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Abracerva aprova código de ética e terá instrumento para coibir preconceito

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Diante da crise provocada pela divulgação de mensagens preconceituosas de figuras relevantes, o setor de cervejas artesanais respondeu rapidamente com a realização de uma eleição marcada pelo ineditismo da participação de duas chapas e com a implementação de um instrumento “para coibir casos como os que ocorreram neste ano”. E o último desses passos foi dado nesta terça-feira, quando a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) implementou o seu primeiro código de ética.

Por unanimidade, os associados presentes à assembleia geral extraordinária aprovaram o documento, concluindo um processo iniciado em agosto. “É um grande avanço para a associação e para o mercado cervejeiro. Agora a Abracerva e seus associados contam com um instrumento que norteará todas as relações entre a associação, seus associados e o mercado, com ferramentas para coibir casos como os que ocorreram”, afirma André Lopes, responsável pela redação do Código de Ética da Abracerva, criador do site Advogado Cervejeiro e colunista do Guia.

Leia também – Código de ética e ampliação do diálogo: Os passos iniciais da “nova” Abracerva

Após revelar o texto básico do documento em agosto, a associação abriu período de um mês para receber contribuições ao material que vai nortear decisões futuras da Abracerva. E, com as sugestões acolhidas, o código foi votado e aprovado na última terça. A assembleia também serviu para o estabelecimento de um comitê de ética.

Ficou definido que a comissão será composta por André Dutra (Dutra Beer), André Lopes, Patrick Bannwart (BR Brew), Paulão Silva (Brassaria Brasília) e Roberta Pierry (Sapatista).

Novas regras
O documento apresenta preceitos para a relação entre os associados e o público em geral, além de pontuar questões relacionadas à diversidade, inclusão e equidade, entre outros temas. Também prevê as possíveis sanções e os ritos para avaliação das infrações.

E, em sua redação final, foram incluídos dispositivos sobre desagravo público, a Lei Geral de Proteção de Dados, uso indevido de propriedade intelectual e preservação do meio-ambiente, além de conteúdo de rótulos usados pelos associados. Os responsáveis pelo código também aprimoraram os artigos que tratam de diversidade e da inclusão de minorias.

Para André Lopes, o documento da Abracerva está entre os mais completos e modernos das associações nacionais. “O novo código de ética conta com dispositivos modernos. Arrisco a dizer que é um dos mais avançados entre todas as associações do Brasil, já que trata de diversidade, inclusão, equidade, anticorrupção e até da Lei Geral de Proteção de Dados, que entrou em vigor em setembro deste ano”, comenta o advogado.

A necessidade de se fazer um código de ética para a Abracerva surgiu após os inúmeros casos de preconceito que vieram à tona nos últimos meses no setor. No início de setembro, o então presidente Carlo Lapolli renunciou junto com toda a sua diretoria, após o vazamento de mensagens escritas no grupo de WhatsApp Cervejeiros Illuminati.

E a sua implementação pode ser considerada a primeira ação de peso da nova gestão da associação, eleita no último dia 15 para um mandato de dois anos. Assim, a aprovação do Código de Ética da Abracerva na sequência da eleição da Chapa Maturação, que definiu Nadhine França como presidente, conclui um “marco” para o setor superar as dificuldades encaradas pelo segmento em 2020, na avaliação de André Lopes.

“É um marco para o setor, que tanto sofreu este ano e que, nos últimos meses de 2020, poderá comemorar uma eleição com duas chapas (algo inédito) e um código de ética criado em conjunto e com a aprovação unânime dos associados.”

Grupo Petrópolis lança Braza Hops, primeira cerveja com lúpulo de Teresópolis

O sonho do lúpulo brasileiro está se tornando realidade. Nesta terça-feira, o Grupo Petrópolis anunciou o lançamento da Black Princess Braza Hops, primeira cerveja nacional produzida com lúpulo plantado no Centro Cervejeiro da Serra, em Teresópolis.

Leia também – Grupo Petrópolis aposta em “preço que o consumidor aceita” para ser competitivo

A Braza Hops é uma German Pils com corpo leve, cor dourada e espuma densa e intensa. Tem amargor e refrescância “na medida certa”, o que realça o aroma da bebida. Um aroma, aliás, intensificado porque o lúpulo foi adicionado ainda fresco na receita, em flor, o que ressaltou as características de frescor. O terroir do local – interações geofísicas da plantação – trouxe, ainda, uma nota herbal para o paladar final.

“Não é exagero dizer que estamos fazendo história. Se até pouco tempo era improvável ter produção de lúpulo em grande escala no Brasil, após muito estudo e trabalho estamos vendo que é possível”, destaca Diego Gomes, diretor industrial da Petrópolis e principal responsável pelo Centro Cervejeiro da Serra, espaço do grupo para estudo e experimento cervejeiro.

O lúpulo utilizado na produção da Braza Hops foi o primeiro do país a obter o termo de conformidade emitido com o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, também, o primeiro a possuir nota fiscal de origem das plantas.

“O diferencial do lúpulo produzido no Brasil é o frescor e o aroma. O importado, utilizado hoje no país pela maioria das cervejarias, tem normalmente um ano de colhido”, explica o diretor da Petrópolis, para depois complementar.

“Ter um lúpulo produzido ‘no quintal de casa’ é sempre vantajoso por uma série de fatores como, por exemplo, o terroir do local, que são as interações geofísicas daquela região somadas às suas crenças e cultura. Isso traz uma particularidade nobre para o cultivo, tornando-o único e gerando valor”, diz Diego.

Com produção sazonal, a Braza Hops terá envase limitado de 2 mil unidades de long necks, com venda exclusiva no e-commerce Bom de Beer.

Lúpulo pioneiro
Feito em parceria com o Viveiro Ninkasi, o cultivo de lúpulo da Petrópolis começou em 2018 na fazenda do grupo, no Centro Cervejeiro da Serra, com 316 plantas – foram semeadas 10 espécies para testar a adaptabilidade de cada uma.

Em 2019, por sua vez, o cultivo cresceu e foi semeado um novo campo, desta vez com mais de 7 mil plantas. E, em 2020, a expectativa é de obter 800 kg de lúpulo seco, em um total de três hectares e duas colheitas por ano, em dezembro e março.

Na fazenda, conforme descreve o Grupo Petrópolis, foram usados tecnologia de ponta de agricultura, mulching israelense (cobertura de solo), sistema de irrigação automatizado e adubação com insumos altamente solúveis. “A equipe do Viveiro Ninkasi trabalha incansavelmente para a ‘tropicalização’ da planta, que é original do Hemisfério Norte, mas vem se adaptando bem ao clima da serra fluminense”, aponta a cervejaria.

Além do apoio do Viveiro Ninkasi, o Grupo Petrópolis mantém parcerias com a UFRJ e a UFRRJ (Rural) através de intercâmbio de geneticistas e alocação de estagiário dentro da fazenda para estudos e pesquisas. Existe, também, um projeto de melhoramento genético da planta em parceria com a UFRRJ e outro de “fotoperíodo” para melhorar a produtividade, já que o Brasil tem menos luminosidade do que a planta necessita.

E o resultado desse projeto, segundo descreve Diego Gomes, já foi festejado até pelos maiores especialistas em lúpulo do planeta.

“Na última colheita, em março, tivemos a honra de receber na fazenda alguns alemães da região de Hallertau, na Baviera, maior área de plantio contínuo de lúpulo do mundo. Eles ficaram muito impressionados com a experiência da nossa colheita. Disseram estar relembrando a infância e recordando como é essa tradição na terra deles. Ficaram emocionados e nos agradeceram muito.”

Alex Atala avalia impactos da pandemia na gastronomia e importância da harmonização

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Hoje retomando as atividades paulatinamente, bares e restaurantes chegaram a ficar fechados por meses, a partir do início da pandemia do coronavírus. Desde então eles passaram por adaptações, seja para atender o público de modo remoto ou mesmo, mais recentemente, para adotar medidas sanitárias e permitir o retorno dos frequentadores. Ações que podem mudar rotinas nesses estabelecimentos, mas não alteram a vocação de um prato de comida: a de conectar pessoas. E quem diz isso é um dos maiores especialistas do assunto no planeta, Alex Atala.

Chef mais conhecido e renomado do Brasil, Atala se consolidou como referência ao aliar seu conhecimento sobre ingredientes com a técnica e a criatividade para oferecer experiências marcantes aos frequentadores dos seus restaurantes, como o D.O.M., reiteradamente eleito um dos melhores do mundo.

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Com esse currículo e conhecimento, em entrevista exclusiva ao Guia, o chef reconheceu que a pandemia foi desafiante aos estabelecimentos, atentos às medidas restritivas e aos novos comportamentos do consumidor para se adaptar a um cenário diferente. Tudo para que a experiência gastronômica continue sendo a melhor possível, ainda que o futuro seja incerto.

“Os restaurantes e estabelecimentos tiveram de se reinventar para encarar a nova realidade e o novo comportamento de consumo dos clientes. Os desafios são muitos e o dia a dia exige alta capacidade de adaptação”, comenta Atala, para depois acrescentar.

“A única certeza que temos é que a comida sempre foi e continuará sendo um dos elementos fundamentais na hora de conectar as pessoas de todos os lugares do mundo.”

Em seu trabalho, o chef atua com apuro para explorar os mais diversos ingredientes para chegar até a criação desejada que torne a experiência gastronômica transformadora e marcante. E, como Alex Atala destaca, ela também pode se tornar melhor e mais completa com a escolha da cerveja correta para uma melhor harmonização.

Assim, o chef faz uma comparação: a influência dos ingredientes é a mesma provocada pela seleção do rótulo. “A experiência gastronômica não é apenas sobre comida. Assim como a escolha dos ingredientes dentro da cozinha gera resultados diferentes, a escolha da cerveja também. Juntos, os dois elementos se complementam, elevando a experiência gastronômica de cada um.”

Fora da Rota
Envolvido em diferentes projetos, Alex Atala aparece neste momento para o público através do reality show Fora da Rota, que estreou no começo de outubro no Globoplay e no YouTube da Stella Artois, parceira na iniciativa. Nela, são exibidas novas experiências gastronômicas em restaurantes fora da rota tradicional em São Paulo. E o vencedor vai comandar a cozinha do Portinha Stella, estabelecimento que será um espaço-conceito da marca da Ambev na capital paulista.

Segundo detalha o chef, o programa tem servido ao propósito de apresentar casas e restaurantes que fogem do roteiro mais óbvio em São Paulo, demonstrando que também está na diversidade a riqueza da gastronomia como experiência de interação social.

“São Paulo é uma cidade que respira gastronomia em lugares surpreendentes. Com tanta pluralidade, é difícil conhecer e abraçar tantas opções. Essa é a principal proposta do Fora da Rota: dar visibilidade a esses lugares e, ao mesmo tempo, incentivar as pessoas que têm vontade e curiosidade de ir além dos roteiros tradicionais a desfrutarem de experiências diferentes em novos restaurantes”, aponta.

É, também, dessa interação exaltada no Fora de Rota, que muitas pessoas vêm sentindo falta durante a pandemia. E, na visão de Alex Atala, o período de necessário distanciamento fará esses momentos serem ainda mais valorizados e aproveitados em breve.

“Encontros e bons momentos de socialização nunca deixarão de existir. Mesmo virtualmente, conseguimos estar ‘próximos’ uns dos outros nos últimos meses. E toda essa experiência vai nos fazer valorizar ainda mais esses momentos ao redor da mesa”, conclui o chef.

Beer Summit inicia venda de ingressos e terá trilha gratuita sobre diversidade e inclusão

O Beer Summit abriu a venda de ingressos para aquele que promete ser o maior encontro online de conhecimento cervejeiro da América Latina. O evento está marcado para o período de 4 a 13 de dezembro e já confirmou a presença de mais de 40 palestrantes de diferentes países e campos de conhecimento.

Os organizadores do encontro separaram os temas do Beer Summit em cinco trilhas de conhecimento. São elas: Negócios, marketing e empreendedorismo; Sommelieria, estilos, serviços e harmonização; Matérias-primas, processos e inovação; Tecnologia e ciência cervejeira; e Diversidade, equidade e inclusão.

Leia também – Science of Beer cria pesquisa para traçar mapa da ciência cervejeira no país; Participe

Cada trilha contará com palestras e mesas redondas. Além disso, o Beer Summit terá a apresentação de trabalhos científicos, feira virtual e o concurso de cervejas Brasil Beer Cup. Os interessados em participar do evento podem adquirir seus ingressos através do link.

O preço das entradas é de R$ 105 para assistir a uma trilha e se torna proporcionalmente mais barato para quem adquirir mais de uma. Assim, o valor dos ingressos para o Beer Summit é de R$ 195 para duas trilhas, R$ 292,50 para três trilhas ou R$ 340 para todas as trilhas. Já a trilha intitulada “Diversidade, equidade e inclusão” terá acesso gratuito.

Idealizado e organizado pelo Science of Beer Institute, o Beer Summit é capitaneado exclusivamente por mulheres. Com pautas focadas em questões sociais como a diversidade e a democratização da ciência cervejeira, espera promover a aprendizagem e a troca de experiências com diversos profissionais do mercado nacional e internacional.

“Vamos oferecer tecnologia e entretenimento para os participantes, além, claro, de muito conhecimento especializado”, fala Amanda Reitenbach, idealizadora do evento e CEO do Science of Beer. “O Summit é algo nunca feito antes. Vamos oferecer para toda a cadeia produtiva do mercado cervejeiro um local de troca de experiências, palestras e talks com profissionais de renome internacional, muito debate sobre tendências e, claro, buscar a capacitação e a integração entre todos os players do mercado mundial de cervejas”.

Pesquisadores e acadêmicos também podem participar do Beer Summit submetendo trabalhos científicos relacionados à ciência, tecnologia, engenharia e mercado cervejeiro. Uma comissão irá avaliar os materiais enviados, e alguns deles serão selecionados para apresentação no evento.

Falta de papelão vai inviabilizar kits cervejeiros de Natal, alerta especialista

As festas de fim de ano sempre foram uma oportunidade para o setor cervejeiro. Mais até do que pela percepção de que há um aumento no consumo de bebidas alcoólicas, mas porque kits cervejeiros de Natal são vistos como uma boa forma de presentear parentes e amigos, com as artesanais sendo um carro-chefe desse tipo de lembrança. Só que essa possibilidade está ameaçada em 2020 pela falta de papelão, como revela Bruno Lage, sócio da empresa de rótulos Label Sonic.

Confira na íntegra a live completa com Bruno Lage, sócio da Label Sonic

Em live realizada pelo Guia, Bruno relatou um cenário de falta de matéria-prima, algo que ameaça a viabilidade desse importante produto de Natal. Em sua avaliação, esse tipo de material tem sido escoado para exportação e grandes consumidores. Além disso, houve redução na captação e produção em função da crise do coronavírus.

Esse foi um dos pontos abordados pelo sócio da Label Sonic durante a conversa, na qual também apresentou sua visão sobre como o setor se modificou com a crise do coronavírus. Para ele, as latas vieram para ficar e serão cada vez mais vistas como opção para envasamento de artesanais. E, claro, ele também comenta qual foi o impacto da pandemia sobre uma empresa de rótulos, explicando que houve uma alteração brusca na demanda de seus parceiros.

Confira, abaixo, as avaliações de Bruno Lage, sócio da Label Sonic, empresa com mais de 1.300 clientes no segmento de bebidas.

Leia também – Entenda os motivos do aumento da demanda por latas e seus benefícios

Impactos da pandemia
A gente foi aprendendo a trabalhar em home office, aprendendo como funcionaria remotamente o programa que comanda todas as atividades. A palavra foi adaptação e fomos achando os novos caminhos. Na primeira semana da pandemia, foi um momento que muito pedidos ficariam prontos, os clientes brecaram as negociações e se deu uma grande baixa nas vendas. E aí começamos a arrumar as coisas. À medida que o governo foi passando as informações, a gente foi se adaptando. Entendemos o que era o grupo de risco e tiramos estes trabalhadores da gráfica. Para muitos atendentes, demos férias, suspendemos contratos e reduzimos a equipe, mas não despedimos ninguém.

Novos canais de venda
Em abril, todo mundo estava com dúvidas do que iria acontecer e a vendas foram baixas, com queda para metade do esperado. Mas a gente viu que, mesmo preocupado, ninguém se rendeu. O mercado apresentou algumas oportunidades. Quem vendia barril para eventos todos os finais de semana, estava viciado neste canal de vendas, até por não ter tempo para se planejar. Com a pandemia e o tanque cheio, com os bares e brewpubs fechados, veio a onda dos growlers. Mas, as empresas que poderiam fazer, não conseguem desenvolver a embalagem da noite para o dia.

Tendências em embalagens
O mercado custou também a acertar o fornecimento dessas embalagens (growlers) para as cervejarias. E aí o pessoal começou a querer rótulos de growlers, mas não tinha arte. Isso consumiu tempo. Abril e maio foram meses de tensão porque todo mundo queria colocar planos B em prática. O pessoal foi achando novas formas de vender e muita gente conseguiu vencer essas etapas. Quem vendia garrafa PET, disparou, a lata cresceu mais ainda, por ter uma facilidade logística.

Momento das latas
Os equipamentos para o envase estão ficando mais acessíveis, muitas cervejarias que produzem para ciganos passaram a produzir em latas. Assim, muita gente nem passou pela garrafa, já foi direto para a lata. Quem ainda não embarcou na lata, vai fazê-lo, mesmo que só com alguns estilos de cerveja. A lata pode ser usada como um produto mais barato, mas também como um produto especial. Dentro de um grande mix, acho que as cervejarias terão garrafas e latas, ora para um produto especial, ora para o produto de grande margem. Mas o consumidor final, que está aprendendo sobre cerveja artesanal, ainda tem preconceito (com as latas). Só que os preconceitos em toda sociedade estão aí para serem encarados e conversados.

Opções de rotulação
Muita gente agora está falando nos rótulos sleeve (filmes termoencolhíveis) para as latas. Mas você precisa ter um certa estrutura para aplicar o sleeve com produtividade, para, por exemplo, poder selá-lo. É um negócio complicado, caro e com algumas variáveis, como oscilação de temperatura. Eu já vendi e não gosto por achar o processo complicado. O mercado norte-americano, por exemplo, é dominado pelos adesivos. Eu aposto no adesivo por ser mais prático, mais fácil de ser aplicado.

Saiba mais sobre a Label Sonic em nossa página do Guia do Mercado

Falta de produtos
É uma pena, mas hoje estou com vendas suspensas de caixas para kits porque não tem papelão. Sobre o papelão que vai chegar, a gente nem sabe se vem a quantidade que encomendamos e isso o próprio fornecedor fala, limitando, inclusive, a quantidade que você pode comprar.

Razões da falta do papelão
Com o dólar alto, a gente pode imaginar que a matéria-prima está sendo destinada para outros mercados. É algo estrutural e que está pegando outros mercados. No caso do papelão, ele é recolhido, reciclado e volta para o mercado. Então, você imagina que tinha milhões de pessoas que recolhiam este papelão e levavam para a indústria, mas elas não puderam ir para a rua ou não precisam fazer, pois estão recebendo o auxílio emergencial. Muitas fábricas também ficaram paradas e a retomada da produção também não é simples e não consegue atender uma demanda maior. Houve um aumento da venda dos supermercados. E os grandes consumidores que têm contratos robustos não podem ficar na mão, não estão ficando e não está sobrando papel para o restante. Isso também tem acontecido com a busca por garrafas.

Menu Degustação: Desconto da Nacional, evento da Madalena, roupa da Corona…

A semana foi agitada e trouxe inúmeras novidades para o público, que pode aproveitar descontos no delivery da Cervejaria Nacional. A Madalena retomou a realização de eventos e a rede Mestre Cervejeiro está em clima de Oktoberfest. Já a Corona lançou linha de roupas e acessórios inspirados no surfe. Com foco no universo das carnes, a Patagonia promove uma websérie. O Mr. Hoppy vem fazendo ação pelo Outubro Rosa e a Vá de Lata vem promovendo uma série de lives sobre as latas de alumínio. Confira essas e outras novidades.

Leia também – Sustentabilidade e opção no “novo normal”: Taru lança linhas de cerveja em latas

Descontos da Nacional
A Cervejaria Nacional, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, está com uma promoção no delivery. Quem fizer seu pedido pelo aplicativo da casa ou por meio do site da Nacional vai ter um desconto de até 50% entre segunda e quarta-feira, de 11h até 22h. Como sugestão, a casa oferece PETs de 1l de Mula Ipa, Yara, Kurupira, Domina e Stout. Além dos chopes artesanais, o desconto também é válido para os combos de cervejas da Nacional: Weiss, IPA, Pilsen, Amber Ale e Stout, com variações da garrafas de 1, 3 e 5 litros.

Roupas da Corona
A Corona e a Birden apresentaram a Style and Flow – Estilo e Atitude, uma linha exclusiva de roupas e acessórios criada em colaboração para celebrar dentro e fora da água o estilo do surfe. São duas camisetas, duas bermudas, dois bonés, uma camisa e uma ecobag, produzidos em quantidade limitada para vendas. “Nosso objetivo é inspirar as pessoas e despertar a leveza e a liberdade que existem dentro de cada uma delas, mesmo para quem está no meio da cidade. Para isso estamos apostando em colaborações exclusivas com marcas brasileiras que compartilham desse mesmo ponto de vista”, conta Arnaldo Garcia, gerente de marketing da Corona.

Oktober da Mestre Cervejeiro
Maior festa cervejeira do mundo, a Oktoberfest continua inspirando o setor no país. Agora, as lojas da Mestre-Cervejeiro.com estão abastecidas com cervejas de estilos alemães. E recebe seus clientes em clima de festa, com todas as medidas de segurança, sem aglomerações. Entre as opções de rótulos, duas cervejas exclusivas da marca, sendo uma delas a Hallertau Mosaic Pilsner, com combinação entre a tradição do lúpulo alemão Hallertau e a citricidade do lúpulo norte-americano Mosaic. O cliente também pode escolher a Amarillo Weisse, com aromas típicos de uma Weizenbiercom, produzida na cervejaria Tupiniquim, em Porto Alegre. As compras podem ser feitas por delivey ou na loja virtual.

Eventos da Madalena
A Cervejaria Madalena, de Santo André, retomou sua agenda de eventos com atrações de quarta a sábado. A fábrica-bar está funcionando com capacidade reduzida e respeitando todos os protocolos de saúde. Nas quartas, acontece o Off Road, evento de veículos militares, 4×4, Off Road e motos Trail e Big Trail de convidados e visitantes que queiram expô-los. Já nas sextas e sábados a fábrica-bar oferece música com bandas ao vivo e gastronomia variada. “Queremos trazer uma boa opção de entretenimento com qualidade e tranquilidade aos nossos clientes e colaboradores e garantir o máximo de segurança entre todos”, aponta Renan Leonessa, gerente de marketing.

Parrilla da Patagonia
Com foco no universo das carnes, a Cerveza Patagonia realiza a websérie Na Parrilla com Patagonia. Dividida em 12 episódios disponíveis no Instagram da cervejaria, a série traz 6 mestres parrilleros ensinando todo o processo da parrilla. O intuito é mostrar, em formato de curso rápido, como preparar um churrasco argentino perfeito. “Temos com a parrilla uma grande aliada para os sabores de nossas cervejas. A Cerveza Patagonia quer estar perto de quem curte comer, beber, viajar e se aventurar, seja nas montanhas ou até mesmo na cozinha. Por isso, reunimos um conteúdo que tem tudo a ver com o nosso público, para conversar e interagir. Essa websérie nos permitiu mostrar uma tradição tão especial da Argentina, nosso ponto de origem e fonte de inspiração”, explica Guilherme Almeida, brand manager da cervejaria no Brasil. 

Outubro Rosa do Mr. Hoppy
No mês do Outubro Rosa, campanha mundial sobre a prevenção de câncer de mama na mulher, o Mr. Hoppy anunciou ações voltadas à sua divulgação. Além da distribuição de materiais, o estabelecimento vai destinar ao combate ao câncer de mama o valor da venda de 200 chopes Pilsen Rosa, que serão comercializados ao preço que o cliente quiser pagar.

Lives sobre latas
O sommelier José Padilha e o Vá de Lata, movimento criado pela Ball Corporation em prol da lata de alumínio, anunciaram uma série de 16 lives no perfil do Instagram de Padilha sobre bebidas em lata, novas categorias e inovações que estão chegando ao mercado. Nos encontros, Padilha recebe um convidado por episódio para um bate-papo a respeito das vantagens que a lata traz para o consumidor e o mercado. Os encontros serão semanais, a partir das próxima terça-feira, às 18h. Estão na lista de encontros semanais personalidades ligadas ao universo das bebidas envasadas em lata, de produtores a consumidores, como enólogos, cervejeiros, sommeliers, mixologistas, jornalistas e artistas.

Balcão da Cilene: Da trilogia Desenhando Sonhos – Saga primeira

Balcão da Cilene: Da trilogia Desenhando Sonhos –
Saga primeira: Humanizar a humanidade

Nos idos de 1950, a educadora, pensadora, humanista, poeta e diplomata chilena Gabriela Mistral já dizia “La humanidad es todavía algo que hay que humanizar” (“A humanidade é ainda algo a humanizar”).

Nada mais oportuno que lembrá-la em tenebrosos tempos de cegueiras metafóricas. Pessoas que enxergam com olhos apenas. Pessoas que enxergam a si próprias apenas. E pior: que veem em si a perfeição divina. (Nada contra o divino, ao contrário. O divino existe para moderar o profano. E sabemos que qualquer ser humano tem um pouco de um e um pouco de outro…).

Nos últimos 10 mil anos, desde a revolução agrícola, vivemos mais e mais a dicotomia do “mágico e trágico”.

Em relativamente poucos milhares de anos, uma profusão de conhecimentos foi gerada e acumulada entre diferentes povos, etnias e gerações. Um imenso acervo cultural se fez de maneira a que saíssemos das cavernas e chegássemos até aqui. O lado mágico.

Paradoxalmente, entretanto, a avalanche de informações que nos alcança gera inúmeros estímulos. Alguns desses – o egocentrismo e a ostentação, por exemplo – podem nos fazer alienados e inconsequentes de nossos atos. Comportamentos patéticos e retrógrados que apontam para uma indisfarçável falta de visão. O lado trágico.

De nada adiantam os avanços tecnológicos se não tivermos plena consciência de nossa elementar natureza humana: somos seres sociais e somos uma grande fauna. O contato, a conexão, a coexistência e a estrutura social trazem saúde e equilíbrio à sociedade.

Mas o que isso tem a ver com cerveja (certamente algumas pessoas já se perguntam…)? Ora, ora, tudo a ver. A cerveja e seus negócios se dão de pessoas para pessoas. As máquinas (sozinhas) não produzem, não vendem, não compram, não comunicam, não servem e não consomem. É preciso gente por todos os lados. É preciso gente lúcida (lê-se: “sem cabrestos, por favor”) – ou seja, seres humanos em todo seu pluralismo. Cerveja de todos para todos.

Como um lembrete importante para contribuir na longevidade dos negócios: “o dinheiro segue a visão. E a visão é humanista.” Não há outro caminho; esse é o único caminho para a existência humana. Do (ainda inevitável) capitalismo, que seja então um capitalismo inteligente.

Somos pura diversidade. Por coexistência, inclusão e representação, sempre. Temos diferentes vivências no tempo e no espaço. Exercitemos o senso de comunidade e encontremos o caminho do meio. (Vamos lá, comunidade cervejeira!). Educação para transformação e evolução ética. Com a equidade social (transversal), todos ganham muito – inclusive dinheiro.

Para terminar, dizer que todo este atrevimento vem de uma pessoa de pensamento quixotesco. O argumento pode ser visto até como liberdade poética, algo irrealista. Não me importo, porque essas palavras escritas me servem particularmente como exercício catártico. Entretanto, ainda assim, seria lindo se eu tiver seu apreço. Em meio à distopia, só mesmo a utopia.


Cilene Saorin tem se dedicado às cervejas, nos últimos 28 anos, por alguns cantos deste planeta. É sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil

Sustentabilidade e opção no “novo normal”: Taru lança linhas de cerveja em latas

A cervejaria paulistana Taru, localizada no bairro da Pompéia, anunciou que as três linhas da casa agora estão disponíveis em latas. Além de refletir a sustentabilidade, a novidade foi antecipada pela necessidade da marca de se adaptar às restrições provocadas pela Covid-19.

Em meados de março, quando se iniciaram as medidas de isolamento social no país, a Taru precisou apostar no sistema de delivery, que até então não existia na casa. A situação também provocou a percepção pela demanda por bebidas em latas, uma alternativa de envasamento que não estava nos planos da marca para aquele momento.

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“O delivery foi crucial para o momento. Na ocasião, também foi criado um cardápio digital em parceria com outra empresa e a linha passou a ser divulgada nas redes sociais”, destaca Marcelo Miguel, um dos sócios fundadores da Taru, junto com Rafael Amaro.

E a escolha do recipiente foi propícia ao momento, mas não aleatória, segundo o sócio. Além de pensar na qualidade da bebida, a lata se enquadra no conceito primordial da cervejaria: a sustentabilidade. 

“Apesar dos cuidados com a qualidade da bebida ser levado em consideração, outro grande e talvez o principal motivo da gente ter escolhido fazer lata é porque Taru, nosso nome, significa árvore”, acrescenta Marcelo.

Os rótulos
A primeira linha de cervejas da Taru em latas é a fixa, com rótulos sempre disponíveis e a um custo mais acessível. Fazem parte dela a American IPA, a German Pils, a Blond Ale, a English IPA e a Otmeal Stout. 

A segunda é a linha especial, com bebidas que trazem receitas mais elaboradas e lançamentos sazonais. Nela destaca-se a Double IPA, cerveja intensa com amargor e aromas bem marcantes, e a Catharina Sour, mais leve, com acidez equilibrada e adição de maracujá, pêssego e limão siciliano na maturação.  

Já a terceira linha é a Labs, com criações exclusivas e em quantidades limitadas – essas oferecidas apenas na cervejaria.

Pensando em todo esse processo criativo, foram elaboradas artes que ilustrassem o dia a dia na Taru. E os rótulos receberam bandeiras dos países de onde vêm cada estilo de cerveja. O valor de cada lata varia de R$ 16 a R$ 33.

Agora, o trabalho com as latas vai além do delivery e a Taru já iniciou a distribuição de seus produtos para aumentar a venda em outros canais como bares, supermercados e empórios da região da fábrica-bar.

A casa ainda oferece cerveja direto do tanque com modelo de autosserviço ou servida na mesa. Lá também é possível encontrar drinques clássicos e autorais. E uma cozinha liderada pelo chef Alvaro Nunes que traz pratos, porções, petiscos, hambúrgueres e saladas. 

Entrevista: Crise foi devastadora, mas reforçou união e turismo cervejeiro

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A crise humanitária e econômica decorrente da pandemia do coronavírus trouxe efeitos devastadores ao setor. Sem bares ou eventos para escoarem seus produtos, as cervejarias se viram paralisadas e com sérias dificuldades para se manterem abertas. Aos poucos, no entanto, a tempestade arrefeceu. E, sobretudo para aquelas empresas ligadas a algum tipo de barreira erguida pela coletividade, o vento forte acabou deixando um legado que reforçou a união e a aposta no turismo cervejeiro.

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Essa é, em suma, sobre os tensos meses de pandemia, a avaliação feita por Ana Cláudia Pampillón, que é turismóloga, sommelier de cervejas, atuante no mercado de lúpulo brasileiro e coordenadora da Rota Cervejeira RJ, precursora no país do turismo cervejeiro e que engloba as cidades de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu.

“Com o mercado de eventos parado e com bares e restaurantes retornando aos poucos, eu acredito que o olhar para o turismo será mais apurado e construiremos grandes oportunidades. Todos tiveram que antecipar algumas ações (como delivery e e-commerce, por exemplo). Já as lições aprendidas foram muitas. No momento da dificuldade é quando estamos mais abertos ao aprendizado”, avalia Ana Pampillón.

Em entrevista exclusiva ao Guia, a coordenadora da Rota Cervejeira RJ conta também o que as marcas da região planejam como retomada para os próximos meses. E, entre outros assuntos, destaca o potencial do lúpulo e do turismo cervejeiro no país.

Confira, a seguir, a entrevista completa com Ana Cláudia Pampillón, sommelier de cervejas e coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

Passados seis meses do início da pandemia do coronavírus, é possível fazer um balanço sobre os efeitos da crise? Se sim, quais foram os principais para as cervejarias que compõem a Rota Cervejeira RJ?
O efeito inicial foi devastador e paralisante. As cervejarias se viram com tanques cheios, sem eventos, sem bares e restaurantes para comercializarem seus produtos e sem visitação turística. Com o passar do tempo, a associação que é turística foi além e começamos a ajudar de todas as formas possíveis para que as cervejarias conseguissem passar pela crise e saírem de pé. Várias ações coletivas motivaram o grupo. E a união se tornou mais forte.

O setor turístico foi um dos mais afetados pela atual crise. Como as cervejarias que compõem a Rota têm buscado se adaptar a esse novo cenário?
O turismo foi o primeiro a parar e, com isso, a preocupação inicial era de que todos pudessem se reestruturar para continuarem operando e se programarem trabalhando em planejamentos para a retomada. Agora, com a retomada acontecendo aos poucos, todos estão preparados e se adequaram aos novos protocolos para que as visitações sejam seguras e com experiências maravilhosas.

Como você imagina que a crise sanitária vai alterar a experiência turística?
Acredito que aqueles que oferecem experiências seguras entenderão, com o tempo, esse novo cenário. E, com grupos menores, as experiências serão enriquecedoras.

Como você acredita que a crise alterou o setor cervejeiro? Que lições devem ser aprendidas desse cenário inesperado?
Com o mercado de eventos parado e com bares e restaurantes retornando aos poucos, eu acredito que o olhar para o turismo será mais apurado e construiremos grandes oportunidades. Todos tiveram que antecipar algumas ações (como delivery e e-commerce, por exemplo). Já as lições aprendidas foram muitas. No momento da dificuldade é quando estamos mais abertos ao aprendizado.

A atual crise modificou rotinas na sociedade e mesmo operações em indústrias e empresas. O que você acredita que veio com a crise e será duradouro para o segmento?
Acredito que a retomada será mais rápida do que pensávamos no início. Percebemos as pessoas muito mais interessadas em retomar ao lazer de forma segura e, com isso, todos estão sendo surpreendidos com o aumento da procura em suas cervejarias. O que ficará para sempre? Um olhar ainda mais atento ao associativismo que trabalhamos com tanto empenho.

Aos poucos, as atividades vão sendo retomadas pelos diferentes atores da sociedade. Quais são os próximos passos da Rota RJ nesse período de retomada? E o que foi feito nos últimos meses para minimizar os efeitos da crise?
Os próximos passos da associação são formar boas parcerias com as agências de viagem, com os guias, com a rede hoteleira e toda a gastronomia da região para podermos atrair cada vez mais visitantes para a Serra Fluminense. Esse trabalho de prospecção foi feito durante a pandemia.

Uma das recentes ações realizadas pelo setor na Serra Fluminense tem envolvido a produção do lúpulo na região. Como isso tem acontecido e qual é a importância dessa iniciativa?
A importância do cultivo do lúpulo é tornar as cervejarias da região autossuficientes com esse insumo. Do ponto de vista turístico, vai agregar muito valor aos roteiros as visitações nos campos de lúpulo.

Balcão do Tributarista: A volta do Simples Nacional e a escolha do regime tributário

Balcão do Tributarista: A volta do Simples Nacional e a escolha do regime tributário

Ainda vivemos os reflexos da pandemia, seja nas modificações das relações interpessoais, com o distanciamento que se faz necessário, seja na crise econômica que dela se desencadeou e atingiu com força o setor cervejeiro, em razão do fechamento de bares e restaurantes, principais pontos de venda.

E agora, para o mês de outubro, parte dos empreendedores deste mercado devem se preparar para o pagamento dobrado dos tributos. Explicamos: quem optou por prorrogar os vencimentos dos tributos federais arrecadados pelo Simples Nacional relativo aos meses de março, abril e maio deverá, a partir de outubro, fazer o pagamento conjunto e acumulado do mês corrente com os tributos do mês prorrogado.

Até o momento não há nenhuma sinalização por parte do governo federal quanto a uma nova prorrogação dos vencimentos.

Portanto, os próximos três meses não serão nada fáceis para os empresários, que terão de arcar com a guia do mês somada aos tributos federais que foram prorrogados. E, embora a Receita Federal tenha se pronunciado no sentido de que contribuintes inadimplentes com o Simples não serão excluídos do regime diferenciado ao final de 2020, não é recomendável deixar de fazer os pagamentos.

Este momento de dificuldade pode ser útil para que o empresário faça uma avaliação do modelo de negócio e de regime tributário pelo qual opta. Muitas vezes a opção pelo Simples Nacional ou pelo regime do lucro presumido acaba se dando de forma quase automática, sem que haja uma efetiva avaliação. O regime do lucro real, neste cenário, acaba sendo descartado antes mesmo de ser cogitado.

A escolha da forma pela qual a empresa apurará e pagará seus tributos é tão importante quanto qualquer outra etapa da construção do negócio e não pode ser relegada a uma decisão automática baseada no que se apresenta como sendo o regime “mais fácil” (ou “menos complexo”). Nem sempre o caminho que se apresenta com a pretensão de ser o mais simples é o melhor.

É preciso que se considere a realidade da empresa, desde a forma como ela é constituída até a forma como comercializa seus produtos, para quem e em quais locais; de quem compra seus principais insumos; com quantos colaboradores conta; como remunera seus sócios; entre diversos outros pontos que precisam ser analisados para que se possa responder com correção e segurança a questão acerca de qual o melhor regime de tributação aplicável.

Não se desconhece que a possibilidade de opção das micro e pequenas cervejarias pelo Simples Nacional foi uma grande conquista para o setor. Sem dúvida, muitas empresas tiveram uma expressiva redução de carga tributária com a possibilidade de migrarem para o Simples. E é certo que, para grande parte das micro e pequenas cervejarias, este é mesmo o melhor regime tributário.

Mas isso não significa que não possamos analisar crítica e fundamentadamente se o regime atual (seja ele qual for, Simples Nacional, lucro presumido) é mesmo o melhor para a realidade da empresa.

Em verdade, devemos fazer isso, enquanto empresários, gestores, administradores ou profissionais ligados a empresas do setor. E este momento, pela dificuldade extraordinária que nos impõe, reforça essa necessidade de buscar sempre a otimização tributária, visando a redução de custos e a máxima eficiência das operações.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Especialista em Direito Tributário pelo IBET e mestrando em Direito pela UFRGS. Também é cervejeiro caseiro