O sol será a fonte da energia para a produção da cerveja que leva o seu nome no Brasil, uma das marcas premium da Heineken. A ação foi iniciada neste mês e faz parte das iniciativas do grupo da multinacional cervejeira para alcançar as metas do Drop the C, seu pilar de sustentaibilidade.
O Drop the C trabalha a redução na emissão de gás carbônico (CO2) em toda a cadeia e tem como meta atingir 100% de consumo de energia renovável em todas as cervejarias do Grupo Heineken até 2023 no Brasil, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa pelas unidades industriais.
No país, a energia solar será utilizada nas unidades de Ponta Grossa (PR) e Jacareí (SP). Mas a experiência já foi adotada no exterior pela Heineken, na cervejaria de Zoeterwoude, na Holanda, que abastece países como Reino Unido, Austrália, África do Sul, Alemanha, Finlândia e Espanha.
“Esta estratégia é uma das frentes do Movimento Mais com Menos, projeto que guia a atuação de sustentabilidade do Grupo e busca atingir mais resultados positivos com menos impactos negativos”, afirma Ornella Vilardo, gerente de sustentabilidade da multinacional no país.
Já Guilherme Retz, gerente de marketing das marcas premium do Grupo Heineken no Brasil, explica que o posicionamento da marca, Taste the Sun, quer conectar as pessoas à energia positiva do sol.
“Dessa forma, a produção da marca no Brasil utilizando fonte de energia solar é a tangibilização desse posicionamento, reforçando-o com uma iniciativa que vai muito além da comunicação, além de contribuir para as metas de sustentabilidade do grupo”, aponta Guilherme.
Com a iniciativa, a Sol passa a utilizar a assinatura “Produzida com energia solar” em suas embalagens, materiais de ponto de venda e demais peças de comunicação, valorizando a adoção da fonte sustentável para a sua produção.
A definição da receita pelo mestre-cervejeiro e a escolha dos ingredientes são algumas das decisões e passos fundamentais para a concepção de uma bebida. Porém, entre esse processo inicial e a chegada ao consumidor, há um caminho cheio de nuances que pode afetar o que foi produzido. É nessa trajetória que estão incluídos os barris, fundamentais para evitar problemas envolvendo o armazenamento e o transporte dos chopes que precisam ser refrigerados e, posteriormente, extraídos sem perder sua qualidade.
“Tem papel tão relevante quanto os componentes da produção, pois é ele que torna possível o armazenamento a longo prazo, o transporte mantendo a qualidade e a extração da bebida fresca”, avalia Roniely Scaramussa Sarzi, diretora comercial da Barril Vix, acrescentando que o consumidor perceberá o benefício de beber um chope ou uma cerveja bem armazenada.
“O barril manterá as qualidades originais da fabricação da bebida como o sabor e a fermentação, fazendo com que a bebida chegue ao consumidor com sabor inigualável e fazendo toda diferença na escolha do cliente, que pagará e receberá um produto de qualidade”, afirma Roniely.
Já Silaine Costa, diretora comercial da Mundo do Cervejeiro, lembra outro aspecto que reforça a importância dos barris para as cervejarias: a redução de custos com o armazenamento. “A falta de barris em uma cervejaria acarreta a permanência da cerveja por mais tempo no fermentador e no tanque, ocasionando prejuízos no custo final.”
Leandro Spaniol, coordenador de marketing da Zero Grau, explica ainda que o uso correto dos barris é fundamental para que o paladar do consumidor seja atendido. “Hoje é possível respeitar as nuances de cada consumo, onde as cervejas e chopes comerciais ficam ‘estupidamente gelados’ abaixo de zero”, aponta ele.
“Já os artesanais, conforme a receita, são indicados em temperatura que podem variar de 0ºC a 8ºC. E o brasileiro está gradativamente aprendendo e mudando esses hábitos. Sem falar na pandemia, que trouxe para o mercado um novo consumo, ainda mais voltado para dentro dos lares ou para dentro do condomínios, com sistema de autoatendimento”, acrescenta Leandro.
Os tipos de barris Para armazenar uma cerveja ou chope no barril, o setor conta com diversas opções e tipos. Os principais encontrados no mercado nacional são os de inox e PET, mas há espaço para outros, como o de madeira, que inclusive tende a ampliar a participação. Cabe, então, aos interessados, entenderem as especificidades que melhor casam com a demanda.
No caso dos barris de inox, entre outros benefícios, a facilidade para a limpeza e a capacidade de armazenamento são vistas como vantagens. “Barris de inox tem um sifão interno (cuja função é a limpeza / desinfecção, enchimento e extração do chope) cujo sistema proporciona que o barril, quando está vazio, permaneça fechado e sob atmosfera de CO2, onde as sobras de chope não ficam ressecadas, aumentando a capacidade de limpeza dos barris. Além disso, os barris de inox permitem o armazenamento de bebida em maiores quantidades, e também permitem trabalhar com maiores pressões”, diz Roniely, da Barril Vix.
Já o manuseio é apontado como maior atrativo dos barris fabricados em PET. “A grande vantagem deste tipo de barril é a facilidade de manuseio, possibilidade de empilhamento de alguns modelos, versatilidade nos modelos slim que são muito usados em kegerators por questões de limitação de espaço”, detalha Roniely.
Fundador da Tanoaria Espanha, por sua vez, Rafael Gonzalez avalia que o uso de barris de madeiras proporciona sabores únicos e especiais para as cervejas, tornando-se especiais. E vem sendo uma alternativa muito utilizada no mercado nacional.
“Uma cervejaria entra em outro patamar quando começa a trabalhar com cerveja de guarda em barris. São cervejas de guarda que requerem um cuidado e carinho especial. Outro motivo para trabalhar com cervejas de guarda é o grande valor agregado que gera o produto na imagem da cervejaria e no lucro”, destaca Rafael.
No caso dos barris de madeira, as principais “versões” utilizadas são o carvalho francês e o norte-americano. “Nada supera os aromas e sabores liberado por esta madeira como especiarias, baunilha, mel, chocolate e avelã. Hoje, quase 95% das bebidas no mundo passadas na madeira são provenientes do carvalho”, diz o fundador da Tanoaria Espanha.
Rafael também enxerga uma grande demanda pelas cervejas envelhecidas no mercado nacional, o que pode aumentar a busca por esse tipo de barril. “A procura é tão grande das cervejas em barris que a cervejaria já vende sua produção toda quando ainda está maturando a cerveja dentro do barril.”
Mas, ainda que com variantes, os barris sempre têm o mesmo princípio básico: paredes com isolamento térmico e um conjunto condensador responsável por fazer a troca térmica, entregando e mantendo no interior o frio necessário.
“O mais importante é sempre respeitar um equilíbrio entre capacidade de refrigeração, giro diário necessário e consumo eficiente de energia elétrica. Um competente setor de engenharia e técnicos especializados garante uma entrega com o melhor custo-benefício”, garante Leandro, coordenador da Zero Grau.
Os cuidados necessários Mas, claro, não basta ter o barril que melhor se adapte para a sua operação. O bar ou cervejaria também precisa adotar cuidados com higienização, para evitar qualquer risco ao consumidor.
“É fundamental que os barris, tanto de inox quanto o pet, sejam higienizados antes de cada embarrilamento para evitar contaminação do produto. Existem no mercado máquinas de lavagem e produtos sanitizantes próprios para uma higienização segura”, diz a diretora comercial da Barril Vix, também destacando que a sua empresa fornece um produto que facilita a manutenção.
“Nossos barris de inox já são entregues ao cliente passivados, ou seja, recebem na fábrica a aplicação de um aditivo químico par evitar a oxidação, tornando a manutenção muito simples, reduzindo o trabalho e a limpeza do material”, acrescenta Roniely.
Já o fundador da Tanoaria Espanha destaca que só com o investimento em um produto de qualidade será possível obter um resultado final satisfatório com a sua cerveja. “Temos que saber que para trabalhar neste segmento necessita um certo investimento. Não existe cerveja de qualidade com barris baratos e muito usados”, pondera Rafael.
Outras dicas dadas por especialistas são nunca abrir o barril sem antes retirar a pressão, jamais rolá-lo, evitar quedas mesmo de pequenas alturas, não armazenar produtos químicos neles e sempre verificar a integridade dos anéis plásticos de vedação. E, caso esteja danificado, é importante trocá-lo para evitar vazamentos.
A importância da refrigeração Leandro Spaniol, coordenador de marketing da Zero Grau, lembra outro detalhe importante nos cuidados necessários com os barris: a refrigeração correta, em temperatura estável para que o consumidor tenha acesso às características idealizadas para o produto.
“Como trata-se de um produto não pasteurizado, seu ciclo de vida é reduzido e a refrigeração é o principal aliado. E aqui não estamos falando somente de frio extremo para gelar o produto na hora do consumo, mas também antes mesmo do envase, em faixas de temperatura utilizadas nas câmaras de maturação, de preservação do lúpulo. A manutenção da temperatura é essencial”, comenta.
O diretor de marketing da Zero Grau vê o investimento na refrigeração como um diferencial para a conquista do cliente em um mercado concorrido e diverso como o cervejeiro, contribuindo para o aumento das vendas do espaço.
“Hoje com a grande variedade de rótulos e marcas disponíveis, em um mercado que tende a crescer ainda mais, estas características sensíveis, ou seja, fazer com que aquilo que o mestre cervejeiro idealizou lá nas rampas de fermentação, fazer com que isso se mantenha e chegue ao consumidor final sem alterações, isso pode fazer a grande diferença entre quem quer se destacar”, diz.
A pulverização do segmento cervejeiro, com o surgimento de diversas marcas artesanais, também tem demandado novos processos logísticos da cadeia refrigerada de barris, envolvendo fábricas locais e distribuidores próprios, como detalha o diretor da Zero Grau.
“A entrada e o aumento de consumo do chope artesanal abriu um grande e novo mercado. Assim como na Europa, a disseminação de cervejarias artesanais, de produção menor, com distribuição de chope por barris, abriu as portas para uma regionalização. Isso quer dizer que normalmente uma boa cervejaria acaba dominando melhor o mercado em seu entorno em um raio que não ultrapassa muito uma centena de quilômetros”, explica Leandro.
Os efeitos da crise A parcela da cadeia associada aos barris, assim como outras da indústria, foi atingida em 2020 por efeitos da pandemia do coronavírus e da adoção de medidas de isolamento social. Sem minimizar a queda passageira nas vendas, o diretor da Zero Grau aponta que a crise mudou hábitos e pôde ser bem aproveitada por quem opera com barris a partir do momento em que o consumo se tornou mais individualizado.
“A mudança do hábito de consumo abriu algumas possibilidades muito interessantes, como é o caso o uso de câmaras frias e sistemas de autoatendimento para fornecer um novo padrão de serviço para o chope. Mesmo que não seja para um consumo no local, mas para encher um growler, abastecer um pequeno barril”, diz Leandro. “O consumo sempre existiu, o que provocou mudança foi no hábito, na forma de consumir. Aqueles que mais rápido se adequaram, mais rápido puderam reverter para novos modelos.”
Com 25 anos de experiência em refrigeração, a Zero Grau acredita que se adaptou a esse cenário, a partir de iniciativas que vinha adotando antes mesmo da pandemia. E prevê o crescimento do segmento de barris em 2021.
“Mesmo antes da pandemia já havíamos lançado produtos para este setor – minicâmaras frias para chope – e também realizando algumas parcerias bem estratégicas com outras empresas que fornecem tecnologia para a automação. Assim, passada uma primeira fase de susto com a pandemia, o mercado veio atrás de uma solução que já estava pronta”, aponta o diretor da Zero Grau, para depois complementar.
“Para o próximo ano estamos projetando um crescimento no setor. Estamos centrando ainda mais força neste segmento, pois acreditamos que o mercado de chope e cervejas artesanais no Brasil é crescente e promissor”, acrescenta Leandro.
Já a Mundo do Cervejeiro, diante da crise, customizou e lançou novos produtos, tais como growlers personalizados, e desenvolveu lacre para aumentar a segurança dos barris. E aposta que há uma demanda para ser atendida.
“Acreditamos que, devido à pandemia, há uma demanda reprimida. A previsão é de que nos próximos meses as vendas vão retornar aos mesmos níveis de antes da pandemia e o mercado cervejeiro voltará a aquecer”, destaca a diretora comercial da empresa.
Conheça mais sobre empresas de barris para o setor cervejeiro
Barril Vix
A Barril Vix trabalha com uma linha completa de produtos para pronta entrega, expandindo seu catálogo muito além de barris, seja para o produtor de cerveja/chope quanto para o consumidor caseiro. Envia para todo o Brasil. Tem chopeiras portáteis (kits mini keg), cápsulas de CO2, bolsas térmicas, postmix, growlers, torneiras, extratoras, reguladores de pressão, régua manifold, conctores ball lock, tubos, conexões Dmfit, torres najas e muito mais.
Endereço: Rua Pirajú, número 181, quadra 11. Polo Industrial de Piracema. Bairro Jacuhy. Cidade de Serra (ES). E-mail: vendas@barrilvix.com.br Telefone: (27) 99831-6101
Mundo do Cervejeiro
Os barris da Mundo do Cervejeiro são fabricados por uma empresa que possui o certificado ISO 22000, que trata sobre a segurança de alimentos, abrangendo todas as organizações da cadeia. Ele é utilizado em todas as ocasiões onde há necessidade de armazenar e transportar a cerveja com segurança. A empresa também oferece toda parte de equipamentos para extração e armazenamento de cerveja.
Endereço: Rua General Fernando Vasconcellos C. de Albuquerque, 80. Cotia (SP). E-mail: contato@mundodocervejeiro.com.br Telefone: ( 11 ) 95160-8860
Tanoaria Espanha
A Tanoaria Espanha é umas das mais importantes fornecedoras de barris de carvalho para varias cervejarias, alambiques e vinícolas do Brasil com premiações nos mais importantes concursos de bebidas nacionais e internacionais. A empresa importa barris das melhores destilarias e vinícolas no mercado internacional. Além disso, os barris são fabricados através de técnicas e tecnologias utilizadas nas melhores vinícolas da Europa.
Endereço: São Pedro de Alcântara (SC). CEP: 88125-000. E-mail: rafael@tanoariaespanha.com.br Telefone: (48) 99633-7193
Zero Grau
A Zero Grau oferece diversos produtos ao mercado, como minicâmaras para chope, câmaras frias pequenas, médias ou grandes, com projetos modulares, caixas térmicas em polietileno rotomoldado, expositores refrigerados com portas de vidro, walk in coolers, beer caves, refrigeração para tap houses, loja container, balcão refrigerado para chope e cervejeiras de diferentes tamanhos.
Endereço: Rua Professor Evaldo Kissler, 213. Nova Santa Rosa (PR). E-mail: contato@zerograu.com Telefone: (45) 3253-8000
A Cervejaria Doutor Duranz está comemorando seu quarto ano com o lançamento da Reserva Imperial Stout Wood Aged Amburana, um rótulo que será vendido em versão limitada. A nova bebida da marca artesanal é do estilo Russian Imperial Stout.
De acordo com a Doutor Duranz, a Reserva Imperial Stout Wood Aged Amburana tem 10,5% de graduação alcoólica. A cervejaria também explicou que a bebida foi maturada por oito meses na amburana, uma madeira de árvore nativa brasileira.
Foram produzidas apenas 100 unidades – todas numeradas a mão – da Reserva Imperial Stout Wood Aged Amburana. Para a edição limitada, a cervejaria de Petrópolis e integrante da Rota Cervejeira RJ envasou o líquido em garrafa de champanhe âmbar de 750ml.
Comercializada pela Doutor Duranz em caixa de madeira produzida exclusivamente para a comemoração do seu aniversário de quatro anos, a embalagem autoral foi desenhada pelo designer de móveis Gustavo Bittencourt.
A cerveja especial de colecionador está à venda na fábrica da cervejaria Doutor Duranz, localizada na rua Coronel Veiga 463, em Petrópolis. Mais informações podem ser obtidas com a marca pelo telefone (24) 3065-3934 ou pelo Whatsapp (24) 99981-1985.
Uma das metas da Ambev até 2025 é eliminar toda a poluição do plástico consumido nas suas embalagens. O compromisso foi assumido no começo deste ano e agora, antes do fim de 2020, a companhia anunciou que 30% do seu objetivo já foi alcançado.
O resultado foi alcançado a partir de algumas iniciativas da multinacional de bebidas: mais de 45% das suas garrafas PET foram recicladas, houve redução de 15% no uso do plástico filme na logística das cargas e de 6,5% no peso das tampas plásticas, além da substituição de forma gradual dos canudos de plástico pelos de papel, da produção das novas garrafeiras serem com material 100% reciclado e dos primeiros testes de plástico filme 100% reciclado.
“A preocupação com a sustentabilidade dos nossos produtos e operações não é de hoje. A gente vem se desafiando cada vez mais para promover ações que causem impacto positivo para todo o ecossistema, nós queremos resolver o principal problema quando se fala do plástico: a poluição que ele causa no meio ambiente”, explica Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de Sustentabilidade e Suprimentos da Ambev.
A Ambev diz basear suas ações em três diferentes frentes: eliminação e substituição do plástico, utilização de embalagens retornáveis ou conteúdo 100% reciclado e investimento em inovações, parcerias e novas tecnologias para substituir o plástico e reaproveitá-lo.
Para alcançar seu objetivo, a empresa conta com parceiros como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e startups, como a Deink, empresa de reciclagem que detém um processo integrado que elimina a tinta da superfície dos resíduos de shrink, facilitando a reciclagem.
A cervejaria destaca que, além das embalagens, mesas de plástico como as da Skol também fazem parte do programa. Até o momento, cerca de 3 mil delas foram produzidas com material 100% reciclado. Já 14 mil cadeiras foram feitas com 70% de material reaproveitado.
A Ambev também colocou em supermercados e estabelecimentos de todo o país cerca de 12 mil racks (peças de exposição dos produtos em lojas) e 145 mil cestos de garrafas retornáveis produzidos com plástico 100% reciclado.
A atuação da Ambev com os plásticos também é vista em iniciativas de logística reversa e reciclagem como Reciclar Pelo Brasil, desenvolvida em parceria com a Coca-Cola Brasil e outras 14 empresas. Assim como na Aceleradora 100+ Sustentabilidade, trata-se de um programa global voltado para encontrar soluções inovadoras para os principais desafios socioambientais da atualidade.
Os efeitos da paralisação da atividade industrial nos primeiros meses da pandemia do coronavírus no Brasil têm provocado um cenário complicado para o setor cervejeiro nacional às vésperas das festas de fim de ano e do verão. A quebra da cadeia produtiva vem dificultando a operação das cervejarias, que sofrem com a falta de insumos para a operação, como garrafas e latas para envase, além de caixas de papelão, necessárias para a produção de kits, e para a criação de novos rótulos.
Porém, mais do que apenas um problema localizado do setor cervejeiro, a dificuldade de acesso a alguns insumos também atinge outro segmentos da indústria nacional. A avaliação é de que o freio imposto pela pandemia, com a paralisação de operações, ainda reflete na produção, que está abaixo dos níveis exigidos para esse momento de retomada das compras.
“A dificuldade está em outros setores também. Parece que os fabricantes pararam tudo no início da pandemia e na retomada não esperavam esta demanda”, avalia Gilberto Tarantino, sócio da cervejaria paulistana Tarantino, em entrevista ao Guia.
Para Abrahão Paes Filho, fundador e presidente da Cervejaria Santa Catarina, o cenário de falta de insumos é o mais crítico das últimas três décadas no Brasil, não ocorrendo algo parecido desde o Plano Collor em 1990. E isso dificulta o escoamento da produção, pela falta de matéria-prima.
Temos cervejas nos tanques, mas não conseguimos garrafas o suficiente para envasar. Além da falta de garrafas, também estão com falta de caixas de papelão e rótulos
– Abrahão Paes Filho, fundador e presidente da Cervejaria Santa Catarina
“No início da pandemia desligamos as máquinas, assim como fizeram também as indústrias de insumos. Quando começou a abertura do mercado em junho, as negociações começaram a voltar de forma muito tímida. Porém, no início de setembro houve uma explosão de pedidos, não só para o setor cervejeiro, mas para diversos setores”, acrescenta Abrahão.
Além disso, uma especificidade tem atrapalhado as operações e o atendimento das demandas cervejeiras: sabedores de que há uma maior busca por garrafas no fim do ano, seus produtores tradicionalmente as fabricam em quantidade maior meses antes, para atender essa procura posterior.
Só que essa produção para estocagem não foi realizada em 2020. Ao contrário: as atividades estavam paralisadas no período que isso tradicionalmente acontece, como destaca Marcelo Paixão, presidente do conselho da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).
“Tem uma escassez no mercado. A falta de produtos como garrafa no fim do ano até é comum. Mas, nesse ano, há zero produto. Hoje só têm três fábricas de garrafa no Brasil. E com todos os insumos é a mesma coisa. Eles produzem no meio do ano para cobrir a demanda excessiva do fim do ano. Só que em 2020 as fábricas fecharam por causa da pandemia, então não havia estoque preparado”, aponta o presidente do conselho da Abracerva.
Na sua avaliação, a origem do problema para outros insumos não está propriamente na fabricação, mas em uma etapa anterior: a falta de matéria-prima. “Para papelão, embalagens, o problema não é a fábrica. Mas que eles não conseguem comprar a matéria-prima para fazer o produto. A commodity parou de ser produzida quando a pandemia começou. É um problema muito grave. As fábricas de commodity pararam. E agora você tem uma cadeia inteira sofrendo”, acrescenta Marcelo.
Sócio-fundador da Cervejaria MinduBier, de Salvador, Gustavo Martins tem uma avaliação parecida. Para ele, a crise do coronavírus colocou em patamares diferentes a busca pelos insumos e a produção, principalmente no caso das embalagens. Algo que, em sua visão, só com o passar do tempo será resolvido. Enquanto isso, resta lidar com esse desafio extra.
“A pandemia desestruturou completamente a lei da oferta e demanda, que estava, de certa forma, mantendo certa estabilidade. Como os compradores diminuíram ou cancelaram seus contratos, as indústrias diminuíram consideravelmente o volume de produções, para poder sobreviver à crise”, avalia Gustavo. “No momento atual, estamos começando a retomar o consumo e os volumes de produção anteriores, porém a indústria de embalagens não conseguiu se preparar a tempo.”
Desafios e soluções Diante da falta de produtos, as cervejarias vêm sofrendo para encontrar insumos. E, quando os encontra, há dois desafios: a demora para a entrega e a cobrança de preços elevados. “Estou sabendo de colegas que estão tendo problemas com caixas de papelão e até copos descartáveis. Os fabricantes têm pedido prazos absurdos, de até 120 dias para entregar, e aumentos também absurdos, de até 80%”, explica Mario Jorge Lima, sócio-fundador da Matisse, cervejaria de Niterói que também sofreu recentemente com a falta de garrafas de vidro para envasar a sua produção, mesmo operando com pequenas quantidades.
Algumas cervejarias ouvidas pelo Guia apostam que a falta de insumos é um problema temporário. E, para resolvê-lo, vêm buscando soluções em um momento do calendário em que a procura por cerveja costuma ser maior. “Estamos buscando novos fornecedores e usando a rede de contatos para repor caixas de papelão e latas”, afirma Giba Tarantino.
Outros destacam que algumas fábricas têm se voltado ao mercado externo, com a importação de produtos. “Estou apostando que é um problema passageiro e logo o mercado se ajusta. Acredito que a importação em breve vai resolver isso, como já está ocorrendo com as garrafas de vidro importadas da Argentina”, argumenta Mario Jorge.
Embora o fim de 2020 tenha somado uma série de fatores que têm atrapalhado as operações, casos da pandemia do coronavírus, da lenta retomada da atividade industrial e da alta do dólar, lideranças do setor reconhecem que a escassez de alguns insumos já havia ocorrido em anos anteriores, ainda que sem a gravidade atual.
Esse cenário também foi percebido pela Abracerva. E, preocupada em evitar a sua repetição nos próximos anos, a associação tem buscado dialogar com os fornecedores para facilitar o atendimento das demandas pelos suprimentos no futuro próximo.
“A sazonalidade e a falta de produtos já vêm de algum tempo. A Abracerva vem conversando com esses fornecedores, passando o que o mercado vai demandar para entender o ano que vem. Alguns produtos voltarão ao normal. Outros, como as garrafas, estamos levantando os números do que o mercado consome para passar aos fornecedores e entender como vai ser o ano que vem”, detalha o presidente do Conselho da Abracerva.
Já o fundador e presidente da Cerveja Santa Catarina não crê na normalização do fornecimento de insumos antes do carnaval no Brasil. Mas, em busca de soluções imediatas para a resolução dos impasses, ele crê que o setor pode ter aprendido uma alternativa para lidar com os atuais problemas: o trabalho em conjunto, exemplificado por negociações coletivas.
“Para minimizar estes efeitos, além de mudanças temporárias ou permanentes nos vasilhames de alguns produtos, também temos trocado informações com os parceiros de microcervejarias. Mesmo que associados estávamos individualistas, então se tornou um grande momento para as pequenas cervejarias repensarem o modelo de abastecimento de insumos com cooperação”, conclui Paes Filho.
Na contramão da Black Friday, a Vadelata Store lançou a sua Green Week. O projeto especial do e-commerce de bebidas da Ball acontece até domingo e vai muito além de super descontos: na ação para apoiar o meio-ambiente, cada lata vendida será revertida em uma doação de R$ 5 para o Instituto Route Brasil.
A Ball irá subsidiar as doações, com o objetivo de disseminar a mensagem de que o consumo pode ser mais consciente e de que é necessário pensar cada vez mais na preservação do planeta.
Comunidades na Bahia, Pernambuco, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo serão beneficiadas com a ação, feita em parceria com o Instituto Route Brasil, que busca rotas de engajamento para reduzir o impacto do lixo nas praias e oceano do país e do mundo.
Entre as ações desenvolvidas pelo instituto está a campanha 100 Resíduos, que promove conscientização ambiental em comunidades brasileiras a partir da doação de cestas básicas e posterior coleta dos resíduos gerados e encaminhamento para reciclagem.
“Após um período de aumento no consumo, queremos propor uma reflexão sobre o impacto que nossas escolhas causam no meio ambiente. A Ball produz a embalagem mais sustentável da cadeia de bebidas e, por isso, entende a importância de conscientizar a população sobre logística reversa e, ao mesmo tempo, apoiar regiões socialmente vulneráveis”, explica Thaís Moraes, diretora de comunicação da Ball América do Sul.
Utilizando sua loja online exclusiva de bebidas em lata, o movimento Vadelata “reforça o apelo por um consumo mais responsável, atitude fundamental para preservação da natureza e redução da poluição marítima”.
Para os interessados em ajudar na campanha, basta adquirir qualquer produto em lata na Vadelata Store.
A nona edição do Brussels Beer Challenge premiou 16 cervejas brasileiras. A competição, considerada uma das mais importantes do setor no mundo e famosa pela presença de grandes especialistas entre os jurados, aconteceu em Bruxelas, na Bélgica. E a Dama Bier deixou a disputa com duas medalhas de ouro, enquanto a Colorado e a Wäls ganharam uma.
Ao todo, a competição reconheceu rótulos de cervejas de 18 países, sendo que 36 participaram do Brussels Beer Challenge, incluindo as novidades Austrália, Coreia do Sul, Bolívia e Ucrânia. Foram 1.546 rótulos inscritos, com a Friend or Foe, da Rockmill Brewery, dos Estados Unidos, sendo eleita a melhor do Brussels Beer Challenge.
Já a belga Brasserie Dupont foi a cervejaria mais premiada do evento. Também foi a Bélgica o país com mais medalhas recebidas – 79 –, seguida por Estados Unidos (31), Itália (30), Holanda (23) e Brasil.
Entre as categorias cervejeiras participantes, a New England IPA registrou o maior crescimento em relação ao evento anterior, com 43 inscrições. Mas o estilo mais concorrido acabou sendo o Belgian Tripel, com 71 participantes.
“Este concurso é uma referência mundial, um marco na terra dos grandes monstros cervejeiros”, destaca Samuel Cavalcanti, cervejeiro e CEO da Bodebrown, que foi uma das premiadas nacionais com a medalha de prata na categoria de cervejas com toques de chocolate pela Trooper Brasil IPA, criada em parceria com a banda Iron Maiden. “Esta medalha de prata é uma conquista incrível e valoriza ainda mais todo o cuidadoso trabalho para a criação da Trooper.”
Confira, a seguir, quais foram as 16 cervejas brasileiras premiadas com medalhas e as suas respectivas categorias.
Medalhas de ouro Colorado Ribeirão Lager Lager: Estilo Pilsner internacional Fabricada pela Cervejaria Colorado
Dama American Lager (Melhor cerveja sul-americana da competição) Lager: Hoppy Lager Fabricada por Renato Bazzo (Dama Bier)
Dama Wood Selection Imperial Brown Porter Cerveja aromatizada: Madeira / barril envelhecido (Menos de 10% de graduação alcoólica) Fabricada por Renato Bazzo (Dama Bier)
Dark Coffe Break Dark Ale: Brown Ale Fabricada por Wäls (Ambev)
Medalhas de prata Base Bohemia Reserva Cerveja especial: Barley Wine Fabricada pela Cervejaria Bohemia
Bodebrown – Iron Maiden Trooper Brasil IPA Cerveja aromatizada: Chocolate Fabricada pela Cervejaria Bodebrown
Brahma Duplo Malte Lager: Light Lager Fabricada pela Cervejaria Ambev
Colorado Double Brown Coconut Cerveja aromatizada: Field Beer Fabricada pela Cervejaria Colorado
Dama Pilsen Lager: Estilo americano Pilsner Fabricada por Renato Bazzo (Dama Bier)
Kessbier Belgian Mango Brut Cerveja especial: Brut Fabricada por Kessbier Cervejaria
Praia do Meio Cerveja especial: Outras Sour Ale Fabricada pela Cervejaria Cozalinda
Medalhas de bronze Bohemia Puro Malte Lager: Light Lager Fabricada pela Cervejaria Ambev
Brahma Chopp Lager: Light Lager Produzido pela Cervejaria Ambev
Colorado Black Indica Dark Ale: Dark / Black IPA Fabricada pela Cervejaria Colorado
Dama Oatmeal Golden Coffee Ale Cerveja especial: Cerveja especial com mais de 7% de graduação alcoólica Fabricada por Renato Bazzo (Dama Bier)
O desempenho positivo dos mercados globais em novembro se refletiu na Bolsa de Valores de São Paulo e na ação da Ambev. O índice Bovespa teve valorização de 15,90% no 11º mês do ano, algo que foi repetido pelo papel da multinacional cervejeira, denominado ABEV3, que teve alta de 14,78% no mesmo período.
A ação ordinária da Ambev fechou novembro com o preço de R$ 13,98, sendo que havia começado o mês cotada a R$ 12,18. Apesar disso, continua em desvalorização em 2020, pois o papel havia terminado 2019 a R$ 18,67. E, com isso, acumula perda de valor de 25,12% neste ano.
A Bolsa de Valores de São Paulo também teve alta expressiva e se recuperou de três meses seguidos de queda. O índice Bovespa, considerado o mais importante do principal mercado nacional, terminou novembro com 108.893,32 pontos, sendo que havia fechado outubro com 93.952,40.
A recuperação expressiva quase apagou as perdas acumuladas do Ibovespa em 2020, ano iniciado com o pior trimestre da história. O índice tinha encerrado 2019 com 115.645,34 pontos. Com isso, a queda acumulada em 2020 está em 5,24%.
O desempenho expressivo da Bolsa se deu em um mês de grande atuação de investidores no mercado nacional, com a entrada de um montante superior a R$ 30 bilhões. E isso se deu em um contexto de otimismo mundial, com a expectativa de que uma vacina eficaz contra o coronavírus seja disponibilizada no primeiro semestre de 2021.
Além disso, o resultado eleitoral nos Estados Unidos foi visto com otimismo, pois há a perspectiva de que o democrata Joe Biden, que derrotou o atual presidente Donald Trump, reforce iniciativas de estímulo para recuperar a economia norte-americana. Assim, os investidores preferiram minimizar o surgimento de uma segunda onda de contaminação pelo coronavírus em um contexto global.
Fora do Brasil Entre as principais cervejarias do mundo, por sua vez, também houve ganhos em novembro. O principal foi da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – na Europa. O papel da AB-Inbev fechou outubro custando 44,56 euros e encerrou o 11º mês de 2020 com o valor de 55,88 euros. A valorização, portanto, foi de 25,4% no período.
Já a ação da Heineken teve resultado parecido ao encerrar novembro cotada a 88,52 euros. Como havia terminado outubro valendo 76,20 euros, a alta foi de 16,17% no penúltimo mês do ano.
A Ambev e a Lohn Bier se uniram a nove microcervejarias de Santa Catarina para criar um rótulo colaborativo com lúpulo nacional. Trata-se da Brazilian Blonde Ale, uma puro malte que leva em sua composição o produto cultivado através do Projeto Hildegarda, lançado pela multinacional do segmento de bebidas no início deste ano.
O rótulo colaborativo entre a Ambev e a Lohn Bier também conta com a participação das cervejarias catarinenses Princesa Serra, Bier Letti, Frostbier, Eiswasser, Embaixada Bar, Cervejaria L’Jaica, Chopp do Zé, União Serrana e GuedBeer.
“Estamos muito felizes em dar mais um passo tão importante e representativo para a cadeia cervejeira com a produção de um rótulo feito com lúpulo nacional, nascido de um projeto que busca agregar para todo o ecossistema, seja com o incentivo e fomento à cultura do lúpulo, seja com a possibilidade de geração de renda para a comunidade”, diz Laura Aguiar, head de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.
A escolha de ingredientes, definição de receita e brassagem aconteceram na Lohn Bier, microcervejaria parceira da ZX Ventures, o braço de inovação da Ambev. E foi realizada em conjunto com cervejeiros e especialistas de todas as marcas participantes.
“Nós criamos uma Ale com uma base de malte, corpo variando de leve a médio, e com uma levedura neutra para que os lúpulos catarinenses imprimam suas características. O resultado foi uma cerveja com bastante equilíbrio de malte e lúpulo – esse com nuance herbal e levemente cítrico, cortando o dulçor do malte, que remete a pão e amêndoa em terceiro plano”, detalha Richard Westphal Brighenti, sommelier e fundador da Lohn Bier.
Os rótulos da edição limitada e inédita da Brazilian Blonde Ale foram envasados e serão direcionados a um evento beneficente, em dezembro. A população de Lages (SC) poderá trocar uma cerveja por alimentos e brinquedos que serão posteriormente doados para instituições de caridade.
O projeto Em agosto, com o lúpulo advindo do projeto, já havia sido lançado um primeiro rótulo. É a cerveja Green Belly, como foi batizada, uma Hop Lager em edição limitada também feita em conjunto com a Lohn Bier.
O Projeto Hildegarda foi lançado pela Ambev com a proposta de fomentar o cultivo de lúpulo no Brasil, dado que o ingrediente, indispensável para a produção das cervejas, é praticamente 100% importado de países como Estados Unidos e Alemanha.
Desde março, a companhia implementou uma lavoura experimental para testes de manejo e variedades, um viveiro com capacidade produtiva de 60 mil mudas ao ano e uma planta para o processamento do ingrediente.
A iniciativa prevê contribuir não somente com o desenvolvimento de lúpulo na região, como também com o apoio direto a pequenos produtores, oferecendo auxílio técnico e toda a infraestrutura da Fazenda de Lúpulo Santa Catarina, dentro da cervejaria da Ambev em Lages – incluindo o acesso à planta de beneficiamento do ingrediente.
Para Richard Brighenti, fundador da Lohn Bier, “com altitude e temperaturas atípicas de um país tropical, nossa região é como se fosse um oásis, afinal, a natureza é sempre muito generosa. Ter lúpulo no Brasil com qualidade é cada vez mais realidade e agora o beneficiamento começa a nos dar oportunidade de ter esse importante ingrediente da cerveja em todas as datas do ano com o projeto Hildegarda, não apenas flores”.
A expectativa é de que, nos próximos meses, a planta piloto para o processamento de lúpulo seja inaugurada. E a promessa é de que 500 famílias sejam contempladas no Projeto Hildegarda nos próximos cinco anos.
O mercado de cerveja da União Europeia sofreu uma queda de 20% em suas vendas até agora neste ano, segundo estimativa da Brewers of Europe. A associação, que representa o setor junto às instituições e organizações internacionais, apontou ainda que o recuo pode chegar aos 25% até o fim de 2020.
A avaliação da Brewers Europe leva em consideração as vendas em bares e restaurantes, mas também no varejo. “Nossa estimativa é que, em média, perdemos até agora cerca de 20% de nossas vendas de cerveja”, disse Pierre-Olivier Bergeron, secretário-geral da Brewers of Europe, em uma entrevista à EURACTIV, rede de mídia especializada em políticas da União Europeia.
A associação explica que as vendas via varejo evitaram um recuo ainda maior do setor cervejeiro, mas não suficiente para minimizar os efeitos negativos. E isso se deu em função das medidas de quarentena adotadas na União Europeia para evitar a propagação do coronavírus. E isso atingiu diretamente as operações das cervejarias e do setor de hospitalidade.
Desde o início da pandemia, 15 dos 27 estados-membros da União Europeia fecharam seus bares. E os outros impuseram limitações severas. Só que nem a reabertura dos locais com o relaxamento de algumas medidas de isolamento social melhorou significativamente as vendas de bares, como explica o secretário-geral da Brewers of Europe.
“Mesmo quando os bares reabriram durante o verão (europeu), medidas de distanciamento social e confiança do consumidor relativamente baixa resultaram em vendas de cerveja no comércio permanecendo em apenas metade dos níveis de 2019”, apontou Bergeron.
Cenários desiguais e futuro O recuo no mercado cervejeiro na União Europeia, porém, não foi uniforme. Portugal, por exemplo, teve queda de 70% nas vendas dos estabelecimentos, enquanto na Estônia a redução foi de apenas 7%.
Na Bélgica, país da União Europeia com maior tradição cervejeira, as vendas no comércio caíram 55% no período entre maio e julho. Outro cenário complicado se deu na Irlanda, onde muitos pubs nem reabriram entre a primeira e a segunda onda do coronavírus.
Já na Itália, epicentro da fase inicial da pandemia e primeiro país a adotar o lockdown, a queda nas vendas de cerveja foi de 50% no segundo trimestre. Porém, no terceiro, o país ao menos conseguiu resultados que se aproximaram dos níveis do mesmo período de 2019.
Mesmo com esse cenário difícil, a Brewers of Europe assegura estar satisfeita com as medidas adotadas pelos governos locais, como redução de impostos, subsídios e empréstimos. Mas destaca que as iniciativas precisarão seguir em vigor com a segunda onda de casos de coronavírus.
“Não posso reclamar muito. Eu poderei reclamar dentro de alguns meses se virmos os estados-membros retirando ou não prolongando as medidas. Isso é absolutamente fundamental. Precisamos de prolongamentos”, completou o secretário-geral da associação.