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Crise no Reino Unido: Congelamento de impostos para cervejarias é anulado

A crise no Reino Unido também tem afetado o setor cervejeiro, que sofreu um novo baque em meio às mudanças no governo. O novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt, restabeleceu os aumentos de impostos planejados sobre cerveja, cidra, vinho e destilados na sequência da saída de Kwasi Kwarteng, seu antecessor no cargo.

A reversão se deu apenas quatro semanas após a adoção das medidas. E foi estabelecida após as políticas econômicas anteriores, que visavam impulsionar a estagnada economia do Reino Unido e conter as taxas recordes de inflação, terem consequências desastrosas, como a forte desvalorização da libra, a queda abrupta do mercado acionário local e a quase falência dos fundos de pensão. Assim, Kwarteng foi demitido pela primeira-ministra Liz Truss que, dias depois, renunciou ao seu cargo.

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Truss foi a premiê do Reino Unido a ficar menos tempo no cargo. A conservadora renunciou com 45 dias de mandato após Hunt desmontar seu programa econômico, o que inclui o fim do congelamento dos impostos sobre as cervejarias. Seu sucessor será Rishi Sunak.

Cervejeiros e proprietários de pubs, claro, criticaram duramente a decisão do governo de recuar no congelamento dos impostos. As estimativas são de que a medida vai provocar um aumento de 7 centavos de libras por litro de cerveja. E as associações do setor reclamam que a indústria cervejeira já vem pressionada em função dos longos efeitos provocados pela pandemia do coronavírus.

“A decisão do chanceler de reverter o Alcohol Duty Freeze é um grande golpe para cervejarias e pubs. O congelamento teria gerado uma economia de 300 milhões de libras para nossa indústria em um momento crítico em que precisamos desesperadamente de qualquer alívio para nos ajudar a sobreviver e nos recuperar”, diz Emma McClarkin, presidente-executiva da British Beer and Pub Association, em publicação no seu perfil no Twitter.

Com a decisão, o imposto sobre o álcool passará a subir em linha com a inflação, medida pelo índice de preços no varejo, atualmente em 12,3%. Além disso, logo após o anúncio, o governo disse que os próximos passos de sua revisão do imposto sobre o álcool – que incluíam iniciativas para introduzir uma medida transitória de 18 meses para o imposto sobre o vinho, bem como um projeto de taxa do imposto para a cerveja até agosto de 2023 – continuaria como planejado.

Com as medidas, a Sociedade de Cervejeiros Independentes (Siba, na sigla em inglês) também avalia que o cenário fica mais complicado para pequenos empreendedores. “Isso está criando mais incerteza para as pequenas cervejarias que estão enfrentando um ambiente comercial extremamente desafiador, dominado por alta dos preços de energia, aumentos de preços e uma crise de custo de vida”, afirma o presidente da Siba, Roy Alkin.

Greve e risco de desabastecimento
Para dificultar ainda mais a atuação de pubs britânicos, entregadores de cerveja da GXO Logistics, responsável por abastecer 40% dos pubs e demais estabelecimentos, planejam realizar uma greve a partir da próxima segunda-feira (31) até a sexta (4 de novembro), em busca de melhores salários.

A paralisação, assim, começaria exatamente na data de celebração do Halloween e aconteceria poucas semanas antes do início da Copa do Mundo. Como a GXO atende cerca de 4,5 mil pubs em Londres e no sudeste da Inglaterra, há preocupação com a possibilidade de desabastecimento.

Minicâmaras para chope da Zero Grau se transformam em vending machines

Soluções de autosserviço têm sido importantes aliadas para a busca da praticidade, economia e eficiência no setor cervejeiro. E uma parceria entre Zero Grau e Iris Pay reforçou a possibilidade de acesso a esse tipo de facilidade com a apresentação de minicâmaras e refrigeradores para chope com sistema vending machine.

Apesar de não ser uma novidade no setor cervejeiro, a oferta e busca por soluções de automação foi impulsionada a partir da pandemia da Covid-19. Inserida nesse contexto, a Zero Grau espera, com a novidade, auxiliar estabelecimentos a aumentar sua venda de chope, sem a necessidade da atuação de funcionários e ainda oferecendo o controle do estoque através de um painel, assim como a garantia de uma bebida gelada, também evitando o desperdício.

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“A linha de equipamentos para chope, aliando automação de ponta da Iris Pay, transforma nossos equipamentos em vending machines, o conceito de máquinas que vendem sozinhas, sem a necessidade e a presença de um atendente ou operador”, explica Leandro Spaniol, gerente de marketing da Zero Grau.

O profissional também destaca que a necessidade de aliar as funcionalidades dos seus equipamentos com os recursos tecnológicos ofertados pela Iris Pay foi reforçada por demandas advindas da pandemia, com a busca por novas experiências de consumo.

“Veio a pandemia e trouxe um novo contexto de consumo: a necessidade gerada não só por bares e cervejarias que precisavam de novas formas para vender sem tanto contato humano, mas, também, locais fechados como condomínios e associações geraram a necessidade de oferecer este tipo de comodidade para os moradores e o público que ali estava”, comenta Spaniol.

As minicâmaras e refrigeradores totalmente automatizados e com autosserviço no sistema vending machine possibilitam que o cliente realize os processos de atendimento, serviço e pagamento sozinho, pelo aplicativo do telefone celular, que também oferece suporte. E a minicâmara garante que o chope esteja gelado, regulado na temperatura ideal para o consumo, em qualquer hora do dia. Assim, une serviço e estoque no mesmo produto.

O autosserviço também facilita o consumo, uma vez que reduz o número de etapas associadas à chegada do chope ao copo do consumidor. A novidade ainda conta com o modo “Funcionário”, que permite o controle total sobre quantos litros cada membro da equipe extraiu e quantos litros ainda restam em cada barril. E a segurança é outro foco da novidade, que possui verificação de identidade e sistema antifraude com validação de documentos e fotos em movimento para evitar cadastros fraudulentos e venda de bebidas a menores de idade.

“Nossas minicâmaras podem ser acopladas em mais sistemas de automação. Neste momento, temos inúmeros clientes que já utilizam equipamentos com o sistema da Iris Pay e isso gera confiabilidade para quem está querendo entrar neste modelo de negócio utilizando-se das vending machine. Temos a certeza de que nossos clientes estão fazendo bons negócios no momento desta escolha”, diz o gerente de marketing da Zero Grau.

O profissional também aponta a necessidade de ofertar soluções mais eficientes como outro fator a motivar a atuação, com produtos que consomem menos energia e que sejam mais amigáveis ao meio ambiente. Assim, a companhia tem realizado atualizações no seu portfólio.

“Precisamos estar alinhados às necessidades do planeta, assim estamos lançando atualizações também nos sistemas de refrigeração, com minicâmaras utilizando sistemas de refrigeração por Plug-in, motores inverter, de baixo consumo de energia e com o uso de fluidos ecológicos como o gás refrigerante R290 que não agride o meio ambiente e está alinhado aos objetivos globais da ONU”, completa o gerente de marketing da Zero Grau.

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração

No âmbito da ciência, muitos concordam que não há nada mais prático do que uma boa teoria. Nesse sentido, este artigo foi dividido em duas partes, a primeira, teórica, com uma breve revisão sobre o que sabemos sobre colaboração, especialmente a partir de estudos realizados em micro e pequenas cervejarias artesanais. Nesta revisão, além das principais definições, aspectos positivos e negativos da colaboração, quatro estudos realizados no Reino Unido, República da Irlanda e Irlanda do Norte, Brasil e Austrália, respectivamente, são apresentados para ilustrarmos evidências sobre os tipos de colaboração, seus inibidores e facilitadores, bem como por que colaborar é preciso.

Traremos a segunda parte, com aspectos práticos e exemplos de colaboração em diversos pontos da cadeia cervejeira, em nossa próxima coluna. Enquanto isso, caso queiram interagir, por gentileza, nos respondam por que amamos uma colaboração na cadeia cervejeira? Agradecemos se puderem enviar suas mensagens por e-mail (professorguiadacervejabr@gmail.com) com seu relato sobre como a colaboração na cadeia cervejeira contribuiu para aumentar seu interesse pela nossa querida cervejinha.

O termo colaboração na literatura acadêmica voltada ao gerenciamento possui várias definições. Há pesquisas que apresentam como um esforço de entendimento conjunto para se alcançar objetivos definidos1, como um processo envolvendo pelo menos duas partes para conseguir resultados mutuamente benéficos2, como uma estratégia-chave para lidar com a complexidade e turbulência no ambiente de negócios3 ou para alcançar objetivos de curto e longo prazo inatingíveis de forma independente4.

Em teoria, portanto, temos colaboração quando um grupo de partes interessadas autônomas se envolvem em um processo interativo para solucionar um problema ou obterem benefícios. Este processo é estabelecido quando o grupo de partes interessadas usa normas, estruturas e regras compartilhadas para decidirem ou agirem em relação a situações específicas5.

Desta forma, há dois elementos fundamentais para teoria da colaboração, as partes interessadas em relação às situações específicas e o processo interativo. Sobre as partes interessadas, entende-se que as empresas, organizações ou grupos têm interesses que são comuns ou diferentes, os quais são redefinidos ou alterados à medida que a colaboração continua5.

Por exemplo, as partes interessadas em uma cadeia de suprimentos podem se alinhar para criar uma estratégia de gerenciamento de demanda mais transparente, para favorecer o ritmo de todo o sistema6. A autonomia é um elemento crítico, pois mesmo quando as partes interessadas concordam em aceitar regras compartilhadas dentro de seu relacionamento colaborativo, elas visam manter seu poder e independência durante a tomada de decisão5.

Outro estudo evidenciou que a construção de relacionamentos duradouros entre compradores e fornecedores de uma mesma cadeia de suprimentos afeta positivamente o desempenho do comprador, mas pode reduzir a capacidade do comprador de ser objetivo e tomar decisões eficazes, além de aumentar o comportamento oportunista do fornecedor. Neste sentido, existem contextos que a colaboração pode levar a resultados indesejados.

Quando se trata de pequenas e médias empresas (PMEs), a colaboração mostra impacto significativo na inovação de produtos7 ou crescimento de lucratividade em casos de parcerias com fornecedores locais8. Entretanto, existem estudos que apontam que a cooperação tecnológica não é garantia para inovação e que os resultados podem ser imprevisíveis.

O segundo elemento refere-se aos processos interativos em colaboração, que podem ser entendidos como a criação de estruturas que permitem aos participantes fazerem escolhas relativas às maneiras de resolver problemas enfrentados coletivamente9.

Dentro das questões voltadas ao gerenciamento, existem oportunidades para pesquisas sobre como a colaboração ocorre entre universidades e indústria10, bem como sobre “e-colaboração” entre PMEs, isto é, ferramentas digitais colaborativas que facilitam as interações entre uma organização, seus fornecedores, parceiros comerciais, clientes e funcionários11. Além disso, pouco se discute sobre a colaboração dentro de indústrias emergentes, como é o caso da crescente indústria cervejeira artesanal.

Dentre os poucos estudos realizados até o momento, no Reino Unido, identificou-se que o envolvimento colaborativo de microcervejarias artesanais tem enfatizado a inovação, o crescimento e a criatividade12. Outro levantamento em cervejarias da República da Irlanda e da Irlanda do Norte reconheceram alguns facilitadores e inibidores das capacidades de desenvolvimento de rede e notaram a complexidade para construir tais capacidades. Por exemplo, embora o compartilhamento de informações ou experiências anteriores sejam facilitadores importantes para criação de uma rede, a dificuldade na resolução de problemas e compartilhamento de conhecimento, e o desejo de controle sobre tomada de decisão são os principais inibidores13. Nesta pesquisa, recomenda-se a necessidade de políticas públicas para atacar os inibidores da criação de redes e encorajar a colaboração ou coopetição como alternativas estratégicas de negócios.

No Brasil, estudo recente aponta que as micro e pequenas cervejarias têm realizado colaborações verticais (entre fornecedores e compradores) e horizontais (entre outras partes interessadas, por exemplo, universidades e centros de pesquisa) para gerenciar sua qualidade (no que diz respeito à redução das variabilidades de qualidade)14. Este estudo reconhece que há necessidade de maior interação por meio de colaborações verticais e horizontais para compartilhamento de informações, tomada de decisão conjuntas e troca de conhecimento. Também chama a atenção para o fato de que em se tratando de microcervejarias, boa parte das relações entre as empresas são informais, o que contribui fortemente para o acesso a fontes externas de conhecimento. Além disso, esses esforços colaborativos levaram as empresas a obter ganhos mútuos em seus relacionamentos. Este estudo apresenta um modelo consolidado sobre como as partes interessadas, tipos de colaboração, mecanismos de socialização e tipos de relacionamento favorecem a redução da variabilidade e a alta qualidade em microcervejarias.

Resultados semelhantes foram destacados em estudo feito na Austrália. As formas de colaboração têm implicações para o controle de qualidade e, potencialmente, para a entrega de um produto final consistente e de alta qualidade, cujos efeitos agregam valor e geram vantagem competitiva para cervejarias artesanais15. Essa noção é apoiada no que diz respeito à obtenção de conhecimentos básicos e estratégicos, aprender o que os outros cervejeiros fazem e, em menor grau, no que diz respeito à importância das relações colaborativas, particularmente no âmbito nacional.

Ainda segundo o contexto australiano, a colaboração com outros cervejeiros artesanais ajuda a atualizar o conhecimento, identificar tendências e construir resiliência para responder novas demandas e desafios. Ao mesmo tempo, a colaboração com outras empresas fora da indústria cervejeira artesanal transforma o conhecimento em prática e resultados15.

Além dos ganhos financeiros (vendas), a colaboração também representa um veículo-chave que conecta “cervejarias artesanais” e consumidores finais. Consequentemente, a colaboração pode contribuir para abordar essas partes interessadas, no que tange às necessidades e desejos de forma mais consistente e contínua15.

As empresas que estão envolvidas em colaboração interna (departamental) e externa (fornecedores e clientes) estão muito bem equipadas para sucesso. Contudo, apesar da importância percebida da colaboração, a falta de tempo e o isolamento geográfico podem limitar as capacidades de colaboração, com implicações potenciais para o futuro da indústria cervejeira artesanal15.

A natureza prática da indústria, incluindo experimentação por meio de tentativa e erro para obtenção de novos estilos de cerveja artesanal, pode ser aprimorada de forma “virtual” por meio da internet e redes sociais. Eventos e encontros locais, especialmente perto de centros maiores (urbanos/suburbanos), onde cervejarias artesanais abundam, podem, ainda que parcialmente, minimizar as limitações identificadas15.

Aprender sobre a colaboração dentro da indústria cervejeira artesanal, ou entre esta indústria e seus parceiros, pode trazer avanços, por exemplo, sobre como resolver problemas ou abordar oportunidades em termos de desenvolvimento de novos produtos. Da mesma forma, a geração de novos conhecimentos sobre colaboração permitiria às partes interessadas (indústria, governo, câmaras de comércio, universidades, orgãos não-governamentais, entre outros) apoiar o desenvolvimento de uma indústria cervejeira artesanal sustentável.

Entre as várias implicações socioeconômicas relacionadas aos resultados da colaboração, se inclui o desenvolvimento de negócios por meio do empreendedorismo e comunidades, o estímulo cultural por meio de realização de eventos, e crescimento econômico com aumento do potencial de geração de empregos em diferentes elos da cadeia cervejeira.

Agora que você tomou conhecimento, compartilhe conosco seu comentário, por que você ama colaboração nas cervejarias ou como você percebe essa colaboração?

Saúde!


Referências

  1. NUNAMAKER, Jay F.; ROMANO, Nicholas C.; BRIGGS, Robert Owen. Increasing intellectual bandwidth: generating value from intellectual capital with information technology. Group Decision and Negotiation, v. 11, n. 2, p. 69-86, 2002.
  2. MILES, Raymond E.; MILES, Grant; SNOW, Charles Curtis. Collaborative entrepreneurship: How communities of networked firms use continuous innovation to create economic wealth. Stanford University Press, 2005.
  3. GRAY, Barbara; WOOD, Donna J. Collaborative alliances: Moving from practice to theory. The Journal of applied behavioral science, v. 27, n. 1, p. 3-22, 1991.
  4. GAJDA, Rebecca. Utilizing collaboration theory to evaluate strategic alliances. American journal of evaluation, v. 25, n. 1, p. 65-77, 2004.
  5. WOOD, Donna J.; GRAY, Barbara. Toward a comprehensive theory of collaboration. The Journal of applied behavioral science, v. 27, n. 2, p. 139-162, 1991.
  6. HOLWEG, Matthias et al. Supply chain collaboration: Making sense of the strategy continuum. European management journal, v. 23, n. 2, p. 170-181, 2005.
  7. NIETO, María Jesús; SANTAMARÍA, Lluís. Technological collaboration: Bridging the innovation gap between small and large firms. Journal of small business management, v. 48, n. 1, p. 44-69, 2010.
  8. ROBSON, Paul JA; BENNETT, Robert J. SME growth: The relationship with business advice and external collaboration. Small business economics, v. 15, n. 3, p. 193-208, 2000.
  9. THOMSON, Ann Marie; PERRY, James L.; MILLER, Theodore K. Conceptualizing and measuring collaboration. Journal of public administration research and theory, v. 19, n. 1, p. 23-56, 2009.
  10. BJERREGAARD, Toke. Universities‐industry collaboration strategies: a micro‐level perspective. European Journal of Innovation Management, 2009.
  11. CHAN, Felix TS; CHONG, Alain Yee-Loong; ZHOU, Li. An empirical investigation of factors affecting e-collaboration diffusion in SMEs. International Journal of Production Economics, v. 138, n. 2, p. 329-344, 2012.
  12. DANSON, Mike et al. Microbrewing and entrepreneurship: The origins, development and integration of real ale breweries in the UK. The International Journal of Entrepreneurship and Innovation, v. 16, n. 2, p. 135-144, 2015.
  13. MCGRATH, Helen; O’TOOLE, Thomas. Enablers and inhibitors of the development of network capability in entrepreneurial firms: A study of the Irish micro-brewing network. Industrial Marketing Management, v. 42, n. 7, p. 1141-1153, 2013.
  14. PRIM, Alexandre Luis; SARMA, Violina; DE SÁ, Marcelo Martins. The role of collaboration in reducing quality variability in Brazilian breweriesProduction Planning & Control, p. 1-17, 2021.
  15. ALONSO, Abel Duarte; ALEXANDER, Nevil; O’BRIEN, Seamus. Collaboration and the emerging craft brewing industry: An exploratory study. Journal of Asia-Pacific Business, v. 19, n. 3, p. 203-224, 2018.

Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Pabst reforça associação com cultura underground em ações no Brasil

Presente no mercado cervejeiro do Brasil desde o segundo semestre de 2020, a Pabst Blue Ribbon tem buscado se associar à cultura underground, com o apoio a esse tipo de manifestação artística nas artes e na música.

Uma das principais cervejarias independentes dos Estados Unidos, a Pabst, uma marca quase bicentenária, fundada em 1844, repete, assim, a estratégia adotada no seu país de origem, onde tem forte ligação com a promoção da arte da rua e da valorização da cultura urbana.

A ideia nesses primeiros passos foi se identificar com o que acontece no país. De acordo com as palavras de Thiago Lima, head de comunicação da Pabst Blue Ribbon no Brasil, “ter um olhar de dentro para fora e não uma tentativa de fincar nossa própria bandeira em território nacional”.

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No país, a primeira grande campanha da marca foi uma promoção inovadora, em outubro de 2021, com 500 mil latas apresentando um QR Code acompanhado por uma provocação: “Não escaneie”. O objetivo era que quem desrespeitasse o pedido teria acesso a uma ação de realidade aumentada e ainda concorreria a 500 prêmios a partir de um código presente na sua lata.

A marca também anunciou Edi Rock, um dos fundadores dos Racionais MC’s, como garoto-propaganda. Além disso, com foco maior em ativações nos grandes centros urbanos, a Pabst uniu a street art, o skate e a cerveja em uma parceria com o artista Binho Ribeiro para uma exposição na Galeria Alma da Rua, no icônico Beco do Batman, na Vila Madalena.

“A Pabst Blue Ribbon tem por missão encorajar cada um a seguir seu próprio caminho. Este olhar na cultura urbana é apenas um incentivo às manifestações artísticas que traduzem este olhar mais independente”, explica Lima.

A NewAge Bebidas é a responsável pela produção e a distribuição das cervejas da Pabst Blue Ribbon no Brasil. E a marca de Milwaukee é a quinta maior cervejaria do país. Ou seja, é uma gigante e centenária cervejaria independente norte-americana que agora busca seu espaço no mercado brasileiro.

Seu head de comunicação garante que a avaliação do posicionamento da marca nesses anos iniciais no mercado nacional é “extremamente positiva”. Ainda assim, garante que pode expandir, ao longo do tempo, suas áreas de atuação.  

“É importante destacar que não queremos fazer uma avaliação sobre as ações para determinar um caminho de ‘sim’ ou ‘não’ para futuras tomadas de decisão. A Pabst Blue Ribbon tem um diálogo multicultural e não foca apenas em uma frente de comunicação, logo, abriremos diálogo com muitas outras frentes ainda”, pondera.

Assim, de acordo com o responsável pelo marketing da Pabst no Brasil, o olhar para o underground foi apenas um primeiro aceno da cervejaria. “A Pabst chegou e não sai mais do mercado nacional”, conclui Lima.

Filme retrata história de homem que levou cerveja aos amigos no Vietnã

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Realizar uma operação, de modo individual, para levar cerveja a amigos que estão envolvidos na Guerra do Vietnã pelo Exército dos Estados Unidos. A história parece tão inverossímil que o clichê diz que deveria estar registrada em um livro ou em um filme. E está.

A questão, porém, é que o livro é autobiográfico. “The Greatest Beer Run Ever: A Memoir of Friendship, Loyalty, and War”, sem tradução para o português, tem John “Chick” Donohue e J. T. Molloy como autores. E acaba de ser adaptado para os cinemas por Peter Farrelly, em sua primeira produção desde que Green Book ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2019.

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“Operação Cerveja”, hoje disponível no Brasil pelo streaming da Apple, reúne atores renomados de Hollywood, como Russel Crowe e Zac Effron, o personagem principal. Ele é “Chickie” Donohue, que se indigna com os protestos contra a Guerra no Vietnã enquanto seus vizinhos combatem – e morrem – no país asiático.

Como resposta aos atos, decide, em uma mesa de bar, levar apoio aos amigos que estão envolvidos no conflito. É assim, então, que nasce a Operação Cerveja, com Chickie se arriscando no Vietnã para encontrar seus vizinhos do bairro de Inwood, em Nova York, para presenteá-los com latinhas da bebida – no filme, os rótulos são de Pabst Blue Ribbon.

Veterano do Corpo de Fuzileiros Navais, Chickie tentou rastrear seis amigos que estavam no Vietnã. Lá, ele os surpreende com a inusitada – e perigosa – presença, chama a atenção com seus trajes de civil, se coloca em condições arriscadas e se transporta através de jipes e voos militares.

A história real, claro, tem suas adaptações para movimentar o roteiro e dar tons de conflito e redenção, especialmente envolvendo sua irmã e jornalistas que realizavam a cobertura da Guerra do Vietnã in loco para a imprensa dos Estados Unidos, como destaca o site History vs Hollywood. Mas a aventura que deu origem a Operação Cerveja é real e durou aproximadamente quatro meses.

Essa história atraiu o público em sua semana de estreia nos Estados Unidos. Operação Cerveja foi o décimo conteúdo mais visto no período nos streamings do país, sendo o líder no serviço da Apple.

Veja o trailer:

Peter Farrelly repete Green Book – e isso não é nada bom
Por Leandro Silveira

O ato de “pagar uma cerveja” a alguém é um gesto de cortesia e amizade com linguagem universal. Ele pode se dar para relevar um dia ruim, para agradecer ou mesmo como um pedido de desculpas. A premissa, portanto, de construir um filme a partir desse gesto, ainda mais tendo acontecido em uma guerra marcante como a do Vietnã, é ótima. Mas a execução, em Operação Cerveja, nem tanto.

No início de 2019, em uma decisão surpreendente, os membros da Academia do Oscar parecem ter preferido contemporizar: entre os extremos que representavam Roma e Pantera Negra, optaram por dar o prêmio de melhor filme para Green Book. Contemporização, aliás, bem questionável, inclusive pela premissa do filme: usar o sofrimento de um homem negro para levar um branco à “reveladora” descoberta de que o racismo é algo ruim.

Três anos depois, em sua primeira produção após a conquista do Oscar, Farrelly nos apresenta Operação Cerveja, mas que bem poderia ser chamado de Green Book 2. Afinal, em uma leve comédia, o diretor conduz o personagem interpretado por Zac Effron ao horror de uma guerra para entender que o conflito é ruim.

Farrelly, assim, busca ensinar ao público algo que ele já deveria saber. E, de acordo com os relatos oficiais, o faz com Chick através, principalmente, de um personagem que nem esteve envolvido na história real.

De qualquer forma, Operação Cerveja tem sua força especialmente pela realidade: aconteceu.

Menu Degustação: Novos chopes da Hoegaarden, festival do Beer Summit…

Nem só as diversas edições da Oktoberfest movimentam o setor cervejeiro em outubro. Aproveitando o mês e a primavera, iniciada em setembro, a Hoegaarden decidiu apresentar dois novos sabores de chopes: Citrus e Pomelo. Mas é bom correr, pois eles estão disponíveis em versão limitada e somente até o fim de novembro.

Já em Santa Catarina, a próxima semana, marcada por vários eventos cervejeiros promovidos pelo Science of Beer, terá a primeira edição de um festival do Beer Summit, com a presença de mais de 50 marcas diferentes. E o Chile também será o palco de uma semana cervejeira a partir deste domingo, que inclui a fase final da Copa Cervezas de América.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Semana cervejeira no Chile
A grande final da 9ª edição da Copa Cervezas de América acontecerá durante a Semana Cervecera de Los Ríos, que vai de domingo (23) até 29 de outubro, na cidade de Valdivia, no Chile. Serão avaliados mais de 600 rótulos de 135 estilos, julgados por 47 juízes de países como Brasil, Chile, Costa Rica, Estados Unidos, França, Panamá, Colômbia, Peru, Equador, México e Espanha. Também vão ser promovidas rodas de negócios e exposições de fornecedores, envolvendo empresas de insumos, equipamentos para fábricas e serviços da indústria cervejeira. Além disso, também serão ministradas palestras com profissionais renomados.

Festival do Beer Summit
A semana de eventos cervejeiros promovidos pelo Science of Beer em Florianópolis contará com uma grande novidade neste ano. Será o Beer Summit Festival, marcado para a próxima quinta-feira (27), no mesmo dia, portanto, da premiação do Brasil Beer Cup. O encontro está marcado para o Hard Rock Live Floripa, com a presença de 51 marcas de cervejas, no sistema open bar. Os ingressos custam R$ 380,00.

Polo Oktoberfest
O fim de semana em Campinas (SP) terá o Polo Beer Festival Oktober como uma das atrações. Desta sexta-feira até domingo, a celebração acontecerá na Estação Cultura, com entrada franca. O evento é promovido pelo Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas e contará com 31 cervejarias, 170 torneiras de chope, 17 food trucks e 7 apresentações musicais, além de área kids, tenda de discos de vinil, feira de adoção de pets e coleta de alimentos em parceria com o Banco de Alimentos de Campinas.

Chopes de primavera da Hoegaarden
A Hoegaarden, motivada pelo período da primavera, decidiu apresentar a edição limitada de dois sabores de chopes: Citrus e Pomelo. Agora, então, as características da cerveja, como frescor, criticidade e suavidade, contam com as frutas limão siciliano e pomelo. Os chopes especiais da Hoegaarden serão disponibilizados até o final de novembro e podem ser encontrados nos diversos pontos de venda da marca em São Paulo, como Greenhouse, Seu Quintal, Bar Maré, Churrascada do Mar, Pé de Manga e Quincho, assim como nos eventos parceiros da marca. Nesse período, a marca também promoverá eventos especiais, como a Feira Jardim Secreto, no próximo domingo (22), e o Festival The Gaarden, no dia 29.

Novas latas de Läut
A Läut acaba de apresentar a sua Pilsen nos formatos de 269ml e 350ml em lata. A marca já tinha essa opção em latas de 473ml, em garrafas de 600ml e em long neck de 355ml. A ação de lançamento se deu na 34ª edição da Superminas, segundo maior evento supermercadista do país, que reúne cerca de 50 mil pessoas.

Premiação para a Ambev
A Ambev é a primeira colocada do ranking Top 100 Open Corps, sendo considerada a principal empresa em open innovation com startups no país. Esta foi a sétima edição do levantamento, realizado entre julho de 2021 e junho deste ano. A lista também conta com outra indústria cervejeira do Brasil, o Grupo Petrópolis, que figura no sétimo lugar entre empresas de bens de consumo e alimentos. No período, o valor total de contratos de Open Innovation fechados entre corporações e startups chegou a R$ 2,7 bilhões, com valor médio de R$ 260 mil por contrato.

Premiação para Heineken e Lagunitas
Já o Grupo Heineken brilhou no Smarties Brasil 2022, prêmio de inovação que reconhece líderes, marcas, agências e fornecedores que usam a tecnologia para criar abordagens no marketing moderno. A marca Lagunitas foi ouro na categoria Marketing de Mídia Social/Criadores e Influencers e prata na categoria Brand Experience, ambos com a campanha “O que é IPA para você? Só vale respostas erradas”. Já a Heineken levou ouro na categoria Localização, com “Case Our Ads Your Ads”, que ficou com o bronze em Integração de Plataformas & DOOH.

Incentivo às mulheres na gastronomia
Crédito, formação e visibilidade são as principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres brasileiras no mercado da gastronomia, conforme pesquisa nacional realizada por Stella Artois e Ipsos. Por isso, através do projeto Juntas na Mesa, a marca da Ambev vai investir R$ 10 milhões nos três pilares para promover a equidade de gênero na gastronomia, aumentando o protagonismo das mulheres e fomentando o empreendedorismo feminino. Para isso, em parceria com o BEES Bank, fintech da Ambev, oferecerá crédito para apoiar até mil mulheres empreendedoras no setor da gastronomia no Brasil. Serão disponibilizados empréstimos de até R$ 60 mil por empreendedora.

Black Princess na Tattoo Week
Pela quinta vez consecutiva, a cerveja Black Princess é a patrocinadora oficial da Tattoo Week São Paulo, considerada a maior feira de tatuagem da América Latina. A décima edição acontece entre esta sexta-feira e o domingo (21 a 23) no Expo Center Norte, em São Paulo. Lá, os visitantes poderão conhecer os chopes especiais da Black Princess. Serão vendidos seis rótulos: Gold, IPA, Tião Bock, Back to the Red, Dark e Long Neck Gold.

Espaco aberto: Colecionismo de bolachas de chope

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

As bolachas de chope, também chamadas de bolachas de cerveja, porta-copos ou descanso de copos, são suportes para serem colocados debaixo de copos ou garrafas, geralmente para proteger a superfície (mesa ou balcão) onde a bebida é servida ou para quantificar o número de bebidas consumidas.

Em línguas de outros países: bierdeckel, bierfilz ou bierglasunterleger (alemã), biermat ou coaster (inglesa), olu alus (estoniana), bierkaartje (belga), Iasin alusta (finlandesa), sous bock ou sous verrem (francesa), bierviltje (holandesa), tachtiot le kos (israelense), soto bocchiere (italiana), ko-su-ta (japonesa), polozak za pivô (croata) öl brikke, öl underlagg (norueguesa), podstavka pivo (russa), sejdelunderlägg (sueca), podstavek za pivo (eslovena), posa vaso (espanhola), takek (checa), bira altigli (turca) etc…

Esta peça, que hoje faz um enorme sucesso no mercado de sublimação para brindes e itens de divulgação e projeção de marcas, é confeccionada artesanalmente em materiais grossos. Os primeiros registros que se têm notícia deste item indicam que as bolachas de chope surgiram na cidade alemã de Weisenbach, em 1880.

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Bem parecidas com o que utilizamos hoje serviam para evitar que derramasse nas mesas a espuma das enormes canecas de cerveja que eram usadas na época. Assim, quando as espumas começassem a cair das grandes canecas de chope, não molhariam as mesas. Não demorou até que inúmeros pubs tomassem conhecimento da “bolacha” e tivessem o interesse em adquiri-la. Foi quando em 25 de outubro de 1892, também na Alemanha, na cidade de Dresden, capital do estado da Saxônia, Robert Sputh, de 49 anos, percebeu a grande e crescente procura em torno do item e resolveu patentear o processo de fazer as bases de fibra prensada já usando um molde padronizado.

Feitas de materiais como cerâmica, porcelana, vidro, metal etc., são fabricadas atualmente de outros materiais, tais como: neoprene, plástico, cortiça e, principalmente, de papelão, que por ser o material mais econômico é o tipo usado quase exclusivamente por cervejarias. Mas elas não foram sempre iguais, sofrendo pequenas alterações: a princípio, as primeiras bolachas de chope tinham de 2,5mm até 4,0mm de espessura e se tornaram já naquele tempo uma febre em toda a Alemanha. E devido ao sucesso, logo no início do século XX, as bolachas de chope começaram a ser utilizadas como meio de divulgação publicitária. Foi a vez de se utilizar imagens monocromáticas (uma só cor), sendo que a própria marca das cervejas seria estampada em um dos lados.

Contudo, ao contrário do que se possa imaginar, não foi Robert Sputh, o primeiro empreendedor a ficar rico com esta ideia, mas Casimir Otto Samuel Katz, que em 1882 lançou as bases para a indústria de papel de Murg Valley, com a primeira oficina de moagem de madeira em Weisenbach. Lá, os resíduos de madeira das serrarias foram processados ​​pela primeira vez em madeira moída para fábricas de papel e, a partir da década de 1890, o papelão de madeira foi produzido em telas cilíndricas. Como ele também possuía uma cervejaria em Metz, Katz teve a ideia em 1903 de produzir porta-copos de cerveja industrialmente em papelão de madeira como substituto para o feltro usado anteriormente, que era considerado anti-higiênico. Ao mesmo tempo, nasceu a ideia de imprimir os porta-copos de cerveja e usá-los como meio publicitário. Até hoje, existe a Katz Group, que produz cerca de 3 bilhões de bolachas de chope por ano. O site é www.thekatzgroup.com.

Com o passar das décadas, o negócio se tornou bastante promissor em quase todos os países onde era grande o consumo de cerveja. Entre 1918 e 1938, a nova invenção se espalhou pela Europa e chegou à Inglaterra, onde também há grande consumo de cerveja. No Brasil, a moda demorou a chegar. As primeiras bolachas apareceram comercialmente apenas na década de 1960.  Excepcionalmente, a bolacha da Cerveja Peru é considerada a bolacha brasileira mais antiga. A marca foi registrada na Junta Comercial de Porto Alegre (RS) em 17 de fevereiro de 1911 por Leopoldo Haertel, estabelecido em Pelotas com fábrica de cervejas na rua Conde de Porto Alegre 44.

Atualmente, é difícil encontrar uma cervejaria que não faça uso do produto tanto para divulgar a sua marca, como para servir melhor aos clientes. Não demorou também para que outras empresas aproveitassem a “bolacha de chope” para divulgar as suas marcas e contatos.

No Brasil, a bolacha que foi adotada como padrão pela indústria mede 90mm de diâmetro e é fabricada com papelão madeira ou papelão paraná de 1,5mm de espessura, que é um cartão de elevada gramatura e rigidez. Fabricado essencialmente de fibras de madeira de pinus e água geralmente virgens, transformado em pasta mecânica e/ou aparas, geralmente em várias camadas da mesma massa. Sua cor, em geral, é consequência dos materiais empregados na sua fabricação. Também utilizado para embalagens de produtos e presentes, é um papel pardo dos dois lados, porém seu processo de acabamento faz necessária a colagem do disco de papelão entre duas lâminas impressas que compõem a frente e o verso da bolacha. Fator esse que faz a durabilidade do produto ser menor, pois, com o tempo de uso e à medida que é molhado essa colagem, faz o papel descolar.

Para melhorar a impressão, a maioria das fábricas de bolacha de chope utilizam o Papel Cartão Duplex ou Triplex, por exemplo, que é confeccionado com uma ou duas camadas de celulose branqueada com tinta de revestimento branca. Porém, sua baixa absorção e fina espessura o tornam um material não muito atrativo na produção de bolachas de chope.

Atualmente, é usado o papel Liner Extra Absorvente, que é o papelão mais indicado para se fazer bolacha de chope. Por se tratar de uma matéria-prima nacional com a capacidade de absorver qualquer líquido que escorra do copo sobre a superfície onde se encontra, quando é molhado, ele não se degrada como outros tipos de papel utilizados no mercado, por ser composto de celulose de fibras longas.

No Katz Group, os padrões utilizados são de 94mm de lado com 6mm de radius, nos cantos, para a bolacha quadrada; e de 93mm de diâmetro para a bolacha redonda. A espessura pode variar entre 1,0mm e 2,5mm.

As bolachas são fabricadas nos mais diversos formatos: redondas, ovais, quadradas, retangulares ou recortadas nas mais diversas formas e tamanhos. Já foram fabricadas bolachas grandes para forrar bandejas e até as mesas de bares.

O colecionismo de bolachas de chope foi um passatempo muito popular por anos. Quase tão difundido quanto o de latas de cerveja, este passatempo ressurgiu junto com a popularidade das pequenas cervejarias e das artesanais. A cada ano mais colecionadores novos estão aderindo a este passatempo. As bolachas destas cervejarias fizeram com que os novos entusiastas chegassem num nível igual ao dos colecionadores de velhos tempos.

Enquanto a maioria das cervejarias que produziram bolachas saíram do negócio, as pequenas cervejarias, as artesanais e alguns grandes fabricantes de cerveja usam ainda as bolachas como uma fonte principal de propaganda. Isto mantém os colecionadores constantemente procurando novas edições e injeta sangue novo ao passatempo.

Os motivos (desenhos), geralmente, são mudados com regularidade, com um lado sendo quase sempre o institucional, com o outro se caracterizando por informações, charges, signos ou outros motivos populares. Já houve até com o layout de cartões postais que podem ser enviados pelos Correios.

As bolachas são colecionadas de várias maneiras. Pode-se colecionar do jeito que preferir: por formato, por evento, pela cervejaria, por país, estado ou região, com textos de humor ou ainda por temas das imagens (animais, carros, aviões etc.).

Muito semelhante à filatelia, muitas bolachas têm variações menores que as fazem ligeiramente diferentes. Por exemplo: já uma bolacha de Rheingold que tem impressa na borda inferior o texto “fabricantes de cerveja há mais de 115 anos”. Esta bolacha foi atualizada no texto durante os anos até que chegou a 121. Talvez alguns ignorassem esta pequena diferença, mas a maioria de colecionadores sérios se esforçaram para encontrar todas as diferentes variações. Outras variações comuns a procurar são: a presença ou a falta de uma figura, de um erro de impressão, de cores diferentes, de reversos invertidos e de posições diferentes da marca da cervejaria. As micro variações comuns incluem a espessura da bolacha e diferenças de tamanho.

As bolachas não são limitadas às cervejarias, são fabricadas, também para servir de veículo de propaganda para outros tipos de bebidas; para restaurantes e bares, alimentos, remédios etc. já existentes e para lançamento de produtos, para campanhas publicitárias, brindes, eventos (como por exemplo: o evento que comemorou a restauração de um Chevrolet Belair 1950 por um colecionador de carros antigos. Convite, envelope, bolacha de chope e folder foram criados a partir da estética dos anos 50 e das cores originais do carro: vermelho bordô e bege palha).

Quando a bolacha de chope não é produzida para um bar ou publicidade, ela serve como objeto de marketing de relacionamento, sendo um brinde oferecido aos clientes e parceiros de um negócio. Há até mesmo algumas produzidas para serem usadas em festas servindo como lembrança de casamentos, aniversários etc. Afinal, em todo momento de confraternização, cabe uma lembrancinha.

Não importa o jeito ou tema que você coleciona, há sempre uma bolacha que caiba de algum modo na sua coleção.

Foi uma pena a descontinuidade do projeto do catálogo de bolachas. Um excelente trabalho feito pelo colecionador Márcio Erlich. Descontinuou mas permanece na internet. Se você usar este link: www.bolachasbrasileiras.com.br, poderá ver imagens de bolachas brasileiras maravilhosas.


*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias

Cervejarias podem ganhar sistema de aquecimento de água; veja como concorrer

Cervejarias podem ter acesso gratuito a sistemas de aquecimento de água. A possibilidade está sendo ofertada em uma chamada pública do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica, o Procel, que tem inscrições abertas até 30 de outubro e selecionará quatro indústrias de bebidas. Assim, permitirá que as ganhadoras consigam economizar recursos com o aquecimento da água.

A chamada pública faz parte do projeto PAR 2020 – Aplicação de sistemas termossolares de baixa e média temperatura em indústrias de bebidas. E a iniciativa realizará a instalação de um sistema de aquecimento de água por meio de coletores solares nas quatro vencedoras, que podem ser cervejarias.

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O edital é destinado a indústrias de bebidas de pequeno e médio porte, de acordo com os critérios do BNDES. Ou seja, estão aptas a participar aquelas companhias com faturamento bruto anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões anuais.

O sistema a ser instalado nas indústrias de bebidas selecionadas é composto por um reservatório térmico e coletores solar de tubos evacuados, que promovem o aquecimento da água armazenada para temperaturas superiores a 100°C.

Com esse equipamento, a expectativa é de que haja redução do consumo de energia, aumentando a eficiência da unidade produtiva e reduzindo as despesas.

“Uma cervejaria precisa de energia advinda de combustíveis fósseis, gás natural ou GLP para aquecer a água. Com o aquecimento solar, é possível evitar o uso dessas fontes de energia. Essa substituição garante o benefício de não se gastar com a água no processo produtivo”, diz Odailton Arruda, diretor de operações da 3e Soluções e coordenador da chamada pública.

A seleção das quatro indústrias de bebidas se dará pelos critérios descritos no edital (confira). Eles envolvem temáticas como as despesas com energia, a quantidade de água que é aquecida e a altura do telhado, entre outros.

Os nomes das empresas selecionadas sairão em 7 de novembro, com o resultado final, após um período reservado para a apresentação de recursos, sendo dado no dia 18. Depois, a fase de instalação terá várias etapas: diagnósticos energéticos (até 24 de fevereiro de 2023), melhorias (até 28 de abril), implantação (até 27 de outubro) e monitoramento (a partir de 27 de outubro).

Os recursos que viabilizaram a instalação dos sistemas de aquecimento de água são provenientes de um fundo constituído pelo porcentual da Receita Operacional Líquida das Distribuidoras de Energia repassado para o Procel para aplicação em ações que fomentem a eficiência energética, tendo sido aprovado pelo Comitê Gestor de Eficiência Energética, em julho de 2020, dentro do plano anual de investimento do PROCEL 2020/2021.

Vencedora de um pregão eletrônico promovido pela Eletrobras, a 3e Soluções foi a empresa escolhida para conduzir esse processo. Assim, é a responsável pela realização da chamada pública e sua divulgação, além da gestão dos projetos selecionados. Já a Solis Solar responderá pela instalação dos sistemas de aquecimento de água nas indústrias ganhadoras.

Fla Manguaça e Coringão Chopp fazem duelo cervejeiro na Copa do Brasil

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A final da Copa do Brasil, nesta quarta-feira (19), às 21h45, opõe Flamengo e Corinthians, os dois mais populares clubes do país, e terá um duelo “cervejeiro” nas arquibancadas. No Maracanã, Fla Manguaça e Coringão Chopp irão protagonizar um confronto entre torcidas organizadas que misturam tradição e irreverência ao longo de suas histórias nos estádios.

Com o slogan “Embriagados pelo Mengão desde 1995”, a organizada rubro-negra foi fundada em 10 de julho daquele ano, quatro meses antes de o clube carioca celebrar o seu centenário. Já a alvinegra, cujo lema é “Uma dose de corinthianismo”, nasceu em 14 de outubro de 1989 e comemorou os 33 anos com uma grande festa em sua sede, na última sexta-feira.

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Para contar como essas torcidas estão se preparando para a partida que definirá o mais novo tetracampeão da Copa do Brasil, o Guia procurou os líderes das organizadas, que vivem dias de ansiedade e empolgação enquanto aguardam pelo começo da partida.

“A gente vai montar um mosaico no Maracanã. Vamos espalhar umas faixas pela arquibancada, vão ter fogos, fumaça e levaremos o dobro de instrumentos que costumamos levar ao estádio. A concentração da torcida vai ser a partir do meio-dia. Vamos fazer um churrasco com samba no bar onde ficamos no dia dos jogos e estaremos lá até a hora de ir para o Maraca”, afirma Felipe Amorim, presidente da Fla Manguaça.

A Coringão Chopp, presidida por Lúcio Fagundes, preferiu não conceder entrevista, mas revelou detalhes sobre a preparação da organizada para a finalíssima. E a torcida vem de dias intensos. Na última sexta-feira, na sua sede em São Bernardo do Campo, promoveu um samba de aniversário, com direito a churrasco e cachaça gratuita a partir das 19h10 (uma referência ao ano de fundação do Corinthians), além de promoções de cervejas.

Depois disso, parte dos seus integrantes foi até a Neo Química Arena apoiar a equipe corintiana no treino aberto da última segunda-feira. E estava programado para ocorrer um churrasco na sede da organizada, das 22h de terça até as 3h da madrugada desta quarta, para quando havia sido agendada a saída de dois ônibus com 100 torcedores rumo ao Rio.

Será a inversão do que aconteceu na semana passada, quando membros da Fla Manguaça viajaram para São Paulo e viram o empate por  0 a 0 na Neo Química Arena. “Fomos com dois ônibus do Rio para São Paulo e encontramos o pessoal da torcida que já estava lá. Deviam ter de 100 a 120 pessoas. Existiu dificuldade de comprar ingressos, que eram poucos e muito caros. No Maracanã, acredito que teremos em torno de mil pessoas da nossa torcida”, espera o presidente da organizada rubro-negra.

A relação com a cerveja
Ainda que não sejam as maiores referências entre as torcidas de Flamengo e Corinthians, Fla Manguaça e Coringão Chopp são facilmente reconhecidas nos estádios e possuem relevância, até pela longevidade. A Coringão Chopp conta com cerca de 4 mil sócios, enquanto a Fla Manguaça, seis anos mais jovem, possui aproximadamente 3.200. Em comum, claro, está o amor pela cerveja, embora, curiosamente, o presidente da Fla Manguaça não consuma, hoje, a bebida.

“A gente usa o nome Manguaça mais como uma coisa irreverente, leve, para tirar aquele peso que as torcidas organizadas carregam. A maioria dos torcedores bebe, mas ninguém é obrigado a beber. Tem criança na torcida, pessoas de todos os tipos e eu mesmo não bebo mais. Em nenhum momento a gente incentiva que as pessoas fiquem bêbadas, até porque um ambiente de estádio de futebol não é bom e nem muito calmo para isso”, ressalta Amorim.

Fla Manguaça e Coringão Chopp também vivem realidades diferentes para poder disponibilizar a cerveja aos seus sócios. A organizada flamenguista tem um acordo comercial com o Grupo Heineken, o que lhe permite vender o rótulo principal da cervejaria e o da Amstel. Além disso, a parceria ajudou a melhorar a estrutura da sua sede no Rio, no bairro Pilares, com equipamentos fornecidos pela marca.

“Compramos direto da fábrica. O acordo não envolve exposição de marca, que nos vende as cervejas em uma condição melhor de pagamento. E eles também nos deram os freezers, cadeiras e mesas, deixando a nossa quadra equipada. Já faz um ano e meio que compramos com eles. E espero que consigamos um pouquinho mais à frente transformar isso em algum tipo de patrocínio, promover alguma ação pontual”, explica Amorim.

Já a Coringão Chopp não possui acordo com nenhuma cervejaria para fornecimento de bebidas aos sócios em sua sede, sendo que no último fim de semana, durante seu aniversário, promoções envolviam Skol e Original, marcas da Ambev. E faz questão de garantir que é administrada de forma independente, sem receber qualquer ajuda do clube. “Vivemos sem nenhum recurso financeiro do Corinthians”, assegura a organizada.

O presidente da Fla Manguaça admite que o nome da torcida já colaborou para que fosse vista de forma negativa pela associação indireta do apelido com a embriaguez, mas destaca que a organizada não carrega mais esse peso, sendo agora mais associada com a irreverência.

“Hoje em dia não temos esse problema, mas no começo, antes de conseguir fazer essa ‘virada’, havia essa barreira. Hoje temos uma galera que está ali para torcer mesmo e é um público um pouco diferente do que era há dez anos, com um pessoal um pouco mais velho. Era outro perfil de torcedor. Depois que conseguimos firmar o nosso nome, deixar bem claro os nossos objetivos, esse nome passou a ser visto mais como um estilo do nosso torcedor”, explica Amorim.

Paulaner evita fechamento de fábrica da concorrente Oettinger na Alemanha

A Paulaner vai evitar o fechamento de uma fábrica de uma das suas concorrentes na Alemanha. O grupo ao qual a famosa marca faz parte, o Paulaner Brewery Group, anunciou a compra da cervejaria da Oettinger localizada na cidade de Gota.

Pelo acordo fechado, a Paulaner adquire a fábrica e toda a sua estrutura, o que inclui as áreas de produção e engarrafamento, além de logística e outros serviços, assegurando a manutenção de 170 postos de trabalho. A Oettinger também definiu que os 23 funcionários dos departamentos de vendas, exportação e marketing vão seguir vinculados à empresa.

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A Oettinger, em junho, havia anunciado o fechamento da cervejaria, com capacidade produtiva de 1,8 milhão de hectolitros em função da queda nas vendas e da capacidade subutilizada. A decisão, na época, provocou forte repercussão negativa junto aos funcionários, sindicatos e autoridades locais.  

Assim, o acordo resolve o problema da Oettinger e dos seus funcionários. Já para a Paulaner, representa um aumento da capacidade produtiva importante para uma empresa que fabrica 17 tipos de cerveja diferentes. A companhia, afinal, atingiu recentemente o limite de produção da sua unidade em Munique, de 3,5 milhões de hectolitros.

Além disso, a aquisição se dá após uma vitória judicial. O grupo ao qual a Paulaner faz parte poderá continuar produzindo o refrigerante Spezi, de enorme sucesso na Alemanha, após uma disputa com a família Riegele, seguindo utilizando a marca, adquirida em 1974.

A Paulaner explica que a transação com a Oettinger foi fechada diante da oportunidade de negócio e sob a perspectiva de aumento das vendas. “Levando em conta a crescente popularidade da linha de produtos e os aumentos de vendas correspondentes nos últimos anos e para permitir crescimento, examinamos locais de produção e aquisições atraentes. Encontramos isso em Gota”, afirma o CEO do Paulaner Brewery Group, Jörg Lehman.

A aquisição ainda precisa ser aprovada pelas autoridades antitruste da Alemanha. E com isso ocorrendo, a Paulaner assumirá o espaço da fábrica da Oettinger em Gota em 1º de janeiro de 2023.

“Estamos muito satisfeitos que os empregos da cervejaria em Gota serão mantidos com a venda para a Paulaner. Ao mesmo tempo, para nós da Oettinger, este é um passo importante em nossa reestruturação corporativa com uma boa solução para todos os envolvidos”, diz Pia Kollmar, sócia-gerente da Oettinger, que possui outras três fábricas na Alemanha.