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Entrevista: Por relevância, cervejas envelhecidas precisam de investimento

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O mercado brasileiro de cervejas envelhecidas tem apresentado avanço ao longo dos anos, mas só irá se destacar perante os demais se existir investimento contínuo e preocupação com a qualidade da madeira. O alerta foi feito, em entrevista ao Guia, por Rafael Aragão Gonzales, fundador da Tanoaria Espanha, uma empresa especializada em barris de carvalho.

Para ele, outros países, inclusive vizinhos da América do Sul, entenderam a importância de se investir para ter cervejas envelhecidas de alta qualidade. Assim, o Brasil corre o risco de perder, gradativamente, mercado para uma concorrência que já enxerga o potencial da utilização dos barris para envelhecimento de cerveja. Por isso, para quem deseja evitar esse cenário no futuro, será preciso investir, pois a qualidade é um fator indispensável para o êxito nesse nicho.

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Além disso, o fundador da Tanoria Espanha defende que uma marca entra em outro patamar quando começa a trabalhar com barris de madeira e consegue se destacar diante da concorrência. E Gonzalez também aponta que a cerveja de guarda gera lucro maior do que os rótulos mais convencionais.

A maturação em madeira aumenta muito o valor na imagem da cervejaria perante os clientes em comparação às cervejarias normais, que somente pensam em fazer o básico no inox.

Rafael Aragão Gonzales, fundador da Tanoaria Espanha

Leia a seguir a entrevista do fundador da Tanoaria Espanha ao Guia sobre o mercado brasileiro de cervejas envelhecidas:

Qual é o cenário do mercado brasileiro de cervejas envelhecidas?
Atualmente, estamos avançando em um patamar muito significativo no mercado no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Estes estados estão evoluindo na aquisição de barris de carvalho para maturação de cerveja de guarda e têm percebido que as barricas proporcionam sabores e aromas únicos, tornando as cervejas verdadeiramente especiais. Uma cervejaria entra em outro patamar quando começa a trabalhar com guarda em barris. A maturação em madeira aumenta muito o valor na imagem da cervejaria perante os clientes em comparação às cervejarias normais, que somente pensam em fazer o básico no inox.

E como está a demanda por cervejas envelhecidas?
O consumidor de cervejas especiais é sofisticado e quer provar iguarias com aromas e sabores únicos. Além da imagem, outro motivo para trabalhar com cerveja de guarda é o lucro. A demanda é enorme, exemplo disto é que não achamos estes rótulos nas prateleiras de supermercados e tão pouco em lojas especializadas em cervejas artesanais. Achamos estas cervejas exclusivamente em cervejarias que adquirem barris. Seus clientes ficam sabendo de cervejas maturando ali e já compram, independentemente do valor.

O que ainda precisa evoluir no mercado de cervejas envelhecidas?
O mercado ainda precisa evoluir muito quando comparado com países onde a explosão da produção de cerveja artesanal foi na mesma época do brasileiro, como os da América do Sul, que estão há anos já maturando cerveja em barris. Sem entrarmos nos méritos dos países europeus e da América do Norte onde quase em sua totalidade as cervejarias possuem parques de barris.

E quais seriam os caminhos para essa evolução?
O caminho é simples: precisamos que os empresários e investidores do setor cervejeiro invistam em madeira para elaborar cervejas especiais de guarda, ou vão perder mercado gradativamente pela concorrência nacional ou internacional que já enxergaram o grande nicho de mercado. Outra questão no empresariado brasileiro é querer comprar barris baratos sem procedência e maturar cerveja pensando que os barris são todos iguais. Se não quiser investir no preço justo praticado no mercado de barricas de qualidade, melhor nem entrar neste segmento. O empresariado visa pagar barato nos cascos, esperando obter cervejas com alta qualidade e altos lucros, mas isto não existe.

Quais são as tendências em envelhecimento de cervejas? O que podemos esperar para este ano?
A tendência em envelhecimento de cerveja é o que vem sendo aperfeiçoada por séculos em vários mosteiros na Europa. E o que vemos no mercado atualmente é a aquisição por cervejarias de diversos tipos de barris de carvalho europeus e americanos, utilizados anteriormente por destilados e vinhos para a elaboração de blends de cervejas únicas.

O que a Tanoaria Espanha vai oferecer de novo em 2022?
A Tanoaria Espanha continuará a oferecer barris de carvalho americanos e europeus (franceses) de 1º uso, como: barris utilizados anteriormente por vinho licoroso fortificado (Porto), barris utilizados por malte de uísque e malte de uísque Turfado, barricas utilizadas anteriormente por vinho branco Chardonnay, barris utilizados anteriormente por aguardente de melado, barris de primeiro uso cristalizados por Maple Syrup e barricas utilizadas por vinho tinto para cerveja Sour.

Inflação causa mais troca de cerveja do que reduz consumo, aponta Kantar

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Em um cenário de inflação elevada, a cerveja esteve entre os itens de consumo do brasileiro que encareceram de maneira relevante ao longo de 2021. Mas mais do que diminuir o consumo do produto, essa alta nos preços levou as pessoas a realizarem uma substituição: trocaram o produto premium, que vinha em alta no período pré-pandemia, pelos rótulos de cerveja mainstream, de acordo com avaliação apresentada ao Guia pelo gerente sênior de consumo fora do lar da Kantar, Hudson Romano.

O cenário se tornou mais perceptível após a divulgação de uma recente pesquisa da consultoria, a Consumers Insights 2021, que aponta o impacto do afrouxamento ou mesmo do fim das medidas restritivas impostas durante a pandemia do coronavírus, algo que se tornou mais notório ao longo do terceiro trimestre do ano passado.

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“A inflação de cerveja impacta o volume, mas não da forma que as pessoas acreditam. Não é que o volume acabe caindo devido à alta do preço. A gente tem uma questão da diminuição da frequência, as pessoas deixam de consumir na mesma frequência por um motivo de alta de preço, mas o principal impacto da inflação foi a troca do produto”, ressalta o gerente da Kantar.

Assim, muitos consumidores começaram a comprar rótulos mais baratos no lugar de outros que eles adquiriam e passaram a pesar nos bolsos. “Antes da pandemia, as pessoas estavam migrando para um mercado mais premium, de cervejas como Heineken, Estrella Galicia, Beck’s e outras premium. Porém, com o aumento da inflação, o mercado das cervejas mainstream volta a ganhar relevância. Então, quando a gente olha o preço médio que os consumidores falam que gastam, a gente não vê uma inflação, mas uma deflação. É a troca do produto: eles deixam de consumir um produto mais caro para consumirem um mais barato. Por conta disso, a gente nota que a inflação influenciou, sim, o hábito do consumidor”, acrescenta.

Por isso, o profissional da Kantar não aponta a inflação como principal vilão da queda do consumo de cerveja no Brasil. Embora a pesquisa destaque que o consumo fora de casa voltou a crescer a partir do 3º trimestre de 2021, a frequência de ida das pessoas às ruas para praticar este hábito está em queda. E isso principalmente por precaução, para evitar a contaminação pelo coronavírus.

“Esse é o principal vilão do mercado de cervejas hoje no Brasil, porque quando a gente olha a penetração total de cervejas e quantos consumidores estão consumindo cerveja hoje, no Q3 (terceiro trimestre) de 2021, a gente chegou em um patamar histórico”, afirma o gerente da Kantar.

Assim, essa redução da frequência da ida a bares e restaurantes teve maior impacto sobre o volume de cervejas vendidas do que o aumento no número de consumidores de cerveja, uma informação detectada na pesquisa da consultoria.

“Nós tivemos, do Q3 (terceiro trimestre) de 2020 para o Q3 de 2021, um acréscimo de 6 milhões de consumidores consumindo cerveja. Porém, houve uma queda de quase metade, de quase 50%, em sua frequência. Então, mesmo que a gente tenha um recorde de consumidores totais, a gente nota que cada vez mais as pessoas deixam de consumir”, explica Romano.

Esta pesquisa da Kantar apontou que as mulheres das classes A e B, de 40 a 49 anos, foram as maiores responsáveis pelo crescimento de 27% do número consumidores de cerveja no terceiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2019, quando ainda não havia começado a pandemia da Covid-19. Ao mesmo tempo, homens desta mesma faixa etária e classe social estão reduzindo os seus índices de participação de consumo deste produto.

“Essa diminuição de frequência vem desde um problema da preocupação com o coronavírus até, também, um aumento de preço. Então, quando a gente fala do ‘share of pocket’, que é quanto o consumidor pode gastar no seu dia a dia com produtos, a gente nota que cada vez mais a cerveja vem sendo um produto que está sendo substituído por alimentos”, afirma o especialista.

Queda do delivery
A Kantar constatou que as vendas por delivery da cerveja começaram a cair a partir de meados de abril, em um reflexo claro da reabertura de bares, restaurantes e da flexibilização gradual das normas de combate à pandemia do coronavírus.

O gerente sênior de consumo fora do lar da Kantar apontou que nos primeiros três meses do ano passado este mercado de consumo de cerveja por meio das entregas em domicílio se manteve forte como em 2020, quando desfrutou do seu auge. Depois, porém, este produto deixou de se tornar um dos principais alvos dos brasileiros via delivery.

“As pessoas começam a voltar a consumir com mais indulgência, mas a cerveja realmente perde esse consumo, não se mantém. Essa é a nossa visão, a nossa base (de comparação de dados para a pesquisa) é relativamente nova, de janeiro de 2021, mas a gente vê que a cerveja não se sustentou no delivery”, analisa Romano.

O especialista também enfatizou ao Guia que o consumidor de cerveja está se tornando cada vez mais “eco actives”, que são pessoas com algum grau de preocupação com as questões ecológicas. Algo que, em sua visão, deve influenciar nas estratégias das marcas. “No caso específico da cerveja, um dos pontos a serem discutidos pela indústria é continuar investindo em produtos com embalagens retornáveis”, indica.

Especial rotulagem: Como evitar erros e otimizar o processo com boas práticas

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Elemento comunicador entre o produto e o seu comprador, o rótulo de uma cerveja é uma identificação que deve ser finalizada somente depois de obedecer a exigências e padrões que contam para o sucesso e regularização de uma marca. Para isso, além da própria qualidade do que está oferecendo ao público, o fabricante que espera alcançar êxito precisa saber quais são as boas práticas no processo de rotulagem e como otimizá-lo.

Na terceira matéria da série especial sobre rotulagem produzida pelo Guia, especialistas deram dicas sobre como cumprir essa missão. A atenção máxima aos detalhes é fundamental, pois por eles trafegam a linha tênue entre a confiabilidade do consumidor exigente e a desconfiança que muitas vezes significará a devolução de um recipiente na prateleira após ter sido apanhado.

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Regina Sugayama, mestre em Biologia e Genética e doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), com mais de 30 anos de experiência em pesquisa e consultoria em agricultura e alimentos, elegeu cinco pontos que considera capitais ao destacar para o cumprimento de boas práticas ao rotular uma cerveja.

“Não questione, obedeça; instrua o seu designer sobre a importância das normas; na dúvida, não faça; não copie informações de rótulos de terceiros; escreva somente aquilo que você é capaz de comprovar”, enumera, destacando como as boas práticas em rotulagem se tornam uma exigência diante da leis a cumprir.

“Desenvolver um rótulo para uma cerveja é um exercício de criatividade e planejamento, delimitado por uma série de normas. O problema é que são cerca de 20 órgãos, entre federais e estaduais: governo federal, Anvisa, MAPA, Inmetro, Conar, INPI…. Acaba virando uma sopa de letrinhas que pode ser bem difícil de engolir”, alerta a especialista. 

Regina ressalta o quão minuciosas e cuidadosas devem ser as boas práticas no processo de rotulagem ao lembrar de uma experiência na qual verificou mais de duas centenas de identificações a pedido de um profissional que é dono de uma empresa especializada em produzir variados tipos de identificações para latas, garrafas e growlers.

“Fiz em 2020 uma lista de verificação para rótulos de cervejas que tinha 263 itens. Em uma checagem de 19 rótulos de cervejas, a conformidade média foi de 56%, variando de 40 a 73%. Os erros mais comuns foram a ausência do dizer sobre o tempo em que o produto permanece adequado para consumo após abertura da garrafa ou lata, o local onde os dizeres sobre presença de alérgenos e glúten estavam dispostos, a ausência de número de registro no MAPA e a falta dos dizeres de advertência”, conta Regina, também citando um exemplo comum de advertência aos consumidores visto nos rótulos de marcas de cervejas para fazer um lembrete aos produtores deste tipo de bebida. 

“A dica de ouro é: não questione, obedeça. Em Minas Gerais, por exemplo, existe uma lei que obriga que as indústrias de bebidas alcoólicas incluam o dizer ‘evite o consumo excessivo de álcool’. Não vale sob hipótese alguma escrever ‘beba com moderação’. Quer dizer exatamente a mesma coisa, mas é ilegal. Da mesma forma, a lei exige a inclusão do dizer ‘proibida a venda a menores de 18 anos’. Então, escrever ‘venda exclusiva a maiores de idade’ está também ilegal”, esclarece. 

Não copie, siga normas
A especialista ressalta que o produtor não deve se iludir com exemplos de grandes fabricantes de cerveja, que também podem cometer erros, mesmo que façam parte do grupo dos gigantes do setor ou já estejam consagrados.

“Não é porque o concorrente ou a marca referência de mercado fez que está certo. Elaborar seu rótulo com base em rótulos de terceiros pode ser uma grande furada. Se a legislação exige que se detalhe qual a espécie vegetal usada para obtenção do açúcar usado na cerveja, inclua essa informação escrevendo ‘açúcar de cana’ em vez de apenas ‘açúcar’”, receita, lembrando que o cuidado com as boas práticas em rotulagem deve ser reforçadas diante das regras que variam entre um país e outro.

“Importante: o que vale num país pode não valer no outro. Nos Estados Unidos, por exemplo, parece não haver preocupação quanto ao uso de imagens do universo infanto-juvenil em rotulagem de cerveja. Ou seja, não propague o erro alheio. Afinal, apesar do ditado popular dizer que uma mentira contada mil vezes vira verdade, um erro cometido mil vezes não se converte em acerto. Pelo menos, não em rotulagem”, completa Regina.

“Escreva somente o que você tem como comprovar”
Nos rótulos de cervejas é comum e necessário a exibição de informações importantes que podem ser úteis, por exemplo, a uma pessoa que é alérgica a um determinado ingrediente da bebida. Até por isso, o fabricante de um produto precisa ter certeza de que o mesmo contém o que foi descrito na sua composição, ainda mais que um consumidor afetado pela ineficiência deste processo poderá desafiá-lo a provar a veracidade das informações ou até processá-lo se avaliar ter sido prejudicado após ingeri-lo.

“No caso de uma notificação pelo órgão fiscalizador, você poderá ser solicitado a comprovar a veracidade do que está declarado no rótulo. E então você se lembra que em momento algum realizou um teste de laboratório para confirmar a graduação alcoólica ou a ausência de um alérgeno, como glúten, por exemplo”, alerta. “Fica aqui uma dica: somente escreva aquilo que você tem como provar”, ressalta Regina, também lembrando que as legislações passam por atualizações constantes.

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“E, para dificultar ainda mais, outra dica: esses instrumentos legais e normativos passam por revisões e alterações. Ou seja, o que está em conformidade hoje pode deixar de estar no ano que vem. Fique de olho no Diário Oficial e nas revistas/canais”, acrescenta a especialista.

“As leis estão acima da arte”
No processo de rotulagem de uma cerveja, o trabalho do designer, responsável por tornar mais atraente e sedutor o visual de uma marca, é muito importante. Entretanto, Regina pondera que este profissional deve ser orientado pelo fabricante a executar o seu trabalho seguindo normas que precisam ser obedecidas, independentemente da sua criatividade e seus dotes artísticos.

Ao contratar o designer que vai criar o layout do rótulo, vale explicar que existem leis e que elas estão acima da arte. Não pode, por exemplo, usar imagens de crianças e adolescentes, recursos gráficos pertencentes ao universo infanto-juvenil, nem ter apelo à sensualidade ou sugerir que a ingestão do produto vai tornar a pessoa mais corajosa, bem-sucedida ou sedutora. É claro que esses conceitos têm um grande componente de subjetividade, mas se eu puder dar outra dica, é: na dúvida, não faça.

Regina Sugayama, profissional com mais de 30 anos de atuação em pesquisa e consultoria em agricultura e alimentos

Prova da impressão
Sócio-fundador da empresa de rotulagem Label Sonic, Bruno Lage dá conselhos de como otimizar o processo, lembrando que isso poderá garantir ao produtor uma redução de gastos. Para isso, destaca que, antes de autorizar a impressão dos rótulos, é preciso analisar um primeiro teste para depois não se arrepender do resultado.

“Em termos de boas práticas, é fundamental a gente fazer uma prova impressa no mesmo material, acabamento e corte do material que ele pretende colocar no mercado. Com uma prova real, você consegue fazer um protótipo e apresentar para clientes, influenciadores etc. Você consegue acertar melhor o rótulo antes de colocá-lo no mercado”, ressalta Lage.

O profissional da Label Sonic também lembra que há várias estratégias para diferenciar um produto em relação aos demais. “Você pode usar efeitos metalizados, corte especial, pode fazer medidas diferentes. Qual é a prática do rótulo da lata? Cobrir o máximo da área da lata. Mas você pode usar de forma menor. Formatos menores podem ser um diferencial na comunicação e representam uma grande economia”, completa.

Lage também recorda que hoje é possível imprimir rótulos de diferentes maneiras, assim como o fabricante pode desfrutar de recursos tecnológicos que anteriormente não existiam e agora lhe proporcionam economia.

Leia também – Especial rotulagem: Entenda a importância da aplicação em embalagens de cerveja

“Outra forma de boas práticas em rotulagem é ver como você faz a aplicação, podendo ser manualmente e com rotuladora. E você não precisa fazer grandes tiragens com a tecnologia disponível. Você faz uma quantidade menor e depois pode fazer uma grande quantidade de rótulos. Antes isso não era possível para se fazer um rótulo de qualidade”, lembra o profissional.

O desafio da linguagem
Gabriel Lopes, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Design (Abedesign), também falou ao Guia sobre as boas práticas para a rotulagem e como otimizar esse processo. E o profissional, que é formado em Design, com especialização em embalagens, inteligência artificial e ciência de dados pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, ressaltou a importância de uma marca conseguir se conectar de maneira eficiente com quem é um potencial comprador de uma cerveja.

“Do ponto de vista do design, existe sempre um grande desafio, que é uma busca pela linguagem atualizada para comunicação com seu público pautado nos desejos do seu consumidor”, ressalta Lopes, que resgatou um conceito famoso no universo do design para ilustrar a sua opinião.

“O desafio não está exatamente no desenho ou na expressão, mas sim no processo de decodificação e compreensão do Zeitgeist (palavra em alemão que significa espírito de época) do consumidor”, reforça o profissional, se referindo às características dos compradores de um produto ao longo do tempo.

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Ou seja, não basta ser bom. O produto também precisa se tornar uma lembrança marcante no imaginário do consumidor. Até porque, em muitas ocasiões, o histórico pesa muito na hora das escolhas de um comprador.

Êxito local e autenticidade, as chaves do sucesso para o cofundador da Stone Brewing

Considerado um dos maiores ícones do mercado de artesanais, o norte-americano Greg Koch, executivo e cofundador da Stone Brewing, apontou a necessidade de as artesanais valorizarem o mercado local como um ponto-chave para o êxito das marcas no segmento, assim como a autenticidade.

A avaliação foi apresentada durante evento online promovido pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) para os seus associados. Nela, Koch, que fundou a Stone Brewing em 1996, passou por pontos de sucesso da trajetória da sua marca, considerada uma das mais prestigiosas do setor.

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Para ele, as cervejarias não devem seguir modismos para a produção de rótulos, optando por estilos que mais se adequem ao seu perfil, independentemente daqueles que estejam em voga no segmento. E alertou ser preciso valorizar primeiro o mercado local, antes de se alçar voos mais altos.

O conselho vale, também, para o mercado nacional na esteira do reconhecimento da Catharina Sour pelo BJCP em seu guia de estilos. Em sua visão, as cervejarias do país precisam atingir um nível de excelência com esse tipo de estilo internamente antes de ele se tornar um “produto de exportação”.

O próprio Koch, apesar do êxito obtido com a Stone Brewing, hoje considerada a nona maior cervejaria artesanal dos Estados Unidos em meio a um universo de mais de 9 mil concorrentes do setor no país, fracassou na década passada ao lançar uma unidade de sua fábrica em Berlim, na Alemanha. A operação da empresa, iniciada em 2016, acabou sendo vendida já em abril de 2019 para a BrewDog.

“Você sabe que, além de estarem muito conectadas com o seu mercado local, algumas cervejarias tentam ir longe demais. Temos alguns exemplos e eu mesmo tentei ir longe demais e não deu certo. E você sabe que os cervejeiros estão sempre tentando encontrar o limite e onde podemos estar. Mas certifique-se primeiro de que você tenha um negócio sólido”, alerta Koch, que triunfou nos Estados Unidos após inicialmente começar a apostar no lançamento de cervejas extremas, aromáticas, consideradas “mais agressivas”, como ele mesmo definiu durante o evento.

Sob direção de Giba Tarantino, que assumiu a presidência da Abracerva em dezembro, a associação organizou o segundo evento com a participação de um personagem de peso dos Estados Unidos no setor das cervejas artesanais – o primeiro havia sido com Bob Pease, presidente e diretor executivo da Brewers Association, órgão representativo mais importante da classe no território norte-americano.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista coletiva com o ícone da cerveja artesanal e grande fã de rock and roll, estilo musical citado por ele ao compará-lo com tendências do seu setor. Não à toa, em 2019, a Stone Brewing produziu uma marca de cervejas lançada pelo Metallica.

Mercado brasileiro de cervejas artesanais
“Já se passaram nove anos desde a última vez que eu tive a oportunidade de visitar o Brasil. Então, você sabe, não estou totalmente atualizado sobre o assunto, mas fiquei muito feliz de saber, pelo Giba, que hoje existem 1.200 cervejarias no Brasil. E eu acho que esse é um movimento que vai continuar crescendo, com base na qualidade das cervejas que eu tomei na minha visita, que eu achei maravilhosas”.

Novas IPAs
“Acho que as IPAs hoje são tão sólidas quanto o rock and roll. E assim como no rock and roll, há muitos sub-estilos e às vezes eles crescem em popularidade, mas alguns declinam, assim como tendências vêm e vão. A Milkshake IPA é uma tendência e se fala muito sobre isso, mas eles existem ainda em volumes muito pequenos. A West Coast IPA ainda é o estilo dominante e continuará sendo mais consistente no futuro, mas isso nem sempre é o que as pessoas vão falar porque essa não é a coisa mais nova, e as pessoas adoram falar sobre a coisa mais nova”.

Como o Brasil pode se tornar relevante no setor

Os cervejeiros artesanais são mais fortes quando seguem as suas próprias inspirações e trazem os estilos de cerveja que mais desejam, em vez de serem liderados pelo mercado, pelos consumidores dizendo o que querem, porque nem sempre eles olham para você para saber o que beber e para mostrar no que estão mais interessados

Greg Koch, executivo e cofundador da Stone Brewing

“Você sabe que, além de estarem muito conectadas com o seu mercado local, algumas cervejarias tentam ir longe demais. Temos alguns exemplos disso. Eu mesmo tentei ir longe demais e não deu certo. Os cervejeiros estão sempre tentando encontrar o limite e até onde podem estar, mas certifique-se primeiro de que você precisa ter um negócio sólido”.

A trilha para o sucesso
“Em 1987, eu tive a minha primeira experiência real com cerveja artesanal, quando aprendi que cerveja pode ser algo além do que é a cerveja industrial. Fiquei muito chocado e empolgado, e isso iniciou a minha jornada de quase dez anos até começarmos com a Stone Brewing. Foi um processo de aprendizado longo porque a cerveja artesanal não era algo que as pessoas conhecessem. E comecei a aprender mais e mais sobre cerveja artesanal com o meu sócio Steve Wagner (atual presidente da Stone Brewing) em 1996. Naquela época havia cerca de 15 cervejarias já em San Diego, sendo que a maioria delas eram brewpubs, e começamos sem pubs e com estilos de cervejas mais agressivas, mais aromáticas e definitivamente mais lupuladas do que as cervejas que haviam na época. E assim nós ajudamos a criar o estilo West Coast IPA”.

Reconhecimento da Catharina Sour pelo BJCP
“Acho que isso pode ser muito importante, mas primeiro esse estilo precisa ser valorizado pelas pessoas no Brasil. A cachaça é muito importante no Brasil, é claro, mas não é uma bebida muito conhecida nos Estados Unidos. Porém, você sabe o que é um pisco. E ter algo se tornando internacionalmente famoso e associado ao seu país é uma coisa realmente muito importante, que pessoas ao redor do mundo poderão reconhecer. Mas primeiro foque em algo que você conhece, tornando-a importante no Brasil, e depois você deve esperar que possa espalhar a sua reputação. Eu sei que a Itália está tentando isso com a Grape IPA, para citar apenas um exemplo, e isso é muito parecido com o que fizemos com a West Coast IPA nos Estados Unidos”.

Redução das emissões de gás carbônico
“Fazemos muitas coisas. Estamos trabalhando muito duro com as embalagens, trabalhamos com energia solar em nossos prédios, obtivemos a certificação de carbono zero para algumas de nossas cervejarias, trabalhamos com orgânicos em um restaurante… Então trabalhamos duro para fazer o nosso melhor. Como estamos no sul da Califórnia, em San Diego, que é um lugar muito seco, trabalhamos duro na redução do uso de água”.

Brasil amplia exportação da cerveja para US$ 131,5 milhões em um ano

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Concentrada na América do Sul, especialmente no Paraguai, a exportação brasileira de cerveja de malte, incluindo Ale, Stout e Porter, gerou receita de US$ 131,5 milhões no ano passado, de acordo com os dados do Sistema Integrado de Comércio Exterior, coletados pela reportagem do Guia.

Essa receita representou um incremento de quase 42% em relação aos US$ 92,8 milhões vendidos ao mercado externo em 2020. Um aumento provocado pela exportação de 241.117 toneladas de cerveja de malte ao longo de todo o ano passado.

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Os países da América do Sul lideraram a exportação de cerveja do Brasil no último ano, com destaque especial para o Paraguai com pagamento de US$ 89,2 milhões pelos embarques. Ele é seguido pela Bolívia, com US$ 15,8 milhões.

As outras três nações que compraram mais de US$ 1 milhão em cerveja do Brasil em 2021 também são sul-americanas: Chile (US$ 9,9 milhões), Uruguai (US$ 6,2 milhões) e Argentina (US$ 5,5 milhões). Em relação a 2020, o Chile saltou da 11ª posição, com apenas US$ 150 mil, para a terceira colocação, tirando o Equador do Top 5.

E as importações?
Já as importações de cerveja pelo Brasil em 2021 foram de US$ 15,8 milhões, um incremento de cerca de US$ 500 mil em relação ao ano anterior e de 3,3% em dispêndio. Foram, em volume, 18.406 toneladas compradas do exterior no ano passado.

A Bélgica foi o país do qual o Brasil mais importou cerveja em 2021, com um dispêndio de US$ 4,3 milhões. O país é seguido por Estados Unidos, com US$ 3,4 milhões, e Alemanha, com US$ 2,4 milhões. A relação das nações que o Brasil importou ao menos US$ 1 milhão em cerveja no ano passado é completada por Uruguai (US$ 1,7 milhão) e Peru (US$ 1 milhão).

Houve, assim, uma mudança no ranking de importação, que havia sido liderado pela Alemanha em 2020, com US$ 4,6 milhões, então seguida da Bélgica, com US$ 3,9 milhões. E o Peru, também em quinto lugar, só conseguiu superar a barreira do US$ 1 milhão no ano passado.

5 dicas para tornar os eventos cervejeiros ainda mais seguros

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O setor de eventos sempre trabalhou com a adoção de protocolos rígidos, mas, neste momento, a organização, a metodologia e a inovação com foco na biossegurança se tornaram ainda mais fundamentais para garantir a todos os participantes que eles estejam seguros, sobretudo em virtude do surgimento de novas variantes do coronavírus, como a altamente infecciosa Ômicron.

A preocupação com a alta dos casos da Covid-19 tem levado o setor a adotar, em alguns casos, o cancelamento e o adiamento de eventos. São os casos, por exemplo, do Festival Brasileiro da Cerveja e da Feira da Cerveja, que foram remarcados, recentemente, de março para maio, em Blumenau (SC).

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A situação, evidentemente, causa prejuízos financeiros e traz incertezas para um momento que deveria ser de retomada. Para frear o risco de contaminação e novos cancelamentos, os responsáveis pelos eventos cervejeiros devem reforçar a adoção de medidas que garantam que todos estejam seguros, como destaca, ao Guia, o CEO da M&P Facility Services, Michel Gervasoni. “Nesse sentido, as medidas sanitárias de prevenção e desinfecção nunca estiveram tão presentes e foram necessárias, sendo que devem levar em consideração principalmente a imunização”, afirma.

Por isso, ele destaca que os eventos presenciais precisam dar continuidade às ações que vinham sendo adotadas, como disponibilização de totens informativos sobre a Covid-19 e suas variantes, além de dispensers de álcool em gel, reforço da fiscalização e colocação de colaboradores à disposição dos visitantes.

Patricia Lopes, COO da M&P Facility Services lembra, inclusive, que o adiamento do Festival Brasileiro da Cerveja foi motivado por uma pesquisa que indicou pouca disposição da população a frequentar, nesse momento, espaços com grandes públicos. Assim, destaca que os eventos precisam passar ao público a sensação de que estão seguros.

“São eventos específicos que certamente replicam as orientações sanitárias vigentes. Assim, devemos considerar os receios dos visitantes ao nos depararmos com dados como os da Ablutec, com 84% dos pesquisados não dispostos a frequentar instalações ou recintos de exposição com mais de 20 mil pessoas”, observa.

Para eventos segmentados, como os organizados pelo setor cervejeiro, que costumam atrair empresas que oferecem diversas opções de degustação, Patricia destaca ser preciso estar atento quanto aos riscos de compartilhamento de copos. Assim, avalia que o uso de itens descartáveis precisa ser uma premissa básica.

“As dicas são sempre voltadas a repetir e propalar as medidas de distanciamento social seguro, higienização das mãos e ambientes compartilhados de forma coordenada, além da disponibilização dos insumos aos visitantes, sempre que possível, como álcool gel e máscaras descartáveis”, completa Patrícia

Confira a seguir as 5 dicas dos especialistas para tornar o seu evento mais seguro:

  • Eventos indoor devem investir na limpeza e manutenção dos filtros de ar-condicionado, bem como na assepsia dos ambientes compartilhados: elevadores, corrimões, pias, bebedouros e banheiros;
  • Check-in e documentos digitais são ótimas maneiras de evitar aglomerarações. Portar o passaporte da vacina é imprescindível a todos. É ideal ter hostess e access controller (de preferência bilíngues) munidos de informações para melhor orientar os visitantes;
  • O distanciamento social continua sendo observado e aplicado, com bombeiros civis e seguranças para orientar o passeio;
  • Uso de máscara e álcool em gel são os melhores aliados, sempre. É possível ter “safety angels staff” distribuindo máscaras descartáveis aos interessados na troca e descarte correto da máscara usada;
  • Saber que você é seu maior bem e precisa ser preservado salva vidas. Cuide-se que o outro se sentirá cuidado.

Menu Degustação: Mestre Cervejeiro da Eisenbahn, rótulo para Porto Alegre…

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Com uma série de atrativos, o mês de fevereiro entrou movimentado em sua segunda quinzena para os amantes de cerveja e profissionais que atuam na área no Brasil. Entre os principais destaques estão a abertura das inscrições para o concurso Eisenbahn Mestre Cervejeiro, que ocorre no aniversário de 20 anos da marca nascida em Blumenau (SC), e o início do preocesso para o lançamento de um rótulo coletivo comemorativo para celebrar os 250 anos de Porto Alegre.

A cervejaria Juan Caloto, por sua vez, ampliou a sua atuação no mercado de bebidas ao lançar uma marca de uísque própria. E no interior paulista, a Take and Go inaugurou, em Ribeirão Preto, uma cervejeira autônoma aberta que permite compras em grandes quantidades ao público geral.

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Confira estas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Rótulo dos 250 anos de Porto Alegre
A Associação Gaúcha de Microcervejarias e o Movimento Toda Cerveja, com apoio da Agrária Malte e da Prefeitura de Porto Alegre, vão celebrar os 250 anos da cidade com um lançamento coletivo de um rótulo comemorativo. As inscrições foram abertas para marcas independentes (não ligadas a um grupo comercial da bebida) que desejarem lançar uma Pale Ale para festejar a data.  Todas as informações para os participantes estão no site, sendo que o valor arrecadado com as adesões será revertido para instituições sociais. Os organizadores informaram que serão permitidos os estilos de cerveja American Pale Ales, Hazy, Juicy ou Session IPAs com identidade visual comemorativa em latas, garrafas e barris.

Novo embaixador da Campos do Jordão
A cerveja Campos do Jordão confirmou como novo embaixador da marca Matheus Aredes, mestre-cervejeiro e malteador formado pela VLB Berlim, sommelier de cervejas graduado pela IBD de Londres e mestre em estilos e avaliação sensorial pela Siebel Chicago. O profissional foi anunciado como responsável por novos rótulos que estão sendo produzidos de forma sazonal, com os estilos sendo Black IPA, o New England IPA, o Oatmeal Stout, o Session IPA e o Sour com Maracujá, esta última uma cerveja do tipo Catharina Sour.

Kit degustação da Mestre-Cervejeiro
A rede Mestre-Cervejeiro.com, franquia que conta com mais de 60 unidades espalhadas em todas as regiões do Brasil, anunciou o lançamento de um kit com seis estilos diferentes de cervejas. Com o intuito também de trazer conhecimento aos consumidores sobre as características de cada rótulo, o box conta com seis latas de 473ml, dos estilos Session IPA (com graduação alcoólica de 4,8%), West Coast IPA (6,6%), Imperial IPA (8,6%),  Double New England IPA (7,8%), Sour com Goiaba e Maracujá (5,2%) e Rye Lager (4,3%).

Juan Caloto lança marca de uísque
A cervejaria Juan Caloto acaba de lançar o seu primeiro destilado, que é um uísque feito com uma receita não envelhecida. Trata-se do Moonshine, uma bebida produzida em parceria com a destilaria Geest e que também é chamada de El Miraculoso Calibrador de Mira de Widowmaker Joe. A novidade passou a figurar como opção de consumo no bar Esconderijo, que fica em São Paulo e pertence à cervejaria. A bebida tem a sua temática inspirada no bandoleiro Juan Caloto e suas aventuras.

Rock na Cervejaria Madalena
O palco da Cervejaria Madalena, em São Paulo, recebe neste domingo a banda Queen Cover Oficial. Além de muita música, o evento terá cerveja premium, chope de vários estilos como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Double IPA, Weiss, Stout, Lager Light, entre outros, além de lanches preparados pelo Busguer. O evento tem início às 13h com show a partir das 16h. A entrada custa R$ 20.

Mais um Mestre Cervejeiro da Eisenbahn
No ano em que celebra o seu 20º aniversário, a Eisenbahn, vai realizar a 12ª edição do seu concurso Mestre Cervejeiro. As inscrições estão abertas e vão até 29 de abril, com o rótulo-tema do concurso sendo do estilo German Pils. A receita vencedora do concurso será produzida pela cervejaria e o criador da receita eleita a melhor ganhará um pacote de viagem para a Alemanha.  Para se inscrever no Mestre Cervejeiro da Eisenbahn é preciso enviar uma brassagem de German Pils para análise da equipe de sommeliers e mestres cervejeiros do Instituto da Cerveja Brasil.

“O concurso é uma das principais competições cervejeiras do País, ajudando a profissionalizar o segmento. É uma oportunidade única para talentos que fabricam cervejas artesanais conseguirem assinar um rótulo de marca nacional. Por isso, a Eisenbahn se orgulha de todas as pessoas que fizeram parte do concurso e da história da marca, firmando os vinte anos de sua existência e fortalecendo a construção da cena cervejeira no Brasil”, afirma Karina Pugliesi, gerente de marketing da Eisenbahn, sobre o Mestre Cervejeiro.

Itaipava lança nova fase de campanha
A Itaipava acaba de lançar uma nova fase da campanha “A Cerveja de Todos os Verões”, que visa colocar o seu consumidor como protagonista da estação mais quente do ano e resgata histórias engraçadas vividas por pessoas reais nesta época. Com diversos temas, a campanha tenta reforçar o conceito “Todo mundo é verão” para promover a marca.

Patagonia patrocina reality de churrasqueiros
Com patrocínio da Patagonia, se iniciou no último sábado o reality show gastronômico “O Grande Assador”. Produzido pela rede de steak houses Bull Prime, a produção está sendo apresentada pelos seus criadores como o primeiro programa da TV brasileira que reúne competidores que, mesmo sem experiência prévia de fazer um churrasco, precisam buscar o ponto perfeito da carne ao assá-la. O programa, gravado no Capivari Eco Resort, em Campina Grande do Sul, no Paraná, terá jurados convidados e os chefs Ivo Lopes, Eva dos Santos e Lorena La Cava. Wanderlei Silva, estrela mundial das MMA, é um dos 12 participantes.

Acelerador de negócios na zona leste
Por meio da ZX Ventures, seu hub de parcerias e inovação, a Ambev lançou um programa para acelerar negócios de empreendedores de baixa renda da zona leste de São Paulo. Impulsionada por um financiamento da AB InBev Foundation e com auxílio da B2Mamy e da Gerando Falcões, a iniciativa selecionará negócios de destaque que receberão suporte financeiro de R$ 17 mil, além de treinamentos e mentoria sobre gestão, marketing digital e negócios. A Ambev investirá R$ 185 mil para ajudar empreendedores que serão selecionados ao longo do programa, chamado de Somar e cujas inscrições de participantes podem ser feitas no link.

PDVs sustentáveis
A Ambev anunciou que importou de Israel uma tecnologia que visa tornar materiais de pontos de venda mais sustentáveis e carbono negativo. Com a inovação, a marca poderá converter resíduos não-recicláveis e não-triados, como o remanescente de orgânicos, plásticos não-recicláveis, papel e papelão, em pallets que podem ser reinseridos no processo de fabricação de diferentes produtos e embalagens sustentáveis, como garrafeiras, mesas e cadeiras. Essa é uma tecnologia que foi patenteada pela UBQ Materials, empresa líder em matérias-primas e certificada pela Quantis como carbono negativo por conseguir eliminar mais CO2 do que emite.

Cervejeira autônoma em Ribeirão Preto
Em outra movimentação do cenário cervejeiro no interior paulista, a Take and Go inaugurou, em Ribeirão Preto, o que chamou de primeira cervejeira autônoma aberta ao público geral. De acordo com a marca, a iniciativa permite que uma pessoa possa adquirir até 300 garrafas geladas por 24 horas nos sete dias da semana sem que, para isso, precise de um intermediário para realizar a compra. Conhecido como vending cooler, este tipo de operação amplia as opções de atendimento da empresa, que já vinha comercializando os seus produtos em condomínios residenciais ou comerciais.

Premiação aberta ao público
Os organizadores do Concurso Brasileiro de Cervejas informaram que a cerimônia de premiação do evento, que comemora dez anos em 2022, será aberta ao público em geral no próximo dia 8, no espaço Don Concept Hall, em Blumenau (SC). O evento, que terá apresentações das bandas Laskeiras e Dazaranha, cobrará na entrada o passaporte vacinal contra a Covid-19 ou teste PCR feito até 48 horas antes. O concurso ocorrerá entre os dias 5 e 7 de março e teve recorde de inscritos, com 3.635 rótulos e 587 cervejarias do país.

Agência com foco em players do setor
A agência Work a Beer Marketing, criada por Aline Ferreira e Thalita Straub com o objetivo principal de atender de forma online a todo empreendimento relacionado à cerveja, promete ser uma boa alternativa para marcas que sofrem para alinhar seus conteúdos com suas respectivas agências de marketing. A Work a Beer oferece criação de artes para mídias e material impresso, gestão de redes sociais, criação e edição de vídeo, criação de conteúdo e elaboração de copywriting, planejamento e direcionamento de conteúdo, gestão de tráfego, elaboração de textos para blogs e assessoria de imprensa.

Wienbier expande portfólio com lançamento de duas Lagers

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A Wienbier decidiu reforçar o seu já extenso portfólio com o lançamento de duas cervejas do estilo Lager. A companhia apresentou, recentemente, ao mercado a Red Lager e a Real Lager, ampliando as opções disponíveis ao consumidor. Assim, agora passou a ter 14 rótulos à disposição do consumidor.

A ideia da Wienbier foi, além de diversificar o seu portfólio com esses lançamentos, conquistar novos paladares dos entusiastas do nicho das cervejas especiais. Uma ação estratégica para ampliar a relevância da marca dentro do segmento, que costuma ter, para especialistas, a Lager como uma das “portas de entrada”.

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“[Queremos] manter a Wienbier como marca líder do segmento de Cervejas Especiais devido ao grande número de rótulos”, destaca Rodrigo Beck, analista de marketing da NewAge.

A Wienbier 55 Red Lager é uma autêntica Lager. De acordo com a descrição divulgada pela NewAge, a bebida tem amargor marcante, mas com o sabor e aroma maltados. Já seus lúpulos provenientes da famosa região de Yakima Valley proporcionam aromas nobres a essa receita, segundo a companhia.

“Sua cor límpida e avermelhada, e corpo de média intensidade com uma leve nota de Toffe em seu aroma, são características provenientes de seus maltes especiais caramelo. Com uma graduação alcoólica de 5,0% possui um ótimo drinkability como as mais nobres Lager’s. Uma perfeita combinação e equilíbrio entre maltado e lúpulado para agradar a todos os paladares”, afirma Edison Nunes, gerente comercial da NewAge.

Já a Wienbier 55 Real Lager é uma German Lager. De acordo com a NewAge, foi produzida com lúpulos alemães da região de Hallertau. E possui, segundo a descrição divulgada, amargor intenso, com final suave, além de aromas que remetem a terroso e herbal.

“A aparência cristalina de cor dourada com corpo leve e equilibrado deixando um suave sabor maltado no final com seu teor alcoólico de 4,8%, são combinações que proporcionam a essa receita um excelente drinkability assim como as mais nobres receitas alemãs. Uma puro malte saborosa de perfeito equilíbrio que atende até os paladares mais exigentes”, propagandeia o gerente comercial.

Outras novidades
A diversificação da Wienbier, porém, não acontece apenas em estilos do seu portfólio, mas também em formatos. Afinal, ao mesmo tempo em que investe em duas Lagers, lançadas em latas de 350ml, tem como outro foco, em 2022, o mercado de chopes em growlers PET.

O investimento em growlers se dá, também, pela possibilidade de venda dos produtos em supermercados, além de permitir um aumento das margens de lucro e do faturamento da NewAge. Por isso, após lançar o chope Wienbier 55 do estilo Pilsen de 2 litros, o plano é oferecer mais estilos e opções ao longo deste ano.

 “Com a tecnologia que desenvolvemos, conseguimos um shelf life de 4 meses no produto. O consumidor vai poder degustar um chope de forma prática em casa sem necessidade de locar chopeira, cilindro de gás etc.”, relata Beck.

Irmãs de mosteiro em SC estudam para fazer cerveja e evidenciam tradição trapista

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Uma antiga tradição mundial de cervejas feitas por monges pode estar prestes a florescer em Santa Catarina. Por lá, Zulema Jacquelin Jofre Palma e Raquel Watzko, integrantes da Ordem Trapista de Boa Vista, em Rio Negrinho, realizam desde o ano passado cursos na Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM), a maior instituição de ensino cervejeiro da América Latina, localizada em Blumenau. As irmãs estudam com o objetivo de se tornarem produtoras de cerveja e consequentemente continuarem ajudando a sustentar o mosteiro onde vivem.

Caso consigam realizar o desejo de montar uma pequena fábrica, que seria instalada em Rio Negrinho, tendo o produto comercializado pelo convento local, as monjas se tornarão as primeiras irmãs trapistas a produzirem cerveja no Brasil. E o almejado feito também está servindo para colocar em evidência a tradição das cervejas feitas por monges, sendo que alguns destes rótulos estão entre os melhores do mundo.

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O Guia procurou Zulema e Raquel para saber mais sobre seus objetivos, mas as irmãs, reservadas e discretas pelo próprio estilo de vida que adotaram como monjas, preferiram ainda não conceder entrevista enquanto se preparam para transformar em realidade a iniciativa. Entretanto, o Guia conversou com Carlo Enrico Bressiani, diretor geral da ESCM, que abraçou o projeto das freiras e contou como teve o primeiro contato com elas, assim como revelou detalhes de como a sua escola vem ajudando a realizar o sonho cervejeiro das duas mulheres.

“A Cassia Koehler (professora) estava em uma excursão que passou pelo Mosteiro Trapista da Boa Vista, em Rio Negrinho, e conversou com as monjas. Lá, elas falaram que já fazem chocolates e geleias. E disseram que cogitavam a hipótese de começar a fazer cerveja. Como membros da Ordem Trapista, elas precisam trabalhar. E o fruto deste trabalho tem de sustentar o mosteiro. Então, a Cássia entrou em contato comigo e me perguntou se podia passar o meu telefone para elas”, lembra Bressiani,

Logo depois disso, o diretor da ESCM conversou com Liliana Schiano, a madre superiora do mosteiro em Rio Negrinho, que confirmou o interesse das irmãs em aprender sobre o processo de produção de cerveja. Seduzido pelo projeto, ele foi até o local para também encontrar Zulema e Raquel, que falaram sobre a ideia de montar uma cervejaria para fabricar a bebida em pequena escala.

“Eu expliquei que existia uma questão relacionada à Ordem Trapista, muito antiga, de produção de cerveja por eles (membros na congregação religiosa católica derivada da Ordem de Cister), incluindo alguns monastérios trapistas famosos”, recorda Bressiani, revelando também que este mosteiro catarinense tem recebido integrantes do Chimay, monastério da Bélgica cuja fábrica produz uma das principais cervejas trapistas do mundo.  “Ela (Liliana Schiano) falou que o pessoal do Chimay vem a cada dois anos fazer um retiro espiritual ali. Então já existe um contato mais firme, o que é extremamente interessante e até para uma parceria futura”, projeta o diretor da ESCM.

Depois deste primeiro contato com as integrantes do mosteiro em Rio Negrinho, a escola resolveu subsidiar cursos e cedeu um equipamento para que as irmãs trapistas pudessem dar os primeiros passos em busca de montar a estrutura para produção de cerveja.

“A gente conversou para bonificar o curso de produção de cerveja, primeiro caseira, à distância, para elas começarem, para depois avançar a outras formações. Elas fizeram o curso de cerveja caseira à distância, concluído no ano passado, e voltaram a conversar comigo. Elas estavam bem felizes com o curso, mas queriam algo mais prático, presencial, para ter um pouco mais de segurança. Então, a gente bonificou também o curso de cervejaria artesanal para elas nas férias, em janeiro, e resolvemos fazer a doação de uma panela elétrica, para que elas pudessem começar a produção”, revela Bressiani.

O diretor da ESCM ressalta que as irmãs trapistas estão caminhando aos poucos, antes de conseguirem, de fato, ter uma pequena cervejaria e comercializar o produto para gerar uma nova fonte de renda, que vai ajudar a sustentar o mosteiro em Rio Negrinho.

“Elas já tinham comprado geladeira e outras coisas. E já tinham mandado para mim lista de materiais que elas tinham visto em uma brew shop. A gente está fazendo esse meio-campo, intermediando e as ajudando com esse interesse de implementar uma pequena cervejaria. Por enquanto, vão fazer de forma caseira, alguns testes, aprender… Depois, elas têm a ideia de montar uma pequena cervejaria”, completa.

Resgate cultural
Bressiani qualifica como “extremamente importante” a iniciativa das monjas em Santa Catarina e destacou que o objetivo traçado por Zulema e Raquel evidencia a tradição das cervejarias da Ordem Trapista, sendo algumas delas integrantes de um seleto grupo reconhecido pela qualidade da bebida que produzem.

Dos 171 mosteiros trapistas do mundo, apenas 13 pertencem a comunidades cujas fábricas hoje possuem o selo de autenticidade concedido pela Associação Trapista Internacional nos rótulos das cervejas que produzem. São eles: Achel, Chimay, Rochenfort, Orval, Westmalle e Westyleteren (todos da Bélgica); La Trappe e Zundert (ambos da Holanda); Engelszell (Áustria), Spencer (Estados Unidos), Tre Fontane (Itália), Tynt Meadow (Inglaterra) e Mont-des-Cats (França).

“Historicamente é muito comum (a produção de cerveja por monges), mas eu acho muito legal essa questão de monjas do Brasil, da Ordem Trapista, começarem essa história. E, por serem mulheres, é mais legal ainda, a escola (ESCM) super apoia. A gente sempre teve essa questão da inclusão e da diversidade. E, neste caso, também é um resgate cultural”, enfatiza Bressiani.

O diretor afirmou que as monjas se adaptaram bem à rotina de estudantes na faculdade neste segundo curso que estão fazendo presencialmente. E isso ao mesmo tempo em que mantêm os hábitos exigidos pela vocação religiosa.

“Elas ficaram em locais onde têm monjas em Blumenau. Então, elas não estavam com o pessoal tomando cerveja nos bares, fora do horário do curso. Elas se retiram, têm voto de silêncio, têm todos os horários da Ordem (Trapista) a cumprir. O pessoal (alunos  do curso e professores) se deu muito bem com elas, que são muito simpáticas”, destaca Bressiani.

Quem são as irmãs trapistas cervejeiras?
Inspiradas no apoio de abades belgas que produzem cerveja e ajudaram a erguer o mosteiro em Rio Negrinho, cuja construção foi totalmente concluída apenas em 2017, as monjas Zulema e Raquel começaram a fazer cursos na ESCM depois de os representantes estrangeiros terem incentivado a instituição em Santa Catarina a produzir a bebida e comercializá-la para ajudar a sustentar o local.

Zulema é chilena e vive no Brasil há 12 anos. E está empolgada com a possibilidade de montar com Raquel uma cervejaria que ajudará a manter o mosteiro onde vive desde 2013. “Nós conhecemos e estudamos os mosteiros que produzem cerveja, mas não pensamos que seria possível nos envolvermos nesse projeto. Como gosto muito de estudar, estamos buscando conhecimento para evoluir e apoiar a nossa comunidade e outras comunidades no mundo”, ressalta a chilena, por meio de declarações divulgadas pela assessoria de imprensa da ESCM.

Raquel lembra que o fato de elas estarem estudando para montar uma cervejaria colabora para desmistificar opiniões de quem acha que as monjas têm uma vida feita somente por regras a cumprir. “Quero que, quando provem a nossa cerveja, as pessoas se conectem também com uma visão mais leve e feliz do que significa a nossa vocação religiosa, porque nós somos muito felizes vivendo desta forma”, diz. 

As irmãs trapistas se tornaram monjas que integram um mosteiro que é fruto de ações realizadas inicialmente por duas comunidades: a de Nossa Senhora de Quilvo, que visava ampliar a sua atuação para outros países, e a Novo Mundo, casa masculina trapista que desejava criar uma casa da mesma Ordem para as mulheres. E em 2010 as monjas chegaram em Rio Negrinho para a construção do mosteiro.

Chuva devasta Petrópolis e atinge operação de cervejarias; Como ajudar

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A forte tempestade que atingiu Petrópolis na última terça-feira (15) devastou a cidade, provocou mortes, desabrigou famílias e atingiu as cervejarias que atuam na região. Os números ainda estão sendo contabilizados – eram 105 mortes confirmadas até as 11 horas desta quinta (17) – , mas os estragos confirmam a noção de que o município, localizado na região serrana do Rio de Janeiro, precisará, novamente, se reconstruir em meio ao luto.

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a chuva em Petrópolis foi a maior na história da cidade desde que registros começaram a ser feitos. A tempestade, com seis horas de duração, teve um volume de 260mm, sendo que a maior parte dessa imensa quantidade de água – 230mm – atingiu a cidade em apenas três horas. Uma situação que levou a prefeitura a decretar estado de calamidade pública.

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As cenas foram assustadoras e traumatizantes, com corpos começando a aparecer assim que o nível da água baixou. Houve dezenas de deslizamentos de terra, uma delas, registrada em vídeo, com uma encosta destruindo casas e arrastando árvores e carros.  E uma das principais vias que dá acesso ao centro histórico de Petrópolis, desabou no rio Quitandinha.

A cidade de Petrópolis é um polo importante para as artesanais, abrigando dezenas de cervejarias, além de uma associação turística ligada ao setor, a Rota RJ. E diversas dessas cervejarias foram afetadas pelas chuvas. É o caso da Doutor Duranz, que além da fábrica, teve também o seu bar localizado em Corrêas, nas proximidades de Petrópolis, duramente impactado. Assim, seus estabelecimentos estão fechados para manutenção e limpeza.

As cervejarias Odin e Sampler também tiveram suas instalações alagadas e já trabalham na limpeza dos locais afetados pela trágica chuva em Petrópolis. Já o brewgarden da cervejaria Brewpoint também foi tomado pelas águas.

“A hora agora é de nos unirmos para ajudar essas cervejarias a se levantarem e com isso mergulhamos novamente na retomada do turismo da cidade, que é de extrema relevância para a cidade de Petrópolis”, afirma Ana Cláudia Pampillon, coordenadora da Rota RJ.

Algumas cervejarias da Rota RJ estão recebendo doações de materiais de limpeza, cestas básicas e itens de higiene para as vítimas das chuvas e os desabrigados. São os casos da Alpendorf e da Barão Bier em Nova Friburgo, da Mad Brew e da Kanton em Teresópolis, da Rota Imperial em Guapimirim, da Ambev de Cachoeiras de Macau, assim como a Da Corte, em Petrópolis.

Também são aceitas doações através do PIX da associação para pessoas de fora da região serrana. Nesse caso, a chave para a transferência é 21.436.518/0001-42. Moradores afirmam que o item mais essencial nesse momento é a água mineral, pois o abastecimento de água foi afetado pela tragédia em Petrópolis.

Repetição da tragédia
O surgimento da Rota RJ também se deu em um contexto parecido, de tragédia, em 2011, quando a região serrana do Rio de Janeiro foi atingida por uma das maiores catástrofes climáticas da história. Naquele ano, as fortes tempestades, com deslizamentos e enchentes, provocaram 918 mortes em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo.

Nos organizamos, nos juntamos e fizemos do turismo cervejeiro uma ferramenta para fomentar economicamente toda a região serrana que foi duramente afetada. Hoje, abraçamos Petrópolis, com o mesmo intuito de reerguer a cidade e suas cervejarias que nela estão instaladas e sofreram de alguma maneira

Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota RJ

A repetição da tragédia em Petrópolis apenas 11 depois também indica um problema: não são adotadas medidas para evitar que cenas devastadoras como essas da região serrana do Rio de Janeiro aconteçam novamente. No máximo se reconstrói a área afetada, continuando a se permitir a ocupação de regiões sob risco. E os desastres se tornam meros subprodutos do descaso.