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Artigo: Adelante! Barcelona brinda a volta de eventos profissionais com o InnBrew

*Por Andreia Gonçalves Ribeiro

Benvinguts a Catalunya! Foi na belíssima e quente Barcelona que o InnBrew – The Brewers Connection teve palco. Foi o primeiro evento pós-pandemia a reunir os profissionais do setor cervejeiro do Sul da Europa, entre os dias 22 e 24 de julho, em um espaço de 3.000m² no La Farga de L’Hospitalet, com palestras, debates e workshops, além da celebração do impulso necessário para a retomada dos negócios cervejeiros. E, por que não dizer, para comemorar o reencontro de gente que manteve o mercado de cerveja respirando em meio a uma pandemia?

Realizado pelos mesmos organizadores do Barcelona Beer Festival (BBF), a BeerEvents, o InnBrew é uma evolução do BBFPro, que antes era celebrado junto à festa ao redor dos estilos de cerveja. Uma festa já consolidada que teve sua nona edição cancelada pela pandemia a dois dias de acontecer em 2020. Foi uma lástima. E nem imaginávamos o que iria acontecer…

O InnBrew nasceu da necessidade do encontro e seguiu três eixos principais: a exposição de produtos e serviços (InnShow), a formação e debate (InnTalks) e o networking (InnMeet).

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Mikel Rius, organizador do evento junto com Joan Fiol, destaca que a criação do InnBrew se deu em um momento que é reflexo da “maturidade do setor de cerveja no país”. “Já está à altura de outros para que tenha uma convenção independente onde os cervejeiros possam assistir para atualizar sua formação e poder fazer negócios, como já acontece em outros países.”

InnShow: quem não é visto não é lembrado
Estamos no verão e a grande maioria das pessoas está em férias, mas, mesmo assim, o InnBrew mostra potencial para se consolidar. Nos 35 estandes montados era possível encontrar maquinário moderno destinado a produtores e fabricantes, além de matérias-primas inovadoras que chegam para garantir ainda mais qualidade nos produtos.

Quando comparo a Brasil Brau ou o pavilhão do Festival Brasileiro da Cerveja dedicado ao setor profissional com o InnBrew, destaco a presença de associações. Esse é um tema que merece um texto à parte. Uma reflexão necessária e pontual não só em tempos de crise, mas em um tempo no qual sabemos que diversas pautas devem ser levantadas, assim como tentaram fazer por aqui. Entre elas, estavam a Associação Espanhola de Técnicos de Cerveja e Malte e grêmios representantes de diferentes territórios, como a novata das Ilhas Baleares e a AECAI nacional, que veio de Madri.

Algumas das empresas presentes foram a Agrovin, de equipamento para a produção de cerveja, a EasyBräu e a Wild Gose, de sistemas flexíveis de engarrafamento. Patrocinadora dos InnTalks, a Brew & Hub, que é um espaço onde cervejeiros artesanais podem distribuir suas cervejas com todos os controles de qualidade, e a Biolupulus, cooperativa de produtores locais de lúpulo orgânico, também participaram.

Em matéria-prima, destaque para Molina for Brewers, uma empresa que ajuda a desenvolver novos produtos e patrocina o Prêmio de Inovação Cervejeira; a reconhecida Casttle Malting, produtora de malte mais antiga da Bélgica, desde 1868; e a InterMaltaCraft, com mais de 40 anos de experiência como fornecedora no país.

InnTalks: ouvir para aprender
A programação tinha dois momentos. O primeiro, patrocinado pela Brew&Hub, trazia profissionais ligados ao universo cervejeiro para palestras sobre temas variados, na maioria deles, técnicos envolvendo matérias-primas, soluções para cervejarias, qualidade… Tudo o que uma feira profissional tem de oferecer.

Giovanni Campari (Biomerieux) apresentou “Os pilares fundamentais para uma cervejaria de sucesso” e creio que foi a palestra que mais teve público. Afinal, quem não quer ter resultados com seu negócio? Outra que reuniu muita gente foi a do argentino Nicolás Mohamed (Beer Management) com o tema “Deixando a planilha para trás”. Fui conversar com ele, argentino, mas ele torce para o Boca Juniors e, infelizmente, não pudemos avançar no maior entendimento, dois dias depois de o meu Galo eliminá-los da Copa Libertadores. “Lo siento, hermano”.

Javier Aldea, da Brew & Hub, orquestrou duas palestras: “Como melhorar os processos de negócio em uma fábrica de cerveja artesanal” e a que me fez felicíssima, “Beer in Haute Cuisine (Cerveja na Alta Gastronomia, em tradução livre)”. Como dizem, “um nivelaço”. Estou até agora pensando em um tartar de salmão que tinha no creme de wasabi, flor de lúpulo, explicando mal e porcamente. Bom, deve ser porque era uma das poucas que eu tinha condições de entender, já que “sou de Humanas”, ou seja, não sei produzir cerveja. Fernando Gómez (Wild Goose), por exemplo, explanou sobre “Gestão do oxigénio dissolvido em recipientes para bebidas”. Nessas horas, só uma cerveja para disfarçar…

Como investigadora na área de turismo gastronômico, é óbvio que puxo a sardinha para o meu lado e coloco como ponto alto da feira a primeira palestra. Ana Perallada, chef e restaurateur que está desde 1993 no setor em um restaurante conduzido por sua família desde o ano de 1751 (é isso mesmo, gente), convidou os cervejeiros a conhecerem a realidade da gastronomia, setor que é um grande prescritor do produto. Em uma investigação que conduzi via Universitat de Girona e financiada por um órgão estatal, uma espécie de ministério do turismo e conhecimento daqui, uma das conclusões obtidas foi que a cerveja artesanal precisa andar de mãos dadas com a gastronomia. Mas aí também já é outra palestrinha e precisamos agora focar no evento.

InnMeet: debater para chegar a soluções conjuntas
Nas tardes, era hora do debate. Ninguém melhor do que a vice-presidenta do GECAN (Grêmio de Elaboradores de Cerveja Artesanal da Catalunya), Judit Cártex. Quando a conheci, em 2018, ela dizia que preferia não dar tanto a cara. Grande ilusão, hoje ela é a própria cara da cerveja artesanal. Querida, sincera, assertiva e com uma rapidez de análise únicas. Tudo isso, recheado de muito “me perdoem” pelos impulsivos e reais palavrões. Impossível não amar alguém que trata todo mundo como igual e luta pelo coletivo com uma voz de comando maternal. “La Cártex” levou ao palco discussões sobre temas como a comunicação e digitalização em cervejarias, assédio, protocolos e turismo cervejeiro.

“”Estamos super felizes de celebrar, enfim, um evento cervejeiro! Muito profissional, de intercâmbio de conhecimento e reencontros que é o que mais nos encanta. E muita cultura cervejeira”, disse Judit.

Em todos os temas, muitas elucidações e ideias conjuntas. E tome caderninho de anotações! Essa capacidade de ouvir o outro e reconhecer nele o que lhe falta para aprender é uma característica peculiar que observo. Tanto que, sem dúvidas, a mesa redonda que mais gerou interesse foi o “Primeiro encontro de associações de produtores de cerveja”, que reuniu representantes de cinco comunidades autônomas e, “tcharam”, descobriu-se mais uma associação recém-criada ali mesmo na plateia. Essa troca é muito empolgante de se ver. No fim, até voltei de metrô junto com a novata, vinda da Galícia. Veio à Catalunha em busca de estágio para aprender técnicas para melhorar sua produção. Mais uma mulher dando a vida pela cerveja, com aquela vontade efervescente de fazer algo pelo setor.

Exposição
Assim como no FBC, há oito anos aqui rola o prêmio do Barcelona Beer Challenge. Após a edição virtual de 2020, esse ano foi celebrada a sexta edição, e a Basqueland Brewing levou o prêmio por ser a que mais recebeu medalhas. Os organizadores resolveram fazer uma exposição mostrando os últimos ganhadores como melhor cervejaria, melhor cervejaria nova e o prêmio inovação dos anos anteriores, além dos estilos laureados em 2021.

A premiação não segue tão à risca as premissas do BJCP para a definição das categorias, mas vai em acordo a uma construção social própria ao redor da cerveja. Da mesma maneira que um estilo como Catharina Sour entra como “Cervejas Locais”, há uma premiação específica para as “Italian Grape Ale“, estilo precursor das “Catalán Sour Ale” ou só “Catalán Ale“, uma classificação própria das cervejas do território. Nada oficial, mas falamos de uma zona que tenta marcar sua identidade não só social e política, mas que alcança níveis até mesmo na cerveja.

Prêmio Steve Huxley
Aqui é a hora do choro. Não há como não se emocionar vendo as personalidades mais queridas – e indicadas pelos próprios cervejeiros – a disputar a terceira edição do prêmio que leva o nome do pioneiro da cerveja artesanal da Catalunha. Steve Huxley, natural de Liverpool, foi quem ensinou, treinou, juntou as pessoas e aproveitou a vida até falecer de um câncer em 2015. É um prêmio que reconhece o esforço de profissionais que geram valor à cerveja artesanal, a divulgam e, como Steve, une, inova e troca conhecimento para a consolidação de um setor que não passa de debutante.

Na edição virtual de 2020, Albert Barrachina recebeu o prêmio. Professor e mestre cervejeiro, ele é o rei da análise sensorial e quem mais impulsionou o treinamento de degustações para reconhecimento de estilos. Já em 2019, o primeiro reconhecido foi Carlos Fernandez da Ales Agullons. Sério! Esse cara é uma das pessoas mais especiais que eu já conheci e, junto com sua mulher, Montse Virgili, eles são uma dupla que é puro carinho e responsáveis pela Mostra de Cervesa a Mediona, a feira que parou na 14ª edição e somou mais duas virtuais. É no sítio deles que rola o Zwanze Day daqui.

Foi Carlos quem repassou, aos prantos, o prêmio a Andrew Dougalls, ganhador desse ano. Depois dizem que os catalães são durões… É nada! Dougalls é mais uma das personalidades reconhecidas por sua fraternidade, alguém que acolhe a todo mundo e faz umas cervejas que são “la ostia” de tão boas! Colab é com ele mesmo.

Ainda sobre Steve Huxley, que tem toda uma ode de admiradores que choram bêbados lembrando de suas histórias, ah, tem que ser um texto inteiro. O cara era “brutal”, como utilizam aqui como adjetivo máximo. É óbvio que não o conheci, mas queria ser amiga.

“Brewed by women, not machines”
Diferentemente do Brasil, a Pink Boots Society segue à risca seu trabalho de promover, acolher e dar valor às mulheres do setor. As brassagens ultrapassam o simples encontro social militante que muitos dos machistas de plantão acreditam que seja. O dinheiro obtido com a venda dessas cervejas vai direto para universidades e centros de formação especializados para bancar as necessidades e ilusões de mulheres que necessitam desse apoio para crescer em suas carreiras. Uma visão global e setorial.

Uma das discussões em uma das mesas redondas foi exatamente sobre assédio sexual, junto à exploração de estagiários e toda a carga horária e os baixos salários. Vale lembrar que a maior cervejaria daqui deve ter cerca de oito ou nove funcionários, com produção anual de 400 mil litros, pela última sondagem de pesquisa que fiz. É um cenário muito distinto ao do Brasil. Em um resumo bem precário, digamos que aqui todo mundo faz de tudo, cobre os espaços que faltam, vai da logística ao marketing, com expressividade individual, obviamente, ao trabalho do mestre cervejeiro.

O perfil dos chefes de produção na Catalunha é majoritariamente de homens de 30 a 40 anos. No entanto, nomes como o de Judit Cártex na Cervejaria Del Montseny, Sonia Merino da AsCervecers e professora no curso tecnólogo da Universidade de Alicante, Judit Piñol da DosKiwis Brewing e Lorena Bazán, presidenta da Pink Boots, sempre são solicitados. As mulheres não são a maioria, mas profundas conhecedoras de diferentes temas que as levam ao destaque.

E brasileiros?
Brasileiras, hehe! Renata, sócia da Reptilian, e eu éramos as representantes tupiniquins.

Tá, mas aí não tem pandemia?
A primeira grande questão que acredito deva ter vindo à sua cabeça é “e como no meio desse quiproquó todo?”! De acordo com o Ministério da Saúde, a Espanha tem hoje mais de 50% da população com a “pauta completa”, expressão utilizada para referir-se a quem já tomou as duas doses. E a agulha vai além de braços cringes tatuados. A turma de 16 já começou a receber a primeira dose, no entanto o país passa pelo crescimento da quinta onda e todo cuidado é pouco.

As restrições aumentaram no final de semana anterior ao InnBrew, como a volta do toque de recolher à 1h, fechamento total do lazer noturno e os bares e restaurantes podendo funcionar somente até às 0h30, com mesas de até dez pessoas. Você pode achar que isso não é nada restritivo, mas estamos em pleno verão escaldante e, depois de um confinamento real, estava realmente difícil segurar o pessoal em casa. E, vamos combinar, quem ainda não está totalmente vacinado é quem mais quer botar as pernocas bronzeadas para jogo.

Ainda de acordo com a atual normativa, também ficaram restritos os eventos em lugares abertos a até 500 pessoas. Ou, para ocorrerem, seria necessária a exigência de protocolos tais como mostrar a tal da pauta completa ou um PCR de 12hs. É meio impossível montar um esquema desses da noite para o dia para cumprir essa ordem, né? Portanto, como o InnBrew se tratava de uma feira profissional, estas restrições não se aplicavam.

E foi bem tranquilo. O espaço era bem grande, estava muito bem montado para que o distanciamento social fosse mantido e não houve momento algum em que a feira lotasse, nem que ficasse vazia. Acredito que esperavam mais gente, mas é preciso levar em consideração que estamos em época de férias. A BeerEvents, com sua larga experiência em eventos grandes como esse, soube organizar a programação de maneira que o público pudesse ir e vir e se organizar de acordo com seus interesses. Eu mesma não fui na sexta pela manhã, quando tinha uma enxurrada de palestras técnicas das quais eu só iria para sorrir mesmo. O que, com máscara, não ia adiantar muito mesmo…

E, sério, o respeito foi tanto que eu via as pessoas darem um gole e vestirem a danada da asfixiante de novo. E convenhamos que o público é composto por uma turma 35+, segura e empiricamente em uns 90% do seu total. Ou seja, todo mundo estava vacinado e com a bendita da pauta completa (sim, eu adoro essa expressão). Ponto para a organização e para a galera daqui, viu? É ótimo se sentir segura. PS: Sigam o exemplo e usem máscara!

Não vá embora sem saber
Esse texto se abre com uma palavra conhecida em castelhano, mas dá as boas-vindas em catalão, língua oficial da Catalunha, Comunidade Autônoma, tendo Barcelona como capital. Existe uma questão histórica, política e social em prol da independência desse estado como país. Há quase três anos resido nesse território, precisamente em Girona, ainda mais radical nessa questão. Estudo, convivo e respeito, por isso não me sinto tão à vontade para dizer “primeiro evento da Espanha”. Isso me soa um pouco como traidora da confiança que esse povo tão lutador me oferece. Então, aqui justifico para que compreendam a questão.

Convido vocês a assistirem ao documentário “Dos Catalunyas”, na Netflix, para entender mais sobre o tema. Ou a dar uma googlada rasa mesmo. Agora, se quer compreender de verdade, vale buscar os acontecimentos históricos muito antes dos Bourbons tomarem o poder. Para não ser chata, também indico se divertir com o filme “Oito Sobrenomes Catalães”, que foi uma das maiores bilheterias de 2015 e tem o engraçadíssimo ator andaluz Dani Rovira. É uma paródia, claro, mas mostra bem como é tudo isso. Endavant!


*Andreia Gonçalves Ribeiro é mestra em Turismo Cultural Gastronômico e em Patrimônio, pela Universitat de Girona. É sommelière de cervejas pelo ICB e sommelière bartender pela ABS. Mineira atleticana, é pesquisadora da cerveja e seus fenômenos na Catalunha. Se deixar, “só toma azeda” e tem queda assumida pelas belgas.

Rota Cervejeira de Atibaia une marcas e incrementa potencial turístico da cidade

Conhecida estância climática paulista, Atibaia também é famosa por suas atrações, como o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande, além de ser um importante polo cultural. A essas possibilidades de lazer, agora se soma a Rota Cervejeira de Atibaia, fruto da união das quatro marcas da cidade, com as quais se juntou o Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau.

“A Rota Cervejeira de Atibaia vem acrescentar ao turismo mais uma opção de lazer e de entretenimento. Sem dúvida é uma tendência de mercado. Atibaia já conta com o turismo rural, turismo corporativo e de eventos, ecoturismo, entre outros, e, agora, o cervejeiro”, celebra Mônica Fontes, gestora-executiva do Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau.

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Composta por Heusch, Kuppel, Los Compadres e Tibaya Cervejaria, a Rota Cervejeira de Atibaia conta com visitas guiadas pelas quatro marcas. Em cada uma delas, o público é convidado a degustar três rótulos, em copos de 110ml. Os participantes ainda ganham brindes, como um copo de vidro exclusivo da Rota Cervejeira de Atibaia e um passaporte carimbado em cada cervejaria, que oferecerá promoções exclusivas ao portador em visitas futuras.

Recém-iniciada em um evento-teste no sábado anterior, a Rota voltará a ser realizada no próximo sábado, depois sempre acontecendo no segundo sábado de cada mês, em um passeio que custa R$ 100 por pessoa, com início às 14h e tendo entre 3 e 4 horas de duração. E os ingressos podem ser adquiridos no site Atibaia Turismo.

Em função da proximidade entre as cervejarias, o trajeto de 600 metros durante o passeio pode ser realizado a pé, em uma caminhada de sete minutos, e através de bicicleta. Ou mesmo em outras opções de locomoção, como em veículos de receptivos, próprios, táxis ou de aplicativos, além de empresas de transporte executivo e transfers oferecidos pela rede hoteleira aos seus hóspedes.

Setor unido
Essa proximidade física entre as marcas, inclusive, é vista como um diferencial da Rota Cervejeira de Atibaia, como destaca Gabriela Basacchi, responsável pela área comercial da Heusch. Lembrando que esse tipo de turismo está consolidado em outras localidades, ela acredita que a iniciativa pode trazer mais visitantes para a cidade paulista.

“É uma união de forças de quatro cervejarias artesanais de Atibaia para promover a cultura cervejeira, que tem ainda muito a crescer no mercado. Aproveitando a proximidade física das cervejarias, surgiu a ideia dessa rota cervejeira. Tem um potencial imenso, como em outras regiões do Brasil, que já têm esse roteiro consolidado. O objetivo é difundir a cultura cervejeira, trazendo cada vez mais o turista para Atibaia”, conta Gabriela.

Aproveitar a força turística de Atibaia foi, aliás, uma das motivações para a criação da rota cervejeira, como ressalta Ricardo Blanco, cervejeiro da Kuppel. Já parceiros comerciais, os responsáveis pelas marcas enxergaram essa possibilidade a partir de uma ação coletiva para a arrecadação de alimentos durante a pandemia do coronavírus, como ele relata. A partir daí, então, a ideia foi tirada do papel para unir o potencial turístico da cidade com suas atrações turísticas.

“Atibaia é uma cidade turística, com um nome forte, e precisamos nos fazer presentes e sermos mais conhecidos. Quando veio a pandemia, fizemos uma ação para arrecadação de alimentos na porta das 4 cervejarias em troca de cerveja. Dali nasceu a ideia de colocar a rota em prática, aproveitando os pontos a favor para que desse certo, como a localização próxima a São Paulo, assim como o fato de a cidade ter uma grande rede hoteleira”, relata o cervejeiro da Kuppel.

Dessa união através da Rota Cervejeira de Atibaia, a expectativa é que o mercado cervejeiro se fortaleça na cidade. “Ninguém faz nada sozinho. Cada cervejaria tem sua história, cada uma segue sua linha específica, o que traz variedade, mas cada um sozinho é mais fraco. Juntos, para fazer compartilhamento de compras, trocar informações, em uma parceria simbiótica, a gente se ajuda. Além de fornecer uma opção para turistas, fomentamos o mercado local conjuntamente, o que é o futuro. Mais do que vender cerveja em outras cidades, o objetivo é fortalecer o beba local”, destaca Alexandre Gonçalves, sócio-proprietário e diretor-geral da Los Compadres.

Atibaia fortalecida
Assim, contanto com a união das marcas, a Rota Cervejeira de Atibaia pode trazer benefícios para a própria cidade, aproveitando o seu potencial para receber visitantes, como argumenta Eduardo Felix, cervejeiro e sócio-proprietário da Tibaya Cervejaria.

“É mais um pacote turístico para uma cidade com grande potencial. O turismo cervejeiro também agrega. Para nós, é uma chance de divulgar nossos produtos e trabalhos, tornando as cervejarias locais mais conhecidas, expandindo os mercados”, aponta Eduardo.

A gestora-executiva do Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau destaca, ainda, que as marcas agora esperam apoio da administração pública para a Rota Cervejeira de Atibaia. “O Atibaia e Região Convention Visitors Bureau acredita 100% no sucesso do produto e não medirá esforços para conquistar novos turistas para a cidade e região. Estamos pleiteando apoio da Prefeitura municipal de Atibaia, tanto na segurança, limpeza da área, sinalização, como nas demais necessidades.”

Mônica ainda lembra o pioneirismo da Rota de Atibaia em sua região, apontando que, dela, podem surgir novos estímulos para a atividade, como a criação de um polo cervejeiro. “Esta rota é a primeira da região, estamos muito orgulhosos por isso, e em breve lançaremos o polo cervejeiro regional”, revela a gestora.

Menu Degustação: Parceria entre Lohn e Blend Bryggeri, especialização do Science…

A semana cervejeira confirmou a tendência de parcerias e oportunidades no segmento. Foram essas características que provocaram a união, em Santa Catarina, entre Lohh e Blend Bryggeri, em uma parceria que deverá dar impulso para a produção de receitas da marca de Criciúma em diversos formatos. Já para quem também está em busca de mais conhecimento, o Science of Beer abriu inscrições para o curso de especialização intensiva em estilos.

A retomada gradativa do público ao bares tem despertado o ânimo do setor e também estimulado novidades. A Cervejaria Madalena, por exemplo, fez a inauguração de mais um estabelecimento para atendimento presencial ao público. Já a Ambev mostra-se cada vez mais atenta ao mercado e realizará concurso de coquetéis sem álcool para estimular o consumo moderado.

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Confira estes e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Blend Bryggeri e Lohn Bier
A Blend Bryggeri fechou uma parceria com a Lohn Bier e prevê um impulso na produção e distribuição de suas receitas. Com a ação, a cervejaria de Criciúma (SC) retorna à casa onde nasceu como cigana em 2017. Segundo as empresas, a novidade dará mais qualidade no processo produtivo, maior abrangência em pontos de venda e proximidade com os consumidores finais. A primeira ação da parceria será o lançamento, ainda em 2021, de quatro receitas da Blend em três formatos: latas de 473ml, barris de chope e garrafas de 600ml. A distribuição dos rótulos envasados em barris e latas de 473ml se dará apenas para empórios e bares cervejeiros especializados. Já as garrafas de 600ml ganharão as prateleiras de mercados e supermercados.

Station da Madalena
A Cervejaria Madalena inaugurou mais um estabelecimento para atendimento presencial ao público. Localizada no centro de São Bernardo do Campo (SP), a Madalena Station traz todos os estilos da cervejaria em garrafas, long necks, latas, além dos growlers e das torres de chope especiais de 2,5 litros e 3,5l. Com todos os rótulos presentes, os consumidores poderão degustar desde as mais tradicionais, como a Lager e a IPA, até as especiais da Madalena – AbacaxIPA, Shandy Lemon e Lager Light.

Especialização no Science
O instituto Science of Beer anunciou a edição intensiva do Science of Beer Styles, que visa aprofundar o conhecimento de estilos do sommelier de cervejas e do mestre-cervejeiro. As aulas serão ministradas de 26 de setembro a 3 de outubro em Teresópolis, no Centro Cervejeiro da Serra, situado na Cervejaria Petrópolis. Os alunos irão estudar e degustar 80 rótulos, além de realizarem experiências práticas às cegas e simulação de competições cervejeiras. Segundo o Science, os alunos terão uma experiência de imersão 360º, já que as aulas ocorrerão dentro de uma cervejaria, com experiência de produção na microcervejaria, visita à fazenda de lúpulo, além de alojamento em hotel-fazenda com café e almoço inclusos no valor do curso.

“A cerveja que é muito a gente”
A Petra apresentou ao mercado o posicionamento “A cerveja que é muito a gente”, baseado nas experiências que traduzem brasilidade e autenticidade na presença da marca em seus territórios naturais de atuação: cinema, gastronomia, música brasileira e celebrações regionais. A marca destaca que o novo momento de Petra Origem vem acompanhado da estreia de filme inédito em TV aberta e fechada, desenvolvido em parceria com a agência BETC/Havas, e diversas ações pelo país, além de plano de mídia em todo o território nacional, com desdobramentos em veículos impressos e online.

O filme apresenta de forma leve e descontraída situações em que todo brasileiro se identifica ou, no mínimo, já teve contato. Com versões de 5 a 30 segundos, as peças mostram momentos como pedir cerveja só com um gesto e cantar com empolgação no karaokê. A campanha conta com estratégia de regionalização, realçando cenas criadas e filmadas exclusivamente para cada uma das cinco regiões do país, incluindo o tradicional bate-volta até a praia, em São Paulo, e os aplausos ao pôr do sol no Rio de Janeiro.

Concurso da Ambev
Para conectar o consumidor a novas formas de consumo moderado e possibilidades de drinques, a Ambev, junto com sua marca Tônica Antarctica, está lançando o projeto Brinde com Moderação, o primeiro concurso da companhia de drinques não alcoólicos do Brasil. Os interessados poderão se inscrever no campeonato de coquetelaria até este sábado. Serão quatro provas ao longo de um mês. Ao final do campeonato, o vencedor ganhará uma viagem para Trancoso, com tudo pago e direito a acompanhante, no verão de 2022. Os consumidores poderão acompanhar todos os conteúdos e ter acesso às receitas sem álcool nas redes da Tônica Antarctica.

Conheça a bebida com malte da Ambev para ajudar pessoas em vulnerabilidade

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Na tentativa de ajudar na alimentação de moradores de comunidades vulneráveis nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, a Ambev anunciou a criação de uma bebida, que começou a ser doada no final de julho. A ação acontece em parceria com a Central Única de Favela (Cufa) e a Gerando Falcões, organizações que atuam em prol do desenvolvimento social de favelas de todo país.

Feito em parceria com outras empresas como Tetra Pak, GlobalFruit, Smurfit Kapa, Vogler, MCassab, Tereos e Primeserv, o alimento líquido teve 270 mil unidades produzidas, como explica a cervejaria.

“Como uma maneira de contribuir com a complementação alimentar de pessoas em situação de vulnerabilidade, iniciamos, juntamente com parceiros, o desenvolvimento de uma bebida sabor chocolate, à base de malte, rica em nutrientes e pronta para consumo”, comenta a Ambev.

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A cervejaria destaca que foram feitos testes prévios e seguindo os protocolos da Anvisa, recebendo a autorização do órgão nacional de vigilância sanitária para consumo e a garantia das propriedades da tabela nutricional do produto. E, como foi criada para ajudar a complementar a dieta de pessoas em situação de vulnerabilidade social, a bebida não será comercializada.

Desenvolvida dentro da Ambev após diversos estudos e análises, a bebida é considerada um alimento líquido pronto para o consumo à base de água e malte – ingrediente considerado altamente nutritivo – rico em vitaminas A, B6, D e E, fonte de vitaminas B1 e B2, cálcio e magnésio e adicionado de proteína vegetal.

As doações começaram em 21 de julho, no Rio de Janeiro, com apoio da Cufa, que fará a entrega em comunidades cariocas. Em São Paulo, as doações se iniciaram no dia 27, com apoio da Gerando Falcões em comunidades da zona Leste.

Cenário de crise
A vulnerabilidade alimentar é um problema social urgente que agravou-se com a pandemia da Covid-19 no Brasil. E pode ser percebido por diversos dados. A renda média do trabalhador caiu 8% de 2019 para 2020 na região metropolitana de São Paulo, segundo a Fundação Seade, passando de R$ 1.614 para R$ 1.242.

Já o preço da Cesta Abrasmercado (composta por 35 produtos de largo consumo nos supermercados brasileiros) fechou junho com preço de R$ 662,17. No acumulado do ano até junho, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) verificou um aumento de 4,28%. Os produtos que mais chamaram a atenção pelas altas no primeiro semestre foram açúcar, com aumento de 15,9%; carne da parte dianteira do boi, com 13,2%; e ovos, com alta de 12,9%.

Houve, por outro lado, o aumento das vendas do segmento de massas alimentícias de 2019 para 2020, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi). A receita com esse tipo de produto aumentou de R$ 9,866 bilhões para R$ 11,289 bilhões em um ano. Já em volume, a expansão foi de 1,292 milhão de toneladas para 1,371 milhão de toneladas. Isso, evidentemente, está relacionado ao preço mais baixo desse tipo de produto em um cenário de queda na renda.

Por portfólio de cervejas, empresas do Sistema Coca-Cola compram Therezópolis

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A Coca-Cola Femsa e a Andina, empresas que fazem parte do Sistema Coca-Cola, anunciaram a compra da Cerveja Therezópolis. O acordo, que não teve os seus detalhes financeiros revelados, se insere em um contexto da busca por novas opções para o portfólio de cervejas pela companhia, após selar um novo acordo de distribuição com o Grupo Heineken no país.

“Este acordo faz parte das suas estratégias de longo prazo para complementar o portfólio de cervejas no Brasil. A transação está sujeita às condições habituais de aprovações e deverá ser concluída durante o terceiro trimestre de 2021”, afirma o Sistema Coca-Cola, em comunicado oficial.

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Em fevereiro, ficou definido que o Grupo Heineken passaria a ficar responsável pela distribuição das suas duas principais marcas no Brasil: a Heineken e a Amstel. O Sistema Coca-Cola, por sua vez, seguiria responsável pelas entregas de Eisenbahn, Bavaria, Kaiser e Sol, além de outras marcas.

Agora, então, a Femsa Coca-Cola e a Andina buscaram ocupar parte da lacuna deixada pelas marcas Heineken e Amstel com a aquisição da Therezópolis, que conta com seis cervejas em seu portfólio, sendo vista como uma marca que se posiciona entre as artesanais e as premium, pois costumeiramente é encontrada em grandes redes varejistas.

A Femsa Coca-Cola, com sede na Cidade do México, é considerada a maior distribuidora de produtos da Coca-Cola no mundo. São 3,3 bilhões de caixas unitárias negociadas anualmente, com quase 2 milhões de pontos de venda. A empresa tem 49 fábricas e 268 centros de distribuição.

Presente no Brasil há 18 anos, a Femsa Coca-Cola é responsável pela distribuição do Sistema Coca-Cola em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A Andina atua na Argentina, no Chile e no Paraguai, sendo que no Brasil atua com os produtos da Coca-Cola no Rio de Janeiro e Espírito Santo.

A Therezópolis foi fundada em 1912 na região serrana no Rio, mas teve a produção interrompida em 1922. A sua retomada se deu em 2006. E, até a venda para as engarrafadoras da Coca-Cola, fazia parte do grupo Arbor Brasil, que conta, no seu portfólio, com a Catuaba Selvagem e o vinho Cantina da Serra.

Verallia pretende aumentar uso de cacos de vidro em sua produção para 59% até 2025

A Verallia acaba de anunciar uma nova meta de circularidade das suas embalagens de vidro e agora quer ampliar a utilização de cacos de 49% para 59% em seus processos de produção até 2025, segundo revelou a multinacional.

Optar por usar mais caco significa, na prática, poupar matérias-primas e energia, colaborando com a preservação da natureza. Com esse aumento de 10%, a empresa estima ser possível reduzir em 5% as emissões de gás carbônico e diminuir em 2,5% o consumo de energia.

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O plano faz parte das práticas de ESG (sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança) da fabricante de embalagens e está inserido no propósito Reimaginar o Vidro para um Futuro Sustentável, integrando a estratégia de longo prazo da empresa.

O aumento do uso de cacos de vidro ajudará a Verallia em suas metas de redução das emissões de CO2 em todas as suas operações até 2030 e se dará por meio de mudanças na mistura de matérias-primas destinadas à produção de vidro, além de menor uso de matérias-primas carbonatadas, redução na energia para derreter o vidro e outros processos de produção e ampliação do uso de energia verde.

O diretor geral da Verallia na América Latina, Quintin Testa, reconheceu que a forma como as pessoas consomem e os resíduos que geram todos os dias representam um desafio para a sociedade, com a embalagem sendo um dos principais componentes. “Além disso, a emergência climática requer a mobilização de todas as partes interessadas (stakeholders) para melhor proteger os recursos naturais e acelerar a transição para a neutralidade de carbono.”

Ao anunciar o plano de aumentar o uso de cacos de vidro em sua produção de embalagens, a Verallia também apresentou três linhas principais do seu trabalho por sustentabilidade. Confira:

  • Acelerar a inovação na cadeia de valor: a Verallia está comprometida em integrar soluções cada vez mais inovadoras para reduzir as emissões de carbono, desde o design até o transporte do produto, ajudando assim os clientes do Grupo a reduzirem seus próprios impactos ambientais;
  • Fazer do reaproveitamento uma solução ganha-ganha ao planeta e às embalagens de vidro: a Verallia quer promover e sustentar o reaproveitamento de embalagens de vidro para atender às expectativas cada vez mais altas de seus clientes e consumidores nessa área;
  • Mobilizar para obter mais vidro reciclado: a Verallia deseja trabalhar com seus parceiros para fortalecer os sistemas de reciclagem em todos os seus mercados.

Como a Seasons levou o tema da preservação da Amazônia ao meio cervejeiro

Transcender a cerveja, dando protagonismo aos ingredientes que a compõem e, principalmente, aos projetos que ajudam a conservá-los. É essa a premissa que levou a Seasons a criar o projeto Legado, que coloca em primeiro plano três produtos presentes na Floresta Amazônica e as ações que apoiam e ajudam na sua preservação.

A série, assim, não é apenas uma coleção de três Stouts com a mesma base e cacau, cumaru e café como ingredientes diferenciais de cada uma delas. Idealizada a partir da aproximação de iniciativas que atuam para a conservação do bioma, ela vincula a cerveja – produto que motiva a existência da marca pertencente ao grupo CBCA – a projetos de sustentabilidade. 

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Nesse caso, a grupos que ajudam na conservação da Floresta Amazônica. Para tirar a série do papel, afinal, a Seasons se uniu a duas organizações ambientalistas: o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), de Piracicaba (SP), e o Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), de Manaus (AM). Ambos desenvolvem projetos com comunidades amazônicas produtoras de cada um dos ingredientes, cedidos para a produção das três cervejas.

E a Seasons acredita que, a partir dessa iniciativa, consegue induzir o público cervejeiro a consumir produtos da Amazônia que possuam origem sustentável ao mesmo tempo em que tem contato com a complexidade sensorial dos rótulos, em uma conexão que vai além da bebida. 

“O Seasons Legado nasceu com propósito de trazer a matéria-prima, suas origens, comunidades, práticas agroecológicas em primeiro plano, dando relevância ao homem do campo, e, nesse caso específico, às comunidades da Amazônia. São projetos lindos que mostram que é possível, sim, conservar e ser produtivo ao mesmo tempo na Amazônia”, comenta Karin Barreira, diretora de marketing da CBCA.


Leonard Sewald, embaixador da Seasons, destaca o papel de porta-voz de uma causa adotado pela marca com o lançamento das cervejas, apontando que a iniciativa abre espaço e entrega o protagonismo para as ações do Imaflora e do Idesam. 

“O papel das duas entidades é fundamental pois não só foram através delas que tivemos acesso às matérias-primas utilizadas no projeto, como também são elas que fazem a conexão com as famílias produtoras da Amazônia, auxiliando-as nos projetos de agricultura sustentável dos chamados sistemas agroflorestais. A Seasons, nesse sentido, é o veículo que leva o resultado do trabalho dessas famílias para o meio cervejeiro”, explica o embaixador da Seasons.

Assim, como avalia Leonard, o Legado se insere na estratégia de ir além da cerveja. A marca, desse modo, atua para oferecer conteúdo ao público, dando-lhe acesso a novas histórias, realidades e contextos. 

A Seasons sempre teve como objetivo criar produtos que transcendessem o aspecto comercial, criando produtos que também contassem histórias. Nesse sentido, o projeto Legado superou totalmente as expectativas, pois não só estamos contando uma bela história real de resiliência, perseverança e progresso de um Brasil que por vezes está distante do nosso dia-a-dia, como também estamos servindo como uma ponte para consumidores que se sintam motivados a deixar o seu legado

Leonard Sewald, embaixador da Seasons

Marca sustentável
E, na avaliação de Leonard, o objetivo foi alcançado com esse projeto. Ele ressalta que a Seasons também oferece uma ligação entre o consumidor das suas cervejas e as famílias produtoras dos ingredientes utilizados nos rótulos da série. Um detalhe importante nas latas reforça essa preocupação de aproximar o público cervejeiro dos projetos de sustentabilidade: elas têm um QR Code impresso, que dá acesso a um portal com informações sobre as iniciativas.

“Através do QR Code presente nas latas, conseguimos conectar contribuições vindas dos consumidores diretamente com as famílias produtoras, através das nossas duas entidades parceiras do projeto. Isso para nós é criar um produto com um significado e propósito maior. É fazer a marca deixar o seu legado. Desnecessário dizer que estamos tremendamente orgulhosos com o projeto”, destaca o embaixador da Seasons.   

Karin também avalia que a criação da série se insere em um contexto maior de atuação da Seasons pela sustentabilidade. Ressaltando que todos os atores do setor podem fazer a sua parte, seja as grandes indústrias ou as microcervejarias, ela enumera iniciativas pioneiras adotadas pela marca ao longo da sua trajetória.

Tamanho não é documento, pois não é preciso ser grande para adotarmos boas práticas para cuidar do meio ambiente. Sou feliz em dizer que a Seasons foi pioneira nisso, tendo sido a primeira cervejaria artesanal do país a adotar caldeiras com queima de biomassa ao invés de gás GLP, bem como uma das primeiras cervejarias a adotar o uso de ozônio (sanitizante poderoso gerado na própria fábrica, que não agride o meio ambiente) como alternativa a produtos químicos sanitizantes. Ou seja, faz parte do nosso DNA pensarmos de maneira sustentável

Karin Barreira, diretora de marketing da CBCA

Artigo: Como leveduras cervejeiras sobreviveram 120 anos em um navio

*Por Luciana Brandão

Muito provavelmente você deve ter lido nas últimas semanas sobre a descoberta, feita pelo mergulhador Steve Hickman, de garrafas de cerveja encontradas no porão de um navio submerso, o Wallachia, há mais de 100 anos, nas profundezas do mar da Escócia. E o que chamou mais a atenção foi o isolamento de leveduras dos gêneros Brettanomyces e Debaryomyces “vivas”, isoladas do líquido de dentro das garrafas por cientistas de uma empresa de pesquisas em cerveja e colegas da Universidade de Sunderland, no Reino Unido.

Não vamos repetir a reportagem que circulou em vários jornais e canais de divulgação no Brasil e no mundo. A história completa você pode encontrar em um clique.

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Mas, como nós somos apaixonadas por leveduras e amamos a ciência por trás da cerveja, vamos explorar aqui a verdade sobre como foi possível encontrar essas leveduras depois de tanto tempo, e ainda “vivas”, sob condições tão extremas quanto as existentes no fundo do mar. 

Afinal, que leveduras são essas?
Para começar, vamos lhe dizer que as duas leveduras são encontradas normalmente em ambientes fermentativos, como cerveja, vinho e outros alimentos e bebidas. Algumas espécies dos dois gêneros são reconhecidamente contaminantes do processo cervejeiro, consideradas leveduras selvagens. Mas, em cervejas particulares, como Lambics e outras variedades de cervejas de fermentação espontânea, são os organismos responsáveis, junto com outras leveduras e bactérias, pelas características aromáticas bastante complexas e fora do comum de cervejas belgas e das Wild Ales. 

Mas como essas leveduras conseguiram sobreviver por tanto tempo e em um ambiente tão hostil como o fundo do mar?
Essas leveduras não estavam exatamente vivas, mas em um estado que chamamos de latência. Nesse estado, é como se ela ficasse em repouso, com seu metabolismo bem mais lento, gastando pouquíssima energia para sobreviver. O que os pesquisadores fizeram foi “ressuscitar” essas leveduras com técnicas microbiológicas específicas.

Quem é essa tal de Debaryomyces?
A levedura Debaryomyces foi originalmente isolada de águas marinhas e é, talvez, uma das leveduras mais osmotolerantes e halofílicas (pode tolerar altos níveis de açúcar e sal, respectivamente) dentre as mais de 2 mil espécies conhecidas. Esse fato se dá pela produção e pelo acúmulo de compostos, como o glicerol, que auxiliam na manutenção do equilíbrio osmótico nesses ambientes. Para você ter uma ideia, a Saccharomyces cerevisiae tolera ambientes com até 10% de salinidade e a Debaryomyces, níveis acima de 24%. Agora tudo começou a ficar mais claro, não é verdade? 

A espécie D. hansenii, por exemplo, pode ser encontrada comumente em muitos outros habitats com baixa atividade de água, como queijos, carnes, vinhos, cervejas, frutas e solo. E, apesar de serem fracamente fermentativas, há um crescente interesse na utilização de linhagens da espécie isoladas em cervejas de fermentação natural belgas, na produção das cervejas modernas. 

A tão fantástica e temida Brettanomyces
Já a Brettanomyces é mais conhecida pelos cervejeiros. E, ao contrário da Debaryomyces, é capaz de fermentar diversos açúcares do mosto cervejeiro, incluindo maltotriose, dextrinas e celobiose. É o terror das cervejarias quando não inoculadas propositalmente, pois são altamente resistentes aos fatores de estresse, além de formar biofilme e conseguir sobreviver muito bem em condições de ausência de oxigênio, mantendo-se viáveis por longos períodos. Talvez seja por isso que a Brettanomyces conseguiu sobreviver por tanto tempo no fundo do mar.

Novas leveduras, novas cervejas
Claro que existem mais fatores que podem ter influenciado na sobrevivência dessas leveduras no ambiente encontrado, incluindo metabólicos, fisiológicos e genéticos, mas só o fato de encontrá-las nessas condições nos abre a cabeça para a aplicação delas em vários processos biotecnológicos, incluindo a produção de cervejas.

Atualmente existe uma busca, por pesquisadores e cientistas, de leveduras não convencionais (não-Saccharomyces) capazes de produzirem cerveja e com grande potencial para a produção de vários compostos de aroma que agregam complexidade e intensificação de frutas na cerveja.

E, apesar de a indústria cervejeira demonstrar alguma resistência à utilização dessas leveduras, há um grande potencial desses microrganismos para a produção de cervejas, inclusive quando considerados em fermentações mistas e sequenciais, com a levedura cervejeira mais conhecida, a S. cerevisiae. Seria uma alternativa inovadora na produção de bebidas, trazendo diversidade e várias oportunidades de exploração para o universo das cervejas artesanais. 

Referências bibliográficas:
1) Rosa and Peter, 2006. Biodiversity and Ecophysiology of Yeasts. ed: Springer-Verlag Berlin Heidelberg, 2006.

2) Breuer and Harms, 2006. Debaryomyces hansenii- an extremophilic yeast with biotechnological potencial. YEAST. vol 23, issue 6, 415-437. 


Luciana Brandão é pós-doutorada em Microbiologia pela UFMG, cervejeira caseira, sommelière de cervejas, co-fundadora e CEO do Laboratório da Cerveja, empresa de biotecnologia e soluções em processos cervejeiros

Texto originalmente publicado no site do Laboratório da Cerveja

Eficiência e novas fontes: Como cervejarias podem lidar com a crise energética

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A expectativa de recuperação do setor cervejeiro a partir da flexibilização das medidas restritivas em razão da pandemia do coronavírus pode sofrer um revés por um novo fator: a crise energética. Com a alta do preço das tarifas e até a possibilidade de “apagões”, resta às indústrias, sejam as grandes cervejarias ou as artesanais, apostarem em novas fontes energéticas e em melhorias nas suas operações para minimizarem os efeitos de um cenário adverso, já sentidos na economia real.

É essa a avaliação de especialistas ouvidos pelo Guia sobre um contexto que já é responsável pela maior alta inflacionária para o mês de julho desde 2002. Segundo os dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE, a elevação de 7,88% das tarifas da energia elétrica no mês passado foi a principal responsável pela inflação de 0,96% do IPCA. 

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Estudos apontam que cervejarias consomem mais de 730 mil MWh/ano, uma quantidade relevante e que torna óbvia a expectativa de que a crise energética irá chegar, em algum momento, ao bolso dos consumidores, afinal, toda a cadeia produtiva deverá ser afetada, do campo ao bar.

Nesse cenário, as cervejarias precisam atuar para melhorar a sua produtividade, com o intuito de evitar o repasse aos consumidores dos efeitos da crise energética. “Em um primeiro momento, as indústrias buscam internalizar esses custos, evitando o repasse para os consumidores através do esforço para aumentar a produtividade”, analisa Tatiana Lauria, especialista em estudos econômicos da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Reduzir margens tem sido uma estratégia necessária em um contexto de crise, que se soma ao aumento no preço de insumos, como embalagens e ingredientes, algo que não pôde se refletir em preços mais altos. Um desafio que agora é reforçado com o aumento da tarifa energética.

André Dias e Jean Rodrigues, professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) e membros do Grupo de Estudos e Pesquisa em Tecnologia Cervejeira, apresentam recomendações de reforço na busca pela eficiência, além da possibilidade de geração da própria energia, como alternativas para a atual crise.

“As cervejeiras devem buscar melhorias na eficiência de seus processos, como redução de desperdícios, melhor planejamento de produção, implementação de novos processos, entre outros. Devem também buscar utilização de geração de energia própria, buscando até sua autossuficiência energética”, recomendam os professores do IFSP. 

A especialista da Firjan, inclusive, enumera medidas que podem ser adotadas por cervejarias de qualquer porte para melhorar a produtividade, algo primordial durante uma crise energética. “Avaliar se estão com o enquadramento tarifário correto, a possibilidade de troca de equipamentos e medidas de eficiência energética, a produção em turnos fora do horário de ponta, além da viabilidade de se instalar painéis fotovoltaicos. Essas são medidas que podem ser tomadas no curto prazo, reduzindo os efeitos negativos da crise”, comenta Lauria. 

O que uma gigante do setor tem feito
Para minimizar os impactos do reajuste das bandeiras tarifárias, as indústrias têm agido. É assim, por exemplo, com o Grupo Heineken, que vem reforçando a aposta na contratação de energia a longo prazo e em fontes renováveis, como destaca Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade.

“O Grupo Heineken está sempre atento às movimentações de mercado, e tem atuado de forma diligente na otimização dos custos de energia não só de suas unidades fabris, mas em todas as unidades de consumo, seja contratando energia a longo prazo para as fábricas quanto trabalhando com fontes renováveis para reduzir os custos nas unidades de baixo consumo”, afirma Vilardo. 

Além disso, o Grupo Heineken, que recentemente anunciou metas globais e para o Brasil para tornar a sua operação carbono zero, assegura que tem buscado parcerias estratégicas para lidar com os desafios energéticos. 

Diante desse desafio somado ao nosso compromisso com as fontes renováveis, temos direcionado nossos esforços na obtenção das melhores oportunidades, criando parcerias sólidas e estratégias para superar os desafios futuros que têm se apresentado. Reforçamos nosso compromisso com colaboradores, clientes e sociedade, na busca incessante pela redução dos impactos ambientais

Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade do Grupo Heineken

Desafios para microcervejarias 
O cenário de desafios, entretanto, não é o mesmo para todas as empresas da cadeia produtiva. Os professores do IFSP reconhecem que há entraves maiores para microcervejarias se tornarem tão eficientes quanto as principais indústrias do setor, destacando as melhorias que precisam ser implementadas em suas operações. 

“Microcervejarias tendem a ter impactos mais agudos em relação a problemas energéticos, uma vez que não possuem estrutura para implementar grandes projetos de autossuficiência energética, ao contrário do que ocorre nos grandes grupos. Porém, os impactos podem ser mitigados implementando projetos de eficiência energética em seus processos e projetos de micro geração de energia elétrica, como energia fotovoltaica”, orientam André Dias e Jean Rodrigues.

Eles também citam medidas que podem ser adotadas para que as cervejarias artesanais se aproximem da eficiência apresentada por grandes indústrias, algo necessário para não se perder a competitividade enquanto perdurar a crise energética.

Passa pelo melhor aproveitamento de resíduos, utilização racional da água e melhoria da eficiência energética dos equipamentos. Principalmente no caso das microcervejarias, ainda há muito desperdício de recursos. Como exemplo, os grandes grupos, atualmente, têm trabalhado com a marca de pouco mais de 3 litros de água para cada litro de cerveja produzida, enquanto que muitas microcervejarias chegam a gastar 10 litros de água por litro de cerveja

André Dias e Jean Rodrigues, professores do IFSP

O futuro energético
Além da atual crise energética, há outros fatores para dúvidas e preocupações das cervejarias, um deles envolvendo a iminente privatização da Eletrobras. A previsão de descotização de usinas mais antigas, com a liberação para a venda de energia e preços de mercado, tende a torná-la mais cara. Também há temor com os efeitos de medidas que obriguem a construção de termelétricas a gás natural onde não há acesso a esse combustível, assim como de se contratar pequenas hidrelétricas.

Para a Firjan, a atual crise energética somadas às dúvidas sobre o futuro do setor reforçam a necessidade de mudanças no modelo energético brasileiro, com o intuito de reduzir custos e garantir a necessária segurança energética para assegurar a competitividade da indústria. Isso inclui, por exemplo, a ampliação da utilização de fontes renováveis. 

A ampliação do mercado livre e o acesso a novas formas de produção de energia – como a geração distribuída, a modernização do modelo de operação do setor, a redução dos subsídios cruzados e dos encargos na conta de luz – são alguns desafios que precisam avançar para que a energia elétrica se transforme em fator de competitividade. Em termos de matriz, o país precisa avançar nos próximos anos em uma transição que aumente a entrada das fontes renováveis, também com a inserção daquelas que não possuam grande intermitência e possam garantir a segurança energética, como a geração através do gás natural e a nuclear

Tatiana Lauria, especialista em estudos econômicos da Firjan

Preço da cerveja tem inflação de 0,58% em julho e segue alta expressiva do IPCA

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O preço da cerveja em domicílio registrou alta no mês de julho, com inflação de 0,58%, de acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como resultado, a variação do valor do item nos sete primeiros meses de 2021 ficou em 3,18%. Além disso, a inflação da cerveja em domicílio está em 6,91% no acumulado dos últimos 12 meses.

A alta do preço da cerveja em julho ocorreu em um contexto de elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apresentou alta de 0,96% em julho, 0,43% acima da taxa de 0,53% registrada em junho, conforme destacou o IBGE.

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O resultado é a maior variação para o mês de julho desde 2002, quando o índice foi de 1,19%. No ano, o IPCA acumula alta de 4,76% e de 8,99% nos últimos 12 meses, acima dos 8,35% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2020, a variação mensal havia sido de 0,36%.

A alta de 7,88% da energia elétrica foi a principal responsável pela expressiva elevação do IPCA em julho. “Além dos reajustes nos preços das tarifas em algumas áreas de abrangência do índice, a gente teve o reajuste de 52% no valor adicional da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em todo o país. Antes o acréscimo nessa bandeira era de, aproximadamente, R$ 6,24 a cada 100kWh consumidos e, a partir de julho, esse acréscimo passou a ser de cerca de R$ 9,49”, explica o analista da pesquisa, André Filipe Guedes Almeida.

De acordo com o IBGE, a compra da cerveja fora do domicílio também ficou mais cara para os brasileiros no mês passado, em 0,76%. No ano, a inflação deste item está em 3,08%. Já nos últimos 12 meses, o indicador tem alta de 5,41%.

Na contramão da cerveja, os valores das outras bebidas alcoólicas registraram queda nos preços em julho. Na análise do item em domicílio, a deflação foi de 1,01%. Isso resulta em uma variação anual de 5,03% e de 10,38% nos últimos 12 meses.

Já para outras bebidas alcoólicas fora do domicílio, a deflação ficou em 0,37%. Com isto, a variação anual do item está em 0,29%. E é de 4,31% no período de 12 meses. 

O segmento de alimentação e bebidas, por sua vez, registrou uma inflação de 0,60% no último mês. Com o desempenho de julho, a alta dos últimos sete meses chegou aos 3,34%. E, no período de 12 meses, a elevação dos preços fica em 13,25%.