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Duvel celebra a cachaça em nova cerveja de série maturada em madeira

A cachaça foi a bebida homenageada pela Duvel Moortgat na produção de mais uma cerveja da icônica marca belga. Barricas de madeira onde a bebida brasileira é envelhecida foram utilizadas na criação da Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition.

A cerveja foi produzida em barris usados no processo de fermentação da cachaça, sendo a oitava da série Duvel Barrel Aged, criada em 2017. Nesse projeto, a proposta da marca é envelhecer sua produção em barricas de madeira que anteriormente abrigavam outras bebidas, passando por um processo semelhante.

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No ano de 2023, a bebida escolhida para essa homenagem foi a cachaça. Para a produção da Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition, a marca selecionou 446 barris de carvalho previamente utilizados na fabricação da bebida em Minas Gerais, uma região conhecida por sua tradição na produção de cachaça.

O resultado, então, foi conhecido após oito meses de maturação. O mestre destilador Cédric Heymans descreve a cerveja como tendo “um toque de frutas vivas proveniente dos barris de cachaça, que se expande com notas de carvalho, nozes secas e baunilha. Na Duvel Barrel Aged, The Brasil Rum Edition, você descobrirá tanto a delicadeza da nossa confiável Duvel quanto o caráter ardente da cachaça”.

Conforme descrito no site oficial da marca, a novidade da Duvel oferece, em sua primeira degustação, um paladar frutado tropical, com aromas maduros de baunilha, cravo, caramelo e toffee. Logo em seguida, a sensação aveludada do marshmallow contribui para uma experiência de sabor harmoniosa.

A novidade também ficou mais potente, com 11% de graduação alcoólica. “O sabor e o retrogosto ficarão mais arredondados devido à influência do álcool original que ainda está presente nas barricas de carvalho encharcadas”, explica Heymans.

A primeira edição da Duvel Barrel Aged foi lançada em 2017, amadurecida em barris de uísque de madeira, originários de destilarias de bourbon dos Estados Unidos. No ano passado, na sétima edição da linha, a homenagem foi ao uísque irlandês.

Nova Declaração de Produção Anual: Setor avalia vantagens e desafios

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A Declaração de Produção Anual das cervejarias brasileiras sofrerá mudanças significativas a partir de 2024. O processo agora será realizado exclusivamente online, por meio de um novo canal disponibilizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com seu preenchimento ocorrendo durante o mês de janeiro, entre os dias 1º e 31.

Essa novidade, que já foi abordada em um artigo no Balcão do Advogado, está impactando as práticas das cervejarias. Para compreender como o setor enfrenta essa transformação, o Guia conversou com fabricantes e representantes das associações, que analisaram os benefícios e os desafios associados a essa medida.

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Para Filipe Bortolini, presidente da Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM), o formulário online oferece maior segurança no preenchimento dos dados e padroniza a coleta de informações em um único local. Anteriormente, cada cervejaria usava um modelo próprio e enviava informações para seu estado, resultando na ausência de um padrão.

“O formato anterior, através de planilhas que precisavam ser preenchidas e entregues por e-mail ou fisicamente, gerava dúvidas e dificultava a consolidação e a análise dos dados. Com o novo modelo, as cervejarias podem fazer a declaração online em um formulário com respostas padronizadas para todos”, diz.

Isso deve reduzir a possibilidade de que erros sejam cometidos no momento de preenchimento. “Muitos campos já trazem as opções a serem escolhidas como resposta e também indica quais campos são de preenchimento obrigatório. No formato anterior, era possível cometer erros de digitação ou esquecer de preencher algum campo. O fato de estar online também permite que o formulário possa ser corrigido ou atualizado e imediatamente disponibilizado para as cervejarias acessarem em um local único”, argumenta.

André Valle, CEO da Masterpiece, destaca que a principal vantagem do novo modelo de Declaração de Produção Anual será a sua realização online, o que acelerará o processamento das informações.

“Acredito que tornar o processo eletrônico é um grande avanço para todas as cervejarias. O processo antigo era muito ‘manual’, exigindo o preenchimento de uma vasta planilha, não beneficiando nem as cervejarias e, provavelmente, moroso também para o MAPA. Tendo um sistema, o MAPA poderá ter relatórios em tempo real e estatísticas precisas. Ambas as partes saem ganhando”, diz.

Isso vai reforçar a possibilidade de geração de mais estatísticas sobre a produção de cerveja, uma das principais demandas do setor, como destaca Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

“É muito importante ampliar a oferta de estatísticas pois elas auxiliam os empresários e entidades na tomada de decisões e o próprio governo da formulação de políticas públicas. Neste sentido, o MAPA faz um excelente trabalho, por exemplo, com o Anuário”, comenta.

A Soma Cervejaria acredita que as mudanças tornarão o processo mais confiável, prático e padronizado, pois a declaração será realizada em um ambiente mais seguro e supervisionado pelo Ministério da Agricultura.

“No processo antigo era enviada uma planilha com determinadas informações para um e-mail de contato do Ministério da Agricultura local”, relembra Fabiano Miyahira, sócio da cervejaria paulistana, também destacando que a novidade criará um padrão de declaração.

No entanto, especialistas sugerem que algumas melhorias podem ser feitas, como a disponibilização do formulário dentro do Sipeagro, o Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários, que é o sistema oficial para o cadastro de estabelecimentos produtores e seus produtos.

“As cervejarias poderiam escolher os produtos cadastrados e informar as quantidades sem a necessidade de redigitar informações básicas sobre a composição das cervejas e números de registro, por exemplo”, argumenta o presidente da AGM.

Além disso, prevê-se que o processo se torne mais trabalhoso para as cervejarias, com o preenchimento de diversos detalhes, inclusive informações sobre o que é produzido para parceiros ciganos.

Atenta a isso, a Abracerva avalia que o modelo impõe mais obrigações às cervejarias e está em tratativas com as autoridades em busca de adaptações. “O que nos preocupa sobre a Declaração de Produção Anual, e estamos em tratativas com o ministério sobre isso, é que a parte do trabalho neste momento recaiu sobre as cervejarias e os cervejeiros”, diz seu presidente.

São desafios e novidades que as cervejarias deverão compreender melhor na prática, logo nos primeiros dias de 2024. O sócio da Soma aponta que a cervejaria vem trabalhando para ter todos os dados às mãos para o preenchimento da nova declaração em janeiro, quando será possível entender mais detalhadamente e na prática como funciona o novo sistema.

“Os desafios são manter nossos controles sempre atualizados para termos as informações que serão solicitadas nesse novo modelo de declaração anual e ao realizar a primeira declaração em janeiro de 2024 verificar a funcionalidade desse sistema”, comenta.

Carlsberg descarta acordo sobre operação na Rússia: “Roubaram nosso negócio”

O Grupo Carlsberg tomou a decisão de encerrar todos os laços com sua subsidiária na Rússia, a Baltika Breweries, como medida para não conferir legitimidade à ação do governo local, que assumiu o controle da operação. O novo CEO da empresa, Jacob Aarup-Andersen, anunciou essa decisão.

A Carlsberg rejeita, assim, qualquer possibilidade de firmar um acordo com o governo russo, como explicou Arup-Andersen. “Não há como evitar o fato de que eles roubaram nossos negócios na Rússia e não vamos ajudá-los a fazer com que isso pareça legítimo”, afirma o CEO da empresa dinamarquesa.

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Em julho, o governo russo assumiu o controle da Baltika no país, colocando Taimuraz Bolloev, um aliado de Vladimir Putin, à frente da subsidiária da Carlsberg. Bolloev já havia dirigido a empresa anteriormente na década de 1990.

“Não vamos celebrar uma transação com o governo russo que de alguma forma justifique que eles assumam ilegalmente o nosso negócio”, acrescenta o CEO.

Desde o início da guerra na Ucrânia, a Carlsberg foi uma das muitas empresas ocidentais que expressaram o desejo de deixar a Rússia, planejando fazê-lo por meio da venda de sua operação. E, em junho, a empresa chegou a declarar ter encontrado um comprador, com a ressalva de que a transação dependia da aprovação das autoridades do Kremlin.

No entanto, no mês seguinte, o governo local tomou o controle “temporário” da Baltika. A agência imobiliária federal Rosimushchestvo foi nomeada gestora temporária, embora o Kremlin tenha afirmado que isso não “implicava em mudança na estrutura da propriedade”.

Essa ação foi possível graças a uma lei na Rússia que permite o confisco de ativos de companhias de países considerados “hostis”. A mesma abordagem foi aplicada a empresas como a francesa Danone.

A operação da Carlsberg na Rússia incluía 8 cervejarias com 8,4 mil funcionários. Quando anunciou o desejo de sair do país, em 2022, empresa registrou uma redução contábil de 9,9 bilhões de coroas dinamarquesas (aproximadamente R$ 6,96 bilhões na cotação atual).

Antes da intervenção, a Carlsberg detinha uma participação de 27% na Baltika Breweries e era líder de mercado na Rússia. A empresa produzia várias marcas de cerveja estrangeiras, como Carlsberg, Tuborg, Asahi Super Dry, Holsten e Warsteiner.

Em 2021, a Carlsberg obteve uma receita de 6,5 bilhões de coroas dinamarquesas (cerca de R$ 4,57 bilhões) na Rússia, correspondendo a aproximadamente 10% de seu faturamento global. Além disso, obteve um lucro de 682 milhões de coroas dinamarquesas (R$ 479 milhões) no país naquele ano, o que representou 6% de seus ganhos totais.

A Carlsberg teve interações limitadas com o Kremlin e os gestores da Baltika desde a intervenção do governo russo, e, como forma de retaliação, encerrou os acordos de licença que permitiam à cervejaria local produzir e vender seus rótulos no país.

“Quando essas licenças expirarem com o período de carência, eles não poderão mais produzir nenhum dos nossos produtos. É claro que não posso garantir que isso aconteça, mas essa é a nossa expectativa”, explica o CEO.

Ação da Ambev dispara após balanço do 3º trimestre; veja 7 análises

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O balanço da Ambev referente ao terceiro trimestre de 2023 foi bem recebido pelo mercado financeiro, como indicam análises e, principalmente, o desempenho da companhia na B3, a bolsa de valores brasileira. Após a divulgação dos resultados do período de julho a setembro na última terça-feira, a ação teve um aumento significativo de preço nos 3 pregões realizados desde então, subindo de R$ 12,36 para R$ 13,29.

Isso representa uma alta de 7,52%. E o destaque foi o dia da divulgação do balanço, quando a valorização ficou em 4,05%. Esse desempenho reflete a satisfação do mercado financeiro com a rentabilidade da Ambev no terceiro trimestre, assim como pela resiliência exibida na venda de cerveja, que caiu, mas pouco no período, principalmente no Brasil.

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O balanço da Ambev revelou um lucro líquido de R$ 4,015 bilhões no terceiro trimestre, um aumento anual de 24,9%, e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 6,584 bilhões, representando um crescimento de 17,6%. No entanto, houve queda de 1,3% na receita líquida, que ficou em R$ 20,318 bilhões, e de 2% no volume de bebidas, para 45,334 milhões de hectolitros.

As equipes de análises consideram esse desempenho sólido, destacando o crescimento de 21,7% na receita líquida por hectolitro e uma redução de 4% nas despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A) durante o período, reportados no balanço, como resultados que indicam o aumento da rentabilidade da Ambev.

Em relatório, o Bank of America destaca a capacidade da Ambev de combinar preços resilientes, graças ao seu portfólio, com eficiência nos seus gastos, além de ter sido favorecida pelo recuo nos custos de matérias-primas. E isso mais do que compensa a queda nos volumes. “Apesar da desaceleração, vemos a resiliência do preço/mix como positiva após cinco trimestres com aumento de dois dígitos na comparação anual”, afirma.

Esse desempenho, inclusive, levou a equipe de análise do BB Investimentos a mudar a sua recomendação sobre o papel da cervejaria, passando a indicar compra. E mesmo com a queda no volume de cerveja no Brasil, de 1,1%, o relatório do Bradesco BBI indicou um efeito positivo para os acionistas. “A Ambev parece ter conseguido transmitir com sucesso a inflação aos preços”, diz.

Menos otimista, a equipe de análise do BTG Pactual, embora tenha indicado uma surpresa positiva com o resultado financeiro da Ambev no terceiro trimestre, apontou quatro fatores que considera fundamentais para o futuro da companhia.

São eles: a sustentabilidade e intensidade na redução dos custos e despesas; o estado do portfólio central, que está consistentemente com desempenho inferior, semelhante ao que ocorreu com o portfólio central alguns anos atrás; se o segmento premium já é grande o suficiente para impulsionar o crescimento futuro da Ambev; e o que esperar dos preços agora que há ventos favoráveis de custos e a concorrência parece estar se preparando para recuperar sua escala.

Assim, embora com elogios ao balanço do terceiro trimestre em suas análises, a equipe do BTG aponta um cenário de dificuldades a serem encaradas pela Ambev, com riscos relacionados aos temas fiscais no Brasil e macroeconômicos na Argentina, bem como dúvidas sobre a capacidade do portfólio da marca em sustentar um equilíbrio saudável entre volume e preço. “Embora os resultados tenham sido bem recebidos pelo mercado, o caminho futuro da Ambev ainda está sujeito a desafios”, afirma.

Desempenho mensal
O balanço fez, assim, com que a ação da Ambev tivesse um dia final de outubro e um começo de novembro positivos, com análises indicando tendência de alta, ainda que tenha completado, na última terça-feira, o quarto mês consecutivo de queda na B3. O recuo, que foi amenizado pelo bom desempenho no dia 31, foi de 1,91%, caindo de R$ 13,11 para R$ 12,86. Já nos 10 primeiros meses de 2023, há perda de 11,43% em relação aos R$ 14,52 do final em 2022.

A queda acabou sendo menor que a do Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, que recuou 2,94% no período, para 113.143,67 pontos, embora ainda tenha alta de 3,11% em 2023. E nas pontas das ações que compõem o índice ficaram, em outubro, o Magazine Luiza, com queda de 37,26%, e a Gol, com valorização de 29,35% no período.

Fora do Brasil
No exterior, a ação da Ambev repetiu o desempenho que teve no Brasil em outubro: caiu 1,94% na Bolsa de Nova York, para US$ 2,53, ampliando sua queda em 2023, agora de 6,99% em relação ao preço de US$ 2,72 do final de 2022.

Foi, assim, um comportamento diferente aos dos dois principais grupos cervejeiros do mundo na Europa em outubro, com ambos tendo alta mensal, de 2,13% para a AB InBev, para 53,63 euros, e de apenas 0,83% para o Grupo Heineken, chegando aos 84,74 euros. Mas ambas ainda apresentam desvalorização em 2023.

Confira 7 análises do balanço da Ambev, recomendações e perspectivas para o futuro:

Bank of America – Compra, com preço-alvo de R$ 17,50
Esperamos que o bom momento operacional da Ambev continue pelos próximos 12 a 18 meses, com queda significativa nos custos com materiais e performance resiliente de receita

BB Investimentos – Compra, com preço-alvo de R$ 16,00
Diante de um resultado melhor do que estimávamos e de um desconto relevante do preço-atual da ação em relação ao nosso preço-alvo, e também pela assimetria de múltiplo Preço por Lucro (P/L) em relação ao histórico da companhia, alteramos nossa recomendação de neutro para compra

Bradesco BBI – Compra, com preço-alvo de R$ 21,00
O Ebitda do Brasil superou as expectativas em 12%, enquanto o CAC também superou, batendo as previsões em 4%. Por outro lado, a fraqueza geral da indústria cervejeira canadense e a pressão inflacionária na Argentina levaram a resultados abaixo do esperado no Canadá e na LAS (América Latina Sul)

BTG – Neutra, com preço-alvo de US$ 3,17
O Ebitda de R$ 3,2 bilhões ficou 11% acima das projeções e praticamente explicou todo o desempenho positivo da empresa a nível consolidado. A margem expandiu impressionantes 730 bps ano a ano, alcançando 33,5%, graças a uma redução de 4% ano a ano nos custos de SG&A. Apesar das preocupações, os volumes não foram tão ruins quanto se temia, registrando uma queda de apenas 1% ano a ano, ainda abaixo da média do setor, mas compensado por comparações anuais fortes. No entanto, a receita por hectolitro desacelerou para 6,8% ano a ano, indicando que a temporada de precificação da Ambev para o ano ainda não começou

Mirae Asset – Compra, com preço-alvo de R$ 17,20
Mais um trimestre positivo demonstrando a capacidade de precificação com um mix de marcas mais premium, menor pressão de custos e bom controle em SG&A, compensando um momento de volumes ainda desfavorável. Mantemos nossa recomendação de BUY vislumbrando um quadro favorável de preços das principais commodities que compõem seu CPV, como trigo, milho e alumínio, o que pode contribuir para a manutenção dos bons níveis de margens. Perspectiva positiva também com relação à saúde das marcas, especialmente acima do core, mas com retomada de volumes ainda seguindo incerta.

Genial Investimentos – Neutra, com preço-alvo de R$ 15,00
Esperávamos que este fosse um trimestre que demonstrasse uma recuperação  gradual de margens da companhia, e isto de fato ocorreu, com a companhia tendo ainda superado as nossas expectativas de margens, nos surpreendendo positivamente. Ademais, em nossa visão, a tendência de queda nas principais commodities que representam o COGS da companhia (trigo, milho e alumínio) deve viabilizar margens ainda melhores para a Ambev nos próximos trimestres.

Porém, não enxergamos melhoras na Argentina, que representa parte relevante do EBITDA do LAS (~60%), e na indústria de cerveja no Canadá, no curto prazo. Além disso, os eventuais impactos da possível reforma tributária trazem um risco adicional e nos deixa mais cautelosos com a tese. E mesmo com os ventos favoráveis mencionados, vemos pouco potencial de crescimento na companhia e um baixo upside em relação ao preço atual de tela.

XP Investimentos – Compra, com preço-alvo de R$ 18,70
A AmBev reportou um trimestre sólido em sua trajetória de recuperação de margem, com receita líquida de R$ 20,3 bi (-1% A/A e -4% vs. XPe) e EBITDA aj. de 32,4% (vs. 27,9% no 3T22 e 29,7% XPe). As margens recuperaram em todas as unidades, exceto Brasil NAB principalmente devido à pressão de custos (ex. açúcar), embora com volumes mistos. O destaque continua sendo o mercado de cervejas do Brasil, liderado pelas marcas premium/super premium da AmBev, com sólida expansão de BEES e Zé, menor CPV/hl e aumento da ROL/hl acima da inflação. A principal surpresa vs. nossas estimativas foi o lucro líquido de R$ 3,893 bi (+355bps A/A e +397bps vs. XPe), com despesas financeiras menores e uma alíquota efetiva de imposto de 1,1%, assunto que deve continuar chamando a atenção do governo.

Balcão da Chiara: Azedou! Boas práticas de higienização nas cervejarias

Balcão da Chiara: Azedou! Boas práticas de higienização nas cervejarias

Chope vencendo antes do prazo, latas estourando no mercado, litros de cerveja no ralo… Azedou? O controle microbiológico da cerveja pode ser um desafio, mas basta procedimento, uma rotina bem executada e um investimento mínimo para gerar resultados significativos.

Toda cervejaria precisa ter um plano de higienização definido não apenas de equipamentos, como também de utensílios, móveis e instalações, sendo inclusive um dos requisitos das Boas Práticas de Fabricação (BPF) de acordo com a IN 05 de 2000 do MAPA, que, por sua vez, é exigência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento conforme o Decreto nº 6871 de 2009, art 84, § 3o . Apesar de um laboratório não ser obrigatório explicitamente na lei, a cervejaria é obrigada a oferecer um produto que não afete a saúde do consumidor e também é obrigada a garantir o controle de qualidade da sua cerveja, ou seja, um laboratório é vital e necessário. E não precisa ser da NASA! Com pouco investimento, a cervejaria pode ter condições básicas para realizar a gestão da qualidade da empresa.

Pensando neste assunto, destaco aqui 5 pontos importantes para os processos de higienização:

DICA 1: SEGURANÇA DOS COLABORADORES
Não é possível discutir sobre qualquer assunto sobre higienização sem antes abordar a segurança das pessoas. Os funcionários devem estar treinados e aptos para a realização de atividades, principalmente aquelas relacionadas à manipulação de químicos, além de usar os EPIs adequados. Os locais de difícil acesso como, por exemplo, aquela válvula no topo do tanque e o sprayball que precisa ser desmontado, precisam de uma avaliação desde o projeto inicial, antes da compra do equipamento. Avaliar o posicionamento de instrumentos e a operacionalidade levando em consideração as questões de segurança é primordial.

Vale a pena avaliar os bloqueios de energia, sinalização e acesso a espaços confinados.

DICA 2: PONTOS MORTOS
Desde o processo de projeto/compra até o dia-a-dia da fábrica, é necessário observar algumas armadilhas que dificultam o processo de assepsia.
Os pontos mortos são aqueles locais de difícil acesso para o processo de higienização e que podem causar acúmulos. Eles podem ser foco de contaminação! Pontos como soldas, fissuras, incrustrações, corrosões, provadeiras, curvas com ângulo de 90º, vedações danificadas, portas de visita, tubulações e instrumentos de medição, escotilhas para dry hopping ou outros fins, devem ser observados e adequados. O desenho higiênico dos equipamentos é um ponto-chave!

DICA 3: PARÂMETROS DE ASSEPSIA
Existem quatro parâmetros essenciais que precisam ser controlados: temperatura, tempo, ação química e ação mecânica. Esses parâmetros são complementares e compensatórios, de acordo com o ciclo de Sinner. Os produtos químicos devem ser adequados ao tipo de superfície e tipo de sujidade, com concentração e temperatura adequadas, com ação mecânica e tempo suficiente para ação. A concentração deve ser medida não só antes do início do processo como também no retorno, pois pode haver diluição do produto com a água do enxágue na tubulação, diminuindo a eficiência do mesmo. Caso isso aconteça, deve ser realizada a correção da concentração. Entender a natureza da sujidade é extremamente importante para definição da escolha dos químicos, temperatura e tempo de ação. Um erro corriqueiro é o dimensionamento de bombas e sprayball. O circuito de assepsia pode ter muitas curvas e a perda de carga pode influenciar na eficiência da higienização.  Sabe aquela bomba que você usa para todos os equipamentos? Será que ela é mesmo adequada e seu processo está eficiente? Para saber, é preciso validar o procedimento através de análises microbiológicas.

DICA 4: CUIDADOS COM A ASSEPSIA
Antes da etapa de limpeza dos fermentadores, o tanque precisa ser despressurizado e o CO2 precisa ser eliminado. O CO2 pode reagir com a soda cáustica, baixando a pressão interna do tanque e causando uma implosão ou até mesmo uma redução da concentração da solução detergente alcalina, diminuindo sua eficiência de limpeza. Mesmo que o tanque não imploda, pequenas deformações podem ser causadas, gerando fissuras ou até mesmo pontos mortos dificultando o processo de assepsia. Faça o teste da vela para garantir!

De maneira geral, a etapa de limpeza é realizada com um detergente alcalino à base de soda cáustica por causa da natureza da sujidade. Para sujidades de natureza orgânica indica-se utilização de produtos alcalinos; para sujidade inorgânica, indica-se a utilização de produtos ácidos.

DICA 5: SPRAYBALL
Sprayball mal dimensionado, inadequado e obstruído pode ser um problema.
Não adianta utilizar o produto correto, na temperatura e no tempo adequados, se você não tem ação mecânica ou se o produto nem passa por aquele local.  Você precisa garantir que a solução seja distribuída uniformemente pelas paredes dos tanques. A pressão no sprayball deve ter intensidade suficiente para atingir as paredes e para que essa solução atinja todos os pontos. O custo da assepsia pode ser reduzido dependendo da escolha do sprayball. Devido a maximização da eficiência, pode-se reduzir não só o tempo de assepsia, como também a quantidade de produto e de água de enxágue. O sprayball deve ter uma fixação que permita a retirada para limpeza e desobstrução, caso necessário. Esse processo de limpeza deve estar no seu plano de manutenção periódica.

Improvisar uma cerveja “sour” a partir de uma cerveja contaminada não resolverá os problemas da sua cervejaria. A qualidade da cerveja deve ser monitorada em todos os seus aspectos, e a higiene no processo cervejeiro desempenha um papel fundamental. Ter procedimentos adequados, equipe treinada e um monitoramento microbiológico são pontos cruciais para a estabilidade da cerveja e a imagem da marca.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Lei Seca na Libertadores? Entenda proibição no entorno do Maracanã

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A tradicional resenha pré-jogo nos arredores dos estádios não poderá ser acompanhada pela cerveja no mais importante confronto realizado no Brasil em 2023. Por meio de um decreto, a Prefeitura do Rio de Janeiro proibiu a comercialização de bebidas alcoólicas, incluindo a cerveja, em ruas, avenidas e praças próximas ao Maracanã neste sábado, dia da final da Copa Libertadores entre Fluminense e Boca Juniors, instaurando uma Lei Seca na região.

A proibição imposta pela prefeitura começou à meia-noite de sexta-feira para sábado e só será suspensa às 6 horas da manhã do domingo, totalizando 30 horas de vigência, vigorando, portanto, bem antes da decisão da Libertadores, marcada para as 17h de sábado.

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No decreto, publicado no Diário Oficial, a Prefeitura do Rio de Janeiro cita a necessidade de “manutenção da ordem urbana, por meio do exercício do poder de polícia, em atendimento ao interesse público de manter a segurança no esporte”.

A Lei Seca na final da Libertadores abrange as ruas Conselheiro Olegário, Artur Menezes, Isidro de Figueiredo, Professor Eurico Rabelo, bem como as avenidas Paula Souza e Rei Pelé e a Praça Presidente Emilio Garrastazu Médici. Além disso, inclui trechos das ruas Mata Machado, Visconde de Itamarati, São Francisco Xavier e General Canabarro, bem como trechos da Avenida Maracanã.

No entanto, a Lei Seca não se aplica dentro do palco da final da Libertadores. O Rio de Janeiro é um dos estados brasileiros que permite a venda e o consumo de cervejas dentro dos estádios, prática que se repetirá no Maracanã neste sábado.

Além disso, a Libertadores tem a Amstel, do Grupo Heineken, como uma das suas patrocinadoras. E a marca já promoveu diversas ações em todo o Rio de Janeiro desde o início da semana, especialmente na fan zone montada na praia de Copacabana. Lá, é possível desfrutar de apresentações de DJs, consumir cervejas da Amstel e adquirir copos temáticos da final. Porém, a decisão não será transmitida no espaço.

No entanto, não faltarão opções para aqueles que desejam acompanhar o jogo enquanto consomem uma cerveja, seja da Amstel ou de outra marca. O Fluminense, por exemplo, preparou um evento com transmissão em telão na Cinelândia. A entrada é gratuita, mas o local será cercado e contará com apoio policial.

E as oportunidades para acompanhar a final da Libertadores se estendem muito além do Rio de Janeiro. Com a coincidência de datas, a organização do IPA Day Brasil, que acontecerá em Ribeirão Preto (SP) neste sábado, preparou telões para quem deseja acompanhar o jogo enquanto desfruta de cervejas lupuladas, com 35 opções no open bar e outras 50 à venda.

Para aqueles que preferirem acompanhar a final da Libertadores em casa, a Amstel se associou à Domino’s. Quem comprar o combo de uma pizza média e uma lata de 350ml de Amstel receberá outra cerveja por conta da casa, com a promoção saindo por R$ 49,90.

“A Amstel é a cerveja oficial da Conmebol Libertadores e, além de marcarmos presença no Maracanã, também queremos estar perto dos consumidores e fãs do esporte espalhados pelo país. Essa parceria é super importante e uma maneira divertida dos torcedores poderem brindar e se unir para assistir a partida”, comenta Nathalia Spina, gerente de marketing do Grupo Heineken.

Assim, mesmo com a Lei Seca nos arredores do Maracanã, será possível unir a final da Libertadores com as cervejas. E o consumo deve ser grande neste sábado, afinal, de acordo com a mais recente edição do Relatório Convocados, 76% dos torcedores do Fluminense consomem cerveja, o maior índice entre as principais torcidas de clubes do Rio de Janeiro.

Slow Brew volta a ser adiado e organização diz que festival será em 2024

O Slow Brew sofreu novo adiamento e não mais irá acontecer em 2023. O festival, por meio da sua organização, anunciou que adiou o evento, menos de um mês antes da sua realização, até então previsto para 17 a 19 de novembro, em São Paulo, o reagendando para 2024. O motivo alegado, em texto publicado no site oficial e em vídeo destinado às cervejarias, foi a falta de recursos financeiros.

Com o adiamento, o Slow Brew irá completar um hiato de 5 anos sem acontecer. Considerado um dos principais festivais cervejeiros do Brasil, o evento foi realizado pela última vez em 2019. Em 2020, com a eclosão da pandemia do coronavírus, o foi adiado quando já contabilizava 3.222 ingressos vendidos, segundo a organização. E não voltou mais a ocorrer.

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Em texto explicativo, publicado no site oficial do Slow Brew, Maurício Leandro, CEO e fundador do festival, afirma que a venda de uma propriedade rural no interior de São Paulo, que forneceria os recursos financeiros que assegurariam o evento, foi atrasada devido a questões legais, tornando impossível a realização do evento em 2023.

“Devido à pandemia, precisei vender uma área rural. É exatamente com esse montante que farei o Slow Brew. Essa área rural é responsável por avalizar, proteger, apoiar e servir como árbitro na realização do festival. O montante disponível é superior ao necessário para penhoras durante a realização do festival”, escreve Leandro.

“A venda desta área rural precisa terminar o inventário. Ela foi desmembrada devido à necessidade de um inventário judicial. A verba do Slow Brew está interditada devido ao inventário. Este inventário está em fase de elaboração da sentença e execução dos prazos judiciais. Para deixar tudo mais claro. Temos a quantia necessária para realizar o evento. Apenas aguardamos essa liberação que era para acontecer no final de setembro ou início de outubro de 2023”, acrescenta.

Em outro trecho do texto, o CEO e fundador do Slow Brew aponta a baixa procura por ingressos nesse ano como outro fator a inviabilizar financeiramente a realização do evento em 2023. “Não podemos fazer o Slow Brew Brasil porque os custos aumentaram muito de 2020 para 2023 e as pessoas não compraram muitos ingressos em 2023, então não houve investimento para fazer acontecer o Slow Brew Brasil”, diz.

No texto, a organização afirma que o Slow Brew acontecerá em 2024 nos dias 9 e 10 de novembro. “Em 2024, teremos dinheiro para o Slow Brew Festival, mas não com o mesmo poder de compra de 2020. Isso significa que a qualidade será prejudicada: a taça ISO Espanhola será substituída pelo copo PET (assim como ocorre em outros festivais), deixando de ser 78 as cervejarias participantes e passando para 40 as cervejarias”, diz.

No comunicado, a organização do Slow Brew também afirma que os vouchers das edições de 2020, a primeira ser adiada, e, agora, a de 2023 poderão ser usados em 2024. Mas garante que fará o ressarcimento aos interessados, indicando o e-mail reembolso2020@slowbrew.com.br para solicitação do reembolso.

O Slow Brew afirma, em outra parte do texto, o que a organização do festival também assume o reembolso da remarcação de passagens aéreas de participantes com bilhetes adquiridos para período próximo à data inicialmente prevista de realização do festival.

A reportagem do Guia também teve acesso a um longo vídeo de anúncio do adiamento do Slow Brew, destinado às cervejarias, em que a organização pede a continuidade das marcas junto ao evento para viabilizar a sua realização em 2024. O site do evento apresenta uma lista de 49 cervejarias participantes.

“Preciso que vocês, cervejarias, entendam a nossa necessidade de realizarmos o evento em 2024. Cada cervejaria é importante e tem um significado muito grande no Slow Brew. Se deixarmos de realizar o Slow Brew, não será eu, Mauricio, quem sairá perdendo, é todo o mercado cervejeiro. Basta olhar a história e a importância do Slow Brew no mercado, com a divulgação das pequenas cervejarias que não têm condições de pagar para irem a outros festivais”, diz o CEO e fundador do Slow Brew em um dos trechos do vídeo.

Produção de alcoólicas completa trimestre de alta, mas saldo é negativo no ano

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Após registrar aumentos em julho e agosto, a produção de bebidas alcoólicas no Brasil continuou a crescer em setembro, com um aumento de 3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, conforme os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo IBGE.

O resultado positivo em setembro confirma um trimestre de crescimento na produção de bebidas alcoólicas, ainda que não seja suficiente para reverter a tendência de queda ao longo do ano de 2023, com um recuo de 1,2%, e nos últimos 12 meses, em que a retração está em 1,5%.

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Em um relatório, a XP Investimentos destaca que esses resultados superaram as expectativas, representando uma recuperação na indústria de bebidas alcoólicas, estimulada, possivelmente, pelas condições climáticas em setembro.

“A produção de bebidas alcoólicas no terceiro trimestre se recuperou após dados fracos no segundo trimestre, com setembro registrando um aumento de 3,0% em relação às nossas expectativas, o que, em nossa opinião, pode estar relacionado às temperaturas acima da média”, afirma.

Este cenário na fabricação de bebidas alcoólicas também leva a equipe de análise da XP a prever desafios menores para o final de 2023, especialmente para a Ambev, seu principal foco de avaliação.

“De acordo com a sazonalidade, esperamos uma melhoria na demanda até dezembro, o que pode impulsionar volumes positivos para todos os participantes, uma estratégia que pode ser apoiada por custos mais baixos, resultando em descontos maiores e permitindo que a ‘premiumização’ sustente aumentos de preços através de melhorias no mix”, acrescentou a XP.

O desempenho da produção de bebidas alcoólicas em setembro impactou diretamente na produção geral de bebidas no mesmo mês, com crescimento de 0,7% na comparação anual. No entanto, em relação a agosto, houve queda de 0,7%. Além disso, a categoria fechou o período de janeiro a setembro com recuo de 0,9%. Nos últimos 12 meses, o ritmo da atividade também é negativo, com retração de 0,7%.

Por outro lado, a produção de bebidas não alcoólicas desacelerou em setembro, registrando queda de 1,6%. No acumulado do ano, a variação da atividade é negativa em 0,6%. Nos últimos 12 meses, o indicador ainda mostra crescimento, mas de apenas 0,1%.

Em setembro, a produção industrial nacional teve aumento de 0,1% em relação a agosto, mantendo-se praticamente estável. Em comparação com setembro de 2022, houve aceleração de 0,6%. No acumulado do ano, a produção industrial apresenta queda de 0,2%, com a variação do ritmo da atividade sendo nula (0,0%) nos últimos 12 meses.

“O resultado de setembro da produção industrial nacional marca o segundo mês seguido de crescimento, mas não altera o comportamento de menor dinamismo que a caracteriza nos últimos meses”, destaca o gerente da pesquisa, André Macedo.

Apenas uma das quatro grandes categorias econômicas e cinco dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram crescimento na produção em setembro. As indústrias extrativas tiveram a maior influência positiva, com um avanço de 5,6% no mês, após queda dos mesmos 5,6% nos dois meses anteriores.

Entre as 20 atividades que registraram redução na produção, destacam-se os produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com queda de 16,7%, seguidos por máquinas e equipamentos, com recuo de 7,6%, e veículos automotores, reboques e carrocerias, com resultado negativo de 4,1%.

Oktoberfest Blumenau chega ao fim com novo caso de racismo

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Um novo caso de racismo marcou o último fim de semana da edição de 2023 da Oktoberfest Blumenau. O incidente ocorreu na madrugada do último domingo (29), com o suspeito de cometer o ato, contra um dos seguranças da festividade, chegando a ser preso, embora depois tenha sido colocado em liberdade.

O site do jornal O Município, de Blumenau (SC), divulgou o vídeo do caso. Nele, é possível ver o suspeito proferindo palavras racistas, como “preto filho da puta”, além de mencionar sua posição social ao declarar que “sou advogado, a minha família é grande”, adotando também um tom que pode ser interpretado como xenofobia ao dizer “tu não mora aqui”.

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O incidente ocorreu no final da festividade, às 3 horas da madrugada, de acordo com o vídeo e a organização da Oktoberfest Blumenau. Em uma nota enviada à reportagem do Guia, os responsáveis pelo evento afirmam que a comissão de segurança foi acionada para atender a uma ocorrência de agressão, entre os pavilhões 1 e 2. O suspeito das agressões foi identificado e retirado do local. No entanto, o indivíduo se recusou a ser conduzido de forma amigável, o que levou à sua remoção das dependências do Parque Vila Germânica.

“Quando os agentes de segurança o puseram para fora, o suspeito desferiu palavras de cunho racista contra os agentes, fato corroborado pelas imagens da body cam utilizada pelos seguranças e que estão em poder da Polícia Civil. Diante disso, o acusado recebeu voz de prisão e foi conduzido pela Polícia Militar à Polícia Civil, onde foi lavrada a ocorrência”, afirma o comunicado.

O acusado por racismo é um advogado, tendo sido identificado como Luiz Henrique Eltermann Viotti, o que também motivou uma manifestação oficial da OAB Blumenau, afirmando, que “reitera que repudia todo e qualquer ato de racismo ou injúria racial”.

“Tais atos são inaceitáveis e contrários aos valores da igualdade, justiça e respeito que defendemos como instituição. Estamos comprometidos em acompanhar de perto o desenrolar das investigações sobre esse incidente”, diz. “Reforçamos nosso compromisso com a promoção de uma sociedade justa, igualitária e sem preconceitos, e continuaremos a trabalhar para que a advocacia seja um exemplo de respeito aos direitos humanos”, acrescenta.

Procurada pela reportagem, a organização da Oktoberfest Blumenau optou por se manifestar sobre o caso de racismo no último fim de semana da edição de 2023 apenas por meio de uma nota oficial em que apresentou detalhes do incidente.

“A organização da 38ª Oktoberfest vem a público repudiar quaisquer atos ou formas de misoginia, discriminação, racismo ou preconceito. Salientamos mais uma vez que a Oktoberfest é uma festa de todos e para todos e reforçamos que, diante da ocorrência registrada na madrugada de sábado para domingo, todas as medidas foram tomadas e o caso agora está com a Justiça,” afirma.

Já a Ambev, detentora da marca Spaten, a cerveja oficial do evento, optou por não enviar um posicionamento oficial sobre o caso quando procurada pelo Guia.

Reincidência
O caso contra um funcionário da segurança da Oktoberfest Blumenau acontece menos de uma semana depois de uma operação policial motivada por outra ocorrência de racismo na edição anterior da festividade, em 2022.

Na ocasião, um cidadão negro publicou um vídeo no TikTok celebrando a festividade na cidade catarinense, junto com sua enteada, também negra. A publicação foi alvo de uma série de comentários racistas.

O caso provocou a abertura de inquérito policial, posteriormente dando origem à Operação Trend. Na semana passada, então, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão por todo o Brasil, três deles contra adolescentes, contando com o apoio das polícias civis de nove estados e do Distrito Federal.

A investigação encontrou vestígios digitais dos crimes apurados no inquérito e revelou que diversos suspeitos possuem perfil extremista com nítidas referências ao neonazismo, segundo os investigadores.

Edição 2023
A 38ª edição da Oktoberfest Blumenau terminou no último domingo com um público inferior ao de 2022. Foram 454.285 participantes, de acordo com os organizadores, contra as 634.704 pessoas de um ano antes.

A festividade teve seis dias cancelados, devido às fortes chuvas no Vale do Itajaí, o que também motivou sua prorrogação por uma semana. No total, foram realizadas quase 70 apresentações folclóricas e mais de 300 apresentações musicais, incluindo a presença de quatro atrações internacionais.

“Sempre ouvimos que a Oktoberfest é a festa da resiliência, pois ela começou depois de duas grandes enchentes, e desta vez vencemos quatro enchentes durante a Oktober e mantivemos a festa. Agradecemos a todos que prestigiaram a festa e agradeço em especial à equipe da organização da 38ª Oktoberfest, eles foram essenciais para a excelência da festa”, afirma o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt.

Em 2024, a Oktoberfest na cidade catarinense acontecerá entre os dias 9 e 27 de outubro.

Ambev tem alta de 25% no lucro no 3º trimestre, mas venda de cervejas cai

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A Ambev registrou uma queda de 2% no volume de bebidas no 3º trimestre de 2023, com uma redução de 1,1% nas vendas de cerveja no Brasil, em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, a empresa encerrou o trimestre com um aumento significativo no lucro líquido.

De acordo com o relatório financeiro divulgado nesta terça-feira, o lucro líquido aumentou 24,9% em relação ao 3º trimestre de 2022, atingindo R$ 4,015 bilhões. Já o lucro líquido ajustado, de R$ 4,038 bilhões, foi 25,1% maior do que o obtido um ano antes.

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Uma das razões apontadas pela Ambev para explicar o aumento no lucro líquido foi o crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que aumentou 17,6% ante o 3ª trimestre de 2022, totalizando R$ 6,584 bilhões, sendo que a expansão orgânica foi de 43,7%. Durante o trimestre, a empresa destacou um cenário de desaceleração dos custos e despesas, devido a fatores favoráveis no câmbio e nas commodities, além de melhorias gerais na eficiência.

Esses fatores ajudaram a compensar ao recuo na receita líquida da Ambev, que caiu 1,3% no 3ª trimestre, totalizando R$ 20,318 bilhões, mas com alta de 19,3% no conceito orgânico. E parte dessa oscilação está relacionada à queda de 2% no volume de bebidas, que chegou a 45,344 milhões de hectolitros, ainda mais que a receita líquida por hectolitro cresceu 21,7%.

No Brasil, o volume de bebidas comercializadas pela Ambev permaneceu praticamente estável, com uma queda de 0,1%, alcançando 31,425 milhões de hectolitros. No entanto, as vendas de cerveja caíram 1,1%, chegando a 23,482 milhões de hectolitros. Esse declínio foi compensado pelo crescimento de 2,8% das bebidas não alcoólicas.

Destaques no Brasil
No comunicado com os resultados do 3º trimestre, a Ambev destaca que suas marcas de cerveja premium e super premium (lideradas por Corona, Spaten, Stella Artois e Original) tiveram um crescimento superior a 10% no Brasil, superando a indústria e conquistando participação de mercado, de acordo com suas estimativas

No segmento core plus, a Ambev informa que a família Budweiser apresentou alta próxima de 20% (high teens) no seu volume. E ressalta a expansão da Budweiser Zero que representou 6% da família Budweiser no período de janeiro a setembro.

O Zé Delivery teve um crescimento de 9% nos usuários ativos mensais no trimestre, atingindo um total de 4,7 milhões, com um aumento de 4,8% no volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês). O valor médio por pedido aumentou 12% em relação ao 3ª trimestre de 2022.

A Ambev também destaca o crescimento do BEES, sua plataforma B2B, com mais de 92% de seus clientes realizando compras por meio dela. Além disso, o BEES Marketplace atingiu 81% dos clientes do BEES, com o GMV crescendo 32% em relação ao 3º trimestre de 2022, alcançando um montante anualizado de R$ 1,8 bilhão.

Resultado da AB InBev
O desempenho da AB InBev, controladora da Ambev, foi semelhante, com um aumento no lucro, embora mais modesto, e uma queda no volume de vendas. De acordo com os resultados divulgados nesta terça-feira, o lucro líquido aumentou 2,7%, atingindo US$ 1,472 bilhão.

A receita da AB InBev aumentou 5% no 3º trimestre, chegando a US$ 15,574 bilhões. O Ebitda normalizado cresceu 4,1% em relação ao mesmo período de 2022, atingindo US$ 5,431 bilhões.

As vendas de bebidas pela AB InBev diminuíram 3,4% no 3º trimestre, chegando a 151,891 milhões de hectolitros. A queda nas vendas de suas cervejas foi maior, com uma redução de 4%, totalizando 132,325 milhões de hectolitros.