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Bélgica destrói 2,3 mil latinhas da Miller por uso de “champanhe” no slogan

Uma interpretação literal do slogan da cerveja Miller High Life provocou a destruição de um carregamento com cervejas da marca que havia sido exportado para a Europa. Por lá, a Bélgica destruiu 2.352 latinhas da marca dos Estados Unidos, que possui o slogan “o champanhe das cervejas”.

A ação foi realizada pela alfândega belga sob a justificativa de rotulagem indevida da cerveja, como champanhe. O carregamento seguia para a Alemanha, sendo interceptado no porto de Antuérpia.

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A destruição aconteceu após uma associação comercial da indústria de Champagne, na França, defender que o termo só pode ser utilizado em garrafas de vinho espumante produzidas com o método criado na sua região e que leva as uvas Chardonnay, Pinot Noir ou Pinot Meunier.

Assim, a inscrição “O Champanhe das Cervejas”, estampado no rótulo da Miller, infringiria a designação protegida de “champanhe”. “O destinatário das latas na Alemanha foi informado e não contestou a decisão”, diz o comitê.

A Miller High Life foi lançada em 1903. Três anos depois, a marca adotou o slogan “O Champanhe das Garrafas de Cerveja”. Em 1962, então, o slogan foi reduzido para “O Champanhe das Cervejas”.

O slogan do rótulo mais famoso da Miller é extremamente conhecido nos Estados Unidos, mas acabou, assim, se colidindo com a legislação da União Europeia. Ela aponta que produtos que violem uma denominação de origem protegida podem ser tratados como falsificados, em uma tentativa de proteger produtos regionais.

“A destruição foi realizada pela empresa Westlandia em Ypres (Bélgica) no dia 17 de abril com o máximo respeito pelas preocupações ambientais, garantindo que todo o lote, tanto o conteúdo quanto a embalagem, fosse reciclado de maneira ambientalmente responsável”, afirma o Comitê Champagne em nota oficial.

“[A ação] confirma a importância que a União Europeia atribui às denominações de origem e premia a determinação dos produtores de champanhe em proteger a sua denominação”, acrescenta Charles Goemaere, diretor administrativo do Comitê Champagne.

A Molson Coors disse não ter realizado a exportação, declarando não saber como suas cervejas podem ter ido para a Europa. Ainda assim, garantiu respeitar as restrições em torno da palavra champanhe. “Mas continuamos orgulhosos de Miller High Life, seu apelido e sua proveniência de Milwaukee, Wisconsin. Convidamos nossos amigos na Europa para vir aos Estados Unidos a qualquer momento para brindar juntos à High Life”, afirma.

Veja principais razões para perda de barris e como controlar o estoque

A gestão do dia a dia de uma cervejaria é uma tarefa complexa e que necessita ser feita com cuidado para evitar ou, ao menos, minimizar problemas, como a perda de barris, algo que provoca problemas financeiros para as companhias. Esse desfalque no estoque tem a falta de controle envolvendo a cessão e a devolução, a inexistência de contratos de comodato e a troca entre distribuidores como principais razões. Já as soluções para evitar esse tipo de ocorrência podem ser várias, mas passam sobretudo pela adoção de iniciativas que reforcem o controle, o que inclui soluções tecnológicas.

A falta de controle sobre a quem foi cedido um ou mais barris é um dos grandes motivos para o extravio desses equipamentos, um problema que pode se tornar mais difícil de ser solucionado em casos em que uma relação comercial foi encerrada ou não há mais interesse na utilização do produto.  

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“A falta de controle de devoluções pode fazer com que os barris retornem ao estoque da cervejaria sem que a empresa saiba a quem pertenciam originalmente”, diz Ewerton Miglioranza, sócio-fundador da BierHeld.

O profissional também destaca a importância da existência de contratos de comodato, não apenas para garantir a devolução dos barris, mas também para assegurar a sua melhor conservação. “Sem esse tipo de documento, o cliente pode se sentir menos responsável pelos equipamentos recebidos e pode não se preocupar tanto com a sua manutenção e devolução”, diz Miglioranza.

A inclusão de cláusulas contratuais de comodato, segundo o especialista, também é uma forma de responsabilizar o cliente pelo extravio e danos causados nos barris. “Essas cláusulas devem deixar claro que o cliente é o responsável pela manutenção e devolução dos equipamentos e que ele será cobrado em caso de perda ou dano”, diz.

O sócio da BierHeld também alerta para a ocorrência de casos em que um distribuidor não tem mais interesse em trabalhar com a cervejaria, transferindo os barris para outro distribuidor sem avisar a empresa. “Isso pode fazer com que os equipamentos fiquem perdidos no sistema de distribuição e a cervejaria não saiba onde estão”, explica.

Para evitar a perda de barris nas cervejarias, Miglioranza também ressalta a necessidade da implementação de medidas de controle e prevenção na gestão do dia a dia. Isso inclui registros por meio de um sistema de gestão de estoque ou até mesmo em planilhas de Excel. “Uma das maneiras de fazer isso é manter um histórico detalhado de quais equipamentos foram entregues, quais estão em poder do cliente e quais estão retornando”, comenta.

Outra medida eficaz para evitar a perda de barris apontada pelo sócio-fundador da BierHeld é a demarcação dos equipamentos. Isso pode ser feito com gravação a laser, solda de logomarca ou código de barras. “Essa demarcação torna os equipamentos mais facilmente identificáveis e evita que sejam trocados entre distribuidores sem o conhecimento da cervejaria”, completa.

Além das soluções apresentadas, um sistema que implemente esses controles irá ajudar a cervejaria a eliminar prejuízos com equipamentos ao mesmo tempo em que aumentará a eficiência de seus processos. Para isso, a BierHeld, que auxilia a gestão de cervejarias e distribuidores através do seu software, também conta com um sistema com controle completo dos empréstimos e devoluções e emissões de contratos.

Com carnaval, produção de alcoólicas descola da indústria e cresce 13%

O ritmo da fabricação de bebidas alcoólicas descolou da atividade industrial. Em um sinal da demanda provocada pela realização do carnaval sem restrições, a produção de bebidas alcoólicas saltou 13,2% em fevereiro na comparação com o mesmo período de 2022, enquanto a indústria nacional apresentou o terceiro mês consecutivo de recuo.

As informações são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE. E com esse desempenho, a produção de bebidas alcoólicas acumula alta de 6,9% no primeiro bimestre de 2023. Além disso, esse impulso de fevereiro reverteu o cenário de recuo ao longo do período de 12 meses. Agora, o indicador aponta crescimento de 1,8% na atividade de março de 2022 a fevereiro de 2023.

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A produção de bebidas não alcoólicas também apresentou crescimento no segundo mês do ano. O salto foi de 2,8% em relação a fevereiro de 2022. Agora, então, o segmento registra saldo positivo de 5,8% em 2023. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o indicador tem crescimento de 8,6%.

A produção de bebidas registrou desempenho positivo em fevereiro, com alta de 3,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo um dos destaques da atividade industrial brasileira no período. Assim, no acumulado do ano, a aceleração do ritmo da atividade é de 6,4%. Por sua vez, a variação percentual acumulada nos últimos 12 meses fica em 5,0%.

Indústria nacional em outro rumo
Se o segmento de bebidas apresentou números positivos em fevereiro, a produção industrial nacional não teve o mesmo desempenho e apresentou queda de 0,2% na série com ajuste sazonal. Segundo o IBGE, foi o terceiro resultado negativo consecutivo, o que provoca recuo de 0,6% desde dezembro.

Com esse resultado, a indústria nacional está 2,6% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, e 19% abaixo do nível recorde da série, alcançado em maio de 2011.

Na comparação com fevereiro de 2022, a produção industrial apresentou recuo de 2,4%. O resultado fica negativo em 1,1% no primeiro bimestre de 2023 e em 0,2%  nos últimos 12 meses avaliados pelo IBGE.

De acordo com o instituto, 9 das 25 atividades pesquisadas recuaram em fevereiro, com queda de 1,1% nos produtos alimentícios, 1,8% nos químicos e redução de 4,5% nos farmoquímicos e farmacêuticos.

Outras reduções importantes ocorreram nas atividades de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,5%) e de produtos de metal (1,4%).  Entre as 16 atividades que tiveram alta no período, o IBGE destacou as indústrias extrativas, que cresceram 4,6%.

“Embora a produção industrial tenha mostrado alguma melhora no fim do ano passado, este início de 2023 apresenta perda na produção, permanecendo longe de recuperar as perdas do passado recente”, explica o gerente da pesquisa, André Macedo.

Balcão do Jayro: “Lúpulo na pimenta dos outros é refresco”

Balcão do Jayro: “Lúpulo na pimenta dos outros é refresco”

O amargor proveniente do lúpulo realça o ardor/picância das pimentas. Esse fato é incontroverso, basta testá-lo na prática. Me recordo bem da sensação de sorver desavisadamente a espuma que se derramava pela taça de uma Habanero Sculpin – Para que não conhece, é a receita da famosa IPA da Ballast Point com quantidades generosas de pimenta habanero adicionadas. Meu cérebro reptiliano gravou bem o recado: “não faça mais isso! ”

Até então não havia me questionado qual processo – seja ele físico, químico ou mais complexo. Fui “beber da fonte” e procurei ajuda do professor René Aduan Jr. A resposta – uma verdadeira aula – é sumarizada abaixo:

Temos em nosso corpo diversas membranas nas células que mediam vários compostos bioquímicos. Especificamente para a falsa sensação gélida e falsa sensação de aquecimento, temos um aparato específico – os canais TRPs. São sensações “falsas” pois têm relação com nosso cérebro primitivo – reptiliano – um tipo de memória ancestral primordial para a sobrevivência.

Canais TRP são canais de membrana mediadoras de sensações de calor e frio e nas degustações estão ligadas a falsas sensações térmicas como ardor, picância, gélido, agulhamento. São mediados pelo influxo de cálculo e sua ligação com a Calmodulina (CaM), uma proteína que se liga ao cálcio. Temos um canal específico – V1 – para mediar a capsaicina – o ingrediente ativo das pimentas.

Segundo Harold McGee em “Comida & Cozinha: Ciência e Cultura Culinária” as pimentas do gênero Capsicum são originárias de arbustos naturais da América do Sul.

Seu ingrediente ativo, a capsaicina – substância extraordinariamente pungente -, protege as sementes desses frutos e parece ter função específica de repelir os mamíferos. […] O sucesso das pimentas do gênero Capsicum é espetacular. A produção e o consumo mundiais são cerca de 20 vezes maiores que as da outra principal especiaria picante, a pimenta-do-reino

Comida & Cozinha: Ciência e Cultura Culinária (p. 464-465)

Por um outro lado, o gosto amargo, do ponto de vista evolucionário, é um gosto muito importante para a sobrevivência de várias espécies, já que ele discrimina muitas substâncias tóxicas e letais. Ele não está associado a esses canais TRPs, mas sim às células nervosas de nossas papilas gustativas da língua. Está associado aos alcalóides, moléculas complexas e longas, percebidas em um segundo momento (após o salgado e ácido) e que permanecem um bom tempo na boca.

Mas, então, qual é a mágica? É mais ou menos como uma volta de montanha-russa. Ao colocarmos nossas células nervosas expostas ao duplo trauma – o sofrimento do amargor e o sofrimento da pungência das capsaicinas – temos, no final, um pote de ouro – a dopamina do sistema recompensa de nosso cérebro mesolímbico – é a medalha de finisher da sua maratona. 

Dói, mas é bom? Depende de cada indivíduo. Como um bom latino, gosto de pimentas, mas, particularmente, me agrada mais a sensação de alívio de cervejas maltadas em encontro às capsaicinas. E uso cervejas lupuladas para realçar condimentos – dentre eles as falsas pimentas.

Saúde!


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

NewAge trabalha para recuperar embalagens e obtém selo de logística reversa

A exigência do consumidor de que as empresas sejam mais sustentáveis e as determinações da Política Nacional de Resíduos Sólidos têm levado as empresas a se movimentarem. Neste cenário, diversas companhias adotam estratégias para demonstrar que possuem cunho socioambiental em sua atuação, como a NewAge.

No ano passado, a NewAge instalou 5 pontos voluntários de entrega de embalagens em uma rede de supermercado parceira, visando a conscientização da população para devolver as embalagens utilizadas, sejam elas de plástico, alumínio ou vidro. Além disso, passou a ser detentora do Selo Recupera, adquirido junto à Pragma Soluções Sustentáveis.  

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“Com a participação em projetos como este, demonstramos publicamente nosso trabalho em conjunto com o meio ambiente, promovendo a sustentabilidade”, diz Rodrigo Beck, analista de marketing da NewAge.

De acordo com a companhia, que conta com as marcas de cerveja Wienbier e a Pabst Blue Ribbon no seu portfólio de bebidas, as embalagens recuperadas são destinadas para a sua planta industrial e, posteriormente, para as empresas parceiras de reciclagem.

“Nós realizamos toda gestão de recolhimento e destinação dessas embalagens e, em paralelo a esse projeto próprio, fazemos parte do Programa Recupera, que é uma ação permanente de logística reversa estruturante. O objetivo é implementar ações de recuperação de embalagens pós-consumo, atrelada à Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 10.135/2010) e a DD 127/2021 – Cetesb”, afirma Beck.

O Programa Recupera diz atuar para ampliar os níveis de reciclagem no país e contribuir com a preservação do meio ambiente com a adoção da logística reversa. E afirma, em seu site oficial, já ter recuperado 245 mil toneladas em 150 municípios de todos os estados do Brasil, além do Distrito Federal.

O Selo Recupera é uma marca fornecida pela Pragma Soluções Sustentáveis, por meio do Programa Recupera, para comunicar que a empresa contratante recupera embalagens para a reciclagem, cumprindo sua meta legal de recuperação de embalagens.

Empresas, então, adquirem o selo, que está disponível para todas as empresas que contratam a recuperação de embalagens em geral pós-consumo, por meio do Programa Recupera, nos estados em que comercializam produtos.

Venda de artesanais cai nos EUA em 2022 e market share fica em 13,2%

O setor de cerveja artesanal dos Estados Unidos sofreu um baque em 2022. De acordo com o relatório anual da Brewers Association, as vendas pelas do segmento apresentaram queda em volume no ano passado, resultado visto como um marco, afinal as microcervejarias e marcas independentes vêm em expansão desde os anos 1980 no país.

A associação informa que foram produzidos 29,0 milhões de hectolitros (ou 24,3 milhões de barris) de cerveja em 2022 pelas artesanais dos Estados Unidos, uma redução frente aos 29,6 milhões de hectolitros (ou 24,8 milhões de barris) do ano anterior.

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“2022 apresentou aos pequenos cervejeiros uma série de desafios, incluindo o aumento dos custos operacionais e de material e o aumento da concorrência, principalmente na distribuição”, diz Bart Watson, economista-chefe da Brewers Association. “Neste mercado cada vez mais maduro e competitivo, o crescimento coletivo da categoria é difícil de acontecer”, acrescenta.

Apesar do recuo nas vendas, o número de cervejarias continuou em crescimento nos Estados Unidos, ainda que com um ritmo de aberturas em declínio, assim como já havia acontecido em 2021. O saldo, divulgado pela associação, aponta 549 aberturas e 319 fechamentos, que também aumentaram no comparativo anual.

São, agora, 9.552 cervejarias artesanais e independentes em operação no país, um recorde, destaca a Brewers Associação. No total, os Estados Unidos têm 9.709 cervejarias em operação, contra as 9.384 de 2021.

O relatório também aponta que o mercado cervejeiro encolheu 3% no país. Assim, mesmo com o declínio nas vendas, as artesanais tiveram leve alta na participação, indo de 13,1% em 2021 para 13,2% em 2022.

Já a receita das artesanais chegou aos US$ 28,46 bilhões no ano passado, representando uma participação de mercado de 24,6%, um crescimento de 6% em relação a 2021. Essa expansão, porém, está mais relacionada com a alta dos preços do que com um sinal de força do segmento.

Em termos de empregos, houve um salto nas cervejarias artesanais e independentes no ano passado, chegando às 189.413 vagas, um incremento de 9% em relação a 2021. O resultado se deu tanto pela abertura de cervejarias como pela volta do público aos locais de consumo fora de casa.

As 50 maiores
O relatório da Brewers Association também traz o Top 50 das cervejarias do país. Entre elas, 40 são artesanais, sendo que a D.J. Yuengling & Son é a mais bem colocada, na sétima posição. A lista é liderada pela Anheuser-Busch, seguida por Molson Coors e Constellation. Heineken USA, Pabst e Diageo vêm logo depois. O Top 10 ainda conta com FIFCO USA, Boston Beer e, agora, Kirin-Lion/New Belgium, que desbancou a Boston Beer do décimo lugar. 

O levantamento também conta com a lista das 50 maiores cervejarias artesanais dos Estados Unidos. A Beel’s, adquirida pela Kirin em 2022, deixou a relação, o que motivou movimentações no Top 10, com a entrada da Tilray Brands e da Brooklyn Brewery. A Sweet Water também deixou o seleto grupo.

Receita da Heineken cresce 25% no país no 1º tri; veja perspectiva

O Brasil voltou a ser um dos destaques do resultado financeiro do Grupo Heineken. Ao divulgar o seu balanço do primeiro trimestre de 2023, a companhia reportou alta de 25% na receita obtida no país, em comparação ao mesmo período de 2022. E a empresa cita preços, premiumização do portfólio e alta do volume como razões para esse desempenho.

De acordo com o Grupo Heineken, o volume de cerveja vendida no Brasil cresceu entre 8% e 10% (um dígito alto) de janeiro a março. O melhor desempenho veio dos portfólios mainstream e premium, com alta de, aproximadamente, 15%, com seu desempenho sendo puxado por Heineken e Amstel. No sentido contrário, o volume de cerveja vendida do portfólio econômico da companhia recuou entre 8% e 10% no primeiro trimestre de 2023.

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Em relatório enviado à imprensa, Thiago Duarte, analista do BTG Pactual, relata que o Grupo Heineken se declarou, durante teleconferência com analistas, muito satisfeito com o desempenho alcançado no Brasil, não só citando a sua marca principal, como também a Amstel.

Duarte avalia que o Grupo Heineken deve ser mais cauteloso com relação ao reajuste dos preços no Brasil, preocupado em não perder espaço no mercado. “Eles também fizeram um comentário interessante sobre ‘não se antecipar’ em termos de precificação, citando que capturaram muitos preços nos últimos trimestres e que precisam ser cautelosos para não deixar a concorrência ganhar espaço”, diz.

Além disso, de acordo com o analista do BTG Pactual, a companhia acredita em aceleração mais lenta de volume. “A administração não acha que os volumes vão crescer tão rápido para sempre, e tudo bem se os volumes desacelerarem um pouco agora que o negócio no Brasil se tornou relevante e ganhou escala. Para nós, isso sugere a noção de que a indústria cresceu muito e a penetração da cerveja já é alta”, afirma. “Ambos os comentários sobre preço e volume reforçam nossa visão de que a concorrência só ficará mais acirrada para a Ambev”, conclui.

Recuo global
No cenário global, o Grupo Heineken teve alta de 9,2% na receita no primeiro trimestre de 2023, chegando aos US$ 7,632 bilhões. E isso foi possível graças à alta do mix dos preços, de 12,1%. Afinal, apesar da alta no Brasil, o Grupo Heineken apresentou queda de 3% no volume de cerveja vendida no mundo no primeiro trimestre, para 54,8 milhões de hectolitros.

“Começamos o ano com um forte crescimento de receita impulsionado por preços e gerenciamento de receita disciplinado, enquanto aumentamos significativamente o investimento em nossas marcas. O desempenho dos negócios nas regiões da Europa e das Américas é encorajador, com a demanda do consumidor se mantendo melhor do que o esperado no primeiro trimestre”, afirma Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken.

Entre as regiões, a América compensou, em parte, o resultado negativo de outras, com alta de 3,4%, para 20,3 milhões de hectolitros. Porém, houve queda em todas as outras regiões, com o maior declínio, de 10,5%, sendo na Ásia-Pacífico.

Esse recuo global no volume foi puxado pela cerveja premium, com queda de 5,7%, com o Grupo Heineken citando os impactos provocados pelo recuo nas vendas no Vietnã e pela paralisação da atividade na Rússia.

Ainda assim, o volume de Heineken cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2023, para 12,2 milhões de hectolitros, com a marca afirmando que o desempenho foi puxado por China e Brasil.  O volume da Heineken Zero, por sua vez, caiu no primeiro trimestre, em ritmo abaixo dos 5%, apesar da continuidade do crescimento das vendas em solo brasileiro.

Cervejarias ciganas e de pequeno porte sofrem para recuperar ritmo de vendas

Cervejarias ciganas e de pequeno porte sofrem para recuperar ritmo de vendas

A conhecida observação de que pequenos empreendedores enfrentam maior dificuldade para se recuperar em um cenário de crise se confirmou para o segmento de cervejas artesanais no ano passado. De acordo com “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, pesquisa realizada pelo Guia, os pequenos empreendimentos e aqueles que adotam o modelo de negócio cigano foram os que mais tiveram dificuldade em aumentar o volume de cerveja vendida no ano passado na comparação com 2021.

O estudo, que pode ser acessado no link, apontou que 62% das cervejarias participantes tiveram alta nas vendas de cerveja no ano passado, com 19% registrando queda e outros 19% reportando estabilidade. Mas o resultado é bem pior entre as cervejarias ciganas e as que possuem um volume produtivo inferior a 5 mil litros por mês.

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Entre as cervejarias ciganas, termo usado para marcas que terceirizam a produção, apenas 25% venderam mais cerveja em 2022 do que em 2021. E 43,8% das ciganas que participaram do levantamento foram no caminho contrário, com recuo na comercialização da bebida no ano passado.

O resultado também contrasta com o desempenho de outros modelos de negócio em 2022. As cervejarias com fábrica própria apresentaram crescimento de 72,3% nas vendas no ano passado, enquanto 69,2% das que operam com brewpubs tiveram expansão em 2022.

Esse resultado indica a recuperação dos brewpubs como espaço de consumo, após enfrentarem grandes desafios em função da pandemia do coronavírus, ainda que 23,1% das marcas que operem com esse tipo de modelo de negócio tenham relatado queda na venda de cerveja no ano passado.

Quanto menor, pior
O porte das cervejarias também apresentou impacto na recuperação do ritmo da comercialização das bebidas em 2022. Das que produzem menos de 5 mil litros mensais, só 46% superaram o nível de vendas de 2021, em um indicativo claro de dificuldade para escalar e escoar a produção.

Mas cervejarias maiores conseguiram recuperar mais facilmente o nível de vendas. O índice daquelas que comercializaram mais em 2022 do que em 2021 foi de 77,8% entre as que produzem de 5 mil a 10 mil litros por mês, ficando em 73,9% entre as que fabricam de 10 mil a 50 mil litros por mês e subindo para 88,9% entre as que fazem mais de 50 mil litros mensais.

Sul reage primeiro
A recuperação do ritmo de venda de cervejas também foi mais acelerada na região Sul, que carrega grande tradição cervejeira, com alta de 85,7% no ano passado na comparação com 2021. O índice ganha ainda mais relevância quando se observa que nenhuma outra região do Brasil foi além dos 60% na alta da comercialização da bebida no ano passado. E o Nordeste apresentou o maior recuo entre todas elas, de 28,6%.

O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Em apoio a karajás, Cruls, Nacional e Cerrops criam cerveja com insumos locais

Um projeto para apoiar os karajás uniu marcas de cerveja e produtores de insumos na criação e lançamento de um rótulo fabricado com ingredientes nacionais. A cerveja é a Lenda Tainá-Kan, produzida a partir de uma colaboração entre a Cervejaria Nacional, a Cruls Cervejaria e a Cerrops Lúpulos do Cerrado, com apoio da Agrária, da Bio4 e do Instituto LeftBank.

A iniciativa tem a intenção de homenagear, valorizar e ajudar a manter viva a cultura dos povos indígenas, que tem o 19 de abril como sua data. E chamando a atenção para essa causa, as marcas envolvidas buscam incentivar as doações para uma campanha que irá ajudá-los através de doações para a Associação da Aldeia Karajá de Aruanã (AAKA), por meio de um site, que também traz informações sobre a cerveja.  

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Esse canal de doações foi viabilizado pelo Instituto LeftBank, com a comunidade indígena apoiada por estando baseada às margens do Rio Araguaia, em Aruanã (GO). O rótulo das latas possui um QR Code que direciona ao site do projeto.

“Temos o compromisso de resgatar, com urgência, a dignidade dos nossos povos indígenas. Nossa história, como nação, começa com eles. Cuidar e zelar dos direitos dos povos originários, além de primordial, é dever de todos os brasileiros. Estamos muito felizes em poder contribuir e disseminar essa ideia, estimulando mais e mais pessoas”, afirma a presidente do LeftBank, Rosângela Caino.

A equipe do projeto esteve na Aldeia Karajá de Aruanã em março para se reunir com as lideranças indígenas e obter a anuência para a execução do projeto de apoio à associação. Além disso, também foi validada a identidade visual desenvolvida pela ilustradora Raquel Gomide e os materiais produzidos para divulgação.

“Ajudar a contar uma lenda que se passa no Cerrado, onde estão as nossas raízes, é uma forma de reforçar ao mundo cervejeiro a necessidade de apoio à luta indígena por respeito, valorização e melhores condições de vida”, afirma João Marcelo Marins, sócio da Cerrops.

A Terra Indígena Karajá de Aruanã tem uma população estimada de 213 habitantes, de acordo com dados de 2010, estando localizada em uma área de 14 hectares. Faz parte, assim, da comunidade dos karajás, habitantes seculares das margens do rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, que possuem longeva convivência com a sociedade.

O grupo, porém, mantém costumes, como a língua nativa, as bonecas de cerâmica, as pescarias familiares, os rituais como a Festa de Aruanã e da Casa Grande, os enfeites plumários, a cestaria e artesanato em madeira e as pinturas corporais, como os característicos dois círculos na face, de acordo com informações do Instituto Socioambiental.

A cerveja e seus ingredientes
A Lenda Tainá-Kan é uma Session IPA. Possui uma presença aromática forte, se destacando as características do lúpulo Comet do cerrado brasileiro. E todos os seus insumos são nacionais, incluindo mandioca, em referência à alimentação tradicional dos karajás. Os maltes e as leveduras foram doados por outros dois parceiros do projeto: Agrária Malte e Bio4.

De acordo com a descrição divulgada, essa cerveja apresenta aromas de frutas amarelas como pêssego e herbal. Na boca, possui baixo corpo e amargor médio. É leve, refrescante e aromática, com sugestão de harmonização com tapioca, queijo coalho ou filé de peixe branco e caprese. Ela possui 5% de graduação alcoólica e 25 IBUs de amargor.

“O mais valioso desse projeto está em mostrar a riqueza da história do Brasil e em como precisamos valorizar o que é local. Em um único projeto, conseguimos unir duas cervejarias que ainda não haviam trabalhado juntas, uma produção local de lúpulo, a maior produtora nacional de maltes e uma empresa brasileira de biotecnologia. Tudo isso para elaborar uma excelente cerveja e contar uma história riquíssima, muito pouco conhecida”, destaca Pedro Capozzi, sócio da Cruls.

Para esse lançamento, foram produzidos 500 litros de cerveja, que serão comercializados em chope e em latas de 473ml. Em Brasília, a Lenda Tainá-Kan será comercializada em chope e lata no Boteco Cruls, que realiza evento de lançamento nesta quarta-feira, além de bares parceiros e via delivery, assim como através do seu e-commerce, com entrega em todo o país. Em São Paulo, essa Session IPA poderá ser adquirida em chope e growler PET na Cervejaria Nacional, onde o lançamento está previsto para a próxima terça (25).

“Tradição e inovação se encontram no copo de Tainá-Kan. Ficamos muito contentes com esse projeto proposto pela Cerrops. Faz parte da história da Nacional valorizar a pluralidade da cultura brasileira e trazer isso para o meio cervejeiro. Nesse projeto, conseguimos ao mesmo tempo contar uma lenda da cultura Karajá e trazer aos consumidores a experiência inovadora de experimentar um lúpulo fresco e nacional”, diz Marcos Braga, mestre-cervejeiro da Nacional.


A lenda que dá nome à cerveja
O nome da cerveja é inspirado em uma lenda da cultura karajá, de um guerreiro que transmite ao povo o dom da agricultura. Imaeró, uma bela indígena, desejava a estrela Tainá-Kan, conhecida como estrela d’alva. Sua vontade se realizou, mas a estrela se materializou na forma de um velho homem, já enrugado. Imaeró, decepcionada por encontrar um ancião em vez de um jovem, o rejeitou.

No entanto, sua irmã, Denakê, se compadeceu de Tainá-Kan e decidiu que se casaria com ele. O velho homem prometeu cuidar de Denakê e alimentá-la, partindo para a mata. Denakê ouviu que deveria esperá-lo em casa, mas, com o passar das horas, decidiu ir ao seu encontro.

Denakê, então, se deparou com uma surpresa ao encontrá-lo preparando um roçado na mata: Tainá-Kan havia assumido a forma de um guerreiro karajá, jovem e forte. Ele explica que não apareceu desta forma para Imaeró porque ela não foi capaz de enxergar além do que seus olhos podiam ver. Tainá-Kan foi muito feliz ao lado de Denakê e deu um grande presente ao povo karajá: ensinou a eles o dom da agricultura.

Com foco no bar, Eisenbahn Unfiltered passa a ter versão em garrafa de 600ml

O Grupo Heineken decidiu “ampliar” a família da Eisenbahn Unfiltered. Um ano após lançar a cerveja nas versões em lata e long neck, a companhia apresentou, agora, a versão em garrafa de 600ml. A empresa espera, assim, ampliar as oportunidades de consumo, especialmente nos bares.

Ao apresentar a novidade, a Eisenbahn destacou que a versão de 600ml “poderá ser mais compartilhada em momentos especiais, como na mesa do bar ou em reuniões entre amigos, por exemplo”.

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“Lançar esse líquido inovador em um formato de embalagem tão popular nos bares, botecos e restaurantes do país nos ajuda na missão de Eisenbahn que é”, comenta Karina Pugliesi, gerente de marketing da Eisenbahn.

Além disso, a marca indicou que os valores a serem cobrados pela Eisenbahn Unfiltered deverão ser competitivos. “Agora, os consumidores podem adquirir e apreciar uma cerveja artesanal de qualidade por um preço mais acessível nos melhores bares e na rede de varejistas do país”, diz.

Lançada em abril de 2022, a Eisenbahn Unfiltered é uma Pilsen não filtrada, o que a levaria a reter os sabores e aromas característicos de uma cerveja artesanal, de acordo com a marca. E isso remete à origem da Eisenbahn, nascida em 2002, em Blumenau (SC), o que foi um importante marco da história das artesanais no país.

A Eisenbahn Unfiltered tem 11 IBUs de amargor e 4,8% de graduação alcoólica. Em seu primeiro ano de trajetória, foi medalhista de ouro na categoria nacional do World Beer Awards de 2022, no estilo Amber/Dark Kellerbier and Rotbier/Red Lager.

“Estamos muito felizes com o lançamento da nossa cerveja não filtrada, a Eisenbahn Unfiltered, no formato 600 ml retornável. O líquido de Unfiltered foi premiado internacionalmente como um dos melhores do Brasil e hoje é o único do mercado brasileiro a trazer esse gostinho artesanal para uma Pilsen”, acrescenta Pugliesi.