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Ação da Ambev dispara após balanço e tem maior alta em mês de perdas do Ibovespa

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Em mais um mês de perdas do Ibovespa, a Ambev seguiu caminho oposto. Enquanto o principal índice da B3 despencou 6,74% em outubro, a ação da multinacional teve a maior alta entre as listadas na Bolsa de Valores, com uma valorização de 11,05%, um resultado influenciado pelos efeitos do balanço do terceiro trimestre da Ambev, divulgado na última quinta-feira.

A ação da Ambev fechou o pregão da última sexta cotada a R$ 16,99, revertendo uma tendência de leve baixa no mês, algo que vinha apresentando até a véspera da divulgação do balanço, na quarta-feira, quando valia R$ 15,22. Depois, porém, terminou outubro com valorização de 8,71% em 2021. E seguiu em alta no início desta semana, tendo fechado a segunda-feira já valendo R$ 17,36. Ou seja, nas três sessões após a publicação do balanço da Ambev, a ação valorizou 14,06%.

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Fica claro, assim, que o mercado aprovou o resultado financeiro da empresa, avaliando que ela está conquistando mercado no Brasil. A XP Investimentos, por exemplo, revela em sua análise do balanço que foi surpreendida positivamente com o aumento do volume de bebidas fabricadas pela Ambev em 7,7% na comparação anualizada entre o terceiro trimestre de 2020 e o mesmo período de 2021, para 45,655 milhões de hectolitros produzidos.

“Principalmente devido a um desempenho melhor do que o esperado na unidade Cerveja Brasil (+9% A/A e +19% vs. XPe), o que consideramos positivo dada a base de comparação mais difícil. Oito dos dez principais mercados da Ambev já estão crescendo acima do 3T19”, afirma o texto assinado por Leonardo Alencar e Pedro Fonseca.

A euforia com o desempenho da Ambev no terceiro trimestre pôde ser vista no título da análise – “Eles não sabiam que era impossível, então fizeram” – do Credit Suisse e no subtítulo “Desempenho de vendas estelar com volumes em alta”. E o material produzido por Marcella Recchia ressalta como os bons resultados vieram mesmo diante da comparação com uma base difícil, o terceiro trimestre de 2020.

“Incansável em manter o ímpeto de líder, a Ambev mais uma vez superou a marca de vendas, o que sustentou seus volumes para atingir o nível recorde no 3T21, mais impressionante, considerando as comparações difíceis do ano passado”, destaca a análise. “Volume de cerveja do Brasil cresceu 7,5% a/a, em uma base de comparação de 25% a/a 3T20 (+ 35% vs. 3T19), superando a queda de 15% da Heineken e superando materialmente todas as expectativas do mercado de um ligeiro declínio.”

Já a análise do BTG Pactual destaca que havia uma expectativa da sua equipe de redução de 5,7% no volume de cerveja da Ambev no Brasil, mas que o balanço apontou uma alta, indicando que a companhia conquista mercado enquanto concorrentes dentro do setor enfrentam dificuldades.

“Inovação está obviamente desempenhando um papel importante, representando mais de 20% das vendas e fomentando situações de necessidade de cerveja e ocasiões de consumo. Mas depois que a Heineken relatou uma queda de volume de meados de 15% (com marcas econômicas caindo 40% a/a) e com os engarrafadores lutando com a transição do contrato de distribuição, a Ambev claramente conseguiu agarrar muita dessa participação, principalmente com suas marcas principais”, descrevem Thiago Duarte e Henrique Brustolin, do BTG.

A XP aposta, ainda, que a Ambev terá mais concorrência no mercado premium, pois o Grupo Heineken decidiu focar suas atenções neste segmento, como destacado nos comentários do seu relatório financeiro global. Mas avalia que esse contexto pode ser aproveitado com as suas marcas mainstream.

“Como a principal concorrente da Ambev tem buscado reequilibrar seu portfólio também interessado em aumentar a participação de produtos premium, esperamos ver uma melhora nas marcas convencionais para a Ambev, mas um cenário mais competitivo nos produtos premium, o que poderia afetar negativamente o desempenho de produtos recém-chegados (por exemplo, Spaten)”, pondera a XP.

Esse reordenamento do mercado também é citado pelos analistas do BTG, apontando que a Ambev pode se aproveitar do reajuste da estratégia do Grupo Heineken para conquistar mercado. “À medida que a concorrência faz a transição para um novo modelo de distribuição e capacidade da indústria apenas gradualmente entra em ação, a Ambev está aproveitando a oportunidade para reconquistar espaço nas principais marcas que estavam defasadas por vários anos, mesmo que à custa da lucratividade.”

O câmbio e o preço alto das commodities é uma preocupação dos analistas a respeito do balanço da Ambev, embora destaquem que isso – reportado no balanço – já era esperado. “O crescimento da receita, no entanto, não foi seguido pelo crescimento de margens operacionais, uma vez que o real se desvalorizou em relação ao dólar e os preços das commodities permanecem elevados no mercado internacional. Ambas as variáveis ​​devem ter um impacto maior nos demais players do setor, portanto ainda vemos Ambev superando seus pares e melhor posicionada para uma recuperação do setor através de inovação comercial e melhor portfólio”, destaca a análise da XP.

O JP Morgan, por sua vez, elogia o crescimento do volume e da receita, provocada pela alta dos preços, como bons aspectos do balanço da Ambev, mas cita os desafios dos custos, apostando que eles ainda deverão aumentar nos últimos três meses de 2021.

“Este trimestre segue tendências semelhantes visto no 2T com volumes aumentando fortemente (volumes de cerveja no Brasil cresceram 7,5% de uma base forte) e repasse de preços significativamente acima da inflação. No entanto, os custos e SG&A (despesas com vendas, gerais e administrativas) permanecem elevados, prejudicando as margens para expandir”, avalia o JP Morgan.

E o preço-alvo?
Em sua análise do balanço da Ambev, a XP aponta um preço-alvo de R$ 20 para a ação da companhia, bem acima, portanto, dos R$ 17,36 da última segunda-feira.

Reiteramos nossa recomendação de compra com preço-alvo de R$20/ação para o fim de 2021 pois acreditamos que a empresa está superando seus concorrentes e está melhor posicionada para uma recuperação do setor

Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da XP Investimentos

Já o BTG é bem mais cauteloso, vendo esse atual momento da Ambev como transitório dentro do mercado. Assim, sugere neutralidade a respeito da ação da companhia, com preço-alvo de R$ 17 depois da publicação do balanço. “Pode a Ambev reacender o poder de precificação e recuperar margens (unitárias ou percentuais) de modo que permita que o desempenho de primeira linha flua para os resultados financeiros?”, questiona.

O Credit Suisse, por sua vez, definiu um preço-alvo de R$ 18,50, enquanto o JP Morgan repete a posição de neutralidade do BTG a respeito da ação da Ambev, mesmo após os seus elogios ao balanço do terceiro trimestre.

A bolsa em novembro
O bom resultado da Ambev não escondeu que outubro foi mais um mês ruim na bolsa de valores brasileira, a ponto da baixa de 6,74% ter sido a pior da B3 em 2021. E isso acentuou as perdas em 2021, agora em 13,38%, com o Ibovespa alcançando 103.500,71 pontos até a sessão da última sexta-feira.

Além disso, das 91 ações que compõem o índice Bovespa, apenas 12 valorizaram em outubro. Dessas, somente o papel da Ambev e o do BB Seguridade (10,73%) tiveram altas de ao menos 10%.

E mais de 13 ações do Ibovespa fecharam o mês com desvalorização de 20% ou mais. A maior delas foi a da Méliuz, de 44,93%. Azul, Gol e CVC, companhias vinculadas às viagens aéreas e ao turismo, perderam 31,69%, 26,7% e 25,79%, respectivamente. E a Alpargatas complementa esse Top 5, com desvalorização de 26,84%.

As razões para o mês ruim do mercado financeiro nacional foram muitas. No cenário interno, o alarme se deu com a sinalização de que o governo federal vai estourar o teto fiscal em 2021 para pagar o Auxílio Brasil, uma versão modificada do Bolsa Família, uma situação que, inclusive, provocou alta acima da prevista inicialmente da Selic, a taxa básica dos juros – subiu 1,5%, para 7,75%. Já externamente há preocupações com a crise imobiliária na China, envolvendo a incorporadora Evergrande, e o ritmo de crescimento da economia mundial.

O mercado externo
O cenário de valorização da ação da Ambev no Brasil se repetiu com as duas principais indústrias cervejeiras na Europa. O papel da AB Inbev terminou outubro com preço de 52,77 euros. Assim, apresentou alta de 7,37% no mês, ainda que acumule queda de 7,44% no acumulado do ano.

A ação da Heineken, por sua vez, fechou a última sexta-feira cotada a 95,82 euros. Valorizou, então, 6,23% em outubro. E, em 2021, registra alta de 5,04%.

Cervejarias da Rota RJ aproveitam retomada e investem em novidades

As últimas semanas, marcadas no país pelo relaxamento das medidas restritivas em função da pandemia do coronavírus, foram aproveitadas pelas marcas da Rota Cervejeira RJ para uma aproximação com o público da região serrana do estado fluminense a partir de várias novidades, como a abertura de espaços e a ampliação de parcerias, além de celebrações, festividades e lançamentos motivados pela Oktoberfest e pelo Halloween.

O bar Casarão da Odin, recém-aberto, por exemplo, se tornou um novo ponto cervejeiro em Petrópolis. Na casa, é possível encontrar novidades cervejeiras, além de aproveitar os eventos temáticos preparados pela organização.

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Um dos sócios da Odin, Felipe Rabah, contou que a ideia foi abrir um espaço com todos os rótulos da marca. Além disso, a casa aposta na oferta de drinques a partir das suas torneiras e nas opções gastronômicas elaboradas pela chef Lydia Gonzalez, também sócia da marca.

“A ideia é de que este seja um espaço multifacetado, aberto a vários eventos, com áreas amplas não só para a circulação de adultos, mas também com opções para as crianças, e absolutamente pet friendly”, destaca Felipe.

De Petrópolis, a Doutor Duranz, também integrante da Rota RJ, chamou a atenção pela realização de parcerias nas novidades que apresentou nas últimas semanas. Foi assim que, junto com a Sampler, lançou uma cerveja do estilo Pumpkin Ale para celebrar o Halloween. O rótulo foi elaborado com duas variedades de abóbora, além de pimenta da Jamaica, canela, gengibre, cravo da índia e noz moscada. De cor acobreada, a cerveja possui 7% de teor alcoólico e 21 IBUs de amargor, com aroma e sabor marcados pela abóbora temperada com as especiarias.

A Doutor Duranz também plugou em seu snack bar um lançamento da Cervejaria Quatro Graus: a Black Anthrax 2021 – Peanut. A novidade tem aroma marcante de amendoim torrado com malte escuro e café. Com 14% de graduação alcoólica e corpo alto, ela traz, de acordo com a descrição divulgada, o sabor de chocolate amargo, café e carvalho, além do adocicado do amendoim.

“Resolvemos mais uma vez trazer a cerveja dos nossos amigos da Cervejaria Quatro Graus para Petrópolis, uma excelente oportunidade para quem curte as cervejas mais extremas”, destaca Daniel Noel, sócio e sommelier da Doutor Duranz.

Já a Alpendorf promoveu uma Oktoberfest na sua biergarten, confirmando uma tradição brasileira: embora a festa tenha sua origem na Alemanha, a celebração também sempre ocorre no país. Agora, também não foi diferente em Nova Friburgo.

Artigo: Como a Tecnologia da Informação pode auxiliar os cervejeiros caseiros

*Por Vilson Cristiano Gärtner

Com o passar do tempo, a Tecnologia da Informação (TI) tem se tornado item presente na vida de todos nós. Se em um passado recente estava restrita às empresas e às pessoas que possuíam computadores, atualmente ela nos acompanha, literalmente, em todos os lugares aonde vamos.

Há alguns anos era impossível imaginar que cada pessoa levaria, em seu bolso, dispositivos com um poder de processamento maior que muitos computadores daquela época. Tudo isso se deve à constante evolução da Tecnologia da Informação e Comunicação.

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As empresas utilizam a TI há muito tempo para controlar e otimizar os seus processos. E as cervejarias não são exceção. Desde o controle de estoque dos insumos, receitas, passando pelos processos de fabricação até o envase, a Tecnologia da Informação está presente tanto na automação quanto em softwares que auxiliam na obtenção de um produto de melhor qualidade, aliada à redução de custos, com menos desperdícios.

Diante desse cenário, a Smart Mash realizou pesquisas com o objetivo de trazer, também para os cervejeiros caseiros, soluções tecnológicas que pudessem auxiliar no processo de produção de cervejas. A mobilidade e a praticidade de utilização, aliados a um valor final acessível, foram fatores que nortearam as pesquisas e desenvolvimento do produto.

Como o objetivo era disponibilizar ao usuário uma forma fácil para armazenar suas receitas e acompanhar a produção de sua cerveja de forma detalhada, além de permitir que ele interagisse durante o processo, não esquecendo da segurança, é claro, a utilização do celular juntamente com a comunicação via bluetooth mostrou-se a ideal. O principal fator para essa escolha é o fato de esta tecnologia estar presente em (praticamente) todos os celulares, além de ser a forma de comunicação mais utilizada entre dispositivos e celulares.

Todavia, no mundo tecnológico, nem tudo são flores e os desafios são inúmeros e mudam constantemente. A comunicação por bluetooth, por exemplo, passou pela adoção do protocolo BLE (Bluetooth Low Energy), a qual consome menos energia e é o padrão atual. No entanto, ele é incompatível com a versão anterior, o que forçou empresas a reformularem a comunicação nas suas soluções. Além disso, já existe a versão 5 deste protocolo e, em alguns anos, deverá ser adotada massivamente pela indústria, forçando novos investimentos nas equipes de R&D das empresas.

Por outro lado, é sabido que a tecnologia wi-fi também está, cada vez mais, presente nos locais onde o cervejeiro caseiro produz a sua bebida. Com isso, a equipe da Smart Mash desenvolveu um controlador que suporta essa forma de comunicação. Mas isso é assunto para outro momento.

Outro aspecto importante que deve ser mencionado é a diversidade existente de modelos de celulares, juntamente com as inúmeras versões dos sistemas operacionais Android e iOS. Inclusive, a própria publicação e disponibilização do aplicativo nas respectivas lojas também é alvo de constantes mudanças de política e ferramentas, tornando-se um capítulo à parte no que se refere a desafios.

Neste artigo, procuramos dar uma visão geral sobre as tecnologias e como elas podem ser utilizadas para a criação de um produto que auxilia o cervejeiro caseiro na obtenção de uma bebida de qualidade, otimizando recursos e garantindo a obtenção do mesmo resultado em suas produções.

Os desafios são inerentes quando se trabalha em um cenário tecnológico, mas acabam sendo prazerosos quando se recebe feedbacks de clientes satisfeitos e felizes com os resultados que obtêm. Isso mostra que todo o esforço vale a pena e nos dá ainda mais motivação para continuar evoluindo e melhorando nossas soluções.


*Vilson Cristiano Gärtner é programador da Smart Mash

Balcão do Profano Graal: O Halloween e as cervejas de abóbora

Balcão do Profano Graal: O Halloween e as cervejas de abóbora


Neste domingo, se comemora o Halloween. E, junto com o Halloween, vêm as cervejas de abóbora (ou Pumpkin Ales), muito populares nos Estados Unidos. Na coluna deste mês, vamos saber um pouco mais sobre a relação entre essa data tradicional do calendário comemorativo dos Estados Unidos (mas que cada vez mais se espalha pelo resto do mundo, incluindo o Brasil) e esse tipo particular de cerveja.

Talvez nem todos saibam que a festa de Halloween não nasceu na América, mas tem origens muito antigas, que remontam à Irlanda, quando esta era povoada pelos celtas. O Halloween corresponde ao Samhain, o ano novo celta. Para os celtas o ano novo não se iniciava em 1º de janeiro, mas sim em 1º de novembro (do calendário atual), quando terminava oficialmente o verão e começava a estação da escuridão e do frio. Tempo em que se recolhiam em casa por muitos meses, protegendo-se do frio, fazendo ferramentas e passando noites contando histórias e lendas. O Samhain (“fim do verão”) era um momento de celebração por conta da colheita que tinha sido realizada e que os sustentaria durante o longo inverno que se aproximava.

A morte era o tema principal da festa, em consonância com o que se passava na natureza: durante o inverno a vida parece silenciosa, enquanto se renova no subsolo, onde os mortos também repousam. Os celtas acreditavam que durante o Samhain os espíritos poderiam se juntar ao mundo dos vivos, devido à dissolução temporária das leis do tempo e do espaço. Dessa forma, o Samhain era uma festa que combinava o medo da morte e dos espíritos com a alegria das celebrações de final de ano. Durante 3 dias eram acesas fogueiras no topo de colinas (o Fogo Sagrado) e os celtas, temendo serem arrastados para a vida após a morte, adotavam disfarces com máscaras grotescas e peles de animais e iluminavam-se com lanternas esculpidas em cebolas e nabos, para confundir fantasmas, fadas e demônios.

No processo de cristianização da Irlanda, que já mencionamos nos artigos sobre Santa Brígida e São Patrício, a comemoração do Halloween não foi totalmente cancelada, mas sincretizada ao Dia de Todos os Santos por ordem do Papa Gregório III, que liderou a Igreja Católica de 731 a 741 e determinou que a Festa de Todos os Santos fosse celebrada não mais em 13 de maio, mas em 1º de novembro. E posteriormente foram implementadas três celebrações simultâneas nessas datas: All Hallow’s Eve (31/10), a véspera do Dia de Todos os Santos; All Saints’ Day (1/11), Dia de Todos os Santos; e All Souls’ Day (2/11), Dia de Finados.

Em meados do século XIX, a Irlanda foi atingida por uma terrível fome e, para escapar da pobreza, muitas famílias resolveram deixar a ilha e tentar a sorte nos Estados Unidos. Lá mantiveram vivas as tradições e costumes de sua pátria e, entre eles, a comemoração do Halloween em 31 de outubro. Esse costume se espalhou por todo o país, tornando-se um feriado nacional.

A festa resgatou elementos oriundos da festa pagã e os modernizou. Em lugar de utilizar nabos e cebolas para esculpir rostos macabros que tinham a função de afastar os maus espíritos, passaram a ser utilizadas abóboras, uma vez que havia mais abóboras do que nabos na América do Norte. Na Irlanda, existia a lenda de um local chamado Jack que convidou o diabo para tomar uma bebida com ele. Ao final da bebedeira, ele convenceu o diabo a transformar-se em uma moeda para que pudesse pagar a conta. Depois de convencer o diabo, ele colocou a moeda próxima a uma cruz de prata, o que impediu que o diabo voltasse à sua forma normal. Ao morrer, Jack não foi aceito no céu por ter feito um trato com o diabo e também não foi aceito no inferno por ter enganado o diabo. Foi, então, condenado a vagar pela terra em meio a escuridão e, para fazê-lo, recebeu um nabo com um carvão em chamas que serviria para que ele pudesse iluminar seu caminho. Assim ficou conhecido como Jack of the Lantern, que eventualmente se contraiu para “jack-o-lantern”. Essa é a expressão usada atualmente para se referir às abóboras esculpidas com rostos e iluminadas com velas no seu interior.

As Pumpkin Ales
Assim como outros estilos, as Pumpkin Ales parecem ter nascido da necessidade de adaptação dos cervejeiros do Novo Mundo aos ingredientes que eles tinham disponíveis. Os primeiros colonos que se estabeleceram na América do Norte aprenderam a cultivar abóboras com as populações indígenas. Originalmente, a abóbora era usada em substituição à cevada como fonte de açúcares. A cerveja de abóbora foi um dos muitos alimentos incluídos em uma das primeiras canções coloniais intitulada Aborrecimentos da Nova Inglaterra, datada de 1643 e conhecida como a primeira canção folclórica da América, que satiriza a abundância de abóboras: “Temos abóbora pela manhã e abóbora ao meio-dia / Se não fosse pelas abóboras, não existiríamos”, e mais adiante: “Pois podemos fazer licor, para adoçar nossos lábios / De abóboras e nabos e chips de castanheira.” A referência mais antiga às Pumpkin Ales parece ser a descrição de um método de fabricação datado de 1771, da American Philosophical Society, da Filadélfia:

Receita para Pompion Ale: Que a Pompion seja batida em uma calha e prensada como maçãs. O suco obtido deve ser fervido em cobre por um tempo considerável e cuidadosamente desnatado para que não haja restos da parte fibrosa da polpa. Depois de atingido esse objetivo, que o licor seja lupulado, resfriado, fermentado etc. como a cerveja de malte.

Com o aumento das trocas comerciais e a maior disponibilidade de malte de cevada na América, as razões da existência de Pumpkin Ales deixaram de existir e o estilo quase desapareceu completamente. Elas foram redescobertas na época da Craftbeer Revolution nos Estados Unidos. Agora, então, são cervejas sazonais, produzidas no período de setembro a novembro, época da colheita da abóbora, para a comemoração do Halloween.

Podem ser produzidas usando polpa de abóbora em combinação com malte ou outros grãos mais comuns contribuindo com os açúcares fermentescíveis ​​para o mosto. Mas também utilizando a abóbora como adjunto para dar um sabor natural à cerveja. Um sabor artificial também pode ser adicionado à cerveja pronta para evocar o sabor da torta de abóbora, uma sobremesa norte-americana popular no inverno.

A primeira cerveja de abóbora fabricada comercialmente veio da Cervejaria Buffalo Bill em Hayward, Califórnia, no ano de 1986 (America’s Original Pumpkin Ale). A receita seria baseada em estudos de cerveja feitos por George Washington. Outros exemplos comerciais são a Rogue Pumpkin Patch, a Brooklin Post Road e a Samuel Adams Jack-O Pumpkin Ale.


REFERÊNCIAS:

HISTORY of Pumpkin Ale. Homebrew Talk. Disponível em: History of Pumpkin Ale | Homebrew Talk – Beer, Wine, Mead, & Cider Brewing Discussion Forum. Acesso em 04/10/2021. 

PAUL, Gerard. History of Pumpkin Beer – From Beer of Necessity to Seasonal Staple. Many Eats. History of Pumpkin Beer – From Beer of Necessity to Seasonal Staple – ManyEats. Acesso em 04/10/2021.

PUMPKIN Ale. Wikipedia. Disponível em: Pumpkin Ale – Wikipedia. Acesso em 04/10/2021.   

PUMPKIN Ale: history, ingredientes and style. Birra Baladin. Disponível em: Pumpkin Ale: history, ingredients and style (baladin.it). Acesso em 04/10/2021.

SAMHAIN. Wikipedia. Disponível em: Samhain – Wikipedia. Acesso em 02/10/2021.

SAMHAIN, la vera storia di Halloween. Irlandando.it. Disponível em: Samhain, la vera storia di Halloween – Irlandando.it. Acesso em 02/10/2021.

SIGNIFICADO de Halloween. Significados.com.br. Disponível em: Halloween: conheça o conceito, origem e símbolos – Significados. Acesso em 02/10/2021.

SMITH, Gregg. Beer in America: The Early Years–1587-1840: Beer’s Role in the Settling of America and the Birth of a Nation. Brewers Publications, 1998.


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

16 lançamentos realizados pelas cervejarias artesanais em outubro

Não faltaram inspiração ou motivos para as cervejarias artesanais realizarem lançamentos em outubro. Em um mês marcado por datas especiais, várias marcas as aproveitaram para usá-las como tema das suas criações. A Oktoberfest, por exemplo, se inseriu em diversos rótulos, como na Schornstein. Já a Blondine criou uma cerveja sobre a festividade exclusiva para a rede varejista Extra.

O Halloween também aguçou a criatividade das marcas, como no caso da Goose Island, que lançou um chope produzido em parceria com a Hocus Pocus. Já a natureza seguiu inspirando novidades entre os lançamentos artesanais de outubro, como no caso da Nacional, que apresentou rótulos da sua campanha inspirada nos biomas brasileiros. E a Latido apresentou, de uma vez, uma trilogia de Americans IPAs com duplo dry hopping.

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Confira abaixo os lançamentos das cervejarias artesanais realizados em outubro e selecionados pelo Guia:

Cervejaria 040
Com a intenção de se aproximar dos esportes de aventura, especialmente o mountain bike, a Cervejaria 040 passou a nomear os rótulos com nomes que estejam ligados a esse universo. O seu lançamento em outubro foi, assim, desenvolvido com uma das referências da modalidade, Brou Bruto, e recebeu o nome #NQSF – Ninguém quer ser Feio, bordão que remete ao fato de que todos precisam se dedicar nos treinos para não decepcionar nas trilhas. É uma Session IPA de coloração amarelo claro, com notas de tangerina.

Blondine
Em celebração à Oktoberfest, a Blondine criou, com exclusividade para a rede de supermercados Extra, o rótulo Baviera, em homenagem à região onde acontece a festa desde 1872 na Alemanha. A Baviera é uma Dortmunder Export, um estilo clássico alemão. E possui coloração dourada e espuma bem cremosa, aroma ressaltado de malte, além de um sabor mais intenso do que o de uma Lager. Lançada em garrafa de 600ml, ela tem 5,5% de graduação alcoólica.

Bodebrown
A saga dos imigrantes no Brasil voltou a inspirar uma cerveja da Bodebrown, que anunciou a chegada da Luppolo Limoncello, a segunda criação que presta homenagem à Itália, sua cultura e seu povo. Apresentada no formato de latas de 473ml, a bebida traz em sua receita uma mistura de influências cervejeiras e culturais, que tem como ponto de partida um ingrediente identificado com a Itália, o limão siciliano. O licor feito desta fruta, o limoncello, é utilizado em uma base de cerveja do tipo IPA, sendo completado com quatro maltes e lúpulos norte-americanos do tipo Mosaic.

Cruls
A cervejaria Cruls aproveitou o mês de outubro para lançar o oitavo rótulo da série experimental CXP. É a CXP08 American Amber Ale, estilo da escola norte-americana de cervejas. Ela tem 4,8% de graduação alcoólica e 38 IBUs de amargor. Trata-se de uma bebida de cor âmbar e que traz características de maltes com notas de caramelo, casca de pão torrado, suave cacau e lúpulos que remetem a frutas tropicais e cítricas.

EAP e Oca
A Oca Cervejaria e o EAP, o Empório Alto dos Pinheiros, lançaram sua primeira cerveja colaborativa, que traz no nome a rua Vupabussu, onde desde 2008 fica o bar. A Vupabussu comemora a parceria entre os amigos André Nóbrega (Oca) e Paulo Almeida (EAP), sendo uma cerveja de fermentação mista com leveduras Brettanomyces nativas do Brasil e Saccharomyces cerevisiae. A novidade é uma Wild Ale, com 7,2% de graduação alcoólica, tonalidade dourada e leve turbidez. Apresenta complexidade, acidez moderada, notas aromáticas de frutas cítricas, leve mentolado e apimentado, além dos fenólicos, couro, mineral e tabaco, segundo a descrição divulgada.

Goose Island
Entre os lançamentos artesanais de outubro, a Goose Island aproveitou a celebração do Halloween neste fim de semana para lançar o chope Hazy Dusk, feito em parceria com a Hocus Pocus. É produzido com água, malte, trigo, flocos de aveia, blueberry e os lúpulos Stata e Zapa. Tendo a coloração púrpura/rosada, a bebida possui aroma frutado intenso, remetendo às notas de blueberry e jabuticaba. O chope possui 8% de teor alcoólico e 60 IBUs de amargor.

Latido
A Latido Ale House trouxe em outubro uma nova trilogia, a Verdell. Dessa vez, com as versões Verdell Comet, Verdell El Dorado e Verdell Mosaic. São 3 Americans IPAs com duplo dry hopping. A Comet tem lúpulo norte-americano e traz tangerina, grapefruit e capim limão em sua receita. Possui 6% de graduação alcoólica e 46 IBUs, assim como os demais lançamentos. A El Dorado, com lúpulo norte-americano tropical, se destaca pelas presenças de abacaxi, melancia, manga e pêssego. Já a Mosaic, com lúpulo norte-americano complexo, possui notas de frutas vermelhas, tropicais e de caroço.

Cervejaria Nacional
Lançadas em outubro, Amazônia e Pantanal são as novidades do mês da campanha DNA Nacional, da Cervejaria Nacional. A Amazônia é uma Juicy IPA com cumaru, também conhecido como baunilha brasileira e adicionado a frio. Tem 40 IBUs e 5,6% de graduação alcoólica. Já a Pantanal é uma American Lager dourada, límpida e elaborada com o arroz selvagem, que contribui para sua leveza e refrescância, que são características principais desta criação, que possui 14 IBUs de amargor.

Proa
A marca de Salvador realizou dois lançamentos em outubro: um rótulo sazonal, uma Berliner Weiss com adição de caju, e a colab Lambreta Stout. Com baixa retenção de espuma e características que lembram um espumante, a Berliner Weiss apresenta acidez moderada em um corpo leve, carbonatação frisante, final seco e refrescante. É uma cerveja de baixa caloria com teor alcoólico também baixo e amargor imperceptível. Recomenda-se a harmonização com peixes, frutos do mar e comidas baianas. Já para celebrar o primeiro ano do restaurante Boia Cozinha do Mar, a Proa fez uma colaborativa, fruto de uma parceria da cervejeira Débora Lehnen com o chef Kaywa Hilton. Batizada como Lambreta Stout, a cerveja é uma versão baiana do estilo Oyster Stout.

Santo Chico
A Manilupulação é a nova cerveja do estilo New England IPA da Santo Chico. Forte, turva e com aroma frutado, é categorizada como uma Juicy NEIPA, por características que lembram um “suco”. Leva os lúpulos Amarillo, Simcoe e Kazbek. A bebida tem 6,2% de graduação alcoólica e 37 IBUs.

Schornstein
A cervejaria de Pomerode (SC) lançou a Schornstein Oktoberfest Edição 2021, com uma receita inspirada em um dos estilos mais tradicionais da festa alemã. É uma puro malte com os sabores e aromas do malte enaltecidos, remetendo a notas de pão e de sua casca, leve tostado, amargor pronunciado, final seco e com teor alcoólico de 5,3%. A cerveja está disponível em garrafas de 355ml e 500ml.

ZEV
Para comemorar seu aniversário, a ZEV lançou a Triple NEIPA 3 Anos. A bebida foi produzida com maltes de cevada, trigo e aveia para atingir uma receita encorpada, turva. Leva os lúpulos Columbus e Talus, tendo aroma e sabores de toranja, capim limão e frutas tropicais. Possui 10% de graduação alcoólica e 70 IBUs.

Colorado lança cerveja orgânica e vai premiar consumidores com geladeiras

A Colorado movimentou o mercado nos últimos dias com novidades para o seu consumidor. Em uma delas, em uma ação de ineditismo, lançou a primeira cerveja orgânica do seu portfólio e da Ambev. É a Colorado Orgânica, uma Fruit Beer feita com cambuci produzido em sistemas agroflorestais, os SAFs, que combinam culturas agrícolas com árvores florestais e frutíferas na mesma área para adquirir uma utilização mais eficiente dos recursos naturais como solo, água e energia.

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Gerente de marketing de Colorado, Daniel Carneiro comenta que a novidade apresenta traços do DNA da marca, que tradicionalmente prioriza os ingredientes e sabores brasileiros nas receitas das suas cervejas. “Fomos buscar um pouco da nossa cultura alinhada com a valorização do trabalho de pequenos e microprodutores agrícolas.”

A Colorado destaca, ainda, que o seu lançamento é uma cerveja 100% orgânica. E, para isso, precisou realizar adaptações na sua produção. “É um processo minucioso que inclui toda a cadeia produtiva. A nossa cervejaria de Ribeirão Preto mantém um rigoroso sistema de limpeza e assepsia para garantir que a produção da cerveja não tenha nenhum contato com produtos que ainda não sejam orgânicos”, destaca Carneiro.

De acordo com a descrição divulgada, a Colorado Orgânica é uma cerveja leve, com coloração dourado claro, não filtrada e com amargor suave. O cambuci, principal ingrediente do rótulo, é um fruto típico da Mata Atlântica, levemente ácido e extremamente aromático, conferindo à cerveja notas cítricas e herbais. O rótulo tem 4% de graduação alcoólica e 10 IBUs de amargor.

Mini geladeiras
Outra novidade apresentada pela marca é a promoção Quero uma Geladeira Colorado, que vai premiar cinco consumidores com uma geladeira de 37 litros oficial da marca.  

Para quem deseja concorrer, é necessário acessar o site oficial da promoção e preencher o cadastro. Após esse processo, será gerado um “número da sorte”. O cadastro pode ser feito por maiores de 18 anos até o dia 18 de novembro, com sorteio programado para o dia 20.

MP recomenda anulação de licenças de fábrica do Grupo Heineken em Minas Gerais

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O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) recomendou a anulação das licenças concedidas para a instalação de uma fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte, nas proximidades do sítio arqueológico Lapa Vermelha, onde foi localizada Luzia, o fóssil mais antigo das Américas.

A recomendação foi apresentada após a promotoria analisar a documentação do processo de licenciamento ambiental que liberou a construção da unidade industrial. E essa averiguação do MP indicou que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad-MG) não cumpriu a legislação ao dar o aval para a obra.

Essa recomendação do MP-MG foi destinada a Rodrigo Ribas, superintendente de Projetos Prioritários da Semad-MG, que havia concedido as licenças prévias e de instalação da fábrica da Heineken.

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O MP-MG sugere que novas autorizações não sejam concedidas sem que seja atestada a viabilidade ambiental do empreendimento, além de “sanadas todas as ilegalidades apontadas”. O documento da promotoria, datado de 27 de outubro, dá 10 dias para que a superintendência vinculada à Semad/MG se pronuncie a respeito da recomendação.

Além disso, ressalta que a resposta “deverá conter informações específicas e detalhadas sobre as ações adotadas e planejadas para seu cumprimento”. Caso a recomendação não seja aceita, ao fim do prazo, outras medidas podem ser tomadas, como a proposição de uma ação judicial.

A recomendação é assinada pelos promotores Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, Patrimônio Cultural, Habitação e Urbanismo (Caoma); Felipe Faria de Oliveira, coordenador estadual de Meio Ambiente e Mineração; Marcelo de Azevedo Maffra, coordenador estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais; Lucas Marques Trindade, coordenador regional da Promotorias de Defesa do Meio Ambiente das Bacias dos Rios das Velhas e Paraopeba; e Ester Soares de Araújo Carvalho, da Comarca de Pedro Leopoldo.

De acordo com os promotores, a fábrica da Heineken é um “empreendimento potencialmente poluidor com possibilidade de causar impactos ao patrimônio arqueológico e espeleológico, bem como ao sistema hidrológico da região” onde se pretende implementá-lo.

A região onde pode ficar situada a fábrica do Grupo Heineken em Minas Gerais conta com a APA Carste de Lagoa Santa. Lá, onde foi encontrada Luzia, também existem diversos sítios arqueológicos e cavidades naturais com potencial para novas descobertas sobre a história do homem.

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Além disso, como destacam os promotores em sua recomendação de suspensão da licença de instalação, a fábrica fica a 800 metros do Monumento Natural Estadual Lapa Vermelha, dentro dos limites da zona de amortecimento de uma unidade de conservação. E é no Lapa Vermelha IV onde foi encontrado o crânio de Luzia.

Na recomendação, os promotores do Ministério Público destacam que não houve anuência efetiva do Instituto Estadual de Florestas para intervenções na área. O documento também ressalta outras irregularidades na concessão da licença, apontando que elas foram expedidas de forma ilegal, “ofendendo” o ordenamento jurídico.

A promotoria destaca também que o documento liberatório, o Parecer Único nª 3328/2021, da Superintendência de Projetos Prioritários da Semad/MG, não conta com nenhuma menção aos sítios arqueológicos da região. Além disso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não foi instado a se manifestar, conforme as normas da instituição.

Em nota técnica, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)/APA Carste Lagoa Santa afirma que não foram apresentados para avaliação os projetos de proteção do terreno durante as obras e nem houve avaliação da compatibilidade do empreendimento com o decreto de criação da Unidade de Conservação APA Carste, que abrigará 99% das instalações da fábrica de cerveja. Um estudo específico foi feito apenas sobre a zona de amortecimento do Parque Estadual do Sumidouro, distante 5 quilômetros do empreendimento.

Impacto hidrogeológico desconhecido
A parte mais contundente do documento apresentado pelo MP envolve os riscos ao sistema hidrogeológico da região onde a fábrica da Heineken pode ser instalada. A promotoria avalia que a liberação não poderia ter sido dada sem um entendimento claro sobre os impactos.

No documento em que recomenda a anulação da licença, a promotoria também questiona como pode ter sido dado o aval para a instalação da fábrica se há incerteza sobre a disponibilidade de água, tanto que havia sido requerido novo processo de pesquisa hidrogeológica, considerando a presença de uma área cárstica e o volume de captação proposto para água subterrânea.

O MP critica a liberação do início das obras da fábrica da Heineken mesmo sem o estudo hidrogeológico concluído. A cervejaria não o concedeu, com a Semad aceitando a sua posterior entrega. “Caso ao final do estudo hidrogeológico se concluir pela inviabilidade do fornecimento de água demandado ou indicar o prejuízo significativo / definitivo ao abastecimento humano para as comunidades vizinhas, o que serão feitas com as instalações da fábrica implementadas?”, questiona.

“Existe por parte da HKN Brasil uma alternativa para diminuição dos volumes de produção?”, argui o documento. “Os resultados dos estudos hidrogeológicos não ficarão ‘direcionados’ ao apontamento da viabilidade do fornecimento hídrico uma vez que ficariam pressionados pelo avanço das obras de instalação?”.

Mais questionamentos
O MP também lembra que a área onde a fábrica da Heineken seria instalada é prioritária para conservação, como previsto no Plano Diretor da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas. Aponta, ainda, que essa área de conservação não possui plano de manejo, fundamental por ter medidas que impedem danos à unidade.

“A recomendação é um importante instrumento de que dispõe o Ministério Público para ver respeitado o ordenamento jurídico sem que haja a necessidade da judicialização de eventuais conflitos, alertando seu destinatário sobre a existência de normas vigentes e da necessidade de seu estrito cumprimento”, afirma o MP.

Outro lado
Procurada pela reportagem do Guia, a Semad-MG diz que ainda avalia a recomendação. “A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que recebeu a recomendação do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e está avaliando para que possa se posicionar”, comenta em nota oficial.

Já o Grupo Heineken destaca não ter sido notificado sobre eventuais mudanças na licença de instalação da sua fábrica. E assegura que manterá as obras paralisadas enquanto os impasses não forem resolvidos.

“O Grupo Heineken informa que não foi notificado sobre qualquer alteração na validade da licença de instalação da sua cervejaria na cidade de Pedro Leopoldo. A cervejaria reitera seu compromisso com a transparência e afirma que, de forma voluntária, manterá as obras suspensas enquanto contribui com a discussão junto aos órgãos envolvidos”, afirma em nota enviada à reportagem.

Relembre o caso
Em dezembro de 2020, o Grupo Heineken confirmou a intenção de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo, com o intuito de apoiar o seu crescimento no Brasil, especialmente dos rótulos premium. E, com ela, o grupo passará a contar com 16 unidades produtivas no país, sendo 13 cervejarias. A chegada da companhia a Minas Gerais foi, à época, celebrada pelo governador do estado, Romeu Zema, destacando que o investimento na unidade produtiva seria de R$ 1,8 bilhão.

Em 10 de setembro de 2021, porém, o ICMBio, após visita à área da obra, que ainda estava na fase de terraplanagem, embargou-a ao alegar ameaças ao sítio arqueológico existente na localidade. O órgão, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, apontou risco de soterramento do complexo de cavernas e grutas do Lapa Vermelha.

O instituto também disse ver com preocupação o plano do Grupo Heineken de bombear 150 metros cúbicos de água por hora de dois poços na região, o que causaria impacto relevante nos lençóis freáticos e nas cavernas do Cipó, Fedo e Nei. Na visão do ICMBio, o risco geológico impede o avanço da obra da fábrica da Heineken sem realização de estudos mais aprofundados, incluindo os dos efeitos da sua atividade nos lençóis freáticos.

No fim de setembro, a construção da fábrica do Grupo Heineken em Pedro Leopoldo se tornou alvo de inquérito civil do Ministério Público. Foi, assim, a partir das investigações sobre a concessão das licenças, eventuais impactos da obra e da operação da unidade industrial sobre possíveis impactos no patrimônio cultural, que os promotores agora recomendaram a anulação da licença concedida pela Semad/MG.

O caso, porém, ainda teve uma outra reviravolta. Na primeira semana de outubro, o Grupo Heineken conseguiu uma decisão, de caráter liminar, liberando a realização das obras para instalação da fábrica em Pedro Leopoldo. A companhia, porém, optou por não retomá-las, decisão que reforçou agora, quando o MP defendeu a anulação da licença para sua instalação em Pedro Leopoldo.

Ambev lucra R$ 3,7 bi no 3º trimestre e tem produção recorde em 12 meses

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A Ambev teve lucro líquido de R$ 3,712 bilhões no terceiro trimestre de 2021, de acordo com o seu balanço financeiro divulgado nesta quinta-feira. O resultado representa uma expansão de 57,4% nos seus ganhos em comparação ao mesmo período do ano passado, quando havia ficado em R$ 2,35 bilhões. E isso se deu apoiado pela alta no volume de bebidas produzidas, o que levou a companhia a atingir um recorde.

Foram 45,655 milhões de hectolitros produzidos no período, com uma alta de 7,7% em comparação aos 42,779 milhões de hectolitros do terceiro trimestre de 2020. Além disso, a Ambev destaca que os 180 milhões de hectolitros produzidos nos últimos 12 meses é um recorde, superando o pico histórico registrado em 2015 em 8 milhões.

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“Isso reflete o sucesso da nossa estratégia, da atratividade do nosso portfólio de marcas e dos nossos investimentos no crescimento de longo prazo do nosso negócio”, afirma a companhia em trecho dos comentários sobre o seu balanço.

O lucro ajustado da Ambev foi de R$ 3,753 bilhões no terceiro trimestre de 2021, crescendo 50,4% em relação ao mesmo período de 2020. Já de janeiro a setembro, ficou em R$ 9,478 bilhões, um incremento de 86% ante os mesmos meses do ano passado. E a receita líquida reportada da Ambev expandiu 20,9% em relação ao terceiro trimestre de 2020, para R$ 18,493 bilhões, ante os R$ 15,6 bilhões do exercício anterior.

Além do lucro no 3º trimestre, a Ambev também apresentou crescimento no seu volume total orgânico, de 7,7%, em comparação ao terceiro trimestre de 2020. Essa alta foi ligeiramente maior no Brasil, sendo de 8%. Ela ficou ainda maior quando se observa a receita líquida orgânica por hectolitro, de 12,1%, “impulsionada por iniciativas de premiumização, inovação e gestão de receitas”, destaca a companhia.

Importante métrica por representar a capacidade de geração de receita das empresas, o Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Ambev apresentou elevação de 7,8% em relação ao mesmo período de 2020, saltando para R$ 5,46 bilhões. A companhia aponta que esse resultado foi impulsionado pelo crescimento da receita líquida, ainda mais em um cenário em que “permanece sob pressão das commodities e do câmbio, e maiores despesas com vendas, gerais e administrativas”.

Com isso, as margens representaram um desafio para a Ambev: a bruta ficou em 50% no terceiro trimestre, enquanto a do Ebitda ajustado foi de 29,6%. E ambas reduziram em relação ao mesmo período de 2020, pois haviam sido de 52,4% e 32,5%.

A geração de caixa das atividades operacionais também caiu 9,6% no terceiro trimestre, para R$ 6,398 bilhões. Porém, no acumulado de 2021, a geração de caixa está em R$ 11,075 bilhões, o que representa alta de 5,9% ante o mesmo período do ano passado.

Cerveja Brasil
O volume de cerveja da Ambev foi de 23,475 milhões de hectolitros, uma alta de 7,5% em relação ao terceiro trimestre de 2020. Além disso, está em 65,249 bilhões de hectolitros em 2021, o que representa expansão de 11,8% em comparação aos nove primeiros meses do ano passado.

A companhia também relatou, no seu balanço, a alta de 16,2% na receita líquida no Brasil e de 8,2% na receita orgânica líquida por hectolitro, o que se deve, nas palavras da Ambev, a “iniciativas de gerenciamento de receita e mix de marca favorável”.

Mas fatores externos continuam afetando as margens da Ambev. Assim, o Ebitda no Brasil caiu 8,5%, “pois o crescimento da receita líquida foi compensado pelos obstáculos esperados na taxa de câmbio transacional e commodities, provisões de remuneração variável e investimentos em vendas e marketing”.

E, nos nove primeiros meses de 2021, o volume cresceu 11,8%, a receita líquida expandiu 23,6%, a receita orgânica líquida por hectolitro subiu 10,6% e o Ebitda ajustado se ampliou em 0,1%.

Nos comentários do balanço, a Ambev também avalia que as marcas premium expandiram mais de 15% no terceiro trimestre. A companhia ainda exalta o lançamento no Brasil da Spaten e o que define como “resiliência” de Skol, Brahma e Antarctica por terem apresentado crescimento superior ao do terceiro trimestre de 2020.

Ainda de acordo com a Ambev, a plataforma digital BEES, destinada aos comerciantes, já atinge mais de 85% dos seus clientes ativos. A companhia ainda relata que foram feitos mais de 15 milhões de pedidos pelo Zé Delivery no terceiro trimestre. Já a Donus – um aplicativo que abrange maquininha de cartão, conta digital gratuita, cashback e empréstimo – cresceu 3 vezes em comparação ao segundo trimestre deste ano.

Brasil Beer Cup terá igualdade de gênero entre os seus jurados

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O Brasil Beer Cup anunciou mais uma importante iniciativa para promover a igualdade de gênero no setor de cervejas artesanais. Agora, o concurso cervejeiro terá o mesmo número de homens e mulheres no seu corpo de juízes. O evento acontecerá de 21 a 24 de novembro, de forma presencial, em Florianópolis (SC), contando com avaliadores nacionais e de outros países.

Segundo o Science of Beer, instituição que organiza a competição, a iniciativa busca romper o círculo vicioso em que lideranças masculinas escolhem outros homens para ocuparem espaços importantes dentro do segmento cervejeiro. “E assim as oportunidades para que mulheres competentes assumam posições-chave dentro do setor se extinguem”, destaca a instituição.

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Para a escolha dos jurados, a organização assegurou que os critérios técnicos prevaleceram e a decisão se deu a partir da competência e relevância profissional de cada selecionado. Logo, não foi uma escolha baseada em gênero prioritariamente, embora existisse a meta de encontrar mulheres com aptidão técnica para analisar, avaliar e julgar as cervejas.

De acordo com o Science of Beer, o número de mulheres capacitadas e atuantes no setor – mesmo sem fama ou projeção – é maior do que o demonstrado pelo mercado. E foi isso que permitiu ao Brasil Beer Cup cumprir sua meta, formando um time com 50% de juradas.

Os nomes dos componentes do júri do concurso estão disponíveis no site oficial do evento. “Com isso, o Science of Beer cumpre sua determinação de promover a igualdade entre as pessoas bem como a diminuição de preconceitos e discriminações no setor de cervejas nacional e internacional”, ressalta a organização.

Inscrições no fim
As inscrições para o Brasil Beer Cup se encerram no próximo sábado (30). Podem participar cervejarias nacionais e internacionais, ciganas e cervejeiros caseiros com o estilo Catharina Sour. O valor de inscrição é de R$ 290 por amostra. O cadastro pode ser feito através do link. Já o edital para o concurso, com prazos e diretrizes para o envio das amostras, está disponível no site da competição.

O evento que mira a igualdade de gênero é o primeiro concurso de cerveja a utilizar ferramentas e treinamento de análise sensorial para o monitoramento de painel de juízes, sendo que o staff organizador é formado apenas por mulheres.

As três melhores cervejas caseiras terão um lote comercial produzido em uma fábrica de Santa Catarina, com as despesas de deslocamento inclusas, além de 100 unidades da cerveja.

Ao mesmo tempo em que organiza o Brasil Beer Cup, o Science of Beer prepara em paralelo o Beer Summit, um congresso online e que ocorrerá nos dias 29 e 30 de novembro.

Heineken tem queda nas vendas no Brasil, mas lucra 3,1 bilhões de euros no mundo

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O Grupo Heineken ainda sofre com os efeitos da pandemia do coronavírus, mas também apresenta recuperação relevante no terceiro trimestre. É o que aponta o seu balanço financeiro, divulgado nesta quarta-feira, com um lucro líquido global reportado de 3,082 bilhões de euros (aproximadamente R$ 19,95 bilhões, na cotação atual) de janeiro a setembro. O resultado se dá mesmo diante da queda no volume de vendas do Grupo Heineken no Brasil, um dos seus principais mercados, provocado especialmente pela redução brusca do faturamento com o seu portfólio econômico, em uma estratégia que concentra a atuação nas marcas premium e mainstream, também sendo adotada em outros países.

O lucro líquido reportado de 3,082 bilhões de euros representa um aumento relevante em comparação aos 396 milhões de euros (R$ 2,563 bilhões) do mesmo período de 2020. Considerando que a cervejaria registrou um ganho excepcional de 1,3 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões) a partir da remensuração da sua participação acionária na indiana United Breweries, após a obtenção do seu controle no fim de julho, o lucro foi semelhante ao de janeiro a setembro de 2019, quando ficou em 1,667 bilhão de euros (R$ 10,79 bilhões).

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O balanço financeiro do Grupo Heineken também aponta que a companhia teve uma retração orgânica de 5,1% no volume de cerveja no terceiro trimestre no mundo, com 60,2 milhões de hectolitros. Ainda assim, acumula alta de 4% nos nove primeiros meses de 2021 ao chegar aos 170,1 milhões de hectolitros.

O resultado da Heineken é melhor. A cerveja teve crescimento de 8% no volume global no terceiro trimestre, com 12,8 milhões de hectolitros, e já soma uma expansão de 15,1% no período de janeiro a setembro, com 35,5 milhões de hectolitros. De acordo com o balanço do Grupo Heineken, essa expansão foi superior aos 10% em mais de 50 mercados, incluindo o Brasil. E esse desempenho forte se repetiu com a Heineken 0.0, que apresentou crescimento de pouco mais de 20%, tendo um “desempenho particularmente forte” no país.

O efeito de redução nas vendas de todo o portfólio, mas de crescimento entre marcas premium e mainstream, se dá por uma estratégia global, de acordo com o CEO da companhia, Dolf van den Brink. No comentário do balanço, ele afirma que o Grupo Heineken vem mantendo o foco em revitalizar o portfólio com ênfase nas cervejas premium, com baixo teor alcoólico ou mesmo sem álcool.

Isso fica claro nos dados divulgados pelo Grupo Heineken sobre o Brasil. De acordo com o balanço, a estratégia de deixar em segundo plano o portfólio econômico resultou em um encolhimento de 40% nas vendas desse tipo de produto. E provocou impacto no volume geral de cervejas vendidas no país: no trimestre, a queda ficou em torno dos 15%, apesar da expansão acima do mercado dos portfólios premium, impulsionada pelo crescimento nas vendas de Heineken, Eisenbahn, Devassa e Amstel, além do lançamento da Tiger.

Um movimento parecido ocorreu com os produtos não cervejeiros, que teve queda de 50,9% no seu volume após a retirada do portfólio de refrigerantes que tinham baixa margem de lucro.

“A primeira fase de expansão da capacidade da cervejaria de Ponta Grossa, dedicada ao volume premium, foi concluída com sucesso”, destaca o Grupo Heineken nos comentários do balanço sobre a atividade no Brasil, também citando as mudanças no modelo de distribuição implementadas após acordo com o Sistema Coca-Cola.

Outras regiões
Nas Américas, o volume de cerveja do Grupo Heineken diminuiu 3,4% organicamente no trimestre, para 21,2 milhões de hectolitros. Mas a Heineken expandiu 10,2% na região, chegando aos 4,9 milhões de hectolitros. Os volumes de cerveja na Europa caíram 2,3% organicamente no trimestre, para 23,5 milhões de hectolitros. Na Ásia-Pacífico a queda foi de 37,4%, para 5,9 milhões de hectolitros.

Assim, a única região com expansão nos volumes do portfólio do Grupo Heineken foi a que reúne países da África, Oriente Médio e Europa Oriental: o crescimento ficou em 5,5% no período, com 9,6 milhões de hectolitros. Até por isso, a companhia manteve a expectativa de fechar 2021 abaixo do nível de 2019, último ano pré-pandemia.

O ambiente macro permanece volátil e estamos respondendo de acordo. Estamos adotando uma abordagem assertiva de preços e custos em todos os nossos mercados para enfrentar esse desafio. Portanto, nossas expectativas permanecem inalteradas, com os resultados do ano inteiro permanecendo abaixo de 2019

Dolf van den Brink, CEO do Grupo Heineken