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Venda de artesanais cai nos EUA em 2022 e market share fica em 13,2%

O setor de cerveja artesanal dos Estados Unidos sofreu um baque em 2022. De acordo com o relatório anual da Brewers Association, as vendas pelas do segmento apresentaram queda em volume no ano passado, resultado visto como um marco, afinal as microcervejarias e marcas independentes vêm em expansão desde os anos 1980 no país.

A associação informa que foram produzidos 29,0 milhões de hectolitros (ou 24,3 milhões de barris) de cerveja em 2022 pelas artesanais dos Estados Unidos, uma redução frente aos 29,6 milhões de hectolitros (ou 24,8 milhões de barris) do ano anterior.

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“2022 apresentou aos pequenos cervejeiros uma série de desafios, incluindo o aumento dos custos operacionais e de material e o aumento da concorrência, principalmente na distribuição”, diz Bart Watson, economista-chefe da Brewers Association. “Neste mercado cada vez mais maduro e competitivo, o crescimento coletivo da categoria é difícil de acontecer”, acrescenta.

Apesar do recuo nas vendas, o número de cervejarias continuou em crescimento nos Estados Unidos, ainda que com um ritmo de aberturas em declínio, assim como já havia acontecido em 2021. O saldo, divulgado pela associação, aponta 549 aberturas e 319 fechamentos, que também aumentaram no comparativo anual.

São, agora, 9.552 cervejarias artesanais e independentes em operação no país, um recorde, destaca a Brewers Associação. No total, os Estados Unidos têm 9.709 cervejarias em operação, contra as 9.384 de 2021.

O relatório também aponta que o mercado cervejeiro encolheu 3% no país. Assim, mesmo com o declínio nas vendas, as artesanais tiveram leve alta na participação, indo de 13,1% em 2021 para 13,2% em 2022.

Já a receita das artesanais chegou aos US$ 28,46 bilhões no ano passado, representando uma participação de mercado de 24,6%, um crescimento de 6% em relação a 2021. Essa expansão, porém, está mais relacionada com a alta dos preços do que com um sinal de força do segmento.

Em termos de empregos, houve um salto nas cervejarias artesanais e independentes no ano passado, chegando às 189.413 vagas, um incremento de 9% em relação a 2021. O resultado se deu tanto pela abertura de cervejarias como pela volta do público aos locais de consumo fora de casa.

As 50 maiores
O relatório da Brewers Association também traz o Top 50 das cervejarias do país. Entre elas, 40 são artesanais, sendo que a D.J. Yuengling & Son é a mais bem colocada, na sétima posição. A lista é liderada pela Anheuser-Busch, seguida por Molson Coors e Constellation. Heineken USA, Pabst e Diageo vêm logo depois. O Top 10 ainda conta com FIFCO USA, Boston Beer e, agora, Kirin-Lion/New Belgium, que desbancou a Boston Beer do décimo lugar. 

O levantamento também conta com a lista das 50 maiores cervejarias artesanais dos Estados Unidos. A Beel’s, adquirida pela Kirin em 2022, deixou a relação, o que motivou movimentações no Top 10, com a entrada da Tilray Brands e da Brooklyn Brewery. A Sweet Water também deixou o seleto grupo.

Receita da Heineken cresce 25% no país no 1º tri; veja perspectiva

O Brasil voltou a ser um dos destaques do resultado financeiro do Grupo Heineken. Ao divulgar o seu balanço do primeiro trimestre de 2023, a companhia reportou alta de 25% na receita obtida no país, em comparação ao mesmo período de 2022. E a empresa cita preços, premiumização do portfólio e alta do volume como razões para esse desempenho.

De acordo com o Grupo Heineken, o volume de cerveja vendida no Brasil cresceu entre 8% e 10% (um dígito alto) de janeiro a março. O melhor desempenho veio dos portfólios mainstream e premium, com alta de, aproximadamente, 15%, com seu desempenho sendo puxado por Heineken e Amstel. No sentido contrário, o volume de cerveja vendida do portfólio econômico da companhia recuou entre 8% e 10% no primeiro trimestre de 2023.

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Em relatório enviado à imprensa, Thiago Duarte, analista do BTG Pactual, relata que o Grupo Heineken se declarou, durante teleconferência com analistas, muito satisfeito com o desempenho alcançado no Brasil, não só citando a sua marca principal, como também a Amstel.

Duarte avalia que o Grupo Heineken deve ser mais cauteloso com relação ao reajuste dos preços no Brasil, preocupado em não perder espaço no mercado. “Eles também fizeram um comentário interessante sobre ‘não se antecipar’ em termos de precificação, citando que capturaram muitos preços nos últimos trimestres e que precisam ser cautelosos para não deixar a concorrência ganhar espaço”, diz.

Além disso, de acordo com o analista do BTG Pactual, a companhia acredita em aceleração mais lenta de volume. “A administração não acha que os volumes vão crescer tão rápido para sempre, e tudo bem se os volumes desacelerarem um pouco agora que o negócio no Brasil se tornou relevante e ganhou escala. Para nós, isso sugere a noção de que a indústria cresceu muito e a penetração da cerveja já é alta”, afirma. “Ambos os comentários sobre preço e volume reforçam nossa visão de que a concorrência só ficará mais acirrada para a Ambev”, conclui.

Recuo global
No cenário global, o Grupo Heineken teve alta de 9,2% na receita no primeiro trimestre de 2023, chegando aos US$ 7,632 bilhões. E isso foi possível graças à alta do mix dos preços, de 12,1%. Afinal, apesar da alta no Brasil, o Grupo Heineken apresentou queda de 3% no volume de cerveja vendida no mundo no primeiro trimestre, para 54,8 milhões de hectolitros.

“Começamos o ano com um forte crescimento de receita impulsionado por preços e gerenciamento de receita disciplinado, enquanto aumentamos significativamente o investimento em nossas marcas. O desempenho dos negócios nas regiões da Europa e das Américas é encorajador, com a demanda do consumidor se mantendo melhor do que o esperado no primeiro trimestre”, afirma Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken.

Entre as regiões, a América compensou, em parte, o resultado negativo de outras, com alta de 3,4%, para 20,3 milhões de hectolitros. Porém, houve queda em todas as outras regiões, com o maior declínio, de 10,5%, sendo na Ásia-Pacífico.

Esse recuo global no volume foi puxado pela cerveja premium, com queda de 5,7%, com o Grupo Heineken citando os impactos provocados pelo recuo nas vendas no Vietnã e pela paralisação da atividade na Rússia.

Ainda assim, o volume de Heineken cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2023, para 12,2 milhões de hectolitros, com a marca afirmando que o desempenho foi puxado por China e Brasil.  O volume da Heineken Zero, por sua vez, caiu no primeiro trimestre, em ritmo abaixo dos 5%, apesar da continuidade do crescimento das vendas em solo brasileiro.

Cervejarias ciganas e de pequeno porte sofrem para recuperar ritmo de vendas

Cervejarias ciganas e de pequeno porte sofrem para recuperar ritmo de vendas

A conhecida observação de que pequenos empreendedores enfrentam maior dificuldade para se recuperar em um cenário de crise se confirmou para o segmento de cervejas artesanais no ano passado. De acordo com “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, pesquisa realizada pelo Guia, os pequenos empreendimentos e aqueles que adotam o modelo de negócio cigano foram os que mais tiveram dificuldade em aumentar o volume de cerveja vendida no ano passado na comparação com 2021.

O estudo, que pode ser acessado no link, apontou que 62% das cervejarias participantes tiveram alta nas vendas de cerveja no ano passado, com 19% registrando queda e outros 19% reportando estabilidade. Mas o resultado é bem pior entre as cervejarias ciganas e as que possuem um volume produtivo inferior a 5 mil litros por mês.

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Entre as cervejarias ciganas, termo usado para marcas que terceirizam a produção, apenas 25% venderam mais cerveja em 2022 do que em 2021. E 43,8% das ciganas que participaram do levantamento foram no caminho contrário, com recuo na comercialização da bebida no ano passado.

O resultado também contrasta com o desempenho de outros modelos de negócio em 2022. As cervejarias com fábrica própria apresentaram crescimento de 72,3% nas vendas no ano passado, enquanto 69,2% das que operam com brewpubs tiveram expansão em 2022.

Esse resultado indica a recuperação dos brewpubs como espaço de consumo, após enfrentarem grandes desafios em função da pandemia do coronavírus, ainda que 23,1% das marcas que operem com esse tipo de modelo de negócio tenham relatado queda na venda de cerveja no ano passado.

Quanto menor, pior
O porte das cervejarias também apresentou impacto na recuperação do ritmo da comercialização das bebidas em 2022. Das que produzem menos de 5 mil litros mensais, só 46% superaram o nível de vendas de 2021, em um indicativo claro de dificuldade para escalar e escoar a produção.

Mas cervejarias maiores conseguiram recuperar mais facilmente o nível de vendas. O índice daquelas que comercializaram mais em 2022 do que em 2021 foi de 77,8% entre as que produzem de 5 mil a 10 mil litros por mês, ficando em 73,9% entre as que fabricam de 10 mil a 50 mil litros por mês e subindo para 88,9% entre as que fazem mais de 50 mil litros mensais.

Sul reage primeiro
A recuperação do ritmo de venda de cervejas também foi mais acelerada na região Sul, que carrega grande tradição cervejeira, com alta de 85,7% no ano passado na comparação com 2021. O índice ganha ainda mais relevância quando se observa que nenhuma outra região do Brasil foi além dos 60% na alta da comercialização da bebida no ano passado. E o Nordeste apresentou o maior recuo entre todas elas, de 28,6%.

“O Ano de 2022 para as Cervejarias” foi uma pesquisa, quantitativa, realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Em apoio a karajás, Cruls, Nacional e Cerrops criam cerveja com insumos locais

Um projeto para apoiar os karajás uniu marcas de cerveja e produtores de insumos na criação e lançamento de um rótulo fabricado com ingredientes nacionais. A cerveja é a Lenda Tainá-Kan, produzida a partir de uma colaboração entre a Cervejaria Nacional, a Cruls Cervejaria e a Cerrops Lúpulos do Cerrado, com apoio da Agrária, da Bio4 e do Instituto LeftBank.

A iniciativa tem a intenção de homenagear, valorizar e ajudar a manter viva a cultura dos povos indígenas, que tem o 19 de abril como sua data. E chamando a atenção para essa causa, as marcas envolvidas buscam incentivar as doações para uma campanha que irá ajudá-los através de doações para a Associação da Aldeia Karajá de Aruanã (AAKA), por meio de um site, que também traz informações sobre a cerveja.  

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Esse canal de doações foi viabilizado pelo Instituto LeftBank, com a comunidade indígena apoiada por estando baseada às margens do Rio Araguaia, em Aruanã (GO). O rótulo das latas possui um QR Code que direciona ao site do projeto.

“Temos o compromisso de resgatar, com urgência, a dignidade dos nossos povos indígenas. Nossa história, como nação, começa com eles. Cuidar e zelar dos direitos dos povos originários, além de primordial, é dever de todos os brasileiros. Estamos muito felizes em poder contribuir e disseminar essa ideia, estimulando mais e mais pessoas”, afirma a presidente do LeftBank, Rosângela Caino.

A equipe do projeto esteve na Aldeia Karajá de Aruanã em março para se reunir com as lideranças indígenas e obter a anuência para a execução do projeto de apoio à associação. Além disso, também foi validada a identidade visual desenvolvida pela ilustradora Raquel Gomide e os materiais produzidos para divulgação.

“Ajudar a contar uma lenda que se passa no Cerrado, onde estão as nossas raízes, é uma forma de reforçar ao mundo cervejeiro a necessidade de apoio à luta indígena por respeito, valorização e melhores condições de vida”, afirma João Marcelo Marins, sócio da Cerrops.

A Terra Indígena Karajá de Aruanã tem uma população estimada de 213 habitantes, de acordo com dados de 2010, estando localizada em uma área de 14 hectares. Faz parte, assim, da comunidade dos karajás, habitantes seculares das margens do rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso, que possuem longeva convivência com a sociedade.

O grupo, porém, mantém costumes, como a língua nativa, as bonecas de cerâmica, as pescarias familiares, os rituais como a Festa de Aruanã e da Casa Grande, os enfeites plumários, a cestaria e artesanato em madeira e as pinturas corporais, como os característicos dois círculos na face, de acordo com informações do Instituto Socioambiental.

A cerveja e seus ingredientes
A Lenda Tainá-Kan é uma Session IPA. Possui uma presença aromática forte, se destacando as características do lúpulo Comet do cerrado brasileiro. E todos os seus insumos são nacionais, incluindo mandioca, em referência à alimentação tradicional dos karajás. Os maltes e as leveduras foram doados por outros dois parceiros do projeto: Agrária Malte e Bio4.

De acordo com a descrição divulgada, essa cerveja apresenta aromas de frutas amarelas como pêssego e herbal. Na boca, possui baixo corpo e amargor médio. É leve, refrescante e aromática, com sugestão de harmonização com tapioca, queijo coalho ou filé de peixe branco e caprese. Ela possui 5% de graduação alcoólica e 25 IBUs de amargor.

“O mais valioso desse projeto está em mostrar a riqueza da história do Brasil e em como precisamos valorizar o que é local. Em um único projeto, conseguimos unir duas cervejarias que ainda não haviam trabalhado juntas, uma produção local de lúpulo, a maior produtora nacional de maltes e uma empresa brasileira de biotecnologia. Tudo isso para elaborar uma excelente cerveja e contar uma história riquíssima, muito pouco conhecida”, destaca Pedro Capozzi, sócio da Cruls.

Para esse lançamento, foram produzidos 500 litros de cerveja, que serão comercializados em chope e em latas de 473ml. Em Brasília, a Lenda Tainá-Kan será comercializada em chope e lata no Boteco Cruls, que realiza evento de lançamento nesta quarta-feira, além de bares parceiros e via delivery, assim como através do seu e-commerce, com entrega em todo o país. Em São Paulo, essa Session IPA poderá ser adquirida em chope e growler PET na Cervejaria Nacional, onde o lançamento está previsto para a próxima terça (25).

“Tradição e inovação se encontram no copo de Tainá-Kan. Ficamos muito contentes com esse projeto proposto pela Cerrops. Faz parte da história da Nacional valorizar a pluralidade da cultura brasileira e trazer isso para o meio cervejeiro. Nesse projeto, conseguimos ao mesmo tempo contar uma lenda da cultura Karajá e trazer aos consumidores a experiência inovadora de experimentar um lúpulo fresco e nacional”, diz Marcos Braga, mestre-cervejeiro da Nacional.


A lenda que dá nome à cerveja
O nome da cerveja é inspirado em uma lenda da cultura karajá, de um guerreiro que transmite ao povo o dom da agricultura. Imaeró, uma bela indígena, desejava a estrela Tainá-Kan, conhecida como estrela d’alva. Sua vontade se realizou, mas a estrela se materializou na forma de um velho homem, já enrugado. Imaeró, decepcionada por encontrar um ancião em vez de um jovem, o rejeitou.

No entanto, sua irmã, Denakê, se compadeceu de Tainá-Kan e decidiu que se casaria com ele. O velho homem prometeu cuidar de Denakê e alimentá-la, partindo para a mata. Denakê ouviu que deveria esperá-lo em casa, mas, com o passar das horas, decidiu ir ao seu encontro.

Denakê, então, se deparou com uma surpresa ao encontrá-lo preparando um roçado na mata: Tainá-Kan havia assumido a forma de um guerreiro karajá, jovem e forte. Ele explica que não apareceu desta forma para Imaeró porque ela não foi capaz de enxergar além do que seus olhos podiam ver. Tainá-Kan foi muito feliz ao lado de Denakê e deu um grande presente ao povo karajá: ensinou a eles o dom da agricultura.

Com foco no bar, Eisenbahn Unfiltered passa a ter versão em garrafa de 600ml

O Grupo Heineken decidiu “ampliar” a família da Eisenbahn Unfiltered. Um ano após lançar a cerveja nas versões em lata e long neck, a companhia apresentou, agora, a versão em garrafa de 600ml. A empresa espera, assim, ampliar as oportunidades de consumo, especialmente nos bares.

Ao apresentar a novidade, a Eisenbahn destacou que a versão de 600ml “poderá ser mais compartilhada em momentos especiais, como na mesa do bar ou em reuniões entre amigos, por exemplo”.

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“Lançar esse líquido inovador em um formato de embalagem tão popular nos bares, botecos e restaurantes do país nos ajuda na missão de Eisenbahn que é”, comenta Karina Pugliesi, gerente de marketing da Eisenbahn.

Além disso, a marca indicou que os valores a serem cobrados pela Eisenbahn Unfiltered deverão ser competitivos. “Agora, os consumidores podem adquirir e apreciar uma cerveja artesanal de qualidade por um preço mais acessível nos melhores bares e na rede de varejistas do país”, diz.

Lançada em abril de 2022, a Eisenbahn Unfiltered é uma Pilsen não filtrada, o que a levaria a reter os sabores e aromas característicos de uma cerveja artesanal, de acordo com a marca. E isso remete à origem da Eisenbahn, nascida em 2002, em Blumenau (SC), o que foi um importante marco da história das artesanais no país.

A Eisenbahn Unfiltered tem 11 IBUs de amargor e 4,8% de graduação alcoólica. Em seu primeiro ano de trajetória, foi medalhista de ouro na categoria nacional do World Beer Awards de 2022, no estilo Amber/Dark Kellerbier and Rotbier/Red Lager.

“Estamos muito felizes com o lançamento da nossa cerveja não filtrada, a Eisenbahn Unfiltered, no formato 600 ml retornável. O líquido de Unfiltered foi premiado internacionalmente como um dos melhores do Brasil e hoje é o único do mercado brasileiro a trazer esse gostinho artesanal para uma Pilsen”, acrescenta Pugliesi.

Bud Light faz ação com influenciadora trans e sofre ataques; entenda o caso

A Bud Light se tornou alvo de ataques de conservadores nos Estados Unidos após uma ação de marketing com Dylan Mulvaney, uma atriz, comediante e influenciadora digital trans. Ela divulgava um concurso da marca da AB InBev alusiva ao March Madness, que congrega os playoffs do basquete universitário do país, além de mostrar um presente recebido.

Dylan postou a ação no seu perfil no Instagram, rede social em que possui 1,8 milhão de seguidores. No vídeo, com menos de um minuto de duração, a influenciadora trans conta que a Bud Light lhe enviou uma lata com o seu rosto como o marco dos 365 dias de sua série “Days of Girlhood” e a exibe. “A Bud Light me enviou possivelmente o melhor presente de todos os tempos, uma lata com o meu rosto”, diz, em um trecho da publicação.

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A série documenta a transição de gênero de Dylan, sendo postada por ela em outra rede social, o Tik Tok, onde possui quase 11 milhões de seguidores. A iniciativa a tornou muito conhecida nos Estados Unidos, a ponto de ter sido recebida pelo presidente Joe Biden no ano passado.

A divulgação da ação por Dylan foi seguida por pedidos de boicote contra a Bud Light, repetindo o que já aconteceu com outras marcas com realizam iniciativas com personalidades trans. A campanha de ataques envolveu personalidades, como os artistas Travis Tritt, que prometeu tirar a marca da sua turnê musical, e Kid Rock, que publicou um vídeo no Instagram em que dispara com uma arma de fogo em packs de latinhas da Bud Light, assim com de políticos, como o republicano Dan Crenshaw.

O congressista, porém, foi ironizado, pois ao postar um vídeo em que mostrava sua geladeira sem qualquer Bud Light, deixou à vista uma cerveja da Karbach Brewing Company, marca artesanal que faz parte do portfólio da AB InBev, que possui mais de 100 rótulos, em um claro indicativo de como é difícil boicotá-la.

A ação da Bud Light e a reação a ela se dão, também, quando alguns estados do país têm legisladores propondo leis que restringem direitos de transgêneros na sociedade. Além disso, alguns analistas apontaram que o boicote proposto foi uma das razões para a queda da ação da AB InBev, que havia fechado o mês de março valendo US$ 56,47 e chegou a cair para US$ 52,65 na última quinta-feira (13).

A repercussão do caso levou a Anheuser-Busch a divulgar um comunicado, enviado à imprensa norte-americana, em que afirma buscar se comunicar com diversos públicos, muitas vezes o fazendo através da associação com influenciadores digitais.

“De tempos em tempos, produzimos latas comemorativas exclusivas para fãs e influenciadores de marcas, como Dylan Mulvaney. Esta lata comemorativa foi um presente para comemorar um marco pessoal e não está à venda para o público em geral”, diz um trecho do documento.

Posteriormente, o CEO da Anheuser-Busch e presidente da AB InBev para a América do Norte, Brendan Whitworth, divulgou um comunicado no site oficial da companhia, intitulado “Nossa responsabilidade com a América”. O texto foi interpretado como um pedido de desculpas – ou, ao menos, uma tentativa de se afastar do assunto.

“Temos milhares de parceiros, milhões de fãs e uma história orgulhosa de apoio às nossas comunidades, militares, socorristas, fãs de esportes e americanos trabalhadores em todos os lugares. Nunca pretendemos fazer parte de uma discussão que divide as pessoas. Nosso negócio é reunir as pessoas para tomar uma cerveja. Meu tempo servindo neste país me ensinou a importância da responsabilidade e os valores sobre os quais a América foi fundada: liberdade, trabalho duro e respeito mútuo”, diz.

Em seu texto, o CEO da Anheuser-Busch não cita a ação com Dylan e fala em ouvir e aprender. “Preocupo-me profundamente com este país, esta empresa, nossas marcas e nossos parceiros. Passo muito do meu tempo viajando pela América, ouvindo e aprendendo com nossos clientes, distribuidores e outros”, acrescenta.

Antes da ação com Dylan levantar críticas, a Bud Light havia indicado o desejo de se tornar mais inclusiva, para evitar a perda de participação no mercado.

“Se não atrairmos jovens consumidores para beber esta marca, não haverá futuro para a Bud Light”, disse, em março, Alissa Heinerscheid, vice-presidente de marketing da Bud Light, ao podcast Yourself at Home. Agora, ela também se tornou alvo de ataques, com pedidos para que seja demitida.

Já Dylan não teceu comentários sobre os ataques contra ela e a Bud Light, mas recentemente participou de um podcast, o Onward With Rosie O’Donnell. Por lá, avaliou ser atacada por ser o que definiu como “alvo fácil” por ter iniciado recentemente o processo de transição. “Acho que ir atrás de uma mulher trans que faz isso há 20 anos é mais difícil”, afirma.

Abralatas celebra 20 anos com alta da produção e da reciclagem; veja números

A Associação Brasileira de Latas de Alumínio (Abralatas) celebrou o seu aniversário de 20 anos com motivos para se orgulhar da sua trajetória. Afinal, nessas duas décadas, a entidade acompanhou o aumento da produção desse tipo de embalagens, do seu consumo e, principalmente, da reciclagem.

No período, a Abralatas observou o crescimento das unidades que produzem latas de alumínio no país. Esse número mais do que dobrou desde 2003, saltando de 11 para as atuais 24 fábricas. É um crescimento que atende a uma demanda por esse tipo de embalagem, com a associação apontando que 400 bilhões de unidades foram vendidas de 2003 a 2022. Isso tornou o Brasil o terceiro maior mercado do mundo para latas de alumínio, com um consumo per capita de 156 latas por ano.

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“Há 20 anos assumimos o compromisso com um modelo de produção e consumo mais sustentável, prezando pela preservação do meio ambiente. Nossas parceiras nessa jornada e nossas associadas também acreditam nesta missão e juntos trabalhamos para assegurar prosperidade ao Brasil, sempre em sintonia com as prioridades globais e focados na principal meta estabelecida pela ONU: aliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental”, diz o presidente-executivo da Abralatas, Cátilo Cândido.

A reciclagem de latas de alumínio também cresceu nesses 20 anos de atuação da Abralatas. Se em 2003 o país destinava 87% dessas embalagens para reaproveitamento, esse número agora é de quase 100%.

Segundo os dados mais recentes, em 2021, 98,7% das latas de alumínio foram recicladas, o que representa mais de 30 bilhões de unidades. Esse desempenho coloca o Brasil como referência mundial em reciclagem, à frente de países desenvolvidos, como o Japão (94% de latas recicladas em 2020) e os Estados Unidos (59,7% em 2020).

“Estamos celebrando 20 anos de conquistas e avanços importantes. Hoje, consolidados como referência mundial em relação à reciclagem, temos um país com indicadores relevantes que nos posicionam como potência da economia verde, graças a um setor que aposta em práticas socioambientais sérias para garantir a preservação dos nossos recursos naturais. O meio ambiente agradece”, diz Cândido.

E a reciclagem movimentou cerca de R$ 6 bilhões na economia no ano passado, de acordo com as estimativas da associação. Assim, o presidente-executivo da Abralatas ressalta que a trajetória nesses 20 anos foi pautada pelo avanço da atividade aliada com uma atuação também focada na sustentabilidade.

“A lata de alumínio é o exemplo perfeito de economia circular, podendo ser reciclada infinitas vezes. Além disso, é a embalagem para bebidas com a menor emissão de carbono. Ao tornar a reciclagem de resíduos uma atividade economicamente viável, a lata de alumínio favorece o reaproveitamento de materiais, economia de energia, diminuição de custos com limpeza urbana, diminuição da poluição do ar e do solo, dentre outros”, explica o presidente executivo da Abralatas.

Balcão do Tributarista: Oportunidades para a renegociação de débitos

Balcão do Tributarista: Renegociação de débitos tributários – Oportunidades para a regularidade fiscal

O governo federal instituiu, por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 12/01/2023, o Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal (PRLF), pelo qual estabeleceu condições para renegociação de débitos tributários junto à União. Conforme as regras do PRLF, podem ser renegociados débitos tributários que estejam em discussão administrativa e os débitos de pequeno valor em contencioso administrativo ou, ainda, aqueles inscritos em dívida ativa da União.

A negociação é possível para pessoas físicas, microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) e abrange débitos inscritos em dívida ativa há mais de um ano, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a 60 salários-mínimos.

Dentro das possibilidades de renegociação, o PRLF permite o parcelamento dos débitos, a concessão de descontos, a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa e, também, a utilização de créditos líquidos e certos próprios do contribuinte ou por ele adquiridos de terceiros.

Outra possibilidade de renegociação de débitos tributários instituída este ano é a decorrente do Edital PGDAU nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Segundo as regras deste edital, serão concedidos descontos e prazos de pagamento conforme a classificação dos débitos quanto a sua possibilidade de recuperação e, também, levando em conta a capacidade de pagamento do contribuinte. Esta é apurada a partir de informações cadastrais, patrimoniais e econômico-fiscais entregues pelo próprio contribuinte ao Fisco ou aos demais órgãos da Administração Pública.

Atendidas as regras do edital em questão, o contribuinte poderá obter condições especiais de pagamento. Dentre elas, destacam-se a entrada facilitada, referente a 6% do valor total da dívida a ser paga em até 12 meses; e o prazo alongado para parcelamento, em até 133 prestações mensais. Ainda, é possível conseguir uma redução de até 100% sobre o valor dos juros, multas e encargo legal, obedecendo ao desconto total máximo de 70% do valor da inscrição.

Por fim, um ponto bastante benéfico destas possibilidades de renegociação é a possibilidade de utilização de precatórios para quitar ou amortizar os débitos tributários. O contribuinte pode, conforme o caso, utilizar precatórios próprios ou adquiridos de terceiros para pagamento total ou parcial do valor devido ao Fisco.

Tratam-se, portanto, de importantes ferramentas à disposição dos contribuintes neste início de ano para buscar a regularidade fiscal. O importante, como sempre ressaltamos, é que os contribuintes fiquem atentos às regras aplicáveis ao seu caso em concreto e, assim, encontrem a alternativa que melhor lhes atenda, aproveitando o máximo dos benefícios concedidos com segurança jurídica.


Clairton Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, mestre em Direito pela UFRGS, especialista em Direito Tributário pelo IBET. Também é cervejeiro caseiro.

Recuperação judicial da Petrópolis é confirmada; o que acontece agora?

O Grupo Petrópolis está formalmente em recuperação judicial. Após a concessão de uma tutela cautelar de urgência no fim de março, a Justiça do Rio de Janeiro, através da 5ª Vara Empresarial, aceitou a solicitação realizada pela empresa, a terceira maior produtora de cervejas do Brasil.

Segundo o pedido encaminhado à Justiça pelos escritórios Galdino, Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados e Salomão, Kaiuca, Abrahão, Raposo e Cotta Advogados, o Grupo Petrópolis possui dívidas de R$ 4,2 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões com fornecedores e outros R$ 2 bilhões derivados de operações financeiras e de mercados de capitais.

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No momento em que foi concedida a medida cautelar, também havia sido determinada a liberação de recursos da companhia que estão em instituições como Banco Santander, Fundo Siena, Daycoval, BMG e Sofisa. A companhia, porém, precisou de uma outra ação para liberar R$ 70 milhões junto ao Santander para pagamento de salários.

De acordo com a decisão da juíza substituta Elisabete Franco Longobardi, a administração judicial do caso envolvendo o Grupo Petrópolis caberá à Preserva-Ação Administração Judicial e ao escritório de advocacia Zveiter.

Agora, com o pedido de recuperação judicial aceito, o Grupo Petrópolis precisa preparar um plano de reestruturação que elencará as medidas que pretende adotar e serão apresentadas aos seus credores.

Para justificar o crescimento da sua dívida, o Grupo Petrópolis relatou queda na venda de bebidas, que caiu de 31,2 milhões de hectolitros no fim de 2020 para 24,1 milhões de hectolitros no fim de 2022. Isso foi provocado pela perda de participação no mercado de cerveja: de 15,3% em 2020 para 10,6% em agosto de 2022.

Assim, a companhia ficou com capacidade produtiva ociosa em suas fábricas, além de ter sofrido com a alta de insumos e da inflação, com esses custos não sendo repassados em sua totalidade aos preços. Além disso, citou, no pedido de recuperação judicial, ter sofrido forte impacto da alta da Selic, a taxa básica de juros, que provocaria um impacto anual de R$ 395 milhões no fluxo de caixa da companhia.

Controlado por Walter Faria, o 13º brasileiro na lista de bilionários da Forbes, com R$ 3,3 bilhões, o Grupo Petrópolis, é o terceiro maior grupo cervejeiro do Brasil. Atualmente, produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Próximos passos da recuperação judicial

Diante da formalização da recuperação judicial do Grupo Petrópolis, o Guia preparou uma lista de perguntas e respostas para explicar quais são os próximos passos desse processo.

O que é recuperação judicial?
“A recuperação judicial é um dos procedimentos previstos em lei para recuperação de empresas em dificuldade financeira. A ideia é que a empresa siga com a sua atividade gerando renda e emprego, pagando imposto”, explica Felipe Granito, sócio do escritório GBA Advogados. Com esse procedimento, espera-se que se viabilize o redimensionamento das finanças da empresa, mantendo seus compromissos e os cumprindo com empregados e parceiros.

Qual é o papel do administrador judicial, indicado pelo juiz do caso de recuperação judicial?
“Ele vai participar das decisões de gestão e desenvolvimento, se comunicando com os credores, sendo uma porta de entrada para eles na empresa. E, principalmente, vai fiscalizar a empresa para verificar se não está ocorrendo alguma fraude, sonegação e evasão de valores.  Ele garante que o plano de recuperação seja executado e cumprido”, explica o sócio do GBA Advogados.

Na prática, como a recuperação judicial afeta a atividade da empresa?
A partir da decisão do juiz acolhendo o pedido de recuperação judicial, são suspensas todas as execuções e cobranças contra a empresa de suas dívidas, com um prazo inicial de seis meses, que pode ser prorrogado até que o plano de recuperação judicial seja apresentado e homologado.

Esse é um plano de pagamento de credores, de acordo com a capacidade financeira da empresa. É preciso apresentar um plano de viabilidade financeira e jurídica de pagamento dos credores. Apresentado, os credores vão avaliar se concordam com o plano

Felipe Granito, sócio do escritório GBA Advogados

Como se dá esse processo de avaliação, concordância ou rejeição ao plano de recuperação judicial?
São realizadas assembleias para aprovação ou não do plano de recuperação pelos credores, que são divididos em classes, de acordo com o tipo das dívidas, como trabalhistas, quirografárias (créditos bancários, fornecedores, prestadores de serviços, entre outros) e garantia real.

O que acontece em caso de rejeição do plano de recuperação judicial?
O plano de recuperação judicial precisa ser aprovado em todas as classes ou se dá a “convolação em falência”, ou seja, será declarada a falência da empresa. Isso só não acontecerá se o juiz impuser o plano recuperação sobre a objeção de algumas classes de credores (cram down).

Quais obrigações são impostas a uma empresa em recuperação judicial?
“A empresa precisa apresentar relatórios mensais da sua operação. Tudo o que faz, o que vende, o seu capital de giro… Isso é apresentado ao administrador judicial e, consequentemente, ao juiz”, comenta Granito.

Caso o Grupo Petrópolis seja adquirido, isso pode causar algum impacto no processo de recuperação judicial?
“Isso é possível e bem comum. O comprador incorporará todo o passivo. Consequentemente poderá quitar a dívida integralmente ou assumir a responsabilidade de pagar nas condições do plano de recuperação”, explica o sócio do GBA Advogados.

Artesanais ampliam uso de ingredientes locais e valorização da cultura

A cerveja brasileira está ficando mais nacional. Seja pelo desejo de diferenciação através da utilização de ingredientes locais, pela proximidade do que se cultiva aqui ou pelo aumento da oferta de insumos produzidos no país, o fato é que as marcas artesanais têm recorrido com maior frequência a produtos nativos, deixando seus rótulos mais “brasileiros”.

É uma transformação na indústria, com a valorização de insumos e ingredientes nacionais, com marcas artesanais utilizando produtos como madeiras brasileiras, frutas locais ou mesmo insumos, através da incipiente e crescente cultura do lúpulo, para se diferenciar em um mercado que reúne mais de 1.500 fabricantes.

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“Como tendência, penso no crescente movimento de estudo, conhecimento e introdução de matérias-primas originais dos biomas brasileiros. Das frutas exóticas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica às cepas de leveduras. Das madeiras de envelhecimento às resistentes flores de lúpulo”, afirma Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil.

Essa aposta em matérias-primas locais também se relaciona com um maior foco das marcas artesanais brasileiras em se aproximarem da gastronomia, como observa a sommelière de cervejas Bia Amorim. “Virou tendência olhar para a cerveja dentro do escopo da gastronomia, do terroir e buscar alternativas. Virou tendência usar lúpulo brasileiro, micro-organismo nacional, insumos plantados ou insumos nativos, mas ainda em pequena escala”, diz.

Na prática, a sommelière de cervejas Paula Pampillón, que recentemente esteve presente ao Concurso Brasileiro de Cervejas, uma das principais competições do setor, como jurada, destaca a percepção de como as artesanais têm apostado em ingredientes locais – e com sucesso – em seus processos produtivos, explorando sementes, madeiras e frutas nas produções. E tendo a excelência de suas cervejas reconhecida não só pelo consumidor, mas também nas avaliações realizadas pelas premiações.

“O que mais me chamou a atenção foi a utilização de insumos nacionais, enaltecendo nossa cultura cervejeira com utilização de madeiras brasileiras, frutas regionais e afins. Foi fantástico ver a nossa diversidade tão bem representada. É impressionante como há um domínio maior do processo para que essas características sejam evidenciadas e, consequentemente, avaliadas”, diz.

Lúpulo cresce
O estímulo ao uso de ingredientes nacionais na produção de cervejas também tem ganhado força por causa de um dos insumos mais importantes na fabricação da bebida, o lúpulo. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolupulo), há a expectativa de que 42 toneladas sejam produzidas em 2023.

“A tendência, como já se anunciava em 2021, são as cervejas 100% brasileiras, feitas com insumos nacionais, alavancadas pelo incremento da produção de lúpulo em diferentes estados brasileiros”, afirma a jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy.

Esse crescimento do cultivo do lúpulo é resultado de um processo iniciado em 2015 e que hoje envolve, de acordo com a Aprolupulo, 81 projetos de cultivos no país, espalhados por 11 diferentes estados.

Penso que podemos esperar, por exemplo, avanços nos cultivares de lúpulos brasileiros. Esse movimento começou fortemente a partir de 2015 e o ciclo para resultados de viabilidade se acerca (normalmente tem duração aproximada de 7 anos)

Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil

Estilo também avança
Especialistas também destacam a evolução da Catharina Sour, estilo de cerveja surgido no país em 2016 e que entrou definitivamente para o BJCP, o maior guia de estilos do mundo, no começo de 2022. O tempo, na avaliação de Guilherme Rossi, atual vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommeliers de Cerveja, foi fundamental para a evolução das etapas do processo de produção desse estilo.

Além disso, cada vez mais marcas brasileiras vêm se arriscando na produção da Catharina Sour. Na última edição do Concurso Brasileiro de Cervejas, esse foi o quinto estilo com mais rótulos inscritos, ficando atrás apenas das IPAs, Session IPAs, APAs e Lagers.

“As Catharina Sours continuam chamando muita atenção. Deu para perceber que tinha uma grande quantidade inscrita. Foi tendência anos atrás e continua em voga, tendo um trabalho focado. O processo de se trabalhar com frutas é um grande aprendizado. O cervejeiro vai aprimorando as técnicas, os usos dos adjuntos. Vi alto nível técnico delas, em um processo de lapidação desde que o estilo nasceu”, afirma Rossi.