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Caso Backer: Juiz torna sócios e funcionários réus por adulteração de cervejas

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O juiz da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, Haroldo André Toscano de Oliveira, recebeu a denúncia contra sócios e funcionários da Backer e tornou 11 pessoas rés no processo que investiga a contaminação de cervejas da marca com o produto tóxico dietilenoglicol.

Leia também – Balcão do Advogado: Reflexões jurídicas sobre o caso Backer

Entre os denunciados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) e agora réus, dez são investigados pela participação na adulteração de bebidas alcoólicas, sendo um 11º por falso testemunho. Na relação, estão incluídos os três sócios da Backer.

Toscano de Oliveira também suspendeu a decisão que decretava o sigilo do caso. E, com o acolhimento da denúncia pelo juiz, o próximo passo do processo contra sócios e funcionários da Backer é a apresentação da defesa pelos acusados no caso em que o consumo da bebida adulterada provocou dez mortes, sendo as duas últimas em julho.

Na denúncia, apresentada em 4 de setembro e acolhida pelo juiz, o MP-MG afirmou que os três sócios-proprietários da Backer – Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos –  venderam, expuseram à venda, tiveram em depósito para vender, distribuíram e entregaram a consumo chope e cerveja adulterados pelo uso de substância tóxica no seu processo de produção. De acordo com a promotoria, “eles sabiam que o produto poderia estar contaminado.”

O MP-MG também apontou que os sete engenheiros e técnicos denunciados agiram com dolo eventual ao fabricarem o produto sabendo que ele poderia estar adulterado. Segundo a promotoria, eles “agiram como garantidores, não exercendo atividade ou ação que seriam devidas em função de suas formações técnicas”. Além disso, alguns dos envolvidos foram denunciados por ausência de registro no conselho profissional.

A pena para os sócios-proprietários e responsáveis técnicos vai de quatro a oito anos de reclusão, ainda acrescida da metade pelas lesões corporais e, em dobro, pelos homicídios para cada uma das vítimas. Os responsáveis técnicos ainda respondem pelos homicídios e lesões corporais de forma culposa, podendo ser condenados a penas de um a três anos e ainda dois meses a um ano de reclusão.

A adulteração das bebidas alcoólicas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol foi detectada nas cervejas recolhidas para análise e ainda na planta fabril da empresa. Os pontos de contaminação que originaram o envenenamento das bebidas alcóolicas foram identificados em vários tanques e ainda em diversos pontos da fábrica, conforme laudo da engenharia da Polícia Civil.

Na denúncia, o MP-MG avaliou que existiam outros anticongelantes no mercado, mas que a Backer os adquiriu deliberadamente. E, como se trata de produto impróprio para o uso na indústria alimentícia, os sócios-proprietários assumiram o risco de produzir as bebidas alcoólicas adulteradas.

A Procuradoria também apontou que os responsáveis técnicos devem ser responsabilizados, duplamente, em face do risco que assumiram ao fabricarem as bebidas utilizando produto tóxico e, ainda, por negligência e imprudência, por deixarem de realizar a manutenção dos equipamentos da empresa.

Relembre o caso
Em janeiro, vários consumidores foram internados com sintomas de intoxicação, desenvolvendo a síndrome nefroneural após ingestão da cerveja Belorizontina, o principal rótulo da Backer. Com o início da investigação, a perícia realizada constatou vazamento em um tanque e diversos outros focos de contaminação.

Em agosto, a Backer havia anunciado ter iniciado um processo de reparação para as famílias das vítimas. A fabricante mineira tinha contratado a Câmara de Conciliação e Mediação Satisfactio, empresa privada e especializada na solução de conflitos.

6 análises sobre o resultado da eleição da Abracerva e o futuro da associação

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A definição da nova diretoria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) foi marcada por ineditismos. Realizada após a renúncia dos gestores anteriores, a eleição desta quinta-feira teve uma inédita disputa entre duas chapas e viu uma mulher – Nadhine França – ser a escolhida pelos vencedores para exercer a presidência.

Assim, a expectativa é que o triunfo da Chapa da Maturação abra caminho para uma nova fase na associação e no segmento de cervejas artesanais, abalados pela desconfiança provocada pela contaminação de rótulos da Backer (que provocou dez mortes), pelos efeitos da crise do coronavírus e pela revelação de atos preconceituosos de figuras proeminentes do setor, algo que culminou na saída da diretoria anterior, então presidida por Carlo Lapolli.

Leia também – Maturação vence eleição e Nadhine França presidirá Abracerva até 2022

Encarar esse cenário adverso será um dos desafios da Chapa da Maturação, que estará à frente da Abracerva até outubro de 2022. Para entender o significado desse resultado eleitoral e avaliar quais caminhos serão seguidos pela gestão, o Guia ouviu uma equipe de especialistas.

Para eles, é fundamental a escolha dos associados pela Maturação – uma chapa que tem 6 mulheres entre seus 14 componentes – e de Nadhine para presidir a entidade, pois vai afastar a Abracerva dos casos de racismo e misoginia que atingiram o setor. Há uma confiança disseminada de que a diversidade será pauta prioritária da nova diretoria da associação.

Além disso, os profissionais ouvidos pela reportagem confiam que a preocupação social estará entre as principais frentes de atuação da Abracerva, assim como a busca por uma maior profissionalização do setor.

Confira análises sobre o resultado da eleição, a escolha de uma mulher para presidir a Abracerva e o futuro da gestão:

Ana Cláudia Pampillón (coordenadora da Rota Cervejeira RJ)
Acompanho o trabalho da Abracerva desde sua formação e tenho a certeza de que, até então, grandes conquistas para o setor aconteceram devido ao empenho pessoal de cada um que passou por essa entidade. Espero que mesmo com todos os acontecimentos desse último ano, a união prevaleça e que o movimento tão almejado pela igualdade seja de fato um elemento importante para o cenário cervejeiro do país.

Diego Dias (fundador da Implicantes)
Fiquei muito feliz pelo fato de conhecer a Nadhine, saber do trabalho dela e também de ser a primeira presidente mulher da associação. Acredito que daqui para frente vão ocorrer muitas mudanças, inclusive ela faz parte da Afrocerva, e eu gostaria muito de ver investimentos da gestão atual na questão racial, até pelos ataques que a cervejaria Implicantes sofreu, como também a sommelier Sara Araújo.

Eu gostaria de alguma forma de contribuir para ter uma mudança neste setor, que é muito urgente. Que cervejarias comecem a respeitar e também a incluir a diversidade e mais negros neste meio.

Ivan Tozzi (sócio-proprietário da Three Hills)
Achei o resultado muito bom. Para mim, já era esperado. Realmente, pelo porcentual, vimos que a maioria pedia mudança. E essa chapa representa essa mudança. Acredito até que os últimos acontecimentos envolvendo exposição de racismo e machismo no setor foram um impulsionador para que a Chapa 2 tivesse o número de votos favorável.

O que espero agora da Abracerva com a Nadhine no comando é a continuidade do trabalho que ela já vinha fazendo. De trabalhar a diversidade, de proporcionar facilidade para a democratização da cerveja. Foi merecido por tudo que a Nadhine fez em um momento tão conturbado da associação. Agora é arrumar a casa. Não espero que tenha alguma ação mais política como vinha ocorrendo na gestão anterior. Mas esse papel social da Abracerva deve vir com força e ser exemplo para as cervejarias.

Mário Jorge Lima (sócio-fundador da Cervejaria Matisse)
Eu achei que o resultado foi muito bom, principalmente porque afasta de vez o estigma machista que acabou surgindo em função daqueles fatos lamentáveis.

Espero que seja dada continuidade ao bom trabalho que já vinha sendo feito pela Abracerva e que a nova diretoria tenha muito empenho, pois a luta para consolidar a cerveja artesanal no Brasil está apenas começando. Desejo muita sorte à Nadhine e a toda a nova diretoria.

Rodrigo Sena (sommelier)
Eu acho que é um marco histórico o fato da uma primeira mulher presidir a Abracerva. Isso é muito importante em termos de representatividade para mostrar ao setor que a gente precisa ter mais participação de mulheres no mercado cervejeiro como um todo. Então, sobre esse ponto de vista da simbologia, é realmente muito importante ter uma mulher ocupando um cargo de presidente da Abracerva, ainda mais depois de tudo que aconteceu que nós sabemos, e que acabou até levando ao motivo da saída do antigo presidente.

Espero, claro, que Abracerva avance em algumas coisas. Lembrando que não é só a Nadhine, a chapa dela tem muitas pessoas competentes, pessoas do mercado, bem intencionadas, com visão empresarial, como Giba Tarantino, por exemplo, como o próprio Jayro (Pinto), que são profissionais excelentes, que admiro muito e vão contribuir bastante para a Abracerva. O que eu espero é que essa diretoria nova, com o comando da Nadhine, avance principalmente em questões que o mercado ainda carece. Uma delas é aprender a lidar com a diversidade, e eu acho que isso vai trazer para o mercado muitos benefícios, inclusive financeiros. Então, é o primeiro ponto que eu acho que precisa avançar e que tenho certeza que esse novo comando da Abracerva vai atuar diretamente para isso. Outro ponto que acho que precisa avançar, e que eu espero que essa nova diretoria faça, é na profissionalização do mercado. O mercado precisa se profissionalizar mais, precisa ter mais profissionais qualificados, mais profissionais preparados para atender. Ele acabou sendo um pouco reprimido por causa da pandemia, mas vai voltar, pode ser que 2021 ainda não seja o ano que a gente espera, mas vai voltar, uma hora essa demanda vai voltar e o mercado precisa de profissionalização. Os próprios episódios que aconteceram, com aqueles comentários lamentáveis, mostram que alguns dos profissionais que estavam trabalhando no mercado não são preparados. E a grande maioria dos profissionais tem muita vontade, mas não tem preparação. Sei que a Abracerva pode ajudar bastante nisso, ou seja, com políticas que ajudem os profissionais das cervejarias e os prestadores de serviço a se profissionalizar e também fazendo com que as cervejarias entendam que é preciso valorizar profissionais neste segmento. No mais, tenho certeza que a Abracerva vai continuar com o avanço na parte política. Ela tem uma cadeira na Câmara Setorial do Ministério da Agricultura e tenho certeza que essas pessoas que estão ali no comando vão saber manter a representatividade da Abracerva e até elevar esse nível de representatividade política, porque isso é muito importante para o setor.

Sara Araujo (sommelière)
No que tange ao fato de uma mulher estar à frente pela primeira vez de uma associação com o poder político como a Abracerva, sobretudo uma mulher negra e nordestina, esses marcadores sociais precisam ser assinalados e calafetados, porque são interseccionados pelas opressões de raça, gênero e origem, até porque a dissolução da gestão anterior se deu em razão de atos de racismo e misoginia. É histórico, mas requer um olhar atento: não é porque é uma mulher com todos os símbolos e significantes que carrega, que está tudo resolvido. “É preciso está atento e forte”, afinal, a “liberdade é uma luta constante”.

Em relação ao futuro da nova gestão, espero que abrace a questão racial de forma explícita, que não coloque sob o guarda-chuva da diversidade, pois são agências distintas. Que lute por ambas as causas, racialidade e diversidade. Que essas pautas sejam levadas a sério, que as discussões não façam parte de um puxadinho, mas que sejam a ordem do dia. O fator preponderante de eu não ter publicamente declarado meu apoio à chapa Maturação, pois havia uma mulher preta nela, com a qual eu dialogo, foi por não ter colocado de forma escurecida a pauta racial em discussão. Optei, inclusive, em não me associar no momento. O que posso fazer neste momento é desejar lucidez e coerência a toda a equipe e que acolham as demandas acima explanadas. Continuarei aqui atenta e fazendo proposições construtivas.

Maturação vence eleição e Nadhine França presidirá Abracerva até 2022

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A Chapa da Maturação foi eleita nesta quinta-feira para gerir a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) até outubro de 2022. Em disputa com a chapa Colegiado Cervejeiro, ela recebeu 72% dos votos dos participantes da Assembleia Geral da entidade, convocada para definir o novo comando da associação.

Nadhine França assume a presidência executiva da Abracerva, de acordo com a definição da chapa. Ela é sommelière, membro da Confraria Maria Bonita, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco e do Núcleo de Diversidade da Abracerva, além de colunista do Guia. Quando a diretoria anterior renunciou, havia assumido o comando da associação interinamente.

Nadhine é a primeira mulher a presidir a Abracerva. Antes dela, a diretoria da associação havia tido apenas uma presença feminina em sua gestão, de Taiga Cazarine. Agora, a Chapa da Maturação conta com 6 mulheres entre as 14 componentes. As outras são: Carolina Starret (Brewstone Pub), Debora Lehnen (Proa), Elisabeth Bronzeri (advogada tributarista), Érica Barbosa (Marketing Cervejeiro) e Gabriela Flemming (Fermi).

A Chapa da Maturação definiu que Marcelo Paixão, da Verace, ocupará a coordenação do Conselho da Abracerva. O beer sommelier Jayro Pinto foi designado como novo tesoureiro da associação. E Ugo Todde, da Dümf, vai ser o secretário durante o período do mandato.

A eleição para uma nova diretoria da Abraceva – feita de forma virtual – contou com a participação de 117 associados. A Maturação recebeu 84 apoios, contra 30 da Colegiado Cervejeiro. Ainda houve três votos nulos.

Leia também – Colegiado e Maturação: O que foi destaque no debate para a eleição da Abracerva

Renúncia e mudança
A eleição foi convocada após a renúncia de Carlo Lapolli à presidência da Abracerva. A sua saída do cargo ocorreu no início de setembro, na sequência da divulgação de mensagens de teor preconceituoso escritas por ele em um grupo de WhatsApp. Além dele, renunciaram todos os demais membros da sua diretoria.

A coordenação da associação, então, passou a ser ocupada interinamente por Nadhine, que agora permanecerá na presidência executiva da Abracerva até outubro de 2022.

A ampliação das atividades do núcleo de diversidade e a criação de vários outros, como os de tributação, negócios e acadêmico, estão entre as principais propostas do programa da Maturação para gerir a associação.

Confira a relação de componentes da Maturação, chapa que assume o comando da Abracerva:
Carolina Starret – Brewstone Pub
Debora Lehnen – Cervejaria Proa
Elisabeth Bronzeri – Advogada tributarista
Érica Barbosa – Marketing Cervejeiro
Gabriela Flemming – Cervejaria Fermi
Gilberto Tarantino – Tarantino
Jayro Pinto – Beer sommelier
Junior Bottura – Avós
Leandro Sequelle – Graja Beer
Marcelo Paixão – Verace
Nadhine França – Instituto de Cerveja PE
Rafael Leal – Caatinga Rocks
Rodolpho Tinini – Cervejaria Black Print
Ugo Todde – Dümf

Confira os principais pontos do programa da Maturação:
1) Análise de impactos e educação tributária através da criação do Núcleo de Tributação
Será criado um grupo de trabalho permanente para análise dos impactos de mudanças tributárias na margem de contribuição e no preço final ao consumidor. Será mantido e fortalecido diálogo institucional com a Câmara Setorial e com representantes do governo para defesa dos interesses do setor. Mecanismos e ferramentas de auxílio às microcervejarias e demais associados para o planejamento tributário e processo de decisão mediante as mudanças na carga tributária serão oferecidos através do desenvolvimento de treinamentos e palestras regulares.

2) Aproximação e valorização das regionais
Estreitaremos vínculos com as regionais existentes e trabalharemos para a criação de novas em estados onde não há representatividade do setor. Levaremos à discussão entre os associados a criação de um Conselho de Regionais, que servirá de foro para adequada compreensão das especificidades dos mercados estaduais, com a diversidade que observamos através de toda extensão territorial brasileira, sentando as bases para uma atuação da Abracerva que possa, por um lado, contemplar as especificidades regionais e, por outro, promover ações de fomento onde o mercado ainda esteja incipiente.

3) Conexão e profissionalização do mercado através da criação do Núcleo de Negócios
Criação de estratégias para apoiar na instrumentalização técnica da gestão das cervejarias, fazendo com que o nosso setor se torne cada vez mais forte. Devido ao fato de que nanos e microcervejarias, pequenas empresas e outros empreendimentos do setor, como bares, enfrentam desafios que derivam de equipes pequenas e da dificuldade de contratação de mão de obra especializada, criaremos recursos técnicos e informação que melhorem as chances de nossos associados empreenderem com sucesso.

4) Fomento da pesquisa no setor através da criação de Núcleo Acadêmico
Este núcleo tem o objetivo de aproximar a academia (institutos de pesquisas, universidades e empresas de tecnologia) da realidade do mercado em todos os seus níveis, assim como acontece em países como Alemanha, Inglaterra, Bélgica e Estados Unidos. Este processo de aproximação irá promover a tradução para a realidade da produção nacional de técnicas avançadas e aplicáveis, já estudadas e testadas por cientistas nacionais, no campo da gestão de negócios e dos processos vinculados à produção e qualidade.

5) Manutenção e ampliação das atividades do Núcleo de Diversidade
No Núcleo de Diversidade na Abracerva foram iniciadas importantes discussões no mercado sobre a importância da ética profissional, que culminaram na criação do Código de Ética da associação. O Código de Ética cobre desde as questões vinculadas às práticas comerciais até as questões de assédio no local de trabalho.

6) Ampliação da base de associados
Buscaremos uma maior representatividade e viabilidade financeira, vinculada à criação de programa de benefícios às empresas e profissionais associados. Implementaremos estratégias de arrecadação de recursos para além das anuidades dos associados.

Balcão do Profano Graal: Histórias sobre a história da cerveja

Balcão do Profano Graal: Histórias sobre a história da cerveja

Salve, nobres!

Antes de mais nada, deixem que eu me apresente: meu nome é Sérgio e sou historiador de formação. Desde o primeiro dia de aula na universidade até hoje lá se vão 22 anos estudando história, dando aulas e fazendo pesquisas sobre temas variados. Bem mais recentemente, há dois anos apenas, juntei uma segunda formação à essa primeira: a de sommelier de cervejas. Seguida, logo depois, pela especialização em Marketing de Cervejas. E é na tentativa de unir essas duas paixões que hoje, para quem me pergunta, me apresento como “historiador e sommelier” ou “sommelier e historiador”.

Se por um lado o meu caminho na história é muito mais longo, por outro, minha paixão pela cerveja talvez seja mais antiga. Não saberia dizer quando começou. Provavelmente quando ainda não tinha sequer idade legal para beber. E, como todo relacionamento longo, é um relacionamento conturbado, com aproximações e afastamentos, dores de cabeça e de barriga. Foi a descoberta da cerveja artesanal que fez com que esse relacionamento se transformasse em casamento.

Durante o curso de sommelier é que percebi que as profissões de professor e sommelier têm muito mais coisas em comum do que pode parecer a princípio. Assim como o professor, o sommelier também trabalha com educação. Ensinando os consumidores a tirar a melhor experiência possível da sua cerveja. Ensinando-os a descobrir um mundo de aromas e sabores onde antes havia apenas um líquido para matar a sede. Ensinando-os a transformar o seu momento de lazer em um momento também de aprendizagem. Quem disse que não se pode aprender nada no balcão do bar, enquanto se bebe uma cerveja e se joga conversa fora?

Foi também no curso de sommelier que percebi que, diante de todas as outras áreas que compõem o universo cervejeiro (como a produção, a harmonização, o serviço ou a tão amada análise sensorial), a história da cerveja ocupa, na maior parte do tempo, um discreto papel secundário. Porém, mesmo que a gente não se dê conta, ela está sempre ali presente, ainda que em segundo plano. E isso é assim simplesmente porque não tem como ser de outra forma, uma vez que a história permeia tudo. Ela nada mais é do que a percepção da passagem do tempo através das coisas, dos hábitos, costumes, pensamentos etc.

Se você se perguntar o que diferencia a experiência de beber uma Helles em um biergarten em Munique, uma Tripel em um monastério na Bélgica ou mesmo uma Lager no churrasco de fim de semana, a resposta certamente será: a história. A história daquela cervejaria e daquela cerveja que você tem entre as mãos, a história daquele lugar onde você se senta para bebê-la e, também, a sua história pessoal fazem daquele momento um momento único e irrepetível. Aquilo que historiadores chamam de uma “conjuntura”.

No entanto, você só vai ser capaz de usufruir desse momento na sua totalidade se ouvir o que a história tem para te contar: a história de monges católicos que na sua reclusão dedicavam seus dias a fazer cerveja; de nobres gananciosos que queriam monopolizar o lucrativo comércio do precioso líquido; de imigrantes ou invasores que levavam consigo para novas terras seus hábitos alimentares; de pioneiros, empresários e cientistas que trabalharam através de séculos para que essas cervejas chegassem hoje até as nossas mesas.

Dessa forma, se você tem interesse em ouvir boas histórias sobre a história da cerveja, te convido encostar nesse balcão com seu pint em mãos, de olhos e ouvidos bem abertos. E eu me comprometo a não deixar faltar boas histórias. Seja sobre a história da cerveja no mundo, seja sobre a história da cerveja no Brasil (por vezes esquecida e tão pouco divulgada). Algumas delas podem até ser que você já tenha ouvido. Mas não dá boca de um historiador. E isso faz muita diferença!


Sérgio Barra é carioca, historiador, sommelier e administra o perfil Profano Graal no Instagram e no Facebook, onde debate a cerveja e a História

Budweiser e NBA se unem em jogo virtual de competição de arremessos

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A temporada 2019/2020 da NBA terminou no domingo, com a conquista do título pelo Los Angeles Lakers. E, embora ainda não exista uma data para o início do próximo campeonato por causa da pandemia do coronavírus, uma parceria entre a liga e a Budweiser promete entreter o torcedor nesse hiato.

A NBA e a marca da Ambev promoveram o lançamento de um jogo virtual para os fãs de basquete mostrarem suas habilidades em uma competição de arremessos. Os participantes também vão concorrer a kits com prêmios e a uma viagem com acompanhante e ingressos para os playoffs em 2021.

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A ação foi iniciada durante os jogos das finais da temporada 2019/2020, concluída em uma “bolha” preparada pela liga em Orlando e que consagrou LeBron James, MVP da fase decisiva ao conduzir os Lakers ao triunfo por 4 a 2 sobre o Miami Heat na decisão, garantindo o 17º título de sua equipe.

Patrocinadora oficial da liga no Brasil, a Budweiser e suas ações com a NBA já disponibilizaram aos fãs de basquete promoções como a realizada recentemente nas redes sociais, incentivando-os a usar a imaginação para improvisar nas cestas. Desta vez, a criação foi um jogo/aplicativo para telefone celular no qual o objetivo é marcar o maior número de cestas de três pontos, premiando aqueles que alcançarem as maiores pontuações.

“A NBA simboliza o que talvez seja nossa parceria mais icônica com o esporte. E o lançamento desse game retrata muito bem isso. É uma experiência que trouxemos para interagir de forma única com os nossos fãs, dentro do universo dos games, sem interromper a programação”, explica Louis Millard, gerente de marketing da Budweiser.

Já Rodrigo Vicentini, head da NBA no Brasil, destaca que o jogo de habilidades pode funcionar como uma brincadeira em família ou entre amigos. “Todos vão poder mostrar o quanto são bons com a bola nas mãos, ou melhor, na ponta dos dedos.”

Prêmios
No jogo, os fãs podem escolher seus times preferidos para realizar os arremessos com o dedo na tela do celular. O cadastro é simples, e o desafio consiste em fazer o maior número de cestas dentro de um período de tempo determinado. A cada acerto, o jogador acumula pontos que são trocados por um número para participar dos sorteios e concorrer aos prêmios.

Além de concorrerem a uma viagem com acompanhante e um par de ingressos para assistir às finais da temporada 2020/2021, os participantes também serão inscritos em três sorteios que incluem 20 kits Bud NBA, com jaqueta, luminoso, copos, bola e jersey.

O comunicado da Budweiser ressalta que a viagem está condicionada à liberação de entrada nos países e ao retorno do público às arenas, respeitando todas as regras e protocolos de segurança. Caso não seja possível realizar a viagem, o vencedor receberá o valor correspondente à premiação em dinheiro. A ação é válida até 18 de dezembro.

Colegiado e Maturação: O que foi destaque no debate para a eleição da Abracerva

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A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) vai conhecer nesta quinta-feira a sua nova diretoria. Para auxiliar na decisão dos associados, o Guia promoveu um debate entre as duas chapas concorrentes para a eleição da Abracerva em uma live no Facebook.

Confira o debate entre as chapas que disputam a eleição da Abracerva

As chapas Maturação e Colegiado Cervejeiro apresentaram suas propostas e abordaram temas importantes para o segmento, como a reforma tributária, a participação política, os espaços para as minorias e o fortalecimento do turismo cervejeiro, entre outros assuntos.

Marcelo Paixão e Elisabeth Bronzeri foram os representantes da Chapa da Maturação no debate. Já a Colegiado Cervejeiro teve as participações de Kenia Milene Galiego e Emerson Castro.

A eleição na associação será realizada após a renúncia de Carlo Lapolli à presidência da Abracerva. A sua saída do cargo ocorreu no início de setembro, quando foram vazadas mensagens com conteúdo chulo e preconceituoso escritas pelo até então presidente da Abracerva no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

O vazamento do material envolvendo Lapolli se deu dias após o mesmo grupo ter outras mensagens publicadas – essas sem a participação do então presidente da Abracerva. Elas demonstravam posturas racistas em relação a profissionais negros do segmento cervejeiro, além de outros materiais de tom preconceituoso e com ofensas a mulheres e ataques ao feminismo.

Agora, a assembleia para eleger a nova diretoria da Abracerva será realizada de forma virtual neste quinta-feira, colocando em disputa as duas chapas. Para conhecer as regras da votação, clique aqui.

Confira, a seguir, como foi o debate entre as chapas candidatas ao comando da Abracerva realizado pelo Guia.

Leia também – Eleição na Abracerva: Conheça as chapas, seus planos e componentes

Pergunta de Ana Pampillón – Os recentes acontecimentos no setor cervejeiro trouxeram muitas reflexões importantes que estão acontecendo não somente no nosso mercado, mas no Brasil e no mundo. Mas é inegável que tivemos uma mudança de cenário; temos uma repercussão negativa sobre o setor, temos um rearranjo, ou um novo arranjo nas relações, muitas se rompendo. Trabalhos que vinham sendo realizados foram interrompidos ou descontinuados. Dito isso, como a chapa vê os benefícios e os malefícios de todos os ocorridos para o setor?
Chapa Maturação: “Os últimos acontecimentos que demandaram, inclusive, a renúncia de toda a diretoria e a repercussão extremamente negativa não representam só o que acontece no mercado cervejeiro, mas o que acontece na sociedade. Infelizmente, esses acontecimentos colocaram as pessoas do mercado em uma situação de ter de lidar com aquilo que já era de conhecimento. E tanto era de conhecimento que a própria gestão anterior criou um núcleo de diversidade”, comentou Elisabeth Bronzeri.

O projeto da Chapa Maturação, segundo ela, incorpora todas as diversidades do setor. Elisabeth lembrou, ainda, que em sete anos a figura da mulher esteve apenas uma vez presente na gestão da Abracerva – com Taiga Cazarine comandando a diretoria de Comunicação.

A proposta da chapa, assim, é trazer a diversidade de gênero e opiniões, além de uma maior regionalização para a associação. “Acho que o mercado como um todo repercutiu negativamente e agora, nos próximos dias, a associação precisa aprovar o Código de Ética que também trabalha essa diversidade das relações entre os profissionais e o mercado.”

Chapa Colegiado: “O que aconteceu foi muito triste, mas um aprendizado. Na verdade, veio à tona o que acontecia e era muito velado. O mercado cervejeiro ainda é feito, na sua maior parte, de gente masculina e com pensamentos que não condizem mais com a realidade. A chapa quer atingir a cadeia cervejeira como um todo ao reunir uma grande diversidade de pessoas, como mulheres, negros e homossexuais”, declarou Kenia Milene Galiego.

Já Emerson Castro lembrou que o setor passou nos últimos meses por uma sucessão de acontecimentos, como o caso Backer, a queda da antiga diretoria e, concomitante a isso, a pandemia do coronavírus. Segundo ele, a regionalização e a capilarização são o caminho para o fortalecimento e o crescimento do setor.

Depois de anos de extremo entusiasmo, sempre com crescimento de dois dígitos, o mercado brasileiro de cerveja artesanal sofreu sucessivos golpes econômicos em 2020, como a perda de credibilidade provocada pelo caso Backer e a crise sem precedentes trazida pela pandemia. O que a chapa planeja para reverter esse cenário econômico que afetou diretamente as cervejarias artesanais brasileiras? Há um plano específico para apoiar cervejarias, bares e brewpubs na retomada? Qual seria? E o que a chapa planeja para trazer apoio político ao setor, ainda mais após a Abracerva ter se instalado em Brasília e alcançado a presidência da Câmara Brasileira da Cerveja, mas, ao mesmo tempo, ver todo esse trabalho se tornar incerto por conta das crises recentes?
Chapa Colegiado: “Nós temos vários exemplos no país de como a força política conseguiu apoiar entendimentos técnicos ou complementares aos entendimentos técnicos. O próprio auxílio emergencial do governo federal era inicialmente de R$ 200 ou R$ 300 – e foi para R$ 600 através do entendimento de uma força política. E nós temos condições de oferecer essa base de apoio político através da Chapa 1”, afirmou Emerson Castro.

Para ele, embora ambas as chapas tenham participantes altamente técnicos, a sua atuação em mais de 20 anos na esfera pública lhe rendeu a construção de relacionamentos com parlamentares federais, com o Senado e o Congresso, que serão importantes para a nova diretoria.

Chapa Maturação: “No caso Backer, a gente foi atrás de coisas que estavam sendo feitas pela antiga diretoria e achou muito bacana que ela viabilizou a construção de uma plataforma online para que as próprias cervejarias, empresas e bares entrem e consigam ter uma avaliação da segurança alimentar praticada naquele ambiente. Uma coisa que está praticamente viabilizada e que vamos dar continuidade”, destacou Marcelo Paixão. 

Já sobre a pandemia e a parte econômica, ele ressaltou que foi criado um grupo de gestão focado em melhorar o ambiente de negócios para contribuir com as empresas do setor, com educação. Ele destacou a necessidade de conversas com fornecedores e com bancos estatais.

Na esfera política, por sua vez, Elisabeth Bronzeri lembrou que o segmento ainda é pequeno na economia nacional, mas que já existe um histórico de apoio político à associação. Em 2016, por exemplo, houve a tentativa de criação de um projeto de lei na tentativa de mudar a legislação tributária vigente, mas o apoio político angariado pela Abracerva não foi suficiente e a proposta foi arquivada em 2019.

Pergunta de Luana Cloper – Como a chapa pretende conduzir os temas relacionados aos eventos e ao turismo cervejeiro?
Chapa Colegiado: “Entendemos que, para poder crescer qualitativo no ambiente de negócios, precisamos agregar o turismo com o negócio cervejeiro, mas um pouco mais direcionado para cada realidade. É preciso fortalecendo rota cervejeira, mas colocando rodadas de negócios, algo que vai atrair compradores”, projetou Emerson Castro.

Essas rodadas, em sua visão, iriamcongregar a todos que estão envolvidos no setor. Também está nos planos da chapa a criação de um setor de atendimento que facilite o diálogo do mercado cervejeiro com as feiras, eventos e prefeituras.

Chapa Maturação: “A Abracerva precisa fortalecer os seus eventos. Ela não paga as contas sem eles, é importante deixar isso bem claro. O segundo ponto é dividir eventos em festas e congressos, com troca de experiências. Os eventos de entretenimento são pouco aproveitados pelas cervejarias artesanais”, disse Marcelo Paixão, destacando também como a regionalização é importante para o setor.

“A nossa chapa tem uma base de três núcleos envolvidos: os regionais, onde cada um tem suas características; temos o acadêmico, que obrigatoriamente precisa estar envolvido na elaboração destes eventos; e o de negócios”, completou Elisabeth.

Pergunta de Clairton Gama – A questão tributária é de suma importância para todo o setor cervejeiro, independentemente da forma como a atividade é exercida e do tamanho das operações. Assim, gostaria de saber qual é a posição da chapa em relação às propostas de reforma tributária que tramitam no Congresso Nacional, como avaliam os impactos das modificações pretendidas no setor cervejeiro e quais os projetos pertinentes à questão da tributação almejam desenvolver em sua gestão à frente da Abracerva, tanto a nível federal, quanto em relação às políticas tributárias implementadas pelos estados?
Chapa Maturação: Segundo detalhou Elisabeth Bronzeri, foram três propostas apresentadas. A primeira delas revoga na sua inteireza todo o sistema aplicado hoje no âmbito federal e, no entendimento do mercado, foi de suma relevância. Já as outras duas PECs incidiriam sobre a bebida alcoólica com uma carga tributária elevada. “A Abracerva como associação e, em defesa dos associados, precisa trabalhar em conjunto com outros sujeitos do mercado cervejeiro que já trazem propostas ao Congresso distintas das PEDs”, defendeu Elisabeth.

Ainda que os projetos não tenham sido aprovados, segundo ela, é preciso se esforçar como associação, não só para trazer o apoio político, mas para tratar com os outros sujeitos do mercado.

Chapa Colegiado: “As três reformas nos preocupam muito”, frisou Emerson Castro. “A preocupação da Elisabeth e a nossa é de ter esse componente técnico embasado e fortalecido pelo componente político.”

“As artesanais, as microcervejarias, as pequenas e as ciganas têm uma capacidade de diálogo com a população muito grande, apesar do volume não ser tão expressivo se comparado com as cervejas de grandes linhas. Mas nós dialogamos com o mercado de maneira mais incisiva”, acrescentou.

Para ele, além das possibilidades de discussões dentro da reforma tributária, há caminhos com a Receita e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para caminhar em alinhamento com outros setores de bebidas alcoólicas.

Pergunta de Bia Amorim – Como a chapa pretende contribuir para a evolução do profissional sommelier de cerveja no mercado? Existem frentes para entender o papel do profissional e trazer mais profissionalização e reconhecimento para a categoria?
Chapa Colegiado: “A entidade é do setor cervejeiro e esse profissional merece e vai ter esse olhar especial na chapa. No nosso colegiado, a grande maioria são sommeliers, mestre ou cervejeiros. Vemos a importância de investir na capacitação e neste universo do networking. Vocês precisam ter mais contato com as cervejarias e elas terem mais contato com vocês. Não só nas cervejarias, mas ele precisa estar dentro dos restaurantes”, destacou Emerson Castro. 

Para a chapa, é importante a capacitação, o relacionamento e o maior diálogo. Assim como trazer o Sebrae como parceiro de capacitação dos profissionais.

Chapa Maturação: “Primeiro temos de melhorar a comunicação da associação com os sommeliers para que eles se sintam realmente representados”, destacou Elisabeth Bronzeri, explicando que o maior índice de inadimplência na associação, hoje, pertence à categoria.

“Não existe uma classificação brasileira de ocupações (CBO) para os sommeliers de cerveja como existe para os sommeliers de vinho. E isso precisa ser trabalhado de uma forma mais concreta”, frisou Elisabeth. Há um núcleo acadêmico dentro da proposta da chapa, reforçou, justamente para valorizar o ensino. “A regulamentação é necessária, assim como um grupo de apoio com uma assessoria jurídica aos profissionais.”

De concreto, quais os planos da chapa para trazer mais diversidade ao mercado de cervejas artesanais, inibir atitudes preconceituosas e incluir, de fato, negros, mulheres, LGBTQs e indígenas no mercado produtivo do setor? Da mesma maneira, o que a chapa planeja para que a cerveja artesanal se torne mais acessível em termos de preço e seu consumo possa realmente se democratizar, permitindo que ela supere o market share ainda incipiente de hoje?
Chapa Maturação: “O primeiro ponto é aprovar o Código de Ética da Abracerva que traz as relações entre mercado, associado, fornecedores e o respeito à diversidade. É o principal e talvez o mais atual no momento”, garantiu Elisabeth Bronzeri.

Para ela, é preciso uma chapa que represente não só uma região, além de ampliar a participação feminina na diretoria. Mas não só a diversidade de gênero dentro da chapa, também a diversidade de raças e a presença de pessoas deficientes. “Haverá um trabalho da associação para incluir essas minorias no mercado.”

Chapa Colegiado: “Acho que o Código de Ética que está sendo elaborado é imprescindível e muito importante para toda a classe. A diversidade precisa existir não só em relação aos gêneros, mas como um todo dentro do setor”, destacou Kenia Milene Galiego.

Nesse sentido a associação pode ajudar, por exemplo, dando algum incentivo para as cervejarias contratarem mais ex-detentos, negros, mulheres, trans e outras minorias. Outra forma para trazer a diversidade é ter mais pluralidade e regionalização. “Como ter mais diversidade e valores se não dialogo com eles?”, indagou Kenia.

Colegiado pergunta para Maturação – Durante o processo de definição das candidaturas, surgiu a ideia de uma chapa única, apresentada em grupos. Masmuitos não se manifestaram e poucos se mostraram interessados. Achamos que a eleição teria uma chapa única e, de repente, surgiu a Chapa 2. Por que vocês não quiserem compor uma chapa única?
“Não entendo como ter duas chapas pode ser uma coisa negativa”, comentou Marcelo Paixão. Já Elisabeth Bronzeri chamou a atenção para a composição da Chapa 1, que teria pessoas desconhecidas do mercado. “Eu, particularmente, não conhecia a questão técnica dessas pessoas e o que elas poderiam agregar à diretoria.”

Na avaliação de Elisabeth, as pessoas que formam a Chapa 2 se agregaram e são tecnicamente conhecidas no mercado, têm uma relação e já estão por dentro dos trabalhos realizados pela Abracerva.

Maturação pergunta para Colegiado – Pensando na questão tributária e na possibilidade de realização de uma reforma, que está prestes a acontecer, gostaríamos de saber se vocês fizeram uma análise sobre o reflexo de uma eventual reforma e da revogação da lei nº 13.097? Qual foi o resultado e que ações pretendem implementar?
“Temos algumas questões que precisam ficar esclarecidas. Eu mesmo fui uma pessoa que chegou a questionar no grupo do Telegram o que havia de discussão da Abracerva dentro da Câmara Setorial junto ao Congresso. Ficou manifestado pela Nadhine de que fariam um relato de tudo o que estava sendo tratado até o momento – e não recebemos até agora. Então, o que podemos falar é que ainda não temos uma reforma”, respondeu respondeu Emerson Castro. “Eu conheço o trâmite político e ele não segue a lógica tributária, ele segue a lógica eleitoral e tudo isso contamina o processo ou colabora com o processo – e a grande diferença da Abracerva vai ser a habilidade de conduzir essa discussão com o trâmite político.”

Confira a relação de componentes da Chapa 1 – Colegiado Cervejeiro:
Emerson Castro – Cervejaria NordHaus e Haus Petrolina
Kenia Milene Galiego – Cervejaria Samadhy
Patrick Bannwart – BR Brew Cervejaria
Leandro F. de Alcantara Pellizzaro – Sahara Craft Beer
Luiz Gustavo Doná – Don Tonel Beershop
Adriano Bovo – Cervejaria Sotera
Thales Faria – Cervejaria BROWe!
Fernando Eduardo de Oliveira – All Grain Cervejaria
Marcelo Maciel – Cervejaria Astúcia
José Joaquim Alves de Campos Filho – Cervejoca
Michel Dienstmann – Herzpille Cervejas Especiais
Vinicius Erbereli Carreira – Cervejaria Germânia
Luiz Leal – Profissional e apoiador pessoa física
Henrique Cruz – Sommelier e sócio da Hump Beer

Confira a relação de componentes da Chapa 2 – Chapa Maturação:
Carolina Starret – Brewstone Pub
Debora Lehnen – Cervejaria Proa
Elisabeth Bronzeri – Advogada tributarista
Érica Barbosa – Marketing Cervejeiro
Gabriela Flemming – Cervejaria Fermi
Gilberto Tarantino – Tarantino
Jayro Pinto – Beer sommelier
Junior Bottura – Avós
Leandro Sequelle – Graja Beer
Marcelo Paixão – Verace
Nadhine França – Presidente interina da Abracerva
Rafael Leal – Caatinga Rocks
Rodolpho Tinini – Cervejaria Black Print
Ugo Todde – Dümf

Espaço Aberto: A artesanal como alternativa econômica nas pequenas cidades

*Por Luiz Guerreiro

O Brasil atravessa um dos piores momentos de sua história, com a ocorrência simultânea de crises sanitária e econômica. A última em questão acarreta na falta de desenvolvimento, algo que persiste ao longo dos recentes anos. Longe das metrópoles esse problema é intensificado, haja vista que a estagnação deixa a população em situação caótica.

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Esse cenário deixa as pequenas cidades em situação de extrema vulnerabilidade. Diante de tamanha problemática, o recurso financeiro gerado nesses ambientes acaba sendo investido em grandes conglomerados, que realizam a transferência de dinheiro para fora da região.

A busca para alterar este panorama significa o rompimento com uma estrutura perversa. Para tanto, é preciso incentivar novas culturas e agregar valor à produção local, como forma de proporcionar novas opções. Nesse sentido, a fabricação de cerveja artesanal pode ser um dos vetores de transformação nas pequenas cidades.

Ao propor o fabrico regional de cerveja, invariavelmente se incentivará a busca pelo conhecimento científico e tecnológico. Assim, a procura por um novo caminho norteará a comunidade, de modo que outras áreas ligadas ao setor de bebidas vão ganhar impulso, gerando um novo modelo econômico para a localidade.

Com o crescimento do consumo de cervejas especiais, oportuniza-se a venda de outros produtos – basta ver as inúmeras formas de harmonização da bebida com alimentos e petiscos – e uma nova rede de produção ganhará mercado, pois, além do setor, a procura pela culinária da região também aumenta.

Em uma cidade onde a cultura cervejeira seja preponderante, novos empreendimentos vão surgindo, pois, além do consumidor local, há a tendência natural de atrair turistas. A possibilidade de surgir pequenas fábricas, bem como a viabilidade de produzir cervejas nos próprios bares, demonstra a diversidade de oportunidades graças à atratividade do funcionamento destes comércios.

Ao incentivar o consumo dos produtos locais, através de investimentos em pequenos empreendimentos, abre-se um bom caminho para garantir o maior fluxo de recursos financeiros na região, permitindo os investimentos na cidade e o combate ao êxodo de sua população.

Assim, a cerveja artesanal pode ser uma alternativa para as pequenas cidades, pois se trata de um setor em franco crescimento. Ela pode impulsionar o comércio local e promover a geração de trabalho e renda, contribuindo para a redução da  informalidade e melhorando a qualidade de vida das pessoas, além de agregar criatividade e diversidade econômica na região.

*Luiz Guerreiro é apreciador de longa data, produtor de cerveja caseira e um leitor inquieto do Guia

Para promover o debate entre os mais distintos segmentos do setor cervejeiro, o Guia deixa o espaço totalmente aberto para seus leitores. Se quiser mandar uma sugestão de artigo, é só escrever para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Cerveja tem inflação de 0,4% em setembro e acompanha alta de alimentos e bebidas

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O preço da cerveja em domicílio acompanhou a tendência de alta dos alimentos e bebidas em setembro, tendo inflação de 0,40%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa alta reverteu a tendência de queda que vinha sendo observada nos últimos meses, tanto que em agosto e em julho havia ocorrido deflação de 0,37% e 1,20%, respectivamente. E, até por essas baixas recentes, os preços da cerveja em domicílio permanecem em queda no acumulado do ano, de 1,59%.

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Já a cerveja fora do domicílio também apresentou alta em setembro, com um salto de 0,82% no período. Nos últimos nove meses, a inflação acumulada desse item está em 1,05%.

O consumidor que optou por outras bebidas alcoólicas no domicílio também precisou pagar um pouco mais caro em setembro. No período a alta foi de 0,51%. E, no acumulado do ano, a inflação está em 3,95%.

Na contramão, quem escolheu consumir outras bebidas alcoólicas fora de casa acabou gastando menos. Os indicadores do IBGE registraram uma deflação de 2,33% no item em setembro. Enquanto isso, no acumulado do ano, a queda está em 2,18%.

Inflação acelerada
Já o segmento de alimentação e bebidas apresentou alta de 2,28% em setembro, resultando em uma inflação de 7,3% nos últimos nove meses. Os preços dos alimentos e dos combustíveis puxaram novamente os índices, com a inflação sendo de 0,64% em setembro, ficando acima da taxa registrada em agosto (0,24%). Segundo o IBGE, é o maior resultado para o nono mês do ano desde 2003, quando o indicador foi de 0,78%.

No ano, a inflação acumula alta de 1,34% e, em 12 meses, de 3,14%, acima dos 2,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2019, o indicador havia ficado em -0,04%.

A maior variação (2,28%) e o maior impacto (0,46 p.p.) no IPCA vieram do grupo alimentação e bebidas, que acelerou em relação ao resultado de agosto (0,78%), puxado principalmente por alimentos para consumo no domicílio (2,89%). Houve aumento desproporcional nos preços do óleo de soja (27,54%) e do arroz (17,98%), que já acumulam no ano altas de 51,30% e 40,69%, respectivamente.

“O câmbio em um patamar mais elevado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma alta nos preços. Outro fator é demanda interna elevada, que por conta dos programas de auxílio do governo, como o auxílio emergencial, tem ajudado a manter os preços em um patamar elevado. No caso do grão de soja, temos ainda forte demanda da indústria de biodiesel”, explica o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Segunda onda de Covid-19 impõe toque de recolher e fecha bares de Berlim às 23h

A capital da Alemanha vem, nas últimas décadas, despontando como uma das cidades com a vida noturna mais interessantes e criativas do mundo, famosa por seus bares abertos 24 horas por dia. Mas, devido a uma segunda onda de Covid-19 que chegou ao país, Berlim passou a ter um toque de recolher, limitando a atuação de bares, restaurantes e casas noturnas.

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Quatro distritos na região central da cidade – Neukölln, Friedrichshain, Mitte e Tempelhof-Schöneberg – estão listados pelas autoridades sanitárias alemãs dentre os locais com maior risco de contaminação no país atualmente, devido justamente à circulação de pessoas nos estabelecimentos.

Nos últimos meses, a vida noturna já havia voltado a padrões praticamente normais de funcionamento, o que inclui aglomerações e grande fluxo de turistas e moradores locais.

“A situação nos bairros afetados de Berlim se deve a diversos fatores, como o fato de jovens, frequentadores de festas e turistas estrangeiros que contraem a doença enquanto estão nas festas e a levam para suas casas e famílias”, afirma comunicado do Instituto Koch, autoridade sanitária alemã.

Parte das medidas para barrar a disseminação do coronavírus passa por limitar o horário de funcionamento de bares, restaurantes e casas noturnas para o período de 18h às 23h. Além disso, há uma regra para o convívio na rua, limitando a circulação a no maximo cinco pessoas de dois domicílios diferentes. As multas para quem desobedecer às regras podem chegar a 5 mil euros.

As autoridades identificam o grupo entre 20 e 40 anos como o mais propenso a disseminar o vírus atualmente. Apesar das limitações impostas, há inúmeros relatos de pessoas – principalmente dessa faixa etária – formando aglomerações em parques, na frente de lojas que podem vender bebidas no sistema take away e nos biergartens da cidade.

Para driblar crise, Distrito e Suricato se fundem mirando criação livre e qualidade

A instabilidade financeira associada aos problemas sanitários provocados pelo novo coronavírus empurrou a economia nacional a uma crise sem precedentes em diversos setores. O mercado cervejeiro também não foi poupado, mas, enquanto inúmeras marcas fecharam as portas definitivamente, outras elaboram estratégias para continuar sobrevivendo. É o caso do Distrito Brewpub e da cigana Suricato, que anunciaram a fusão na última quinta-feira.

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A união das cervejarias gaúchas pretende estabelecer um ambiente para a criação livre focado na qualidade. Isso se dará por meio do surgimento da Cubo Cia Cervejeiro, que, além de novas experiências, também visa trazer fortalecimento às empresas.

O processo mira nos diferentes nichos de mercado que as empresas atuam e deverá contemplar desde o consumidor que busca a proximidade com o produtor local até aquele mais ligado à inovação e às novas tendências. Afinal, enquanto a cigana Suricato usa inspirações mais variadas para quebrar paradigmas, o Distrito diz que o foco está na produção de cervejas de alta qualidade.

Frederico Ottoni, fundador do Distrito, destaca como a economia nacional passa por um processo de reestruturação, inclusive na forma de consumo que está mudando. “É neste cenário que enxergamos as oportunidades, investimos e nos fortalecemos com um posicionamento mais colaborativo no mercado. Juntamos forças para potencializar virtudes.”

“Esta união permite mais liberdade para a criação de novas receitas e maior oferta de produtos para nosso público, além de estarmos mais próximos dos nossos consumidores de diversas formas. Tudo isso reforça ainda mais a qualidade e o zelo com que criamos nossas cervejas“, acrescenta Estevão Chittó, fundador da Suricato.

A Cubo Cia Cervejeira
O projeto das cervejarias gaúchas é criar uma fábrica-bar com distribuição nacional localizada na região do 4º Distrito, destacado polo cervejeiro de Porto Alegre. Os planos passam, ainda, pela ampliação da planta produtiva, consolidação da rede de distribuição e diversificação da gama de produtos, além de gerar maior proximidade com o público consumidor.

A ideia é que seja um espaço focado na livre criação e na qualidade, o que permitirá aos consumidores uma imersão no universo das cervejas enquanto apreciam os produtos ali mesmo, no taproom da fábrica, segundo relatam as marcas.

Além de apoiar e incentivar o consumo local, potencializando a economia da região, o projeto deverá levar os produtos das duas marcas para diferentes regiões do Brasil.

As cervejarias
Criada em 2015, a Suricato busca produzir cervejas a partir de inspirações variadas, apostando em ingredientes, estilos e até mesmo sensações inusitados. O objetivo é quebrar paradigmas e, em um passo de cada vez, transformar o mundo. Em 2019, a marca participou do Concurso Brasileiro de Cervejas (CBC), levando o título de Cervejaria do Ano de Pequeno Porte.

Já o Distrito, criado em 2016, possui uma grande conexão com a cultura e a arte, buscando trazer em seus produtos e em sua comunicação a criatividade das ruas, a diversidade das tribos e o senso de coletividade. Além de valorizar o produtor local, a cervejaria tem como foco a produção de rótulos de alta qualidade, complexos no desenvolvimento, mas descomplicados no paladar, proporcionando sempre a melhor experiência ao consumidor.