Ainda que mantendo as consideráveis perdas dos começo do ano, abril foi um mês de recuperação para o índice Bovespa, que subiu mais de 10%. Porém, mesmo sendo um dos principais papéis listados na Bolsa de Valores de São Paulo, a ação da Ambev (ABEV3) seguiu em baixa, com recuo de 4,87% nesse período.
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A ação ordinária da multinacional cervejeira fechou o pregão da última quinta-feira com o preço de R$ 11,34, sendo que havia começado abril – o primeiro mês completo em que pôde se sentir os efeitos da crise do coronavírus e da quarentena – cotada a R$ 11,92.
A queda da Ambev foi a quarta maior entre os papéis que compõem o Ibovespa no último mês. A redução só ficou atrás das de Embraer, afetada pela desistência da Boeing de comprar a companhia aérea brasileira, Cielo e Telefônica Brasil.
Assim, a Ambev esteve na contramão do mercado nacional em abril, marcado por leve recuperação após as consideráveis perdas de março. Foi o primeiro mês de resultado positivo em 2020, com alta de 10,25% no índice Bovespa, que fechou o pregão de quinta em 80.505,89 pontos, sendo que havia terminado março com 73.019,76.
Ainda, porém, foi insuficiente para recuperar as expressivas perdas dos três primeiros meses do ano, pois o Ibovespa tinha fechado 2019 com 115.645,34 pontos. Ou seja, mesmo com a recuperação de abril, a queda acumulada em 2020 foi de 30,39%.
Esse cenário não deve melhorar muito em maio, quando os efeitos econômicos da crise do coronavírus deverão ficar mais claros. Já na última quinta, o IBGE divulgou que o índice de desemprego chegou aos 12,2% no primeiro trimestre do ano, atingindo 12,9 milhões de pessoas.
Valorização no exterior
Fora do Brasil, ao contrário do que aconteceu com a Ambev, as ações das principais cervejarias do mundo recuperaram parte das perdas de março, que superaram os 15%.
Na Europa, o papel da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a empresa brasileira – fechou o quarto mês de 2020 cotado a 41,88 euros. Como havia terminado março valendo 40,47 euros, a alta foi de 3,48% no mês.
Já o aumento do preço do papel da Heineken foi menor. Ele começou o mês custando 76,16 euros e encerrou março com o valor de 77,62 euros. A valorização, portanto, foi de 1,92% em um mês no mercado europeu.


