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Escassez de latas pode fazer marcas “sumirem” do mercado dos EUA

Uma das consequências da crise do coronavírus no consumo de cerveja foi a mudança repentina do perfil de embalagem demandado: os grandes volumes vendidos em barris para restaurantes, bares e taphouses foram substituídos pelo crescimento do consumo em casa, aumentando expressivamente a demanda pela bebida em lata. Nos Estados Unidos, essa substituição foi tão drástica que, segundo relatos de analistas do setor, há uma escassez de latas de alumínio no mercado. Por isso, existem marcas correndo risco de desabastecimento.

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Diversos fabricantes do país já sentem sinais da falta do produto. Segundo reportagem da KITV 4, em resposta à situação, a gigante Molson Coors, a Brooklyn Brewery e a Karl Strauss estão priorizando o envasamento dos estoques de suas cervejas mais tradicionais, deixando as menores de lado. Marcas como Coors Light, Corona, Dos Equis e White Clawn começam a sumir do mercado e, dizem analistas, algumas delas podem ter seus estoques completamente esgotados em breve.

“O suprimento de latas é um grande problema”, afirma Paul Gatza, vice-presidente da Brewers Association (BA), a entidade que representa as cervejarias independentes dos EUA. “Estamos observando tempo de espera mais longos para encomendas de latas, bem como cervejarias menores ficarem sem seus pedidos entregues”.

Entre as grandes empresas, por sua vez, algumas estão chegando a um cenário em que precisam priorizar um número limitado de rótulos da casa. “Qualquer um que envase algum produto em latas de 12 onças (355ml) tem algum grau de dificuldade nessa questão”, aponta Adam Collins, chefe de comunicação da Molson Coors em entrevista à CNN.

Além do aumento de consumo de cerveja em casa ao longo do período de isolamento social, no começo da pandemia houve uma corrida aos supermercados. Em meados de março, era comum ver notícias sobre como parcela relevante da população temia o desabastecimento e estocava todo tipo de bebida. O período também coincidiu com o aumento de popularidade da Hard Seltzer, em geral vendida em latas.

Busca por alternativas
O aumento incomum de demanda nos EUA está fazendo com que empresas passem a importar produto de outros países, como México e Canadá. No entanto, essa não é uma alternativa que possa ser adotada por muito tempo, e fabricantes norte-americanos estão buscando saídas com o aumento da produção, em iniciativas para interromper o cenário de escassez de latas.

A Ball Corporation, maior fabricante de latas dos EUA, por exemplo, planeja a abertura de duas novas fábricas. A Crown Holdings, da Pensilvânia, já havia anunciado em fevereiro a construção de uma nova planta no estado de Kentucky, que deve começar a funcionar no segundo trimestre de 2021.

(Com CNN e Fox News)

Dádiva lança linha de cervejas com aposta em estilos clássicos

Inventividade, ousadia e combinações inusitadas são sempre associadas ao segmento de cervejas artesanais, conhecido e admirado pelas inovações nas suas receitas. A Dádiva, porém, decidiu apostar no ditado de que o “clássico nunca sai de moda” para lançar a sua nova linha de rótulos. Assim, trouxe o Classic Styles, com os estilos Irish Red Ale e Berliner Weisse sendo os primeiros a serem lançados pela marca do interior paulista.

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“Brincar com receitas e testar processos de produção é algo que todo cervejeiro quer (e deve) fazer. Mas produzir uma cerveja clássica de qualidade, destacando o melhor de cada estilo, também é desafiador”, destaca Victor Marinho, sócio e mestre-cervejeiro da Dádiva.

A cervejaria de Várzea Paulista (SP), assim, aposta em um público consumidor interessado em receitas clássicas e sem adjuntos, fervuras ou a necessidade de grande experimentação entre os ingredientes – desde que elas sejam bem executadas.

A Irish Red Ale lançada pela Dávida tem 4,2% de teor alcoólico e coloração cobre/avermelhada. A marca assegura que o rótulo possui aromas e sabores da base de maltes que remetem a caramelo e sutil tosta. E os lúpulos ingleses conferem um leve toque terroso. Também recomenda que seja servida entre 5ºC e 7°C.

Já a Berliner Weisse vem em receita sem fervura ou adjuntos. Tem baixo teor alcóolico, de 3,4%. Possui coloração amarelo palha, sendo levemente turva. Traz leve acidez e, ao final, de acordo com a Dádiva, percebe-se um toque cítrico e suavemente lático. A cervejaria recomenda que seja servida entre 4ºC a 8°C.

Os rótulos da Irish Red Ale e da Berliner Weisse são vendidos em latas de 330ml e têm preço sugerido de R$ 14. A Dádiva recentemente celebrou os seus seis anos de história. E já antecipou que a próxima cerveja da linha Classic Styles a ser lançada vai ser uma English Pale Ale.

Escola Mineira de Sommelieria adapta conteúdo e terá curso com aulas online

Diante das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, a Escola Mineira de Sommelieria (EMS) buscou adaptar as suas atividades e passou a contar com aulas online. Será de modo remoto, assim, que se dará o curso Sommelier de Cerveja, com início da sua próxima turma em agosto.

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Os responsáveis pela especialização explicam que o conteúdo programático teórico está mantido, assim como as práticas de degustação e harmonização, o que inclui a análise sensorial das cervejas, acompanhada pelos professores Fabiana Arreguy e Carlos Henrique Vasconcelos.

Nessa fase de adaptação ao atual contexto social, a EMS traçou um cronograma que concentrará as aulas da 18ª turma do curso no formato online. Já na fase final, haverá uma semana de encontros presenciais para as aulas que não se adaptam a esse modelo. Nelas, serão ministrados conteúdos extras, como cachaça, café, queijos e vinhos, além da gestão sensorial de aromas desejáveis e indesejáveis na cerveja.

Adaptações já haviam sido forçadamente realizadas pela EMS no primeiro semestre. Por causa das medidas de isolamento social, que tiveram início em meados de março, a turma em andamento do curso recebeu em casa uma caixa com dezenas de rótulos de cerveja para as degustações de cada aula. Isso permitiu que a análise sensorial fosse mantida, conforme aconteceria na especialização presencial, sendo sempre acompanhada pelos professores. 

Além disso, as harmonizações continuam sendo realizadas. Os alunos foram instigados a cozinhar as receitas repassadas com antecedência pelos professores e pensadas de acordo com as cervejas que constavam no kit recebido. Um cenário que vai se repetir no segundo semestre.

De acordo com o coordenador da escola, Carlos Henrique Vasconcelos, o modelo teve aprovação dos alunos e poderá ser mantido mesmo quando não existirem mais restrições de convívio. “Vale destacar que essa experiência forçada nos ensinou muito e nos deu subsídios para manter o formato virtual, mesmo quando pudermos ter as turmas presenciais novamente.” 

Mais informações sobre o curso Sommelier de Cerveja podem ser obtidas pelo e-mail emscerveja@gmail.com ou pelo telefone (31) 98402-6452.

Justiça valida interdição da fábrica da Mahy em Manaus; cervejaria alega perseguição

A Justiça do Amazonas, através de uma decisão da desembargadora Joana dos Santos Meirelles, derrubou a liminar que havia suspendido a interdição da fábrica da Mahy Cervejaria em Manaus. A determinação inicial que proibia o funcionamento do local tinha atendido solicitação da Vigilância Sanitária de Manaus (Visa Manaus), mas depois fora revertida. Procurada pelo Guia, a cervejaria afirma ser alvo de perseguição.

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Em junho, a Visa Manaus apresentou um ato administrativo de interdição da fábrica após encontrar 1,8 tonelada de malte em embalagens perfuradas e com fezes de rato, afirmando existir risco iminente à saúde dos consumidores. Além disso, alegara que o malte apreendido não tinha identificação de lote, data de fabricação, validade ou procedência.

No estabelecimento, teriam sido verificadas outras irregularidades sanitárias, como a falta de controle efetivo de pragas; a conservação em depósito de produtos sanitizantes e saneantes vencidos e com identificação ilegível; insumos depositados diretamente no chão; e cervejas em embalagens finais sem informação de validade ou lote.  

Também no dia da fiscalização, segundo o relato da Visa Manaus, foram encontrados Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) no chão, resíduos de bagaço de malte exalando mau cheiro e material descartável na área de lavagem de barris, sinalizando a reutilização irregular de embalagens de uso único. Além disso, os funcionários da Visa Manaus observaram que a área comum da fábrica era usada para secagem de uniformes.

Porém, logo na sequência, os proprietários apresentaram um mandado de segurança na Justiça local que suspendeu, na época, o ato administração de interdição, em decisão então proferida pelo juiz Gildo de Carvalho.

Nova interdição
Agora, então, a vigilância sanitária vai dar sequência ao processo administrativo para interdição da fábrica da Mahy. “Com o reconhecimento da interdição pela Justiça, retomaremos o processo administrativo desse caso, já que ele estava parado, em virtude da liminar que suspendia a interdição. Os responsáveis pela cervejaria terão prazo para apresentar a sua defesa, além de pagar multa que será aplicada. Vamos tomar todas as providências cabíveis de acordo com o que é previsto na lei”, informa a diretora da Visa Manaus, Maria do Carmo Leão.

Ao questionar a decisão liminar de junho, a Procuradoria Geral do Município recorreu através de um agravo de instrumento. E questionava, entre outras temáticas, a competência da vigilância sanitária municipal na fiscalização da fabricação de bebidas; a validade da licença do controle de pragas e insetos do estabelecimento; e a possibilidade de utilização de essências no processo de fabricação de bebidas alcoólicas.

A Mahy argumentava que apenas o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), teria o poder de órgão fiscalizador. Mas a desembargadora defendeu, em sua decisão, a legalidade da autoridade da Visa Manaus para isso, conforme o Código Sanitário de Manaus, que lhe daria o direito de fiscalizar o fabrico, produção, beneficiamento, manipulação, acondicionamento, de alimentos, no estado sólido, líquido, pastoso ou qualquer outra forma adequada.

Sobre o controle de pragas, a Mahy afirmava, na época da interdição, que a licença do estabelecimento vencerá apenas em outubro, e que o fiscal ignorou a documentação em sua visita. A desembargadora alegou, no entanto, que o relatório de fiscalização afirma ter encontrado nas dependências da cervejaria embalagens de malte perfuradas, fezes de roedores, sujeira e cascas que demonstravam o consumo do conteúdo das embalagens.

Ela afirma não haver “comprovação da regularidade de controle de praga. Bem como, não há prova cabal de que os fatos apurados quando da fiscalização não são verídicos”, além de salientar que compete à cervejaria “comprovar que o seu estoque não possuía indícios de estar sendo atingido por roedores, cujos bens foram apreendidos e passarão, oportunamente, por perícia”.

Sobre o uso de essências na fabricação de bebidas alcoólicas – no local foi encontrada essência de framboesa, que não seria permitida no preparo de determinadas bebidas –, em sua decisão, Joana observa que apesar da liberação pelo decreto federal nº. 9.902/19, o relatório da Visa Manaus diz que os produtos encontrados na fábrica de cervejas artesanais “não possuíam a devida rotulação necessária, a fim de permitir o conhecimento sobre a procedência do produto, sua finalidade, sua validade e todos os demais aspectos necessários para utilização como insumo no processo de fabricação de bebidas”.

Mahy diz sofrer perseguição
A cervejaria, por sua vez, afirma ser vítima de perseguição comercial, alegando que a nova decisão judicial foi tomada no momento em que a empresa estaria pronta para retomar a produção, também apontando que o recurso foi apresentado durante o período de plantão judicial.  Além disso, em nota enviada ao Guia, diz que um dos fiscais presentes na inspeção, Fábio Markendorf, seria “intimamente ligado ao mundo cervejeiro artesanal”.

“Causou estranheza entrar com um agravo da liminar quase um mês depois, quando estávamos prontos para voltar a produzir”, declarou Herberth de Souza, sócio-administrador da cervejaria ao Guia, explicando que acabara de receber o novo carregamento de malte.

Assim como ocorreu no pedido inicial de interdição pela Visa Manaus, a Mahy alega que a inspeção se deu quando a fábrica estava fechada há 90 dias e ocorreu sem a presença de qualquer técnico da empresa. Além disso, afirma que não houve coleta de material que apontaria a contaminação.  

“Não fizeram qualquer coleta do material ou apresentaram qualquer laudo pericial sobre a suposta constatação, até porque nada foi recolhido, o que só comprova que isso não é verdade”, explicou a cervejaria em comunicado enviado à reportagem.

A Mahy declarou ainda não ter recebido a notificação judicial sobre a decisão da desembargadora de interditar a fábrica. Mas antecipou que pediria uma reconsideração do caso através de seus advogados.

Balcão do Rodrigo: A sustentabilidade no mercado cervejeiro é um caminho sem volta

Balcão do Rodrigo: A sustentabilidade no mercado cervejeiro é um caminho sem volta

O mundo passa por constantes transformações e cada vez mais percebe-se a necessidade de melhorar o equilíbrio entre o ser humano e a natureza. Inicio a jornada desta coluna em um momento de incerteza sobre como será o “novo normal”, mas com a certeza de que todas as questões que envolvem a sustentabilidade em nosso planeta se tornaram prioritárias para empresas, governos e, principalmente, consumidores. Para o mundo cervejeiro os holofotes são ainda mais intensos e as oportunidades de “fazer melhor” vão se multiplicando em iniciativas que chamo de For real & Forever, ou seja, mudanças estruturais com resultados positivos para a sociedade que incorporam as atitudes sustentáveis ao dia a dia.

A cerveja tem um “ímã” que faz pessoas se juntarem e conversarem, se torna motivo de reunião para experimentar um novo lançamento, ou mesmo a desculpa para estender o papo na hora da saideira. O universo da cerveja existe para colocar as pessoas perto umas das outras, para jogar conversa fora, celebrar, falar de negócios, fazer planos e criar novas soluções. Por aproximar as pessoas, permitindo que elas se vejam, se toquem e deem risadas juntas, a cerveja se torna querida e respeitada pelos consumidores. E em momentos de transformações ela protagoniza e inspira quem está ao seu redor.

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Sou administrador de empresas e comecei minha carreira trabalhando em marketing de multinacionais, onde pude conhecer, entender e exercer a lógica empresarial. Nos últimos dez anos trabalho na área de meio ambiente, mais especificamente com a destinação de resíduos sólidos. Ao visitar aterros e lixões, iniciaram-se minhas reflexões sobre desequilíbrios ambientais e sociais que precisavam (e ainda precisam) ser reescritos. Mas focar as discussões das soluções ao invés dos problemas permite um pensamento criativo constante de “como fazer melhor do que ontem”.

Foi lá em 2016, na primeira turma da FGV do Mestrado Profissional em Competitividade para Sustentabilidade, que pude abrir um pouco mais os horizontes de uma nova jornada de rearranjos estruturais que são e serão importantes para melhorar o equilíbrio entre nós e a natureza, assim como melhorar os equilíbrios entre as pessoas nos mais diversos aspectos.

Em 2018, junto com meus sócios Adriano e Leandro, criamos a startup Green Mining no segmento de Cleantech dentro do programa de Aceleração Global em Sustentabilidade da Ambev, 100+ Accelerator, em uma união de esforços para realizar Logística Reversa, um importante elo da Economia Circular. E, executando uma iniciativa For real & Forever, os aprendizados e melhorias constantes mostraram como é possível trazer sustentabilidade para o core business e contribuir com as mudanças que queremos para o mundo.

Essa jornada de aprendizado contínuo é o que pretendo refletir aqui no mundo cervejeiro, com exemplos concretos, soluções possíveis, desafios relevantes que o setor tem enfrentado de forma excepcional e, graças ao universo ao redor da cerveja, consegue envolver e inspirar diversos outros setores.

Diversidade, mudanças climáticas, água, produção, energia, cooperação e vários outros temas sem filtros e com muita positividade farão parte dessa coluna. Também pretendo explorar todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que permeiam os mais diversos âmbitos – fornecedores, indústria, investidores, clientes e consumidores.

Convido a todos a “colocarem os óculos da sustentabilidade” para embarcar nesta jornada e interagir com sugestões para pensarmos no papel da cerveja em prol de um mundo melhor!


Rodrigo Oliveira é CEO da Green Mining, startup de logística reversa que atua no processo de coleta e reciclagem de embalagens

Com recorde de mortes pela Covid-19, BH volta a fechar bares após impasse jurídico

Na semana em que registrou um recorde diário de mortes por coronavírus – 35, entre segunda e terça-feira –, Belo Horizonte vivenciou um impasse jurídico sobre a reabertura de bares e restaurantes. Uma decisão liminar chegou a liberar o funcionamento desses estabelecimentos, algo que posteriormente foi cassado, retomando o cenário de fechamento que foi estabelecido há cerca de quatro meses.

A decisão final foi do presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), o desembargador Gilson Soares Lemes, atendendo a recurso da Prefeitura de Belo Horizonte, que alegou a necessidade de conter o avanço do coronavírus para proibir o funcionamento de bares e restaurantes. Ele lembrou que apenas os serviços essenciais estão funcionando na capital mineira como medida de evitar a propagação da doença.

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Lemes destacou, ainda, que a abertura colocaria em risco as medidas adotadas e poderia ter efeito multiplicador para outras atividades comerciais.

“Não se afigura razoável consentir com a execução de uma decisão que, ao alterar drasticamente e de modo abrupto as políticas públicas que vêm sendo adotadas, em substituição ao administrador público e à míngua de comprovação de flagrante ilegitimidade na sua atuação, possa vir a colocar em risco a ordem e a saúde públicas estatais”, afirmou o presidente do TJ-MG.

A solicitação de reabertura, feita pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e inicialmente acolhida pelo poder judiciário, previa medidas a serem adotadas como distanciamento mínimo de dois metros entre as pessoas, uso de máscara, controle de fluxo de clientes, priorização de vendas para consumo do lado de fora, espaçamento mínimo de 1 metro entre as mesas e normas para permanência de crianças.

Na quarta-feira, mesma data em que a liminar foi cassada, ocorreu um ato liderado pela Abrasel e pela Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), denominado “Que dia BH volta?”. Durante a manifestação, foi entregue uma proposta do plano para retomada segura das atividades em Belo Horizonte a representantes da prefeitura.

De acordo com a Abrasel, a proposta – que contempla os setores do comércio, dos serviços, das repartições, das escolas, entre outras atividades – se daria em fases, conforme alguns estágios sejam atingidos. O plano possui sugestões para mitigar o risco no transporte público, o incentivo para que as empresas estabeleçam turnos de trabalho para permitir uma melhor organização e distanciamento social, além de critérios para a definição de etapas de reabertura.

“A sociedade precisa de transparência. É necessário sabermos ao menos quando. BH está completando hoje 125 dias fechados e até agora não foi apresentado nenhum plano de retomada para a população”, afirmou o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci.

Coronavírus em MG
Na quinta-feira, Minas Gerais ultrapassou a marca de 100 mil casos de coronavírus, com 3.827 infectados em apenas um dia, estabelecendo 102.568 diagnósticos positivos para a doença.

Belo Horizonte é o epicentro da Covid-19 no estado, com 943 notificações nas últimas 24 horas. São 14.634 confirmações, com 417 mortes pelo coronavírus na capital – em Minas Gerais são 2.238 óbitos.

Ribeirão sofre com Covid-19 e se reinventa para manter força do mercado cervejeiro

Vista como um dos principais polos cervejeiros do Brasil, com a presença de conhecidas e premiadas marcas, a região de Ribeirão Preto também está entre as que mais sofrem com os efeitos da pandemia do coronavírus. O cenário assola a sociedade e as famílias, abaladas pelas mortes, e atinge esse importante segmento da economia local. Restou aos empreendedores locais o desafio de se reinventarem para que fosse possível manter suas empresas ativas.

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Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em Ribeirão Preto, cerca de 30% das empresas do setor já fecharam definitivamente as portas. Metade do quadro de funcionários anterior à crise foi demitido, com os cortes ainda podendo atingir 60% dos funcionários. E isso se deu por causa de uma queda estimada em 80% das vendas desde a adoção das medidas de isolamento social.

O efeito da crise sobre as receitas foi grandioso, como relata André de Polverel, presidente da Cooperbreja, a Cooperativa de Cervejeiros do Brasil. E para o prejuízo não ser maior, foi preciso alterar o foco do modelo de negócios, algo que passou, obrigatoriamente, por um “olhar digital”. Com bares e restaurantes fechados, se reforçou – ou até mesmo se criou – o serviço de delivery, uma alternativa que ainda deve perdurar por algum tempo.

“A crise provocada pela pandemia do coronavírus afetou principalmente as vendas realizadas aos nossos clientes no PDV devido às restrições de funcionamento impostas ao comércio local.  Temos tentando contornar essa situação investindo nos canais de comunicação com o nosso quadro de cooperados e promoções exclusivas”, aponta André.

Mas o delivery não veio sozinho. Algumas empresas o uniram a uma política de preços que permitiu a manutenção do consumo em um período de crise financeira. “Criamos um segmento de delivery com uma política de preços diferentes para nos tornar atrativos. Temos bons resultados, com volume de venda praticamente igual ao com o bar aberto, mas com preços mais baixos. Estamos sobrevivendo à tormenta”, relata Rafael Moschetta, sócio-proprietário da Weird Barrel.

Fase vermelha
Foi a estratégia adotada a partir da necessidade de alterar planos para se adaptar a uma mudança na experiência do consumo da cerveja, agora concentrada em casa. É um cenário que, inclusive, dificilmente vai se alterar tão cedo, pois a região de Ribeirão Preto, composta por 26 municípios, é uma das quatro de São Paulo na fase vermelha – a mais grave do surto do coronavírus – do plano de reabertura de atividades do governo estadual, que só permite o funcionamento dos serviços essenciais. Resta, portanto, manter os investimentos nas soluções digitais.

“Houve uma mudança significativa nas experiências de consumo no setor cervejeiro em Ribeirão Preto impulsionada pelas estratégias emergenciais adotadas pelos empresários locais para conter os reflexos da crise. A logística teve de ser repensada a partir de informações colhidas nas redes sociais e apps estruturando ações customizadas envolvendo delivery, drive-thru, take-away e clube de vantagens”, avalia o presidente da Cooperbreja.

A Cervejaria Maltesa, por exemplo, precisou reinventar o seu negócio, pois tinha quase 80% da sua produção destinada para bares, restaurantes e eventos. A empresa, antes com a produção concentrada em barris, buscou novas formas de envasamento do estoque, para melhor se adaptar a novos mercados, como explica a sócia-proprietária Joice Joly Buzatto.

“Nesse momento, nós, uma cervejaria menor, conquistamos novos clientes e fortalecemos o nosso comercio local. Nos reinventamos, saímos somente dos barris para garrafas, latas e growler. E não só nós, mas sim todas as cervejarias de Ribeirão Preto tiveram de se reinventar. Com isso, muitas olharam melhor para suas empresas e assim vão voltar ainda mais fortalecidas”, projeta Joice.

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A Cervejaria Lund também reforçou suas ações no mundo digital, em uma forma de se aproximar do cliente, ainda que exista a óbvia distância. Além disso, avalia que as novas tecnologias permitem a expansão do mercado atingido.

“Um aliado importante tem sido a internet. E, através dos nossos canais, buscamos estreitar as relações com nossos consumidores. A distância é necessária, porém não é motivo para frieza nas relações, ao contrário”, diz Breno Garrefa, diretor comercial da marca. “Estamos buscando cada vez mais estreitar e fidelizar nossos clientes através do contato online e aproveitando para expandir nossa área de atuação.”

Afetada pela crise, a BR Brew foi outra empresa do polo cervejeiro de Ribeirão Preto a se voltar para o delivery. De acordo com Patrick Bannwart, um dos seus sócios, esse tipo de operação traz maiores desafios para as cervejarias.

“Tivemos de nos adaptar rápido e focar nas vendas de delivery, que é a maneira encontrada para manter nossos negócios de pé. O trabalho para se operacionalizar isso é muito maior e exige mais dos colaboradores e dos gestores para girar e garantir ao menos o faturamento necessário para pagar as despesas fixas e a mão-de-obra”, diz.

Patrick destaca que outra estratégia foi não só focar na cerveja, mas também aproveitar a sua comercialização para oferecer outros produtos aos clientes. Além disso, ampliou os horários de realização desse tipo de serviço.  “Optamos em oferecer alguns itens de nosso cardápio de petiscos que vendemos no nosso Biergarten. Além disso, estamos trabalhando com 4 canais diferentes de vendas e ampliamos os dias e horários de atendimento ao público, tanto para retirada como delivery”, detalha.

A Invicta também buscou se adaptar reforçando o delivery, ainda que a receita seja pequena se comparada ao que se obtinha com o movimento dos bares. E, principalmente, apostou em modelos próprios para se aproximar do consumidor, como explica Alessandro Augusto, gerente de marketing da cervejaria, também revelando que agora a empresa possui o seu próprio aplicativo.

“Criamos alguns negócios novos, como o Invicta Drive Thru, que vende, através de nosso site, o growler descartável de 1 litro com nossos chopes com 50% de desconto. A novidade, que é exclusiva para Ribeirão Preto, caiu no gosto do consumidor e se tornou um negócio tradicional entre os consumidores da cervejaria”, garante Alessandro.

História e futuro
O cenário de paralisação das atividades contrastou com o contexto histórico de pujança do segmento cervejeiro em Ribeirão Preto, sempre exaltado por apreciadores da bebida e conhecedores da trajetória da indústria de bebidas na região. Mas que foi temporariamente freada por uma crise que reduziu as receitas em até 80%.

“Do campo ao copo, Ribeirão Preto tem uma longa tradição gastronômica que surgiu sobretudo pelos avanços econômicos proporcionados pela instalação em nossa cidade de cervejarias como a Antarctica e a Paulista. Esta tradição com o tempo se refletiu na abertura de um número expressivo de bares e restaurantes que movimentava a economia local até o surgimento da pandemia”, relembra André, presidente da Cooperbreja.

É uma história bem diferente da enfrentada neste momento pelo setor. Sacha Reck, conselheiro da Abrasel em Ribeirão Preto, faz uma previsão preocupante para os próximos meses das empresas do segmento, temendo o fechamento de mais fábricas, principalmente porque houve dificuldade no acesso ao crédito.

“O cenário para o setor não é dos melhores. Acreditamos que a reabertura dos bares e restaurantes, inicialmente, não alterará o cenário de prejuízos, pois o movimento deve voltar lentamente. Pouquíssimas empresas do setor conseguiram acesso ao crédito, tendo em vista as restrições de protestos e negativações. Portanto, há a probabilidade de uma nova onda de fechamento de empresas nos próximos meses, podendo a falência no setor chegar a 50% em Ribeirão Preto”, alerta o conselheiro da Abrasel.

Para acelerar a recuperação, uma estratégia será a manutenção do serviço de delivery mesmo quando for possível reabrir os bares. O sócio da Weird Barrel avalia que o uso da plataforma digital vai se consolidar, sendo um aliado importante do segmento cervejeiro durante a reabertura gradual de bares e restaurantes.

Afinal, em sua avaliação, a presença do público nas casas ainda vai demorar a reestabelecer os níveis pré-pandemia. “O movimento do salão vai cair até sair a vacina ou as pessoas perderem o receio. Mas se criou esse hábito e pode trazer bons resultados. Vai continuar com faturamento próximo do que era antes, com o delivery compensando essa perda”, diz Rafael Moschetta.

Eventos descartados
Se já é difícil prever quando os bares da região de Ribeirão Preto serão abertos, a situação é ainda mais difícil para o ramo de eventos cervejeiros. Foi no interior paulista, por exemplo, onde surgiu o IPA Day, que já teve oito edições na cidade e vinha buscando se consolidar como um evento nacional, com edições em outras localidades.

“O IPA Day é uma incógnita, ainda mais em Ribeirão Preto, onde o cenário da pandemia é mais preocupante. Não sabemos como serão os eventos, com pessoas em pé, com alta circulação. O evento sentado é insustentável, por ter pouca gente e com custo alto de open bar. Precisamos esperar as definições”, admite Moschetta, um dos organizadores do festival.

A BR Brew também tem visão e postura parecidas, tanto que cancelou todos os eventos que estavam previstos para 2020 desde o início do surto do coronavírus. “Creio que a retomada seja algo mais concreto para setembro em diante. Nós já descartamos a realização de todos os eventos que faríamos até dezembro (seriam dez entre março e dezembro), e ficamos na expectativa de ter uma retomada gradativa para os bares que são nossos principais clientes, assim como no nosso próprio Biergarten da fábrica”, detalha Patrick.

A expectativa da Abrasel é de que a retomada do setor só ocorra no próximo ano em Ribeirão Preto. “Nossa expectativa é de que o setor somente recuperará os prejuízos em 2022, desde que até junho de 2021 seja distribuída a vacina para o coronavírus”, comenta Sacha.

Resta, até lá, apostar na criatividade para manter o setor, um dos orgulhos do ribeirão-pretano, ativo. “Nossa projeção é que as coisas comecem a voltar para os eixos somente a partir de janeiro de 2021, até lá vamos segurando as pontas das maneiras mais criativas possíveis e contando sempre com o consumidor que apoia o comercio local”, finaliza o sócio da BR Brew.

Ambev abre 80 vagas de estágio exclusivas para negros

A Ambev abriu nesta semana a segunda edição do Representa, seu programa de estágio focado em atrair e desenvolver universitários negros. Criado no ano passado como um piloto, a iniciativa nasceu para ampliar a representatividade de pessoas negras nos processos seletivos e nas contratações, um problema estrutural que afeta praticamente todos os setores produtivos da economia nacional.

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O Representa ocorre em paralelo ao programa regular de estágio da companhia – esse aberto a todos os estudantes. Seu processo de seleção tem foco nas histórias de vida dos candidatos, e não cobra conhecimento técnico prévio e nem exigências costumeiras, como “fluência em língua estrangeira” para nenhuma das áreas que abrange. As vagas são abertas para estudantes de quaisquer cursos de bacharelado e licenciatura.

Além da bolsa-auxílio, vale-transporte, refeição ou alimentação, os selecionados para o estágio terão curso de inglês custeado pela companhia e programa de mentoria com líderes da empresa para desenvolvimento da carreira.

Na primeira versão piloto, feita no ano passado, as vagas se limitavam a dez postos, apenas na sede da companhia em São Paulo. Agora, os inscritos no processo seletivo concorrerão a mais de 80 vagas espalhadas pelas operações da companhia na área de vendas, nas cervejarias e no centro de serviços compartilhados.

As oportunidades de estágio são nas cidades de São Paulo (SP), Campinas (SP), Jaguariúna (SP), Jacareí (SP), Rio de Janeiro (RJ), Campo Grande (RJ), Contagem (MG), Sete Lagoas (MG), Curitiba (PR), Ponta Grossa (PR), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Anápolis (GO), Manaus (AM), Fortaleza (CE), São Luís (MA), Salvador (BA), Camaçari (BA) e Aquiraz (CE). As inscrições poderão ser feitas até 14 de agosto pelo link do programa.

“Sabemos que ainda temos um longo caminho pela frente quando falamos da inclusão da diversidade étnica e racial na companhia, por isso, assumimos o compromisso de encontrar meios de acelerar essa mudança tão necessária, e um dos caminhos foi a criação e agora a expansão do Representa”‘ afirma Renato Biava, diretor de gente e gestão da Ambev.

“Queremos não só ampliar a diversidade dos nossos estagiários, mas também desenvolvê-los para que se tornem nossos trainees e futuros líderes da companhia”, conclui Renato.

Entrevista: A mulher toma a cerveja que quiser e isso não pode ser tirado de nós

Mulheres tomam cervejas fracas ou fortes, mais comuns ou diferentes, porque têm o direito da escolha. Eis uma ideia que poderia até parecer banal em 2020, quase redundante por retratar o que deveria ser o óbvio. Mas o óbvio, claro, não é a especialidade deste ano. Ainda mais em um país vitimado por uma das maiores crises éticas de sua história, um Brasil que legitima diariamente – sob os aparentes aplausos de seus principais governantes – os mais variados tipos de agressões e violências contra as minorias.

Reproduzir em forma de expressão coloquial preconceitos já sedimentados no seio social é uma das manifestações mais corriqueiras desse tipo de violência. Ainda que sob o tom da galhofa, do suposto ar de sarro, tais “brincadeiras” carregam um peso histórico inesgotável, vivo ao ainda desconstruir o horizonte de oportunidades e possíveis reparações para uma minoria. Um peso escancarado recentemente no mercado cervejeiro, que viu uma IPA da Cervejaria Nacional ser desqualificada por ser uma “cerveja de menininha”.

Artigo – Cilene Saorin avalia o histórico de preconceitos contra a mulher na história da cerveja

Para falar um pouco mais sobre a participação feminina no mercado cervejeiro e os preconceitos que ainda precisam ser superados, o Guia entrevistou Beatriz Cury, supervisora comercial e de marketing da Cervejaria Nacional. E, embora já tenha lamentado publicamente o episódio, ela garante que o caminho conquistado pela mulher no setor não tem volta.

“Nós, mulheres, temos provado que tomamos cervejas fracas ou fortes, mais comuns ou diferentes, porque temos o direito da escolha e isso não pode ser tirado de nós. Como dizemos sempre: ‘cerveja de mulher é qual ela quiser’ e fim de papo”, resume.

Confiante de que novos espaços se abrirão, a executiva da Cervejaria Nacional também analisa como o preconceito pode ser minimizado no setor. Detalha, ainda, o projeto Musas de Verão, criado pela marca para aumentar a participação feminina no mercado. E faz uma avaliação: qual o peso histórico de uma expressão como “cerveja de menina”?

Confira, a seguir, a entrevista completa com Beatriz Cury, supervisora comercial e de marketing da Cervejaria Nacional.

De maneira geral, como você avalia hoje a participação da mulher no mercado cervejeiro?
Minha percepção da mulher no mercado cervejeiro hoje é otimista, vejo que cada vez mais estamos garantindo espaço. Há muitas mulheres à frente de negócios, trabalhando em diversas áreas como produção, administração (vendas, marketing, logística, compras e etc.), comunicação, eventos, educação cervejeira, serviço, pesquisa. E muitas mulheres procurando cursos para se especializarem mais no universo cervejeiro. Mas ainda há um espaço maior a ser conquistado, estamos em processo e isso vem mudando aos poucos. Vejo muitas mulheres que gostariam de trabalhar, mas que por falta de conhecimento de que podem, medo ou até mesmo por serem reprimidas por homens, não tentam.

Existe ainda muito preconceito e falta de espaço ou, aos poucos, há um processo de consolidação da presença feminina?
Acredito que, aos poucos, com essas questões sendo cada vez mais abordadas e as empresas entendendo essa necessidade de abrir mais espaço, há um crescimento na atuação das mulheres e de outras minorias. Mas vemos também que ainda há um preconceito tanto na área profissional quanto no consumo, que ainda precisa ser combatido e é o que muitas pessoas têm buscado e lutado para que mude. Como exemplos, muitas cervejarias têm destacado e valorizado mulheres, como profissionais e consumidoras em cervejas colaborativas, promovendo eventos de degustação para mulheres e falando mais sobre essa inclusão no mercado. Veículos de comunicação comentam mais sobre a importância da mulher e dão espaço para mulheres inspirarem outras. E, também, vemos boa parte de quem participa do mercado unida contra atitudes e falas machistas, que ainda existem. Aos poucos pequenas atitudes vão construindo e consolidando um espaço de fala e atuação da mulher.

Qual o significado histórico de uma frase como “cerveja de menina”? O que tal conceito revela e projeta sobre o mercado cervejeiro? Existiria de fato uma “cerveja de menina”?
“Cerveja de menina” traz à tona toda a tentativa de diminuição que a mulher vem sofrendo ao longo dos anos por conta do machismo estruturado na nossa sociedade. Pessoas têm usado o termo para descrever uma cerveja “leve/fraca” do ponto de vista de álcool, corpo e amargor, como se não fôssemos capazes de beber cervejas “mais fortes”. Isso implica que nos foi determinado isso e que não temos o direto de escolha. E, também, como se fosse uma capacidade honrosa que não temos – o que não faz sentido e provoca ainda mais a desigualdade de gênero. Assim como ocorre em outros âmbitos da vida, em que a maioria das mulheres precisa lutar incansavelmente para mostrar que é capaz de fazer o mesmo que os homens dizem ser exclusividade deles e precisa de diversas tentativas para ser ouvida, se formos ouvidas.

Como esse machismo veio se estruturando no setor?
Essa noção de “exclusividade masculina” foi reforçada historicamente em propagandas de cervejas em que nossa participação se deu apenas como objeto de desejo e não como consumidoras ou mesmo profissionais envolvidas com o produto em sua totalidade. De qualquer forma, beber cerveja “forte” não torna ninguém melhor, mais importante ou mais sábio, não é uma competição. Podemos escolher o que queremos beber, sem pré-julgamentos – são nossas escolhas e estas devem ser respeitadas. Nós, mulheres, temos provado que tomamos cervejas fracas ou fortes, mais comuns ou diferentes, porque temos o direito da escolha e isso não pode ser tirado de nós. Como dizemos sempre: “cerveja de mulher é qual ela quiser” e fim de papo.

A Cervejaria Nacional organiza anualmente o Musas de Verão, um importante projeto de apoio à participação feminina no setor. Em que consiste exatamente o projeto, quando ele surgiu e qual a sua importância para o setor?
O Musas de Verão é um projeto que consiste em convidar todo ano, entre o mês de fevereiro e março, duas mulheres do mercado cervejeiro para produzir 500 litros de cerveja de estilo escolhido e produzido por elas. Começou em 2012, no segundo ano da casa, e desde então temos feito todos os anos. O objetivo principal é mostrar que cerveja não é e nunca foi assunto exclusivo de homem, e valorizar as mulheres que atuam direta ou indiretamente com cerveja. Alguns dos grandes nomes do mercado já participaram e acabaram inspirando e encorajando muitas outras mulheres a adentrarem profissionalmente, não só na área de produção. Sentimos como cervejaria artesanal nosso compromisso em levar para mais pessoas esse assunto e expandir essa corrente de inclusão. Temos feito um trabalho também no sentido de tornar o bar um local menos nocivo para as mulheres consumidoras. Fazemos campanhas para elas se sentirem mais à vontade e seguras no ambiente e poderem se divertir e tomar a cerveja que quiserem com tranquilidade.

A partir de importantes iniciativas como o Musas de Verão, você tem esperança de que o futuro do setor possa ser mais inclusivo com as mulheres?
A cerveja artesanal veio como forma de “contracultura” se me for permitido descrever assim, uma revolução no mercado de cervejas. E nada mais literal e natural que este mercado seja acolhedor de todas as minorias, que seja inclusivo e que exponha as desigualdades a serem combatidas. Mas ainda precisamos ser cada dia mais inclusivos. Precisamos de mudanças com base em educação transformadora em todas as pontas. Educar consumidores, bares, cervejarias, veículos de comunicação e todos os envolvidos direta ou indiretamente. Nos bares, as mulheres querem se sentir seguras, acolhidas e ouvidas. Elas também precisam saber que podem pedir o que quiserem e se permitirem a experimentar aromas e sabores novos.

O que falta para o setor acolher mais as mulheres e quais erros devem ser evitados para que ocorra essa evolução?
No âmbito profissional, precisamos de mais mulheres participando de todas as áreas das cervejarias, bares, educação cervejeira e em outras empresas ligadas à cerveja artesanal. É preciso que estes locais forneçam mais espaço e destaque para elas. Mulheres precisam saber que elas têm abertura nessas empresas para seguirem a carreira que quiserem. Do ponto de vista da comunicação, as empresas precisam se posicionar contra comentários e atitudes machistas, ajudarem a mostrar que estão errados e que estes não podem continuar. Precisamos falar sempre de inclusão, comentar e expor problemas socioculturais que afetam diretamente minorias. Só assim podemos ser exemplo e a mudança que acreditamos, evitando esses erros cotidianos de até mesmo ignorar ou replicar comentários e atitudes que reforçam que a mulher não é capaz, tanto de beber quanto de atuar e de serem donas de suas próprias histórias.

Garrafas de vidro unem baixo risco de mudar sabor com menor poluição, diz especialista

O processo de produção de uma cerveja até a chegada ao consumidor demanda uma série de decisões sobre ingredientes, logística de distribuição e envase do produto. A escolha de uma embalagem, por exemplo, leva em conta não apenas preferências estéticas, mas também sensoriais e de sustentabilidade, o que traz uma série de questões no momento de escolher materiais como o vidro, o alumínio ou o PET.

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A seleção do envase pode, inclusive, influenciar no sabor que a cerveja terá, correndo o risco de ser alterado principalmente se a bebida não estiver na carbonatação adequada, como alerta Riccardo Mosconi, gerente de contas da Verallia, multinacional de embalagens para alimentos e bebidas. Um problema que pode ser evitado pelas garrafas de vidro.

“O vidro é 100% impermeável, o que impede a entrada de oxigênio e dióxido de carbono, evitando reações químicas e, consequentemente, mantendo a carbonatação e a vida útil da cerveja. Além disso, a garrafa de vidro é completamente inerte, ou seja, não interfere na cerveja, o que evita qualquer alteração no sabor e no aroma”, explica o especialista.

Outro aspecto importante envolvendo a embalagem de vidro, visto por Mosconi como vantagem competitiva, envolve a sustentabilidade. Afinal, trata-se de um material que pode ser 100% reciclado, além de permitir o seu reaproveitamento diversas vezes.

“Muitos modelos de garrafas são retornáveis, ou seja, podem ser reutilizados para um novo envase. Uma garrafa retornável, em média, suporta 30 giros de utilização. E isso significa menos lixo nas cidades, menos poluição nos rios e nos mares, mais economia de recursos naturais”, acrescenta o gerente de contas da Verallia, especializada em embalagens de vidro.

A resistência e a durabilidade também são vistas pelo especialista como aspectos diferenciados das embalagens de vidro por concederem a possibilidade de a embalagem contar com mais inovações no seu design, algo que pode atrair a atenção do consumidor.

“As garrafas podem trazer designs específicos, por exemplo, de algumas escolas de cerveja, como inglesa, alemã, belga, trapistas, cervejas de guarda, etc. Podem também ser fabricadas em cores diferentes, rotuladas em papel ou autoadesivo e decoradas (serigrafias, pinturas, jateamento) ao gosto do cliente”, conclui Mosconi.