O ano passado foi de recorde e recuperação para a cevada brasileira. Após enfrentar desafios em 2020, o país terminou 2021 com um balanço positivo da safra, que atingiu 434,6 mil toneladas, um número inédito e superior às 429,1 mil toneladas de 2019, o que representa um incremento de 1,6%. E, na avaliação de especialistas, com aumento da qualidade dos grãos.
O crescimento da safra da cevada foi ainda maior em relação a 2020, tendo registrado expansão de 16%. Uma ampliação da produção que tem relação direta com o aumento da área plantada no Paraná e o melhor rendimento médio nos cultivos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Concentrada nos três estados da região Sul do Brasil, a plantação de cevada da safra, afinal, só apresentou expansão da área no Paraná, de 16,5%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em comparação a 2020. Algo que se explica, de acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Aloisio Alcantara Vilarinho, pela alta dos preços de outros produtos, o que também incentivou o seu cultivo.
“O aumento da área no Paraná se deu, sobretudo, em áreas que antes eram cultivadas com aveia e foi estimulado, em parte, pelos elevados preços do milho e do trigo, que beneficiaram também o preço da cevada”, afirma, ao Guia.
Esse crescimento da produção no Paraná ajudou a compensar a queda no rendimento médio das lavouras no estado, que apresentaram redução de 2,5%, algo provocado pelas geadas na região, assim como pela escassez de água, ficando em 4.154 kg/ha.
Mesmo assim, a maior parte do cultivo se concentrou no Paraná, com um total de 307,8 mil toneladas. Isso corresponde a 70,8% da safra total, além de um aumento de 13,6% em relação a 2020. Foi, também, um recorde de produção no estado.
Já em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul apresentaram queda na área de cultivo da cevada, sendo de 50% em Santa Catarina e 2% no Rio Grande do Sul. No caso dos dois estados, porém, as melhores condições climáticas em comparação ao Paraná contribuíram para aumentar a produtividade, em um rendimento que ficou 26% e 57%, respectivamente, superior ao ano anterior, de acordo com a Conab.
O rendimento médio, assim, ficou em 4.450 kg/ha em Santa Catarina e em 3.278 kg/ha no Rio Grande do Sul. “Esse incremento de produtividade propiciou aumento de produção no Rio Grande do Sul, em comparação à safra de 2020”, destacou Aloisio.
A produção do Rio Grande do Sul foi de 125,5 mil toneladas, com a catarinense ficando em 1,3 mil toneladas no ano passado. Números que estão bem distantes do auge da safra do cereal cervejeiro nesses estados, como lembra Aloisio. “Santa Catarina já chegou a produzir 41,9 mil toneladas de cevada em 1984 e o Rio Grande do Sul bateu seu recorde de produção em 1999, com 247,4 mil toneladas produzidas”, diz.
Área plantada e qualidade Além do aumento da produção, a safra de 2021 da cevada apresentou incremento na área cultivada, chegando aos 112,7 mil hectares, uma expansão de 6%. A área plantada foi de 74,1 mil hectares (65,7%) no Paraná, 38,3 mil ha no Rio Grande do Sul (34%) e outros 300ha em Santa Catarina (0,3%).
Aloisio também destaca que a maior parte da cevada colhida em solo gaúcho atingiu nível suficiente para uso na cerveja, ainda que aponte alguns problemas encontrados em colheitas realizadas em novembro.
“Com relação à qualidade do grão, no Rio Grande do Sul, em torno de 81% dos grãos de cevada colhidos apresentaram qualidade para uso na malteação, sendo os 19% restantes destinados à alimentação animal. As primeiras lavouras colhidas, ainda no mês de novembro, foram as que tiveram maiores problemas com o excesso de umidade no final do ciclo da cultura, comprometendo a qualidade dos grãos”, afirma o pesquisador da Embrapa Trigo.
A pizza é um dos pratos que mais agrada pessoas do mundo inteiro. Não existe nada melhor do que chegar em casa após uma noite de trabalho e pedir uma pizza, ou sair com a família e os amigos para comer pizza na rua. O fato é que ela é um dos melhores pratos servidos no mundo.
Nada melhor do que comer uma redonda bem preparada, ainda mais aquela que tem o seu sabor favorito. Sempre acompanhada com uma boa cerveja. O Brasil é um dos países com a maior variedade de sabores de pizza do mundo inteiro. Não é à toa que a produzida aqui é considerada uma das melhores do mundo.
Se quer conhecer mais sobre o mundo das pizzas, por que não fazer um curso sobre elas? Um curso de pizza pode ser considerado até mesmo uma arte, afinal de contas, ela é um dos alimentos mais antigos do mundo inteiro, mas poucos conhecem a sua história no Brasil e no mundo.
Conheça melhor a história da pizza Muitos acreditam piamente que a pizza foi criada na Itália, porém, por mais que ela seja uma base da cozinha italiana, ela não foi criada por lá. Sua origem é bem mais antiga, e é claro que, assim como outros alimentos, ela teve milhares de receitas diferentes, mas mantendo sempre o seu formato tradicional em sua massa.
A pizza é basicamente uma massa redonda banhada com massa de tomate e com recheios diferentes ao redor do mundo. Ninguém sabe ao certo quando foi feita a primeira, mas relatos históricos demonstram que ela foi criada a pelo menos cinco mil anos atrás. Ou seja, mesmo que ela seja parte da culinária italiana nessa época, a própria Itália não tinha esse nome.
Provavelmente os criadores da primeira redonda foram os egípcios que comiam uma mescla de farinha e água assada, chamada de pão de Abraão. Tendo a base da massa, adicionar um formato redondo e o tradicional molho de tomate foi questão de tempo para que criassem a pizza da maneira que conhecemos hoje em dia.
Os sabores de pizza mais procurados pelos brasileiros Como você pode notar a história da pizza é bem antiga. Antes mesmo de ser criada uma produção em massa dos ingredientes necessários para criar uma redonda, já existia uma boa base para sua criação.
Para produzir uma boa pizza é sempre importante ter um curso, pois, por mais que você conheça os ingredientes, a maneira de preparar pode mudar completamente sua experiência ao comer, afinal de contas, fazer pizza é uma arte da culinária!
Hoje em dia, até mesmo os cursos de nutrição online ensinam você a fazer uma pizza. Portanto é inegável que ela, além de ser parte da história dos seres humanos, também se tornou um hábito alimentar. Como dito anteriormente, é muito prazeroso comer uma boa redonda após um dia cheio de trabalho.
Diferente de 5 mil anos atrás, hoje em dia existem diversos sabores diferentes disponíveis no mercado. E cinco deles são os mais queridos pelos brasileiros. Acompanhe abaixo o ranking dos melhores sabores de pizza produzido no Brasil:
5º lugar O quinto lugar dessa lista está ocupado pela clássica pizza de mussarela. Essa é uma das mais simples de produzir. Geralmente, nela vão os ingredientes clássicos, porém com uma grande diferença em relação às de outros países.
Uma pizza de mussarela, como o próprio nome indica, tem como ingrediente principal o queijo. Ela sempre possui uma massa fermentada que pode ser feita de diversos ingredientes diferentes, geralmente com farinha, água, óleo e fermento.
Ela ocupa o quinto lugar dessa lista por ser uma das mais pedidas ao redor do país. O fato de ela ser uma pizza mais simples agrada todos os gostos, pois não leva carne.
É importante saber que do quarto lugar para frente nessa lista, se quiser fazer em casa é importante que você tenha um curso, pois elas utilizam ingredientes que devem ser utilizados na medida certa para não errar a mão e torná-la enjoativa.
4º lugar Em quarto lugar está a pizza de frango com catupiry. Assim como a pizza de mussarela. Essa também precisa da mesma massa, porém é nela em que encontramos, em grande parte dos comércios, as famosas bordas recheadas.
Ela tem como predominância o frango e o catupiry em sua parte de cima, e geralmente é acompanhada de um molho de tomate bem produzido e um frango muito bem temperado.
3º lugar O terceiro lugar da lista está com um dos sabores mais conhecidos pelos brasileiros. Estou falando da pizza de marguerita. Ela é uma pizza que também pode ser feita com uma massa de ingredientes diferentes. E o que mais se destaca nela é seu recheio especial.
O recheio dessa pizza é uma mistura de mussarela com manjericão, o que torna o sabor muito agradável nas mãos de quem fez um bom curso de pizzas. Além disso, quem é formado em um curso de nutrição costuma indicar essa pizza para pessoas que possuem alguns problemas na alimentação.
2º lugar O segundo lugar da lista é ocupado por uma das pizzas mais difíceis de fazer. Tanto que se você não for formado em um curso de pizza, fazê-la em casa é impossível! Estou falando da portuguesa.
Apesar de a portuguesa carregar esse nome, ela foi criada no Brasil. Ela mistura muitos ingredientes e possui um sabor espetacular, sentido a cada mordida.
1º lugar A pizza mais procurada no Brasil também é uma das mais buscadas no mundo, a de calabresa. Assim como a de mussarela, essa também é uma pizza simples, mas que agrada a todos. Ela reúne rodelas de calabresa frita com uma massa maravilhosa!
A pizza sempre será parte da dieta de todos os brasileiros, pois não existe nada melhor do que chegar em casa do trabalho e comer aquela redonda quente que acabou de sair do forno.
O Grupo Heineken e a Klabin se uniram a um projeto para tornar Telêmaco Borba, no interior do Paraná, 100% circular. A iniciativa de caráter ambiental na cidade de cerca de 80 mil habitantes buscará dar a destinação correta a todos os resíduos sólidos recicláveis do município, que deverão ser transformados, reaproveitados ou reciclados, evitando o envio para aterros sanitários.
Para isso, o Grupo Heineken e a Klabin passaram a fazer parte do projeto Território 100% Circular em Embalagens (TC100), estruturado em 2020 pela Hub Incríveis, uma rede de inovação criativa que surgiu com o objetivo de reinventar o uso de embalagens. Além disso, a iniciativa passou a ter o apoio do ViraSer, um programa de logística reversa que atua para acelerar, qualificar e profissionalizar os sistemas de coleta seletiva nos municípios.
“O objetivo desse projeto é unir fortalezas, conhecimentos, experiências e recursos para darmos mais um importante passo rumo às mudanças necessárias em relação ao uso de embalagens pós consumo no Brasil. Nós acreditamos no potencial de colaboração entre as esferas público e privada para endereçar essas questões, pois entendemos que, somente juntos, será possível garantir os impactos positivos que almejamos de ponta a ponta na cadeia de embalagens”, afirma Ornella Vilardo, gerente sênior de sustentabilidade do Grupo Heineken, justificando a participação da companhia no projeto.
Em 2021, a primeira fase do TC100, que contou com o patrocínio da Klabin, buscou realizar um diagnóstico da quantidade de materiais de embalagens reciclados e comercializados pela cooperativa de Telêmaco Borba, além de medir o total de materiais direcionados para o aterro. E o trabalho apontou que apenas 11,7% das embalagens são recuperadas via coleta seletiva ao ano na cidade paranaense.
O projeto também destacou a necessidade de melhorias na estrutura das cooperativas, o aperfeiçoamento das políticas públicas, a formação e desenvolvimento de lideranças, a realização de iniciativas de educação ambiental e a criação de uma rede de comercialização de reciclados.
A segunda etapa do projeto envolve a criação conjunta de soluções. Depois, então, será o momento de colocar as soluções criadas em prática na cidade e acompanhar os resultados, identificando pontos de melhoria, acertos e o potencial de cada iniciativa. Além disso, também há o plano de levar o trabalho para outras localidades.
Com a presença da Klabin, empresa produtora de papéis, e a entrada do Grupo Heineken, com a sua expertise na cadeia do vidro, o foco agora é encontrar parcerias que tenham na sua estratégia a circularidade de embalagens, focando em companhias produtoras de plástico e metal, para garantir o conhecimento em todas as cadeias.
Por que Telêmaco Borba? Escolhida para ser a primeira cidade a realizar o projeto TC100, Telêmaco Borba faz parte da trajetória da Klabin, a ponto de a empresa ter se instalado na localidade em 1934, antes mesmo de ela ter se tornado um município. Hoje, mais de 90% do seu território é de propriedade da empresa de celulose.
Um dos motivos que a levou a ser escolhida para a iniciativa ambiental foi possuir um aterro sanitário no fim de sua vida útil. “A cidade foi selecionada pelo comitê de inovação do Hub Incríveis para servir como um case que inspire e viabilize a construção de métodos e práticas circulares para outros territórios”, afirma Marcos Iorio, responsável técnico do Projeto TC100.
Desde a eclosão dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil, ainda em março de 2020, a pandemia provocou crises econômica e sanitária, mas também motivou mudanças comportamentais na sociedade. O consumidor, por exemplo, se viu obrigado a levar para dentro de sua casa muitos dos hábitos adotados fora do domicílio. Neste cenário, as empresas do setor cervejeiro também precisaram se adaptar. E passaram a dar maior protagonismo para o envase da sua produção em growlers, em geral em PETs. Além disso, também houve mais espaço no mercado para as latas de alumínio.
Agora, ainda com a pandemia em curso, os growlers PET seguem liderando a aposta de aumento da demanda entre as embalagens para 2022, na avaliação de Bruno Lage, sócio-proprietário da Label Sonic. Ele também acredita em uma maior diversificação do uso de embalagens ao longo deste ano. “Apostamos no crescimento do setor e na diversificação das embalagens, principalmente os growlers PET”, afirma.
O período pandêmico também contou a ampliação das vendas das latas de alumínio. Só em 2020, o produto para bebidas registrou crescimento de 7,3% no país. Um total de 32 bilhões de latas foram comercializadas, um recorde, com faturamento bruto de R$ 17,5 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas).
Para o profissional da Label Sonic, esse tipo de embalagem, que também teve grande procura no ano passado, deve continuar em alta ao longo de 2022, até pela escassez de garrafas de vidro para a indústria cervejeira. “As latas também devem continuar crescendo por vários motivos que vão além da falta de garrafas de vidro”, diz.
Os desafios de um ano bom Se havia no começo de 2021 a esperança de redução dos casos de coronavírus, a expectativa que não se confirmou forçou a adaptação e o fortalecimento de parcerias para a Label Sonic no ano passado, algo necessário para que a companhia se mantivesse saudável. “Foi um ano bom, com crescimento nas vendas e no faturamento, manutenção dos postos de trabalho e investimentos”, relembra Lage.
Ele reconhece, no entanto, desafios, como a redução na quantidade média de rótulos por pedido, algo contornado com a tecnologia da empresa, permitindo que esse cenário diferente não tivesse impactos relevantes sobre os preços unitários.
No ano recém-iniciado, a Label Sonic espera oferecer mais soluções em rótulos. E isso inclui a oferta de novas tecnologias de impressão, como adianta o sócio-proprietário da companhia. “A nossa missão em 2022 é facilitar ainda mais o acesso do pequeno empreendedor aos rótulos profissionais”, finaliza Lage.
Balcão do Profano Graal: O grande mito medieval da água
Para dar início às nossas conversas sobre a história da cerveja em 2022 no Balcão do Profano Graal, resolvi falar de um insumo importantíssimo na produção do nosso líquido sagrado: a água. Se você não sabe, mais de 90% da cerveja é água. E a composição química da água tem um efeito importantíssimo para o resultado final da cerveja. Mas eu não pretendo escrever uma “história da água”. Muito menos fazer um elogio à “maravilhosa água de Agudos”. Até mesmo porque, hoje em dia, existem muitos métodos de tratamento da água, que permitem ao cervejeiro ajustar o seu perfil às suas necessidades. O que eu quero nesse texto é discutir um dos “mitos” (eu diria mesmo “erros”) mais repetidos na história da cerveja. Aquilo que o blogueiro norte-americano de história da alimentação Jim Chevalier, denomina de “O Grande Mito Medieval da Água”.
A cerveja representou uma parte essencial da dieta medieval do homem europeu. A quantidade exata de cerveja ingerida diariamente não é conhecida, mas segundo registros da Catedral de São Paulo (de Londres) do final do século XIII, poderia chegar a um galão diário (aproximadamente 3,8 litros) por pessoa. Por isso, uma afirmação amplamente repetida é a de que o grande consumo de cerveja se devia ao fato de que a água não era segura para a saúde. A cerveja seria mais acessível e saudável, uma vez que o seu método de preparação (por meio da fervura) eliminaria as impurezas da água.
O que está por trás dessa ideia é o fato de que as cidades europeias parecem ter passado por um retrocesso no aspecto sanitário no início da Idade Média em relação ao período de dominação romana. Os romanos faziam captação de água a longa distância, abastecendo as cidades por meio de aquedutos e tubulações subterrâneas. São famosos os banhos romanos (termas) e seu sistema de esgoto. Mas, ao longo da Alta Idade Média, muitas dessas estruturas se transformaram em ruínas à medida que a gestão do saneamento passou das mãos dos governos centrais para as administrações comunais (municipais). A captação de água passa a ser feita, em grande parte, por meio de poços (na sua maioria particulares). Muitos deles eram escavados próximos a fossas e à área de criação de animais, o que favorecia a proliferação de epidemias que de tempos em tempos assolaram a Europa durante a Idade Média.
Em um artigo intitulado “Was water really regarded as dangerous to drink in the Middle Ages?”, publicado no seu site Zythophile em 2014, o jornalista britânico Martyn Cornell aborda o que há de verdade nessas afirmações, expondo as pesquisas de Jim Chevalier. Segundo Chevalier, o consumo de água certamente era mais difundido do que muitos comentaristas modernos parecem acreditar, principalmente pelos menos abastados:
Não há nenhuma razão específica para acreditar que as pessoas da época bebiam proporcionalmente menos água do que hoje; em vez disso, como a água normalmente não era vendida, transportada, tributada etc., simplesmente não haveria razão para registrar seu uso. As pessoas da época preferiam bebidas alcoólicas? Provavelmente, e pela mesma razão que a maioria das pessoas hoje bebe outros líquidos além da água: variedade e sabor.
Martyn Cornell
Ou seja, segundo Chevalier, durante a idade Média, assim como durante toda a existência da humanidade, a água era a bebida mais consumida. Simplesmente porque era gratuita. O que nos faltaria seriam fontes que atestassem esse consumo. Simplesmente porque, como diz o autor, beber água não é motivo para registro. Complementa o autor que, ainda que a contaminação da água fosse certamente uma preocupação, as pessoas tinham bom senso e discernimento suficiente para saber detectar e evitar águas lamacentas, pantanosas ou turvas, que poderiam estar contaminadas. Aqui é importante estar atento para não cometer um dos pecados capitais de quem escreve história: o anacronismo. Provavelmente, uma água considerada própria para o consumo pelos homens da Europa medieval estaria muito longe daquilo que hoje consideramos “água potável”, simplesmente porque os padrões de higiene atuais são mais rigorosos. Lembrem-se que, apenas para dar um exemplo, os homens medievais não conheciam o conceito de microorganismos.
O abastecimento de água própria para o consumo também parece ter sido uma preocupação constante das administrações municipais. Segundo a professora da Universidade do Minho Maria do Carmo Ribeiro, que estudou os espaços e arquiteturas de abastecimento nas cidades medievais portuguesas, é constante nos núcleos urbanos a presença de cisternas, tanques, fontes e chafarizes, para captação e distribuição de água. Era feita também a captação no exterior dos núcleos urbanos, conduzindo-a até a cidade por meio de encanamentos ou aquedutos. A municipalidade de Londres, por exemplo, construiu “The Great Conduit” no século XIII, usando canos de chumbo para trazer água potável da nascente do Rio Tyburn, fora dos muros da cidade. Ressalta a autora que para além do uso doméstico (lavar roupa, dar de beber aos animais) a água era igualmente fundamental para algumas atividades econômicas de produção e transformação necessárias ao abastecimento da cidade, tais como o abastecimento de carnes e peixes, peles e couros. Dessa forma, a água deveria estar disponível para consumo de muitas formas. Mas a sua maior presença nos núcleos urbanos medievais ocorria por meio dos rios que, invariavelmente, cortavam as cidades. E sua presença era fundamental para o próprio desenvolvimento do núcleo urbano, constituindo-se em um “forte atrativo para a realização de atividades comerciais, produtivas e portuárias relacionadas com a prática da navegação fluvial e marítima”. (RIBEIRO, 2020, p. 391)
Chevalier questiona também a ideia de que o consumo de cerveja pudesse chegar a um galão diário por pessoa. Com exceção, talvez, de monges, cônegos e trabalhadores em instituições religiosas. Segundo ele, o país (ele provavelmente está se referindo à Inglaterra) simplesmente não podia cultivar grãos suficientes para manter esse consumo e ainda atender à demanda por pão. Fora de grandes instituições como mosteiros, cidades ou grandes vilas, durante a Alta Idade Média, a produção de cerveja provavelmente dependia geralmente de chefes de família “com um ocasional excedente de capital para comprar alguns grãos maltados, preparar um lote de cerveja e espetar a tradicional vassoura do lado de fora da porta da frente para que seus vizinhos viessem beber um pint” (CORNELL, 2014). Dessa forma, esse fato parece indicar para o autor que o álcool era mais uma delícia do que uma ocorrência diária regular.
Assim, segundo Chevalier, a afirmação de que na Idade Média as pessoas bebiam cerveja em vez de água porque a água não era segura está totalmente errada. Mais do que isso, eu complementaria que a ideia da insalubridade dos núcleos urbanos, seu ar, sua água e seu terreno, parece ser mais adequada às aglomerações urbanas surgidas pós-revolução industrial (século XIX). São imagens de sujeira e miséria que transportamos para a Idade Média porque nos acostumamos a pensar sobre esse período como a “Idade das Trevas”. Uma estigmatização que os medievalistas se esforçam em combater há décadas. E apenas com relativo sucesso.
KUCHER, Michael. The use of water and its regulation in Medieval Siena. Journal of Urban History. Vol. 31, nº 4, maio 2005, p. 504-536.
RIBEIRO, Maria do Carmo. Espaços e arquiteturas de abastecimento na cidade medieval. In: ANDRADE, Amélia Aguiar; SILVA, Gonçalo Melo da (editores). Abastecer a cidade na Europa Medieval. Lisboa: Tipografia Priscos, 2020, p. 383-402.
RÜCKERT, Fabiano Quadros. O abastecimento de água na perspectiva da historiografia europeia e hispano-americana. História: debates e tendências. V.17, jan./jun. 2017, p. 157-179.
Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História
Empresa de bebidas energéticas, a Monster Beverage Corporation vai entrar no mercado da cerveja. A companhia anunciou a aquisição nos Estados Unidos da CANarchy Craft Brewery Collective LLC. A produtora da Monster Energy pagará US$ 330 milhões (aproximadamente R$ 1,83 bilhão) pela fabricante de cervejas artesanais e hard seltzer.
A compra fará com que as marcas Cigar City, Oskar Blues, Deep Ellumm, Perrin Brewing, Squatters e Wasatch passem a fazer parte do portfólio da Monster. Mas a negociação não inclui os restaurantes da CANarchy. E a Monster, em comunicado, destacou que o negócio foi importante para colocá-la no segmento cervejeiro e das demais bebidas alcoólicas.
“Esta transação nos fornece um trampolim para entrar no setor de bebidas alcoólicas”, disse o vice-presidente e co-CEO da Monster. Hilton Schlosberg. “A aquisição nos fornecerá uma infraestrutura totalmente instalada, incluindo pessoas, distribuição e licenças, juntamente com experiência em desenvolvimento de bebidas alcoólicas e capacidade de fabricação neste setor”.
A aquisição que confirmará a entrada da Monster no mercado da cerveja deverá ser concluída ainda no primeiro trimestre de 2022, estando sujeita a aprovação das agências regulatórias. Mas já está definido que a estrutura organizacional da companhia de energéticos permanecerá inalterada, com a CANarchy funcionando de forma independente.
Com a Coca-Cola como a sua principal acionista, a Monster Beverage Corporation, que tem o Monster Energy e o Burn Energy como algumas das mais conhecidas marcas do seu portfólio, vai, assim, agregar a estrutura da CANarchy, que fornece suas bebidas artesanais nos Estados Unidos e em mais 20 países, possuindo sete fábricas.
E o CEO da CANarchy, Tony Short, apontou que a transação pode ajudar a empresa a ampliar o seu portfólio. “Estamos ansiosos para capitalizar a experiência combinada da Monster com a CANarchy para fortalecer ainda mais nossas ofertas atuais de produtos alcoólicos, expandir nosso portfólio para atender às necessidades em constante mudança de nossos clientes e expandir nossos negócios”, disse.
Com esse acordo, a Monster se tornou mais uma empresa de energéticos e refrigerantes a entrar para o mercado das alcoólicas, em um indicativo de que o setor de bebidas vai, aos poucos, se tornando um só nos Estados Unidos. Por lá, recentemente, a Coca-Cola se uniu à Constellation para o lançamento de um refrigerante alcoólico. Já Pepsi e Boston Beer se juntaram para a produção de uma hard seltzer.
O mês de dezembro de 2021 e o começo de 2022 foram de caos, tragédia e perdas na Bahia. Em um período que costuma ser marcado pelas festividades, o estado, especialmente na região sul, sofreu com os efeitos das fortes chuvas, que provocaram inundações, em função da elevação do nível dos rios, e deslizamento de terras, em uma triste catástrofe natural. Enlutada, a sociedade ainda contabiliza os efeitos, assim como as cervejarias locais, que enfrentaram desafios para operar logo quando se esperava um crescimento expressivo nas vendas.
Afinal, entre as diversas cidades da Bahia que sofreram com as enchentes entre o fim de dezembro e o começo de janeiro, algumas delas possuem marcas artesanais, como Porto Seguro, Amargosa, Lençóis, Itabuna e Ilhéus, localidade onde estão instaladas a Cervejaria Delicious e a Três Barcaças.
Os efeitos trágicos das chuvas, evidentemente, causaram problemas para as cervejarias artesanais na Bahia. Eles passam pelos desafios de produção da bebida, em função da eventual falta de energia e água. Além disso, a destruição de estradas impossibilitou, em alguns casos, a distribuição do que se fabricou.
No auge do caos, as marcas enfrentaram, especialmente, problemas de logística, ficando impedidas de realizarem entregas por causa da destruição de estradas, como aconteceu com a Delicious, que não conseguiu atender um parceiro em Itacaré, que possui uma taphouse e adquire cerca de 150 litros por semana de cervejas da marca. Já o CEO da Três Barcaças, Oliver Calleb, ficou dois dias sem ter condições de ir à cervejaria que a sua marca compartilha com a Delicious em Ilhéus.
Os desafios logísticos também acabaram por espalhar os danos originários das chuvas para cervejarias de outras localidades da Bahia. Assim, embora os maiores danos provocados pelas chuvas tenham se concentrado na região sul, marcas de cidades menos afetadas também foram atingidas por esses efeitos. Quem pôde perceber isso foi Gustavo Martins, sócio da MinduBier, da capital Salvador.
“Diversos parceiros comerciais e cervejarias de amigos foram afetados diretamente, perdendo seus estoques e equipamentos. Temos parceiros comerciais principalmente nas regiões de Itabuna e Itacaré que sofreram bastante”, afirma.
Sócio-administrador da Delicious, Mauro Seixas lembra que os problemas enfrentados foram além das inundações, tendo começado antes mesmo delas. Como a chuva permaneceu ininterrupta em Ilhéus durante o mês de dezembro, a expectativa de grande faturamento não se concretizou.
“Quando a gente achou que teria um verão bom, veio o mês de dezembro, que foi caótico para o comércio, com chuva todos os dias e finais de semana. Muitos bares ficaram fechados. E é um período em que Ilhéus conta muito com o turismo, até por ser um hub de voos. O mês era para ter um pico de vendas, mas não ocorreu. O faturamento foi similar a outubro”, relata.
Com uma produção mensal de cerca de 2,5 mil litros de cerveja por mês, a Delicious freou alguns projetos, como o início do envase de seus rótulos em latas ao avaliar que o cenário é de reconstrução. “Estamos com um verão triste. Talvez tenha juntado com o efeito da pandemia, com gente que perdeu emprego e recursos”, avalia.
Essa frustração com uma triste realidade que se impôs também atingiu a Três Barcaças, que vivia a expectativa de ter ganhos relevantes no primeiro dezembro em que a sua growler station estava em funcionamento, pois o espaço foi aberto em julho. Porém, o CEO Oliver Calleb, contabiliza um prejuízo de cerca de 30% do faturamento em função das chuvas para a marca, que estima produzir cerca de 3 mil litros de cerveja por mês.
E o cenário se tornou ainda mais complicado por se dar no verão, quando o consumo de cerveja costuma aumentar, e logo após o abrandamento das medidas restritivas adotadas em função da pandemia do coronavírus. “Tudo isso ocorreu em um período no qual estávamos retomando as atividades, iniciando uma recuperação lenta e gradativa, ainda em decorrência da pandemia de Covid-19”, lembra Isabela Casales, responsável pela realização do evento Beba Local Bahia, que agrega diversas cervejarias do estado.
Ações de apoio Ainda que encarando os próprios desafios, as marcas também buscaram apoiar os mais necessitados. A Delicious, por exemplo, arrecadou alimentos, doou um dia do couvert artístico da sua casa, assim como algumas bandas. E parou as suas atividades por um dia para produzir 200 litros de suco de umbu, com a intenção de ajudar pessoas que não tinham acesso a alimentos e bebidas. “A gente parou a planta por um dia para fazer suco. Comprei polpa de umbu, açúcar e fiz o suco concentrado, sendo colocado em growlers de 1 litro para doação”, explica Mauro.
Já a Três Barcaças manteve a sua growler station aberta para receber mantimentos e dar chope em troca. “Doamos 252 litros de chope na growler station em troca de alimentos, que foram em torno de 500kg. Mas muitas dessas doações também foram em forma de Pix solidário, com a pessoa doando R$ 15 em troca de 1 litro de chope. Um detalhe interessante é que algumas pessoas doaram através de Pix mesmo não morando na região, ou seja: sem querer o chope em troca”, afirma Calleb.
Agora, no momento de reconstrução, a Três Barcaças também vai realizar uma ação de apoio aos atingidos pelas chuvas. A marca prepara o lançamento de uma cerveja, a Amanara, uma Cacau IPA, que terá 100% dos seus lucros destinados a pessoas atingidas pelas enchentes.
A ideia é estimular outras cervejarias da Bahia a fazerem o mesmo, produzindo rótulos que levem cacau, um produto típico da região sul do estado, com lançamento previsto para 4 de março. “O projeto é fazer uma cerveja com doação de 100% dos lucros para os atingidos. Vamos fazer um primeiro lote, com a ideia de ajudar a inspirar outras pessoas e cervejarias”, afirma Calleb.
Cervejarias de outras localidades da Bahia também buscam dar algum amparo a quem sofreu com as chuvas. A MinduBier, por exemplo, tem atuado ajudando seus parceiros nesse momento de reconstrução, revendo a data de recebimento de pagamentos de estabelecimentos que compram as suas cervejas.
“Estamos bastante solidários à causa de ajudar os nossos parceiros a se reerguer. Sabemos que a situação é bastante delicada, buscamos entender como serão os planos de cada um daqui para frente para saber como lidar com cada situação. Dívidas de alguns parceiros conosco estão sendo postergadas, para que os esforços sejam voltados à reconstrução dos pontos comerciais”, afirma.
Estado de emergência e cancelamentos Os últimos dados divulgados pela Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia apontavam, na quinta-feira (13), 175 cidades em estado de emergência após as chuvas, com 856.917 pessoas atingidas. Ao todo, são 26.210 desabrigados, 59.637 desalojados, dois desaparecidos e 523 feridos, além de 26 mortos.
Diante do cenário de caos em dezenas de municípios, o governador Rui Costa decretou, ainda em dezembro, estado de emergência, com validade de 90 dias, permitindo que autoridades públicas liderem as iniciativas mais urgentes. E ele estima que será necessário o investimento de R$ 1,5 bilhão para a reconstrução da infraestrutura afetada pelas chuvas.
Nesse momento, então, as ações na Bahia estão voltadas para limpeza das cidades, reconstrução de estradas, pontes e infraestrutura de água e energia. Além disso, há ações para fornecimento de moradia para aqueles que perderam suas casas, além de ter sido criado um programa para reposição dos principais eletrodomésticos perdidos durante as enchentes, assim como uma linha de financiamento especial para reconstrução de pequenos negócios.
As chuvas na Bahia também já têm afetado a programação de alguns eventos cervejeiros. O Beba Local Bahia, que agrega diversas cervejarias artesanais da região, previsto inicialmente para a segunda quinzena de janeiro, acabou sendo adiado para o começo de março.
“Do ponto de vista da realização do Beba Local, previsto inicialmente para segunda quinzena de janeiro, em solidariedade às cidades que sofreram com as enchentes e pelo aumento dos casos de Covid e da gripe H3N2, suspendemos nosso planejamento e estamos adiando para primeira quinzena de março”, informa Casales.
A Cervejaria Colorado decidiu começar o ano com um lançamento que repete a sua tradição de utilizar ingredientes tipicamente nacionais em suas receitas, mas agora em um rótulo que reforça a importância da sustentabilidade. A marca da Ambev criou a Brasil com S nº18, uma Black IPA com pedaços de rapadura. Ela chega ao mercado em garrafas de vidro feitas de material 100% reciclado.
A garrafa da cerveja da Colorado foi desenvolvida ao longo dos anos pela AVR, a fábrica de vidro da Ambev no Rio de Janeiro. “Colorado sempre buscou trazer a criatividade para seus lançamentos, sempre com respeito e cuidado com a natureza e o meio ambiente. A Brasil com S nº 18 mistura tudo isso em um lugar só, não apenas na receita da cerveja, mas também no desenvolvimento da embalagem. Um lançamento mais sustentável, e, por que não, bem mais brasileiro”, afirma Daniel Carneiro, gerente de marketing da Colorado.
Segundo a Ambev, a garrafa do lançamento da Colorado é a primeira a utilizar 100% de cacos de vidro para sua produção, sendo que as tradicionais têm em média 50% de material reciclado. Desse modo, se evita o uso de matérias-primas virgens no processo de fabricação, além de garantir a economia circular, trazendo impactos no processo, como a redução de consumo de energia. A estimativa é que a cada 5% de cacos incluídos na receita da produção do vidro, é reduzido 1% de consumo de energia comparando os dois processos produtivos. Ainda há uma redução de 50% nas emissões atmosféricas, de acordo com a companhia.
Além de malte, lúpulo e água, a Brasil com S nº 18 traz a rapadura como ingrediente. A nova cerveja é uma releitura da Colorado Indica, porém na versão Black IPA, com maltes torrados para trazer uma cor e um aroma diferenciados. Segundo a marca, a rapadura ajuda na formação de notas de caramelo ao sensorial, enquanto a adição de lúpulo remete ao aroma cítrico e frutado intenso, dando para a bebida um amargor médio/alto, mas balanceado com os outros ingredientes.
Se os últimos meses do segundo semestre do ano passado marcaram um período de retomada das atividades sem maiores restrições para cervejarias, bares e restaurantes, a Noi buscou acelerar a sua recuperação já no fim de 2021 ao colocar em prática algumas estratégias que, espera, vão pavimentar o seu crescimento em 2022. Assim, ao mesmo tempo em que olhou para outra vertente da indústria de bebidas ao lançar a sua marca de gin, chamada Ion, também incorporou uma cervejaria ao seu portfólio, a W*Kattz.
A criação do gin confirmou a vocação da Noi de ser muito mais do que apenas uma cervejaria. Afinal, se surgiu como restaurante, reunindo hoje mais de uma dezena de estabelecimentos espalhados pelo estado do Rio de Janeiro, essa origem gastronômica se mistura com uma produção artesanal de bebidas ainda antes da chegada da família, de descendência italiana, às terras fluminenses.
A inspiração abriu caminhos para o surgimento da destilaria da companhia, onde, estima-se, serão fabricados 12 mil litros mensais de gin, atendendo a uma perspectiva, apresentada por Bianca Buzin, diretora de vendas e marketing da Noi, em entrevista para o Guia. Para ela, existe uma demanda crescente do mercado por produtos artesanais. “Há uma tendência para o que se produz artesanalmente, com cuidado, um produto do qual o cliente tem acesso a informações dos ingredientes”, diz.
Essa relação com o meio artesanal, definido por Bianca como “genuína”, também contribuiu para a Noi fechar a incorporação da W*Kattz, O acordo prevê que a produção, distribuição e comercialização das cervejas da artesanal de Niterói (RJ) seja feita pela Noi. Já as decisões estratégicas para o futuro da marca serão tomadas em conjunto.
Essa incorporação, os próximos passos da destilaria e os planos da Noi para 2022 são alguns dos temas da entrevista de Bianca Buzin ao Guia. Confira abaixo:
Como surgiu a ideia de a Noi ter uma destilaria? Essa decisão vem desde 2018. Foi quando a gente adquiriu os tanques, que chegaram em 2019. Mas a pandemia travou esse processo de lançamento do nosso gin, que ocorreria em 2020. A única coisa boa foi ganhar tempo para fazer o rótulo mais bonito possível, pesquisar bastante e realizar um trabalho de marketing bem legal, uma coisa diferenciada. Não tem o nome Noi, embora seja um produto nosso, da destilaria. A gente fez um jogo, uma brincadeira com isso. E a ideia de ter a destilaria é porque não vamos lançar só o gin.
Por que produzir o gin e quais são os próximos passos da Noi nesse mundo das bebidas destiladas? Na Noi, a gente é amante de bebidas em geral. Meu pai produzia cachaça no Rio Grande do Sul com o meu avô. Eles consumiam e vendiam para os vizinhos. E o vinho, eles produziam só para consumo próprio. Então, isso está muito na nossa história. Tem muita gente lançando gin no Brasil, algo que se fala como se fosse uma tendência. Eu vou mais para o discurso de que há uma tendência para o que se produz artesanalmente, com cuidado, um produto do qual o cliente tem acesso a informações dos ingredientes. É um movimento de mercado voltado para conhecer o que se está bebendo. Isso vai de acordo com o gin e com a nossa história. Nossa história é muito forte com a bebida unindo pessoas e famílias em torno de uma mesa, com um vinho, uma cerveja ou uma cachaça. O alambique proporciona a possibilidade de se produzir cachaça, uísque e acho que até vodca. Essas três estariam com certeza dentro da destilaria, mas não sei qual será a primeira.
Além de lançar o gin, a Noi terminou 2021 como a incorporação da W*Kattz, de Niterói. Como se deu esse processo? O nosso relacionamento com o meio artesanal sempre foi muito saudável, muito genuíno. A gente participa muito de eventos desde o nosso início, já se criando uma comunidade. A concorrência não é prejudicial, a gente olha o outro para fazer o melhor. O meu concorrente não é um vilão. Essa marca é da minha cidade, a gente sempre foi muito próximo a eles. E aí surgiu a oportunidade, que foi boa para eles e para a gente, de ter essa incorporação. Não é só um simples aumento de portfólio. É uma incorporação, com a gente tendo a força dessa marca artesanal na cidade (Niterói).
Como funciona essa incorporação da W*Kattz? A gente vai incluir as cervejas principais deles no portfólio, já estão sendo produzidas, inclusive. Vamos incluir em todas as nossas frentes de venda, inclusive nos nossos restaurantes teremos torneiras deles. Os fundadores estão ativos na continuidade do trabalho com a gente. A W*Kattz é a vida deles, como é a Noi para nós. Pode haver lançamentos, porque é da nossa cultura e é da cultura deles.
Você considera que incorporações vão se tornar uma tendência no segmento de cervejas artesanais? Eu não sei se é uma tendência que vai continuar, mas são um resultado do que aconteceu na pandemia, que trouxe desafios, pois deixou em estado crítico muitos empresários e comércios. Eu não vejo como uma tendência contínua daqui para a frente de aumento desse tipo de fusão ou que seja algo que irá ficar estrutural.
Além da cervejaria e, agora, da destilaria, a Noi tem uma rede de restaurantes. Como é administrar um negócio que envolve bebidas alcoólicas e gastronomia? Existem vários modelos de negócio na cerveja. Existe quem produz como “barriga de aluguel” para terceiros, tem quem possui a marca própria… Contar com a marca própria e o restaurante é outro modelo de negócio. E da mesma forma como eu tenho um modelo de negócio diferente, eu trato com uma gestão totalmente diferente de quem tem só fábrica. Então, não é trivial, não é um negócio que eu posso dizer que é fácil de administrar se você não tiver uma herança de serviço ou adquirir a competência de alguém que tenha, porque o setor de restaurante é muito específico, a gestão é muito diferente de você vender um produto para gôndola de mercado. Eu vejo potencial se você tiver as competências agregadas corretamente. Você está fazendo um serviço com o cliente, que não diferencia o restaurante do produto. E se acontecer alguma coisa errada é a mesma marca para o cliente. Então, ao mesmo tempo que pode ser muito positivo, é muito vulnerável.
Que avaliação a Noi faz da pandemia e, mais especificamente, do ano de 2021? 2020 foi um ano para esquecer. Graças a Deus, a nossa empresa permaneceu saudável. A gente tinha uma gestão de capital de giro, se movimentou, fez drive-thru, entregou muito PET, foram mais de 150 mil, no total. Agora, 2021, também teve uma queda (em relação a 2019). O resultado vai vir em 2022. A gente está se movimentando, comprou chopeira recentemente e barril. Estamos investindo, mas o resultado melhora, a gente imagina, a partir do meio do meio do ano.
E quais são os planos da Noi para 2022? O plano é sempre crescer, crescer, crescer, crescer. As estratégias começaram em dezembro, com o gin e essa fusão já apontando que que a gente está com o movimento acelerado para crescer em 2022, não só em litragem mensal, que já vai aumentar, com os destilados, mas também em faturamento. Sobre as casas, a gente vai analisando pontualmente o crescimento delas, temos recebido muitos pedidos de abertura de franquias, algo que é outra frente do nosso grupo. Em 2021, mesmo com toda a crise, inauguramos duas lojas, então, das 11, estamos com três franquias. Podemos também abrir mais alguma casa e trabalhar bastante em eventos, no que a retomada permitir.
As mulheres das classes A e B que têm entre 40 e 49 anos foram as principais responsáveis pela alta de 27% no número de consumidores de cerveja no terceiro trimestre de 2021 no Brasil em comparação com o mesmo período de 2019. Os dados estão presentes na última edição do Consumer Insights, pesquisa feita pela Kantar.
Estes números evidenciam como a cerveja vem ganhando protagonismo entre as mulheres em meio à pandemia da Covid-19. E a avaliação dos responsáveis pelo estudo é de que essa alta no número de consumidores tem relação direta com a flexibilização das regras de distanciamento adotadas durante a pandemia e a reabertura gradual do comércio. O trabalho também demonstra que os momentos de consumo ocorrem, principalmente, em locais públicos e nas casas de amigos e familiares, ocorrendo cada vez mais com a presença feminina.
Em locais públicos, por exemplo, o consumo de cerveja pelas mulheres saltou de 14,5% para 21,2% na comparação dos 12 meses encerrados em setembro de 2021 com o mesmo período do ano anterior. Já nas casas de amigos e familiares, por sua vez, o consumo cresceu 4%, atingindo 18,3%. A preferência pela cerveja também cresceu em momentos de happy hour e aos finais de semana. Neste contexto, o aumento foi de 10%, chegando a 45%.
Porém, mesmo que tenha ocorrido aumento do público que consome cerveja no Brasil, a frequência com que se bebe caiu 42% no terceiro trimestre de 2021 em comparação ao mesmo período de 2019. E o trabalho indica que homens das classes A e B entre 40 a 49 anos são os principais responsáveis por essa redução.
O levantamento da Kantar também relata que houve redução de 18% nas unidades consumidas e de 26% no valor gasto com cerveja no terceiro trimestre de 2021 em relação aos mesmos meses do período pré-pandemia.
Volta do consumo A pesquisa também demonstra recuperação no valor consumido fora de casa em algumas regiões e estados do Brasil, como o Nordeste, o Sul, o Rio de Janeiro e em São Paulo na comparação entre os terceiros trimestre de 2021 e de 2020. Em todos esses, porém, o crescimento do valor auferido com as bebidas alcoólicas é em ritmo mais lento do que o obtido pelas demais categorias de bens de consumo embalados. Fica em 1,6% no Sul, em 1,3% no Nordeste e em apenas 0,8% em São Paulo. E há queda de 3,2% no Rio de Janeiro.
Por outro lado, em um aspecto que pode ser amplificado no verão, o consumo de bebidas alcoólicas cresceu 26,2% fora de casa no 3º trimestre de 2021 em relação ao mesmo período do ano anterior, indica a empresa especializada em dados, insights e consultoria.
Já o consumo de unidades de bebidas alcoólicas em casa expandiu 1,9% em fevereiro e março de 2020 em comparação ao mesmo bimestre do ano anterior, em uma tendência que pode ser reforçada no verão atual.