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quarta-feira, março 4, 2026
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Balcão da Copa: França x Croácia no mundo das cervejas

A Copa do Mundo está chegando com uma final inesperada nos campos. E, também, quando se trata de cerveja, escolas mais tradicionais e fortes ficaram no meio do caminho. Nada de Alemanha, com sua tradição secular, nem de ingleses com suas ales correndo pelas veias, nem da “ótima geração belga” ou da potência brasileira. De um lado, a consistente seleção francesa, com três finais, um título e fama ligada mais a seus vinhos do que a suas cervejas. Do outro, a supressa Croácia, cujo melhor resultado fora as semifinais de 1998 – e com pouca expressividade no mundo das cervejas.

A seleção de Modrić: domínio das lagers leves
A croácia é o sexto país onde mais se consome cerveja no mundo. São, em média, 81,9 litros por habitante por ano, de acordo com o portal Stata – consumo maior do que o dos anfitriões da Copa (leia aqui). Os dados, no entanto, são inflados por conta do volume consumido por turistas em busca do belo litoral croata. Segundo relatório do site local especializado em economia Poslovini Dinevnik, descontados os viajantes, o consumo cai para 64 litros por habitante por ano. Mesmo assim, é comum que a bebida, assim como o vinho, acompanhe refeições.

Ožujsko e a lata oficial da seleção croata

Apesar de ser um país novo – tem 27 anos como nação -, suas principais cervejarias datam do século XIX. A Zagrebačka Pivovara, por exemplo, foi fundada em 1822, em resposta à crescente demanda da que viria ser a capital do país (Zagreb). Hoje ela pertence ao grupo canadense Molson Coors, e seu principal rótulo é a lager Ozujsko.

Seu estilo, aliás, se assemelha ao de Luka Modrić, craque da Croácia e do Real Madrid: é palatável, leve e clara. Trata-se da cerveja mais antiga do país e líder em vendas, com aproximadamente 40% do mercado doméstico – e uma das principais patrocinadoras da seleção croata.

Em segundo lugar, a Karlovačko, outra lager leve, da Karlovačka Pivovara, desde 2003 sob controle da Heineken, é bem vendida e apreciada também na Bulgária. A menor das gigantes croatas é a Pan, pertencente ao Grupo Carlsberg.

Cervejarias artesanais, no entanto, estão conquistando seu espaço. Em seu primeiro ano de vida, a Zmajska Pivovara, de Zagreb, ganhou destaque no site Rate Beer como a nona melhor cervejaria artesanal do mundo – até hoje diversos de seus rótulos são muito bem classificados no site.

O time de Giroud: tradição e pouco volume
Já a França, conhecida por sua tradição vinícola, tem na cerveja uma história mais expressiva do que a Croácia. Pelo território francês passa o “cinturão europeu do lúpulo”, área propícia para seu cultivo, que vai do sul da Inglaterra à República Tcheca, passando pelo norte e nordeste franceses, Alemanha e Bélgica. Isso garantiu boa cerveja francesa por séculos a fio: sua marca mais famosa, Kronenbourg, foi fundada em 1664 e é a quinta cerveja mais antiga ainda em produção no mundo – hoje também pertence ao Grupo Carlsberg.

Kronenbourg, a quinta mais antiga do mundo

Se tem tradição, a França peca no volume. Como seu centroavante Olivier Giroud: tem sua fama, mas é pouco efetivo (e pode terminar a Copa sem nenhum gol). O envolvimento com a cerveja, afinal, está longe dos rivais: o francês bebe em média 32 litros de cerveja por ano. Parece pouco, mas isso representa dois litros a mais do que a média de quatro anos atrás. O ano de 2017 foi o primeiro de crescimento após 36 anos de queda.

Em entrevista recente ao jornal Le Figaro, o presidente da Carlsberg no país, Joao Abecasis, aponta para uma mudança significativa nas tendências de consumo de cerveja na França: o aumento da participação das mulheres, a popularização das cervejas não alcoólicas e o crescimento do mercado de artesanais. Segundo a Associação dos Cervejeiros da França, o número de cervejarias no país dobrou, de 550 em 2015 para 1.100 em 2017, produzindo nada menos do que 4 mil rótulos.

Dentre as mais prestigiadas protagonistas da revolução francesa, estão a Brasserie Thiriez, de Esquelbecq, quase na fronteira com a Bélgica, e a Gallia, uma cervejaria parisiense do século XIX, fechada em 1968 e reaberta em 2009.

Croácia x França
Fôssemos, então, reproduzir no copo o duelo que movimentará o mundo neste domingo, coincidentemente teríamos um cenário similar ao dos gramados: a França, já campeã mundial, chega como favorita em função de sua qualidade e tradição, mas pode tranquilamente ser surpreendida por uma Croácia que, embalada pela leveza retratada por Modrić, o jogador que mais correu na Copa da Rússia, desponta forte no mercado e sonha em ser grande.

Boa pivo. Ou, se preferir, boa bière.

Balcão da Copa: A ressureição de Trotsky em forma de cerveja

Diz a história que Leon Trotsky perdeu a disputa com Josef Stalin pelo comando da União Soviética, foi exilado anos depois no México e acabou assassinado por Ramón Mercader em agosto de 1940, a mando de seu rival. Não cabe aqui debater causas e consequências do fato. Mas cabe, sim, expor outro dado interessante: a “ressureição” de Trotsky, canalizada em uma garrafa de cerveja artesanal brasileira.

Mais de 75 anos após a sua morte, provocada pela impiedosa luta sucessória inaugurada com a morte de Lenin, Trotsky inspirou a receita de uma cerveja produzida pela Tito Bier. Assim, nasceu uma nova red ale.

O rótulo faz parte da “linha vermelha” da cervejaria, uma série que homenageia também Marx (uma ipa) e Rosa de Luxemburgo (uma altbier). A Tito Bier ainda traz entre suas inspirações nomes como o do escritor Goethe e do pensador Henry Thoreau.

“A Trotsky foi a segunda receita da ‘linha vermelha’ que fizemos”, conta Vini Marson, sócio da Tito Bier. “A primeira foi a Marx e veio de uma encomenda de um amigo marxista, Tato Coutinho. Ele queria uma cerveja vermelha, intensa e lupulada para dar de lembrança aos convidados do seu aniversário de 50 anos. Foi um sucesso e ele nos encomendou a Trotsky para o ano seguinte.”

O retrato de Trotsky
Reproduzir um personagem tão complexo como Trotsky em uma garrafa de cerveja, porém, não foi algo simples. Vini conta que a ideia inicial era “desvirtuar” uma red ale. Até chegar à receita ideal e produzi-la em maior escala, a convite do projeto Social Beers, foram testadas 18 versões.

E o resultado, segundo o sócio da Tito Bier, foi um bom retrato de Trotsky. “Sempre que pensamos em receitas e relacionamos a um personagem tentamos fazer um retrato livre. Às vezes é de trás para frente – primeiro vem a cerveja, depois o homenageado”, detalha Vini, explicando como a cerveja se conecta com o personagem.

“No caso da Trotsky queríamos uma cerveja que fosse tão cheia de nuances quanto palatável, tivesse uma base tradicional (teórica – representada pelos maltes variados), mas com um final surpreendente e inspirador (representada pela lupulagem fresca e cítrica de columbus e amarillo, quase a antítese complementar desta base de maltes). Retratamos nela o Trotsky orador e tradutor de ideias complexas em conceitos compreensíveis e inspiradores.”

Embora afirme ser difícil precisar se Trotsky gostava de cerveja, Vini garante que alguns líderes da revolução aprovavam bebidas alcoólicas. “Pesquisamos isso, mas não descobrimos se ele tinha algum apreço por cerveja. Sabemos do gosto dos líderes da revolução pelos destilados, mas entendemos também que a cerveja é historicamente a bebida alcóolica popular, por isso nos demos esta liberdade poética.” Mesmo sempre atrás da vodca na preferência nacional, a cerveja teve seu espaço no período soviético, como contamos nesse texto aqui do Guia.

O sócio da Tito Bier acrescenta, por fim, que a cervejaria passou por mudanças nos últimos meses que afetaram a produção. Nem todos os rótulos da linha vermelha, assim, estão disponíveis. “No momento estamos fazendo uma cerveja por vez – o que faz com que não tenhamos garrafas/latas de todas sempre.”

4 razões para fazer um curso de cerveja

A popularização das cervejas artesanais criou um mercado enérgico e extremamente agradável no Brasil. Não apenas as boas bebidas e os grandes festivais se dinamizaram nos últimos anos, como também a oferta de cursos segmentados, voltados para profissionais do setor e para “amadores” que pretendem se especializar.

Se você ainda é um bebedor ocasional de final de semana – ou de meio de semana também! – sem maior envolvimento com a cerveja, saiba que há quatro boas razões para fazer um curso e se aprofundar no tema. Confira:

1- Fazer da cerveja um caminho sem volta
Você gosta mesmo de cerveja? Então, ao fazer um curso, ela se tornará parte essencial de sua rotina. “Entrar no mundo cervejeiro é um caminho sem volta. Depois que se começa a experimentar cervejas diferentes e encontrar novas opções de sabores e aromas, é difícil querer parar”, garante Carlo Enrico Bressiani, sommelier de cervejas, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull, de Barcelona, e diretor-geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, de Blumenau. “A procura por cursos é uma evolução deste processo, quando só beber não é mais suficiente.”

2- Conhecer a cerveja que realmente gosta
Em meio a uma oferta cada vez maior de cervejas, entender o que você aprecia se tornou essencial. E um curso, ao trazer técnicas para identificar aroma, sabor e amargor, entre outras nuances, vai facilitar essa descoberta. “Tudo isso é informação para que o consumidor saiba comprar melhor na gôndola, entenda suas preferências pessoais e, claro, arrisque beber até uma garrafa mais cara sabendo que está analisando cada aspecto daquela cerveja”, explica Júlia Reis, sócia e professora da Sinnatrah, uma cervejaria-escola de São Paulo que oferece cursos desde 2009.

3- Ser um evangelizador da cerveja
Quer fazer da cerveja a sua fé, a sua religião? Esse será o caminho natural quando você se aprofundar nesse universo. “Esse bebedor tem papel fundamental, pois é um evangelizador da cerveja especial. Quando conhece algo novo, ele mostra para outras pessoas, apresenta esse universo para quem está ao redor. Quando faz sua própria cerveja, presenteia os amigos, pede para outras pessoas experimentarem. E isso difunde esta cultura”, pontua Bressiani, professor e diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte, a primeira na América Latina a abranger ensino, pesquisa e extensão sobre a bebida.

4- Viver da cerveja
Mas não é apenas como evangelizador que o novo cervejeiro poderá “atuar”. O aprofundamento no tema também permite, naturalmente, aos poucos, que o antigo apreciador possa trabalhar com a bebida. Uma alternativa interessante para um momento como este, de instabilidade econômica e política. “Outros começam a pensar na cerveja como uma possibilidade profissional e acabam investindo em cursos que possam lhe inserir no mercado de trabalho, tanto nas áreas de gestão e sommelieria quanto de produção de cervejas”, completa Bressiani.

Na linha de produção: Os bastidores da criação de uma embalagem imperial

Cerveja Cidade Imperial Dunkel

A aposta em um design exclusivo e diferenciado é um dos segredos para seduzir o consumidor moderno. Quanto mais elaborado o produto, no entanto, mais difícil será o trabalho de criação. Foi o caso das embalagens da Cidade Imperial, criadas a partir de um complexo processo que uniu profissionais das mais diversas especialidades.

Tanto as versões Pilsen, Helles e Dunkel, que vêm em garrafas de 275 ml, 330 ml e 500 ml na cor âmbar, quanto a Império Lager e a Império Gold, embaladas em envases de 210 ml e 275 ml nas cores verde e flint (transparente), possuem pescoço alongado que facilitam a “pegada” e tampas abre fácil com um anel lateral.

Cômodo para o consumidor, complexo para ser elaborado. Para chegar ao resultado final, os profissionais responsáveis pela embalagem precisaram passar, literalmente, pelo Dia da Criação.

“Essas garrafas foram desenvolvidas durante o Dia da Criação, um serviço que disponibilizamos para nossos clientes, onde fazemos em tempo real o desenvolvimento de um produto”, conta Catarina Peres, supervisora de marketing da Verallia, fabricante de embalagens responsável pela produção das garrafas da cervejaria de Petrópolis.

Inaugurado em 2002 na tentativa de trazer um diferencial ao mercado, o Dia da Criação é um trabalho conjunto desenvolvido entre o cliente e os profissionais da empresa. O processo integrado é feito entre as áreas de desenvolvimento, que realiza o contato para entender a necessidade, de projetos, que desenvolve os desenhos, e de produção e planejamento, que analisa a viabilidade de cada projeto.

“Cada projeto novo é discutido, estudado e posto em prática buscando atender às expectativas e às necessidades do cliente, mostrando o produto sendo criado no mesmo momento no CAD em 3D”, detalha Alexandro Bonfim, supervisor de novos produtos da Verallia.

As etapas da criação
Definidos os detalhes do projeto, chega o momento da criação. Esse processo, por sua vez, seguirá basicamente três etapas: o briefing, com as principais características informadas pelo cliente; a concepção, em que se propõe um rascunho para visualizar a nova embalagem até chegar ao desenho definitivo; e o projeto do molde e a produção.

“Elementos como design, tampas e rotulagem também fazem parte da análise para o desenvolvimento da nova embalagem”, explica Bonfim.

Depois desse intrincado dia, o cliente sairá com a nova garrafa. E, no caso da Cidade Imperial, a Verallia garante: o esforço não foi em vão. “Ficamos muito felizes com o resultado final, pois de fato as garrafas ficaram bonitas e bem diferentes das usadas pela concorrência, garantindo maior valorização do produto final”, completa Catarina Peres.

Harmonizando potencial: As tendências dos bares especializados em artesanais

A cerveja artesanal, felizmente, caiu no gosto do brasileiro. E, junto com ela, toda uma enorme rede de produção sofreu um impacto positivo e precisa, aos poucos, frente à nova realidade, adequar-se ao saboroso estilo desse novo mercado. É o caso do segmento de bares e restaurantes, diretamente impactado pela ampliação da oferta de rótulos especializados e do consequente amadurecimento do paladar nacional.

Para entender melhor esse mercado e o seu potencial, o Guia da Cerveja realizou uma entrevista com Ricardo Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG) e sócio-proprietário do tradicional restaurante Maria das Tranças.

Confiante no potencial do setor, que cresce expressivamente ano após ano, Rodrigues assegura: não há qualquer risco de saturação mesmo com o aumento exponencial da oferta de bares especializados em cerveja.

O presidente da Abrasel-MG conta também que a qualidade será o grande diferencial para impulsionar esses estabelecimentos e revela um dos novos segredos para conquistar o consumidor: a aposta na harmonização.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Ricardo Rodrigues, presidente da Abrasel-MG e sócio-proprietário do Maria das Tranças.

Qual o potencial da cerveja artesanal para o mercado de bares e restaurantes?
Estamos sentindo em Belo Horizonte, na quantidade de fábricas de cerveja artesanal, nos bares e restaurantes com exclusividade das grandes companhias, ou mesmo nas que não têm, mas que estão buscando um diferencial, que o crescimento de cerveja artesanal está sendo muito grande. É enorme o potencial. O público mineiro e nacional tem buscado essa cerveja diferenciada. Está caindo na graça da galera.

E como o setor está trabalhando o desenvolvimento desse potencial?
Estamos evoluindo. Em Belo Horizonte, inclusive, temos uma lei tramitando na Câmara dos Vereadores para que bares possam virar brewpubs e fazer a fabricação da sua própria cerveja, seu próprio chopp em escalas pequenas [trata-se do Projeto de Lei 475/2018, proposta para que qualquer cervejaria que tenha área menor de 720 m² tenha as mesmas exigências de localização e fiscalização sanitária de um bar].

Quais as características de um bom estabelecimento de cerveja artesanal?
A premissa é a qualidade. Em Belo Horizonte, por exemplo, tem um consumidor de qualidade, que sabe, que entende de produção. E o bar, então, precisa de um ponto de partida diferenciado. Quem entende isso sai na frente em relação a outras casas.

Como essa qualidade pode ser trabalhada?
Nela precisa acompanhar uma boa gastronomia, a questão do atendimento, de produtos. As casas estão investindo em harmonização. Elas já buscam hoje não apenas uma cerveja especial, mas uma harmonização com pratos, criando cervejas para o próprio cardápio. Isso é muito interessante: buscar uma cerveja só para o cardápio. Se não acha, cria.

Com a abertura de inúmeros bares especializados nos últimos anos, é preocupante o risco de saturação?
Creio que não existe esse risco. Se as grandes companhias em nível mundial têm se preocupado em adquirir pequenas cervejarias para investir nesse mercado, então vemos que ele tem potencial e incomoda. As grandes estão preocupadas. Temos vários casos no Brasil de grandes comprando artesanais para se manterem nesse mercado que está crescendo.

Que modelo internacional de negócio poderíamos nos inspirar? Qual característica de mercado mais se assemelha com a nossa?
Temos várias escolas na hora em que pensamos qual tipo seguir. Temos a linha da escola norte-americana, da alemã, da europeia. Estamos bem divididos. Sentimos aqui um volume de cervejas que tem vindo das duas, não especificamente de uma escola única. É bem diversificado. O segredo para um bar é sentir o que o seu público vai consumir mais. Mas é bem eclético quando pensamos onde nos embasar.

Produção de cevada mantém regularidade e safra de trigo cresce 0,7% em junho

A produção dos principais cerais utilizados na cerveja brasileira manteve a regularidade em junho, segundo dados divulgados na terça-feira pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A cevada em grãos, por exemplo, manteve os resultados de maio: 123.683 hectares de área plantada, 427.394 toneladas produzidas e 3.456 quilos por hectare de rendimento. Se não houve crescimento, a estabilidade indica que a safra superou de vez a forte baixa de 2017. Na comparação com o ano anterior, a produção dos últimos 12 meses cresceu 49,2%.

Outro cereal a apresentar regularidade foi o trigo em grãos. Na comparação com maio, segundo o IBGE, a área plantada em junho chegou a 2.006.719 hectares e subiu 0,7%, mesmo percentual de crescimento da produção, que alcançou 5.668.546 toneladas.

Já a produtividade do trigo teve ligeira queda em junho: 2.825 quilos por hectare ante os 2.827 de maio, uma retração de 0,1%.

Se os principais componentes da cerveja apresentam bons números, o mesmo não ocorre com a produção geral. A estimativa do IBGE para a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 227,9 milhões de toneladas em junho, 5,3% inferior à obtida em 2017 (240,6 milhões de toneladas).

Confira, a seguir, os números da produção da cevada em junho:

Safra da CevadaJunhoMaio2017
Produção427.394 t427.394 t286.405 t
Rendimento3.456 kg/ha3.456 kg/ha2.432 kg/ha
Área123.683 ha123.683 ha117.779 ha

 

E os números da produção do trigo:

Safra do TrigoJunhoMaio2017
Produção5.668.546 t5.630.425 t4.241.602 t
Rendimento2.825 kg/ha2.827 kg/ha2.217 kg/ha
Área2.006.719 ha1.991.932 ha1.913.226 ha

 

Cerveja sem crise: Os caminhos para se proteger da instabilidade econômica

Se o mercado brasileiro de cerveja artesanal cresceu dois dígitos nos últimos anos, o país vive uma realidade inversa. Entre greve de caminhoneiros, lenta recuperação econômica e uma eleição que não empolga, o cenário conjuntural pouco inspira confiança e traz instabilidade de um setor que surgiu como um dos destaques da década.

Alexandre Prim, professor e especialista no mercado cervejeiro

No final de junho, por exemplo, o Banco Central reduziu para 1,6% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2018, indíce 1% inferior ao da projeção anterior. A queda se deveu ao resultado abaixo da expectativa para o primeiro trimestre do ano: aumento de apenas 0,4% do PIB frente ao quarto trimestre de 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto a economia derrapa e o cenário político não inspira confiança, surge uma grande aliada das empresas do setor cervejeiro: a cautela. “Não há como negar que a macroeconomia e a instabilidade política brasileira afetam a microeconomia”, assegura Alexandre Luis Prim, que vem estudando detalhadamente o mercado cervejeiro em seu doutorado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP).

As empresas do setor devem seguir, segundo Prim, dois preceitos fundamentais para enfrentar os riscos: controle financeiro e equilíbrio das contas.

“Como não é possível controlar estes fatores externos, as empresas devem ter atenção em controles financeiros e de custos a fim de, no mínimo, equilibrar as contas”, recomenda o especialista, antes de elencar outros dois importantes fatores.

“É preciso também segurar os investimentos, uma vez que elas podem não conseguir recuperá-lo”, diz Prim, que também é autor do livro “Gerenciamento do Escopo, Tempo e Custos em Projetos” e professor de cursos de graduação e pós-graduação do Senac Blumenau e da Uniasselvi.

Outro preceito importante nesse momento, segundo ele, é ter um controle completo da gestão. “Portanto, o que se sugere neste período de instabilidade é que as empresas reforcem os controles para garantir uma gestão mais efetiva, com dados imediatos para tomada de decisão. De certa forma, isto não garante a sobrevivência de qualquer empresa, mas reduz os riscos de qualquer atropelo financeiro.”

Um mercado peculiar
Embora aponte a necessidade de segurar o investimento, o professor do Senac explica que o mercado brasileiro tem suas especificidades. Assim, mesmo que o setor possa sentir o efeito da crise, Prim garante existir razões para que o consumo de cerveja se mantenha em alta.

“No entanto, por mais que existam diversos limitadores de consumo, percebo que os brasileiros tentam se desvincular destes fatores negativos e, portanto, ‘driblam’ o que pode limitá-los em sua vida profissional e pessoal”, garante.

Mesmo que o consumidor esteja em crise, segundo acrescenta o especialista, ele dará um jeito de tomar sua cerveja. “É um fato até curioso: os brasileiros podem estar endividados (e até com o nome sujo), mas não deixam ter seu momento de lazer, de tomar uma boa cerveja e fazer aquele churrasco”, completa Prim.

Leia mais: Em entrevista, Alexandre Luis Prim fala sobre os desafios do mercado cervejeiro para os próximos 5 anos.

Agrária amplia portfólio e promete lançar dois novos maltes até 2019

Depois de apresentar dois maltes no início deste ano, a Agrária segue trabalhando para ampliar sua oferta e disponibilizar novas opções ao mercado brasileiro. Até 2019, segundo garante Rafael Bruno Mattes, coordenador comercial da empresa, dois novos produtos devem estar disponíveis.

O primeiro é um malte Pilsen, com previsão para o segundo semestre deste ano. Em seguida, a Agrária trabalhará no lançamento de um produto de trigo.

“Teremos duas novidades no portfólio de maltes produzidos pela Agrária: o malte Pilsen extra claro, que será lançado no segundo semestre de 2018, e o malte de Trigo, com lançamento previsto para 2019”, revela Mattes com exclusividade ao Guia da Cerveja.

Essas novidades se somarão às três novas opções lançadas recentemente: o malte Pale Ale, criado em julho de 2017, o Vienna, distribuído pela primeira vez em janeiro deste ano, e o Munique, apresentado em março no Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau.

Os novos maltes, aliás, segundo conta Mattes, já alcançaram o mercado externo. “Atualmente fornecemos estes novos maltes para mais de 500 clientes e tivemos um excelente feedback, dos cervejeiros caseiros, das cervejarias artesanais e até dos grandes grupos cervejeiros. Além disso já estamos exportando estes maltes para países vizinhos”, completa o coordenador da Agrária Malte.

Histórias etílicas: Stalin, a Zhigulevskoye e a cerveja russa que nem era “alcoólica”

Quando se trata do consumo de bebidas alcoólicas, os russos não brincam. O povo, acostumado a doses fortes, tem a vodca como preferência e, perto de outros países, não consome tanta cerveja: a média é de 68 litros por habitante por ano – similar ao Brasil e longe de vizinhos como Polônia (97 litros) e ex-repúblicas soviéticas como Lituânia (96l) e Letônia (78l). A relação da Rússia com a cerveja, no entanto, passou por altos e baixos no período soviético, como nos tempos de Stalin, até ela se consolidar, hoje, como segunda mais consumida no país.

Zhigulevskoye, a cerveja típica da URSS

Durante o período soviético, a bebida se confundia com a marca Zhigulevskoye. Originalmente, é o nome de uma cervejaria surgida em Samara no final do século 19, fundada e tocada pelo austríaco Alfred von Vacano nos mais latos padrões de tecnologia, infraestrutura e higiene da época. Seu principal rótulo era uma Vienna Lager, que caiu no gosto da população na virada para o século XX.

Na década de 1930, o staff do líder comunista Joseph Stalin aprovou a cerveja de Vaccano e adotou a receita de sua Vienna Lager como a cerveja oficial da União Soviética, rebatizando-a com o nome da própria cervejaria.

A Zhigulevskoye passou a ser produzida em centenas de cervejarias pelo país e mesmo hoje, após a entrada de diversos players internacionais no mercado, continua popular e reverenciada na Rússia.

Alcoolismo e restrições
Mas o consumo abusivo de álcool já aparecia como um problema de saúde pública e a popularização da cerveja, acelerada após o final da URSS, tem certo papel na mudança desse cenário. Em 1985, a Organização Mundial de Saúde alertava que a expectativa de vida dos homens soviéticos era 12 anos mais baixa do que a de um norte-americano. E o motivo era claro: o excessivo consumo de álcool.

O governo, então sob Mikhail Gorbatchev, tomou medidas visando a diminuição do consumo, aumentando preços e impostos sobre vodca, vinho e cerveja, restringindo horários e pontos de venda.

Assim, a vodca passou a ter preços proibitivos para certas faixas da população. Nas áreas rurais, a alternativa foi recorrer ao tradicional samogon, nome dado a qualquer bebida destilada artesanalmente, sem regulamentação, geralmente feita com açúcar, milho, beterraba e batata, enquanto a cerveja, por mais que tivesse encarecido, se tornara opção acessível nos centros urbanos. O resultado foi a queda drástica nas vendas e no consumo.

A medida só valeu até 1991, mas os efeitos dela e da consequente popularização da cerveja ainda são sentidos. Com a abertura do país para o mercado na década de 1990, cervejarias internacionais lá se instalaram, diversificando e popularizando a bebida.

Estudos de acadêmicos da Kellog School (EUA), em parceria com a Nova Escola de Economia da Rússia, mostram que a medida surtiu efeitos significativos: homens russos que tinham entre 16 e 22 anos e moravam em áreas urbanas no período de restrição às bebidas – e logo após o colapso da União Soviética – têm a cerveja como sua preferência.

O cenário é diferente para homens da mesma idade que viviam na área rural, cuja preferencia continuou entre vodca e samogon. Associada a outros fatores, a taxa de mortalidade caiu um terço nos anos 1990, enquanto se acentuou a diferença de mortalidade entre os que passaram a consumir cerveja e aqueles que continuaram nas bebidas mais fortes.

O problema, contudo, não terminou aí. Os níveis de consumo de álcool na Rússia continuaram mais altos do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde. O governo adota até hoje medidas com o objetivo de restringir o consumo – a maioria delas passa por taxação e proibições.

Mas, em 2011, uma medida curiosa abriu caminho para restrições mais duras: até então, apenas produtos com mais de 10% de teor alcoólico entravam na categoria de alcoólicos. A maioria das cervejas se enquadrava como “softdrink” até esse ano, quando todas elas passaram a ser consideradas bebida alcoólica de fato.

Mercado cervejeiro precisa ser melhor explorado pela indústria, diz Abimaq

A expansão do mercado brasileiro de cerveja vem exigindo a disponibilidade de equipamentos mais eficientes e com baixo custo de manutenção. Nem sempre, contudo, a indústria nacional consegue atender essas expectativas. É o que garante Nelson Ferreira Júnior, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas para a Indústria Alimentícia, Farmacêutica e Refrigeração Industrial (CSMIAFRI) da Associação Brasileira da Indústria de Maquinas e Equipamentos (Abimaq).

Na avaliação de Ferreira, a ampliação da oferta ao setor pode favorecer tanto os industriais, que ganhariam com um amplo mercado para explorar, quanto os produtores de cerveja, que passariam a contar com equipamentos mais eficientes.

“Hoje grandes indústrias do mercado cervejeiro compram equipamentos cada vez mais eficientes, com grande confiabilidade e também com custo de manutenção baixo”, comenta o executivo, em entrevista ao Guia da Cerveja. E ele acrescenta:

“Este mercado tem que ser melhor explorado. A indústria nacional deve investir mais em tecnologia para o setor, proporcionando aos seus clientes que eles consigam repetibilidade na qualidade da sua cerveja com um custo produtivo adequado às necessidades de volume”.

Embora a indústria nacional já ofereça equipamentos específicos ao setor, Ferreira pondera que eles ainda estão longe de suprir a demanda. “Grande parte das vendas de equipamentos nacionais são feitas para um mercado de microcervejarias. Por outro lado, as grandes cervejarias têm comprado de empresas multinacionais.”

Mercado em expansão
A certeza de que o mercado cervejeiro pode ser melhor explorado se deve ao crescimento expressivo do setor nos últimos anos. Essa expansão pode tanto ser confirmada pelos dados conjunturais, segundo o executivo, quanto pelo desenvolvimento das artesanais.

“Este mercado ao longo dos anos vem se mostrando ter um potencial em pleno crescimento, principalmente no consumo de cervejas especiais”, diz Ferreira, apontando alguns bons balizadores para avaliar o setor.

“Um grande termômetro para este segmento é a economia: quando o país está bem, o volume de cerveja mainstream consumida cresce e o inverso também é verdadeiro. E aí neste intervalo entra o consumo de cervejas especiais que cresce ano a ano, gerando vários investimentos por parte da indústria.”

A aposta no setor cervejeiro, assim, segundo ele, pode definitivamente trazer benefícios a toda indústria nacional. “O mercado cervejeiro no Brasil e na América Latina como um todo é um dos mais atraentes do mundo, devido ao consumo crescente e à demanda reprimida. O mercado está aí aberto a todos que queiram produzir equipamentos de alta qualidade, de forma a valorizar ainda mais este mercado milenar, o da cerveja.”