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Especial: Saiba tudo sobre growlers, a demanda na pandemia e opções existentes

A pandemia do coronavírus, com graves crises econômica e sanitária, provocou mudanças comportamentais e de rotinas que, em consequência, alteraram modelos e estratégias de negócios. No setor cervejeiro, ainda que bastante dependente de experiências de lazer e fora de casa, alternativas de consumo surgiram ou se adaptaram para que as marcas continuassem juntas ao seu público. E a venda de cervejas e chopes em growlers cresceu, ganhando relevância. Deixou de ser uma tendência e se tornou mais uma opção de mercado.

Essa percepção de que a crise trouxe efeitos complicados para o setor de artesanais, mas que a aposta nos growlers foi uma alternativa importante para lidar com esse contexto de adversidade para atingir um público que continua demandando por uma cerveja de qualidade, é uma transformação que deve permanecer mesmo após o fim da pandemia.

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“Por um lado, a pandemia prejudicou a venda de growlers no Brasil, pois afetou negativamente o comércio de cervejas artesanais, fechando bares, cervejarias, pubs. Isso fez com que estes estabelecimentos se esforçassem para manter seus negócios operando, embora alguns não tenham resistido”, afirma Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

Porém, os growlers se tornaram um formato preferencial para a venda de cervejas pelo sistema de delivery, algo que levou cervejarias e bares a ampliarem a busca por esse tipo de embalagem. “O fato de o consumidor não poder ir a bares e restaurantes fez com que aumentasse o consumo em casa, de modo a aumentar a demanda por growlers de cerâmica, principalmente para aquele consumidor que se preocupa com a qualidade da cerveja”, complementa Kilian Schroeder, gerente de marketing da Mondo Ceram Beer.

Esse aumento de demanda foi perceptível para as diferentes empresas do setor que trabalham com embalagens. “No nosso caso, tivemos que investir em maquinário para poder produzir growlers PET, para suprir a demanda dos clientes por growlers para as entregas em domicílio”, relata Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

O crescimento da participação dos growlers no mercado, além de causado pelo fato de o consumo ter se tornado mais residencial, também se deu porque o cervejeiro percebeu ser essa uma boa possibilidade de se beber um produto de qualidade. Tem ajudado, assim, as marcas a se manterem ligadas aos seus clientes. E com um custo baixo.

“O maior benefício para os consumidores é poder tomar cerveja fresca e de qualidade, para as cervejarias é fidelizar o cliente e atender o maior número de clientes com custo reduzido e de forma atraente e divertida. E os bares que oferecem cerveja artesanal também podem oferecer a venda de growlers para o consumo em casa”, comenta o diretor da Meu Garrafão.

Em um período de crise e de proibição de realização de eventos coletivos, os growlers foram uma alternativa de atividade para empresas antes mais focadas em outras atividades, como a Melhor Brindes. Com a possiblidade de vender pequenas tiragens, ela tem conseguido atender a demanda de microcervejarias e bares.

“Tudo deu certo porque as grandes fábricas de growlers querem vender quantidades grandes. Então fiz o contrário. Comecei a fornecer aos caseiros, a partir de 50 unidades. Tenho clientes que estão fazendo sua própria cerveja há 2 anos e você vê na cara deles a felicidade de poder ter sua embalagem com seu rótulo”, comenta Viviane Sofientini, profissional do departamento de vendas da Melhor Brindes.

Diferentes opções de growlers
Para o cervejeiro interessado em vender sua cerveja em growlers, há quatro tipos de embalagens principais: cerâmica, inox, PET e vidro. E entender benefícios e características de cada uma delas é fundamental para uma escolha acertada.

O de PET, o growler com mais saída durante a pandemia, se destaca como interessante opção para a cerveja fresca, assim como pelo custo reduzido e seus diferentes formatos e capacidades. “O growler PET é bem mais barato, descartável, isso traz mais confiança por não ser um produto reutilizável”, argumenta Sofientini, profissional da Melhor Brindes.

No caso dos growlers de cerâmica, a personalização e o uso como estratégia de marketing podem ajudar as cervejarias, embora a sua fabricação, artesanal, possa trazer desafios para quem deseja tê-los em grande quantidade. E ainda pode ser feito em várias cores.

“A grande vantagem do growlers de cerâmica é que, além de preservar muito bem a cerveja, os bares podem personalizar os growlers com sua própria a arte, o que traz maior identificação do consumidor com o growler, permite fazer edições colecionáveis e, além de ser um recipiente, acaba sendo um material de marketing. O growler de cerâmica pode ser usado com qualquer tipo de cerveja”, explica Schroeder, gerente de marketing da Mondo Ceram Beer.

Assim, ao vender um growler de cerâmica, a marca não está apenas fornecendo a cerveja ao consumidor, mas também um produto que pode ser exclusivo. “Esta personalização pode ir desde a simples aplicação de uma logo, como a aplicação de um design gráfico mais complexo ou até o desenvolvimento de um modelo completamente novo, com formatos, cores e decoração feitos especialmente para cada cliente”, acrescenta Schroeder.

A fidelização também é vista como um diferencial do growler de vidro. “O growler de vidro é muito bonito, geralmente na cor âmbar, ele pode ser personalizado com a logo ou temas da cervejaria, e desta forma a cervejaria pode fidelizar os seus clientes, uma vez que o cliente com o growler personalizado da cervejaria provavelmente voltará na mesma cervejaria para encher aquele growler, e não na concorrente”, analisa o diretor da Meu Garrafão.

Novidade no mercado, o growler de inox chama a atenção por ser mais resistente e por gelar mais rápido a cerveja, embora, em média, seja uma opção mais cara. “Geralmente importado, ele também é mais caro do que o vidro, porém tem mais resistência a quedas, o que o torna muito atrativo. O inox, por ser metal, é um excelente condutor de energia, ou seja, a cerveja gela mais rápido na geladeira, mas, por outro lado, pode esquentar mais rápido quando fora dela, por isso, seria legal ter uma proteção para ele, como, por exemplo, uma capa de Neoprene”, avalia Aguiar.

Há também variedade de capacidade dos growlers, para atender diferentes demandas, como destaca a profissional da Melhor Brindes. “O growler de 500 ml é mais usado para cervejas mais caras por conta de a cerveja ficar mais barata. O de 1 litro é campeão de venda. O de 2 litros lançamos há um mês por conta de clientes solicitando”, diz Sofientini.

Perspectiva de mais crescimento
A ampliação da participação dos growlers não vem, no entanto, sem algumas adversidades. Enquanto os PETs estão consolidados no mercado, ainda há desafios para quem deseja fornecer outros tipos, como os de cerâmica, inox e vidro, como destaca o diretor da Meu Garrafão.

“Há alguns gargalos, como a demora na produção dos growlers de cerâmica. A importação de growlers inox depende da produção em outros países e tem seu preço flutuando com a taxa cambial. O growler de vidro tem sido alvo de uma falta de fornecimento nesses últimos meses, sem contar nas sequentes altas de preço. E quem está na contramão destes gargalos é o growler PET, cada vez mais procurado. Tem sido produzido por mais e mais empresas, ou seja, a demanda tem aumentado e tudo indica que deve ser uma demanda que vem para ficar”, explica Aguiar.

E a expectativa dos profissionais é de que o uso dos growlers acompanhe o crescimento do setor de artesanais e a demanda pelos seus produtos. “Acredito que o Brasil ainda está em plena fase de desenvolvimento deste mercado. Há muito ainda a ser explorado. É crescente o gosto do brasileiro por cervejas especiais, pelo prazer de beber algo de extrema qualidade e, junto a isso, o growler vem como um acessório essencial para as cervejarias”, conclui o gerente de marketing da Mondo Ceram Beer.

Conheça algumas das principais empresas de growlers do país:


Melhor Brindes

Endereço: Rua Santa Catarina, 671, Santo André (SP).
E-mail: contato@melhorbrindes.com
Telefone: (11) 98874-9912

A Melhor Brindes oferece growlers PET com pequenas tiragens e personalização. E fornece os recipientes com diferentes capacidades, de 500ml, 1l ou mesmo 2l.


Meu Garrafão

Endereço: Rua Agenor Lino de Oliveira, 720, São José dos Pinhais (PR).
E-mail: contato@meugarrafao.com
Telefone: (41) 3084-1144

A Meu Garrafão fornece ao setor growlers pet, com ótimo custo-benefício, além dos de vidro, que podem ser personalizados, o que os torna ainda mais atrativos, assim como os de inox.  


Mondo Ceram Beer

Endereço: Adolfo Konder, 70, Rio Negrinho (SC).
E-mail: promocional@ceramarte.com.br
Telefone: (47) 3203-5000

A Mondo Ceram Beer disponibiliza ao setor growlers e canecas de chope feitos em cerâmica de alta qualidade e com ampla possibilidade de personalização.


Menu Degustação: Projeto musical da Oca, delivery ampliado da Landel…

A semana, ainda que marcada na sociedade pelo crescimento do número de casos de coronavírus, trouxe boas novidades para o setor cervejeiro, como uma iniciativa da Oca que lançou um projeto musical com a participação de DJs. Além disso, de olho nas restrições mais rígidas para conter a pandemia do coronavírus no estado de São Paulo, a Landel reforçou o seu delivery, que agora tem entregas em prazo menor e chega a São Paulo e Santos, assim como a Madalena tem concentrado suas vendas no sistema de drive-thru em diferentes localidades.

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Confira abaixo essas e outras novidades no Menu Degustação do Guia:

Projeto musical da Oca
A Oca Cervejaria lançou o seu projeto musical, o T/OCA. Na iniciativa, uma vez por mês, um DJ convidado faz uma seleção de músicas que fica disponível no perfil da marca no Spotify. Em março, serão 3 DJs mulheres e 3 playlists, em homenagem ao mês das mulheres. A primeira seleção é comandada pela DJ Grazi Flores, com muito soul, funk, jazz, dance e instrumental. “Criei uma vibe bem trip hop, mas também contendo algumas tracks de artistas brasileiros que seguem essa referência dentro da composição da bateria e alguns outros elementos; para dar um tempero especial, coloquei um pouco de música eletrônica, sem fugir da proposta”, diz Grazi.

Delivery da Landel
“Fique em casa, mas não fique sem cerveja”. Essa é a proposta da Landel, cervejaria artesanal de Campinas, que neste momento aposta no delivery para manter suas vendas e, ao mesmo tempo, ajudar as pessoas a cumprirem o isolamento social. Para isso, ampliou sua abrangência e melhorou o tempo de entrega de seus produtos, comprados pelo e-commerce. Além de São Paulo, a cervejaria de Campinas passa a atender clientes de Santos. Agora, o prazo máximo para chegar na casa do cliente após efetuada a compra é de 24h.

Drive-thru da Madalena
Com a ampliação das medidas de isolamento para os paulistas, a Cervejaria Madalena continua com a aposta de realizar vendas através do sistema de drive-thru. Além disso, a marca vem ampliando seu raio de abrangência, com pontos de vendas localizados nos principais de bairros de São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Com variedade no cardápio e promoções, é possível encontrar vários estilos no drive-thru, como Lager, IPA e Shandy Lemon. Todos são vendidos em growlers de 1 litro, com valores a partir de R$ 20.

Sucesso da Bohemia
A live Buteco Bohemia, com Gusttavo Lima, alcançou mais de 1 milhão de telespectadores simultâneos, em 6 de março, e ainda registrou outro recorde: em apenas 1h45 de transmissão, foram vendidas todas as 10 mil unidades produzidas da edição limitada de Bohemia do Embaixador, inspirada no cantor e feita com malte utilizado na produção de uísque.

Premiação da Wienbier
A primeira edição do Prêmio Wienbier traz aos cervejeiros amadores e aos “paneleiros” a oportunidade de apresentar suas receitas, com o objetivo de valorizar a autêntica cerveja artesanal. Realizado pela Cervejaria NewAge, o concurso conta com a parceria do movimento VADELATA, da Agrária Malte e da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM). A receita de American Pale Ale selecionada para o 1º lugar será lançada no mercado e consagrará o vencedor como Mestre Cervejeiro Wienbier 2021, assinando o lançamento da Wienbier nº 60, além de prêmios em dinheiro no valor de até R$10 mil, caixas de cerveja da novidade, um voucher da ESCM para curso EAD e uma visita à fábrica da cervejaria NewAge.

Skol e Bohemia reforçam união com artistas populares em ações de marketing

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Seja com um caminhão cheio de cervejas ou um reality show, algumas das principais marcas da Ambev têm apostado alto em grandes ações de marketing com artistas populares para alavancar ainda mais a presença no mercado nacional. É o caso da Skol, com Wesley Safadão, mas também da Bohemia, que se associou a Gusttavo Lima.

A escolha por esses artistas faz parte das estratégias de marketing das cervejarias, pensadas no posicionamento de mercado, sob a percepção do gosto musical do seu público-alvo. Também foi sob essa lógica que Skol e Bohemia se associaram a dois dos artistas mais populares da música brasileira nos últimos anos.

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Hoje, por exemplo, Gusttavo Lima tem 4 músicas entre as 69 mais tocadas no Brasil, enquanto Wesley Sadafão está presente em 3 das 83 mais reproduzidas, de acordo com a Crowley. E ambos já lideraram diversas vezes essa lista, como em 2020, quando Gusttavo Lima teve a música número 1 da lista por pouco mais de três meses com A Gente Faz Amor.

A partir do fim de fevereiro, a Skol demonstrou como a sua parceria de quase uma década com Wesley Safadão se consolidou, a ponto de usar o cantor como apresentador do Hit Estourado, uma competição para encontrar um novo hit de forró no Brasil, realizada no formato de reality show.

Para o programa, 17 compositores entraram na disputa para compor o próximo hit de Wesley Safadão, iniciativa que foi idealizada pela Skol, com formato e produção da Endemol Shine Brasil.

“A música é um dos principais instrumentos da Skol para levar leveza e diversão para os consumidores de todo o Brasil. Com Hit Estourado lançamos mais um projeto cocriado com o Wesley Safadão, sempre com o intuito de levar uma nova experiência para o público” explica Thalita Barreto, gerente de marketing de Skol.

Dividido em quatro episódios, o programa está previsto para revelar o grande ganhador com a exibição do último programa na próxima sexta-feira, no canal do YouTube do cantor e da Skol. E o público poderá escolher o nome do novo hit de Wesley Safadão em uma votação pela internet.

“Nesta primeira temporada, reunimos grandes compositores da atualidade. Além de mostrar para o público como se cria uma música, este programa é uma homenagem aos compositores e ao forró, esse ritmo que tem ganhado cada vez mais admiradores”, explica Wesley Safadão.

Gusttavo Lima
Em outras chamativas ações de marketing, a Bohemia enviou um caminhão de cerveja à casa do cantor Gusttavo Lima como parte do projeto de divulgação da música Balada do Buteco.

Na sequência, apresentou outra novidade para o mercado cervejeiro, inspirada no seu embaixador: uma cerveja que tem como ingrediente principal o malte tipicamente utilizado na produção do uísque. A bebida tem notas de mel, caramelo e um toque amadeirado no aroma, 9 IBUs e 5% de teor alcoólico.

“Faz algum tempo que queríamos homenagear o nosso embaixador e trouxemos suas duas paixões para produzir uma cerveja deliciosa e de alta qualidade que só a Bohemia pode fazer”, comenta Gustavo Saab, gerente de marketing da marca.

Black Princess lança Bohemian Pilsner, o 3º rótulo sazonal em menos de 6 meses

A Black Princess apresentou mais uma novidade ao mercado. Trata-se da Black Princess Bohemian Pilsner, cerveja do tradicional estilo da República Checa, sendo o terceiro lançamento sazonal realizado pela marca em um período de menos de seis meses. Os outros haviam sido a Braza Hops e a Be.Witbier.

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A Black Princess Bohemian Pilsner é considerada uma bebida mais leve e com frescor, tendo corpo dourado e baixa fermentação, segundo descreve a marca. Possui, ainda, 5,2% de graduação alcoólica e 35 IBUs.

De acordo com a descrição apresentada pela cervejaria do Grupo Petrópolis, o rótulo equilibra notas de malte, pão e biscoito com o amargor do lúpulo Saaz, que tem aroma levemente picante. E ela harmoniza com molhos fortes, pratos condimentados, linguiças e salsichas picantes.

Em seu rótulo, a Black Princess Bohemian Pilsner homenageia a República Checa, o país originário do estilo. Assim, visualmente, ele possui elementos que remetem à bandeira da República Checa e ao desenho do Relógio Astronômico de Praga, o Orloj. Esse relógio medieval, construído em 1410, registra o momento do amanhecer e do anoitecer, a fase da lua e a posição do sol em relação às constelações do zodíaco.

A Black Princess Bohemian Pilsner terá venda exclusiva no e-commerce Bom de Beer, com preço de R$ 11,90 para a long neck de 355ml. É, também, a terceira cerveja sazonal lançado pela marca do Grupo Petrópolis desde os últimos meses de 2020, sendo os outros a Be.Witbier (Witbier) e a Braza Hops (German Pilsner).

A marca pertencente ao Grupo Petrópolis ainda possui oito rótulos fixos em seu portfólio. São eles: Gold (Premium American Lager), Dark (Dark American Lager), Let´s Hop (English IPA), Miss Blonde (Blonde Ale), Back To The Red (Red Lager) e Doctor Weiss (Kristall Weizen).

Ação de hacker interrompe fabricação de cervejas pela Molson Coors nos EUA

Um ataque hacker afetou as operações da Molson Coors nos Estados Unidos. A cervejaria por trás das marcas Miller e Coors revelou que um “incidente de segurança cibernética” na empresa interrompeu suas atividades para a fabricação de cervejas.

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A cervejaria sediada em Chicago disse em um documento, divulgado na última quinta-feira, que o hacker deixou seus sistemas offline, atrasando e interrompendo partes das operações da Molson Coors, incluindo sua produção e remessas. Assim, mesmo quando a situação estiver normalizada, ela reconhece que ainda pode haver problemas com entregas por alguns dias.

“Embora a empresa esteja gerenciando ativamente este incidente de segurança cibernética, ele causou e pode continuar a causar um atraso ou interrupção em partes dos negócios da empresa, incluindo suas operações de cervejaria, produção e remessas”, explicou a cervejaria.

Uma investigação sobre o incidente já foi iniciada, com a empresa “trabalhando sem parar para fazer seus sistemas voltarem a funcionar o mais rápido possível”. “Contratamos uma empresa de TI forense externa para ajudar em nossa investigação sobre o incidente”, disse o diretor de comunicações e assuntos corporativos da Molson Coors, Adam Collins. “Continuaremos a nos comunicar com nossos parceiros de negócios com atualizações.”

Embora a Molson Coors evite dar detalhes sobre a ação hacker, especialistas afirmam se tratar de um ataque de ransomware, quando um tipo de software nocivo restringe o acesso ao sistema infectado com um bloqueio e cobra um resgate em criptomoedas para que o acesso seja reestabelecido. Outras fabricantes de bebidas passaram por situações semelhantes nos últimos meses, como o Grupo Campari.

A Molson Coors é considerada o quinto maior grupo cervejeiro do mundo, tendo sido criada em 2005, quando as marcas que dão nome a ela se fundiram. A companhia fabrica dezenas de cervejas, incluindo algumas das mais icônicas da América do Norte, como Coors e Miller, além de Blue Moon, Peroni, Grolsch, Killian’s e Foster’s. E ainda produz outras bebidas, como hard seltzer e não alcoólicas.

Entrevista: “O cooperativismo funciona, o cervejeiro é mais aberto a compartilhar”

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A produção de conteúdo e sua disseminação para o crescimento e a profissionalização do setor cervejeiro podem ir muito além das aulas e cursos. É com essa visão e apostando em diversas plataformas para a divulgação do conhecimento que a Bräu Akademie tem atuado e se planeja para os próximos meses de 2021, um ano cheio de incertezas dentro do segmento e da sociedade em função da continuidade e até do agravamento da pandemia do coronavírus.

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São esses desafios, aliás, que fazem a Bräu Akademie reforçar sua atuação muito além das aulas. A instituição reformulou recentemente a sua newsletter, agora de periodicidade mensal, para divulgar informações sobre o setor cervejeiro, e tem fechado parcerias, como uma recente com a Berggen, cervejaria de Nova Odessa (SP), que receberá cursos em seu laboratório. E, até por esses acordos, acredita que o cooperativismo pode ter bem mais êxito no setor cervejeiro do que em outros segmentos. “Eu vejo na cerveja uma possibilidade de o cooperativismo prosperar mais do que em outros mercados capitalistas”, diz Matheus Aredes, fundador da Bräu Akademie, em entrevista ao Guia.

Na conversa, ele indica essa preocupação de atuar em vários campos e os desafios que a crise trouxe, como a necessidade de adaptar os cursos da Bräu Akademie para o formato online dentro de um contexto em que o crescimento da produção de cerveja como um lazer caseiro cresceu, mas nem sempre está sendo acompanhado pela busca por conhecimento.

Além disso, ele indica os próximos passos do software inicialmente criado para funcionar como uma calculadora de amargor, mas no qual trabalha para torná-lo mais completo, como uso de outras funcionalidades, em iniciativa que certamente contribuirá para a qualificação da produção cervejeira.

Confira a entrevista de Matheus Aredes, fundador da Bräu Akademie, ao Guia:

Como você viu o impacto da crise do coronavírus em quem empreende no setor cervejeiro e como isso atingiu a Bräu Akademie?
As cervejarias reduziram, mas não desapareceram. Eu continuei dando diversas consultorias durante essa pandemia, porque tinha cervejaria abrindo e foi até o final. Assim, continuou precisando de consultoria e capacitação para funcionários. O cervejeiro caseiro até aumentou. Com diversos brews shops que eu conversei, todos eles falaram que a pandemia ajudou, porque a pessoa fica em casa e acaba fazendo mais cerveja. As vendas de insumos aumentaram. O caseiro aumentando, ele tem uma demanda maior por cursos, só que isso acaba não sendo um item básico. Ele vai primeiro fazer cerveja e não investe tanto em cursos. Então, a queda dos cursos aconteceu e foi bem grande. Na pandemia, a gente começou a distribuir uns cursos básicos e intermediários. Foram mais de 3 mil cursos gratuitos, uma forma de ajudar. A gente vê que o pessoal está mais disposto a gastar com insumo para fazer cerveja do que com estudo.

Esse aumento da produção da cerveja por caseiros é algo relacionado diretamente com a pandemia ou pode ser uma tendência que se consolidará ao fim desse período?
Eu acho que tem mais gente querendo entrar e quem fazia uma cerveja por mês, agora está fazendo duas ou três. Houve, então, a entrada de novas pessoas, como o aumento da produção de quem já fazia. Mas, eu acho que, quando as pessoas puderem sair mais de casa, vai haver uma redução. A pandemia acaba favorecendo a busca por um hobby caseiro. Eu, por exemplo, nunca cozinhei na minha vida e fui aprender culinária. Como eu, tem outras pessoas que vão inventar um hobby novo e a cerveja acaba sendo um deles.

Quais são as perspectivas de cursos da Bräu Akademie para 2021, especialmente diante de um cenário em que a pandemia parece estar longe de recrudescer?
A gente imaginava que no primeiro semestre ia começar a voltar os cursos presenciais. A gente estava com esperança, abriu turmas presenciais, mas o que a gente vai focar agora é no online. Então, nossa estratégia para o primeiro semestre é focar em cursos online. Lançamos também as mentorias, tanto para caseiro, quanto para cervejaria. Isso acabou acontecendo bastante. A mentoria é uma consultoria, mas de forma online, ela pode agregar tanto assuntos de consultoria, quanto assuntos de curso. Tem diversos assuntos, tanto de produção, quanto de abertura de cervejaria. Então, a mentoria acabou acontecendo bastante. E muito focada em quem quer abrir cervejaria.

Diante da predominância dos cursos online, quais desafios você tem percebido nessa modalidade?
Eu comecei a dar os cursos online bem no começo da pandemia, antes só fazia as lives. Eu tive que aprender a fazer o streaming, qual plataforma usar, ter um computador novo, microfone, placa de áudio… Um curso de oito horas presencial, você transforma para o online e vira um curso de cinco, seis horas, porque a interação dos alunos é muito menor. A gente puxa o aluno para perguntar, para interagir, para abrir a câmera e falar no microfone, mas ele acaba perguntando menos. E aí, a gente, como professor, acaba falando mais para compensar essa falta de interação que o online tem. Mas, a grande vantagem do online é que você pode formar uma turma pegando uma pessoa de cada cidade. Só que a gente vê que tem uma grande massa também que não adere ao online. Acho que a próxima geração talvez faça mais cursos online do que a nossa.

A Bräu Akademie está produzindo uma newsletter mensal sobre o setor cervejeiro. Qual é a ideia desse projeto? 
A gente sempre teve uma newsletter, mas agora a gente quis colocar conteúdo. É como se fosse quase uma revista online, com a ideia de divulgar informação. Tem diversas pessoas que estão colaborando. Eu estou com uma coluna, o Ronaldo Rossi está com outra… A ideia é apostar no conteúdo

Como essa divulgação de informações se insere pela newsletter nos planos da Bräu Akademie para os próximos meses?
O meu maior projeto neste ano vai ser a criação de conteúdo, conteúdo como o da calculadora de amargor que pretendo aperfeiçoar. Gerar também outros conteúdos na área de lúpulo e brassagem. E trazer também em forma de vídeos no YouTube, com o conteúdo que está saindo na mídia lá fora, como artigos científicos traduzidos, colocando de uma forma mais fácil de entender. E depois fazer lives em cima disso, a newsletter… Então, essa é a nossa ideia para esse ano: focar na geração de conteúdo. Trazer conteúdo de fora com um entendimento mais fácil.

Você criou a calculadora de amargor. Como está o desenvolvimento desse software e quais são os próximos passos?
A minha ideia era desenvolver um software que contemple tudo, como o Beer Smith. Então, eu acabei desenvolvendo primeiro uma calculadora de amargor, que é um conceito meu. Já apresentei em alguns congressos internacionais. As outras contas, eu vou pegando do que está no mercado e vou adaptando e inserindo, como calculador de água, de malte, densidade, fermentação, levedura… E colocando tudo isso dentro do software. A ideia é fazer o software completo. E a pandemia ajudou a acelerar essa produção.

O cooperativismo é uma saída para o setor, seja para empreender ou até para se proteger em momentos de crise?
Eu acho a ideia do cooperativismo fantástica, ainda que em alguns momentos ocorram problemas de operacionalização. De forma geral, acho que o cooperativismo vem para unir o cervejeiro. Eu vim do mercado financeiro de banco. Em banco, eu não vejo o cooperativismo como uma solução, porque realmente impera o capitalismo. Já na cerveja, essa abordagem, de vamos juntos cooperar para o mercado, acontece melhor. Para a cerveja, a ideia do cooperativismo funciona, o cervejeiro é mais aberto a compartilhar e crescer. Eu vejo na cerveja uma possibilidade do cooperativismo prosperar mais do que em outros mercados capitalistas.

Vocês têm várias parcerias com associações, cooperativas e cervejarias. Com quem? E como está sendo isso?
A gente fechou uma parceria muito interessante com a cervejaria Berggren. A gente vai dar diversos cursos lá dentro da fábrica. Há outras cervejarias e bares também com parceria, como com a Cooperbreja em Ribeirão Preto, o Instituto Ceres no Recife… Damos cursos aos associados, usamos o espaço. E há contrapartidas, como o desconto para todos os associados da Acerva.

5 opções de delivery em São Paulo para beber boas cervejas em casa

A cidade de São Paulo e os demais municípios do Estado regrediram à fase vermelha do Plano São Paulo, medida adotada em função do aumento assustador de casos, internações e mortes por Covid-19. As restrições demandam adaptações tanto para o consumidor quanto para o varejo do setor, como o uso do sistema de delivery para quem deseja beber uma boa cerveja nesse período em São Paulo.

Leia também – Entrevista: “As pessoas perceberam que comer e beber em casa é mais barato”

Afinal, bares, restaurantes e demais estabelecimentos de todo o varejo estadual estão com funcionamento restrito. Isso deve aumentar a importância e a demanda por serviços como o delivery. E esse tipo de venda, inclusive, foi um dos principais responsáveis por manter inúmeros estabelecimentos do país de portas abertas ao longo de 2020.

O Guia separou cinco opções de delivery em São Paulo para ajudar o cervejeiro a passar por mais este momento delicado e preocupante, mas com segurança e responsabilidade social no conforto do seu lar. Confira:


Beer4U

A Beer4U Vila Madalena tem 20 torneiras de chopes do mais variados estilos. Para quem optar pelo delivery da conhecida rede de lojas de cerveja em São Paulo, há uma promoção imperdível: o cliente leva 4 litros e só paga 3.

Endereço: Rua Cristóvão de Burgos, 74
E-mail: atendimento@beer4u.com.br
Telefone: (11) 99782-9889


Dortmund

A Dortmund Bier oferece 5% de desconto para quem comprar acima de 30 litros de chope, além de isenção na locação da chopeira. E o comprador ainda recebe 50 unidades de copos descartáveis nessa promoção, válida até 30 de julho.

Endereço: Rua Pinheiro Guimarães, 104
E-mail: admgbeer@gmail.com
Telefone: (11) 94977-3957


Hygger

A Hygger conta na sua tap house com 10 torneiras de cervejas de estilos variados e com rotatividade de marcas. Lá, também há mais de 50 opções de rótulos entre latas e garrafas. Além disso, é feito o enchimento de growlers sob contrapressão, o que garante a cerveja fresca por mais tempo.

Endereço: Rua Carneiro da Silva, 307
E-mail: contato@hygger.com.br
Telefone: (11)98980-6006


Let’s Beer

Com 12 chopes disponíveis para entrega, o Let’s Beer tem sido atuante no delivery em São Paulo. Suas cervejas estão disponíveis em garrafas PET descartáveis de 1 litro e 500ml. Além da bebida, também faz entrega de refeições.

Endereço: Rua Joaquim Távora, 961
E-mail: gutoprocopio@letsbeer.com.br
Telefone: (11) 93072-6192


OAK

A Cervejaria Oak  tem uma extensa lista de rótulos disponíveis em seu serviço de entregas para toda a capital paulista. A marca oferece 14% de desconto em 14 estilos, como Lager, Hop Lager, IPA Mango, Double IPA, IPA Scarlet, Session IPA, New England IPA, APA, Stout, Weiss, Wit e TangerIPA.

Endereço: Rua Padre Carvalho, 769
E-mail: contato@oakbier.com.br
Telefone: (11) 94362-7334


 

Com foco nas bebidas alcoólicas, Verallia investe para dobrar produção em MG

Para atender principalmente ao aumento da demanda do setor de bebidas alcoólicas por embalagens de vidro nas cores âmbar e verde, incluindo as cervejarias, a Verallia anunciou o investimento de 60 milhões de euros (aproximadamente R$ 420 milhões) na ampliação de sua fábrica localizada em Jacutinga (MG).

Com o investimento, a fábrica passará a contar com um segundo forno, o que dobrará a capacidade da planta mineira, passando de 1,2 milhão de garrafas diárias para 2,5 milhões a partir de 2023. E o foco da produção estará voltado para o mercado interno.

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“Aumentar a nossa capacidade produtiva já estava nos planos. A Verallia é uma empresa muito sólida no Brasil e globalmente, que investe projetando o longo prazo. Esperávamos o momento certo levando em conta, inclusive, as condições de mercado e contratos com nossos clientes”, comenta Quintin Testa, diretor-geral na América do Sul da empresa de embalagens.

A ampliação da capacidade produtiva da fábrica da Verallia em Jacutinga deverá criar ao menos 90 empregos efetivos diretos e outros 50 efetivos indiretos. Ou seja, praticamente vai dobrar o total de colaboradores na planta. Além disso, ao longo da obra, o contingente de trabalhadores terceirizados deve chegar a mil profissionais.

Inaugurada em julho de 2019, a planta de Jacutinga tem tecnologia de ponta, com o que há de mais moderno na Verallia mundialmente, permitindo responder às demandas de qualidade e de crescimento nos próximos anos.

A empresa também instalou um sistema de tratamento de emissões atmosféricas (precipitador eletroestático) de última geração e uma moderna estação de tratamento de efluentes, doméstico e industrial, em circuito fechado. Assim, todo efluente tratado neste sistema é reaproveitado internamente, sem descarte externo.

Saiba mais sobre a Verallia em nossa página do Guia do Mercado

Além da planta de Jacutinga, a Verallia mantém em operação no Brasil fábricas localizadas nas cidades de Porto Ferreira (SP) e Campo Bom (RS), além de um centro de criações para desenvolvimento de novos produtos em São Paulo.

Fabricação de bebidas alcoólicas inicia 2021 com expansão de 3,3%

A fabricação de bebidas alcoólicas começou 2021 em alta. De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção do setor cresceu 3,3% em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado. E, assim, inseriu-se em um contexto de expansão da atividade industrial no primeiro mês do ano.

Esse aumento levou a fabricação de bebidas alcoólicas a apresentar crescimento – ainda que modesto – de 0,4% no período de fevereiro de 2020 a janeiro de 2021, de acordo com o IBGE.

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A indústria nacional brasileira, por sua vez, apresentou crescimento de 0,4% em janeiro no comparativo com o período anterior, levando em conta o ajuste sazonal, no nono mês consecutivo de expansão. Ela foi, porém, menos acentuada e disseminada do que em períodos recentes.

A aceleração da produção industrial brasileira ainda foi de 2% na comparação a janeiro de 2020. Apesar disso, há retração de 4,3% no período acumulado de 12 meses.

“Observamos a manutenção do comportamento positivo do setor industrial, mas com desaceleração no seu ritmo no mês de janeiro”, avalia o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo. “Também chama atenção neste mês a quantidade de ramos que ficaram no campo negativo, que foram maioria (14 de 26), um comportamento que não foi observado nos meses anteriores dessa sequência de nove meses de crescimento.”

A expansão das alcoólicas, porém, não resultou no crescimento da produção das bebidas em geral em janeiro. Houve perda de 0,5% no primeiro mês de 2021 no comparativo com o mesmo período de 2020. E, nos últimos 12 meses, o recuo está em 0,4%.

Essa retração possui relação direta com a forte queda na produção de bebidas não alcoólicas, que foi de 5% em janeiro. Com essa perda, o segmento acumula encolhimento de 1,3% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE.

8 de março: Mulheres – Deusas cervejeiras

*Por Candy Nunes
(Texto publicado originalmente no site Confraria Paulistânia)

Ah, as mulheres! Não apenas seres humanos classificados pelos cromossomos XX, mas com certeza seres humanos especiais. O que define uma mulher? Eu definiria uma mulher utilizando apenas um adjetivo, se assim precisasse escolher apenas um: cuidadosa!

Sim, sabemos que as mulheres estão dedicadas aos cuidados. Seja da casa, seja dos entes queridos, seja dos alimentos ou até mesmo o cuidado de um grupo de pessoas. Eu atribuo a palavra cuidado às mulheres, mas isso não é de hoje se pensarmos que há aproximadamente 9 mil anos, na então Mesopotâmia, as mulheres eram feitas para os cuidados.

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Esse cuidado não apenas com uma casa, com a prole, mas também com alimentação. E foi assim que as mulheres tiveram o cuidado de descobrir e conhecer, para trazer a toda humanidade, o fermentado de cereais que moldou a história através das civilizações: A cerveja!

Foram as Sumérias. As mulheres não apenas descobriram a cerveja como durante muitos séculos foram responsáveis por produzi-las e servi-las. Mulheres e cerveja têm uma tradição primordial e milenar.

Ninkasi, deusa da cerveja
Diferentemente de como vemos a cerveja de hoje, uma bebida alcoólica restrita ao consumo de maioridade, naquela época era um alimento sagrado, sem qualquer restrição de consumo. Alimento este que trazia nutrição ao corpo e ao espírito, sendo parte essencial da nutrição diária. E assim, claro, as mãos cuidadosas das mulheres, proporcionaram para a humanidade a replicação e a elaboração desta bebida sagrada.

Temos por exemplo um documento muito antigo, sobre o Hino a Ninkasi, a deusa da cerveja, um poema escrito pela civilização suméria. Leia uma parte deste hino:

“Nascida da água corrente
Delicadamente cuidada por Ninhursag
Nascida da água corrente
Delicadamente cuidada por Ninhursag
Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado
Ela rematou-a com grandes muralhas por você, Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado
Ela rematou-a com grandes muralhas por você
Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado
Você é a única que maneja a massa, com uma grande pá
Misturando em uma cova o bappir com ervas aromáticas doces
Ninkasi, você é a única que maneja a massa com uma grande pá Misturando em uma cova o bappir com tâmaras ou mel
Você é a única que assa o bappir no grande forno
Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas
Você é a única que rega o malte jogado pelo chão
Você é a única que embebe o malte em um cântaro

Quando você despeja a cerveja filtrada do barril coletor, é como os barulhos dos cursos do Tigres e do Eufrates.”

Aos olhos de Ceres
No Império Romano, o consumo de cerveja era intenso e temos agora uma outra deusa. Sim, a deusa que representa o cuidado e a cerveja: Ceres!

Ela é a experiência da maternidade não só fisicamente, mas a experiência da grande mãe, da descoberta do corpo como algo precioso e valioso que requer muita atenção. Significa os prazeres simples da vida, a conscientização que somos parte da natureza. Ceres representa uma sabedoria não racional que vem da natureza da capacidade de esperar até que as coisas estejam maduras para agir. Não seria esse o fundamento do plantio da colheita dos grãos?

Ceres também está relacionada intimamente a cerveja que em latim é grafada Ceres Visia “Aos Olhos de Ceres”. Empresta, também, a levedura de alta fermentação, cujo nome científico é Saccharomyces cerevisiae. Ceres é a deusa das plantas que brotam e do amor maternal.

Brígida, a santa alquimista
Já na difícil tarefa que a humanidade teve de transformar-se em monoteísta, podemos citar uma santa: Brígida de Kildare. Ela viveu entre 451 e 525 e é santa padroeira da Irlanda. Exatamente, não só de São Patrício é feita a Irlanda. Santa Brígida é uma freira abadessa que tem sua data litúrgica comemorada em 1º de fevereiro, dia em que se festeja o início da primavera.

Santa Brígida tem o mesmo nome de uma antiga deusa pagã e muitas lendas e costumes, relacionam a sua biografia. Inclusive estudiosos sugerem que ela é nada menos do que a cristianização da entidade pagã. Existe uma tese na Irlanda que defende que ela foi uma grande liderança druida, uma alquimista.

Santa Brígida era conhecida por sua profunda espiritualidade, caridade, compaixão e pelo amor à cerveja. Em um dos seus mais célebres milagres, durante um trabalho em uma colônia de leprosos ela transformou água suja, usada nos banhos, em cerveja de excelente qualidade. Naquele período a bebida sagrada ou santa bebida, era uma fonte segura de hidratação e nutrição, dadas as condições sanitárias precárias.

Em outra ocasião, ela realizou um milagre de multiplicação da cerveja e abasteceu 18 igrejas da região. O suficiente para abastecer todo o período da Quaresma. Além disso tudo, existe um poema do século X atribuído a Santa Brígida que começa com as seguintes palavras:

 “Eu gostaria de ter um grande lago de cerveja para oferecê-lo a Deus.
   Eu gostaria, como os anjos do céu, de estar lá bebendo por toda a eternidade.
Eu me sentaria com os homens, as mulheres e Deus, perto do lago de cerveja estaríamos bebendo à boa saúde para sempre e cada gota seria uma oração.”

Santa Hildegard, a vanguardista
Hildegard Von Bigen nascida em 1098, viveu até 17 de setembro de 1179. Conhecida como a sibila do Reno, ela foi uma freira beneditina muito especial e totalmente dedicada à igreja. Grande teóloga, era tida como mística, além de compositora e dramaturga. Hildegard era naturalista e uma espécie de médica informal.

Personalidade pouco citada e conhecida pelo grande público moderno, ela rompeu muitas barreiras de preconceitos contra as mulheres que existia no seu tempo e foi respeitada como autoridade em assuntos teológicos, louvada pelos seus contemporâneos.

Hildegard é uma figura ímpar até mesmo para os dias modernos, podemos  imaginar então como era vanguardista sua atuação em pleno século XII.

Suas conquistas têm poucos paralelos mesmo entre os homens mais ilustres eruditos da sua geração. Ela tem vários textos escritos que mostram a sua percepção mística integrada ao universo. Brilhantemente, Hildegard harmoniza corpo e espírito entre a natureza da vontade humana e a graça divina.

E para nós, amantes da cerveja, vale dizer que ela revolucionou a fabricação de cervejas, que até então eram feitas sem lúpulo. Exatamente, a freira beneditina Hildegard Von Bigen descobriu o lúpulo e faz os primeiros registros da utilização na cerveja, só que de uma forma bem diferente da atual, pois o lúpulo foi introduzido como conservante natural que aumentaria a vida útil da cerveja. Hoje sabemos que a característica bacteriostática do lúpulo traz benefícios incríveis para a conservação da bebida.

A descoberta de Hildegard levou alguns séculos para se tornar regra, até a instituição da famosa Lei da Pureza Alemã em 1516, na região da Baviera. Assim tornou-se obrigatório o uso de lúpulo em cervejas no país, o que foi adotado na Inglaterra por volta de 1600 e assim por diante. Hoje, praticamente não existe cerveja sem adição de lúpulo em sua composição.

Esposas Ale
Trazendo para um panorama generalizado, vale ressaltar que a cerveja dos vikings era feita por mulheres em torno do século VIII a.C., assim como em todas as sociedades do norte da Europa. Na Inglaterra, as mulheres produziam as bebidas em casa e as vendiam como meio de incrementar o orçamento familiar. Eram conhecidas como Alewifes ou Esposas Ale.

A Inglaterra foi um dos mais importantes lugares para popularização da cerveja, com hábito de consumo nas três refeições diárias, incluindo café da manhã. A rainha Elizabeth I, disse certa vez: “Uma refeição perfeita é feita com pão, queijo e cerveja”.

Caldeiras, borbulhas, vassoura e gato
Estima-se com tudo que foi em meados do século XV que o desenvolvimento e a fabricação da bebida começou a ser retirado das mãos do universo feminino e, aos poucos, a ser ressignificado como um elemento masculino.

Em plena crise da Idade Média, os movimentos considerados hereges pelo Estado, proibiam e perseguiam qualquer tipo de irmandade ou organização feminina. E foi assim que teve início o que foi conhecido como período de caça às bruxas.

Esse período identificou as mulheres que fabricavam cerveja como bruxas, afinal, para fabricar a bebida é necessário um caldeirão. Quando a bebida começava fermentar, o líquido do caldeirão passava a borbulhar e a se mover diante dos olhos como uma poção mágica. Para mexer o caldeirão, havia um grande pedaço de madeira com ramos na ponta, parecendo uma vassoura.

Como trabalhavam com cereais como o malte, o ambiente ficava propício ao surgimento de ratos e nada melhor para espantar os ratos do que um gato. Então: um caldeirão, uma poção mágica, uma vassoura e um gato. Estão aí todos os elementos que identificam uma bruxa. Tal perseguição, em seu cerne, não tinha um verdadeiro cunho religioso, mas o objetivo de conter a lucratividade que as mulheres pudessem ter na venda de suas cervejas.

Desta forma, as mulheres foram queimadas na fogueira, com os homens aos poucos se apoderando da bebida, passando a lucrar o dinheiro que antes era exclusivo das mulheres. Este processo de apropriação se deu no século XV e seguiu até meados do século XVIII.

Surgiu, então, a Revolução Industrial e as novas tecnologias de fabricação em larga escala. Como se não bastasse, mulheres não podiam ser donas de propriedades nem pedir empréstimo em bancos o que as impedia de, por exemplo, abrirem suas próprias fábricas de cerveja. No final do século XVIII, não só a feitura havia se tornado um trabalho totalmente masculino.

Mulheres no Brasil
Agora, na cena brasileira, eu gostaria de destacar uma personalidade incrível. Uma mulher que é referência para todas nós mulheres, não apenas aquelas que trabalham dentro do universo cervejeiro, mas para todas as mulheres do mundo: Cilene Saorin!

Com um currículo impressionante, Cilene é conhecida internacionalmente com grande reconhecimento acerca dos seus trabalhos e estudos cervejeiros. Ela tem se dedicado às cervejas, nos últimos 28 anos, por alguns cantos deste planeta. É mestre-cervejeira, sommelière e diretora de educação da Doemens Akademie para a América Latina e a Península Ibérica.

Mas o que eu quero trazer a destaque dessa grande personalidade cervejeira é seu trabalho sobre a equidade e a inclusão social no mercado cervejeiro principalmente no trato da,s mulheres e das minorias.

Uma das frases da Cilene que mais me marca é que o dinheiro segue a visão. Essa é a mais pura verdade. Então, abaixo, separei aspas que considero bem importantes sobre o aspecto de equidade para a Cilene.

”Como um lembrete importante para contribuir na longevidade dos negócios: ‘o dinheiro segue a visão. E a visão é humanista.’ Não há outro caminho; esse é o único caminho para a existência humana. Do (ainda inevitável) capitalismo, que seja então um capitalismo inteligente.  Somos pura diversidade. Por coexistência, inclusão e representação, sempre. Temos diferentes vivências no tempo e no espaço. Exercitemos o senso de comunidade e encontremos o caminho do meio. (Vamos lá, comunidade cervejeira!). Educação para transformação e evolução ética. Com a equidade social (transversal), todos ganham muito – inclusive dinheiro.”

Em um atrevimento, resolvi fazer para algumas mulheres do meio cervejeiro, a seguinte indagação: Trabalhar com cerveja e ser mulher, significa o que para você? Veja abaixo as respostas:

 “Trabalhar com cerveja e ser mulher é desafiador. Ainda é preciso trabalhar contra preconceitos e buscar um meio menos inóspito para nós mulheres sermos ouvidas, respeitadas e acolhidas. Mas também é muito gratificante. Vemos que cada vez mais mulheres têm ocupado posições em diversas áreas e estão se sentindo à vontade para consumirem cerveja, e que boa parte do mercado tem se preocupado com isso.”
Por Beatriz Cury – Supervisora de vendas e marketing na Cervejaria Nacional

“Trabalhar com cerveja para mim é um aprendizado todos os dias, conhecer pessoas e lugares é a melhor parte. O trabalho é árduo e feroz, num ambiente que já foi de domínio masculino. Hoje é mais fácil encontrar profissionais mulheres em diferentes áreas. Eu luto todos os dias para impor minhas condições de trabalho, remuneração e, acima de tudo, ter respeito como mulher e como uma profissional com quase dez anos de experiência.”
Por Catarina Sour – Consultora comercial da Premium Brands 

 “Ser mulher em um meio masculinizado, que foi masculinizado, e ser conhecida nesse meio, é um misto de se sentir responsável por representar as mulheres do mercado, e, ao mesmo tempo, ter que sempre se esforçar a mais, tanto para impor respeito, como também por ter que provar sempre que sabe do que está falando!”
Por Cris Krause – Sommelière e embaixadora da Cervejaria Tarantino

“Minha relação com a cerveja me fez ser e me sentir mais forte. Esse lugar de fazer e trabalhar com cerveja foi feminino, deixou de ser, e a partir daí as mulheres acabaram não sendo bem-vistas nesse espaço cervejeiro. Lutar por um lugar nesse espaço é uma experiência que em primeiro momento machuca, mas a partir do momento que você entende tudo que acontece e quais barreiras vão existir, você pode aprender muito. Ser brasileira na Bélgica, estudando, pesquisando cervejas e convivendo com valões e flamengos é a experiência mais enriquecedora que tive. Me preparei bastante para ter o respeito, e assim a colaboração deles.”
Por Gabriella Rubens – Sommelière especializada em Escola Belga

“É muito apaixonante e, ao mesmo tempo, necessário. Apaixonante pela experiência incrível de olhar para um copo de cerveja e enxergar todo o processo, o esforço e atenção que existiu em busca da melhor cerveja. Necessário para mostrar que, apesar de ser um meio muito masculino ainda, temos mulheres muito capazes atuando no meio e que estaremos sempre de portas abertas para tantas outras profissionais sensacionais que estão por vir.”
Por Marina Pascholati – Supervisora de Produção na Cervejaria Bohemia

Harmonização, para não perder o costume
Quem me conhece sabe que ao final de cada artigo eu tenho sempre a delicadeza de trazer uma cerveja e sua devida harmonização. Falando de cuidado, eu trouxe a Faro Boon. Uma cerveja que sem dúvida é feita com extremo cuidado e delicadeza.

A Faro Boon é uma cerveja de fermentação espontânea resultante do blend entre uma “meerts bier” e uma Lambic. É agridoce, com aroma e sabor frutado remetendo a maçã verde e pêra. A sua coloração acobreada, assim como o sabor agridoce, é obtida pela adição de candy sugar logo antes do engarrafamento. Um contraponto perfeito entre o adocicado do candy sugar e a acidez da fermentação espontânea.

Para harmonizar essa maravilha, eu trouxe um prato bem fácil de fazer, maçãs verdes flambadas ao gin, acompanhadas com sorvete de Amarena Fabbri (cereja silvestre italiana). Claro que o sorvete eu comprei numa excelente sorveteria, no bairro Vila Romana, em São Paulo. Confira a receita das maçãs flambadas.

Para cada duas bolas de sorvete use:
1 maçã verde
1 colher de sopa de manteiga
2 colheres de sopa de açúcar
100ml de gin

Modo de preparo:
Cuidadosamente, descasque as maçãs retirando a pele, gentilmente, sem perder a polpa. Corte as maçãs em tiras de aproximadamente 2cm. Numa frigideira antiaderente, ao fogo baixo, coloque a colher de sopa de manteiga. Assim que a manteiga derreter, não a deixe queimar, adicione duas colheres de sopa de açúcar. Quando o açúcar se integrar à manteiga, formando um caramelo, coloque delicadamente as tiras de maçã e vire tão logo ela fique acobreada. Como as maçãs caramelizadas, adicione o gin e, com um palito de fósforo aceso, flambe as maçãs. Quando o álcool se dissipar, desligue o fogo e sirva o sorvete no prato. Logo após, coloque as maçãs flambadas. O calor irá derreter o sorvete, mas isso não é um problema e, sim, um charme delicioso. Eu sei que agora você ficou com muita vontade de harmonizar essa sobremesa que é fácil, prática e extremamente deliciosa.

Acesse já o site da Confraria Paulistânia Store e na tranquilidade da sua casa reproduza essa harmonização.  A Faro Boon está esperando seu clique!


Candy Nunes é sommelière de cervejas, mestre em estilos, técnica cervejeira e apresentadora, além de correspondente audiovisual do Guia