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BravoZero garante pronta-entrega e frete grátis no Sul e Sudeste na Black Friday

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A Black Friday, uma das mais importantes datas do varejo no mundo, coloca à prova a capacidade das empresas e da indústria de abastecer o expressivo crescimento da demanda por produtos e serviços. Com base nessa expectativa, a BravoZero reforçou seu estoque para atender clientes com pronta-entrega, esperando auxiliar no planejamento para as festas de fim de ano e atendendo o aumento da demanda proporcionado pela Black Friday.

“A BravoZero tem se preparado desde o começo de 2022, sabendo que em todo final de ano recebemos uma alta demanda de pedidos, principalmente pelas chopeiras elétricas. E desta vez ainda teremos uma Copa do Mundo nesta época. Com isso, reforçamos a produção de equipamentos e o estoque, o que nos dá uma vantagem competitiva em relação aos produtos de pronta-entrega”, ressalta Wilson Seiti Harada, coordenador de desenvolvimento de projetos da Eidee, empresa responsável pela BravoZero.

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Com a realização da Copa do Mundo no Catar, iniciada no último domingo, a demanda pelas chopeiras deverá ser alta por parte dos torcedores que promoverão encontros ou festas com amigos para acompanhar as partidas do torneio, que vai acabar no dia 18, apenas uma semana antes do Natal.

A BravoZero também anunciou uma promoção especial para alavancar as suas vendas na Black Friday. Quem comprar uma chopeira, independentemente do modelo do equipamento escolhido, receberá um mini kit Heineken de extração de chope.

A empresa assegura frete grátis para todas as entregas realizadas nas regiões Sudeste e Sul, que concentram os principais clientes da BravoZero. E garante que pode oferecer descontos para compras feitas na Black Friday, a depender das condições de aquisição.

“Podemos negociar diretamente com o nosso departamento comercial e os valores poderão ser reduzidos conforme as quantidades solicitadas, sendo que temos desde clientes residenciais até os de empresas que trabalham com delivery, que precisam de muito mais equipamentos”, completa Harada.

A BravoZero, referência no mercado de chopeiras elétricas no Brasil, disponibiliza equipamentos com capacidades de 50 e 70 litros por hora. No caso das chopeiras com maior dimensão e poder de armazenamento da bebida, a marca vende e aluga aparelhos com uma ou duas torneiras.

“Além de diferentes tipos de chopeiras, temos kits de extração de chope, que possuem válvula, regulador de pressão e cilindro de CO2, além de outros acessórios que oferecemos”, destaca Harada.

BravoZero

Endereço: Rua Henrique Caetano Gomes Dias, 240 – Londrina (PR)
E-mail: contato@eidee.com.br
Telefones: (43) 3348-1011 e (43) 99864-9919


Guia na Copa: Negro molda cultura do futebol desde Leônidas e chega à cerveja

A formação cultural do Brasil, com as características que compõem os traços da sociedade, passa, necessariamente, pela trajetória e participação do negro. Essa presença é ainda mais preponderante no esporte que expressa a cultura nacional, o futebol, referência associada ao país em solo estrangeiro, e no qual o negro é craque e referência, como Leônidas da Silva, Pelé e Ronaldinho Gaúcho, mas também vilanizado, como Barbosa, e excluído.

A exclusão data já da chegada do futebol ao país, como um esporte de elite, mas um cenário que se alteraria rapidamente em comparação a outros aspectos de manifestações culturais que deixam, até hoje, o negro marginalizado. Mas que não mudaria nos cargos de poder no esporte e de comando, com o país tendo poucos técnicos e dirigentes negros nos principais clubes.

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“A escravidão termina em 1888 e o futebol chega, oficialmente, ao Brasil em 1894. Seria pouco logico pensar que o negro se incluiria rapidamente.  Mas, pensando em outros aspectos da cultura, a inclusão até foi rápida. E isso tem muita relação com o profissionalismo, pois antes as pessoas pobres não teriam como se dedicar a ele”, avalia o doutor em Educação pela UFRGS Gustavo Bandeira e autor do livro “Uma história do torcer no presente”.

Com essa entrada do negro em campo, a sua participação no futebol brasileiro e a relação cultural que molda a sua associação à modalidade se dão a partir de alguns pilares, como a ampliação da gama de talentos a serem selecionados, o sucesso esportivo brasileiro, que tem os negros como protagonistas, e a lógica da representatividade. “Acredito que esse foi um dos primeiros espaços que os negros ocuparam com seus talentos, apesar de todo o preconceito existente”, avalia Diego Dias, sócio-proprietário da Implicantes, cervejaria que homenageia em seus rótulos personalidades históricas negras.

E se é verdade que o torcedor brasileiro teria de esperar até 1958 para comemorar o primeiro título mundial, foi 20 anos antes que o país viu o talento negro emergir para o mundo, com o “Diamante Negro”. Foi assim que ficou conhecido Leônidas da Silva, artilheiro da Copa do Mundo de 1938, com oito gols, e destaque máximo da seleção brasileira, terceira colocada na competição realizada na França.  

Também se consagrou como ídolo de São Paulo e Flamengo, levando multidões aos estádios. Nos paulistas, sua estreia é responsável pelo maior público da história do Pacaembu, com 70 mil pessoas, em 1942, para um clássico entre São Paulo e Corinthians. No Rio, é considerado figura fundamental para tornar o Flamengo o clube com mais torcedores no país.

Em todo o Brasil, acabou eternamente associado aos gols de bicicleta, embora historiadores do esporte apontem o chileno Ramón Unzaga Asla como inventor da jogada. Mas o que mais importa é que o seu poder de improvisação e agilidade, exibidas com o corpo solto no ar, nunca mais se dissociaram das características desejadas e associadas ao jogador brasileiro.

 “Tivemos o entendimento que a maneira como Leônidas jogava era um jeito brasileiro de jogar futebol. Ao longo dos tempos, isso continuou bem representado por outros atletas, a sua maioria negros, com o último grande expoente sendo Ronaldinho Gaúcho, com os seus dribles e alegria”, diz Bandeira.

Não à toa, Leônidas virou produto. O Diamante Negro foi chocolate criado em 1939 e continua sendo comercializado até hoje com enorme sucesso. Mais recentemente, também estampou rótulo de cerveja, a Grande Artilheiro, uma German Pilsner, da Implicantes.

“A homenagem, mais que devida, ao Leônidas da Sílvia foi para lembrar a sua história e feitos, que são inúmeros. Foi ele quem difundiu a jogada conhecida como bicicleta, que sempre acabava em gol. Foi, ainda, o primeiro jogador a ser garoto-propaganda de marcas, entre outras conquistas. Mesmo assim, com todo seu talento e conquistas, sofreu racismo, pois, naquela época, o negro não podia tirar foto em formação com a equipe toda”, diz o sócio-fundador da Implicantes.

Depois de Leônidas…
Se Leônidas foi o primeiro craque e ídolo negro do futebol nacional, ajudando a construir o estereótipo do jogador brasileiro, a relação entre o esporte, uma sociedade onde o racismo está presente, seja de modo velado ou não, e o homem preto, teve, é claro, momentos em que o preconceito contra ele esteve escancarado, ainda que em meio às críticas esportivas.

Foi, assim, em 1950, com o goleiro Barbosa sendo o principal vilão da derrota para o Uruguai, com “uma condenação” que marcou toda a sua vida, com atos de crueldade, como impedi-lo de visitar a seleção brasileira na preparação para a Copa de 1994. “Algumas pessoas dizem que a culpa recaiu sobre ele por ser o goleiro, mas uma pessoa preta no Brasil, nunca deixa de ser uma pessoa preta. Não dá para separar isso. A trajetória do negro sempre passa por isso”, argumenta o doutor em educação pela UFRGS.

O título mundial que não veio para o Brasil de Barbosa, mas seria conquistado em 1958, no início do reinado de Pelé no futebol mundial.

Ao seu modo, Pelé colocou o homem preto no topo do mundo. Ele faz até os racistas reconhecerem que o melhor jogador do mundo é um homem negro. Com isso, Pelé ajuda a dar visibilidade e mostra que o homem preto pode ser o melhor de todos

Gustavo Bandeira, autor do livro “Uma história do torcer no presente”

Assim, a atmosfera que envolve o futebol brasileiro está, até internacionalmente, associada aos craques negros. E, de quatro em quatro anos, famílias se reúnem, em meio a churrascos regados a cerveja, para a comemoração inebriante da vitória ou a resiliência da derrota.

“No Brasil o futebol sempre foi reverenciado e entendido como nossa identidade cultural. A presença significativa de negros, deu ao futebol sua brasilidade, com penteados, gingado. Isso vai além do campo, com referência trazidas pelos ídolos até mesmo na forma de vestir, falar”, conclui o sócio-fundador da Implicantes.

Alforria reforça luta antirracista em seus rótulos e busca disseminar sabores

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Uma cerveja pode ir muito além do ato de fruição pelo consumidor. Entendendo que a bebida oferece a possibilidade de propagação do conhecimento antirracista através das informações estampadas em seus rótulos, ao mesmo tempo em que promove a democratização de sabores, a cerveja Alforria tem apostado na variedade de estilos e nas homenagens a grandes personalidades negras para dialogar com todos os públicos.

De Vitória da Conquista (BA), a Alforria surgiu em 2019, mas é uma ideia bem mais antiga de Maurício Reina, seu fundador. E a realização de um sonho bem conhecido dentro do setor. Do desejo de produzir uma cerveja com a sua cara, ele fez cursos sobre produção cervejeira e passou a apresentar suas criações caseiras aos amigos. Deu tão certo que Reina acabou por criar a sua própria marca.

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Desde então, a Alforria tem sido uma marca que aposta na diversidade de estilos. Reina contabiliza mais de uma dúzia de estilos de cerveja no portfólio da marca, como APA, American IPA, American Wheat, American Porter, Vienna Lager e Russian Imperial Stout.

Nessa ampla gama de estilos, a Alforria foi, também, encontrando a possibilidade de prestar sua reverência a personagens importantes, como Zumbi dos Palmares e Dandara, figuras emblemáticas da resistência negra no período colonial, assim como Tia Ciata, e grandes nomes de fora do Brasil, casos de Jesse Owens, Angela Davis e Nelson Mandela.

A ideia, assim, é reforçar a importância da luta contra o racismo e a escravidão, também permitindo que os consumidores das cervejas da Alforria conheçam mais sobre esses personagens e suas lutas através dos rótulos.

“Buscamos contar a verdadeira história, que muitos não conhecem e ficam surpresos ao ler tais informações nos rótulos. Essa foi a maneira encontrada de valorizar a luta dessas pessoas que nos antecederam e manter sempre ativa a luta contra o racismo”, diz o fundador da Alforria.

A variedade de estilos ofertada pela Alforria também concede a possibilidade de o público ter acesso a cervejas que nem sempre são tão conhecidas do consumidor. “Eu sempre sonhei e desejei que a minha cerveja fosse para todos os públicos e de todo poder aquisitivo. É esse é o grande trunfo da cerveja artesanal, sair da zona de conforto, da mesmice. Existe uma gama de estilos que potencialmente agradará várias pessoas e esse é o caminho”, defende Reina.

O próximo passo do sonho do fundador da Alforria é contar com a própria fábrica para que sua cerveja atinja mais pessoas e as façam rememorar sabores do passado enquanto têm contato com figuras históricas.

“Eu fiz uma Russian Imperial Stout com adição de paçoca e cumaru e um cliente relatou que, ao degustar a cerveja, voltou à infância, tendo uma maravilhosa memória afetiva. Esse é o poder da cerveja artesanal e que devemos sempre buscar”, conclui o fundador da marca.

Guia na Copa: Catar proíbe venda de cerveja nos estádios a 2 dias do 1º jogo

O Catar proibiu a venda de cerveja nos estádios da Copa do Mundo nesta sexta-feira, a apenas dois dias do início do torneio, em uma reviravolta que parece ignorar o acordo firmado entre o emirado muçulmano e a Fifa para a realização da competição no país.

A venda de álcool tem, no cotidiano, grandes restrições no Catar, mas, ainda assim, a medida causou surpresa, pois a Budweiser é uma das principais patrocinadoras da Copa do Mundo.

Além disso, o Catar, como qualquer país-sede da Copa do Mundo, concorda com os requisitos da Fifa para organizar o torneio e eles envolvem a venda de álcool nos estádios. Nunca, porém, foram revelados os detalhes de como isso se daria, em uma clara indicação de como o tema era sensível.

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Nesta sexta-feira, então, a Fifa comunicou que só a cerveja sem álcool será vendida nos oito estádios que receberão jogos da Copa do Mundo no Catar, enquanto algumas bebidas alcoólicas serão servidas nas áreas de hospitalidade das arenas.

Aos torcedores, que não têm acesso a esses setores de luxo dos estádios, o consumo de bebidas alcoólicas praticamente vai se resumir ao Fifa Fan Festival, uma área reservada em Doha com exibições de jogos, shows musicais e outras atividades. Ainda assim, isso será permitido a partir das 19 horas. E o preço é elevado: 50 rials catarianos (aproximadamente R$ 74) por um copo de 500 ml.

Fora do ambiente da Copa do Mundo, o Catar conta com limites rígidos para comercialização e consumo de bebidas alcoólicas, algo que se resume, praticamente, aos bares de alguns hotéis.

“Após discussões entre as autoridades do país anfitrião e a Fifa, uma decisão foi tomada para focar a venda de bebidas alcoólicas no Fifa Fan Festival, outros destinos turísticos e pontos autorizados, removendo os pontos de venda de cerveja dos perímetros dos estádios”, diz a Fifa em um comunicado.

A AB InBev, detentora da marca Budweiser, possui contrato de patrocínio com a Fifa para a Copa do Mundo, o que lhe assegura o direito de exclusividade de comercialização de cerveja nos ambientes oficiais do torneio. E, diante da proximidade da disputa da competição, já havia despachado ao Catar parte relevante do estoque da bebida que pretendia vender no país.

“Os organizadores do torneio agradecem a compreensão do grupo AB InBev e o contínuo apoio para atender a todos durante a Copa do Mundo 2022”, afirma a Fifa, em trecho do seu comunicado. “Bem, isso é estranho”, chegou a publicar a Budweiser em seu perfil no Twitter, em mensagem que foi excluída posteriormente.

Embora as vendas de cerveja nos estádios da Copa do Mundo tenham pouca relevância no volume total comercializado por uma gigante como a AB InBev, a competição é vista como enorme alavancadora de ações de marketing. E, não, à toa, a Budweiser está associada ao torneio desde 1986. A última renovação de contrato da AB InBev com a Fifa, inclusive se deu um ano depois, em 2011, do Catar ter sido escolhido sede do Mundial de 2022.

Ante um acordo comercial, porém, acabou prevalecendo a postura do governo do Catar, liderado pelo emir Tamim bin Hamad al-Thani e que segue um movimento ultraconservador do islamismo, o wahabismo. Essa postura, inclusive, já havia levantado preocupações sobre como visitantes estrangeiros seriam recebidos no Catar, que criminaliza a homossexualidade e a embriaguez pública.

Para a Copa do Mundo de 2014, o Brasil aceitou flexibilizar uma lei que proibia a venda de cerveja nos estádios, o que, inclusive, abriu caminho para algumas regiões adotarem medida semelhante para além do período do torneio. Não havia, porém, é claro, o impacto cultural e da interpretação religiosa que fizeram o Catar vetar a comercialização da bebida a dois dias da abertura do Mundial.

Do apagamento até a Flip e a cerveja: quem é Maria Firmina?

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Sob diferentes olhares, Maria Firmina dos Reis não possui uma trajetória comum dentro da sociedade ou da literatura brasileira. Mas tem o apagamento tão comum aos negros presente em sua história. Por isso, há poucos registros da escritora maranhense, nascida em 1825, e que carrega dois marcos: a de ser a primeira autora negra brasileira e a de ter escrito um livro de teor abolicionista e que dá voz aos escravizados.

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Tão importante, mas que, ao mesmo tempo, foi pouco lida, ficando praticamente esquecida por mais da metade do século XX. Hoje, porém, é homenageada em grandes festivais literários e ganhou o seu próprio rótulo de cerveja, feito pela Dutra Beer.

Entre 23 e 27 de novembro, poucos dias depois da celebração do Dia Nacional da Consciência Negra, que neste ano ocorre no domingo, Maria Firmina será a autora homenageada da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty (RJ). Seu destaque no principal evento literário do país, que contará com inúmeras mesas de debate dedicadas a ela, resgata uma trajetória que superou a tentativa de apagamento para se consagrar como uma das grandes vozes brasileiras na luta contra a escravidão e o racismo.

Ao escrever Úrsula, a sua principal obra, em 1859, Maria Firmina ficaria marcada por pioneirismos. Mas não apenas por eles. Afinal, ao apresentar um triângulo amoroso entre personagens negros que questionam o sistema escravocrata, a autora deu a eles um ineditismo de protagonismo na literatura brasileira. E ainda escancarou a crueldade dos senhores de escravos, representados por Fernando, o vilão da história.

“A leitura de sua obra tem a virtude de olhar para pessoas negras, escravizadas ou libertas, como pessoas, antes de tudo, dotadas de sensibilidade, capacidade de amar e de odiar, esperança e tudo o mais. Há três figuras notáveis no romance nessa condição”, diz Luís Augusto Fischer, escritor e professor do Instituto de Letras da UFRGS.

Para entender mais sobre quem produziu obra com tantos ineditismos e marcos, é necessário olhar para o pouco que se sabe da trajetória além dos livros de Maria Firmina, como professora concursada no Maranhão e sua vida intelectual, com a luta antiabolicionista registrada em textos na imprensa local. Mas também especular sobre possíveis leituras de autores estrangeiros que podem tê-la influenciado.

“Parece claro que ela tinha na alma os modelos narrativos do romance francês, como ‘Paulo e Virgínia’, de 1788, de imenso sucesso por muitas décadas, assim como Alexandre Dumas, com as aventuras arrebatadoras de um ‘Conde de Monte Cristo’, de 1844, eu imagino. Deverá ter lido também algo do romance inglês, quem sabe algum das irmãs Brontë, como o ‘Morro dos Ventos Uivantes’, de 1847. E é bastante provável que tenha lido ‘A Cabana do Pai Tomás’, de Harriet B. Stowe, lançado nas em 1852 e logo traduzido para várias línguas, inclusive o português”, comenta Fischer.

Se apresentou importantes ineditismos em Úrsula, Maria Firmina foi além das suas obras. Em um gesto que pode ser considerado revolucionário dentro de um contexto histórico, realizou ação educacional emblemática ao fundar uma escola com aulas gratuitas para turmas mistas (com homens e mulheres) no século XIX.

O resgate de Maria Firmina
Sua trajetória e obra, porém, ficaram esquecidas por décadas, em uma inviabilização que tem muito em comum com a trajetória dos negros brasileiros. Foi resgatada apenas nos anos 1960, quando a sua obra foi recuperada em um sebo do Rio de Janeiro por um historiador.

“Depois de lê-la agora, no século XXI, a gente se pergunta, sem encontrar resposta pela impossibilidade até de pensar nisso, que porém se expressa numa pergunta importante: o que teria acontecido à produção literária brasileira (e ocidental) caso sua obra tivesse circulado bem, a partir de sua publicação?”, questiona Fischer, apontando que se tivesse sido propagada, a obra de Maria Firmina poderia ter influenciado grandes autores e mesmo a história brasileira.

“Quantas novas possibilidades de consideração sobre a subjetividade de pessoas escravizadas teriam sido possíveis? A própria campanha abolicionista, em sentido amplo (não apenas aquela dos anos 1880 finais), que rumos teria tido? Como ela teria sido lida por Machado de Assis e Lima Barreto, para citar os dois mais importantes romancistas, talvez não casualmente ambos negros, da capital de então?”, acrescenta.

A partir de 2017, ano do seu centenário de morte, Maria Firmina amplia seu público, que certamente tem ganhado novos adeptos em 2022. Afinal, em maio, antes mesmo da Flip, também foi escolhida para ser uma das homenageadas entre as cervejas literárias do Festival Literário de Araxá, o Fliaraxá, realizado na cidade do interior mineiro. Naquela oportunidade, a Dutra Beer produziu uma Ginger Beer com o nome de Maria Firmina.


As homenagens, assim, podem ser vistas como tentativas de reconectar o Brasil com a sua história e diversidade, em muitos casos marginalizada.

Ela entrou na corrente sanguínea da literatura, na escola, na universidade, na crítica, para nunca mais sair. A gente talvez ainda demore para poder decantar tudo que sua obra significa, porque a perplexidade sobre sua invisibilidade ainda é maior do que o debate produtivo. Mas é certo que a história do romance no século XIX, o século em que o romance aparece e se firma no Brasil, muda a partir dela

Luís Augusto Fischer, escritor e professor do Instituto de Letras da UFRGS

Menu Degustação: Prêmio para cerveja lupulada, fermentaria da Trilha…

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Nem só de preparação para a Copa do Mundo vive o segmento cervejeiro em novembro. Um exemplo disso é a Trilha, que decidiu expandir as suas atividades além da cervejaria, com a abertura, em São Paulo, da sua fermentaria, no mesmo galpão onde guarda os seus barris envelhecidos.

Em outra frente, a Hop Growers of America anunciou as dez cervejarias que vão concorrer ao prêmio de melhor West Coast produzida com os seus lúpulos. Já a Ambev revelou os detalhes do Bora, o seu programa de inclusão que pretende ajudar 5 milhões de pessoas ao longo dos próximos dez anos.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Fermentaria da Trilha
As criações da Trilha Cervejaria ganharam mais um endereço para receber o público: a Trilha Fermentaria. Um galpão no bairro Barra Funda, em São Paulo, onde são armazenados os barris de madeira nos quais a cervejaria envelhece alguns de seus rótulos mais especiais, foi transformado em um espaço múltiplo. Um bar com cardápio de entradas, pizzas e sobremesas ocupa a calçada e frente do imóvel, enquanto o fundo abre oportunidade para grupos, eventos temáticos, aulas e workshops. São 18 torneiras de chope, além de carta com opções exclusivas de cervejas envelhecidas no local. O espaço, na rua Cônego Vicente Miguel Marino, 390, funciona de quarta-feira até domingo.

Festival em Ribeirão Pires
O Steak Pork Festival chega a Ribeirão Pires (SP), nesta sexta-feira, a partir das 17h, e no sábado e domingo, a partir das 12h, no Complexo Ayrton Senna. Para participar do festival, basta doar 2 quilos de alimentos não perecíveis. O encontro já passou por diversas cidades paulistas e é uma parceria entre a Cervejaria Madalena e a SM Eventos. Diversos rótulos da Madalena, como Lager Premium, Bohemian Pilsen, Session IPA, Double IPA, Weiss, Stout e Lager Light, além de food trucks com drinques especiais, estarão disponíveis para o público, além de muito rock’n roll. 

Festival em Joinville
Com 30 cervejarias artesanais confirmadas, que irão oferecer mais de 300 opções de chope, além de outras opções de bebidas, o Festival Craft Beer Joinville edição Natal, será realizado nos dias 3 e 4 de dezembro na Expoville. Várias marcas vão lançar produtos. Também haverá cachaçaria, vinícola, cafés especiais, hidromel, batidas artesanais e kombucha. A praça gastronômica vai abrigar 22 food trucks. E haverá uma área de 400 de área kids com monitores.

140 anos da Black Princess
A Black Princess, cerveja do Grupo Petrópolis, comemora 140 anos em 2022 e terá uma série de ações e experiências para celebrar. O ponto alto é a série limitada e histórica da lata naked, cinza e sem qualquer estampa a não ser o logo da marca, que servirá de inspiração e ponto de partida para o consumidor customizá-la. A promoção, que vai até 9 de dezembro, vai premiar, com uma viagem de 140 horas, o participante que criar a melhor arte na lata.

Inscrições prorrogadas
O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) prorrogou até 30 de novembro as inscrições para a chamada pública do projeto PAR 2020 – Aplicação de sistemas termossolares de baixa e média temperatura em indústrias de bebidas. O projeto irá beneficiar até 4 fábricas com a instalação de um sistema de aquecimento de água por meio de coletor solar que proporcionará redução do consumo de energia elétrica, aumentando a eficiência energética da unidade industrial. 

Prêmio para cerveja com lúpulo americano
A Hop Growers of America (HGA) anunciou que 10 cervejarias de 6 estados estão concorrendo ao HGA Best Brazilian Craft Beer 2022. A iniciativa vai premiar a melhor West Coast IPA que utilizou os seus lúpulos. O vencedor será anunciado no dia 29, sendo que estão na disputa as paulistas Tarantino, Satirus Brewery e Leuven; as mineiras Koala San Brew e Zalaz, a paranaense Alright Brewing Co., a carioca Three Monkeys e as gaúchas Narcose e 4 Árvores, além da catarinense Lohn.

Inclusão da Ambev
A Ambev quer dar novas perspectivas de futuro para 5 milhões de pessoas nos próximos dez anos, ajudando brasileiros a enfrentarem a pobreza e apoiando quem busca por trabalho ou oportunidades de crescimento de seus negócios. Para isso, a companhia criou o Bora, programa de inclusão produtiva que vai atuar em três frentes: conhecimento, apoio financeiro e conexão. No primeiro, serão disponibilizadas ferramentas de expansão e aperfeiçoamento de negócios para micros e pequenos empreendedores; e trilhas de conhecimento com foco no empreendedorismo e inclusão no mundo de trabalho para as comunidades. No segundo pilar, vão ser oferecidas soluções financeiras com programas de pontuação e opções personalizadas de microcrédito, além de bolsas de estudos. Já no terceiro, a Ambev ajudará na conexão com parceiros para networking, indicações de vagas e profissionais disponíveis por meio de plataforma virtual, gerando emprego e renda.

Scooby e Corona
O time de embaixadores da Corona no Brasil ganhou o reforço de Pedro Scooby. O  surfista de ondas gigantes e um dos participantes do BBB22 se une, assim, ao time de atletas patrocinados pela marca da Ambev, composto por alguns dos maiores representantes do surfe brasileiro na atualidade, como os campeões mundiais Gabriel Medina e Filipe Toledo e as atletas Tatiana Weston-Webb e Chloé Calmon.

Guia na Copa: Fifa vende cerveja a R$ 74 no Catar e “espalha” Fan Festival

Um dos principais mistérios envolvendo a disputa da Copa do Mundo no Catar começou a ser solucionado: o preço da cerveja. Com a abertura do Fifa Fan Festival em Doha, a entidade revelou que um copo de 500ml terá o valor de 50 rials catarianos, o equivalente a, na cotação atual, R$ 74, nesse espaço de interação entre torcedores.

O valor está bem acima do que foi cobrado nos estádios das duas edições anteriores da Copa do Mundo. Em 2014, no Brasil, o preço máximo por um produto equivalente era de R$ 13. Já na Rússia, uma cerveja valia 350 rublos (R$ 31, na cotação da última quarta-feira) dentro das arenas.

No Catar, no espaço que em outras Copas ficou conhecido como Fan Fest, a compra da cerveja estará permitida das 19 horas locais (13h no Brasil) até 1h (19h). E o local ganhará ainda mais protagonismo nesta edição do Mundial por causa das grandes restrições existentes no país para a venda e consumo de bebidas alcoólicas, só liberado em alguns hotéis e restaurantes.

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A situação, inclusive, provocou incertezas em relação ao consumo e venda de cerveja nos estádios da Copa do Mundo no Catar. Até pelas restrições impostas pelo governo local, o assunto tem sido pouco comentado de modo oficial pelos organizadores e pela Fifa, que não apresentam detalhes sobre a comercialização, incluindo os preços.

A venda de cerveja irá acontecer, mas de modo restrito. Ela vai começar 3 horas antes do início dos jogos nos estádios e poderá perdurar na hora seguinte ao apito final do árbitro. Porém, o seu consumo terá de ser feito em áreas restritas, que precisaram, inclusive, ser realocadas de última hora, após pedido da família real do Catar. E isso se tornou necessário porque o torneio vai acontecer em um país muçulmano com restrições ao consumo de álcool.

Foi a solução encontrada pela Fifa e pelos organizadores da Copa do Mundo para que a venda de cerveja pudesse ocorrer durante o torneio, que possui a Budweiser, marca da AB InBev, como uma longeva trajetória de patrocínio. E algo parecido – mas sem tantas restrições – aconteceu no Brasil em 2014, época em que a venda de cerveja era proibida nos estádios em todo o território nacional, mas acabou sendo liberada no período da competição.

Fifa Fan Festival
Outra ação da Fifa com a sua patrocinadora foi incrementar os eventos oficiais em locais onde a venda de cerveja é liberada, não se restringindo ao país-sede, que terá o seu Fan Festival no Al Bidda Park, em Doha, com capacidade para receber até 40 mil pessoas. Dessa vez, porém, a atração estará espalhada pelo mundo. As estruturas serão montadas na Cidade do México, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Londres, Seul e Dubai.

No Brasil, os espaços terão a denominação Arena Brahma e estarão localizados no Anhangabaú, na capital paulista, e na praia de Copacabana, na capital fluminense. Já há atrações anunciadas para os três dias de jogos da seleção brasileira na fase de grupos, com shows de conhecidos artistas nacionais. A entrada é franca, mas haverá limitação de público.

Porém, as ativações envolvendo a Copa do Mundo não se resumirão a São Paulo e Rio de Janeiro. A Arena Brahma também será montada em Belo Horizonte (Mineirão), Salvador (Largo do Pelourinho), Goiânia (Passeio das Águas Shopping), Porto Alegre (Orla do Guaíba) e Fortaleza (Iate Clube).

Especial: Pesquisas de melhoramento genético da cevada avançam no Brasil

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Ao mesmo tempo em que há desafios importantes envolvendo o acesso à cevada, em função de problemas na safra na Europa e na América do Norte, a indústria cervejeira do Brasil tem convivido com avanços nas pesquisas, o que contribui para a produção desse insumo. E um destaque tem sido os trabalhos de melhoramento genético, ajudando a ampliar as alternativas para as cervejarias ao elevarem a qualidade do cereal cultivado.

O melhoramento genético é importante não apenas para o atendimento às características agronômicas, mas para que se atinja padrões de qualidade de cevada e malte para produção de cervejas, resultando em segurança de origem de matéria-prima nacional para a indústria, onde ainda impera a utilização do ingrediente importado.

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“Atualmente, nós já conseguimos, por meio dos melhoramentos genéticos, materiais com elevado rendimento de grãos e com alta qualidade para uso na malteação, se equiparando aos grãos importados”, garante o engenheiro agrônomo Aloisio Alcantara, pesquisador da Embrapa Trigo, com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas.

Com o respaldo das pesquisas, importantes avanços estão sendo alcançados no Brasil nos processos de produção de cevada para o mercado cervejeiro. Para Noemir Antoniazzi, pesquisador de cevada da Cooperativa Agrária Agroindustrial, a evolução do melhoramento genético deste cereal está ligada principalmente à saúde dos grãos, cuja boa condição garante menores índices de contaminação por fungos produtores de micotoxinas.

“Isso ocorre com a seleção de genótipos mais tolerantes, bem como do fungo Dreschlera teres, causador da Mancha em Rede da Cevada, que a partir de 2022 a FAPA (Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária) passou a utilizar em seu programa de melhoramento com o método de seleção assistida por marcadores moleculares, o qual proporcionará mais rapidez, segurança e assertividade na seleção das novas cultivares”, explica.

Inclusive, o trabalho realizado pela Agrária em conjunto com o programa de melhoramento da fundação paranaense permitiu o lançamento da cultivar Imperatriz, que já está abastecendo o mercado cervejeiro. “Com ela, houve evolução significativa na melhoria da qualidade do malte, o que resultou na homologação desta cultivar pelas grandes cervejarias, as quais estão utilizando o malte oriundo dela para produção de cervejas especiais, que anteriormente usavam maltes produzidos com cevada importada”, diz Antoniazzi.

Já a Embrapa, de acordo com Alcantara, está em fase avançada para registrar novas variedades de cevada que em breve poderão servir como opções para serem utilizadas por cervejarias.

“Nós temos duas cultivares sendo lançadas. Uma delas é a BRS Kolinda, que já está em fase final de testes e vai ser plantada no Rio Grande do Sul. Caso venha a ser aprovada para a qualidade cervejeira, estamos com uma expectativa muito grande em relação a ela. E temos uma outra cultivar também no Paraná, que está em fase de produção e multiplicação de sementes. Então, temos dois novos materiais da Embrapa para colocação no mercado que já estão com processo de registro de proteção encaminhados”, completa.

Há outras importantes pesquisas envolvendo melhoramento genético sendo realizadas no país, inclusive com a participação de grandes cervejarias, caso da Ambev, com o Projeto Fazenda Santa Catarina, em Lages (SC). Por lá, a companhia começou, em agosto, o plantio da próxima safra deste insumo após realizar estudos em conjunto com universidades do Sul e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

“O foco do nosso programa de melhoramento genético na Ambev é fornecer ao mercado novas cultivares de cevada com padrão cervejeiro. Trabalhamos constantemente para isso e hoje temos aproximadamente 3 mil materiais genéticos sendo estudados e avaliados em diferentes fases, desde populações iniciais até linhagens mais avançadas e em pré-registro comercial”, revela a bióloga e agrônoma Adriana Favaretto, gerente de pesquisa da Ambev.

Incremento para aumentar disponibilidade
A diversificação produtiva garantida pelos avanços da ciência e pela tecnologia cada vez mais presente nos processos, entre os quais os novos métodos de melhoramento genético, de obtenção de linhagens e populações de cevada, mecanismos para avaliações de campo e análise e coleta de dados são citados pelos especialistas como processos que têm contribuído para incrementar a produção de cevada no país.

“Os trabalhos de campo são fundamentais para o desenvolvimento de novas cultivares. Hoje, no Brasil, contamos com seis campos experimentais, aproximadamente 10 mil parcelas plantadas a campo todos os anos. Essas avaliações direcionam as seleções de acordo com a realidade agronômica de campo”, analisa Adriana.

Apoiado pela ciência e o avanço nas pesquisas, o aumento da produtividade, aliada a uma qualidade satisfatória da cevada, é fundamental para que se possa vislumbrar o incremento do uso do produto nacional pela indústria, como argumenta Antoniazzi.

“Os avanços das pesquisas, principalmente no desenvolvimento de novas cultivares de cevada, mais competitivas no campo e com melhor perfil de qualidade de malte, estão possibilitando a utilização de uma maior proporção de cevada nacional na indústria, em detrimento de uma redução na quantidade de matéria-prima importada”, opina.

Ele relata, inclusive, aumento da produção do insumo na região do Paraná onde a Agrária concentra suas atividades, citando o maior interesse de produtores pela cevada. “O cultivo da cevada cervejeira da Cooperativa Agrária tem se apresentado como uma excelente alternativa para o inverno, em comparação com outras culturas, graças ao avanço das pesquisas. A prova disso é que os nossos cooperados plantam em suas lavouras três vezes mais cevada do que trigo, devido principalmente à maior rentabilidade líquida da cevada”, diz Antoniazzi.

O desafio climático
Mas, claro, ainda há problemas a serem solucionados, com a capacidade de resistência da cevada aos fatores climáticos sendo visto como principal desafio por produtores brasileiros, impedindo que, em alguns casos, o grão colhido tenha a qualidade exigida para seu uso na produção de malte.

O mais urgente, principalmente aqui no Rio Grande do Sul, onde as condições climáticas no período de colheita são mais severas, é avançar para conseguir, mesmo sob condições climáticas desfavoráveis, como, por exemplo, o excesso de chuvas no período produtivo da cultura, colher grãos que apresentem alta qualidade

 Aloisio Alcantara, pesquisador da Embrapa Trigo

Para lidar com esse desafio, a Ambev tem selecionado variedades consideradas mais resistentes. “No final do ciclo de plantio, algumas chuvas mais recorrentes e intensas são motivos de preocupação, principalmente tratando-se de doenças de espiga e qualidade na colheita. Porém, como todos nossos ensaios são conduzidos em condições de campo, utilizamo-nos desse fator para sempre selecionar linhagens melhor adaptadas às condições climáticas da região de cultivo”, afirma a gerente da empresa.

5 dicas para as etapas do envelhecimento da cerveja em barril

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Maturar cervejas é uma das opções disponíveis a quem deseja produzir uma bebida diferenciada. Essa técnica consiste em inserir a cerveja no barril, que é absorvida pelas aduelas, as suas tiras de madeira. E esse processo permite que a bebida se misture aos componentes químicos, aromas e fragrâncias deixados no barril.

O uso de barricas para produção de cervejas antecede a utilização de aço inox ou cobre. Ainda assim, incute desafios, que tornam a operação mais complexa, o que pode contribuir para deixar a sua utilização mais restrita. Mas o processo também desperta sensações lúdicas. E ao ser realizado do modo correto, pode tornar o produto final mais especial.

Porém, para garantir que o processo possibilite a produção de uma boa cerveja, é importante que o fabricante leve em consideração aspectos fundamentais nas diversas fases de produção e no armazenamento da bebida no barril.

“Ver a cerveja maturar, imaginá-la absorvendo os sabores e aromas da madeira e saboreando-a de vez em quando para ver se está pronta são apenas alguns dos aspectos que tornam este sistema tão fascinante”, afirma Douglas Merlo, consultor da Tanoaria Agulhas Negras.

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Confira uma lista com dicas e cuidados a serem adotados por quem deseja maturar cerveja em barris:

1 – O barril
A primeira etapa para a maturação da cerveja é a escolha do elemento principal: o barril. De início, a sugestão é a adoção de barris pequenos, com capacidade para 250 litros ou menos. Isso é importante, pois quanto menor o barril, mais rápida será a absorção de compostos e aromas.

O cervejeiro também precisa ficar atento no momento de escolher o tipo de madeira que é feito o barril. No mercado, é possível encontrar vários tipos como cerejeira, castanheiro, acácia, amburana, sassafrás, jequitibá e o carvalho.

Caso o cervejeiro opte por um barril novo, é necessário que as barricas sejam limpas com cuidado para remover quaisquer resíduos e substâncias da madeira.

 “O ideal seria usar barricas que foram utilizadas até um ou no máximo dois dias antes para que os aromas e sabores do álcool que estava anteriormente na barrica permaneçam intactos”, afirma o consultor da Tanoaria Agulhas Negras.

2 – O estilo da cerveja
A escolha do estilo da cerveja a ser produzida também é uma etapa importante para o processo de envelhecimento em barril. Estilos de sabor forte, como Imperial Stout e Dubbel, assim como as cervejas ácidas, são consideradas as preferidas. “Recomendamos evitar estilos mais frescos e leves como APA e IPA, pois as fortes notas deixadas pelo barril contrastam muito com os sabores frescos desses estilos”, diz o profissional da Tanoaria Agulhas Negras.

3 – Tempo de maturação
Assim como a escolha do tamanho do barril e do estilo da cerveja, o tempo de maturação também é determinante para o resultado. Nesta etapa, é preciso paciência. Além disso, é fundamental estar atento à temperatura. O ideal é que o tonel seja mantido a uma temperatura constante, entre 12ºC e 15°C, pois variações podem fazer com que a madeira se expanda ou contraia.

 “Muitos cervejeiros que experimentam este sistema no início esperam que a cerveja esteja pronta após algumas semanas. A verdade é que demora pelo menos alguns meses. Se você quiser notas leves de madeira ou se o barril for pequeno, a cerveja pode estar pronta após dois meses. Mas se você quiser sabores mais acentuados do barril ou se o barril for grande, pode levar de 6 a 12 meses, se não mais”, diz o consultor.

4 – A adição de frutas
Para quem pretende fazer cervejas ácidas, acrescentar um sabor de fruta pode não ser fácil, pois nem sempre a mera adição assegura o resultado desejado. Além disso, há um desafio adicional: a fruta pode conter bactérias que inevitavelmente contaminam a cerveja, mesmo com uma limpeza cuidadosa. Mas há soluções para lidar com esse desafio. “Algumas cervejarias adicionam frutas durante o whirlpool quente para que o calor esterilize a fruta, enquanto outras usam purês pasteurizados”, comenta.

5 – Engarrafamento
Ao final do tempo de maturação, a cerveja está prestes a ser engarrafada. Antes, porém, é preciso que o líquido seja despejado em um recipiente limpo e higienizado, onde a bebida deverá descansar por alguns dias. Isso evita que pedaços de madeira e sedimentos entrem nas garrafas, latas ou growlers.

Balcão do Profano Graal: A cerveja no Brasil no alvorecer da República

Balcão do Profano Graal: A cerveja no Brasil no alvorecer da República

Salve nobres,

Dois meses atrás, por ocasião da comemoração dos 200 anos da Independência do Brasil, falei aqui sobre como era o mercado de cerveja no Rio de Janeiro no começo do século XIX, em 1822. Esse mês de comemoração da Proclamação da República é uma boa ocasião para olharmos para o mercado de cerveja no Brasil, no final do século XIX, em 1889.

Muita coisa mudou ao longo de 67 anos de Império. A indústria da cerveja se instalou e se desenvolveu no país. Ainda não é possível afirmar com certeza o quão disseminado já estava o consumo de cerveja. Mas, até o momento, foi possível identificar o funcionamento de aproximadamente 98 fábricas de cerveja entre 1831 e 1889 no Brasil. Que fabricavam uma grande gama de estilos de cerveja, principalmente de alta fermentação. E que chegaram mesmo a ganhar premiações nacionais e internacionais, como no caso da fábrica de cerveja Independência Brazileira, do Rio de Janeiro, premiada nas Exposições Nacionais da Indústria de 1866 e 1881 e nas Exposições Internacionais de Antuérpia (1885) e Paris (1878).

Entre 1888 e 1889, a abolição da escravidão e a Proclamação da República iam mudar a cara do país. E a criação de duas cervejarias iam mudar a cara do mercado de cerveja brasileiro.

No ano de 1888, o cervejeiro alemão Louis Bücher, natural da cidade de Wiesbaden, conhece o empresário brasileiro Joaquim de Salles. Chegado em São Paulo em 1868, Bücher era proprietário, desde 1870, da pequena Fábrica de Cerveja Gambrinus, localizada na rua 25 de Março, nº 2. E Salles era, desde 1886, um dos sócios da Companhia Antarctica Paulista, localizada no bairro da Água Branca, que se ocupava da fabricação de gelo, banha, preparação de presuntos e outros produtos de origem suína. Naquele momento, a Companhia de Salles atravessava uma crise devido à escassez no fornecimento de porcos e tinha  uma capacidade ociosa de produção de gelo. Bücher, por outro lado, tinha o projeto de produzir cervejas de baixa fermentação, para o que necessitava justamente de um maquinário de refrigeração. Os dois, então, firmaram uma parceria financeira. A indústria de Salles muda de nome para Antarctica Paulista – Fábrica de Gelo e Cervejaria. A produção de cerveja começou no ano seguinte e o primeiro anúncio da companhia apareceu no jornal A Província de São Paulo (atual Estadão) em março de 1889: “Cerveja Antarctica em garrafa e em barril – encontra-se à venda no depósito da fábrica à Rua Boa Vista, 50”.

No mesmo ano de 1888, na capital do Império, o engenheiro suíço chegado ao Brasil em 1879 Joseph Villiger cria uma pequena fábrica de cervejas de alta fermentação, localizada na rua de Bom Jardim (atual Marquês de Sapucaí), número 128, esquina com Travessa Dona Rosa. Se chamava Manufactura de Cerveja Brahma Villiger & Cia. A escolha do nome é desconhecida e controversa. Segundo uma versão, deve-se à simpatia do cervejeiro suíço pela cultura indiana. Outra versão fala da sua admiração pelo compositor Johannes Brahms. Mas é provável também que seja uma homenagem ao inventor da válvula de chope, o inglês Joseph Bramah (1748-1814). Mas Villiger não ficou à frente do negócio por muito tempo, vendendo a fábrica em 1894 para o cervejeiro alemão natural de Nuremberg, recém-chegado no Brasil, Georg Maschke. Maschke promoveu a conversão tecnológica da fábrica para a produção de cervejas de baixa fermentação em escala industrial, o que requereu elevados investimentos em equipamentos de refrigeração, tubulações, tanques e geradores de energia.

Como explica Teresa Cristina de Novaes Marques, o desenvolvimento das tecnologias de refrigeração e a produção de cervejas de baixa fermentação em escala industrial (grandes quantidades, que podiam ficar armazenadas por muito mais tempo do que as cervejas de alta fermentação) marcam a transição de uma produção artesanal para uma produção industrial de cerveja, viabilizando a produção de cervejas de baixa fermentação inclusive em países tropicais como o Brasil. E o pioneirismo de Brahma e Antarctica na produção desse tipo de cerveja, em um mercado dominado pelas cervejas de alta fermentação, foi o que permitiu o rápido e espantoso crescimento e consolidação daquelas duas cervejarias.

Segundo dados do IBGE, em 1907, a Brahma era já a maior cervejaria do Brasil. O seu valor declarado de produção ultrapassava o da Antárctica em 57,5% e o número de operários era 62% maior. Naquele ano, Brahma, Antarctica e a Fábrica de Cerveja Paraense (fundada em 1905 e também dedicada à produção de cervejas de baixa fermentação) já controlavam 50% do mercado de brasileiro de cervejas, 62,9% do capital, 68% da potência instalada e 47,3% da mão-de-obra empregada. O Inquérito Industrial de 1912 mostrou que apenas Brahma e Antarctica possuíam mais de 500 operários. Em 1903, as duas cervejarias fizeram a primeira tentativa de formação de um cartel nacional, com a combinação de critérios para expansão da capacidade de produção e estabelecimento de preço das cervejas, com o objetivo de conter a concorrência entre as cervejarias de baixa fermentação.

Essa rápida expansão fez com que Brahma e Antarctica logo pudessem eliminar as suas principais concorrentes no mercado. Em 1904, a Brahma se funde com a Cervejaria Teutônia, de propriedade da Preiss, Haussler e Cia., localizada no município de Mendes (RJ). E, em São Paulo, a Antarctica adquire, em 1905, a Fábrica de Cerveja Bavária, de Henrique Stupakoff e Cia. Era o início de uma longa série de aquisições, fusões e incorporações que irá durar até o final da década de 1960, e que irá dar às duas empresas o monopólio do mercado de cerveja brasileiro ao longo do século XX, retirando do mercado as cervejarias de alta fermentação, menores e menos capitalizadas, e promovendo uma uniformização do gosto do consumidor de cerveja, que ainda hoje marca a cultura cervejeira do brasileiro.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

COUTINHO, Carlos Alberto Tavares. Antarctica Paulista / Fábrica de Gelo e Cervejaria – Antarctica Paulista / Companhia Antarctica Paulista S.A. (até 19220). Cervisiafilia: a história das antigas cervejarias. Disponível em: A História das Antigas Cervejarias: Antarctica Paulista / Fábrica de Gelo e Cervejaria – Antarctica Paulista / Companhia Antarctica Paulista S.A. (até 1920) (cervisiafilia.blogspot.com)

COUTINHO, Carlos Alberto Tavares. Fábrica de Cerveja Paraense. Cervisiafilia: a história das antigas cervejarias. Disponível em: A História das Antigas Cervejarias: Fábrica de Cerveja Paraense (cervisiafilia.blogspot.com)

Companhia Antarctica Paulista. Wikipedia. Disponível em: Companhia Antarctica Paulista – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

KÖB, Edgar. Como a cerveja se tornou bebida brasileira: a história da indústria de cerveja no Brasil desde o início até 1930. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 161 (409), 2000, p. 29-58.

LIMBERGER, Silvia Cristina. Estudo geoeconômico do setor cervejeiros no Brasil: estruturas oligopólicas e empresas marginais. Tese de doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2016.

MARCUSSO, Eduardo Fernandes. Formação sócioterritorial da cerveja no Brasil. In: Da cerveja como cultural aos territórios da cerveja: uma análise multidimensional. Tese de doutorado. Programa de Pós-graduação em Geografia da UnB. 2021, p. 155-219.

MARQUES, Teresa Cristina de Novaes. A cerveja e a cidade do Rio de Janeiro: De 1888 ao início dos anos 1930. Jundiaí: Paco Editorial, 2014.

MARQUES, Teresa Cristina de Novaes; MELO, Hildete Pereira de; ARAÚJO, João Lizardo de. Raça e Nacionalidade no Mercado de Trabalho Carioca na Primeira República: o caso da Cervejaria Brahma. Revista Brasileira de Economia. Rio de Janeiro. Vol 57, nº 3, 2003, p. 535-568.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História.