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1 ano e 4 meses após contaminação, Backer voltará a produzir e vender cerveja

A Backer vai voltar a comercializar a cerveja Capitão Senra, um dos seus rótulos mais conhecidos. Nesta terça-feira, a Cervejaria Três Lobos, proprietária da marca de Belo Horizonte, anunciou a retomada da produção e da venda de bebidas. De acordo com a empresa mineira, há autorização judicial para tanto.

A volta das atividades se dá menos de um ano e meio depois da eclosão do caso de consumo de cervejas contaminadas da Backer por dietilenoglicol, o que provocou a morte de dez pessoas. A empresa é alvo de processo na Justiça mineira por esses falecimentos e mais 29 casos de contaminação.

A Cervejaria Três Lobos Ltda. tem pautado sua atuação na estrita observância das normas e no cumprimento das decisões administrativas e judicias. Nesse sentido, voltará a comercializar a cerveja Capitão Senra, iniciativa fundamental para a manutenção do emprego de seus colaboradores e para honrar seus compromissos

Backer, em seu perfil no Instagram

A marca já havia relançado a Capitão Senra em outubro de 2020, durante evento no Templo Cervejeiro, o brewpub da Backer, mas naquele momento a produção da cerveja ocorria no interior de São Paulo, em Vinhedo, na Cervejaria Germânia.

No entanto, em novembro, a Justiça havia determinado a suspensão das atividades da Backer, incluindo a venda da Capitão Senra. Essa decisão, porém, foi revogada em 22 de abril pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, diante de um acordo firmado entre o Ministério Público e a cervejaria para “a constituição de fundo para pagamento das despesas emergenciais” com as vítimas de contaminação dos rótulos.

Após o anúncio do retorno da venda e da produção de cerveja pela Backer, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destacou que a fabricação segue proibida na planta industrial, mas ponderou que a marca pode terceirizar o serviço. A cervejaria, porém, não revelou em seu comunicado onde irá fazê-lo.

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Relembre o caso
Em janeiro de 2020, vários consumidores foram internados com sintomas de intoxicação, desenvolvendo a síndrome nefroneural após ingestão de rótulos da Backer, especialmente da Belorizontina, a sua principal cerveja. Com o início da investigação, a perícia realizada constatou vazamento em um tanque e diversos outros focos de contaminação.

Em outubro, 11 pessoas tornaram-se rés no processo que investiga a contaminação de cervejas da marca com o produto tóxico dietilenoglicol. Na relação de denunciados, estão incluídos os três sócios da Backer.

Skol anuncia patrocínio ao No Limite com promessa de “diversão sem limite”

Transmitido pela primeira vez em 2000, o No Limite se consagrou como o primeiro reality show de sucesso da televisão brasileira. Décadas depois, o programa ganha uma nova versão nesta terça-feira, com transmissão pela Rede Globo. Mas, agora, o No Limite contará com uma novidade cervejeira: o patrocínio da Skol.

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“Skol é a cerveja do No Limite e promete levar o espírito da marca para o programa: leve, para uma diversão sem limite”, descreve a marca da Ambev.

Com o patrocínio ao No Limite, assim, a Skol pretende promover momentos de diversão e leveza aos 16 competidores e levar entretenimento e experiências para milhões de pessoas que acompanharão cada desafio de casa.

“Acreditamos que a leveza e a diversão podem mudar a forma como encaramos o dia a dia e agora em No Limite não será diferente. Nossa missão será garantir momentos leves aos competidores entre os desafios impostos durante o reality e, claro, queremos proporcionar a mesma experiência aos consumidores”, explica Helena Isaac, diretora de marketing de Skol..

Iremos anunciar algumas surpresas para o público que refletem a missão da marca dentro e fora do programa

Helena Isaac, diretora de marketing de Skol

Na avaliação de Rainor Marinho e Murilo Santos, diretores de criação da GUT, agência parceira da Skol nas ações desenvolvidas dentro e fora do programa, as pessoas estão mais ligadas do que nunca nesse tipo de programa. “Agora, a Skol vai mostrar porque é a cerveja perfeita para a galera curtir com bastante leveza dentro e fora do programa”, comentam Marinho e Santos, salientando que os realities “seguem bombando”.

Além das ações voltadas diretamente ao programa, a Skol contará com conteúdos inéditos, promoções e outras surpresas, convidando o público a curtir cada momento do No Limite.

Iron Maiden e BrewDog vão lançar cerveja Hellcat nos Estados Unidos

Os amantes da cerveja artesanal e do heavy metal vão ganhar mais uma opção. A BrewDog e o Iron Maiden uniram forças para lançar a Hellcat, uma India Pale Lager. A sua chegada ao mercado vai ser no outono do Hemisfério Norte, a partir de setembro, sendo inicialmente restrita aos Estados Unidos.

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“Estamos entusiasmados com a parceria com uma banda de rock de renome mundial como o Iron Maiden”, disse James Watt, CEO e cofundador da BrewDog. “O Iron Maiden, assim como a BrewDog, manteve o espírito de independência ao longo de sua carreira estelar. A Hellcat é uma cerveja Lager com aparência dourada nebulosa e acabamento nítido – uma cerveja épica digna desta colaboração.”

A cerveja feita com o Iron Maiden possui 6% de graduação alcoólica, tendo, de acordo com a descrição apresentada pela BrewDog, um sabor cítrico. Além disso, leva o icônico personagem Eddie em seu rótulo. E é carbono negativa, com a marca assegurando que removeu o dobro das emissões de gás carbônico necessárias para produzi-la.

Vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson celebrou a parceria com a BrewDog. “Tenho procurado o parceiro perfeito para trazer uma cerveja fresca e empolgante para os Estados Unidos”, disse a estrela do rock, exaltando a cervejaria escocesa, considerada a maior artesanal do mundo.

Há muito tempo sou um admirador da BrewDog, não apenas por causa de suas cervejas, mas também por sua atitude e estilo. Quando conheci a equipe BrewDog, descobrimos que o respeito é mútuo e que poderíamos fazer uma cerveja inegavelmente única juntos

Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden

Produzida nos Estados Unidos, a Hellcat se junta à família global de cervejas Trooper criada por Dickinson e a cervejaria britânica Robinsons Brewery. O nome é o mesmo de uma das mais famosas músicas do Iron Maiden, tendo sido lançada no álbum Piece Of Mind, em 1983.

A Trooper foi criada em 2013 e vendeu mais de 25 milhões de litros em todo o mundo, sendo exportada para mais de 60 países e produzida em diferentes estilos. Uma dessas foi a Trooper Brasil IPA, lançada no segundo semestre de 2019, em parceria com a curitibana Bodebrown.

Quadradinha une 29 marcas do Distrito Federal para homenagear Brasília

Se o trabalho colaborativo é uma das características do segmento de artesanais, 29 marcas do Distrito Federal colocaram esse conceito em prática ao se unirem em um momento de crise para apresentar a Quadradinha. A cerveja, lançada para celebrar o aniversário de 61 anos de Brasília, dá sequência a um projeto iniciado em 2020, sendo uma puro malte que está disponível em latas.

A ação foi criada no ano passado, sendo uma iniciativa da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) do Distrito Federal com a intenção de arrecadar fundos provenientes da venda da Quadradinha para ações de divulgação de cervejarias e pequenos negócios da capital federal e seu entorno.

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O projeto se torna ainda mais importante nesse momento de crise, com a Abracerva-DF estimando que houve queda de até 85% no faturamento das cervejarias, bares e restaurantes locais em função da pandemia do coronavírus. E o êxito da Quadradinha em 2020 reforçou o desejo de repetir a sua produção neste ano.

“Os associados gostaram bastante do projeto e levantaram a possibilidade de realizá-lo novamente em 2021. Nós seguimos com o mesmo objetivo: a intenção é de que cada colaborador consiga usar a cerveja para divulgar as próprias plataformas de comércio virtual, divulgar seus próprios produtos, negócios e prestações de serviço. Mais uma vez, o setor do Distrito Federal mostra união para superar esse cenário adverso que estamos vivendo desde o ano passado, unindo 29 marcas do nosso quadradinho”, afirma Pedro Capozzi, presidente da Abracerva-DF.

O nome Quadradinha faz referência ao formato do delineado das fronteiras do Distrito Federal, que rendeu esse apelido à localidade. Produzida em lote limitado, a cerveja foi distribuída entre os associados da Abracerva-DF, que ficam responsáveis pela comercialização das latas de 473ml, ao preço fixado de R$ 9.

Entre as 29 marcas participantes da iniciativa, estão inclusas cervejarias, pontos de venda, bares e uma loja de insumo e escola cervejeira do Distrito Federal, a Candango Bräu/Agrária, que patrocinou o projeto e doou a matéria-prima para a fabricação da Quadradinha, produzida pela Bezy, que está instalada em Sobradinho.

A Quadradinha acaba chamando atenção e convidando mais gente para o consumo e produção de cerveja artesanal

Heide Seidler, proprietária da Candango Bräu/Agrária

A Quadradinha é uma Hop Lager puro malte, sendo, de acordo com a descrição da Abracerva-DF, refrescante ao mesmo tempo em que oferece aromas mais intensos e complexos por conta da adição extra de lúpulos aromáticos. E possui 5% de graduação alcoólica.

As 29 participantes da Quadradinha são: Activista, Agrária/Candango Bräu, Bezy, Biela Bier, Bracitorium, Brasília Bier, Brassaria, Candango Bräu, Cerrado Beer, Corina, Corrupta, Cruls, Dona Maria, Dümf, Embuarama, Estória, Fermentaria, Galpão 17, Godofredo – 408 Norte, Gont’s, Hop Capital, Inocente, Julius Cervejaria, Madstein, Metanoia, Quatro Poderes, Recanto, São Bento e Totem.

Analistas apontam êxito da estratégia de inovação da Ambev; Ação dispara

O balanço positivo da Ambev no primeiro trimestre de 2021, com lucro líquido ajustado 125% superior ao do mesmo período de 2020, representou, para analistas, o êxito da estratégia de inovação da companhia. O resultado refletiu em alta expressiva na ação da empresa na sequência da divulgação dos números na última quinta. Os operadores, assim, optaram por minimizar os desafios que o cenário macroeconômico deve impor à cervejaria, algo que foi alertado por avaliações de alguns bancos de investimento.

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Além de apresentar um lucro líquido ajustado de R$ 2,761 bilhões, o balanço da Ambev também chamou a atenção pelo crescimento de 16% na venda de cervejas no Brasil no primeiro trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano passado.

“Mais uma vez vimos uma estratégia comercial bem-sucedida em Brasil Cerveja, com um aumento de preços mais fortes do que esperávamos em cima de uma base de volume sólida”, destacam Leonardo Alencar e Larissa Pérez, da equipe de análise da XP Investimentos.

Essa expansão da venda de cerveja pela Ambev se deu amparada pelo bom desempenho no mercado da Brahma Duplo Malte. A companhia também destacou o resultado alcançado no país por marcas globais, casos da Becks e da Corona. Além disso, analistas ressaltaram que o aplicativo Zé Delivery se transformou em uma importante ação da Ambev para ampliar as oportunidades de vendas.

Para Thiago Duarte, que faz parte da equipe de analistas do BTG Pactual, a Ambev conseguiu conquistar espaço no mercado cervejeiro enquanto concorrentes sofriam com a falta de embalagens e problemas na distribuição. E, pela diversificação do portfólio e dos canais de venda, ela se coloca em uma boa posição para o mercado pós-pandemia.

As novas ferramentas de gestão de receita da Ambev em um momento em que a concorrência ainda lutava com problemas de embalagem e fornecimento, juntamente com lançamento digital de sucesso (estimamos que a plataforma Zé Delivery contribuiu com mais de 8% das vendas no Brasil), sugerem que a Ambev está construindo uma base sólida para o mercado pós-pandêmico. A questão é se parte disso vai recuar quando a vida acabar de volta ao normal

Thiago Duarte, analista do BTG Pactual

Pontuadas por Duarte, as dúvidas sobre como será o desempenho da Ambev quando os bares e restaurantes voltarem a funcionar sem restrições, aumentando a participação nas vendas, também é destacada em outras análises, como a do Bank of America Merrill Lynch. A avaliação é de que poderá haver uma redução nos lucros da companhia.

“Continuamos cautelosos quanto às margens no Brasil para 2021 e 2022, uma vez que os preços das commodities em reais já apontam para uma inflação de custo de cerveja de um dígito de meio a alto no Brasil no próximo ano”, dizem Isabella Simonato e Guilherme Palhares, do Bank of America Merrill Lynch.

“Além disso, embora o mix de marcas tenha uma contribuição positiva importante, é incerto qual será o portfólio de equilíbrio entre as categorias premium e core plus versus a categoria mainstream quando bares e restaurantes reabrirem e a receita por hectolitro aumente nesse canal, onde a Ambev tem sido mais promocional”, acrescentam os especialistas. 

Esse desafio é imposto, especialmente, pela alta nos preços das commodities, estimulada pela desvalorização do real. E deverá, na avaliação da Ágora Investimentos, reduzir o lucro e pressionar os custos para a Ambev em 2021 e 2022. A companhia, porém, espera compensar essas adversidades com o aumento das vendas.

“Reduzimos as estimativas de Ebitda e lucro líquido em 4% e 13% para 2022, respectivamente, uma vez que agora assumem um aumento de 23% no CPV (custo dos produtos vendidos) por hectolitro para o segmento de cerveja no Brasil (em relação às premissas anteriores), refletindo a recente alta dos preços das commodities (alumínio, milho, cevada etc.)”, diz a análise da Ágora Investimentos.

Ação dispara
Os desafios impostos pela conjuntura econômica e pelo mundo pós-pandêmico foram, em um primeiro momento, ignorados pelos investidores, empolgados com os números do primeiro trimestre da empresa. Assim, a ação da Ambev teve a maior valorização na quinta-feira – dia de divulgação do balanço – entre as empresas presentes no Ibovespa, principal índice da B3, tendo subido 8,88% e sendo negociada a R$ 16,18.

O papel ordinário fechou a última semana cotado a R$ 16,21, o que representou uma recuperação em relação a qualquer cenário observado. Afinal, a ação da Ambev havia começado 2021 com preço de R$ 15,75, terminado abril a R$ 14,94 e caído a R$ 14,86 na véspera da divulgação do balanço.

Essa recuperação também vem sendo vista no Ibovepa. O principal indicador da bolsa brasileira iniciou o ano em 119.484,34 pontos, recuou para os 116.633,72 ao fim de março, mas encerrou abril em 118.893,84. Já na sexta-feira, fechou o pregão em 122.038 pontos, nível que não alcançava desde 14 de janeiro.

Mudança na AB Inbev
Os últimos dias também ficaram marcados no setor cervejeiro pelo anúncio da mudança de comando da AB Inbev, multinacional de bebidas fruto da fusão da Ambev com a Interbrew. A partir de 1º de julho, o brasileiro Michel Doukeris vai ocupar o cargo de CEO, em substituição ao compatriota Carlos Brito.

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Para Marcella Recchia, analista do Credit Suisse, a mudança não trará problemas para a AmBev, lembrando que o seu CEO, Jean Jereissati, já trabalhou com sucesso ao lado de Doukeris no mercado chinês.

“Vemos a mudança do CEO da AB Inbev como neutra para ligeiramente positiva para a AmBev, como Michel Doukeris e Jean Jereissati (CEO da AmBev) tendo trabalhado juntos na região APAC (Ásia-Pacífico) e na China, fazendo parte de uma forte equipe pioneira na premiunização do mercado chinês, proporcionando muitos anos de forte crescimento de receita e expansão de margem”, destacou Recchia.

Na Europa, a ação da AB Inbev teve desempenho semelhante ao da Ambev nos últimos dias. Após começar o ano a 57,01 euros, encerrou março a 53,75 euros, reagiu em abril, chegando a 58,83 euros ao seu fim, e terminou a última semana, com o anúncio da mudança da sua gestão, a 61,28 euros.   

Heineken
Também nos últimos dias, a Heineken divulgou o seu balanço com alguns números díspares. O lucro líquido do primeiro trimestre foi de 168 milhões de euros, quase 80% maior do que o mesmo período do ano passado, porém 40% inferior ao de 2019. Já no Brasil, as vendas das marcas de cerveja da companhia caíram entre 4% e 6%. Mas, segundo a empresa, a marca Heineken teve crescimento de quase 20% no mercado.

E, como se deu com a Ambev no Brasil, sua ação apresentou recuperação no mercado europeu. Após começar 2021 valendo 91,22 euros, tinha terminado março com o preço de 87,62 euros. Mas fechou abril em 96,44 euros, uma valorização de 5,72% no ano e de 10,07% no mês.

Artigo: Cerveja artesanal, sim, senhor!

*Por André de Polverel

Em um momento extremamente difícil para o setor cervejeiro artesanal, sobretudo pelo fechamento de bares e restaurantes nos momentos mais agudos de combate à disseminação do coronavírus, surge um fio de esperança com a divulgação dos dados do Anuário da Cerveja 2020 do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa) apontando que houve um crescimento de 14,4% no número de fábricas em relação a 2019. Somos agora 1.383 cervejarias.

No mesmo anuário, para alegria de alguns colunistas especializados, nos chega a informação de que Ribeirão Preto alcançou a nona posição no ranking dos municípios brasileiros com o maior número de cervejarias, com um crescimento de 50%.

Porém nesta longa e próspera jornada etílica nem tudo são flores. Em uma recente pesquisa da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), apresentada no Congresso Força Cervejeira, ouvimos que 24% dos empreendimentos cervejeiros entrevistados têm risco alto de fechar em 2021.

Aqui nos cabe a reflexão: não há nada que possa ser feito? Sem que me seja perguntado, ouso dizer que há muito a se fazer, afinal a cerveja está neste planeta há pelo menos 10 mil anos e não me parece que ela vá desembarcar da vida das pessoas pelos próximos dez anos.

Talvez o que nos falte no momento, falando mais precisamente para os convertidos ao movimento de diversificação de sabores com adição do bom e velho puro malte, seja poder nos debruçar sobre os problemas que nos afligem e resgatar a nossa verdadeira identidade, que passa por nos contrapor às rotulagens encomendadas e propositais que nos jogam na vala comum, como, por exemplo, deixar que nossos produtos sejam nominados como “cervejas especiais”, ao invés de “cervejas artesanais”. Isto só para começar.

E na defesa desta semântica primordial, antes que comecem a me jogar pedras, uma cerveja é tida como artesanal porque é feita por artesãos, não por se utilizar de materiais precários para sua confecção.

Neste longo e prazeroso caminho de diferenciação dos grandes produtores, falando ainda para convertidos e aficionados, toda cervejaria artesanal deveria ter uma placa na entrada de seu estabelecimento com os seguintes dizeres: “Obrigado, Graham Lees, Mellor Bill, Michael Hardman e Jim Makin por nos devolver a felicidade de ser o que somos e beber o que produzimos”.

Para quem não sabe, foi graças ao movimento iniciado por esses senhores, que em algum momento se viram inconformados com a produção em massa cada vez maior de cerveja e à homogeneização da indústria cervejeira britânica, que hoje podemos desfrutar de uma verdadeira revolução sobre como enxergar o desejo do seu cliente e fazer cerveja.

É certo que eles não inventaram a roda, mas, ao fundar um movimento para valorização da Real Ale, ou valorização da cerveja de verdade, eles nos legaram um propósito revolucionário, que, no meu modesto entendimento, vive a sua terceira onda, após passar pelos Estados Unidos e desembarcar por aqui, na nossa amada terra tupiniquim.

Empreendedores cervejeiros e cervejeiras, não se deixem manipular. Valorizem seus produtos, redescubram o seu propósito, lutem por espaço e não pelo espaço, não se esquecendo nunca da chave que inspira e motiva as pessoas a seguirem as suas ideias e comprarem aquilo que você faz: “As pessoas não compram o que você faz, mas o porquê você faz.”


*André de Polverel é entusiasta e consumidor da cerveja artesanal e representante da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) na Câmera Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (Mapa).

Hocus Pocus se reinventa na pandemia com e-commerce e série experimental

Adaptar-se e buscar alternativas têm sido algumas das principais necessidades daqueles que atuam no setor de cervejas artesanais em meio à pandemia do coronavírus. E apostar na criatividade foi a saída encontrada pela Hocus Pocus, cultuada marca de artesanais do Rio de Janeiro, que usou o momento para investir em uma série de cervejas experimentais, lançada com o nome Quarantine Elixirs.

Foi a opção encontrada pelo Hocus Pocus, que se concentrou em produtos mais ousados para seguir com a rotina de lançamentos, mesmo em um contexto de dificuldades, até para mostrar ao mercado que seguia em atividade. E eles não foram poucos, tanto que a Quarantine Elixirs é composta por dez cervejas.

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“Durante meses lançamos as cervejas feitas em nossos equipamentos experimentais, em quantidades bem limitadas, conseguindo manter uma alta frequência de lançamentos, aliviando um pouquinho a falta de novidades do mercado na quarentena”, explicam Pamela Beeken e Barbara Fragoso, analistas de marketing da cervejaria.

Além de premiada, a cervejaria também é bastante conhecida pela sua identidade visual. Os Magos, como se autodeclaram, abusam da criatividade tanto em seus rótulos quanto em suas campanhas de comunicação com o público. E justamente para este público que a série foi criada para, na medida do possível, minimizar alguns dos efeitos colaterais da pandemia.

Os lançamentos foram uma das “estratégias de sobrevivência” da Hocus Pocus. E a marca do Rio de Janeiro acredita que essas novidades inventivas trouxeram resultados positivos, seja pelo aumento da proximidade com o seu consumidor cativo, seja por considerar que os “experimentos” foram frutíferos.

“Nos aproximamos mais de quem gosta das nossas cervejas, aprendemos muito com essa série de experimentos que fizemos e conseguimos evoluir algumas áreas de uma forma bem mais rápida do que imaginávamos”, destacaram Pamela e Barbara.

A Hocus Pocus também encontrou a tecnologia como saída, através do seu e-commerce, criado no ano passado, para conseguir chegar ao público cervejeiro. O portal de vendas foi lançado em 2020, em meio ao sufoco inicial provocado pela pandemia.

“Nos reestruturamos para conseguir manter as atividades com segurança para nossos Magos e o menor impacto possível na produção e logística. Tivemos que agir em menos de uma semana para lançar nosso e-commerce próprio, e felizmente a rede de apoio incrível feita por todo mundo que gosta do que fazemos não saiu do nosso lado, nos ajudando a manter a cabeça para fora da água”, lembraram as profissionais da Hocus Pocus.

Agora, há mais de um ano neste cenário de pandemia, a cervejaria lamenta os desafios, os problemas econômicos e as milhares de perdas diárias de vidas. “Por aqui continuamos vivendo um dia de cada vez, fazendo tudo que está ao nosso alcance para que esse momento passe mais rápido e de uma forma um pouquinho mais leve, mantendo nosso compromisso de não demitir ninguém e tentando ajudar quem precisa”, concluíram Pamela e Barbara.

Confira abaixo os rótulos da série Quarantine Elixirs:

  • Quarantine Elixir #1: Barbe Rouge 4.7% ABV
  • Quarantine Elixir #2: Oat Lager 4.4% ABV
  • Quarantine Elixir #3: Double IPA Com Limão Siciliano 8.1% ABV
  • Quarantine Elixir #4: Red Ale Com Coco Torrado 5.3% ABV
  • Quarantine Elixir #5: Dry St Show More 5.8% ABV
  • Quarantine Elixir #6: Doppelbock 8.2% ABV
  • Quarantine Elixir #7: Guava Light Mead 6.6% ABV
  • Quarantine Elixir #8: Terpene-Infused IP 6% ABV
  • Quarantine Elixir #9: NE DIPA, 8,2% ABV
  • Quarantine Elixir #10: Coconut Light Mead 6,5% ABV

AB Inbev terá novo CEO brasileiro a partir de julho; Saiba quem é Michel Doukeris

A AB Inbev terá novo comando a partir de 1º de julho, e ele será novamente brasileiro. A cervejaria, fruto da fusão entre a Ambev e a Anheuser-Busch, anunciou que Michel Doukeris, atualmente diretor da divisão América do Norte, vai suceder Carlos Brito na função de CEO da companhia.

Brito, de 61 anos, ocupou o cargo de CEO da AB Inbev por 15 anos, sendo que trabalhou por outros 17 na companhia, tendo iniciado a sua atuação na Brahma. Na sua gestão, a empresa fez ações relevantes e marcantes no mercado, como a aquisição da Anheuser-Busch, em 2008, e da SABMiller, em 2016. E a sua substituição por Michel Doukeris conclui um processo iniciado em setembro de 2020.

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“Foi uma honra e um privilégio trabalhar com um grupo tão talentoso de indivíduos à medida que construímos esta empresa global com base em valores sólidos e nosso compromisso inabalável com a excelência, qualidade, consumidores e comunidades. Estou muito animado com o futuro do nosso negócio sob a liderança de Michel e o parabenizo pela nomeação como CEO desta empresa incrível”, disse Brito, em comunicado enviado à imprensa pela companhia de bebidas.

A AB Inbev anunciou que a escolha de Michel Doukeris para o cargo de CEO se deu por unanimidade. E o presidente do seu conselho, Martin Barrington, afirmou que a experiência do executivo em consumidores, inovação e marcas o tornou ideal para comandar a empresa em uma nova fase.

“Depois de conduzir um processo de seleção rigoroso e robusto, o Conselho está muito satisfeito com o fato de nosso próximo CEO vir de nosso banco de talentos de liderança. Michel é o líder certo para levar a empresa à sua próxima fase de crescimento orgânico e ao sucesso. Ele tem um histórico comprovado de inovação, construção de marcas multicategorias em cerveja e adjacências, percepção do consumidor e expansão de marcas premium em mercados emergentes e desenvolvidos. O conselho está animado para continuar a trabalhar em estreita colaboração com Michel à medida que expandimos a empresa”, comentou Barrington.

O novo CEO
Michel Doukeris, de 48 anos, começou a trabalhar na companhia em 1996, pela InBev. Ele é formado em Engenharia Química e nasceu em Lages (SC), tendo atuado em cargos de liderança no Brasil, China e Estados Unidos.

Foi vice-presidente da divisão de refrigerantes da Ambev de 2008 a 2009, ocupou a presidência na China de 2010 a 2012, comandou a zona Ásia-Pacífico de 2012 a 2016, foi diretor global de vendas da empresa de 2016 a 2017 e ocupava o cargo de CEO da companhia na América do Norte desde 2018.

“Estou honrado pela oportunidade de liderar a AB InBev e continuar o legado de liderança excepcional e criação de valor de nossa empresa. Ao longo de minha carreira na AB InBev, tive o privilégio de liderar nossos negócios em diferentes regiões do mundo e de trabalhar ao lado dos colegas mais talentosos e apaixonados da indústria em cada etapa do processo. Estou ansioso para trazer uma nova perspectiva que se baseie em nossa mentalidade do consumidor em primeiro lugar e impulsione a inovação e a transformação neste próximo estágio empolgante. Parabenizo Brito por sua carreira excepcional e agradeço ao Conselho de Administração por sua confiança em mim para liderar o próximo capítulo de crescimento da AB InBev”, declarou Doukeris.

Ao anunciar Michel Doukeris como novo CEO, a AB Inbev destacou as realizações do executivo na companhia. Confira algumas delas:

– Expansão do modelo “high end”, divisão para cervejas especiais, para 22 países, acelerando o crescimento da receita de marcas premium de 10% para mais de 25%;

– Desenvolveu e implementou a primeira plataforma de comércio eletrônico direto ao consumidor da empresa;

– Transformou em sucesso a marca Guaraná Antarctica no Brasil, melhorando a saúde da marca e sua participação no mercado;

– Moldou e liderou o segmento premium na China por meio de marcas e embalagens inovadoras, incluindo Budweiser Supreme e garrafas de alumínio Bud;

– Posicionou a China como o mercado nº 1 da Budweiser fora dos EUA e o mercado Corona nº 1 fora do México;

– Liderou a Michelob Ultra a ser a primeira colocada em ganho de participação em cerveja e a segunda em vendas em dólares no mercado dos Estados Unidos.

Futuro das artesanais passa por adaptação e foco no consumidor, avalia consultor

Os últimos dias ficaram marcados entre as cervejarias pela divulgação de dados sobre o presente e o futuro do segmento. Enquanto o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apontou que o país passou a ter 1.383 cervejarias ao fim de 2020, com um aumento de 14,4% no número de fábricas em relação a 2019, um levantamento da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) revelou uma informação preocupante: 24% daqueles que responderam à pesquisa disseram ter grande risco de fechamento em 2021 por causa da pandemia.

Dentro desse contexto, a situação do mercado, as perspectivas para o cenário pós-pandemia e o futuro das cervejarias foram os temas da palestra de Filipe Bortolini, sócio da Beer Business, nesta quinta-feira, no último dia do Força Cervejeira, congresso promovido por Bräu Akademie e Abracerva e com apoio do Guia. E ele apontou que tudo passa pela adaptação a um novo contexto e a ampliação do foco no consumidor final.

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Para Bortolini, o setor pode manter a expansão que marcou os últimos anos. Mas será preciso lidar com os desafios impostos pela pandemia da Covid-19.  Em sua avaliação, o segmento não está saturado e ainda tem muito a explorar no Brasil, sobretudo em regiões como o Nordeste, que ainda não abriga muitas cervejarias artesanais, mas tem alto potencial turístico e altas temperaturas, que favorecem o consumo da bebida.

Bortolini reconheceu que o forte impacto da pandemia não deverá terminar em 2021, em função do avanço lento da imunização no país, o que significa que alguns locais vão demorar mais para se recuperar. Outra questão é o aparecimento de novas cepas do vírus, o que provavelmente fará com que os governos mantenham as medidas de isolamento social. E tudo isso reflete em desafios para a sobrevivência dos estabelecimentos. “A gente sabe que têm muitas cervejarias fechando e muitas abertas porque não conseguem fechar.”

Entre as perspectivas negativas para as microcervejarias, Bortolini destacou a escassez de insumos e o valor elevado do dólar. Entretanto, entre as perspectivas positivas em relação aos insumos, ele lembrou que há um movimento das maltarias, de empresas que atuam com leveduras e da produção de lúpulo brasileiro. “O malte mais que dobrou de valor e o lúpulo também, o que tem um forte impacto nas microcervejarias. Então, isso é uma coisa que vai continuar em 2021, 2022. Quem sabe em 2023 a gente tem uma melhora.”

Outro desafio, apontou Bortolini, é a escassez de embalagens, tanto das garrafas quanto das latas. Até por isso, o sócio da Beer Business lembrou que cervejarias buscaram alternativas durante a pandemia, com o uso do PET, que, em suas palavras, “salvou muitas microcervejarias de quebrar”.

Além disso, Bortolini comentou que cervejarias perceberam a necessidade de firmar parcerias menos “ortodoxas” e de buscar novas oportunidades. “A gente vê a presença de growlers e PET em açougues, mercadinhos, lanchonetes. Onde tiver uma geladeira está valendo”, refletiu ele na sua palestra.

O sócio da Beer Business também citou que a pandemia trouxe outras perspectivas para as cervejarias, como o reforço das marcas, o aumento de consumo em casa, o marketing digital, o uso de aplicativos, a criação de sites próprios e os novos canais de delivery.

Mas também há desafios. Mesmo ao fim da pandemia, as pessoas devem buscar espaços mais abertos para consumo e lazer, o que gerará a necessidade de adaptação de muitos espaços. Outra questão importante é a consolidação do home office, que pode colocar fim ao happy hour e obrigar a reformulação de muitos locais. “Muitos bares abriram perto de grandes empresas e agora estão com dificuldades, zeraram o faturamento ou fecharam”, disse Bortolini.

Entre as alternativas colocadas nesse contexto para o futuro das cervejarias, ele destacou as parcerias e as vendas para os condomínios, as alternativas relacionadas com o foco na venda direta ao consumidor final, mesmo que hoje mais por delivery e e-commerce, e a aposta no “beba local” e nos brewpubs e taprooms como “condutores que vão levar o mercado adiante”.

Ambev amplia lucro em 125% e venda de cerveja em 16% no 1º trimestre

A Ambev mais do que dobrou o seu lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2021, em relação ao mesmo período do ano passado. A multinacional cervejeira divulgou o seu balanço nesta quinta-feira e revelou um lucro líquido ajustado de R$ 2,761 bilhões, um aumento de 125% em comparação ao R$ 1,211 bilhão registrado de janeiro a março de 2020.

A elevação do lucro líquido da Ambev também foi expressiva, chegando aos 125,7% em R$ 2,733 bilhões, sempre em comparação ao mesmo período de 2020. Já o lucro por ação ajustado no trimestre ficou em R$ 0,17, uma alta de 139,6%.

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O resultado positivo da Ambev se insere em um contexto de continuidade da pandemia do coronavírus, que se soma a um primeiro trimestre sem a realização do carnaval no Brasil. Mas a companhia avalia ter se adaptado bem aos desafios.

“A Ambev entregou um desempenho sólido no primeiro trimestre, impulsionado por uma estratégia consistente, na qual inovação, flexibilidade e excelência operacional continuaram sendo pilares fundamentais. Estávamos mais preparados para lidar com alguns desafios persistentes relacionados à Covid-19 do que em março de 2020, e os resultados nos deixam confiantes de que nossa estratégia está funcionando”, afirmou a Ambev nos comentários do balanço.

A Ambev também reportou que o seu Ebitda, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ajustado foi de R$ 5,327 bilhões, um aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2020. Assim, também teve crescimento orgânico de 23,8%, com margem bruta de 52,3% e margem Ebitda de 32%.

Já a receita líquida da Ambev foi de R$ 16,639 bilhões no primeiro trimestre, um avanço reportado de 32% e orgânico de 27,8% em relação ao mesmo período de 2020. O volume vendido pela companhia também apresentou expansão de R$ 11,6% de janeiro a março, chegando aos R$ 43,530 bilhões.

O custo dos produtos vendidos (CPV) pela Ambev no primeiro trimestre foi de R$ 7,945 bilhões, expansão de 35,3% em comparação ao mesmo período de 2020. O CPV, excluindo depreciação e amortização, ficou em R$ 7,195 bilhões, com alta de 38,6%.

Além disso, a Ambev apontou estar recuperando os níveis pré-pandemia em quase todos os mercados. “A maioria dos países apresentou crescimento de volume sustentado, com oito dos dez principais mercados entregando crescimento de volume em relação ao ano anterior e sete já atingindo níveis de volume superiores a 2019”, explicou.

No Brasil, a receita líquida da Ambev cresceu 26,1% no primeiro trimestre, com o volume total avançando 12,1%. No balanço do primeiro trimestre, a companhia também destacou o crescimento de 16% no volume de cervejas vendidas no país. Celebrou, assim, o crescimento acima do restante do mercado cervejeiro, destacando o êxito da Brahma Duplo Malte.

“Cerveja Brasil entregou um forte início de ano. Nosso desempenho foi impulsionado pela implementação consistente de nossa estratégia comercial e excelência operacional. De acordo com nossas estimativas, mais uma vez superamos o desempenho da indústria. Vimos o sucesso contínuo de nossas inovações, como a Brahma Duplo Malte, e o crescimento do segmento premium, principalmente de nossas marcas globais, que cresceram quase 20%”, disse, enumerando o crescimento de Corona e Becks na participação no mercado.

No Brasil, nossas marcas globais se mantiveram impulsionadas, entregando um crescimento de volume de aproximadamente 20%, com a Becks crescendo três dígitos e a Corona com quase 50% de crescimento”, afirmou a companhia.

Desafios
No entanto, o desempenho das vendas de bebidas não alcoólicas pela Ambev foi bem mais modesto, com crescimento de apenas 0,8%. A empresa, então, destacou a ampliação das vendas da Sukita e apontou ter sido afetada pelas restrições impostas pelo recrudescimento da pandemia.

“Apesar do mix desfavorável de marcas e embalagens, na medida em que as restrições impostas ao canal ontrade levaram à mudança para o canal off-trade, bem como a um aumento no peso de embalagens multi-serve em comparação às single-serve, nossa ROL/hl cresceu impulsionada pelas nossas iniciativas de gerenciamento de receita, tais como atividades promocionais baseadas em ocasiões de consumo”, detalha.

A Ambev garante, ainda, não minimizar os desafios impostos pela pandemia, mas avalia que o crescimento da receita, que tem se recuperado desde o terceiro trimestre, pode ajudá-la a encarar os desafios, como a alta do dólar no país e as margens pressionadas.

“No Brasil, esperamos que a pressão sobre as margens permaneça, não apenas em decorrência do câmbio e preços das commodities desfavoráveis, mas também devido ao aumento de SG&A, principalmente em função de maiores provisões de remuneração variável”, projetou. “No entanto, o desempenho melhor do que o esperado da nossa receita deve continuar impulsionando nossa recuperação e ajudar a compensar parcialmente as pressões sobre o custo.”