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Contra crise, Bahia lança campanha para estimular venda de cerveja artesanal

A pandemia do coronavírus trouxe impacto substancial no crescente mercado de cervejas artesanais da Bahia. Antes apresentando números significativos de expansão, boa parte das marcas locais passaram a lutar pela sobrevivência com as necessárias restrições impostas pela Covid-19. E, para enfrentar a crise, o setor se uniu com a criação da campanha “Cerveja artesanal da Bahia, compre essa ideia”.

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Apoiada pelo Sebrae Bahia e realizada pelo projeto Beba Local Bahia, a campanha envolvendo a cerveja artesanal pretende alavancar as vendas das marcas participantes, aumentando também a visibilidade das marcas baianas frente a um público consumidor cada vez mais crescente.

“Para manter viva a cena cervejeira local, o apoio do consumidor é de extrema importância em um momento de crise como esse. E nem precisa sair de casa para comprar. Enquanto não podemos ir aos bares e restaurantes favoritos, peça através do delivery. Veja lista e contatos das cervejarias baianas participantes por meio do perfil no Instagram do @bebalocalbahia”, detalha Isabela Casales, organizadora do Projeto Beba Local Bahia e sócia da Casulo Projetos.

A iniciativa conta com a presença de mais de dez cervejarias participantes, com destaque para marcas de relevo no cenário nacional, como Proa e MinduBier, entre tantas outras.

Demais iniciativas
A campanha para incentivar o consumo de cervejas locais integra um projeto maior de desenvolvimento do setor na Bahia. O Sebrae, por exemplo, tem atuado no fomento de estratégias para a melhoria do ambiente de negócios, estabelecendo parceria com outras instituições para garantir a sustentabilidade dos negócios.

“Por meio de soluções para melhoria da gestão, da produtividade e do ambiente de negócios, temos nos tornados relevantes para este crescimento (do setor). Recentemente, um grupo de empresários proprietários de fábricas instaladas em solo baiano com o apoio do Sebrae, em parceria com o Cieb/Fieb, instituiu o primeiro Núcleo de Microcervejarias da Bahia (CervBahia). Uma organização similar a uma associação que vai representar o segmento em pleitos comuns ao ambiente de negócios que estão inseridos”, conta Edicarlos Moreira, analista técnico da Coordenação de Indústria do Sebrae Bahia.

Tais iniciativas surgem em excelente momento. A Bahia teve aumento de 68% no número de microcervejarias instaladas de 2018 para 2019, segundo o último relatório do setor publicado pelo Ministério da Agricultura. Assim, já são mais de 25 marcas entre as que têm parque fabril e as ciganas. Um crescimento, porém, que foi colocado em xeque devido à pandemia.

Assim como outros setores, as microcervejarias baianas lutam também para sobreviver. Depois de um período de grandes avanços, o segmento está ameaçado de retroceder com o encerramento das atividades de fábricas locais e alguns pontos especializados em venda de cerveja artesanal, além da proibição, lógica, de realização de eventos. É duro ver tudo isso morrer na praia. Precisamos, mais uma vez, unir esforços para reagirmos e sobrevivermos a essa crise, que vai passar

– Isabela Casales, organizadora do Projeto Beba Local Bahia

Especial tecnologia: Conheça as inovações para a indústria cervejeira lidar com a crise

Grandes crises costumam ser transformadoras por modificarem modelos, comportamentos e atividades. Não foi diferente com a pandemia do coronavírus, que tem afetado a sociedade há mais de um ano. Na indústria cervejeira, por exemplo, o modo de consumo – agora mais caseiro – se impôs, assim como a necessidade de se apostar na tecnologia para melhorar processos de fabricação de cerveja. Além disso, a tendência de apostar na qualidade em todas as etapas do processo se tornou fundamental para lidar com tantas adversidades.

O que tem se visto é a consolidação da tecnologia como aliada fundamental para o futuro do setor. Desse modo, empresas estão apostando na automação, seja na fabricação das cervejas, no seu fornecimento ao consumidor ou até mesmo para que ele realize o autosserviço.

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Buscar novas formas de venda também se tornou primordial para seguir operando no segmento cervejeiro. Foi, inclusive, ao perceber essa oportunidade de mercado que a Palm Beer passou a oferecer “beer stations”, equipamento com automação e capacidade para 100 litros de chope, visto como uma saída interessante por atender marcas que não conseguem mais vender seus produtos para bares.

“O equipamento é completo e tem a capacidade de 100 litros de chope, divididos em 2 barris de 50 litros. Vem com torneira, pingadeira, monitor de 20 polegadas e todos os equipamentos para automação”, explica Alexandre Gontijo, diretor geral da Palm Beer.

O autosserviço para a venda de chope é, sem dúvida, uma das demandas de tecnologia mais em alta na indústria cervejeira, sendo oferecido por diversos fornecedores. É o caso da MyTapp, que vê nessa possibilidade importantes benefícios para as empresas, como a gestão de dados de consumo, o que facilita a adoção de estratégias de marketing. E ainda destaca como o público pode se beneficiar desse tipo de solução.

“Acionando a torneira, ele acompanha na tela cada ml servido e o quanto de créditos isso está debitando do seu cartão de consumo. Isso proporciona liberdade e uma experiência única para o cliente, que poderá provar todas as opções disponíveis nas torneiras do bar”, afirma Raquel Cruz Xavier, consultora de marketing da MyTapp, apontando que a boa aceitação do serviço levou a empresa a fechar parcerias que geram mais eficiência de automação para os bares e restaurantes.

Uma modalidade de autosserviço também é oferecida pela ChoppUP. Nesse caso, a tecnologia cervejeira enche a garrafa ou o copo por baixo. Algo que oferece vantagens operacionais – como a economia – ao evitar perdas, segundo destaca Bruno Salman, CFO da empresa. “Reduz desperdícios, reduz necessidade de mão-de-obra, aumenta margens na venda do chope, evita fraudes e diz ao comerciante exatamente o quanto está ganhando com a bebida”, aponta o executivo da ChoppUP.

Outra fornecedora da tecnologia cervejeira do autosserviço, a iTap System ressalta que, além de maximizar os lucros, esse tipo de funcionalidade é ideal para dar conforto aos clientes quando as medidas de distanciamento social precisam ser cumpridas para evitar a propagação do coronavírus.

“O autosserviço é capaz de reduzir os custos operacionais com mão-de-obra e garantir a maximização dos lucros para os proprietários. Outro fato a destacar é que o cliente não precisa ter contato com nenhum garçom ou barman para poder tomar o seu chope. Ou seja, além de possuir vários benefícios, que garantem sua viabilidade financeira, o autosserviço também caminha na linha de reduzir o contato com outras pessoas”, analisa Robson Ricardo, CEO da iTap System.

Melhorias na produção e na gestão
Mas a automação, evidentemente, também pode contribuir na fabricação da bebida e ajuda a padronizá-la. Desenvolvida pela Ultragaz, em parceria com a Single Automação, a Ultrasolução Cervejarias permite que o mestre-cervejeiro tenha um sistema de controle integrado de sua produção.

“O sistema possibilita a implementação dos controles de tempo, temperatura e transferência entre vasos, sem impactar as características da receita original e garantindo exatidão na execução do processo e na padronização do produto”, destaca Ana Eliza Vairo, gerente de desenvolvimento de soluções da Ultragaz, garantindo que essa solução em tecnologia para a indústria aumenta a capacidade produtiva, melhora a qualidade da fabricação cervejeira e reduz os riscos de perda de matéria-prima.

E a aposta na tecnologia como solução para gargalos da indústria cervejeira não se resume a operações que envolvam diretamente a bebida. Cada vez mais, serão necessários cuidados com os processos de gestão para evitar gastos desnecessários.

Os desafios advindos da pandemia, afinal, também deixaram a certeza da necessidade de uma gestão cuidadosa para lidar com as incertezas. Para atender essa necessidade, a BeerSales tem oferecido ao setor um software de gestão que auxilia nos cuidados com o caixa e permite uma melhor previsão sobre a necessidade de iniciativas que auxiliem na sobrevivência dos negócios.

“Um bom software de gestão pode ser o braço direito do gestor neste momento de crise. Diante do cenário atual da pandemia, ficar de olho diariamente no fluxo de caixa e principalmente na previsão de caixa (já considerando as receitas e despesas futuras) irá contribuir fortemente para a antecipação das ações que devem ser tomadas para garantir a sobrevivência do negócio”, destaca Alam Correia, CEO e cofundador da BeerSales.

Essa busca pela melhor gestão da operação cervejeira a partir da utilização de tecnologia também é uma premissa da ArBrain, que oferece o gerenciamento automático de todos os setores da empresa, como explica Weliton Scarabotto Moor, seu fundador. “As soluções da ArBrain mantêm os setores da cervejaria alinhados e operando com máxima eficiência, evitando perdas e fornecendo dados para decisões mais assertivas”, comenta o executivo.

A preocupação em integrar equipamentos de controle de qualidade com sistemas de gerenciamento também está no foco da JT Instrumentação e Processos, como explica o diretor David Souza. “Em parceria com os fabricantes na Europa, desenvolvemos soluções em vários protocolos de comunicação que permitem a redução da carga de trabalho dos operadores, maior confiabilidade dos valores e melhor gerenciamento dos dados em nuvem”, enumera o especialista da JT.

Auxílio aos caseiros
Desde o início da pandemia, além do consumo ter se tornado mais residencial, uma tendência observada pelas empresas foi o aumento da fabricação caseira de cerveja. E as fornecedoras de tecnologia do setor não ficaram alheias a isso, buscando apoiar esses cervejeiros que podem realizar a prática, ao menos inicialmente, como um lazer, mas que também tentam ficar mais próximos da qualidade da produção profissional.

A Beer Max, percebendo essa demanda crescente, tem se concentrado em produtos que aceleram a automatização dos processos de fabricação de bebidas, seja com controladores de brassagem ou mesmo para outros públicos “mais complexos”, como as microcervejarias. Além disso, aumentou o foco em produtos mais personalizados.

“Diante da procura, também nos aprimoramos para o desenvolvimento de equipamentos personalizados, sendo estes produzidos especificamente para atender a necessidade de automatização dos clientes, ajudando assim nos processos de fabricação de cerveja de todas as pessoas que têm interesse nessa arte”, explica José Eduardo Belloni, consultor de vendas da Beer Max.

Esse foco no cervejeiro caseiro também tem se intensificado na Smart Mash, como explica Heitor Wermann, um dos sócios da empresa. “Trouxemos tecnologia industrial para dentro de casa de uma forma simples de operar. Basicamente, hoje o cervejeiro pode ter um controle preciso de suas brassagens através do próprio smartphone”, salienta o executivo da Smart Mash.

E, dentro desse contexto, a agilidade se tornou uma preocupação para atender as demandas do segmento, um desafio que a Damek tem encarado para oferecer melhores soluções aos seus clientes. “Estamos investindo forte em tecnologias termoplásticas que irão nos trazer maior qualidade ao produto, mas também mais agilidade na fabricação. Ou seja, iremos reduzir o prazo de entregas de nossos equipamentos em cerca de pelo menos 50% do tempo”, conta a empresa. 

Confira, abaixo, os principais fornecedores de tecnologia para a indústria cervejeira:

ArBrain

Endereço: Avenida Bento Munhoz da Rocha Netto, 632, Torre Norte, 2º Andar, Zona 7, Maringá (PR).
E-mail: contato@arbrain.com.br
Telefone: (44) 99866-2472

A ArBrain é uma empresa especializada em tecnologia e gestão cervejeira. É formada por engenheiros empenhados em projetar soluções intuitivas e rápidas, que ajudem cervejarias e distribuidoras de chope a otimizar seus processos e aumentar o poder de vendas. Sua plataforma faz a gestão automática de todos os setores de uma cervejaria: produção, logística, comercial, financeiro, fiscal e rastreio de equipamentos. Além disso, conta com um aplicativo que oferece mobilidade a todos os operadores, em qualquer lugar e momento, com ou sem acesso à internet.


BeerMax 

Endereço: Avenida Perimetral Tancredo de Almeida Neves, 3881, Sala 01, Campo Mourão (PR).
E-mail: contato@beermax.com.br
Telefones: (44) 3525-7991 e (44) 99149-9967

A BeerMax oferece uma linha de equipamentos e acessórios feita com o intuito de facilitar a produção de cerveja caseira. Todos os equipamentos de sua linha são resultados de pesquisas e projetos 100% nacionais. O catálogo da empresa ainda contém equipamentos como controladores de brassagem single vessel e HERMS, controladores de temperatura para geladeira, além da venda de periféricos, como acessórios para carbonatação e réguas de medição de volume. A empresa ainda conta uma equipe especializada, a qual analisa o sistema e verifica qual equipamento melhor atende às necessidades do usuário.


BeerSales / e-Get

Endereço: Rua Venâncio Aires, 902, sala 301, Centro, Santa Cruz do Sul (RS).
E-mail: comercial@beersales.com.br
Telefone: (51) 3715-2785 e (51) 99296-4580

A e-Get Desenvolvimento de Sistemas cria soluções de software e serviços especializados desde 2009, com o objetivo de transformar o dia a dia das empresas. Em junho de 2011, nasceu a BeerSales, um software de gestão completo voltado ao mercado cervejeiro brasileiro. Com ele, o cervejeiro tem mecanismos e ferramentas que possibilitam gerir seu negócio desde a chegada do insumo, até a entrega do produto ao consumidor final. Ainda administrar seu fluxo de caixa com contas a pagar e a receber.


ChoppUP

Endereço: Rua Armenia, 644, Presidente Altino, Osasco (SP).
E-mail: comercial@choppup.com.br
Telefone: (11) 4707-5131

A empresa trabalha desenvolvendo soluções de internet das coisas para a transformação digital da indústria de bebidas, com produtos de alta eficiência e conectividade em pontos de vendas (PDVs) que servem chope e outras bebidas embarriladas. Entre os principais produtos, estão as chopeiras automáticas e inteligentes, contratadas sob medida para cada PDV, os  dispensadores de drinques embarrilados e os automatizadores/controladores de chope. A empresa também atua com atendimento de eventos com serviço completo próprio, além de franquias e licenciamento de uso da marca.


Damek 

Endereço: Rua Aspásia, 410, Vila Silvania, Carapicuíba (SP).
E-mail: atendimento@damek.com.br
Telefone: (11) 4207-5994

Hoje, as linhas de fermentadores para bebidas artesanais são um dos principais produtos da Damek, assim como reservatórios para diversos segmentos, como indústrias químicas e alimentícias. Segundo a empresa, uma das principais vantagens dos produtos é o seu custo-benefício, pois o polipropileno (sua matéria-prima) é versátil, atóxico e de ótima resistência química.


iTap System

Endereço: Avenida Antônio Diederichsen, 400, Sala 1203, Ribeirão Preto (SP).
E-mail: comercial@itapsystem.com.br
Telefone: (16) 98115-9001

A iTap System possibilita inovação tecnológica na forma de atender aos clientes. Além desse diferencial, o sistema disponibiliza um controle operacional integrado, gerando relatórios fundamentais para a gestão do estabelecimento, de forma simples e objetiva, como, por exemplo, relatórios de dias de maior consumo, estilos mais vendidos, controle absoluto de vendas, entre outros. Esse contexto leva ao empreendimento um aumento da rentabilidade através da fidelização de mais clientes e, principalmente, pela redução de mão de obra e custos operacionais, atendendo, assim, demandas e tendências do mercado mundial.


JT Instrumentação

Endereço: Avenida Marginal Norte da via Anhanguera, 480, São Paulo (SP).
E-mail: atendimento@jtip.com.br
Telefone: (11) 96361-1819

A JT Instrumentação é uma distribuidora de equipamentos e sistemas voltados para a indústria de bebidas e alimentos, com foco em desenvolvimento de tecnologia e prestação de serviços com excelência. Uma de suas principais soluções para esse momento de crise tem sido a integração dos equipamentos de controle de qualidade com os sistemas de gerenciamento das fábricas. Em parceria com os fabricantes na Europa, ela desenvolve soluções em vários protocolos que permitem a redução da carga de trabalho dos operadores, maior confiabilidade dos valores e melhor gerenciamento dos dados em nuvem.


MyTapp

Endereço: Rua Trajano Margarida, 189, Trindade, Florianópolis (SC).
E-mail: marketing@mytapp.com.br
Telefone: (48) 3365-0319

A MyTapp nasceu com o objetivo de tornar o chope artesanal acessível, proporcionando uma experiência única, na qual o consumidor pode se divertir experimentando todas as opções do bar antes de escolher o seu favorito. Fundada em 2015, a empresa já faz parte da história de mais de 250 bares no Brasil e no mundo. O portfólio da MyTapp evoluiu para um ecossistema completo de soluções para todos os estabelecimentos que desejam trabalhar com chope, sendo o autosserviço o carro-chefe da empresa.


Palm Beer

Endereço: Rua Roberto Sales Barbosa, 66, Belo Horizonte (MG).
E-mail: alexandre@palmbeer.com.br
Telefone: (31) 98816-3389

A  Palm Beer foca em trazer inovações tecnológicas para o ramo cervejeiro. Entre seus produtos, destaca-se a plataforma de vendas de chope com autosserviço. Ela é composta por equipamentos de medição de chope que são instalados nas chopeiras ou câmaras frias, aplicativo para cadastro, compra de crédito e liberação da torneira. A empresa ainda oferece a opção de disponibilizar a solução com a marca do cliente. O aplicativo pode ser utilizado para venda de chope e de outros itens do cardápio, dispensando ou diminuindo o serviço de garçom.


Smart Mash

Endereço: Rua Quinze de Novembro, 154, Estrela (RS).
E-mail: contato@smartmash.beer
Telefone: (51) 3720-3397

A Smart Mash é uma desenvolvedora de controladores e softwares para cervejeiros caseiros. Ela possui, entre suas soluções, controladores para equipamentos a gás, elétrico e a vapor. Entre seus destaques, a Válvula Termo Controladora é capaz controlar a temperatura de qualquer equipamento a gás, sendo ele de alta pressão, com erro quase zero. Já o Controlador SmartMash é usado para resistência elétrica, solenoide (vapor) e até geladeira. O aplicativo cervejeiro é totalmente grátis e capaz de guardar até mil receitas, controlar os processos através dos produtos Smart Mash, além de ferramentas para auxiliar sua brassagem.


Ultragaz

Endereço: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 1343, Bela Vista, São Paulo (SP).
Telefone: (11) 3177-6677

Conhecida por trazer ao Brasil o GLP engarrafado, a Ultragaz investe no desenvolvimento de soluções inovadoras que agreguem qualidade e sustentabilidade em seus serviços. Além da Ultrasolução Cervejaria, a companhia já desenvolveu, até hoje, mais de 20 soluções para nichos diferentes do mercado, como os produtos Forno de Pizza a Gás e Ultracycle (solução para reciclagem de resíduo orgânico), que foram desenvolvidos especialmente para restaurantes e estabelecimentos comerciais.


Grupo Petrópolis inicia venda do seu lúpulo com foco em pequenas cervejarias

O Grupo Petrópolis iniciou a venda de parte do lúpulo cultivado em sua fazenda, em Teresópolis, na Serra Fluminense. A comercialização, a primeira realizada por uma companhia de grande porte no país, tem como foco atender as pequenas cervejarias. E a compra pode ser feita através do e-commerce Bom de Beer.

No seu site para vendas online, o Grupo Petrópolis oferece as variedades Cascade Argentino e Triple Pearl. Elas vão ser comercializadas em pacotes de 100 gramas, pelo preço de R$ 24,99. A cervejaria assegura que o lúpulo tem armazenamento em atmosfera modificada para preservar ao máximo os aromas dos lotes, com validade de dois anos e entrega em todo o território nacional.

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Em 2018, em parceria com o Viveiro Ninkasi, o Grupo Petrópolis deu início ao projeto de produção de lúpulo, tendo realizado investimento de R$ 2,5 milhões. O projeto já teve duas grandes colheitas realizadas. E, na de 2021, o Grupo Petrópolis espera somar 20 mil mudas, plantadas em mais de dez hectares e divididas em cinco fases.

Foi com parte do lúpulo obtido na primeira colheita, inclusive, que o Grupo Petrópolis produziu em 2020 a Braza Hops, lançada através da marca Black Princess, sendo uma cerveja do estilo German Pils.

Além disso, o projeto recebeu o Selo de Origem da Planta, obtido pela primeira vez no país pelo Viveiro Ninkasi, em dezembro. Com isso, todos os cultivares plantados a partir da fase 3 já terão esse reconhecimento para comercialização.

O Grupo Petrópolis vê a sua iniciativa como importante para o fomento da cultura do lúpulo no Brasil, lembrando que boa parte das cervejarias do país precisam importar o insumo, uma lógica que espera ser alterada nos próximos anos.

“Hoje, ainda importamos toneladas do insumo da Alemanha, Estados Unidos, República Checa, Austrália e outros países. A venda do lúpulo produzido pelo Grupo, no Rio de Janeiro, é um passo gigante para o avanço da indústria cervejeira nacional. Estamos incentivando a produção nacional através do fácil acesso ao lúpulo de qualidade”, explica Diego Gomes, diretor industrial do Grupo Petrópolis.

EUA têm 40 artesanais entre as 50 principais cervejarias; Yuengling é a maior

A Brewers Association (BA) divulgou o seu ranking anual das maiores cervejarias dos Estados Unidos em termos de volume, com 40 das 50 marcas presentes na relação sendo artesanais pequenas e independentes. E a Yuengling continua sendo a primeira colocada entre as marcas desse segmento.

A liderança da Yuengling, sediada em Postville, na Pensilvânia, na relação das cervejarias artesanais dos Estados Unidos, repete o resultado apresentado pela BA no ranking de 2019. E a marca se manteve como a sétima maior empresa do setor no país, em uma relação que permanece tendo a Anheuser-Busch à frente.

A ordem das 11 primeiras colocadas não foi alterada entre um ano e outro, sendo que o Top 10 é completado por: Molson Coors (2ª), Constellation (3ª), Heineken USA (4ª), Pabst Brewing Company (5ª), Diageo (6ª), Yuengling (7ª), FIFCO USA (8ª), Boston Beer (9ª) e Sierra Nevada Brewing Company (10ª).

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Há, porém, novidades na relação das 50 maiores cervejarias dos Estados Unidos. São elas: Kings & Convicts Brewing/Ballast Point (39ª colocada), Lost Coast Brewery (47ª), Anchor Brewing Co / Sapporo USA (48ª) e Modern Times Beer (50ª).

Entidade que representa as cervejarias artesanais nos Estados Unidos, a BA considera como artesanais aquelas empresas que produzem menos de 6 milhões de barris (9,5 milhões de hectolitros) por ano e não tenham controle maior do que 25% de uma grande cervejaria. Nesse contexto, a Yuengling lidera a lista de 2020, que tem Boston Beer e Sierra Nevada Brewing Company completando a relação das três primeiras.

A Duvel Moortgat assumiu o quarto lugar, com a Gambrinus completando o Top 5. Isso se deu após a New Belgium, a quarta colocada da lista de 2019, ter sido adquirida pela multinacional japonesa Kirin. Presente agora apenas na lista geral, ela é a 11ª maior cervejaria dos Estados Unidos.

A BA destaca, ainda, que a crise do coronavírus mudou radicalmente o modo de consumo de cerveja nos Estados Unidos a partir do ano passado. “A pandemia da Covid-19 mudou drasticamente onde os norte-americanos compraram álcool em 2020. As cervejarias que tiveram embalagem e capacidade de distribuição estavam mais bem posicionadas para aproveitar o boom nas vendas fora das instalações e as incertezas do mercado”, avalia Bart Watson, economista-chefe da associação.

“Essas empresas também viram variações no desempenho com base na geografia e no modelo de negócios, com diferentes partes do país observando tendências de cerveja muito diferentes e grandes cervejarias sofrendo”, acrescenta o especialista da BA.

Um relatório abrangente sobre o cenário da indústria cervejeira dos Estados Unidos será apresentado pela BA na próxima quinta-feira. E a análise completa do ano do setor, com tendências regionais e vendas por cervejarias, será publicada na edição de maio/junho da The New Brewer pela associação.

Confira abaixo a lista de maiores cervejarias, em volume, dos Estados Unidos:

Balcão da Cilene: Da trilogia Desenhando Sonhos – Saga Terceira – Parte I

Balcão da Cilene: Da Trilogia ‘Desenhando Sonhos’ – Saga Terceira: Salvar os sonhos (Parte I)


A cerveja, antes de tornar-se cerveja, é uma infusão. Uma infusão de grãos, essencialmente, chamada mosto. A primeira fase do processo de produção se dá ao calor de muito altas temperaturas, o que oferece salubridade ao mosto por efeito de esterilização. Os lúpulos, comumente incorporados nesta mesma fase, também contribuem à salubridade do mosto por efeito bacteriostático.

Por essa razão, historicamente, o mosto sempre foi uma segura e nutritiva fonte de alimentação da humanidade. Uma bebida atraente de perfume característico de grãos infusionados e intenso binômio doce-amargo na boca. Nada mal, mas a natureza nos reservou algo ainda melhor…

A enorme susceptibilidade do mosto à ação da microflora presente no ambiente deu passo aos processos fermentativos, provocando assim sua profunda transformação ao que então resultaria em variadas notas aromáticas, acidez marcante, sensação frisante e poder inebriante.

Assim, a cerveja apresenta-se espontaneamente à humanidade como um alimento ainda mais atraente e saudável, simplesmente porque elementos gerados pelas fermentações tais como ácidos orgânicos, gás carbônico e álcool ajudam a alcançar um mais ajustado equilíbrio sensorial e uma mais potente ação bacteriostática na bebida.

Sem dúvida, por milhares de anos, a cerveja salvou a humanidade de inúmeros apuros graças a sua composição especialmente alcoólica.
(…)

Em tempos modernos, o álcool carrega um ar denso de vilania. Esse estigma é passível de compreensão por conta de enfermidades individuais e conflitos sociais ocasionados pelo excesso de consumo. Entretanto, a questão intrigante para mim é: o problema está no álcool ou em nós mesmos?

Com base nas primeiras linhas deste texto, creio que sabemos bem a resposta. O problema está em nós mesmos, no exercício do autoconhecimento e na maneira como decidimos lidar com os prazeres e os descuidos do “comer e beber”.

Essas linhas não trazem apologia; e sim, a ideia da autorreflexão e do perspectivismo. A busca pelo equilíbrio entre a lucidez e a ilusão é própria da natureza humana. Ninguém vive apenas no real e concreto. Muitas vezes, a lucidez machuca. E, então, a ilusão regenera. Sem sonhos, a vida é unidimensional e trágica. Os sonhos trazem dimensionalidades, ou seja, expandem a consciência para realidades alternativas e possíveis em outras dimensões.

Os seres humanos sempre buscaram meios de expansão e elevação do estado de consciência. E o álcool é um desses meios com efeitos benéficos sempre que percebido e experimentado de forma ampla e inteligente. O álcool a oferecer-nos a possibilidade do “olhar e pensar” diferente e melhor. O álcool a aguçar-nos a sensibilidade para sutilezas e criações. Novas sinapses, novas conexões, novas saídas, novos horizontes. O futuro nos sonhos.

Os pensamentos extremos – que insistem em ignorar nossa diversidade – também são próprios da natureza humana, no entanto podem ser considerados desvios de consciência e equilíbrio.

Em meu profundo desejo de afastar extremismos, guardo sempre em mente: “Aos deuses de fora, a contemplação. Aos deuses de dentro, os sonhos.”

Eu sempre procurei a psicodelia* em mim. Ora pela serotonina dos esportes; ora pela pulsação das músicas; ora pelo álcool das cervejas. E é certo dizer que o tempo realmente ajuda a melhor encontrá-la [a psicodelia].

Psicodelia*: Uma composição das palavras gregas psique (ψυχή – alma) e delein (δηλειν – manifestação). É uma manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente. A experiência psicodélica é caracterizada pela percepção de aspectos da mente anteriormente desconhecidos e inusitados ou pela exuberância criativa livre de obstáculos. Não somente as drogas produzem a psicodelia.
(…)

O filme dinamarquês Druk (traduzido como “Mais Uma Rodada”), de Thomas Vinterberg, trata este tema magistralmente ao apresentar a linha tênue entre o prazer e a dor.

Nesta ficção, a teoria científica de um filósofo norueguês propõe que os seres humanos têm um desprovimento de 0,05% de álcool no sangue e que, para realizar plenamente suas potencialidades, eles deveriam suprir diariamente essa dose que falta. Quatro professores de um colégio dinamarquês põem essa ideia à prova, testando em si mesmos a hipótese e trazendo à luz uma jornada de autoconhecimento e reflexões. Alguns experimentam senso de libertação e ampliação de sensibilidade; outros perdem-se na escuridão. Experiências individuais intransferíveis.

A câmera na mão é uma estética recorrente nos filmes de Vinterberg e serve, neste filme, para transmitir uma sensação de instabilidade própria do estado etílico. Uma solução genial em que a câmera se embriaga pelos atores. Aliás, os atores são brilhantes priorizando olhares e diálogos corporais.

Este longa-metragem, recém-lançado no Brasil, está indicado ao Oscar 2021 de Melhor Direção e Melhor Filme em Língua Estrangeira.
(…)

O tema “consumo de bebidas alcoólicas” realmente toca em questões muito delicadas. Em uma visão geral, questões associadas à saúde e segurança pública. É preciso certa maturidade técnica e psicológica para podermos discutir esse tema de maneira a encontrar soluções inteligentes aos problemas sociais e, ao mesmo tempo, tomar proveito dos conhecidos benefícios à saúde física, mental e social.

A comunidade cervejeira poderia encabeçar iniciativas de renovação de políticas públicas relacionadas à educação do consumo de bebidas alcoólicas e ao redesenho da percepção de valor da cerveja na gastronomia e na história da humanidade. Isso não me ocorre como puro devaneio. Isso já foi feito em outros cantos do mundo, como por exemplo na Espanha e na Inglaterra. Isso é um sonho possível – sim, com boa dose de utopia, mas ainda assim um sonho possível.

No entanto, para alavancar iniciativas neste sentido, está claro que é preciso – além de maturidade – vontade política, comprometimento coletivo e liderança firmada pelo exemplo.

PS: Agradecimentos especiais ao Sidarta Ribeiro (Neurocientista, Instituto do Cérebro, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil) e à Bruna Lessa (Cineasta, Bruta Flor Filmes, Brasil).


Cilene Saorin tem se dedicado às cervejas, nos últimos 28 anos, por alguns cantos deste planeta. É sommelière, mestre-cervejeira e diretora de educação da Doemens Akademie para América Latina e Península Ibérica

Abracerva faz pesquisa para mapear efeitos da crise e realizar ações

Em 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o mundo vivia a pandemia do coronavírus. Se naquele momento o planeta acumulava 4 mil mortes, a doença já fez mais de 2,8 milhões de vítimas passado pouco mais de um ano, provocando grave crise econômica e sanitária. É dentro desse contexto que, para compreender a extensão dos problemas e agir de modo mais preciso, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) lançou uma pesquisa para mapear os desafios enfrentados pelo setor nesse período.

Leia também – Servir para democratizar: A contribuição do sommelier de cervejas para o setor

O questionário da Abracerva é uma das ações da direção nacional da entidade para ajudar o segmento cervejeiro a lidar com os efeitos da crise. A associação também está envolvida e lidera um grupo de trabalho sobre o impacto da pandemia na Câmara Setorial da Cerveja, ao lado de outras importantes entidades.

“Para implementarmos ações estratégicas que possam minimizar este cenário, criamos na Abraceva e lideramos na Câmara Setorial da Cerveja o Grupo de Trabalho Crise-Covid. Este Grupo de Trabalho tem como objetivo identificar os pontos críticos e implementar ações junto aos associados, com a missão de reduzir os impactos causados por este momento de desequilíbrio”, destaca a associação.

A pesquisa realizada pela Abracerva nacional junto aos seus associados sobre os efeitos da crise pode ser acessada através do link. E a entidade destaca que as respostas ao questionário ajudarão a balizar a sua atuação em busca da redução dos efeitos da pandemia sobre o segmento.

Bianca Tutini, que preside a regional São Paulo da Abracerva, aponta a importância de a associação conseguir levantar dados estatísticos a respeito da crise. “O segmento das cervejarias artesanais no Brasil é carente de dados e esta é uma grande oportunidade de levantarmos essas informações e identificarmos as reais dificuldades do setor. A partir deste retrato poderemos focar nas ações prioritárias e direcionar as demandas de projetos da associação em favor dos nossos associados”, conta Bianca à reportagem do Guia.

Setor em crise
Os problemas enfrentados pelo setor têm relação direta com a necessidade de fechamento dos pontos de venda, como bares e restaurantes, e do isolamento da população em suas residências, além do cancelamento de eventos, o que provocou um cenário alarmante.

“É fundamental que identifiquemos as ameaças presentes em nosso mercado, para embasar nossa argumentação em defesa do setor e para que possamos trabalhar em conjunto as questões jurídicas, tributárias, ocupacionais e econômicas”, acrescenta a Abracerva em comunicado aos associados.

Já Bianca destaca que mesmo se reinventando, com a mudança no foco das cervejarias e a venda da bebida em formatos e modalidades diferentes ao usual pré-pandemia, as empresas têm sofrido durante a crise da Covid-19 por desafios que vão além apenas das restrições sobre o consumo e incluem a falta de insumos.

“Mesmo com a reinvenção dos canais de vendas digitais, o foco no consumidor final e a apresentação de novas formas de consumo da cerveja artesanal através de growlers e crowlers, take away e delivery, para grande parte das microcervejarias ainda não é o suficiente para equilibrar as contas por tanto tempo”, aponta Bianca. “Enfrentamos dificuldades com a falta de insumos como papelão, garrafas de vidro e o aumento no preço dos insumos. Fazer cerveja hoje ficou mais caro e isto impacta no custo de produção e no bolso do consumidor final também.”

E a presidente da regional São Paulo da Abracerva lembra que o setor cervejeiro é um importante gerador de empregos para destacar a necessidade de as empresas receberem apoio governamental para superarem um cenário com tantas adversidades.

“Somos um dos setores que mais empregam no Brasil. Segundo a FGV, para cada emprego gerado em uma fábrica de cerveja, outros 52 são criados na cadeia produtiva. O número de postos de trabalho no setor de cerveja tem apresentado crescimento muito acima da média da indústria brasileira. Precisamos de apoio governamental, prorrogação e/ou parcelamento de impostos e incentivos fiscais, seguido de crédito com juros acessíveis ou subsidiados”, conclui Bianca.

Cultivo do lúpulo na região serrana do Rio fortalece economia e cadeia da cerveja

O cultivo do lúpulo na região serrana do Rio de Janeiro vem crescendo significativamente nos últimos anos. Essa cultura tornou-se importante para as cervejarias, principalmente para as que estão localizadas na proximidade das áreas cultivadas, e a economia local. Ajuda, ainda, a estimular a cultura cervejeira na região, apoiada pela possibilidade de obtenção desse importante ingrediente na própria localidade onde a bebida é produzida.

As estimativas são, inclusive, de que 50% das cervejarias artesanais do Estado estejam localizadas na região serrana. “Existe um fomento na economia da região e a cadeia da cerveja também está se fortalecendo”, afirma a coordenadora da Rota Cervejeira RJ, Ana Claudia Pampillón. “As cervejarias da região poderão contar com lúpulos mais frescos e mais baratos por causa da tributação e logística regional.”

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Essa proximidade entre a produção do lúpulo e as cervejarias também ajuda a explicar por que o Rio de Janeiro ocupa o topo do ranking entre os estados no total de mudas registradas no país. E a previsão é de alcançar números ainda mais relevantes na produção de lúpulo. “A estimativa é de ter nos próximos anos uma colheita de mais ou menos 15 toneladas de lúpulo na região serrana”, revela Pampillón.

O fortalecimento da cultura do lúpulo na região é reforçado pela presença do Viveiro Ninkasi, o primeiro do Brasil autorizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com certificação e licença para reprodução e venda de mais de 30 cultivares.

O Ninkasi, que fornece mudas ao Grupo Petrópolis, é apontado como sendo o maior produtor de lúpulo legalizado no país. E a estimativa é de que a sua segunda colheita, iniciada em janeiro, tenha dobrado a produção no comparativo com 2020, saltando para 4 toneladas. Além disso, o Ninkasi foi pioneiro ao trazer para o Brasil as primeiras mudas com origem dos Estados Unidos.

Saiba mais sobre a Rota Cervejeira RJ em nosso Guia do Mercado

Com a forte presença da cultura na região, não é à toa que a cidade de Teresópolis possui o título de Capital Nacional do Lúpulo, um status que auxiliou os produtores e deu impulso à produção e expansão da atividade, importante para a economia local e as cervejarias da região serrana do Rio de Janeiro.

Ação da Ambev acompanha Ibovespa em março e tem 1ª alta mensal de 2021

Após dois meses de desvalorização, a ação da Ambev reverteu a tendência do começo de 2021 e fechou março em alta, recuperando parte das perdas de janeiro e fevereiro. Acompanhou, assim, o ritmo do índice Bovespa, o principal da B3, que também se valorizou no mês encerrado nesta quarta-feira.

A ação ordinária da Ambev – ABEV3 – terminou março com o preço de R$ 15,29, uma valorização de 9,06% em relação a fevereiro. Porém, as perdas dos dois meses anteriores ainda não foram completamente recuperadas, tanto que o papel registra baixa de 2,92% em 2021.

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O cenário é praticamente idêntico ao do índice Bovespa: chegou aos 116.633,72 pontos ao fim de março, com alta de 6% no mês. Mas acumula baixa de 2,39% quando comparado aos 119.484,34 pontos com que encerrou 2020.

Essa recuperação do índice da principal bolsa de valores do Brasil se dá mesmo quando o país vive o seu pior momento na pandemia do coronavírus, com o recorde de 3.950 mortes nas últimas 24 horas. Mas analistas avaliam que o mercado acredita na aceleração da vacinação nas próximas semanas.

Além disso, enxergou positivamente a elevação da taxa básica de juros em março para 2,75%, com a expectativa de que a autoridade monetária brasileira estaria atenta para evitar a alta da inflação.

Fora do Brasil
A recuperação insuficiente para reverter as perdas do primeiro bimestre de 2021 para a ação da Ambev em março também se repetiu com os papeis das principais cervejarias do mundo. Na Europa, o papel da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – fechou o mês custando 53,75 euros. Assim, cresceu seu valor em 13,25% no período. Mas tem desvalorização de 5,72% em 2021.

Já a ação da Heineken terminou março com o valor de 87,62 euros, uma alta de 7,25% no terceiro mês do ano, no qual ainda há queda do seu valor em 2021, agora em 3,95%.

Servir para democratizar: A contribuição do sommelier de cervejas para o setor

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A inclusão do sommelier de cervejas na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), do Ministério da Economia, a partir de 2022, representa o reconhecimento da profissão e pode contribuir para a necessária democratização do setor de artesanais. Essa é uma avaliação comum de especialistas consultados pelo Guia, apontando que a profissionalização precisa vir acompanhada da conscientização sobre o preceito básico da função: servir o consumidor.

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“A profissão demanda gente que ame servir. O sommelier é antes de tudo um servidor. É importante que a profissionalização siga para que tenhamos pessoas cada vez mais qualificadas e para que as empresas contratem sommeliers não por uma obrigação legal e, sim, porque eles realmente fazem a diferença no dia a dia do negócio”, apontou Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM).

A sommelière de cervejas Bia Amorim destacou, inclusive, não ser uma coincidência que a função tenha sido incluída em uma família ocupacional na qual estão inseridas categorias profissionais como trabalhadores no atendimento em estabelecimentos de serviços de alimentação, bebidas e hotelaria.

“Sinto que ainda falta um orgulho em trabalhar a serviço dos clientes, consumidores e não apenas do próprio paladar”, refletiu Bia. “Entender que ser/estar sommelier(ère) é servir, entender e evoluir. A cultura cervejeira tem muito a dizer e por isso precisamos de pessoas dispostas a divulgar, de forma honesta, responsável e com qualidade os benefícios da cerveja.”

Entre as atribuições do sommelier de cervejas estão a organização de eventos de harmonização e degustação, a elaboração de cartas de cerveja, o acompanhamento da qualidade da bebida no ponto de venda, o treinamento de equipes de atendimento e a seleção de rótulos para distribuidoras e importadoras, além da orientação do consumidor para um consumo que priorize a qualidade.

Para Bia, o reconhecimento do sommelier de cervejas como profissão trará consequências positivas para toda a cadeia, ajudando na consolidação do segmento de artesanais e na valorização da função. “Definir as atividades deste profissional faz com que saibamos muito melhor quais são as diretrizes do ofício. É um guia para caminhar junto com a gestão de empresas e microempreendedores individuais, e é oficial”, comentou Bia.

Bressiani concorda que reconhecer a categoria profissional, que vem sendo mais demandada pelo mercado, representará um salto para o segmento. “Acredito que ela deve, inclusive, trazer mais profissionalização para o setor, trazendo para dentro de sala de aulas mais pessoas que atuam de fato na linha de frente”, finalizou o diretor da ESCM, que já formou mais de 820 sommeliers de cervejas desde 2014.

Premiada, Alem Bier busca unir virtudes de cervejarias e vinícolas em suas produções

Unir a tradição de uma vinícola com a inventividade de uma cervejaria artesanal. É dessa junção que a Alem Bier acredita estar usufruindo nos últimos anos para conquistar seu espaço no segmento, a ponto de a marca de Flores da Cunha (RS) ter conquistado, com a Merlot Grape Ale, o prêmio de melhor rótulo da edição 2021 do Concurso Brasileiro de Cervejas, realizado em março.

A Wild Beer teve a maior nota entre os 3.126 rótulos participantes de todo o evento, premiando uma cervejaria que surgiu da ideia de expansão da Vinícola Monte Reale, fundada em 1973. Já a Alem Bier foi criada em 2017, como relembra Carlo Mioranza, sommelier e cervejeiro da marca, explicando os motivos que motivaram a expansão da atuação dentro da indústria de bebidas.

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“A ideia da cervejaria surgiu a partir da observação do crescimento desse mercado e da oportunidade que o meu pai, Enio Mioranza, vislumbrou a partir do olhar mais fabril, para os equipamentos. Ficamos muito felizes, porque sempre gostamos desse universo e pudemos nos aprofundar nele”, diz Mioranza em entrevista ao Guia.

Essa união entre os mundos da cerveja e do vinho também foi vista na criação da Merlot Grape Ale, tanto que ela foi concebida pelo cervejeiro da marca junto ao enólogo Giovani Giotto. Inspirada nas cervejas do estilo Ale italianas, a bebida passou por fermentação natural com as cascas e o suco da uva Merlot – colhida nas parreiras da Serra Gaúcha – em barricas de carvalho francês localizadas na cave da vinícola, sendo maturada por 24 meses.

Premiada, a Merlot Grape Ale faz parte de uma série de rótulos a ser lançada ao público pela Alem Bier no segundo semestre, a Italian Grape Ale Series, com variedade de uvas, como revela ao Guia Mioranza, destacando que a ideia da série foi fazer “juz à vinícola” que originou a cervejaria.

“A discussão foi bastante intensa e longa, coordenada por mim e pelo enólogo da Vinícola Monte Reale, Giovani Giotto. Na época, contamos também com a consultoria dos cervejeiros Fernando e Carlo Lapolli. As equipes da cervejaria e da vinícola selecionaram juntas as castas de uva – serão várias nessa linha – até o formato da fermentação. Então a soma das vivências foi fundamental para o resultado”, relata Mioranza.

A Merlot Grape Ale é, assim, um resultado prático da união da cervejaria com a vinícola, que passa pelo compartilhamento do conhecimento, mas também pela utilização da mesma estrutura para a produção dos rótulos.

“A inovação nos motiva muito. Utilizando a expertise da vinícola, conseguimos trabalhar com fermentação espontânea, barris e outras técnicas que trouxeram um valor agregado muito interessante para o produto. Além do compartilhamento de conhecimento da vinícola, temos também acesso a mostos, barricas de madeira e uvas finas, o que facilita muito o desenvolvimento dessa linha de produtos”, diz o cervejeiro da Alem Bier.

Até pela origem da Alem Bier, Mioranza só enxerga aspectos positivos na união entre cervejas e vinhos. Não vê, assim, uma concorrência pelo consumidor dentro do setor de bebidas alcoólicas e acredita, inclusive, que as marcas artesanais têm muito a aprender com o modelo de produção das vinícolas. Mas também aponta que as cervejarias podem contribuir para a evolução dos fabricantes de vinho.

“Acreditamos que há espaço para ambos e que o consumidor que aprecia um vinho de qualidade vai, também, ter momentos em que vai comprar cervejas de qualidade e vice-versa”, aponta o cervejeiro da Alem Bier. “Como é um setor mais recente no Brasil, entendo que as cervejarias têm a ganhar quando se relacionam com as vinícolas pelo nível de profissionalização que esse mercado tem. Já as vinícolas podem absorver um pouco da cultura colaborativa e de troca que existe entre os cervejeiros.”

Mais prêmios
Em 2020, a Alem Bier também havia se destacado no Concurso Brasileiro, com a Muscat Brett Saison recebendo a medalha de prata no Best of Show. Dessa vez, além de ter a Merlot Grape Ale escolhida como a melhor cerveja da competição, também recebendo a medalha de ouro no estilo Wild Beer, a marca recebeu outras medalhas no evento.

Foram os casos da Alem Bier Tripel Brett, que ficou com o ouro no estilo Wood and Barrel Aged Sour Beer, da Acerolinha, que levou a prata em Experimental Bier, e da Angelina, colaborativa com a Balbúrdia Cervejeira, prata na categoria Belgian-Style Fruit Beer. Já a medalha de bronze foi para a Muscat Brett Saison, no estilo Speciality Saison.

“Ao invés de uma sensação de dever cumprido, as medalhas de prata (2020) e ouro (2021) no Best of Show só nos deram ainda mais gana para nos tornarmos melhores e levarmos coisas boas para o mercado”, conclui o cervejeiro da Alem Bier.