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Visto como uma fase de retomada para o setor cervejeiro e das empresas que atuam diretamente nesse segmento, este ano ficará marcado como um período de volta do funcionamento sem restrições de bares e restaurantes, algo que se deu a partir do momento em que a crise sanitária amenizou. Mas algumas tendências da pandemia se mantiveram, como o avanço do uso dos recursos tecnológicos, que seguiu em alta. Isso, somado à recuperação do segmento, motivou o BierHeld a ampliar o foco de atuação das suas soluções ao longo de 2022.

“Para o setor, foi um ano de retomada, uma vez que no ano passado as cervejarias ainda sofreram bastante por conta da pandemia, que afetou a economia de forma geral, mas especificamente na parte de festas e eventos, que estão ligadas diretamente às vendas de bebidas”, diz Ewerton Miglioranza, sócio-fundador do BierHeld.

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Especialista em sistema de gestão para cervejarias, o BierHeld aproveitou o ano de 2022, visto como positivo, como uma oportunidade para expandir sua presença no mercado cervejeiro. Assim, também passou a atuar junto aos distribuidores, o que também é motivo para boas perspectivas já mirando 2023.

“Conseguimos abrir um novo mercado e estamos retomando investimentos na parte de automação para cervejarias e esperamos crescer ainda mais no próximo ano”, destaca o sócio-fundador do BierHeld.

A aceleração da busca por soluções digitais pelas companhias, inclusive as do setor cervejeiro, contribuiu para as empresas que atuam diretamente com recursos tecnológicos tivessem um ano favorável. “Dentro das dificuldades trazidas pelo ano anterior, foi um ano bom. Tivemos diversos clientes retomando suas atividades e clientes novos buscando iniciar suas operações”, afirma Miglioranza.

Expansão tecnológica
A última edição da Pesquisa Anual sobre o Mercado Brasileiro de TI e Uso nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas, apontou que o avanço do investimento das empresas em tecnologias da informação no Brasil tem sido notável. Tanto é que em 2021 a antecipação do processo de transformação digital foi o equivalente ao esperado para o período de até quatro anos.

De acordo com o levantamento, são, hoje, 447 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso no Brasil (corporativo e doméstico), com o domínio dos smartphones.

Seguindo tendência de digitalização e para auxiliar na retomada, o BierHeld, no segundo semestre deste ano, ampliou as opções de acesso ao seu sistema de gerenciamento, passando a disponibilizá-lo para telefones celulares, facilitando o rastreamento dos equipamentos.

Esse lançamento coincidiu com um momento tratado como o da virada para o setor de artesanais, com a retomada das atividades sem restrições. Dentro desse contexto de expectativa para reaquecimento do setor, é preciso ter ainda mais atenção ao controle de gastos e dos demais passos da operação, com o software do BierHeld sendo um importante auxílio, não só para as cervejarias, mas também para os distribuidores, novo foco da operação da empresa.

Artigo: Copa do Mundo e cervejas

*Por Gui Rossi

Essa é minha terceira Copa do Mundo enquanto sommelier e dono de bar. E em todas essas edições sempre gostei de trabalhar promoções e cervejas temáticas de acordo com os jogos das seleções principais. Ou pelo menos seleções de países com tradição cervejeira.

A ideia é bem simples: jogo da Inglaterra, ações com cervejas inglesas; jogo da Alemanha, ações com cervejas alemãs. E quando tem confronto direto fica ainda mais divertido.

E nessa toada sempre foi natural pensar em paralelos entre os principais estilos representativos das escolas clássicas e a maneira de cada seleção jogar, assim como com as características de seus principais jogadores.

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Afinal, é possível encontrar semelhanças entre meio-campistas habilidosos, como De Bruyne e Hazard, com um jogo versátil e muitas vezes complexo taticamente, e uma Blonde Ale ou Quadruppel da escola belga. E por falar nos Diabos Vermelhos, nada melhor que uma Duvel, clássico cervejeiro representante do estilo Strong Golden Ale: a aparência passa a impressão de ser fácil de beber, porém seu alto teor alcoólico muito bem escondido engana, a ponto até de eliminar a seleção canarinha em uma quarta de final como em 2018.

Podemos pensar na relação entre a operária seleção inglesa, de jogo simples e futebol de resultados, com as Porters originárias dos estivadores, diretas e retas, ou como diriam os bretões, “very straight forward”. É claro que sempre existem os medalhões como Harry Kane, o centroavante parrudo como uma Imperial Stout ou uma Barley Wine, e o garoto Phil Foden, destaque nessa copa com sua velocidade e inteligência, bem ao estilo das Bitters tradicionais, fáceis de beber em qualquer ocasião com aquela base de maltes “cookie like”, seus lúpulos florais e terrosos e baixo teor alcoólico. É pau para toda obra.

Como não falar da Alemanha e seu jeitão alemão de jogar, de obediência aos protocolos e muita competência na execução, e com capacidade de renovar seu quadro de jogadores com jovens prontos para fazer o que deles se espera? Em uma frase? Lei da Pureza. Tudo deve funcionar como uma máquina e vivenciamos isso com dores profundas em 2014.

É clássico como os estilos que representam essa escola tradicional e imortal de Pilsens, Helles e Lagers em geral. Assim como Franz Beckenbauer, Lothar Matthäus, Jürgen Klinsmann e Thomas Müller. Imortais. E não é tudo igual como alguns podem pensar: tem as Kolsh, fermentadas em temperaturas mais altas entregando notas frutadas sutis que lembram um Risling; as Weizen, feitas com uma proporção dominante de trigo e de alta fermentação; e as Gose, ácidas e salgadas. Mas que ninguém se engane pois até para isso tem regras rígidas e procedimentos seculares.

Mas nenhuma dessas esquadras chegou à final deste ano. Argentina e França vão decidir o Mundial neste domingo com seleções equilibradas, repletas de jogadores jovens e algumas figurinhas carimbadas mais experientes. São duas nações de pouca tradição no ramo e a preferência nacional de ambas no que diz respeito à cerveja talvez ainda seja a boa e velha Light Lager como uma Quilmes de litrão ou uma 1664, para matar a sede de um De Paul, que corre 10km por jogo, ou um Rabiot. E ainda tem o vinho, competindo nesse meio de campo embolado, com o status de grande produto nacional de exportação mundial.

Entretanto, novos projetos vêm surgindo nessas duas grandes nações. Na França, causa surpresa a quantidade de bares, brewpubs e cervejarias voltadas para o segmento artesanal, muitas inspiradas na vizinha escola belga e outras tantas nas americanas, além de muita cerveja pautada em acidez e frescor, talvez na esteira da expansão dos vinhos naturebas, excelentes lá por sinal. Mas ainda a única comparação possível é de Mbappé com um bom vinho francês: o rapaz só tem 23 anos e vai envelhecer bem demais.

Na Argentina, o mercado vem se desenvolvendo de forma muito diferente, com projetos pautados na maturação em barris e complexidade de microfaunas locais, do jeitinho que a gente gosta. Juguetes Perdidos, Klooster e Astor Birra exemplificam bem a pegada e entregam magia, assim como Lionel Messi, o grande maestro dessa orquestra argentina, que tem a maior chance de conquista do tri dos últimos anos en tu último tango.

Já para o Brasil faltou identidade. Faltou essa acidez gostosa das Catharina Sours que refrescam e entregam sabores nossos. Faltou levedura selvagem da Mantiqueira com aquela complexidade que vemos nas cervejas da Zalaz. Faltou o trabalho de conhecer a própria microfauna de suas barricas de madeiras nativas que a Cozalinda faz de maneira primorosa.

Hoje a cena cervejeira brasileira caminha para as cervejas de terroir, com identidade própria, respeito aos ingredientes locais, leveduras autóctones e uso de frutos e madeiras nativas. Vale citar aqui o projeto incrível da Manipueira, de caráter antropológico e que resgata tradições dos povos originários Se ainda não ouviu falar vale a pena pesquisar).

Faltou para a seleção canarinha o equilíbrio entre os craques da Premier League e outros campeonatos europeus como Vini Jr., Casimiro, Militão e Neymar, e os “ingredientes locais”, como Gabigols e Scarpas, que mereciam uma chance ou uma sequência, ou Pedro e Everton Ribeiro, convocados mas subaproveitados. Aí daria samba. Enfim, faltou Brasil.

Mas como não somos técnicos de futebol (ou somos todos técnicos como já disse alguém), o que importa é escolher quais as próximas garrafas de brasilidades que iremos abrir e compartilhar com os amigos durante os próximos 4 anos. Saúde que em 2026 o hexa vem!

*Gui Rossi é sommelier de cervejas, mestre em estilos, atual vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas e proprietário do The Beer Market.

40 mi de litros migraram para cervejas especiais em 2022, estima CEO da CBCA

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Os passos são lentos, ainda dentro de um contexto em que muitos pequenos empresários não tiveram proteção em meio ao período mais grave da pandemia, mas o setor de cervejas artesanais avançou em 2022. E uma das estimativas é de que os consumidores foram responsáveis pela migração de 40 milhões de litros das principais marcas para as chamadas cervejas especiais.

A projeção foi apresentada ao Guia pelo CEO da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA), Gustavo Barreira. Ele estima que o segmento de artesanais esteja se aproximando de uma participação de mercado de 3%. É, claro, pouco para as ambições de quem atua no segmento, mas também um indicativo de que há terreno a ser conquistado.

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“O mercado de cervejas especiais continua com sólido crescimento. Ainda não encerramos o ano, mas nossas projeções indicam que as especiais devem ganhar mais 0,3% ou 0,4% de participação no mercado total de cervejas no Brasil, se aproximando de 3% de participação. O número percentual parece pequeno, mas isso representa a migração de algo em torno de 40 milhões de litros dos produtos mainstream para as cervejas especiais”, afirma Barreira.

E a CBCA certamente tem a sua parcela de responsabilidade no aumento da participação das artesanais no mercado cervejeiro brasileiro. Afinal, fundada em outubro de 2018, quando da união entre Schornstein e Leuven, a companhia fez vários movimentos relevantes nos últimos meses.

Se em 2020 a CBCA já havia incorporado a Seasons, em 2022 ganhou um parceiro conhecido além do setor das cervejas, o Grupo Maubisa, fundado por Maurílio Biagi Filho, que se tornou investidor da companhia. E ainda passou a contar com mais uma marca e uma fábrica ao longo do ano.

Em junho, a CBCA anunciou uma fusão com a Startup Brewing, movimentou que a levou a passar a ter uma unidade produtiva em Itupeva (SP), se somando às de Pomerode (SC) e Piracicaba (SP), além de ter agregado a marca Unicorn.

Com tantas novidades, Barreira avaliou o ano como positivo para a CBCA, o que também se traduz em números, pois estima um crescimento de 60% da companhia na comparação com 2021.

Não foi, porém, um ano sem oscilações. E as principais, na visão do CEO da CBCA, se deram nos primeiros meses, ainda em função da pandemia, e no período eleitoral, por causa de incertezas advindas da disputa pelos votos.

“O ano de 2022 ainda foi de muita instabilidade, mas ainda assim conseguimos um crescimento importante. Nos primeiros meses, ainda houve impactos da pandemia, cancelamento de eventos e incertezas. Ao longo do ano, as perspectivas se tornaram mais otimistas com indicadores econômicos positivos criando um clima de maior estabilidade e disposição de novos investimentos, até chegarmos próximos das eleições, quando a polarização política trouxe novas instabilidades”, diz. “No final das contas, não recuamos e fizemos uma nova aquisição ainda no primeiro trimestre e mesmo com as dificuldades, crescemos 60% em relação a 2021”, conclui.

Menu Degustação: Livros em pré-venda da Krater, cursos do Ceres…

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Nem só de celebrações é marcado o período do final do ano. Para quem deseja adquirir conhecimento, há boas opções sendo oferecidas, como as da editora Krater, que está com dois livros de autores internacionais em pré-venda no seu site e com preços promocionais.

Em outra frente, para quem já iniciou o planejamento de 2023, o Instituto Ceres abriu inscrições do seu curso de sommelier de cervejas com turmas em João Pessoa e Recife. E o Science of Beer já prepara uma viagem de estudos cervejeiros a ser realizada ao longo do próximo ano.

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Confira essas e outras novidades no setor no Menu Degustação do Guia:

Novos livros da Krater
A editora Krater iniciou a pré-venda de dois livros de escritores estrangeiros. Um deles é o “Ciência da Cerveja – a química dos processos cervejeiros”, de Luís Torre, com preço promocional, de R$ 65 por R$ 50. Nesta obra, o autor argentino esclarece os princípios elementares por trás dos ingredientes e de cada etapa da produção de cerveja, tudo sob o olhar de um químico cervejeiro e fundamentado no que há de mais recente na pesquisa científica sobre o tema. O outro livro em pré-lançamento é “A Evolução da Cerveja em 50 estilos”, da britânica Natalya Watson. Começando no Reino Unido de 1600 com uma cerveja marrom defumada e terminando com atuais áreas de inovação, este guia percorre o tempo e o mundo para contar as histórias por trás de alguns dos estilos de cerveja mais conhecidos da atualidade, incluindo German Lagers, Stouts, Porters, Pilsners, IPAs e Sour Beers. De R$ 85, está sendo comercializado por R$ 70 na pré-venda.

Cursos do Ceres em 2023
O Instituto Ceres está com inscrições abertas para o curso Sommelier de Cervejas em João Pessoa e Recife. As aulas começam em abril de 2023, mas as inscrições são até dezembro. Serão 100 horas de aula, com 100 rótulos a serem degustados, abordagem sobre harmonizações história, estilos de cerveja, serviço, gastronomia e saúde, assim como experiências além do copo.

Viagem cervejeira do Science
A Viagem de Estudos Cervejeiros 2023 do Science of Beer já tem data marcada: de 15 a 25 de setembro. Para garantir um mergulho na história e nas escolas cervejeiras da Europa, o roteiro passará por França, Alemanha e Bélgica, com visitas a cervejarias, pubs, mosteiros, fazendas de lúpulo e fábricas, além da Oktoberfest de Munique. Mais informações podem ser obtidas no site da instituição de ensino.

“Inauguração” do Esconderijo
O Esconderijo, bar em São Paulo da Juan Caloto, está em festa. Desde quinta-feira, o espaço comemora um ano de “soft opening”, com o que está sendo chamado de “inauguração oficial” ficando para o sábado. Nesta sexta (16), tem apresentação musical, jarra de chope a R$ 70 e copo personalizado para os primeiros 20 clientes que pedirem um half pint. Já no sábado (17), os 20 primeiros clientes que chegarem ganham copos personalizados. Além disso, todos os drinques e cervejas da casa estarão com 20% de desconto e haverá venda de 20 jarras a R$ 80 que garantem um desconto vitalício de 10% em todos os chopes do bar.

Bar em contêiner
O Quiosque do Lugui agora também está presente em Sorriso (MT). E com uma novidade: essa é a primeira unidade da rede no formato contêiner. Os mato-grossenses podem saborear por lá o chope puro malte servido através da Ice Beer Special, a única chopeira totalmente congelada da América do Sul. Além disso, o gastrobar possui diversas opções de pratos assinados por chefs renomados, entre eles o boca de anjo, que é um pão baguete recheado com frango desfiado com páprica, queijo provolone, pico de galo e limão.

Loja da Wäls no Verdemar Buritis
A rede de supermercados Verdemar fechou uma parceria com a Wäls e trouxe para a unidade do bairro Buritis, em Belo Horizonte, uma loja conceito da marca. Lá, o público poderá encontrar a variedade dos rótulos da marca, como Wäls Lagoinha, Session Citra, Belgian Witte, Verano, Trippel, Quadruppel, Brut e a Dubbel, além de um local descontraído para degustar uma cerveja gelada e souvenirs presenteáveis da marca.

Heineken apoia catadores
O Instituto Heineken e a Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat) anunciaram uma iniciativa em que um hub móvel oferecerá equipes de atendimento composta por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, nutricionistas e orientadores de políticas públicas, entre outros profissionais e serviços aos profissionais representados pela Ancat. A expectativa com o projeto piloto é impactar mil catadores em 2023.

Fluid Feeder e Heineken
A empresa da área de equipamentos e serviços para tratamento de água e efluentes Fluid Feeder foi contratada para a fabricação de Lavadores de Gás Amônia para duas plantas das fábricas do Grupo Heineken. O contrato foi realizado pela OCS Instalações Industriais – a qual é contratada da cervejaria – para produção inicial de cinco peças. Um equipamento seguiu para a planta da cervejaria de Igarassu (PE), enquanto o outro para a fábrica de Benevides (PA).

Campanha da Petra
A cerveja Petra Puro Malte lançou uma ação nas plantações de cevada próprias da marca: instalou alto-falantes no campo e convidou os consumidores a mandarem áudios com mensagens para serem reproduzidos para as plantas. O objetivo, ao final da ação, é produzir uma edição limitada da cerveja Petra com a cevada que cresceu com as vozes dos consumidores. Essa edição não será comercializada, sendo direcionada para influenciadores digitais.

Copo do Clube do Malte
O Clube do Malte desenvolveu, em parceria com a Oxford Crystal, um copo exclusivo que promete permitir que o consumidor sinta a experiência sensorial completa da bebida. É o Perfect Pint, copo que tem composição de 100% cristal e conta também com um design único, que retém melhor a espuma e permite que o aroma fique mais próximo ao nariz, unindo olfato e paladar em um único gole. Já a base, mais estreita, preserva melhor a temperatura da bebida e o material escolhido contribui para intensificar ainda mais o sabor.

Coleção de roupas da Copa
Em mais uma ativação vinculada à Copa do Mundo, a Budweiser, cerveja oficial da competição, lançou uma collab especial com a Cartel 011, uma coleção de roupas com peças atemporais, inspirada nos amantes de futebol e fãs de Budweiser. As icônicas cores da cerveja dão vida a uma seleção de nove peças no estilo hype e moda street, divididas entre jaquetas, moletons, camisetas e acessórios exclusivos.

Produção de microalgas
O laboratório de inovação Bev Hack Lab criou fotobiorreatores a partir de tanques de cerveja para estudar a produção de microalgas. A proposta do projeto é explorar o potencial do desenvolvimento sustentável de microalgas, que servem à indústria como “superalimento” – graças à abundância de proteínas, antioxidantes, ômega-3, sais minerais e vitaminas do complexo B.

Como foi o ano de 2022 para a indústria da cerveja? Confira 9 avaliações

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O ano da retomada. Foi assim que diversas empresas atuantes em diferentes áreas da indústria da cerveja avaliam como foi 2022, esperançosas de que este seja o marco do início de um novo ciclo expansionista, depois dos desafios encarados em 2020 e 2021, frutos, principalmente, dos efeitos provocados pela pandemia do coronavírus.

Essa foi a avaliação apresentada majoritariamente pelos nove representantes de diferentes segmentos da indústria da cerveja consultados pela reportagem do Guia sobre como enxergam o ano de 2022 no setor. E a sensação, ainda que existam problemas a lidar, é de que o pior já passou.

O fim das restrições, que permitiram a retomada dos eventos, foi vista como aspecto importante para o crescimento no volume de vendas das marcas de cerveja e, consequentemente, dos fornecedores da indústria, trazendo algum otimismo para quem atua no segmento ao longo de 2022 e para o ano que está por vir.

“Com a volta desses eventos e a flexibilização do distanciamento social, as cervejarias puderam ver um aumento na demanda do mercado, que estava represada desde o início da pandemia”, avalia Ewerton Miglioranza, sócio-fundador da BierHeld.

Os desafios, claro, prosseguem. Dívidas contraídas durante a pandemia ainda afetam as operações, assim como a alta dos preços dos insumos, além da sua escassez, com alguns desses problemas tendo sido provocados por fatores que vão muito além do ecossistema cervejeiro, provocaram oscilações.

“Muitas cervejarias ainda estão tentando recuperar o tempo perdido durante a pandemia. Várias ainda têm passivos financeiros, mas notamos claramente sinais de recuperação”, avalia Dario Ocelli, CEO da Eureka.

Além disso, a retomada de alguma normalidade à sociedade também alterou tendências do auge da pandemia. Afinal, se de um lado o consumo em bares e o turismo cervejeiro puderam expandir após longo período de dificuldades, quem opera com maior foco no varejo, observou uma mudança de cenário, também provocada pela maior concorrência de outras bebidas alcoólicas.

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Confira, na avaliação de 9 empresas, como foi o ano de 2022 para a indústria da cerveja:

Beer Business (Filipe Bortolini, sócio-administrador)
Vemos que 2022 foi um ano de retomada dos negócios e do mercado cervejeiro, que ainda sofre com os reflexos da pandemia. Já vemos muitos estabelecimentos aumentando seus volumes de venda e percebemos que há um crescimento da confiança no crescimento do mercado. Isso tem se refletido nas conversas com os clientes e com os fornecedores.

BierHeld (Ewerton Miglioranza, sócio-fundador)
Para o setor foi um ano de retomada, uma vez que no ano passado as cervejarias ainda sofreram bastante por conta da pandemia de Covid-19, que afetou a economia de forma geral, mais especificamente na parte de festas e eventos, que estão ligadas diretamente às vendas de bebidas. Com a volta desses eventos e a flexibilização do distanciamento social, as cervejarias puderam ver um aumento na demanda do mercado, que estava represada desde o início da pandemia.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
O mercado de cervejas especiais continua com sólido crescimento. Ainda não encerramos o ano, mas nossas projeções indicam que as especiais devem ganhar mais 0,3% ou 0,4% de participação no mercado total de cervejas no Brasil, se aproximando de 3% de participação. O número porcentual parece pequeno, mas isso representa a migração de algo em torno de 40 milhões de litros dos produtos mainstream para as cervejas especiais.

Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, sócia)
2022, para o setor, foi um ano bom. Vejo, novamente, números positivos e é claro que a gente sempre espera que esses números continuem subindo. Tivemos problemas com alta e escassez de insumos, o que prejudica o setor, de certa forma.

Eureka (Dario Ocelli, CEO)
Para o setor cervejeiro, 2022 foi um ano bem complicado, muitas cervejarias ainda estão tentando recuperar o tempo perdido durante a pandemia. Várias ainda têm passivos financeiros, mas notamos claramente sinais de recuperação. Podemos dizer que o pior já passou.

Meu Garrafão (Helton Aguiar, diretor)
Analisando outros artigos sobre o mercado cervejeiro, eu percebi que a própria cerveja tem sofrido com concorrentes, por exemplo, bebidas prontas, drinques prontos enlatados, entre outros. A inflação de 2022 também pressionou o consumo de cerveja. Eu vejo que o setor cervejeiro batalha duro por dias melhores. E nós, que apoiamos esse setor, temos que ficar atentos a tendências e mudanças constantes, não só no setor cervejeiro como nos adaptarmos a outros estilos de bebidas.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
Foram grandes oscilações de volume e diferentes resultados para grandes marcas e pequenas. No pós-pandemia, o consumo se moveu dos supermercados para bares e restaurantes, retomando o volume e as margens das grandes companhias de bebidas e caindo o volume para aquelas que se dedicam mais aos canais de supermercados e conveniências.

Porofil (Nelson Karsokas Filho, proprietário)
Dadas as situações que atravessamos com a questão da pandemia, não podemos reclamar do desempenho de 2022. Seguimos nossa estratégia e arregaçamos as mangas para atravessar esse período.

Rota RJ (Ana Cláudia Pampillón (coordenadora)
O ano de 2022 foi um ano no qual vimos o turismo começar a respirar novamente e várias ações turísticas das cervejarias começaram a se formar mediante a possibilidade de retomada de fato.

Luta por segurança para LGBTQIAP+ ganha reforço de ação que mapeia bares

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A realização da Copa do Mundo em novembro e dezembro, a aproximação do verão e a liberação do 13º salário têm contribuído para o aumento da frequência do público nos bares e restaurantes, a ponto de estimativas apontarem a possibilidade de aumento de até 30% no faturamento dos estabelecimentos nos últimos meses de 2022. Mas junto com as aglomerações nos bares, também podem vir riscos maiores, sobretudo àquelas pessoas que não se enquadram no que uma parcela da sociedade ainda considera como um “padrão”, como a comunidade LGBTQIAP+.

Pensando em como o preconceito e a intolerância têm violado os direitos deste público, a Ambev iniciou a ação “Bar de Respeito”, realizada para mapear bares e estabelecimentos amigáveis à comunidade LGBTQIAP+. “No caso do Bar de Respeito, nos unimos à plataforma da Nohs Somos para ajudar a mapear bares amigáveis à comunidade, dando treinamento para esses estabelecimentos”, explica Ewerton Oliveira, gerente de marca da Ambev.

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O Bar de Respeito busca ser um “Maps LGBTQIAP+” e foi construída com a contribuição da própria comunidade. E além de destacar os lugares com as melhores avaliações, ainda pode gerar recompensas, como descontos para os usuários. A iniciativa e o movimento começaram com a Copa do Mundo, mas seguirão como um legado de inclusão ao fim do torneio.

A plataforma está disponível em todo o Brasil, com a Ambev ativando bares em São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Brasília, Curitiba e Fortaleza. Espaços selecionados nessas cidades terão como principal missão disseminar uma cultura de naturalidade e segurança para que todos possam ter momentos de curtição.

E a ação não é à toa, pois a segurança para a comunidade LGBTQIAP+ é um assunto urgente, com dados alarmantes. O “Dossiê de Mortes e Violências Contra LGBTI+” denuncia que ocorreram 316 mortes de forma violenta no país contra esse público em 2021, sendo 285 delas por assassinato. O estudo aponta crescimento de 33% no número de mortes violentas desse grupo em relação a 2020, evidenciando como a comunidade LGBTQIAP+ está exposta.

São vários os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIAP+ todos os dias no Brasil, mas um dos maiores, certamente, é a questão da segurança. Sabemos que o caminho é longo, mas conseguir colocar de pé esse movimento de inclusão, fomentando a segurança e o respeito para que todas as pessoas se sintam acolhidas e parte da sociedade, faz parte do nosso objetivo de deixar um legado de inclusão para todo

Ewerton Oliveira, gerente de marca da Ambev

Treinamento e benefícios
Para a efetividade da iniciativa Bar de Respeito, a Ambev também fornece treinamento online prévio para os bares e seus funcionários com orientações sobre o tema e instruções de como agir em casos de discriminação à comunidade LGBTQIAP+. “Juntamente com empresas parceiras e um time especializado, esses estabelecimentos recebem letramento sobre o tema, com instruções de como agir, por exemplo, em casos de discriminação. Com isso, eles recebem o selo indicando que fazem parte desse movimento de inclusão”, afirma Oliveira.

Contando com um ambiente teoricamente mais seguro, os estabelecimentos do circuito Bar de Respeito terão benefícios oferecidos pela Ambev, além de passarem pela avaliação dos consumidores.

“Os pontos de venda participantes que completarem a jornada de treinamento, junto com os colaboradores, recebem créditos em compras na plataforma da Ambev, que podem ser trocados por produtos, além de ganharem destaque na plataforma. Para os clientes, o principal benefício é aproveitar de espaços mais acolhedores e respeitosos para momentos de diversão e mais motivos para brindar, e ainda por cima ganharem vouchers de desconto no Zé Delivery”, completa o gerente de marca da Ambev.

Nova cerveja faz releitura da caipirinha e alerta para tráfico de canários

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A Cia de Brassagem Brasil uniu a cerveja com o drinque mais popular do país para apresentar uma novidade ao mercado das artesanais. Com a releitura da caipirinha, a marca criou a Canário-da-Terra, uma cerveja do estilo Sour Ale, produzida em parceria com o Beco da Vila Olímpia.

“A cerveja é muito democrática e permite experimentar ideias, é o caso da Canário-da-Terra. No início, chamaríamos de Caipirinha Ale, mas como trata-se de uma releitura, fomos mais comedidos”, revela Danielle Mingatos, sócia, co-fundadora e cervejeira da marca.

A Canário-da-Terra, tem 8,3% de graduação alcoólica e 20 IBUs de amargor. De acordo com a descrição divulgada pela Cia de Brassagem, essa “releitura” da caipirinha é uma cerveja de cor dourada, com notas de limões taiti e siciliano, tanto no aroma quanto no sabor, provenientes do uso de suas cascas, além do frescor do lúpulo Citra, ressaltando as notas cítricas, além do toque amadeirado da amburana.

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A novidade da Cia de Brassagem está, inicialmente, disponível em chope no Beco da Vila Olímpia e no Tchê Café, ambos em São Paulo, assim como na tap house da Los Compadres, em Atibaia (SP). Em um primeiro momento, foram produzidos 660 litros da Canário-da-Terra, mas o sucesso inicial motivou a fabricação de um segundo lote da Sour Ale.

Tendo a preocupação com a proteção da fauna brasileira em sua atuação, a Cia de Brassagem agora optou por homenagear o canário-da-terra. Esse pássaro, ao contrário de outros animais que estampam cervejas da marca, não está em extinção. Mas é um dos principais alvo do tráfico de animais no Brasil. “É um pássaro lindo e que deve viver livre, assim como a cerveja que pode ser pensada fora dos padrões”, acrescenta Danielle.

Com a novidade que une cerveja e caipirinha, a sócia da Cia de Brassagem também espera chamar a atenção para o tráfico de animais silvestres. E o canário-da-terra, pelas cores das penas, canto e doçura, tem sido um dos alvos preferenciais dos traficantes.

“Faremos esse trabalho de conscientização sobre o tráfico de animais, que é um problema muito sério e, infelizmente, algo que ocorre muito. O Brasil, dada a sua fauna tão diversa e linda, chama a atenção daqueles que querem ter um exemplar de um pássaro ou animal silvestre em cativeiro. Os animais são lindos quando estão em seus habitats naturais, sendo preservados para que não desapareçam na natureza”, afirma Danielle.