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Abracerva oficializa código de ética e abre debates para implementação em 60 dias

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) deu um passo efetivo para contar com um código de ética. Após preparar um documento, a organização o divulgou em seu site oficial e realizou uma live nesta quarta-feira, apresentando os seus principais pontos e abrindo o debate para possíveis alterações e inclusões no material antes da sua implementação.

A criação do código de ética vem após uma série de atos preconceituosos envolvendo o setor cervejeiro nas últimas semanas, em ataques racistas que atingiram a sommelière Sara de Jesus Araujo e a cervejaria Implicantes, além de comentários sexistas sobre um rótulo da Cervejaria Nacional.

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Também nesta quarta a Abracerva definiu um cronograma para que o código de ética possa ser colocado em prática em cerca de 60 dias. Após apresentar o projeto, ela disponiblizou um formulário em seu site para que membros da comunidade cervejeira realizem suas sugestões ao documento, que aponta os princípios que vão nortear as decisões da associação e dos envolvidos com ela em questões de condutas.

Com as propostas em mãos, a associação irá discuti-las em um debate que já está agendado para 23 de setembro. Depois, em 27 de outubro, ocorrerá uma assembleia geral extraordinária para debate final, aprovação do Código de Ética da Abracerva e eleição da comissão de ética.

Rápida reação
Estimulada pelos casos de preconceito racial e sexista ocorridos no setor, a iniciativa foi uma ação do Núcleo de Diversidade da Abracerva, recém-criado pela entidade e coordenado por Nadhine França, colunista do Guia. O código contou, ainda, com a colaboração de André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do site Advogado Cervejeiro, colaborador da associação e também colunista do Guia.

“É preciso ter um instrumento mais aprofundado para julgar comportamentos e poder fazer alguma sanção, corrigir rumos através dele”, apontou Carlo Lapolli, presidente da Abraceva, explicando o intuito do código de ética.  

“É como se fosse um descritivo de algumas condutas. E não só sobre a diversidade. Mas também envolve questões concorrenciais, de comportamento dentro do mercado. Existindo alguma infração, pode haver alguma punição”, acrescentou o presidente da Abracerva na live desta quarta.

Dividida em seis páginas, a proposta de código de ética da Abracerva lida sobre a relação entre os membros da associação e com o público, além de destacar a necessidade de comprometimento com a diversidade, a inclusão, a equidade, o trabalho e a anticorrupção.

O código de ética da Abracerva também define quais são as infrações, como deve se dar a apuração delas e as penalidades que podem ser aplicadas. E a avaliação desses casos se dará por uma comissão formada por sete associados, previamente definidos.

“É um documento complementar ao estatuto, algo necessário, todas as associações têm. E uma evolução no sentido da profissionalização. A ideia é implementar questões que ainda não tínhamos na Abracerva”, explicou André Lopes. “Serve para disciplinar e orientar a relação entre associados, com a Abracerva e os clientes. Serve para orientar condutas, não é uma inquisição ou um tribunal.”

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A definição de um código de ética da Abracerva teve como inspiração o surgimento de um documento similar da Brewers Association, entidade que representa os interesses das cervejarias independentes dos Estados Unidos. Nesse caso, a medida foi adotada após a associação norte-americana ser criticada, por profissionais do setor e pelo público em geral, por não se posicionar enfaticamente em casos de racismo no segmento.

Balcão da Bia: Sommelier ontem, sommelier hoje

Coluna bia amorim

Balcão da Bia: Sommelier ontem, sommelier hoje

Em fevereiro de 2020 eu era uma sommelière. Passados 6 meses, não posso dizer que estou no mesmo lugar.

Me virtualizei. Mas muita gente também. Digitalizei minha profissão, meu modo de atendimento. Cerveja agora só em pixel.

 “O deleite está na boca de quem bebe” eu li no capítulo Enchendo o Caneco, do Steven D. Hales, no livro Cerveja & Filosofia. Então como ficamos em um mundo tão digital?

A degustação começou, por favor abram suas cervejas e suas câmeras. Desliguem o microfone.  Em qualquer lugar do planeta, mas com seus copos em mãos, todo mundo pode sentir a mesma coisa, mas em sofás diferentes. Então eu posso estar no meu lugar do planeta, mas falando a quem queria aprender mais, ouvindo.

O sommelier de ontem tomava cerveja de boteco. O sommelier de hoje toma NEIPA de boutique.

O sommelier de ontem debate sobre milho na cerveja. O de hoje debate sobre propósito.

O sommelier de ontem fala sobre Ales e Lagers. O de hoje desvenda um bouquet de microorganismos.

Se antes o gruit era usado para trazer equilíbrio ao líquido doce, hoje pesquisamos qual o melhor momento para cada varietal de lúpulo. Ontem parecia bom, hoje os parâmetros são outros.

O sommelier de hoje fala para uma câmera, do mesmo jeito que falava com a bandeja em mãos. Mas fala virtual, fala rebuscado. E, assim, a cerveja continua moldando a forma como consumimos. E se começamos em vasos onde a alta tecnologia era a cerâmica, hoje discutimos a reciclagem das latas.

Ontem não existe e amanhã ainda não fermentou. Se ajuste as pessoas do hoje, brinde pelo presente, beba pelo futuro.


Bia Amorim é sommelière de cervejas, filosofa de boteco on live, escritora de botequim virtual, a tia louca da louça. No instagram, @biasommelier no trabalho, @startupbrewing e vertentes.

Com futebol na pandemia, Brahma busca levar emoção dos estádios para casas

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O início da edição 2020 do Campeonato Brasileiro foi diferente de qualquer outro. Com a persistência do elevado número de infectados pelo coronavírus, os jogos são disputados sem a presença de público, com os torcedores cumprindo as medidas de isolamento social em suas casas. Pensando nisso, a Brahma preparou ações com o intuito de levar o clima dos estádios para dentro da casa dos torcedores.

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Com sua forte ligação com o futebol, a marca da Ambev preparou e tem divulgado duas iniciativas. Uma delas é denominada “Sua Casa, Seu Estádio”. E a outra é a campanha “Não é só futebol”, com uma série de filmes gravados em arenas.

A nova campanha da Brahma retrata o poder de conexão do futebol com histórias e cenas de torcedores reais dentro ou fora dos estádios. Em uma sequência de filmes com fãs apaixonados e aqueles que não colocam os jogos na agenda do fim de semana, a marca convida o consumidor a refletir sobre como todos buscam as mesmas conexões e sentimentos.

Criados pela Africa, os filmes trazem histórias gravadas em estádios de torcedores reais de São Paulo, Palmeiras, Santos, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Bahia, Vitória, Santa Cruz, Sport, Atlético-MG, Cruzeiro, América-MG, Internacional, Grêmio, Athletico-PR e Coritiba.

“A paixão pelo futebol é algo que não se explica. No filme conseguimos mostrar que todos temos os mesmos sentimentos e desejos: estar com os amigos, viajar, viver experiências inesquecíveis”, explica José Octávio Freitas, gerente de marketing de Brahma.

Já a “Sua Casa, Seu Estádio” traz uma promoção para os torcedores que, além de não poderem ir às arenas, não têm se reunido nos bares com os amigos para acompanhar as partidas.

Nela, vai sortear cinco kits com uma camisa oficial do clube do coração, uma poltrona, uma cervejeira estilizada da Brahma, um equipamento completo de home theater, uma televisão, além de copo de plástico, balde para cerveja, mochila, abridor de garrafa e flâmula.

Os torcedores que quiserem concorrer precisam comprar 12 cervejas da marca e cadastrar o cupom fiscal no site oficial da promoção. E a chance é dobrada para quem adquirir a Brahma Duplo Malte. Os cupons podem ser cadastrados até 20 de outubro, com o sorteio marcado para o dia 29. Até lá, haverá sorteios semanais de kits personalizados.

ESCM amplia ofertas de capacitação em cursos concentrados à distância

A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) resolveu ampliar a oferta de cursos concentrados e passou a ter 14 capacitações com aulas à distância. Os interessados passarão, assim, a ter mais quatro opções: gestão financeira para cervejarias, análise sensorial avançada, controle de qualidade para cervejarias e fermentação de cervejas. As aulas serão entre o fim de setembro e o meio de outubro.

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As tradicionais capacitações continuam no catálogo da escola, que disponibiliza ao público os cursos de gestão comercial para cervejarias, como montar a sua cervejaria, malteiro, destilador, produção de bebidas não alcoólicas, cervejeiro caseiro, água cervejeira, microbiologia da cerveja, produção de cervejas não convencionais e equipamento, automação e layout.

Carlo Bressiani, diretor da ESCM, explica que o novo cenário provocado pela Covid-19 motivou a mudança, assim como o crescente interesse dos alunos em cursos de profissionalização. Ele avalia, inclusive, que o segmento cervejeiro tem atraído profissionais de outros setores em busca de conhecimento e novas oportunidades em um mercado diferente.

“A crescente do setor cervejeiro nos últimos anos faz com que profissionais que já atuam na área busquem capacitação e muitos que atuam em outros segmentos queiram dar um primeiro passo no mundo da cerveja”, destaca.

Para o diretor da ESCM, o modelo remoto já estava disponível aos alunos, mas a pandemia forçou a realização de maiores investimentos em função do aumento da demanda e das necessidades desse tipo de modalidade de ensino. 

“Nossos cursos online já rodavam há cerca de dois anos, em metodologia, plataforma e ferramentas adequadas. Com o estabelecimento da nova rotina dos alunos, incrementamos essa área com investimentos em tecnologia audiovisual para conseguir levar conhecimento da forma mais abrangente possível”, acrescenta Bressiani.

A ESCM já havia feito de modo online a edição de julho dos cursos concentrados. As aulas, que contaram com mais de 400 alunos, haviam sido transmitidas por multicâmeras nos laboratórios e tiveram avaliação positiva dos estudantes.

A próxima edição remota já está com inscrições abertas, com previsão de início em 28 de setembro e conclusão até 16 de outubro. A carga horária varia entre 20 e 60 horas. As aulas com temas práticos seguirão o modelo da edição anterior e serão transmitidas ao vivo, a partir de laboratórios.

Para mais informações, acesse o link.

BrewDog vai plantar floresta para se tornar primeira cervejaria “carbono negativo”

Uma das principais cervejarias do mundo anunciou nesta semana os seus planos para se tornar a primeira empresa do setor “carbono negativo” do planeta. Com um conjunto de investimentos em sustentabilidade que soma 30 milhões de libras e a promessa de plantar uma floresta, a BrewDog pretende remover da atmosfera duas vezes o volume de carbono emitido globalmente por suas fábricas e redes de pubs.

Dentre os investimentos feitos pela marca escocesa está a compra de uma área de 8 quilômetros quadrados nas Highlands escocesas, onde a companhia pretende plantar um milhão de árvores, constituindo aquela que vai ser chamada de Floresta BrewDog.

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Além da floresta, um “acampamento sustentável” sediará eventos para o público em geral. E a cervejaria trabalhará com parceiros de compensação de carbono para intensificar a redução de suas emissões até que possa iniciar o plantio das árvores, no início de 2021.

O plano prevê, também, que os bares da marca no Reino Unido sejam abastecidos exclusivamente por energia eólica e a implantação de um sistema de reuso de água, além de um digestor anaeróbico para usar sobras de insumos na produção de biogás e gás carbônico.

https://www.instagram.com/p/CET5-ntAl_0/

“Nosso carbono é problema nosso. Por isso, nós mesmos vamos resolver isso. O consenso científico é claro: estamos andando feito sonâmbulos para a beira do abismo”, afirma James Watt, co-fundador da marca.

“A menos que o mundo enfrente o problema urgente das emissões de carbono, a ciência nos diz que isso vai resultar em catástrofe”, acrescenta Watt, antes de alfinetar governos federais mundo afora por sua falta de iniciativa.

(Com Forbes.com e Beveragedaily.com)

Festival Brasileiro da Cerveja é confirmado para março de 2021

Em meio às incertezas do coronavírus, o primeiro grande evento cervejeiro de 2021 acaba de ser confirmado. Nesta terça-feira, a organização do Festival Brasileiro da Cerveja informou que a 14ª edição do evento ocorrerá de 10 a 13 de março do próximo ano, em Blumenau (SC). Além disso, iniciou as vendas dos estandes e dos espaços gastronômicos.

A oficialização do festival e o começo da comercialização às empresas mostram a confiança dos organizadores de que será possível realizar grandes eventos no país dentro de pouco mais de seis meses. E, ainda, segundo eles, de que o festival deve se tornar o primeiro encontro de porte relevante a acontecer em Santa Catarina desde o início da pandemia do coronavírus.

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Organizado pela Associação Blumenauense de Turismo, Eventos e Cultura (Ablutec), o Festival Brasileiro da Cerveja é considerado o maior evento do setor no país. “Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia, nosso esforço é assegurar a participação de parceiros históricos e daqueles que virão pela primeira vez”, explica Develon da Rocha, presidente da Ablutec.

Para o próximo ano, os expositores terão à disposição 56 estandes de 12m² e 48 de 16m². Rocha também revela uma das novidades para o próximo ano: uma plataforma desenvolvida para a venda dos espaços, “garantindo a idoneidade da organizadora, sem privilegiar nenhuma participante”.

O presidente da Ablutec destaca que o evento serve para representar as inúmeras cervejarias do Brasil e que, segundo ele, “é o melhor do segmento em visibilidade e custo-benefício”.

Vale destacar que as cervejarias que participaram das edições anteriores têm preferência na escolha dos estandes em 2021. E a crise também levou a organização a facilitar as condições de pagamentos, ofertando a possibilidade de parcelamento em seis vezes no cartão de crédito ou por boletos bancários.

A próxima edição está programada para ocupar os setores 2 e 3 do Parque Vila Germânica. Também contará com a ampliação da loja e do portfólio de produtos exclusivos com a grife do evento. E algumas novidades serão anunciadas em breve.

“O Festival Brasileiro da Cerveja é um dos principais fomentadores da cultura cervejeira do nosso país e a Ablutec trabalha constantemente para inová-lo, fazendo com que se torne mais atrativo para o público e para as cervejarias”, completa Rocha.

A edição de 2020 conseguiu reunir cem cervejarias e mais de mil rótulos. Em paralelo, ocorreram o Concurso Brasileiro de Cervejas e a Feira Brasileira da Cerveja, além de uma programação técnica com palestras, mesas-redondas e debates sobre variados temas ligados ao mercado e à produção de cervejas.

14º Festival Brasileiro da Cerveja
Data: 10 a 13 de março de 2021
Local: Parque Vila Germânica, em Blumenau
Vendas: Bruna Braun, departamento comercial da Ablutec, pelo e-mail vendas@ablutec.com.br, WhatsApp 47 99634 0784 ou pelos telefones 47 32221773 / 3322 1837

5 dicas para aumentar a produtividade dos funcionários em cervejarias

A crise provocada pela pandemia do coronavírus colocou a indústria nacional em um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. Lidar com um cenário que chegou a paralisar por completo a economia demanda novos processos para recuperar o que se perdeu e retornar aos níveis anteriores, algo que só será possível com o aumento da produtividade da empresa cervejeira.

Para essa busca por melhores resultados se tornar factível, é preciso adotar algumas medidas e posturas. Elas passam pela otimização de custos e correção de possíveis gargalos que qualquer operação pode possuir. Além disso, as empresas devem saber lidar com a motivação dos seus colaboradores, que passaram a atuar em uma sociedade que foi alterada repentinamente.

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Em busca das melhores medidas para ampliar a produtividade da indústria cervejeira, o Guia preparou uma lista de dicas e ações a serem implementadas pelos profissionais do setor a partir de observações de Michel Gervasoni e Patrícia Lopes, sócios da M&P Facility Services, companhia com experiência no segmento de facilitação para feiras, eventos e empresas.

Eles destacam que o bom desempenho dos funcionários tem relação direta com a produtividade e o crescimento de qualquer indústria, mas que isso só ocorrerá na cervejeira, assim como em outras, se existir motivação e inspiração a partir dos gestores. Além disso, acrescentam os especialistas, é preciso estar em consonância com a visão e as políticas da empresa.

Confira as cinco dicas dos sócios da M&P para ampliar a produtividade dentro da indústria cervejeira.

1 – Ter as funções bem definidas
“Cada funcionário tem de saber, exatamente, quais são as suas responsabilidades e o que a empresa espera dele para poder executar um bom trabalho. Entender como funciona o organograma da empresa e em qual nível hierárquico se encontra é imprescindível para projetar e aspirar possíveis promoções na carreira”, dizem Patrícia e Michel.

2 – Capacitar e reciclar
As empresas devem entender que os funcionários podem evoluir a partir da aquisição de conhecimento, um desenvolvimento que em muitos cenários só ocorre com mais estudo. “Quando a capacitação vem acompanhada de um bom plano de carreira, a obtenção de ótimos resultados é subjetiva e certa. A produtividade no trabalho está diretamente ligada ao nível de conhecimento das atividades desenvolvidas”, afirmam os sócios da M&P.  

As indústrias cervejeiras precisam, assim, entender e estruturar planos de capacitação dos colaboradores, partindo do entendimento sobre quais são as necessidades de aprendizado de cada um. “Montar uma matriz de capacitação com o auxílio dos responsáveis de cada departamento é indeclinável. Eles apontarão os pontos fortes, as fraquezas, os gargalos e o que requer ser implantado para que novos projetos sejam desenvolvidos com total eficiência e qualidade”, acrescentam.

3 – Entregar qualidade na rotina
A companhia só conseguirá ter um funcionário com a produtividade desejada se ele estiver com a vida equilibrada dentro e fora do trabalho. Fazer a sua parte para permitir que o trabalhador se sinta bem na rotina da indústria é função primordial dos empreendedores.

“Oferecer alguma flexibilidade nos horários e equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um dos melhores meios para motivar funcionários e, consequentemente, melhorar o desempenho deles. Os colaboradores estão em busca de uma melhor qualidade de vida e não apenas de retornos financeiros. Alinhar as expectativas pessoais com as necessidades da empresa é super relevante para resultados positivos”, avaliam Michel e Patrícia.

Com o funcionário satisfeito, a empresa observará um crescimento da sua produtividade. Há itens básicos para que isso se torne efetivo, como remuneração salarial condizente, oferta de benefícios, relação interpessoal positiva, concessão de autonomia, além da preocupação com a saúde e o bem-estar.

“Proporcionar um ambiente saudável, alinhado com as necessidades da empresa e dos colaboradores, é imprescindível para manter a qualidade do serviço prestado. Organize o seu ambiente físico, tenha equipamentos atualizados e suficientes para a demanda do negócio. Um profissional satisfeito com a sua vida e com os recursos que a organização dispõe para ele certamente resultará em uma decolagem dos resultados”, asseguram os sócios da M&P.

4 – Realizar comunicação clara e aberta
Reforçar a comunicação interna é fundamental para que o funcionário se sinta como parte importante da empresa. “Ser acessível e manter uma comunicação aberta com os funcionários é um dos requisitos de um líder, que deve transmitir de forma clara todos os principais valores e missões da empresa”, explicam Michel e Patrícia.

Para que isso se torne efetivo e o colaborador entenda as demandas e políticas da companhia em que atua, o cuidado sobre como as informações chegam a ele também deve ser reforçado. “O feedback de cada funcionário dependerá de como ele receberá as informações. É fundamental contar com o auxílio das ferramentas tecnológicas para que tais dados cheguem aos seus destinatários de forma objetiva”, destacam os sócios da M&P.

5 – Celebrar os méritos
Tornar pública a satisfação com o trabalho dos funcionários é essencial para demonstrar a eles que os efeitos da boa produtividade estão sendo recebidos. Demonstrar essa percepção pode se dar de algumas formas, entre elas a financeira, com aumentos salariais e promoções.

“Reconhecer os que desempenharam bem as suas funções é o segredo do sucesso para a composição de equipes inteiras extremamente produtivas, o que pode ser feito por meio de ajustes salariais e prêmios específicos, entre outros incentivos”, dizem Michel e Patrícia.

O reconhecimento também pode ocorrer de modo público, em reuniões, ou individualizado, com a avaliação mais pessoal do que vem sendo desempenhado no cotidiano da indústria cervejeira.

“Estabeleça um cronograma de reuniões. Nelas, não se esqueça de congratular a equipe pela produtividade no trabalho e engajamento de todos. De forma individual, dê feedback: é importante demonstrar os pontos fortes de cada colaborador, dizendo como ele ajudou a alcançar o que a empresa desejava, o diferencial”, concluem os sócios da M&P.

Espaço aberto: A origem das tampinhas, sua evolução e fabricantes

*Por Carlos Alberto Tavares Coutinho

De vez em quando, escrevo um pouco sobre colecionismo. Desta vez, escolhi escrever sobre as tampinhas de garrafa, mais especificamente sobre as fábricas delas. Este trabalho foi baseado nos estudos e observações dos acervos dos colecionadores Frederico José de Oliveira Pinto e Matheus Mora Sene.

Tampinha, esse objeto simplório inventado há mais de um século, foi a razão dos amados refrigerantes finalmente poderem ser vendidos e levados para casa.

Tudo começou com um cientista de origem suíça, chamado Johann Jacob Schweppe, responsável por criar o primeiro produto que precisaria de uma tampinha para ser bem conservado. Após se mudar para a Inglaterra, ele desenvolveu a primeira bebida gaseificada para uso comercial, que começou a ser vendida no país em 1782.

Antes que fosse encontrado um método eficiente de reter o gás, só existia uma forma de consumir esse tipo de bebida: as “drinking fountains”, aquelas máquinas de refil que servem refrigerantes e cervejas. A ideia era que os refrigerantes fossem tomados apenas em restaurantes e lugares públicos. No começo, John Pemberton, criador da Coca-Cola em 1886, tentou usar garrafas com tampas de porcelana, mas logo desistiu devido ao preço e à ineficiência do material.

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Foi apenas com a ajuda do engenheiro William Painter que a primeira tampinha foi criada. A primeira patente foi registrada em 1892. A tampinha era composta de uma chapa de aço, com corrugação de 24 dentes, revestida com um outro tipo de metal, geralmente estanho, que recebia um acabamento de verniz. No lado interno da cápsula era aplicado um produto colante e um pequeno disco de cortiça que funcionava como rolha selante. O disco era fundamental porque impedia o contato entre o metal e o líquido, que poderia levar a reações de oxidação capazes de alterar o gosto da bebida. A cortiça era o produto mais inerte em termos de gosto e, ao contrário da porcelana, tinha um bom nível de resiliência. O item logo foi adotado no mercado de refrigerantes, mas só seria incorporado ao mundo cervejeiro alguns anos mais tarde.

As garrafas de vidro devem ser lacradas com a tampa rolha metálica por uma questão de economia e de praticidade ao cliente. Além de ser ótima opção de investimento de marketing para o empresário do ramo de bebidas, a tampa rolha metálica faz parte da cultura do consumidor final, acostumado com este tipo de lacre, que passa confiança e é sinônimo de qualidade.

As tampas de metal antigas exigiam um abridor de garrafas para serem removidas. As tampas de metal agora em sua corrugação têm apenas 21 dentes, e algumas são articuladas na garrafa. 

As tampas de torcer foram introduzidas na década de 1960, na Alemanha. Elas são seladas nas garrafas com ranhura e não mais sobre uma flange. E não exigem o uso de um abridor de garrafas. São amplamente utilizadas nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e em outros países. Muitas vezes, as empresas fazem promoções e imprimem informações em código ou jogos dentro das tampas para concursos. Algumas empresas, como a Snapple, imprimem informações educativas dentro das suas.

No Brasil, a história é um pouco diferente: no começo do século XX, as tampinhas ainda não haviam chegado, e as garrafas eram vedadas com rolhas de cortiça e até mesmo sabugos de milho que ganhariam a alcunha de “cervejas marca barbante”, por serem amarradas com barbante para poderem ficar fixadas. Como a cerveja continuava sua fermentação na garrafa, produzindo enorme pressão, essas tampas geravam um risco altíssimo de contaminação. Por um período, a mesma tampa de porcelana da Pemberton foi utilizada para vedar algumas cervejas. As tampinhas metálicas chegaram aqui através da Crown Cork, para vedar as cervejas por volta de 1907, e os refrigerantes só mais tarde, na década de 1920.

A maioria das tampas de garrafas traz alguma informação impressa: logotipo, marca ou informação sobre a bebida, de sua fábrica e/ou de quem fabricou a tampinha. Há metalúrgicas especializadas em fabricar as rolhas metálicas (tampinhas) tanto com as especificações da fábrica de bebida quanto com somente uma cor, chamada pelos colecionadores “tampa lisa”. Para imprimir a marca, a empresa produtora da tampa pode utilizar a face superior da rolha metálica para implementar a identidade visual da bebida, podendo também imprimir na borda (lateral), onde normalmente encontramos o logotipo da metalúrgica e, em algumas delas, o endereço da fábrica de bebidas e/ou os números de registros da bebida nos órgãos governamentais. Este processo é feito de maneira fácil e é muito prático.

Um outro fato interessante: se hoje temos lâminas de barbear, devemos agradecer às tampinhas de garrafa. Os retalhos de produção deixados pelo corte das chapas de aço, que só poderiam ser descartados ou reencaminhados para um novo processo de fusão que encareceria o negócio, eram um grande problema. A questão foi resolvida quando um dos engenheiros de Painter, chamado King Camp Gillette, criou o primeiro protótipo da lâmina de barbear.

Ao longo do tempo, são estas metalúrgicas que, fabricando milhões de tampinhas e imprimindo marcas e informações, fizeram o colecionismo de tampinhas crescer. Veja, a seguir, suas identificações impressas na lateral da tampinha.

As clássicas
Crown – Crown Cork do Brasil S/A: Iniciou suas operações no Brasil em 1907 com o desenvolvimento da “crown cork”, conhecida como tampa de garrafa. Revolucionou a indústria cervejeira e aumentou a data de validade das cervejas engarrafadas, com fábricas em São Paulo e Rio de Janeiro. Fechou na década de 1970.

APCL Amorim Pinto Companhia Ltda: Iniciou suas atividades em 1917, estabelecida no bairro Rocha, no Rio de Janeiro.

Pedroza – Indústrias Silva Pedroza S/A: iniciou em 1930, no bairro de Del Castilho, Rio de Janeiro.

Aro: Fundada em 1943, inicialmente na Mooca, em São Paulo, para a produção de rolhas metálicas. Em 1978, se instalou na cidade de Guarulhos. Em 2011, passa a produzir também tampas plásticas.

Borup-Rio – Borup Rolhas Metálicas S/A: Foi criada em 6 de novembro de 1950, no bairro de Todos os Santos, no Rio, como Sociedade em Comandita Borup & Cia. Posteriormente mudou para a Rodovia Presidente Dutra em Irajá, transformada em Borup Rolhas Metálicas S/A, em 1955. Já em 1970 passou a produzir artigos de plástico. Foi descontinuada em 1973.

T.C.C. – Tapon Corona Cortiças S/A: Iniciou suas atividades em 1954, em São Paulo.

Brasilata: Foi fundada em 1955, em São Paulo, como Indústria Comércio e Estamparia Brasung Ltda. Em 1965, com a ampliação de suas instalações, incorporou a Estampbrás Ltda, que passou a ter seu departamento litográfico. Em 1967, sua razão social foi alterada, passando a utilizar o nome Brasilata. Em 1981, adquiriu a empresa Killing Reichert S/A Metalgráfica, em Estrela (RS). Em 2011, entrou em operação a unidade do Recife.

Mecesa – Metalgráfica Cearense S/A: Fundada em 15 de junho de 1965, em Fortaleza. Atualmente em recuperação judicial.

Silport – Silva Portela S/A Ind. e Com: Iniciou suas atividades em 21 de junho de 1966, em Vigário Geral, no Rio.

Tapon Corona – Tapon Corona Metal Plástico Ltda: Foi aberta em 12 de julho de 1966, tendo sua sede na Vila Romana, em São Paulo, e fábricas em Itupeva (SP), aberta em 17 de novembro de 1994, e Anápolis (GO), aberta em 27 de julho de 2004. Em recuperação judicial.

Tacin Tapon Corona Industrial do Norte S/A: Fundada em 20 de dezembro de 1967, com início em 1971, sediada na cidade de São Paulo e com fábrica em Ananindeua (PA). Foi descontinuada em 7 de dezembro de 2008.

Renda – Indústrias Reunidas Renda S/A: Fundada em 29 de novembro de 1978, no Recife, posteriormente se instalou no município de Abreu e Lima (PE).

Arosuco Arosuco Rolhas Metálicas: Subsidiária da Ambev, iniciou em 2001, através de uma cisão na sociedade da Arosuco – Aromatizados e Sucos S/A, que havia sido criada em abril de 1991 com foco em bebidas, artigos e equipamentos para fabricação de bebidas (concentrados, essências, xaropes, etc.).

PKG do Brasil: Iniciou em 2017 em Alagoinhas (BA), onde possui um parque fabril com 364 mil m2 . Tem uma filial em Itu (SP).

As importadas
É comum as grandes empresas de bebidas estrangeiras estabelecidas no Brasil fazerem suas tampinhas em outros países, talvez pela falta no mercado nacional ou pelo barateamento da produção. Assim, encontramos tampas fabricadas em vários países. Vejam algumas, dentre muitas outras, que já decoraram a borda de nossas bebidas.

DAP Pelliconi & Cia SPA: Produz diversos tipos de tampas: padrão de 26mm, 29 mm, “rasgadinhas” (de anel) e a novidade “tampas flor”. Possui fábricas na Itália (sede), Estados Unidos, Egito e China.

PPP – Packing Products del Peru S.A: Iniciou suas atividades em 2 de julho de 1960 e produz embalagens metálicas e tampas. Muito utilizada no Brasil pela Heineken.

CP – Can Pack: É uma empresa polonesa que está no mercado de embalagens de metal há mais de 25 anos. No Brasil, somente fabrica latinhas de alumínio, tendo três fábricas no país: a Cia Metalic Nordeste, em Maracanaú (CE), comprada em 2016, e mais duas, situadas em Itumbiara (GO) e em Maracanaú (CE).

Coroplast – Coroplast en Quilmes SAICIF: Empresa argentina, iniciou suas atividades em 1917, produzindo tampas para a Cervejaria Quilmes, da qual faz parte. A cervejaria se associou à Brahma brasileira em 2002 e foi comprada pela Ambev em 2006. Atualmente faz parte da AB InBev.

Astir – Astir Vitogiannis Bros S.A: Fundada por George Vitogiannis em 1953 em Atenas, na Grécia. Em 2014, o grupo lançou outra fábrica no Canadá, aumentando a capacidade de produção. Hoje, a Astir vende seus produtos para mais de 45 países em 5 continentes, atendendo mais de 400 clientes diferentes, incluindo os maiores engarrafadores do mundo.

TCI Tapon Corona Ibérica SA: Sediada na Espanha, foi fundada em 1963. Em 2010, passou a pertencer ao Can-Pack Group, que alterou seu nome para Corona Spain. Foi descontinuada em 2018.

TF – Tapon France S.A.S: Sediada na França desde 1966, faz parte do Can-Pack Group.

As modernas
Com o boom das cervejas artesanais, que têm produção pequena, ficou inviável fazer tampinhas nas grandes empresas existentes.  Surgiram, então, algumas metalúrgicas que produzem as tampinhas chamadas pelos colecionadores de “lisas”. São feitas de uma só cor e vendidas em qualquer quantidade.

Surgiram também as personalizadoras de tampinhas, que não são metalúrgicas e não fabricam a tampinha – somente prestam serviço de impressão. Fazem tampas de uma só cor, que compram de fabricante brasileiro (Brasilata) ou estrangeiro. Ou, ainda, utilizam as tampas que o cliente já comprou. Essa impressão geralmente é em uma só cor, ficando mais barato o processo e atendendo os clientes que necessitam de pouca quantidade.

Normalmente são empresas de médio porte que prestam serviços de impressão em brindes e que imprimem também em rolhas metálicas (tampinhas), utilizando máquinas e processos de tampografia ou serigrafia.

O primeiro é um processo de impressão semelhante ao carimbo, que se destaca pela precisão, qualidade e agilidade. É ideal para imprimir desde os mínimos detalhes, podendo imprimir até na face interna da tampinha. Já a serigrafia é um processo de impressão que trabalha em superfícies planas e cilíndricas. Ela se destaca por ser econômica. É utilizada na impressão de canecas, squeezes e estampas de camisetas, entre outros.

Para os colecionadores de tampinhas, essas empresas são sinônimo de dificuldade, pois não imprimem um logotipo nem informação que as identifique. Essa falta de identificação faz com que a metalúrgica fabricante da tampinha leve a fama da boa ou ruim de impressão. Quando fabrica a tampinha “lisa”, a metalúrgica coloca sua identificação na borda (lateral) e essa marca permanece ali, independentemente de quem imprima a arte do cliente em sua superfície plana.

Algumas personalizadoras
Unidetalhes – R.G. da Silva Brindes e Bebidas (microempresa): Empresa de brindes personalizados, faz tampinhas em pouca quantidade e em uma só cor.

Empório das Tampinhas: Empresa especializada na produção de tampinhas personalizadas para cerveja artesanal.

Lieder – Lieder Latas e Rolhas: Existe desde 2008.

Milênio – Milênio Componentes Plásticos: Comercializa tampa rolha metálica, com mais de 10 anos de experiência no mercado.

Neograf: Fundada em 1994, em Caxias do Sul (RS). Fabricante de máquinas e prestação de serviço de impressão.

2 Estampas – 2 Estampas Customização e Personalização: Serviços de impressão.

Entrei em contato com algumas personalizadoras e sugeri que, ao receber o pedido dos clientes, colocassem ou pedissem para colocar uma identificação de sua firma na arte fornecida pelo contratante. Não sei por qual motivo me retornaram respostas como “inviável”, “impossível”, etc.

*Carlos Alberto Tavares Coutinho é funcionário público septuagenário e aposentado que atende pelo pseudônimo de Cervisiafilia, colecionador de itens de bebidas desde 1994, blogueiro que tenta escrever sobre a história da cerveja brasileira no blog cervisiafilia.blogspot.com.br – A História das Antigas Cervejarias

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Se quiser mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Madalena aposta em “velocidade” para se manter perto de clientes

A Cerveja Madalena está apostando em seu novo perfil no Instagram para se manter ainda mais perto dos clientes. Batizado de Food & Gas, ele pretende reunir apaixonados por gastronomia e automobilismo. A iniciativa, que contará com lives semanais às quintas-feiras, às 20 horas, foi mais uma das alternativas encontradas pela marca de Santo André para minimizar os impactos da crise instalada após a Covid-19.

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Recentemente a marca havia estabelecido uma parceria com postos de gasolina da Grande ABC e de São Paulo para vender seus produtos e se recuperar da queda do faturamento que chegou a 70% nos últimos meses. Agora, a nova ação conta com pilotos de diversas categorias do automobilismo, colecionadores, parceiros e amigos no projeto com motos, carrões e carros.

“A proposta com as lives é a de resgatar da memória aquela sensação nostálgica dos eventos na fábrica enquanto não podemos retornar com força total”, declara Renan Leonessa, gerente de marketing da Madalena.

Leonessa explica que toda quinta-feira, antes da pandemia, a cervejaria oferecia a experiência ao público de passear dentro da fábrica com degustação das bebidas, acompanhada de música, gastronomia variada e encontro de colecionadores e apreciadores de carros antigos e motos clássicas.

Os eventos, contudo, foram interrompidos por conta da quarentena. “Por isso montamos uma cozinha móvel dentro da cervejaria onde manteremos a tradição dos nossos encontros, agora em formato de live, também todas às quintas-feiras com chefs de cozinha preparando pratos rápidos, versáteis e com dicas de harmonização”, completa Renan.

Abracerva cria código de ética e prevê punição para atos preconceituosos

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Diante dos casos de preconceitos racial e sexista ocorridos no setor e que vieram à tona nos últimos meses, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) decidiu preparar e divulgar, nesta semana, o código de ética da entidade. A iniciativa é uma das ações do Núcleo de Diversidade da Abracerva, coordenado por Nadhine França, que falou sobre essa e outras ações em live do Guia realizada na última quinta-feira.

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O documento será apresentado para debate e avaliação de todos os associados. E vai descrever as medidas a serem tomadas em diversas situações. Sua divulgação se dará na próxima quarta-feira, em live no perfil no YouTube da Abracerva com a participação de representantes da diretoria, do Núcleo de Diversidade e do direito cervejeiro.

A associação já havia se posicionado contra os atos preconceituosos sofridos por mulheres e negros da comunidade cervejeira. E isso reforçou as ações do núcleo liderado por Nadhine – também colunista do Guia – para traçar planos com o intuito de evitar novos episódios no setor.

Na live do Guia, a coordenadora apontou que os atos preconceituosos mostraram o quanto o núcleo é “essencial e urgente”. Segundo ela, também será criado um comitê para avaliar os casos com medidas e punições.

O comando da associação trabalha atualmente em conjunto com o núcleo para a elaboração de ferramentas que auxiliem na organização da iniciativa. O objetivo é que atos como os vistos recentemente não aconteçam mais – e, se ocorrerem, que tenham ao menos as devidas punições. “Hoje o Estatuto da Abracerva não prevê [punições para casos como racismo], não tinha um código de ética e a gente já está construindo-o”, revela Nadhine.

Mudança estrutural
A necessária mudança no mercado cervejeiro nacional também esteve na pauta da live do Guia. Nadhine reconheceu que apenas apresentar regras não trará os efeitos desejados no combate ao preconceito. Em sua visão é preciso alterar mentalidades e práticas.

“O racismo é estrutural, o machismo é estrutural. Então, não adianta só mudar a lei, a gente sabe disso. A gente precisa trabalhar dentro do mercado cervejeiro para que essa mudança também seja estrutural”, analisa a coordenadora da Abracerva.

Para Nadhine, a efetivação dessas mudanças também depende dos donos dos negócios, que precisam dar espaço para a diversidade no quadro de funcionários, valorizar a presença da mulher no mercado, organizar eventos que se posicionem contra o assédio e adotar medidas de segurança e punição. Além disso, as escolhas dos clientes devem ser pautadas pelo apoio à diversidade.

Pesquisa nacional
Para um futuro próximo, por sua vez, a Abracerva pretende fazer uma pesquisa para ouvir as inúmeras minorias que estão espalhadas pelo país. A ideia é saber onde estão e quais são as demandas do setor de cerveja artesanal. Ela lembrou que foi realizado um censo junto ao Sebrae em 2019, mas em 2020 a pesquisa deverá ser mais ampla e contemplar mais categorias socioeconômicas. “Não tem como uma associação crescer se ela não abraçar todas as pessoas.”

Aos consumidores de cervejas artesanais que estão enquadrados nas minorias, como as mulheres, os negros e os LGBTQI+, após a concretização do Código de Ética da Abracerva, também está previsto que a associação criará um espaço dentro do seu site para a comunicação dos casos de discriminação.

Segundo Nadhine, o novo canal de comunicação servirá para dar encaminhamento, orientação e avaliar se houve infração e qual seria a punição para o associado que a cometeu.

“Não é trabalho da Abracerva ter esse acompanhamento psicológico ou de direito, mas o encaminhamento do que a pessoa pode fazer é mais simples para o comitê falar. Dependendo do tipo de infração, pode ser que se abra pelo viés da Justiça – como um processo civil – ou dentro da associação – como um processo de infração e punição do associado”, explica Nadhine.

Educação institucional
Dentro do planejamento do Núcleo de Diversidade da Abracerva também estão previstas ações educacionais. A ideia é se comunicar com as várias escolas cervejeiras espalhadas pelo Brasil, a fim de que realizem mais iniciativas de inclusão e de diversidade e que sejam estabelecidas essas pautas dentro da formação profissional.

Nadhine destaca que as escolas cervejeiras não estavam catalogadas e tinham diálogo reduzido com a Abracerva, algo que se alterou a partir da realização de um levantamento para a grade curricular do curso de sommelier. O núcleo participou de reuniões com as escolas e, dentro das questões sobre a regulamentação do profissional e dos temas a serem estudados, foi adicionado o tópico de ética profissional.

“Esses profissionais precisam saber, no mínimo, que vão precisar atender pessoas pretas, pessoas com deficiências e com qualquer outro tipo de diversidade sem preconceito e sem pré-julgamento. Isso é importante que seja aprendido na formação”, finaliza a coordenadora do Núcleo de Diversidade da Abracerva.