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Bud Light faz ação com influenciadora trans e sofre ataques; entenda o caso

A Bud Light se tornou alvo de ataques de conservadores nos Estados Unidos após uma ação de marketing com Dylan Mulvaney, uma atriz, comediante e influenciadora digital trans. Ela divulgava um concurso da marca da AB InBev alusiva ao March Madness, que congrega os playoffs do basquete universitário do país, além de mostrar um presente recebido.

Dylan postou a ação no seu perfil no Instagram, rede social em que possui 1,8 milhão de seguidores. No vídeo, com menos de um minuto de duração, a influenciadora trans conta que a Bud Light lhe enviou uma lata com o seu rosto como o marco dos 365 dias de sua série “Days of Girlhood” e a exibe. “A Bud Light me enviou possivelmente o melhor presente de todos os tempos, uma lata com o meu rosto”, diz, em um trecho da publicação.

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A série documenta a transição de gênero de Dylan, sendo postada por ela em outra rede social, o Tik Tok, onde possui quase 11 milhões de seguidores. A iniciativa a tornou muito conhecida nos Estados Unidos, a ponto de ter sido recebida pelo presidente Joe Biden no ano passado.

A divulgação da ação por Dylan foi seguida por pedidos de boicote contra a Bud Light, repetindo o que já aconteceu com outras marcas com realizam iniciativas com personalidades trans. A campanha de ataques envolveu personalidades, como os artistas Travis Tritt, que prometeu tirar a marca da sua turnê musical, e Kid Rock, que publicou um vídeo no Instagram em que dispara com uma arma de fogo em packs de latinhas da Bud Light, assim com de políticos, como o republicano Dan Crenshaw.

O congressista, porém, foi ironizado, pois ao postar um vídeo em que mostrava sua geladeira sem qualquer Bud Light, deixou à vista uma cerveja da Karbach Brewing Company, marca artesanal que faz parte do portfólio da AB InBev, que possui mais de 100 rótulos, em um claro indicativo de como é difícil boicotá-la.

A ação da Bud Light e a reação a ela se dão, também, quando alguns estados do país têm legisladores propondo leis que restringem direitos de transgêneros na sociedade. Além disso, alguns analistas apontaram que o boicote proposto foi uma das razões para a queda da ação da AB InBev, que havia fechado o mês de março valendo US$ 56,47 e chegou a cair para US$ 52,65 na última quinta-feira (13).

A repercussão do caso levou a Anheuser-Busch a divulgar um comunicado, enviado à imprensa norte-americana, em que afirma buscar se comunicar com diversos públicos, muitas vezes o fazendo através da associação com influenciadores digitais.

“De tempos em tempos, produzimos latas comemorativas exclusivas para fãs e influenciadores de marcas, como Dylan Mulvaney. Esta lata comemorativa foi um presente para comemorar um marco pessoal e não está à venda para o público em geral”, diz um trecho do documento.

Posteriormente, o CEO da Anheuser-Busch e presidente da AB InBev para a América do Norte, Brendan Whitworth, divulgou um comunicado no site oficial da companhia, intitulado “Nossa responsabilidade com a América”. O texto foi interpretado como um pedido de desculpas – ou, ao menos, uma tentativa de se afastar do assunto.

“Temos milhares de parceiros, milhões de fãs e uma história orgulhosa de apoio às nossas comunidades, militares, socorristas, fãs de esportes e americanos trabalhadores em todos os lugares. Nunca pretendemos fazer parte de uma discussão que divide as pessoas. Nosso negócio é reunir as pessoas para tomar uma cerveja. Meu tempo servindo neste país me ensinou a importância da responsabilidade e os valores sobre os quais a América foi fundada: liberdade, trabalho duro e respeito mútuo”, diz.

Em seu texto, o CEO da Anheuser-Busch não cita a ação com Dylan e fala em ouvir e aprender. “Preocupo-me profundamente com este país, esta empresa, nossas marcas e nossos parceiros. Passo muito do meu tempo viajando pela América, ouvindo e aprendendo com nossos clientes, distribuidores e outros”, acrescenta.

Antes da ação com Dylan levantar críticas, a Bud Light havia indicado o desejo de se tornar mais inclusiva, para evitar a perda de participação no mercado.

“Se não atrairmos jovens consumidores para beber esta marca, não haverá futuro para a Bud Light”, disse, em março, Alissa Heinerscheid, vice-presidente de marketing da Bud Light, ao podcast Yourself at Home. Agora, ela também se tornou alvo de ataques, com pedidos para que seja demitida.

Já Dylan não teceu comentários sobre os ataques contra ela e a Bud Light, mas recentemente participou de um podcast, o Onward With Rosie O’Donnell. Por lá, avaliou ser atacada por ser o que definiu como “alvo fácil” por ter iniciado recentemente o processo de transição. “Acho que ir atrás de uma mulher trans que faz isso há 20 anos é mais difícil”, afirma.

Abralatas celebra 20 anos com alta da produção e da reciclagem; veja números

A Associação Brasileira de Latas de Alumínio (Abralatas) celebrou o seu aniversário de 20 anos com motivos para se orgulhar da sua trajetória. Afinal, nessas duas décadas, a entidade acompanhou o aumento da produção desse tipo de embalagens, do seu consumo e, principalmente, da reciclagem.

No período, a Abralatas observou o crescimento das unidades que produzem latas de alumínio no país. Esse número mais do que dobrou desde 2003, saltando de 11 para as atuais 24 fábricas. É um crescimento que atende a uma demanda por esse tipo de embalagem, com a associação apontando que 400 bilhões de unidades foram vendidas de 2003 a 2022. Isso tornou o Brasil o terceiro maior mercado do mundo para latas de alumínio, com um consumo per capita de 156 latas por ano.

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“Há 20 anos assumimos o compromisso com um modelo de produção e consumo mais sustentável, prezando pela preservação do meio ambiente. Nossas parceiras nessa jornada e nossas associadas também acreditam nesta missão e juntos trabalhamos para assegurar prosperidade ao Brasil, sempre em sintonia com as prioridades globais e focados na principal meta estabelecida pela ONU: aliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental”, diz o presidente-executivo da Abralatas, Cátilo Cândido.

A reciclagem de latas de alumínio também cresceu nesses 20 anos de atuação da Abralatas. Se em 2003 o país destinava 87% dessas embalagens para reaproveitamento, esse número agora é de quase 100%.

Segundo os dados mais recentes, em 2021, 98,7% das latas de alumínio foram recicladas, o que representa mais de 30 bilhões de unidades. Esse desempenho coloca o Brasil como referência mundial em reciclagem, à frente de países desenvolvidos, como o Japão (94% de latas recicladas em 2020) e os Estados Unidos (59,7% em 2020).

“Estamos celebrando 20 anos de conquistas e avanços importantes. Hoje, consolidados como referência mundial em relação à reciclagem, temos um país com indicadores relevantes que nos posicionam como potência da economia verde, graças a um setor que aposta em práticas socioambientais sérias para garantir a preservação dos nossos recursos naturais. O meio ambiente agradece”, diz Cândido.

E a reciclagem movimentou cerca de R$ 6 bilhões na economia no ano passado, de acordo com as estimativas da associação. Assim, o presidente-executivo da Abralatas ressalta que a trajetória nesses 20 anos foi pautada pelo avanço da atividade aliada com uma atuação também focada na sustentabilidade.

“A lata de alumínio é o exemplo perfeito de economia circular, podendo ser reciclada infinitas vezes. Além disso, é a embalagem para bebidas com a menor emissão de carbono. Ao tornar a reciclagem de resíduos uma atividade economicamente viável, a lata de alumínio favorece o reaproveitamento de materiais, economia de energia, diminuição de custos com limpeza urbana, diminuição da poluição do ar e do solo, dentre outros”, explica o presidente executivo da Abralatas.

Balcão do Tributarista: Oportunidades para a renegociação de débitos

Balcão do Tributarista: Renegociação de débitos tributários – Oportunidades para a regularidade fiscal

O governo federal instituiu, por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, de 12/01/2023, o Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal (PRLF), pelo qual estabeleceu condições para renegociação de débitos tributários junto à União. Conforme as regras do PRLF, podem ser renegociados débitos tributários que estejam em discussão administrativa e os débitos de pequeno valor em contencioso administrativo ou, ainda, aqueles inscritos em dívida ativa da União.

A negociação é possível para pessoas físicas, microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) e abrange débitos inscritos em dívida ativa há mais de um ano, cujo valor consolidado seja igual ou inferior a 60 salários-mínimos.

Dentro das possibilidades de renegociação, o PRLF permite o parcelamento dos débitos, a concessão de descontos, a utilização de créditos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa e, também, a utilização de créditos líquidos e certos próprios do contribuinte ou por ele adquiridos de terceiros.

Outra possibilidade de renegociação de débitos tributários instituída este ano é a decorrente do Edital PGDAU nº 2, de 17 de janeiro de 2023. Segundo as regras deste edital, serão concedidos descontos e prazos de pagamento conforme a classificação dos débitos quanto a sua possibilidade de recuperação e, também, levando em conta a capacidade de pagamento do contribuinte. Esta é apurada a partir de informações cadastrais, patrimoniais e econômico-fiscais entregues pelo próprio contribuinte ao Fisco ou aos demais órgãos da Administração Pública.

Atendidas as regras do edital em questão, o contribuinte poderá obter condições especiais de pagamento. Dentre elas, destacam-se a entrada facilitada, referente a 6% do valor total da dívida a ser paga em até 12 meses; e o prazo alongado para parcelamento, em até 133 prestações mensais. Ainda, é possível conseguir uma redução de até 100% sobre o valor dos juros, multas e encargo legal, obedecendo ao desconto total máximo de 70% do valor da inscrição.

Por fim, um ponto bastante benéfico destas possibilidades de renegociação é a possibilidade de utilização de precatórios para quitar ou amortizar os débitos tributários. O contribuinte pode, conforme o caso, utilizar precatórios próprios ou adquiridos de terceiros para pagamento total ou parcial do valor devido ao Fisco.

Tratam-se, portanto, de importantes ferramentas à disposição dos contribuintes neste início de ano para buscar a regularidade fiscal. O importante, como sempre ressaltamos, é que os contribuintes fiquem atentos às regras aplicáveis ao seu caso em concreto e, assim, encontrem a alternativa que melhor lhes atenda, aproveitando o máximo dos benefícios concedidos com segurança jurídica.


Clairton Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados, mestre em Direito pela UFRGS, especialista em Direito Tributário pelo IBET. Também é cervejeiro caseiro.

Recuperação judicial da Petrópolis é confirmada; o que acontece agora?

O Grupo Petrópolis está formalmente em recuperação judicial. Após a concessão de uma tutela cautelar de urgência no fim de março, a Justiça do Rio de Janeiro, através da 5ª Vara Empresarial, aceitou a solicitação realizada pela empresa, a terceira maior produtora de cervejas do Brasil.

Segundo o pedido encaminhado à Justiça pelos escritórios Galdino, Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados e Salomão, Kaiuca, Abrahão, Raposo e Cotta Advogados, o Grupo Petrópolis possui dívidas de R$ 4,2 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões com fornecedores e outros R$ 2 bilhões derivados de operações financeiras e de mercados de capitais.

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No momento em que foi concedida a medida cautelar, também havia sido determinada a liberação de recursos da companhia que estão em instituições como Banco Santander, Fundo Siena, Daycoval, BMG e Sofisa. A companhia, porém, precisou de uma outra ação para liberar R$ 70 milhões junto ao Santander para pagamento de salários.

De acordo com a decisão da juíza substituta Elisabete Franco Longobardi, a administração judicial do caso envolvendo o Grupo Petrópolis caberá à Preserva-Ação Administração Judicial e ao escritório de advocacia Zveiter.

Agora, com o pedido de recuperação judicial aceito, o Grupo Petrópolis precisa preparar um plano de reestruturação que elencará as medidas que pretende adotar e serão apresentadas aos seus credores.

Para justificar o crescimento da sua dívida, o Grupo Petrópolis relatou queda na venda de bebidas, que caiu de 31,2 milhões de hectolitros no fim de 2020 para 24,1 milhões de hectolitros no fim de 2022. Isso foi provocado pela perda de participação no mercado de cerveja: de 15,3% em 2020 para 10,6% em agosto de 2022.

Assim, a companhia ficou com capacidade produtiva ociosa em suas fábricas, além de ter sofrido com a alta de insumos e da inflação, com esses custos não sendo repassados em sua totalidade aos preços. Além disso, citou, no pedido de recuperação judicial, ter sofrido forte impacto da alta da Selic, a taxa básica de juros, que provocaria um impacto anual de R$ 395 milhões no fluxo de caixa da companhia.

Controlado por Walter Faria, o 13º brasileiro na lista de bilionários da Forbes, com R$ 3,3 bilhões, o Grupo Petrópolis, é o terceiro maior grupo cervejeiro do Brasil. Atualmente, produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Próximos passos da recuperação judicial

Diante da formalização da recuperação judicial do Grupo Petrópolis, o Guia preparou uma lista de perguntas e respostas para explicar quais são os próximos passos desse processo.

O que é recuperação judicial?
“A recuperação judicial é um dos procedimentos previstos em lei para recuperação de empresas em dificuldade financeira. A ideia é que a empresa siga com a sua atividade gerando renda e emprego, pagando imposto”, explica Felipe Granito, sócio do escritório GBA Advogados. Com esse procedimento, espera-se que se viabilize o redimensionamento das finanças da empresa, mantendo seus compromissos e os cumprindo com empregados e parceiros.

Qual é o papel do administrador judicial, indicado pelo juiz do caso de recuperação judicial?
“Ele vai participar das decisões de gestão e desenvolvimento, se comunicando com os credores, sendo uma porta de entrada para eles na empresa. E, principalmente, vai fiscalizar a empresa para verificar se não está ocorrendo alguma fraude, sonegação e evasão de valores.  Ele garante que o plano de recuperação seja executado e cumprido”, explica o sócio do GBA Advogados.

Na prática, como a recuperação judicial afeta a atividade da empresa?
A partir da decisão do juiz acolhendo o pedido de recuperação judicial, são suspensas todas as execuções e cobranças contra a empresa de suas dívidas, com um prazo inicial de seis meses, que pode ser prorrogado até que o plano de recuperação judicial seja apresentado e homologado.

Esse é um plano de pagamento de credores, de acordo com a capacidade financeira da empresa. É preciso apresentar um plano de viabilidade financeira e jurídica de pagamento dos credores. Apresentado, os credores vão avaliar se concordam com o plano

Felipe Granito, sócio do escritório GBA Advogados

Como se dá esse processo de avaliação, concordância ou rejeição ao plano de recuperação judicial?
São realizadas assembleias para aprovação ou não do plano de recuperação pelos credores, que são divididos em classes, de acordo com o tipo das dívidas, como trabalhistas, quirografárias (créditos bancários, fornecedores, prestadores de serviços, entre outros) e garantia real.

O que acontece em caso de rejeição do plano de recuperação judicial?
O plano de recuperação judicial precisa ser aprovado em todas as classes ou se dá a “convolação em falência”, ou seja, será declarada a falência da empresa. Isso só não acontecerá se o juiz impuser o plano recuperação sobre a objeção de algumas classes de credores (cram down).

Quais obrigações são impostas a uma empresa em recuperação judicial?
“A empresa precisa apresentar relatórios mensais da sua operação. Tudo o que faz, o que vende, o seu capital de giro… Isso é apresentado ao administrador judicial e, consequentemente, ao juiz”, comenta Granito.

Caso o Grupo Petrópolis seja adquirido, isso pode causar algum impacto no processo de recuperação judicial?
“Isso é possível e bem comum. O comprador incorporará todo o passivo. Consequentemente poderá quitar a dívida integralmente ou assumir a responsabilidade de pagar nas condições do plano de recuperação”, explica o sócio do GBA Advogados.

Artesanais ampliam uso de ingredientes locais e valorização da cultura

A cerveja brasileira está ficando mais nacional. Seja pelo desejo de diferenciação através da utilização de ingredientes locais, pela proximidade do que se cultiva aqui ou pelo aumento da oferta de insumos produzidos no país, o fato é que as marcas artesanais têm recorrido com maior frequência a produtos nativos, deixando seus rótulos mais “brasileiros”.

É uma transformação na indústria, com a valorização de insumos e ingredientes nacionais, com marcas artesanais utilizando produtos como madeiras brasileiras, frutas locais ou mesmo insumos, através da incipiente e crescente cultura do lúpulo, para se diferenciar em um mercado que reúne mais de 1.500 fabricantes.

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“Como tendência, penso no crescente movimento de estudo, conhecimento e introdução de matérias-primas originais dos biomas brasileiros. Das frutas exóticas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica às cepas de leveduras. Das madeiras de envelhecimento às resistentes flores de lúpulo”, afirma Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil.

Essa aposta em matérias-primas locais também se relaciona com um maior foco das marcas artesanais brasileiras em se aproximarem da gastronomia, como observa a sommelière de cervejas Bia Amorim. “Virou tendência olhar para a cerveja dentro do escopo da gastronomia, do terroir e buscar alternativas. Virou tendência usar lúpulo brasileiro, micro-organismo nacional, insumos plantados ou insumos nativos, mas ainda em pequena escala”, diz.

Na prática, a sommelière de cervejas Paula Pampillón, que recentemente esteve presente ao Concurso Brasileiro de Cervejas, uma das principais competições do setor, como jurada, destaca a percepção de como as artesanais têm apostado em ingredientes locais – e com sucesso – em seus processos produtivos, explorando sementes, madeiras e frutas nas produções. E tendo a excelência de suas cervejas reconhecida não só pelo consumidor, mas também nas avaliações realizadas pelas premiações.

“O que mais me chamou a atenção foi a utilização de insumos nacionais, enaltecendo nossa cultura cervejeira com utilização de madeiras brasileiras, frutas regionais e afins. Foi fantástico ver a nossa diversidade tão bem representada. É impressionante como há um domínio maior do processo para que essas características sejam evidenciadas e, consequentemente, avaliadas”, diz.

Lúpulo cresce
O estímulo ao uso de ingredientes nacionais na produção de cervejas também tem ganhado força por causa de um dos insumos mais importantes na fabricação da bebida, o lúpulo. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolupulo), há a expectativa de que 42 toneladas sejam produzidas em 2023.

“A tendência, como já se anunciava em 2021, são as cervejas 100% brasileiras, feitas com insumos nacionais, alavancadas pelo incremento da produção de lúpulo em diferentes estados brasileiros”, afirma a jornalista e sommelière de cervejas Fabiana Arreguy.

Esse crescimento do cultivo do lúpulo é resultado de um processo iniciado em 2015 e que hoje envolve, de acordo com a Aprolupulo, 81 projetos de cultivos no país, espalhados por 11 diferentes estados.

Penso que podemos esperar, por exemplo, avanços nos cultivares de lúpulos brasileiros. Esse movimento começou fortemente a partir de 2015 e o ciclo para resultados de viabilidade se acerca (normalmente tem duração aproximada de 7 anos)

Cilene Saorin, diretora da Doemens Akademie no Brasil

Estilo também avança
Especialistas também destacam a evolução da Catharina Sour, estilo de cerveja surgido no país em 2016 e que entrou definitivamente para o BJCP, o maior guia de estilos do mundo, no começo de 2022. O tempo, na avaliação de Guilherme Rossi, atual vencedor do Campeonato Brasileiro de Sommeliers de Cerveja, foi fundamental para a evolução das etapas do processo de produção desse estilo.

Além disso, cada vez mais marcas brasileiras vêm se arriscando na produção da Catharina Sour. Na última edição do Concurso Brasileiro de Cervejas, esse foi o quinto estilo com mais rótulos inscritos, ficando atrás apenas das IPAs, Session IPAs, APAs e Lagers.

“As Catharina Sours continuam chamando muita atenção. Deu para perceber que tinha uma grande quantidade inscrita. Foi tendência anos atrás e continua em voga, tendo um trabalho focado. O processo de se trabalhar com frutas é um grande aprendizado. O cervejeiro vai aprimorando as técnicas, os usos dos adjuntos. Vi alto nível técnico delas, em um processo de lapidação desde que o estilo nasceu”, afirma Rossi.

Menu Degustação: Festivais em SP, Comida di Buteco, inscrição na Copa Cerveja…

Passado o período da Páscoa, o público cervejeiro foi brindado com uma série de atrações para celebrar. Neste fim de semana, por exemplo, São Paulo contará com dois festivais cervejeiros. Um deles, o Festival de Cervejarias Paulistanas, reunirá 27 cervejarias independentes na Tarantino.

Já para quem prefere uma mesa com um petisco entre uma cerveja e outra, a grande pedida pode ser ir a um dos milhares de bares participantes do Comida di Buteco, que acontece em 24 cidades, com o lema “A Vida é feita de Buteco”, indo até 7 de maio.

Para as cervejarias do Nordeste, o momento é de inscrição na edição regionalizada da Copa Cerveja Brasil, que acontecerá em Salvador, durante uma semana de eventos, entre 24 e 28 de maio.

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Confira as atrações e novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Festival itinerante
Desta sexta-feira até domingo (14 a 16), o Carrefour do Cambuci, em São Paulo, será palco de um festival de cerveja artesanal itinerante, o Beerland. Serão mais de 15 estilos de cervejas artesanais à disposição do público, com o chope ficando por conta da Dr. Chopp. O evento contará com duas estações de torresmo de rolos e carnes suínas. Nas tendas, o público poderá experimentar, também, torresmo recheado, joelho de porco, rolete, picanha, contra-filé e costela fogo de chão. Além das bebidas e comidas, haverá diversas atividades, com espaço kids, competição nomeada de “Quem Bebe mais rápido”, futmesa, degustação de cervejas artesanais e oficinas de harmonização. A entrada é gratuita.

Festival de Cervejarias Paulistanas
A quarta edição do Festival de Cervejarias Paulistanas acontece neste sábado e domingo (15 e 16) na Tarantino, no bairro do Limão, em São Paulo. A entrada no evento é gratuita e as primeiras 1.500 pessoas (por dia) ganham um copo comemorativo. O festival contará com uma programação de música ao vivo, com Os Gasolines e Umburana Blues no sábado e Christine e Nacca no domingo, além de DJs. Para alimentação o evento traz pontos com pizza, churrasco e comida de boteco do Clã Destino e opções vegetarianas e veganas do Haya Falafel. As 27 cervejarias presentes no evento são: Tarantino Cervejaria, Cervejaria Dogma, Trilha Cervejaria, Croma Beer Co., Brass Brew, Cervejaria Central, La Caminera Cervejaria, Cerveja Avós, Quintal do Ó, Satirus Brewery, Cervejaria Baron, Cybeer Lab, Rivas Brewing, Cervejaria 77, Gutembeer, Nanocervejaria Zuraffa, Cervejaria Ewam, Bareô Cervejaria, Minnesota Brewing, Taru Cervejaria, Vórtex, Soma Cervejaria, Cervejaria Lote, Cervejaria Dinastia, Oca Cervejaria, Undertap e Cervejaria Pestana.

Corrida e cerveja
Na próxima terça-feira (18), a partir das 20 horas, acontecerá, em São Paulo, o primeiro “O Corre” do Let’s Hop Run, projeto que propaga a ideia de vida equilibrada para os amantes da corrida de rua e de boas cervejas. O ponto de encontro será o Behbibenn Taberna Pub, de onde o grupo partirá para a corrida, ou caminhada, de 5km pelo Tatuapé, com a linha de chegada no próprio Behbibenn.

23ª edição do Comida di Buteco
Com a declaração “A Vida é feita de Buteco”, a 23ª edição do Comida di Buteco acontece em todo o Brasil até 7 de maio, com 24 cidades participantes. Em São Paulo, foram selecionados 229 butecos. O tema dos petiscos é ervas e especiarias. Público e jurados visitam os estabelecimentos para votar em: atendimento, temperatura da bebida, higiene e petisco, elegendo os melhores. A cada edição, 20% dos butecos são desclassificados para o ano seguinte, gerando renovação e acirrando a competitividade. Desde 2016, o Comida di Buteco é realizado em duas etapas: a primeira é regional, com votação do público e jurados da própria cidade. Depois de eleitos os campeões de cada circuito, um outro corpo de jurados visita e avalia os campeões para que seja eleito o melhor buteco do Brasil. Em julho, numa festa em São Paulo, será revelado o campeão nacional.

Mês do Jazz na Goose
A Goose Island vai celebrar o mês do jazz com uma série de shows na sua brewhouse no Largo do Batata, em São Paulo, além de uma nova cerveja, a Bourbon Street. As apresentações serão sempre às sextas-feiras, começando por esta, com o show de Nanny Soul com Pedro Lima. O couvert artístico é de R$ 15. Além disso, há uma novidade no cardápio, um smash burger criado pelo chef da casa para harmonizar com a cerveja Bourbon Street, o Bourbon Smash, composto por queijo cheddar, picles, cebola crispy e molho barbecue com aroma de bourbon.

Inscrições na Copa Cerveja Brasil
A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) está com inscrições abertas para a 1ª das 5 etapas regionais da 3ª edição da Copa Cerveja Brasil, que será no Nordeste, em Salvador, na semana de 24 a 28 de maio. O concurso integra o projeto Conexão Cerveja Brasil, que a associação promove em co-realização com a MeuChope e inclui congressos técnicos e festivais de degustação para o público. A Copa Cerveja Brasil tem a coordenação da sommelière e mestre em Estilos de Cervejas Fernanda Bressiani. O julgamento seguirá as descrições do guia da Brewers Association, edição de 2022, e incluirá os estilos brasileiros Catharina Sour, Brazilian Pale Ale, Brazilian Wood and Barrel Aged, Brazilian Wood and Barrel Aged Sour Beer e Brazilian Hop Beer. O regulamento prevê que as cervejarias sejam inscritas em quatro diferentes categorias: cervejarias (com produção acima de 600 mil litros por ano), microcervejarias, brewpub e cervejaria cigana. Até 20 de abril, a taxa de inscrição por cerveja é de R$150,00 para associados adimplentes da Abracerva e R$300,00 para não associados. Desta data até 12 de maio, os valores serão de R$200,00 para associados e R$400,00 para não associados. As inscrições devem ser feitas pelo link.

Nova presidente do Vale da Cerveja
Larissa Schmitt foi eleita presidente da Associação Vale da Cerveja, entidade que reúne 17 cervejarias de 14 municípios e a Escola Superior de Cerveja e Malte, somando uma produção de 1,6 milhão de litros de cerveja por mês. O mandato da diretora da Das Bier, de Gaspar (SC), é válido até abril de 2025. O vice-presidente será Charles Ristow, da Cervejaria Belgard, de Indaial (SC).

Bolsa de estudos do Science
O Science of Beer colocou no ar seu novo edital de aplicações para bolsas de estudo parciais e integrais para grupos em situação de vulnerabilidade econômica. As ações afirmativas são válidas para os cursos de Sommelier de Cerveja; Tecnologia em Processos Cervejeiros; Beer Summit; além dos cursos EAD. Os candidatos podem ser contemplados com bolsas de 30%, 50% ou 100% do valor do curso, levando em consideração os dados de um questionário socioeconômico e a análise de uma comissão responsável. O edital do programa de ações afirmativas do Science of Beer e o questionário socioeconômico estão disponíveis no link.

Curso em Teresópolis
Em julho, entre os dias 4 e 14, o Science of Beer vai oferecer um curso intensivo em Teresópolis (RJ) de tecnologia. Entre as atividades, está incluída uma visita a uma das maiores plantações de lúpulo do país, na nanocervejaria do Grupo Petrópolis.  Ao longo do curso, serão abordados os principais ingredientes da cerveja, técnicas de produção, análise sensorial e outras temáticas.

Inscrições no Brasil Sabor
A 17ª edição do Brasil Sabor já tem data marcada para acontecer. Realizado entre os dias 18 de maio e 4 de junho, o festival, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), busca celebrar a diversidade da gastronomia brasileira, promovendo a criação de pratos especiais em restaurantes de todo o país. Neste ano, os estabelecimentos poderão se inscrever até 26 de abril. Com o tema “O Brasil de Todas as Cores”, o festival incentivará que os restaurantes participantes elaborem receitas criativas, coloridas e que deem destaques às técnicas e aos ingredientes regionais. No ano passado, 626 restaurantes, de 21 estados e 62 cidades, participaram.

Importadora do Viking Malt
A VKBRMalts assumiu a importação e distribuição exclusiva da Viking Malt, maltaria finlandesa de reconhecimento mundial no setor cervejeiro e de destilados, sendo atualmente a quinta maior da Europa. Segundo a importadora, os maltes Pilsen e Red Active chegaram no final de 2022 ao país e outros containers já embarcaram para o Brasil, com uma grande variedade de maltes especiais.

Vinho do Zé
O Zé Delivery acabou de lançar o “Vinho do Zé”. A bebida, produzida em parceria com a vinícola Miolo, chega ao aplicativo disponível em três rótulos: Rosé, Branco e Tinto.  O Vinho do Zé já está disponível nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, nesta primeira fase de lançamento, no valor de R$ 39,90.

Amstel no BBB
O influenciador e economista Gil do Vigor retornará para a casa do Big Brother Brasil e, desta vez, acompanhado dos vencedores da promoção “Amstel e Você na Casa do BBB”, que já encerrou as inscrições para a premiação principal, mas segue premiando consumidores com itens como cooler, roupão do líder, mochila dos brothers e sisters. Para se cadastrar basta comprar a partir de R$ 30 em produtos Amstel e inserir o cupom fiscal no site oficial até o dia 25, data em que termina reality. Cinco pessoas vencedoras da promoção, cada uma com um acompanhante, vão poder conhecer a casa mais vigiada do Brasil no dia seguinte da final.

Websérie com Gil do Vigor
A Amstel, também lançou os três episódios da websérie “I Am Gil in Amsterdam”, que mostra os bastidores da viagem do ex-BBB a Amsterdã. Disponível nos canais digitais do Gil do Vigor e da marca, o mini-documentário conta um pouco da história da capital holandesa e como ela se relaciona com o nascimento da Amstel, além de levar o protagonista para conhecer os processos de produção da cervejaria e também acompanhá-lo em uma jornada pela intensa vida noturna da cidade. A viagem foi um prêmio conquistado por Gil ao ganhar a prova do líder, promovida pela Amstel, na edição de 2021.

Heineken no Queremos!
A Heineken, patrocinadora oficial do Queremos!, estará presente na edição 2023, que acontece neste sábado (15), na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A marca, em parceria com a Agência Atenas, criou a ativação HNK Green The Future, estrutura futurista desenvolvida com elementos de inteligência artificial, que provoca nos visitantes a reflexão sobre festivais e cidades mais verdes. Os copos dos chopes Heineken no Queremos! serão reciclados e transformados em resina por uma cooperativa local. Esse material será comercializado junto à uma empresa especializada em pisos plásticos, garantindo que o resíduo gerado pelos copos no festival volte para a cadeia de eventos. A ação também foi realizada na edição 2022 e resultou na transformação de mais 40 mil copos de chope em 25m² de piso, que será, inclusive, utilizado no Queremos! neste sábado.

Garrafas do Lollapalooza
O Glass Is Good, programa de logística reversa do vidro descartável pós-consumo da Associação Brasileira de Bebidas, recolheu mais de 8 mil garrafas de vidro que vão retornar para serem utilizadas de diversas outras formas. Durante a semana após o festival, a equipe do Glass Is Good trabalhou para que as embalagens tivessem a destinação correta.

Atendimento automatizado
A Choperia Hop4Fun automatizou o atendimento aos clientes com a plataforma Android da TecToy. Localizado na cidade de Lorena (SP), o estabelecimento possui dois terminais de PDV T2s da marca, oferecendo agilidade no pedido e na produção, além de controle administrativo.

Aniversário do Carnívoros
Para celebrar o aniversário de dois anos da unidade de São Paulo, o restaurante Carnívoros Steak & Burger traz uma programação especial neste fim de semana. Durante o sábado (15) e o domingo (16), a casa contará com música brasileira ao vivo, promoção double chope, 10% de desconto em todos os drinks e opções de carnes, além de costela feita na parrilla com mandioca e acompanhamentos.

Cervejaria Santa Catarina fecha fábrica, demite 88 e busca terceirizar marcas

Uma das principais cervejarias catarinenses vai fechar a sua fábrica e apostará em um novo modelo de negócios para manter suas marcas ativas. A Cervejaria Santa Catarina, que agrega quatro marcas em seu portfólio, anunciou o fechamento da sua unidade produtiva em Forquilhinha, o que provocará o desligamento de 88 pessoas. E, a partir de agora, buscará licenciar as suas marcas.

A fábrica da Cervejaria Santa Catarina em Forquilhinha, onde fica a sua sede, será desativada, com o desligamento dos funcionários ocorrendo ao longo dos próximos 60 dias, período em que a companhia espera terminar de usar as matérias-primas, as transformando em produtos para serem comercializados. A empresa afirma estar construindo um processo para auxiliar na recolocação dos profissionais dispensados. Além disso, o Pub Saint Bier, anexo à unidade produtiva, continuará em atividade.

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À reportagem do Guia, o diretor executivo da cervejaria, Bruno Braviano, explicou que a decisão de terceirizar a produção, desativando a unidade, foi tomada diante de desafios encarados pela operação da fábrica, que vinha afetando custos e a competitividade da empresa.

“Era algo que já pensávamos antes da pandemia. Mas a pandemia acelerou essa possibilidade com a questão dos custos, dificuldade de preços e desafios com a operação fora de Santa Catarina, problemas que foram potencializados em função dos custos logísticos e tributários. Começamos a testar esse modelo de terceirização e consideramos os testes bons. Acreditamos que isso diminui a pressão e os custos. Foi uma decisão matemática, com a razão e com dor no coração”, diz.

A fábrica da Cervejaria Santa Catarina possuía capacidade para produzir até 500 mil litros mensais em caso de rótulos Pilsen, volume que se reduz com a adição de outros estilos ao mix. Mas a companhia não vinha conseguindo utilizar toda a capacidade, o que afetava sua atividade e saúde financeira, como explica Braviano.

“Precisamos que a fábrica fique produzindo 100% ou há uma explosão de custos e perda de competitividade. Estávamos em 80%, o que é muito perigoso para manter a empresa saudável. Desde o fim do ano passado, só mantemos a carteira, sem conseguir aumentá-la, o que é um desafio, pois operamos em multimercados”, afirma.

A Cervejaria Santa Catarina agrega, em seu portfólio as marcas de cerveja Saint Bier, Coruja, Barco e Catarina. E a ideia da companhia é mantê-las ativas através da cessão dos direitos de uso. O foco principal, no entanto, será seguir, ao menos, com Saint Bier e Coruja em atividade.

Ambas as marcas superam a barreira dos 100 mil litros de cerveja produzidos por mês, um nível relativamente raro entre as artesanais brasileiras. “As marcas vão continuar vivas, porém com outra dinâmica de negócio, com a produção e a comercialização administradas por um concessionário”, explica Braviano.

A produção dos rótulos das marcas que compõem o portfólio da Cervejaria Santa Catarina vinha acontecendo, também, nas unidades da Opa Bier e da Lassberg, em solo catarinense, e com a Stier, no Rio Grande do Sul. Por isso, elas estão à frente na possibilidade de terceirização.  

“Elas têm a preferência. Estamos em fase de negociação, temos um portfólio bem amplo, com cerca de 50 rótulos, é preciso ver o que há de interesse, o que permanece…”, diz Braviano. “A negociação também envolve questões de produção e manutenção das receitas, por exemplo”, acrescenta.

Trajetória da Cervejaria Santa Catarina

Em 2007, a Cervejaria Santa Catarina foi fundada, conquistando sucesso através da venda do chope da Saint Bier, que em 2010 começou a produzir seus rótulos. Posteriormente, Coruja, Barco e Catarina foram incorporadas ao seu portfólio.  

De acordo com o Anuário das Cervejas Artesanais de Santa Catarina, publicado no ano passado, a Saint Bier fabricava 160 mil litros de cerveja por mês, a Coruja fazia 140 mil, Catarina outros 50 mil, enquanto a Barco produzia 40 mil litros à época.

Em 2022, a Cervejaria Santa Catarina sofreu um grande baque, com a morte de Abrahão Paes Filho, seu sócio-fundador, em um acidente de trânsito, enquanto conduzia uma motocicleta de luxo na rodovia Governador Jorge Lacerda, em Criciúma.

Marketing Digital para cervejarias: Saiba a importância

Hoje vamos falar sobre a importância do Marketing Digital para as cervejarias. Afinal de contas, o aumento do volume de compras pela Internet aumentou de maneira assombrosa após o período da pandemia.

Só para você ter uma ideia, um estudo da OctaDesk em conjunto com a Opinion Box, divulgado no final de 2022, revelou que 61% dos brasileiros preferem comprar online do que em lojas físicas. E essas compras não são só de bens não consumíveis, mas de comida e bebida também.

Dessa forma, dá para ver a importância de se marcar presença na web, seja lá qual for o segmento da empresa, o que inclui as cervejarias. Pensando nisso, hoje trouxemos para você uma série de informações sobre a importância do Marketing Digital para o setor, além de dicas de como fazer isso na prática.

Portanto, continue a leitura até o fim para não perder nada importante.

O que é Marketing Digital?

Antes de tudo, precisamos reforçar o que é exatamente o marketing digital. A saber, o marketing digital se refere a todas as estratégias de marketing que são realizadas por meios digitais, como a Internet e as redes sociais. Ao contrário do marketing tradicional, que se utiliza de mídias como televisão e jornais, o marketing digital é focado em canais como o Google, Facebook, Instagram e Twitter.

Assim, o marketing digital abrange diversas estratégias, desde a criação de conteúdo para blogs e redes sociais até a realização de anúncios pagos na Internet. Além disso, o marketing digital também engloba a análise de métricas e resultados para avaliar o sucesso das campanhas.

Qual a importância do Marketing Digital para as cervejarias?

Agora que já vimos o que é conceitualmente o marketing digital, vamos falar sobre como ele se aplica no ramo das cervejarias. Já vimos como as pesquisas mostram que as vendas online (inclusive de bebidas) cresceram depois da pandemia, certo?

Mas e quem não vende online, como fica? Na verdade, mesmo que as cervejarias vendam somente de forma física, é preciso marcar presença no meio digital.

Quer uma prova disso? Outro estudo, esse realizado pela Connect Life, mostrou que 68% dos brasileiros pesquisam na Internet antes de comprar em uma loja física. Então, mesmo que a cervejaria não venda de forma digital, para se fazer conhecer pelo seu consumidor, é preciso estar na rede. Afinal, na hora de optar por esta ou aquela marca de cervejaria, quem você acha que o cliente vai escolher? Alguém de quem nunca ouviu falar ou a marca que conhece, e com quem já estabeleceu uma relação de confiança e credibilidade?

Vale lembrar que o consumo de cerveja está muito ligado à busca pela diversão coletiva, pelo lazer e entretenimento. E trabalhar esses conceitos na Internet é muito importante para qualquer segmento, pois as pessoas buscam cada vez mais isso no meio digital.

É só observar como a procura pelas melhores casas de apostas anônimas aumentou, por exemplo. A saber, segundo dados da BNL Data, o setor de apostas deve faturar R$12 bilhões em 2023, o que só mostra como as pessoas procuram por fontes de diversão e entretenimento na Internet.

Dessa forma, setores como o de bebidas alcoólicas e outros relacionados a essa área devem se adaptar à transformação digital se quiserem “fisgar” o público.

Como as cervejarias podem utilizar o Marketing Digital?

Agora que já vimos a importância do marketing digital para as cervejarias, vamos falar de como aplicar isso na prática. Acompanhe em seguida.

1. Presença nas redes sociais

A presença nas redes sociais é essencial para as cervejarias. Afinal, elas permitem a criação de uma comunicação mais próxima com o cliente, além de serem um canal importante para divulgação de novidades e promoções.

Para ter uma presença forte nas redes sociais, é importante que as cervejarias criem conteúdo relevante e interessante, que engaje seus seguidores. Além disso, é vital que as cervejarias respondam aos usuários e mantenham uma comunicação clara e transparente nas mídias.

2. Criação de um site

O site é o principal canal de vendas online, além de ser a vitrine principal da empresa na internet. Então, ter um site próprio é um exemplo da importância do Marketing Digital para as cervejarias.

Para ter um site eficiente, as cervejarias precisam cuidar da navegação, da aparência e do conteúdo. Ademais, é importante que o site seja otimizado para os motores de busca, para que a cervejaria seja encontrada facilmente na internet.

Assim sendo, para otimizar o site, é importante investir em SEO (Search Engine Optimization), que consiste em utilizar técnicas para melhorar o posicionamento da cervejaria nos resultados de pesquisa do Google.

3. Marketing de conteúdo

O marketing de conteúdo é uma estratégia para atrair e engajar público por meio da criação de conteúdo relevante e interessante. Para as cervejarias, o marketing de conteúdo pode ser utilizado para apresentar a história da marca, as curiosidades e particularidades das cervejas e a cultura cervejeira de um modo geral.

As estratégias de marketing de conteúdo podem incluir a produção de vídeos para o YouTube, publicação de posts em blogs, criação de infográficos, produção de eBooks e muitas outras opções.

4. Anúncios pagos

Os anúncios pagos na Internet podem ser uma excelente forma de aumentar a visibilidade digital das cervejarias. Afinal, elas podem utilizar as redes sociais e o Google AdWords para realizar campanhas pagas, visando atingir um público específico. Porém, é importante que os anúncios sejam bem elaborados, com conteúdo atrativo e chamadas claramente direcionadas ao público-alvo.

Conclusão

Como já dissemos, a Internet se tornou uma imensa fonte de oportunidades de negócios para qualquer segmento, e a principal para diversos deles. Desse modo, não estar presente na rede é um tiro no pé para qualquer ramo empresarial.

Ainda mais um setor tão competitivo quanto o das cervejarias. Sendo assim, não importa o tamanho da cervejaria, é essencial que o Marketing Digital seja incorporado em suas estratégias de publicidade.

Agora que você já sabe a importância do Marketing Digital para as cervejarias, compartilhe este post para que mais pessoas também saibam. E volte sempre aqui para mais informações e dicas valiosas como essas.

Exclusivo: 46% das cervejarias artesanais não tiveram lucro em 2022

Exclusivo: 46% das cervejarias artesanais do Brasil não tiveram lucro em 2022

Quase metade das cervejarias artesanais do Brasil não registrou lucro em 2022. O dado está presente em pesquisa inédita, realizada pelo Guia da Cerveja, denominada “O Ano de 2022 para as Cervejarias”, que buscou traçar um panorama sobre o cenário da indústria da cerveja artesanal no país. O trabalho apontou que 46% dos empreendimentos tiveram prejuízo ou só empataram as contas entre receitas e despesas no ano passado.

A pesquisa traça um perfil das artesanais brasileiras, abordando temáticas como localização, porte e volume de produção, apresenta resultados do ano de 2022, a partir de informações sobre vendas e outros indicadores. Também relata as perspectivas das cervejarias para 2023.

“Com esse trabalho, esperamos contribuir para a adoção de ações práticas que ajudem a fomentar o crescimento e a promover melhorias na indústria cervejeira. Acreditamos que a produção e propagação do conhecimento sobre o mercado cervejeiro é um dos pilares do desenvolvimento do setor, podendo pautar seu crescimento”, afirma Leandro Silveira, diretor de conteúdo do Guia.

Apesar de dar luz às dificuldades do setor, o levantamento, que teve o suporte técnico da Associação Brasileira de Cervejas Artesanais (Abracerva), aponta para uma tendência de recuperação: 62% das empresas participantes afirmam que apresentaram crescimento nas vendas de cerveja em 2022 na comparação com 2021. E 81% das cervejarias esperam que o ano de 2023 seja melhor em relação a 2022.

“Conhecemos os desafios e o enorme potencial de nosso segmento. A Abracerva atua em favor da cerveja artesanal em diversas frentes e ter uma pesquisa como esta é fundamental para traduzir em números essa realidade para os agentes de mercado e para reforçar nossa atuação junto ao poder público. É também um norte para nossas frentes de trabalho dedicadas a temas como tributação e sustentabilidade”, afirma Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva.

“O Ano de 2022 para as Cervejarias” também teve o apoio da Ambev, que forneceu suporte de conhecimento e gestão por meio do InPulso, um programa que estimula e acelera produtores de conteúdo independentes.

A pesquisa, quantitativa, foi realizada por meio de questionário online, com respostas coletadas entre outubro e dezembro de 2022 de 100 donos ou administradores de cervejarias.

Cerveja sobe menos do que o IPCA em março, mas alta supera 10% em 12 meses

O preço da cerveja subiu abaixo do índice geral da inflação do Brasil em março. O produto teve alta de 0,33% no varejo e de 0,37% em estabelecimentos de alimentação fora do lar, em ritmo inferior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, que foi de 0,71% no terceiro mês de 2023. Ainda assim, no domicílio, a cerveja tem inflação superior a 10% no período de 12 meses.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (11) pelo IBGE. Com a desaceleração da alta do preço da cerveja em março, a inflação do produto no primeiro trimestre de 2023 foi menor do que o IPCA, embora em um ritmo muito próximo.

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O preço da cerveja no domicílio subiu 2,08% no período de janeiro a março, enquanto o índice para o item fora do domicílio ficou em 1,80%. Já o IPCA do primeiro trimestre de 2023 foi de 2,09%.

Porém, a inflação da cerveja no período de 12 meses se manteve em nível acima da inflação oficial brasileira. O índice está em 10,15% no domicílio, com alta de 6,7% fora do domicílio. Já o IPCA ficou em 4,65%.

A desaceleração da alta do preço da cerveja em março se insere em um cenário de alta quase irrisória da inflação do grupo alimentação e bebidas, que ficou em 0,05% no mês. Assim, fechou o primeiro trimestre de 2023 em apenas 0,81%, ainda que acumule variação de 7,29% no período de 12 meses.

Foi um movimento bem diferente das outras bebidas alcoólicas em março. A inflação deste item foi de 3,10% no domicílio e de 1,69% fora do domicílio. Com esse resultado, a alta de outras bebidas alcoólicas no varejo chegou aos 3,89% no trimestre e aos 8,52% nos últimos 12 meses. Já nos bares e restaurantes, ficou em 2,47% de janeiro a março e em 7,75% no período de abril de 2022 a março de 2023.

Impactos
O IBGE explicou que o grupo transportes foi o destaque no IPCA de março, sendo responsável pelo maior impacto (0,43%) e maior variação (2,11%). A gasolina (8,33%) foi o subitem com maior impacto individual no índice de março (0,39%). O etanol (3,20%) também apresentou alta relevante.

“Os resultados da gasolina e do etanol foram influenciados principalmente pelo retorno da cobrança de impostos federais no início do mês, estabelecido pela Medida Provisória 1157/2023. Havia, portanto, a previsão do retorno da cobrança de PIS/Cofuns sobre esses combustíveis a partir de 1º de março”, explica o analista da pesquisa, André Almeida.