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Consultoria de turismo surge no Rio com foco na integração da cadeia cervejeira

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O turismo é uma atividade complexa e multidisciplinar pelas relações que envolve entre o seu ambiente e a sua finalidade. Pensando na variedade de opções, serviços e experiências proporcionada por ele, um grupo de experientes profissionais se uniu para fomentá-lo no mercado cervejeiro. Assim eles criaram a CMLC, consultoria que pretende unir cultura, cerveja e comunicação, sempre focando o incremento do turismo e os diferentes atores da cadeia produtiva.

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Surgida no Rio de Janeiro, a CMLC tem um portfólio de serviços planejado a partir das experiências acadêmicas e de mercado de seus idealizadores e parceiros. “Começamos a trabalhar aqui no Rio de Janeiro, mas a ideia é difundir este projeto para todo o país”, ressalta Ana Pampillón, turismóloga, sommelière de cervejas e colunista do Guia.

Além de Ana, a CMLC juntou Camila Mattos, mestre em Turismo com especialização em Marketing; Luana Cloper, comunicóloga, especialista em Marketing e Gestão de Projetos, também colunista do Guia e ex-diretora da Brasil Brau e do Mondial de la Bière; e Rodrigo Baruffaldi, administrador de empresas, sommelier e mestre em estilos de cervejas.

O trabalho da consultoria deverá ir além das cervejarias, também atuando em frentes como diagnóstico e capacitação de brewpubs e bares do estado. Com isso, espera fomentar a criação de experiências turísticas e aprimorar o atendimento e a hospitalidade.

“Nosso objetivo é a criação e treinamento de uma rede de guias turísticos e sommeliers de cerveja. Queremos nos aproximar e ativar toda a cadeia turística: operadores e agências de viagens, hotelaria, empresas de transporte, restaurantes, OTAs e associações do trade turístico para promoção e venda de pacotes turísticos e visitas guiadas, parcerias em ativações e apoio institucional”, explica Camila.

Trabalhos de consultoria e criação de diversos projetos no âmbito do entretenimento também estão nos planos da CMLC. “Vamos trabalhar estes projetos de entretenimento, alinhados com a criação de estratégias de marketing, materiais de comunicação, plano de mídia e eventos para promoção do Rio de Janeiro como destino turístico cervejeiro”, afirma Luana.

Primeiros projetos
A CMLC, inclusive, já se uniu com uma das referências do turismo cervejeiro no Brasil, a Rota Cervejeira RJ, que busca valorizar a produção das marcas da região serrana do estado e as suas atrações turísticas.

“A CMLC só veio agregar conhecimento e esforços para nossa associação. Tenho certeza que esta expertise dos profissionais que fazem parte da empresa trarão novos projetos e nos auxiliarão a crescer ainda mais no setor”, comenta Maurício Almeida, presidente da Rota RJ.

E, nos próximos meses, a consultoria pretende trabalhar na integração de toda a cadeia produtiva cervejeira do Rio, com foco especial no lúpulo legalizado da Serra Fluminense. “Precisamos integrar toda a cadeia produtiva e assim possibilitar o crescimento do setor turístico cervejeiro, além de gerar novas possibilidades de negócios”, pontua Baruffaldi.

Preço de cerveja da Colorado se aproxima dos R$ 10 com aumento do desmatamento

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O preço da Colorado Amazônica, lançada há menos de um mês, se aproximou dos R$ 10. O rótulo passou custar R$ 9,69 desde a última quinta-feira, na terceira alta consecutiva em seu valor no mercado. A variação se dá de acordo com números do desmatamento e das queimadas na Floresta Amazônica, que embasam o Índice de Reajuste de Preços da Amazônia (IRPA).

Quando lançada no Dia da Amazônia, em 5 de setembro, a cerveja custava R$ 5,49. Posteriormente, em seu primeiro reajuste, o custo da lata de 310ml da Colorado Amazônica saltou para R$ 8,01. O seu valor chegou aos R$ 9,52 em 17 de setembro, agora atingindo os R$ 9,69.

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A decisão de reajustar semanalmente o preço da cerveja foi adotada pela Colorado quando criou a bebida e tem o intuito de chamar a atenção dos consumidores sobre a importância de se manter vivo o berço da biodiversidade brasileira, ressaltando a necessidade de uma atuação mais eficaz na proteção da Amazônia.

A ação acontece em parceria com a rede Origens Brasil e se dá em um cenário de dados alarmantes sobre a preservação da floresta. Nos últimos dias, a fumaça das queimadas na Amazônia e no Pantanal se estendeu por mais de 4 mil quilômetros da América Latina, chegando a países vizinhos. Além disso, já foram ultrapassados os 70 mil focos de queimadas na região amazônica em 2020.

Porém, no discurso gravado para a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas e apresentado na última terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro mentiu ao declarar que a Amazônia e o Pantanal, por serem biomas úmidos, não permitem a propagação do fogo, afirmando ainda que as queimadas seriam provocadas por índios e caboclos, para fazer a roça em terras desmatadas.

A cerveja Colorado Amazônica é uma Witbier, também conhecida como Belgian White. Feita com farinha de babaçu, pacová e casca de limão, a receita ressalta o sabor dos ingredientes da região amazônica, algo que se tornou recorrente para a marca que costuma usar produtos tipicamente nacionais em suas fórmulas. Tem 9 IBUs e 4,5% de teor alcoólico.

O valor arrecadado com as vendas da cerveja será destinado pela Colorado à Rede de Cantinas da Terra do Meio, formada por ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares que atuam na conservação da floresta.

Sonegação, uso da marca e concorrência: As sugestões ao Código de Ética da Abracerva

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O processo de definição do código de ética da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) passou por mais um momento importante com a realização de um debate que apresentou e discutiu as sugestões ao documento, em encontro que reuniu a presidente interina Nadhine França e André Lopes, responsável pela redação do texto e advogado especialista no mercado cervejeiro.

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Durante a live para debate do código de ética, André Lopes destacou que houve sugestões importantes ao documento. Elas estão relacionadas a temas como propriedade intelectual, uso indevido da marca e meio-ambiente.

A sonegação fiscal também aparece entre as preocupações dos associados, assunto que deverá ser incluído na versão final, assim como as relações concorrenciais. E o desagravo foi outro ponto levantado para que seja incluído no Código de Ética da Abracerva.

O advogado avalia que o acréscimo das sugestões dos associados ao documento vai deixá-lo completo e moderno. Com isso, deverá atender às necessidades da entidade, sendo um instrumento efetivo para pautar as relações do setor cervejeiro, disciplinando e orientando a todos.

“Acredito que o documento vai ficar muito mais completo a partir dessas sugestões”, aponta André Lopes, que também é colunista do Guia. “O código está no caminho certo, tanto é que não houve nenhuma sugestão de mudança ou de exclusão, apenas de inclusão de outras propostas que ainda não constavam no documento.”

Ações na Justiça
Nadhine França, por sua vez, revela que algumas ações de descumprimento ao Código de Ética da Abracerva poderão ser levadas à Justiça, mas que a avaliação de possíveis punições a quem cometê-las seguirá em paralelo.

Uma empresa que sonega impostos ou teve alguma dessas infrações impostas no código de ética, segundo exemplifica Nadhine, pode ter sua punição aplicada pela associação, mas a instância jurídica é separada. “Mesmo que não seja a associação que faça isso efetivamente, dentro dela será possível tomar atitudes cabíveis para cada tipo de evento relacionado ao que está previsto no código de ética.”

As ações na esfera jurídica também poderão ser movidas pela Abracerva, mas, como destacado, a preferência é pela possibilidade de resolver as questões de forma mais ágil, administrativamente.

“As implicações fora da esfera da Abracerva vão ocorrer. Sem o código de ética a associação ficava engessada no momento de tomar alguma atitude, porque não tem dentro do estatuto uma sanção contra esse tipo de infração e de ilegalidade. Então, a partir deste código, poderá ser tomada alguma atitude em relação a isso”, acrescenta André Lopes.

Durante a live, o advogado ponderou que nem todas as propostas ao documento poderão ser contempladas, pois algumas não se enquadravam na finalidade do Código de Ética da Abracerva. “No entanto, essas sugestões serão levadas em consideração, seja na elaboração de um novo estatuto ou para servir de pauta para o núcleo de diversidade”, explica André.

A Abracerva também recebeu pedidos para que sejam apresentados exemplos de práticas de associados que sejam consideradas infrações. Até por isso, a ideia é que se prepare um guia para deixar “mais claro e ilustrado” o código de ética.  “Faz sentido já que estamos em duas vertentes e uma delas é a educativa”, comenta Nadhine.

O código
Após ter o texto básico do código de ética revelado em agosto, a Abracerva abriu um período de um mês – encerrado na última quarta-feira – para receber contribuições ao material que vai nortear decisões futuras da associação. Agora, em 27 de outubro, realizará uma Assembleia Geral Extraordinária para votação e implementação do documento, além do estabelecimento de um comitê de ética.

O documento apresenta preceitos para a relação entre os associados e o público em geral, além de pontuar questões relacionadas à diversidade, inclusão e equidade, entre outros temas. Também prevê as possíveis sanções e os ritos de avaliação das infrações.

A necessidade de se fazer um código de ética para a Abracerva surgiu após os inúmeros casos de preconceito que vieram à tona nos últimos meses no setor. No início deste mês, o então presidente Carlo Lapolli renunciou junto com toda a sua diretoria, após o vazamento de mensagens escritas no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

Até a eleição de uma nova diretoria, que está programada para acontecer em 15 de outubro, Nadhine exercerá o comando da associação. Colunista do Guia, ela ocupava a coordenação do recentemente criado Núcleo de Diversidade da Abracerva, tendo participação direta na confecção do código de ética da entidade.

E, como a assembleia para votação do documento foi agendada para 27 de outubro, a sua implementação será a primeira ação de peso da futura gestão da associação.

Ambev inaugura fábrica que pode produzir 1,5 bilhão de latas por ano

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O aumento da demanda pelo consumo de cervejas em latas levou a Ambev a inaugurar uma nova fábrica. A nova unidade da multinacional está localizada em Sete Lagoas (MG) e tem capacidade para fazer cerca de 1,5 bilhão de latas por ano.

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A nova demanda ocorre porque a pandemia do coronavírus tornou o consumo de cerveja mais residencial, provocando o aumento da busca por latas. Esse formato possui mais procura em supermercados para o consumo doméstico, enquanto as garrafas são mais destinadas a bares e restaurantes, que ficaram por longo período fechados. A fábrica em Sete Lagoas, então, terá o objetivo de atender a essa nova “tendência”.

A Ambev, inclusive, explica que a construção da unidade no interior de Minas Gerais foi iniciada no ano passado, dentro de um planejamento de longo prazo. Mas que a crise sanitária levou à mudança de planos, acelerando o processo para colocá-la em operação diante do novo contexto de maior consumo de latas pelo público cervejeiro.

“Há um ano, quando começamos a construir essa nova unidade, queríamos aumentar nossa capacidade. Era um projeto olhando o longo prazo. Assim que vimos a alta demanda por latas, aceleramos as obras para conseguir atender a essa demanda crescente”, detalha Mauricio Soufen, vice-presidente fabril da Ambev.

A nova unidade de Ambev em Sete Lagoas foi construída em uma área de 45 mil metros quadrados, tendo duas linhas de produção de latas e uma outra para tampas. De acordo com a cervejaria, a fábrica utilizará energia 100% renovável. E todo o alumínio usado na produção será brasileiro, com 75% desse material sendo reciclado.

“A operação tem um impacto ambiental bastante positivo, afinal alumínio é amplamente reciclado no Brasil”, comenta Rodrigo Figueiredo, vice-presidente de suprimentos e sustentabilidade da companhia.

Dólar valorizado: Alta de insumos e demanda reduzida pressionam setor

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O ano de 2020 ficará marcado pela eclosão da mais grave crise sanitária das últimas décadas, mas, para a economia brasileira e seus diferentes componentes, a pandemia do coronavírus não veio sozinha. O real tem se desvalorizado desde janeiro – o dólar fechou o pregão da última quarta-feira cotado a R$ 5,59 -, algo que dificulta as atividades dos diferentes atores do setor cervejeiro, que vem sendo pressionado também por outros fatores.

A somatória de crises une desafios para geração de receita e lucro, com o intuito de manter a operação ativa. Há, afinal, um aumento de custos na produção cervejeira em função da alta do dólar. Isso se uniu à falta de demanda por parte do consumidor, algo que possui relação direta com a paralisação das atividades e a retomada reduzida da produção – o que termina por encarecer as diferentes etapas do processo. Assim, há praticamente uma “quebra” da cadeia produtiva, como alertam especialistas ouvidos pelo Guia.

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As dificuldades para as cervejarias envolvem a importação de insumos fundamentais para a produção de rótulos artesanais, caso principalmente do lúpulo, que ficou mais caro. Mas também influencia nos custos do malte, seja por se tratar de uma commodity, seja porque em alguns casos é comprado no exterior. Por isso, empresas têm revisto ou, ao menos, buscado minimizar essa estratégia.

“A alta do dólar afeta todos os insumos importados na cerveja artesanal, ou seja, praticamente em tudo como lúpulos e malte. Para minimizar, usamos um pequeno porcentual de malte nacional”, relata Gilberto Tarantino, um dos sócios e fundadores da cervejaria paulistana Tarantino.

O cenário de desvalorização do real poderia ser positivo para os produtores locais de insumos, que possuem seus preços atrelados ao dólar. Só que isso não tem acontecido porque a crise do coronavírus reduziu a fabricação das cervejarias. Assim, contraiu a demanda por malte e lúpulo, também deixando pressionados os produtores.

“Quem vende insumo, está com dificuldade, porque as cervejarias estão produzindo pouco. Se comparar a produção de fevereiro com a de agosto, está muito baixa, pois boa parte ficou sem produzir por meses e algumas cervejarias ainda tinham estoque grande de insumos”, explica Carlo Enrico Bressiani, diretor da Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM). “Então há uma pressão para cima, em função da alta do dólar, com outra para baixo, em função da baixa demanda. É uma equação complexa.”

Proteção a novas oscilações
O diretor da ESCM também prevê que as cervejarias estarão mais preparadas para lidar com crises nos próximos anos, diante das dificuldades e dos aprendizados que vêm encarando durante a pandemia do coronavírus.

Além disso, ele aponta que a ociosidade enfrentada em meses recentes trouxe efeitos que podem ser considerados mais danosos e duradouros para o segmento do que a valorização do dólar. “A questão do impacto cambial é menos importante do que a redução da escala. O fato de estarmos produzindo pouco encarece mais o produto do que o aumento do insumo”, explica Bressiani.

Em sua avaliação, vai se sair melhor do cenário de crise quem conseguiu se planejar melhor e realizar compras anuais de insumos, por exemplo, algo que serve como proteção para mudanças bruscas, como a atual variação cambial. Bressiani ressalta, porém, ser uma exceção quem se comporta assim no segmento de cervejas artesanais, até por uma questão de escala.

“Quem faz contrato de compra anual não tem tanto impacto. Mas quantas microcervejarias fazem compras anuais? Então, quem compra no varejo, sofre mais com a alta do preço”, argumenta o diretor da ESCM.

Já Alexandre Prim, especialista em finanças do mercado cervejeiro e professor das Faculdades Senac Blumenau, avalia que há pouco o que as cervejarias possam, de fato, fazer neste momento, ainda mais quando a moeda norte-americana começou o ano cotada a R$ 4,03, acumulando uma alta de 38,71% até a última quarta-feira.

Mas, segundo ele, aprender a lidar com as incertezas pode ser uma lição importante para se extrair nesse momento, visando um futuro saudável do negócio. Prim também defende que sejam firmados contratos de longo prazo para evitar oscilações e facilitar um planejamento seguro da operação.

“Por se tratar de um evento externo à empresa, e comum a todos os negócios, não há nada que se possa ser feito diretamente. Entretanto, empresas podem fixar contratos futuros com fornecedores. Por mais que a baixa do dólar em um futuro próximo possa representar uma perda, isto ajudaria a diminuir a incerteza e a garantir maior estabilidade nas contas”, comenta o professor das Faculdades Senac Blumenau.

Crise prolongada
Além do encarecimento dos insumos, novas iniciativas para ampliação da produção estão inviabilizadas pelo aumento do dólar, o que impacta na aquisição de equipamentos, como destaca Bressiani. “O aço inox está cotado em dólar e ficou caríssimo. Para novos investimentos e expansão, é um problema.”

Como a desvalorização do real não veio sozinha, mas acompanhada pela crise do coronavírus, que paralisou a produção de boa parte das cervejarias, além de ter reduzido a demanda, a expectativa é de que as dificuldades no setor se prolonguem por tempo considerável. “A crise por conta da pandemia está grande, com muitos parceiros quebrando. E vai durar pelo menos um ano”, prevê Giba Tarantino.

A crise econômica no Brasil, exemplificada pela redução de quase 10% do Produto Interno Bruno no segundo trimestre de 2020, também altera comportamentos do consumidor, que tem evitado realizar compras consideradas supérfluas, segundo aponta Prim. E isso, evidentemente, adia a recuperação de setores diretamente ligados ao consumo, como o cervejeiro.

“Em minha opinião a baixa demanda é consequência de um comportamento de insegurança por parte da população. Isto é um comportamento normal da população global, ou seja, quando as coisas estão obscuras nada de investimentos altos. Isto também se repercute nas casas e famílias”, diz o professor.

Importação inviabilizada
A crise do coronavírus e a desvalorização do real também têm afetado outro importante elo do segmento: as importadoras. Diretor comercial da Suds Insanity, Adriano Wozniaki revela que as operações da empresa estão praticamente inviabilizadas.

Assim, a Suds Insanity busca alternativas para retomar e viabilizar o desembarque de rótulos estrangeiros no mercado brasileiro. “Temos estudado bastante o mercado e buscado alternativas modificando a nossa operação. Estamos com uma consultoria tributária que está nos ajudando na tomada de decisões para a continuidade do negócio”, explica Wozniaki.

Sua avaliação, aliás, é semelhante a de outros especialistas do setor. Além da alta do dólar, a importadora tem a dificuldade extra de operar em um segmento que não tem demanda neste momento – seja porque o consumo não retomou o nível anterior da pandemia, seja porque os estoques dos parceiros estão elevados.

“O cenário está muito complicado porque as lojas e bares ficaram muito tempo fechados, operando em sistemas diferenciados, o que permitiu a continuidade destes negócios, mas trouxe uma redução no faturamento. Isto, logicamente, impactou de forma negativa nossas vendas, sobretudo quando falamos nos barris de chope”, conclui o sócio da Suds Insanity.

Ação da Skol destina 10% do valor das vendas pelo Zé Delivery para garçons

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A Skol criou uma iniciativa para contribuir financeiramente com garçons e garçonetes, que tiveram suas receitas impactadas pela pandemia da Covid-19. O Clube da Gorjeta da Skol, lançado na última sexta-feira, pretende repassar 10% do valor arrecadado com as vendas dos produtos da marca pelo aplicativo Zé Delivery a esses profissionais.

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Nathalia Bergstron, da equipe da Skol, explica que a ideia é oferecer apoio aos garçons em um período de dificuldade financeira, provocada pelo fechamento dos bares. “Resolvemos convidar quem está se divertindo em casa para aliviar a tensão de quem ainda vive um momento delicado. Os consumidores que compram Skol pelo app do Zé Delivery só precisam enviar a nota fiscal, porque os 10% ficam por nossa conta.”

Para ter acesso ao Clube da Gorjeta da Skol, os garçons precisam realizar um cadastro no site da Méliuz e, depois, concluir o processo no portal da iniciativa. Já o consumidor também precisa fazer a sua parte para que o repasse seja feito: enviar a nota fiscal para o mesmo site e identificar o garçom pelo e-mail. Desta forma, os 10% de gorjeta vão automaticamente para a conta do profissional cadastrado.

Para quem não conhece um garçom e mesmo assim quiser contribuir, também é possível cadastrar a nota fiscal no site da promoção da Skol. Nesse caso, o valor será dividido igualmente aos profissionais. E, para solicitar o repasse do valor da compra no Zé Delivery, é necessário escrever NOTA FISCAL no campo observação, no ato da compra.

Outras ações
Esta iniciativa, voltada para o sustento dos garçons, é mais uma realizada pela Skol durante a pandemia. Em junho, em outra parceria com o Zé Delivery, a marca criou o Happy Hour Virtual, uma ação que permitia às empresas “pagarem uma rodada” à distância para seus funcionários. O objetivo era disponibilizar cupons de compras para adquirir e distribuir aos seus colaboradores, que, então, realizavam seus pedidos.

Já em agosto, a Skol buscou animar o cotidiano do consumidor com o lançamento dos “Jogos de Bar” no ambiente virtual, oferecendo duas clássicas opções de entretenimento: Stop e Eu Nunca.

Entenda os motivos do aumento da demanda por latas e seus benefícios

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A pandemia do coronavírus alterou hábitos do público cervejeiro. A adoção da quarentena e as medidas de isolamento social forçaram a população a levar o consumo para dentro das residências e ampliaram um cenário que já vinha se tornando uma tendência: o aumento da participação das latas no mercado. Uma situação que a crise sanitária acelerou e levou as marcas a serem mais atenciosas na concepção desse tipo de embalagem.

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A alteração no formato em que a cerveja chega ao público está relacionada ao modo como o consumo vem sendo feito, mais individualizado. Por isso, as marcas passaram a ampliar o uso das latas, um movimento também realizado por aquelas consideradas mais tradicionais.

Um exemplo recente foi o da Baden Baden, da Heineken, que lançou suas cervejas dos estilos Cristal, IPA e Witbier em latas de 350ml. E outras empresas, como o Grupo Petrópolis, adaptaram seu portfólio na linha de envase para essa demanda crescente, segundo relatou Diego Gomes, diretor industrial e mestre-cervejeiro da companhia, em entrevista recente ao Guia.

Mas, claro, as adaptações não foram realizadas apenas pelas grandes marcas. O foco maior nas latas começou a ser adotado também pelas cervejarias artesanais que não envasavam seus produtos, vendendo-os sempre em barris.

“O que tenho percebido é que os planos que estavam sendo postergados agora ganharam velocidade na execução. Então, quem não envasava em garrafas e vendia em barris e agora precisa envasar, já quer fazê-lo em latas”, relata Bruno Lage, sócio-diretor da Label Sonic, empresa especializada em rótulos.

Há, porém, um longo caminho a ser percorrido dentro do segmento para que as latas ampliem e consolidem a sua relevância entre as cervejarias artesanais, embora esse cenário tenha começado a se alterar nos últimos anos e aumentado sua força durante a pandemia do coronavírus.

“Estima-se que as latas em 2019 passaram de aproximadamente 1% do volume total da cerveja artesanal no Brasil”, comenta Bento Ferreira, sócio-proprietário da Agência Alvo. “Claro, isso ainda é pequeno em relação ao montante de garrafas atualmente no mercado. Mas já podemos perceber que é significativo que as latas estão ocupando cada vez mais as gôndolas das lojas de cerveja e supermercados.”

Vantagens das latas
A lata possui características que a tornam uma opção interessante no momento de envasar a bebida – e não apenas pela alteração na rotina de consumo do público. Uma delas é a capacidade de conservação, uma vez que a cerveja é sensível à luz e ao oxigênio, segundo avalia o sócio da Agência Alvo.

“Isso é bom para qualquer tipo de cerveja, mas é especialmente útil para IPAs, pois elas são mais sensíveis à luz e podem perder aromas e sabores do lúpulo com exposição extrema. Eles também podem desaparecer rapidamente se o líquido for contaminado por oxigênio ou luzes extras”, destaca Bento.

A portabilidade também é um ponto visto por especialistas como fator interessante para a opção pela lata no momento do envase. Eles destacam que há praticidade e facilidade no armazenamento e transporte, o que contribui tanto para quem produz a cerveja como também para quem a consome.

“As latas são uma aposta mais segura e fácil de manusear. São mais leves para levar em sua mala ou mochila, você não precisa se preocupar com abridor. E, depois de beber, é fácil reciclá-la”, afirma o sócio da Agência Alvo, destacando como o púbico cervejeiro não encontra dificuldades para transportar suas latas.

É um cenário, inclusive, para o qual Bento enxerga similaridades se pensado a partir do ponto de vista das cervejarias, pois também lhe dá a oportunidade de adotar preços mais competitivos. “Esse peso mais leve também tem um papel importante na logística de cervejarias e lojas de cerveja.”

Outro fator destacado por ele é o da sustentabilidade, lembrando que a lata é um produto mais atraente para reciclagem, processo pelo qual passa 98,4% dessas embalagens produzidas no Brasil. “Das 540 mil toneladas do alumínio reciclado no país, em 2018, 40% correspondem às latas e 60% aos demais materiais”, comenta Bento.

Rotulagem para latas
Com isso, o aumento do envasamento das cervejas em lata deve se consolidar, trazendo novas demandas para as marcas artesanais, o que inclui o aumento da concorrência entre as empresas que operem com esse tipo de opção.

Com a adaptação do produto ao mercado, também veio a preocupação em como expô-lo, sobretudo porque a identidade visual das latas – através dos rótulos – pode ser importante para atrair a atenção do público, unindo criatividade, design e informação.

Bruno Lage, sócio da Label Sonic, destaca que há interessantes opções para microcervejarias, que podem, inclusive, se inspirar em opções e alternativas adotadas em mercados mais consolidados de artesanais, como o norte-americano, um exemplo a se ter em mente no momento de concepção do rótulo da lata.

“O rótulo adesivo é mais prático na aplicação e mais barato. O mercado craft norte-americano, por exemplo, é dominado por latas com adesivos”, afirma Bruno. “Geralmente os rótulos cobrem a área completa da lata. Mas não precisam ser necessariamente assim: pode-se fazer rótulos menos e destacar a lata ‘crua’”, conclui o sócio da Label Sonic.

Abracerva encerra período de sugestões para o Código de Ética

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Vai até esta quarta-feira o prazo dado pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) para receber sugestões e opiniões do mercado cervejeiro que deverão compor seu primeiro Código de Ética. Os associados e não associados podem dar suas contribuições através do link www.abracerva.com.br/proposta-codigo-de-etica. Dê a sua sugestão.

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A necessidade de se fazer um Código de Ética pela Abracerva surgiu após os inúmeros casos de preconceito que vieram à tona nos últimos meses no setor. Em setembro, o próprio presidente Carlo Lapolli foi forçado a renunciar junto com toda a sua diretoria, após o vazamento de mensagens escritas no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

Até a eleição de uma nova diretoria, que está programada para acontecer em 15 de outubro, Nadhine França assumiu o comando temporário da Abracerva. Colunista do Guia, ela ocupava a coordenação do recentemente criado Núcleo de Diversidade da Abracerva, tendo participação direta na confecção do código de ética da entidade.

A primeira versão do Código de Ética, que vai nortear as decisões da Abracerva, foi redigida por André Lopes, advogado especialista no mercado cervejeiro e também colunista do Guia.

O documento apresenta preceitos para a relação entre os associados e o público em geral, além de pontuar questões relacionadas à diversidade, inclusão e equidade, entre outros temas. Também prevê as possíveis sanções e os ritos de avaliação.

Depois de angariar opiniões do mercado, ainda no dia 23 de setembro, está programada uma live no canal do Youtube da Abracerva para debater todas as questões. Já no dia 27 de outubro, às 15h, deverá acontecer uma Assembléia Geral Extraordinária para votação do documento e estabelecimento do Comitê de Ética.

Green Mining fecha parceria com brewpubs e lança cerveja e campanha sustentável

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A Green Mining fechou uma parceria com brewpubs de São Paulo para lançar uma cerveja e ampliar a ação de coleta de vidros para serem enviados à reciclagem. A iniciativa agora terá os esforços do What’s On Tap, Caravan Studio, Vórtex Brewhouse e Cervejaria Avós. A ação também conta com uma promoção para clientes.

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A startup de logística reversa inteligente vai recolher as garrafas PETs e de vidro levadas pelos consumidores para os brewpubs da capital paulista. Quem levar três garrafas para descarte, aliás, terá 20% de desconto na compra de chopes para viagem – a disponibilidade de rótulo e o estilo para a promoção podem variar em cada estabelecimento.

Já a cerveja surgida da parceria entre a Green Mining e os brewpubs é a Recycle Craft & Fresh Beer, uma Double Juicy India Pale Lager com 8,3% de teor alcoólico e 60 IBUs. Ela vem em lata de 355ml e embalagem de 1 litro, que deverão custar a partir de R$ 26 e R$ 67, respectivamente.

A Green Mining vem registrando números expressivos desde que iniciou sua operação em 2018. No começo de setembro, com a parceria com o Minuto Pão de Açúcar, ela alcançou 6 toneladas de vidro – o equivalente a mais de 30 mil garrafas de cerveja long neck – captadas com o intuito de serem recicladas.

Em julho, a startup também havia anunciado a marca de 1 milhão de quilos de vidro coletados e enviados para reciclagem. E, em junho, foi convidada para integrar o grupo de empresas do Pacto Global da ONU, maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo.

Serviço
What’s On Tap
R. Min. Jesuíno Cardoso, 104 – Vila Nova Conceição

Caravan Studio
Rua Ferreira de Araújo, 589 – Pinheiros

Vórtex Brewhouse
Rua Alexandre Dumas, 1129 – Chácara Santo Antônio

Cervejaria Avós
Rua Croata, 703 – Lapa

BrewDog e Schorschbräu se unem para lançar a “cerveja mais forte do mundo”

A escocesa BrewDog e a alemã Schorschbräu, rivais na disputa de cervejas extremamente alcoólicas, se juntaram em uma colaboração via internet para brassar aquela que chamaram de “cerveja mais forte do mundo”, segundo descrevem as marcas. A bebida foi batizada Strength In Numbers, com impressionantes 57,86% de teor alcoólico.

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A disputa entre as duas marcas começou em 2009, quando a BrewDog – ainda pequena – lançou a Tactical Nuclear Penguin, com graduação alcoólica de 32%, tentando quebrar o recorde de 31% de um rótulo da Schorschbräu. A alemã reagiu imediatamente e produziu a Schorschbock, que saiu com 40%.

A BrewDog, então, retrucou com a Sink the Bismarck IPA, com 41% de álcool, superada pela segunda versão da Schorschbock, agora com 43%. Em julho de 2010, a BrewDog fez uma cerveja com 53% de teor alcoólico, que levava o pretensioso nome de The End of History (fim da história). Mas a cervejaria alemã retrucou com mais uma versão da Schorschbock, com impressionantes 57%.

Esse rótulo parecia ter chegado ao limite, pois as leveduras cervejeiras comuns não fermentam mais do que a 15% – algumas especiais podem chegar a 25%. Passar desse ponto só é possível com o uso de um processo em que se congela a cerveja e separa sua água de todo o restante, já que ela congela a uma temperatura mais alta do que o álcool.

Repetindo esse processo seguidas vezes, é possível concentrar o álcool e as substâncias dissolvidas nele até perto de 60% de graduação alcoólica. Foi o que fizeram a BrewDog e a Schorschbräu para apresentar o seu novo – e potente – lançamento.

A Strenght in Numbers foi lançada na quinta-feira passada na Inglaterra a 29 libras (R$ 201,08) por uma pequena garrafa de 40ml, que se esgotou no mesmo dia.