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Fábrica, clube de assinatura e fusão: Como a crise catalisou as novidades da Suricato

Em alguns anos, quando a pandemia do coronavírus for uma triste lembrança de um período de muitas perdas, a Suricato poderá olhar para essa fase também como um marco de várias iniciativas. Afinal, nos últimos meses, a cervejaria de Porto Alegre se movimentou em diversas frentes: realizou uma fusão, passou a ter a sua própria fábrica e decidiu apostar na criação do seu clube de assinatura. Foram ações em cascata, com uma praticamente resultando na seguinte.

Criada em 2015, a Suricato viu o momento adverso como um “catalisador” para novas iniciativas, como declarou seu sócio-fundador, Estevão Chittó, em entrevista ao Guia. Foi isso que motivou a marca a se unir com outra porto-alegrense, a Distrito, para uma fusão que ainda permitiu o surgimento de uma terceira marca, a Cubo Cia Cervejaria, que terá sua produção focada em Lagers. Uma fusão que, em sua visão, permitiu a junção de públicos diferentes na região do 4º Distrito em Porto Alegre.

Dessa mudança, também veio outra: a troca da vida de cigana, pela possibilidade de contar com fabricação própria, ainda que, em função da pandemia, a sua capacidade produtiva seja diminuta. Foi suficiente, porém, para, além de realizar um sonho de Estevão, permitir a Suricato a adotar nova ação, diante da flexibilidade de produção conquistada: a criação do seu próprio clube de assinaturas, esse focado em IPAs.

Essa sequência de mudanças deixa a expectativa de que a Suricato consiga chegar ao fim da pandemia em boas condições. Quando ela terminar, afinal, para Estevão, serão aquelas marcas que tiverem conseguido superar o momento complicado que irão aproveitar o desejo, até agora freado, da população de frequentar bares e eventos.

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Nestes, alguns deles certamente vão se deparar com a Suricato cheia de novidades para o público cervejeiro. Confira quais são elas e como foram pensadas por Estevão Chittó, sócio-fundador da marca, na entrevista ao Guia:

A pandemia paralisou muitas cervejarias, mas para Suricato parece ter sido o contrário. Como a marca conseguiu passar por uma fusão e ainda ter a própria fábrica em meio à crise?
A pandemia teve um efeito catalisador para nós e para o setor. Foi um momento de crise, especialmente para quem vendia em bar próprio. Quem vendia para bares, como nós, também teve uma mudança significativa. Todas aquelas ideias que você tem guardadas ganham importância maior quando se precisa de alternativa. Éramos ciganos, mas há muito tempo buscávamos ter uma fábrica própria. Primeiro para ter produtos mais baratos, o que é uma redução de custos. E, para mim, um engenheiro de produção, foi sempre um desejo.

A Distrito era um brewpub, precisava expandir a marca, só vendia no seu bar. A gente já vinha conversando sobre alternativas para as marcas desde 2019. Com a pandemia surgiu uma oportunidade para nós. Hoje estamos em um espaço maior, que permite a ampliação para a fábrica, com um bar maior, que é do tamanho de todo o espaço do brewpub. Migramos a operação. E colocamos os produtos da Distrito em lata no mercado. Ganhamos uma fábrica. E agora não somos uma marca só. Somos duas e meia, porque também criamos a Cubo, a marca-mãe, pois Suricato e Distrito tinham públicos muito específicos. E não comunicaria bem um outro nome sobressair. Então, criamos a Cubo. Nunca fizemos Lager, e a Cubo será a marca que se dedicará a isso. É duas e meia porque os produtos da Cubo ainda não foram lançados, só têm duas cervejas no bar. Perto do verão devemos lançar.

Como você disse, Suricato e Distrito dialogam com públicos diferentes. Como eles reagiram a essa união?
A Suricato comunica com um público mais avançado, o tal “high-end”, que quer uma IPA diferente, explora sabores. Desde 2015 é assim, quando tínhamos Sours e uma Pumpkin Ale. O Distrito, como um brewpub, tinha um público da região norte de Porto Alegre, uma comunicação de bar, mais próxima do consumidor, conhecido pelo nome. E os produtos sempre foram mais para o público entrante, que ia para beber cervejas com amigos. Esse era um grande desafio da fusão, entregar valores diferentes para públicos diferentes. Para o público da Distrito, o valor é um bar maior, melhor organizado, com uma fábrica maior e com uma marca que é um passo à frente, a Suricato. Já o público da Suricato sempre comentou que não a levava para o churrasco porque era cara. Hoje, tenho uma IPA de combate, da Distrito, mas com o selo Suricato. E, para esse público, têm cervejas mais focadas em estilos clássicos e drinkability, com um preço mais acessível. Com essa divisão das marcas, eu deixo de ter essas dificuldades com o público. Eu posso jogar a Suricato lá para cima, fazer só o high-end, deixando a Lager para a Cubo e a APA para a Distrito. Não preciso ter uma marca só que abrace todo esse universo. O público entendeu isso, tivemos respostas muito boas. E os públicos das marcas cresceram. Cada um se descobriu, porque antes não tinha essa interação. A gente vê essa descoberta no bar.

Acha que fusões, como a da Suricato e da Distrito, podem se tornar uma tendência no setor de artesanais?
O mercado ainda é muito verde, tem muita marca nova surgindo, mas o cara não entende muito de administração, é só um apaixonado. Então, ela fecha ou é absorvida. Com o amadurecimento do mercado, a gente vai enxergando empresas maiores e profissionalizadas. A tendência é que as cervejarias que permanecerem no mercado tenham aumento de volume e de venda. Abrir cervejaria que vende 400 litros por mês é uma bolha. E uma bolha que está estourando, pois não tem como você tirar dinheiro com uma tributação tão alta. A conta não fecha. Então, as mais estruturadas estão englobando as menores, que têm, muitas vezes, um produto que se comunica com um nicho, mas não têm estrutura para tocar um negócio. Deve acontecer mais no segundo ano de pandemia, com grandes empresas aproveitando oportunidades de incorporação. É diferente do nosso caso, que foi uma fusão de empresas de tamanhos parecidos.

Como tem sido a operação da fábrica? Qual é a sua capacidade atual e a quanto pode chegar?
A pandemia é um desafio econômico grande, com muita inadimplência. A gente está fazendo as coisas aos poucos, ainda não terminou a reforma, mas a fábrica começou a operar no início do ano. Ainda falta chegar coisas, como a enlatadora, por exemplo. Estamos com uma cautela maior por ser em meio à pandemia. O projeto é para 20 mil litros/mês. Hoje está com a capacidade total ocupada, produzindo 4 mil litros/mês. Então, a fábrica está menor do que o volume que a Suricato vendia antes da pandemia, que chegou a 10 mil. Sem falar de Distrito e Cubo. A gente está com a fábrica esgoelada e negocia produções ciganas para não inviabilizar o nosso capital.

Como surgiu a ideia de criar um clube de assinaturas da Suricato?

Nos últimos anos, temos tido acesso a lúpulos novos, de maior qualidade. E eu, como cervejeiro, quero testar, compartilhar essas cervejas. Na fábrica, temos dois tanques pequenos, que é o sonho de todo cervejeiro. E com essa vontade de usar esses lúpulos, veio o desejo de fazer produtos exclusivos para esse público da Suricato. É o primeiro clube, temos projetos de outros. Optamos pelo de IPA por esse mercado novo de lúpulo no Brasil, mas também por enxergar como um produto que vende mais fácil do que Sour. O consumo de IPA é maior. Tenho incertezas quanto ao modelo, ter uma a menos facilita bastante. É uma comunicação direta, com uma venda direta ao público, algo que a gente sempre quis. Consigo fazer um produto mais caro em insumos e ter um preço competitivo, o que não conseguiria em uma linha normal. É mais uma opção: vendo no bar, vendo para uma distribuidora de São Paulo e agora a venda do clube.

Em sua visão, em qual espaço do mercado iniciativas como o clube de assinatura vão se colocar no setor?
Acho que veio para ficar como uma alternativa, mas os clubes não são uma ameaça ao bar. A interação social do bar, o clube não substitui, mesmo sendo a melhor cerveja do mundo. Imagina: em setembro, outubro, estará esquentando, as calçadas do país estarão tomadas… Então, o desafio do clube é entregar valor para que o consumidor do bar compre no clube. O bar é muito mais uma ameaça ao clube. É um bom negócio para o consumidor, mas não é a nossa bala de prata. É mais um canal de venda.

E como imagina o setor cervejeiro ao fim da pandemia?
Tenho lido sobre comportamento pós-pandemia de outros países. E tenho convicção que teremos alguns meses de bonança, com um consumo quase desenfreado, com as pessoas querendo ir ao bar. O bar vai vender mais por isso e porque o do lado fechou, quebrou na pandemia. Quem dividia o movimento está sozinho e vai estourar de vender. É o mesmo para cervejarias, muitas só não fecharam por orgulho. A pandemia deu uma selecionada no mercado. Ainda vai ter um resquício de quebradeira. O rescaldo é que quem sobreviveu vai se dar muito bem.

Quais são os próximos passos da Suricato?
Vamos ter os primeiros envios de cerveja no fim do mês, continuamos lançando cervejas quase que mensalmente, têm alguns produtos novos por vir. Começamos a operação nova em São Paulo, com uma nova distribuidora, então já foi uma primeira leva para eles. Voltamos a ter uma presença naquele que foi o nosso maior mercado. Espero chegar lá com mais produtos. Queremos aumentar a consistência e a qualidade dos nossos produtos com a fábrica.

Com homenagem a Salvador Dalí, Blumenau lança 2ª cerveja da Mestres do Tempo

A Cerveja Blumenau anunciou um lançamento que já chega ao mercado premiado: a Maracujá Negro, segundo rótulo da linha Mestres do Tempo e medalhista de ouro na categoria Mixed-Culture Brett Beer no Concurso Brasileiro de Cervejas deste ano. E, além desse reconhecimento prévio, a novidade tem seu rótulo inspirado em uma obra de Salvador Dalí, icônico pintor espanhol surrealista.

No rótulo da Maracujá Negro, a Blumenau faz uma releitura de uma das obras-primas de Dalí, A Persistência da Memória, de 1931. Os elementos que compõem a cerveja se relacionam com a obra, que também faz referência ao nome: o tradicional maracujá, envolto em uma cerveja de coloração escura.

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A bebida tem graduação alcoólica de 7,5% e 8 IBUs. E está sendo lançada em edição limitada, de 700 garrafas, rolhadas, que estão à venda a partir deste mês. 

Apontado como uma cerveja de guarda, o rótulo é um blend de duas produções que estão maturando em barris de madeira há mais de 15 meses na adega da Blumenau: uma Belgian Dark Strong Ale com adição de framboesas e uma cerveja de fermentação espontânea com adição de polpa de maracujá. Além disso, a Maracujá Negro foi refermentada com leveduras Brettanomyces isoladas, em parceria com a Levteck e com alunos da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM).

“Os barris que maturaram essas cervejas estavam entre os primeiros do projeto da adega, que hoje tem mais de 40 cervejas. O que gostamos muito nessa combinação é que os elementos – maltes tostados, framboesas, maracujá –estão transformados, mas seguem presentes”, comenta o cervejeiro da Blumenau, Marcos Guerra.

A proposta da linha Mestres do Tempo é valorizar cervejas que tenham um processo mais longo de maturação e que, a partir dos reflexos do passar das horas, dias e meses, se tornem ainda mais especiais, segundo descreve a marca. É o caso da Maracujá Negro. Afinal, segundo Guerra, ela é sensorialmente uma cerveja que segue o intuito da série: rótulos com muita complexidade e “que podem surpreender até mesmo os apreciadores de cerveja artesanal mais exigentes”.

6 tendências para o futuro do setor cervejeiro pós-pandemia

O mês de março de 2020 representou um marco e uma ruptura na sociedade, atingida pelo coronavírus que levou centenas de milhares de vidas brasileiras, provocou uma crise sanitária inimaginável e alterou hábitos e atividades. Mas isso terminará para todos os segmentos, que levarão consigo traumas, adaptações e novas iniciativas, como o setor cervejeiro, que, aos poucos, começa a vislumbrar o futuro pós-pandemia.

Essa nova fase ainda está distante, sendo difícil prever quando poderá ser percebida, mas a aceleração da vacinação e o início do agendamento de alguns eventos para 2022 começam a indicar – e a dar esperanças – de que a crise sanitária poderá ser controlada. Pensando nisso, o Guia ouviu especialistas para a segunda parte do dossiê sobre o momento do mercado e, agora, mais especificamente, a respeito de como será o pós-pandemia do setor cervejeiro.

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Para o segmento de artesanais, a expectativa é de que a nova fase seja marcada pela concentração de marcas, como um dos efeitos provocados pela crise econômica que enfraqueceu vários participantes do setor. Além disso, a aposta é de que ocorrerá um boom de consumo fora de casa, algo que vem sendo freado nos últimos meses pelas medidas restritivas.

Apesar disso, os especialistas apostam que as vendas pelo comércio eletrônico e delivery e eventos online continuarão sendo uma das marcas do setor cervejeiro no pós-pandemia. E asseguram que a expansão do setor, paralisada no início de 2020, será retomada brevemente, superando os níveis de consumo de artesanais de 2019.

Confira 6 tendências para o setor cervejeiro pós-pandemia na opinião de especialistas ouvidos pelo Guia:

1- Boom de consumo nos tradicionais pontos de venda
Após meses fechados ou funcionando com inúmeras restrições, bares e restaurantes devem aproveitar o controle da pandemia para reencontrar seu público.

A gente imagina que haverá oportunidades, uma explosão de consumo nos pontos de venda, nos bares, nos restaurantes, mas que quem vai aproveitar será quem estiver melhor preparado, principalmente nas questões relacionadas ao caixa. Quem tiver grana para atender esses pontos de venda, tiver capital de giro, fizer enxoval e ações, é quem vai conseguir se dar muito bem nessa retomada

Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM)

2- Maior concentração entre marcas artesanais
Nem todos puderam vencer os desafios enfrentados em uma crise que perdura há mais de um ano. E isso deverá ser percebido com a presença de menos marcas no setor. “A gente acha que, com o fim da pandemia, vai haver uma ocupação de alguns grupos dessas lacunas criadas pelas cervejarias que vão fechar. Então, quem tinha recurso econômico, quem tinha capacidade para suportar o baque, vai ocupar, realmente, essas lacunas. Então, eu acho que vai haver uma concentração”, avalia o presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva), Marco Antonio Falcone.

Já para Bressiani, o que se verá é uma concentração do segmento de cervejas artesanais em algumas marcas, fruto também de fusões e compras. “Já começa a acontecer um certo movimento de fusões, de mudanças, de aquisições, então, acho que isso também é uma tendência dos próximos meses”, destaca o diretor da ESCM.

3- Manutenção das vendas online
O e-commerce e o delivery, saídas para cervejarias na pandemia, continuarão ativos e atraentes para os clientes. Mas as marcas precisarão saber dialogar com seu público, segundo analisa a sommelière Bia Amorim.

O desafio é conseguir fazer com que o comercial trabalhe em diferentes canais as ferramentas que trouxeram novas possibilidades, que foram abertas durante o período de isolamento. Essa nova fase, muito mais virtual do que havíamos vivido, mostrou que a criação de conteúdo de qualidade não é tão fácil quanto parece e não basta apenas fazer uma boa cerveja, é preciso comunicar que ela existe e ter conceitos bem embasados da história que conta

Bia Amorim, sommelière

4- Surgimento de eventos híbridos
O mundo virtual, que ganhou espaço na pandemia, também conviverá harmonicamente com eventos presenciais. “Acredito que a tendência é vivermos em um estado híbrido, onde muito do que vamos fazer no off, será transmitido pelo on, cada vez mais acessível e globalizado. As vendas pelos e-commerces ganham força e confiança, além do aumento de assinaturas de clubes e comunidades mais consolidadas”, acrescenta Bia.

5- Reforço da criatividade nas cervejarias
Aguçada pela falta de alternativas durante a pandemia, a criatividade seguirá em alta. “O que se tem por certo é que toda crise desperta o lado mais criativo em busca de soluções de contorno para as mais distintas situações. O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja no mundo, o que não é pouca coisa, e a efervescência que se observa no setor certamente se manterá”, argumenta Carla Crippa, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Crippa lembra, ainda, que o Padrão de Identidade e Qualidade da Cerveja (PIQ da Cerveja), publicado no fim de 2019 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, permite uma série de inovações nas receitas, como a possibilidade de substituição do lúpulo por ervas e a permissão de inclusão de matérias-primas de origem animal e outros ingredientes de origem vegetal na receita da bebida. E, em sua visão, isso deve reforçar a inovação na atuação das cervejarias.

O novo PIQ de Cerveja abre espaço para ampliar a criatividade brasileira na produção da cerveja, que vai se fixando mais e mais como uma paixão nacional

Carla Crippa, presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv)

6- Retomada do crescimento paralisado em 2019
O setor de cervejas artesanais voltará a ocupar o espaço que tinha há dois anos. “O mercado tende a voltar aonde estava em 2019 e sobrepassar esse valor, esse porcentual de consumo das artesanais, assim que a coisa melhorar. Em um período de um ano, depois da normalização, imagino que já vai ter recuperado, inclusive, pode até superar o que nós tínhamos anteriormente”, prevê Bressiani, da ESCM.

Já o presidente da Febracerva aposta que o setor de artesanais poderá, em breve, responder por 2% do segmento cervejeiro no pós-pandemia.

Muitas dessas cervejarias que foram registradas, que não estão operando, vão entrar em operação e eu acredito que o setor de cervejas artesanais consiga chegar aos 2% mercado – hoje, a gente calcula 1,5%. Então, em 2022, com a tendência de controle dessa pandemia, o setor alcançaria os 2% e continuaria evoluindo, porque antes da pandemia, ele crescia 15% ao ano

Marco Antonio Falcone, presidente da Febracerva

Parceria da Colonus resulta na criação da 1ª kombucha alcoólica do Rio de Janeiro

A Cervejaria Colonus participou diretamente da concepção da primeira kombucha alcoólica do estado do Rio de Janeiro. A bebida, afinal, foi produzida em sua fábrica em parceria com a Eos Kombucha, sendo considerada ideal para quem procura uma alcoólica low-carb, de fermentação natural e saudável.

A kombucha é um fermentado à base de chás e açúcar que utiliza bactérias e leveduras no processo de fabricação. Pode ser feita com frutas e especiarias e há versões alcoólicas. Seu modo de produção tem semelhanças com o da cerveja, sendo vista, para o consumidor, como uma potencial substituta para os refrigerantes.

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Segundo Duda Tassarini, fundadora da Eos Kombucha, nos Estados Unidos é comum achar uma gôndola repleta de kombuchas na área de bebidas refrigeradas de um supermercado, mas no Brasil só existem outras cinco marcas alcoólicas da bebida.

É um mercado, assim, que a Eos busca explorar, agora com a participação direta da Colonus. “O consumo de kombucha vem crescendo a cada ano. Então, decidimos investir e ser os primeiros do Estado do Rio de Janeiro a fabricar kombuchas alcoólicas. E o apoio da equipe da Colonus foi fundamental para isso”, destaca Duda.

A descoberta da Colonus se deu através do site da Rota Cervejeira RJ, com a marca topando fazer a kombucha, o que demandou adaptações na linha de produção da sua fábrica em Petrópolis, segundo acrescenta Duda. “Por não ser cerveja, o pessoal da Colonus e nós tivemos que adaptar processos. Acompanhamos todas as etapas e fomos à cervejaria várias vezes para provar o produto.”

Leandro Leal, um dos sócios da Colonus, conta como a fabricação da kombucha foi um grande desafio para a cervejaria. “Tratamos da produção como fazemos com as demais cervejas ciganas que produzimos aqui na fábrica, sempre com a supervisão da Duda [criadora da Eos Kombucha].”

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A novidade tem 4,5% de teor alcoólico e foi fabricada com água potável, cultura simbiótica de kombucha, açúcar orgânico, chá verde orgânico, framboesa, cassis, morango, maçã, hibisco e levedura.

7 de 10 trabalhos sobre ciência cervejeira são do Sul e do Sudeste, diz pesquisa

Sete de cada dez pesquisas relacionadas à ciência cervejeira no país são realizadas nas regiões Sul e Sudeste. É o que aponta a 1ª edição do Mapa da Ciência e Pesquisa Cervejeira no Brasil, realizada e divulgada pelo Science of Beer Institute, a partir das respostas apresentadas por 43 pesquisadores.

O trabalho apresenta a concentração dos estudos sobre o segmento nessas regiões, onde há quantidade maior de indústrias cervejeiras e disseminação mais ampla da sua cultura. Assim, há uma participação diminuta das outras regiões, sendo de 12% no Centro-Oeste, 11% no Nordeste e apenas 7% no Norte.

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A pesquisa ainda identifica uma participação quase igualitária de gênero nos trabalhos sobre a ciência da cerveja no Brasil: a presença masculina é de 53%, contra 47% das mulheres.

O Mapa da Ciência e Pesquisa Cervejeira no Brasil também aponta que os estudos sobre cerveja têm se concentrado na pós-graduação: 1 de cada 3 trabalhos – ou 33% – são de mestrado, com 28% sendo de doutorado. Já as atividades de iniciação científica se resumem a 17%.

Além disso, o levantamento do Science of Beer dividiu os trabalhos em nichos de linhas de pesquisa. Há maior concentração em pesquisas sobre produção e processos, com participação de 37%, seguidos por aspectos étnicos-culturais, com 24%, e de análises físico-químicas, com 21%.

O mapa
Esses resultados são fruto de um trabalho iniciado em 2020 pelo Science of Beer para mapear a cena da ciência cervejeira no Brasil. E foram tabulados a partir do preenchimento de um formulário online pelos cientistas que, assim, compartilharam informações sobre as suas linhas de pesquisa.

A ideia da iniciativa foi organizar um projeto de mapeamento da cena da ciência no setor, buscando conhecer e reunir pesquisadores, laboratórios e interessados em produzir estudos no segmento.

A partir da divulgação do retrato da área científica cervejeira do país, há a expectativa de que o estudo ajude a abrir espaço para a discussão de novos caminhos, inclusive para o financiamento de pesquisas sobre cerveja no Brasil.

Idealizadora do trabalho e CEO do Science of Beer, Amanda Reitenbach aponta que os pesquisadores no Brasil encaram diversas dificuldades, como salários baixos e desafios para obtenção de financiamento e de dedicação exclusiva à ciência. E destaca a necessidade de estímulo pelo governo aos trabalhos de pesquisa, além de defender a aproximação entre a academia e a sociedade.

“É imprescindível uma política nacional de fomento à ciência e à pesquisa de longo prazo e bem estruturada. Isso significa que esta política deveria começar fomentando a educação científica na base e seguindo até o topo das instituições acadêmicas e das empresas, com estímulos e apoios duradouros à inovação e à ciência. Uma aproximação da comunidade ao que a ciência produz e desenvolve também é essencial para mudar como a pesquisa é vista por quem não é pesquisador”, aponta nas considerações finais do trabalho.

Bil Bil Beer celebra aniversário de 10 anos com concurso para caseiros

Para comemorar seus 10 anos no mercado, a Bil Bil Beer anunciou a realização de um concurso para cervejeiros caseiros. Será o 1º Concurso de Cerveja Artesanal Coopers Free-Style, organizado pela brew shop, que conta com unidades em Curitiba (PR) e Uberlândia (MG).

O vencedor de cada categoria e do Best of Show poderá optar entre uma panela elétrica do modelo Single Vessel da Brewzilla, de 35 litros, e um curso de beer sommelier do Centro Europeu de Curitiba (PR). O segundo e o terceiro colocados ganharão prêmios como lúpulos e leveduras.

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As inscrições podem ser realizadas até 31 de agosto, com o período de recebimento de amostras sendo de 23 de agosto a 3 de setembro nas unidades da brew shop – elas podem ser entregues em garrafas de 300ml, 330ml, 500ml ou 600ml. Já o julgamento acontecerá em 7 e 8 de setembro. A Bil Bil Beer explicou ainda que, para participar do concurso, é necessário a compra e utilização de algum produto da Coopers, que tem seus insumos fornecidos no país pela brew shop.

Poderão participar da competição cervejeiros caseiros residentes no Brasil com ao menos 18 anos completos até 1º de agosto. Também está permitida a participação de grupos desde que seja eleito um representante.

“O concurso dará a oportunidade para que as suas melhores cervejas sejam avaliadas por especialistas do segmento sommelier, cervejeiro e juízes BJCP com feedback individual para cada participante”, destacou a BilBil Beer.

Em suas unidades, a Bil Bil Beer oferece produtos para as pessoas fazerem diversos tipos de fermentados em suas casas, além de insumos e equipamentos para produção de cerveja artesanal através dos processos “all grain” (cerveja de panela) e “beer kit” (extratos de maltes lupulados).

Para mais informações sobre o concurso, acesse aqui.

Cerveja tem inflação acima do IPCA em junho e fecha semestre com alta de 2,58%

A inflação da cerveja foi bem maior do que a do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho e terminou o sexto mês de 2021 em 1,03%, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com essa elevação expressiva, o item finalizou o primeiro semestre do ano com alta de 2,58%. Somado ao resultado do segundo semestre de 2020, a alta da cerveja em domicílio ficou em 5,02% nos últimos 12 meses.

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Além disso, a inflação da cerveja em junho foi quase o dobro da registrada pelo IPCA, de 0,53%, bastante pressionada pela aceleração dos preços da energia elétrica, mas ainda assim mais baixa do que a de maio, quando havia sido de 0,83%.

O índice está em 3,77% ao fim do primeiro semestre de 2021 e em 8,35% no somatório dos últimos 12 meses, o maior porcentual desde setembro de 2016. Também vem muito acima do teto da meta do governo federal para a inflação do ano – o centro é de 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

“A energia continuou subindo muito por conta da bandeira tarifária vermelha patamar 2, que passou a vigorar em junho e acrescenta R$ 6,243 à conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em maio, estava em vigor a bandeira vermelha patamar 1, cujo acréscimo é menor (R$ 4,169). Os preços, porém, desaceleraram em junho devido aos diversos reajustes captados em maio nas áreas pesquisadas. Em junho, tivemos apenas o reajuste médio de 8,97%, em Curitiba, no fim do mês”, explica o analista da pesquisa do IBGE, André Filipe Guedes Almeida.

Em função da alta de 1,95% da energia elétrica, o item habitação foi o que apresentou maior impacto no IPCA de junho, seguido pelos grupos alimentação e bebidas e transporte. No caso de alimentação e bebidas, a inflação no mês ficou em 0,43%, chegando aos 2,72% no primeiro semestre. E está em 6,29% nos últimos 12 meses.

Dentro desse contexto, a cerveja fora do domicílio apresentou inflação mais modesta do que a no domicílio em junho, de 0,48%. O item acumulou alta de 2,30% no primeiro semestre de 2021, com expansão anualizada de 4,47%.

Já outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram deflação de 0,92% em junho. O item acumula alta de 6,10% no primeiro semestre de 2021. E ficou em 11,67% nos últimos 12 meses, apesar da redução recente.

Outras bebidas alcoólicas fora do domicílio, por sua vez, registraram inflação de 0,68% em junho. E antes em deflação em 2021, agora têm alta de 0,65% no ano. Ela também é de 4,05% nos últimos 12 meses.

Academia da Cerveja conclui 1º semestre com foco em novas regiões e sede física

Colocar em prática um empreendimento em meio a uma crise sanitária não é uma tarefa simples, mas foi esse o desafio encarado pela Academia da Cerveja no primeiro semestre de 2021. Concluídos os seis primeiros meses de funcionamento da escola cervejeira, os seus responsáveis miram os próximos passos com dois focos: espalhar as suas atividades para os diversos estados brasileiros e abrir a sua sede física.

A Academia da Cerveja, criada pela Ambev e hoje funcionando completamente online, terminou o primeiro semestre tendo atendido 1.800 alunos. Além disso, realizou 29 eventos, com 22 cursos e 7 webinars. E alguns dos destaques foram o Programa Cicerone, ministrado por Sol Cravello; A Importância da Espuma para a Qualidade da Cerveja, com Charles Bamforth; A Diversidade Cervejeira ao Redor do Mundo, com Charles Nouwen; e A Produção de Lúpulo Nacional, com Mariana Mendes Fagherazzi.

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Intensificar ações para levar os cursos para novas regiões deve ser algo prioritário nos próximos meses para a Academia da Cerveja, de acordo com o seu gerente, Alexandre Esber. E, de fato, nas próximas semanas, haverá conteúdos específicos para o Piauí, o Distrito Federal, o Maranhão, o Amapá e o Acre.

“Temos um plano já bastante solidificado para impactar e alcançar alunos de todo o Brasil, e posso te adiantar que essa é uma meta que consideramos ousada quando lançamos a Academia da Cerveja, mas que, felizmente, está muito perto de se tornar realidade”, aponta Esber ao Guia. “As oportunidades de aprendizado cervejeiro, por vezes, ficam concentradas em algumas regiões específicas, então temos muito orgulho de estar expandindo a nossa atuação ao lado de importantes escolas cervejeiras do Brasil e do mundo, que também entendem o nosso papel para ampliar as oportunidades no nosso mercado.”

No começo de 2021, quando iniciou as suas atividades, a Academia da Cerveja trabalhava sob a perspectiva de inaugurar até maio a sua sede física em São Paulo, uma situação que ficou inviabilizada em função do avanço da pandemia do coronavírus. A instituição, então, precisou se adaptar. Mas, como destaca Esber, não vê a hora de ter a sua “casa”.

Com a pandemia, adiamos a inauguração da nossa sede física. Cerveja tem um lado sensorial que é inerente, então estamos bastante ansiosos por proporcionar uma experiência mais completa para nossos alunos. Com a onipresença das telas na nossa vida, nos adaptamos para as aulas acontecerem de forma totalmente remota por um tempo maior que o previsto, oferecendo infraestrutura para nosso time de professores, com microfones, iluminação e todo equipamento necessário para que a experiência dos alunos seja sempre a melhor possível

Alexandre Esber, gerente da Academia da Cerveja

Idealizada pela Ambev, a Academia da Cerveja reúne institutos internacionais, como o alemão VLB Berlin, e algumas das mais importantes escolas cervejeiras do país, como a Escola Superior de Cerveja e Malte, o Instituto Ceres e o Instituto Marketing Cervejeiro. E Esber aponta o quão desafiante foi criar a instituição de ensino e compreender as dinâmicas desse tipo de atividade.

“Apesar da equipe já trabalhar com o mundo da cerveja e ter bastante domínio do assunto, ninguém tinha experiência prévia no mundo do ensino. Montar uma escola exige e tem exigido aprendizados diários, e isso inclui uma parte burocrática bem desafiadora, com alvarás, registros, licenças e tudo mais que se pode imaginar. Isso só nos fez admirar ainda mais as escolas que atuam no país”, comenta Esber.

O gerente da Academia da Cerveja relata, ainda, o trabalho e esforço envolvidos para definir um cronograma de atividades que fornecesse informações de qualidade sem que isso afastasse iniciantes que ainda buscam os primeiros contatos com o conhecimento cervejeiro.

“Um outro desafio foi o de tentar criar iniciativas que tivessem alcance relevante, que fossem acessíveis e democráticas – mas que, ao mesmo tempo, agregassem conhecimento cervejeiro. Fazemos sempre este exercício de adaptar assuntos técnicos para uma linguagem acessível, sem perder conteúdo no caminho”, conclui Esber.

Itália x Inglaterra: E se a final da Eurocopa fosse entre as cervejas dos países?

Confrontos que colocam em um lado o que é tradicional contra algo inovador são rotineiros, quase um clichê, na sociedade, nas expressões artísticas e nos esportes. E um deles bem que poderia acontecer neste domingo, caso a decisão da Eurocopa entre Inglaterra e Itália não fosse disputada no estádio de Wembley, mas em uma mesa de um bar, um pub ou uma cantina, entre as cervejas desses dois países.

As diferenças entre as cervejas italiana e inglesa, na visão de especialistas ouvidos pelo Guia, já se iniciam por aspectos culturais. E isso influenciou as trajetórias e a tradição que cada uma construiu. Por exemplo, a cerveja – e o seu consumo em pubs – sempre foi um forte aspecto na sociedade inglesa, o que trouxe efeitos para o seu modo de fabricação.

“É um lugar do mundo onde a cultura cervejeira é muito forte, muito enraizada. Os ingleses amam cerveja, assim como amam futebol também. São duas coisas que estão muito ligadas, inclusive se reunir nos pubs para assistir os jogos e até comemorar as vitórias, tomando uma tradicional cerveja inglesa, é realmente algo que os ingleses gostam muito de fazer”, lembra o sommelier Rodrigo Sena.

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É um contexto bem diferente ao dos italianos, marcados em sua trajetória pela tradição do vinho. Mas, com o tempo, o apreço pela produção artesanal rendeu ótimos resultados. “A Itália é um dos países onde tradicionalmente o vinho é a bebida mais popular. E que tem ali uma cultura mais enraizada. O italiano toma um vinho no almoço, eles têm máquinas de vinho espalhadas pelas ruas”, acrescenta Rodrigo.

Contrapontos que se refletem, assim, em suas cervejas e nas seleções finalistas da Eurocopa. De um lado, a secular cerveja inglesa, tradicional, feita com ingredientes mais básicos, contra a inovação e uma nova forma de se ver e produzir a bebida na Itália.

A tradição inglesa
O sommelier Luís Celso Jr. lembra que, além de ser uma das quatro escolas cervejeiras do mundo, a Inglaterra possui uma tradição que remonta a períodos anteriores à Idade Média.

“Tem várias influências anteriores, do Império Romano, que chegou até a Inglaterra, e até mesmo dos escandinavos, dos vikings. Tanto é que a palavra Ale, que é como o britânico chama a sua cerveja, vem do escandinavo”, diz Celso, também destacando que a evolução da malteação e sua tecnologia no país tem relação direta com a possibilidade de criação de diferentes cervejas e estilos, com a consolidação de alguns tipicamente ingleses, como Porter e Pale Ale, que conquistaram espaço no mercado especialmente a partir dos séculos XVIII e XIX, respectivamente.

Para Rodrigo, esta longa história se reflete em produções de cervejas sem a inserção de muitos aditivos. “A cerveja na Inglaterra tem uma característica muito própria ali da escola inglesa, são estilos mais tradicionais. Não tem tanta invenção. São cervejas, normalmente, só com os ingredientes básicos, malte, lúpulo, levedura e água.”

A cerveja inglesa também é diretamente influenciada pelos pubs, onde tradicionalmente eram consumidas direto dos barris, que passavam por fermentação a cada vez que o recipiente era completado com a produção, depois sendo servida por gravidade.

A cerveja inglesa tem menos carbonatação, menos espuma porque ela é uma cerveja que, por ser servida tradicionalmente dos barris, perde gás

Luís Celso Jr., sommelier e fundador do Bar do Celso

Celso também destaca a participação efetiva da Inglaterra no renascimento das artesanais, o que inclui a valorização da cerveja acondicionada em barris, amadurecida por essa fermentação secundária, em um reforço das tradições.

“Um movimento acontece a partir dos anos 1970, nos Estados Unidos e na Europa, principalmente na Inglaterra. Eles acabam sendo o símbolo nacional da cerveja inglesa. Alguns jornalistas ficam descontentes com a invasão do chope, da cerveja sob pressão, com esses barris recebendo pressão de gás carbônico para soltar a cerveja. E isso era o símbolo da cerveja em massa. E eles acabam fazendo um grupo chamado Camra (Campaign For Real Ale), que surge para propagandear a Real Ale Caske Beer”, comenta.

A inventividade italiana
Enquanto a Inglaterra busca valorizar a sua tradição, a Itália encontrou, aos poucos, as suas próprias soluções para produzir cervejas com características próprias. A partir do uso de estilos clássicos vinculados a escolas como a belga e a própria inglesa, mas sem imitações, inventou algo diferente a partir de uma das suas fortalezas históricas: a gastronomia e o uso habilidoso de ingredientes e condimentos, como destaca Celso.

“Algumas cervejarias principais acabam nascendo no fim dos anos 1980, algumas ideias malucas acabam acontecendo e bastante gastronômicas, o que tem tudo a ver com a Itália, com o seu apreço pela gastronomia”, aponta Celso. “Então, tem algumas cervejarias bem legais, como a Baladin, por exemplo, e algumas outras que usam de uma forma muito habilidosa as adições de tempero na cerveja, condimentos dos mais diversos, como mix de ervas, vários tipos de materiais que eles podem usar aí para dar cor, aroma, sabor.”

Para ele, a forte relação italiana com as produções artesanais também ajuda a explicar a ascensão recente da cerveja no país. “Tem a questão da cerveja artesanal, como um produto mais nobre, um produto diferente. E o italiano gosta de valorizar o que é artesanal, tem um apreço por essas coisas, feitas em casa, boa pizza napolitana feita na pequena pizzaria. Tem todo um apelo que fez com que a ideia da cerveja artesanal crescesse muito rápido na Itália”, analisa Celso.

E as seleções?
A renovação e a inventividade das cervejas artesanais italianas também são vistas por Rodrigo na trajetória da seleção do país na Eurocopa. Afinal, após ser campeã mundial em 2006, vinha acumulando fracassos, tendo sido eliminada na primeira fase das Copas de 2010 e de 2014, além de nem ter se classificado para a edição de 2018.

Foi, assim, necessário, se reinventar. E, além de passar pela saída de referências defensivas, como Buffon, a equipe acabou sendo construída com uma formação ofensiva – e até ousada para os seus padrões históricos – pelo técnico Roberto Mancini. Um pouco como as suas cervejas, como avalia Rodrigo, o que ajuda a explicar a impressionante série invicta de 33 jogos da finalista da Eurocopa.

Fazendo um paralelo com a seleção, a italiana praticamente renasceu. Ela chegou no fundo do poço, deixou de ir para a Copa do Mundo, amargou aí alguns anos muito ruins e teve que se reinventar, jogando outro futebol. Então, hoje, a gente vê uma Itália diferente da tradicional, que sempre jogou na retranca, buscando o contra-ataque. Hoje você tem uma Itália agressiva, que trabalha a bola no meio-campo, que é aguda no ataque. Uma Itália que consegue ter atacantes fortes e presentes, que não era tão comum na sua escola futebolística

Rodrigo Sena, sommelier e responsável pelo canal Beersenses

Já a Inglaterra, na visão de Rodrigo, consegue refletir os seus diferentes estilos de cervejas na sua seleção na Eurocopa. A equipe tem a defesa menos vazada do torneio, com apenas um gol sofrido, e viu Pickford bater o recorde do lendário Banks na equipe em tempo sem ser vazado – 721 minutos.

“Tem uma defesa muito forte, muito parruda, que é difícil de tomar gol. O Pickford, o goleiro, bateu o recorde de minutos sem tomar gol, que era do Gordon Banks. Então é uma defesa muito forte, é uma defesa Strong Ale”, diz ele, avaliando que o meio-campo do time dirigido por Gareth Southgate se assemelha, em estilo, às cervejas escuras.

“A gente tem o meio-campo que é muito marcante também, tem uma saída de bola muito boa, que tem jogadores que sabem pensar o jogo. Eu faria um paralelo aí com as escuras, com as Porters e as Stouts, que são cervejas bastante marcantes”, acrescenta Rodrigo.

Já o ataque, que tem Sterling e o artilheiro Kane como referências, lembra, em sua visão, as Bitters, mais leves e costumeiramente bebidas em grandes quantidades nos pubs. “É aquele ataque rápido, leve, fácil de ver, gostoso de apreciar, assim como as Bitters com Sterling e Harry Kane. Um ataque muito, muito, marcante. Mas não agressivo, só que gostoso de se ver. Então, eu faria o paralelo com as Bitters”, explica Rodrigo.

Antes mesmo do começo da Eurocopa, as seleções de Itália e Inglaterra eram consideradas favoritas ao título, mas só os italianos já foram campeões continentais, em 1968. Para quebrar o jejum, os ingleses terão de se tornar o primeiro anfitrião a vencer uma final europeia no século XXI – Portugal e França foram derrotados em 2004 e 2016, respectivamente, em casa.

Além disso, a Itália venceu os quatro confrontos por competições oficiais – Eurocopa de 1980 e 2012 e Copas do Mundo de 1990 e 2014. O resultado do quinto, que definirá o campeão da Eurocopa, será conhecido a partir das 16 horas (de Brasília) deste domingo, em Wembley, certamente com muitas cervejas – italianas ou inglesas – na celebração.

Goose Island lança cerveja com chocolate e chocolate de cerveja colaborativos

Cerveja com chocolate. É nessa combinação que a Goose Island apostou em seu mais recente lançamento, a Cacau Ale. O rótulo é uma colaborativa, criada e produzida em parceria com a Gallete Chocolates, sendo do estilo British Golden Ale. A parceria ainda deu fruto a um outro produto: um chocolate de cerveja.

A Cacau Ale surgiu com o intuito de celebrar o Dia do Chocolate, em 7 de julho, sendo uma cerveja de coloração dourada. Além disso, possui 5% de graduação alcoólica e 35 IBUs. De acordo com o descritivo apresentado pela Goose Island, o rótulo é marcado pela potência do lúpulo, com as notas de chocolate e café complementando o seu sabor. Além disso, conta com o cacau catongo e o adocicado do malte.

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O gerente de marketing da Goose Island, Guilherme de Almeida Aguiar, destacou, ao lançar a Cacau Ale, a busca constante da marca por parcerias e pelo uso de ingredientes que fujam das opções mais tradicionais.

“A cada criação de uma cerveja, temos buscado parcerias diferentes e o uso de ingredientes não muito utilizados em nossos rótulos mais tradicionais. Um bom chocolate combina com qualquer momento, inclusive com uma boa cerveja: seja para harmonizar ou como parte da receita, como é o caso da Cacau Ale. As pessoas estão abertas a novas experiências, então, nossa ideia é sempre trazer bebidas únicas e com sabores inesquecíveis para os consumidores”, afirma Guilherme.

Dessa vez, porém, a parceria não se resumiu a um rótulo. A Goose Island e a Gallette também se uniram para criar um chocolate de cerveja. Para isso, ele ficou por quase um mês em um barril de amburana com a cerveja do estilo Double Porter, como explica a Gallette.

“Estamos falando de um chocolate feito com 70% de cacau da Mata Atlântica, do sul da Bahia, com um processo feito completamente pelo Chocolate Maker. Torrado, quebrado e descascado em formato de nibs de cacau, que foi embebido em barril de amburana com cerveja para que pudesse criar notas características”, detalha Gislaine Gallette, fundadora da Gallette Chocolates.

A Cacau Ale, em chope, e o chocolate de cerveja podem ser encontrados na brewhouse da Goose Island, em São Paulo, ou via aplicativos de delivery. Já os chocolates também estão disponíveis na loja da Gallette.