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Carlsberg e AB InBev se envolvem em casos de corrupção na Índia

A Índia está se revelando um “campo de batalha” hostil para grandes cervejarias globais. Nessa semana, duas delas – Carlsberg e AB InBev – receberam duros golpes na briga pelo mercado do segundo país mais populoso do mundo. Golpes esses que vêm em reação a suspeitas de má conduta adotadas por elas.

O jornal dinamarquês Berlingske revelou em reportagem que altos executivos da subsidiária indiana da Carlsberg, terceira maior cervejaria atuando na índia, teriam feito “pagamentos sistemáticos de propina para certos funcionários públicos”.

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Os pagamentos mensais tinham como objetivo usufruir de mais rapidez em processos regulatórios e influenciar em regulamentações de modo a beneficiar a Carlsberg indiana. O jornal alega ter registros de mais de 200 pagamentos feitos no período de 18 meses, entre 2015 e 2016.

A matriz da companhia dinamarquesa, em nota, afirmou que em 2017 já tinha tido contato com o assunto, quando um ex-funcionário teria afirmado possuir informações sobre o esquema e pediu US$ 2 milhões em chantagem para não revelar o caso à imprensa.

Segundo o porta voz da companhia, investigações internas não trouxeram evidências dos crimes. Agora, a Carlsberg vai pedir informações ao jornal para mais uma auditoria que possa revelar detalhes.

AB Inbev
No caso da AB Inbev, uma suspensão dos direitos de vender cerveja na capital Nova Déli, determinada pela justiça local em julho, foi reiterada nessa semana com a negação da apelação apresentada pela companhia.

A legislação de Nova Deli exige que as garrafas de cerveja tenham códigos de barras únicos, para que as autoridades sejam capazes de rastrear o pagamento ou não de impostos locais. Mas, em 2016, uma inspeção policial no varejo encontrou garrafas de marcas da SABMiller que, em tese, deveriam estar em armazéns da cervejaria.

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Meses depois, outra inspeção detectou garrafas com códigos de barra idênticos, o que teria configurado fraude fiscal. Como a marca foi comprada pela AB InBev naquele ano, o problema foi transferido para ela.

Além da derrota judicial, a multinacional pode responder também criminalmente pelo fato. Agora, a prefeitura da capital da Índia solicitou à polícia local investigações mais incisivas.

“Considerando a gravidade da ofensa, é de se esperar que uma punição mais dura e exemplar do que a suspensão se justifique nesse caso”, diz um documento enviado pelas autoridades locais à polícia no mês passado.

Balcão da Maria Bravura: Hildegard Von Bingen, a profetisa e bruxa do Reno

Balcão da Maria Bravura: Hildegard Von Bingen, a profetisa e bruxa do Reno

O mundo cervejeiro saúda Hildegard Von Bigen

Alguém aí já ouviu a respeito desta mulher? É a figura feminina mais poderosa da Baixa Idade Média. Hildegard Von Bingen, também conhecida como Sibila (palavra antiga para designar a mulher profetisa, bruxa e feiticeira) do Reno, foi a primeira feminista de todos os tempos. ‘Uma monja beneditina feminista? Tá de brincadeira?’. É verdade que esta palavra nem existia na época, mas quem liga? De fato, há feministas contemporâneas que a tomam como referência. O que ela produziu, enfrentou e legou a todos nós ultrapassam as fronteiras históricas, puritanas, religiosas e quaisquer preconceitos advindos da desigualdade de gêneros. E, sim, nós do mundo cervejeiro devemos um brinde a esta figura, pois um de seus legados foi especial e essencial para nós!

Nossa Sibila do Reino ficou assim conhecida porque foi às margens do rio Reno, na cidade de Bingen, que esta estudiosa alemã escreveu alguns de seus tratados científicos. Uma mulher de personalidade bastante estrondosa, mas, de fato, pouco conhecida pelo grande público moderno.

E por que, cargas d’água, falamos dela no meio cervejeiro? Porque, além de todos os seus feitos, como foi a primeira a descrever os efeitos das ervas medicinais, Hildegard tornou-se parte da lenda de criação da principal bebida alemã, a cerveja. Ela descobriu as propriedades do lúpulo, na mesma época em que a planta passou a ser utilizada para conservar a bebida, a qual compunha a alimentação nos mosteiros nas épocas de jejum.

Hildegard catalogou à beira do rio Reno milhares de ervas medicinais e seus efeitos – criando uma fonte de pesquisas usada até hoje. Sua história atrai muitos turistas interessados em seguir seus passos, inclusive ‘euzinha’ e, provavelmente, você também – tenho certeza de que até o final deste texto se convencerá do quão interessante é a história dela.

Embora o lúpulo tenha sido cultivado na Babilônia em 200 d.C., não há registro de seu uso para fazer cerveja até o século XI, quando os germânicos foram os primeiros a empregar o lúpulo na cerveja, conferindo as características básicas da bebida atual. O lúpulo era considerado uma erva com propriedades medicinais, usado como antibiótico e antiinflamatório.

Hildegard, em seu livro “Liber Subtilitatum Diversarum Naturarum Creaturarum” (Livro das Propriedades   ou Sutilezas   das Várias Criaturas da Natureza), de 1167, descreve cientificamente o lúpulo como uma planta excelente para a saúde física, além de muito útil como conservante para muitas bebidas. É atribuída a ela a primeira menção sobre as propriedades conservantes e aromatizantes do lúpulo sobre o “pão líquido”. Ela teria escrito em um dos seus textos: Se alguém pretende fazer cerveja com aveia, ela é preparada com lúpulo.

Foi ela quem trouxe à luz o conhecimento do lúpulo aplicado à cerveja e nós só temos a agradecer. Vale lembrar que naquele período histórico os europeus tinham por hábito adicionar à cerveja uma mistura de gengibre, especiarias, ervas, flores e frutas silvestres (chamada de Gruit), substituída pelos lúpulos.

Multifacetada
Hildegard conseguiu romper as barreiras e discriminações que sofriam as mulheres de seu tempo, principalmente as do meio religioso, tornando-se respeitada como uma autoridade em assuntos teológicos e exaltada por seus contemporâneos. Hoje é considerada uma das figuras mais singulares e importantes do século XII europeu e suas conquistas têm pouca concorrência, mesmo entre os homens mais ilustres e eruditos de sua geração.

Abaixo, listo algumas das realizações de Hildegard:

  • Construiu uma proximidade via cartas com papas, bispos, reis e imperadores e, se ela tivesse que reprovar alguma ideia ou atitude deles, o fazia sem pudores;
  • Foi a primeira de uma longa série de mulheres influentes, tanto na religião como na política, a ser uma representante típica da aristocracia cultural beneditina;
  • Foi poetisa e compositora talentosa, deixando obras excepcionais e originais;
  • Também fez muitas observações da natureza com uma objetividade científica até então desconhecida, especialmente sobre as plantas medicinais – incluindo o lúpulo -, compilando-as em tratados, onde abordou ainda vários temas ligados à medicina e ofereceu métodos de tratamento para várias doenças;
  • Escrevia em latim (lembrando que em seu tempo, mesmo as mulheres do clero, não eram incentivadas a estudar, tampouco escrever. Pelo contrário);
  • Enfrentou a resistência do clero e dos monges ao combater o abuso sexual sofrido por suas irmãs, quando decidiu restaurar e administrar outro mosteiro, levando diversas monjas – algumas delas lhe abandonaram;
  • Mesmo velha e muito doente (enfrentou enfermidades por toda a sua vida), viajou pela Alemanha e França a fim de pregar, um privilégio nunca outorgado a mulheres. Suas pregações eram audaciosas e veementes, denunciando os vícios do clero e combatendo as heresias;
  • Possuía uma forte tendência a analisar tudo sob uma perspectiva holística, onde muitos movimentos ecológicos, pacifistas e naturistas modernos se basearam;
  • Ela se recusava a ver a doença como um assunto exclusivamente de ordem física, fazendo constantes conexões entre os males que afligiam a alma e aqueles de que padecia o corpo;
  • Seu Livro das Propriedades   ou Sutilezas   das Várias Criaturas da Natureza foi o primeiro livro de ciência natural escrito no Sacro Império Romano-Germânico, influenciando fortemente o estudo da Botânica na Europa do norte até o século XVI;
  • Ofereceu instruções sobre higiene geral para as gestantes e mães com uma franqueza inédita em sua época; abordou a sexualidade e suas disfunções, provendo remédios para elas;
  • Analisou detalhadamente o desejo e o prazer, considerando o ato sexual e o prazer positivamente, comparando-os à música, e o corpo humano a um instrumento musical.

Santificada
Hildegard permaneceu sempre em atividade, escrevendo, debatendo com outros religiosos e atendendo à crescente multidão de pessoas que vinham à procura de seus conselhos e dos remédios que preparava.

O papa Bento XVI reafirmou oficialmente sua santidade e a proclamou Doutora da Igreja em 2012. Seu dia, comemorado no dia 17 de setembro – data de sua morte -, é festejado em muitas dioceses alemãs. E hoje, completam-se 840 anos da morte de Hildegard, a mulher mais poderosa da Baixa Idade Média! Já escolheu qual a cerveja lhe fará jus?

Recomendo: assistam ao filme Vision (Visão), que conta sua história. Um brinde à liberdade, ao respeito e aos direitos conquistados! Saúde!


Fernanda Pernitza é fundadora e sócia-proprietária da Maria Bravura Cervejas Especiais, beer sommelier e psicóloga

Exportação de cerveja amplia recuperação em agosto, mas mantém queda em 2019

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A exportação de cerveja brasileira registrou crescimento pelo terceiro mês consecutivo ao negociar US$ 5,46 milhões com o mercado internacional em agosto, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Isso representou um aumento de 6,7% na comparação com o mesmo período de 2018. Mas a recuperação ainda não consegue alterar o cenário de números negativos no ano.

Somados os oito primeiros meses de 2019, a diminuição da exportação de cerveja é expressiva, com US$ 47,77 milhões do produto nacional negociados, o que representa uma queda de 11,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Em termos de volume exportado, por sua vez, a recuperação também foi visível: o país negociou em agosto 8,58 mil toneladas de cerveja com o mercado externo, um aumento de 12,3% no comparativo com o oitavo mês de 2018. Mas a queda se mantém no acumulado do ano, em 13,5%, com 70.902,92 t.

Com esses números, a cerveja é responsável por apenas 0,03% das exportações brasileiras de janeiro a agosto de 2019, ocupando a 187ª posição entre os produtos negociados pelo país ao exterior, mesmo colocação que estava em julho.

Os principais destinos da cerveja brasileira continuaram sendo países da América do Sul, especialmente o Paraguai, com 83%. Bolívia (9,7%), Uruguai (3,4%) e Argentina (0,62%) são outros países com exportação relevante do produto.

Dos quatro principais importadores da cerveja brasileira, apenas o Paraguai aumentou a sua compra, com variação positiva de 7,9%. Já Bolívia, Uruguai e Argentina reduziram suas aquisições em 26,4%, 32,1% e 96,2%, respectivamente.

Os maiores estados exportadores de cerveja foram São Paulo, com participação de 75%, Paraná, com 19,8%, Rio Grande do Sul, com 2,61%, e Mato Grosso, com 0,95%.

Lagunitas chega ao país, reciclagem de vidro em Brasília: As novidades da semana

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A semana foi repleta de boas novidades para o cervejeiro, incluindo a chegada da renomada artesanal norte-americana Lagunitas ao Brasil, além de diversos lançamentos, como um rótulo sem álcool da Wäls. Já a Green Mining, expandindo o seu projeto de sustentabilidade, agora levou as ações de reciclagem de garrafas de vidro para a capital federal. Confira essas e outras novidades selecionadas pelo Guia.

Lagunitas no Brasil
Uma das principais marcas de cerveja artesanal do planeta, a Lagunitas Brewing Company, criada em Petaluma, na Califórnia, e que tem a IPA mais vendida do mundo, agora está disponível no mercado brasileiro após ser trazida pela Heineken, sendo fabricada em Blumenau. Inicialmente disponível no e-commerce do Grupo Pão de Açúcar, ela chegará na próxima semana aos principais bares de artesanais de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, nos formatos 355 ml e chope. A partir da segunda quinzena de outubro, a cerveja também poderá ser adquirida nas lojas físicas do Pão de Açúcar, além de grandes redes de supermercados em outros estados, como Angeloni (SC) e Verdemar (MG).

Reciclagem em Brasília
Em mais uma ação para ampliar a reciclagem de garrafas de vidro, a startup Green Mining, em parceria com a Ambev, inaugurou um hub de coleta em Brasília. Com o uso de tecnologia que permite identificar os locais de maior geração de resíduos pós-consumo, principalmente garrafas de vidros descartadas por bares, a startup busca coletar grande quantidade de recicláveis, com eficiência de custo, contratando cooperados ou catadores de rua que já trabalhavam com reciclagem de maneira informal. Já são 22 estabelecimentos no Distrito Federal que participam do projeto.

Leia também: Ação em Pinheiros expõe importância social da reciclagem de vidro

Lançamentos da Vórtex
A Vórtex Brewhouse, localizada na Chácara Santo Antônio, em São Paulo, lançou dois rótulos nos últimos dias. O primeiro foi a Huracán IPA em lata de 473ml. O rótulo é uma West Coast IPA com 6,9% de graduação alcoólica e 47 IBUs, com dry hopping do lúpulo El Dorado, gerando aroma que remete a maracujá e tangerina. A outra, disponibilizada em lata, é uma Black IPA com 7,3% de álcool colaborativa com o projeto do programa CMCH (Contando Música Contando Histórias), que dá nome ao rótulo, e a Rádio 89FM.

Hazy IPA da ZEV
A cervejaria ZEV, de Suzano (SP), lançou uma Hazy IPA com aveia, manga, maracujá e pistache, disponibilizada em chope. Segundo o fabricante, ela tem cor amarelo brilhante, aroma de manga e maracujá, dulçor leve de pistache, sendo aveludada, limpa e com o amargor do lúpulo no final. Tem 6,8% de graduação alcoólica e 60 IBUs.

Wäls sem álcool
A Wäls apresentou uma cerveja com 0,0% de teor alcoólico. É uma Session Citra sem álcool: a Session Free. A receita leva lúpulos citra, resultando em uma cerveja extremamente aromática. “A Wäls sempre foi reconhecida pela qualidade em suas receitas, tanto que somos uma das cervejarias mais premiadas do mundo. Ao lançar uma cerveja sem álcool, queremos surpreender e mostrar que o aroma e o sabor podem ser os mesmos de uma bebida tradicional, sem diminuir a diversão das pessoas. Não é o teor alcoólico que faz a qualidade da cerveja, mas sim a forma como ela é produzida. Isso sem falar do consumo consciente e da importância de mostrar para as pessoas que uma boa bebida sempre fica melhor se consumida de maneira consciente”, afirmou Arnaldo Garcia, gerente de marketing de Wäls.

Dogfight
A Dogfight é a nova artesanal cigana produzida em Ribeirão Preto. Com lúpulos selecionados, IBU e graduação alcoólica elevados em seu rótulo, a cervejaria diz se inspirar em grandes batalhas históricas, tendo o caça britânico Spitfire como principal ícone na logomarca. O primeiro lote está sendo distribuído em latas de 473 ml e chope em barris descartáveis. Além disso, é um produto não pasteurizado.

Brahma consciente
Em ação para promover o consumo responsável de álcool, a Brahma e a Cervejaria Ambev passaram a distribuir água gratuitamente em seus eventos patrocinados. A iniciativa começou na última sexta-feira, denominado Dia de Responsa, durante o Jaguariúna Rodeo Festival. A ação irá até o fim de 2019, com a cervejaria esperando impactar cerca de 300 mil pessoas com a iniciativa.

Autosserviço da Alles Blau
A Cervejaria Alles Blau, de Blumenau, criou uma estação de autosserviço de chope, que está instalada no CO.W Coworking, no bairro Brooklyn, em São Paulo. Basta adquirir o cartão, colocar crédito, inserir na máquina e retirar a bebida. O diferencial é que o consumidor tem a experiência de servir o seu próprio chope. O valor cobrado é de acordo com os mililitros que vão para o copo. São duas opções diferentes: Pilsen e um estilo especial, que mudará a cada mês – o do momento é o IPA.

Projeto musical da Bud
Ampliando a sua presença no universo musical, a Budweiser agora conta com seu próprio estúdio em São Paulo, o B-Side Studio. O primeiro trabalho realizado já foi lançado e tem a participação dos cantores Tássia Reis, Febem e Janine Mathias, na série Bowtie, na qual cada artista faz uma versão de uma música própria já existente. O resultado poder ser visto no canal do YouTube da cervejaria. E a cada semana uma nova série de conteúdos será lançada nessa plataforma.

Prêmio Beba Brasília
Criado em 2017, o Prêmio Beba Brasília vai realizar votação popular para definir os vencedores de nove categorias: Cervejaria mais conhecida / Top of Mind, Cervejaria Favorita do público, Rótulo/Cerveja Favorita do público, Bar Mais Frequentado / Top of Mind, Bar Favorito do público, Cervejaria Revelação, Bar Revelação, Loja de Insumos Cervejeiros Favorita do Público e Profissional cervejeiro do Ano. A eleição online começará no dia 1º, perdurando por todo o mês de outubro. Já os ganhadores serão conhecidos em evento marcado para 10 de novembro.

Agenda I: Circuito Stella
A nova edição do Circuito Stella ocorre nos meses de setembro e outubro, com receitas criadas por mais de 20 restaurantes, com menus completos, incluindo entrada, prato principal e sobremesa, além de uma cerveja gelada. Entre os restaurantes convidados, estão Le  Vin, Lima Cocina,  Ino Botafogo e Capricciosa, no Rio, Astoria, Capitão Leitão,  Ephigenia  Bistro e Paradiso, em Belo Horizonte,  Attimo per Quattro,  Così, Costa Nova e Arlete, em São Paulo, La Pasta Gialla, Marcolini, Veg e Lev e A Caiçara, em Curitiba, e Liv Lounge, Mercadito e Wine Garden, em Brasília. Os preços variam entre R$ 55 e R$ 110.

Agenda II: Festa da Suds
A festa de 2 anos da importadora Suds Insanity será no próximo domingo, em Curitiba, com 18 torneiras de chope, como Great Divide (Estados Unidos), Edge Brewing (Espanha) e Thornbridge (Inglaterrra), além de garrafas da cervejaria Nils Oscar (Suécia).

Após consolidar cena cervejeira, evento de Lisa Torrano mira gastronomia artesanal

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Quando a cena da cerveja artesanal de São Paulo ainda engatinhava, no ano de 2013, a chef e cervejeira Lisa Torrano idealizou e fez acontecer o Encontro Cerveja Artesanal Brasil, um evento que abriu as portas para diversos outros responsáveis pela constituição da cena paulistana como ela é hoje. A edição de 2019 do evento ocorre neste sábado, na Cervejaria Tarantino.

“O evento foi criado com o objetivo de aproximar o público consumidor de cerveja artesanal em São Paulo. Não havia nenhum evento de cerveja artesanal na cidade naquele ponto e chegamos para movimentar o mercado e apoiar a luta dos pequenos produtores versus as grandes multinacionais do setor, que naquela época dominavam ainda mais do que dominam hoje em dia”, conta Lisa.

Com o passar dos anos, o Encontro se tornou uma oportunidade para o público conhecer uma grande variedade de rótulos e cervejarias, de difícil acesso nos seus primeiros anos.

O evento enfrentou muitas dificuldades para se firmar no calendário paulistanos, mas hoje, chegando à sua oitava edição, ganhou corpo, se expandiu e é uma referência dentre os eventos nacionais. Em paralelo, Lisa também ganhou respeito e reconhecimento no meio cervejeiro.

“Evoluímos junto com o público. O artesanal hoje em dia significa cerveja, gin, uísque e gastronomia em geral. Por isso, nessa edição estamos acrescentando outras bebidas artesanais brasileiras além das cervejas”, afirma ela, sobre a diversidade do evento.

“A consciência do consumo se torna mais plural e acompanhamos e apoiamos este movimento”, acrescenta ela, que é proprietária do CASP (Cerveja Artesanal São Paulo), que fica na Vila Madalena.

Além do encontro, Lisa organiza o Festival Medieval São Paulo, um evento dedicado à cultura da idade média, e o Fogo Festival, dedicado ao churrasco. Aliás, essa é outra arte que Lisa domina: ela foi a vencedora do reality show BBQ Brasil 2018, do SBT.

O evento
Cerca de 700 pessoas são esperadas no Encontro Cerveja Artesanal São Paulo, que terá open bar de cervejas artesanais (pelo menos 20 cervejarias levarão mais de 55 rótulos de estilos variados) e outras bebidas artesanais.

Paralelamente ao encontro, o espaço da Tarantino recebe o Fogo Festival, onde chefs assadores, como Ceci Matias (vice-campeã do BBQ Brasil 2018), Arcy Vicente e Bruno Churrascarte, além da própria Lisa Torrano trazem cortes e técnicas variadas.

O evento acontece hoje, dia 14/09, das 14h às 20h na Cervejaria Tarantino, que fica na R. Miguel Nelson Bechara, 316 – Limão, São Paulo. Mais informações aqui.

Cultura urbana x modernidade: Homenagem da Wäls resgata tradição da Lagoinha em BH

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Hoje escondido por viadutos, o bairro da Lagoinha tem sua importância histórica para Belo Horizonte, especialmente nos anos de urbanização. Traço marcante da formação da cultura e da boemia da capital mineira, a ponto de ter o seu nome gravado em um dos copos mais conhecidos do mundo, a Lagoinha viu as suas ruas voltarem a ganhar atenção e a serem cenário cultural e de arte urbana com o Festival Cura, que começou no início do mês e vai até o próximo domingo, tendo o apoio da Wäls, cervejaria que aproveitou o evento para lançar um rótulo que também homenageia a região.

A Lagoinha traz em sua história um rompimento provocado pelo crescimento urbano. No início da década de 1980, o bairro teve a Praça Vaz de Mello implodida para a construção do Complexo da Lagoinha, ligação viária que une diferentes regiões e avenidas de Belo Horizonte.

Leia também: Oficina de cerveja pode impulsionar sonho de marca própria de Heliópolis

A ação é vista por especialistas como determinante para a fragmentação do bairro, que fica nas proximidades do “Baixo Centro” da capital mineira, mas que acabou passando a ser visto muito mais como uma via de passagem. Assim, ficou para trás os tempos áureos da boemia na região, marcados pela intensa movimentação em bares, restaurantes, feiras, comércios e hotéis.

Também acabou relegada ao segundo plano a história iniciada com a ocupação da Lagoinha, ainda no fim do século XIX, com a chegada de imigrantes italianos para a construção de Belo Horizonte, inaugurada em 1897.

Ali eles ficaram e foram construindo histórias, marcas e lendas que se inseriram na trajetória e na cultura da capital mineira, como a Loira do Bonfim, o copo Lagoinha – nomenclatura abrasileirada e divertida do copo americano – e mesmo o bloco de carnaval Leão da Lagoinha, o primeiro da capital mineira.

Festival Cura
Resgatar parte dessa essência e também mostrar o que tem sido feito na região é parte da proposta do Circuito Urbano de Arte, o Cura, que está na sua quarta edição, sendo a primeira na Lagoinha. Um movimento que já deixou a sua marca em outras regiões de Belo Horizonte com suas pinturas em empenas.

“Não queremos apenas resgatar a história da Lagoinha, mas também contar o que está acontecendo hoje, dando visibilidade para suas ações. Tem muita gente criativa empreendendo, artistas. O objetivo é apoiar o que está acontecendo”, explica Juliana Flores, uma das idealizadoras do Cura.

“O Felipe, o Tales e o Daniel (artistas urbanos da região) nos convidaram e definimos uma programação em rede, que envolve a Casa Rosa do Bonfim, a Universidade Popular do Som, o Quintal do Seu Antônio. Estamos dando visibilidade aos espaços que já existem nesse território”, acrescenta Juliana. “Também discutimos arquitetura, urbanismo e as mudanças para fazer as pessoas também entenderem o passado e não errarem no futuro.”

Como sua principal marca, o festival tem feito pinturas em muros, fachadas e bares do bairro, transformando a Rua Diamantina em um mirante de arte urbana. A partir de agora, portanto, quem olhar para o alto na Lagoinha não verá apenas viadutos, mas uma galeria a céu aberto. E o movimento também conta com outras atrações, como apresentações de DJs, roda de samba, shows, oficinas, mesas de debate e feira de arte, além de uma feira gastronômica.

O apoio da Wäls
A realização dessa nova edição do Cura e o local escolhido têm total relação com a Wäls. Afinal, foi de uma conversa entre a cervejaria e os responsáveis pelo festival, em fevereiro, que surgiu a ideia de organizar o evento na região.

“Quando falei da possibilidade de um Cura na Lagoinha, pois tinha feito um passeio com o pessoal da Lagoinha para mapear mirantes, brilharam os olhos da Wäls. Eles disseram que era o que queriam, que queriam falar de Lagoinha, o berço da cultura e da boemia de Belo Horizonte. Ao contrário dos outros, esse Cura nasceu por causa do patrocinador. O desejo existia, tínhamos sido convidados, mas não tínhamos pernas para fazer se não tivéssemos o apoio da Wäls”, explica Juliana.

Belo-horizontina, a Wäls comemora 20 anos de uma história bem-sucedida em 2019. A participação no Cura é, portanto, um dos marcos do seu aniversário e uma ação clara para referendar a sua ligação com a capital mineira. Mas está longe de ser a única que a associa com a região da Lagoinha nesse período de celebração.

Outra iniciativa importante foi a criação de uma campanha, em parceria com o movimento Viva Lagoinha, para que o copo conhecido nacionalmente como americano passe a ser nomeado como lagoinha, modo como é pedido em todos os bares da capital mineira e que o tornou parte importante da cultura de botecos da cidade.

Para isso, criou uma petição online, que colheu 2.146 assinaturas até a última quinta-feira. E pretende entregar esse volume para a Nadir Figueiredo, detentora dos direitos dos copos americano e lagoinha, em uma campanha para que os nomes deles sejam unificados. Procurada pela reportagem do Guia, a fabricante dos copos preferiu não se manifestar sobre a iniciativa da Wäls.

“Ainda estamos colhendo as assinaturas na petição para podermos entregar à Nadir Figueiredo. Ao fim dessa campanha virtual, vamos mostrar todo o resultado para a empresa e buscar o reconhecimento pelo nome: copo lagoinha”, detalha Arnaldo Garcia, gerente de marketing da Wäls, apontando que a campanha é, também, uma homenagem a Belo Horizonte.

“Ao completar duas décadas, decidimos mais uma vez homenagear Belo Horizonte e os mineiros. Então, buscamos algo que fala muito sobre a cidade e representa todo o lado boêmio e cervejeiro. O copo lagoinha é muito característico da cidade e é o mais usado no consumo da cerveja. Mas qual o motivo dele ser chamado ‘americano’?”, questiona o gerente de marketing da marca.

“Então, resgatando nossa tradição e toda nossa história, na comemoração de 20 anos de Wäls, resolvemos fazer uma homenagem a um dos símbolos de Belo Horizonte. Assim como já fizemos com nossa cerveja, queremos levar o nome ‘lagoinha’ para o restante do Brasil e do mundo”, acrescenta Arnaldo.

A cerveja Lagoinha
E não parou nisso, pois a cervejaria também lançou a Wäls Copo Lagoinha, uma puro malte leve e clara do tipo Pilsen, com 4,2% de teor alcoólico e 20 IBUs.

Criada especialmente para a região que lhe dá o nome, ela será exclusiva, com venda apenas nos bares do bairro. Seu rótulo também será especial: totalmente branco em um primeiro momento, ele vai reproduzir as artes criadas pelos artistas do Cura nas edificações após o fim do festival.

“Essa importante região é histórica para Belo Horizonte e queremos trazer de volta toda sua tradição. E nada melhor do que fazer isso com uma grande festa, com uma nova cerveja, muita música e uma decoração diferenciada”, complementa o gerente da Wäls.

Oficina de cerveja atrai artesãos de outros ramos em Heliópolis

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Sábado, 7 de setembro e feriado de Independência, foi dia de profissionais de diversos ramos, incluindo artesãos e artesãs de produtos alimentícios, mudarem um pouco de ares e se jogarem no universo da cerveja na comunidade de Heliópolis.

Em parceria, a União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas) e a Associação dos Cervejeiros Artesanais de São Paulo (Acerva Paulista) ministraram uma oficina de produção de cerveja caseira para moradores da região.

Leia também: Oficina pode ser semente para marca própria em Heliópolis

Localizada na Zona Sul de São Paulo, Heliópolis é a maior comunidade da cidade, com cerca de 100 mil habitantes. Como a maioria delas, batalha contra o desemprego e o subemprego, e a Unas enxerga em oficinas como essa a possibilidade do despertar de interesses profissionais nos participantes.

“Tinha gente muito interessada no processo, que já tinha tido algum contato com a cultura cervejeira pela internet, mas tinha gente que não tinha contato nenhum”, afirma Rodrigo Jordão da Rosa, presidente da Acerva Paulista.

Segundo ele, parte do público era composto por boleiras, salgadeiros, confeiteiros com experiência em outros processos artesanais de produção. “Tinha gente que era boleira, que faz linguiça, chocolate. É gente que já é meio artesão”, acrescenta Rodrigo.

No início, os membros da Acerva fizeram uma palestra sobre conceitos básicos e processos de produção. Em seguida, mão na massa: moer insumos e cozinhar. “Fizemos uma Witbier, que agora está fermentando lá. Em breve vamos engarrafar e, em outubro, ela fica pronta.”

Para o presidente da Acerva Paulista, a escolha da Witbier serve tanto para difundir novas possibilidades desconhecidas pela maior parte do público quanto para quebrar o “mito” do puro malte. “Era legal mostrar outras coisas, usamos o trigo sem maltar, deixando claro que foi uma escolha nossa.”

Levar o interesse pela cultura cervejeira adiante é o fruto que se colhe de uma iniciativa como essa, segundo complementa Rodrigo. “Se alguns ali passarem a se interessar pela cultura cervejeira, nossa missão foi cumprida.”

O equipamento básico para produção caseira usado para a produção na oficina foi doado à Unas, e está à espera de novas brassagens.

Entrevista: O calor, a novela e o país das maravilhas da siberiana da Wonderland

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O nome em inglês expõe que há alguns diferenciais na Wonderland Brewery (Cervejaria País das Maravilhas, em uma tradução livre) em comparação com outras marcas artesanais brasileiras. Afinal, embora tenha surgido no Rio, essa microindústria tem em sua sociedade dois estrangeiros, a russa Anna Lewis e o norte-americano Chad Lewis, esposa e marido e também fundadores da cervejaria ao lado de Pedro Fraga.

Nascida na Sibéria, Anna mudou para São Petersburgo antes de ir aos Estados Unidos com o então namorado e hoje marido e sócio. Essa passagem por algumas das principais nações do mundo ganhou novo destino em 2015, quando ela e Chad vieram ao Brasil e, mais especificamente, para o Rio.

Foi na capital fluminense, então, que tudo mudou. De cervejeira caseira, decidiu deixar a carreira profissional em tecnologia da informação para exercer a criatividade com os seus próprios rótulos. E do aniversário de 150 anos do lançamento de Alice no País das Maravilhas, em 2015, surgiu a inspiração para nomear a cervejaria que deixou o papel, de fato, em 2018.

Desde então, o universo criado por Lewis Carroll, que em muitos momentos se utiliza de eventos característicos dos sonhos para criar o cenário de suas obras, tem inspirado os rótulos da Wonderland, como o Timeless Porter – recém-premiado na edição carioca do Mondial de la Bière com a medalha de platina e inicialmente concebido para a sua festa de casamento – e se confundido com a vida de Anna no Rio e com as cervejas artesanais, descritas por ela mesmo como seu “país das maravilhas”.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Anna Lewis, sócia da premiada Wonderland Brewery.

Como surgiu a ideia de homenagear Alice no nome da cervejaria?
O mundo das cervejas artesanais é tão complexo como o País das Maravilhas. E quando você cai no “país das maravilhas” das cervejas artesanais, é muito difícil sair. Então, achamos essa ideia boa.
Quando chegamos ao Rio em 2015, era aniversário de lançamento do livro “Alice no País das Maravilhas” (150 anos do seu lançamento). Então, estávamos em Botafogo e vimos vários livros em diferentes livrarias e achamos que as pessoas gostavam muito dele. Nos pareceu uma ideia boa, de referência, com os livros e personagens.

De que modo essa homenagem pode ser percebida nas cervejas? Vocês pensam no universo da Alice no momento de concepção dos rótulos?
Quando achamos o personagem, também criamos uma personalidade, para as pessoas se conectarem com o personagem. Na sociedade, temos pessoas diferentes, com interesses diferentes. Criamos o personagem para se relacionar com as pessoas. E tentamos achar o que a pessoa vai gostar, qual é a sua personalidade. Para nós, Alice significa curiosidade, por isso temos uma cerveja com esse nome – Curioser & Curioser. É uma IPA com pêssego e damasco, mas não tão amarga quanto outras IPAs, bem equilibrada. É uma IPA para quem está entrando no mundo das artesanais e descobrindo cervejas. Então é uma cerveja para pessoas curiosas como a Alice e combina com sua personalidade.

A Timeless Porter, que ganhou a medalha de platina (no Mondial Rio), é a minha cerveja preferida. Fizemos para o nosso casamento, há quatro anos. Como fizemos aniversário de casamento agora, foi o melhor presente que poderíamos receber (a medalha). Essa cerveja é para pessoas sofisticadas, que gostam de café e chocolate, que estão sempre na correria, pensando em coisas interessantes e grandes. E tem o personagem do coelho, sempre rápido e correndo. E combina com personalidades assim.

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Você é russa e o seu marido, norte-americano. Há outros estrangeiros na Wonderland? E como se dá essa relação de dois estrangeiros com o Brasil e suas cervejarias?
A maioria da nossa equipe é de brasileiros, mas somos bem internacionais. Temos outra pessoa nos Estados Unidos, um cervejeiro, que nos ajuda a fazer receitas, e que possui experiência em outras cervejarias de lá. É um amigo desde o começo do projeto, que nos dizia que éramos malucos, mas depois começou a acreditar, vendo nosso progresso. Não temos diferença de percepção por sermos estrangeiros, embora exista muita curiosidade das pessoas sobre nós.

Acho que o mercado brasileiro está crescendo e é uma oportunidade boa. E também há uma razão pessoal para estar aqui, pois quando era criança, eu via as novelas brasileiras na Sibéria. Para quem mora na neve por nove anos, com temperaturas de -50ºC, o Rio é o “país das maravilhas”. Agora moro em Copacabana, há dois quarteirões da praia, então estou muito feliz.

Você e seu marido já haviam trabalhado com cerveja antes da chegada ao Brasil? Como surgiu a ideia de investir nesta área?
Nós bebíamos cerveja, fazíamos em casa, mas nunca tínhamos trabalhado com isso profissionalmente. Trabalhei com TI por 11 anos, sou uma engenheira de telecomunicações. Hoje adoro trabalhar com cervejas porque posso ser mais criativa para criar os rótulos, os personagens, as cervejas. E isso eu não tinha no meu trabalho anterior.

Por que a Wonderland foi premiada no Mondial com a Timeless Porter? Qual é o diferencial dela?
É uma cerveja muito equilibrada. Ela traz alguma experiência gastronômica. Tem equilíbrio entre aroma, corpo, gosto, retrogosto. É muito agradável. Uma cerveja muito boa, de qualidade, bem fresca.

O que a premiação representa e significa para o futuro da cervejaria?
O melhor presente é o feedback dos consumidores quando eles se tornam fã da nossa marca e das nossas cervejas. Quando falam que sabem que a cerveja é nossa por ter determinada qualidade, como aroma, gosto, retrogosto e corpo. É o melhor presente para nós.

Quais são as últimas novidades da Wonderland?
Lançamos três cervejas Sours no Mundial. Fizemos com o método party-gale, com o uso do mesmo mosto, fazendo duas cervejas diferentes, sendo uma mais encorpada, com maior graduação alcoólica, e a outra mais leve, usando os mesmos ingredientes, para sermos mais eficientes. A primeira é a Poacher, uma Imperial IPA com corpo maltado, muito aromática. É a cerveja da Morsa, o personagem forte, brutal, masculino, para quem gosta de cerveja forte. A outra é a Sour, que foi dividida em duas, uma com cacau e morango e a outra com cacau e cupuaçu. São as cervejas dos Gêmeos da história da Alice. E podemos fazer a terceira, misturando elas em proporções iguais e fazendo uma cerveja com quatro frutas.

Como estrangeira, qual é a sua visão do mercado de cervejas artesanais no Brasil?
Quando chegamos aqui no Brasil em 2015, várias marcas de cerveja artesanal estavam nascendo, mas não havia uma marca que dominasse o mercado. Também não havia muita variedade. Agora está crescendo bastante, tem muito interesse, como a gente vê no Mondial, que atraiu mais gente do que no ano passado. Eu acho que o mercado brasileiro ainda vai crescer mais.

Cerveja e Negócios: O crescimento e suas dores

Coluna cerveja e negócios Escola Superior de Cerveja e Malte Calo Bressiani

Cerveja e Negócios: O crescimento e suas dores

O mercado cervejeiro artesanal latino-americano segue em franco crescimento. Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia e Brasil despontam como molas propulsoras deste movimento. O Brasil bem à frente, dada sua dimensão continental e sua população. Mas este crescimento é sustentável? Esta é a pergunta do milhão.

Nos Estados Unidos, nosso benchmarking para o entendimento da dinâmica deste mercado, houve um processo parecido, com uma explosão de cervejarias entre a década de 1980 e o final dos anos 1990, depois uma parada até 2008 e finalmente um crescimento quase que exponencial até chegar aos números de hoje, com mais de 8 mil cervejarias.

Ao fazermos um paralelo – tosco, é verdade, já que as realidades de ambientes de negócio e poder aquisitivo são totalmente díspares – chegamos à conclusão de que nossos países ainda estão na primeira fase do crescimento.

Os norte-americanos nos explicam que esta parada se deu após o estouro da bolha das .com no final da década de 1990 e que havia muitos aventureiros – investidores que não entendiam de cerveja e cervejeiros que não entediam de negócios – abrindo novos negócios que eram muito mal geridos ou entregavam um produto de baixa qualidade.

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Desta forma, houve uma retração no consumo associada a problemas de precificação que levaram muitas cervejarias à lona. Após a depuração do mercado, que lá durou quase 10 anos, o setor voltou a crescer fortemente, chegando aos números de hoje. A pergunta é: o ciclo vai se repetir aqui?

Provavelmente sim em algum grau. Não se espera uma retração nem um prazo tão longo de recuperação, mas há alguns sinais de que podemos ser muito mais profissionais nos nossos empreendimentos.

Melhorias de produto, processo, controle, layout, conhecimento técnico, posicionamento, gestão e otimizações são a ordem do dia. Temos a chance de encurtar o ciclo de baixa e seguir crescendo se entendermos que cervejarias são indústrias e não fábricas de gambiarras onde tudo é permitido, já que somos “artesanais”.

O que o público espera de nós são bons produtos, com boas histórias para contar. É conhecer o cervejeiro, pisar no chão da fábrica e ouvir um sommelier apaixonado dando dicas. São sabores locais, especiais e únicos. E muito profissionalismo.


Carlo Enrico Bressiani é diretor geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, sommelier de Cervejas ESCM/Doemens, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull em Barcelona, consultor e autor de livros nas áreas inovação, projetos e finanças

Safra da cevada deve crescer 20% em área e ter qualidade em 2019, estima especialista

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Após encarar dificuldades em 2018, o cenário da safra da cevada em 2019 é bem mais positivo. Ainda que em uma avaliação extraoficial, o crescimento da área de produção do cereal cervejeiro deve ser de cerca de 20%, de acordo com Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo. E ele também terá qualidade para ser utilizado pela indústria.

Essa produção se concentrou, como ocorre tradicionalmente, na região sul do Brasil, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul. “Extraoficialmente, podemos afirmar que no total foram semeados cerca de 113.000 hectares, sendo 58% no PR, 37% no RS, 2,5% em SP, 2% em GO e MG e 0,5% em SC. Houve, portanto, aumento cerca de 20% em relação à área da safra passada”, aponta Minella ao Guia.

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O aumento da área de cultivo na safra da cevada é um alento diante da dificuldade enfrentada em 2018, quando a redução na área plantada foi de 14,7%, de acordo com os dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Minella ressalta que a maior parte da produção – concentrada no Sul do Brasil – ainda não foi colhida, mas que a expectativa é para uma lavoura com “bom potencial”, a não ser que o clima venha a atrapalhar. Além disso, ele prevê uma safra de 350 mil toneladas do cereal cervejeiro neste ano.

“A semeadura ocorreu desde maio até o final de julho, dependendo da região produtora. As semeaduras de maio em GO e MG já estão em processo de colheita, enquanto que as da Região Sul serão colhidas a partir do final de outubro”, explica Minella, detalhando a qualidade da safra da cevada.

“As lavouras em geral estão com bom potencial produtivo e, se desenvolvendo bem, permite a previsão de uma boa safra, caso o clima transcorra favorável até a colheita. Pela superfície semeada, a previsão é de uma safra de cerca de 350.000 toneladas”, acrescenta.

A avaliação do especialista da Embrapa Trigo traz dois aspectos positivos para o setor, especialmente no comparativo ao ano passado. O primeiro é que parte da produção de cevada brasileira em 2018 não atingiu o padrão de qualidade exigido para ser utilizada pela indústria cervejeira, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, exatamente os estados com maior cultivo. E isso levou ao “descarte” de parte da produção e ao prejuízo em função dos baixos preços da cevada não cervejeira.

Leia também: Baixa qualidade trava aproveitamento da cevada pela indústria cervejeira em 2018

Além disso, de acordo com os dados do IBGE, a produção de cevada foi de 325.081 toneladas em 2018. Confirmada a estimativa de Minella, de uma safra de 350 mil toneladas, o aumento da produção seria de pouco mais de 7% em 2019, em um indicativo de recuperação do setor.