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Inflação da cerveja acelera em fevereiro, mas fica abaixo de alta histórica do IPCA

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Assim como já havia ocorrido em janeiro, a cerveja fechou o mês de fevereiro com uma inflação menor do que a do índice oficial, o IPCA. De acordo com dados divulgados pelo IBGE, o item no domicílio ficou 0,93% mais caro. A alta do seu preço foi, assim, menor do que a inflação geral no mês passado, de 1,01%, a maior para o mês desde 2015. Também foi a mais elevada taxa mensal desde outubro de 2021.

Em janeiro, a cerveja registrou alta de 0,42%, frente ao IPCA de 0,54%. Desta forma, a bebida teve inflação mais elevada em fevereiro, ficando mais próxima do índice que contabiliza os valores de todos os produtos pesquisados pelo IBGE.

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Já a cerveja fora do domicílio, vendida em estabelecimentos com bares e restaurantes, teve aumento médio de 0,72% em fevereiro e ficou muito perto de repetir o índice de 0,74% de janeiro em sua variação mensal em relação a dezembro.

No primeiro bimestre de 2022, a cerveja no domicílio contabiliza inflação de 1,36%, também ficando abaixo do índice geral deste período inicial do ano, que foi de 1,56%. O mesmo acontece com o preço médio desta bebida consumida fora de casa, que subiu 1,46%.

O panorama com valores com índices abaixo do IPCA é observado ainda no período acumulado dos últimos 12 meses, com a cerveja tendo elevação de custo de 8,39% no domicílio e de 5,97% fora neste período, que registrou inflação geral de 10,54%.

O aumento dos preços da cerveja também é menor do que as altas constatadas para outras bebidas alcoólicas no domicílio na variação mensal e no acumulado do ano, que foram de, respectivamente, 1,46% e 6,75%. No intervalo dos últimos 12 meses, porém, a inflação deste item, de 4,86%, foi bem inferior ao índice de 8,39% para a cerveja no domicílio no período.

Os preços das outras bebidas alcoólicas fora do domicílio, registram deflação de 0,31% em fevereiro e de 1,48% ao longo de 12 meses. Já no acumulado do ano, os valores ficaram praticamente estagnados, com alta de apenas 0,19%.

Alimentos e bebidas acima do IPCA
O maior aumento dos preços da cerveja também reflete uma tendência de alta dos itens de alimentação e bebidas, cujo índice ficou acima do IPCA, em fevereiro. Este grupo registrou elevação de 1,28% em relação a janeiro, quando já havia apresentado salto de 1,11% no comparativo com dezembro.

O item alimentação e bebidas, entre todos os grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, foi o segundo com maior variação mensal, ficando atrás apenas do tópico educação, que teve um alta significativa, de 5,61%.

“Em fevereiro, são incorporados no IPCA os reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo. Com isso, esse foi o grupo que teve o maior impacto no mês, contribuindo com 0,31 ponto percentual. O outro grupo que pesou bastante no mês foi o de alimentação e bebidas, que acelerou para 1,28% e contribuiu com 0,27 ponto percentual. Juntos, os dois grupos representaram cerca de 57% do IPCA de fevereiro”, ressalta o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

No acumulado do ano, a inflação dos alimentos e bebidas fica em 2,41%. Está acima, portanto, do IPCA deste período, de 1,56%. É o contrário do que ocorre com os números que englobam a evolução dos preços nos últimos 12 meses, com uma alta de 9,12%, abaixo dos 10,54% do IPCA deste ciclo.

O órgão também enfatiza que o grupo de alimentação e bebidas vem registrando altas sucessivas desde o início da atual série histórica, em janeiro de 2020. A única exceção neste período de pouco mais de dois anos ocorreu em novembro de 2021, quando o item teve deflação de 0,04%.

Balcão do Profano Graal: As mulheres na história da cerveja

Balcão do Profano Graal: As mulheres na história da cerveja

Um capítulo da história da cerveja que nós raramente encontramos em algum livro ou apostila é aquele sobre o importante papel desempenhado pelas mulheres na produção, comércio e consumo. Então, que tal aproveitarmos esse mês de março, em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher (08/03), para conversarmos um pouco sobre o assunto?

Desde a Antiguidade, as mulheres desempenham papel fundamental na produção da cerveja. Acredita-se que a fermentação foi descoberta por acaso, há cerca de 14 mil anos. E uma vez que as mulheres eram as responsáveis pelas “tarefas domésticas”, como preparar a comida, muito provavelmente essa descoberta foi feita por uma delas.

O papel das mulheres nesse processo é representado pela existência de deusas da cerveja (que, geralmente, eram também deusas da agricultura, da colheita e da fertilidade) na mitologia de todas as grandes civilizações antigas: Ninkasi na Mesopotâmia, Hathor no Egito, Deméter ou Ceres na Grécia e em Roma. De quem, aliás, o nosso líquido sagrado tira o seu nome em latim: cerevisiae.

Ao longo dos séculos, enquanto a produção de cerveja se manteve como uma tarefa doméstica, ela foi responsabilidade das mulheres. Na cultura dos povos nórdicos da Idade Média, conhecidos mais popularmente como vikings, a elaboração das bebidas era uma tarefa feminina e as mulheres se responsabilizavam por todo o processo e deviam cuidar para que as despensas estivessem sempre bem abastecidas de ingredientes tanto para a elaboração da bebida de todos os dias como para as festas.

A rainha era responsável por portar a taça de bebida simbolizando os laços de fidelidade entre os guerreiros. Esta cerimônia da rainha servindo a bebida é parte de um ritual que confirma o governo do rei e cimenta a ordem social dos seus seguidores. A ordem em que cada um é servido mostra a hierarquia entre os participantes, com o rei vindo primeiro, depois os homens de classe mais alta e, finalmente, os mais jovens. A figura da rainha ou princesa poderia inclusive substituir o rei ou líder ausente no banquete.

Não podemos esquecer também que devemos a uma mulher a popularização do lúpulo na produção de cerveja: a monja beneditina Hildegard von Bingen (1098-1179), mestra do mosteiro de Rupertsberg na cidade de Bingen am Rhein, na Alemanha. Que, no seu tratado de medicina naturalista intitulado Livro das sutilezas das várias naturezas da criação (Liber subtilitatum diversarum naturarum creaturarum, no original em latim), escrito entre 1151 e 1158, afirma que o lúpulo seria um eficiente conservante natural para bebidas: “O lúpulo é quente e seco, tem umidade moderada e não é muito útil para beneficiar o homem, porque faz crescer a melancolia no homem, entristece a sua alma e oprime seus órgãos internos. Mas também, como resultado do seu amargor, ele mantém algumas putrefações fora das bebidas, às quais pode ser adicionado para que durem muito mais tempo”.

A historiadora norte-americana Judith Bennett é autora de uma extensa pesquisa sobre as mulheres no mercado da cerveja na Inglaterra na passagem da Idade Média para a Idade Moderna (entre 1300 e 1600): as famosas ale-wives. Ela afirma que os registros públicos no período pré-Peste Negra (1348-1350) mostram a fabricação de cerveja como uma profissão exclusivamente feminina. Fabricar e vender cervejas permitia que as mulheres trabalhassem e obtivessem seu autossustento, lhes concedendo algum grau de independência com relação aos homens. Isso em um período histórico no qual elas eram impedidas de tomar a maior parte das decisões sobre a sua própria vida.

O trabalho da maioria das mulheres no período medieval tardio era de baixa qualificação, baixo status e baixo lucro. Comparativamente, as cervejeiras não-casadas (solteiras ou viúvas) viviam de forma mais independente e tinham um padrão de vida mais alto comparados a outras mulheres medievais com o mesmo estado civil.

Porém, após a Peste Negra (que dizimou quase metade da população europeia), a sociedade medieval passou por muitas mudanças que tiveram efeitos significativos no comércio de cerveja: consolidação dos mercados urbanos, aumento dos padrões de vida, maior acesso ao capital, acesso mais barato aos grãos, maior demanda por cerveja como alimento básico da dieta e centralização e crescente popularidade das alehouses. Se, por um lado, essas mudanças teriam ajudado no desenvolvimento do negócio dessas mulheres, por outro, o mercado cervejeiro também se tornou maduro para um maior investimento de capital em insumos, equipamentos e mão-de-obra. E, como explica a autora, eram os homens que tinham os recursos legais, sociais, culturais e, principalmente, capital para comandar uma indústria em rápido processo de capitalização: “devido a essas mudanças, o mercado de cerveja se transformou de uma indústria dominada por mulheres casadas e não casadas, cervejeiras ocasionais, em um comércio profissionalizado e governado por homens”. (BENNETT, 1996, p. 168)

Como resultado, após as mudanças do setor após a Peste Negra, as alewives no final dos séculos XIV e XV enfrentaram um de dois destinos: maior lucro ou marginalização no comércio. As mulheres que conseguiam permanecer no comércio de cerveja eram geralmente casadas, viúvas ou tinham acesso incomum a dinheiro e capital para uma artesã. Seu casamento garantia o acesso aos recursos e investimentos necessários para se manter no mercado. Com a saída da maioria das mulheres não casadas do comércio de cerveja, a produção independente de todas elas tornou-se menos aceita e as cervejeiras casadas também se tornaram menos independentes de seus maridos.

As demais mulheres envolvidas no comércio de cerveja (cervejeiras ocasionais) perderam a facilidade de entrada no mercado e a estabilidade econômica que encontravam anteriormente e ou encontraram outros negócios ou métodos de autossustento (casamento, prostituição etc.) ou permaneceram no comércio de cerveja empregadas por cervejeiros do sexo masculino. No século XVI, as guildas também centralizaram e regulamentaram a fabricação de cerveja mais fortemente, contribuindo para o declínio das mulheres no comércio de cerveja.

Por fim, não podemos deixar de comentar que o imaginário cristão medieval estigmatizava essas mulheres que traficavam com ervas e caldeirões e que conheciam receitas por meio das quais produziam, quase que por magia (note-se que, naquela época, nada se conhecia sobre os processos de fermentação), uma bebida que entorpecia os homens, deixando-os vulneráveis. Some a isso o fato de que algumas comerciantes de cerveja caminhavam nas feiras medievais com chapéus pontudos para serem reconhecidas; enquanto outras colocavam uma vassoura do lado de fora da própria casa como sinal para avisar que a cerveja estava pronta. Por último, mas não menos importante, nas casas onde havia estoques de cereais, geralmente havia também um gato, para proteger os cereais do ataque de ratos. Esses símbolos propiciaram a associação entre a fabricação de cerveja e a bruxaria, dando pretexto para uma verdadeira caça às bruxas. 

Judith Bennett afirma que as mulheres cervejeiras se tornaram um bode expiatório para todos os vícios que o mundo medieval temia da produção de álcool. As mulheres que trabalhavam na fabricação e venda de cerveja foram acusadas de serem desobedientes a seus maridos, sexualmente desviantes, e de frequentemente enganarem seus clientes com cerveja diluída e preços mais altos. Seja como sexualmente promíscuas ou empregadoras de prostitutas, as alewives eram frequentemente associadas a comportamentos pecaminosos. A cidade de Chester chegou a promulgar uma lei, em 1540, que ordenava que nenhuma mulher entre 14 e 40 anos pudesse vender cerveja, na esperança de limitar o comércio apenas a aquelas acima ou abaixo de uma idade sexualmente ativa.

Esse longo processo acabou por marginalizar as mulheres na produção, comercialização e consumo da cerveja. Roubou, assim, o papel de protagonistas que mantinham desde a Antiguidade. Até que, já no século XX, o desenvolvimento da publicidade transformou-as de produtoras em produtos a serem consumidos com a cerveja. Mas essa já é outra história…


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BENNETT, Judith M. Ale, Beer and Brewsters in England: Women’s Work in a Changing World, 1300–1600. New York: Oxford University Press, 1996.

CAMPOS, Luciana. A sacralidade que vem das taças: o uso de bebidas no Mito e na Literatura Nórdica Medieval. Revista Brasileira de História das Religiões. v. 8, n. 23, p. 97-107. 2015. Disponível em: http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/RbhrAnpuh/article/view/29528.

CORNELL, Martyn. A short history of hops. Zytophile. 2009. Disponível em: http://zythophile.co.uk/2009/11/20/a-short-history-of-hops/.

MARTINS, Maria Cristina da Silva. Hildegarda de Bingen: Physica e Causa et Curae. Cadernos de Tradução. Porto Alegre, p. 159-174, Edição Especial 2019.

MORBIDELLI, Francesca. La storia delle Alewives: um po’ birraie, um po’ publican, um po’ streghe nell’Inghilterra mediovale. La Pinta Medicea: news di birra artigianale e di qualità. Disponível em: https://www.pintamedicea.com/birra/2020/un-po-birraie-un-po-publican-un-po-streghe-le-alewives/

STANDAGE, Tom. A história do mundo em 6 copos. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.

VAUGHAN, Theresa A. The Alewife: changing images and bad brews. Avista Forum Journal: Medieval Science, Tecnology & Art. Vol. 21.1/2. 2011. p. 34-41.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Marcas se unem em movimentos e criam cervejas em apoio ao povo ucraniano

A invasão da Ucrânia vem motivando uma série de ações em apoio ao país, além da condenação ao ato da Rússia. Não tem sido diferente entre as artesanais, tanto que diversas marcas de diferentes países se uniram ao longo dos últimos dias para o lançamento de cervejas, com o intuito de obter recursos para apoiar o povo da Ucrânia.

A 42 North Brewing Company, de Nova York, e a 2085 Brewery, de Kiev, lançaram uma cerveja colaborativa, chamada Resolve, e tornaram pública a sua receita, incentivando outras marcas a produzi-la, para apoiar o esforço humanitário na Ucrânia. Uma das fundadoras da 42 North é a ucraniana Naz Debrot, tendo atuado nos três primeiros anos da marca de Nova York, fundada em 2015, antes de retornar ao seu país. Lá, então, abriu a 2085 Brewery.

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A iniciativa denominada Resolve repete outras em que se produz uma cerveja com a abertura da receita e se angaria recursos para uma causa, com a mais conhecida em tempos recentes tendo sido a Black is Beautiful.

A Resolve é uma Kellerbier com 4,8% de graduação alcoólica. E a 42 North fornece a receita e a arte para as cervejarias que quiserem se juntar ao esforço. A renda da venda da cerveja irá para a Global Empowerment Mission, uma organização sem fins lucrativos “fornecendo ajuda de emergência na Ucrânia aos combatentes e famílias que ficaram para trás, bem como ajuda humanitária às mulheres e crianças que estão tentando cruzar a fronteira para a Polônia”.

As cervejarias participantes não são obrigadas a usar essa receita, mas podem utilizá-la como um guia para sua cerveja Resolve, levando em consideração os ingredientes disponíveis e as influências regionais.

“Todo mundo está procurando maneiras de ajudar. Não podíamos ficar parados e assistir aos horríveis eventos na Ucrânia sem fazer nada. A determinação do povo ucraniano é uma inspiração para todos. Esperamos que, de alguma forma, a comunidade cervejeira possa se unir para ajudar o grande povo da Ucrânia”, afirma John Cimperman, fundador da 42 North.

A ação já teve a adesão de outras cervejarias, como Britesmith, Kings County Brewers Collective, Keel Farms, Lucky Hare, Good Measure Brewing e Platform Brewing, todas dos Estados Unidos, além da italiana Vetra Beer, da húngara Reketye e da polonesa Brewery Hills.

Enquanto isso, o movimento denominado Drinkers for Ukraine lançou um esforço em três frentes, incluindo uma cerveja solidária, leilões online e transmissão ao vivo para arrecadação de fundos. A campanha convida as companhias a produzirem a Resist, uma “anti-Imperial Stout”, em uma clara alusão à Russian Imperial Stout. E a sua receita foi desenvolvida por uma cervejeira ucraniana que mora na Suíça, Lana Svitankova. Ela é a primeira mulher a obter o status de cicerone na Ucrânia e esteve em Blumenau (SC) recentemente, como parte do júri do Concurso Brasileiro de Cervejas.

O rótulo também tem a participação da Ferment Magazine, principal publicação sobre artesanais do Reino Unido. A receita, porém, não precisa ser necessariamente seguida à risca, assim como a da Resolve.

Além disso, cervejarias e estabelecimentos de hospitalidade também estão sendo incentivados a realizarem leilões para obter dinheiro para a causa ou um evento de arrecadação de fundos transmitido ao vivo. E o grupo sugere que o dinheiro obtido seja doado ao esforço humanitário da Cruz Vermelha.

O projeto, aliás, conta com a participação de uma marca brasileira, a Moret Cerveja Artesanal. “Será um lote pequeno em razão do nosso tamanho, mas com um esforço gigantesco entregaremos a Ukrainian Anti Imperial Stout com adição de beterraba, trigo sarraceno (ingredientes usados na gastronomia ucraniana) e cumaru para dar um toque brasileiro neste projeto!”, afirma a marca em seu perfil no Instagram.

Mais uma ação da Pravda
Por sua vez, a Pravda Brewery, cervejaria artesanal com sede em Lviv e que ganhou atenção global após deslocar a sua produção de cervejas para ajudar na fabricação de coquetéis molotov, agora realiza outra iniciativa com o intuito de ajudar na resistência da Ucrânia.

Em uma ação colaborativa para a arrecadação de valores, a marca da Ucrânia liberou as receitas de suas cervejas para marcas de todo o mundo fabricá-las, depois passando os recursos obtidos para o seu fundo de apoio. São elas: Putin Huylo, uma Dry-Hopped Strong Ale, Syla, uma Belgian Tripel, a Red Eyes American, uma Red Ale, Frau Ribbentrop, uma Belgian Witbier, e a From San to Don Ukrainian, uma Imperial Stout.

A Pravda também sugere a possibilidade de se conectar por meio de vídeo às cervejarias para prepararem juntos os rótulos. “Como cervejeiros artesanais pacíficos, queremos voltar à vida normal o mais rápido possível e desfrutar de fabricar e beber cerveja. Mas primeiro devemos expulsar as baratas de nossa terra”, escreve a marca.

Há, ainda, outra iniciativa para apoiar a população ucraniana. A Rogue Ales, de Newport, criou a “F*#k Putin”, uma IPA Northwest de 6,5% de graduação alcoólica. A marca norte-americana promete reverter 100% dos lucros para o Ukraine Crisis Relief Fund, da Global Giving, para ajudar organizações sem fins lucrativos a fornecer acesso à educação, alimentação e serviços médicos na Ucrânia. O presidente da Rogue Ales, Dharma Tamm, possui relação com a Rússia, pois sua família deixou a Estônia após Moscou invadir o país em 1944.

Em 24 de fevereiro, a Rússia iniciou uma invasão militar em larga escala da Ucrânia, em uma escalada de um conflito iniciado em 2014, quando anexou a Crimeia e forças separatistas tomaram parte da região de Donbas. A ação militar é considerada a maior já realizada em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Semana das Mulheres: 6 ações que marcam a data e dão protagonismo no setor

Comemorado na última terça-feira, 8 de março, o Dia Internacional da Mulher não é um dia apenas para homenagens. A data é, principalmente importante, para trazer à tona a lembrança da luta diária por igualdade de gênero no Brasil e no mundo. Afinal, as mulheres ainda precisam superar desafios e obstáculos, não sendo diferente para aquelas que atuam cotidianamente com cervejas.

Presente em praticamente todas as esferas da sociedade, a desigualdade e os preconceitos em torno das mulheres também são uma dura realidade no segmento das cervejas. Por isso, a semana foi recheada de iniciativas, como cursos, eventos e lançamentos em torno da data, para destacar a luta feminina por oportunidades.

A Dádiva, por exemplo, usou o Dia Internacional da Mulher para falar sobre desigualdade salarial entre gêneros através do lançamento de uma cerveja. A Goose Island, por sua vez, apresentou um rótulo elaborado com o lúpulo Ella e concebido pela mestre-cervejeira Marina Pascholati. Já a Ball se uniu às marcas de cervejas Masterpiece e Mafia para criar um rótulo que só teve a participação de mulheres em sua produção e concepção.

Leia também – Artigo: Manifesto de uma mulher cervejeira

Confira, a seguir, seis novidades apresentadas no setor cervejeiro para marcar o Dia Internacional da Mulher:

Dádiva 3/4 expõe a disparidade
A cervejaria Dádiva fez questão de ressaltar que o Dia da Mulher marca uma luta histórica por igualdade, não sendo apenas uma celebração. Neste ano, a marca buscou jogar luz sobre um debate antigo, cuja evolução, porém, ainda é lenta: a desigualdade salarial entre homens e mulheres. Para isso, lançou a Dádiva 3/4, uma cerveja que está sendo vendida em duas latas: uma delas é maior – possui 473ml – e simboliza o salário do homem; a outra é menor – tem 350ml – e revela os rendimentos relativos da mulher, ou seja, quanto ela ganha exercendo o mesmo trabalho do que ele, na mesma função. Ambas as latas são de cor roxa, simbolizando o movimento feminista. A bebida é uma New England IPA, feita com lúpulos da Nova Zelândia e da África do Sul e possui 6,1% de teor alcoólico. De acordo com o descritivo, seus aromas e sabores lembram frutas de caroço e de frutas cítricas doces, além de um toque herbal e sutil de frutas vermelhas, como mirtilo e groselha. 

Produção 100% feminina
A cerveja Às Mulheres é resultado de uma produção promovida pela Ball com as marcas Masterpiece e Mafia, contando apenas com participação feminina, desde a levedura até o envase na lata, passando pela campanha de comunicação e a receita exclusiva no estilo Saison, desenvolvida pela cervejeira Ingrid Matos. A ideia para a parceria surgiu no grupo feminino de afinidades da Ball, empresa produtora de embalagens de alumínio. Para criar a lata, que serve de tela para a arte exclusiva, uma equipe formada por cerca de 20 mulheres cuidou da produção. É uma cerveja refrescante, dourada e com aroma de frutas amarelas.

Hop Bloom elaborada com o lúpulo Ella
A Goose Island lançou no Dia Internacional da Mulher a Hop Bloom, uma cerveja elaborada com o lúpulo Ella. Do estilo Hoppy Lager, a Hop Bloom, chega com 5,3% de teor alcóolico e 44 IBUs de amargor. Criada pela mestre-cervejeira Marina Pascholati, o rótulo possui, de acordo com o seu descritivo, aroma cítrico e de frutas tropicais, com coloração dourada clara e corpo leve.

Musas do Verão 2022
A Cervejaria Nacional usou o Dia Internacional da Mulher para exaltar e destacar a atuação da mulher cervejeira com o projeto anual Musas do Verão. Em 2022, a ZEV foi a parceira colaborativa na produção, que contou com Marina Pascholati, Carola Carvalho, cientista, e Candy Nunes, sommelière. Elas foram convidadas para criar um rótulo sazonal, a Queen Beea Imperial IPA, e resolveram homenagear outra musa, Beatriz Cury, uma das mentoras e realizadoras do projeto nos últimos anos. Do estilo Double IPA, a bebida tem 8,0% de teor alcoólico e 80 IBUs de amargor. Se apresenta com coloração dourada, sendo levemente turva, com espuma branca, densa e cremosa.

Leia também – Artigo: Respeito, segurança e valorização

Bolsas de estudo para formação cervejeira
A Academia da Cerveja, da Ambev, está disponibilizando 500 bolsas de estudo para a segunda edição do seu curso exclusivo de formação cervejeira para mulheres. Essa iniciativa dá continuidade à campanha “Cervejeira Sou Eu”, promovida pela companhia em 2021, que tem como propósito fortalecer a categoria, empoderando a participação feminina no setor por meio de conhecimento, especialização e oportunidades. As inscrições para a turma deste ano já estão abertas e as interessadas podem realizar o cadastro pelo site. O único pré-requisito necessário é ser maior de 18 anos.

Para mulheres que querem trabalhar com tecnologia e cervejas
Em outra frente, a Z-Tech, hub de inovação e tecnologia da Ambev, e o Bees, plataforma B2B da companhia, darão 200 bolsas de estudos para mulheres que querem iniciar a trajetória na área da tecnologia. As inscrições estão abertas e vão até 23 de março. Os cursos online, “Eu ProgrAmo”, serão oferecidos pela PrograMaria, empresa que tem a missão de empoderar, por meio da tecnologia e do conhecimento em programação, mulheres e pessoas fora do espectro cis-heteronormativo. Com duração de quatro semanas, os cursos vão abordar em videoaulas os primeiros passos em Front End (HTML, CSS, Javascript e lógica de programação).

Cerveja, plástico e oceanos: Como a poluição do mar afeta o meio ambiente e a pesca

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A poluição marinha por plásticos nos oceanos do mundo é alarmante, mesmo com um trabalho de reciclagem relevante em muitos lugares, como no Brasil, onde cerca de 3,4 milhões de toneladas de plástico são recicladas por ano, conforme informações do Plano de Incentivo à Cadeia de Plástico (PicPlast). Ainda assim, é pouco. E a maior parte dos materiais plásticos está acumulada em aterros e lixões ou mesmo espalhadas pelo meio ambiente, principalmente nos oceanos, afetando a biodiversidade e os profissionais que tiram o seu sustento das águas.

Afinal, a indústria brasileira produz anualmente cerca de 500 bilhões de itens plásticos descartáveis, o que representa, aproximadamente, 15 mil itens por segundo, como mostra um estudo da organização Oceana Brasil. E a discrepância entre os dados de fabricação de plásticos, muitos deles pelas indústrias de bebidas, e da sua reciclagem indica o tamanho do impacto ambiental desse material.

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Na tentativa de jogar luz na sociedade para esses efeitos, a cervejaria Corona realizou, em fevereiro, o Torneio de Pesca de Plástico pela defesa dos oceanos. Realizado com o apoio das ONGs Guardiões do Mar, do Rio de Janeiro, e Associação Caraguatás Ambiental, de Caraguatatuba (SP), o evento compensou e premiou os profissionais participantes da Associação dos Pescadores e Maricultores da Praia da Cocanha (APMPC).

A associação atua para proteger e fortalecer a cultura e o modo de vida dos pescadores e maricultores da Praia da Cocanha. Atualmente, conta com 17 maricultores e 25 pescadores. “O plástico prejudica de muitas formas a atividade de pesca, desde a contaminação do pescado com microplástico até a poluição do fundo do mar, além de afetar a superfície e dos ambientes mais importantes como manguezais, rios, ilhas, praias e costeiras, acabando com a vida marinha por causa do acúmulo de lixo”, conta José Luiz Alves, membro da APMPC.

O evento reuniu cerca de 55 pescadores, de acordo com a Corona. Em um único dia, mais de 1 tonelada de resíduos que prejudicam a vida marinha foram retirados do mar, sendo metade (500kg) só em plástico. “Os resultados foram muito bons principalmente porque ajudaram a limpar as praias, rios e costeiras do local, ainda contribuindo com a renda dos pescadores”, destaca Alves.

Os pescadores foram remunerados pelo período dedicado ao torneio e por cada quilo de resíduo recolhido do mar durante o período. Os três competidores que retiraram a maior quantidade de resíduos da água também receberam prêmios com quantias adicionais. Foram 3 prêmios principais para os melhores colocados: o 1º lugar com R$ 3 mil; o 2º com R$ 2 mil e o 3º com R$ 1 mil.

A comunidade ainda será contemplada com a reforma do principal galpão do local, onde os pescadores guardam seus barcos e materiais de trabalho, além de usá-lo para outras atividades culturais. “O Torneio de Pesca de Plástico é um exemplo de iniciativa que une as comunidades para ajudar o meio ambiente e ainda apoia economicamente as regiões, em parceria com trabalhadores que sustentam suas famílias a partir da pesca”, afirma João Pedro Zattar, chefe de marketing de Corona.

Além do Brasil, o Torneio de Pesca de Plástico foi realizado na China e em Israel neste ano, com a sua primeira edição tendo ocorrido no México em 2021. E há previsão de expansão para Colômbia e África do Sul ainda em 2022. Globalmente, contou com a ajuda de 150 pescadores durante 15 horas, retirando mais de 5 toneladas de plástico do mar até agora.

Plásticos: Perigo aos oceanos
Pela primeira vez realizado no Brasil, o Torneio de Pesca de Plástico se deu na Praia da Cocanha, em Caraguatatuba, onde a principal fonte de renda financeira e alimentar dos moradores advém da pesca de mexilhões. Este tipo de pescado é comum localmente, sendo 100% impactado pela poluição por absorver qualquer tipo de impureza, o que o deixa impróprio para consumo e venda. 

A comunidade de pescadores da região também depende da pesca de outras espécies, como tainha, porquinho, robalo, prejereba e sororoca, assim como dos camarões sete barba, branco e rosa.

Mas, ainda que a pesca e a maricultura sejam atividades fundamentais aos moradores da Praia da Cocanha, falta apoio, regulamentação e incentivos financeiros, assim como não existem parcerias com empresas e o governo.

E a comunidade da Praia da Cocanha não é a única a sofrer com a situação. A Oceana aponta que mais de 50 milhões de brasileiros vivem em cidades costeiras e sofrem diretamente com os impactos do lixo plástico no mar. “Foi muito importante [o torneio], pois ajuda a mostrar como as parcerias com as empresas podem melhorar muito a vida dos pescadores e a qualidade do meio ambiente”, completa o pescador.

Se a saúde humana corre riscos, a renda dos pescadores e o turismo também sofrem impactos diretos com a presença dos plásticos no oceano. Somente o Brasil polui os mares com 325 mil toneladas de lixo plástico por ano, de acordo com a Oceana.

Além disso, ao longo de uma pequena porção da costa nas regiões Sudeste e Sul, já foram coletados e necropsiados mais de 3,7 mil animais que ingeriram resíduos plásticos. Desses, 10% morreram devido à ingestão do material, sendo que 85% eram de espécies ameaçadas de extinção.

Assim, iniciativas que ajudam o meio ambiente e as regiões mais impactadas pela poluição dos plásticos são fundamentais para a manutenção, recuperação da vida marinha e atividade diária de milhões de pessoas. E necessitam do engajamento da indústria de bebidas.

Decisão histórica
Mais iniciativas, aliás, deverão ter de prosperar após uma recente decisão histórica. A quinta sessão da Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente foi concluída na semana passada com a adoção de uma resolução para acabar com a poluição plástica, abordando todo o ciclo de vida desse material, desde a produção até o descarte. No encontro, 175 países concordaram por unanimidade com um documento da ONU que exige regras globais, financiamento e mecanismos de aplicação.

As empresas de bebidas devem ser as principais afetadas, na avaliação da Oceana. “São os principais poluidores oceânicos e estão produzindo bilhões de garrafas plásticas todos os anos que acabam no mar, para sempre”, afirma Andy Sharpless, CEO da organização internacional.

A Oceana divulgou um relatório em 2020 apontando que a indústria de bebidas poderia diminuir a poluição marinha por plásticos entre 4,5 bilhões e 7,6 bilhões de garrafas por ano caso aumentasse a participação de garrafas reaproveitáveis em apenas 10%, substituindo as PETs descartáveis e de uso único.

Entrevista: “A gente pode produzir mais estilos, com nosso terroir e ingredientes”

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A criação da Catharina Sour e o seu posterior reconhecimento como estilo de cerveja podem ter sido apenas o começo para o setor no Brasil. Para Marcos Guerra, gerente de produção da Cerveja Blumenau, a evolução do segmento no país, especialmente em relação à qualidade de ingredientes e insumos, torna factível a visualização de um cenário de criação de novos estilos tipicamente brasileiros.

A avaliação foi apresentada por Marcos Guerra durante entrevista ao Guia Talks. Nela, ele rememorou como se deu o processo inventivo de criação da Catharina Sour, em 2016, que envolveu, principalmente, profissionais da Liffey e da Blumenau, primeira cervejaria a envasar uma produção desse estilo. À época, ele estava na Lohn Bier, mas acompanhou o momento histórico, depois fazendo suas criações na marca de Lauro Müller.

Hoje na Blumenau, Marcos Guerra aponta como a Catharina Sour é fundamental na estratégia e no portfólio da marca, estando sempre entre os 5 estilos mais vendidos pela cervejaria. E diz acreditar que a sua presença no principal guia de estilos do mundo é uma grande oportunidade para a Blumenau, assim como para o setor no Brasil, que deve ganhar mais visibilidade.

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Confira os principais trechos da entrevista de Marcos Guerra, gerente de produção da Cerveja Blumenau, ao Guia Talks:

Você lembra como se deu o processo de criação da Catharina Sour?
Primeiro, o pessoal aqui da Blumenau, na época os Lapolli, especialmente o Fernando (hoje CEO da Balbúrdia Cervejaria), convidou o Nuno (Idney Nuno José), da Liffey, uma cervejaria e pub de Florianópolis. Eles discutiram, conversaram e começaram a partir para as definições, como uma base ácida, com uma cerveja pouco produzida no Brasil, que é a Berliner Weisse. Surgiu a ideia de tentar fazer a base com algumas frutas sendo usadas como matéria-prima. Depois dessa ideia, criaram a primeira Catharina Sour, que é a Coroa Real, hoje produzida exclusivamente pelo Liffen. É uma Catharina Sour de abacaxi com hortelã. Depois disso, veio a Catharina Sour de pêssego, da Blumenau, que foi a primeira cerveja a ser engarrafada. Quando surgiu um grupo para debater, a galera começou a “viajar”. Vim ao festival (Festival Brasileiro da Cerveja) de 2017, degustei a Catharina Sour, fui entendê-la e voltei para a cervejaria que eu estava na época (Lohn Bier) com o intuito de criar uma Catharina Sour.

A Blumenau foi a primeira cerveja a engarrafar uma Catharina Sour. Como você enxerga para a marca e o mercado brasileiro esse reconhecimento do BJCP como estilo?
Na Cerveja Blumenau, a gente vê isso como uma grande oportunidade de penetração de mercado, com você conquistando novos públicos. Apesar de ela ter uma acidez mais elevada, é uma cerveja com pouco amargor, o que favorece muito, pelo nosso clima. Não vemos mais a Blumenau sem uma Catharina. Estamos repaginando toda a parte de Catharina Sour, fazendo embalagens menores para conseguir chegar ao público-alvo. Para o mercado brasileiro, vai trazer visibilidade. Eu me lembro que em 2018 fui para Europa e passei pela região de Bruxelas, na Bélgica, fazendo algumas degustações. Eu levei Catharinas para eles. E eles “piraram”, acharam sensacional. Hoje já tem bastante americano fazendo Catharina Sour e buscando entender.

Como é para Santa Catarina, tão importante para o setor de artesanais, ter sido o local de desenvolvimento de um estilo de cerveja?
Quando o estilo foi elaborado, a gente nunca pensou em ser um estilo catarinense. A gente teve o prazer de vê-la nascer aqui, mas ele não é catarinense. Até porque Catharina não é por conta de ser de Santa Catarina, mas por ser o nome da avó do Fernando Lapolli, que era escrito com TH. A Catharina Sour tem um potencial que o brasileiro deve aproveitar, todas as cervejarias devem se unir e começar a trabalhar em cima para que, daqui a pouco, possamos ter outros estilos em outras regiões, mas que vão levar o nome do país para o mundo todo, mostrando que estamos evoluindo no mercado de cerveja.

E o Brasil está próximo de criar outros estilos de cerveja?
Já temos lúpulos muito bons em locais como a serra do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná… Também temos, hoje, produção de malte nacional em grande escala, uma boa parte que temos é com o grão nacional. Já temos leveduras nacionais. Então, estamos muito perto de novos estilos, de cervejas com a nossa característica, com o nosso terroir, lúpulos locais, malte, levedura com perfil diferente, em um perfil nosso, que vai trazer algo diferente. E já tem gente testando algumas coisas, aqui na cervejaria também.

A Catharina Sour é um estilo que descaracteriza a imagem usual de cerveja, especialmente na questão da coloração. Você acredita que isso ajuda a atrair mais público para ela?
Acabamos ganhando pela questão visual. Eu acho que quando se trata de coloração, quebramos isso e acabamos trazendo benefícios. O consumidor, de alguma forma, vai ficar curioso. O brasileiro quer provar, então ele olha lá na mesa, vê aquele copo todo vermelho, todo amarelo, ou com uma coloração diferente. É claro que vai surgir a curiosidade. E aí é onde podemos ganhar com o estilo.

Queda de 13,9% na fabricação de alcoólicas no início do ano influencia recuo da indústria

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Depois de fechar 2021 amargando estagnação em relação a 2020, a fabricação de bebidas alcoólicas abriu 2022 em baixa. De acordo com dados divulgados pelo IBGE em sua Pesquisa Industrial Mensal, houve expressiva queda de 13,9% em janeiro na comparação com a produção do mesmo período no ano passado.

Além da inflação crescente no Brasil, o alastramento da variante Ômicron do coronavírus impactou de forma importante o setor nos primeiros 31 dias de 2022.  E tem influência no recuo de 1,9% no acumulado dos últimos 12 meses.

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Essa diminuição de 13,9%, registrada em janeiro de 2022, é mais de três vezes maior do que a retração da fabricação de bebidas não alcoólicas, de 4% em relação ao mês inicial de 2021. E também há retração no período acumulado de um ano, de 1%, pouco menos do que a metade do índice confirmado pelo IBGE para as bebidas com álcool.

Esse índice altamente negativo de 13,9% mantém a tendência de queda na produção das alcoólicas, que em dezembro já havia caído significativos 8,2% na comparação com o mesmo mês de 2020.

Já a produção de bebidas de forma geral (somando alcoólicas e não alcoólicas) registra em janeiro uma queda de 4,5% em janeiro em relação ao mês de dezembro, na variação percentual com ajuste sazonal. A redução foi de importantes 9,6% na confrontação com os dados do mesmo mês que abriu o ano passado e de 0,6% no acumulado dos 12 meses anteriores.

O “tombo” de 13,9% na fabricação de bebidas alcóolicas também é superior ao da produção industrial nacional geral, que computa recuo de 7,2% em relação a janeiro de 2021. E a queda foi de 2,4% (na série com ajuste sazonal) no 1º mês de 2022 na comparação com o último do ano passado.

O IBGE enfatiza que o índice “elimina parte da expansão de 2,9% registrada no mês anterior”. O instituto também lembra que a indústria nacional se encontra hoje 3,5% abaixo do patamar de antes do início da pandemia, em fevereiro de 2020, e 19,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Ao mesmo tempo, pondera que, no período acumulado de 12 meses, a produção do país alcançou alta de 3,1%.

Setor de bebidas puxa desempenho industrial para baixo
A fabricação de bebidas de uma forma geral foi um dos itens destacados pelo IBGE como um dos principais a contribuir para a redução da produção industrial, cujo desempenho em janeiro foi constatado após verificação dos números contabilizados em 26 ramos pesquisados.

“Entre as atividades, as influências negativas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (-17,4%) e indústrias extrativas (-5,2%), que haviam acumulado expansão de 18,2% e de 6,0%, respectivamente, nos dois últimos meses de 2021. Outras contribuições negativas relevantes vieram de bebidas (-4,5%), de metalurgia (-2,8%), de outros produtos químicos (-2,2%), de máquinas e equipamentos (-2,3%), de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,4%), de produtos de metal (-3,3%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-4,5%) e de produtos de minerais não-metálicos (-2,4%)”, enumera o IBGE.

A queda na fabricação de bebidas também está na contramão do crescimento de seis atividades econômicas, entre as quais as produções de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que registraram elevação de 3,5% em janeiro. Itens alimentícios, com alta de 1,4%, também se destacaram e tiveram o terceiro mês consecutivo de expansão, acumulando neste período um expressivo ganho de 13,8%.

Resultados negativos em todas as grandes categorias econômicas
O IBGE pondera que o forte recuo de 7,2% da indústria brasileira, na comparação entre o primeiro mês do ano e janeiro de 2021, é um reflexo de resultados negativos em todas as grandes categorias econômicas e em 18 dos 26 ramos, 56 dos 79 grupos e 67% dos 805 produtos pesquisados.

“Verificamos que o mês de janeiro está bem caracterizado pela perda de dinamismo e de perfil disseminado de queda, uma vez que todas as grandes categorias econômicas mostram recuo na produção, tanto na comparação com o mês anterior quanto na comparação com janeiro de 2021”, destaca o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

O especialista reconhece o peso que a pandemia continua tendo para impactar de forma negativa a indústria, assim como as altas taxas de desemprego e a inflação no Brasil.

“A indústria vem sendo afetada pela desarticulação das cadeias produtivas por conta da pandemia, tendo no encarecimento dos custos de produção e na dificuldade para obtenção de insumos e matéria-prima para a produção do bem final, características importantes desse processo. Além disso, os juros e a inflação em elevação, juntamente com um número ainda elevado de trabalhadores fora do mercado de trabalho, ajudam a explicar o comportamento negativo da indústria”, analisa.

Heineken interrompe venda e produção de cerveja na Rússia em resposta à guerra

O Grupo Heineken anunciou nesta quarta-feira a decisão de interromper a produção e venda de cervejas da sua marca na Rússia. E se tornou, assim, mais uma companhia multinacional a deixar suas atividades no país, como resposta à invasão da Ucrânia pelas tropas de Moscou.

Em um comunicado, o Grupo Heineken explicou que a medida tem efeito imediato e envolve, além da produção e venda de cerveja, a publicidade. Anteriormente, a empresa havia interrompido a realização de investimentos e a exportação de outras marcas.

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“Estamos chocados e tristes ao ver a tragédia na Ucrânia se desenrolar. Estamos com o povo ucraniano e nossos corações estão com todos os afetados. A guerra do governo russo contra a Ucrânia é um ataque não provocado e totalmente injustificado. Em resposta à escalada contínua da guerra, anunciamos hoje os seguintes passos. A Heineken interromperá a produção, publicidade e venda da marca Heineken na Rússia”, afirma Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken.

A companhia cervejeira também prometeu frear as operações financeiras que envolvam o seu negócio na Rússia. “Tomaremos medidas imediatas para isolar nossos negócios russos da empresa Heineken mais ampla para interromper o fluxo de dinheiro, royalties e dividendos para fora da Rússia. A Heineken não aceitará mais nenhum benefício financeiro líquido derivado de nossas operações na Rússia. Isso se soma à parada anunciada anteriormente em todos os novos investimentos e exportações para a Rússia”, afirma.

O Grupo Heineken ainda acrescentou que também está avaliando opções estratégicas para o futuro do negócio na Rússia, onde opera há duas décadas. Mas, ao mesmo tempo, enviou uma mensagem de apoio aos funcionários da companhia no país. “Vemos uma distinção clara entre as ações do governo e nossos funcionários na Rússia. Por mais de vinte anos, nossos funcionários locais são membros valiosos do negócio da Heineken. Apoiar nossos funcionários e suas famílias é um princípio fundamental à medida que definimos o caminho a seguir”, acrescenta.

A empresa atua no mercado russo desde fevereiro de 2002, quando adquiriu sua primeira cervejaria em São Petersburgo. Hoje a Heineken possui oito fábricas na Rússia, com estimados 1.800 funcionários e cerca de 30 marcas.

E o Grupo Heineken conclui a nota prometendo reforçar medidas de apoio aos refugiados da Ucrânia que estejam em países vizinhos. “Continuaremos e intensificaremos ainda mais nosso apoio e doações a ONGs que operam na Polônia, Hungria, Romênia e Eslováquia. Estamos orgulhosos de nossos colegas e empresas de operação local por seus esforços para ajudar as pessoas afetadas pela guerra que fugiram para a segurança dos países vizinhos. Esperamos muito que um caminho para um resultado pacífico surja no curto prazo”, diz.

A Heineken não é, porém, a primeira multinacional cervejeira a deixar o mercado da Rússia diante do avanço da guerra e da crise humanitária provocadas pela invasão da Ucrânia. Na última semana, a Carlsberg, que possui a maior cervejaria do país, a Baltika Breweries, havia anunciado o interrompimento de investimentos e da exportação de outros produtos do seu grupo.

Além disso, a Heineken reforça, assim, o êxodo de companhias internacionais da Rússia desde o início do conflito. Na última terça-feira, no setor de alimentação e bebidas, a Coca-Cola, o McDonald’s e o Starbucks disseram que estavam interrompendo, de modo temporário, suas operações comerciais no país. Já a Pepsi suspendeu a venda de refrigerantes.

Alem Bier e Blumenau dominam o Concurso Brasileiro de Cervejas

A Alem Bier e a Blumenau foram os principais destaques do Concurso Brasileiro de Cervejas, que realizou a sua cerimônia de premiação nesta terça-feira. Afinal, enquanto a marca de Flores da Cunha (RS) foi eleita a melhor cervejaria da premiação, a de Blumenau (SC) teve a cerveja “Best of Show” do evento.

O acúmulo de premiações rendeu para a Alem Bier o prêmio de melhor cervejaria do Concurso Brasileiro. Para isso, conquistou quatro medalhas de ouro, além de três pratas e três bronzes.

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A Blumenau, que leva o nome da cidade catarinense onde é realizado o evento, foi a segunda colocada, com três medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze, repetindo o resultado de 2021. Além disso, a CraftLab Grodziskie, do estilo Grodziskie, foi eleita a Best of Show, ou seja, a melhor cerveja do evento.

Com Alem Bier e Blumenau, o pódio das melhores cervejarias do Concurso Brasileiro também contou com a Sabores do Malte. A marca de Maringá (PR) ficou em terceiro lugar, com três medalhas de ouro, uma de prata e quatro de bronze – no ano passado, havia sido eleito o melhor brewpub.

Na categoria Best of Show, destinada a premiar as melhores cervejas do concurso, a Unika, de Rancho Queimado (SC), com a sua Catharina Sour, a Catharina Sour Caju e Pitanga, levou a medalha de prata. E o bronze foi para a B7, uma Experimental Indian Pale Ale, da Bragantina, de Bragança Paulista (SP).

Esta edição do Concurso Brasileiro de Cervejas distribuiu 332 medalhas, sendo 106 de ouro, 108 de prata e 118 de bronze. Entre as 160 categorias de estilos inscritos, a American India Pale Ale (IPA) teve a maior quantidade de participantes, com 211 amostras, seguida pela American Pale Ale (APA), com 125, e pela Catharina Sour, com 117 amostras. Confira a lista de cervejarias premiadas.

O Concurso Brasileiro de Cervejas teve a sua cerimônia de premiação realizada na noite desta terça, sendo aberta ao público, com a realização de apresentações musicais, depois de dois eventos do setor, que também estavam agendadas para ocorrer neste mês em Blumenau, terem sido adiados por causa da pandemia, casos do Festival Brasileiro da Cerveja e da Feira da Cerveja, ambos remarcados para a primeira semana de maio. Já o Congresso Internacional da Cerveja será nesta quarta e quinta-feira (9 e 10).

Até por isso, esta premiação do CBC, a décima da sua história, só permitiu o acesso ao Don Concept Hall às pessoas que apresentassem na entrada do local um passaporte vacinal contra a Covid-19 ou um teste PCR feito 48 horas antes do evento.

O CBC deste ano contou com 3.635 rótulos inscritos e 587 cervejarias de todo o país, números apontados pela organização como recorde e que representaram incrementos de 15% e 26%, respectivamente, em relação ao evento realizado em 2021

A décima edição do CBC foi realizada após uma grande controvérsia. No final do ano passado, o coletivo AfroCerva, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e 12 cervejarias, incluindo a Ambev e o Grupo Heineken, se manifestaram contra a presença de uma pessoa, acusada de cometer atos racistas, entre os integrantes da organização do concurso.

Responsável pelo evento, a Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec) negou que um dos profissionais acusados de envolvimento nos casos estivesse fazendo parte da preparação e execução do campeonato cervejeiro. Entretanto, à época, a organização do CBC ignorou os pedidos da reportagem do Guia para ter acesso a uma lista com o nome dos organizadores do evento e de seus jurados. E optou por não responder aos pedidos de esclarecimento da AfroCerva, embora a Ablutec tenha cobrado que o nome do profissional alvo da acusação tivesse o seu nome tornado público, o que não aconteceu.

Após entrada em grupo nacional de bebidas, Praya lança cerveja puro malte

A disputa pelo mercado de cervejas puro malte no Brasil ganhou mais uma concorrente. Com a intenção de consolidar sua presença no setor premium e chegar a novos consumidores, a Praya apresentou ao mercado o seu novo rótulo, a Praya Puro Malte. A novidade está disponível em cerca de 5 mil pontos de venda no eixo Rio-São Paulo.

O lançamento é o primeiro da Praya desde que ela passou a integrar a Better Drinks, grupo de bebidas, que também conta com as marcas F!VE, de drinks prontos para beber, Praya, Vivant, de vinhos em lata, Mamba, de águas e Baer-Mate, uma alternativa aos refrigerantes com mate, gás e cafeína natural.

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Para este novo momento da marca, a ideia é ampliar a presença no cotidiano do consumidor ao apostar no segmento de cervejas puro malte, sem deixar de lado a busca pela associação com a brasilidade, além do uso de ingredientes naturais.

“Estamos muito bem posicionados no mercado premium e vamos fomentar o crescimento acelerado do setor com mais uma opção, sempre prezando pela mesma qualidade, conexão e compromisso com o consumidor. Estamos muito felizes porque agora a Praya está completa e pode estar na mesa do brasileiro em todas as ocasiões!”, afirma Tunico Almeida, CEO da Praya.

Segundo ele, já era um sonho antigo, de pelo menos três anos atrás, lançar uma puro malte da Praya. “Sempre tivemos muito orgulho de ser uma marca de rótulo único, mas começamos a sentir que era possível complementar nosso portfólio com um produto que seguisse a nossa qualidade, com uma receita única e que pudesse chegar a novos públicos e novos ambientes”, conta.

Co-fundador e CEO da Better Drinks, Fellipe Negra garante que a preocupação com a sustentabilidade não é só um discurso na Praya, algo que a marca espera demonstrar conforme for conquistando espaço no setor cervejeiro.

“A Praya é a primeira cervejaria Empresa B e carbono neutro do Brasil. É uma marca extremamente cuidadosa com todo o processo de produção, sustentabilidade e práticas responsáveis” afirma.