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Malte e longevidade impulsionam cervejaria tricentenária e mais antiga da Escócia

Mais tradicionalmente associado ao uísque, o malte escocês também está ligado às suas cervejas. E, especialmente, aos rótulos da Belhaven, a mais antiga cervejaria da Escócia em atividade no país, que recentemente completou 300 anos de fundação e leva a sua tradição para diferentes cantos do mundo, incluindo o Brasil.

A Belhaven foi fundada em 1719 na região de East Lothian, em Dunbar, cidade que fica a menos de 50 quilômetros a leste de Edimburgo e também da fronteira da Inglaterra. Desde então, a marca sempre se tornou conhecida pelo uso do malte escocês em suas receitas.

Essa tradicional cervejaria conta hoje com 20 rótulos fixos, além da eventual produção de marcas especiais e sazonais, tendo presença e espaço em um mercado dinâmico, em que várias cervejarias foram fundadas nas décadas recentes. E possui o rótulo mais vendido da Escócia, a Belhaven Best.

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“A Belhaven é percebida como uma cervejaria com produtos de qualidade e tradição, em um pais onde nove em cada dez cervejarias foram abertas nos últimos 20 anos”, afirma Ali Visserman, diretor da Boxer do Brasil, importadora responsável por trazer os rótulos da Belhaven ao país.

Ele destaca que a longevidade da Belhaven e a sua associação com a Escócia e seus rótulos a tornam exemplo e referência internacional dentro do setor cervejeiro.

“A Wee Heavy da Belhaven é considerada padrão da indústria para o estilo. Foi desenvolvido na cervejaria Belhaven há 300 anos e tipifica as cervejas escocesas, com muito malte de qualidade e pouco lúpulo, tendo em vista que lúpulo é um produto caro que não se pode cultivar na Escócia em função do clima do país”, explica Ali.

Mercado externo
Além da longa trajetória, a Belhaven tem na exportação uma das suas forças e diferenciais, tanto que 30% da sua produção é vendida para fora da Escócia. E essa característica foi reconhecida no fim de 2018, quando acabou sendo eleita a Exportadora do Ano pelo Scottish Beer Awards. Assim, além do Reino Unido, também pode ser encontrada na América do Norte, na Europa – em países como França, Suécia e Rússia – e também na Ásia, na China e em Hong Kong.

Esse peso da exportação no negócio da Belhaven traz a oportunidade – e também o desafio – de se levar tradições da Escócia e sua cerveja para outras nações. E, nesse caso, até a histórica ligação do país com o uísque está diretamente envolvida.

“A Belhaven se identifica como marca escocesa e suas cervejas se espalham pelo mundo pela qualidade. Além disso, algumas das cervejas são inconfundivelmente escocesas ou influenciadas pela cultura escocesa”, comenta Ali.

“É o caso da Wee Heavy, por exemplo, e da Speyside Oak Aged Blonde Ale, uma Golden Ale que tem um toque de baunilha no paladar por ter passado por barricas de carvalho que foram usadas para envelhecer uísque”, acrescenta o sócio da importadora.

Novo momento
Com 300 anos de trajetória, a Belhaven pode se orgulhar de ter visto de perto, como participante, de diferentes processos da consolidação e crescimento do setor cervejeiro. A marca mesmo foi ativa nesse processo ao ser adquirida por um grupo maior, a  inglesa Greene King, avaliada como a maior cervejaria do Reino Unido, em negócio de 187 milhões de libras (aproximadamente R$ 1 bilhão, na cotação atual), realizado em 2015. Já em outubro, a Greene King foi adquirida pelo grupo CK Asset, de Hong Kong.

Além disso, a marca viu a eclosão do setor de artesanais. E, para se diferenciar desses “novatos” do setor, também vem apostando em aroma e sabor mais palatáveis a um público maior, além de ter ampliado a sua gama de rótulos e tipos de cerveja nos últimos anos.  

“Como toda cervejaria de tradição, a Belhaven faz cervejas equilibradas com ‘drinkability’ enquanto grande parte das cervejarias que nasceram no boom artesanal produzem cervejas interessantes e sempre audaciosas, mas que nem sempre se prestam ao consumo corriqueiro, seja pelas intensidades dos sabores, seja pelo preço”, diz Ali.

A marca, aliás, é exportada para o mercado nacional há apenas cinco anos, tempo mísero se comparado ao de sua trajetória. Ainda assim, acredita que tem causado algum impacto positivo, mesmo encarando um cenário de crise.

“A Belhaven chegou no Brasil junto com a recessão econômica que começou em 2014. Mesmo assim, Wee Heavy e Belhaven Black, um Scottish Stout, estão fazendo sucesso e estão disponíveis em várias redes de varejo. A Twisted Thistle, uma American IPA, faz sucesso nas torneiras dos melhores pubs do país”, conta Ali.

Lançamento
Aproveitando o aniversário de 300 anos, a cervejaria disponibilizou um novo rótulo no Brasil. É a Belhaven 1719 Pale Ale, cerveja que teve o seu pré-lançamento no Mondial de la Bière Rio.

O seu nome remete ao ano de criação da cervejaria, sendo uma Pale Ale britânica que leva três lúpulos: Centennial, Mandarina Bavaria e Galaxy. Possui 4,5% de graduação alcoólica e, segundo a fabricante, traz aromas e sabores de grapefruit, maracujá, melão, papaya e suave floral. O malte se apresenta levemente tostado e como caramelo, com corpo leve e final seco.

Grandes cervejarias garantem que novos lotes estão adequados à norma de rotulagem

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A nova norma de rotulagem parece que atingirá boa parte de seu objetivo: tornar o mercado brasileiro de cerveja mais claro e transparente. Algumas das maiores marcas do Brasil, que produzem cervejas que não são puro malte, garantem que seus novos lotes já estão saindo das fábricas desde o início da semana adequados à nova regra.

A instrução normativa 68 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que foi publicada no dia 16 de novembro de 2018, obriga as cervejarias a estamparem nos rótulos ingredientes como milho, arroz e outros adjuntos que sejam usados na produção da bebida. Havia o prazo de um ano para adequação. Até então, as marcas não detalhavam esses produtos nos rótulos.

Uma pesquisa feita pelo Guia no início desta semana constatou que, nos pontos de venda visitados, 56% dos rótulos ainda não estavam adequados. As cervejarias, contudo, alegam que os novos lotes descrevem precisamente os ingredientes e que, portanto, é questão de tempo até chegarem ao varejo.

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Procurada pelo Guia, a assessoria do Grupo Petrópolis assegurou que a cervejaria está cumprindo as normas e que o prazo de adequação dos rótulos foi cumprido. “Desde 16 de novembro, todas as cervejas produzidas no Grupo Petrópolis seguem, estritamente, o que foi definido”, diz em nota.

Por meio de contato telefônico de sua assessoria, a Ambev afirmou que o prazo estabelecido servia para direcionar a produção dos novos lotes – e não propriamente sua chegada ao varejo. E, segundo a empresa, todas as novas cervejas produzidas a partir do prazo estão seguindo a nova norma.

Já o Grupo Heineken, cujas marcas que não são puro malte estavam todas adequadas na pesquisa, aponta que “a empresa reforça que a mudança na rotulagem não interfere na receita e qualidade dos produtos, que permanecem os mesmos. E esclarece que essas marcas atendem a uma demanda do consumidor por cervejas mais leves e refrescantes, característica conferida pelo uso de outros cereais além da cevada, como o milho, na composição”.

As assessorias das demais marcas citadas na pesquisa não enviaram respostas até a publicação desta matéria.

Mercado transparente
Embora o prazo de um ano fosse máximo e, como indica a pesquisa do Guia, parte das empresas tenham deixado a mudança para o último momento, a ponto de apenas 35% das marcas estarem adequadas no início desta semana no varejo, as cervejarias estão agindo plenamente dentro da legalidade.

“Analisando a letra fria da instrução, podemos entender também que o prazo foi dado para adequação dentro das fábricas e que só os lotes feitos a partir dessa semana é que são obrigados a detalhar os ingredientes”, explica o advogado André Lopes, do Advogado Cervejeiro.

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“É claro que as cervejarias estão jogando com o regulamento embaixo do braço. Essa brecha de entendimento de prazo da instrução permitiu que, mesmo passados 365 dias, ainda tenhamos que conviver com rótulos em desacordo com a norma”, acrescenta André.

O foco central do debate, porém, parece ser outro: o fortalecimento do mercado brasileiro provocado pela norma. Para Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o que realmente importa é que as grandes cervejarias estão garantindo o cumprimento da norma.

“É positivo saber que, a partir de agora, todas as cervejas que saem das fábricas estão com os rótulos adequados”, celebra Lapolli.

A pesquisa
No início desta semana, com o final do prazo de adequação estipulado pelo Mapa, o Guia visitou 12 pontos de venda de cervejas na cidade de São Paulo, entre hipermercados, supermercados, minimercados e lojas de conveniência.

A ideia era entender se a mudança já chegara ao varejo e como cada marca se comportou em relação à velocidade de implementação das mudanças. E o resultado mostrou que seis marcas estavam adequadas à norma do Mapa em todos os lugares visitados, três estavam adequadas apenas em alguns locais e oito não estavam adequadas ainda.

Clique aqui para ter acesso à pesquisa completa.

St. Patrick’s Beer Experience terá palestra e degustação guiada em SP

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A cidade de São Paulo receberá no próximo dia 28 de novembro o St Patrick’s Beer Experience, evento em formato de palestra seguida por uma degustação orientada por Candy Nunes, embaixadora da marca e mestre em estilos.

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Serão tratados na palestra assuntos como tecnologia de produção cervejeira através da história da humanidade, retratando desde os processos rudimentares de produção até as avançadas tecnologias atuais.

A palestra abordará, ainda, a importância da cerveja na formação das civilizações, trazendo curiosidades e momentos icônicos da história e uma rápida análise sobre famílias e escolas cervejeiras. “Logo após o fim da palestra, os participantes serão convidados a degustar algumas cervejas da linha St. Patrick’s Beer, identificando os estilos e tendo mais intimidade com a bebida”, relata a cervejaria.

A experiência faz parte do São Paulo Tech Week 2019, que acontece no Eureka Coworking (Av. Paulista, 2439) e tem como objetivo estreitar a relação do público com a cultura cervejeira. Os participantes terão acesso aos produtos St Patrick’s Beer com preços promocionais e exclusivos. Os ingressos saem por R$ 30 e estão à venda no site do evento, mas o número de vagas é limitado.

A cervejaria
A St. Patrick’s Beer faz parte da Brew Center Cervejas Especiais, que levou o prêmio de melhor microcervejaria de 2019 da Copa Cerveja Brasil, um concurso organizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o que significa o reconhecimento como a melhor do setor no país.

Em seus primeiros meses no mercado, a St. Patrick’s Beer ainda conquistou medalhas relevantes, como as de ouro com a sua American IPA na Copa Cerveja Brasil e no World Beer Awards, em Londres. Já a sua Acid Trip também foi reconhecida com o ouro na edição do Rio do Mondial de La Bière. E a Dry Stout levou o bronze na Copa Cervezas de Américas, no Chile.

Só 35% das marcas já têm rótulos no varejo adequados à nova regra do Mapa

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A maior parte das marcas que produzem cervejas que não são puro malte ainda possuem no varejo rótulos que não estão adequados à nova norma de rotulagem do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A determinação exige que todos os ingredientes e adjuntos estejam descritos nos rótulos da bebida.

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A constatação foi feita pelo Guia em levantamento realizado nesta semana, entre os dias 18 e 19 de novembro, em diferentes pontos de venda na cidade de São Paulo. Vale destacar que a pesquisa tem caráter local, espontâneo e serve como base apenas para os locais visitados.

A nova instrução sobre rotulagem do Mapa foi publicada no Diário Oficial no dia 16 de novembro de 2018, dando prazo de 365 dias às cervejarias para adequação dos rótulos. Tais mudanças, contudo, ainda não chegaram ao varejo.

Ingredientes como milho, arroz e xaropes desses cereais, entre outros, nunca foram bem aceitos pelos consumidores, mas a informação sobre o uso nunca esteve explícita nos rótulos. Assim, a nova regra obriga que as cervejarias descrevam de forma clara quais são os adjuntos que utilizam.

Para checar se a nova regra de rotulagem já estava surtindo efeito no varejo, o Guia visitou diferentes pontos de venda de cervejas, entre hipermercados, supermercados, minimercados e lojas de conveniência. A análise verificou rótulos de 17 marcas que não eram puro malte.

E o resultado da pesquisa mostra que apenas seis marcas já estão adequadas a norma do Mapa em todos os lugares visitados, três estavam adequadas apenas em alguns locais e oito não estavam adequadas ainda (veja em detalhes no fim do texto).

Fiscalização
Procurado pelo Guia, o Ministério da Agricultura informou apenas que o prazo concedido para ajustes havia expirado, sem detalhar como será a fiscalização e quais as formas de punição por descumprimento.

“A IN MAPA nº 68, de 2018 entrou em vigor na data de sua publicação, portanto em 16 de novembro de 2018. O prazo concedido para ajustes dos rótulos foi de 365 (dias) para adequação, portanto serviu para o esgotamento daquelas rotulagens já impressas e a formulação e implementação do ditame normativo”, diz a nota do Mapa.

Pelas regras brasileiras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é a responsável por fiscalizar o cumprimento de normas para rótulos de alimentos, sendo uma autarquia vinculada ao Mapa.

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Segundo o advogado André Lopes, do Advogado Cervejeiro, as empresas que não cumprem a norma estão cometendo uma infração passível de punição. “As cervejarias podem sofrer autuação do Mapa, que vai desde uma advertência até multa de R$ 117 mil”, explica o especialista.

O advogado também salienta que os consumidores podem denunciar as cervejarias que descumprirem a norma. “A denúncia pode ser feita no site do Mapa ou mesmo no Procon, já que a falta da descrição dos ingredientes fere o direito à informação previsto no código de defesa do consumidor”, acrescenta André.

Confira, a seguir, quais cervejarias se adequaram às normas após levantamento realizado nesta semana, entre os dias 18 e 19 de novembro, em diferentes pontos de venda na cidade de São Paulo.

10 destaques do IPA Day Brasil em 2019

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Um dos principais eventos do mundo dedicado ao estilo de cerveja que virou febre mundial, o IPA Day Brasil reuniu duas mil pessoas no último final de semana, em Ribeirão Preto. Foram 40 rótulos feitos por 27 cervejarias diferentes, como Bodebrown, Dogma, Dortmund BierGoose IslandInvicta, Juan Caloto, St.Patrick´s BeerTarantinoAvós e Molinarius, entre outras.

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O sommelier de cervejas Rodrigo Sena, jornalista colaborador do Guia e também do canal Beersenses, que esteve no IPA Day Brasil 2019 a convite da organização, preparou uma avaliação de diferentes aspectos do festival, desde os rótulos servidos até a organização e a experiência dos visitantes.

Para você que foi ao festival, é uma oportunidade de comparar sua opinião com a dele. E, para você que não foi, é uma ótima chance de se informar sobre o evento a partir da análise de um especialista. Confira, a seguir, 10 avaliações sobre o IPA Day Brasil feitas pelo sommelier Rodrigo Sena.

1- Os Rótulos
A variedade e a qualidade das cervejas servidas no IPA Day Brasil, segundo o especialista, foram um dos pontos mais marcantes do festival. “A curadoria do IPA Day Brasil se supera a cada ano. Não havia cerveja ruim, todos os 40 rótulos tinham qualidade. Outro ponto forte do evento foi a diversidade de sabores e variedade de estilos”, conta Rodrigo Sena.

2- A Revelação
A  St. Patrick´s Beer estreou no festival levando sua American IPA. E fez sucesso. “A cervejaria ofereceu uma excelente American IPA, bem tradicional, com brilho de Citra e Mosaic, em uma cama de maltes muito bem elaborada. Foi uma verdadeira estreia de gala”, avalia o sommelier.

3- A Popular
A cervejaria Avós, especializada em Lagers, apresentou sua Dizygotic IPL, uma Double New England India Pale Lager que foi muito elogiada pelos visitantes do festival. “Essa India Pale Lager foi muito bem recebida pelo público, tanto que foi uma das que acabou primeiro. E ela estava realmente boa, uma explosão de sabores com a leveza da Lager, em mais um excelente trabalho da Avós”, destaca.

4- A Inusitada
Para o sommelier, a Gose Black IPA com morangos e algas marinhas, uma colaborativa entre as cervejarias Weird Barrel e Japas, foi o destaque de sabores inusitados no festival. “Uma cerveja improvável, surpreendente, com uma explosão de sabores que vão desde a acidez marcante, passando pelas frutas vermelhas e o salgado de uma Gose reforçado pelas algas. Não é uma cerveja de fácil compreensão, mas é realmente muito inusitada e com muita qualidade. Vejo um alto potencial de harmonização para essa cerveja com diferentes tipos de pratos, realmente espetacular.”

A Sazai Oni, uma IPA com morangos e algas marinhas: ácida, frutada e salgada

5- O Lançamento
A Dortmund Bier lançou no festival a Black Elephant, uma Black IPA que foi muito bem recebida pelos hopheads. “Uma IPA escura, com lúpulos marcantes, mas que não deixou passar em branco os sabores dos maltes tostados e torrados. Essa união foi muito bem explorada na Black Elephant, que caiu no gosto do público. Só ouvi elogios a respeito dela”, conta Rodrigo.

6- A Experiência como Visitante
A organização e o atendimento durante o festival foram outros destaques positivos, segundo avalia o sommelier. “Impressionante um evento cervejeiro desse tamanho não ter filas em nenhum ponto, nem para pegar cervejas, nem para ir ao banheiro, nem para comer. Também havia muitos pontos gratuitos de água para beber e lavar o copo”, ressalta Rodrigo, elogiando a produção do evento. “Fica evidente que a organização se preocupou muito com o conforto dos visitantes.”

7- Um Ponto de Melhoria
Para o sommelier, porém, há um ponto de melhoria para o evento. “As informações do guia de rótulos que foi distribuído são excelentes, mas na minha opinião o formato de livreto dificulta um pouco o manuseio e a leitura durante um evento onde você fica a maior parte do tempo em pé e com uma das mãos ocupada. O guia poderia também ter uma versão digital para ser acessada por app”, salienta Rodrigo. “Isso não comprometeu a boa experiência dos visitantes neste ano, mas poderia melhorar”.

Visitantes fantasiados curtiram e
foram uma atração à parte

8- Festa Completa
Na avaliação do sommelier, o IPA Day Brasil ofereceu uma opção completa de entretenimento. “As cervejas são as estrelas da festa, mas o que está ao redor é muito importante. Os jogos disponíveis foram legais, as bandas foram muito boas, com variedade de repertório e qualidade no som. Na praça de food-trucks houve opções variadas, com preço justo, em uma quantidade compatível com o tamanho do evento. E os próprios visitantes fantasiados foram uma atração à parte. Foi realmente um festival completo”, detalha.

9- A Decepção
O rótulo Sabará, uma Sour IPA com jabuticaba da renomada cervejaria Colorado, não foi tão bem avaliado pelo sommelier. “Não havia defeitos, mas a cerveja estava neutra, sem variedade de sabores e com baixa acidez para uma Sour. A jabuticaba ficou um pouco perdida, não mostrou a que veio. Para mim foi uma decepção em função da boa expectativa que sempre tenho sobre os rótulos da Colorado.”

10 – A Número Um
E, para finalizar, o sommelier avalia qual foi a melhor cerveja do festival: a Ano Um, uma colaborativa entre a Tarantino e a norte-americana Stone Brewing. É uma American IPA com coco e jambu que possui menos de 1 IBU. “Pode parecer incoerente, mas o amargor extremamente baixo faz toda a diferença nessa American IPA, dando espaço total para as notas frutadas (amareladas e cítricas) dos lúpulos, enriquecidas pelo dulçor amadeirado do coco e pelo herbal inusitado do jambu. A cerveja tem uma sutileza espetacular. Para mim foi a melhor do lineup deste ano do IPA Day Brasil”, conclui.

Estudo relaciona gastos em propaganda de cerveja com preferência entre adolescentes

Algo que pode até parecer óbvio para observadores atentos do universo cervejeiro foi, finalmente, comprovado cientificamente: um estudo da Universidade de Iowa (EUA) encontra uma relação direta entre valores investidos em propaganda por marcas de cerveja com sua popularidade e consumo entre adolescentes. Em outras palavras, a publicidade de cerveja não mira nos menores, mas os acerta em cheio.

Encabeçado pelo professor Douglas Gentile, da Iowa State University, e publicado pelo Addictive Behaviors Reports, o estudo é um dos primeiros a analisar a ligação entre investimento publicitário, consumo de álcool entre menores e reconhecimento de marca.

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A pesquisa mostra que o investimento em propaganda determina a porcentagem de adolescentes que afirmam ter ouvido falar, ter provado e preferido cada marca de cerveja. Além disso, aspectos ligados ao investimento publicitário demonstraram ter mais influência sobre a intenção de beber do que atributos como o comportamento dos pais e de amigos.

Para se ter uma ideia, 99% dos 1588 alunos do décimo segundo ano (equivalente ao segundo ano do Ensino Médio no Brasil, cursado aos 16 anos) entrevistados para o estudo já ouviram falar em Budweiser e em Bud Light, as marcas que mais investem em propaganda nos Estados Unidos. Enquanto isso, 44% afirmam já ter consumido essas marcas.

Mais da metade (55%), por sua vez, consumiram bebida alcoólica pelo menos uma vez nos últimos 12 meses, 31% beberam ao menos uma vez no último mês e 43% afirmaram já ter passado por algum episódio de consumo pesado de álcool. A média de idade dos participantes quando beberam pela primeira vez é de 13,4 anos.

Quando perguntados sobre os dois comerciais favoritos de TV, os relacionados a álcool foram os mais lembrados (32%), seguidos dos comerciais de bebidas não-alcoólicas (31%), moda (19%), veículos (14%) e esportes (9%).

Estratégias cognitivas
O professor responsável pela pesquisa afirma que as marcas anunciantes fazem uso de estratégias cognitivas com forte apelo entre os jovens, como humor, animações, vozes engraçadas e efeitos especiais.

“Não podemos afirmar a partir desse estudo que os anunciantes estão mirando especificamente na juventude, mas estão acertando-a”, explica Gentile. “Se analisarmos os comerciais de cerveja, veremos que estão usando os truques que sabemos que são eficientes para prender a atenção de crianças”.

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De fato, o estudo sugere que, por serem grandes consumidores de mídia, os adolescentes estão consequentemente mais expostos à publicidade. Por sua vez, a indústria da propaganda se apropria cada vez mais de narrativas para se comunicar de maneira mais persuasiva com consumidores.

“Espectadores ou leitores não estão pensando de maneira crítica quando recebem a mensagem”, detalha Kristi Costabile, professora de psicologia da universidade que assina o estudo com Gentile. “Pelo contrário: as audiências estão ficando imersas em histórias atraentes e se identificando com seus personagens, em um processo que os leva a, incondicionalmente, serem persuadidos pela mensagem da história.”

Exportação de cerveja cai em outubro e amplia tendência negativa em 2019

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Após quatro meses de alta, a exportação de cerveja brasileira voltou a reforçar a tendência negativa e registrou queda em outubro ao negociar US$ 7,04 milhões com o mercado internacional, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Isso representou uma redução de 14,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Com isso, ampliou os dados negativos do setor neste ano, reforçando o cenário de queda nos embarques registrados nos cinco primeiros meses de 2019.

No período de janeiro a outubro deste ano, a diminuição no valor da exportação de cerveja é de 9,4% na comparação com 2018, com US$ 60,82 milhões do produto nacional tendo sido negociados nesse período.

A redução também foi registrada no volume exportado em outubro. O país negociou 11,92 mil toneladas de cerveja com o mercado externo, uma queda de 9,4% no comparativo com o décimo mês de 2018. E também há baixa no acumulado do ano, em 10,6%, com 92.588,73 t.

Com essa tendência negativa, a cerveja é responsável por apenas 0,03% das exportações brasileiras de janeiro a outubro de 2019, ocupando a 188ª posição entre os produtos negociados pelo país ao exterior, uma colocação abaixo da que estava em setembro.

Os principais destinos da cerveja brasileira continuaram sendo países da América do Sul, especialmente o Paraguai, com 82%. Bolívia (9,8%), Uruguai (3,9%) e Argentina (0,67%) são outros países com compra relevante do produto.

Dos quatro principais importadores da cerveja brasileira, apenas o Paraguai aumentou a sua compra, com variação positiva de 5,5%. Já Bolívia, Uruguai e Argentina reduziram suas aquisições em 18,9%, 33,7% e 94,7%, respectivamente.

Os maiores estados exportadores de cerveja foram São Paulo, com participação de 72,7%, Paraná, com 21,3%, Rio Grande do Sul, com 3,50%, e Mato Grosso, com 0,93%.

Menu degustação: Celebração gratuita de Mônaco, Gaarden, nova Bodebrown…

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Cerveja gratuita de Mônaco
A Cervejaria Nacional se juntou ao escritório de turismo de Mônaco para celebrar o Dia Nacional do país com 120 litros de chope gratuitos. Na próxima terça-feira, quando se celebra o Mônaco Day, os clientes da Cervejaria Nacional que experimentarem a Principado e a divulgarem em suas redes sociais ganharão mais um chope de 570ml (limite de um por pessoa). A Principado é uma Saison com leve base caramelada, de coloração avermelhada e colarinho bege. Teve um ano de maturação, contendo doçura do malte que remete ao toffee. Já o frutado ficou mais intenso e remete a frutas maduras, como ameixa, e o cardamomo trouxe refrescância.

Curso técnico em cerveja
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) lançou o edital para o processo seletivo do Curso Técnico em Cervejaria, na modalidade subsequente ao Ensino Médio, ofertado pelo Campus Sertãozinho. São 40 vagas para ingresso no primeiro semestre de 2020, com aulas no período noturno. As inscrições podem ser realizadas até 5 de dezembro no portal da entidade e a seleção será feita por meio de análise do histórico escolar. O curso capacita profissionais para coordenar atividades de produção de cervejas; aquisição e manutenção de equipamentos; desenvolver técnicas mercadológicas de produtos e insumos para a indústria cervejeira; e promover a inovação tecnológica.

Linalol da Bodebrown
A Bodebrown aproveitou mais duas edições do seu Growler Day, ocorridas na quinta-feira e no sábado, para lançar a Lupulol IPA Linalol. Esse rótulo compõe a série Lupulol Series, com cervejas que destacam o lúpulo como principal ingrediente. A nova receita recebeu 30g/L de lúpulo em triplo dry hopping e conta com Linalol, componente de óleos essenciais em espécies de plantas aromáticas. Tem teor alcoólico de 6,1%, com médio amargor, aromas frutados e notas florais e cítricas.

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Agenda: The Gaarden
A Hoegaarden promoverá no próximo sábado a quarta edição do The Gaarden, no Parque Burle Marx, com a reprodução dos tradicionais jardins belgas. O evento contará com área gastronômica, feira especial, espaço para piquenique, bandas e DJs. O cardápio ainda terá drinks feitos com a Witbier da Hoegaarden. “Atendendo aos pedidos do público, anunciamos mais uma edição do The Gaarden, um evento idealizado para as pessoas esquecerem suas preocupações e aproveitarem a natureza mesmo em uma cidade grande. Por isso, convidamos os paulistanos a curtirem essa tarde com a gente e, mais uma vez, entrarem no universo de Hoegaarden”, conta Thiago Leitão, gerente de marketing da Hoegaarden.

Após se consolidar em Ribeirão, IPA Day Brasil mira expansão nacional

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Milhares de amantes de lúpulos se reúnem neste final de semana, em Ribeirão Preto, para uma verdadeira ode à India Pale Ale (IPA). É quando ocorre o tradicional IPA Day Brasil, um dos maiores festivais dedicados ao estilo no mundo e que, a partir deste ano, tem pretensões de chegar a outros grandes centros cervejeiros brasileiros.

Idealizado por funcionários da então independente Colorado em 2012, quando fizeram uma primeira edição no próprio galpão da cervejaria, o evento se fortaleceu ao longo dos anos e passou a ser organizado por dois egressos da marca.

Um deles é João Becker, cervejeiro caseiro que foi convidado em 2011 a fazer parte da equipe da Colorado depois que uma de suas receitas, uma Ginger Ale, se destacou pela qualidade. Na mesma época, o outro “pai” do IPA Day, o sommelier e designer pós-graduado em marketing Rafa Moschetta, assumia a gerência de marketing da companhia.

“O primeiro evento, em 2012, foi uma grande surpresa. As IPAs ainda não eram a febre que se tornaram no mercado cervejeiro e, mesmo assim, tivemos uma adesão incrível pelo tamanho do evento que pensamos. Já tínhamos uma boa massa crítica de hopheads que foi aumentando ao longo dos anos”, conta Moschetta ao Guia.

Atualmente, além de tocar o festival, a dupla de cervejeiros tem um brewpub temático em Ribeirão chamado Weird Barrel Brewing Co., com foco na produção de Ales inusitadas.

Paixão nacional
Uma multidão de cervejeiros país afora nutre uma verdadeira adoração pela IPA. É uma demanda que acompanha o mercado norte-americano, onde se tornou muito popular. “Existem IPAs nacionais bem acima da média das IPAs norte-americanas, que são as referências. E isso mesmo com o desafio das matérias-primas, custos e equipamentos”, elogia Moschetta, salientando a força do mercado nacional.

“A dificuldade da cadeia logística para levar o produto mais fresco ao consumidor é enorme, e isso talvez demore para ser resolvido. Mas temos muitos brewpubs e mesmo cervejas em lata ou garrafa que, mesmo com esse cenário, se destacam”, acrescenta o especialista.

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Hoje existem muitas variações do estilo, originalmente surgido na Inglaterra no século 16. As tradicionais, portanto, são as inglesas, mas as mais populares são norte-americanas, além de vertentes alemãs e belgas – Session IPA, Black IPA, Double IPA, Brut IPA, West Coast IPA, New England IPA são algumas dessas variantes. 

Mas, seja qual for ela, uma cerveja no estilo deve ter como protagonista o lúpulo. Por isso, ao longo do tempo, os fãs de IPA ganharam apelidos “carinhosos” no meio cervejeiro, como hoplovers (amantes de lúpulo), hopheads (cabeças de lúpulo) e hophunters (caçadores de lúpulos).

Novidades e expansão
A edição de 2019 do IPA Day Brasil começou nesta sexta-feira com atividades no hotel oficial do evento (apelidado de Casa da IPA), encontros cervejeiros e visitas guiadas a quatro bares de marcas locais. Já no sábado acontece o festival e, no domingo, um almoço de despedida com porco no rolete. Muitos bares locais também participam com promoções especiais para os visitantes.

Neste ano, o festival contará com 40 rótulos de IPA feitos por 27 cervejarias diferentes, como Bodebrown, Dogma, Dortmund Bier, Goose Island, Invicta, Juan Caloto, St.Patrick´s Beer, Tarantino, Avós e Molinarius, entre outras. E a diversidade de sabores é grande: há desde receitas bem tradicionais até inusitadas, com algas marinhas, gengibre e jabuticaba, além de 10 rótulos inéditos.

“Nosso objetivo todos os anos é promover diversão e cultura cervejeira. Os hopheads são fanáticos por novidades e sempre buscamos surpreender. Este ano, além dos 40 rótulos de IPA, muitos exclusivos e colaborativas inéditas, teremos novas opções de gastronomia e de bandas. Também queremos surpreender com jogos temáticos”, revela Moschetta.

Outra novidade do evento é um desafio premiado para quem mostrar que é fã do festival. “Quem fizer uma tatuagem do logo do evento durante a festa, entrará gratuitamente no IPA Day Brasil para sempre. Temos 23 interessados cadastrados”, detalha o organizador da festa.

Rafa Moschetta, co-idealizador do IPA Day Brasil

Os organizadores, porém, não pretendem que o evento de Ribeirão Preto cresça em número de participantes para não comprometer a experiência dos visitantes. “Hoje entendemos que o tamanho do IPA Day em Ribeirão Preto é o ideal. São duas mil pessoas atendidas com conforto e em um ambiente ótimo, climatizado”, explica Moschetta.

Assim, o objetivo é aumentar a quantidade de festivais espalhados pelo país. Neste ano, por exemplo, já houve uma primeira edição do IPA Day na cidade de São Paulo e, segundo a organização, para 2020, estão programadas uma segunda edição paulistana, em 28 de março, e uma gaúcha, em Porto Alegre, em 15 de maio.

“Queremos apresentar eventos únicos em cada uma das cidades. Os IPA Days regionais incorporam características locais para apresentar conceitos próprios. Nosso objetivo principal continua o de sempre: crescer com sustentabilidade, fazendo eventos de qualidade tanto em relação ao lineup de cervejas, quanto no ambiente e atrações”, finaliza Moschetta.

Balcão da Matisse: A vila no inconsciente coletivo e a Vila Cervejeira de Niterói

Balcão da Matisse: A vila no inconsciente coletivo e a Vila Cervejeira de Niterói

Algumas palavras carregam um conceito tão forte que são capazes de despertar sentimentos comuns a todos os seres humanos. O psiquiatra suíço Carl Gustav Jung diria que são arquétipos instalados na camada mais profunda da nossa psique, constituídos pelos materiais que foram herdados ao longo da evolução da espécie, portanto comuns a todos nós, formando o que Jung chamou de inconsciente coletivo.

A palavra vila parece ser um desses arquétipos. Ao contemplarmos o quadro acima, uma pintura holandesa do século XVI (Village Fair), percebemos que o conceito de vila transmitido pelo pintor não difere do nosso.

Mesmo sendo outra cultura e outra época, “vila” nos parece trazer o mesmo significado, um misto entre lazer, trabalho, convívio, cotidiano e festa. Sentimentos tão complexos que só poderiam ser completamente explicados por uma imagem produzida pelas mãos do artista.

Em Niterói, um grupo de empresários, a maioria ligada à produção de cerveja artesanal, acabou, meio que por acaso, dando vida a esse conceito de vila quando transformou o local de trabalho no dia a dia em um espaço de convívio aberto ao público. A cada 15 dias – sábado sim, sábado não -, o ambiente rústico e industrial compartilhado por essas empresas sofre uma transformação e dá lugar à Vila Cervejeira de Niterói.

As portas são abertas, os barris são plugados, mesas são colocadas na rua interna do condomínio e uma banda anima a vila tocando preferencialmente rock and roll. Um pula-pula e o espaço amplo convida a criançada a deixar de lado o celular por um momento e a praticar com os coleguinhas aquelas brincadeiras antigas de pular e correr.

Familiares e amigos podem se sentar juntos para conversar e, ao mesmo tempo, estar ao lado de outros grupos interagindo em uma comunidade que se forma ao acaso e parece que sempre esteve ali, como se fosse a vila onde vivemos.

E, nos dias 14 e 15 de dezembro, a Vila Cervejeira viverá um momento especial, como aqueles dias de festa do padroeiro, pois será um dos palcos da Niterói Beatleweek, festival de tributo aos Beatles que acontece em todo o mundo e agora chega à sua terceira edição em Niterói.

O endereço da Vila Cervejeira de Niterói é Rua Professor Heitor Carrilho, 250, no centro – mesmo local onde funciona a associação dos jornaleiros. Fique de olho no Instagram e Facebook da @vilacervejeira para ver a programação.


Mario Jorge Lima é engenheiro químico e sócio-fundador da Cervejaria Matisse