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Bud Light investe no esporte após perder mercado e volta ao UFC

A Bud Light perdeu o status de cerveja mais vendida dos Estados Unidos para a Modelo, mas ainda não desistiu dessa luta, tanto que, recentemente, obteve uma vitória significativa no campo do marketing ao se tornar a nova patrocinadora oficial do UFC, a principal liga de MMA do mundo. Essa ação faz parte da estratégia da gigante cervejeira Anheuser-Busch para revitalizar a imagem da Bud Light.

O patrocínio, que entra em vigor em 1º de janeiro, confere à Bud Light o status de “parceira oficial de cerveja” do UFC, garantindo exposição em eventos como lutas, pesagens, além de conteúdos para televisão e plataformas digitais. Esta parceria marca o retorno da Bud Light ao UFC, após ter patrocinado o evento de 2008 a 2017, antes de ser substituída pela Modelo.

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“Como um dos maiores e mais antigos patrocinadores esportivos, estamos entusiasmados em trabalhar com o UFC para celebrar nossos fãs apaixonados e, ao mesmo tempo, causar um impacto positivo nas comunidades de toda a América”, diz Brendan Whitworth, CEO da Anheuser-Busch

A parceria não se limita aos Estados Unidos, sendo global, para os fãs do UFC em todo o mundo. Nos mercados fora dos EUA, incluindo o Brasil, a Budweiser e outras marcas da AB InBev participarão ativamente do patrocínio em eventos e ações de marketing.

“Tenho orgulho de anunciar que estamos de volta aos negócios juntos. Há muitos motivos pelos quais escolhi a Anheuser-Busch e a Bud Light, e o mais importante é porque sinto que estamos muito alinhados no que diz respeito aos nossos valores fundamentais e ao que a marca UFC representa”, afirma o CEO do UFC, Dana White, por meio de um comunicado.

A estratégia de marketing tem sido a aposta principal da AB InBev para ajudar a Bud Light a recuperar sua posição de líder de mercado nos Estados Unidos. No último bimestre, a marca investiu US$ 31,3 milhões em publicidade nacional na televisão, um aumento de 56% em comparação ao ano anterior, de acordo com a empresa de medição de anúncios iSpot.tv.

Antes do UFC, a Bud Light já vinha sendo utilizada pela Anheuser-Busch como plataforma de divulgação em outra modalidade esportiva, o futebol americano, com várias campanhas sendo apresentadas no início da nova temporada da NFL.

A perda de participação de mercado pela Bud Light teve impactos significativos nos resultados da AB InBev, que registrou uma queda de 13,5% nas vendas nos Estados Unidos no terceiro trimestre, com a comercialização para varejistas recuando 17%.

Esse declínio é atribuído, em parte, ao boicote contínuo à Bud Light iniciado após uma ação de marketing com a influenciadora transgênero Dylan Mulvaney. Analistas da indústria cervejeira sugerem que alguns clientes, outrora leais à Bud Light, podem ter abandonado permanentemente a marca.

A Circana, uma empresa líder em análise de consumo, relata uma queda sequencial de quase 3 pontos percentuais na participação total em dólares de cerveja nas últimas quatro, 13 e 26 semanas. Além disso, a NielsenIQ aponta um recuo anualizado de 30% nas vendas, considerando as quatro semanas encerradas em 7 de outubro, reforçando a urgência da Bud Light em recuperar sua posição no mercado.

Menu Degustação: Bierville remarcado, Corona em heliponto de São Paulo…

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Algumas das novidades do setor cervejeiro estão relacionadas diretamente ao clima. Adiado em outubro em função das chuvas em Santa Catarina, o Bierville já tem data para acontecer: será entre os dias 1º e 3 de dezembro, em Joinville, com a presença de 30 cervejarias.

Já em uma ação de marketing, neste fim de semana, a Corona oferece uma vista surpreendente de reencontro do paulistano com o sol em um dos helipontos da cidade. E para quem começa a planejar o ano de 2024, uma definição: a Amstel será a cerveja oficial dos desfiles das escolas de samba de São Paulo no Anhembi.  

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Confira essas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Bierville remarcado
A tradição cervejeira de Joinville será festejada durante a Bierville, confirmada para a Expoville, com entrada gratuita, entre os dias 1º e 3 de dezembro, após ser adiado em outubro, por causa das chuvas. O evento possibilitará aos joinvilenses e visitantes festejarem a cidade, sua gastronomia e uma variedade de cervejas locais e de outras cidades catarinenses, além de marcas nacionais. Serão 30 cervejarias e mais de 200 rótulos de cervejas e opções para drinques diversos, além de espaço kids.

Curso online
O Science of Beer Institute apresenta o curso online Beer Sensory, uma oportunidade única que oferece experiências e materiais exclusivos. Focado na avaliação sensorial de cervejas, o curso baseia-se em critérios científicos, proporcionando treinamento em habilidades técnicas e sensoriais para profissionais da indústria cervejeira. O programa visa formar e certificar profissionais em nível de proficiência em Habilidades de Avaliação/Gestão Sensorial, oferecendo aulas ao vivo no formato remoto com atividades síncronas e interação por meio de perguntas na plataforma de ensino. Além disso, as aulas são gravadas e ficam disponíveis por 6 meses, permitindo flexibilidade de acesso para os participantes.

Podcast do Beer Summit
O Beer Summit fez o lançamento do Beer Summit Cast, um formato de podcast que visa ampliar a disseminação de conteúdo cervejeiro. Sob a liderança inicial da sommelière Candy Nunes durante o Brasil Beer Cup, o podcast abrange uma variedade de tópicos, desde cultura cervejeira e ciência até inovação, biografias de convidados e legislação. Agora sob a condução da idealizadora do projeto, Amanda Reitenbach, o podcast continua suas gravações em estúdio em Florianópolis, proporcionando entrevistas descontraídas e informativas. O objetivo é democratizar o acesso gratuito a conteúdo cervejeiro de qualidade, com episódios quinzenais transmitidos no canal do YouTube do Science of Beer, e em breve no Spotify.

Campanha da Campos do Jordão
A Cerveja Campos do Jordão lançou a Campanha-Projeto “Nossos Campos, Nossa Essência”, que engloba uma série de iniciativas voltadas para a conscientização sobre os Campos de Altitude da Mantiqueira, um ecossistema da Mata Atlântica de grande importância para o país e, especialmente, para a configuração da região mantiqueirense. O lançamento nas redes sociais da marca destaca as belezas dos campos de altitude de Campos do Jordão e apresenta a primeira ação da campanha: o Concurso de Fotografias de Campos de Altitude da Mantiqueira, que premiará a melhor foto com um iPhone 14 Pro. As inscrições estão abertas a interessados de todo o país.

Turatti no Fortaleza Restaurant Week
A cervejaria Turatti está participando de mais uma edição da Fortaleza Restaurant Week. Nas quatro unidades da cervejaria, os clientes podem desfrutar de opções culinárias assinadas pelo chef Danilo Matos. Até 26 de novembro, está disponível um menu completo (entrada + prato principal + sobremesa) a um preço especial. Com o tema “Biomas brasileiros: uma jornada gastronômica pela diversidade natural”, o festival apresenta cerca de nove pratos, com destaque para os cortes de carne.

Samba pelos 10 anos da Cacildis
A Cacildis celebrou uma década no mercado, marcando a ocasião com uma homenagem às suas raízes. A marca do Grupo Petrópolis lançou um samba inédito, intitulado “Um Brinde à Vida”, composto por Neném Chama, Dinho Luz e Nélio Jr., e gravado pelo cantor Mumuzinho. A música, que celebra a felicidade, amizade, amor e paz, foi disponibilizada no Spotify . Além disso, a marca apresentou uma coleção de latas especiais de Cacildis transformadas em instrumentos musicais típicos do samba, como Reco-Reco, Tantan, Tamborim, Chocalho e Afoxé.

Heliponto da Corona
Em meio à correria da cidade e de prédios cada vez mais gigantes, a Corona achou um jeito diferente de ajudar as pessoas a se reconectarem com o sol em meio à paisagem urbana com a experiência Reencontre O Sol. Para a sua edição de estreia, a marca de cerveja transformou temporariamente um dos mais de 200 helipontos de São Paulo em um mirante onde será possível ter acesso a uma vista incrível e privilegiada. Programada para este sábado e domingo (11 e 12), no edifício B32, localizado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, a ação será aberta ao público com acesso gratuito e feita por sessões de uma hora e também receberá um bar inédito da marca. 

Corona Sunsets revela atrações no Brasil
As primeiras atrações do Corona Sunsets World Tour Experience, que ocorre às vésperas do Réveillon no paraíso natural de Preá, no Ceará, estão agora confirmadas. Após percorrer mais de dez países, o festival global estreia no Brasil apresentando uma programação que inclui atrações musicais nacionais e internacionais, além de uma série de experiências projetadas para conectar o público com sua essência e a natureza. A banda norte-americana de reggae SOJA é uma das grandes atrações, se apresentando no dia 28 de dezembro. Outro destaque confirmado para o mesmo dia é o rapper Criolo. O evento ocorre de 27 a 29 de dezembro, e os ingressos já estão disponíveis.

Amstel no carnaval de SP
A Amstel e a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga SP) formaram parceria para o carnaval de São Paulo em 2024 e 2025. Pelo acordo com a Liga SP, a Amstel será a cerveja oficial de todas as 33 escolas de samba de São Paulo, (14 do grupo especial e 19 do grupo de acesso) marcando presença em todos os eventos oficiais, como ensaios e desfiles. Durante os dias de apresentações e festejos no Sambódromo, a marca estará presente nos mais de 50 bares na área, além dos camarotes. 

Heineken, Senna e Netflix
A Heineken, patrocinadora global da Fórmula 1, realizou uma ativação especial em homenagem a Ayrton Senna durante o GP de São Paulo. Essa ação reforçou a parceria entre Heineken e Netflix, destacando a primeira minissérie de ficção sobre o lendário piloto. No Heineken Village, localizado no autódromo de Interlagos, a marca apresentou uma exposição exclusiva dedicada a Senna. A mostra incluiu objetos originais utilizados pelo tricampeão mundial, bem como imagens inéditas dos bastidores da produção da Netflix. Os visitantes tiveram a oportunidade de ter uma visão exclusiva desses momentos. A minissérie, intitulada Senna e ainda em produção, explorará ao longo de seis episódios a extraordinária trajetória de Ayrton Senna, abordando seus desafios, conquistas, alegrias e tristezas. O enfoque se estenderá à personalidade única do piloto e às suas relações pessoais.

João Pimenta e Itaipava
O humorista baiano João Pimenta é a estrela do filme da maior campanha do ano da Itaipava, marca pertencente ao Grupo Petrópolis. Com muita leveza e descontração, a proposta da campanha é mostrar como as pessoas podem aproveitar o verão em diversos locais, contextos e situações. Sob o lema “Tem o Verão, e tem o Verão com Itaipava”, o humorista descreve de maneira descontraída a maneira como os brasileiros aproveitam essa estação. O filme destaca os atributos da cerveja Itaipava, como malte importado e lúpulo alemão.

Água da Ambev no Nordeste
A Ambev acaba de anunciar mais um passo significativo em seu projeto de fornecimento de água potável para comunidades carentes. Após impactar milhares de brasileiros com a água AMA, a iniciativa agora abrange todos os estados do Nordeste. A empresa conta com uma rede logística eficiente para garantir o fornecimento de água em regiões distantes e necessitadas. Além disso, em parceria com importantes colaboradores, como a Fundação Avina, Deep e a startup Água Camelo, a Ambev também contribuiu para a construção de poços profundos e sistemas de canalização para a distribuição de água potável em diversas cidades do país.

Luta contra a fome
Pensando em soluções abrangentes para toda a cadeia, o BEES, a plataforma B2B da Ambev, uniu forças com a startup Food To Save para combater o desperdício de alimentos na luta contra a fome, ao mesmo tempo em que proporciona uma fonte de renda adicional para os mais de 1 milhão de pequenos empreendedores, proprietários de bares e restaurantes em seu ecossistema. Juntas, essas empresas conseguiram evitar o desperdício de quase 270 toneladas de alimentos, alcançando a marca de R$ 3 milhões em vendas das chamadas “sacolas surpresas”. Essas sacolas consistem em um mix de produtos próximos à data de validade, mas ainda próprios para o consumo. Ao participar desse projeto, os pontos de venda parceiros do BEES, como bares, restaurantes e padarias, podem se cadastrar gratuitamente na plataforma Food To Save para comercializar alimentos próximos à data de validade.

Prêmio de inovação social 
Carla Crippa, vice-presidente de impacto e relações corporativas da Ambev, é a única mulher brasileira finalista do Prêmio de Inovação Social da Fundação Schwab 2024. Anualmente, por meio de um criterioso processo de seleção, a fundação recebe indicações que reconhecem inovadores sociais responsáveis por provocar mudanças significativas no mundo. A entrega do prêmio está programada para janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Modo Eisen em nova campanha
Após apresentar os resultados de uma pesquisa quantitativa realizada em parceria com o Instituto Datafolha, que revelou que apenas 9% da população brasileira declara viver em ritmo calmo ou muito calmo, a Eisenbahn lançou um novo filme para TV e redes sociais. O filme sugere que as pessoas valorizem mais o tempo e vivam no ritmo 1x. No desfecho, o vídeo transporta imediatamente o espectador para um ambiente de bar, onde o protagonista aguarda atendimento e percebe que as pessoas ao seu redor estão vivendo em um modo acelerado. O mote da campanha é então apresentado: “Bora ativar o Modo Eisen? É na velocidade 1x que a vida acontece.”

Proposta de tributação diferenciada para bares avança; veja impactos

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A aprovação da reforma tributária em dois turnos no Senado marcou mais um passo em direção à adoção de um novo modelo de cobrança de impostos no Brasil, após mais de 30 anos de discussão, e aproximou o setor de bares e restaurantes de operar sob um regime especial de tributação.

A alíquota a ser efetivamente aplicada só será definida em 2024, após a aprovação da reforma tributária, quando debates a respeito de leis complementares irão estabelecer essas taxas. Contudo, a menos que, na volta da PEC 45/2019 à Câmara dos Deputados, o grupo de bares e restaurantes seja retirado do regime especial, eles não serão submetidos integralmente à futura carga tributária brasileira.

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Esta era uma preocupação dos representantes de bares e restaurantes, visando evitar um aumento dos tributos para os estabelecimentos que atuam sob os regimes de lucro real ou lucro presumido. Para aqueles que operam no Simples Nacional, não há alterações.

A proposta, originada na Câmara dos Deputados e aprovada em dois turnos no Senado, propõe um regime diferenciado na cobrança de impostos, incluindo possíveis alterações na base de cálculo e nas alíquotas de alguns serviços, incluindo bares e restaurantes. Espera-se uma redução de até 60% da alíquota cheia, inicialmente projetada para ultrapassar os 25%, alcançando pelo menos 27%, considerando as diversas exceções que estão sendo discutidas em Brasília.

Além de bares e restaurantes, esse regime tributário diferenciado abrange outros serviços, como parques de diversões e temáticos, e a aviação regional. Agências de viagens e turismo também foram incluídas no texto no Senado.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), consultada pela reportagem do Guia, expressou satisfação com a decisão do Senado de incluir os bares e restaurantes entre os setores que terão alíquota diferenciada, a ser definida por meio de lei complementar em 2024.

“A aprovação do relatório pelo Senado está em alinhamento com as boas práticas internacionais, uma vez que no contexto de países europeus, por exemplo, as alíquotas do setor de bares e restaurantes giram em torno de 40% da alíquota cheia”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da associação.

A entidade, assim, comemora a aprovação e está otimista com a reforma tributária como um todo. “Com a decisão, haverá aumento da produtividade dos bares e restaurantes, com estímulo ao empreendedorismo e à geração de emprego e renda”, acrescenta Solmucci.

Próximos passos
Como a proposta votada na Câmara sofreu alterações no Senado, será necessária uma nova votação no legislativo, só podendo ser promulgada quando ambas as casas concordarem integralmente com o texto. O governo federal trabalha com a expectativa de que isso ocorra ainda em 2023.

Embora não seja possível garantir que isso acontecerá, parece certo que outra importante discussão ficará para o próximo ano: as alíquotas a serem aplicadas, incluindo a do imposto seletivo.

Apelidado como “imposto do pecado”, ele incidirá sobre produtos considerados nocivos à saúde e ao meio ambiente. A definição sobre quais serão esses produtos ainda irá acontecer, mas atualmente tudo indica que cerveja e demais bebidas alcoólicas estarão entre eles, sendo necessário, então, definir a sobretaxa correspondente e como ela incidirá.

Com filme sobre Lambic, festival celebra união entre gastronomia e cinema

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A união entre gastronomia e cinema será fortalecida a partir desta quinta-feira, em São Paulo, o que inclui um espaço para as cervejas. A segunda edição do SP Food Film Festival começa na capital paulista e se estenderá até 19 de novembro, com uma programação híbrida e gratuita, que inclui a exibição de um filme sobre o estilo de cerveja Lambic, além de degustações e debates envolvendo a culinária.

O filme é “Lambic” (ou “Bottle Conditioned“, seu nome original em inglês), dirigido pelo norte-americano Jerry Franck. Ele foca no universo das Lambics, explorando os métodos tradicionais de fabricação de cerveja, seu processo de fermentação único e a ascensão desse estilo, por meio de entrevistas com representantes das cervejarias Bokke, Cantillon e 3 Fontenien.

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“Lambic” pode ser assistido tanto online, por meio da plataforma SPcine Play, quanto na Cinemateca, com uma sessão agendada para o próximo domingo (12) às 18 horas. Além disso, após a exibição do filme, o festival oferecerá uma degustação de cervejas.

As degustações gastronômicas em algumas sessões são uma das características únicas do SP Food Film Festival, que reúne mais de 30 filmes de 14 países diferentes, incluindo clássicos fictícios e documentários contemporâneos.

“O SP Food se propõe a criar experiências únicas que combinam cinema, gastronomia, cultura e discussões relevantes sobre temas ligados à alimentação, desde a produção no campo até o prato ou o copo servido na mesa”, diz, ao Guia, André Henrique Graziano, diretor e co-criador do festival.

Lambic também se insere entre as várias estreias no cinema de filmes por meio do festival, que também inclui “Blind Ambition”, um documentário no qual quatro refugiados do Zimbábue superam as expectativas para se tornar os melhores sommeliers de vinho da África do Sul, e “Volte Sempre”, que narra a história de Masamoto Ueda, que por mais de 40 anos tem servido seu lendário ramen ao estilo de Tóquio para uma comunidade de frequentadores regulares.

Mas também há espaço para clássicos do cinema, como “Morango e Chocolate”, “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, “A Dama e o Vagabundo” e “A Fantástica Fábrica de Chocolate”.

Muito além dos filmes
O SP Food Film Festival vai além do cinema, oferecendo aulas-show de culinária com chefs renomados, bem como painéis de debate sobre temas contemporâneos relevantes relacionados à alimentação. Os tópicos incluem cozinhas solidárias, consumo de ultraprocessados, uso de agrotóxicos, educação alimentar e nutricional.

“Nosso propósito é trazer, através do cinema, temas urgentes para discussão sem deixar de promover a experiência sensorial que a gastronomia traz”, comenta Daniela Guariba, uma das idealizadoras do evento.

Além disso, o SP Food Film Festival apresenta uma exposição fotográfica de Paulo Vitale, retratando chefs de cozinha. Oficinas para o público adolescente de duas escolas municipais de São Paulo também estão programadas.

“Queremos fomentar a importância da questão alimentar no Brasil e principalmente difundir entre os jovens, afinal, comida é cultura”, conclui Graziano.

Confira o trailer de “Lambic”:

Parceria pode dar cashback a até 34 milhões de clientes da TIM no Zé Delivery

Uma parceria que ainda se encontra em fase piloto entre a Ambev e a TIM tem o potencial de impactar até 34 milhões de usuários de telefonia móvel em 2024. Com previsão de lançamento oficial no próximo ano, essa iniciativa entre as duas empresas promete oferecer “cashback” para a compra de bebidas e produtos por meio do aplicativo Zé Delivery, com a promoção sendo destinada a clientes que efetuarem recargas em planos pré-pagos da TIM.

A revelação dessa união empresarial foi feita pela TIM durante o evento TIM Brasil Day 2023, realizado em Nova York e voltado para investidores e analistas. Os executivos afirmaram que a iniciativa ainda está em fase de testes e será lançada em grande escala em 2024.

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Tanto a TIM quanto a Ambev, quando contatadas pela equipe do Guia, não forneceram detalhes sobre como os consumidores terão acesso ao cashback nem em quais regiões o programa está sendo implementado.

“A parceria está em fase piloto e o lançamento oficial está programado para o próximo ano. Manteremos os consumidores e clientes atualizados para aproveitarem o benefício”, se resumiu a informar a Ambev por meio da sua assessoria de imprensa.

Durante o evento promovido pela TIM, o vice-presidente comercial da Ambev, Eduardo Lacerda, descreveu essa parceria como o início de uma “colaboração que tem potencial para se tornar muito maior,” enfatizando a possibilidade de fidelizar a base de clientes com os serviços oferecidos ao consumidor.

“Essa é uma excelente oportunidade para adquirir novos consumidores para o Zé Delivery. Vejo essa iniciativa como o primeiro passo de uma parceria que pode crescer ainda mais no futuro. Também acredito que nossas marcas podem ajudar a fidelizar os clientes da TIM”, disse Lacerda, em um vídeo.

De acordo com balanço divulgado no início desta semana, a TIM conta com 34,078 milhões de clientes pré-pagos de uma base total de 61,254 milhões. A parceria com empresas de outros setores, como já ocorre com o banco C6, faz parte de uma estratégia para reter sua base de clientes, que diminuiu 12,9% entre os pré-pagos em um ano.

No evento da TIM, o vice-presidente comercial da Ambev ressaltou que o Zé Delivery representa 3% do volume de vendas da empresa no Brasil. No balanço do terceiro trimestre, a empresa reportou um volume de 23,482 milhões de hectolitros de cerveja vendidos no país durante o período de um total de 31,425 milhões de hectolitros de bebidas. O Zé Delivery foi um dos destaques do resultado da Ambev, com 4,7 milhões de usuários ativos no último trimestre e um aumento de 12% no preço médio de cada pedido.

Embora o acordo com a TIM possa levar a parceria a novos patamares, a modalidade de cashback por meio de parceiros já é praticada no Zé Delivery, especialmente em colaborações com programas de sócio-torcedor de clubes como Atlético-MG, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense e Vasco.

Duvel celebra a cachaça em nova cerveja de série maturada em madeira

A cachaça foi a bebida homenageada pela Duvel Moortgat na produção de mais uma cerveja da icônica marca belga. Barricas de madeira onde a bebida brasileira é envelhecida foram utilizadas na criação da Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition.

A cerveja foi produzida em barris usados no processo de fermentação da cachaça, sendo a oitava da série Duvel Barrel Aged, criada em 2017. Nesse projeto, a proposta da marca é envelhecer sua produção em barricas de madeira que anteriormente abrigavam outras bebidas, passando por um processo semelhante.

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No ano de 2023, a bebida escolhida para essa homenagem foi a cachaça. Para a produção da Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition, a marca selecionou 446 barris de carvalho previamente utilizados na fabricação da bebida em Minas Gerais, uma região conhecida por sua tradição na produção de cachaça.

O resultado, então, foi conhecido após oito meses de maturação. O mestre destilador Cédric Heymans descreve a cerveja como tendo “um toque de frutas vivas proveniente dos barris de cachaça, que se expande com notas de carvalho, nozes secas e baunilha. Na Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition, você descobrirá tanto a delicadeza da nossa confiável Duvel quanto o caráter ardente da cachaça”.

Conforme descrito no site oficial da marca, a novidade da Duvel oferece, em sua primeira degustação, um paladar frutado tropical, com aromas maduros de baunilha, cravo, caramelo e toffee. Logo em seguida, a sensação aveludada do marshmallow contribui para uma experiência de sabor harmoniosa.

A novidade também ficou mais potente, com 11% de graduação alcoólica. “O sabor e o retrogosto ficarão mais arredondados devido à influência do álcool original que ainda está presente nas barricas de carvalho encharcadas”, explica Heymans.

A primeira edição da Duvel Barrel Aged foi lançada em 2017, amadurecida em barris de uísque de madeira, originários de destilarias de bourbon dos Estados Unidos. No ano passado, na sétima edição da linha, a homenagem foi ao uísque irlandês.

Nova Declaração de Produção Anual: Setor avalia vantagens e desafios

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A Declaração de Produção Anual das cervejarias brasileiras sofrerá mudanças significativas a partir de 2024. O processo agora será realizado exclusivamente online, por meio de um novo canal disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com seu preenchimento ocorrendo durante o mês de janeiro, entre os dias 1º e 31.

Essa novidade, que já foi abordada em um artigo no Balcão do Advogado, está impactando as práticas das cervejarias. Para compreender como o setor enfrenta essa transformação, o Guia conversou com fabricantes e representantes das associações, que analisaram os benefícios e os desafios associados a essa medida.

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Para Filipe Bortolini, presidente da Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM), o formulário online oferece maior segurança no preenchimento dos dados e padroniza a coleta de informações em um único local. Anteriormente, cada cervejaria usava um modelo próprio e enviava informações para seu estado, resultando na ausência de um padrão.

“O formato anterior, através de planilhas que precisavam ser preenchidas e entregues por e-mail ou fisicamente, gerava dúvidas e dificultava a consolidação e a análise dos dados. Com o novo modelo, as cervejarias podem fazer a declaração online em um formulário com respostas padronizadas para todos”, diz.

Isso deve reduzir a possibilidade de que erros sejam cometidos no momento de preenchimento. “Muitos campos já trazem as opções a serem escolhidas como resposta e também indica quais campos são de preenchimento obrigatório. No formato anterior, era possível cometer erros de digitação ou esquecer de preencher algum campo. O fato de estar online também permite que o formulário possa ser corrigido ou atualizado e imediatamente disponibilizado para as cervejarias acessarem em um local único”, argumenta.

André Valle, CEO da Masterpiece, destaca que a principal vantagem do novo modelo de Declaração de Produção Anual será a sua realização online, o que acelerará o processamento das informações.

“Acredito que tornar o processo eletrônico é um grande avanço para todas as cervejarias. O processo antigo era muito ‘manual’, exigindo o preenchimento de uma vasta planilha, não beneficiando nem as cervejarias e, provavelmente, moroso também para o MAPA. Tendo um sistema, o MAPA poderá ter relatórios em tempo real e estatísticas precisas. Ambas as partes saem ganhando”, diz.

Isso vai reforçar a possibilidade de geração de mais estatísticas sobre a produção de cerveja, uma das principais demandas do setor, como destaca Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“É muito importante ampliar a oferta de estatísticas pois elas auxiliam os empresários e entidades na tomada de decisões e o próprio governo da formulação de políticas públicas. Neste sentido, o MAPA faz um excelente trabalho, por exemplo, com o Anuário”, comenta.

A Soma Cervejaria acredita que as mudanças tornarão o processo mais confiável, prático e padronizado, pois a declaração será realizada em um ambiente mais seguro e supervisionado pelo Ministério da Agricultura.

“No processo antigo era enviada uma planilha com determinadas informações para um e-mail de contato do Ministério da Agricultura local”, relembra Fabiano Miyahira, sócio da cervejaria paulistana, também destacando que a novidade criará um padrão de declaração.

No entanto, especialistas sugerem que algumas melhorias podem ser feitas, como a disponibilização do formulário dentro do Sipeagro, o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários, que é o sistema oficial para o cadastro de estabelecimentos produtores e seus produtos.

“As cervejarias poderiam escolher os produtos cadastrados e informar as quantidades sem a necessidade de redigitar informações básicas sobre a composição das cervejas e números de registro, por exemplo”, argumenta o presidente da AGM.

Além disso, prevê-se que o processo se torne mais trabalhoso para as cervejarias, com o preenchimento de diversos detalhes, inclusive informações sobre o que é produzido para parceiros ciganos.

Atenta a isso, a Abracerva avalia que o modelo impõe mais obrigações às cervejarias e está em tratativas com as autoridades em busca de adaptações. “O que nos preocupa sobre a Declaração de Produção Anual, e estamos em tratativas com o ministério sobre isso, é que a parte do trabalho neste momento recaiu sobre as cervejarias e os cervejeiros”, diz seu presidente.

São desafios e novidades que as cervejarias deverão compreender melhor na prática, logo nos primeiros dias de 2024. O sócio da Soma aponta que a cervejaria vem trabalhando para ter todos os dados às mãos para o preenchimento da nova declaração em janeiro, quando será possível entender mais detalhadamente e na prática como funciona o novo sistema.

“Os desafios são manter nossos controles sempre atualizados para termos as informações que serão solicitadas nesse novo modelo de declaração anual e ao realizar a primeira declaração em janeiro de 2024 verificar a funcionalidade desse sistema”, comenta.

Carlsberg descarta acordo sobre operação na Rússia: “Roubaram nosso negócio”

O Grupo Carlsberg tomou a decisão de encerrar todos os laços com sua subsidiária na Rússia, a Baltika Breweries, como medida para não conferir legitimidade à ação do governo local, que assumiu o controle da operação. O novo CEO da empresa, Jacob Aarup-Andersen, anunciou essa decisão.

A Carlsberg rejeita, assim, qualquer possibilidade de firmar um acordo com o governo russo, como explicou Arup-Andersen. “Não há como evitar o fato de que eles roubaram nossos negócios na Rússia e não vamos ajudá-los a fazer com que isso pareça legítimo”, afirma o CEO da empresa dinamarquesa.

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Em julho, o governo russo assumiu o controle da Baltika no país, colocando Taimuraz Bolloev, um aliado de Vladimir Putin, à frente da subsidiária da Carlsberg. Bolloev já havia dirigido a empresa anteriormente na década de 1990.

“Não vamos celebrar uma transação com o governo russo que de alguma forma justifique que eles assumam ilegalmente o nosso negócio”, acrescenta o CEO.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Carlsberg foi uma das muitas empresas ocidentais que expressaram o desejo de deixar a Rússia, planejando fazê-lo por meio da venda de sua operação. E, em junho, a empresa chegou a declarar ter encontrado um comprador, com a ressalva de que a transação dependia da aprovação das autoridades do Kremlin.

No entanto, no mês seguinte, o governo local tomou o controle “temporário” da Baltika. A agência imobiliária federal Rosimushchestvo foi nomeada gestora temporária, embora o Kremlin tenha afirmado que isso não “implicava em mudança na estrutura da propriedade”.

Essa ação foi possível graças a uma lei na Rússia que permite o confisco de ativos de companhias de países considerados “hostis”. A mesma abordagem foi aplicada a empresas como a francesa Danone.

A operação da Carlsberg na Rússia incluía 8 cervejarias com 8,4 mil funcionários. Quando anunciou o desejo de sair do país, em 2022, empresa registrou uma redução contábil de 9,9 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 6,96 bilhões na cotação atual).

Antes da intervenção, a Carlsberg detinha uma participação de 27% na Baltika Breweries e era líder de mercado na Rússia. A empresa produzia várias marcas de cerveja estrangeiras, como Carlsberg, Tuborg, Asahi Super Dry, Holsten e Warsteiner.

Em 2021, a Carlsberg obteve uma receita de 6,5 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 4,57 bilhões) na Rússia, correspondendo a aproximadamente 10% de seu faturamento global. Além disso, obteve um lucro de 682 milhões de coroas dinamarquesas (R$ 479 milhões) no país naquele ano, o que representou 6% de seus ganhos totais.

A Carlsberg teve interações limitadas com o Kremlin e os gestores da Baltika desde a intervenção do governo russo, e, como forma de retaliação, encerrou os acordos de licença que permitiam à cervejaria local produzir e vender seus rótulos no país.

“Quando essas licenças expirarem com o período de carência, eles não poderão mais produzir nenhum dos nossos produtos. É claro que não posso garantir que isso aconteça, mas essa é a nossa expectativa”, explica o CEO.

Ação da Ambev dispara após balanço do 3º trimestre; veja 7 análises

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O balanço da Ambev referente ao terceiro trimestre de 2023 foi bem recebido pelo mercado financeiro, como indicam análises e, principalmente, o desempenho da companhia na B3, a bolsa de valores brasileira. Após a divulgação dos resultados do período de julho a setembro na última terça-feira, a ação teve um aumento significativo de preço nos 3 pregões realizados desde então, subindo de R$ 12,36 para R$ 13,29.

Isso representa uma alta de 7,52%. E o destaque foi o dia da divulgação do balanço, quando a valorização ficou em 4,05%. Esse desempenho reflete a satisfação do mercado financeiro com a rentabilidade da Ambev no terceiro trimestre, assim como pela resiliência exibida na venda de cerveja, que caiu, mas pouco no período, principalmente no Brasil.

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O balanço da Ambev revelou um lucro líquido de R$ 4,015 bilhões no terceiro trimestre, um aumento anual de 24,9%, e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 6,584 bilhões, representando um crescimento de 17,6%. No entanto, houve queda de 1,3% na receita líquida, que ficou em R$ 20,318 bilhões, e de 2% no volume de bebidas, para 45,334 milhões de hectolitros.

As equipes de análises consideram esse desempenho sólido, destacando o crescimento de 21,7% na receita líquida por hectolitro e uma redução de 4% nas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) durante o período, reportados no balanço, como resultados que indicam o aumento da rentabilidade da Ambev.

Em relatório, o Bank of America destaca a capacidade da Ambev de combinar preços resilientes, graças ao seu portfólio, com eficiência nos seus gastos, além de ter sido favorecida pelo recuo nos custos de matérias-primas. E isso mais do que compensa a queda nos volumes. “Apesar da desaceleração, vemos a resiliência do preço/mix como positiva após cinco trimestres com aumento de dois dígitos na comparação anual”, afirma.

Esse desempenho, inclusive, levou a equipe de análise do BB Investimentos a mudar a sua recomendação sobre o papel da cervejaria, passando a indicar compra. E mesmo com a queda no volume de cerveja no Brasil, de 1,1%, o relatório do Bradesco BBI indicou um efeito positivo para os acionistas. “A Ambev parece ter conseguido transmitir com sucesso a inflação aos preços”, diz.

Menos otimista, a equipe de análise do BTG Pactual, embora tenha indicado uma surpresa positiva com o resultado financeiro da Ambev no terceiro trimestre, apontou quatro fatores que considera fundamentais para o futuro da companhia.

São eles: a sustentabilidade e intensidade na redução dos custos e despesas; o estado do portfólio central, que está consistentemente com desempenho inferior, semelhante ao que ocorreu com o portfólio central alguns anos atrás; se o segmento premium já é grande o suficiente para impulsionar o crescimento futuro da Ambev; e o que esperar dos preços agora que há ventos favoráveis de custos e a concorrência parece estar se preparando para recuperar sua escala.

Assim, embora com elogios ao balanço do terceiro trimestre em suas análises, a equipe do BTG aponta um cenário de dificuldades a serem encaradas pela Ambev, com riscos relacionados aos temas fiscais no Brasil e macroeconômicos na Argentina, bem como dúvidas sobre a capacidade do portfólio da marca em sustentar um equilíbrio saudável entre volume e preço. “Embora os resultados tenham sido bem recebidos pelo mercado, o caminho futuro da Ambev ainda está sujeito a desafios”, afirma.

Desempenho mensal
O balanço fez, assim, com que a ação da Ambev tivesse um dia final de outubro e um começo de novembro positivos, com análises indicando tendência de alta, ainda que tenha completado, na última terça-feira, o quarto mês consecutivo de queda na B3. O recuo, que foi amenizado pelo bom desempenho no dia 31, foi de 1,91%, caindo de R$ 13,11 para R$ 12,86. Já nos 10 primeiros meses de 2023, há perda de 11,43% em relação aos R$ 14,52 do final em 2022.

A queda acabou sendo menor que a do Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, que recuou 2,94% no período, para 113.143,67 pontos, embora ainda tenha alta de 3,11% em 2023. E nas pontas das ações que compõem o índice ficaram, em outubro, o Magazine Luiza, com queda de 37,26%, e a Gol, com valorização de 29,35% no período.

Fora do Brasil
No exterior, a ação da Ambev repetiu o desempenho que teve no Brasil em outubro: caiu 1,94% na Bolsa de Nova York, para US$ 2,53, ampliando sua queda em 2023, agora de 6,99% em relação ao preço de US$ 2,72 do final de 2022.

Foi, assim, um comportamento diferente aos dos dois principais grupos cervejeiros do mundo na Europa em outubro, com ambos tendo alta mensal, de 2,13% para a AB InBev, para 53,63 euros, e de apenas 0,83% para o Grupo Heineken, chegando aos 84,74 euros. Mas ambas ainda apresentam desvalorização em 2023.

Confira 7 análises do balanço da Ambev, recomendações e perspectivas para o futuro:

Bank of America – Compra, com preço-alvo de R$ 17,50
Esperamos que o bom momento operacional da Ambev continue pelos próximos 12 a 18 meses, com queda significativa nos custos com materiais e performance resiliente de receita

BB Investimentos – Compra, com preço-alvo de R$ 16,00
Diante de um resultado melhor do que estimávamos e de um desconto relevante do preço-atual da ação em relação ao nosso preço-alvo, e também pela assimetria de múltiplo Preço por Lucro (P/L) em relação ao histórico da companhia, alteramos nossa recomendação de neutro para compra

Bradesco BBI – Compra, com preço-alvo de R$ 21,00
O Ebitda do Brasil superou as expectativas em 12%, enquanto o CAC também superou, batendo as previsões em 4%. Por outro lado, a fraqueza geral da indústria cervejeira canadense e a pressão inflacionária na Argentina levaram a resultados abaixo do esperado no Canadá e na LAS (América Latina Sul)

BTG – Neutra, com preço-alvo de US$ 3,17
O Ebitda de R$ 3,2 bilhões ficou 11% acima das projeções e praticamente explicou todo o desempenho positivo da empresa a nível consolidado. A margem expandiu impressionantes 730 bps ano a ano, alcançando 33,5%, graças a uma redução de 4% ano a ano nos custos de SG&A. Apesar das preocupações, os volumes não foram tão ruins quanto se temia, registrando uma queda de apenas 1% ano a ano, ainda abaixo da média do setor, mas compensado por comparações anuais fortes. No entanto, a receita por hectolitro desacelerou para 6,8% ano a ano, indicando que a temporada de precificação da Ambev para o ano ainda não começou

Mirae Asset – Compra, com preço-alvo de R$ 17,20
Mais um trimestre positivo demonstrando a capacidade de precificação com um mix de marcas mais premium, menor pressão de custos e bom controle em SG&A, compensando um momento de volumes ainda desfavorável. Mantemos nossa recomendação de BUY vislumbrando um quadro favorável de preços das principais commodities que compõem seu CPV, como trigo, milho e alumínio, o que pode contribuir para a manutenção dos bons níveis de margens. Perspectiva positiva também com relação à saúde das marcas, especialmente acima do core, mas com retomada de volumes ainda seguindo incerta.

Genial Investimentos – Neutra, com preço-alvo de R$ 15,00
Esperávamos que este fosse um trimestre que demonstrasse uma recuperação  gradual de margens da companhia, e isto de fato ocorreu, com a companhia tendo ainda superado as nossas expectativas de margens, nos surpreendendo positivamente. Ademais, em nossa visão, a tendência de queda nas principais commodities que representam o COGS da companhia (trigo, milho e alumínio) deve viabilizar margens ainda melhores para a Ambev nos próximos trimestres.

Porém, não enxergamos melhoras na Argentina, que representa parte relevante do EBITDA do LAS (~60%), e na indústria de cerveja no Canadá, no curto prazo. Além disso, os eventuais impactos da possível reforma tributária trazem um risco adicional e nos deixa mais cautelosos com a tese. E mesmo com os ventos favoráveis mencionados, vemos pouco potencial de crescimento na companhia e um baixo upside em relação ao preço atual de tela.

XP Investimentos – Compra, com preço-alvo de R$ 18,70
A AmBev reportou um trimestre sólido em sua trajetória de recuperação de margem, com receita líquida de R$ 20,3 bi (-1% A/A e -4% vs. XPe) e EBITDA aj. de 32,4% (vs. 27,9% no 3T22 e 29,7% XPe). As margens recuperaram em todas as unidades, exceto Brasil NAB principalmente devido à pressão de custos (ex. açúcar), embora com volumes mistos. O destaque continua sendo o mercado de cervejas do Brasil, liderado pelas marcas premium/super premium da AmBev, com sólida expansão de BEES e Zé, menor CPV/hl e aumento da ROL/hl acima da inflação. A principal surpresa vs. nossas estimativas foi o lucro líquido de R$ 3,893 bi (+355bps A/A e +397bps vs. XPe), com despesas financeiras menores e uma alíquota efetiva de imposto de 1,1%, assunto que deve continuar chamando a atenção do governo.

Balcão da Chiara: Azedou! Boas práticas de higienização nas cervejarias

Balcão da Chiara: Azedou! Boas práticas de higienização nas cervejarias

Chope vencendo antes do prazo, latas estourando no mercado, litros de cerveja no ralo… Azedou? O controle microbiológico da cerveja pode ser um desafio, mas basta procedimento, uma rotina bem executada e um investimento mínimo para gerar resultados significativos.

Toda cervejaria precisa ter um plano de higienização definido não apenas de equipamentos, como também de utensílios, móveis e instalações, sendo inclusive um dos requisitos das Boas Práticas de Fabricação (BPF) de acordo com a IN 05 de 2000 do MAPA, que, por sua vez, é exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento conforme o Decreto nº 6871 de 2009, art 84, § 3o . Apesar de um laboratório não ser obrigatório explicitamente na lei, a cervejaria é obrigada a oferecer um produto que não afete a saúde do consumidor e também é obrigada a garantir o controle de qualidade da sua cerveja, ou seja, um laboratório é vital e necessário. E não precisa ser da NASA! Com pouco investimento, a cervejaria pode ter condições básicas para realizar a gestão da qualidade da empresa.

Pensando neste assunto, destaco aqui 5 pontos importantes para os processos de higienização:

DICA 1: SEGURANÇA DOS COLABORADORES
Não é possível discutir sobre qualquer assunto sobre higienização sem antes abordar a segurança das pessoas. Os funcionários devem estar treinados e aptos para a realização de atividades, principalmente aquelas relacionadas à manipulação de químicos, além de usar os EPIs adequados. Os locais de difícil acesso como, por exemplo, aquela válvula no topo do tanque e o sprayball que precisa ser desmontado, precisam de uma avaliação desde o projeto inicial, antes da compra do equipamento. Avaliar o posicionamento de instrumentos e a operacionalidade levando em consideração as questões de segurança é primordial.

Vale a pena avaliar os bloqueios de energia, sinalização e acesso a espaços confinados.

DICA 2: PONTOS MORTOS
Desde o processo de projeto/compra até o dia-a-dia da fábrica, é necessário observar algumas armadilhas que dificultam o processo de assepsia.
Os pontos mortos são aqueles locais de difícil acesso para o processo de higienização e que podem causar acúmulos. Eles podem ser foco de contaminação! Pontos como soldas, fissuras, incrustrações, corrosões, provadeiras, curvas com ângulo de 90º, vedações danificadas, portas de visita, tubulações e instrumentos de medição, escotilhas para dry hopping ou outros fins, devem ser observados e adequados. O desenho higiênico dos equipamentos é um ponto-chave!

DICA 3: PARÂMETROS DE ASSEPSIA
Existem quatro parâmetros essenciais que precisam ser controlados: temperatura, tempo, ação química e ação mecânica. Esses parâmetros são complementares e compensatórios, de acordo com o ciclo de Sinner. Os produtos químicos devem ser adequados ao tipo de superfície e tipo de sujidade, com concentração e temperatura adequadas, com ação mecânica e tempo suficiente para ação. A concentração deve ser medida não só antes do início do processo como também no retorno, pois pode haver diluição do produto com a água do enxágue na tubulação, diminuindo a eficiência do mesmo. Caso isso aconteça, deve ser realizada a correção da concentração. Entender a natureza da sujidade é extremamente importante para definição da escolha dos químicos, temperatura e tempo de ação. Um erro corriqueiro é o dimensionamento de bombas e sprayball. O circuito de assepsia pode ter muitas curvas e a perda de carga pode influenciar na eficiência da higienização.  Sabe aquela bomba que você usa para todos os equipamentos? Será que ela é mesmo adequada e seu processo está eficiente? Para saber, é preciso validar o procedimento através de análises microbiológicas.

DICA 4: CUIDADOS COM A ASSEPSIA
Antes da etapa de limpeza dos fermentadores, o tanque precisa ser despressurizado e o CO2 precisa ser eliminado. O CO2 pode reagir com a soda cáustica, baixando a pressão interna do tanque e causando uma implosão ou até mesmo uma redução da concentração da solução detergente alcalina, diminuindo sua eficiência de limpeza. Mesmo que o tanque não imploda, pequenas deformações podem ser causadas, gerando fissuras ou até mesmo pontos mortos dificultando o processo de assepsia. Faça o teste da vela para garantir!

De maneira geral, a etapa de limpeza é realizada com um detergente alcalino à base de soda cáustica por causa da natureza da sujidade. Para sujidades de natureza orgânica indica-se utilização de produtos alcalinos; para sujidade inorgânica, indica-se a utilização de produtos ácidos.

DICA 5: SPRAYBALL
Sprayball mal dimensionado, inadequado e obstruído pode ser um problema.
Não adianta utilizar o produto correto, na temperatura e no tempo adequados, se você não tem ação mecânica ou se o produto nem passa por aquele local.  Você precisa garantir que a solução seja distribuída uniformemente pelas paredes dos tanques. A pressão no sprayball deve ter intensidade suficiente para atingir as paredes e para que essa solução atinja todos os pontos. O custo da assepsia pode ser reduzido dependendo da escolha do sprayball. Devido a maximização da eficiência, pode-se reduzir não só o tempo de assepsia, como também a quantidade de produto e de água de enxágue. O sprayball deve ter uma fixação que permita a retirada para limpeza e desobstrução, caso necessário. Esse processo de limpeza deve estar no seu plano de manutenção periódica.

Improvisar uma cerveja “sour” a partir de uma cerveja contaminada não resolverá os problemas da sua cervejaria. A qualidade da cerveja deve ser monitorada em todos os seus aspectos, e a higiene no processo cervejeiro desempenha um papel fundamental. Ter procedimentos adequados, equipe treinada e um monitoramento microbiológico são pontos cruciais para a estabilidade da cerveja e a imagem da marca.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.