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Com soluções sensoriais, FlavorActiV ajuda a avaliar sabor e aroma das cervejas

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Independentemente da excelência dos processos e da qualidade das receitas, as cervejarias estão sujeitas a enfrentar problemas que podem afetar o sabor e o aroma das bebidas. E uma das formas de ajudar a resolvê-los é através da aplicação de um flavor, cuja utilização serve como ferramenta sensorial que consegue trazer com maior precisão os padrões para uma cerveja com características ideais.

Por meio de programas de calibração personalizados, a FlavorActiV se tornou referência no mercado cervejeiro e presta serviços para algumas das principais marcas do setor. Com painéis de degustação profissionais e suporte global com treinamento em mais de 15 idiomas, a empresa oferece kits com instrumentos sensoriais que proporcionam um ajuste fino na busca pela obtenção dos melhores sabores e aromas, agregando valor ao produto.

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“Os kits são importantes porque você consegue treinar a equipe e formar um painel para análise sensorial. E isso te dá um norte para qualquer problema que venha a ter sensorialmente no produto, tendo uma ideia de onde veio esse problema. Pode ocorrer, por exemplo, na cerveja, problema na fermentação, com a temperatura de fermentação, baixa dosagem de fermento, alguma contaminação por meio de bactéria ou microrganismo deteriorante”, afirma Bruno Braga, CEO da cervejaria Sampler, de Petrópolis (RJ), que é a representante da FlavorActiV no Brasil e comercializa em seu site e na sua brewhouse esses kits.

A multinacional, cuja base fica em Oxfordshire, na Inglaterra, disponibiliza uma gama de soluções sensoriais, desde padrões individuais de GMP (sigla para identificar a substância guanilato, tipo de nucleotídeo que contém características de sabor) até esquemas de proficiência (de competência para calibração das habilidades sensoriais) em escala total para grandes corporações da indústria cervejeira.

“A FlavorActiV é a principal fornecedora de flavors do mundo e tem contrato global com nove das dez maiores empresas do ramo alimentício do mundo. Então, oferece a oportunidade ao dono de uma cervejaria pequena ter o mesmo treinamento que empresas como a Heineken, a Ambev e a Coca-Cola fazem”, diz Braga.

Na sua brewhouse, a Sampler comercializa kits com até 20 flavors diferentes. O CEO recomenda o uso de uma média de 5 a 10 flavors em cada rodada de treinamento, pois a utilização da quantidade máxima poderá saturar o olfato dos participantes. E os conjuntos com dez flavors deverão ser comercializados a um preço que irá variar entre R$ 1.400 e R$ 1.500.

É um produto com uma tecnologia embarcada muito grande. Deveremos oferecer os kits com 20 flavors a um custo máximo de R$ 2 mil. E se for levado em conta o fato de que conta com um painel de 20 degustadores, um kit desse chega a um valor muito baixo de custo das amostras por degustador. É um investimento que se justifica e o ideal é que quem o adquira, use esse kit como um treinamento, realizado periodicamente, pelo menos de seis em seis meses com a equipe, para o pessoal estar se recalibrando e sempre afiado na análise sensorial

Bruno Braga, CEO da Sampler

Com os benefícios deste produto, Braga enfatiza que acaba tendo em mãos uma ferramenta para melhorar a qualidade das bebidas que vende também para os consumidores de sua cervejaria, a Sampler. “Hoje, temos esses flavors não só na brewshop, onde vendo os kits, como também na cervejaria. O treinamento da nossa equipe com os flavors favorece a detecção de problemas não só na nossa cerveja, mas nas cervejas que recebemos de convidados e colocamos para vender no nosso bar”, ressalta.

Além dos padrões do sabor GMP e dos treinamentos sensoriais para melhor calibração das bebidas, o pacote de soluções oferecido por meio da compra destes kits de flavors trazem vantagens que ajudam seus usuários a obter as melhores condições de amargura, frescor e análise dos aromas das cervejas.

Preço da cerveja tem quinto mês seguido de alta acima do IPCA

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O preço da cerveja no domicílio continua subindo em nível mais elevado do que o IPCA. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, o item teve alta de 0,75% em novembro, superior à aceleração do índice oficial, que foi de 0,41% no 11º mês de 2022.

Após um primeiro semestre de reajustes mais modestos em seu preço, a cerveja no domicílio, essencialmente vendida no varejo, vem apresentando altas mais relevantes no seu preço na segunda metade do ano. Assim, se havia sido de 2,31% até junho, a sua inflação em 2022 já está em 7,90%. E o índice é de 8,05% ao longo dos últimos 12 meses.

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Desde julho, aliás, a cerveja no domicílio apresenta reajustes superiores em seu preço em comparação ao IPCA do mês correspondente. E o mesmo aconteceu com a cerveja fora do domicílio em novembro, com inflação de 0,71%. O item vendido em bares e restaurantes agora tem alta de 5,84% em 2022 e de 5,94% nos últimos 12 meses.

A inflação da cerveja, seja no domicílio ou fora dele, é maior do que o IPCA de 2022 (está em 5,13%) e no período de dezembro de 2021 a novembro de 2022 (a inflação oficial fica em 5,94%).

Já o grupo de alimentação e bebidas apresentou inflação de 0,53% em novembro. Agora, então, está em 10,91% em 2022 e em 11,84% no período dos últimos 12 meses. Esse grupo, aliás, teve o segundo maior impacto sobre o IPCA, atrás apenas dos transportes.

A alta do grupo transportes foi provocada, principalmente, pelo aumento dos combustíveis (3,29%), com destaque para a subida dos preços do etanol (7,57%) e da gasolina (2,99%). “A alta da gasolina está ligada ao aumento do preço do etanol. Isso ocorreu por conta de um período de entressafra da produção de cana de açúcar”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.

Já em alimentação e bebidas, os maiores responsáveis pela alta de 0,53% foram a cebola (23,02%) e o tomate (15,71%). “No caso da cebola tivemos uma redução da oferta nacional, principalmente do Nordeste, mas também de outros locais como São Paulo e Minas Gerais. Essa diminuição não foi coberta por importações porque não existe uma grande oferta de cebola no mercado externo. Em relação ao tomate, a oferta costuma ser afetada pelo fator clima. Nesta época do ano, a safra de inverno já está esgotada”, acrescenta Kislanov.

Outras alcoólicas
Em novembro, o ritmo do preço de outras bebidas alcoólicas apresentou grande variação, dependendo do local de comercialização. No domicílio, houve deflação de 1,69%, embora a inflação continue elevadíssima em 2022 (14,94%) e nos últimos 12 meses (18,06%). Fora do domicílio, os preços de outras bebidas alcoólicas subiram 1,24%. Mas a variação é mais modesta em 2022, de 7,50%, e no período de 12 meses, de 4,54%.

Balcão do Jayro: Nós, os bárbaros…

Balcão do Jayro: Nós, os bárbaros…

Nós, os bárbaros, somos os vencidos. Relegados às adjacências do império, se opondo a sua expansão, nos embriagávamos de cerveja, seja na vitória ou na derrota. Cerveja essa que também abastecia o front inimigo, posto que era mais barata e acessível. Nossa bebida não estava no Concílio de Nicéia e não representa o divino –  o sangue de Cristo –  tão pouco era servida em belos e monumentais cálices adornados.

Somos os vencidos e a história, como comentei na coluna anterior, é também a narrativa dos vencedores. O status do vinho à mesa não é de hoje, estamos falando de uma construção cultural ocidental dominante de quase dois milênios. E sim, uma interação vinho e gastronomia bem construída é um paraíso, desde grandes vinhos do Velho Mundo até os “novos” vinhos laranjas.

Mas Jayro, cerveja é melhor do que o vinho quando se fala de harmonização? Do ponto de vista técnico, posso afirmar sem medo de errar que sim. Olhemos com mais cuidado: quando se fala de harmonização, falamos de equilíbrio e diálogo. Um bom equilíbrio de forças é, basicamente, o “controle” das gorduras do prato feito pela bebida. E quais são os elementos presentes no vinho e na cerveja? Ao passo que o vinho dispõe apenas de força alcoólica e acidez, a cerveja traz os mesmos elementos que o vinho, acrescido de carbonatação e amargor, ambos com grande potência de limpeza “adstringente”. Quatro pontos para cerveja, dois para o vinho – com exceção dos espumantes, que também trazem carbonatação. E o diálogo seja por semelhança, contraste, complementação? Aqui a cerveja é rainha absoluta, basta comparar a intensidade das notas aromáticas e de sabores. Enquanto os aromas e sabores (primários, secundários e terciários) do vinho são sutis e elegantes, na cerveja é “In your face, bitch”:  aromas de maltes tostados e torrados apresentam muitas notas de cereais, caramelos, panificação, café, chocolate, frutas secas; lúpulos trazem aromas explosivos de frutas cítricas, tropicais ou as elegantes notas florais, herbais, terrosas e picantes de lúpulos do Velho Mundo; a fermentação brilha e traz ésteres e fenóis em intensidade muito alta no caso de Ales belgas ou de cervejas de fermentação espontânea/mista, por exemplo. E por aí vai. Não é uma competição justa, por assim dizer.

Mas se é uma competição tão injusta, porque é tão raro ver uma cerveja à mesa em um “fine dinning”? Voltemos ao começo da coluna, a construção social do status do vinho e, consequentemente, da cerveja é algo secular. E como mudar isso? Faço coro ao recente artigo[1] publicado na Farofa Magazine do grande Diego Simão Rzatki, fundador da cervejaria Cozalinda:

“É obrigação nossa dialogar mais com os sommelières de vinho para entrar no “fine dinning”. Não adianta ficar sonhando que cada local vai ter também um sommelier de cerveja, só vai acontecer em casos muito especiais, como projetos voltados para isso, ou de restaurantes de fama internacional que tem poder econômico para tanto (o que já é uma realidade no exterior nos estrelados Michelin).

E só para deixar claro, essa minha insistência na importância de entrar em “fine dinning” não é por prestígio ou capricho. São restaurantes que ditam tendências para o mercado de gastronomia. O movimento é de cima para baixo, funciona como ferramenta para educar restaurantes sobre a possibilidade de harmonizar cerveja e comida. […]”

Vou além: você, sommelier de cervejas que lê essa coluna é, antes de tudo, um contador de histórias. Explore isso ao máximo, uma experiência memorável vale muito mais do que técnica e avaliação sensorial! Se somos os vencidos, que tal começarmos a contar a nossa história? Tenha em mente que não é algo para hoje a criação de qualquer consciência é um trabalho árduo, contínuo e moroso. 

Uma mensagem final: por ironia do destino, eu, franco defensor da dita “superioridade” da cerveja à mesa tive a melhor experiência até hoje com….vinho! Chocolate 70% de cacau, vinho do Porto Tawny e um charuto cubano H. Uppmann Half Corona. Sólido, líquido e gasoso em perfeita harmonia, um deleite! Portanto, fique com a mente (e com todos sentidos) aberta!

Saúde!


[1] https://www.farofamagazine.com.br/artigos-da-farofa-magazine/harmonizacao-sommelier-vinho/


Jayro Neto é sommelier de cervejas e Mestre em Estilos, tendo sido campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. É organizador de concursos da Acerva Paulista e juiz certificado pelo BJCP (Beer Judge Certification Program) com experiência nacional e internacional em concursos de cerveja. Também atua como conselheiro fiscal da Abracerva.

Rótulos de cerveja que uniu NewAge, Ball e Implicantes denunciam racismo

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A NewAge Bebidas, a Implicantes e a Ball Corporation se uniram para, através da arte exposta em rótulos de uma cerveja, denunciarem o racismo estrutural. Assim, lançaram a Wienbier 56 Black, uma Dark Lager, que vem acompanhada por potentes mensagens antirracistas.

“Em um momento em que vivemos cheio de comportamentos de ódio, de racismo e desrespeito ao próximo, entendemos que esta era a hora de nos posicionarmos de alguma forma. E isso foi pensado em conjunto com os nossos parceiros da Ball e cervejaria Implicantes”, destaca Rodrigo Beck, analista de marketing da NewAge.

Como forma de denunciar o preconceito, a cerveja possui 5 rótulos diferentes, com todos eles transformando expressões que escancaram o racismo estrutural brasileiro em frases antirracistas, tendo suas artes produzidas por Diego Dias, sócio-fundador da Implicantes, em parceria com a agência Banana Brasil.

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São elas: “Minha cor não é pecado!”, que alarma sobre a objetificação do corpo preto, “Me chama pelo meu nome!”, alertando sobre termos pejorativos e racistas ainda usados com frequência para desrespeitar a comunidade preta; “Eu faço com dedicação!”, denunciando sobre a expressão “nas coxas”; “Eu sou preto de alma linda!”, que também adverte pelo uso de “alma branca” e celebra a alma livre que transborda o caráter da comunidade preta; e por fim, “Meu cabelo é meu poder!”, enaltecendo os cachos, tranças e dreads e incriminando preconceitos em relação ao cabelo crespo.

O sócio da Implicantes relata a influência da cultura do lambe-lambe para a criação dos rótulos da Wienbier 56 Black. “Ficamos muito entusiasmados com o convite para participarmos deste projeto. É um desafio retratar, por meio da arte, o racismo estrutural de forma que atinja públicos diversos. Para alcançar este objetivo, a inspiração foi a cultura urbana de lambe-lambe, sendo que a tecnologia Ball Digital Printing foi fundamental para atingir o resultado almejado”, destaca Dias.

Nesse processo de criação da Wienbier 56 Black, a Ball participou com o envase da bebida, com as artes sendo impressas na Ball Digital Printing, tecnologia que traz uma infinidade de cores e qualidade fotográfica para as latas de alumínio. Na prática, a Ball tem buscado reforçar a diversidade entre os profissionais no seu dia a dia, como relata Suellen Moraes, gerente de diversidade e inclusão para a América do Sul da empresa de embalagens de alumínio.

“Em 2022, registramos 43% de diversidade racial em nossas contratações, superando a meta definida para o ano e reafirmando o compromisso de sempre promover iniciativas para acelerar a jornada de equidade racial dentro da Ball. Agora também temos a chance de levar mensagens antirracistas para os consumidores, com um trabalho inspirador feito em conjunto com nossos clientes”, diz Suellen.

Responsável pelo processo produtivo, a NewAge transformou a 56 Black, uma das cervejas do portfólio da Wienbier, em uma Black Lager, que contou com a participação direta do seu mestre-cervejeiro, Paulo Silva.

“Na fábrica temos muitos profissionais negros trabalhando em diversos setores. Um deles é o nosso mestre cervejeiro Paulo Silva, de 34 anos, formado em Química pela Ufscar, que desenvolveu a cerveja para esta ação”, relata Beck, apontando como a NewAge busca fomentar a diversidade.

E a Wienbier 56 Black conta com um quarto elemento, o Instituto Identidades do Brasil (ID_BR). A organização sem fins lucrativos, comprometida com a aceleração da promoção da igualdade racial, foi a escolhida para receber parte das receitas obtidas com as vendas da cerveja.

“A escolha partiu de um consenso entre todos os parceiros envolvidos, pelo fato dessa instituição estar totalmente engajada com a causa no país, podendo, assim, reverter essa contribuição em mais ações que venham, num futuro próximo, reduzir a desigualdade racial no mercado de trabalho”, explica o analista de marketing da NewAge.

Onde encontrar?
A Wienbier 56 Black foi produzida em edição limitada. São 20 mil unidades da cerveja que denuncia o racismo, todas em latas de 473ml. Está à venda nos e-commerces da Ball e da NewAge, além de alguns supermercados, com preço a partir de R$ 6,53.

Guia na Copa: Croácia é patrocinada pela cervejaria líder do país há 25 anos

Ao fim do duelo entre as seleções brasileira e croata, uma equipe com longevo contrato de patrocínio com a empresa cervejeira líder em vendas em seu país estará classificada às semifinais da Copa do Mundo. A sentença não é um palpite na vitória do time dirigido por Tite, que tem acordo com a Ambev, mas uma certeza, pois a seleção da Croácia possui um contrato ainda mais duradouro com a Ozujsko, cerveja produzida pela Zagrebacka Pivovara.

Em 2001, a CBF pôs fim a um acordo com a Coca-Cola e assinou com a Ambev, passando a ter o Guaraná Antarctica como seu refrigerante oficial, em parceria que em 2019 foi renovada até 2027. E, recentemente, o Zé Delivery ampliou a relação da Ambev com a seleção brasileira, se tornando o seu parceiro oficial de bebidas às vésperas do início da Copa do Mundo do Catar.

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Pode parecer muito tempo e um relacionamento estreito. E é. Mas, ao menos em termos de acordo de marketing, a Croácia está na frente. Afinal, desde 1997 a seleção é patrocinada pela Zagrebacka, tendo a Ozujsko, popularmente conhecida como “Zuja”, como a sua cerveja oficial.

O contrato é tão importante que, no início de novembro, quando o técnico Zlatko Dalic anunciou a convocação da Croácia para a Copa do Mundo, a associação de futebol revelou a renovação do acordo com a Ozujsko. Além disso, representantes da cervejaria, da federação e o próprio Dalic posaram com uma camisa que tinha o número 25 estampado, em uma referência ao tempo da parceria.

“Este passo é uma continuação lógica da cooperação que já dura um quarto de século e torna esta parceria a mais antiga parceria esportiva nesta área. Estamos ansiosos por tudo o que está por vir e enviamos muitos votos de felicidades e fé em nossos jogadores para o Catar”, disse Miroslav Holjevac, presidente do conselho de administração da Zagrebacka.

“Dou o meu reconhecimento à cerveja Ožujsko, que tem sido uma parceira fiel e importante do futebol croata há muitos anos, e espero que os nossos torcedores tenham muitos motivos para festejar com a ‘Zuja’ também este ano. Em nome da equipe, posso anunciar que tudo faremos para que a seleção mais uma vez ilumine a face de toda a pátria”, acrescentou Dalic.

O patrocínio à seleção croata faz parte do grandioso orçamento de marketing destinado à Ozujsko pela Zagrebacka, o que pode ser visto pelas ruas do país, com vários bares e restaurantes ostentando toldos e mesas com as suas marcas, algo também bastante comum no mercado brasileiro com as cervejas líderes de vendas.

A longevidade, vista no contrato com a seleção, também faz parte da trajetória da Zagrebacka, fundada em 1892. Mas não foi suficiente para mantê-la afastada do poderio aquisitivo das grandes cervejarias, sendo adquirida em 2012 pela Molson Coors.

Mercado croata
A Zagrebacka, aliás, é a líder de um mercado dominado por cervejarias globais. De acordo com dados de 2020, possui uma participação de 41%, em um portfólio que conta com as marcas Beck’s, Corona, Leffe, Niksićko, Staropramen, Stella Artois, Hoegaarden e Lowenbrau, muitas delas conhecida mundialmente.

A Heineken Hrvatska é o nome atual da Karlovacka Pivovara, fundada em 1854 e adquirida pelo Grupo Heineken em 2003. E detém a segunda maior participação de mercado, com uma fatia de 23%. Já a Carlsberg Croatia, antes Panonska Pivovara, teve 9% das vendas de cerveja no país em 2020, ano em que a Croácia fechou com 98 cervejarias registradas, de acordo o Brewers of Europe, sendo 84 delas microcervejarias.

Além disso, de acordo com a associação, a Croácia tem o sexto maior consumo per capita do seu continente, com 81 litros anuais por pessoa, empatada com a Estônia e atrás de República Checa, Áustria, Alemanha, Polônia e Romênia.

Mas os demais dados do país são mais modestos. A Croácia produziu, em 2020, 2,344 milhões de hectolitros de cerveja. O consumo, de 2,808 milhões de hectolitros, demonstra, porém, que o país se tornou um importador de cerveja – 995 mil hectolitros chegaram de outras nações ao seu território há dois anos, com 531 mil hectolitros sendo exportados.

Temas colecionáveis impulsionam growlers de vidro para o Natal

O fim do ano é sempre um momento bastante aguardado, seja pelas animadas festas do período ou pela oportunidade de presentear amigos e familiares. E se a lembrança, além de preservar melhor as características da cerveja, também serve como item de decoração para as mesas, então ela se torna mais especial. É essa, inclusive, a proposta dos growlers de vidro colecionáveis e temáticos, que se tornam uma interessante opção para o Natal.

 “Os growlers de vidro colecionáveis são muito procurados para presente de final de ano. É uma opção divertida pois há vários modelos e estampas diferentes disponíveis”, avalia Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão.

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O growler de vidro tem a vantagem de manter a pressão da cerveja, preservando as características da bebida por mais tempo. Além disso, geralmente, esse tipo de embalagem é de cor escura, bloqueando os raios de luz, o que mantém a cerveja por mais tempo fresca no growler. Também é visto como uma opção mais sustentável, pela possibilidade de reutilização.

Além de preservar melhor a cerveja e ser mais sustentável, os growlers de vidro também se apresentam como ótimos presentes para o Natal por estamparem diversos temas colecionáveis

“A gama é grande. Tem para entusiastas de jogos, de filmes, de música, temos growlers com estampas bem coloridas e chamativas, e muitas estampas com menção à cultura cervejeira”, conta o diretor da Meu Garrafão, que possui growlers de vidro com capacidade para 1 e 2 litros.

Para ele, os growlers de vidro temáticos também podem embelezar as mesas de Natal, sendo encarados como itens de decoração para esse período festivo.

Imagine a cena: uma mesa bem bonita decorada para o Natal e com todas as comidas tradicionais, com espumante e, por que não, uma deliciosa cerveja artesanal fresca. Essa cerveja está em um growler muito bonito com um Papai Noel sorridente segurando uma caneca de cerveja. Certamente esse growler vai divertir os convidados e fazer os degustadores de uma boa cerveja ficarem mais à vontade

Helton Aguiar, diretor da Meu Garrafão

Assim, com todos esses benefícios, as empresas que produzem e vendem growlers de vidro trabalham para não perder espaço na cesta de compras de presentes de Natal dos amantes de uma cerveja, ainda que reconheçam o impacto da retomada do consumo preferencialmente em bares e pubs.

“Entendemos que em anos anteriores, na pandemia, os cervejeiros presenteavam mais com growlers colecionáveis, pois a cerveja a granel era mais procurada para se beber em casa”, conclui o diretor da Meu Garrafão.

Guia na Copa: Entenda polêmica sobre show de Ludmilla em evento da Bud

A Copa do Mundo já entrou nas suas fases decisivas no Catar, aumentando o interesse pelos jogos, mas a competição tem movimentado o globo bem antes de a bola rolar, mostrando que o seu impacto é muito maior do que o esportivo. Tanto é que a cantora Ludmilla, uma mulher preta, bissexual e casada com outra mulher, mostrou que pode causar tão ou mais alvoroço na sociedade quanto o espetáculo dos craques em campo.

Se artistas como Shakira e Dua Lipa anunciaram a recusa em participar da cerimônia de abertura da competição, supostamente em função do histórico de desrespeito aos direitos humanos pelo Catar, Ludmilla aceitou ir até o país para uma apresentação, atendendo ao convite da Budweiser, marca patrocinadora da Copa, e exibiu satisfação pela oportunidade. “Só vai dar o Brasil. A nossa seleção brasileira em campo e a Rainha da Favela com Budweiser no palco. Tô muito feliz com o convite!”, escreveu, em seu perfil nas redes sociais.

A apresentação provocou críticas a Ludmilla, pela presença em um país onde a homossexualidade é tratada como crime e onde vigora um sistema de tutela da mulher pelo homem, mas também a colocou em uma posição de destaque em um esporte majoritariamente masculino.

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Com essas contradições, a participação da cantora em um evento deste porte também é vista como uma “vitória”, sobretudo porque a além de sua cor e de sua origem, Ludmilla ganhou projeção no segmento artístico com ritmos musicais que não são universais, como o pagode e o funk.

“Nesse sentido, é uma vitória, embora saibamos que o Catar é um país que discrimina pessoas que têm a orientação sexual da Ludmilla. Mas, infelizmente, pessoas negras têm pouca possibilidade de negar convites como esses. Porque se elas negam, vão ser punidas por isso durante muito tempo”, avalia Marivânia Conceição Araújo, doutora em Ciências Sociais pela Unesp, professora associada da Universidade Estadual de Maringá e coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros.

É uma vitória que Ludmilla tenha sido convidada e eu compreendo perfeitamente, porque infelizmente o racismo impede que pessoas negras tenham a possibilidade de escolher suas áreas de atuação e de mostrar o seu trabalho

Marivânia Conceição Araújo, doutora em Ciências Sociais pela Unesp

Para a especialista, as restrições às mulheres, à liberdade de expressão e às liberdades individuais no Catar impedem que a presença de Ludmilla cause qualquer impacto relevante dentro do país. “Acho que a presença da Ludmilla vai ser mais importante provavelmente fora do Catar. Repercussão da apresentação dela, da excelência do trabalho, isso vai ser mais importante para ela como um artista no Brasil e também em outros países do mundo”, diz.

Por outro, a especialista avalia que a Copa do Mundo irá deixar algumas marcas positivas na população do Catar, embora não acredite que servirá como catalisadora de mudanças profundas na sociedade.

“Trata-se de uma sociedade tradicional-religiosa e com uma visão do mundo bastante conservadora e fundamentalista. Sendo assim, é difícil que todo esse conjunto de características se modifique por conta de um evento que acontece, embora seja um evento mundial, e muito grande, durante um mês”, explica. “Depois desse mês [de duração do evento], a realidade, a vivência vai permanecer de modo tradicional, como sempre foram. Essas mudanças podem acontecer de modo muito lento e provavelmente uma mudança interna, dentro da própria população, dentro da própria sociedade que vivencia todas essas limitações dos direitos humanos no Catar”, finaliza.

No palco e no centro do debate
A convite da Budweiser, Ludmilla se apresentou na última quinta-feira (1º), no “The Bud World Club”, um espaço dedicado a receber torcedores em Doha. Antes de viajar, por meio de suas redes sociais, ela declarou que sua ida ao país possibilitaria ações para a causa LGBTQIAP+.

“Desde que recebi o convite, fiquei pensando em como poderia contribuir com as causas LGBTQIA+ além da minha existência, resistência e tudo que represento. Para mim, não faria sentido não devolver algo para minha comunidade, já que aqui, o Brasil, é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo”, diz.

Ludmilla relatou, ainda, que terá o apoio da Budweiser nessas iniciativas. “Tive a ideia e chamei a Budweiser, (vamos) começar um movimento de apoio a instituições que apoiam pessoas da comunidade, seja com iniciativas criativas, de acolhimento ou recursos básicos. Iremos escolher 5 instituições para apoiar durante todo o ano de 2023”, completa a cantora.

1ª Copa no Oriente Médio
Neste ano, o Catar se tornou o primeiro país do Oriente Médio a sediar a competição global. Mas não sem polêmicas e críticas. No mês passado, a Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, publicou relatório denunciando que a Copa seria disputada após de graves abusos trabalhistas de pessoas imigrantes e dos direitos humanos no país.

“A Federação Internacional de Futebol (Fifa) concedeu os jogos ao Catar em 2010, sem realizar a devida diligência de direitos humanos e sem estabelecer condições sobre proteções para trabalhadores imigrantes que seriam necessários para construir a infraestrutura massiva. A Fifa também não avaliou as preocupações com os direitos humanos de jornalistas, ou a discriminação sistêmica que mulheres, pessoas LGBT e outros enfrentam no Catar’”, destaca a publicação.

De acordo com a Human Rights Watch, apesar das repetidas advertências sobre as condições de trabalho nos estádios, “a Fifa fracassou em impor rígidas condições para proteger os trabalhadores e tornou-se uma facilitadora complacente dos abusos generalizados sofridos pelos trabalhadores, incluindo a cobrança de taxas ilegais de recrutamento, não pagamento de salários, ferimentos e mortes”, diz.

Em maio, a Human Rights Watch e outras organizações de direitos humanos, sindicatos e grupos de torcedores pressionaram as autoridades da Fifa e do Catar em uma Carta Aberta Conjunta e uma campanha para fornecer uma reparação para os abusos sofridos pelos trabalhadores, incluindo compensação financeira por não pagamento de salário ou lesões, e às famílias dos falecidos.

Direitos das mulheres, LGBTQIA+ e de expressão
A Human Rights Watch também publicou um relatório com as leis, regulamentos e práticas que impõem regras discriminatórias de tutela masculina no país anfitrião da Copa. São adotadas práticas que negam às mulheres o direito de tomar decisões importantes sobre suas vidas.

“As mulheres no Catar devem obter permissão de seus guardiões do sexo masculino (membros da família do sexo masculino) para se casar, estudar no exterior com bolsas do governo, trabalhar em muitos empregos do governo, viajar para o exterior até certas idades e receber certos cuidados de saúde reprodutiva”, conta.

Além disso, os direitos dos LGBTQIA+ também não são respeitados naquele país, como pontua a organização, lembrando que o código penal do Catar pune relações sexuais consensuais entre homens maiores de 16 anos. A liberdade de expressão e de imprensa também não são respeitadas no Catar, como ressalta a Human Rights Watch. “O código penal do Catar criminaliza criticar o [monarca e chefe de Estado] emir, insultar a bandeira do Catar, difamar a religião, incluindo blasfêmia, e incitar a ‘derrubada do regime’”, diz.

Dentro de campo
Todas as polêmicas envolvendo a Copa do Mundo no Catar também se refletiram dentro de campo, com protestos e manifestações de seleções. Às vésperas do início dos jogos, a Fifa anunciou a proibição da utilização das braçadeiras “One Love” que seriam usadas como protesto por seleções europeias. O símbolo One Love traz uma mistura de cores que representam as diferentes raças, origens, identidades de gênero e orientações sexuais. Segundo a Fifa, a utilização do item provocaria aplicação de punições esportivas aos atletas.

Diante disso, os alemães, no jogo de estreia, contra o Japão, fizeram um protesto contra o silenciamento e taparam suas bocas com as mãos. Contra o racismo, os jogadores de Inglaterra e País de Gales, por sua vez, se ajoelharam juntos em protesto no meio de campo e antes do apito inicial. Os atletas ingleses já haviam se ajoelhado em protesto também antes dos jogos contra Irã e Estados Unidos.

Masterpiece, Wienbier e Colorado vencem prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

Cervejas da Masterpiece, da Wienbier e da Colorado foram as grandes vencedoras da segunda edição do prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) e que teve a sua premiação realizada na noite de terça-feira (6), no Rio de Janeiro.

A competição é organizada pela Abralatas para reconhecer o trabalho de design da indústria cervejeira nas latas. E a disputa é dividida em categorias, de acordo com a capacidade produtiva das cervejarias envolvidas na premiação.

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Criada em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a cerveja “Às Mulheres”, da carioca Masterpiece foi a campeã na categoria microcervejaria (produção anual de até 2,5 milhões de cervejas em lata). A latinha vencedora tem o desenho de duas mulheres, feito pela artista Pri Barbosa para representar a força feminina. O pódio da disputa entre as microcervejarias também contou com a “Viking Imperial IPA”, da também carioca Odin, no segundo lugar, e a “Helles de Curitiba”, da paranaense Bodebrown, na terceira posição.

“Ficamos muito honrados e felizes com o resultado porque é a materialização de um projeto que foi pensado para ser todo executado por uma equipe de mulheres do início ao fim, desde a produção da lata física até o envase final, tudo foi feito por profissionais femininas. Foi um projeto especial e estamos muito felizes”, diz o CEO da Masterpiece, André Valle.

Na disputa do Lata Mais Bonita do Brasil entre as médias cervejarias (entre 2,5 milhões e 60 milhões de unidades/ano), o principal destaque foi a Wienbier, marca da paulista NewAge. Ela foi a campeã, com a “Wienbier 59 Session IPA”, e a segunda colocada, com a “Wienbier 60 APA”. Já a “Bierbaum Lager”, da catarinense Bierbaum, completou o pódio.

“Para nós esse prêmio é muito importante, pois traz um reconhecimento em nível nacional e que vai valorizar ainda mais a marca Wienbier no mercado, além de nos dar mais visibilidade fora do eixo sul-sudeste”, afirma o designer da NewAge, Rodrigo Beck.

E a competição entre as grandes cervejarias (mais de 60 milhões de unidades/ano) teve o domínio total da Ambev, que inscreveu suas latinhas através do ZX Ventures, o seu grupo de inovação. A campeã foi a “Colorado Indica”, com a “Goose Island Midway Session IPA” em segundo lugar e a “Patagonia IPA”, em terceiro.

“A Indica foi a primeira IPA produzida no Brasil e já nasceu com esse rótulo e hoje está sendo reproduzida em lata trazendo essa tradição e representando o lúpulo dessa IPA inglesa e tradicional. Representa demais para nós ainda hoje receber prêmios de design porque percebemos que nossa criatividade continua fluindo muito bem e representando o legado dos nossos criadores”, avalia o representante da Colorado/Ambev, Rudson Ferdinando.

Método de votação e histórico
A escolha das campeãs do Lata Mais Bonita do Brasil passou pela avaliação de jurados e pela votação do público, que escolheu as três latas mais bonitas nas três categorias da competição.

“As latinhas vem conquistando a preferência dos consumidores brasileiros dia após dia. Premiar a mais bonita do Brasil é uma tarefa difícil com tantas cores, rótulos, desenhos e tamanhos. Recorremos a uma equipe de designers e profissionais especializados e contamos com milhares de votos do público consumidor”, relata o presidente da Abralatas, Cátilo Cândido.

Com duas edições realizadas, a Colorado é a única bicampeã da premiação, pois em 2021 havia triunfado com a Appia entre as grandes cervejarias. Já as vencedoras, no ano passado, nas demais categorias foram Rambeer Cervejarias, entre as micro e pequenas cervejarias, e Salva Craft Beer, entre as médias cervejarias.

Mondial começa no Rio; veja lançamentos, novidades e atrações

Considerado um dos principais festivais cervejeiros do mundo, o Mondial de la Bière Rio volta a ser realizado em 2022 com a aposta na versatilidade, pois, ao mesmo tempo em que continuará sendo o palco de importantes lançamentos das principais marcas de artesanais, também ampliou o foco gastronômico.

Será isso que o público poderá perceber na Marina da Glória, palco do festival pelo segundo ano consecutivo, desta quarta-feira (7) até o próximo domingo (11). Assim, o Mondial, em 2022, terá, entre outras atrações, cinco restaurantes comandados por renomados chefs, um deles de Paulo Yoller, vencedor do Cook Island, programa do canal de tevê GNT, em uma biergarten montada na estrutura do evento.

Não faltará, claro, espaço para as cervejarias. Elas vão ocupar o galpão da Marina da Glória, com mais de 1.500 rótulos de artesanais plugados nas torneiras. E assim como sempre ocorre, o Mondial também investiu nas apresentações musicais, que estarão divididas em dois palcos.

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Essa área de shows, aliás, contará com uma das inovações do Mondial em 2022. O bar do espaço Biergarten, com 48 torneiras, será turbinado pelo myTapp Fast, com o intuito de agilizar o atendimento e reduzir filas. Estarão instaladas máquinas de serviço de chope automatizadas, com o consumidor só precisando escolher a torneira com o rótulo de cerveja que deseja, aproximar o cartão de consumo, posicionar o copo e aguardar o seu preenchimento.

 “Nós já validamos o produto com um projeto piloto na Oktoberfest Blumenau, um dos maiores eventos cervejeiros das Américas, com oito torneiras myTapp Fast ao longo dos 19 dias de festa. Depois de alguns ajustes para melhorar ainda mais a usabilidade, estamos prontos para oferecer uma experiência incrível para o Mondial de La Bière, que tem um público exigente, que entende de cerveja e espera um serviço de alta qualidade”, comenta Nilana Rodrigues de Souza, sommelière de cervejas e gerente comercial da myTapp.

Lançamentos
Com cervejarias confirmadas em 81 estandes, o Mondial será, novamente, uma ótima oportunidade para apresentação de novidades ao público. Tanto é que várias marcas adiantaram quais serão as novidades que apresentarão ao público a partir desta quarta-feira.

Como acontece em todas as edições do Mondial, a Rota Cervejeira RJ produziu um rótulo colaborativo com a participação das suas integrantes. É a Red Moutain, uma Red Ale com morangos frescos da cidade de Nova Friburgo, produzida no Centro Cervejeiro da Serra. A receita ainda conta com lúpulos da variedade Zeus, colhidos em Teresópolis. A novidade tem 4,5% de graduação alcoólica, com 28 IBUs de amargor, e estará plugada nos estandes de Alpendorf, Doutor Duranz e Madbrew,

A cervejaria niteroiense Noi apresentará sua Extra Special Bitter, cerveja da escola inglesa, com 5% de graduação alcoólica e 34 IBUs de amargor. Além disso, terá outras 12 opções em suas torneiras, como a Diavolo, medalhista de ouro no World Beer Awards, e a experimental “Aqui é Dablius!”, uma Sour com tangerina, acerola e maracujá, exclusiva para o Mondial de 2022. Outra novidade é a Negro Gato, da W*Kattz, marca incorporada pela Noi. Se trata de uma Black IPA com 6% de graduação alcoólica e amargor potente, de 45 IBUs.

 “Costumo dizer que se você gosta de artesanais e não vai estar no Mondial, está errado! Brincadeiras à parte, nós sempre levamos o que temos de melhor e mais fresco, porque sabemos que o povo vem com sede de cerveja boa”, diz Bárbara Buzin, diretora da Noi.

Por sua vez, a microcervejaria paulistana Cybeer Lab vai aproveitar a sua presença no Mondial de 2022 para lançar uma Barley Wine maturada em barricas de vinho do Porto. Além dela, também será apresentada ao público durante a Hacking Goose, New Zealand Hop Lager dourada clara feita com os lúpulos Hiwaka e Nelson Sauvin, da Nova Zelândia.

A Carioca Brewing vai lançar a Witgal, uma Witbier em homenagem ao Vidigal. Já a Cervejaria Maraú, em sua estreia no evento, apresentará a Algodões Weiss, produzida a partir do malte de trigo, leve, com 4,7% de teor alcoólico e coloração clara.

Também novata no evento no Rio, a Armadillo Brewery estará com novidades que remetem à fauna do Cerrado, casos da Gonden Ale Suça (suçuarana), da Blond Ale Canastra Sweet Mule (lobo), a APA Mammalia (veado), a American Stout Athene (coruja), a Session IPA Folivora (bicho-preguiça), a IPA Juice Peba Mango (tamanduá), a New England IPA Galango Haze (calango), a American Red IPA Atta (formiga) e a Double IPA Saruê (saruê).

Copa do Mundo inspira novidades
Com o Mondial sendo realizado em meio ao período da Copa no Catar, seria óbvio imaginar que o torneio renderia várias homenagens em cerveja em 2022. E é exatamente isso o que vai acontecer. A Cervejaria Búzios oferecerá ao público a Búzios Brasil, uma APA, com teor alcoólico de 5,1%, além de lúpulos, maltes e levedura nacionais. Outra novidade da marca será a Búzios Caravelas: uma Hazy IPA com 6,1% de álcool.

A Enseada vai lançar a IPA do Hexa, um chope produzido exclusivamente para o festival e com seis lúpulos diferentes no dry hopping. São eles: Galaxy, Mosaic, Simcoe, Ekuanot, Azacca, Idaho7. A novidade tem 5,5% de teor alcoólico. Outra novidade da marca será a Sour Caju.

Atrações das grandes cervejarias
As grandes cervejarias também estarão presentes ao Mondial em 2022. A Academia da Cerveja, escola de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev, terá um estande com degustações e desafios sobre conhecimento cervejeiro, assim como venda de souvenires exclusivos, como camisetas, acessórios cervejeiros e produtos educativos relacionados ao universo da cerveja.

Além da Academia da Cerveja, outras marcas da Ambev marcarão presença no festival, como Cerveza Patagonia, Wäls, Colorado, Bohemia, Goose Island e Hoegaarden.  E elas vão oferecer mais de 40 rótulos.

“Falamos muito em democratizar o acesso ao conhecimento e à cultura cervejeira no Brasil. A Academia da Cerveja nasceu com essa missão de não só ensinar, como também aprender e estimular as trocas em ambientes diversos. O Mondial de la Biere é o maior festival cervejeiro do país e o ambiente ideal para gerar essas conexões. Estamos muito animados e felizes em estar de volta nesta nova edição”, afirma Laura Aguiar, head de conhecimento e cultura cervejeira da Ambev.

Já o Grupo Petrópolis estará presente com três marcas de cervejas especiais – Black Princess, Brassaria Ampolis e Weltenburguer -, e 21 rótulos, entre fixos e sazonais. A estimativa é de levar 9 mil litros de chope, produzidos no Centro Cervejeiro da Serra. Além disso, o Saber Beber, projeto de consumo responsável da companhia, será o responsável pela distribuição das águas. E a Black Princess ficará como a marca responsável pelo palco principal do evento.

Para quem estiver em busca de novidades, duas receitas poderão ser provadas em primeira mão no festival: a Asam Bock, da marca Weltenburger Kloster, rótulo comercializado na Alemanha e produzido pela primeira vez no Brasil, e a Cream Stout, da Brassaria Ampolis, de um estilo derivado das Porters, com aroma que remete a café, pão tostado e chocolate.

Ingressos
Os ingressos, com preços a partir de R$ 65,00, já estão esgotados para sexta-feira e sábado. “Por mais de um ano, estudamos o espaço da Marina da Glória para criar um novo modelo de evento. Vamos entregar um festival com a nossa essência e uma estrutura maior e melhor”, promete Gabriel Pulcino, gerente da GL Exhibitions, a organizadora do Mondial.

Especial: Como o setor promove soluções para melhorar a malteação

Com quebras de safra em 2021, colheitas de cevada com resultados piores do que o esperado neste ano e um cenário macroeconômico global mais desafiador, por causa da continuidade da guerra na Ucrânia, o acesso aos maltes para a fabricação de cerveja ficou mais complicado. Esse cenário desafia a indústria, mas também estimula a busca por soluções para melhorar o processo de malteação para as cervejarias poderem aplicá-los.

Em meio a essa escassez, a utilização mais inteligente da cevada disponível e a evolução da qualidade do insumo são fundamentais para superar dificuldades na cadeia da malteação, em busca de uma maior produtividade, assim como a automação dos processos e o planejamento do uso do ingrediente pelos fabricantes da bebida.

“Uma automação robusta e inteligente do processo ajuda cada vez mais, não só para garantir um malte homogêneo, mas uma maior eficiência energética. Cevadas com alto potencial de malteação são outro fator para uma significativa melhora e otimização do processo. Mais ainda, planejar e distribuir a cevada certa para cada (grande) cervejaria e cerveja é muito importante, pois isso acaba adequando o desempenho da própria receita da cervejaria”, afirma Patrick Gumpl, mestre-cervejeiro e malteiro na Cooperativa Agrária.

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As pesquisas de melhoramento genético da cevada, que estão avançando no Brasil, também exercem papel relevante para a melhoria da malteação, pois ajudam a nortear os métodos de plantio e colheita, podendo proporcionar um insumo de melhor qualidade.

Isso impacta na eficiência da malteação cervejeira, com as decisões do malteador sendo baseadas nas transformações da morfologia externa do grão que ocorrem durante essa etapa do processo produtivo, tais como crescimento radicular, umidade e temperatura ambiente.

“As técnicas que se buscam atualmente são para que, seja na maceração, germinação ou secagem, se possa detectar as transformações internas do grão. Dessa maneira, será possível não mais corrigir o processo, mas predizer e atuar de maneira preventiva conduzindo a malteação de maneira mais eficiente”, analisa João Ayres, malteador na Ambev e mestre-cervejeiro formado em Engenharia Química.

Tudo isso permite um trabalho mais eficiente dentro das cervejarias sem que isso afete a qualidade do que está sendo produzido. “Na prática, a indústria vem se beneficiando disso sob diferentes modos, tais como um menor e melhor uso de recurso de energia e fluídos que abrange os aspectos de ESG, maior produtividade que ajuda nos aspectos econômicos e tudo isso sem perder o mindset em qualidade. O malteador pode atuar mais detalhadamente nas dissoluções enzimáticas, compondo um produto final malte que atenda às expectativas do cervejeiro”, acrescenta Ayres.


Esses trabalhos, afinal, ajudam o cereal a se tornar mais resistente no campo, produtivo e em equilíbrio com as características desejadas para ser capaz de entregar as melhores características em aroma, sabor e paladar aos cervejeiros.

“Maltes mais modificados em geral permitem uma mostura e filtração mais ágeis às cervejarias, já iniciando o processo com temperaturas mais elevadas”, completa Gumpl, se referindo a uma condição térmica que é propícia para a produção de maltes especiais ao conferir maior dulçor e pouca ação enzimática.

Trabalhos conectados
Outro fator importante para a eficiência deste processo é o trabalho realizado pelos malteadores. Ayres, que ocupa a função na Ambev, destaca que esse profissional pode capitalizar as formas mais adequadas de uso da matéria-prima, como, por exemplo, ao apontar qual é a melhor relação amido-proteína para um potencial enzimático mais robusto da cevada.

“Pode tornar esse processo ainda mais acolhedor e personalizado ao aplicar os insumos no momento e na medida certa. Dessa combinação temos um malte com mais extrato, mais aminoácidos que são o alimento da levedura, melhor equilíbrio, aroma e sabor que, por sua vez, propiciaram ao cervejeiro conduzir o seu processo também com as melhores perspectivas de sucesso”, afirma Ayres, que também atua como especialista de projetos para processo e qualidade na AB InBev.

O trabalho do malteiro também é fundamental, como destaca Gumpl, pois receitas diferentes têm de ser usadas em lotes de cevada distintos para chegar ao padrão de qualidade exigido para um determinado tipo de malte.

Por mais que as maltarias modernas sejam automatizadas, o acompanhamento diário do processo por um malteiro qualificado, desde o início do molhamento até o final da secagem, é imprescindível. Este acompanhamento dedicado de perto é o diferencial, no qual são feitos os ajustes finos para garantir uma qualidade melhor

Patrick Gumpl, mestre cervejeiro e malteiro na Cooperativa Agrária.

A importância do malteador é, assim, apenas um exemplo da necessidade de sinergia entre os elos da cadeia produtiva para assegurar a qualidade da cevada e da malteação, como destaca o mestre-cervejeiro e malteiro da Agrária.

“Tudo está interconectado. Começando lá no campo, precisamos ter uma cevada com alta produtividade, além de uma planta robusta e resistente a doenças. Isso para viabilizar o plantio da cultura da cevada aos produtores. A maltaria precisa ser bastante exigente quanto à qualidade dos grãos de cevada colhidos: entre outros fatores, os grãos têm que estar sadios com um bom poder germinativo, ter um tamanho de grãos alto, além de um teor de proteína adequado”, conclui Gumpl.