O preço da cerveja registrou mais uma alta no mês de outubro, com inflação de 1,66%. No mesmo período, de acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira pelo IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve outro salto, de 0,86%, acima da taxa de setembro (0,64%).
A inflação de outubro, aliás, representou o maior resultado para o mês desde 2002, quando o indicador foi de 1,31%. No acumulado do ano, a alta está em 2,22%.
Com o novo aumento dos preços, a cerveja em domicílio passou a registrar inflação de 0,04% no acumulado do ano. Já fora do domicílio, ela ficou 0,36% mais barata em outubro. Assim, a inflação anual do item ficou em 0,69%.
Já os valores cobrados por outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram aumentos em outubro. O salto foi de 2,44% no mês. E, no acumulado dos últimos dez meses, o indicador é de 0,11%.
Diferentemente do mês passado – quando teve deflação de 0,36% -, o consumidor que optou por outras bebidas alcoólicas fora de casa não encontrou um cenário favorável. Em outubro, a inflação do item foi de 2,34%. E, no acumulado anual, está agora em 2,44%.
Inflação avança Os preços dos alimentos e das passagens aéreas pressionaram o IPCA, sendo os principais responsáveis pela alta de 0,86% em outubro. No ano, a inflação acumula elevação de 2,22% e, em 12 meses, já chega a 3,92%, acima dos 3,14% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em outubro de 2019, o indicador havia ficado em 0,10%.
Segundo o IBGE, dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito apresentaram alta em outubro. A maior variação (1,93%) e o maior impacto (0,39%) vieram, mais uma vez, do setor de alimentação e bebidas. Isso ocorreu em função do aumento de alguns itens, como o arroz (13,36%) e o óleo de soja (17,44%). A alta nos preços do tomate (18,69%) também foi expressiva, assim como ocorreu com a batata-inglesa (17,01%).
“Todos esses itens têm contribuído para a alta sustentada dos preços dos alimentos, que foram de longe o maior impacto no índice do mês”, afirma o gerente da pesquisa do IBGE, Pedro Kislanov.
O setor de bebidas no Brasil ganhou uma importante opção produzida de modo mais artesanal: a kombucha. Trata-se de um fermentado à base de chás que vem conquistando espaço entre um público afeito a produtos artesanais, algo que já vinha sendo aproveitado pelas microcervejarias e que indica grande potencial de crescimento, até pelas vantagens oferecidas aos consumidores. Por isso, é preciso estar com a linha de produção bem ajustada para responder às novas demandas.
A kombucha é um fermentado à base de chás e açúcar que utiliza bactérias e leveduras no processo de fabricação. Pode ser feita com frutas e especiarias e há versões alcoólicas. Seu modo de produção tem semelhanças com o da cerveja, sendo vista, para o consumidor, como uma potencial substituta para os refrigerantes.
Para atrair o interesse do público e mesmo ocupar o espaço de outras bebidas, a kombucha conta com vantagens, como fortalecer o sistema imunológico e melhorar o funcionamento intestinal. É, afinal, fonte de antioxidantes, de enzimas digestivas e de vitaminas do complexo B. Além disso, ajuda a detoxificar o organismo e a combater infecções urinárias e digestivas.
“Este mercado é super promissor, até porque as pessoas estão cada vez mais optando pelo artesanal, orgânico e natural, trocando o refrigerante pelos sucos naturais e chás fermentados. Ouso dizer que a kombucha veio para mudar os hábitos dos refrigerantes”, aposta Cristyeny Borgiani, diretora de marketing e vendas da Damek, empresa especializada no fornecimento de fermentadores e em manutenção industrial, entre outros, ao mercado cervejeiro.
Opotunidade Assim, pelas vantagens oferecidas, a kombucha tende a ampliar o seu mercado, algo que pode ser aproveitado por microcervejeiros em função das semelhanças com a kombucha – afinal, é uma bebida fabricada de modo artesanal e fermentada.
Em função disso, a Damek enxergou a kombucha como uma outra oportunidade de negócios, passando a oferecer produtos de fermentação e envase, como explica a sua porta-voz.
“Levantamos todas as necessidades dos kombucheiros e desenvolvemos um equipamento que atende e facilita a fermentação e envase do produto, trazendo, assim, mais profissionalização e agilidade ao processo. A nossa linha de fermentadores para kombucha facilita o envase e fabricação, sendo atóxica e inerte, inodora”, afirma Cristyeny, destacando que a Damek também disponibiliza panelas inox, torneiras, filtros e arrolhadores para os produtores.
“Também, pensando em profissionalizar o processo de envase e higienização dos produtores de kombucha, desenvolvemos nossa máquina de envase e higienizadora de garrafas”, explica a diretora de marketing e vendas.
Cristyeny destaca, ainda, uma situação que pode animar os cervejeiros artesanais: embora evidentemente demande algumas adaptações, as soluções encontradas pela Damek para a produção das kombuchas são semelhantes às apresentadas para as cervejarias.
“O processo é bem semelhante. Mas, como sempre, é preciso uma adaptação para melhoraria dos equipamentos, e maiores conhecimentos dos técnicos e atendentes”, pondera ela. “Tivemos de estudar bastante. Mas confesso que, assim como os cervejeiros, os kombucheiros são tão prestativos quanto, nos auxiliando cada dia mais para novos desenvolvimentos de equipamentos.”
A Damek, inclusive, segundo complementa Cristyeny, já tem atuado ao lado de cervejeiros que vêm investindo na kombucha. “A experiência com os produtores tem sido de grande valia. O tratamento bem próximo tem nos acarretado mais experiências, ocasionando mais desenvolvimento de equipamentos para o auxílio e facilidade deles. Com essa experiência, o crescimento é mútuo. E a gratidão também”, conclui.
A última semana confirmou que o universo cervejeiro vai muito além do mero consumo da bebida. Foi o que ratificou diferentes iniciativas, como a da Invicta, que reabriu a sua casa com novidade na cozinha. Já a Colorado fechou parceria com a DeBetti para incrementar o churrasco do consumidor. Além disso, a Brahma deu início a mais um reality show cervejeiro, enquanto a Barbearia Don Rodrigues passou a oferecer chope da Komblue. A ESCM, por fim, confirmou a realização de mais um webinar para divulgação do conhecimento cervejeiro. Confira.
Chef da Invicta A chef Rachel Camacho, especialista em defumação, passa a comandar a cozinha da Cervejaria Invicta em São Paulo. Ela já atuava como chef executiva da unidade em Ribeirão Preto. Agora, na capital paulista, será responsável pelos cardápios e produções. A casa, que estava fechada desde o início da pandemia do coronavírus, foi reaberta na última sexta-feira, no bairro de Perdizes. “As comidas serão toda no meu estilo de cozinha – 100% autoral, rico em receitas exclusivas com as cervejas da casa, defumação, pães de fermentação natural e malte, entre outros. O carro chefe será os defumados como brisket, costelinha suína e bolinhos diversos. Claro que as sobremesas também terão o toque especial de fumaça”, promete Rachel.
Churrasco da Colorado A DeBetti, marca de carnes especiais, se juntou à Cervejaria Colorado para lançar o Um Brinde ao seu Melhor Churrasco. A iniciativa contará com uma plataforma de conteúdos, como aulas dadas por especialistas em churrasco e cerveja para que os paulistanos aprendam a criar diversas receitas com as carnes, além de realizar eventos e oferecer promoções exclusivas no açougue e restaurante da deBetti. E os seus frequentadores terão acesso a uma variedade de chopes da cervejaria Colorado como os rótulos Appia, Ribeirão Lager, Indica e mais alguns de outras cervejarias.
Reality da Brahma A Brahma se juntou novamente ao festival de música sertaneja VillaMix e à produtora de conteúdo Endemol Shine Brasil para realizar a segunda temporada do reality show “O Próximo Nº1 VillaMix”, que vai buscar um novo grande nome da música sertaneja. O programa é transmitido aos sábados, ao vivo, às 20h, no canal do VillaMix no YouTube e no site da Brahma. A edição é apresentada por Mariana Rios e terá as participações de Luan Santana, Gusttavo Lima, Matheus & Kauan, Cesar Menotti & Fabiano e Lauana Prado. São 6 episódios, com a final marcada para 12 de dezembro. “A Brahma vem usando o entretenimento como um pilar fundamental para manter a conexão com os consumidores, trazendo conteúdos e formatos originais que têm captando a atenção, gerando interesse e engajamento das pessoas. Ao invés de entrar no intervalo do programa que o consumidor quer assistir, qual o motivo para não produzir o conteúdo que ele quer assistir?”, diz Gustavo Castro, diretor de marketing da Brahma.
Webinar da ESCM A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) vai promover na terça-feira mais uma edição do Webinar Cervejeiro. Nele, José Antunes vai falar sobre finalização de cervejas – ele é mestre em processos químicos e trabalha no Sistema Firjan como especialista no segmento de bebidas. O conteúdo sobre gestão comercial de cervejarias será ministrado por Eli Bernardino Jr., gestor de cervejas na Cia. Hemmer e fundador da Academia da Cerveja. Já Fábio Bax abordará o tema cervejas sem álcool – ele é mestre em Tecnologia de Cerveja e Malte pela Universidade Politécnica de Madri e atuou como gerente de produtos na Brasil Kirin e cervejeiro na AB-InBev. A participação é gratuita.
Chope da Komblue na barbearia A Barbearia Don Rodrigues, localizada no bairro do Morumbi, em São Paulo, decidiu apostar em um diferencial na disputa pelos clientes. Agora, em seu menu, oferece chopes artesanais da Komblue. Eles são dos estilos Lager, Red Ale, Weiss e IPA em latas – ou Lager e IPA, no caso dos barris. O cliente pode apreciar o chope no bistrô da barbearia.
Tenho sido uma sommelière de muitos sabores. Nunca tinha vivido isso, de ficar me despedindo de rótulos, receitas e memórias. Quanto mais cervejas eu bebo, mais a lista de despedida aumenta.
Uma das perguntas que eu mais respondi ao longo dos anos como profissional do mercado de cervejas foi: qual é sua cerveja favorita?
Como responder acertadamente, provando tantas coisas bacanas? Eu talvez tenha minha lista de cervejas favoritas, meu “Top 10 cervejas”. Mas sempre estou considerando o ano atual, e ainda assim vai ser difícil. Uma lista de quais sabores me agradaram mais? Quais os melhores blends de lúpulos? Quais as mais equilibradas escolhas de grist? Qual a cerveja onde a levedura consumiu e transformou, de forma eficiente e saborosa, melhor os açúcares do mosto? Qual foi a fruta que melhor se encaixou naquela mistura fermentada?
É, sim, muito difícil decidir, por que baseados em quê, comparamos essas experiências?
Eu não julgo minhas cervejas.
Eu julgo as minhas cervejas.
OMG, sim, cada gole ponderado e apreciado! E estou condicionada a condenar muitas amostras, baseada em minhas experiências anteriores.
Se deliciosas cervejas: “Nunca chegará aos pés daquela….”. Péssimas cervejas. “Não é tão ruim quanto a ….”. E assim por diante.
E temos as melhores harmonizações: vida (emoção) + cerveja = memória, história.
Tomei um Lager bem ruim em 2008. Naquele show que eu queria tanto. Foi inesquecível.
Tomei uma IPA bem meia-boca em 2011. Foi naquele encontro da turma de faculdade. Foi memorável.
Tomei uma Witbier bem média em 2015. Olhando o Mont Blanc. Foi inexplicável.
Bebi a melhor NEIPA da vida. Foi na terça-feira passada, enquanto via uma live de como dobrar pães. Foi legal.
Provei uma RIS absurda. Foi na sexta cozinhando um risotto. Que jantar!
Bebi uma Sour deliciosa. Foi no sábado, assistindo Netflix. Até chorei, mas com o filme.
Alguns sabores nós queremos novamente porque nos levam onde as memórias estão. Esta é uma das belezas escondidas da gastronomia. Temos memória sensorial afetiva e existe um simbolismo muito grande. Quando observamos uma cena que tenha todos esses elementos: as cervejas, as comidas, as pessoas, os sons, o cenário, os cheiros e toda a energia que o momento tem. Tudo isso faz parte de uma boa harmonização, o sabor do momento.
Quando abro uma cerveja que não vai mais existir daqui a 3 meses, daqui a 1 ano, daqui a 10 anos, preciso discutir a relação com meu paladar e meu cérebro. Porque isso causa uma experiência diferente para o momento e aquela ocasião se torna efêmera. E ganha certo valor.
No livro O gosto como experiência, de Nicola Perullo, ele faz uma breve síntese do tema. “Paladar é situação, circunstância, experiência, relação estética.” Não poderia concordar mais.
Discutindo a relação com meu paladar – Oi gente, nossas papilas vão receber agora uma cerveja que parece ser superbacana. Mas, por favor, não se apaixonem. Amor de verão não sobe a montanha.
Tenho passado os últimos meses, desse isolado 2020, abrindo cervejas que não serão reabertas. Lançando rótulos lindos, que não serão mais fabricados. O conflito nessa história é que estamos sempre caminhando e olhando para a frente. As despedidas deixadas em um lenço de choro mais salgado que uma Gose exclusiva.
A jornada do sommelier passa por achar que nunca mais vai provar algo igual “àquela” Porter. Nada mais vai te arrebatar os ossos como “aquela” Red Flanders. Uma Doppelbock bem-feita “só nos próximos 50 anos”. Pilsen boa só a que tomei “daquela” vez na República Checa.
Mas o plot twist cervejeiro é entender que ainda estamos apenas no começo dessa revolução e existe muito a ser feito e ser provado.
Algumas cervejas estão realmente na memória e nem sei se eram apenas parte da minha alegria pelo lugar que estava ou com quem estava ou a que brindava. As despedidas sensoriais são uma dramatização das pequenas paixões que nos arrebatam. Um dos poucos privilégios da profissão de sommelieria, muito mais árdua do que apenas se apaixonar por um líquido.
Bia Amorim é sommelière de cervejas, filosofa de boteco on live, escritora de botequim virtual, a tia louca da louça. No instagram, @biasommelier no trabalho, @startupbrewing e vertentes
Enquanto o mundo aguarda o fim da interminável apuração das eleições dos Estados Unidos, uma marca de cerveja pode dizer que está na vanguarda da oposição a Donald Trump, que tende a ser derrotado por Joe Biden nas urnas, embora o atual presidente venha atacando a democracia ao declarar, sem provas, que o processo tem sido fraudado. Trata-se da 5 Rabbit Cerveceria, que em 2015 alterou o nome da sua Blonde Ale para Chinga Tu Pelo em protesto contra Trump por suas declarações preconceituosas e xenófobas a respeito dos latinos e mexicanos.
De inspiração latina, a 5 Rabbit é uma cervejaria artesanal do Illionis, em Chicago. E, há cinco anos, quando o empresário buscava o seu primeiro mandato presidencial, era a fornecedora de Blonde Ales para a Trump Tower da cidade. Um acordo que foi rompido quando Trump, no anúncio da sua candidatura, fez um ataque aos imigrantes mexicanos, chamados por ele de “criminosos” e “estupradores”.
Discordando das declarações do hoje presidente, a 5 Rabbit optou por encerrar a relação comercial com a Trump Tower. Buscou, então, vender a sua produção para bares e restaurantes, relatando a mudança de rumo do seu negócio em função da xenofobia do ex-parceiro. A recepção, de acordo com relato publicado em seu site oficial, foi ótima. E rendeu um novo nome para o seu rótulo.
Mais do que isso: de uma cerveja fornecida para um dos empreendimentos de Trump, tornou-se um rótulo – a Chinga Tu Pelo – que protesta contra tudo o que ele representa.
“No final do dia, a ‘Trump Golden Ale’ ganhou um novo nome. A Chinga Tu Pelo tornou-se um fenômeno, não pela rapidez com que foi vendida, mas por sua mensagem de solidariedade a favor da inclusão, aceitação e respeito”, afirma a cervejaria.
A cervejaria A 5 Rabbit foi fundada por Andrés Araya, um costarriquenho. Ele é casado com uma peruana e viveu por anos na Cidade do México, onde nasceu a sua filha mais velha. Hoje, em Chicago, ele não se esquece de sua origem na operação da cervejaria. E repassa valores obtidos com a venda de produtos para instituições que lutam pela inclusão e rejeitam o preconceito e o ódio.
“Estaríamos sendo injustos para com a comunidade que servimos (e vivemos) ao nos envolvermos em negócios com alguém que não aceita nosso papel na sociedade e expressa uma retórica de ódio e ignorância em relação a nós”, diz Araya, em publicação no site da cervejaria.
O fundador da 5 Rabbit destaca os valores que permeiam a atuação da sua marca e que deveriam ser preceitos básicos para a sociedade norte-americana, apontando a sua preocupação em dar voz aos imigrantes latinos.
“Precisamos nos defender e, mais importante, defender aqueles que não têm voz ou meios para fazê-lo. A própria fundação dos Estados Unidos da América foi construída sobre a aceitação e inclusão”, diz. “Como empresa, parte integrante de nossa visão diz que não estamos apenas baseados, mas também buscamos promover uma imagem forte e positiva da América Latina, seu patrimônio e seu povo.”
Assim, Araya destaca que a luta da 5 Rabbit não é apenas contra Trump, como expressado na Chinga Tu Pelo, mas também por uma sociedade mais justa e por uma parcela da população muitas vezes marginalizada e vista sob preconceito nos Estados Unidos.
As ações da 5 Rabbit como um símbolo de resistência foram registradas em um documentário chamado “F… Your Hair”, que chegou a figurar no cardápio do Amazon Prime, mas foi retirado neste ano das opções que podem ser assistidas no serviço de streaming.
Militância nas eleições Nas últimas semanas, a cervejaria ainda participou de campanhas de mobilização para que as pessoas votassem na eleição presidencial dos Estados Unidos. E, no Illinois, estado onde a 5 Rabbit faz a sua cerveja, Trump foi derrotado por Biden. O candidato do Partido Democrata tinha 55,6% dos votos, contra 42,6% do atual presidente, com 91% das urnas apuradas, o que lhe garantiu 20 votos no colégio eleitoral.
No restante do país, Biden está muito próximo de chegar aos 270 votos necessários para se eleger. Até a manhã desta sexta-feira, ainda faltando a definição da eleição em seis estados, o candidato democrata tinha 264 votos no colégio eleitoral, contra 214 de Trump, de acordo com projeção da agência de notícias The Associated Press.
Para Biden, portanto, basta uma vitória em qualquer dos seis estados que ainda não tiveram seus resultados determinados – Carolina do Norte, Geórgia, Nevada, Pensilvânia, Arizona e Flórida – para se se eleger presidente.
Apesar disso, a oficialização da vitória de Biden ainda pode demorar, pois, como a eleição está apertada em vários estados, pode ser necessária uma recontagem. Alem disso, há os votos vindos do exterior a serem contabilizados. E, principalmente, ações judiciais podem protelar a divulgação o resultado.
De qualquer forma, o democrata deverá ser o próximo presidente dos Estados Unidos – assim como o ataque de Trump à democracia pode ter efeitos que irão muito além da atual eleição norte-americana.
As iniciativas da 5 Rabbit e da Chinga Tu Pelo em meio ao processo eleitoral dos Estados Unidos foram tema de recente reportagem da Esquire. Confira no link.
No começo da pandemia, o delivery foi essencial para que muitos estabelecimentos continuassem realizando suas atividades, ainda que de portas fechadas, como aconteceu com várias integrantes da Rota Cervejeira RJ. Agora, após a reabertura da maioria dos bares pelo Brasil, o que poderia ser uma tendência passageira se consolidou como mais uma opção de serviço e modalidade para venda e consumo de cervejas.
Para quem tem gostado de receber a sua bebida gelada na porta de casa, o Guia preparou um compilado com 13 opções de delivery de integrantes da Rota RJ que estão oferecendo o serviço.
Confira, a seguir, 13 opções de delivery da Rota RJ. E boa cerveja!
Alpendorf Cervejaria Com 23 torneiras de chope com fabricação própria, a marca de Nova Friburgo tem como destaques no delivery a sua Double American Porter (nota 4,28 no Untappd), a Belgian Tripel American Wheat IPA, a Red Rye IPA (nota 4,02 no Untappd) e a New England IPA com os lúpulos Galaxy, Simcoe, Citra e Galena.
Endereço: Avenida Antônio Mario de Azevedo, 18700, Conquista, Nova Friburgo E-mail: contato.alpendorf@gmail.com Telefones: (22) 99921-7328 / (22) 99243-0824 / (22) 99269-9311
Barão Bier Pioneira em Nova Friburgo, a Barão Bier homenageia em seus rótulos os imigrantes que chegaram ao município. Entre as principais cervejas ofertadas pela marca estão a Berna (American Blond Ale, com 5,1% de graduação alcoólica), a Genebra (Weizen, 6,7% de graduação alcoólica), a Argóvia (American Red Ale, 5,3% de graduação alcoólica) e a Lucerna (English Pale Ale, 5,9% de graduação alcoólica), além da sua Pilsen (4,6% de graduação alcoólica).
Endereço: Rua Bento Faria, s/n, Jardim Califórnia, Nova Friburgo E-mail: karol.angelo@baraobier.com.br e helen.angelo@baraobier.com.br Telefone: (22) 99762-0760
Brassaria Matriz A cervejaria de Petrópolis, do bairro Corrêas, também é integrante da Rota RJ e tem a Mati-Taperê como carro-chefe do seu delivery. A cerveja é uma New England IPA com cupuaçu, um ingrediente típico do Norte do país, mistura que intensificou o aroma e trouxe uma leve acidez da fruta. Destaque também para a Saison de la Matrice, uma cerveja inspirada na “energia da casa”. Com um leve cítrico e condimentado, ela remete ao “frescor e aconchego que você só encontra quando visita a Brassaria Matriz”.
Brewpoint A cervejaria de Petrópolis, do bairro Quitandinha, tem diversas opções em seu delivery, com destaque para a sua Lager (4,5% de teor alcoólico e 15 IBUs,) a Dunkel (5% e 22 IBUs) e a Witbier (5,2% e 11 IBUs).
Colonus De Petrópolis, no bairro Castelânea, a Colonus está cheia de opções para o cervejeiro que pretende apreciar uma boa cerveja em casa. Entre os seus destaques estão: a Colonus #7 (Belgian Blonde Ale com extrato de Jack Daniel’s e 7% de graduação alcoólica), a Colonus #21 (Strong Golden Ale com extrato de Jack Daniel’s e 9% de de graduação alcoólica), a Colonus Outbreak (Dark Strong Ale com extrato de Tellura Amburana e 10% de graduação alcoólica), a Colonus German Pils Lager (German Pils com 5,2% de graduação alcoólica), a Colonus Red Ale (Irish Red Ale com 6% de graduação alcoólica) e a Colonus APA (American Pale Ale com 5,6% de graduação alcoólica).
Doutor Duranz Com criações inspiradas na “alquimia”, a Doutor Duranz, de Petrópolis, oferece no seu serviço de delivery diversas cervejas. Entre as principais opções estão a Obra-Prima (IPA com 6% de graduação alcoólica), a Preciosa (Belgian Blond Ale com 6% de graduação alcoólica), a Do Mestre (Pilsen com 4,7% de graduação alcoólica), a Elixir (Red Ale com 4,8% de graduação alcoólica), a Chocolager (Dark Lager com chocolate e baunilha, tendo 4,8% de graduação alcoólica) e a Nigredo (Russian Imperial Stout com 10,5% de graduação alcoólica).
Favre Baum Cervejaria cigana de Teresópolis, a Favre tem diversas ofertas no seu delivery, com destaque para a Czech Pilsner (4,7% de graduação alcoólica e 30 IBUs), que leva o lúpulo Saaz. Também oferece a Festbier alemã Maibock (6,8% de graduação alcoólica e 25 IBUs), além da sua Irish Red (4,8% de graduação alcoólica e 19 IBUs).
Lumiarina Apostando na sustentabilidade, a Lumiarina foca em questões como a destinação correta de lixo e o reflorestamento nas suas ações em Nova Friburgo. Em seu delivery, destaque para a Zen (German Pilsner com 4,9% de graduação alcoólica), a Luanda (Robust Porter com 5,3% de graduação alcoólica), a Cê Weiss (Hefeweizen com 5,2% de graduação alcoólica) e a Ipajé (Rye IPA com 6,5% de graduação alcoólica).
Endereço: Rua Jorge José Pedro 151, Lumiar, Nova Friburgo E-mail: cervejarialumiarina@gmail.com Telefone: (21) 99733-0053
Mad Brew A Mad Brew está no mercado de cervejas artesanais desde 2005. Com opções de delivery por iFood ou WhatsApp, a marca oferece uma extensa lista de produtos. Entre elas, a Coringa Pilsen (American Lager), a Weisstein (Weiss), a Red Alert (Red Ale), a Hot Mind (Summer Ale), a Freak Lab 01 (Sour com maracujá, laranja e goiaba), a Alienation (American Pale Ale), a Hop Obsession (American IPA), a The Walking Mad (New England Double IPA) e a Heavy Metal (Barrel Aged Wee Heavy).
Madame Machado Inaugurada em 2016, a Cervejaria Madame Machado está com uma lista diversa de opções no seu serviço de delivery em Petrópolis – são 17. Entre elas: Berlin (Pilsen, com 5% de graduação alcoólica), Nova Deli (IPA, com 6% de graduação alcoólica), Bruxelas (Belgian Tripel, com 9% de graduação alcoólica), Paris (Saison, com 6,3% de graduação alcoólica), Dublin (Irish Red Ale, com 9% de graduação alcoólica), Londres (Robust Porter, com 6% de graduação alcoólica) e Moscow (Russian Imperial Stout, com 10% de graduação alcoólica).
Pontal A Pontal tem inspiração em grandes cervejarias brasileiras e norte-americanas. Localizada em Nova Friburgo, a artesanal também tem opção de delivery no Rio de Janeiro. E o destaque do serviço é o seu growler de chope.
Endereço: Avenida Conselheiro Julius Arp, 80, galpão 14, Centro, Nova Friburgo E-mail: contato@cervejariapontal.com.br Telefone: (22) 2523-1387 / (22) 98160-0289 / (22) 98160-0289 (delivery Friburgo) / (21) 98373-2180 (delivery no Rio)
Rota Imperial De Guapimirim, a cervejaria Rota Imperial traz diversos estilos para os clientes que desejam adquirir suas bebidas pelo delivery. Suas principais opções são Rota Imperial (Pilsen Premium), Escalada (Hop Lager), Ponkanja (Witbier), Lavínia (Sour com uva), Sotalia (APA), 2275 (English IPA) e Rota 2 (Russian Imperial Stout).
Vila de Secretário Carregando em sua trajetória mais de 70 anos de tradição familiar, a cervejaria Vila de Secretário, localizada no centro de Petrópolis, oferece ao público, através do delivery, growlers de 1 litro de Session IPA e Amber Lager, custando R$ 25 e R$ 20, respectivamente.
A conjunção de fatores como beleza natural, riqueza cultural e ótimas marcas artesanais resulta em um fértil terreno para o desenvolvimento do turismo cervejeiro no Brasil. Ainda assim, por falta de investimento e de estrutura, esse que pode ser um importante nicho tem um longo caminho a percorrer até se tornar uma opção concreta de desenvolvimento para o setor.
Essa é a análise feita por aquele que se tornou, na prática, um dos maiores especialistas em turismo cervejeiro no Brasil: o publicitário e sommelier Edson Carvalho, mais conhecido como Viajante Cervejeiro, que há anos colocou uma mochila nas costas, pegou a estrada e, de carona, apenas com o necessário para o dia a dia, viajou de bar em bar por todo o país.
A experiência resultou no “De carona até o próximo bar”, livro que reúne as aventuras vividas por Edson e que ganhou sua segunda edição no final de agosto, em plena pandemia, período que, evidentemente, tornou mais difícil a vida de um viajante cervejeiro.
Em entrevista exclusiva aoGuia, Edson faz uma análise do turismo cervejeiro no Brasil e o compara com locais onde está mais estruturado, como nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. Analisa, também, o que deve ser a vida de um viajante após pandemia. E descreve algumas das experiências mais interessantes que vivenciou ao longo dos últimos anos.
Confira, a seguir, a entrevista completa com Edson Carvalho, o Viajante Cervejeiro:
Por que a ideia de relançar o livro e quais as novidades que o leitor terá acesso? Desde que a primeira edição se esgotou (foram 1.600 cópias), sempre tinham pessoas me perguntando quando sairia a segunda edição. Percebi que o interesse não diminuía mesmo com mais de um ano sem livros. Escrevi uma crônica nova, contratei o Estúdio Cerverama para desenhar uma nova capa e criar algumas ilustrações que foram para o livro. A capa representa parte do mapa com o roteiro que fiz pelo Brasil. Esse mapa ilustrativo também vai junto com o livro.
Sabemos que o livro já está em sua segunda edição, mas voltando um pouco no tempo, qual foi o intuito de concebê-lo? Quando comecei o projeto Viajante Cervejeiro pelo Brasil, em 2014, não tinha ideia do que iria acontecer pela frente. Eu só queria viajar e conhecer o nosso Brasil cervejeiro. Mas, com o tempo e com a quantidade de histórias inusitadas que fui vivenciando, pensei que poderia ser uma boa ideia registrar esses “causos” em um livro. Mais próximo do fim da viagem, havia decidido que escreveria esse livro para compartilhar minha vida como viajante cervejeiro e, de certa forma, incentivar as pessoas a se aventurar um pouco mais e a seguir seus sonhos.
Qual história foi mais marcante de viver como viajante cervejeiro e que está contemplada no livro? Percorrer o Norte do Brasil me marcou bastante, principalmente viajar nos navios pelos rios da Amazônia por dias seguidos, dormindo em redes, passando pelas comunidades ribeirinhas, contemplando a imensidão da natureza e conversando com os locais que fazem esses trajetos usando os barcos como meio de transporte.
O que o estimulou a se tornar um viajante cervejeiro? Sabe quando a vida vai conspirando a seu favor? Pois foi assim comigo. Descobri cervejas artesanais morando fora do Brasil, depois fiz uma grande viagem pelo sudeste asiático e, nesse tempo todo, fui conhecendo outros viajantes de fora que conheciam mais o Brasil do que eu. Isso me incomodava. Quando voltei de uma segunda temporada fora, isso em 2012, decidi que precisava conhecer o meu país. Como eu já trabalhava com cervejas e não queria parar, idealizei o projeto Viajante Cervejeiro pelo Brasil e comecei a pensar na viagem. E foi assim que tudo começou.
Como está a vida de um viajante cervejeiro em um período de pandemia? Já consegue planejar novas viagens? Está bem complicada porque eu sou muito da estrada e todo meu conteúdo sempre foi voltado a dar dicas de lugares cervejeiros. Eu tinha duas viagens marcadas para 2020, uma para Califórnia, para visitar várias cervejarias com um grupo fechado, e outra pela América do Sul, conhecendo cervejarias no Uruguai, Argentina e Chile. Quando veio a pandemia, foi tudo cancelado e parei de planejar, mas agora já estamos olhando para esses projetos novamente e espero que, em breve, possamos todos curtir a estrada juntos novamente.
O que imagina que vai mudar em suas viagens como turista cervejeiro diante dos efeitos e resquícios da pandemia? Acho que, infelizmente, as experiências com as pessoas mudarão. É possível que permaneça um certo distanciamento interpessoal, que não tenha tanto toque, contato físico mesmo, sabe? Ainda mais por conta de alguém que estará passando por vários lugares, como será o meu caso. E as relações com as pessoas é uma das coisas mais ricas e encantadoras que surgem nas viagens.
Com a experiência de quem fez turismo cervejeiro pelo Brasil, como avalia a atividade? O que o segmento tem a melhorar? Comparando com outros lugares fora do Brasil, acho que temos um caminho longo a percorrer, porém com muito potencial para explorar o turismo cervejeiro por aqui. A maioria das cervejarias aqui no Brasil não são preparadas para receber turistas, não investem em produtos da marca, em uma loja, em visitas de experiência na fábrica. E isso tudo faz muita diferença. Mas entendo que no Brasil é tudo mais caro e todo investimento é pesado, já que o retorno é longo e muitas vezes incerto. Mas temos grandes exemplos, principalmente nas cervejarias rurais como a Zalaz e a Três Orelhas, na Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais.
Você fez várias viagens ao exterior como turista cervejeiro. Consegue comparar o turismo cervejeiro daqui com o de outros países? Como eu disse na pergunta anterior, acredito que o mercado europeu e norte-americano, que são os que eu conheço um pouco, já estão bastante evoluídos nesse tema, com rotas cervejeiras mais definidas, estruturas para receber turistas, museus interativos da cerveja, entre outras coisas. A gente aqui tem muito a explorar e, consequentemente, a crescer com o turismo cervejeiro. Os festivais de cerveja, por exemplo, são algo que vem dando certo no Brasil. Cada vez vemos mais festivais locais e regionais, o que é muito legal. O empreendedor brasileiro é criativo, mas nos faltam mais incentivos fiscais que ajudem a fomentar o mercado.
Seu trabalho como viajante cervejeiro une cultura, turismo e cerveja. Como enxerga que essa junção pode contribuir para o segmento de cervejas artesanais? Acho que a ideia é promover um pouco de entretenimento trazendo temas variados como dicas de viagens, cervejas e bebidas em geral, e informações sobre os lugares que visito. Acredito que meu papel é despertar o interesse das pessoas que acompanham o meu trabalho em conhecer esses lugares por onde passo, fomentando o mercado, já que irão consumir desses produtores e dos bares que trabalham com cerveja artesanal. Então, assim que for possível, vamos continuar consumindo dos produtores locais, mas vamos também viajar e conhecer novos locais cervejeiros.
As mulheres que atuam com cervejas artesanais no Brasil ainda precisam lutar diariamente contra o sexismo para que a participação no setor seja aceita e respeitada. E, para debater os desafios delas no dia a dia de suas profissões, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Dois Vizinhos (UTFPR-DV), convidou quatro cervejeiras para uma live que ocorrerá na próxima sexta-feira, às 19 horas.
A conversa integra o projeto de extensão Meninas e Mulheres nas Ciências, que busca abordar a temática da ocupação feminina nos mais diversos espaços. Na live da UTFPR desta sexta, estarão presentes as cervejeiras Aline Ferreira, Fernanda da Costa, Mariana Maranho e Tamires Cirilo, que fazem parte do Coletivo Feminista Bertha Lutz.
Se, de um lado, as mulheres vêm conquistando espaço no mercado, de outro, as reações preconceituosas têm sido cada vez mais escancaradas, como nos acontecimentos que vieram à tona nos últimos meses no setor – ou mesmo na descabida decisão judicial desta semana que proferiu uma sentença “inédita”a partir de um esdrúxula tese de “estupro culposo”.
Não à toa, o sexismo é um dos principais desafios para o setor e tema abordado durante a preparação para a implementação do Código de Ética da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), recém-aprovado. A entidade, inclusive, realizou uma eleição em outubro e, pela primeira vez na história, será presidida por uma mulher, a sommelière Nadhine França.
Entre as novas regras do documento, além de questões relacionadas à equidade de gênero, estão temas relacionados à diversidade, inclusão, Lei Geral de Proteção de Dados, uso indevido de propriedade intelectual e preservação. O documento também prevê as possíveis sanções e os ritos para avaliação das infrações.
Assim, para debater o cenário ainda difícil para as mulheres no mercado cervejeiro, a UTFPR organizará sua live nesta sexta-feira. Confira mais informações abaixo:
Confira o perfil das participantes da live: Mariana Maranho é graduada em química, técnica em cervejaria pela Escola Superior de Cerveja e Malte e sommelière de cerveja pela Doemes Academy. Trabalhou na cervejaria Druida em Monterrey, no México, onde implementou laboratórios de físico-química, microbiologia e desenvolvimento de novas receitas. Atualmente trabalha como responsável pela produção de cervejas na Nord Haus em Juazeiro (BA).
Fernanda da Costa é formada em Educação Física e estudante de Marketing. Sommelière de cerveja pela Universidade Positivo. É empreendedora do Cerviajona, empresa de viagens e experiências cervejeiras.
Tamires Cirilo é formada em Comunicação Social e técnica em nutrição. Fez curso de sommelière de cerveja e especialização em harmonização de cerveja em Ribeirão Preto. CEO do site Beercapp, produz e executa eventos internos e externos no mercado cervejeiro, degustações, harmonizações e workshops.
Aline Ferreira é sommelière de cerveja, administradora e juíza PJCP, além de empreendedora da Degustare Beer. Trabalha com eventos de degustação e harmonização, consultoria, palestras e concursos de cerveja.
Balcão do Advogado: Caso Petroleum – A condenação de R$ 500 mil e a importância dos contratos escritos
Quem acompanha a Coluna Advogado Cervejeiro no Guia e/ou leu o livro Direito para o Mercado Cervejeiro sabe o quanto insistimos na formalização de contratos escritos pelas cervejarias. O motivo é simples e sempre vem seguido de um brocardo (jargão jurídico) antigo: “o que está escrito no papel não dói”.
No momento em que as expectativas das partes estão alinhadas e são previstas em um contrato bem redigido por um profissional capacitado, preserva-se a relação entre os contratantes, evitam-se problemas sérios e, em havendo quebra de alguma dessas expectativas, fica muito mais seguro socorrer-se ao judiciário.
A recente sentença proferida no processo da cervejaria cigana curitibana DUM contra a Wäls (atualmente ZX Ventures/Ambev), que condenou o conglomerado ao pagamento de R$ 500 mil por quebra de sigilo da “fórmula da cerveja Petroleum”, é um exemplo paradigmático a favor da nossa insistência em relação à necessidade de formalização de contratos escritos nas relações cervejeiras, tendo em vista que a decisão judicial baseou-se na multa por quebra de sigilo da receita da Imperial Stout Petroleum prevista em contrato.
Essa sentença sela um precedente importantíssimo para o mercado cervejeiro, haja vista que se trata de uma das primeiras decisões na Justiça brasileira acerca de receita de cerveja e de seu uso indevido, demonstrando a importância da profissionalização das microcervejarias por meio da adoção de contratos escritos e do registro de marcas no INPI.
Não tivesse a DUM formalizado contrato escrito com a Wäls e registrado a marca Petroleum no INPI lá atrás, dificilmente a cervejaria cigana teria tido sucesso na ação judicial. Isso porque a redação de contratos escritos com a assessoria de profissionais capacitados permite a condução da relação jurídica a rumos previsíveis, o que auxilia a parte eventualmente lesada a buscar seu direito na via judicial.
Ainda sobre a decisão da 7ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, cujo trecho principal segue transcrito abaixo, é uma vitória de uma cervejaria cigana artesanal contra a Ambev, com condenação em patamar elevado, e que, mesmo que ainda em primeira instância e cabendo recurso ao TJ-MG, por si só deixa clara a importância do precedente para o setor.
“(…) Pelo exposto julgo PROCEDENTES os pedidos da petição inicial para: a) Declarar rescindido o contrato de compra e venda dos direitos de exploração e registro da fórmula da cerveja Petroleum celebrado entre as partes, retornando os contratantes ao status quo ante, com a devolução do valor recebidos pelos autores e a impossibilidade de utilização da receita em questão pela parte ré. b) Condenar a parte ré ao pagamento da multa prevista na Cláusula 4.4 do contrato por quebra do sigilo da fórmula no valor de R$500.000,00 a ser corrigido monetariamente pelos índices da Tabela da Corregedoria-Geral de Justiça e acrescido de juros de mora de 1% ao mês a partir da data da sentença. Condeno, ainda, a parte ré ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% do valor da condenação, nos termos do artigo 85, §2º do Código de Processo Civil.”
(Consultados pela reportagem do Guia, os envolvidos prefiram não se manifestar publicamente até a conclusão do processo nas demais instâncias)
Em um sinal claro de que ainda sofre com os efeitos da crise do coronavírus, a Heineken comunicou em seu balanço mundial que o lucro líquido nos nove primeiros meses de 2020 foi de 396 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,645 bilhões), uma redução de 76% no comparativo ao mesmo período de 2019.
O balanço da Heineken também apontou que o volume consolidado de cerveja teve um declínio orgânico anual de 1,9% no terceiro trimestre, ainda assim inferior ao que previam os analistas – a aposta era de uma queda de 5,9%.
Isso se deu porque o resultado de todas as regiões foi melhor do que o esperado, com exceção da Ásia. Nas Américas, por exemplo, o volume de cervejas vendidas cresceu 2,5%, com uma expansão de aproximadamente 13% no Brasil.
“A atualização do terceiro trimestre da Heineken destaca a resiliência da categoria cerveja ao operar com o fechamento de canais de comércio ou sua limitação obrigatória. O posicionamento competitivo da Heineken está melhorando nos principais mercados emergentes, como o Brasil, o Vietnã e a Nigéria, sendo apoiados por ganhos de participação na Europa”, afirma análise do Credit Suisse.
Ao apresentar o relatório financeiro, a cervejaria revelou o plano de reduzir custos com pessoal em cerca de 20%, o que começará a ser implementado no primeiro trimestre de 2021. Esta iniciativa foi vista pelo Credit Suisse como uma mudança cultural a respeito da abordagem sobre os custos.
“O reconhecimento da administração da Heineken da necessidade de intensificar foco em custos vem sendo rapidamente seguido por ação – o corte de 20% nos custos com pessoal entre os escritórios centrais e regionais é amplamente simbólico, mas sinaliza o início de uma mudança de cultura sobre como a empresa gerencia a base de custos, e as portas foram deixadas em aberto para um dimensionamento correto mais significativo nas operações locais”, acrescenta o material de análise do banco de investimentos, divulgado após a publicação do balanço da Heineken.
“Observamos que o gasto operacional da Heineken em vendas de 29% é o mais alto entre seus pares da indústria de bebidas. As empresas que reduziram os custos corretamente nos últimos anos (Diageo, Pernod, Carlsberg) conseguiram gerenciar melhor a alavancagem operacional e o reinvestimento, o que seria um acréscimo à história de ações da Heineken”, complementa o Credit Suisse.
Apesar de o resultado apresentado no balanço ter sido melhor do que o esperado, a Heineken se preocupa com a segunda onda de contaminação pelo coronavírus e seus efeitos sobre a companhia, com a adoção de novas restrições, incluindo o fechamento de bares e restaurantes em países da Europa e da Ásia.
Lucro menor da Ab InBev Já a Anheuser-Busch InBev (AB InBev) teve lucro líquido de US$ 1,04 bilhão (R$ 5,97 bilhões) no terceiro trimestre de 2020, 36% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando havia sido de cerca de US$ 3 bilhões (R$ 17,2 bilhões).
A receita da controladora da Ambev no Brasil foi de US$ 12,82 bilhões (R$ 73,63 bilhões) nos meses de julho a setembro deste ano, queda de 2,66% em relação aos US$ 13,17 bilhões (R$ 75,64 bilhões) do mesmo intervalo de 2019. Já o Ebitda ajustado alcançou os US$ 4,89 bilhões (R$ 28,08 bilhões). E o Brasil foi destaque no relatório, com crescimento de 25% no volume de vendas de cerveja no terceiro trimestre.
A queda no lucro se contrapondo ao aumento das vendas se deu pelo crescimento dos custos, um dos efeitos da pandemia do coronavírus, com a redução do consumo de bebidas em bares e restaurantes. Afinal, a produção e o envio de mais embalagens, latas e garrafas descartáveis tornam mais cara a operação do que a realizada para a venda fora do domicílio, concentrada em barris e garrafas de vidro, em sua maior parte reutilizáveis.
E as ações? Na Europa, a ação da AB InBev fechou outubro cotada a 44,56 euros. Como havia terminado setembro valendo 46,23 euros, a queda foi de 3,61% no mês.
Já o preço do papel da Heineken apresentou variação inexpressiva. Ele começou o mês custando 75,88 euros e encerrou outubro com o valor de 76,20 euros. A valorização, portanto, foi de 0,42% no décimo mês de 2020.