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Heineken tem queda no lucro e fará cortes, mas mantém crescimento no Brasil

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Em um sinal claro de que ainda sofre com os efeitos da crise do coronavírus, a Heineken comunicou em seu balanço mundial que o lucro líquido nos nove primeiros meses de 2020 foi de 396 milhões de euros (aproximadamente R$ 2,645 bilhões), uma redução de 76% no comparativo ao mesmo período de 2019.

O balanço da Heineken também apontou que o volume consolidado de cerveja teve um declínio orgânico anual de 1,9% no terceiro trimestre, ainda assim inferior ao que previam os analistas – a aposta era de uma queda de 5,9%.

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Isso se deu porque o resultado de todas as regiões foi melhor do que o esperado, com exceção da Ásia. Nas Américas, por exemplo, o volume de cervejas vendidas cresceu 2,5%, com uma expansão de aproximadamente 13% no Brasil.

“A atualização do terceiro trimestre da Heineken destaca a resiliência da categoria cerveja ao operar com o fechamento de canais de comércio ou sua limitação obrigatória. O posicionamento competitivo da Heineken está melhorando nos principais mercados emergentes, como o Brasil, o Vietnã e a Nigéria, sendo apoiados por ganhos de participação na Europa”, afirma análise do Credit Suisse.

Ao apresentar o relatório financeiro, a cervejaria revelou o plano de reduzir custos com pessoal em cerca de 20%, o que começará a ser implementado no primeiro trimestre de 2021. Esta iniciativa foi vista pelo Credit Suisse como uma mudança cultural a respeito da abordagem sobre os custos.

“O reconhecimento da administração da Heineken da necessidade de intensificar foco em custos vem sendo rapidamente seguido por ação – o corte de 20% nos custos com pessoal entre os escritórios centrais e regionais é amplamente simbólico, mas sinaliza o início de uma mudança de cultura sobre como a empresa gerencia a base de custos, e as portas foram deixadas em aberto para um dimensionamento correto mais significativo nas operações locais”, acrescenta o material de análise do banco de investimentos, divulgado após a publicação do balanço da Heineken.

“Observamos que o gasto operacional da Heineken em vendas de 29% é o mais alto entre seus pares da indústria de bebidas. As empresas que reduziram os custos corretamente nos últimos anos (Diageo, Pernod, Carlsberg) conseguiram gerenciar melhor a alavancagem operacional e o reinvestimento, o que seria um acréscimo à história de ações da Heineken”, complementa o Credit Suisse.

Apesar de o resultado apresentado no balanço ter sido melhor do que o esperado, a Heineken se preocupa com a segunda onda de contaminação pelo coronavírus e seus efeitos sobre a companhia, com a adoção de novas restrições, incluindo o fechamento de bares e restaurantes em países da Europa e da Ásia.

Lucro menor da Ab InBev
Já a Anheuser-Busch InBev (AB InBev) teve lucro líquido de US$ 1,04 bilhão (R$ 5,97 bilhões) no terceiro trimestre de 2020, 36% a menos do que no mesmo período do ano passado, quando havia sido de cerca de US$ 3 bilhões (R$ 17,2 bilhões).

A receita da controladora da Ambev no Brasil foi de US$ 12,82 bilhões (R$ 73,63 bilhões) nos meses de julho a setembro deste ano, queda de 2,66% em relação aos US$ 13,17 bilhões (R$ 75,64 bilhões) do mesmo intervalo de 2019. Já o Ebitda ajustado alcançou os US$ 4,89 bilhões (R$ 28,08 bilhões). E o Brasil foi destaque no relatório, com crescimento de 25% no volume de vendas de cerveja no terceiro trimestre.

A queda no lucro se contrapondo ao aumento das vendas se deu pelo crescimento dos custos, um dos efeitos da pandemia do coronavírus, com a redução do consumo de bebidas em bares e restaurantes. Afinal, a produção e o envio de mais embalagens, latas e garrafas descartáveis tornam mais cara a operação do que a realizada para a venda fora do domicílio, concentrada em barris e garrafas de vidro, em sua maior parte reutilizáveis.

E as ações?
Na Europa, a ação da AB InBev fechou outubro cotada a 44,56 euros. Como havia terminado setembro valendo 46,23 euros, a queda foi de 3,61% no mês.

Já o preço do papel da Heineken apresentou variação inexpressiva. Ele começou o mês custando 75,88 euros e encerrou outubro com o valor de 76,20 euros. A valorização, portanto, foi de 0,42% no décimo mês de 2020.

Balcão da Ana: O tempo não para

Coluna Ana Pampillón

Balcão da Ana: O tempo não para

Parece até letra de música, mas será que o futuro vai repetir o passado?

Pelo menos no mercado cervejeiro, é certo que o futuro será bem diferente.

O ano de 2020 começou dando “lambada” nas costas de um mercado que vinha crescendo mais de 30% ao ano.

Mas está aí uma “comunidade” que leva lambada até dela mesma e resiste.

E sobrevive. E se reinventa. E continua a ter esperança. E continua fazendo planos.

Fazer planos…

Não é só sobre isso.

É sobre executar esses planos, o que nesse momento é um desafio ainda maior.

Não à toa, em períodos de grandes crises surgem as melhores e mais bem-sucedidas ideias –  EXECUTADAS!

Sim, ideia sem ser executada é somente uma ideia.

Acabamos ficando repetitivos com um único assunto pairando no ar.

Mas, assim como a primavera e o ciclo natural das flores, a vida é composta de fases, simbolizando a esperança de renovação. E, através das experiências diárias, mesmo em tempos difíceis, essa renovação será muito relevante para cada um que conseguiu se manter de pé até agora.

Este ano entrará  para a história do mercado cervejeiro, não exatamente pelos motivos que gostaríamos, mas como um ano importante de amadurecimento.

Será de fato um tempo onde, mais que um período pós-crise, será uma oportunidade interessante para aqueles que querem se tornar melhores.

O tempo em pausa foi um bom aliado para colocar a casa em ordem.

Ser melhor, ser diferente, ser criativo, ser mais em tudo fará toda a diferença para os sobreviventes desse novo momento.

E você? Qual foi a sua ideia executada?

Ana Pampillón é turismóloga, sommelier de cervejas, coordenadora da Rota Cervejeira RJ e atuante no mercado de lúpulo brasileiro

Menu Degustação: Cervejas do Halloween, fábrica da Ball, Skol com Wesley Safadão…

O fim de outubro ficou marcado pela celebração do Halloween com a chegada de novas cervejas ao mercado. Várias marcas aproveitaram a data, festejada no último sábado, para exercitar a criatividade e oferecer rótulos do estilo Pumpkin Ale, além de realizar eventos festivos. Em outras vertentes, a Ball anunciou a construção de uma nova fábrica para a produção de latas, mais um sinal do aumento da demanda por esse tipo de embalagem. E a propagação do conhecimento cervejeiro será ampliada nos próximos dias com novas ofertas de cursos e seminários. Confira essas e outras novidades.

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Abóbora da Cruls e da Corina
A Cruls e a Corina lançaram a Seu Abóbora, cerveja do estilo Pumpkin Ale feita em celebração ao Dia das Bruxas. O rótulo está disponível em diversos pontos de venda do Distrito Federal. A bebida alusiva ao Halloween leva dois tipos de abóbora na receita (japonesa e moranga) e recebeu adições de canela, cravo e gengibre. Possui 7% de teor alcoólico e 11 IBUs. Essa foi a segunda colaboração entre as cervejarias, que também assinam o rótulo Véi, do estilo Hop Lager, feito em homenagem aos 60 anos de Brasília. “A ideia é entregar um produto diferente para que as pessoas possam experimentar, proporcionar aromas e sabores diferentes ao público do DF. Por mais que existam alguns exemplares de Pumpkin Ale disponíveis no Brasil, não é um estilo fácil de se encontrar. Quem nunca tomou uma cerveja de abóbora tem tudo para se surpreender”, explica Pedro  Capozzi, gerente de operações e sócio-fundador da Cruls, apostando no êxito do lançamento para o Halloween.

Cerveja maturada no alho
Também para celebrar o Halloween, a Landel lançou a Siberiano Negro, que passa a fazer parte da linha Psique, sendo uma Russian Imperial Stout maturada em alho negro. Ela foi, inclusive, uma das atrações da festa em razão do Dia das Bruxas na tap house da cervejaria de Campinas, no bairro Taquaral, realizada no último sábado.

Pumpkin Ale da Soma
A Soma Cervejaria também aproveitou o Halloween para marcar o fim de semana com a produção de uma cerveja colaborativa feita com abóbora, decoração temática e música ao vivo no seu brewpub, no bairro de Moema, em São Paulo. A sua Pumpkin Ale é uma sazonal com 5% de graduação alcoólica e amargor de 25 IBUs, tendo sido desenvolvida de forma colaborativa com a Vórtex Brewhouse. Ela foi produzida com doce de abóbora e especiarias. A celebração do Dia das Bruxas se iniciou no sábado e prossegue neste domingo.

Fábrica de latas da Ball
A Ball Corporation, líder mundial em embalagens sustentáveis de alumínio, anunciou a construção de uma fábrica de latas para bebidas na cidade de Frutal, em Minas Gerais. A unidade, que contará com duas linhas com capacidade para produzir um portfólio de latas em formatos variados, abrirá no segundo semestre de 2021, terá investimento inicial de US$ 90 milhões e prevê a criação de cerca de 100 empregos diretos na área de produção.

Skol com Wesley Safadão
A Skol criou a Caixinha de Hit, uma parceira com Wesley Safadão. Através dela, o público compra um pack limitado, que vai lançar uma música inédita do cantor: a “Love Misturado”. O pacote com oito latinhas de Skol traz um QR Code que destrava a música, dando acesso exclusivo a ela em 17 de novembro, 48 horas antes do lançamento nacional do artista. “Esta é a primeira vez que vemos um lançamento de música em um pack de cerveja. É uma maneira divertida e inovadora, que tem tudo a ver com o DNA da Skol, e que acreditamos que pode chamar a atenção de diversos artistas que têm buscado formas diferentes de atrair o público”, destaca Cibele Nunes, gerente de marketing da Skol, que fechou acordo com Wesley Safadão, com quem passará a cocriar projetos até 2022, tendo a previsão de um novo produto por ano.

Simpósio em 2021
Será realizada entre os dias 1º e 4 de fevereiro de 2021 a primeira edição do Simpósio Brasileiro de Bebidas Fermentadas e Destiladas. O evento será online, tendo “Da tradição à inovação” como seu tema principal. O simpósio terá  diversas palestras e minicursos proferidos por profissionais reconhecidos por sua atuação no setor de bebidas, além da apresentação de trabalhos científicos, que deverão ser inscritos até 18 de dezembro.  

Novo curso do Marketing Cervejeiro
O Marketing Cervejeiro, que completou quatro anos em outubro, lançou o curso Redação Publicitária Cervejeira. Entendendo a importância do texto na divulgação de cervejas artesanais, Érica Barbosa, fundadora da empresa, vai ensinar técnicas para escrever textos que gerem mais vendas, seguindo uma metodologia que ela criou ao trabalhar em um e-commerce. A carga é de 3 horas, com aulas online gravadas. “Já realizamos 20 turmas presenciais dentre os diferentes cursos do instituto em diversas cidades, além do Rio. Mas, pelas complicações logísticas, muitas vezes não conseguíamos chegar a outros lugares que demandavam pelos nossos cursos. Hoje o ensino à distância nos permite essa expansão, agora temos alunos em todas as regiões do Brasil e até mesmo países”, afirma Érica.

Sustentabilidade da Opa Bier
A Opa Bier, cervejaria de Joinville, aderiu ao #DesafioReciclaí, um projeto de beneficiamento ambiental que visa incentivar e conscientizar a população a realizar atitudes sustentáveis. Nele, quem participar ganha pontos por práticas sustentáveis. E eles poderão ser trocados pelo chope da marca ou por outros produtos e serviços da rede de parceiros envolvidos na iniciativa.  

Graja Beer abre espaço e amplia ações de capacitação e difusão do conhecimento

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A cerveja da quebrada está “voltando” com mais força do que nunca. Criada em 2018, a Graja Beer nunca deixou de operar. Mas a pandemia do coronavírus paralisou as operações do pub da cervejaria. A sua reinauguração neste sábado, após sete meses sem receber o público, pode até provocar a sensação de recomeço. Mas a aparente pausa serviu para estimular o que lhe é mais vital: propagar pela educação a cultura cervejeira às comunidades mais vulneráveis.

A Graja Beeer, que se autodenomina “a cerveja da quebrada”, está localizada no Grajaú, na zona sul de São Paulo, um bairro que tem população superior a 300 mil pessoas. É com esse público enorme que a marca quer dialogar, oferecer capacitação e divulgar o conhecimento cervejeiro.

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Passo importante nesse processo, o pub da Graja Beer funcionava desde 2019, mas, por causa da pandemia da Covid-19, estava fechado para atendimento presencial desde março deste ano, quando o funcionamento só seguiu no sistema de delivery, em um processo “dark kitchen”.

Mas a paralisação provocada pela pandemia, no lugar de colocar em risco a continuação do negócio, ofereceu a possibilidade de mudança para um local escolhido estrategicamente com o intuito de ampliar a missão da cervejaria. Com um espaço que já é conhecido por promover ações sociais e culturais no Grajaú, a volta do púbico ao novo local (bem próximo ao anterior) vai impulsionar a marca na missão de acolher os projetos da comunidade.

“Antes, estávamos com o pub em uma casa antiga, adaptada para o recebimento do público. Agora, estaremos em um galpão de dois andares, onde temos áreas para atendimento e eventos”, explica ao Guia um dos fundadores da Graja Beer, Leandro Sequelle.

A nova casa conta com 90 lugares, cumprindo as medidas de distanciamento social, sendo que o novo endereço é quase três vezes maior do que o anterior.

Mais novidades
A mudança de localização não é a única novidade da Graja Beer no seu retorno às atividades presenciais. Quem for ao novo espaço da cervejaria poderá encontrar chopes colaborativos, casos do Grajamaica (feito com a Caravan), uma Wit, e da DaSul (com a Vortex), uma milkshake IPA. Também está previsto o lançamento de novos rótulos em latas dos estilos German Pils, Dark Lager e IPL.

O novo espaço também deverá viabilizar a implementação de alguns projetos que chegaram a ser freados pela pandemia, mas que seguem firmes e estão sendo remodelados e remarcados. Antes da Covid-19 fechar o local ao público, Sequelle acertava detalhes para colocar em prática uma parceria com o Sebrae – a ideia é usar a cervejaria para ser um polo de estudo sobre empreendedorismo.

O sócio da marca também destaca outras iniciativas previstas para passarem pela Graja Breer, como um stand-up comedy preparado pelo Os Gueto, grupo de comediantes pretos do qual Yuri Marçal faz parte.

“Com o nosso retorno, isso tudo volta. E, com o novo espaço, também teremos exposições e vernissages de artistas plásticos locais, e a provável ocupação da ‘loja Graja Beer’, com a venda de produtos diversos locais”, conta Sequelle.

Capacitação cervejeira
Para proporcionar conhecimento no mercado cervejeiro e oportunidades de empregos no setor, uma parceria da Graja Beer com o Grupo Heineken e o Instituto da Cerveja Brasil vai levar moradores do Grajaú a participarem do Programa de Capacitação Cervejeira. “Para que, na quebrada, se possa ter conhecimento técnico e profissional ao mercado cervejeiro, gratuitamente”, comenta Sequelle.

O curso terá 20 horas de aulas presenciais e deverá formar a primeira turma no pub da Graja já em novembro deste ano. Depois, o projeto vai passar por outras cidades no país. E a estimativa é que até 2023 estejam formadas mais de 30 turmas. O projeto ainda foca na representatividade feminina e deverá destinar 50% das vagas às mulheres das comunidades. 

É mais um importante passo da Graja Beer para levar a cultura das artesanais ao extremo sul de São Paulo e mostrar as oportunidades de movimentar a engrenagem social e cultural do Grajaú, dando aos seus moradores a noção de pertencimento. E, a partir deste sábado, em um novo território.

Serviço
Graja Beer Pub
Local – Rua José Bonifácio Filho, 49 – Jardim São Benedito (entre as estações Primavera Interlagos e Autódromo, da CPTM)
Horário de Funcionamento – Quarta, quinta e domingo, das 18h às 23h. Sexta e sábado, das 18h à 0h30

Colorado vende cerveja de Tim Maia pelo Spotify e amplia associação com a MPB

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Ouvir as músicas do seu artista preferido e comprar a cerveja que o homenageia no mesmo serviço de streaming. Essa possibilidade se tornou real a partir da decisão da Colorado de lançar uma cerveja alusiva a Tim Maia, que pode ser comprada dentro do perfil do cantor no Spotify.

Conhecida pelo uso de ingredientes brasileiros nas receitas das suas cervejas, a Colorado tem, mais recentemente, se associado a grandes nomes da música nacional. No ano passado, afinal, havia lançado uma cerveja produzida com umbu e cajá para celebrar Alceu Valença, chamada Tropicana.

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Também foi patrocinadora do João Rock, festival em 2019 que reuniu, em Ribeirão Preto, referências da música nacional como Emicida, Rael, Raimundos e Mano Brown. E, mais recentemente, patrocinou lives, um dos marcos do início da pandemia do coronavírus.

Agora, a Colorado se associou a um dos ícones da música brasileira. Com sua voz rouca e grave, Tim Maia é uma das figuras que introduziu o funk e o soul na música nacional, sendo um dos seus marcos. E segue sendo reverenciado mesmo 22 anos após a sua morte, tendo eternizado diversas músicas.

Summer com goiabada
Uma delas, aliás, virou cerveja: Do Leme ao Pontal. Trata-se de uma Summer Ale com sabor frutado, leve dulçor, 5% de graduação alcoólica e 20 IBUs. Além disso, leva goiabada em sua receita, uma homenagem a um dos trechos da música que dá nome ao rótulo.

“Tim Maia é um ícone do Brasil e deixou um legado para os fãs de música. Sua discografia inspira gerações e colocou a combinação ‘guaraná, suco de caju e goiabada’ no imaginário popular. Por isso, nós, como uma cervejaria que valoriza os ingredientes brasileiros, encontramos a oportunidade para homenagear o artista”, diz Guilherme Poyares, gerente de marketing da Colorado.

Além do perfil de Tim Maia no Spotify, a cerveja, vendida em garrafas de 600ml, também pode ser encontrada na loja online de Colorado, no site do Empório da Cerveja, na Toca do Urso, em Ribeirão Preto, e nos Bares do Urso.

Ambev aumenta venda de cerveja em 25% no 3º tri; Leia 5 análises do balanço

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A Ambev apresentou crescimento de 25,4% no volume de venda de cervejas no Brasil no terceiro trimestre de 2020, no comparativo ao mesmo período do ano passado, chegando aos 21,8 milhões de hectolitros, de acordo com o balanço divulgado nesta quinta-feira pela indústria de bebidas. Isso foi visto como um resultado surpreendentemente positivo por analistas e que indica uma recuperação em V, na visão da companhia.

Para a expansão de 25,4%, a Ambev apontou o que considerou seus destaques comerciais no período de julho a setembro. “No Brasil, nosso volume premium cresceu dois dígitos impulsionado por nossas marcas globais. Nossas marcas domésticas, que são predominantemente vendidas no canal on-trade, começaram a mostrar sinais de recuperação, mas continuaram a ser impactadas pelas restrições que ainda estão em vigor”, disse a companhia, reconhecendo ainda sofrer com os efeitos da crise do coronavírus.

“No Brasil, a Brahma Duplo Malte continua a liderar o crescimento do segmento core plus. A Bohemia cresceu três dígitos por mais um trimestre, mantendo seu forte ímpeto. O trimestre também foi marcado pela resiliência das marcas core. A Skol foi destaque com ganhos de participação de mercado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste devido à nossa excelência operacional e nível de serviço”, acrescentou a Ambev.

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Para o aumento do volume de cervejas vendidas no Brasil, por sua vez, pesou a adoção de algumas estratégias comerciais, incluindo ter demorado para realizar o aumento de preços na comparação a concorrentes. E a própria Ambev, em seu comentário do balanço, citou a expansão do seu aplicativo de delivery.

“O aplicativo Zé Delivery, plataforma de venda direta ao consumidor da Ambev, registrou aceleração contínua no número de ordens no trimestre, estando agora presente em todos os estados do Brasil”, disse a companhia.

Já a Eleven, em análise com o título “Copo começando a encher”, apontou que o crescimento no volume de cervejas da Ambev se deu por dois motivos: a adaptação ao cenário da pandemia do coronavírus e a maior participação no mercado premium. Mas aponta que a alta do dólar continua sendo um problema para a marca.

“(O balanço) Mostrou ganho de participação de mercado principalmente nas marcas premium da companhia. Em nossa visão, ainda que esse desempenho tenha sido beneficiado pelo auxílio emergencial, ele mostra que a companhia conseguiu se adaptar ao cenário de pandemia adaptando seu mix e canais e venda”, pontua a análise da Eleven.

“A Ambev também tem procurado investir em novos produtos que atraem mais os consumidores, a exemplo do sucesso que tem feito a Brahma Duplo Malte. O ponto negativo foi que o câmbio continua impactando a margem Ebitda desse segmento (-710 pontos-base), apesar do ganho de escala”, acrescenta a análise, indicando também efeitos negativos provocados pela alta do dólar.

Ainda assim, diferentes analistas ressaltaram que a companhia conseguiu responder bem à crise do coronavírus. “A melhoria do posicionamento competitivo da Ambev na pandemia sustentou ganhos de participação de mercado, com a base de clientes voltando aos níveis pré-Covid”, avaliou o Credit Suisse.

“A Ambev mais uma vez se destacou. A capacidade de adaptação à nova realidade imposta pela Covid levou a um desempenho superior em volume, que subiu 12% e ficou 8,5% acima da nossa estimativa consolidada”, complementou o BTG.

Outros dados do balanço
De acordo com o balanço da Ambev, houve lucro líquido aos controladores de R$ 2,275 bilhões no terceiro trimestre de 2020, uma queda de 8,9% em relação ao mesmo período em 2019. A indústria de bebidas também revelou que o lucro líquido ajustado teve alta de 2,2%, para R$ 2,496 bilhões, em relação ao terceiro trimestre do ano passado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Ambev foi de R$ 5,073,5 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 15% em relação ao mesmo período de 2019 e de 52% no comparativo ao trimestre anterior. Já a margem Ebitda foi de 32,5%, uma queda de 4,4% em comparação a 2019.

Além disso, a receita líquida da Ambev no terceiro trimestre de 2020 foi de R$ 15,604 bilhões, elevação de 30,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 1,145 bilhão.

O balanço ainda apontou que a Ambev teve melhora em 7 dos seus 10 principais mercados. “A flexibilidade operacional e comercial foi estratégica em permitir o reposicionamento da empresa apesar das incertezas no cenário de curto-prazo. Os países onde há maior representatividade do canal off-trade (supermercados) tiveram performance melhor. Por outro lado, restrições ainda em curso seguem afetando países com renda mais baixa (por exemplo: República Dominicana, Bolívia, Panamá)”, salientou a análise da XP Investimentos.

Mas a própria Ambev reconheceu ainda não ser possível contabilizar os efeitos da pandemia sobre a companhia. “O impacto total da pandemia da Covid-19 em nossos resultados futuros permanece incerto, mas nossas ações serão orientadas no sentido de manter o momentum da nossa recuperação em formato de ‘V’ dos volumes e da receita. O cenário continua desafiador, mas estamos confiantes de que estamos tomando as decisões certas no mercado e de que temos uma posição forte e a estratégia correta para enfrentar os desafios que teremos à frente.”

Efeitos na Bolsa
Entre a boa surpresa pelo aumento considerável do volume de cervejas vendidas no Brasil e a preocupação com a alta dos insumos, o que pressiona as margens de lucro, os investidores ficaram com a segunda opção na sequência da divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2020 pela Ambev.

Afinal, a ação da indústria de bebidas sofreu a maior baixa da última quinta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo, desvalorizando 3,59% e caindo para o valor de R$ 12,84, no penúltimo pregão de outubro.

O papel ordinário havia iniciado o mês cotado a R$ 12,54. Assim, tem alta de 2,39% após o fim de setembro. Apesar disso, continua em desvalorização expressiva em 2020, pois havia terminado 2019 com preço de R$ 18,67. E, com isso, acumula perda de valor de 31,23% em 2020.

Confira 5 análises sobre o balanço da Ambev e o futuro da companhia e suas ações.

BTG
“Nossa sensação de que a Ambev enfrenta bem as crises nunca fez mais sentido. Forte execução e flexibilidade para se adaptar às novas tendências, mais uma vez, valeu a pena. Mas nós também não vemos razão para mudar nossa postura cautelosa sobre a ação. Como alguns dos fundamentos obscuros temporários desaparecendo (competidores sofrendo, aumento de renda fornecido pelo governo) e o aumento da inflação de alimentos, a Ambev voltará a precisar do sucesso de suas principais marcas, que mais uma vez tiveram desempenho inferior, tanto quanto podemos ver. Sua nova mentalidade centrada no consumidor continuará a reduzir as margens para evitar grande erosão. Assim, nos perguntamos se a recuperação do volume/participação de mercado permanecerá.”

Credit Suisse
“Nossa recomendação de R$ 18 (preço-alvo da ação) segue inalterada”, diz. “Vemos a ação sendo negociada a um preço equivalente a 20 vezes o lucro por ação estimada para 2021”, acrescenta. “Em última análise, a ação oferece um rendimento de dividendos atraente, de 3% a 4%. Riscos: impostos, aumento da concorrência, fusões e aquisições na indústria, macroeconomia do Brasil.”

Eleven
 “Começamos a enxergar perspectivas mais favoráveis para a companhia para os próximos trimestres. Ainda assim, seguimos observando de perto a dinâmica concorrencial e de adaptação aos padrões de consumo no próximo ciclo e no pós-pandemia antes de recomendarmos a compra da ação.”

Goldman Sachs
“Esperamos uma reação positiva aos resultados, com foco principal na recuperação de volume impressionante no Brasil: notamos que, nos últimos anos, as preocupações dos investidores têm se concentrado principalmente na saúde e dinamismo das marcas de cerveja da Ambev, principalmente no segmento mainstream. A recuperação até agora deste ano, apoiada por mais inovação, preços mais dinâmicos em todos os segmentos e ganhos de participação de mercado, é provável que se mostre reconfortante e impulsione expectativas de consenso daqui para frente. Mantemos uma classificação de compra.”

XP Investimentos
“Reiteramos nossa recomendação de compra para Ambev frente aos resultados fortes, apesar dos desafios frente às pressões na margem no curto-prazo. Os riscos de uma 2ª onda de Covid-19 e da desvalorização do real frente ao dólar preocupam, mas as iniciativas de inovação da Ambev, além da liderança no mercado e o contínuo foco na excelência operacional, têm trazido bons resultados.”

Verallia lança propósito “reimaginar o vidro para um futuro sustentável”

Líder mundial em embalagens de vidro para alimentos e bebidas, a Verallia aproveitou seu protagonismo no mercado para lançar um importante exemplo de sustentabilidade. A iniciativa veio por meio da criação do objetivo “Reimaginar o vidro para um futuro sustentável”, que será desenvolvido a partir de três metas principais.

Leia também – Verallia oferece embalagens personalizadas para parceiros atraírem o consumidor

O objetivo foi desenvolvido em estreita colaboração com todos “os seus stakeholders internos e externos ao longo dos últimos dez meses” e, segundo acrescenta a multinacional, engloba a ambição da Verallia para a empresa e está totalmente integrado na estratégia de longo prazo do grupo.

O propósito é guiado pela convicção de que o vidro pode ser o material de embalagem mais sustentável. Além disso, a emergência climática requer a mobilização de todas as partes interessadas para melhor proteger os recursos naturais e acelerar a transição para a neutralidade de carbono, segundo complementa a companhia.

Para isto, a Verallia seguirá três diretrizes principais:

– Acelerar a inovação na cadeia de valor: a Verallia está comprometida em integrar soluções cada vez mais inovadoras para reduzir as emissões de carbono, desde o design até o transporte do produto, ajudando assim os clientes do grupo a reduzirem seus próprios impactos ambientais.

– Fazer do reaproveitamento uma solução ganha-ganha para o planeta e para as embalagens de vidro: a Verallia quer promover e sustentar o reaproveitamento de embalagens de vidro em “loops” locais para atender às expectativas cada vez mais altas de seus clientes e consumidores nessa área.

– Mobilizar para obter mais vidro reciclado: a Verallia deseja trabalhar com seus parceiros para fortalecer os sistemas de reciclagem em todos os seus mercados.

“Em dezembro de 2019, as equipes da Verallia lançaram uma reflexão sobre o propósito da empresa com todos os nossos stakeholders. Gostaria de agradecer aos nossos colaboradores, clientes, fornecedores, acionistas e representantes da comunidade local pelo comprometimento e contribuição”, detalha Michel Giannuzzi, presidente e CEO da companhia.

“Este propósito é autêntico e ambicioso: autêntico porque está em linha com o nosso negócio, a nossa história e os nossos valores; ambicioso, porque coloca a economia circular e a transição para um sistema neutro em carbono no centro da nossa estratégia e das nossas ações”, acrescenta.

Saiba mais sobre a Verallia em nossa página do Guia do Mercado

Giannuzzi avalia ainda que, em um mundo em transição para uma sociedade neutra em carbono, a Verallia quer “desempenhar um papel de liderança na transformação do setor de embalagens.” “Indo mais longe e mais rápido, vamos reforçar a dimensão circular e virtuosa das embalagens de vidro. Seremos capazes de reimaginar o vidro, acelerando nossos esforços de colaboração com nossos parceiros nestas três áreas principais de trabalho e definindo juntos um cronograma de ações com base em objetivos comuns”, conclui.

Confira, na íntegra, o propósito da Verallia:

Na Verallia, nosso propósito é reimaginar o vidro para um futuro sustentável. A forma como as pessoas consomem e os resíduos que geram todos os dias representam um desafio sem precedentes para o mundo, e a embalagem é onde isso é mais latente. Como uma das principais fabricantes de embalagens de vidro do mundo, a Verallia tem um papel importante a desempenhar na aceleração da transição para embalagens sustentáveis.

Queremos redefinir como o vidro é produzido, reutilizado e reciclado, para torná-lo o material de embalagem mais sustentável do mundo. Reciclagem e reutilização já fazem parte de nosso modelo de negócios, mas, para tornar o vidro totalmente sustentável, precisamos fazer mais e agir além de nossos negócios para fortalecer os sistemas de reciclagem e incentivar a reutilização. É assim que vamos ajudar a tornar a economia circular uma realidade.

O mundo está em uma jornada rumo a um sistema neutro em carbono, então precisamos encontrar maneiras de contribuir. É por isso que estamos inovando para melhorar significativamente nosso desempenho nas emissões de CO2 em toda o nosso negócio – desde o consumo de energia em nossos fornos, até o uso de matérias-primas e caco, além do design e transporte de nossos produtos.

Na Verallia, somos especialistas em design, produção e reciclagem de vidro. Oferecemos soluções de embalagem saudáveis, atraentes e sustentáveis para mais de 10 mil empresas em todo o mundo – desde produtores familiares locais até multinacionais. Em todo o mundo, fabricamos e reciclamos localmente, muito próximos de nossos clientes, o que significa que estamos bem posicionados para resolver seus desafios, todos os dias.

Um serviço excelente significa trabalhar cada vez mais próximos de nossos clientes, para criar soluções que os ajudem a reduzir o impacto ambiental e atender às expectativas em evolução dos consumidores. A abertura sobre o progresso que estamos fazendo e os desafios que enfrentamos deve ser a base sobre a qual construímos. E para que nosso pessoal continue a vencer novos desafios, a Verallia precisa ser um lugar seguro e inclusivo para trabalhar.

A mudança necessária é sistêmica e só temos parte das respostas. O progresso será feito definindo metas claras e trabalhando em uma causa comum com nossos clientes, fornecedores, pares e outros parceiros em toda a cadeia de valor para desenvolver novas soluções saudáveis e sustentáveis para todos. É assim que pretendemos elevar o padrão da indústria de embalagens e iniciar esta viagem emocionante para reimaginar o vidro.

Braço da Ambev, ZX é proibida de produzir a Petroleum e terá de indenizar DUM

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A ZX Ventures, braço de inovação da Ambev, está proibida de utilizar a fórmula da Cerveja Petroleum e foi condenada a pagar uma indenização de R$ 500 mil à DUM Cervejaria por quebra de sigilo. A decisão foi tomada pelo juiz Ricardo Torres Oliveira, da 7ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, tendo sido proferida na última terça-feira.

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A Petroleum, uma Russian Imperial Stout, foi criada e desenvolvida em julho de 2010 pela DUM. Já em janeiro de 2012, a mineira Wäls fechou acordo – por R$ 20 mil – para adquirir os direitos de exploração e registro da fórmula da cerveja. Em 2015, por sua vez, a cervejaria foi adquirida pela Ambev.

Na avaliação de Torres Oliveira, houve quebra de sigilo em relação ao acordo entre a DUM e a Wäls porque a receita da Petroleum foi utilizada pela Novo Brazil, cervejaria do pai dos ex-sócios da empresa mineira, para produzir a sua Imperial Stout na Califórnia, nos Estados Unidos.

Assim, ele determinou que está rescindido o acordo de compra e venda dos direitos de exploração e registro da fórmula da Petroleum, que havia sido celebrado entre a DUM e a Wäls, hoje pertencente à Ambev como parte da ZX Ventures, que fica impedida de utilizar a receita e de produzir a cerveja.

Além disso, a ZX terá de pagar a multa estipulada em R$ 500 mil por causa da quebra de sigilo. E precisará arcar com os valores dos custos processuais e dos honorários advocatícios, segundo a decisão de Torres Oliveira.

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Embora a decisão judicial possa ser alvo de recurso, o caso é avaliado como paradigmático para o setor por André Lopes, criador do site Advogado Cervejeiro. Ele detalha e enumera as razões para essa visão sobre o caso.

“É uma vitória, mesmo em primeira instância e ainda cabendo recurso, de uma cervejaria cigana artesanal contra a Ambev; é um dos primeiros precedentes na Justiça brasileira que trata sobre receita de cerveja e divulgação indevida; pelo montante elevado da condenação; pela demonstração da importância da formalização de contratos escritos nas relações entre cervejarias, tendo em vista que a decisão se baseou na multa por quebra de sigilo prevista em contrato”, opina André.

Entenda o caso
O imbróglio jurídico se iniciou porque a DUM alegava que a fusão da Wäls com a Ambev poderia influenciar na qualidade da produção da cerveja, bem como que o pai dos sócios da Wäls, Miguel Carneiro Neto, utilizou a fórmula em sua cervejaria nos Estados Unidos. Assim, solicitou a rescisão do contrato por suposta quebra da cláusula de confidencialidade.

O juiz entendeu que essa cláusula não foi quebrada pela mudança societária da Wäls, embora destaque que ela precise ser cumprida pela ZX. Porém, apontou que a Novo Brazil Brewing, de fato, utilizou a receita em uma cerveja preta lançada nos Estados Unidos. E que ela tem o pai dos antigos sócios da Wäls como um dos seus donos.

Assim, Torres Oliveira avalia que houve quebra de sigilo dando razão à DUM Cervejaria. Por isso, condenou o braço de inovação da Ambev. Procurada pela reportagem do Guia, a multinacional cervejeira não se pronunciou até a publicação da matéria.

Rede Beer4U lança linha de latas em parceria com a Cervejaria Avós

Rede de lojas para venda de cervejas com unidades em São Paulo e no interior paulista, a Beer4U é um ponto para o fã de artesanais adquirir suas bebidas preferidas ou testar e provar novidades de diferentes marcas. Mas não se resume a isso, tanto que lançou a sua própria linha de latas, em uma parceria com a Cervejaria Avós.

A linha apresentada pela Beer4U traz consigo o conceito de acessibilidade como premissa. Assim, apostou em três rótulos Lagers previamente lançados pela Avós, marca que se notabilizou no cenário nacional justamente por fazer apenas bebidas desse estilo.

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Os três rótulos são dos estilos German Pils, Dark Lager e India Pale Lager (IPL), tendo o intuito de agradar a diferentes públicos, inclusive aquele não tão acostumado às artesanais, como explica Ériton Soares, sócio da Beer4U.

“A gente fez três cervejas que são bem fáceis de tomar, todas dentro do estilo Lager, com uma pegada bem leve. A German Pils está no limite baixo de IBU e graduação alcoólica, a Dark Larger tem um equilíbrio entre dulçor e amargor, além da India Pale Lager, com bastante lúpulo resinoso”, detalha Ériton, acrescentando que a parceria com a Avós surgiu de uma escolha natural, pela excelência da cervejaria paulistana em produzir Lagers.

“Nossa premissa é sempre deixar a cervejaria trabalhar e falar com referências no mercado para rótulos específicos. No caso do estilo Lager, a Avós é referência.”

A ideia da linha, inclusive, surgiu da Avós, como destaca o sócio da Beer4U, apontando que as conversas para a apresentação de um produto conjunto já existiam há algum tempo. “Já estávamos flertando, mas queríamos algo diferente. Quando a Avós nos procurou e apresentou a Lager Series, não tivemos dúvidas que esse era o momento de sair do papel.”

E a parceria que permitiu à Beer4U ter a sua linha de latas vai além do negócio comercial – envolve uma amizade de longa data, antes mesmo de a cervejaria existir. Afinal, como explica Junior Bottura, fundador da Avós, a relação de amizade com Ériton estimulou o surgimento da linha.

“Antes de abrir a Avós, quase fui o primeiro franqueado da Beer4U. Somos parceiros, e foi daí que surgiu a ideia de uma parceria com a marca”, afirma Junior, ressaltando o orgulho de agora atuar mais diretamente com uma rede que busca estimular e democratizar o consumo das artesanais. “É uma rede muito legal, e uma pessoa que admiro muito. É um grande exemplo de empreendedorismo.”

Rótulos democráticos
E, a partir do momento em que o plano da Avós entrou em consonância com as ideias da Beer4U, a parceria começou a sair do papel. Para isso, a marca utilizou receitas próprias nos rótulos que levam a marca da rede de lojas. “Eram receitas que já tínhamos e colocamos o rótulo deles. Apresentei e ele gostou”, aponta o fundador da cervejaria. 

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Em sua visão, a linha de latas possui características que vão atender tanto os cervejeiros que ainda dão seus primeiros passos nas artesanais como, também, aqueles que são consumidores de longa trajetória, assim como os que não vivem sem o amargor do lúpulo.

“Nos três rótulos conseguimos atingir quase todo o público, desde o leigo (com a Pils) até o mais experiente (com a Dark). E não poderíamos deixar os hopheads de fora: para eles, a IPL é a melhor opção”, destaca Junior.

Novos projetos
Essas latas, aliás, não são a primeira experiência da Beer4U com rótulos próprios, como explica Ériton, ressaltando que a rede possui sua linha de chopes, além de ter lançado anteriormente um pequeno lote de duas cervejas.

“Já lançamos dois rótulos próprios, a Abyssal Black Friday 4U, uma RIS feita especialmente para nossa rede pela 5 Elementos,do Ceará, e a 4Hops, uma IPA produzida pela Dádiva. Essas foram dois small batch. Além, claro, da linha em chope produzida pela Berggren (Pilsen, IPA, Session IPA, APA, Hoplager, Weiss, Wit)”, conta.

E Ériton promete que a Beer4U não vai parar por aí. “Já temos algumas conversas em andamento com cervejarias de renome no mercado”, conclui ele, deixando a indicação de que em breve novos rótulos da rede poderão ser encontrados no mercado.

Abracerva aprova código de ética e terá instrumento para coibir preconceito

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Diante da crise provocada pela divulgação de mensagens preconceituosas de figuras relevantes, o setor de cervejas artesanais respondeu rapidamente com a realização de uma eleição marcada pelo ineditismo da participação de duas chapas e com a implementação de um instrumento “para coibir casos como os que ocorreram neste ano”. E o último desses passos foi dado nesta terça-feira, quando a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) implementou o seu primeiro código de ética.

Por unanimidade, os associados presentes à assembleia geral extraordinária aprovaram o documento, concluindo um processo iniciado em agosto. “É um grande avanço para a associação e para o mercado cervejeiro. Agora a Abracerva e seus associados contam com um instrumento que norteará todas as relações entre a associação, seus associados e o mercado, com ferramentas para coibir casos como os que ocorreram”, afirma André Lopes, responsável pela redação do Código de Ética da Abracerva, criador do site Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.

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Após revelar o texto básico do documento em agosto, a associação abriu período de um mês para receber contribuições ao material que vai nortear decisões futuras da Abracerva. E, com as sugestões acolhidas, o código foi votado e aprovado na última terça. A assembleia também serviu para o estabelecimento de um comitê de ética.

Ficou definido que a comissão será composta por André Dutra (Dutra Beer), André Lopes, Patrick Bannwart (BR Brew), Paulão Silva (Brassaria Brasília) e Roberta Pierry (Sapatista).

Novas regras
O documento apresenta preceitos para a relação entre os associados e o público em geral, além de pontuar questões relacionadas à diversidade, inclusão e equidade, entre outros temas. Também prevê as possíveis sanções e os ritos para avaliação das infrações.

E, em sua redação final, foram incluídos dispositivos sobre desagravo público, a Lei Geral de Proteção de Dados, uso indevido de propriedade intelectual e preservação do meio-ambiente, além de conteúdo de rótulos usados pelos associados. Os responsáveis pelo código também aprimoraram os artigos que tratam de diversidade e da inclusão de minorias.

Para André Lopes, o documento da Abracerva está entre os mais completos e modernos das associações nacionais. “O novo código de ética conta com dispositivos modernos. Arrisco a dizer que é um dos mais avançados entre todas as associações do Brasil, já que trata de diversidade, inclusão, equidade, anticorrupção e até da Lei Geral de Proteção de Dados, que entrou em vigor em setembro deste ano”, comenta o advogado.

A necessidade de se fazer um código de ética para a Abracerva surgiu após os inúmeros casos de preconceito que vieram à tona nos últimos meses no setor. No início de setembro, o então presidente Carlo Lapolli renunciou junto com toda a sua diretoria, após o vazamento de mensagens escritas no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

E a sua implementação pode ser considerada a primeira ação de peso da nova gestão da associação, eleita no último dia 15 para um mandato de dois anos. Assim, a aprovação do Código de Ética da Abracerva na sequência da eleição da Chapa Maturação, que definiu Nadhine França como presidente, conclui um “marco” para o setor superar as dificuldades encaradas pelo segmento em 2020, na avaliação de André Lopes.

“É um marco para o setor, que tanto sofreu este ano e que, nos últimos meses de 2020, poderá comemorar uma eleição com duas chapas (algo inédito) e um código de ética criado em conjunto e com a aprovação unânime dos associados.”