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Menu degustação: Session IPA da Patagonia, Baden Baden e realidade virtual…

A primeira semana de setembro trouxe muitas novidades ao setor cervejeiro nacional. Apesar da pandemia do novo coronavirus ainda afetar significativamente todo o cotidiano do país, a rede Mestre-Cervejeiro comemorou a abertura de mais quatro lojas. Já a taphouse da Landel adotou medidas de segurança e reabriu as portas, enquanto a Baden Baden apostou em uma degustação em realidade virtual para envolver os consumidores. Outras opções para o paladar ficaram com a cervejaria argentina Patagonia, que trouxe a icônica Session IPA 24.7 em versão longneck ao Brasil, e a conhecida IPA da Maniacs, que agora vem em versão latão, além de longnecks de sua linha New England IPA. Confira.

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Realidade virtual da Baden
A cervejaria Baden Baden criou a 1ª degustação guiada de cerveja em realidade virtual no Brasil. Serão quatro experiências com os principais rótulos da marca: Cristal, Witbier, Golden Ale e IPA. Por meio de narrativas, os sentidos serão ampliados e vão envolver o consumidor em uma viagem por aromas, sabores e ingredientes. A experiência estará disponível a maiores de 18 anos, no site e YouTube da marca, e pode ser acessada em qualquer dispositivo móvel e sistemas VR, como Google Cardboard, entre outros.

Session IPA da Patagonia
A cervejaria argentina Patagonia trouxe sua icônica Session IPA 24.7 em versão longneck ao Brasil. A cerveja é puro malte e se apresenta em um dourado profundo e intensa espuma branca. Seu aroma traz um lúpulo intenso, cítrico, com notas de frutas brancas, e seu sabor traz um lúpulo suave, com amargor elegante. Tem 4,5% de teor alcoólico e 36 IBUs. O rótulo está disponível em versão longneck no Empório da Cerveja, com entrega para todo o Brasil. E, em breve, também nos Refugios Patagonia, bares oficiais da marca, e demais pontos de venda.

Taphouse e colab da Landel
A Cervejaria Landel já está recebendo clientes em sua taphouse, em Campinas. Para a reabertura, a marca garante que segue à risca as recomendações dos órgãos de saúde. Entre as iniciativas está a adoção de cardápio e copos descartáveis no serviço dos chopes, além do distanciamento entre as mesas, limite de público e uso obrigatório de máscara. Continuam os serviços de entrega de chope pelo Landelivery, aplicativos e vendas pela loja na internet, assim como o sistema express, quando o cliente faz o pedido prévio via whatsApp e passa na casa para retirar sua encomenda.  E uma parceria entre a Landel e a Cervejaria Garimpero, de Barão Geraldo, vai fazer a Flemish, uma Flanders Red Ale com 5% de teor alcoólico e 22 IBUs. A edição terá tiragem limitada de apenas 112 latas e poucos litros de chope. Produzida com uma cultura mista de microorganismos, a cerveja passou por fermentação longa, de 5 meses, o que trouxe leve acidez e notas intensas e inusitadas no aroma e sabor, provenientes da ação desses diversos microorganismos.

Latão da Maniacs
A cervejaria Maniacs, de Curitiba, anunciou duas novidades para os consumidores. Seu produto carro-chefe, a Maniacs IPA, ganha a versão em latão de 473ml que já tem boa aderência no canal off trade (supermercados e conveniências). Além disso, a marca está lançando duas versões em longnecks 355ml de sua linha New England IPA com os rótulos Yankee e CitricDrop, que serão comercializados exclusivamente em clientes com expositores refrigerados e em pequena escala.

Lojas da Mestre-Cervejeiro
Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, a rede Mestre-Cervejeiro.com abriu mais quatro lojas no mês de agosto: duas em Goiás, em Rio Verde e Itumbiara, e outras duas no interior de São Paulo, em Bragança Paulista e São José do Rio Preto – esta é uma reabertura. Todas as lojas da rede estão trabalhando no sistema delivery.

Abracerva convoca assembleia para eleger nova diretoria em 15 de outubro

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) convocou oficialmente eleição para 15 de outubro para definir o seu novo comando, após a renúncia da diretoria na noite da última quarta-feira. As chapas participantes devem ser inscritas em até 30 dias, período iniciado na última sexta-feira, quando o edital foi publicado.

CONFIRA O EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ASSEMBLEIA GERAL DE ELEIÇÃO DA ABRACERVA

A convocação dos associados para a Assembleia Geral de Eleição, feita por Adriano Oliveira de Miranda, coordenador do Conselho Gestor da Abracerva, tem o intuito de realizar a votação para a ocupação dos cargos de conselheiros, suplentes e dos membros do Conselho Fiscal.

A Assembleia Geral de Eleição, aberta para todos os associados de forma semipresencial, terá a sua primeira convocação às 10 horas de 15 de outubro, com a segunda marcada para as 10h30. As chapas e os inscritos devem seguir as normas e procedimentos previstos no Estatuto da Abracerva.

Entenda o caso
A convocação de uma eleição se dá após a renúncia de Carlo Lapolli à presidência da entidade. A sua saída do cargo ocorreu na sequência da divulgação de mensagens de teor preconceituoso escritas por ele em grupo de WhatsApp. Além dele, renunciaram todos os demais membros da sua diretoria.

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A coordenação da associação, então, passou a ser ocupada interinamente – até a realização da Assembleia Geral – por Nadhine França. Escolhida para conduzir a entidade até as eleições, ela é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco e do Núcleo de Diversidade da Abracerva, além de colunista do Guia.

Lapolli renunciou após serem vazadas mensagens com conteúdo chulo que envolviam misoginia, racismo, xenofobia e sexismo, escritas pelo até então presidente da Abracerva no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

O vazamento do material envolvendo Lapolli se deu dias após o mesmo grupo ter outras mensagens publicadas – essas sem a participação dele. Elas demonstravam posturas racistas em relação a profissionais negros do segmento cervejeiro, além de outros materiais de tom preconceituoso e com ofensas a mulheres e ataques ao feminismo.

Uma semana antes do vazamento das mensagens de Lapolli, a Abracerva preparou e disponibilizou para debate o seu código de ética, com previsão de ser implementado em 60 dias. O material vinha sendo preparado pela associação com o apoio e a participação do recentemente criado Núcleo de Diversidade, comandado exatamente por Nadhine.

Balcão da Ana: A escrita, a empatia e o frescor dos campos de lúpulo

Coluna Ana Pampillón

Balcão da Ana: A escrita, a empatia e o frescor dos campos de lúpulo

À mesa, depois do almoço de domingo, enquanto ainda degusto uma cerveja, reflito sobre a escrita e entro em um caminho nebuloso, onde rapidamente vou mudando o rumo dos meus pensamentos.

Escrever permite um grau de empatia que acredito não encontrar em nenhum outro espaço. Um grau de empatia e de compreensão dos labirintos morais dos seres humanos.

Resolvo navegar por mares mais calmos e falar de um assunto que tem prendido cada vez mais meu interesse, por estar se tornando um ativo muito importante para as cervejarias e toda a cadeia produtiva.

Hoje trabalhamos bem as experiências das cervejarias e brewpubs, e estamos começando a desbravar as experiências em campos de lúpulo.

O plantio é novo no país, e o “agro” vai bem, obrigada. O trabalho de formiguinha começa junto com a popularização do cultivo e, por isso, esse caminho a ser descoberto será ainda mais instigante. Já consigo enxergar spas e plantações, para que a experiência no campo ajude a fortalecer ainda mais a cultura do lúpulo.

O lúpulo traz um frescor de novidade ao setor que poderá ser de extrema importância para as regiões onde temos produtores da planta, cervejarias maravilhosas e outras tantas novidades que vão nos levar longe.

De volta a um porto seguro, vamos levando para o campo o que a escrita nos permite levar para o papel: a compressão, a empatia e as nossas múltiplas tarefas de amarrar todas as pontas.


Ana Pampillón é turismóloga, sommelier de cervejas, coordenadora da Rota Cervejeira RJ e atuante no mercado de lúpulo brasileiro

MP denuncia 10 pessoas por contaminação de rótulos da Backer

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O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) denunciou à Justiça, nesta sexta-feira, os três sócios-proprietários e sete responsáveis técnicos da Backer em função da contaminação de cervejas da marca com produto tóxico. A denúncia foi apresentada pela 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte.

Houve, ainda, o indiciamento de uma 11ª pessoa por ter realizado declarações falsas durante as investigações. O consumo da bebida adulterada provocou dez mortes, sendo as duas últimas em julho.

Para balizar a denúncia, o MP-MG afirmou que os três sócios-proprietários da Backer venderam, expuseram à venda, tiveram em depósito para vender, distribuíram e entregaram a consumo chope e cerveja adulterados pelo uso de substância tóxica no seu processo de produção. De acordo com a promotoria, “eles sabiam que o produto poderia estar contaminado.”

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O MP-MG também apontou que os sete engenheiros e técnicos denunciados agiram com dolo eventual ao fabricarem o produto sabendo que ele poderia estar adulterado. “Os engenheiros e técnicos responsáveis pela produção de cerveja assumiram o risco de fabricarem produto adulterado, impróprio a consumo, que veio a causar a morte e lesões corporais graves e gravíssimas a inúmeras vítimas”, afirma a denúncia da promotora Vanessa Fusco.

Segundo o MP-MG, os engenheiros e técnicos denunciados “agiram como garantidores, não exercendo atividade ou ação que seriam devidas em função de suas formações técnicas”. Além disso, alguns dos envolvidos foram denunciados por ausência de registro no conselho profissional.

“Praticaram crimes comissivos por omissão de lesão corporal culposa e homicídio culposo ambos na modalidade negligência e imprudência, que causou a morte de dez vítimas e lesões corporais gravíssimas em 16 pessoas, comprovadas por laudo pericial”, diz trecho da denúncia.

A pena para os sócios-proprietários e responsáveis técnicos vai de quatro a oito anos de reclusão, ainda acrescida da metade pelas lesões corporais e, em dobro, pelos homicídios para cada uma das vítimas. Os responsáveis técnicos ainda respondem pelos homicídios e lesões corporais de forma culposa, podendo ser condenados a penas de um a três anos e ainda dois meses a um ano de reclusão.

De acordo com o MP-MG, a materialidade dos crimes foi comprovada pelo laudo pericial da Engenharia da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística produzido nos lotes e tanques da cerveja, além dos laudos toxicológicos e de necropsia das vítimas.

Mono e dietilenoglicol
A adulteração das bebidas alcoólicas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol foi detectada nas cervejas recolhidas para análise e ainda na planta fabril da empresa. Os pontos de contaminação que originaram o envenenamento das bebidas alcóolicas foram identificados em vários tanques e ainda em diversos pontos da fábrica, conforme laudo da engenharia da Polícia Civil.

O MP avaliou que existiam outros anticongelantes no mercado, mas que a Backer os adquiriu deliberadamente. E, como se trata de produto impróprio para o uso na indústria alimentícia, os sócios-proprietários assumiram o risco de produzir as bebidas alcoólicas adulteradas.

A Procuradoria também apontou que os responsáveis técnicos devem ser responsabilizados, duplamente, em face do risco que assumiram ao fabricarem as bebidas utilizando produto tóxico e, ainda, por negligência e imprudência, por deixarem de realizar a manutenção dos equipamentos da empresa.

Em janeiro, vários consumidores foram internados com sintomas de intoxicação, desenvolvendo a síndrome nefroneural após ingestão da cerveja Belorizontina, o principal rótulo da Backer. Com o início da investigação, a perícia realizada constatou vazamento em um tanque e diversos outros focos de contaminação.

Em agosto, a Backer havia anunciado ter iniciado um processo de reparação para as famílias das vítimas. A fabricante mineira tinha contratado a Câmara de Conciliação e Mediação Satisfactio, empresa privada e especializada na solução de conflitos.

Bares reabrem com menos da metade da força de trabalho pré-crise, diz pesquisa

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A reabertura de bares e restaurantes vem acontecendo de forma gradual em diversas regiões do país, entretanto a situação continua sendo complicada, especialmente para os trabalhadores do setor. Uma pesquisa nacional realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revelou que os estabelecimentos têm funcionado com menos da metade dos funcionários que possuíam antes do início da pandemia do coronavírus, em março.

Além disso, 64% dos donos de bares e restaurantes entrevistados pela Abrasel disseram que não irão recontratar imediatamente, em outro dado a evidenciar que o setor de alimentação fora de casa ainda terá um trabalho árduo para se recuperar da crise provocada pela Covid-19.

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Entre os estabelecimentos entrevistados, 73% já abriram as portas. Mas Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, avalia que o porcentual pode ser menor. “Muitos, no entanto, fecharam de modo definitivo, por isso nem responderam à pesquisa.”

O presidente da Abrasel também destaca que as restrições provocaram um faturamento abaixo do esperado para 71% dos bares e restaurantes ouvidos pela associação na sua pesquisa.

Ainda conforme o estudo, quatro em cada cinco empresas (78%) tentaram obter empréstimo de março até agosto. Mas pouco mais da metade destas (57%) conseguiu acessar alguma linha de crédito. Já a maioria obteve o empréstimo pelo Pronampe (56%), quase sempre associado com alguma outra linha disponível. Dos que tiveram o empréstimo negado (43%), são 21% os que não receberam nem mesmo uma justificativa do banco.

Na avaliação de Solmucci, o setor foi o que mais sofreu com a pandemia na economia do país. “O setor é o que mais emprega no Brasil. Precisamos de ajuda específica para que os empreendimentos possam sobreviver e voltar a contratar”, cobrou.

A pesquisa da Abrasel foi realizada em âmbito nacional entre os dias 18 e 20 de agosto, com as respostas de quase 1,5 mil empresários. 

Entrevista: ‘Todas nós mulheres temos casos de assédio para contar no meio cervejeiro’

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A divulgação de mensagens de um grupo privado de WhatsApp composto por pessoas relevantes do setor de cervejas artesanais trouxe luz para um dos principais problemas da sociedade brasileira – e do segmento: o preconceito, exposto por comentários de teor racista, além de ataques a mulheres, com ofensas a profissionais, colegas e concorrentes.

Em entrevista ao Guia, Amanda Reitenbach, CEO do Science of Beer Institute, destaca que a grave polêmica demanda uma revisão de posturas, com a adoção de um código de ética por empresas e entidades.

Amanda ressalta não ser possível separar as opiniões das pessoas – no caso dos comentários preconceituosos revelados nos últimos dias – da atuação empresarial. Até por isso, aprova as mudanças no comando da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), com a renúncia do presidente Carlo Lapolli, que teve mensagens de teor preconceituoso vazadas nos últimos dias, e de toda a sua diretoria. E espera que a próxima gestão da entidade seja mais inclusiva.

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Ela também faz uma cobrança para que as pessoas ouçam mais as dores e dificuldades de mulheres e negros, deixando de lado o uso de termos como “mimimi” ou a defesa de uma suposta meritocracia em uma sociedade e setor onde o acesso às oportunidades está longe de ser igualitário. E alerta que comentários tratados como piadas empoderam agressões e a violência sexual contra as mulheres. “Todas nós mulheres temos casos de assédio, virtual ou físico, para contar no meio cervejeiro”, afirma.

Fundadora de uma escola cervejeira, Amanda também defende a educação como principal alternativa para mudanças de postura. É nesse cenário que está inserido o Beer Summit, que inclui congresso, concurso e festival internacional, sendo idealizado e organizado apenas por mulheres. O evento é uma iniciativa do Science of Beer Institute, está agendado para dezembro e vai tratar sobre todas essas temáticas.

Confira estas e outras opiniões e reflexões de Amanda Reitenbach na entrevista ao Guia.

Como você avalia os recentes casos de preconceito revelados no setor?
É muito triste a gente se deparar com essas expressões. A gente sabe que o mercado é um recorte da sociedade, e que a sociedade é racista, machista e misógina. A gente precisa compreender isso para entender que é preciso mudança, estudar, nos educar. Quando isso chega até a gente e toca pessoas que estão ao nosso lado, dói muito mais. Conhecemos as pessoas envolvidas, sabemos a dor que as pessoas estão passando, e isso se torna a nossa dor.

Os casos de preconceito envolvem figuras relevantes do segmento cervejeiro. Qual é o significado disso e quais desafios isso traz para a mudança de postura que o setor necessita?
A gente sabe que tudo o que aconteceu veio em um grupo de 200 homens. Esse número dentro do setor cervejeiro artesanal significa bastante. Hoje aparecem outros prints de pessoas de destaque, empresários, cervejeiros, donos de estabelecimentos. É muito importante notar que hoje não se separa mais a pessoa física da pessoa jurídica. O que a pessoa faz, representa as suas marcas. As marcas precisam ter uma atenção muito especial. Todos os acontecimentos chamam a atenção para que cervejarias, bares e escolas criem manuais de conduta e ética, assumam suas posturas e tenham previsões de punições para os que errarem. Tudo isso afeta muito o setor. As pessoas à frente das marcas são espelhos, que influenciam outras. Toda pessoa é uma influenciadora. A história de um cervejeiro, de como ele montou a sua cervejaria, é inspiração para outras pessoas.

Quais lições essa exposição de comentários pode deixar?
Quando a gente se depara com essas exposições, isso afeta a forma como você vê essas pessoas. Não estamos aqui para ser a inquisição. Eu acredito realmente na regeneração do ser humano, não sou a favor da política de cancelamento, mas quero que todas essas pessoas reflitam sobre suas atitudes. Tente escutar o lado das pessoas que foram ofendidas, as dores dessas pessoas. A gente lê e viu nos prints se falando de mimimi de pessoas negras e mulheres, e o velho discurso da meritocracia. Mas estão usando recortes que são exceção. Falta a essas pessoas escutarem mais mulheres e negros, lerem mais, saírem das suas bolhas. É preciso aprender a ser mais plural, escutar mais, dar mais acesso e entender as dores que não são as suas. Ou não estamos falando da pluralidade. E isso limita muito. Acho que não é o momento de polarizações, mas de diálogo. Utilizar os ocorridos para trazer reflexão e educação. Não é o momento de raiva e punitivismo.

Quais medidas efetivas devem ser adotadas de imediato como resposta a esses casos?
Trabalho com educação e ela é o caminho da transformação. Temos trazido esses assuntos no Science of Beer. Não é à toa que incluímos uma aula de antirracismo nos nossos cursos e que tenhamos um manual de conduta e ética, que falamos das bandeiras feministas. Educação é a resposta e o caminho. Antes de criticar, assista o webinar, as aulas gratuitas, escutem e reflitam sobre isso. Acredito na regeneração do ser humano e convido as pessoas a refletirem. Que elas não se fechem em seu ódio ou em sua vingança, estejam abertas a escutar, aprender e a dialogar. Só assim haverá uma mudança.

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Para além do setor cervejeiro, o que esses casos de preconceito significam dentro de um contexto maior, da sociedade?
Estamos em um momento da sociedade em que a mudança é urgente. A gente não pode normalizar atitudes como essas, achar que é piada, ou coisas de 5ª serie. Tudo está interligado: o Brasil é um país recordista em feminicídios, com mulheres sendo agredidas e violentadas sexualmente a cada minuto. E piadas e frases machistas, como a gente viu, empoderam todas essas atitudes. Quem ri disso, se omite, está corroborando com essas atitudes.

Como dito anteriormente, esses casos de preconceitos, expostos agora, se deram em um grupo de homens. Que aprendizado deveria se tirar disso?
Queria deixar um convite aos homens. Que pensem nisso, que pensem em seus grupos, os lugares onde estão inseridos. Toda vez que alguém apresenta um nude, apresenta uma fala machista e misógina, reflita. Isso pode empoderar o assédio, que acontece muito nos eventos cervejeiros. Todas nós mulheres temos casos de assédio, virtual ou físico, para contar no meio cervejeiro. Homens, reflitam, façam a mudança e nos escutem. Saiam do clichê de mimimi. Escutem o que é necessário mudar. E comecem com os seus pares, seus amigos, seus grupos, questionando esses comportamentos. A gente não aguenta mais ser agredida, ser vaiada, ter habilidades técnicas questionadas. Vamos refletir para trazer a mudança que é urgente.

Como você avalia todas as mudanças anunciadas na noite de quarta, com a renúncia do presidente da Abracerva e sua diretoria? E como espera que vá emergir e deva ser a “nova” Abracerva?
Foi uma decisão necessária para renovação. Não podíamos aceitar uma chapa onde quase todos os membros faziam parte do grupo e corroboravam para as trocas que haviam ali. Precisamos de pessoas comprometidas com a ética e a boa conduta e, por isso, é necessária a renovação. Espero uma chapa mais plural, que tenha compromisso com a inclusão e democratização do mercado. E que todos os acontecidos sirvam para mostrar que não vamos mais normalizar comportamentos como os que vimos.

Como se insere o Beer Summit, evento organizado só por mulheres e idealizado pelo Science of Beeer, em um contexto de exposição de casos de preconceito dentro do setor? Como isso afeta os debates e discussões que o evento espera realizar em dezembro?
O Beer Summit nasceu como uma marca da nova era, agregadora e coletivista. Esses são os nossos pilares, querendo trazer a pluralidade no time de palestrantes e participantes. É um congresso técnico e científico, mas também vamos falar de racismo, de feminismo, dos preconceitos que estão sendo escrachados, com pessoas que passam por essa situação e têm muito a falar, para ensinar a todos nós. A gente não vai se omitir e vai causar muita reflexão. E que isso contribua para a mudança e evolução do setor cervejeiro.

Kit para o Exército e reciclagem de growlers: As últimas ações da Rota RJ

Liderada pela Associação das Cervejarias e Cervejeiros do Estado do Rio de Janeiro (Accerj-Tur), a Rota Cervejeira RJ surgiu para valorizar a produção das marcas da região serrana do estado e as suas atrações turísticas. Desde então, as cervejarias do grupo realizam diversos projetos, que não foram paralisados durante a pandemia do coronavírus.

A Cervejaria Colonus, de Petrópolis, por exemplo, será a responsável por fornecer os kits comemorativos pelos 150 anos do 32.º Batalhão de Infantaria Leve do Exército. “Foi um projeto desafiador, não só pelos custos, mas principalmente pelo desenvolvimento de produtos 100% personalizados, dentro das muitas exigências impostas pela área de comunicação do Exército Brasileiro”, explica Leandro Leal, um dos sócios da cervejaria.

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Os kits foram produzidos com a cerveja Colonus Nº7, uma “bebida forte, puro malte, de alta fermentação com extrato aromático, destilado, não alcoólico de milho, centeio e cevada, obtida a partir do uísque Jack Daniel’s Nº7, bastante encorpada e complexa”, segundo descreve a marca.

O material também conta com a Colonus German Pils, uma versão alemã da Pilsner, com amargor um pouco mais intenso, de acordo com as informações da marca. E ainda inclui uma garrafa e uma taça na caixinha de papelão personalizada.

PETs
Já a Cervejaria Pontal, de Nova Friburgo, que também faz parte da Rota Cervejeira RJ, está promovendo a campanha RE-PET, uma ação sustentável que busca facilitar a destinação correta dos PETs usados no consumo de bebidas.

Nessa ação, a cada devolução de cinco growlers PET usados, o preço de 1 litro da cerveja Hop Lager da Pontal, que custaria R$ 20, sai por R$ 14.  Assim, o consumidor ajuda na reciclagem do growlers e compra sua cerveja com um valor mais em conta.

A iniciativa conta com a parceria da RB Reciclagem, que vai fazer a destinação correta dos PETs recolhidos. A primeira ação para trocas na própria cervejaria Pontal aconteceu no último sábado. E a segunda está marcada para 26 de setembro.

Lapolli renuncia à presidência da Abracerva após vazamento de mensagens preconceituosas

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) comunicou, nesta quarta-feira, a renúncia de Carlo Lapolli à presidência da entidade. A sua saída do cargo se dá na sequência da divulgação de mensagens de teor preconceituoso escritas por ele em grupos de WhatsApp. O cargo será ocupado interinamente por Nadhine França, até a realização de uma eleição, agendada para 15 de outubro.

Com Lapolli, renunciam todos os demais membros da sua diretoria. “A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) terá novas eleições. Na noite desta quarta-feira (2), o então presidente Carlo Lapolli renunciou ao cargo, assim como os integrantes da diretoria”, anunciou, em comunicado, a Abracerva.

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O edital do processo eleitoral será divulgado nesta quinta pela Abracerva, em seu site, com as chapas podendo ser inscritas até 3 de outubro. A votação para definição do novo presidente da associação será online.

“A manutenção do trabalho da entidade e a necessidade de levar mais representatividade para a gestão da Abracerva foram apontadas por Lapolli como motivadores da decisão”, afirmou a Abracerva, em comunicado, explicando as motivações que provocaram a renúncia de Lapolli ao cargo. Ele também comanda a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja.

Escolhida para conduzir a entidade até a realização de novas eleições, Nadhine França é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco e do Núcleo de Diversidade da Abracerva, além de colunista do Guia.

Mensagens vazadas
Lapolli renuncia após serem vazadas mensagens com conteúdo chulo que envolviam misoginia, racismo, xenofobia e sexismo, escritas pelo até então presidente da Abracerva no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

O vazamento do material envolvendo Lapolli se deu dias após o mesmo grupo ter outras mensagens publicadas – essas sem a participação do então presidente da Abracerva. Elas demonstravam posturas racistas em relação a profissionais negros do segmento cervejeiro, além de outros materiais de tom preconceituoso e com ofensas a mulheres e ataques ao feminismo.

Na última terça-feira, procurado pela reportagem do Guia, o presidente da Abracerva se declarou “profundamente arrependido” pelas publicações e declarou esperar que o caso “faça o setor melhorar”. E, em mensagem a membros da associação, havia pedido desculpas pelo seu ato, ainda que indicando não ter o desejo de renunciar ao cargo, algo que decidiu fazer na noite desta quarta.

O vazamento das mensagens preconceituosas do então presidente da associação se deu menos de uma semana após a Abracerva preparar e disponibilizar para debate o seu código de ética, com previsão de ser implementado em 60 dias.

O material vinha sendo preparado pela associação com o apoio e a participação do recentemente criado Núcleo de Diversidade, comandado exatamente por Nadhine, que agora vai coordenar a Abracerva até a eleição. E o lançamento contou, inclusive, com a presença de Lapolli na live em que foi divulgada, o que parecia ser uma demonstração de compreensão da necessidade de se debater posturas no setor.

Desde a última terça-feira, diversos cervejeiros, perfis de cervejarias e de entidades ligadas fizeram referência aos fatos, repudiando as atitudes reveladas nos últimos dias. Agora, então, Lapolli deixou o comando da Abracerva.

Covid-19: São Paulo Oktoberfest é adiada para setembro de 2021

A São Paulo Oktoberfest foi remarcada para o período entre os dias 16 de setembro e 3 de outubro de 2021. A edição deste ano ocorreria entre 12 e 29 de novembro, mas a pandemia do novo coronavírus impossibilitou a realização do festival.

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Walter Cavalheiro Filho, embaixador e fundador do evento em São Paulo, destacou que o festival nasceu com o propósito de comemorar as experiências da vida. Ele lamentou as mortes provocadas pela Covid-19 e, mesmo levando em consideração os cerca de 1,8 mil empregos gerados com a festa cervejeira, decidiu deixar para o próximo ano.

Segundo Walter, aliás, a edição de 2021 promete ser “a mais brilhante e especial São Paulo Oktoberfest”. “Estamos todos unidos neste momento para mandarmos nossas melhores energias aos familiares das vítimas deste triste momento da humanidade”, acrescentou o fundador do evento.

O adiamento para 2021 da São Paulo Oktoberfest se inclui em um contexto de cancelamento de diversos eventos e festivais cervejeiros neste ano por conta do surto do coronavírus. Foi, também, o que aconteceu com a mais tradicional festa cervejeira do Brasil, a Oktoberfest de Blumenau, que também não ocorrerá em 2020.

As entradas já adquiridas para a São Paulo Oktoberfest serão válidas para as novas datas e a organização promete contemplar os compradores dos ingressos vendidos nos primeiros lotes nos meses de fevereiro e março com mais uma entrada, como cortesia.

Além disso, estenderá o benefício do acesso duplo a quem adquirir os ingressos até outubro deste ano. “Queremos agradecer nossos fãs com esta ação. Será um gesto de carinho com eles que são os primeiros a prestigiar o evento desde a abertura da venda de ingressos”, comenta Cavalheiro Filho.

Os shows também estão sendo readequados, de acordo com as agendas dos artistas que haviam sido anunciados como atrações da São Paulo Oktoberfest de 2020. Em breve, os organizadores divulgarão o line-up ajustado às novas datas.

“Estamos comprometidos em colaborar com centenas de artistas que enfrentam uma crise no segmento, por isso vamos manter as atrações já anunciadas de acordo com o desejo e planejamento dos artistas e ampliar essas atividades”, ressalta o fundador do evento em São Paulo.

Planos para 2021
O festival, que comemora a amizade entre os povos e a cultura alemã e brasileira, irá comemorar em 2021 os seus cinco anos cheio de novidades, além da já anunciada vila alemã. Há o plano, inclusive, de trazer bandas de Munique para se apresentarem no evento.  

“Nosso evento dobrou de tamanho desde seu nascimento em 2017 e, para comemorar esses cinco anos de alegria, vamos nos dedicar muito em criar experiências inéditas ao nosso público”, afirma Cavalheiro Filho.

No ano passado, a São Paulo Oktoberfest gerou mais de R$ 40 milhões para a economia da capital paulista. A festa reúne opções variadas da gastronomia típica alemã, diversos tipos de chope e cervejas artesanais, comida brasileira, apresentações de danças e shows com músicas típicas, artistas nacionais e regionais, espaços culturais, parque de diversões e atrações para toda a família.

Os organizadores da São Paulo Oktoberfest também anunciaram a criação de um item de colecionador com a arte temática da aluna da Escola Panamericana Elena Spyra, ganhadora do concurso de ilustração do cartaz da festa. Os fãs do festival terão acesso ao produto no site, onde também encontrarão a caneca símbolo do evento nas versões 500ml e 1 litro.

Ambev cria desafio em que produzirá lote de cerveja criada por universitários

A Ambev resolveu apostar na criatividade dos brasileiros ao lançar o Desafio Cervejeiro, um concurso para universitários que sonham em criar sua própria bebida. A competição vai premiar os vencedores com um lote do produto, a ser fabricado em uma das mais de trinta cervejarias que a companhia tem no país.

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Os ganhadores do desafio também terão a chance de participar de um curso cervejeiro ministrado por especialistas da Ambev. A companhia explica que a competição pode ser considerada a segunda edição do Beer Champs, concurso realizado entre os estagiários da empresa, como destaca Caio Zaio, gerente de recrutamento e seleção da América do Sul da empresa.

“A gente é apaixonado por cerveja e quer encontrar outras pessoas que compartilhem dessa paixão! É nas universidades que estão os nossos futuros talentos e, por isso, criamos uma competição que vai ensiná-los sobre o universo cervejeiro. É uma oportunidade para aprender, se arriscar e ter novas experiências”, aponta Caio.

Os competidores precisarão elaborar tudo nas etapas de criação da bebida: receita, processo de produção, embalagem e mesmo o rótulo da nova cerveja. Assim, até para ajudar os participantes, a empresa programou duas lives em seu canal Ambev Learning, com o intuito de dar dicas sobre o plano comercial e de produção. Além disso, todos os grupos vão receber um guia com orientações de como podem apresentar suas ideias.

Podem se inscrever grupos de duas a quatro pessoas, de todas as regiões do Brasil, que estejam cursando qualquer graduação, em qualquer ano. As inscrições vão até 18 de setembro no link.

100 vagas para trabalhar de casa
Já o hub de tecnologia da cervejaria, a Ambev Tech, anunciou a abertura de mais de 100 vagas para profissionais de todo o país. Os candidatos poderão optar pelo modelo home office e terão a ajuda da empresa com os custos iniciais, como montagem do escritório e equipamentos necessários, além de um subsídio mensal para auxiliar com as despesas que devem aumentar – como a internet e a conta de energia.

A sede da Ambev Tech fica em Blumenau (SC), com unidades em Maringá (PR), Sorocaba e Campinas (SP), mas até quem mora nessas regiões poderá optar pelo trabalho remoto, o modelo híbrido ou o trabalho presencial.

As vagas abertas são para: desenvolvedores(as), arquitetos(as) de software, engenheiros(as) de dados e product owners, sendo que a empresa utiliza as linguagens: C#, React, Angular, Android, Java e Python entre outras. Para se inscrever, acesse o link.