Início Site Página 107

Entrevista: O que o ChatGPT sabe dos desafios e tendências para o setor

Ninguém deve ter respondido a mais perguntas em 2023 do que o ChatGPT. O chatbot com inteligência artificial especializado em diálogo é um dos nomes mais falados, questionados e alvo de curiosidade sobre o seu potencial e funcionamento. E o ChatGPT respondeu mais uma leva de questões, agora da equipe de reportagem do Guia, sobre o segmento das cervejarias artesanais do país.

Lançado em novembro de 2022, o ChatGPT dá respostas detalhadas e articuladas, mas – lá vai um spoiler – adora uma lista. Foi assim em 3 das 9 perguntas realizadas a ele, que optou por sumarizar suas informações. Não é à toa, afinal, suas interações partem da análise de uma quantidade enorme de dados disponíveis online, que são organizados em uma linguagem compreensível, racional e simples.

Entre dicas para que as cervejarias encarem desafios e a avaliação de oportunidades de mercado, o ChatGPT parece já ter captado algumas características do mercado brasileiro de cervejas artesanais, citando a New England IPA como uma tendência, assim como as Sours e opções de baixo teor alcoólico.

Já tendo sido utilizado no Brasil para ajudar a Prussia Bier a produzir uma cerveja, o ChatGPT também participou de iniciativas semelhantes fora do Brasil, como da Rio Bravo Brewing Co e da Atwater Brewery. E embora o desenvolvimento da inteligência artificial provoque preocupações, com pedidos para barrar seu avanço, a sua presença é uma realidade na sociedade e no mercado de trabalho.

E, claro, a tendência é que seja cada vez mais utilizado em rotinas da indústria. Mas a inteligência artificial garante que não irá tomar o emprego de ninguém. “O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais a aprimorar a qualidade de seus produtos, identificar novas oportunidades de mercado e melhorar a eficiência em seus processos de produção e atendimento ao cliente”, propagandeia, na entrevista ao Guia.

Leia também – Produção de bebidas alcoólicas começa 2023 com alta de 1,4%

Confira a entrevista com o ChatGPT sobre as cervejarias artesanais:

Quais são os principais desafios para o crescimento do mercado de cervejas artesanais do Brasil?
Existem alguns desafios que podem afetar o crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil, tais como:
1) Regulamentação: O mercado de cervejas artesanais ainda não tem uma regulamentação específica no Brasil, o que pode dificultar a produção, comercialização e tributação desses produtos.
2) Concorrência: A concorrência com as grandes marcas de cervejas, que possuem grande poder de mercado, pode dificultar o crescimento das cervejarias artesanais.
3) Distribuição: A distribuição de cervejas artesanais pode ser um desafio, uma vez que muitas cervejarias artesanais ainda não possuem uma rede de distribuição consolidada, o que pode afetar a disponibilidade dos produtos em diferentes regiões do país.
4) Custo: A produção de cervejas artesanais geralmente é mais cara do que a produção em larga escala das grandes marcas, o que pode afetar o preço final dos produtos e torná-los menos acessíveis para o consumidor final.
5) Capacitação técnica: A produção de cervejas artesanais exige um conhecimento técnico específico, e nem todas as cervejarias têm a capacitação necessária para produzir cervejas de qualidade, o que pode afetar a reputação do mercado como um todo.

No entanto, apesar desses desafios, o mercado de cervejas artesanais no Brasil tem crescido nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da demanda por produtos diferenciados e de qualidade, pela valorização de ingredientes locais e pela cultura cervejeira que tem se fortalecido no país.

Hoje, as cervejas artesanais têm participação diminuta no mercado cervejeiro brasileiro. O quanto é possível crescer?
É verdade que, atualmente, as cervejas artesanais ainda possuem uma participação relativamente pequena no mercado cervejeiro brasileiro, que é dominado pelas grandes marcas de cervejas industriais. No entanto, o potencial de crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil é grande.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), a participação de cervejas especiais (que incluem as cervejas artesanais) no mercado brasileiro tem crescido nos últimos anos. Em 2016, essa categoria representava 6% do mercado, enquanto em 2020 essa participação havia aumentado para 11%.

Esse aumento de participação é um indicativo de que há espaço para crescer. O mercado de cervejas artesanais no Brasil ainda é relativamente novo e tem muito potencial de expansão, especialmente com o aumento da demanda por produtos de qualidade e de sabores diferenciados.

No entanto, o crescimento do mercado de cervejas artesanais dependerá de fatores como a regulação, a concorrência com as grandes marcas, a distribuição e a capacitação técnica, que mencionei anteriormente. Além disso, a pandemia da Covid-19 também pode ter impactado o mercado de cervejas artesanais, uma vez que muitas cervejarias foram afetadas pela crise econômica.

No entanto, apesar desses desafios, o mercado de cervejas artesanais no Brasil tem se mostrado resiliente e tem apresentado um grande potencial de crescimento nos próximos anos. É possível que, no futuro, a participação das cervejas artesanais no mercado cervejeiro brasileiro aumente ainda mais, alcançando patamares similares aos de outros países onde as cervejas artesanais já são bastante populares.

O que as cervejarias artesanais brasileiras precisam fazer para conquistar mais espaço?
Para conquistar mais espaço no mercado de cervejas artesanais no Brasil, as cervejarias artesanais precisam focar em alguns aspectos-chave. Aqui estão algumas recomendações:

1) Investir na qualidade do produto: As cervejarias artesanais devem focar em produzir cervejas de alta qualidade, com ingredientes selecionados e técnicas de produção adequadas. Isso é fundamental para que os clientes possam apreciar e fidelizar-se às marcas.
2) Diversificar a oferta: As cervejarias artesanais precisam diversificar suas ofertas para atender diferentes públicos e nichos de mercado. Isso inclui a produção de diferentes estilos de cervejas, cervejas sazonais, cervejas com ingredientes regionais, além de opções sem álcool e sem glúten.
3) Ter um bom planejamento de negócios: Para crescer e se consolidar no mercado, as cervejarias artesanais precisam ter um bom planejamento de negócios, que envolve aspectos como a gestão financeira, a estratégia de marketing, a distribuição e a logística.
4) Participar de eventos do setor: As cervejarias artesanais devem participar de eventos e festivais do setor, que são importantes para a divulgação de suas marcas e para a aproximação com o público consumidor.
5) Investir em marketing digital: As cervejarias artesanais podem usar as redes sociais e outras ferramentas de marketing digital para se aproximar do público e divulgar seus produtos. É importante ter uma presença forte na internet, com um site atualizado e uma boa estratégia de conteúdo.
6) Buscar certificações e selos de qualidade: Certificações e selos de qualidade são importantes para a credibilidade das cervejarias artesanais e podem ajudar a conquistar a confiança do público consumidor.
7) Fomentar a cultura cervejeira local: As cervejarias artesanais podem fomentar a cultura cervejeira local, valorizando ingredientes e técnicas regionais e criando produtos que reflitam a identidade cultural das regiões onde estão inseridas.
8) Ao implementar essas medidas, as cervejarias artesanais brasileiras poderão conquistar mais espaço no mercado, fidelizar clientes e contribuir para o desenvolvimento do setor de cervejas artesanais no país.

Qual estilo de cerveja tem mais potencial dentro do mercado brasileiro de cervejas artesanais?
Dentro do mercado brasileiro de cervejas artesanais, existem vários estilos que têm potencial para se destacar e conquistar mais espaço. No entanto, alguns estilos têm ganhado mais popularidade nos últimos anos e podem ser considerados como tendências do mercado.

Um desses estilos é a New England IPA, que é uma variação da IPA tradicional, mas com um sabor mais suave e menos amargo. Essa cerveja tem sido muito bem recebida pelos consumidores brasileiros, que buscam cervejas com sabor intenso e aromático, mas sem o amargor excessivo das IPAs mais tradicionais.

Outro estilo que tem ganhado destaque é a Sour Ale, que é uma cerveja ácida e refrescante, com sabor e aroma frutados. Esse estilo tem se tornado cada vez mais popular no Brasil, especialmente nos meses mais quentes do ano, e é uma boa opção para quem busca cervejas com sabores diferentes e inovadores.

Além desses estilos, outros que também têm potencial para crescer no mercado de cervejas artesanais no Brasil são as cervejas do estilo Belgian Dubbel, Belgian Tripel, Imperial Stout, e as cervejas de trigo (como as Witbiers e as Weizenbiers), entre outras.

Vale lembrar que o mercado de cervejas artesanais é bastante dinâmico e está sempre em constante evolução, com novos estilos e tendências surgindo a todo momento. Por isso, é importante que as cervejarias artesanais estejam atentas às demandas do mercado e às preferências dos consumidores para oferecer produtos que atendam às expectativas e sejam bem-sucedidos no mercado.

Qual é a principal tendência para o mercado cervejeiro que as marcas artesanais do Brasil podem aproveitar?
Uma das principais tendências para o mercado cervejeiro mundial é a busca por produtos mais saudáveis, com menor teor de álcool e ingredientes naturais e sustentáveis. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas com ingredientes locais e sustentáveis, como frutas regionais, ervas e especiarias, além de reduzir o teor alcoólico de suas cervejas para atender a um público mais amplo.

Outra tendência é o crescente interesse dos consumidores por cervejas com sabores diferenciados e exclusivos, que reflitam a identidade cultural e regional da marca. As cervejarias artesanais brasileiras podem explorar a diversidade da cultura e culinária brasileira, utilizando ingredientes regionais e exóticos em suas cervejas e criando sabores únicos e diferenciados.

Além disso, o mercado cervejeiro vem apresentando um interesse crescente por cervejas envelhecidas em barris de madeira, especialmente barris de carvalho. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas envelhecidas em barris de madeira de espécies nativas brasileiras, como ipê, jequitibá e carvalho brasileiro.

Outra tendência em alta é a busca por cervejas com teor alcoólico elevado, chamadas de “Imperial”, “Double” ou “Triple”. Esse tipo de cerveja apresenta sabores e aromas mais intensos e complexos, além de uma maior capacidade de envelhecimento. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas com sabores e aromas marcantes e complexos, que possam atrair um público mais exigente e apreciador de cervejas especiais.

Como o ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras?
O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras de várias maneiras. Aqui estão algumas sugestões:

1) Fornecer informações e insights sobre o mercado de cervejas artesanais no Brasil e em outros países, incluindo tendências, oportunidades e desafios.
2) Auxiliar na identificação de demandas e preferências do consumidor, por meio de análises de dados de consumo, pesquisas e outras fontes relevantes.
3) Oferecer ideias e sugestões para aprimorar a qualidade dos produtos, por meio de análises sensoriais e sugestões de ingredientes e técnicas de produção.
4) Fornecer orientações sobre como se destacar no mercado, incluindo estratégias de marketing e branding, desenvolvimento de embalagens e rótulos, entre outras.
5) Oferecer suporte na criação de receitas e novos estilos de cerveja, com base nas preferências dos consumidores e nas tendências do mercado.
6) Auxiliar na elaboração de planos de negócios e estratégias de crescimento para as cervejarias artesanais brasileiras, com base nas informações e insights fornecidos pelo ChatGPT.

Essas são apenas algumas maneiras pelas quais o ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras. Como uma plataforma de inteligência artificial, o ChatGPT possui recursos e capacidades que podem ser personalizados para atender às necessidades específicas de cada cervejaria artesanal.

Algumas cervejarias têm utilizado o ChatGPT para criação de receitas, tanto no Brasil como em outros lugares do mundo. Você se sente apto a ajudá-las?
Sim, como um modelo de linguagem natural treinado em uma vasta quantidade de dados, o ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para ajudar cervejarias na criação de receitas. Com base nas preferências do consumidor e nas tendências de mercado, o ChatGPT pode gerar sugestões de ingredientes, propor combinações de sabores e auxiliar na determinação de quantidades e proporções de cada ingrediente.

É importante lembrar que o ChatGPT não é um especialista em cervejaria e não pode substituir a experiência e o conhecimento técnico de um mestre cervejeiro. No entanto, o ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para inspirar novas ideias e ajudar a criar novas receitas que possam agradar ao paladar dos consumidores. É importante que as cervejarias artesanais usem as sugestões geradas pelo ChatGPT como base para aprimorar e ajustar suas próprias receitas, de acordo com suas preferências e objetivos.

O ChatGPT vai tirar o emprego de pessoas, inclusive nas cervejarias?
Não, o ChatGPT não foi criado para substituir pessoas, mas sim para ser uma ferramenta que auxilia em diversas tarefas e processos, permitindo que as pessoas se concentrem em atividades mais complexas e estratégicas. O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais a aprimorar a qualidade de seus produtos, identificar novas oportunidades de mercado e melhorar a eficiência em seus processos de produção e atendimento ao cliente.

É importante lembrar que, apesar da grande capacidade do ChatGPT de processar e analisar grandes quantidades de dados, ele não pode substituir completamente o conhecimento, a criatividade e a experiência humana. As cervejarias artesanais ainda precisam de pessoas qualificadas e experientes em suas equipes, incluindo mestres cervejeiros, sommeliers, gerentes de marketing, entre outros profissionais. O ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para auxiliar esses profissionais em suas tarefas, mas não pode substituí-los.

Como o pedido de recuperação judicial pelo Grupo Petrópolis pode afetar as cervejarias artesanais? Haverá algum impacto?
Para as cervejarias artesanais, o impacto do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis pode ser misto.

Por um lado, se o Grupo Petrópolis for incapaz de continuar operando normalmente, pode haver uma redução na oferta de cerveja no mercado, o que pode abrir espaço para as cervejarias artesanais ganharem participação de mercado. Isso pode ser especialmente verdadeiro em relação às cervejas especiais e artesanais, nas quais o Grupo Petrópolis tem uma forte presença.

Por outro lado, se houver uma maior consolidação no mercado de cerveja como resultado do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, pode se tornar mais difícil para as cervejarias artesanais competirem com as grandes empresas cervejeiras. Isso pode acontecer se outras grandes empresas cervejeiras adquirirem marcas e operações do Grupo Petrópolis, o que pode levar a uma maior concentração de poder nas mãos de algumas grandes empresas.

Em resumo, o impacto do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis no mercado de cervejas artesanais dependerá em grande parte de como a situação se desenrolará e de como as outras empresas cervejeiras reagirão às mudanças no mercado.

Qual é o futuro do Grupo Petrópolis e do mercado após recuperação judicial?

Dominado por três grandes grupos, o mercado cervejeiro brasileiro foi agitado na última semana com o anúncio do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, algo que provoca enorme incerteza sobre o seu futuro. A medida causa questionamentos não só sobre a continuidade da companhia, mas também sobre qual será o impacto que terá sobre o setor e como Ambev e Grupo Heineken vão se acomodar diante desse novo contexto.

Afinal, o Grupo Petrópolis é, de acordo com o último levantamento divulgado pelo BarthHaas Group, a 12ª maior cervejaria do mundo. E mesmo tendo sofrido queda expressiva na participação de mercado no Brasil, o que é visto como uma das razões para a sua debacle, ainda possui market share relevante, superior aos 10%.

Leia também – Ação da Ambev sobe 7% em mês com recuperação judicial no setor e balanço

Com dívidas de R$ 4,2 bilhões, o Grupo Petrópolis alegou, em seu pedido de recuperação judicial, que o vencimento de uma parcela de R$ 105 milhões no início da semana passada e o seu não pagamento poderiam impedir a continuidade da operação da companhia.

O crescimento da dívida se deu enquanto a produção de bebidas caía de 31,2 milhões de hectolitros em 2020 para 24,1 milhões de hectolitros no fim de 2022. Com isso, a participação no mercado cervejeiro despencou de 15,3% em janeiro de 2020 para 10,6% em agosto de 2022.

Para a XP Investimentos, a companhia teve mais dificuldade em lidar com o cenário adverso da pandemia do que as suas concorrentes, o que incluiu a pressão sobre os custos de produção por causa da alta dos preços de matérias-primas. “As empresas que superaram o setor o fizeram com um mix de hedge de preços de commodities, forte portfólio de marcas, menor custo de capital e uma base de clientes atomizada e geograficamente diversificada, como Ambev e Heineken”, diz.

E a XP destaca que a elevada taxa de juros colocou ainda mais em risco o futuro do Grupo Petrópolis – a companhia cervejeira declara que a Selic, hoje em 13,75%, adiciona despesas de R$ 395 milhões anuais ao caixa da companhia. “A empresa tem lutado com custos mais altos e um ambiente desafiador desde o início da pandemia (1T20), o recente aumento da taxa Selic provavelmente foi o coup de grâce (golpe de misericórdia, em francês)”, afirma a equipe de analistas da XP.  

Embora reconheça que algumas companhias, como a Ambev, conseguiram lidar melhor com o cenário de alta de custos, o Itaú BBA avalia que a difícil situação enfrentada pelo Grupo Petrópolis pode ser um sinal de que as atuais margens praticadas no setor cervejeiro brasileiro são insustentáveis.

“A notícia pode ser interpretada como um sinal de que o nível de rentabilidade do setor cervejeiro brasileiro está funcionando em níveis abaixo do ideal. Notamos que a Ambev vem entregando margem bruta contraída em Cerveja Brasil desde 2012, levando a uma queda na lucratividade de toda a indústria”, comenta.

Haverá um futuro comprador do Grupo Petrópolis?
Nesse cenário desafiador, o Grupo Petrópolis ganhou tempo para renegociar suas dívidas e manter sua operação, com a busca por melhorias na operação, ao mesmo tempo em que algumas opções são avaliadas. Entre elas, a possibilidade de ser adquirida por outros grupos cervejeiros, algo que a XP avalia ser complicado de se concretizar.

“Devido a sua operação de distribuição, que é mais forte no Sudeste do Brasil, há uma sobreposição em relação a outros distribuidores, o que pode tornar um M&A menos interessante. Para distribuidores menores, no entanto, o apetite é por um player regional, não por uma indústria grande e em dificuldades”, avalia.

A equipe de analistas do Itaú BBA aponta, porém, que uma eventual venda do Grupo Petrópolis poderia provocar grande impacto no futuro do setor. “Se isso for o caso, o lento processo de perda de market share seria substituído por dinâmicas diferentes, pois o novo player lutaria por uma tendência de recuperação”, diz.

O Itaú BBA avalia que entrar no setor no Brasil através do Grupo Petrópolis poderia ser um “cenário perfeito” para uma empresa estrangeira.

A atual capacidade de produção anual de Petrópolis está em torno de 50 milhões de hectolitros, o que seria um ponto de partida sólido para um player internacional para atingir um nível de participação de mercado que seria lucrativo

Itaú BBA

O Grupo Heineken não seria um possível comprador do Grupo Petrópolis, na visão do Itaú BBA, até pelas restrições antitruste, mas seus analistas avaliam que algumas fábricas podem interessar à multinacional de origem holandesa em caso de busca pela ampliação da capacidade produtiva. “Acreditamos que a Heineken poderia tentar adquirir várias plantas específicas para impulsionar seus planos de expansão de capacidade no Brasil”, comenta.

A outra opção, vista pelos próprios analistas do Itaú BBA como menos óbvia, seria a aquisição do Grupo Petrópolis pelo Sistema Coca-Cola, que em 2021 comprou a Therezópolis e possui uma grande capacidade de distribuição, utilizada pelo Grupo Heineken por anos.

“Petrópolis, agora, pode ser uma alternativa para preencher a capacidade ociosa da distribuição que já existe, e os recentes anúncios de expansão de capacidade na Therezópolis podem ser um indicador de que a empresa está disposta a expandir sua exposição ao segmento”, argumenta.

Quem se aproveita no curto prazo?
Enquanto uma eventual compra do Grupo Petrópolis é avaliada para o futuro, as duas maiores cervejarias presentes ao mercado brasileiro buscarão aproveitar o momento difícil da concorrente. No caso do Grupo Heineken, o Bank of America enxerga oportunidade para a Devassa conquistar parte do mercado que era da Itaipava.

A equipe do banco de investimentos também aponta a chance de a Ambev aumentar suas vendas. “Se a Ambev capturar 75% dos volumes de Petrópolis, isso sugere um potencial aumento de 19% para os volumes próprios no Brasil”, afirma o Bank of America, com o Credit Suisse ressaltando que uma fatia do mercado do Grupo Petrópolis já vem sendo conquistada pela Ambev desde 2020.

“No curto prazo, acreditamos que a Ambev está mais bem posicionada em termos de portfólio e alcance de distribuição para continuar absorvendo potenciais perdas de market share (do Grupo Petrópolis), como vem fazendo desde 2020”, argumenta.

Atualmente, o Grupo Petrópolis produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Dona da Guinness, Diageo terá pela primeira vez mulher como CEO

A Diageo, gigante da indústria de bebidas alcoólicas, terá pela primeira vez uma mulher como CEO. A função na empresa dona da cerveja Guinness será assumida por Debra Crew em 1º de julho. Ela vai substituir Ivan Menezes, que anunciou a sua aposentadoria, deixando a companhia.

Primeira CEO mulher da história da Diageo, Debra vinha exercendo o cargo de diretora de operações desde outubro, tendo sido presidente da divisão da América do Norte anteriormente. E além da nova função, ela também entrará para o conselho de administração de uma das maiores empresas produtoras de bebidas alcoólicas do mundo.

Leia também – Entrevista: Unificação e reforma tributária pautam presidente do Sindicerv

A Diageo emprega 28 mil pessoas e se tornou, com esse anúncio, apenas a oitava das cem empresas listadas no principal índice da Bolsa de Londres, o FTSE 100, a ter uma mulher como CEO. “Estou muito feliz por ser nomeada CEO da Diageo. Ivan deixa a Diageo em uma posição muito forte para crescimento futuro e estou ansiosa para trabalhar com nossas equipes em todo o mundo para capturar as oportunidades futuras”, diz.

Antes de trabalhar na Diageo, Debra atuou como CEO da empresa de tabaco Reynolds American, em uma fase de crescimento que culminou na aquisição pela British American Tobacco no início de 2017. Ela possui extensa trajetória na indústria de alimentos e bebidas, tendo passado pela PepsiCo, assim como ocupou cargos na Kraft Foods, na Nestlé e na Mars.

“Estou focada em dar continuidade ao extraordinário histórico da Diageo de construir marcas líderes mundiais e melhorar nossa reputação como uma das empresas mais responsáveis no que acredito ser a categoria de produtos de consumo mais empolgante. É um privilégio incrível liderar a Diageo na próxima fase de seu desenvolvimento”, afirma.

Menezes sairá da Diageo após ocupar o cargo de CEO por dez anos. Ele estava na empresa desde o seu surgimento em 1997, quando da fusão da Guinness com a Grand Metropolitan.

“Estou muito feliz em passar as rédeas para Debra. Durante o tempo em que trabalhamos juntos, sempre me impressionei com sua paixão pelo crescimento e pela construção de equipes de alto desempenho. Estou confiante de que, sob a liderança de Debra e com nosso extraordinário portfólio de marcas e cultura, a Diageo continuará a cumprir nossa ambição de desempenho de longo prazo”, comenta.

A Diageo conta, hoje, com mais de 200 marcas espalhadas por mais de 180 países, sendo líder em vendas no mundo de uísque escocês, vodca, gin, rum, uísque canadense, licores e tequila. Já a Guinness se tornou, no fim de 2022, a cerveja número 1 do mercado britânico.

A Guinness é, sem dúvida, a marca de cerveja mais conhecida do portfólio da Diageo, mas também há outras opções, como Harp Lager, Hop House 13, Kilkenny, Smithwick’s e Tusker.

Seasons amplia série Moo England IPA com brasilidade da manga

Conhecida pelas inovações em suas cervejas e pela utilização da “vaquinha” em seus rótulos e ações de marketing, a Seasons usou a sua criatividade para ampliar a série Moo England IPA com um toque de brasilidade. Assim, lançou a Cowlifornication Manga, uma cerveja que leva a fruta em sua receita e com a qual espera atender aos anseios do consumidor.

“Neste produto da linha, optamos pela brasilidade da manga, visando extrair aromas e sabores diferenciados”, conta Juliano Dal Pont, gerente nacional de vendas da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal, a CBCA, grupo do qual a Seasons faz parte desde março de 2020.

Leia também – Graja e Goose Island lançam Fluxo, cerveja que reforça discurso da inclusão

Com 6,2% de teor alcóolico e a adição de polpa da fruta, a cerveja do estilo Juicy IPA é composta pelos lúpulos Hallertau, Idaho Gem e El Dorado, unindo amargor com drinkability, de acordo com o descritivo divulgado pela Seasons.

Segundo a marca, a escolha da fruta se deu pela intensidade de sabor da manga e do aroma. Além disso, relata a Seasons, sua composição de proteína e pectina, além do açúcar, traz a densidade característica do suco de manga e aroma semelhante aos lúpulos usados em receitas juicy.

De acordo com Gustavo Barreira, CEO da CBCA, a criação passou por rigorosos testes até que atingisse o nível desejado para chegar ao consumidor, agora, em abril. A novidade da Seasons está disponível em latas de 473ml na loja virtual da CBCA, com entrega em todo o Brasil.

 “Nosso comitê de qualidade testou a receita em três lotes antes de chegar no equilíbrio perfeito, trazendo o conceito de privilegiar aromas e sabores tradicionalmente do lúpulo com produtos frescos brasileiros”, comenta Barreira.

Antes de apresentar a Cowlifornication Manga, a Seasons havia aberto a série Moo England com o lançamento da Cows on Parade, uma New England IPA. “O papel da Linha Moo England da Seasons é resgatar o DNA de criatividade e inovação da marca”, diz Dal Pont.

A Moo England é uma linha que veio para ficar e recolocar a Seasons como uma plataforma de criação de cervejas desejadas pelo consumidor

Juliano Dal Pont, gerente nacional de vendas da CBCA

Ação da Ambev sobe 7% em mês com recuperação judicial no setor e balanço

Se em março o principal índice da bolsa de valores brasileira acumulou queda de 2,9%, recuando aos 101.882,20 pontos, a ação da Ambev foi uma das 34 entre as 85 que compõem o Ibovespa a ignorar esse cenário de queda, se valorizando no terceiro mês de 2023. O ativo da cervejaria fechou a última sexta-feira valendo R$ 14,33, o que representou alta de 7,02% na comparação com fevereiro.

A ação da Ambev ainda apresenta desvalorização de 1,31% em 2023, pois tinha terminado 2022 com o preço de R$ 14,52. Porém, após quatro meses seguidos em que perdeu valor, o ativo teve alta em março, período marcado pela apresentação do balanço da companhia relativo ao quarto trimestre de 2022 e pelo pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, algo que provoca reflexos em toda a indústria cervejeira.

Leia também – Ambev será cervejaria da Oktober de Blumenau até 2028; aporte é de R$ 100 mi

Em 2 de março, dia em que apresentou seu resultado financeiro com lucro líquido de R$ 5,1 bilhões nos últimos três meses do ano passado, a Ambev teve recuo de 2,52% em sua ação. A companhia, por outro lado, valorizou 4,74% na B3 na última terça-feira, data em que foi revelado o pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis.

Em meio a oscilações, a Ambev conseguiu valorização de 7% na B3 em março, mês marcado por notícias econômicas de grande relevância. No Brasil, as principais foram a apresentação do arcabouço fiscal pelo governo federal, a manutenção da Selic em 13,75% – sob intensas críticas do governo Lula e de parcela do empresariado – e mudanças na política de dividendos da Petrobras. Já fora do país, houve o fechamento do Silicon Valley Bank nos Estados Unidos e o resgate do Credit Suisse, adquirido pelo UBS.

Nesse cenário, quem se deu melhor foram as empresas aéreas e as concessionárias, que acumularam as cinco maiores altas do Ibovespa em março. A Azul, que renegociou dívidas com arrendadores de suas aeronaves, liderou esse grupo, com valorização de 68,7%. Foi seguida por Ecorodovias (26,3%), Embraer (25,3%), Gol (20,8%) e CCR (16,5%).

Na direção oposta, as ações de empresas de saúde sofreram na B3 em março. O maior recuo foi da Hapvida, que desvalorizou 41,65%, com Qualicorp (21,2%) e Rede D’Or (16,9%) também compondo o Top 5 das perdas, que ainda incluiu 3R Petroleum (19,1%) e Arezzo (14,9%).

Fora do Brasil
O mês de março não foi bom apenas na bolsa brasileira para a Ambev. Em Nova York, a ação da cervejaria fechou a última sexta-feira valendo US$ 2,82, uma alta mensal de 10,59%. Assim, terminou o primeiro trimestre de 2023 com valorização de 3,68%.

Os dois maiores grupos cervejeiros do mundo também subiram em março na Europa. A ação da AB InBev fechou o mês valendo 61,33 euros, alta de 7,16% ante fevereiro e de 8,99% em relação ao fim de 2022. Já o ativo do Grupo Heineken terminou março valendo 99,06 euros. Isso representa valorização mensal de 2,65% e de 12,72% no primeiro trimestre de 2023.

Produção de bebidas alcoólicas começa 2023 com alta de 1,4%

A produção de bebidas alcoólicas começou o ano de 2023 em alta no Brasil. De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE, houve expansão de 1,4% na atividade em janeiro na comparação com o mesmo período de 2022. Apesar dessa alta, ainda há retração de 0,4% no período de 12 meses iniciado em fevereiro do ano passado.

A alta da produção de bebidas alcoólicas no primeiro mês de 2023 ficou acima do ritmo da indústria nacional, que expandiu 0,3% quando comparada com o janeiro do ano passado, mas que teve recuo de 0,3% em relação a dezembro de 2022 na série com ajuste sazonal.

Leia também – Entrevista: Unificação e reforma tributária pautam presidente do Sindicerv

Por outro lado, o crescimento da produção de bebidas alcoólicas no início de 2023 ficou bem abaixo do ritmo das não alcoólicas. Esse item teve expansão de 8,8% ante janeiro de 2022 e agora acumula alta de 9,5% no período de 12 meses iniciado em fevereiro do ano passado.

Esse nível acelerado da fabricação de alcoólicas puxou a produção de bebidas em geral, que cresceu 4,8% na comparação com janeiro de 2022 e 0,8% em relação a dezembro, agora acumulando expansão de 4,2% em 12 meses.

A produção de bebidas, aliás, foi um dos destaques da atividade industrial brasileira em janeiro, ao lado de ramos como produtos de borracha e de material plástico (5,6%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (2,2%) e de móveis (9,2%).

Esses itens, porém, não foram suficientes para impedir o recuo da atividade industrial brasileira em janeiro. “Embora a produção industrial tenha mostrado alguma melhora de comportamento no fim do ano, uma vez que marcou saldo positivo nos últimos meses de 2022, inicia o ano de 2023 com perda na produção, e permanece longe de recuperar as perdas do passado recente”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

De acordo com o instituto, a atividade industrial brasileira está, hoje, 2,3% abaixo do nível pré-pandemia, embora em janeiro de 2021 tenha chegado a superá-lo, ficando 4% acima.

“Além dos fatores que impactam na renda disponível das famílias – inflação alta de alimentos, elevada taxa de juros impactando na concessão de crédito e endividamento, trabalhadores na informalidade ou fora do mercado de trabalho –, a indústria também foi afetada por restrições de oferta, dificuldades de obtenção de matérias-primas, componentes eletrônicos e insumos para a produção dos bens finais”, analisa Macedo.

Balcão do Aloisio: O que esperar das novas cultivares de cevada

Balcão do Aloisio: O que esperar das novas cultivares de cevada no Brasil

A produção de cevada no Brasil se concentra na região Sul do país, principalmente nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. Vários fatores contribuem para essa concentração, sendo o principal o clima ameno durante o inverno, adequado para o desenvolvimento da cultura. Por essa razão, três das quatro maiores maltarias do País estão instaladas nessa região e mais uma deve entrar em operação até 2024.

Entretanto, embora se tenha nessa região temperaturas adequadas para o cultivo da cevada, existem problemas em relação às instabilidades de precipitação pluviométrica. Tais instabilidades têm relação com a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico. Quando ocorre um aquecimento anormal (acima da média), isso gera o fenômeno El Niño. Já o resfriamento dá origem ao fenômeno La Niña.

Em anos nos quais predomina o fenômeno atmosférico La Niña, normalmente, o volume de chuvas é menor no Rio Grande do Sul. E embora em alguns anos possa comprometer o bom desenvolvimento da cultura, assegura a produção de grãos com maior qualidade, no que se refere aos teores de micotoxinas e capacidade de germinação. Já no Paraná e em Santa Catarina, sob La Niña, geralmente, o volume de chuvas é maior do que a média, podendo comprometer a qualidade do grão devido ao excesso de chuvas a partir do florescimento e durante o período de enchimento e maturação dos grãos. Nos anos nos quais predomina o fenômeno El Niño, ocorre o contrário. O volume de chuvas tende a ser maior que a média histórica no Rio Grande do Sul e menor no Paraná e em Santa Catarina.

A ocorrência de precipitações muito acima da média histórica tende a ser prejudicial para a cultura da cevada, pois favorece o aparecimento de problemas como maior incidência da doença giberela, causada pelo fungo Fusarium sp, aumento do teor de micotoxinas nos grãos e problemas de germinação em pré-colheita, comprometendo o vigor e a germinação, fundamentais para a produção de malte. Esses problemas têm um alto potencial de tornar os grãos de cevada produzidos inadequados para uso na malteação, trazendo prejuízos ao produtor e obrigando as maltarias a importar maior quantidade de grãos de cevada a fim de atender suas necessidades.

Uma forma de contornar esse problema é por meio do melhoramento genético. Os programas de melhoramento de cevada no Brasil já buscam, nas novas cultivares desenvolvidas, cada vez maior rendimento de grãos, maior resistência às principais doenças que ocorrem na cultura, maior tolerância ao acamamento e maior qualidade dos grãos para os fins a que se destinam. Com o clima se tornando cada vez mais instável, tem se tornado fundamental o desenvolvimento de cultivares que reúnam todas as características apontadas e que apresentem também estabilidade quanto às características que conferem qualidade ao grão de cevada para uso na malteação, independentemente das condições climáticas sob as quais o cultivo ocorra. Outra possibilidade é a produção no Brasil central, nas regiões de maior altitude, no período do inverno e sob irrigação. No entanto, essa segunda opção esbarra na existência de cultivos mais rentáveis para aquela região e no aumento das distâncias até as maltarias hoje instaladas no País.

Embora desafiador, o melhoramento buscando maior estabilidade nas características de qualidade dos grãos deve ser um dos focos dos programas de melhoramento de cevada cervejeira nos próximos anos, pois é fundamental para assegurar o abastecimento das maltarias, com grãos de cevada de qualidade, todos os anos e em todas as regiões produtoras, reduzindo a necessidade de importação e trazendo maior confiabilidade e segurança na produção nacional de cevada cervejeira.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Graja e Goose Island lançam Fluxo, cerveja que reforça discurso da inclusão

Fluxo representa, em seu significado literal, um movimento contínuo de algo que segue um curso. Pode ser, assim, um tráfego de pessoas, um conjunto de ideias ou mesmo a continuidade de uma caminhada para um causa. Fluxo, agora, também é o nome da nova cerveja colaborativa de Graja Beer e Goose Island. E mais do que um nome, representa o chamamento para a continuidade da luta pela inclusão.

A Graja Beer, autointitulada a “cerveja da quebrada“, está localizada no Grajaú, na zona sul de São Paulo, enquanto a Goose Island tem sua brewhouse no Largo da Batata, em Pinheiros, próxima ao centro da cidade. Essa distância geográfica já havia motivado o nome de uma outra cerveja colaborativa entre as marcas, em 2019, quando foi lançada a 637-G, denominação da linha de ônibus Grajaú/Pinheiros.

Leia também – Confira os lançamentos mais recentes das cervejarias artesanais

Agora, então, essa distância física também faz parte da criação da collab entre Graja e Goose Island, com o nome Fluxo para um rótulo que reforça a luta por acessibilidade, com a participação do projeto Cerveja Artesanal em Libras, inclusão e que integra elementos importantes para a identidade das marcas.

“Nós fizemos uma cerveja que brincava sobre o fluxo de moradores, da periferia para o centro, com as marcas relacionadas, e ainda trazendo a ideia do fluxo, porque fluxo não é só o movimento da periferia para o centro, mas também quando o povo da quebrada vai para o baile”, diz Leandro Sequelle, sócio e um dos fundadores da Graja.

A expectativa é, para Sequelle, seguir em diálogo com o mercado e mostrando que a periferia cria, produz e pode levar conhecimento para qualquer localidade. “Tem muita gente boa produzindo arte, educação e cultura para cá. Que essa ponte atravessada na parceria entre Goose e Graja Beer seja um pedacinho de uma história potente e que nesse mercado que ainda engatinha podemos e devemos fazer muito mais para, a cada dia que passa, termos mais a cara de Brasil, envolvendo, então, toda a diversidade nessa cultura craft que tanto amamos e poder devolver para a sociedade”, afirma.

A cerveja traz no rótulo a arte de Cauã Bertoldo, um artista preto envolvido com o afrofuturismo e a moda do Grajaú, além de um QR Code que leva para um vídeo em que a história da cerveja e suas características sensoriais são contadas em Libras pela interpretação de Marcos Roberto, idealizador do projeto “Cerveja Artesanal Em Libras”. Assim, o rótulo propõe tanto a travessia das pontes geográficas quanto a linguística.

“Como estamos em 2023 dando um passo a mais, nada mais justo que trazer pessoas e projetos que acreditamos. Primeiro, pelo olho no olho e verdade dessa galera, segundo, pela importância da proposta. Marcos [idealizador da Cerveja Artesanal em Libras) Mateus [Vinhal] e Fernando (Pacheco) [ambos sommeliers de cerveja surdos] estão vivendo o amor pela cerveja, e envolvendo pessoas da comunidade surda nessa paixão!”, destaca o sócio da Graja.

A novidade leva centeio e milho em sua receita, ingredientes com um forte significado para a Goose Island, pela sua presença no bourbon, que tem relação histórica com a marca norte-americana, cuja cerveja mais famosa é a Bourbon Country, maturada em barril de bourbon.

A Fluxo é uma Session Rye Corn IPA com 39 IBUs de amargor e tem 4,2% de graduação, sendo leve e lupulada. “O centeio dá um leve aveludado (potencializado pelo milho) e uma picância sutil na boca. Quem bebe sente aromas herbais, frutados, e florais vindos de uma combinação dos lúpulos Magnum, Simcoe e Loral”, explica Sequelle.

A Graja para 2023
A inclusão e o fortalecimento da relação entre a cerveja artesanal e a cultura da periferia tem sido um dos pilares da Graja. E Sequelle explica que para 2023, partindo dessa perspectiva, a atuação se dividirá em algumas frentes.

A marca espera fortalecer a relação com a rede de produtores culturais e educacionais locais, buscando uma gestão de programação do pub, assim como se aproximar de outros empreendedores envolvidos com linguagens fora do mercado cervejeiro para ampliar o campo de atuação.

Além disso, a Graja terá foco especial nos lançamento de cervejas colaborativas e na participação em eventos.  “Como nossa proposta é ser uma cervejaria social, nada mais legal e legítimo que focar no relacionamento com a galera. E essa é a principal estratégia de ação para 2023″, finaliza Sequelle.

Caso Backer: Justiça finaliza depoimentos das testemunhas de defesa

0

A investigação contra a Backer avançou mais um estágio nas etapas necessárias para o julgamento dos acusados pelos casos de contaminação de cervejas que provocaram dez mortes, descobertos a partir de janeiro de 2020. Na última quinta-feira (29), terminaram, na 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, as audiências das testemunhas indicadas pela defesa da Backer.

Por duas semanas, sempre às segundas, terças e quintas-feiras, foram ouvidas 15 pessoas indicadas pela defesa dos acusados dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio culposo. A previsão inicial era de que 60 testemunhas fossem ouvidas, mas 45 delas acabaram sendo liberadas pelos advogados de defesa.

Leia também – Heineken une forças com Pernod Ricard em projeto sobre malte de cevada

As últimas testemunhas a depor, nesta quinta-feira, foram três funcionários do parque industrial da Backer. A partir da fala deles, os advogados buscaram esclarecer responsabilidades dos acusados em relação ao uso e dinâmica de reposição do líquido refrigerante nos tanques, além de terem perguntado às testemunhas a quem competia a compra dos produtos ou o controle da reposição no parque industrial da Backer.

A reportagem do Guia teve acesso a resumos dos depoimentos dos dias anteriores e destaca alguns deles, que indicam estratégias da defesa. Na última terça-feira (28), através das testemunhas, a intenção da Backer foi buscar demonstrar que não seria possível identificar a contaminação.

Para isso, a primeira testemunha ouvida foi um engenheiro de alimentos com doutorado em química e mestrado em controle de qualidade de cervejas. Ele é professor na UFMG e falou sobre a atuação de um técnico no laboratório de controle de qualidade de cervejas.

A testemunha disse ter conhecido as instalações da Backer, em especial o laboratório de controle de qualidade, logo após os fatos, afirmando que o local tinha todos os equipamentos necessários para a aferição do controle de qualidade das cervejas, modernos, de alta tecnologia, alguns mais avançados que os da universidade.

Também afirmou que não faz parte do rol de procedimentos para aferir a qualidade das cervejas identificar o tipo de contaminação que aconteceu na Backer. Por isso, quando foi procurado pelo técnico da cervejaria, na tentativa de identificar o que ocorreu com os lotes contaminados, teria sido necessário desenvolver uma metodologia para identificação desse tipo de substância, pois não existia nada previsto na literatura especializada.

Outra testemunha foi uma engenheira química, que já lecionou sobre fermentação de alimentos, incluindo cervejas, também tendo atuado em uma cervejaria, trabalhando, hoje, em um laboratório especializado na indústria alimentícia, com destaque para a análise de bebidas, sendo inclusive o laboratório de referência em Minas Gerais para o ramo da cachaça.

O laboratório dela também foi procurado pela Backer na tentativa de se identificar como tinha acontecido a contaminação dos lotes. Ela afirmou que o laboratório da cervejaria estava equipado para os testes de qualidade padrão, mas não seriam suficientes para diagnosticar o tipo de contaminação por dietilenoglicol que ocorreu com a cerveja.

Para detectar a contaminação das cervejas, foi necessário equipamentos e técnicos especializados para análise da contaminação por aquela substância, que não é detectada nos métodos convencionais de avaliação. Além disso, essa substância não constava no rol de produtos comprados pela cervejaria para o resfriamento dos tanques e sim o monoglicol, menos tóxico, o que também prejudicou e atrasou a detecção da substância.

De qualquer forma, ela afirmou que a presença da substância não é esperada na composição das cervejas, razão pela qual não há um protocolo de teste para detecção. Assim, em sua visão, seria impossível para a Backer detectar a contaminação com os equipamentos que detinha no laboratório.

A testemunha de defesa afirmou, ainda, que se dedicou especialmente à tentativa de identificar como as cervejas da Backer foram contaminadas, sensibilizada pelo empenho do técnico e dos sócios da empresa na busca por uma resposta e, particularmente, pela situação do responsável técnico da cervejaria.

Em outros dias, foram ouvidos mestres cervejeiros de outras marcas, com objetivo de explicar quais são as funções desse profissional em uma cervejaria. Também depôs um empresário que chegou a revender as cervejas da marca, um especialista no ramo de indústria de bebidas que diz ter acompanhado o processo de criação e o desenvolvimento da Backer.

Os advogados também arguiram o gerente de departamento pessoal da Backer, que atua na empresa desde 2013 e respondeu perguntas para esclarecer função que exerciam na empresa os acusados e outros profissionais citados durante a apuração dos fatos.

Próximos passos e acusações
Finalizado o período de depoimento de testemunhas indicadas pela defesa da Backer, o próximo passo do processo será a marcação do interrogatório dos acusados. Anteriormente, em maio de 2022, foram realizadas audiências de acusação, com 27 pessoas sendo ouvidas.

A contaminação de cervejas da Backer, a maior parte delas da Belorizontina, começou a ser descoberta nos primeiros dias de 2020, quando várias pessoas passaram a ser internadas em hospitais com sintomas de intoxicação após consumi-las.

A Polícia Civil de Minas Gerais, então, abriu investigação sobre o caso, detectando que a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol aconteceu em função de vazamento no tanque da fábrica. O caso provocou dez mortes, com várias outras pessoas tendo sequelas, como deficiência renal, paralisias e surdez.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público pediu o indiciamento de 11 pessoas por crimes cometidos entre o início de 2018 e 9 de janeiro de 2020, ano em que a solicitação foi aceita, em 8 de outubro, pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira.

O magistrado acatou o pedido dos promotores após a materialidade dos delitos criminais ser comprovada por um laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística em lotes de cervejas da Backer e em tanques da planta fabril da empresa, que pertence à Cervejaria Três Lobos.

Entre os réus estão três sócios-proprietários da Backer, Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, que ainda terão seus depoimentos e julgamentos marcados pela Justiça, assim como dos sete funcionários que também foram indiciados, sendo um deles de uma empresa terceirizada, processado por falso testemunho. Já um 11º réu morreu pouco depois de ter sido indiciado em 2020.

Para o Ministério Público, os sócios-proprietários da cervejaria assumiram o risco de produzir as bebidas alcoólicas adulteradas ao adquirirem monoetilenoglicol. Já os outros sete profissionais teriam agido com dolo eventual ao fabricarem o produto sabendo que poderia estar adulterado, na visão da promotoria.

A Três Lobos, responsável pela marca Backer, está autorizada, desde abril de 2022, a produzir cervejas no parque industrial da empresa em Belo Horizonte, local onde aconteceu a contaminação. Atualmente, as cervejas da Backer são facilmente encontradas em diversos bares da capital mineira.

Menu Degustação: Mapa da ciência cervejeira, encontro de motos…

Os últimos dias do mês de março contaram com diversas ações cervejeiras pelo país. Em uma delas, o Science of Beer deu o pontapé inicial para a segunda edição do Mapa da Pesquisa e Ciência Cervejeira, que busca reunir diferentes trabalhos sobre essa temática.

Em outra frente, essa envolvendo as competições cervejeiras, o European Beer Star abrirá suas inscrições a partir da próxima segunda-feira, enquanto o Brasil Beer Cup divulgou o edital da edição de 2023, com algumas novidades.

Entre os eventos mais focados no consumidor, um dos destaques é a exposição de Harley-Davidson na cervejaria Madalena, neste domingo (2), no ABC Paulista.

Leia também – Confira os lançamentos mais recentes das cervejarias artesanais

Confira essas e outras novidades cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Mapa da cena da ciência cervejeira
O Science of Beer está organizando um projeto de mapeamento da cena da ciência cervejeira no Brasil. O trabalho tem como objetivo conhecer e reunir pesquisadores, laboratórios e interessados em iniciar pesquisas no setor. O mapeamento ocorre de modo contínuo – não há um prazo para que os interessados preencham o formulário. A ideia é, com esse mapa, criar um canal para que pesquisadores possam discutir os caminhos para evoluir a ciência cervejeira no país, além de divulgar as pesquisas e projetos realizados e aproximar o público geral dessa temática. Podem participar os pesquisadores, cientistas e acadêmicos que estão desenvolvendo algum projeto científico na área da cerveja. Para isso, basta acessar o formulário da pesquisa e preencher seus dados. O primeiro relatório reuniu 43 pesquisadores de todo o Brasil.

Regulamento da Brasil Beer Cup
A Brasil Beer Cup, marcada para acontecer em agosto, em Florianópolis, divulgou o seu regulamento com algumas mudanças. Agora, as cervejarias ciganas e os brewpubs terão premiação própria como Cervejaria do Ano. A competição também subdividiu o estilo Catharina Sour em três grupos: Catharina Sour; Strong Catharina Sour; e Catharina Sour maturada em madeira. Outras novidades podem ser conferidas no edital. E as inscrições serão abertas em 20 de abril.

European Beer Star abre inscrições
O European Beer Star, uma das maiores competições cervejeiras do mundo, abrirá as suas inscrições na próxima segunda-feira (3). Os rótulos serão julgados por cerca de 130 especialistas internacionais, levando em conta critérios como aparência, aroma e sabor. Os vencedores serão anunciados em 29 de novembro, durante a BrauBeviale, em Nuremberg, na Alemanha.

Curso de sommelier online
O curso Sommelier Online do Science of Beer está com inscrições abertas. Serão 100 horas-aula, com 2 encontros semanais, online, no período noturno, de 9 de maio a 27 de julho. De acordo com os responsáveis, o curso foi projetado para ajudar os participantes a se tornarem especialistas em cervejas, aprendendo sobre os diferentes tipos, seu processo de fabricação, sua história, as principais escolas e como harmonizá-las com diferentes alimentos. O curso é ministrado por especialistas da indústria cervejeira e é composto por aulas em vídeo ao vivo, que ficam gravadas na plataforma do instituto, leituras complementares, quizzes e avaliações práticas.  O curso ainda conta com um kit com 40 cervejas e materiais exclusivos.

Encontro de motos
Uma exposição de Harley-Davidson, vários estilos de chope, gastronomia e rock n’ roll fazem parte da programação do próximo domingo (2) na cervejaria Madalena, em Santo André, no ABC Paulista. O evento começa às 9h, com exposição de Harleys carburadas e clássicas, com destaque para o modelo Panhead, além dos modelos mais novos. O Carburator Day celebra os 120 anos da Harley Davidson e os 75 anos do motor Panhead Harley. A casa conta com 25 torneiras e variados estilos de chope.

Circuito Beck’s de Arte e Design
A cerveja Beck’s criou o “Circuito Beck’s de Arte e Design” que teve início no fim de semana passado com uma série de opções culturais gratuitas. A iniciativa busca estimular as pessoas a viverem e descobrirem a cidade de São Paulo. Os eventos, galerias e exposições de arte acontecem até domingo (2).

Novo vice do Grupo Heineken
O Grupo Heineken anunciou a chegada de Hugo Lehmann para a posição de vice-presidente de vendas e distribuição. O executivo retorna à operação brasileira, onde trabalhou entre os anos de 2012 e 2019, para, conforme o grupo, sustentar o crescimento contínuo da empresa no país, manter a liderança da cervejaria na categoria premium e consolidar a estratégia de rota ao mercado. Lehmann junta-se ao Grupo Heineken a partir de abril, quando Rafael Andrade, atual vice-presidente de vendas e distribuição, deixa a cervejaria para assumir um novo desafio profissional. 

Prêmio para o Zé
O Zé Delivery foi eleito como uma das melhores empresas no atendimento aos consumidores no ranking Estadão Melhores Serviços, publicado no último domingo (26). O app de entrega de bebidas da Ambev ficou em segundo lugar na categoria Entrega/Mercados, atrás da Cornershop. A pesquisa teve 10 mil entrevistados e 62 mil avaliações, entre outubro e novembro de 2022. A avaliação mediu a experiência percebida pelo cliente, considerando como base conceitual para o selo características racionais e emocionais da marca na relação com consumidores.

APLCerva
O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) lançou o APLCerva, o Arranjo Produtivo Local de Máquinas, Equipamentos e Serviços Industriais para Cervejarias, cujo objetivo é desenvolver e apoiar a interação estratégica entre as empresas que oferecem soluções industriais em produtos e serviços à cadeia produtiva cervejeira, segundo Erick Gomes, presidente do Simespi. A criação do APLCerva é resultado de tratativas entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo da Prefeitura de Piracicaba, por meio do Hub Piracicaba e do Núcleo de Apoio à Gestão e Inovação.