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Atuação do INPI no caso Helles é “exceção”, mas deixa lições para cervejarias

O Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) errou ao registrar o termo Helles como marca de cerveja, mas a falha representa uma “infeliz exceção” da autarquia, responsável pela concessão de patentes e marcas no Brasil. Essa é a avaliação de especialistas do setor, que elogiam o trabalho da instituição na regulação e determinação de propriedades industriais.

“O trabalho do INPI sempre foi essencial no Brasil para diversos setores. E no meio da cerveja, no registro de marcas, não é diferente. Sempre foi competente e correto. Não há relato de nenhum caso semelhante ao que aconteceu com a Helles. Acredito que o problema tenha ocorrido por desinformação do órgão”, avalia Luís Celso Jr., jornalista, sommelier, consultor de cervejas e fundador do blog Bar Do Celso.

Em 2007, quando o setor de artesanais era pequeno e havia pouca informação sobre estilos, a Fassbier registrou o termo Helles como marca junto ao INPI. Doze anos depois, a cervejaria de Caxias do Sul notificou oito empresas do Rio Grande do Sul pelo suposto uso indevido da expressão. Porém, segundo o instituto revelou com exclusividade ao Guia, a Fassbier deve “conviver” com outros registros quando estes designarem um estilo, no caso, o Munich Helles.

A avaliação de que a decisão no caso Helles foi uma exceção também é compartilhada por Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET), e Daniela Froener, especialista em Propriedade Intelectual pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI, na sigla em português). Para eles, o INPI tem agido de modo correto nos pedidos de registros de marcas de cervejas.

“O INPI entende bem o mercado cervejeiro, tanto é que defere pedidos de registro de marcas de cerveja que fazem uso das expressões comuns ‘cerveja’, ‘artesanal’, ‘Pilsen’, ‘IPA’, ‘Weiss’, e tantas outras, sem dar o direito de uso exclusivo das referidas expressões aos proprietários das marcas, o que possibilita que todos que exploram este mercado também as utilizem. Desta forma, nos parece que o caso do registro como marca da expressão Helles acaba por ser uma infeliz exceção”, dizem os especialistas.

Aprendizados
Embora tenha destacado que a expressão Helles pode ser utilizada quando designar um estilo, o INPI avalia que não pode cancelar o registro pois havia um prazo de cinco anos para a realização do pedido de nulidade. Por isso, é importante que empresários do setor fiquem atentos e sejam ativos para evitar a ocorrência de mais uma exceção.

“A legislação prevê mais de uma forma de impugnar-se o pedido de registro de uma marca, porém, cabe aos interessados serem ativos e acionarem o INPI, ou o judiciário, evitando-se, assim, casos esdrúxulos tal qual o Helles”, apontam Clairton e Daniela, lembrando que o instituto não pode interferir em ações judiciais.

“O INPI não tem poder de atuar ativamente na proteção da propriedade intelectual de ninguém, de forma que cabe a cada empresário procurar a devida orientação junto a um serviço jurídico especializado para proteger a sua marca que, frisa-se, é um ativo importante da sua empresa, é uma propriedade que, inclusive, pode ser vendida a terceiros”, acrescentam.

Os advogados avaliam, também, que a expansão no número de cervejarias artesanais traz novos desafios para o setor. Por isso, defendem que as marcas tenham assessoria jurídica até como forma de prevenir a ida a tribunais para solucionar impasses.

“O mercado cervejeiro tem apresentando um largo crescimento, especialmente nos últimos anos. Com este crescimento, é natural que surjam algumas controvérsias, inclusive no âmbito jurídico. Assim, é importante cada vez mais que as cervejarias busquem um assessoramento também para estas questões jurídicas, inclusive como forma de prevenir litígios e evitar maiores problemas”, orientam os especialistas.

Balcão da Copa Cervezas: Um pouco da história da cerveja chilena

Balcão da Copa Cervezas: Um pouco da história da cerveja chilena

Conhecido em todo o mundo pela produção de vinhos e por uma geografia de extremos – entre o Pacífico e a Cordilheiras dos Andes -, o Chile também tem uma ligação histórica com a cerveja artesanal. Assim como em outras partes da América, a cerveja foi introduzida no país por imigrantes ingleses e alemães, que trouxeram consigo uma nova tradição cervejeira.

Junto à importação de novas cervejas, começou no Chile um processo de industrialização, resultando na abertura de cervejarias em várias regiões – alguns registros datam de 1822 em Santiago e 1825 em Valparaíso. Outros locais também sediaram a criação de novas cervejarias para atender um público que não era contemplado devido às condições de transporte e distribuição, fragmentando a indústria.

Essa fragmentação começa a declinar no final do século XIX, com a melhoria das redes de transporte. Com isso, se inicia uma fase de concentração da produção. A recém-criada Compañía de Cervecerías Unidas (CCU) abarcou quase a totalidade do mercado nacional.

A monopolização da produção durou até os anos 90, com o nascimento de novas cervejarias como Kunstmann, Colonos, Monteverde, Märzen e HBH, que entregaram uma proposta mais artesanal para o consumidor.

Hoje o Chile conta com cerca de 400 cervejarias. Los Rios, Araucanía, Valparaíso e RM Santiago concentram quase 80% das plantas. Além disso, se considerarmos a efervescência do movimento cervejeiro da América Latina, o Chile ocupa o 3º lugar em relevância no mercado, ficando atrás do Brasil e da Argentina.

Com cerca de 17 milhões de habitantes no país, a cerveja artesanal tem uma taxa de penetração de 2% no Chile. Uma participação que pode ser ainda maior, se consideradas as cervejarias maiores ou incluída a importação de cervejas especiais da Europa e dos Estados Unidos, podendo chegar facilmente a 4%.

Com a proposta de voltar às origens da cultura cervejeira chilena, a Copa Cervezas de América transfere-se, em 2019, para a colorida cidade de Valparaíso, localizada a 112 quilômetros da capital Santiago. Em paralelo à 8ª edição do concurso, uma semana inteira de atividades vai resgatar a história e aproximar os participantes da cena cervejeira chilena. Entre elas, conferências, tour a bares, cervejarias, workshops e o mais esperado beer boat, nas águas do Oceano Pacífico. Tudo isso, de 26 a 31 de agosto.

Uma oportunidade única que vai reunir história, cultura e cerveja artesanal nessa cidade portuária que é patrimônio da humanidade pela Unesco. Um convite irrecusável para conhecer o lado cervejeiro chileno.


Sarah Buogo, jornalista, diretora da empresas PubliBeer e Publié Conteúdo, é Beer Sommelier pelo Science Of Beer Institute e embaixadora da Copa Cervezas de América no Brasil desde 2014

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Dia da cerveja alemã é ofuscado por alta nos preços

Hoje é dia de festa para os cervejeiros que comemoram o dia da cerveja alemã. Trata-se de uma referência à data em que foi assinada a Reinheitsgebot, nome alemão para a lei da pureza da cerveja, de 1516. Em 2019, no entanto, um dado preocupante põe um pouco de água no chope dessa festa: a cerveja está ficando mais cara na Alemanha.

Considerada a mais antiga legislação sobre alimentos ainda em vigor no mundo, a lei da pureza foi assinada pelo duque Guilherme IV, da Bavária, no dia 23 de abril de 1516. Ela prevê que o cervejeiro use apenas água, cevada e lúpulo na produção. As motivações, consequências e pertinência da Reinheitsgebot são discutidas até hoje. Hoje, as comemorações, óbvia e simplesmente, incluem brindar com boa cerveja.

Dados do departamento nacional de estatística mostram que o preço da cerveja subiu além da inflação em 2018. Se o índice geral no país ficou em 1,9%, para o item cervejas o aumento foi de 3,5%. Os estilos populares, como Pilsen, Lager e as escuras, foram as mais atingidas, com alta de 3,8%. Do outro lado, estilos menos requisitados, como Altbier, tiveram altas mais modestas, de 1,9%.

Mas, por enquanto, o aumento não foi suficiente para frear a sede dos alemães. Em 2018, as cervejarias do país produziram 8,7 bilhões de litros, um volume 2,2% maior do que no ano anterior. Muito dessa alta é creditada à Copa do Mundo de futebol, que aconteceu durante um mês todo do ameno verão alemão e se revelou um período de consumo massivo.

O número de cervejarias também continuou a crescer. Em 2018, 39 foram abertas, e o total chega agora a 1539. O estado da Bavária, ao sul do país, é o estado com mais cervejarias – 654, responsável por 42% da produção nacional.

Com 206 cervejarias e 0,6 bilhões de litros produzidos, o estado de Baden-Württemberg é o segundo em número de cervejarias, mas não em produção. O estado da Renânia do Norte-Vestfália é o segundo maior produtor, com 2 bilhões de litros produzidos por 155 cervejarias.

A maior parte da cerveja feita na Alemanha é consumida dentro do próprio país. Nesse ano, as exportações cresceram 0,1%. Dentre os países que compram cerveja alemã, a Itália aparece como o maior deles, seguida de China e Holanda.

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Mudanças climáticas devem dificultar produção de cevada cervejeira no Brasil

O aquecimento global vai afetar diretamente a produção de cevada cervejeira no Brasil. Especialistas entrevistados pelo Guia apontaram que o setor deverá encontrar dificuldades para manter o atual nível de produção a partir das mudanças climáticas previstas para os próximos anos.

“Alterações climáticas envolvendo principalmente mudanças na distribuição das chuvas, maiores períodos de estiagem e ondas de calor constituem fatores que afetam a produção brasileira de grãos”, avisa Rene Eugenio Seifert Junior, professor do Programa de Mestrado em Administração e do Departamento de Gestão e Economia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Um recente estudo publicado no jornal Nature Plants, liderado pelo pesquisador britânico Dabo Guan, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, demonstrou que fenômenos como secas e ondas de calor podem afetar as principais regiões produtoras de cevada, o que diminuiria colheitas e provocaria aumento de preços – a não ser que o aquecimento global seja reduzido.

Para Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, as alterações no clima já estão sendo sentidas na região Sul do Brasil, exatamente a maior produtora de cevada cervejeira. Ele exibe preocupação com os efeitos que isso deverá trazer para a manutenção do atual nível de colheita.

A cevada para ser utilizada na produção de cerveja precisa ter algumas características bem específicas, como germinação de ao menos 95% e teor de proteínas reduzido, que não supere os 12%. “Neste cenário, pode-se antecipar aumento significativo nas dificuldades já existentes para conseguir produção com qualidade cervejeira”, diz Minella.

Ao mexer com a produção agrícola mundial, as mudanças climáticas também afetarão a colheita da cevada. O pesquisador da Embrapa Trigo explica quais são os efeitos de temperaturas mais elevadas para a produção do cereal cervejeiro no Brasil.

“Associado ao aumento da temperatura, pode-se prever aumento na ocorrência de doenças e pragas”, diz Minella, para depois detalhar que as chuvas devem aumentar a ocorrência de doenças provocadas por fungos, afetando a cultura da cevada para utilização na produção da cerveja.

“O aumento na quantidade de chuvas, além de propiciar o desenvolvimento de doenças fúngicas, principalmente as da espiga como giberela e brusone, de difícil controle, aumentará também a probabilidade de pré-germinação  da semente ainda na lavoura, desqualificando o mesmo quanto ao uso na cervejaria”, acrescenta.

Além disso, segundo Minella, a infecção da produção por giberelas traz riscos para a segurança alimentar. “Associado ao aumento da giberela é possível prever-se aumento na produção das micotoxinas associadas e, por consequência, a segurança alimentar para consumo, seja humano ou animal”, avalia o pesquisador da Embrapa Trigo.

Na visão de Minella, os efeitos da mudança climática na produção do cereal também provocarão um efeito de diversificação no setor. Será possível ver as regiões Sudeste e Centro-Oeste conquistando proeminência na produção, que tradicionalmente vem se concentrando no Sul.

“A tendência é de que a redução da produção no Sul seja compensada pelo aumento nas regiões mais tropicais, como o Sudeste e o Centro-Oeste (nova fronteira de produção), sob o regime de irrigação na estação seca. Para estas regiões estão previstas nos cenários de mudanças climáticas aumento de temperatura e a redução na quantidade de chuva”, comenta o pesquisador.

Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre aquecimento global, cevada e cerveja. E, se quiser indicar alguma demanda, escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com.

Cerveja do Coelho Branco, Brut da Satélite: As novidades da semana

Para celebrar o domingo de Páscoa, a Wonderland Brewery apostou em um kit criativo, que traz um rótulo inspirado no Coelho Branco – personagem de Alice no País das Maravilhas – e macarons. Outros bons lançamentos também marcaram a semana cervejeira, como a nova Brut IPA da Satélite e duas Juicys da Croma. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Coelho Branco
Não é bem o Coelho da Páscoa, mas o apressado Coelho Branco de Alice no País das Maravilhas. Esta é a proposta da Wonderland Brewery, que lançou um kit de Páscoa para os cervejeiros. A novidade traz uma garrafa de Timeless Porter – inspirada no clássico personagem literário do Coelho Branco e que harmoniza bem com sobremesas – e macarons. “Tudo na Wonderland Brewery é inspirado no universo de Lewis Carroll, e a referência da Timeless Porter é o Coelho Branco”, explica Chad Lewis, sócio da Wonderland Brewery. “A Timeless Porter é feita com caramelo e lactose, tem amargor leve e textura cremosa. É ideal para acompanhar sobremesas”, complementa Pedro Fraga, também sócio da cervejaria. Os kits custam R$ 47 (mais frete) e podem ser encontrados no site wonderlandbrewery.com.

Brut da Satélite
A Satélite traz ao mercado sua nova série de receitas. A nova linha terá ilustrações irreverentes e mescla a temática espacial com elementos inesperados. Para inaugurá-la, a cervejaria lançará uma Brut IPA com adição de framboesas, que será acompanhada de Mini Tábua de Queijos e Embutidos (R$ 20) harmonizada com quatro cervejas da marca, entre os dias 30 de abril e 05 de maio, no Cateto Pinheiros. Batizada de Dry Star, a Brut IPA tem 6,6% de teor alcoólico, suave acidez e amargor sutil, com 20 IBUs. Foi elaborada com os lúpulos Monroe, El Dorado e Citra e apresenta notas que remetem a frutas tropicais e cítricas, como limão, pomelo, melancia, pera, damasco e cerejas, complementadas pelo sabor da framboesa.

Semana da Invicta
A aguardada Semana da Justiça, realizada pela Invicta para “reproduzir” o preço das artesanais sem os altos impostos, foi um grande sucesso. As cervejas foram enviadas para 289 municípios em 23 estados brasileiros. “Nossa entrega foi muito eficiente, realizamos todas durante e até o final da campanha. Muita gente que comprou na segunda-feira recebeu na quarta da mesma semana”, celebra Rodrigo Silveira, mestre cervejeiro e diretor da cervejaria. A edição teve um crescimento de 67% de vendas.

Futebol e cerveja
A Brahma estreou uma nova campanha reforçando sua ligação com o futebol. Nela, traz uma coletânea de vídeos reais de torcedores que mostram por que “o futebol não é só futebol, mas sim um conjunto de momentos memoráveis, com histórias de amizade, respeito, alegria e paixão”, segundo descreve a marca. Patrocinadora de 21 times brasileiros, todos representados no filme, a Brahma narrará a história de alguns torcedores que simbolizem a paixão por seus clubes. “É uma paixão que transcende o esporte. E a Brahma, que sempre teve uma longa ligação com o futebol brasileiro, faz essa homenagem ao motivo maior da grandeza do futebol no Brasil: seus torcedores”, diz Pedro Adamy, diretor de marketing da Brahma. Em 2019, a cervejaria ampliou sua atuação no futebol com a criação do Clube Nº1.

Juicy da Croma
Duas novidades da cervejaria Croma estão chegando ao mercado. Uma delas é a 4 Billion Songs, uma Double Juicy IPA com quadruple dry hop que traz uma combinação secreta de lúpulos, resultando em uma bebida com 8,2% de teor alcoólico. Já a Green Force #7 é uma single hop que vem com o Vic Secret, uma variedade de lúpulo australiano que mistura aromas de maracujá e abacaxi. Tem 7,2% de teor alcoólico.

Agenda I: Rota
A cidade de Ribeirão Preto recebe em 27 de abril a sexta edição da Rota da Cerveja Hop On – Hop Off. Serão seis cervejarias visitadas – Colorado, Lund, Krug Bier, Invicta, Point SP 330 e Walfänger – ao custo de R$ 45. “A Rota da Cerveja é sempre um evento muito esperado pela galera cervejeira, temos um público fiel e nosso objetivo é sempre proporcionar a melhor experiência para os amantes de artesanal junto com as melhores cervejarias da nossa cidade”, afirma Thiago Zacharias, diretor da Livre Acesso Turismo e organizador da Rota da Cerveja. Na Point SP 330 os participantes ganham um desconto de 30% e na Walfänger serão 10%, entre outras promoções.

Agenda II: Tibaya
Para comemorar seus 7 anos, a Tibaya Cervejaria promoverá sua festa de aniversário no dia 4 de maio, às 20h, no Garden Eventos, na Avenida Walter Engracia de Oliveira, 52. O evento contará com banda de rock e nove chopes da primeira cervejaria artesanal de Atibaia. “Para esse ano, projetamos a presença de pelo menos 250 pessoas e vamos disponibilizar para a festa desse ano mais de 700 litros de chope”, conta Eduardo Félix, diretor e mestre cervejeiro da Tibaya . Serão, ainda, sorteados diversos brindes como garrafas de cerveja e kits com copos. Os ingressos são limitados e custarão R$ 100 para homem e R$ 80 para mulher, que inclui chope e comida de boteco à vontade.

Agenda III: Randy Mosher
Autor de importantes livros da cultura cervejeira, como o Radical Brewing, o escritor norte-americano Randy Mosher virá ao Brasil para uma série de workshops e palestras. Serão quatro palestras – com vagas limitadas – baseadas nos cursos aplicados nos Estados Unidos por Randy Mosher. Além das quatro palestras, Randy também será jurado do MBeer, concurso do Mondial de La Bière São Paulo, e fará uma palestra no Brasil Brau.

1- PROFESSIONAL BEER TASTING AND STYLES
Este é o curso ministrado por Randy Mosher no Siebel Institute que deu origem ao livro Tasting Beer. Nele, Randy começa expondo alguns aspectos teóricos da cerveja, passando por sua história, definições e métricas, conceitos da degustação e produção de cervejas. Passando para a prática, são conduzidas avaliações de off-flavors e degustações de dezenas dos mais importantes estilos de cerveja do mundo, entre clássicos e contemporâneos.

Data: 01 e 02/06 – 9h às 16h30
Local: Cervejaria Tarantino
R. Miguel Nelson Bechara, 316, Limão
São Paulo
Valor de lançamento: R$ 700

2- BEER AND FOOD EXPERIENCE
Randy Mosher leva ao Rio de Janeiro o curso de harmonização com cervejas desenvolvido para o renomado Siebel Institute. Nesta atividade animada e divertida, Randy expõe os princípios básicos da arte de combinar cervejas e alimentos, estimulando os participantes a explorar diversas situações para entender na prática o que funciona e não funciona. O objetivo é que as pessoas saiam confiantes o suficiente para avançar por conta própria em qualquer oportunidade de harmonização.

Data: 03 e 04/06 – 19h às 22h
Local: Noi Leblon
R. Conde de Bernadotte, 26 – Leblon
Rio de Janeiro
Valor de lançamento: R$ 450

3- PRODUCT DEVELOPMENT
Este workshop foca no desenvolvimento de novas cervejas adaptadas ao mercado cervejeiro atual, que está em constante transformação. Nele, Randy Mosher transmite toda a sua experiência no desenvolvimento de produtos para grandes empresas, além de sua expertise como consultor para cervejarias, dando aos participantes todas as ferramentas teóricas e práticas necessárias para o desenvolvimento de novas cervejas de sucesso.

Data: 05/06 – 13h às 19h
Local: Cervejaria Suricato Ales
R. Moura Azevedo, 237 – São Geraldo
Porto Alegre
Valor de lançamento: R$ 400

4- UMA PROVINHA DO RADICAL BREWING
Uma apresentação em Porto Alegre sobre as ideias e receitas “radicais” apresentadas neste livro, que é leitura obrigatória para quem deseja produzir cervejas criativas e impactantes. Uma oportunidade imperdível de conhecer de perto esta importante figura do mundo da cerveja e absorver um pouco do seu vasto conhecimento.

Data: 05/06 – 20h às 22h
Local: Cervejaria Suricato Ales
R. Moura Azevedo, 237 – São Geraldo
Porto Alegre
Valor: Ingresso + livro Radical Brewing: R$ 149
Valor: Somente ingresso: R$ 99

E-book: Boas opções para fazer turismo cervejeiro em Buenos Aires

Conhecida por sua excelência na produção de vinhos, a Argentina também traz boas opções para quem a visita e aprecia uma boa cerveja artesanal. É o que mostra o sommelier João Filho no e-book “Turismo Cervejeiro: Buenos Aires”, que pode ser baixado gratuitamente no link ao fim da matéria.

João Filho foi um dos idealizadores do curso de Beer Sommelier do Senac-CE. Ele atua na área de treinamento, consultoria e educação cervejeira, além de ser uma das referências do assunto no Nordeste.

No e-book, ele aproveita a sua experiência em viagens pela Argentina para orientar leitores interessados em turismo cervejeiro em Buenos Aires. Entre as dicas, estão os preços convidativos ao brasileiro, especialmente em promoções realizadas durante o período do happy-hour.

Também há dicas sobre o tipo de cerveja que os turistas vão encontrar na capital da Argentina. E diversas indicações de bares, com uma descrição detalhada sobre seus atrativos, além de endereço, horário de funcionamento e links para informações complementares.

João tem no Instagram seu canal prioritário de expressão quando o assunto é cerveja. Dá uma espiada aqui.

Baixe aqui o e-book

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Balcão da Mimosa: Dá para juntar cerveja e chocolate na Páscoa?

Balcão da Mimosa: Dá para juntar cerveja e chocolate na Páscoa?

Cerveja e chocolate fazem uma excelente combinação. Não só é possível uni-los, como conseguimos sabores incríveis. Assim como para harmonizar cerveja e chocolate, seguimos dois caminhos para utilizar a bebida como ingrediente do seu doce: por similaridade ou contraste. Ou seja, podemos combinar as notas da cerveja com o chocolate ou complementar com um sabor oposto, o que muitas vezes nos oferece um terceiro sabor único.

E por que chocolate e cerveja combinam tanto? Pois os dois equilibram dulçor e amargor de acordo com as suas proporções. Com isso, devido à variedade de intensidade, sabor, aroma e textura, cada tipo de chocolate que utilizarmos pode ou não combinar com determinado tipo de cerveja.

Para uma receita especial de Páscoa, escolhi a Baden Baden Stout (uma Extra Stout) por ter um aroma muito rico e complexo, com suas notas frutadas, de chocolate, caramelo e café, que casaram muito bem com nossa receita campeã de pedidos desta Páscoa: Ovo de Páscoa com Casca de Brownie e Recheio de Brigadeiro. 

Na nossa receita, a Stout foi a que melhor se encaixou pelo sabor rico e intenso. Bem encorpada, ela é uma cerveja que tem um equilíbrio muito bom, o que nos trouxe um sabor intenso para o brownie com chocolate meio amargo.

Para a receita, se você vai utilizar o chocolate ao leite, sugiro que substitua a cerveja por uma Chocolate Beer. Lembre-se sempre de que, quanto maior o teor de cacau do chocolate, mais alto terá de ser o teor alcoólico da cerveja utilizada.

Receita do brownie

  • 200gr de chocolate meio amargo
  • 200gr de manteiga sem sal
  • 4 ovos
  • 2 xícaras de açúcar mascavo
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 3 colheres de sopa de cacau em pó

Derreta o chocolate com a manteiga. Bata os ovos e o açúcar. Com um fouet homogenize as duas misturas e adicione os secos. Asse em fôrma retangular untada, em forno pré-aquecido a 180 graus por aproximadamente 35 minutos.

Receita do recheio

  • 350ml da Extra Stout
  • 1 lata de leite condensado
  • 1 caixa de creme de leite
  • 50gr de chocolate meio amargo
  • 2 colheres de sopa de cacau em pó

Reduza a cerveja até que chegue a aproximadamente 150ml. Leve ao fogo os demais ingredientes e, quando começar a ferver, adicione a redução. Mexa até que comece a soltar do fundo da panela. Desligue o fogo e deixe esfriar para utilizar como recheio.

Montagem

Em uma fôrma para ovo de Páscoa de acetado, corte o brownie com 1 a 2 dedos de distância das extremidades. Forre o fundo da fôrma e preencha com o recheio. Finalize com chocolate derretido e leve à geladeira para formar uma casquinha no fundo.


Ana Araújo é chef e proprietária da Mimosa Doces, trabalhou na confeitaria do Esquina Mocotó e faz participações frequentes em programas de TV, como o Edu Guedes e Você

Ovo de Páscoa com casca de brownie e cerveja Stout

Sertão Beer Fest chega para consolidar movimento cervejeiro na “área 017”

O mercado brasileiro de artesanais segue ganhando novos e importantes integrantes. Localizada no estado de São Paulo e próxima às fronteiras de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, a cidade de Jales receberá neste sábado a 1ª Sertão Beer Fest.

O evento ocorrerá no pátio da Bier Lems Cervejas Especiais, na Rua México, 3286, e reunirá 14 expositores entre microcervejarias e paneleiros. A renda, aliás, será revertida ao projeto social Brincando e Aprendendo, da Associação de Judô Jalesense, e ao Lar Transitório.

Mais do que uma festa com cerveja e música de qualidade, a Sertão Beer Fest servirá para consolidar um importante movimento que une cerca de 60 cervejeiros da região, espalhados por cidades como Fernandópolis, Urânia, Ilha Solteira, Pereira Barreto, Mirassol, Aparecida D’Oeste, Santa Fé do Sul, Iturama e Auriflama, entre outras.

Espelhando o calor e o distanciamento da região em relação aos grandes centros cervejeiros, o movimento ganhou um divertido nome: Sertão Homebrewers. “Nosso grupo, o Sertão Homebrewers, foi uma idealização minha e do Ênio, um cervejeiro amigo nosso, da cidade de Três Fronteiras”, explica Marcelo Okajima, sócio-proprietário da Bier Lems, a primeira microcervejaria de Jales.

“Nos conhecemos aqui na cervejaria, ele virou meu cliente e começamos a conversar sobre cerveja artesanal, produção. Ele disse, então, que conhecia algumas pessoas que também faziam cerveja. E, aí, surgiu a ideia do grupo, para agregar pessoas da nossa região que falavam a mesma língua sobre cerveja”, acrescenta Marcelo.

E a criação do Sertão Homebrewers já começa a colher ótimos resultados. Se antes a cidade de Jales contava apenas com a Bier Lems e o TNT Pub Beer – um excelente bar que mescla artesanais, receitas inusitadas e rock de qualidade – como opções cervejeiras, hoje já se observa o surgimento de outros negócios locais.

É o caso, por exemplo, da Casa do Cervejeiro, a primeira loja de insumos da região, recentemente inaugurada por Nelson Batista Neto. Já a Refrican, fábrica da cidade que fazia bebedores industriais e balcões refrigerados, passou a produzir chopeiras residenciais. E a cidade de Aparecida D’Oeste ganhou o primeiro brewpub, a Beer Pam.

“Desse grupo, já estão surgindo alguns negócios. Dá para dizer que é quase uma startup, um negócio que começou com a minha cervejaria e com esse grupo e, agora, está crescendo”, celebra Marcelo, brincando que se trata do movimento da área 017, em referência ao DDD da região.

Educação cervejeira
Mas não é apenas na fomentação de novos negócios que o Sertão Homebrewers tem atuado. Formado por pessoas com conhecimento bastante distinto entre si, o grupo ajuda a promover a educação cervejeira. “Uns conhecem mais da técnica, outros menos, então um ajuda o outro, troca conhecimento. Ajuda a crescer”, avalia o sócio da Bier Lems.

Não à toa, o grupo mira um importante passo adiante para os próximos meses: promover cursos que facilitem a troca de conhecimento. “A ideia de futuro do grupo é seguir promovendo esses eventos, organizar cursos para ajudar a difundir e a expandir a cultura cervejeira em nossa região. Até por isso a festa é feita aqui, na cervejaria, pois é um palco da cerveja artesanal da região.”

Um dos integrantes do grupo, aliás, é Luiz André Marqueti Rodrigues, o Luba, cervejeiro experiente e medalhista em importantes concursos nacionais. Com presença confirmada na 1ª Sertão Beer Fest, Luba vê o movimento com entusiasmo e promete auxiliar em sua consolidação.

“Vou participar desse encontro com o objetivo de transferir conhecimento, para ajudar a fomentar a cultura cervejeira em Jales, que foi a cidade onde cresci e passei minha juventude”, comenta Luba, hoje morador de Valinhos, antes de completar.

“Então, faço questão de transferir esse conhecimento em razão do tempo que tenho como cervejeiro – faço desde 2015 – e do polo onde me encontro, porque aqui temos acesso a mais coisas, a insumos, equipamentos, conhecimento. Consequentemente, espero poder ajudar a fomentar a cultura cervejeira da região de Jales.”

Helles é elemento de uso comum e pode ser utilizado como estilo, diz INPI

O registro do termo Helles como marca não tem como ser cancelado porque ninguém interpôs qualquer nulidade dentro do prazo de cinco anos. Mas, dado o entendimento de que se trata de elemento de uso comum, o registro não deve impedir que outros sinais marcários possam designá-lo como tipo de cerveja.

Em suma, essa é a posição do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) ao ser consultado pelo Guia sobre o caso Helles. Depois de registrar o termo em 2007, a Fassbier notificou recentemente cervejarias no Rio Grande do Sul pelo uso indevido da expressão. Mas, segundo o INPI, a empresa de Caxias do Sul deve “conviver” com outros registros quando estes designarem um estilo.

Mencionando o inciso VI do artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial, o instituto explica que não se considera registrável sinais de caráter necessário que guardem relação com o produto ou empregado para designar uma característica quanto à qualidade, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva.

Dado o entendimento de que o elemento é de uso comum, “todo pedido de registro que for depositado contendo o termo helles e tiver um conjunto marcário registrável deverá conviver com o registro deste titular. Isto significa que o elemento helles, embora tenha sido concedido na forma nominativa, não poderá impedir que outros sinais marcários possam designá-lo como tipo de cerveja”, esclarece o instituto.

O próprio INPI demonstrou tal entendimento mesmo depois de conceder o registro em 2007, como explicam os juristas Clairton Kubaszwski Gama, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET), e Daniela Froener, especialista em Propriedade Intelectual pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI, na sigla em português).

Segundo detalham os juristas, o instituto reconheceu outros pedidos de registro de marca que usam a expressão Helles. É o caso da Raimundos Helles (Processo 909913161) e da Cidade Imperial Helles (Processo 910555125). Tais pedidos, porém, depois da Fassbier protocolar uma ação de nulidade, aguardam a decisão final.

“Verificamos que consta da busca na base do INPI dois registros em que tal procedimento foi empregado, ou seja, as marcas posteriores foram concedidas tendo o termo helles em seu bojo. No entanto, a empresa titular do registro helles apresentou nulidades administrativas visando impugnar as concessões, que se encontram ainda pendentes de decisão do INPI”, aponta o instituto.

Embora tenha poder de decisão para conceder ou não o registro, o INPI não pode interferir em ações judiciais. Até por isso, ele recomenda que “as empresas que se sentirem prejudicadas podem usar os meios legais para se defenderem, sob a alegação de que outros registros já foram concedidos pelo INPI e, por ser um termo inapropriável a título exclusivo, deverá conviver com os demais do mesmo segmento”.

Registro permanece
Mesmo avaliando que a expressão Helles deva estar em “convivência” quando designar um estilo, o INPI diz que seu registro como marca não tem como ser cancelado. O termo foi concedido em 14/8/2007 e, segundo o instituto, havia um prazo de cinco anos para o pedido de nulidade.

“Após a concessão do registro, abre-se o prazo de sessenta dias para que o INPI ou terceiros que se sintam prejudicados apresentem petição de nulidade ao registro. Nenhuma dessas partes instaurou o procedimento de nulidade administrativa. Em sede judicial, o INPI ou qualquer pessoa com legítimo interesse pode interpor ação de nulidade ao registro, no prazo de cinco anos a contar da data da concessão, conforme disposto no art. 173 da LPI. Isso também não ocorreu”, afirma o instituto, antes de acrescentar.

“Assim sendo, transcorridos mais de onze de concessão da marca helles, não existe medida administrativa ou judicial que possa ser empregada para reverter a situação do registro e o titular poderá prorrogar o seu direito a cada dez anos, indefinidamente.”

Por fim, ao avaliar porque teria registrado um estilo como marca, o INPI pondera que, “provavelmente, à época em que o processo foi examinado, o termo helles não deveria ser conhecido fora do âmbito do setor cervejeiro”.

Confira, a seguir, na íntegra, o esclarecimento do INPI

O termo helles foi concedido em 14/8/2007. Provavelmente, à época em que o processo foi examinado, o termo helles não deveria ser conhecido fora do âmbito do setor cervejeiro. Dado o desenvolvimento do segmento de cervejas artesanais, este e outros termos têm se tornado mais divulgados e conhecidos.

De acordo com o disposto no inciso VI do artigo 124 da Lei da Propriedade Industrial (LPI), não se considera registrável sinais de caráter necessário que guardem relação com o produto ou empregado para designar uma característica quanto à qualidade, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva.

Após a concessão do registro, abre-se o prazo de sessenta dias para que o INPI ou terceiros que se sintam prejudicados apresentem petição de nulidade ao registro. Nenhuma dessas partes instaurou o procedimento de nulidade administrativa. Em sede judicial, o INPI ou qualquer pessoa com legítimo interesse pode interpor ação de nulidade ao registro, no prazo de cinco anos a contar da data da concessão, conforme disposto no art. 173 da LPI. Isso também não ocorreu.

Assim sendo, transcorridos mais de onze de concessão da marca helles, não existe medida administrativa ou judicial que possa ser empregada para reverter a situação do registro e o titular poderá prorrogar o seu direito a cada dez anos, indefinidamente.

No entanto, dado o entendimento de que o elemento é de uso comum, todo pedido de registro que for depositado contendo o termo helles e tiver um conjunto marcário registrável deverá conviver com o registro deste titular. Isto significa que o elemento helles, embora tenha sido concedido na forma nominativa, não poderá impedir que outros sinais marcários possam designá-lo como tipo de cerveja.

Verificamos que consta da busca na base do INPI dois registros em que tal procedimento foi empregado, ou seja as marcas posteriores foram concedidas tendo o termo helles em seu bojo. No entanto, a empresa titular do registro helles apresentou nulidades administrativas visando impugnar as concessões, que se encontram ainda pendentes de decisão do INPI.

As empresas que se sentirem prejudicadas podem usar os meios legais para se defenderem, sob a alegação de que outros registros já foram concedidos pelo INPI e, por ser um termo inapropriável a título exclusivo, deverá conviver com os demais do mesmo segmento.

Páscoa: Tempo de harmonização de peixes e cervejas

Está chegando a Páscoa. Para muitos a maior – se não a única – oportunidade do ano em que o peixe é a atração principal sobre a mesa. Pensando nos cervejeiros que honram essa tradição, o Guia preparou, com a ajuda de especialistas, um “menu” com boa harmonização de peixes e estilos de cerveja. Não há regras imutáveis, e sim diretrizes que devem ser observadas antes de botar a mão na massa preparando seu pescado para o feriado.

Uma das características que devem ser observadas para um bom equilíbrio é a força tanto do prato quanto da cerveja. Mesmo receitas à base de peixes podem resultar em comidas gordurosas se preparadas com queijos, creme de leite e frituras, elevando a untuosidade. “Precisamos ter, do outro lado, cervejas com força maior,  com boa carbonatação e acidez para equilibrar tudo isso”, alerta Rodrigo Sena, sommelier e professor da Escola de Cervejas BaresSP.

Segundo ele, há diferenças significativas entre as carnes de diferentes peixes. “Peixes de água salgada normalmente têm mais gordura, a carne é mais macia e com sabor mais pronunciado. Já os peixes de água doce têm carne mais magra, mais suave, que desmancha com mais facilidade na boca”, pondera ele, elencando sabor, gordura, umidade e textura como fatores importantes para a harmonização.

Peixes são, também, abundantes no que se costuma chamar de “quinto gosto” essencial, o umami. Ele é sentido por receptores específicos do aminoácido glutamato, e também deve ser considerado na harmonização. “Cervejas com maltes tostados são uma excelente opção para equilibrar o umami e realçar o sabor da carne e dos temperos”, diz Rodrigo.

Preparo e ingredientes
Além dos atributos da carne, é essencial considerar os ingredientes e o modo de preparo, que também influenciam na escolha da cerveja para a harmonização de peixes. Um exemplo muito claro é o bacalhau, que a princípio é uma carne de sabor marcante e bastante salgado.

“Se o preparamos cozido com legumes e batatas, teremos sabores bem diferentes do que se fizermos no forno com queijo gratinado. Tudo influencia: o tipo de peixe, o tempero usado, os acompanhamentos, molhos e a forma de cocção”, afirma o professor.

Por fim, é preciso estar atento a dois temperos em especial: o sal e a pimenta. Segundo Rodrigo, cervejas mais amargas, como IPAs, potencializam esses temperos, o que faz necessário certo cuidado para não deixar o prato salgado ou apimentado em excesso.

A pimenta, diz ele, tem mais uma peculiaridade: quanto maior o teor alcoólico da cerveja, mais suas características se revelam. “Você pode ter feito um belíssimo prato, mas ao escolher uma cerveja muito alcoólica você pode destruí-lo.”

Combinações
A seguir, algumas sugestões de harmonização de peixes com cervejas, escolhidas por Rodrigo Senna, sommelier e professor da Escola da Cerveja BaresSP, e pela equipe de sommeliers da cervejaria paulista Blondine.