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Confira os lançamentos mais recentes das cervejarias artesanais

As cervejarias artesanais passaram o primeiro trimestre de 2023 ávidas pela apresentação de lançamentos e novidades aos consumidores. Por isso, vários rótulos inéditos puderam ser apreciados pelo público nas últimas semanas, com criações motivadas por datas comemorativas, como o St. Patrick’s Day, ampliação de portfólios ou para celebrar parcerias.

A Avós, por exemplo, apresentou uma nova série, a Cool, enquanto a Nacional criou mais uma cerveja do projeto Musas do Verão. E os lançamentos das artesanais também estão vindo cheio de colaborativas. Foi assim com a Dádiva, que fez uma parceria internacional, e com a Bastard Brewery, que se uniu à Goose Island.

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Confira esses e outros lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais, selecionados pela reportagem do Guia:

Avós
A Cerveja Avós continua investindo nos lançamentos, tendo apresentado em março a série Cool, só disponibilizada em chope. Ela é composta por três receitas que equilibram amargor limpo e assertivo, leveza e aroma lupulado, de acordo com o seu descritivo. As novidades são a Cool IPA, uma India Pale Lager leve, a Cool APA, uma American Pale Lager, com o leve dulçor proveniente dos maltes, mas algum amargor, e a Cool Pils, uma Premium Lager, leve. Já a série A Véia Viaja ganhou uma adição, A Véia Viaja 4, uma German Pils tradicional com base de maltes que trazem notas de casca de pão e notas florais dos lúpulos alemães Tettnag e Hallertau Mittelfrueh.

Bastard Brewery e Goose Island
A união entre Bastards Brewery e Goose Island rendeu o lançamento de uma cerveja colaborativa, a Bark & Honk. A novidade é uma Session New England IPA. Ela utiliza o lúpulo Nelson Sauvin, que traz como característica sabores frutados, picantes e que remetem a uvas e vinhos brancos, em conjunto com Riwaka, que conta com aromáticos mais cítricos, principalmente de toranja e maracujá. A Bark & Honk tem 4,0% de teor alcoólico e 25 IBUs de amargor.

Croma + Templária + Trema
A Templária foi outra marca de artesanais a apostar em uma colaborativa entre os lançamentos mais recentes do setor. A novidade é uma Double New England IPA produzida em parceria com Croma Beer e Trema Cervejaria.  Essa cerveja tem coloração alaranjada, turva e lupulagem intensa dos lúpulos americanos Enigma e Eclipse, além do aroma do Mosaic. A promessa é de sensação de frutas amarelas maduras e cítricas.

Dádiva
A Dádiva apresentou ao mercado uma novidade internacional. É a Insensatez, uma colaborativa feita em parceria com a cervejaria Totenhopfen, de Luxemburgo. O lançamento é uma Double IPA com quatro dry hoppings dos lúpulos Triumph, Chinook, Citra e Centennial. No seu aroma, as frutas amarelas e de caroço, como pêssego e manga, são muito presentes.

Goose Island
No clima do St. Patrick’s Day, a Goose Island aproveitou o mês de março para lançar uma cerveja sazonal, a The Irishman. A novidade lembra o Irish Coffee. Mas enquanto a bebida é composta de café, uísque irlandês e creme de leite batido, essa novidade é uma Irish Brown Ale com café, nibs de cacau e lactose. Com espuma cremosa, o aroma traz notas marcantes de café expresso e leve chocolate. O rótulo traz referências irlandesas, como o tradicional trevo, os pubs de Dublin, castelos feudais, cruz celta e a clássica taça do Irish Coffee.

Nacional
Em mais uma edição do Projeto Musas do Verão, a Nacional lançou, em março, a Desnuva, uma homenagem à variedade de uva nacional conhecida como Lorena. Trata-se de uma cerveja experimental, produzida com leveduras extraídas do mosto e do grão da uva Lorena, procedentes da Fazenda Viccas. Sara Valar, Vivian Vitorelli, Marina Asnis e Carola Carvalho foram as convidadas da marca para participação no projeto em 2023.

ØL Beer
A ØL Beer reformulou a receita da cerveja Loki, o que incluiu a adição de uma carga maior de lúpulos. Com isso, a Loki se tornou a nova American IPA da marca. A novidade está disponível em chope. “A Loki recebeu uma carga extra de lúpulos americanos, o que resultou em uma cerveja mais aromática, um pouco mais alcoólica, mas ainda leve e com alto drikability”, afirma a sócia-fundadora Isadora Neier.

Proa
A Proa Cervejaria acaba de lançar a segunda edição da série de cervejas Hops for Julia, cervejas criadas para homenagear as fases da vida da pequena Julia, filha da fundadora da marca, Debora Lehnen. A novidade tem o mesmo estilo da primeira versão, porém uma nova receita, para comemorar a fase em que Julia começou a engatinhar. A cerveja se chama Crawling. É uma cerveja aromática e de final seco, que leva os lúpulos Eldorado, Bravo, Amarillo e Idaho 7, que conferem um sabor complexo e harmônico, com notas de maracujá, manga e laranja. Tem teor alcoólico de 6,5%, cor dourada e brilhante, com uma espuma densa e cremosa.

Prussia Bier
A Prussia Bier aproveitou o mês de março para lançar uma cerveja feita com a ajuda da Inteligência Artificial. O ChatGPT foi usado para ajudar na definição da receita da Black IPA. É uma cerveja de cor escura, espuma esbranquiçada e cremosa, tendo forte sabor e aroma de lúpulo, enquanto apresenta um baixo caráter de malte torrado, contrariando o sentido visual, sendo cremosa, de amargor moderado, com 6,5% de teor alcoólico.

Grupo Petrópolis expande produção de lúpulo com plantio em Uberaba

O Grupo Petrópolis ampliou o seu projeto envolvendo a produção de lúpulo e o levou para Uberaba (MG). Na última semana, a companhia iniciou o plantio de mais de 5 mil mudas desse importante ingrediente cervejeiro em uma fazenda no interior da cidade mineira, onde está localizada uma das suas fábricas.

O plantio pelo Grupo Petrópolis em Uberaba se dará em uma área de aproximadamente 2 hectares, envolvendo mudas das variedades Comet e Cascade, representando uma ampliação do Programa do Lúpulo, iniciado em novembro de 2018 pela companhia.  

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Naquele momento, o Grupo Petrópolis começou o cultivo em Teresópolis (RJ). E isso se deu com o plantio de 21.400 mudas de lúpulo em uma área de 5,27 hectares na Fazenda São Francisco.

O cultivo em Uberaba já havia sido testado pelo Grupo Petrópolis, a partir de junho de 2021, em um projeto piloto realizado com o intuito de avaliar o comportamento da cultura em uma região com características de relevo e clima completamente diferentes aos da Serra Fluminense. E os resultados obtidos motivaram a decisão de expandir a plantação na cidade do interior mineiro, onde uma fábrica da empresa foi inaugurada em agosto de 2020.

“O projeto é um importante marco, porque estamos fortalecendo a cultura de engajamento com produtores locais para fomentar o cultivo de lúpulo no Brasil. E mais: o objetivo é colaborar para a evolução do setor cervejeiro nacional que ainda é muito dependente de insumos importados de modo geral”, afirma Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis.

A companhia já utilizou o lúpulo que cultiva na produção de cervejas, tendo sido a primeira a Black Princess Braza Hops, uma German Pilsner, fruto de um trabalho conjunto com o Centro Cervejeiro da Serra, em 2020.

Além disso, o lúpulo da empresa é comercializado no seu e-commerce, o Bom de Beer, em embalagens de 100 gramas, com foco em pequenos fabricantes de cerveja. O produto também passou a ser disponibilizado no formato peletizado.

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração – Parte II

Cerveja com ciência: Brindemos à colaboração – Parte II

Apresentamos na coluna anterior como a colaboração pode favorecer a indústria cervejeira por meio de uma breve revisão do que sabemos sobre o tema, especialmente a partir de estudos realizados em micros e pequenas cervejarias artesanais mundo afora. Como combinado, esta segunda parte aborda alguns aspectos práticos e exemplos de colaboração em diversos pontos da cadeia cervejeira, a partir de um recorte da cena de cervejarias artesanais independentes inglesas.

As informações pesquisadas para esta coluna se iniciaram a partir de um estudo de caso realizado sobre a Cloudwater. Trata-se de uma cervejaria artesanal moderna, com atenção para a qualidade de suas cervejas, tanto no que diz respeito à paixão, experiência, habilidades e sonhos de sua equipe, quanto pela utilização de ciência e técnicas de fabricação de última geração. Além disso, afirmam possuir o máximo respeito e confiança em relação aos ingredientes cultivados e processados por seus fornecedores. Um exemplo claro de colaboração interna e vertical à montante de sua cadeia de suprimentos com seus fornecedores.

A cervejaria investe nesta colaboração como seu diferencial, para apresentar sabores precisos e consistentes de uma cerveja para outra. Fundada em 2014, em Manchester, Inglaterra, iniciou sua primeira produção em 2015. Mesmo com uma curta trajetória, tem apresentado centenas de rótulos diferentes (o que motiva minha busca pela IPA perfeita : ). Os estilos apresentados vão dos clássicos aos imaginados, como, por exemplo,“A Persistência é Útil” (tradução livre), uma Imperial Stout com café.

Além da vasta gama de cervejas sazonais e capacidade de inovação, a Cloudwater colabora com algumas das melhores cervejarias do mundo, com intuito de produzir versões modernas de estilos clássicos. Essa é a forma que a cervejaria encontra para honrar os pioneiros que desenvolveram a indústria até aqui, sem perder seu foco na modernidade.

A cervejaria não terceiriza sua produção ou processo de embalagem. Seus equipamentos são fornecidos pela Premier Stainless Systems, líder global na fabricação de tecnologia para cervejarias, localizada em Escondido, Califórnia. O sistema da Cloudwater conta com uma adega de 840 hectolitros e 18 fermentadores que oferecem a precisão e consistência apontada como diferencial. Outro destaque da fabricação está em sua linha de enlatamento, fornecida pela Cask, empresa verdadeiramente global, com sede no Canadá, com mais de 1.800 clientes em 70 diferentes países.

Curiosamente, foi por meio de sua embalagem que conheci a colaboração da Cloudwater com outras quatro cervejarias artesanais independentes, todas Inglesas, a Good Karma Beer Co, a Rock Leopard Brewing, a Queer Brewing e a Eko Brewery.

A Good Karma Beer Co busca, como princípio, fazer parte de uma mudança de cultura em direção a uma sociedade mais sustentável, diversa e igualitária. Sua fabricação é direcionada para cervejas sem álcool, feitas tradicionalmente sem processos sofisticados ou que precisem de adições como lactose.

A Rock Leopard Brewing se apresenta como uma cervejaria inspirada no amor ao nobre gato couchant e pela música. Estão ainda em fase de acertar sua linha principal e encontrar um lar permanente para sua fabricação.

O projeto Queer Brewing começou em 2019, para dar visibilidade às pessoas LGBTQ+ dentro e ao redor da cerveja, com objetivos de fortalecer a comunidade, defender os direitos e arrecadar dinheiro para instituições de caridade LGBTQ+. A iniciativa partiu da fundadora Lily Waite, que reconhece uma falta significativa da comunidade LGBTQ+ no mundo da cerveja, numa indústria dominada por vozes masculinas cisgênero, heterossexuais.

A Eko Brewery foi fundada em 2018, com objetivo de produzir cervejas de sabor único inspiradas na cultura africana. Seus criadores, Anthony e Helena, foram inspirados pela cena da microcervejaria nos EUA e começaram a criar sua própria cerveja exclusiva. Suas pesquisas os levaram a descobrir técnicas e receitas tradicionais de fabricação.

Quando nossa coluna trouxe os aspectos teóricos, abordamos que a colaboração inicia quando um grupo de partes interessadas autônomas se envolvem em um processo interativo para solucionar um problema ou obterem benefícios. Este processo é estabelecido quando o grupo de partes interessadas usa normas, estruturas e regras compartilhadas para decidirem ou agirem em relação a situações específicas.

E que, desta forma, há dois elementos fundamentais para teoria da colaboração, objetivos entre as partes interessadas em relação às situações específicas e o processo interativo. Sobre as partes interessadas, entende-se que as empresas, organizações ou grupos têm interesses que são comuns ou diferentes, os quais são redefinidos ou alterados à medida que a colaboração contínua.

Agora que vocês conheceram estes casos, podemos visualizar como a prática tem confirmado a teoria. As partes interessadas neste recorte das cervejarias artesanais independentes Inglesas são representadas pelas cervejarias locais, seus fornecedores de matéria-prima (produtores rurais locais), empresas que processam a matéria-prima, fornecedores de equipamentos e embalagens (empresas globais), colaboradores internos, instituições de caridade voltadas à comunidade LGBTQ+, os consumidores, entre outros (poderíamos incluir informações sobre os varejistas, investidores, governo, mas não temos informação levantada neste momento).

Os motivadores que fazem estas partes interessadas interagirem, tanto em curto quanto longo prazo, são diversos. E nos mostra como a cadeia de cervejas artesanais é valiosa, envolve sonhos de empreendedores em manter tradições culturais de fabricação, busca pela qualidade, inovação contínua, expansão de negócios em cadeias globais para o mercado de equipamentos e embalagens (preferencialmente por meio de normas de controle e práticas de sustentabilidade), fortalecimento de produtores rurais locais, inclusão e apoio a diversidade, suporte a organizações de caridade, entre outros.

Espero que tenham apreciado estas informações e possam aprofundar mais sobre o assunto. A colaboração é, além dos pontos que tratamos aqui relacionados à qualidade e inovação, uma das principais capacidades de resiliência de qualquer organização ou cadeia de suprimentos. É reconhecida como essencial para desenvolver muitas outras habilidades e capacidades, como por exemplo, agilidade nos processos operacionais e acurácia nas decisões.

Com a colaboração e agradecimento a toda equipe do Guia, espero trazer mais sobre os benefícios da indústria cervejeira e contamos com seu interesse, querido leitor. Saúde!


Marcelo Sá é professor de gestão em operações, pesquisador na área de riscos e resiliência em cadeias de alimentos e bebidas, esposo e pai apaixonado por sua família. Em sua folga, pode ser facilmente encontrado com uma IPA ao seu lado.

Lollapalooza tem distribuição gratuita de Bud Zero ao público

O Lollapalooza Brasil se tornou uma grande plataforma para ações de marketing da Budweiser. Um ano após usar o festival para apresentar ao público a Bud Zero, a marca irá além nas suas iniciativas envolvendo sua cerveja sem álcool: ela será distribuída ao fim do dia da maratona de shows da décima edição nacional do Lollapalooza, que está sendo realizado no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, desta sexta-feira até domingo.

Para atender o público, a Budweiser preparou enormes contêineres para a distribuição da Bud Zero, que estão localizados nas entradas e saídas do autódromo. Mas a ação envolvendo o festival e a cerveja sem álcool não se resumirá ao momento de término das apresentações. A marca também contará com seis carrinhos com a Bud Zero.

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Por lá, a Bud Zero terá preço especial: R$ 8. É um valor bem abaixo do cobrado pelas cervejas com álcool – durante o festival, a Budweiser sairá por R$ 15, a Becks está custando R$ 18 e o preço da Goose Midway está em R$ 20. O valor pago nos refrigerantes também é maior: R$ 12.

“Estamos felizes em sermos a marca que promove grandes encontros e experiências tão completas no festival, trazendo iniciativas para surpreender as pessoas dentro e fora do autódromo de Interlagos. A Bud Zero nasceu no ano passado, tem conquistado o paladar dos brasileiros e, agora, queremos levar ela diretamente para os fãs de música, como Budweiser”, comenta Harry Racz, gerente regional de marketing da Ambev.

Em março de 2022, quando o Lollapalooza marcou a volta dos grandes festivais ao Brasil, a Budweiser aproveitou o evento para lançar a Bud Zero no país. A cerveja sem álcool é feita a partir da receita original da Budweiser. Além disso, possui apenas 65 calorias na sua versão em long neck, de 330ml, e 69 calorias na latinha de 350ml.

BudX
A distribuição de Bud Zero não será a única iniciativa de marketing da Budweiser no Lollapalooza. Durante os três dias de festival, o BudX, espaço localizado em frente ao palco principal, contará com o BudStudio, que promoverá encontros musicais. Os convidados, entre eles Ludmilla, Xamã e Negra Li, terão momentos de rodas de conversas, debates e interação com o público, com transmissão ao vivo pelo TikTok da marca.

Setor cresce no Espírito Santo com novas marcas e sucesso em premiações

A tradição cervejeira do Brasil está fincada em estados como Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina, mas a produção tem se espalhado por outras regiões. Despontando nesse cenário, o Espírito Santo vem ganhando destaque, tanto pelo aumento de opções, como pela qualidade da cerveja.

Por lá, houve significativo crescimento no número de cervejarias, com expansão média anual de 53,5% no período de 2017 a 2021, de acordo com a última edição do Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O levantamento apontou que o Espírito Santo foi o estado com maior expansão de unidades produtivas no período de cinco anos.

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Já a produção de qualidade pôde ser atestada na edição mais recente do Concurso Brasileiro de Cervejas. Em uma disputa dominada por marcas da região Sul, só a capixaba Três Torres conseguiu um espaço entre elas, ficando em um Top 5, com a quarta melhor cerveja de toda a disputa, a Hop Red, uma Red Ale.

Localizada em João Neiva, uma cidade de apenas 17 mil habitantes, de acordo com o Censo de 2014, e a 70 quilômetros da capital Vitória, a Três Torres faz parte do crescimento do setor na região. Fundada em 2019, a marca entrou no mercado quando o estado tinha apenas 34 cervejarias registradas, número que saltou para 57 em 2021. Mas, muito além de acompanhar esse salto quantitativo, a Três Torres também evidencia o crescimento qualitativo da cerveja no Espírito Santo, o que passa por investimentos, planos de expansão e premiações.

Melhor cervejaria do Espírito Santo na competição em Blumenau, a Três Torres, que faturou três medalhas, também vem passando por um processo de expansão. “Abrimos [em 2019] com capacidade de produção de 6 a 8 mil litros/mês. Temos expandido de lá para cá e no ano passado fechamos com uma capacidade de produção de até 40 mil litros/mês, batendo 35 mil litros/mês em alguns meses”, afirma Fabrício Torri, um dos sócios da marca.

O espaço também cresceu, com restaurante e bar, além de uma growler station no estacionamento da cervejaria. E não deve ficar nisso. Ao longo de 2023, o plano envolve a ampliação da área fabril para acrescentar produtos envasados em latas e garrafas ao portfólio, já que a cervejaria ainda não tem essas versões. “Hoje, os nossos produtos são vendidos praticamente 99% em barril. Claro que dessa parte de barril também vende parte em growlers porque temos a growler station”, completa.

Além de aumentar a área fabril e a planta de envase, a cervejaria também está investindo na criação de uma destilaria para a produção de uísque, vodca e gin. “Criamos uma área subterrânea de 200 metros quadrados embaixo do restaurante que vai servir de adega”, conta Torri.

Crescimento do setor no Espírito Santo
Além da expansão no número de cervejarias, o Espírito Santo teve, em 2021, a maior média de marcas por registro de cerveja em 2021, alcançando 2,17 marcas para cada produto registrado. E esse desenvolvimento regional é um dos principais motivos para os investimentos da Três Torres, que cresceu cerca 60% entre 2021 e 2022.

A explicação para essa expansão do setor no Espírito Santo passa pela busca, por parte do consumidor, por produtos artesanais, de qualidade, com características locais e mais frescos. “Buscamos acompanhar esse crescimento do mercado de forma orgânica e saudável. Precisamos fazer os investimentos, mas ao mesmo tempo não dá para sair fazendo loucuras”, enfatiza o sócio da Três Torres.  

A cervejaria
A Três Torres é um estabelecimento familiar formado pelos três irmãos e sócios: Vagner, Regina e Fabrício. O nome da cervejaria tem inspiração no sobrenome da família – Torri – de origem italiana. Mas as escolas americana e inglesa são as que predominam nas criações.

“Nosso foco é voltado para a escola americana, com cervejas lupuladas.  Produzimos a Juice IPA, a New England IPA e outras versões, como a American Pale Ale, que é mais um clássico. E, além disso, também fazemos um pouco de escola inglesa, com os estilos Imperial Porter e o Imperial Stout”, explica Torri.

A marca, porém, não esquece tradições locais. Assim, a Imperial Stout da marca é a versão maturada com café arábica da região. “Esse café arábica é da nossa região, o café do jacu. Tem toda aquela característica do pássaro se alimentar do café lá na lavoura, depois esse café sai coletado e processado. É considerado café um dos cafés mais exóticos do mundo e a gente tem um rótulo chamado Jacu”, diz.

Há, claro, também espaço para os rótulos premiados em Blumenau, todos de estilos de origem na escola americana. A Hop Lager, ouro entre as India Pale Lager, a Johnny IPA, prata entre as IPAs, e a Hop Red, ouro entre as Amber/Red Ales e quarta melhor entre todos os rótulos do concurso. “É uma cerveja que tem sempre destaque na nossa prateleira pelo fato de também já ter sido premiada em anos anteriores”, diz Torri.

Menu Degustação: 365 chopes de graça, ação para ajudar vítimas da chuva…

Festivais, ações solidárias e comemorações pelo Brasil estão movimentando a cena cervejeira nestes e nos próximos dias. Em uma delas, para celebrar o seu primeiro aniversário, o Porks Savassi, em Belo Horizonte, vai distribuir 365 chopes de graça neste sábado.

Em uma ação social, o brewpub Capitão Barley, em São Paulo, promoverá, neste sábado, o evento Hamburgada do Bem para ajudar instituições do litoral norte paulista que sofreram com a tragédia das chuvas em fevereiro.

Também em São Paulo, a Budweiser apoia e celebra a décima edição do Lollapalooza, com uma série de ações que buscam conectar os fãs com seus artistas favoritos.

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Confira essas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Bud No Lollapalooza
Cerveja oficial do Lollapalooza Brasil, a Budweiser celebra a 10ª edição do festival e reafirma seu papel no cenário musical ao conectar os fãs aos seus artistas favoritos. Durante os três dias de evento, entre esta sexta-feira e o domingo (24 a 26), a marca terá uma série de ações, muitas delas envolvendo a Bud Zero. O espaço BudX, por exemplo, estará no lugar mais concorrido: em frente ao palco principal. Lá, o público aproveitará o BudStudio com encontros únicos entre artistas musicais. Os convidados, entre eles Ludmilla, Xamã e Negra Li, terão momentos de rodas de conversas, debates e interação com o público, com transmissão ao vivo pelo TikTok da marca. 

Chopes de graça no Porks Savassi
Neste sábado (25), a partir das 14h, o Porks Savassi completa um ano distribuindo 365 chopes de 300ml, de graça, para comemorar a data. A festa também terá show de rock com a banda Kaktos, sem cobrança de couvert. Haverá ainda sorteio de brindes das cervejarias parceiras como Verace, Capa Preta, Stadt Jever, Yellon Cervejaria e Krug Bier. O público vai conferir de perto as novidades no cardápio e o festival de torresmo. Ainda terá flash tatoo com Jasmim Drumond. 

Hamburgada no Barley
O brewpub Capitão Barley, no bairro Pompéia, em São Paulo, promoverá o evento Hamburgada do Bem, neste sábado (25), para ajudar instituições do litoral norte paulista, região afetada por temporais e deslizamentos. A ideia do evento é trazer o público para consumir pagando com desconto, além de doar parte da arrecadação da venda de hambúrgueres para estas instituições. Todos os hambúrgueres do cardápio serão vendidos com 20% de desconto. Das vendas, 20% do valor será destinado às instituições.

Viva La Breja
Neste domingo (25), ocorre a primeira edição do Viva La Breja, festival de cerveja artesanal com seis horas de cervejas liberadas para um público esperado de mais de 300 pessoas, com mais de 40 cervejarias participantes, no Salão Nobre do São Bernardo Tênis Clube, em São Bernardo do Campo (SP). O Viva La Breja quer promover a interação entre nichos do mercado. Por isso, além do público, donos ou representantes das cervejarias participarão do evento, bem como haverá pontos de venda e influencers visando gerar negócios.

Craft Brew Experience
O Shopping Center Norte, em São Paulo, recebe, até domingo (26), uma jornada sensorial e interativa pelos sabores e segredos da cerveja.  O evento “Craft Brew Experience – O Universo da Cerveja no Center Norte” é produzido pela Rompecabezas. A atração é gratuita e ocupa a praça de eventos do Center Norte, também reunindo profissionais que realizarão aulas com degustações, em datas e horários específicos. O evento conta com um túnel sensorial, destaca diversos fatos históricos sobre a produção, matérias-primas utilizadas e curiosidades da história desse universo, além de destacar a qualidade e o potencial da produção da cerveja artesanal no Brasil. 

1º Festival Mineiro de Cerveja
O primeiro Festival Mineiro de Cerveja, que buscará reunir os melhores rótulos de cervejas artesanais do estado, vai acontecer em 1º de abril. As cervejarias Albanos, Kud, Lagoon, Artesamalt, Krug, Läut, Uaimii e Slod já estão confirmadas. O evento também vai contar com espaço kids, banheiros climatizados, praça de alimentação, inclusive com porco no rolete e costelão fogo de chão. Os ingressos estão disponíveis no Sympla, com diferentes tipos de combo.

Feijoada na Madalena
A cervejaria Madalena sediará em 1º de abril, das 12h às 16h, uma feijoada beneficente em comemoração ao aniversário da Casa Ronald McDonald ABC, que oferece apoio às crianças e aos adolescentes acometidos pelo câncer e que realizam tratamento nos hospitais da Grande São Paulo. No evento da Madalena, os apoiadores da causa terão à disposição a infraestrutura da fábrica-bar, localizada em Santo André, em um ambiente coberto, com espaço kids e diversão para toda a família, com pinball, simulador de carro e moto, arcade, grua de pelúcia e muito mais. Durante o evento, a Madalena abrirá espaço para o samba. Quem comandará o palco será o grupo Jeito de Ser.

Zé Delivery e o futebol do Rio
Além da prioridade na hora de comprar os ingressos na pré-venda de um jogo do seu time do coração e ter descontos nas lojas oficiais do clube, os sócios-torcedores de Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco passaram a ter a possibilidade de ganhar 50% do valor da mensalidade em benefícios de cashback para adquirir sua bebida no aplicativo do Zé Delivery. A ação visa a valorização e fortalecimento do futebol carioca e busca incentivar a adesão de novos torcedores aos programas, além de impulsionar o crescimento de receita dos clubes cariocas.

Pod Delas
No mês da mulher, a Ambev quer levar a discussão sobre a importância do diálogo para as redes sociais. Em parceria com o podcast Pod Delas – um espaço de conversas sobre assuntos variados de forma leve e descontraída, a Ambev está lançando a campanha “Ouça Elas”. A iniciativa tem o intuito de promover reflexões sobre o papel da escuta e da comunicação nas diversas camadas do universo feminino e mostrar como a colaboração dentro do ambiente de trabalho faz a diferença, permitindo que uma mulher impulsione a outra.

BCB São Paulo
A edição 2023 do BCB São Paulo abre o primeiro lote de credenciamento para profissionais da coquetelaria, proprietários e gestores de bares e restaurantes e quem atua na comercialização e distribuição de bebidas. As inscrições estão disponíveis online. O evento acontece nos dias 5 e 6 de junho, na Bienal do Ibirapuera. Considerado o principal evento do mercado de bebidas destiladas na América Latina, o BCB São Paulo reúne players que são referência mundial para expor seus lançamentos, produtos e receitas. 

Balanço do St. Patrick’s
A Louvada arrastou uma multidão para comemorar o St. Patrick ‘s Day, na noite da última sexta-feira, dia 17, em Cuiabá. Ao todo, foram 3 mil litros de chope consumidos no evento, que teve gastronomia e rock’n’roll. Há cerca de 1 mês, a cervejaria realizou o 1º Grito de Carnaval, que também teve lotação máxima.

Justiça mantém direito ao uso do nome Copa Cerveja Brasil pela Abracerva

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A Justiça decidiu que a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) pode continuar utilizando a marca Copa Cerveja Brasil como nome da competição organizada por ela e que será retomada em 2023 após um hiato de 4 anos. A decisão, de primeira instância, foi dada pelo juiz Eduardo Kahler Ribeiro, da 4ª Vara Federal de Florianópolis, negando um pedido do Science of Beer, que é detentor do registro de “Brazil Beer Challenge”.

“Apesar de operarem no mesmo mercado, a única coincidência aparente seria da expressão ‘Brasil’ ou ‘Brazil’, que é considerada marca fraca, já que de ampla utilização nos mais diversos ramos e segmentos, a fim de identificar o país (logo, seu uso não é privativo do detentor de registro anterior)”, afirma Kahler em sua decisão.

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A ação havia sido proposta pelo Science of Beer contra a Abracerva e o Instituto Brasileiro de Propriedade Industrial (INPI). A instituição alega que registrou “Brazil Beer Challenge” em 2018, um ano antes da associação fazê-lo para “Copa Cerveja Brasil”. Por isso, pedia que a Abracerva fosse impedida de usar o nome.

“Os demais elementos identificadores do nome e da imagem de tais marcas não apresentam qualquer similaridade, não havendo falar na possibilidade, sequer remota, de confusão entre os consumidores”, afirma o juiz.

 “A começar pela grafia, pois uma das marcas está redigida no idioma inglês, ‘Challenge’, quando a outra marca faz referência à ‘Copa’; não se confundindo, portanto”, explica. “Além disso, a fonte e cores usadas pelas marcas são totalmente diferentes, com nenhum sinal de identificação visual entre elas”, conclui Ribeiro.

Cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, contra a decisão da 4ª Vara Federal de Florianópolis. E a tendência é de que seja apresentado pela defesa do Science of Beer.

A Abracerva organizou duas edições da Copa Cerveja Brasil, em 2018 e 2019. A competição será retomada em 2023, com a realização de etapas regionais, com a grande final agendada para São Paulo, em outubro. O Science of Beer também possui a sua competição cervejeira, a Brasil Beer Cup. A disputa anual, iniciada em 2020, tem a sua quarta edição agendada para agosto, em Florianópolis. Já o Brasil Beer Challenge, embora registrado no INPI, nunca aconteceu.

Caso está relacionado a outra disputa jurídica
A disputa que teve a sua decisão em primeira instância é o “pano de fundo” de outra disputa jurídica entre a principal associação das cervejarias artesanais do país e a renomada instituição de ensino, que também organiza eventos, como competições cervejeiras, festivais e congressos.

Anteriormente, a Abracerva entrou com uma ação contra o Science of Beer pleiteando a cessação do uso da marca “Brasil Beer Cup”. Esse caso tramita na Justiça de Santa Catarina e ainda não possui sentença, tendo sido citado por ambos os envolvidos no processo que agora teve a sua decisão em primeira instância.

O Science of Beer realizou duas tentativas de registro da marca Brasil Beer Cup, com seus pedidos tendo sido inicialmente indeferidos pelo INPI, assim como há requisições feitas por Naiara Felipe Estevam, funcionária do instituto, aguardando análise.

A Abracerva defende que se trata de marca idêntica à Copa Cerveja Brasil, sendo uma mera tradução para o inglês. E com a utilização do nome Brasil Beer Cup pelo Science of Beer, enviou algumas notificações extrajudiciais solicitando que o nome não fosse mais utilizado.

As tratativas não tiveram êxito, embora o instituto tenha chegado a apresentar contranotificação em que se comprometia a passar a utilizar apenas a sigla BBC. Diante disso e das novas tentativas de registro de Brasil Beer Cup, o corpo jurídico da Abracerva decidiu, então, levar o caso à Justiça.

Em sua argumentação, o Science of Beer afirma, no entanto, que o uso indevido de marca se dá por parte da Abracerva, que não poderia utilizar o nome Copa Cerveja Brasil, pois já há o registro de Brazil Beer Challenge. Assim, aponta que os dois termos são facilmente relacionados a concursos cervejeiros e afirma que a única diferença se dá entre “Copa” e “Challenge”, que possuiriam o mesmo significado. Por isso, a ação solicitava a anulação do registro da marca Copa Cerveja Brasil.

Além disso, a ação também pedia indenização por danos morais e materiais, citando problemas de saúde provocados na CEO do Science of Beer, Amanda Reitenbach, por notificações extrajudiciais consideradas ilegais pela defesa. “É inquestionável o desgaste emocional a que a autora vem sendo submetida em razão da coação evidenciada pelas constantes notificações extrajudiciais ilegais feitas pela ré, que busca, de todas as formas, ceifar o direito da autora em usufruir de sua própria marca”, afirma trecho da representação.

De acordo com o documento, a CEO do Science of Beer “desenvolveu Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT) em decorrência do trauma gerado pela coação sofrida, bem  como ansiedade em nível elevado.  Além disso, em razão do trauma decorrente da coação praticada pela parte ré, a autora também apresentou sinais de bruxismo e teve problemas na  cervical em decorrência do Transtorno de Estresse Pós Traumático”.

Já a respeito do caso que teve seu julgamento em primeira instância, a defesa da Abracerva declara que a tentativa do Science of Beer de impedimento de uso de “Copa Cerveja Brasil” pela associação “nada mais é que uma manobra jurídica perpetrada pela requerente para tumultuar e tentar suspender, em vão, processo judicial ajuizado anteriormente pela ré”.

Apoio e resiliência: Sevá busca retomada após tragédia no litoral paulista

A madrugada de 19 de fevereiro de 2023 entrou para a história por um dos maiores desastres naturais do Brasil, provocado por enchentes e deslizamentos no litoral norte de São Paulo. As chuvas causaram a morte de 65 pessoas e destruição, como para a cervejaria Sevá, que sofreu danos durante a tragédia.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas que caíram em um período de 24 horas do fim de semana do carnaval foram recorde na história do Brasil: 683 milímetros acumulados registrados somente em Bertioga, cidade extremamente afetada pelo temporal, assim como as vizinhas Ubatuba, São Sebastião, Guarujá, Ilhabela e Caraguatatuba.

Nesse cenário de devastação, as mobilizações marcam um recomeço, ainda que difícil, para muitas pessoas, como João Piva, cervejeiro e criador da Sevá. Cigana, a marca fica na praia de Cambury, em São Sebastião, cidade em que 64 mortes foram contabilizadas.

Na noite daquele sábado de carnaval, quando tudo começou, o carrinho de praia da Sevá e o carro de trabalho estavam guardados na casa de Piva, enquanto a Kombi de chope estava na rua ao lado, em um evento.

“A Kombi foi 100% coberta pela chuva e ficou totalmente submersa por mais de 12 horas. O carrinho de praia foi encontrado a 600 metros de onde estava, junto com outros carros que foram levados pelo rio. O Corsinha, velho de guerra, também ficou submerso e, segundo os vizinhos, só não foi arrastado porque pegou um redemoinho e ficou rodando na correnteza”, lembra Piva.

O cervejeiro lamenta os prejuízos e conta que nenhum dos veículos tinha seguro. “Estamos pagando caro nas peças separadas e na mão de obra aqui da região. As oficinas são poucas e estão lotadas de carros por causa da enchente”, diz.

A tragédia também impediu qualquer faturamento dos comerciantes durante o período do carnaval, para o qual investimentos relevantes haviam sido realizados. Assim, além de lidar com as perdas, tem sido necessário encarar as contas elevadas, em virtude de um carnaval que nem aconteceu.

Para agravar o cenário, o movimento de pessoas na região praticamente desapareceu desde a tragédia. “Praias e ruas estão vazias, estabelecimentos ficam com uma ou outra pessoa, desanimando todos que vivem do turismo e nos fazendo acreditar que o movimento vai voltar de forma lenta e provavelmente depois da baixa temporada. Enfim, nós e o comércio local do litoral fomos afetados por esse mix de situações”, lamenta.

Precisando ser resiliente, a Sevá luta para retomar as atividades e tem recebido ajuda de diversas maneiras. Uma delas veio da Avós, que abriu seu espaço em São Paulo, na última quarta-feira (15), para a marca de São Sebastião.

Lá, a Sevá plugou seus chopes em um evento com música ao vivo. “A Cervejada do Bem, ideia que partiu do Junior Bottura, da Avós, e uma outra ação que fizemos com o (Alexandre) Bleed, o Doutor Breja, foram as únicas entradas nesse mês tão difícil. Portanto, essa ação foi primordial para conseguirmos respirar e tentar buscar um novo caminho para a marca”, conta Piva.

O cervejeiro destaca que todo o valor arrecadado vai ser direcionado para o conserto dos veículos, para que possam voltar a ser usados pela Sevá. “Seja aqui na praia ou em outros lugares, só precisamos trabalhar. Não temos nem palavras para agradecer a gentileza da Avós em nos ceder o espaço para esse evento e por todo suporte na comunicação dele. Muito obrigado, vocês foram incríveis”, diz.

Neste mês de março, além dos custos de peças e manutenção dos veículos, a Sevá recebeu todas as contas dos investimentos feitos para o carnaval. Assim, se apega à solidariedade nessa retomada. “Na semana passada, fizemos uma ação de vendas com Alexandre Bleed, o Doutor Breja, que ajudou na divulgação e venda dos nossos kits em São José dos Campos e região. Foi bem legal”, comenta o cervejeiro.

Neste momento de baixo movimento na região e com a necessidade de escoar os produtos, a Sevá ainda teve de repensar a sua forma de trabalhar, priorizando a busca por novos pontos de vendas para garrafas, latas e barris em São Paulo, interior, litoral sul e em outros estados.

A participação de eventos e feiras do mercado cervejeiro e gastronômico também passa a ser ainda mais relevante para a marca, além da abertura de uma frente de eventos com a Kombi de chope.  Fora isso, a marca trabalha para reativar seu site, com kits promocionais com entregas para todo Brasil. Além disso, mira a produção de cervejas colaborativas, o que reduz custos e permite a chegada a novos lugares.

A cerveja de Cambury
A Sevá se posiciona como “a cerveja de Cambury”. Com inspiração nas aves e na natureza, os rótulos são ilustrados com pássaros do litoral norte de São Paulo, com artes feitas por moradores ou frequentadores das praias locais.

O nome da cervejaria vem de “seva”, uma palavra do sânscrito, que significa fazer algo sem ter uma expectativa de retorno. “Foi assim que tudo surgiu, sem expectativa. Uma brincadeira de fazer cerveja em casa, associada à admiração pelas aves e uma pitada de criatividade”, conta Piva.

A cervejaria nasceu em 2020, quando Piva, depois de 6 meses de “brincadeiras” na cozinha de casa, decidiu transformar o hobby em trabalho. Hoje a Sevá atende restaurantes, mercados, adegas e pousadas do litoral norte paulista com latas e garrafas.

A marca também chega ao cliente final através de um carrinho de praia e uma Kombi adaptada para venda de chope. “Vendemos para alguns pontos de cervejas especiais em São Paulo, capital e interior, mas ainda em uma quantidade muito pequena”, diz o cervejeiro.

O público da marca é formado por moradores da região, além de turistas e pessoas que passam os finais de semana, feriados e temporadas no litoral norte paulista. “Temos 21 rótulos lançados no período de 2 anos. Repetimos um rótulo ou outro, mas sempre focados em lançamentos de produtos e inovação. Entendemos que o mercado cervejeiro é um mercado de experimentação, por isso sempre tentamos trazer receitas novas, com matérias-primas novas, algo diferente e atrativo para nossos clientes”, finaliza Piva.

Guinness ampliará presença nos EUA com abertura de brewpub em Chicago

A Guinness decidiu ampliar a sua presença no mercado dos Estados Unidos. A icônica marca irlandesa anunciou a abertura do segundo brewpub no país, que ficará localizado em Chicago. A Guinness Open Gate Brewery (OGB) será inaugurada durante o verão no hemisfério norte, que vai de junho até setembro.

O novo brewpub da Guinness nos Estados Unidos ficará dentro de um antigo depósito ferroviário, que a empresa está reformando. O espaço é no bairro West Loop, uma antiga zona industrial de Chicago, mas que agora tem uma agitada vida noturna, com vários restaurantes.

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“Chicago e Guinness fazem parte da história um do outro há mais de um século, e a OGB Chicago sempre foi um sonho – estamos entusiasmados em abrir nossas portas para a comunidade de West Loop neste verão”, diz Ryan Wagner, embaixador da Guinness nos Estados Unidos.

Entre 12 e 16 cervejas serão oferecidas no espaço da Guinness em Chicago, incluindo a famosa Guinness Draft Stout, assim como rótulos da marca que vão ser importados de Dublin.  Mas não terá apenas cerveja no brewpub. O espaço também incluirá um restaurante, que contará com pratos clássicos irlandeses em seu cardápio.

Além disso, o estabelecimento funcionará como uma padaria. E a OGB Chicago também planeja trabalhar com a empresa de café Intelligentsia, assim como dar sequência à parceria com a Cane Collective, de Baltimore, no desenvolvimento de coquetéis de cerveja e sem álcool.

O primeiro brewpub da Guinness nos Estados Unidos funciona desde agosto de 2018 em Relay, no Maryland, nos arredores de Baltimore. “Este é um grande momento para a Guinness na América, e mal podemos esperar para explorar todos os diferentes sabores e variedade de heranças representadas nesta grande cidade (Chicago)”, afirma Rodney Williams, presidente da Diageo Beer Company, proprietária da marca Guinness.

Caso Backer: Testemunhas de defesa começam a depor; veja como foi 1º dia

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O caso Backer iniciou uma nova etapa do seu julgamento com o começo das audiências de testemunhas indicadas pela defesa dos réus. Os depoimentos no Fórum Lafayette, em Belo Horizonte, se iniciaram nesta segunda-feira (20), quando foram ouvidas duas das seis pessoas previstas para o dia.

A expectativa era de que 60 testemunhas de defesa da Backer fossem ouvidas ao longo de dez dias, sendo seis em cada um deles. É assim que está previsto para esta terça, quando outros seis depoimentos são esperados. Um desses será da gerente de recursos humanos da cervejaria.

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Porém, nesta segunda, os próprios advogados que haviam indicado as testemunhas desistiram de ouvir quatro delas, as dispensando. Entre os dois depoimentos de defesa realizados, um deles envolveu o profissional que, à época dos casos de contaminação que provocaram dez mortes, era gerente operacional e de logística da Backer.

Em depoimento por videoconferência, ele falou sobre o funcionamento de alguns processos na produção das cervejas e equipes envolvidas, também confirmando que eram realizadas audiências diárias. Ele esclareceu que era Munir Khalil Lebbos quem participava de reuniões e decisões da fábrica e não seu filho, Munir Franco Khalil Lebbos, pois este era responsável pelo restaurante da Backer – o pai, porém, não está na lista de indiciados, ao contrário do filho.

Além disso, o gerente operacional e de logística da Backer confirmou que alguns dos envolvidos, dependendo da função na empresa, participavam da avaliação da produção mediante degustação.

Advogado de mestre-cervejeiro fala
Acompanhando os depoimentos, o advogado Antônio Veloso Neto, que defende o mestre-cervejeiro Christian Brandt, afirmou, em declarações à imprensa, que o seu cliente não possui qualquer relação com os casos de contaminação.  

“Ele não era uma pessoa ligada ao parque industrial da empresa, ele era um autor de receitas”, disse. “Não existe relação entre o que ele fazia na empresa e o que causou lesões corporais e morte de pessoas”, acrescentou.

Brandt foi indiciado pelo Ministério Público de Minas Gerais em três artigos. Eles falam em: Matar alguém – possa resultar perigo comum e à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem; e Corromper, adulterar, falsificar ou alterar substância ou produto alimentício destinado a consumo, tornando-o nociva à saúde ou reduzindo-lhe o valor nutritivo.

Fase do processo
O processo sobre os casos de contaminação de cervejas da Backer está na fase de instrução processual, com produção de provas, quando são realizadas as audiências de testemunhas de acusação, que ocorreram em maio de 2022. Naquele momento, 27 pessoas foram ouvidas, sendo quatro delas vítimas.

A fase atual, então, é a das audiências de testemunhas de defesa arroladas pela Backer. Depois disso, ocorrerá o interrogatório dos réus. Também nessa fase de instrução podem ser produzidas outras provas, se forem requeridas pela defesa ou pela acusação, como uma complementação de laudo ou uma reconstituição de fatos.

Relembre o caso
A contaminação de cervejas da Backer, a maior parte delas da Belorizontina, começou a ser descoberta nos primeiros dias de 2020, quando várias pessoas passaram a ser internadas em hospitais com sintomas de intoxicação após consumi-las.

A Polícia Civil de Minas Gerais, então, abriu investigação sobre o caso, detectando que a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol aconteceu em função de vazamento no tanque da fábrica. O caso provocou dez mortes. Além disso, várias outras pessoas tiveram sequelas, como deficiência renal, paralisias e surdez.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público pediu o indiciamento de 11 pessoas por crimes cometidos entre o início de 2018 e 9 de janeiro de 2020, ano em que a solicitação foi aceita, em 8 de outubro, pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira.

O magistrado acatou o pedido dos promotores após a materialidade dos delitos criminais ser comprovada por um laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística em lotes de cervejas da Backer e em tanques da planta fabril da empresa, que pertence à Cervejaria Três Lobos.

Entre os réus estão três sócios-proprietários da Backer, Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, que ainda terão seus depoimentos e julgamentos marcados pela Justiça, assim como dos sete funcionários que também foram indiciados, sendo um deles de uma empresa terceirizada, processado por falso testemunho. Já um 11º réu morreu pouco depois de ter sido indiciado em 2020.

Para o Ministério Público, os sócios-proprietários da cervejaria assumiram o risco de produzir as bebidas alcoólicas adulteradas ao adquirirem monoetilenoglicol. Já os outros sete profissionais teriam agido com dolo eventual ao fabricarem o produto sabendo que poderia estar adulterado, na visão da promotoria.

A Três Lobos, responsável pela marca Backer, está autorizada, desde abril de 2022, a produzir cervejas no parque industrial da empresa em Belo Horizonte, local onde aconteceu a contaminação. Atualmente, as cervejas da Backer são facilmente encontradas em diversos bares da capital mineira.