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Balcão Rise Beer: Falar que mulher não entende de cerveja é burrice

Balcão Rise Beer: Falar que mulher não entende de cerveja não é só preconceito, é burrice. E isso não é achismo, é ciência

Sempre que você ouvir, a partir de agora, essa história de que mulher não entende de cerveja, eu gostaria que lembrasse exatamente do que vou lhe escrever agora.

Porque, olhe, essa afirmação é de colocar os burros no chinelo.

Acompanhe aqui a linha de raciocínio e vamos construir, juntos, esse pensamento. Abre uma boa cerveja e fica aqui comigo que o papo vai ser bom.

Existem 3 coisas que me parecem ser absurdamente difíceis de se falar:
1 – Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico;
2 – Oftalmotorrinolaringologista;
3 – Caramba, essa mulher entende de cerveja mesmo!

E, repare, dizer que mulher não entende de cerveja, para mim, é equivalente a assinar um termo afirmando, assim, em letras garrafais mesmo: EU QUE NÃO ENTENDO NADA DE CERVEJA, MINHA JOVEM.

Vamos aos fatos. A ciência da análise sensorial funciona da seguinte forma: a sensação começa com um estímulo e termina com uma percepção.

Explico melhor:
Um estímulo atinge um de nossos órgãos sensoriais e, sendo estimuladas por uma gama de substâncias químicas, as terminações nervosas disparam, enviando sinais de forma específica, atravessando várias estações de processamento, inclusive podendo passar por partes emocionais até chegar à parte cognitiva do cérebro onde vai passar por uma trilha de pensamentos, lembranças, memórias, sensações e recordações afetivas até, finalmente, serem expressadas em vocabulário, em linguagem.

Vamos simplificar:
É por isso que quando você bebe uma cerveja, ela pode despertar uma memória afetiva. É por isso que quando você sente um perfume, você pode lembrar de alguém. E é por isso que você tem uma comida preferida que te faz lembrar de alguém especial.

Os sentidos químicos, que te proporcionam perceber as nuances sensoriais de uma cerveja, são extremamente antigos e primitivos. Os sinais do paladar, por exemplo, alcançam o bulbo do sistema nervoso central, uma parte super primitiva do cérebro.

Isso explica por que você não pode dizer que uma cerveja traz notas fenólicas, se você não souber o que é fenólico. E é por isso também que não basta “dar um Google” para entender, é preciso sentir. A jornada sinestésica que eu citei acima precisa acontecer.

É por esse motivo que uma música que te faz lembrar algo, pode não despertar absolutamente nada em outras pessoas, simplesmente porque essas pessoas não viveram a jornada sinestésica que você viveu.

Todos os meus alunos conhecem, por exemplo, a história de que quando ouço “Jar of Hearts” lembro-me do São João de Campina Grande imediatamente. Se você der um play nessa música irá me dizer: “Não tem nada a ver com junho, com fogueira, com forró ou com milho assado, Kyl”.

E eu vou te responder que, para mim, tem, absolutamente.

Tem a ver com as lembranças felizes que construí com meus amigos nos “esquentas” pré-Parque do Povo – lugar que acolhe o maior São João do mundo – e que foram enraizadas na minha memória, sendo a música um atalho que me leva direto para essas boas lembranças.

E é por isso que o seu caminho de evolução sensorial é único, porque ninguém além de você é capaz de trilhar essa vereda e só você é capaz de ressignificar suas trilhas sinestésicas para linguagens e vocabulários.

Todos os meus alunos são ensinados a ter inteligência sensorial, o jogador conhece o jogo pela regra, é o que sempre ensino, porque falar, até papagaio fala.

Usar os sentidos para, ativamente, degustar e apreciar uma cerveja é uma estrada individual que eu prazerosamente os conduzo, não os ensinando a repetir o que eu digo, o que eu acho, ou como eu avalio, mas os ensinando a serem experts.

E experts são esses jogadores que conhecem o jogo pela regra e que fazem lindas jogadas.

Meus caros cervejeiros e cervejeiras que estão comigo até aqui, não achem que nem por um momento eu esqueci de lhes dizer o motivo pelo qual é burrice achar que uma mulher não entende de cerveja.

Eu estou lhes explicando isso em cada uma das linhas escritas acima.

Vamos arrematar esse pensamento?

Pois bem, o que eu brevemente lhes descrevi acima é a pura ciência da análise sensorial.

Onde, em toda essa descrição, você consegue concluir que um homem, apenas por ser homem, consegue ter alguma vantagem nesse processo?

Em nenhum momento.
Pensem nisso: em nenhum momento.

E por que eu preferi falar sobre o certo e estampar o errado mesmo sem citá-lo?

Porque sou uma mulher nordestina, inteligente e avessa à burrice.

Sempre mostrei que mulher entende, sim, de cerveja, não discutindo com quem fala tais bobagens, mas mostrando na prática, ensinando a centenas de alunos, democratizando (de verdade!) o conhecimento cervejeiro e mostrando que cerveja é para gente de bem e inteligente.

Deixo aqui um brinde a cada um de meus Risers, que são meu povo, são meus alunos e para todos vocês, gente de bem e inteligente, que leram o que lhes escrevi até aqui.

Um xêro, cheers e até o nosso próximo papo.


Kylvia Cordeiro é engenheira química pela Universidade Federal de Campina Grande, sommelier de cervejas, especialista em análise sensorial e off flavors, fundadora da escola Rise Beer e criadora do método que leva o mesmo nome.

Abracerva fará eventos nas 5 regiões do país e retomará Copa Cerveja Brasil 

A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) anunciou a realização de um projeto itinerante com eventos que acontecerão nas cinco regiões do país, contemplando festival, congresso técnico e a retomada da Copa Cerveja Brasil. A iniciativa é o Road Show Cervejeiro e terá início em Salvador, na semana de 24 a 28 de maio, com a última edição em 2023 acontecendo na cidade de São Paulo, em outubro.

Além de edições regionais da Copa Cerveja Brasil, um concurso voltado para cervejarias artesanais independentes, o projeto da Abracerva terá uma série de seis eventos compostos por congressos técnicos e festivais. A realização do Road Show Cervejeiro está alinhada ao posicionamento da associação de buscar atuar nacionalmente em prol da cerveja artesanal, com eventos, ações de relacionamento governamental, participação em fóruns e conselhos.

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“Assumimos o compromisso de levar cultura cervejeira de Norte a Sul do Brasil, o que é um desafio enorme em um país de dimensões continentais. Por isso, faremos o Road Show, com edições em cada região brasileira, entre maio e outubro deste ano”, explica Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva,

A busca pela regionalização se repetirá na Copa Cerveja Brasil, que, em sua retomada, contará com edições regionais. “O novo formato era uma demanda dos nossos associados e traz como vantagens o menor custo logístico e a valorização das identidades regionais”, destaca Giba.

A Abracerva explica que haverá uma edição nacional final da Copa Cerveja Brasil, em outubro, na capital paulista. Será a volta da competição, que teve sua primeira edição em 2018, em Brasília, ocorrendo no ano seguinte em Vitória, com 700 cervejas inscritas.

O Road Show Cervejeiro terá início na capital baiana, depois seguindo, ao longo do ano, para Belém, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, até o fechamento em São Paulo. Nessas cidades, acontecerão congressos com palestras técnicas e de gestão, encontros com representantes do poder público, rodada de negócios e treinamentos para profissionais e empreendedores de cervejarias e pontos de venda, que serão realizados por especialistas das regiões, da Abracerva e seus parceiros. O objetivo é difundir cultura e conhecimento sobre cerveja artesanal para consumidores e formadores de opinião.

O circuito técnico, educativo, competitivo e de degustação conta com patrocínio máster da startup MeuChope. A empresa também atuará na promoção das cervejarias locais com realização do MeuChope Festival um evento de degustação para o público.

“Nessa parceria quem ganha é o todo mercado cervejeiro. Mas principalmente as pequenas cervejarias do Norte e Nordeste que muitas vezes não têm espaço nos eventos cervejeiros nacionais”, diz Augusto Sato co-CEO da startup.

Lei põe bares na luta contra assédio às mulheres em SP; veja como será

O olhar, o toque sem consentimento, as propostas incômodas, o constrangimento, a perseguição, a humilhação, o medo… Cerca de 46,7% das mulheres brasileiras de 16 anos ou mais sofreram alguma forma de assédio sexual em 2022, o que representa quase 30 milhões de mulheres. Já o número estimado de casos de estupro no país por ano é de 822 mil, o equivalente a dois por minuto, uma situação crítica que afeta as mulheres e motivou a criação de uma lei, no estado de São Paulo, para que funcionários de bares e outros estabelecimentos atuem para protegê-las.

Os dados, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentam um contexto que a recém-sancionada Lei 17.635/2023 espera ajudar a combater. Ela estabelece que funcionários de bares, restaurantes, boates e estabelecimentos similares recebam treinamento para identificar e inibir condutas de assédio sexual e estupro contra mulheres dentro desses ambientes.

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Ter uma lei de proteção às mulheres contra o estupro e assédio em bares e restaurantes é importante, pois os dados da pesquisa do Ipea mostram que  8% (5,1 milhões) das mulheres já sofreram tentativa de abusos por estarem alcoolizadas e 11,2% das entrevistadas, o que corresponde a 7,2 milhões de mulheres, foram abordadas de maneira agressiva, isto é, alguém tocou no seu corpo sem consentimento durante uma balada ou uma festa.

Publicada em 18 de fevereiro, a lei prevê que gestores e responsáveis pelos espaços terão 60 dias para se regularizarem. Para estarem de acordo com a legislação, será preciso que os estabelecimentos promovam, ao menos, uma capacitação anual. Fora isso, a lei ainda determina que os estabelecimentos tenham cartazes com indicação de quais trabalhadores estão aptos a auxiliar as mulheres em situação de risco dentro desses ambientes.

No caso de descumprimento, a lei prevê que os responsáveis possam ser punidos de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, aplicáveis na forma de seus artigos 57 a 60.

 “Apoiamos a lei, ela é razoável. O assédio não é uma agressão só contra o cliente, é uma agressão também contra a casa, o proprietário e seus trabalhadores, que estão ali para fazer uma coisa legal, correta e não toleram esse tipo de conduta de cliente algum”, comenta Percival Maricato, diretor institucional da seccional de São Paulo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, a Abrasel SP.

Para ele, essa conduta de combate ao assédio e ao estupro é algo que precisa ir além da obrigatoriedade da lei. “Nós achamos que é obrigação de todo mundo, inclusive de proprietários e bares de restaurantes, contribuir para ter uma sociedade mais civilizada e mais respeitosa”.

Fabio Francisco, sócio fundador do grupo BaresSP, também considera a lei essencial. “A gente é a favor, sim, e vê que os bares estão se preparando com mais instrução e mais treinamento interno. É mais uma coisa conceitual, do que fazer, em que momento agir, o que fazer quando acontecer, porque às vezes a brigada não está preparada para isso. Acontece algum episódio e ela pode não agir da melhor forma”, diz.

Para que os estabelecimentos não tenham problemas com a nova lei, a escola da Abrasel SP já está trabalhando com seus professores em treinamentos, que serão repassados a funcionários e proprietários dos bares e restaurantes. A direção da associação em São Paulo também realizou reuniões sobre o tema e prepara cursos e palestras.

Para os treinamentos aos colaboradores, a Abrasel SP já realizou um debate com advogado e um delegado de polícia com instruções das ações dentro da lei. “(Foi abordado) O que não pode, como pode, o que é conveniente, como tratar uma pessoa que é agredida, como a pessoa agredida poderá ter acesso a alguém do estabelecimento. Enfim, tudo que é necessário para interpretar algo que está ocorrendo e buscar uma solução”, diz o diretor institucional da Abrasel SP.

O BaresSP também iniciou suas ações e vai promover o Encontro de Mulheres, que buscará reunir suas associadas para compartilhar histórias, conhecimentos e experiências do mundo do empreendedorismo. O evento foi agendado para a próxima segunda-feira (13) e contará com palestras e debates sobre a lei.

“Estamos nos movimentando com isso. Uma advogada especialista e uma delegada vão falar disso e como trabalhamos nesse momento em relação a essa lei. Então, estamos preparando bastante documentos e conteúdo para munir os estabelecimentos e que eles consigam passar essas instruções para os colaboradores”, conta o sócio-proprietário do BaresSP.

Dados alarmantes
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que a conduta mais frequentemente citada em casos de assédio sexual foi a cantada e os comentários desrespeitosos na rua, experimentados por 4 em cada 10 mulheres (26,3 milhões).

Além disso, todas as oito formas de assédio listadas apresentaram crescimento de 2021 para 2022. Também em comparação com as pesquisas anteriores, todas as formas de violência contra a mulher tiveram aumento acentuado.

Já o Ipea, a partir do dado de 822 mil estupros anuais no país, calculou que apenas 8,5% dos estupros são identificados pela polícia e 4,2% pelo sistema de saúde.

Outras leis
Se a violência contra a mulher no Brasil é um problema sério, diversas são as leis que buscam prevenir, coibir e aumentar a proteção da mulher. Algumas delas são: Lei Maria da Penha (Lei 14.310, de 8 de março de 2022, que modificou a 11.340, de 7 de agosto de 2006); Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015); Lei do Minuto Seguinte (Lei 12.845/2013) e Lei Joana Maranhão (Lei 12.650/2015).

Caso sofra algum tipo de violência, a mulher pode ligar para a Central de Atendimento à Mulher, no Ligue 180, criado a partir da Lei 10.714/2003, além do Disque 100, que recebe, analisa e encaminha denúncias de violações de direitos humanos.

Ambev está otimista para 2023, mas ação cai 2% após balanço; veja análises

A Ambev está otimista em relação às perspectivas para 2023, de acordo com relato do CEO Jean Jereissati durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2022, mas, ao que parece, quem atua no mercado não tem a mesma expectativa. Afinal, a ação da companhia desvalorizou nos dois dias seguintes à apresentação do balanço na última semana.

No quarto trimestre de 2022, a Ambev teve lucro líquido de R$ 5,083 bilhões, além de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 7,109 bilhões e receita líquida de R$ 22,693 bilhões, em um resultado puxado especialmente pelo Brasil, com o volume de cerveja chegando aos 26,605 milhões de hectolitros no país.

Esse volume não só representou uma alta de 4% na comparação com o quarto trimestre de 2021 como foi recorde para a Ambev, sendo um dos destaques do balanço, assim como o lucro líquido de pouco mais de R$ 5 bilhões, cerca de 30% acima da estimativa de alguns dos principais analistas.

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Ainda assim, a recepção do mercado financeiro ao balanço da Ambev não foi boa. Da cotação de R$ 13,47 em que havia fechado a última quarta-feira (1), véspera da apresentação do resultado do quarto trimestre, caiu para R$ 13,13 ao fim da quinta, desvalorizando 1,93%. E terminou a sexta valendo R$ 13,11.

O CEO da Ambev, porém, está otimista, tanto que praticamente abriu a teleconferência de resultados com analistas declarando que começou 2023 “mais confiante do que estava em 2022”. E o motivo para isso é a expectativa de que a empresa sofra menor pressão sobre os custos ao longo desse ano, embora os efeitos tenham persistido no primeiro trimestre.

Essa possibilidade, esperada em função da queda dos preços das commodities, seria um sinal importante para ajudar a aumentar a rentabilidade da Ambev. “Testemunhamos inflação significativa nos últimos anos. Mas agora não há mais essa desconexão. Estamos vendo aumento contínuo de receita, enquanto a inflação das commodities e com despesas está em queda”, declara Jereissati.

Essa redução da alta dos insumos também deverá contribuir para a estratégia de rentabilidade da Ambev, pois a companhia explica que tem evitado repassar integralmente a alta dos custos nos últimos anos, concentrando os reajustes de acordo com a cesta de produtos dos consumidores. “Desconectamos preços dos custos, olhando mais para o consumidor. Vamos manter essa estratégia, tentando entender renda disponível, força de marca e demanda”, diz Jereissati.

Perspectiva para as marcas
A Ambev também acredita que pode aumentar a sua participação de mercado, especialmente com as marcas Brahma Duplo Malte, surgida nos primeiros meses da pandemia, Spaten, que quase dobrou o seu volume entre o quarto trimestre de 2021 e o último de 2022, e Corona.

“Com a reabertura, houve a consolidação da Duplo Malte. Está ajudando a rejuvenescer toda a franquia da Brahma, o que beneficiou as nossas principais marcas”, afirma Jereissati. “Estamos investindo para que Corona se torne a principal marca premium do Brasil”, acrescenta.  

E a Copa?
A alta do volume de 4%, embora tenha permitido uma venda recorde de cerveja para a Ambev em um trimestre, foi menor do que a esperada por analistas para os três últimos meses de 2022, período que coincidiu com a disputa da Copa do Mundo. Na apresentação de resultados, Jereissati estimou que a influência do torneio no volume de cerveja da Ambev foi de 1,5%. E ressaltou o efeito negativo da eliminação do Brasil nas quartas de final ao declarar que o peso poderia ter chegado a 2,5% caso a seleção tivesse avançado à final no Catar.

Americanas
Os executivos da Ambev aproveitaram a teleconferência de resultados para comentarem sobre o que classificaram como “ruídos” envolvendo a empresa. A referência se dá em função de preocupações com a situação da empresa, especialmente porque três dos seus principais acionistas – Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles – são os mesmo da Americanas, que no início de 2023 teve revelado um escândalo contábil.

A situação ganhou mais intensidade com a publicação de uma matéria pelo site da revista Veja em que a CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, afirmava que a Ambev poderia ter inconsistências em suas demonstrações financeiras, geradas por manobras envolvendo a atuação na Zona Franca de Manaus. Na época, o Guia explicou a situação, que está contabilizada em documentos da empresa, em reportagem.

“Houve muitos ruídos que nada tem a ver conosco”, diz Jereissati. “Litígios tributários em questões envolvendo a Zona Franca de Manaus devem durar anos”, acrescenta Lucas Lira, diretor de relação com investidores da Ambev. “Se colocarmos as distrações de lado, nosso negócio está indo bem”, conclui Jereissati.

Confira quatro análises sobre o resultado financeiro da Ambev e a expectativa para os próximos meses:

Ativa Investimentos
“A Ambev reportou resultados levemente acima do esperado nos volumes, mas ainda sente pressão nas margens. Vemos a companhia entregando o melhor que pode para ganhar participação e contornar os efeitos macroeconômicos. No curto prazo, acreditamos que a empresa ainda seguirá enfrentando cenários desafiadores, porém, enxergamos a empresa entregando fortes resultados no longo prazo, trazendo iniciativas digitais e se mantendo resiliente frente às dificuldades impostas”.

Bradesco BBI
“A ação deve se beneficiar da queda dos preços das commodities, apesar de uma defasagem de 12 meses entre preços spot de commodities e o que se reflete em seus resultados, e preços resilientes de cerveja que devem, combinados, levar a expansão de margem acima do consenso nos próximos anos”.

BTG Pactual
“O lucro de R$ 5 bilhões superou nossa expectativa em 19% e aumentou 38% na comparação com 12 meses atrás devido à grande reversão do imposto de renda após a distribuição de juros sobre capital próprio”.

“Os volumes de cerveja cresceram 4% ante um ano, abaixo das expectativas mais baixas, sugerindo que os ganhos de participação de mercado foram interrompidos, enquanto preços abaixo do esperado levaram a uma perda de 12% do Ebitda na margem inferior”.

“Acreditamos que a qualidade dos ganhos fracos, os riscos da reforma tributária e uma contribuição crescente da Argentina apoiam nossa visão de que a história de rebaixamento continuará”.

XP Investimentos
“Ambev relatou um trimestre positivo com o tão esperado, embora ainda tímido, foco nas margens, mesmo que isso sacrifique o crescimento de volume. Conforme declarado pela empresa, essa tendência deve continuar em 2023, favorecida por uma acomodação dos custos”.

“Após a recente performance negativa da ação, em nossa opinião não relacionada aos fundamentos da empresa, esperamos uma recuperação no desempenho”.

Balcão Beersenses: A diferença entre chope e cerveja é cultural

Rodrigo Sena Beersenses

Balcão Beersenses: A diferença entre chope e cerveja é cultural e não técnica

Há uns 7 anos, fui almoçar em uma churrascaria, num sábado ensolarado, perto do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. O dia estava perfeito para comer churrasco acompanhado de uma cerveja gelada. Então, eu perguntei ao garçom o que ele tinha de cerveja na casa. Eis que ele me respondeu que não tinha nenhuma cerveja, só tinha chope.

Me lembro bem desse dia porque esse fato gerou uma discussão na mesa: mas, afinal, qual a diferença entre chope e cerveja? Isso aconteceu muito antes de eu me aprofundar no estudo cervejeiro, antes de eu me tornar sommelier de cervejas profissional com certificação em tecnologia cervejeira. Então, na época, a dúvida ficou no ar.

Mas, depois de anos de estudo, eu finalmente consigo responder a essa dúvida de maneira direta: não existe diferença técnica entre chope e cerveja. O que existe é uma questão cultural brasileira ao usar o nome chope.

Tecnicamente, chope e cerveja são a mesma bebida
Os ingredientes usados são os mesmos, o processo de produção é o mesmo, a tecnologia é a mesma. Sim, tecnicamente, chope e cerveja são a mesma bebida, mas, nós aqui, no Brasil, nos acostumamos a chamar de chope aquela cerveja que está nos barris e é servida sob pressão via torneiras. E ainda dizemos que chope não é pasteurizado. Bem, pretendo esclarecer esses pontos a seguir.

Chope só existe no Brasil
Para mim, particularmente, essa questão cultural deve ser respeitada, mesmo sendo tecnicamente equivocada. Para nós, culturalmente aqui no Brasil, a diferença entre chope e cerveja é a forma de serviço. Em outros países há também termos diferentes para identificar a cerveja que é servida sob pressão em torneiras, como a expressão beer on tap (cerveja na torneira) muito usada nos EUA, ou draugh beer na Inglaterra (algo como cerveja fresca) ou ainda o nome fino que é muito usado em Portugal para pedir o que nós aqui chamamos de chope. 

Mas, de fato, o termo chope só é usado aqui no Brasil. É bem possível que algum brasileiro desavisado já tenha ido a algum bar mundo afora e pedido um chope e tenha recebido uma cara de dúvida infinita do garçom. Aliás, isso deve acontecer muito.

Acredita-se que o termo tenha origem em um antigo dialeto alemão onde a palavra schoppe significava caneca. Essa palavra, por sua vez, é derivada de outro termo, schoppen, que é uma unidade de medida de aproximadamente meio litro – mais ou menos como o pint, em inglês, que também é uma unidade de medida.

Uma das teorias é a de que os imigrantes alemães, aqui no Brasil, quando queriam cerveja pediam um schoppe, e então os brasileiros, ouvindo aquilo, passaram a entender que aquele era o nome da cerveja que estava nos barris. Outra teoria diz que o nome chope teria sido criado na França e depois migrado para o Brasil. Eu, particularmente, acho que as duas teorias podem ter acontecido, concomitantes, inclusive.

A propósito, vale ressaltar que a forma correta de se escrever na língua portuguesa é chope, e não chopp. Aliás, o termo chopp em alemão significa picar. Acho que não deve ter muito a ver com cerveja…

A definição legal do chope
Há uma grande confusão técnica, na minha modesta opinião, na definição legal do que é chope no Brasil. O entendimento oficial por aqui é de que cerveja é pasteurizada e chope, não, como diz a instrução normativa 65, do Ministério da Agricultura, que regulamenta a produção e a venda de cerveja no país:

A expressão ‘chopp’ ou ‘chope’ é permitida apenas para a cerveja que não seja submetida a processo de pasteurização, tampouco a outros tratamentos térmicos similares ou equivalentes”, diz o parágrafo 5 do artigo 2 da regra.

Além de usar uma palavra que não existe na língua portuguesa, essa norma é confusa e tecnicamente equivocada, na minha opinião. Se formos seguir a regra, qualquer cerveja que seja pasteurizada e colocada em barris não pode ser chamada de chope, da mesma forma que qualquer cerveja envasada em garrafas e latas que não seja pasteurizada pode ser chamada de chope.

Mas isso é um erro técnico, já que existem cervejas que são colocadas nos barris e são pasteurizadas, assim como existem cervejas que vão para a garrafa que não são pasteurizadas. Portanto, dizer que chope não é pasteurizado e cerveja, sim, é confundir tudo.

E essa confusão chega até o dia a dia das pessoas, pois a grande maioria acha que a diferença entre chope e cerveja é a pasteurização. E, como vimos, é um equívoco pensar assim. Prefiro pensar na diferença única e exclusivamente pela forma de serviço, o que deixa as coisas tecnicamente mais corretas.

Bem, e depois de saber de tudo isso, você também pode ter suas próprias conclusões. Chame de chope ou chame de cerveja, o importante é que a bebida seja boa. Saúde, meus amigos!


Rodrigo Sena é jornalista, sommelier de cervejas especializado em harmonizações, técnico cervejeiro, criador de conteúdo para o YouTube e o Instagram @beersenses

Por fábrica em Minas, Heineken sela acordo com MP e fará ações ambientais

O Grupo Heineken firmou um Termo de Acordo Positivo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a realização de ações ambientais em razão da instalação de uma fábrica da cervejaria em Passos. As iniciativas serão feitas por causa intervenção em fragmento vegetal de aproximadamente 1 hectare na localidade.

Pelo acordo, o Grupo Heineken se comprometeu a desenvolver programa permanente de recuperação e conservação florestal de áreas com função hídrica – preferencialmente em parques e reservas da região – por meio do fomento de viveiros para produção de mudas de espécies nativas dos biomas locais, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica. O trabalho também será fortalecido com o incentivo de iniciativas e organizações locais.

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Em outra iniciativa, a cervejaria passará a fazer parte do Programa Produtor de Águas da Agência Nacional de Águas, apoiando o Projeto Bocaina de Pagamento por Serviços Ambientais, que atua junto às propriedades rurais localizadas na bacia que abastece a população de Passos. Serão três frentes de trabalho: conservação e recuperação da cobertura vegetal natural; conservação do solo e da água; e saneamento ambiental rural. Além da melhoria na qualidade e quantidade da água, a iniciativa gera renda para os pequenos agricultores mediante o pagamento por serviços ambientais.

“Os compromissos assumidos estão alinhados entre as partes envolvidas com o objetivo único de proteger o meio ambiente e desenvolver a região. Entendemos que quaisquer discussões em torno das políticas e práticas de preservação ambiental são extremamente importantes para garantir os avanços urgentes dessa agenda. Queremos fazer parte da solução, trabalhando em conjunto com especialistas, órgãos reguladores e com toda a sociedade”, afirma Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos do Grupo Heineken.

A companhia se comprometeu a utilizar energia elétrica proveniente 100% de fonte renovável, com o uso de 100% de combustíveis renováveis para a produção de vapor, o que já havia sido anunciado quando da definição de Passos para receber a fábrica.

O Grupo Heineken também se comprometeu com a construção de um sistema de abastecimento hídrico que permitirá a ampliação da infraestrutura de disponibilidade e captação de água existente em Passos.

Como anunciado anteriormente, a cervejaria irá incentivar o uso de energia elétrica renovável pela população de Passos, através do Programa Energia Verde. A iniciativa permite que moradores tenham acesso à energia renovável por meio de usinas sustentáveis como fazendas solares a partir de um cadastro digital na plataforma da marca, sem necessidade de instalação em casa.

A cervejaria afirmou, ainda, que pretende apoiar cooperativas de catadores da cidade e iniciativas locais de logística reversa de vidro, fomentando a cadeia da reciclagem. E, por meio do Instituto Heineken, a empresa prevê impactar positivamente mais de 80 jovens em situação de vulnerabilidade para promover uma relação mais equilibrada com a bebida alcoólica.

Vistoria e viabilidade
As ações agora acordadas ampliam as medidas que haviam sido determinadas para adoção quando da autorização de intervenção ambiental e do licenciamento ambiental conferidos à cervejaria. Além disso, essas medidas não alteram ou substituem obrigações impostas como condicionantes de licenças e atos autorizativos ambientais já concedidos, assim como não interferem no regular exercício do poder de polícia administrativa dos órgãos competentes.

Anteriormente, em vistoria da área que será impactada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e a equipe do Ministério Público mineiro apontaram ausência de função ecológica do fragmento de vegetação e atestaram a viabilidade ambiental do empreendimento.

A equipe do Instituto Prístino, que colaborou com o MPMG, após perícia técnica, apontou, em posicionamento, que “o fragmento não se classifica como vegetação secundária em estágio médio de regeneração, melhor se amoldando, mesmo em uma abordagem conservadora, a estágio inicial de regeneração, atestando, igualmente, a ausência de relevância ambiental no fragmento de Mata Atlântica em questão”.

“Sabemos da importância desse empreendimento para Minas Gerais no tocante à geração de emprego, renda e desenvolvimento. Estamos diante de um acordo que prevê proteção ao meio ambiente e permite que atividades econômicas sejam realizadas. O Ministério Público atua na solução de problemas com o objetivo de garantir segurança jurídica para quem deseja empreender”, diz Jarbas Soares Júnior, procurador-geral de Justiça.

Além do Grupo Heineken e do MPMG, o documento também foi assinado pela Advocacia-Geral de Minas Gerais e pela Semad, ambas representando o governo estadual.

Início das atividades e escolha de Passos
Ainda que sem uma data anunciada, a construção da fábrica do Grupo Heineken deve se iniciar ainda em março, tendo previsão de inauguração em 2025. A cervejaria em Passos empregará 350 pessoas, além de gerar aproximadamente 11 mil empregos indiretos, e produzirá marcas puro malte, como Heineken e Amstel.

Passos abrigará a primeira planta industrial da companhia em Minas Gerais após vencer a concorrência de mais de 200 outras cidades mineiras que se candidataram a receber a fábrica, tendo sido escolhida a partir de critérios como disponibilidade hídrica, desenvolvimento socioeconômico local, além de facilidade logística.

A sua escolha ocorreu em abril de 2022, meses após o Grupo Heineken desistir de construir uma fábrica em Pedro Leopoldo. A unidade industrial ficaria localizada nas proximidades da área onde está um importante sítio arqueológico, o Lapa Vermelha, onde foi encontrado Luzia, considerado o fóssil humano mais antigo das Américas. O impacto que a obra teria nesta área de preservação ambiental e arqueológica chegou a paralisar o início das atividades de construção no local, levando o caso para a Justiça.

Agora, para a sua instalação em Passos, o Grupo Heineken já tem a licença ambiental aprovada pelo Conselho Estadual de Política Ambiental, órgão colegiado, normativo, consultivo e deliberativo, subordinado à Semad em Minas Gerais. Porém, ainda precisa da anuência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Carnaval provoca alta no faturamento e busca por reconexão com jovens

O primeiro carnaval sem restrições e realizado no período usual do ano desde 2020 trouxe resultados positivos para bares, restaurantes, comércios em geral e a indústria da cerveja. De acordo com diferentes estimativas, houve crescimento de até 20% no faturamento em comparação com o carnaval do ano anterior, uma expansão também ancorada na estratégia de reaproximação das marcas com o público jovem.

A retomada do carnaval nas ruas, que levou as pessoas a ocuparem algumas das principais cidades brasileiras, provocou alta relevante no consumo de cerveja e na receita de quem as vende. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que antes da folia esperava aumento de 30% no faturamento dos estabelecimentos, avaliou que os números não foram tão altos. Mas ressalta que, ainda assim, foram expressivos.

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O crescimento nas receitas chegou aos almejados 30% para Pernambuco, ficando em 20% no Rio de Janeiro, na comparação com 2022, e em 10% para Minas Gerais. “Foi um desafogo para muitos que ainda sofrem com o endividamento e outros efeitos da pandemia que ainda atingem nosso setor”, destaca Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

A associação avalia que a falta de mobilidade acabou sendo um desafio durante o carnaval, mas destacou que pequenos empreendedores foram aqueles que mais aproveitaram a volta do carnaval às ruas.

“Como prevíamos, o carnaval trouxe movimento aos bares e restaurantes em todo o Brasil. O impacto nas cidades turísticas é mais evidente, mas no geral houve uma adesão muito grande da população à folia de rua, pois foi a primeira sem restrições de nenhuma espécie desde 2020. Os pequenos negócios, que são maioria do setor, se beneficiaram muito disso”, diz.

Esse cenário positivo também foi percebido em uma pesquisa da Linx, empresa de tecnologia para o varejo, apontando que os comércios de bairro e lojas de conveniência tiveram crescimento de 19% no faturamento durante o carnaval, na comparação com 2022.

Essa expansão nas vendas foi liderada por bebidas alcoólicas. De 18 a 22 de fevereiro, 52% dos produtos vendidos por esses estabelecimentos foram bebidas alcoólicas, com a cerveja sendo a mais procurada. E o crescimento foi possível com a expansão do carnaval de rua.

“O aumento do faturamento dos mercados de proximidade é reflexo de um Carnaval que já volta a ocupar as ruas após o controle da pandemia de Covid-19. Neste ano, além das principais capitais liberarem os bloquinhos, houve uma maior descentralização das festas, que chegaram com mais força nos bairros”, afirma Samuel Carvalho, diretor da vertical de mercados de proximidade e conveniência na Linx.

Grandes marcas
A retomada do carnaval, com as festas se espalhando pelas ruas e bairros das cidades, também foi alvo de iniciativas das grandes cervejarias. A Ambev realizou várias ações de marketing antes e durante a folia, como lançamentos de produtos, patrocínios a blocos, camarotes e mesmo às cidades.

Na linha de frente, esteve a Brahma, como destacou Jean Jereissati, CEO da Ambev, durante a teleconferência de resultados da companhia, nesta quinta-feira (2). “Foi definitivamente o carnaval da franquia Brahma, que teve abrangência nacional e presença nas mídias tradicional, social, com ambulantes e nos pontos de venda”, afirma.

Com forte estratégia de marketing para a Brahma, o que incluiu o lançamento de uma latinha que estampava o rosto de Zeca Pagodinho e a ida de Gisele Bündchen ao seu camarote na Marquês de Sapucaí, a Ambev acredita que a sua marca conseguiu dialogar com o público. “Vimos no carnaval a Brahma se reconectando com o jovem, algo que não acontecia há algum tempo”, acrescenta Jereissati.

Após um fim de 2022 e início de 2023 com muita chuva, o carnaval teve, exceto por São Paulo, tempo bom e temperaturas em linha com a tradição do mês de fevereiro, o que também levou o JP Morgan, em relatório divulgado na sequência da festividade, a prever uma alta de 3% no volume de cerveja no Brasil para o primeiro trimestre na comparação com o mesmo período de 2022, quando ficou em 22,011 milhões de hectolitros.  

O relatório do JP Morgan também apontou que as cervejas da Ambev foram aquelas com menor variação nos preços em fevereiro na comparação com Grupo Heineken e Grupo Petrópolis, ficando entre alta de 6% e queda de 3%. Na outra ponta, o Grupo Petrópolis foi aquele com maiores descontos, chegando a até 13%.

A estratégia da Ambev no carnaval também teve outros focos, sendo um dos principais o aplicativo Zé Delivery, que pouco oscilou os seus preços em fevereiro – a variação do valor médio em relação a janeiro não foi além dos 3%, de acordo com o JP Morgan.

Outra frente da Ambev no carnaval foi ir além da cerveja e se aproximar do consumidor mais jovem, com o lançamento da CaipiBeats, uma espécie de caipirinha enlatada. “A franquia Beats trouxe a inovação mais quente da temporada, a CaipiBeats”, lembra Jereissati. “Foi muito bom ver que alcançamos uma população mais jovem e mais mulheres”, conclui.

Menu Degustação: Apoio ao litoral norte paulista, eventos em Campinas…

O mês de fevereiro foi marcado por muita folia pelo país, mas também pela tragédia no litoral norte paulista, onde as fortes chuvas deixaram centenas de famílias sem casas e tiraram a vida de dezenas de pessoas. Na tentativa de ajudar quem passou por essa desesperadora situação, o Zé Delivery lançou uma campanha com verba revertida à ONG Gerando Falcões, com um valor será destinado para a reconstrução de moradias das famílias.

Em outras frentes, passado o carnaval, vários eventos irão rechear a agenda cervejeira ao longo das próximas semanas. Será assim em Campinas (SP), com mais uma edição da Champions Beer e nova celebração do St. Patrick’s Day, assim como em Blumenau (SC), com o Festival Brasileiro da Cerveja e outros encontros em uma semana toda dedicada à cerveja.

Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Ajuda no litoral norte paulista
As fortes chuvas no litoral norte paulista deixaram comunidades em situação de calamidade, além de terem provocado dezenas de mortes e destruição na região. Pensando em uma forma de somar esforços no apoio à população do litoral paulista, o Zé Delivery se uniu à ONG Gerando Falcões, e incluiu no seu aplicativo um botão exclusivo para doações. O botão possibilita que a doação seja realizada no momento da finalização de um pedido ou até mesmo sem o consumidor ter realizado nenhuma compra. A cada R$ 1 doado, o aplicativo da Ambev doará mais R$ 1. 

Choperia do Lugui em Piracicaba
A Choperia do Lugui, que faz parte do novo posicionamento de marca da rede Quiosque do Lugui, acaba de inaugurar sua primeira unidade em Piracicaba (SP). Conforme a rede, a diferença entre o modelo de negócio quiosque e choperia é que esse último conta com um espaço mais amplo. No local, o cliente tem direito a chope em dobro em qualquer horário. Também há drinques no cardápio, como é o caso das caipirinhas do Lugui e do mojito. 

Visitação na Krug Bier
A Experiência Krug Bier estará disponível para o público no primeiro sábado de março, dia 4, e de abril, dia 1º, em Nova Lima (MG). É um passeio guiado e interativo pelas instalações da Krug Bier para quem deseja conhecer de perto como a cerveja é produzida em um passeio guiado e interativo. A visita tem a duração média de uma hora e, ao final, o participante ainda poderá fazer compras na loja da fábrica, que tem uma variedade de produtos exclusivos, além de cervejas e chopes. Quem adquirir o ingresso, ganha o Kit Experiência Krug Bier, com uma sacola, uma taça exclusiva, uma carta de cervejas e um cartão com R$ 20 de crédito para degustação na fábrica.

Livro da Krater
A editora Krater publicou um novo livro cervejeiro. Agora, “A Evolução da Cerveja em 50 Estilos”, da autora Natalya Watson, percorre a linha do tempo do uso do lúpulo na cerveja e leva o leitor através dos momentos históricos que transformaram a cerveja em bebida complexa e saborosa.

Cartilha de refrigeração
A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), por meio do Departamento Nacional de Refrigeração, lançou a cartilha de boas práticas “A refrigeração e a sua relação com a eficiência energética”. A publicação visa disseminar informações sobre a relação entre refrigeração e eficiência energética em ambientes que utilizam equipamentos de refrigeração, propondo ajudar pequenos e médios comércios a conduzir seus negócios de maneira sustentável, considerando aspectos financeiros e ambientais.

Minisséries para cursos
A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) lançou um curso gratuito e ao vivo, chamado Como Fazer Cerveja em Casa. Com ele, se inicia o projeto de minisséries, desenvolvido pela instituição. Serão quatro cursos, no primeiro semestre, compartilhando conhecimento sobre vários aspectos da cerveja artesanal. As aulas começam em 14 de março e seguem por quatro terças-feiras, sempre das 19h às 21h.

Viagem internacional com o Science
O Science of Beer colocou à venda pacote para a Viagem de Estudos Cervejeiros 2023, com destino à Europa e marcada para o período de 15 a 25 de setembro O roteiro passa pela Bélgica e Alemanha para conhecer cervejarias, pubs e mosteiros seculares. Também haverá visita às fazendas de lúpulo e à Oktoberfest de Munique.

Selo de qualidade
Cervejarias da região metropolitana de Florianópolis serão certificadas com o selo de qualidade Beer Sensory, criado especialmente para as empresas associadas à União Cervejeira. A entidade, que reúne 20 cervejarias, anunciou a parceria com o Science of Beer para realização das análises. O instituto vai analisar sensorialmente as cervejas, o que implica em etapas como evocar, medir, analisar e interpretar reações das características das bebidas para gerar parâmetros controláveis de qualidade para o consumidor.

Champions Beer
O Champions Beer chega a sua 7ª edição. O evento será realizado de 10 a 12 e de 17 a 19 de março no estacionamento do Galleria Shopping, em Campinas, com entrada grátis em toda a área reservada e nos shows. Ao todo, 14 cervejarias confirmaram presença e o público poderá provar e comparar as especialidades de Daoravida, Campinas, Barossa, Tábuas, Blacaman e Landel, todas sediadas em Campinas, da Bierinbox, de Paulínia, da Marés, de Americana, das piracicabanas Leuven, A Tutta Birra e Green Fish, da Berggren, de Nova Odessa, da Madalena, de Santo André, região do ABC paulista, e da Brewto’s, de Vargem Grande Paulista. O visitante terá a oportunidade de eleger a melhor cerveja. 

Saint Patrick’s Day
Também em Campinas, nos dias 17, 18 e 19 de março, acontecerá o Saint Patrick’s Day com a presença de 25 cervejarias artesanais do polo cervejeiro da região metropolitana de Campinas na Praça Carlos Gomes. As cervejarias confirmadas são: Blacaman, Campinas, Daoravida, El Coyote, Garimpero, GBK Barossa, Landel, Maali, St Kitts, Stormy, Tábuas, Tesla, The Brews, Toca da Mangava e IB, todas de Campinas;  Kalango, Hopbeer, Seven Hands, de Americana; Seo Carneiro, de Holambra; Donnerstag, Itaici, de Indaiatuba; Bierinbox e Sonora, de Paulínia; Grifo e Gravetos, de Valinhos.

Índice de equidade
O Grupo Heineken se juntou a outras 484 empresas como membro do Índice Bloomberg Gender-Equality (GEI) de 2023. Trata-se de um selo que mede a igualdade de gênero dentro das organizações considerando cinco pilares: liderança e banco de talentos, igualdade de remuneração entre gêneros, cultura inclusiva, políticas contra assédio sexual e imagem da marca.

CataFolia
Durante a celebração do carnaval, o Pimp My Carroça e o Cataki se uniram ao Instituto Heineken e à Amstel para realizar o CataFolia, projeto de gestão dos resíduos recicláveis com catadoras e catadores individuais de São Paulo. Entre 11 e 20 de fevereiro foram mais de 150 profissionais contratados, que receberam uma diária fixa e o proporcional relativo à venda de cerca de 2,6 toneladas de material reciclável coletado. A CataFolia esteve em quatro blocos do carnaval de rua de São Paulo, com a coleta dos resíduos recicláveis, como latinhas, garrafas PET, capas de chuva, copos plásticos e outros materiais.

Louvada faz alegria de crianças
A Louvada doou mais de 200 bolas para crianças que vivem em situação de vulnerabilidade social, em Cuiabá. A ação solidária fez parte da 10ª edição do Amigos pela Solidariedade, partida de futebol realizada na capital do Mato Grosso e que contou com ex-atletas, como Petkovic e Acelino Popó, para arrecadar donativos para instituições beneficentes. 

14º Festival Brasileiro
O Festival Brasileiro da Cerveja chega a sua 14ª edição e vai acontecer na próxima semana, de quarta-feira até sábado, no Parque Vila Germânica, em Blumenau. O evento ocorre dentro da Semana da Cerveja Brasileira, que começa neste domingo e compreende também a Feira Brasileira da Cerveja, o Congresso Internacional da Cerveja, no mesmo período, e o Concurso Brasileiro de Cervejas. Fora do parque Vila Germânica ocorrerão a Conferência Internacional de Concursos Cervejeiros, no próximo domingo (5), às 9h, na Câmara de Vereadores de Blumenau, e a entrega da Comenda da Cerveja Brasileira, na mesma data, às 19h30, no Moinho do Vale.

Cerveja Blumenau no festival
A Cerveja Blumenau preparou uma programação especial para o período do Festival Brasileiro da Cerveja. Além das visitas guiadas pela produção, de segunda-feira até domingo, acontecerão degustações especiais na adega da marca Mestres do Tempo. Um bar será montado antecipando as novidades que estarão no festival, vão acontecer brassagens colaborativas com outras cervejarias e os visitantes ainda poderão aproveitar um outlet na loja de fábrica, com preços especiais. Na terça-feira, a cervejaria realiza a segunda edição do BBQ & Beer, um evento que reúne especialistas em churrasco com receitas e harmonizações para degustação do público.

Schluck Licores no festival
A Schluck Licores, criadora do primeiro licor de lúpulo no país, terá um espaço no Festival Brasileiro onde estarão disponíveis, além dos licores, drinques que se relacionam com o universo da cerveja. A fábrica de licores produz receitas trazidas pelos imigrantes alemães que colonizaram a região e itens, criados com foco em experiências contemporâneas e coquetelaria.

4.085 amostras no Concurso Brasileiro
A 11ª edição do Concurso Brasileiro de Cervejas, que acontecerá entre segunda e quarta-feira (6 e 8 de março) contará com 4.085 amostras, inscritas por 565 cervejarias (12% a mais que no certame do ano passado) de 25 estados brasileiros. As cervejas Best of Show do concurso terão inscrição gratuita no Brussels Beer Challenge, na Bélgica, e no European Beer Star, na Alemanha. E as medalhas de ouro, prata e bronze nas categorias Italian Grape Ale e Sour Italian Grape Ale terão inscrição gratuita no concurso mundial de Italian Grape Ale, na Itália.

Inscritas da Das Bier
A Das Bier levará ao Concurso Brasileiro da Cerveja 14 rótulos, incluindo três não alcoólicos, dentre esses a recém-lançada IPA sem álcool. A marca contará ainda com as já premiadas Pilsen, IPA e a Kaffee Bier sem álcool, todas detentoras das medalhas de bronze e ouro no concurso de 2022. Também estará presente a Australian Pale Ale sem álcool, ganhadora da prata no Brasil Beer Cup do ano passado. Nesse ano, a comissão ainda terá à disposição para avaliar os outros rótulos da marca, como as cervejas Stout, Weizen, Catharina Sour e uma Bock produzida através da parceria com o restaurante Biergarten Pomerânia.

Verallia na feira
A Verallia apresentará sua gama de garrafas para o mercado cervejeiro durante a Feira Brasileira da Cerveja. Entre os destaques que serão mostrados aos fabricantes de bebidas estão as garrafas one way de 300ml e 600ml na cor âmbar, embalagem altamente usada pelas cervejarias artesanais, e a long neck de 355ml nas cores âmbar e verde, pertencentes à categoria Ecova, que alia redução de impactos ambientais e qualidade.

Patrocínio da MeuChope
A Semana da Cerveja Brasileira contará com patrocínio master da MeuChope, startup capixaba de tecnologia cervejeira. A empresa leva para o evento seu aplicativo proprietário, uma carteira digital de tomadores de cervejas artesanais, que permite o pagamento em centenas de estabelecimentos e também nos principais encontros cervejeiros do Brasil. Também durante o evento, a MeuChope lança um pacote de incentivo de R$ 5 milhões para que bares e restaurantes de todo o país façam as primeiras compras na MeuChope Marketplace, estimulando o consumo regional e artesanal.

Ambev tem alta de 4% na venda de cerveja no Brasil no 4º tri e lucra R$ 5,1 bi

A Ambev teve lucro líquido de R$ 5,083 bilhões no quarto trimestre de 2022, com alta de 35,7% em relação ao mesmo período de 2021, um resultado puxado especialmente pelo mercado brasileiro, que apresentou crescimento de 4% no volume de cerveja vendida no período no país. Os dados fazem parte do balanço financeiro da companhia, divulgado nesta quinta-feira (2).

De acordo com o documento, o volume total orgânico da Ambev no quarto trimestre cresceu 1,5%, para 52 milhões de hectolitros. O ritmo foi maior no Brasil, com as altas de 4% das vendas de cerveja, chegando aos 26,605 milhões de hectolitros, e de 6,6% entre as bebidas alcoólicas.

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A Ambev também relatou crescimento de 21,5% da receita líquida no quarto trimestre, para R$ 22,693 bilhões, com o Ebitda ((lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficando em R$ 7,109 bilhões, uma expansão orgânica de 27,4%.

Na apresentação dos resultados, a Ambev afirma que o desempenho foi “impulsionado principalmente pelo crescimento da receita líquida por hectolitro (“ROL/hl”) de 19,7% no 4T22”.

Brasil e demais regiões
De acordo com a Ambev, os resultados alcançados no Brasil no quarto trimestre foram provocados pelo “retorno contínuo das ocasiões de consumo fora de casa combinado com a execução da nossa estratégia comercial durante a Copa do Mundo”.

A Ambev também ressalta que as marcas premium lideraram a alta do volume de cerveja da companhia no país, com crescimento acima de 20% de Original, Chopp Brahma, Stella Artois e Corona. “As marcas core permaneceram resilientes, entregando um crescimento de volume de um dígito médio”, afirma, também citando que a Spaten quase dobrou seu volume em relação ao quarto trimestre de 2021.

O balanço também destaca o desempenho do Zé Delivery, com a entrega de mais de 16 milhões de pedidos nos últimos três meses de 2022, além de contar com 4,8 milhões de usuários ativos mensais, um crescimento anualizado de 17%.

O relatório ainda cita que o BEES, plataforma da Ambev voltada aos pontos de venda, tem 74% dos seus clientes como compradores do marketplace, tendo uma receita bruta digital de R$ 1,3 bilhão.

Por outro lado, o balanço financeiro da Ambev no quarto trimestre de 2022 evidenciou que a operação fora do Brasil continua sendo o principal desafio da companhia, tanto que o volume total orgânico recuou 5,4% no Canadá no período e 1,6% na chamada América Latina Sul.

Como foi 2022
O balanço do quarto trimestre da Ambev também traz os dados consolidados da companhia no ano passado, com lucro líquido de R$ 15,167 bilhões. A companhia teve alta de 3% no volume total, chegando aos 186 milhões de hectolitros. Só no Brasil, foram 94,043 milhões de hectolitros vendidos, um crescimento de 3,5%.

Além disso, houve expansão de 13,5% no lucro líquido e de 17,1% no Ebitda ajustado na comparação com 2021, para R$ 14,891 bilhões e R$ 23,770 bilhões, respectivamente.

A Ambev diz que o resultado foi “impulsionado pela receita líquida por hectolitro (+16,3%), impulsionado por marcas mais saudáveis, premiumização e inovação, bem como à execução disciplinada de nossas iniciativas de gestão de receita”.

A companhia, porém, reconhece ter encarado “ventos contrários” em 2022, provocados pela alta dos preços das commodities e da inflação em geral, o que causou alta do CPV, o custo por produto vendido, e do SG&A, os custos combinados de operação da empresa. O CPV subiu 23,8% e o SG&A, 18,5%. Em Cerveja Brasil, o CPV por hectolitro ficou em 16,6%.

A Ambev também relata ter fechado o ano de 2022 com R$ 11,535 bilhões de caixa líquido, frente aos R$ 15,411 bilhões de 2021.

Como será 2023
Ao comentar sobre as perspectivas para 2023, a Ambev destacou que reforçará o foco em ganhar mais receita pelo litro de cerveja vendido do que em aumentar o volume comercializado, o que indica uma estratégia de maior atenção às marcas premium.

“Em 2023, à medida que procuramos manter nosso momentum de receita líquida construído nos últimos três anos, esperamos que nosso crescimento da receita seja mais impulsionado pelo desempenho da receita líquida por de hectolitro do que pelo volume”, diz em seu relatório.

Não será diferente no Brasil, onde a Ambev também centra suas atenções na comercialização de produtos pelo seu aplicativo. “No Brasil, trabalharemos para manter o momentum, continuando a desenvolver nossas marcas core plus e premium, trazer inovação para a categoria e ampliar o BEES e o Zé Delivery, que continuarão a ser fundamentais para os negócios de Cerveja e NAB”, afirma.

Também no documento, a Ambev revela esperar ter menor pressão dos custos dos insumos em 2023. “Assumindo os preços atuais das commodities, esperamos que nosso CPV por hectolitro excluindo depreciação e amortização em Cerveja Brasil aumente entre 6-9,9% (excluindo a venda de produtos de marketplace não-Ambev), mais ponderado no primeiro semestre do ano, dada a calendarização dos hedges de commodities”, diz.

AB InBev
A quinta-feira também foi dedicada à divulgação do balanço da AB InBev. Na maior cervejaria do mundo, houve declínio de 0,6% no volume no quarto trimestre, na comparação anualizada, para 148,775 milhões de hectolitros. No ano, porém, houve expansão de 2,3%, para 595,133 milhões de hectolitros.

Além disso, os principais dados financeiros apresentaram alta. A AB InBev teve lucro líquido de US$ 2,844 bilhões, ante US$ 1,962 bilhão do mesmo período do ano passado.

A receita nos últimos três meses de 2022 foi de US$ 14,668 bilhões, com um crescimento anualizado de 10,2%. Já o Ebitda normalizado fechou o período em US$ 4,947 bilhões, tendo expansão de 7,6%.

Bares e restaurantes criam mais de 150 mil vagas em 2022 e salários sobem 9,6%

O setor de bares e restaurantes abriu mais de 150 mil empregos em 2022. O dado é uma estimativa apresentada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) a partir da mais recente edição da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE, através do recorte do grupamento Alojamento e Alimentação.

Esse grupo teve um saldo positivo de 181 mil empregos em 2022, sendo que bares e restaurantes representam 85% dos estabelecimentos desse segmento. Assim, o segmento fechou 2022 com 5,34 milhões de trabalhadores, o maior índice para o último trimestre do ano desde 2019, quando eram 5,75 milhões de pessoas empregadas.

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O presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, acredita que o saldo de empregos em bares e restaurantes pode até ser superior às 150 mil vagas, citando a grande procura por trabalhadores por esse tipo de estabelecimento para a temporada de verão.

“O número de contratações pode ser ainda maior, uma vez que esses dados não refletem completamente as movimentações feitas durante a temporada de verão, que é tradicionalmente um período de grande demanda para o setor de bares e restaurantes”, diz Solmucci.

Também de acordo com os dados da PNAD Contínua, o salário médio do grupo com bares e restaurantes foi maior do que a média nacional. O ganho ficou em 9,6% no ano passado, enquanto a média geral foi de 8,3%, com o salário médio sendo de R$ 1.820,00. O percentual também está acima da inflação oficial do ano passado, o IPCA, que ficou em 5,79%.

E os bares e restaurantes poderão fazer mais contratações ao longo de 2023, de acordo com recente pesquisa da Abrasel. No levantamento, que ouviu 1.748 empreendedores, 33% deles disseram que pretendem aumentar o quadro de funcionários em 2023. Outros 46% esperam manter o quadro, enquanto apenas 13% esperam reduzir o número de funcionários.

 “Apesar de mostrar resiliência, o setor sofre os efeitos da pandemia e da falta de um programa robusto de recuperação por parte do governo. Mais da metade dos estabelecimentos não consegue ainda trabalhar com lucro, o que é muito preocupante”, pondera Solmucci.

O cenário é confirmado pela pesquisa da Abrasel, apontando que 19% das empresas do segmento de bares e restaurantes continuam trabalhando com prejuízo, o que se deve a dívidas, custo de folha e inflação, sendo que outras 47% tiveram lucro e 34% ficaram em equilíbrio no ano passado.