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Grupos cervejeiros revendem artesanais para fundadores nos EUA

Nos Estados Unidos, o mercado de cervejas artesanais e especiais parece não ser mais tão atraente quanto outrora para as principais companhias do setor de bebidas. Recentemente, a Constellation Brands anunciou a venda da Funky Buddha, da Califórnia, para seus antigos proprietários, assim como a Four Corners Brewing, de Dallas, foi readquirida junto ao grupo pelos seus fundadores. Seguindo o mesmo caminho, a Anheuser-Busch revendeu a Appalachian Mountain Brewery and Cidery para seus criadores.

As negociações indicam que as cervejas artesanais não são mais tão lucrativas quanto na década passada nos Estados Unidos, quando uma série de aquisições havia sido fechada. A desaceleração desse mercado está levando grandes grupos cervejeiros a reverem suas estratégias, aproveitando também o desejo de recompra dos proprietários originais.

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A Funky Buddha foi fundada em 2010 em Boca Raton pelo casal Ryan e Giani Sentz. Posteriormente, o irmão de Ryan, KC Sentz, e sua esposa, Melissa, ingressaram no negócio.

Em 2017, no entanto, a cervejaria foi adquirida pela Constellation Brands, o terceiro maior grupo cervejeiro dos Estados Unidos, que possui marcas como Corona Extra, Corona Light, Modelo Especial, Modelo Negra e Pacifico. Agora, a Constellation decidiu se concentrar nesse portfólio, abrindo mão de suas marcas artesanais.

“A inovação em bebidas sempre foi nossa maior força, e Ryan e sua equipe têm algumas ideias incríveis em andamento. À medida que nos aproximamos do nosso 10º aniversário, parece ser o momento perfeito para o nosso negócio evoluir e reacender a paixão da comunidade por bebidas artesanais”, diz KC Sentz.

“Gostamos de trabalhar com a Constellation e aprendemos muito com eles. À medida que embarcamos no próximo capítulo, planejamos ultrapassar os limites e criar experiências de consumo totalmente novas com cerveja e além. Estaremos servindo boas vibrações na torneira por muitos anos”, acrescenta Ryan Sentz.

A Four Corners, por sua vez, foi fundada por três amigos, George Esquivel, Greg Leftwich e Steve Porcari, em 2012, no oeste de Dallas, sendo adquirida pela Constellation em 2018. O crescimento da marca, no entanto, foi freado recentemente, tanto que dados apontam uma produção inferior em 2022 em comparação com o ano da sua aquisição. Agora, ela volta para as mãos de seus criadores.

A Anheuser-Busch também realizou uma venda. A Appalachian Mountain Brewery and Cidery foi recomprada pelos seus fundadores originais, os primos Nathan Kelischek e Chris Zieber, da Anheuser-Busch. Localizada no oeste da Carolina do Norte, a cervejaria foi fundada em 2011 e é considerada uma das principais marcas de cerveja artesanal do estado.

Em 2014, a Appalachian Mountain fechou uma parceria com a Craft Brew Alliance para aumentar sua produção e distribuição, e esta última a adquiriu em 2018. Em 2021, a CBA passou para a Anheuser-Busch. No entanto, agora o gigante cervejeiro vendeu a Appalachian Mountain Brewery and Cidery de volta para seus fundadores.

“Estamos gratos por termos passado os últimos dois anos como fundadores ativos no portfólio de cervejarias artesanais da Anheuser-Busch e queremos agradecer às pessoas da AB, incluindo nossos colegas fundadores de cervejarias artesanais, pelo apoio, colaboração e amizade que desfrutamos durante nosso tempo juntos”, disseram os novamente proprietários da Appalachian Mountain.

Nova norma da ABNT sobre produção de cervejas está em consulta; participe

Com o intuito de garantir a qualidade e a segurança dos produtos cervejeiros, encontra-se em andamento uma consulta nacional sobre a nova norma brasileira (NBR) referente à produção de cervejas. O projeto intitulado “ABNT NBR 17098 – Produção de cervejas – Requisitos de boas práticas de fabricação e controles operacionais de processo” está aberto para contribuições até a próxima segunda-feira (12).

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como objetivo primordial estabelecer diretrizes que assegurem a qualidade e a padronização dos produtos e serviços em diversos setores da indústria. Nesse sentido, a nova NBR busca definir requisitos fundamentais de boas práticas de fabricação e controles operacionais de processo na produção de cervejas.

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A consulta está aberta para participação de qualquer pessoa interessada, o que dá a oportunidade para toda a cadeia cervejeira influenciar o conteúdo da norma, pontuando inconsistências, propondo novas redações ou até mesmo supressões.

Todas as contribuições recebidas durante o período de consulta serão avaliadas pela equipe responsável pelo projeto. Esse processo de análise visa aprimorar o documento final de acordo com a realidade e as necessidades do setor cervejeiro.

Assim, participar desta consulta é uma maneira de contribuir ativamente para a evolução das boas práticas de fabricação de cervejas no Brasil, além de influenciar diretamente a futura norma técnica. Para ter acesso ao documento completo do Projeto ABNT NBR 17098 e participar da consulta, basta realizar um cadastro e acessar o projeto através do link.

O que é?
Os documentos técnicos da ABNT são voluntários e não incluem requisitos contratuais, legais ou estatutários, não substituindo leis, decretos ou regulamentos, mas podem ser objeto de citação em regulamentos técnicos.

Os estabelecimentos de produção de cerveja devem seguir procedimentos higiênico-sanitários, bem como implementar e manter as boas práticas e os procedimentos operacionais padronizados, em exigências que estão em vigor por meio de legislações sanitárias no país.

Assim, a norma, que está em fase de consulta, estabelece os requisitos para as boas práticas e os controles operacionais de processo a serem seguidos por estabelecimentos que queiram comprovar e documentar que produzem cervejas em condições higiênico-sanitárias adequadas para o consumo e com processos controlados, de forma a garantir a padronização da bebida fabricada.

Ela se aplica a todos os estabelecimentos que realizem atividades como fabricação, envase, armazenamento e expedição de cervejas fabricadas para o consumo, independentemente do tamanho e da complexidade. A norma pode ser utilizada por todos os estabelecimentos que queiram assegurar e demonstrar que as boas práticas e os controles operacionais do processo estão implementados e mantidos de acordo com os requisitos da norma, assim como por aqueles que buscam uma avaliação da conformidadedas boas práticas higiênico-sanitárias e de controles operacionais do processo.

Após alta no 1º trimestre, fabricação de alcoólicas perde força e cai 10,8%

Após um começo positivo de ano, com crescimento de 5,5% no primeiro trimestre, a fabricação de bebidas alcoólicas registrou queda de 10,8% em abril, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa desaceleração também foi observada na produção industrial brasileira, que teve um declínio de 0,6% de março para abril, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Apesar da queda do indicador em abril, a fabricação de bebidas alcoólicas acumula um salto de 1,3% no ano. No acumulado dos últimos 12 meses, porém, o indicador ficou negativo em 0,3%.

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O recuo no ritmo da atividade no quarto mês do ano também foi observada na produção de bebidas não alcoólicas, com o segmento registrando uma variação negativa de 3,0%. Apesar do desempenho, a variação acumulada no ano ainda permanece positiva, em 2,4%. Já nos últimos 12 meses, o crescimento é de 5,5%.

De forma geral, a fabricação de bebidas teve um desempenho fraco em abril, com uma queda de 7,2% em relação ao mesmo período de 2022. No acumulado do ano, o indicador está em 1,8%. Entretanto, nos últimos 12 meses, o número ainda é positivo, com um aumento de 2,5%.

Com queda de 3,6% em relação ao mês anterior, a produção de bebidas contribuiu negativamente para a atividade industrial brasileira, que recuou 0,6% de março para abril. No mês anterior, o setor havia apresentado um avanço de 1,0%, interrompendo dois meses consecutivos de queda. Ou seja, neste ano, houve avanço da atividade em apenas um dos primeiros quatro meses.

Em comparação com abril de 2022, a indústria teve uma retração de 2,7% no seu ritmo de produção. No acumulado do ano, há uma queda de 1,0% e, nos últimos 12 meses, uma variação negativa de 0,2%. Com esses resultados, a indústria ainda está 2,0% abaixo do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,5% abaixo do ponto mais alto da série histórica, alcançado em maio de 2011.

Duas das quatro grandes categorias econômicas e 16 dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram recuo na produção. Entre as atividades, as influências negativas mais significativas vieram do setor de produtos alimentícios (-3,2%).  

“Diferentemente dos últimos três meses do ano passado, quando tivemos um saldo positivo acumulado de 1,5%, no início de 2023 há uma maior presença de resultados negativos. Em abril, observamos uma maior disseminação de quedas na produção industrial, alcançando 16 dos 25 ramos industriais investigados. Esse maior espalhamento de resultados negativos não era visto desde outubro de 2022”, analisa o gerente da pesquisa, André Macedo.

Balcão da Fabiana: Temos de nos comunicar melhor sobre consumo responsável

Balcão da Fabiana: Consumo responsável – Precisamos comunicar melhor essa pauta

É muito comum em entrevistas com pessoas do segmento cervejeiro no Brasil nos depararmos com a frase: beba menos, beba melhor.

Essa espécie de mantra, embora bonitinho, se mostra totalmente afastado da realidade quando o comparamos com a prática. É discurso vazio, uma vez que dizemos uma coisa e fazemos totalmente o inverso.

A começar pelo modelo de eventos que o segmento das artesanais tem seguido ao longo dos anos. É sempre um festival ou feira com dezenas de cervejarias vendendo outra dezena de rótulos. Multiplicando o número de rótulos em oferta em tais eventos podemos ter mais de 120 cervejas oferecidas em um mesmo local ao mesmo tempo. Pensem comigo: mesmo que o consumidor queira apenas provar todas as cervejas presentes, digamos que tomando 50ml de cada uma, ao final ele terá bebido 6 litros da bebida. Sem contar que dificilmente ele conseguirá ser servido com apenas essa quantidade, afinal nem todos os eventos trabalham com o sistema de porcionamento mínimo. Em quase todas as cervejarias querem vender um copo inteiro, com no mínimo 300ml, o que é justo porque é a venda dos produtos que sustenta as empresas.

Outra situação em que a frase “beba menos, beba melhor” é esvaziada de verdade são as festas open bar. Aí é que a coisa desanda mesmo. Ao chegar à festa o convidado recebe seu próprio copo e é solto na selva, diante de inúmeros bicos e torneiras, podendo servir-se à vontade de tudo o que ali é oferecido. Não dá nem para criticar a pessoa que se deslumbra com tanta fartura. Até eu, ou você que me lê, cai nessa armadilha.

Sem contar os cervejeiros e profissionais do segmento que se mostram em público trocando as pernas, falando embolado, sendo inconveniente por ter bebido demais. Onde está o menos e melhor nesses casos?

Acho que o assunto é sério e cada vez mais precisamos ter consciência de nossa responsabilidade em incentivar o consumo responsável. É uma questão de saúde, de promoção da qualidade de vida. Não quero ser hipócrita, já que trabalho divulgando o mercado, mas tenho me sentido bastante incomodada em ser a incentivadora de um consumo exacerbado.

Não estaria na hora de repensarmos o modelo dos eventos que promovemos? Não seria o caso de alardearmos mais as cervejas sem álcool? Não poderíamos discutir amplamente o que significa beber menos para beber melhor?

Pensemos nisso. A tendência mundial é a busca de uma vida saudável, se não adaptarmos nosso discurso, mas principalmente a prática, vamos ficar ultrapassados, correndo o risco de corromper a imagem de uma cultura milenar como é a cerveja.


Fabiana Arreguy é jornalista e beer sommelière formada em 2010, pela primeira turma da Doemens no Brasil, através do Senac SP. Produz e apresenta, desde 2009, a coluna de rádio Pão e Cerveja, sendo editora de site com o mesmo nome e autora de livros. É curadora de conteúdo, consultora de cervejas especiais, proprietária da loja De Birra Armazém Cervejeiro, além de professora do Science of Beer Institute e do Senac MG, assim como juíza dos principais concursos cervejeiros brasileiros e internacionais.

Há um ano na CBCA, Unicorn busca se firmar em SP e mira outros mercados

Há um ano fazendo parte do portfólio da Companhia Brasileira de Cervejas Artesanais (CBCA), a Unicorn tem passado por ajustes envolvendo estratégia e portfólio. O objetivo é ganhar espaço no mercado de São Paulo e, posteriormente, buscar expandir sua presença, especialmente em Santa Catarina, onde pretende se tornar mais relevante.

O portfólio da CBCA, que já contava com as marcas Schornstein, Leuven, Seasons e The Drummer, foi reforçado com a incorporação da Unicorn em junho de 2022, por meio da fusão com a Startup Brewing, incluindo também a fábrica. E após um ano, a Unicorn já representa uma parcela significativa das vendas totais da CBCA.

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Durante esse período, o foco principal tem sido posicionar os estilos da Unicorn em conjunto com o portfólio da CBCA, evitando sobreposições entre os produtos das diferentes marcas, o que é fundamental antes de buscar um aumento de escala. “Estamos satisfeitos com os resultados, e a Unicorn já representa 10% das vendas totais da CBCA”, afirma Gustavo Barreira, CEO da companhia.

A CBCA enxerga a Unicorn como uma marca jovem, irreverente e descontraída, que agrega valor ao seu portfólio, sendo que já possuía uma presença significativa no mercado paulistano de artesanais antes de se juntar ao grupo.

“Sempre vimos a Unicorn como uma marca muito bem trabalhada e com grande potencial, especialmente na região da cidade de São Paulo, onde éramos concorrentes antes da aquisição”, comenta Barreira.

Assim, a CBCA pretende aproveitar sua participação na capital paulista para expandir ainda mais e levar a Unicorn também para o interior de São Paulo. Para isso, estão investindo tanto na venda direta ao consumidor, com chope, acreditando que isso fortalece a marca, quanto buscando espaço nas redes de varejo. “A participação em eventos também é uma forma de fortalecer a marca e aumentar sua presença junto ao consumidor final”, acrescenta o CEO.

Com o intuito de ampliar sua presença em alguns mercados, a CBCA está conduzindo estudos para adotar a precificação correta para as cervejas da Unicorn. Além disso, seus responsáveis estão intensificando a produção dos rótulos de sucesso da marca, tanto para aumentar sua participação no mercado paulista quanto para conquistar novos consumidores, como em Santa Catarina.

“Nossos planos são finalizar o ajuste de estilos, levando em consideração questões relacionadas à precificação correta, e intensificar a presença de alguns produtos de sucesso, como é o caso da NEIPA. Queremos que a marca se torne relevante no estado de São Paulo e, em breve, expandir sua presença para Santa Catarina, especialmente em Florianópolis e no Vale Europeu”, diz Barreira.

O estudo sobre o portfólio envolve a manutenção das características históricas da Unicorn, oferecendo estilos de cervejas de “entrada” com preços médios, mas também explorando a criação de cervejas mais elaboradas. O que não muda é a identidade da marca, com rótulos estampados pela figura do excêntrico Mr. Unicorn, o personagem central da série de cervejas da marca, retratado como um empresário de sucesso que atua como consultor pessoal no cenário das cervejas artesanais.

“Estamos estudando variações de NEIPA e IPAs com diferentes lupulagens, sem perder o drinkability que é a principal característica das cervejas da Unicorn”, conclui o CEO, que viu, já sob a gestão da CBCA, a Unicorn conquistar cinco medalhas, sendo duas em concursos nacionais e três em disputas sul-americanas.

Ninkasi se torna primeiro viveiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil

O Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis (RJ), alcançou um reconhecimento inédito ao se tornar o primeiro certificador de mudas de lúpulo no Brasil. A certificação é distribuída pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), inserindo o viveiro no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem).

As mudas certificadas atendem aos padrões de qualidade estabelecidos pelas leis de sementes e mudas. Elas são produzidas sob o controle de uma entidade certificadora credenciada pelo Mapa, caso, agora, do Viveiro Ninkasi.

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A certificação de sementes e mudas é um processo voluntário que garante a qualidade em todas as etapas de produção, incluindo o controle da origem genética e das gerações, para assegurar a rastreabilidade do lote, sendo que o ministério ou uma pessoa credenciada por ele é responsável por verificar a aplicação das regras de certificação. E as mudas certificadas podem ser reconhecidas pelo certificado que acompanha a nota fiscal de venda.

Como certificador de produção própria, o Viveiro Ninkasi passa a ter autorização para certificar suas próprias mudas. E isso significa que o viveiro possui um sistema confiável de controle de qualidade em todas as etapas de produção. A presença desse certificado nas mudas, afinal, indica que elas foram produzidas seguindo as regras e normas estabelecidas, garantindo sua qualidade e confiabilidade para os agricultores.

Tornar-se um certificador de produção própria traz benefícios como credibilidade, diferenciação no mercado, acesso a novos mercados, valorização do produto e contribuição para o setor, pois é um compromisso com a qualidade, segurança e conformidade com as regulamentações.

O Brasil não é um país com tradição no cultivo do lúpulo, mas sua produção vem crescendo, com o trabalho de qualidade envolvendo as mudas e sua certificação sendo fundamental para o crescimento da cultura no país de modo ordenado e idôneo.

Proprietária do Viveiro Ninkasi, Teresa Yoshiko realiza estudos sobre o cultivo do lúpulo desde 2017. No início deste ano, o viveiro montou um manual de qualidade, que foi enviado ao Ministério da Agricultura.

“A montagem deste manual de qualidade exigiu muita pesquisa e dedicação. Além disso, realizamos frentes de pesquisas com várias instituições na área química desde 2021 para estudar os fins fitoterápicos, várias pesquisas com produtores de norte a sul do país e com entidades de pesquisa, como a Embrapa, Pesagro, Emater Rio e Universidades, onde acolhemos estagiários, tanto no Viveiro, como nos produtores de lúpulos onde prestamos consultorias”, comenta Teresa.

O Viveiro Ninkasi

Também em 2023, o viveiro em Teresópolis ampliou em dez vezes a sua capacidade de produção de mudas de lúpulo por ano, saltando das 120 mil em 2022 para 1,2 milhão, o que foi possível graças à montagem de um laboratório in vitro, o que garante a qualidade e saúde das plantas. E isso permitirá, inclusive, a exportação das mudas.

Hoje, o Viveiro Ninkasi oferece 26 variedades de lúpulo. “O produtor não deve aceitar menos. Ao comprar as mudas de lúpulo, é importante que ele faça isso de viveiros com mudas certificadas. Não vale correr o risco de ser enganado. As mudas de lúpulo são perenes e têm a durabilidade média de 15 anos. O produtor só vai descobrir que comprou gato por lebre quando estiver colhendo”, alerta Teresa.

Anteriormente, o Viveiro Ninkasi havia obtido outra conquista importante, em 2021, quando recebeu a autorização do Mapa para importar mudas comerciais de lúpulo dos Estados Unidos.

Menu Degustação: Sabores da Montanha em SP e MG, churrasco em Itapevi…

Os dias frios em várias regiões do país não têm intimidado os cervejeiros. E eles poderão contar com diversos eventos e muitas cervejas para esquentar o clima. Entre as atrações do fim de semana, o Burning Fest – Batalha de Assadores vai celebrar o churrasco e levar muita cerveja para Itapevi (SP). Enquanto isso, o Festival Sabores da Montanha proporcionará experiências gastronômicas e muita cerveja para turistas na temporada de inverno em 27 municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. 

Já as grandes cervejarias do país seguem atuando em diversas frentes, como o Grupo Heineken, que lançou um programa que auxiliará parceiros a neutralizarem a emissão de carbono e realizará algumas ações neste fim de semana no centro de São Paulo, palco do Mita Festival.

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Veja estas e outras ações cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Sabores da Montanha
O 1º Festival Gastronômico Sabores da Montanha começa nesta sexta-feira (2) e vai até 30 de julho em 27 municípios dos estados de São Paulo e Minas Gerais. A ideia é oferecer uma imersão no mundo gastronômico. Mas, claro, o evento também terá muitas cervejas artesanais para o público. Os estabelecimentos estão situados em municípios da Serra da Mantiqueira paulista, Serra da Bocaina, Vale Histórico e Sul de Minas Gerais. O estado de São Paulo tem 10 cidades participando com 23 restaurantes, enquanto Minas Gerais possui 17 cidades e 43 estabelecimentos inscritos.

Churrasco e cerveja em Itapevi
Itapevi realiza neste fim de semana (2 a 4), das 12h às 22h, a primeira edição do Burning Fest – Batalha de Assadores, no estacionamento do Parque da Cidade. O evento contará com cerca de 30 expositores, além de atrações culturais e muita cerveja. O objetivo do Burning Fest é celebrar o churrasco e levar entretenimento aliado à gastronomia, cervejas artesanais e boa música. A iniciativa diz preservar a cultura “Craft Beer Renaissance” (Cerveja Artesanal Renascentista, em uma tradução livre), o que permite aos amantes da cerveja uma degustação especial focada na qualidade do produto, criatividade e originalidade. A entrada será gratuita

Ingressos para festival
O Brejada está organizando mais um evento, desta vez um festival que vai combinar música e cerveja artesanal. O festival, marcado para 1º de julho, na Tarantino, em São Paulo, já está com as vendas de ingressos abertas e contará com bandas autorais e covers renomados para garantir uma trilha sonora ao vivo de qualidade regada a muita cerveja.  Para este ano, a organização já garantiu as presenças das cervejarias Alvorada, Avós, Bendita Breja, Bloco 7, BR Brew, Brass Brew, Brewto’s, Burgman, Calmaria, Colorado, Cybeerlab, Demokrata, Dinastia, Ducabra, Euphoria, Geezer, Goose Island, Grifo Beer, Kaya, Leopoldina, Mad Lizard, Menze, Minessota, Moret, Olaf, Paulaner, Red Stripe, Rivas, Santo Chico, São Bernardo, Satélite, Sevá, Seven Hands, Velha Rabugenta, Verace e Zuraffa.

Heineken no Mita Festival
O Mita Festival acontece neste sábado e domingo (3 e 4), em São Paulo, tendo a Heineken como patrocinadora oficial. Com o discurso de ressignificar e ocupar o centro, a marca realizará ativações no Vale do Anhangabaú, local do evento, com comunicações envolvendo as pautas da energia verde e da circularidade.

Neutralização de carbono pelos parceiros
Para alcançar a ambição de neutralizar as emissões em toda cadeia de valor até 2040, o Grupo Heineken lançou o programa Brewing the Future. O projeto é voltado aos fornecedores de embalagens e matéria-prima, consistindo no rastreio da performance ESG de cada participante e na estruturação de um plano de descarbonização em parceria com o grupo. Hoje, cerca de 95,5% das emissões de carbono da companhia estão na cadeia de valor (escopo 3), sendo que fornecedores de embalagens representam 70% das emissões e 30% das emissões totais. Já os fornecedores de matéria prima representam 44% das emissões do cultivo e 10% das emissões totais. Serão impactados pelo programa 40% total dos emissores na cadeia de valor nesta primeira fase.

No clima da Liga dos Campeões
No “esquenta” para a final da Liga dos Campeões, a loja AmPm Carioca da Gema, no bairro Vila Olímpia, em São Paulo, vai receber uma ativação especial. Em parceria com a Heineken, neste sábado e domingo, os consumidores vão realizar um tour virtual no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, através de óculos de realidade virtual. No dia da final (10 de junho) entre Inter de Milão e Manchester City, haverá exibição do jogo em um telão com sistema de som e ofertas especiais da Heineken, além de uma decoração exclusiva para o local.

Patrocínio em Campos do Jordão
O FireUP Lounge Bar, de Campos do Jordão, anunciou o patrocínio da Heineken, com início da sua programação na próxima quinta-feira (8), feriado de Corpus Christi. Na programação, nomes como os DJs Chemical Surf, Dre Guazzelli, Edu Zottini, Karen Machado, Viktor Mora, Gabo Venutti, André Morete e outros artistas da cena da música eletrônica.

Edital para soluções sustentáveis
A Ambev recebe inscrições para a 5ª edição de seu programa de inovação aberta, o 100+ Labs Brasil, voltado ao desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras. As organizações interessadas podem se inscrever em um dos nove eixos do programa: Agricultura Sustentável, Embalagem Circular, Mudanças Climáticas, Gestão de Água, Ecossistema Empreendedor, Amazônia, Diversidade e Inclusão, Consumo Consciente e Responsabilidade Ambiental na Cadeia de Suprimentos, sendo os três últimos novidades desta edição.  O programa busca negócios com soluções aptas para implementação e teste, seja em fase piloto ou prontas para serem utilizadas pelo mercado. As inscrições podem ser realizadas até a próxima sexta-feira (9) por meio do link.

Nacional na Semana do Hambúrguer
A Cervejaria Nacional preparou a Semana do Hambúrguer, que vai até sábado (3). Nela, os clientes poderão desfrutar de combos de hambúrguer, fritas e cerveja. A cada dia, um combo diferente fica disponível para os visitantes, pelo preço de R$ 62.

Visitação na Krug Bier  
A Experiência Krug Bier volta a acontecer neste sábado (3). Quem quiser conhecer de perto como a cerveja é produzida em um passeio guiado e interativo, pode adquirir seu passaporte através do link. Nesta edição, a Krug vai sortear brindes para os visitantes. O Tour na Fábrica é ministrado por Fabiana Bontempo, cervejeira, mestre em estilos e embaixadora da Krug Bier. Ela é a responsável por receber os visitantes e apresentar de perto as matérias primas usadas na produção das cervejas, as instalações da nova fábrica e o processo produtivo na fábrica em Nova Lima (MG).

Marcos Guerra na Turatti
A cervejaria cearense Turatti reforçou seu time com a chegada de Marcos Guerra, um dos mais conceituados mestres cervejeiros do Brasil. Guerra, que participou do desenvolvimento de cervejas que ganharam mais de 160 medalhas nacionais e internacionais, já atuava como consultor da Turatti. Agora, passa a compor sua equipe fixa. E criará uma linha de rótulos premium.  Ele é mestre cervejeiro, beer sommelier, mestre de estilos e consultor, com mais de 20 anos de atuação. Em seu portfólio, além das dezenas medalhas, soma mais de 112 receitas de cervejas criadas, cerca de 80 receitas corrigidas e ultrapassa 32.640 horas de brassagens.

Medalhas no European Beer Challenge
As cervejarias brasileiras conquistaram dez medalhas no European Beer Challenge, um concurso anual realizado em Londres. Foram seis medalhas para a Masterpiece, sendo dois ouros, para a Mona Lisa, uma Catharina Sour, e para a Van Gogh, uma Dark Sour. As outras quatro medalhas foram para a Ashby, sendo que a Session IPA e a Strong Ale levaram ouro.

Logística para o European Beer Star
A Father Estratégias Internacionais atuará como hub logístico para o envio de amostras para a European Beer Star. O prazo para o cadastro das cervejarias e envio das amostras para participação no concurso na Alemanha é 12 de julho, mas para que tudo seja realizado em tempo hábil, as entregas para a Father devem ser feitas até o dia 10 do próximo mês.

Ação da Ambev se valoriza em maio, mas sem reverter queda no ano

Acompanhando o ritmo do mercado financeiro nacional, a ação da Ambev fechou o mês de maio valorizada em relação a abril, mas ainda sem registrar alta em 2023. Ao terminar a sessão da última quarta-feira na B3, a bolsa de valores brasileira, com preço de R$ 14,41, apresentou valorização de 1,76% no mês.

O resultado representou uma recuperação em relação a abril, mas ainda é insuficiente para superar o valor de R$ 14,52 em que a ação fechou o ano de 2022. Assim, apresenta queda no período de janeiro a maio, ainda que modesta, de 0,76%.

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O desempenho se deu em um mês que começou com a divulgação do balanço do primeiro trimestre da Ambev, no dia 4, com alta anualizada de 8,2% no lucro líquido, para R$ 3,819 bilhões. Mas a movimentação no mercado se deu mesmo na véspera da apresentação do resultado financeiro, quando a ação da companhia valorizou 2,03%, e por um ajuste no dia seguinte (5), quando houve perda de 1,43%.

A alta do papel da Ambev também poderia ter sido maior em maio, não fosse um recuo de 1,9% em seu preço na última terça-feira (30). Na véspera, analistas do Itaú BBA divulgaram um relatório no qual baixaram o preço-alvo da ação da companhia de R$ 18 para R$ 17.

No material, eles citaram algumas preocupações envolvendo a Ambev, como a hiperinflação na Argentina, passivos fora do balanço que podem se tornar provisões e a possível exclusão de incentivos fiscais, principalmente relacionados a juros sobre capital próprio.

Assim, a Ambev terminou maio com valorização modesta na Bolsa e ainda acumula saldo negativo no ano. É um cenário bem parecido, inclusive, com o do Ibovespa, o principal índice da B3. Afinal, ao fechar maio em 108.335,07 pontos, teve ganhos de 3,74% no mês. Mas ainda registra queda de 1,27% em 2023.

Foi um mês em que a economia brasileira demonstrou alguma resiliência, com a taxa de desemprego ficando em 8,5% ao fim de abril, a menor para o período desde 2015, e o IPCA desacelerando para 0,61%, o que aumentou a expectativa de redução da taxa de juros. Além disso, o arcabouço fiscal foi aprovado na Câmara dos Deputados.

No entanto, o cenário global trouxe pouco otimismo, seja pela divulgação do modesto PIB da China, que cresceu 3% em 2022, no segundo pior resultado desde 1976, ou pela incerteza nos Estados Unidos, com a crise do teto da dívida e as complicações nas conversas para permissão de obtenção de novos empréstimos pelo governo.

Dentro desse contexto, a Ambev se inseriu entre as 64 – de um total de 86 – ações que valorizaram em maio, com o maior destaque sendo a alta de 73,28% da Yduqs. Na outra ponta, o maior recuo foi da Cielo, de 13,25%.

Fora do Brasil
Em Nova York, o mês foi quase de estabilidade para a Ambev. Por lá, a ação desvalorizou US$ 0,01 no período, fechando maio com preço de US$ 2,79. Já em 2023, o papel acumula alta de 2,57%.

Na Europa, houve queda relevante nos preços das ações das duas principais cervejarias do mundo. O ativo da AB InBev terminou maio com preço de 49,91 euros, desvalorizando 15,55% no mês, e passou a somar perdas de 11,3% em 2023. Já a ação do Grupo Heineken recuou 9,2% em maio, caindo para 94,48 euros. Ainda assim, tem alta acumulada de 7,53% neste ano.

Femsa faz venda bilionária e deixa de ter participação acionária na Heineken

A Femsa, conhecida mundialmente por ser a principal engarrafadora da Coca Cola, se desfez da sua participação no Grupo Heineken. A empresa mexicana anunciou ter lançado uma oferta de cerca de 3,3 bilhões de euros em ações da Heineken NV e da Heineken Holding NV, e uma oferta adicional simultânea de até 250 milhões de euros em títulos permutáveis ​​por ações da cervejaria holandesa com vencimento em 2026.

De acordo com comunicado divulgado pela Femsa, as ações negociadas representam 5,9% da participação conjunta do Grupo Heineken. E a própria companhia de origem holandesa comprou uma parcela de 10% ações que foram colocadas à venda pela empresa mexicana.

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Em comunicado, o grupo explicou ter adquirido 2,5 milhões de ações ao preço de 92,75 euros, ao total de 235 milhões de euros, e cerca de 1,3 milhão de ações da Heineken Holding NV por 77,25 euros por ação, somando 98 milhões de euros. E isso provocou um investimento agregado de 333 milhões de euros.

“A Heineken observa que, após a conclusão da compra, a Femsa não mais deterá nenhuma ação da Heineken e da Heineken Holding NV, exceto pelas ações da Heineken Holding NV subjacentes a seus títulos permutáveis”, afirma o Grupo Heineken.

Uma iniciativa parecida havia sido realizada pela Femsa em fevereiro, quando fez outra negociação de títulos e ações, então de 3,5 bilhões de euros. Em conjunto, naquele momento, anunciou que a negociação fazia parte da estratégia da companhia mexicana de vender todas as suas ações na cervejaria, que correspondiam, à época, a uma participação de 14%, com o intuito de pagar dívidas e realizar investimentos em outras áreas, além de deixar seus assentos no conselho da companhia.

Naquela oportunidade, a própria Heineken fez uma recompra de ações, investindo um valor agregado de aproximadamente 1 bilhão de euros. Além disso, o magnata norte-americano Bill Gates aproveitou a oferta de títulos para adquirir uma participação de 3,76% na cervejaria de origem holandesa.

Quem é a Femsa?

Multinacional com um grande portfólio, a Femsa foi fundada em 1890, na Cidade do México. Com várias divisões de negócios, a mais conhecida é a Coca-Cola Femsa, a maior engarrafadora de produtos da gigante das bebidas no mundo, tendo grande presença na América Latina, incluindo a distribuição dos produtos.

A Femsa Comercio opera uma das maiores cadeias de lojas de conveniência da América Latina, a Oxxo, que, inclusive, tem aumentado exponencialmente a sua participação no mercado brasileiro. A companhia também conta com uma fintech e uma rede de postos de gasolina. Em 2010, havia adquirido 20% das ações do Grupo Heineken.

8 avaliações sobre o futuro do setor cervejeiro a partir da pesquisa do Guia

8 avaliações sobre o futuro do setor cervejeiro a partir da pesquisa do Guia

Os desafios enfrentados pelo setor recentemente e os gargalos que ainda impedem uma recuperação mais consolidada da pandemia foram constatados no levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias“. No entanto, esses obstáculos não ofuscam as perspectivas de um futuro promissor, na visão de especialistas e representantes do setor cervejeiro ouvidos pela reportagem do Guia.

Após um ano de ajustes, a indústria ainda se depara com desafios e precisa aproveitar oportunidades que impulsionarão seu crescimento. Segundo esses profissionais, essa expansão passa pela necessidade de uma reforma tributária adequada, redução da burocracia e dos custos operacionais.

Os especialistas ponderam que, para tornar o crescimento sustentável, é necessário também fazer o dever de casa, com investimento na qualificação da gestão das cervejarias e dos profissionais que atuam diretamente no mercado.

Além disso, há perspectivas de mudanças nos tributos para impulsionar o setor cervejeiro, permitindo melhorias na operação das empresas. Nesse sentido, a reforma tributária é vista como uma medida essencial para o desenvolvimento do segmento.

Leia também – Venda de cerveja no Brasil deve crescer 4,5% em 2023, estima pesquisa

Confira a seguir as perspectivas de oito profissionais do setor cervejeiro com base nos resultados do levantamento “O Ano de 2022 para as Cervejarias”:

Abracerva (Gilberto Tarantino, presidente)
Cerveja artesanal é uma paixão e continua sendo um segmento muito promissor e atrativo. Por isso, acreditamos que o setor continuará crescendo em share, em volume e em quantidade de empresas e empregos gerados. O desafio é que isso aconteça com sustentabilidade econômica, social e ambiental. Por isso, nossa luta por justiça tributária, melhores oportunidades dentro da cadeia de distribuição e PDVs e os esforços de qualificação da gestão das cervejarias e dos profissionais do mercado.

Abralatas (Guilherme Canielo, relações corporativas)
O futuro é, sem dúvidas, promissor. Em 2022 tivemos um ano de ajustes, que foi o pós-pandemia, mas entendemos que esse momento passou. Estamos em meio a importantes ajustes econômicos no Brasil, principalmente tributários, que tendem a melhorar o cenário de consumo geral e dar fôlego às empresas. O acesso a insumos e a embalagens mais adequadas para os variados gostos, adequados para os consumidores modernos e que se preocupam com o meio ambiente e a sustentabilidade, certamente estarão mais favoráveis e permitirão seguir com a expansão histórica e identificada na pesquisa.

Abrasel (Paulo Solmucci, presidente-executivo)
O futuro tende a ser melhor, mas nós precisamos equacionar a questão do custo, promovendo pequenos ajustes de preço, de maneira que o setor possa encontrar uma sustentabilidade. Por fim, o setor de alimentação fora do lar precisa de ajuda, com o refinanciamento de dívidas para micro e pequenas empresas, inclusive de cervejarias. Estamos negociando para que a nova rodada do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) venha com prazos maiores para pagamento das dívidas. Isso pode ser o caminho para ajudar os empreendedores que estão inadimplentes a voltarem a operar em lucro.


ANR (Fernando Blower, diretor-executivo)
Nossa visão é que 2023 ainda será um ano complicado por trazer reflexos dos anos anteriores, porém é um momento que tende a levar para uma recuperação. Assim como em todos os setores, a tendência é de uma volta à normalidade, onde as pessoas saem de casa e vão voltar com seus hábitos de consumo.

Euromonitor (Rodrigo Mattos, analista de bebidas)
Acredito que o setor ainda deva se desenvolver mais. Temos um mercado muito concentrado em poucas empresas de grande porte, o que parece mostrar que existe espaço a ser roubado por empresas de médio porte que ofereçam um produto interessante e apelativo ao consumidor. Além disso, mesmo visualizando crescimento de volume, o share da categoria se mantém estável frente a cervejarias “normais” o que mostra que ainda falta uma capacidade de ganhar espaço frente as grandes. Por fim, acredito que exista um potencial legal a se explorar em explorar novas identidades para se ganhar “share of mind” entre os consumidores. Digo isso com alguns exemplos em mente, como a Japas Cervejaria, a Implicantes e outros exemplos. Assim, a proposta não é crescer nem ser um player do mercado, mas oferecer um produto a um nicho fiel que assim vai dar giro para a marca que vive principalmente de propósito.

Além disso, fora do escopo, eu ficaria de olho em questão de taxação, como não está claro ainda como vai ser o novo arcabouço fiscal e as novas políticas fiscais do governo, a possibilidade de um “sin tax” ainda ronda, mesmo que se simplificada, a taxação pode aumentar. Recomendo que isso seja discutido até em grupos de trabalho e se pense em como o setor vai responder: talvez seja positivo, porque as microcervejarias bem geridas ganhariam fôlego com um produto premium que manterá as margens, enquanto as grandes marcas de mainstream e low price podem ficar mais prejudicadas… Porém, ainda teremos mais impostos e o que devemos fazer para gerir bem a indústria?

Febracerva (Marco Falcone, presidente)
O setor ainda é uma incógnita nesse ano. Não sabemos o que vem pela frente de política econômica. Vem aí uma reforma tributária e estamos trabalhando para evitar que aconteça o pior, que seria a inclusão no imposto do pecado. A cerveja caminha junto com a evolução da sociedade humana, tem uma importância cultural, estando presente em eventos, além de contribuir para as relações sociais.

Existe perspectiva de crescimento em 2023, como constatado pela pesquisa, mas também estamos com um pé atrás por tudo o que vivemos na pandemia. Precisamos de uma carga tributária melhor para que ocorra o crescimento.

Ministério da Agricultura (Eduardo Marcusso, servidor público e consultor técnico da Câmara Setorial da Cerveja)
Todos os debates cervejeiros que participo acabam caindo na questão tributária, vejo que o crescimento e a força que o setor apresentou na última década necessitam de diferenciação tributária para manter esse patamar. A maioria dos países com tradição cervejeira e/ou grande mercado possuem política tributária diferenciada para micro e pequenas empresas ou específico para as cervejarias artesanais.

No Brasil, a reforma tributária é essencial para o setor, mas como ela foca na simplificação e não vai mexer no Simples Nacional, é fundamental que exista mobilização para aprovação dos projetos de lei que vão nessa direção, tanto na Câmara dos Deputados (PLP 108/2021), quanto no Senado (PLP 127/2021). Hoje o teto do Simples Nacional se tornou uma barreira para o crescimento das microcervejarias, o seu aumento iria impulsionar centenas de empreendimentos cervejeiros pelo país

Eduardo Marcusso, servidor público do Ministério da Agricultura

Sindicerv (Márcio Maciel, presidente executivo)
O setor cervejeiro segue otimista. É o primeiro ano cheio após a pandemia, marcado pela retomada do carnaval nas ruas, as festividades regionais (como São João e a Oktoberfest) e os principais eventos esportivos e musicais em todo o País. O Brasil ocupa posição relevante na produção de cerveja e somos um parceiro estratégico para a retomada do crescimento do país. No entanto, ainda temos o obstáculo do peso dos impostos, relatado pelos produtores como o principal desafio.

Para avançarmos mais no crescimento do setor, precisamos de uma reforma tributária que reduza a burocracia, o contencioso jurídico, a quantidade de impostos, a complexidade e o custo da sua operação. E que traga segurança jurídica para a indústria, sem aumento da carga tributária, uma das mais altas do mundo para a atividade produtiva. O impacto atual dos tributos no preço final da cerveja chega a 56%.