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Entrevista: Lagunitas fala sobre seus planos após chegada ao mercado brasileiro

Mais associado com microcervejarias locais, o setor de artesanais também tem as suas “gigantes”. Uma delas é a  Lagunitas Brewing Company, criada em Petaluma, na Califórnia, que garante ter a IPA mais vendida no mundo e agora está disponível no Brasil, nas regiões Sul e Sudeste, sob a expectativa de causar grande impacto no mercado e valorizar as especificidades locais.

A expansão da marca norte-americana para o país se deu a partir de uma percepção sobre o setor. Adquirida pelo Grupo Heineken em processo iniciado em 2015 e concluído em 2017, a Lagunitas chega ao Brasil como parte de um processo de expansão no mercado internacional e que está em consonância com o crescimento do setor de cervejas artesanais no país.

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Para causar impacto nesse mercado em expansão, a Lagunitas promete estar conectada com valores comunitários, apoiando artistas locais e independentes e associações que cuidam do bem-estar de cães abandonados, enquanto os seus rótulos estarão sendo inicialmente produzidos em Blumenau e consumidos em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além da cidade do interior catarinense.

Confira, a seguir, esses e outros planos da marca norte-americana em sua chegada ao país na entrevista de Renata Costa, gerente de marketing da Lagunitas no Brasil.

O que levou a Heineken a trazer a Lagunitas ao Brasil? E por que ela veio precisamente neste momento?
Em 2015, o Grupo Heineken adquiriu a participação de 50% da Lagunitas Brewing Company. Dois anos depois, em 2017, o grupo comprou a outra fatia da marca. A aquisição da Lagunitas está alinhada com a estratégia do grupo de produzir a melhor IPA, além do objetivo de desenvolver outros mercados internacionais. Visto que o mercado de cervejas crafts no Brasil aumenta a cada ano, com um crescimento de volume de 45% em 2018, entendemos que este seria um importante cenário para apresentarmos uma cerveja artesanal reconhecida por sua alta qualidade.

Como a chegada da marca no Brasil se interliga com o posicionamento da Lagunitas no restante do mundo?
A Lagunitas representa a escola cervejeira norte-americana, sendo a primeira marca internacional de cerveja artesanal do portfólio do grupo (Heineken). Com sólida reputação internacional entre a comunidade global cervejeira, a marca Lagunitas chega ao Brasil. Assim como em outros países, a marca não só apresentará cervejas de alta qualidade, mas seguirá também com o seu DNA de seguir fortes valores comunitários, apoiando artistas locais e independentes e associações que cuidam do bem-estar de cães abandonados. 

De maneira geral, quais as principais dificuldades que a Lagunitas deve enfrentar para se consolidar no mercado brasileiro de cervejas? O que esperam encontrar de especificidades que não existem em outros países?
Chegar em um novo mercado sempre é desafiador e conquistar o paladar do consumidor é uma das tarefas mais árduas, uma vez que boa parte dos cervejeiros procuram produtos com alta qualidade. Por isso optamos por nossa IPA ser produzida localmente, sob a supervisão da Lagunitas Brewing Company. Escolhemos a fábrica de Blumenau para garantirmos a qualidade e frescor pela qual a marca é conhecida mundialmente. Dentro deste cenário, as expectativas são as mais altas possíveis, ainda mais quando enxergamos o mercado de cerveja artesanal no Brasil em plena expansão. Esse cenário positivo nos deixa otimistas e com boas perspectivas de continuidade nesse crescimento, principalmente com o início da produção da Lagunitas no país.   

A Lagunitas é apontada como a IPA mais vendida no mundo e, ao mesmo tempo, boa parte do consumidor brasileiro ainda é atrelado às Pilsens. Em meio a esse cenário, qual o lugar da Lagunitas? Chega para dialogar com o beer geek ou para ajudar na “transição” desse consumidor mais tradicional?
Neste primeiro momento da marca no Brasil, a Lagunitas estará disponível apenas em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Blumenau. Essas áreas representam cerca de 40% do mercado total de cervejas artesanais, onde o público é bastante aberto para conhecer novos rótulos e desbravar novos sabores. Notamos que tanto os consumidores tradicionais quanto os beer geeks, seja de qual for a classe econômica, procuram cada vez mais qualidade do que quantidade. Neste ponto, nosso objetivo é atingir diferentes públicos, sejam eles beer geeks ou consumidores tradicionais, que procuram degustar cervejas de qualidade.

E, nessa mesma linha, qual o lugar da Lagunitas dentro do portfólio da Heineken brasileira, pensando que a marca já detém nomes como Eisenbahn e Baden Baden?
Nossa estratégia, tanto aqui no Brasil quanto no restante do mundo, é de ser líder indiscutível em cervejas artesanais, fornecendo cervejas de alta qualidade, com o DNA das principais escolas cervejeiras (Alemanha, Bélgica e EUA – berço de Lagunitas). Dessa forma, além de conseguirmos oferecer diferentes opções de preços e sabores, atingimos o maior número de consumidores. A Lagunitas é a primeira marca do portfólio do grupo que segue a escola cervejeira norte-americana. Além disso, é a única cerveja não pasteurizada de todo o portfólio, usando a cadeia refrigerada da cervejaria até o PDV.

Qual é o “mapa” da produção da Lagunitas no Brasil? Quantos litros serão produzidos, onde será distribuída?
A Lagunitas é produzida em Blumenau (SC), e em 2019 estará disponível nos estados de SP, SC, MG e RJ, em redes como Pão de Açúcar, Verdemar, Angeloni e nos principais bares craft das capitais.

Flamengo x Grêmio: Brahma faz parceria com 2 bares para oferecer Open VAR

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Flamengo e Grêmio duelam nesta quarta-feira pela semifinal da Copa Libertadores, no Maracanã, em uma partida cercada por grandes expectativas. De um lado tem-se o português Jorge Jesus e seus comandados, que hoje praticam o futebol mais empolgante do país. De outro, Renato Gaúcho e “seus blue caps”, uma união que formou uma das equipes mais sólidas – e ofensivas – dos últimos anos. E, independentemente de quem se classifique para enfrentar o River Plate na final, o torcedor já tem o que comemorar.

Em uma campanha inédita e divertida, a Brahma promete fazer um Open VAR em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Ou seja, cada vez que o árbitro de vídeo for acionado, no que é hoje um dos momentos mais tensos do futebol, um bar em cada capital dará Brahma grátis enquanto durar a paralisação do juiz.

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No Rio de Janeiro, que receberá o duelo desta quarta, após empate por 1 a 1 no jogo de ida, o Open VAR será no Bigorrilho, no Leblon. E, em Porto Alegre, a promoção ocorre no Kiosque Bar, na Cidade Baixa.

“É por causa da paixão dos torcedores por seus clubes que o futebol se tornou um patrimônio nacional. E, como a cerveja que sempre esteve ao lado do torcedor, queremos fazer desse momento durante um dos jogos mais importantes do ano algo especial e inesquecível”, afirma Gustavo Tavares, gerente de marketing esportivo da Ambev.

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A Brahma tem contrato de patrocínio tanto com Flamengo quanto com Grêmio. Além de oferecer gratuitamente as latas durante uma eventual paralisação do VAR, a marca disponibilizará água para “garantir a hidratação e o equilíbrio no consumo”.

Guerra do milho: AB InBev acusa MillerCoors de roubar fórmula da Bud Light

As disputas judiciais envolvendo a guerra do xarope do milho que desde fevereiro envolvem as gigantes AB InBev e MillerCoors ganham, a cada novo episódio nos Estados Unidos, ares de dramalhão hollywoodiano – ou, quem sabe, mexicano. A nova reviravolta na trama iniciada com as provocações nos intervalos do Super Bowl se dá com a acusação da AB InBev contra a MillerCoors de ter roubado fórmulas secretas de duas de suas cervejas, Bud Light e Michelob Ultra.

Em mais uma fase de alegações do processo, a líder mundial no mercado de cervejas argumenta que um funcionário (agora ex-funcionário) de sua fábrica em Cartersville, no estado da Georgia, teria compartilhado por mensagens com um quadro da Miller (que também já trabalhou na AB Inbev) as receitas e o “manual de instruções” da produção de ambos os rótulos.

O tal roubo de informações teria, segundo a companhia, acontecido a pedido de altos executivos da Miller. O objetivo seria vasculhar os ingredientes e os processos da companhia em busca de argumentos para uma possível campanha de retaliação.

“Eu já recebi alguma ligações de pessoas da companhia perguntando sobre a Bud Light. Nós devemos preparar uma retaliação “, disse o funcionário da Miller envolvido na troca de mensagens que consta no processo. Essa mensagem teria sido enviada no dia 4 de fevereiro, dia seguinte ao Super Bowl, a aguarda final do futebol americano de 2019.

Já a Miller divulgou, na semana passada, nota em que questiona a legitimidade da preocupação da AB com o segredo de suas fórmulas. “A MillerCoors respeita informações confidenciais e leva a sério todas as alegações do contrário. Mas, se os ingredientes são secretos, por que eles gastaram milhões de dólares contando para o mundo inteiro o que tem na Bud Light? E por que os ingredientes estão estampados em letras gigantes nas suas embalagens?”.

Guerra do milho
A chamada guerra do xarope de milho começou quando a AB InBev insinuou em seus comerciais no Superbowl – o evento de maior audiência na TV norte-americana – que as cervejas da rival usavam xarope de milho de alta frutose.

O vídeo se passa na Idade Média, e um carregamento do produto que teria como destino o “castelo” da Miller é entregue ao “castelo” da Bud Light por engano.

Leia também: AB InBev perde batalha contra a MillerCoors na “guerra do xarope de milho”

A provocação deu origem a uma ação judicial, em que a MillerCoors alega que o filme e a campanha tinham o objetivo de influenciar o consumidor a acreditar que suas marcas continham o adoçante de alta frutose – muito questionado no mercado – em vez do simples xarope de milho, este amplamente usado por cervejarias.

Um dos resultados da batalha até agora foi a “condenação” da AB InBev a se desfazer de todas as embalagens que reforcem que seus produtos não contém xarope de milho. Mas, pelo visto, esse não será o último episódio. Aguardemos os próximos.

Beer Business abre cursos para potencializar negócios de ciganas e brewpubs

Um recente estudo divulgado pelo Sebrae e pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) revelou que apenas 28% das cervejarias independentes nacionais tiveram lucro até maio deste ano. E uma série de cursos que serão realizados pela Beer Business prometem atuar justamente para melhorar esse cenário.

Leia também: Só 9% das artesanais tiveram prejuízo em 2018, mas poucas lucram em 2019

Consultoria especializada em negócios do setor, com sede em Porto Alegre, a Beer Business abrirá turmas para o curso de Plano de Negócios para Cervejaria Cigana e Brewpub: Planejamento e Operação, nas cidades de São Paulo, Florianópolis e Porto Alegre.

Na capital paulista, o curso ocorrerá em 26 e 27 de outubro, no Hotel Mercure Alamedas. Depois, em 9 de novembro, as aulas serão em Florianópolis, na Fábrica Working Bar, e em Porto Alegre, na WE Brew Shop, mesmo local que receberá a última turma do ano de Plano Mestre para Microcervejaria, em 23 de novembro.

“Frequentemente se fala nos noticiários sobre a forte expansão do mercado de cervejas artesanais no Brasil. Contudo, existe também um número considerável de microcervejarias que estão fechando e, isso, se justifica pela falta de entendimento de nicho de mercado no começo do processo”, aponta a Beer Business, para depois concluir.

“Entender que precisa se empreender para o mercado, e não para o gosto pessoal de cerveja, é uma das grandes dificuldades do setor. O curso de Plano de Negócios para Cervejaria Cigana busca ajudar o cervejeiro a construir seu próprio negócio pensando na viabilidade da cervejaria. Aprendendo sobre os aspectos operacionais, comerciais e financeiros, bem como de conceitos técnicos para a terceirização da produção”, complementa a consultoria.

Os instrutores do curso serão Edmundo Albers, mestre-cervejeiro diplomado na Universidade Técnica de Munique e  vice-presidente de Supply Chain da Heineken Brasil, entre 2007 e 2011; Taline Mendes, consultora em Identidade Empresarial e Gestão de Negócios de Alimentos e Bebidas e especialista em Gestão e Gastronomia pela Unisinos; e Filipe Bortolini, sócio da Arnesto Brewery Cave – Microcervejaria Cigana e Brewpub e mestre em Engenharia de Produção e Sistemas pela Unisinos.

Para mais informações, acesse o site da Beer Business.

Exportação de cerveja cresce pelo 4º mês seguido, mas segue negativa no ano

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A exportação de cerveja brasileira registrou crescimento pelo 4º mês consecutivo ao negociar US$ 6,01 milhões com o mercado internacional em setembro, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Isso representou um aumento de 18,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Mas os dados negativos dos primeiros cinco meses de 2019 ainda impedem a recuperação plena do setor neste ano.

Somados os nove primeiros meses de 2019, a diminuição da exportação de cerveja é de 8,6% na comparação com 2018, com US$ 53,78 milhões do produto nacional tendo sido negociados nesse período.

A recuperação pelo 4º mês seguido também é verificada pelo volume exportado em setembro. O país negociou 9,77 mil toneladas de cerveja com o mercado externo, um aumento de 15,3% no comparativo com o nono mês de 2018. Mas a queda se mantém no acumulado do ano, em 10,8%, com 80.672,24 t.

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Com esses números, a cerveja é responsável por apenas 0,03% das exportações brasileiras de janeiro a setembro de 2019, ocupando a 187ª posição entre os produtos negociados pelo país ao exterior, mesmo colocação que estava em agosto.

Os principais destinos da cerveja brasileira continuaram sendo países da América do Sul, especialmente o Paraguai, com 82%. Bolívia (10%), Uruguai (3,7%) e Argentina (0,65%) são outros países com exportação relevante do produto.

Dos quatro principais importadores da cerveja brasileira, apenas o Paraguai aumentou a sua compra, com variação positiva de 9%. Já Bolívia, Uruguai e Argentina reduziram suas aquisições em 19,9%, 33,5% e 95,4%, respectivamente.

Já os maiores estados exportadores de cerveja foram São Paulo, com participação de 74,5%, Paraná, com 20,1%, Rio Grande do Sul, com 3,03%, e Mato Grosso, com 0,84%.

Menu degustação: Inauguração da Kinke, cervejaria surfista, Rota Ribeirão…

Cervejaria surfista
A cervejaria Locals Only Brewing Co. lançou os seus rótulos em São Paulo na última sexta-feira. Tendo o lema “making beers and breaking boards”, a marca de São Carlos (SP) busca valorizar a cultura local aliada ao amor dos sócios pelo surfe e pelo skate. Os rótulos da cervejaria surfista lançados foram a FlatDays, uma Summer Ale com 4,8% de álcool e dry hopping de Citra e Galaxy; a Hop Trippin, uma Session IPA com 3,7% de álcool e 35 IBUs, além de um combo dos lúpulos Mosaic Cryo e Citra; e uma New Zealand Juicy Strong Pale Ale, colaborativa com a Cervejaria Base que tem 5,8% de álcool, 45 IBUs e os lúpulos neozelandeses Moutere, Rakau, Wai-ti e Motueka.

Inauguração da Kinke
Com um evento aberto ao público no próximo sábado, a cervejaria Kinke será inaugurada em São Paulo, no bairro da Pompéia. Será um bar com uma fábrica ao fundo, responsável por alimentar as torneiras com 11 variedades da bebida. As cervejas são ultrafrescas, não pasteurizadas ou filtradas e ricas em aromas e sabores, sendo elas German Pils (Pilsen), American Heart Beat (IPL), Kakawapa (APA), Maverick (APA), Mandrágora (Lager com Zimbro e Gengibre), Velvet Lager (Vienna Lager), Twilight (Black IPA), Great Scott (Hefe Imperial IPA), Hell Bell (Red IPA), Should I Stay or Should I Go (Ne IPA) e Mango N°5 (Juice IPA). O nome Kinke é uma derivação da palavra “quinque”, que significa cinco em latim, e representa os cinco sócios.

Copa na Argentina
A Copa Cervezas de América estará de casa nova em 2020. Pela primeira vez, o  concurso deixará o Chile, sendo realizado em Mar del Plata, um dos polos de cerveja mais relevantes da Argentina. O concurso será realizado entre 31 de agosto e 6 de setembro do próximo ano.

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Cervejaria contra o óleo
A Corona, junto à Parley for the Oceans, vai realizar uma ação na próxima quinta-feira para ajudar na retirada do petróleo de três praias nordestinas afetadas pelo vazamento. O mutirão será conduzido junto a equipes de empresas parceiras convidadas pela marca na região e terá o apoio do Ibama.

Agenda I: Rota Ribeirão
O próximo sábado será de Rota da Cerveja Hop On – Hop Off em Ribeirão Preto, levando os cervejeiros da cidade e da região para a Invicta, Lund, Point SP 330, Toca do Urso (Cervejaria Colorado) e Walfänger. Na Invicta, os participantes vão poder degustar um chope de 300ml. Na Lund, serão dois chopes por participante. Na Point SP 330, os cervejeiros ganharão desconto de 25% na conta. Em Bonfim Paulista, na Walfänger, podem desfrutar um chope Pilsen de 300ml e um desconto de 10% na conta. Já a Toca do Urso, da Colorado, vai oferecer R$ 10 de crédito. Os ingressos para a rota em Ribeirão Preto custam R$ 50.

Agenda II: Brassagem no Johnny.C
O Johnny.C BBQ Burger Beer, bar localizado em Osasco (SP), contará no próximo sábado com uma brassagem da Three Hills, cervejaria de Ivan Tozzi, ganhador do reality show da Eisenbahn em 2017, e de Nathalie Velasques, sua sócia e beer sommelier. “Nossa ideia é trazer esse universo da produção da bebida para os nossos clientes e, além disso, o Ivan e a Nathalie estão desenvolvendo uma cerveja especial do tipo Witbier com as laranjas colhidas aqui do nosso quintal”, revela Marco Camargo, sócio do Johnny.C.

Agenda III: Halloween da StartUp
A StartUp Brewing realizará no próximo sábado uma festa de Halloween em Itupeva (SP), em evento que será no beer garden da fábrica. Serão 20 taps de chopes em sistema autosserviço, com defumados e assados do Carburadores e a apresentação da banda Viva a Noite.

Sinnatrah completa 10 anos formando mais de 5 mil cervejeiros em SP

Para quem conhece minimamente a pujança do setor cervejeiro e o mercado de artesanais como é hoje, pode até ser difícil imaginar ou relembrar como era dez anos atrás: poucos amadores se aventuravam em suas panelas, buscando absorver conhecimento acadêmico ou estrangeiro a respeito dessa arte. O Brasil tinha menos de 150 cervejarias (hoje são mais de mil) e falar em educação cervejeira parecia um delírio. Foi nesse ambiente que floresceu a Cervejaria Escola Sinnatrah, uma das mais tradicionais escolas cervejeiras da capital paulista, que completa uma década de atuação.

Os mais de cinco mil cervejeiros formados nesse período testemunharam um processo de amadurecimento constante. Mas a história começou cinco anos antes, em 2004, quando os hoje mestres-cervejeiros Rodrigo Louro e Alexandre Sigolo eram estudantes de bioquímica na Universidade de São Paulo (USP) e se apaixonaram pela ideia de fazer cerveja em casa.

Para isso, precisaram superar os desafios do seu tempo: não havia equipamentos e insumos facilmente disponíveis e a informação cervejeira era menos difundida. Mas, se valendo de seu sólido conhecimento científico, os dois encararam a missão e fizeram sua primeira cerveja, batizada de Sinnatrah, em homenagem ao gato de Rodrigo, que tinha o mesmo nome.

A partir de então, a dupla passou a ministrar cursos informais, com o intuito de ajudar outras pessoas a fazerem sua própria cerveja. E, ali, estava plantada a semente de uma das mais respeitadas escolas cervejeiras de São Paulo.

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Rodrigo e Alexandre passaram os anos posteriores se dedicando a estudar profundamente os processos, conceitos e ciência por trás da cerveja – hoje são doutores em bioquímica e colecionam títulos e certificações cervejeiras.

A Sinnatrah, então, se estabeleceu oficialmente e foi estruturada como escola no ano de 2009. A princípio, a empresa no bairro da Pompéia foi conduzida pela dupla, mas, três anos depois, ganhou um reforço: a sommelière e mestre em estilo Julia Reis se tornou sócia e foi responsável por agregar novas camadas de conhecimento aos cursos.

“Eu trabalhava no mercado corporativo na área de comunicação, marketing e treinamentos, mas fui aos poucos me afastando e entrando no mercado cervejeiro”, conta Julia ao Guia, destacando que hoje, além de sócia e professora no Sinnatrah, presta serviços de consultoria para eventos e cervejarias.

Em sua visão, a cerveja caseira desempenha um papel essencial na formação da cultura e do mercado cervejeiro brasileiro. “O homebrewer é muito importante para a cultura cervejeira de um país, até como fator de inovação, porque traz muitas ideias e experimentos para a indústria”, avalia Julia.

Expansão: cursos e espaços
Atualmente a Sinnatrah oferece uma grande variedade de cursos relacionados à cerveja. Além da formação básica na produção, a escola formatou cursos técnicos avançados, específicos sobre determinados temas – como lupulagem, fermentação, análise sensorial e off-flavours, entre outros.

Julia entende que a diversificação acontece como resposta às necessidades do setor. “Hoje temos um portfólio de cursos bem extenso, o que é uma demanda que mostra amadurecimento do mercado cervejeiro”, explica.

Mas, além de se posicionar como escola, a Sinnatrah faz questão de desempenhar um papel de facilitadora da cultura cervejeira. A sede da escola conta com um brew shop onde interessados podem buscar equipamentos e insumos. No entanto, a loja extrapola sua função comercial e funciona, na prática, como um local onde cervejeiros podem trocar experiências e encontrar auxílio.

“Muitos cervejeiros e profissionais começaram fazendo alguns de nossos cursos ou frequentando nosso espaço, trocando experiências em encontros na nossa sede. Temos orgulho de ter contribuído e continuar fomentando esse mercado, que amadurece a cada ano”, aponta Rodrigo Louro.

Os próximos passos da Sinnatrah incluem a elaboração de novos cursos e módulos, o que deve acontecer em breve. A escola também tem projetos para produzir pequenos lotes de rótulos colaborativos com cervejarias, com foco em experimentações.

Além do lado acadêmico, um novo espaço, chamado de Beer Laje, vai passar a receber encontros de cervejeiros caseiros e eventos de cervejarias. A inauguração acontece no próximo sábado, dia 26 de outubro, junto com a festa de aniversário de 10 anos da Sinnatrah, que deve contar com cervejarias parceiras como Mea Culpa, Juan Caloto, Tarantino e Unicorn, entre outras.

5 festivais cervejeiros até o fim de 2019

A proximidade do fim de 2019 também traz ao calendário algumas atrações interessantes ao fã de cerveja. Há desde festivais que já se vão tornando tradicionais no calendário do público, como o IPA Day Brasil, em Ribeirão Preto, e o Slow Brew, em São Paulo, como novas atrações, caso de um festival na capital paulista que unirá cerveja, churrasco e torresmo. Confira 5 festivais selecionados pelo Guia e escolha o seu preferido.

Festa de 10 anos da Sinnatrah
Pioneira no ensino cervejeiro em São Paulo, a Sinnatrah Cervejaria Escola vai celebrar os seus dez anos com uma festa em 26 de outubro. Haverá chopes de cervejarias parceiras com receitas assinadas pelos professores da escola, de cervejarias de ex-alunos e parceiros da casa. Estão confirmadas marcas como Mea Culpa, Tarantino e Dádiva. Além disso, será inaugurado um novo espaço para eventos e encontros cervejeiros – apelidado de “Beer Laje”, na própria sede da escola. Os ingressos pré-vendidos pelo site da escola custam entre R$ 50, R$ 70 e R$ 100, cada um incluindo uma quantidade pré-estabelecida de chopes para consumir no local. As bebidas adicionais serão vendidas a preço fixo de R$ 15 (copo 300ml). A festa vai ter música ao vivo e opções de comida.

Data: 26 de outubro
Local: Sede da Sinnatrah Cervejaria Escola – Avenida Pompeia, 2021 – São Paulo
Mais informações: http://sinnatrah.com.br/curso/?festa-de-10-anos-sinnatrah/

Festival de Churrasco + Festival de Cerveja Artesanal + Festival de Torresmo
Um festival em dose tripla em pleno Memorial da América Latina. Assim será o Festival de Churrasco + Festival de Cerveja Artesanal + Festival de Torresmo. O evento terá entrada grátis, com a presença de diversos rótulos de cerveja e muitas opções gastronômicas saborosas, além de atrações musicais.

Datas: 9 e 10 de novembro
Local: Memorial da América Latina – Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 – São Paulo
Mais informações: https://www.facebook.com/events/514796622638713/

Festival da Cerveja de Porto Alegre
Em sua terceira edição, o evento na capital gaúcha reunirá mais de 50 cervejarias, sendo 18 delas estreantes, além de diversas opções gastronômicas. Também estão agendados oito shows para os dois dias do festival, com Comunidade Nin-Jitsu e Acústicos & Valvulados fechando as noites. A entrada é gratuita.

Datas: 9 e 10 de novembro
Local: Shopping Total – Avenida Cristóvão Colombo, 545 – Porto Alegre
Mais informações: https://matinecervejeira.com.br/evento/festivaldacervejapoa/

IPA Day Brasil 2019
A oitava edição do evento em Ribeirão Preto reunirá cerca de 40 das principais IPAs brasileiras, com open bar, sendo acompanhadas por opções gastronômicas e musicais. O já tradicional festival será realizado em 16 de novembro, mas a partir do dia 14 a cidade do interior paulista contará com eventos paralelos. Os ingressos, no terceiro lote, estão sendo vendidos por R$ 210.

Data: 16 de novembro
Local: Espaço Quintalinda – Rodovia Anhanguera km 30 – Ribeirão Preto
Mais informações: https://www.sympla.com.br/ipa-day-brasil-2019__395009

Slow Brew
Um dos principais festivais brasileiros de cerveja, o Slow Brew reunirá mais de 70 cervejarias, com o público tendo direito à livre degustação. A organização do evento exige a presença dos mestres-cervejeiros, possibilitando uma interação direta entre público e marcas. Os ingressos do último lote saem por R$ 273,24 no boleto e R$ 297 no cartão de crédito. Para os participantes das edições anteriores, porém, há um desconto de 3%. E, para quem respondeu a uma pesquisa de satisfação, a promoção é de 6%.

Data: 7 de dezembro
Local: Centro de Eventos Pro Magno – Avenida Professora Ida Kolb, 513 – São Paulo
Mais informações: https://www.slowbrewbrasil.com.br/festival2019/

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Entrevista: A mitologia irlandesa e os segredos de uma marca novata e premiada

Unir precocidade com reconhecimento e boas histórias culturais. O fato é raro e dá um sinal claro do que a St. Patrick’s Beer, marca de Ipeúna (SP) que se inspira na mitologia irlandesa, tem alcançado já no primeiro ano de vida. Tendo feito a sua estreia em um evento do setor em março, no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau, e sido oficialmente lançada ao mercado em julho, a marca vem alcançando sucesso instantâneo.

Logo em seus primeiros meses, a St. Patrick’s Beer conquistou medalhas relevantes, como as de ouro com a sua American IPA na Copa Cerveja Brasil e no World Beer Awards, em Londres. A sua Acid Trip também foi reconhecida com a medalha de ouro na edição do Rio do Mondial de La Bière. E a Dry Stout levou o bronze na Copa Cervezas de Américas, no Chile.

O resultado é fruto do que Candy Nunes, embaixadora da St. Patrick’s Beer, define como humildade no processo de concepção dos rótulos, mas também de outros aspectos.

Afinal, a St. Patrick’s Beer surgiu e faz parte da Brew Center Cervejas Especiais, que levou o prêmio de melhor microcervejaria de 2019 da Copa Cerveja Brasil, um concurso organizado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o que significa o reconhecimento como melhor do setor no país.

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Além disso, Candy conta que a cervejaria se inspira na energia de alegria, celebração e sorte dos Leprechauns, figuras folclóricas da mitologia irlandesa, considerados guardiões de tesouros escondidos e detentores de moedas mágicas.

A lenda diz que esses seres de estatura diminuta vivem nas florestas, sempre vestidos com roupas verdes. E sua felicidade e sorte inspiraram os novos rótulos dessa cervejaria novata, já repaginados para que eles fossem incluídos com a intenção de ampliar essa ligação, exibida, inclusive, em uma série de vídeos.

A associação com uma lenda irlandesa, aliás, não foi à toa. Afinal, foi na celebração do dia de St. Patrick’s, padroeiro da Irlanda, que um dos sócios viveu um dia especial de celebração, comemoração e sorte. Agora, então, busca replicar essa energia na marca. E tem sido retribuído com as medalhas “trazidas” pelos Leprechauns.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Candy Nunes, embaixadora da St. Patrick’s Beer.

Candy Nunes, embaixadora da St. Patrick’s

Como foi sua trajetória até chegar ao universo das cervejas?
Eu sempre trabalhei com arte. Fiz faculdade de interpretação de artes cênicas na UFBA (Universidade Federal da Bahia) e depois vim com uma banda para São Paulo, para abrir um show do Ira!. Aqui fiquei e fiz uma banda, a Orgânica Rock. Fiquei com essa banda até 2011 e trabalhava na Secretaria de Cultura do Estado, no Departamento de Artes e Ciências Humanas. Fui uma das primeiras produtoras a fazer a Virada Cultural. Em 2014, comecei a estudar e a conhecer a cerveja, fiz cursos de sommelier, o curso avançado em tecnologias e o de mestre em estilos, começando a me envolver mais no mercado. Até que fui convidada para ser embaixadora da St. Patrick’s, que era uma marca que estava surgindo, ainda sem vida comercial. Me deparei, então, com um universo maravilhoso, onde não existia apenas a intenção de fazer cerveja, mas a intenção de fazer história, o que foi muito bacana. E eu me encaixei muito nesse papel.

Quando e como surgiu a St. Patrick’s?
A cervejaria Brew Center existe desde 2000. Tinha dois sócios, o Nirlei Baumgartner e seu primo. E durante muito tempo ficou produzindo um tipo de chope, até a sociedade se desfazer. O Nirlei decidiu, então, fazer o chope Vila Alemã, que hoje é o da casa da Brew Center, que é muito difundido no Brasil. A cervejaria começou a ganhar um caráter de qualidade e abriu para os ciganos produzirem com a gente. Ela investiu muito em qualidade pensando principalmente em tecnologia e no laboratório para controle de produção, para manter padrão, e isso ganhou o coração da Brew Center. Nesse ínterim, o Lucas, filho do Nirley e meu chefe, vinha com a ideia de ter uma cerveja artesanal própria. E demorou um tempo para conseguir junto ao INPI a liberação do nome, que tem tudo a ver com cerveja, sendo utilizado em bares e festas. No nosso caso, era específico para a marca de cerveja. Saiu a liberação e aí veio a linha de entrada que a gente tem, que é a Premium Lager, a Hoppy Lager a American IPA e a Irish Dry Stout.

Quando foi o lançamento oficial da cerveja e como está se dando a sua consolidação no mercado?
O lançamento para o público foi em Blumenau, no Festival (Brasileiro da Cerveja), em março. Foi a primeira vez que aparecemos para o público em um estande, com o chope. Depois, começou todo o trabalho para a gente entrar no mercado comercial. E aí veio a parceria com o grupo Multifoods, através da Multibeer, que é quem distribui a gente em todo o estado de São Paulo. E, recentemente, em setembro, começamos a ser distribuídos no Rio de Janeiro pela Premium Brands.

Qual o diferencial para vocês conquistarem tantos prêmios em tão pouco tempo?
Dedicação, amor e humildade marcam a nossa equipe, que é muito unida. Todos somos muito humildes no sentido literal da palavra, que é querer conhecer, querer saber. Ficamos muito atentos ao que os outros nos colocam. E tentamos absorver essas críticas de uma forma positiva e edificante. Desde as primeiras provas das cerveja, com a gente mesmo identificando possíveis off-flavors, a gente foi mudando. O Lucas e o Cauê, que são cervejeiros, foram mudando, até chegarmos em uma qualidade bacana para apresentar ao público. A gente tem duas premissas muito importantes: entregar um produto de excelência e ter um preço acessível.

Em relação aos prêmios, é literalmente merecimento. Pensando que a gente tem três meses de vida comercial e já soma cinco medalhas, a gente fica muito feliz, é um retorno grande do nosso esforço, de toda a equipe, passando por quem faz o café, pelo comercial, por mim, pelo Lucas, pelo cervejeiro, todos envolvidos. Cada um com o seu ponto, mas todos muito unidos.

Como fazer para ter uma cerveja com bom custo-benefício, sendo premiada e não tão cara em um mercado que ainda sofre com a questão dos preços?
Temos um ponto favorável que é ter a indústria, o que facilita em relação aos ciganos, que precisam pagar o aluguel. O equipamento já é da própria marca, o laboratório, os cervejeiros. Tudo isso facilita. Mas o que a gente pensa é em ganhar no volume. Quando pensamos no produto e no público final, o desejo é que o consumidor pegue o nosso six-pack e vá para casa. E não que pegue uma IPA de R$ 30 e mais um pack de uma mainstream. Queremos que pegue todas da cerveja que mais gosta – e que possa pagar por isso.

Mesmo com pouco tempo de mercado, vocês já fizeram algumas mudanças nos rótulos. Como seu deu isso e como foi a inserção dos Leprechauns em cada um deles?
Nossa ideia inicial era fazer com que os rótulos tivessem a característica do Pantone (escala de cores utilizada especialmente na indústria) da cor verde, que possui relação com o St. Patrick’s, só mudando o que estava escrito nos rótulos, a graduação da cor e o estilo. Mas a gente percebeu, depois que surgiu a (Irish) Car Bomb e a Acid Trip (lançadas no Mondial de la Bière Rio) que, junto do resto da linha, seria muito bacana pensar em um rótulo que tenha o Pantone diferenciado, com uma paleta de cores diferenciadas que remetam ao sensorial da cerveja, a seus aromas e sabores. Hoje você vê o rótulo da Car Bomb e sabe que é forte e pesada, com o dourado do uísque. A mesma coisa com a Acid Trip, que é prata com rosa. Você vê logo que é algo diferente, uma cerveja ácida. A gente vai fazer isso com todos os rótulos. E aí veio a ideia de fazer a carinha do personagem com uma sensação emocional em relação a cada rótulo. Na Car Bomb, por exemplo, ele está bêbado como um irlandês, enquanto na Acid Trip tem cara de quem teve uma “viagem”. E isso também vai ter nos outros rótulos.

Como surgiu a ideia de fazer uma série com o personagem e como isso será?
O Leprechaun é uma figura mítica irlandesa. Reza a lenda que quando o ser humano avistava o Leprechaun antes dele avistar o humano, o humano poderia ser conduzido por ele até o pote de ouro, até a fortuna, a sorte. Ele significa isso: o afortunado, o sortudo, de alguma forma, o merecedor, porque encontrar uma figura mítica em uma mata antes dele te ver é muita sorte. A gente tem feito essa brincadeira: que as nossas medalhas estão indo todas para o pote do Leprechaun. Nos nossos vídeos, a gente brinca com isso.

A série é uma forma divertida de a gente levar conteúdo para o público, através de um conteúdo que é uma viagem real. A gente vislumbrou essa ideia de que os Leprechauns invadem a Brew Center na calada da noite e fazem as poções cervejeiras quando não tem ninguém lá utilizando os insumos. No dia seguinte, as pessoas chegam para trabalhar e os tanques estão cheios de cervejas que eles não sabem quais são. Essa é a brincadeira. E a contrapartida para esses Leprechauns é colocá-los nos rótulos.

Para assistir ao primeiro vídeo da série, clique aqui

Censo: Só 9% das artesanais tiveram prejuízo em 2018, mas poucas lucram em 2019

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Dentre as cervejarias independentes brasileiras, 28% estão tendo lucro neste ano, enquanto uma parcela significativa, de 22%, revelaram ter prejuízo. É o que informa o 1º Censo das Cervejarias Independentes Brasileiras, divulgado nesta quarta-feira pelo Sebrae e pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

A interessante pesquisa, que traça o primeiro grande mapa da cerveja brasileira independente, foi realizada entre 07/04/2019 e 12/05/2019. O estudo contou com 486 respondentes, entre representantes de fábricas, marcas ciganas (que terceirizam a produção) e brewpubs.

Se 28% dos entrevistados disseram estar tendo lucro e 22% prejuízo até maio deste ano, 50% garantiram estar “empatando”, ou seja, não têm superávit ou déficit significativos, conforme descrição do estudo. Mas uma análise global da pesquisa demonstra que o entusiasmo envolvendo o mercado de artesanais tem, sim, razão de existir.

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Quando questionados sobre como foi o faturamento do seu negócio em 2018 na comparação com 2017, 61% dos entrevistados afirmaram que foi melhor. Já 30% declararam que “se mantiveram”, enquanto apenas 9% apontaram prejuízo.

O resultado parece ainda mais expressivo quando se coloca em perspectiva o difícil cenário conjuntural de 2018, emperrado por uma disputa eleitoral caótica e uma economia ainda morosa – o PIB teve crescimento de apenas 1,1% no ano passado e a produção industrial de bebidas alcoólicas recuou 1,4%.

Em 2019, por sua vez, a economia teve recessão de 0,1% no primeiro trimestre e crescimento de 0,4% no segundo. E a produção industrial de bebidas alcoólicas, depois de subir até maio, vem decaindo desde então.

“Esses resultados (do censo) também podem indicar um cenário mais difícil em 2019 (para as cervejas independentes)”, analisa o estudo do Sebrae e da Abracerva.

Projeções e empregos
Em relação às projeções para 2019, 34% das cervejarias pesquisadas calculam que vão faturar até R$ 180 mil, enquanto 17% esperam entre R$ 180 mil e R$ 360 mil. Ou seja, mais da metade – 51% – projetam até R$ 360 mil.

Já 14% calculam faturamento entre R$ 360 mil e R$ 720 mil, 13% entre R$ 720 mil e R$ 1,8 milhões, 6% entre R$ 1,8 milhões e R$ 3,6 milhões. Apenas 4%, por sua vez, esperam faturar acima de R$ 3,6 milhões, enquanto 11% preferiram não informar.

O censo da cerveja destaca, ainda, a quantidade de empregos gerados em cada fábrica: 19% trabalha sozinho, 57% possui entre 1 e 4 funcionários, 12% entre 5 e 9, 7% entre 10 e 19, 5% entre 20 e 49 e 1% acima de 50.

O estudo também informou que o enquadramento tributário que prevalece entre as cervejarias artesanais independentes é o Simples Nacional (82%). 

Outros itens
Além de levantar aspectos econômicos, o censo da cerveja traça um interessante mapa sobre o mercado de independentes. O estudo aponta, por exemplo, a dominância masculina no setor, com 89% dos cervejeiros sendo homens, contra 11% de mulheres. Já a idade média dos profissionais é de 39 anos, com alto grau de escolaridade.

Em relação aos estados, os que concentram o maior número de negócios são Rio Grande do Sul (20%), São Paulo (18%) e Minas Gerais (13%). Já 70% das marcas que fizeram parte da pesquisa têm de um a quatro anos de fundação, o que mostra um mercado bastante jovem.

Leia também: Chegamos a 1000 cervejarias no Brasil. E agora?

Quanto à fabricação da bebida, o tipo mais comum ainda é a produção em fábrica própria (67%). Em segundo lugar estão as ciganas (25%) e, por último, os brewpubs (8%).

“Para nós, enquanto associação, é essencial entender e conhecer o segmento para podermos direcionar as ações e incentivos em prol da maioria. Somente desta forma é possível mantermos um crescimento saudável do setor”, afirma Carlo Lapolli, presidente da Abracerva.