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Mudança na Abracerva era fundamental e fortalece código de ética, dizem especialistas

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O fim de atos preconceituosos e a mudança de comportamentos que reverberem e normalizem esse tipo de ação são fundamentais em qualquer recorte da sociedade. Essa constatação reflete a mudança ocorrida no início de setembro no comando da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), com a renúncia do presidente Carlo Lapolli e de toda a sua diretoria. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Guia, foi uma demonstração de que esse tipo de atitude não tem mais espaço no segmento.

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A saída, ocorrida no último dia 2, ocorreu após o vazamento de mensagens de teor preconceituoso escritas no grupo de WhatsApp “Cervejeiros Illuminati”. A publicação de conteúdos de teor chulo que envolviam misoginia e sexismo, além de racismo e xenofobia, expôs lamentáveis comportamentos, provocou a saída da gestão anterior – com a convocação de eleições – e deve reforçar as ações para a implementação do código de ética da entidade, na visão de personalidades do setor.

Anteriormente, o mesmo grupo teve outras mensagens publicadas – essas sem a participação do então presidente da Abracerva – com teor preconceituoso, algumas delas com ataques contra a sommelière Sara Aráujo e a cervejaria Implicantes. Nesse contexto, para a jornalista e sommelière Fabiana Arreguy, não havia outra decisão a ser tomada pelo comando da associação a não ser a renúncia coletiva.

“Não seria minimamente ético que uma diretoria que compactuou por tantos anos com o conteúdo racista, sexista, preconceituoso trocado no grupo Iluminatti (e em outros vários que ainda estão ativos) continuasse representando o setor. Se a mudança começa por dentro, a troca de toda a diretoria era o único caminho”, afirma Fabiana, apontando ser esse um passo essencial para mudanças de postura.

É uma visão parecida com a de Cilene Saorin, sommelière, mestre-cervejeira e diretora da Doemens Akademie no Brasil. Para ela, a transformação efetiva do setor passa por essa mudança na associação.

 “Vejo como um processo de transformação, renovação e revolução. Espero que as pessoas que ali estavam (e também em inúmeros grupos privados que deliberam insultos) estejam procurando o caminho da desconstrução, para ser e fazer melhor com a firmeza e a convicção nesta mudança de postura. Quero ter esta boa fé. Mas a troca radical da composição diretiva da Abracerva é necessária”, argumenta Cilene, ressaltando também serem necessárias reflexões pessoais dos envolvidos nos atos preconceituosos.

“Passei dias pensando naqueles diálogos absolutamente grosseiros e na infeliz patifaria e desonra que alguns homens carregam em si. Na psicanálise de Freud, a palavra ‘recalque’ explica muito disso. Muitas vezes é, até mesmo, a síndrome ‘Beleza Americana’ (um filme bastante provocador neste sentido)”, acrescenta Cilene. “O que leva um homem a ser tão agressivo com as mulheres? Atingir a dignidade de quem quer que seja atacando sua intimidade, sua sexualidade e sua identidade é realmente algo muito perverso e doentio. É preciso olhar para si, sem escape. Terapia ajuda.”

Outros especialistas também destacaram que a mudança da diretoria era o único caminho para que trabalhos importantes realizados pela Abracerva não ficassem desacreditados ou mesmo fossem interrompidos diante da perda de confiança e apoio ao seu comando.

“As mudanças provocadas, na minha forma de entender, eram a única saída possível para que o bom trabalho que vinha sendo feito pela Abracerva em vários níveis não fosse todo colocado em questão”, afirma Diego Masiero, sócio da Krater, editora especializada em publicações voltadas ao segmento cervejeiro.

Comportamento arraigado
Para Fabiana Arreguy, os casos de preconceito revelados com a divulgação das mensagens não são uma surpresa ou novidade. Mas precisavam ser expostos para permitir a realização dos debates que possam levar o setor de cervejas artesanais a se tornar mais democrático e inclusivo.

“Penso que o preconceito sempre esteve aí, disfarçado talvez, mas presente no meio. A exposição dos casos, a meu ver, é até benéfica por trazer à tona questões antes veladas que agora pautam as discussões dentro do meio cervejeiro. Era preciso que isso fosse exposto para podermos combater de forma clara e contundente”, avalia Fabiana.

A visão de que o conteúdo revelado nas mensagens reflete comportamentos arraigados na sociedade é compartilhada por Sady Homrich, cervejeiro, sommelier e baterista do Nenhum de Nós. Para ele, as atitudes preconceituosas até já foram mais escancaradas, mas, de fato, pouco mudou no comportamento de uma parcela relevante da população nas últimas décadas.

“No tempo dos meus avós agia-se como se fosse algo normal, discriminando sexo, cor, religião, cargo profissional, poder aquisitivo, etc. Parecia que uma elite tinha ‘direitos adquiridos’ sobre essas questões e ninguém podia contestar suas verdades”, compara Sady. 

“O que mudou é que agora tudo é muito mais dissimulado porque as vozes que estão pedindo respeito e justiça são muito altas e fundamentadas. Mas lamentavelmente a discriminação continua fazendo parte do comportamento de grande parte da sociedade de várias formas”, acrescenta Sady.

Fabiana também destaca outro fator importante advindo da revelação de comportamentos preconceituosos. Em sua visão, a descoberta de facetas e posturas até então desconhecidas facilita a tomada de decisões, como sobre qual produto consumir ou com quem estar ao lado durante as atividades dentro do segmento.

“Era preciso ser exposto para deixar claro quem é quem no mercado, dando assim direito de escolha ao consumidor e também a nós que trabalhamos no meio – escolha de quais empresas queremos consumir, escolha de quais parceiros de trabalho queremos ter, escolha de com quais instituições de ensino cervejeiro queremos aprender”, destaca Fabiana.

Código fortalecido
Na avaliação de Diego Masiero, sócio da Krater, a renúncia de Lapolli e da sua diretoria se insere em um contexto mais amplo, de mudanças que vinham sendo iniciadas no setor e na própria Abracerva, que recentemente iniciou um debate para implementar seu código de ética. “A saída do ex-presidente e dos outros integrantes da direção deve representar uma mudança de postura que já vinha sendo colocada em marcha com a criação de um conselho de ética.”

Essa também é a esperança de Sady. Em sua opinião, os casos recentes de preconceito vão dar força para a implementação do Código de Ética da Abracerva e também podem ajudar a tornar o segmento mais inclusivo. “Essas manifestações, em diversos setores, incluindo o meio cervejeiro, devem fortalecer não só o Código de Ética da Abracerva, mas a inclusão natural em todos os níveis”, projeta o especialista.

O debate sobre a adoção de um código de ética, aliás, se iniciou dias antes da renúncia coletiva do comando da Abracerva. O documento foi apresentado em 26 de agosto e está disponível no site da associação, que receberá sugestões para possíveis inclusões ou alterações até 23 de setembro.

No dia 27, por sua vez, a Abracerva promoverá debate sobre o seu código de ética, com uma Assembleia Extraordinária para a sua votação e implementação tendo sido agendada para 27 de outubro. Ou seja, o processo tem ocorrido mesmo em meio ao processo de definição da nova diretoria da associação, que vem sendo presidida interinamente por Nadhine França, até então coordenadora do núcleo da diversidade.

Já o sócio-proprietário da Three Hills, Ivan Tozzi, classifica os casos de preconceito como uma “página infeliz da história da cerveja” no Brasil e um momento complicado para um segmento que ainda busca se consolidar, agora envolto na repercussão negativa dos casos de preconceito. Tozzi, porém, admite que esse tipo de comportamento nunca foi combatido efetivamente, enxergando o atual momento de crise como uma oportunidade que surge.

“A grande questão foi a exposição. Assistir o nosso setor, que é ainda um bebê no Brasil, ser visto de uma forma tão negativa nos meios de comunicação foi algo que nos deixou muito tristes. Mas uma hora ou outra isso iria acontecer, isso iria vazar, já que até então não fizemos nada efetivamente para coibir isso. Agora temos o poder de reverter, pela dor mesmo”, conclui o sócio da Three Hills.

Crescimento na devastação da Amazônia deixa cerveja da Colorado 45,9% mais cara

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O aumento nos índices de desmatamento e queimadas da Amazônia provocou a subida no preço de um rótulo recém-lançado pela Colorado. A marca da Ambev explicou que a lata de 310ml da Colorado Amazônica teve o seu valor sugerido reajustado de R$ 5,49 para R$ 8,01, em uma elevação de 45,9%.

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Quando lançou a Colorado Amazônica, a marca explicou que o valor da bebida cairia quando o desmatamento estivesse reduzido. Mas, quanto menor for a floresta, mais caro será o produto. A mudança na precificação da cerveja é baseada no Índice de Reajuste de Preços da Amazônia (IRPA).

A métrica, desenvolvida pelo MapBiomas, tem como base a comparação da média do desmatamento semanal detectado nas últimas quatro semanas com o mesmo período do ano passado. Ou seja, o último dado coletado mostra que o aumento da devastação da Floresta Amazônica foi de 45,9% em relação a 2019, com esse crescimento se refletindo no preço da Colorado Amazônica.

A decisão de reajustar semanalmente o preço da cerveja foi adotada pela Colorado quando criou a bebida e tem o intuito de chamar a atenção dos consumidores sobre a importância de se manter vivo o berço da biodiversidade brasileira, ressaltando a necessidade de uma atuação mais eficaz na proteção da Amazônia. A ação acontece em parceria com a rede Origens Brasil e se dá em um cenário de dados alarmantes sobre as queimadas na floresta.

A cerveja Colorado Amazônica é uma Witbier, também conhecida como Belgian White. Feita com farinha de babaçu, pacová e casca de limão, a receita ressalta o sabor dos ingredientes da região amazônica, algo que se tornou recorrente para a marca que costuma usar produtos tipicamente nacionais em suas fórmulas. Tem 9 IBUs e 4,5% de teor alcoólico.

O valor arrecadado com as vendas da cerveja será destinado pela Colorado à Rede de Cantinas da Terra do Meio, formada por ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares que atuam na conservação da floresta.

Referência em São Paulo, Trilha expande delivery e leva cervejas frescas a todo Brasil

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Uma das mais respeitadas representantes da revolução da cena cervejeira paulistana, a Trilha começou sua trajetória em 2016 buscando a valorização do consumo local. Agora, em 2020, o ano em que tudo virou de cabeça para baixo, a cervejaria da zona oeste amplia os seus caminhos e passa a atender em todo o território nacional, entregando criações de alta complexidade e inventividade sempre frescas por meio de um delivery próprio.

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Reconhecida pela ousadia, a cervejaria artesanal paulistana busca trabalhar com lotes pequenos. Além disso, utiliza produtos nacionais em suas receitas, como frutas, café e cacau, com preocupação especial para os aspectos sensoriais.

Foi assim que conquistou o reconhecimento do público cervejeiro de São Paulo com rótulos como a Melonrise, uma das primeiras Juicy IPAs nacionais e receita de estreia da marca, e a Pão de Mel, uma Pastry Stout. “Não pasteurizamos os nossos produtos e cuidamos da cadeia até o consumidor para garantir a melhor experiência no copo”, explica Daniel Bekeierman, que fundou a cervejaria ao lado de Beto Tempel, seu amigo de infância.

No link da loja virtual da Trilha você encontra informações sobre os clubes de assinatura, o sistema de entrega e as últimas novidades no menu de cervejas frescas da marca

“Somos uma cervejaria inventiva que não segue limitações de estilo e aposta no ingrediente local. Gostamos de usar em nossas receitas o que temos de melhor: frutas, café, cacau e tantos outros ingredientes que fazem qualquer gringo morrer de inveja”, acrescenta Bekeierman. “Nossos lotes são pequenos e estamos sempre lançando novidades em uma frequência semanal. Nossas cervejas estão sempre frescas, garantindo uma explosão sensorial.”

Além disso, a Trilha passou os últimos anos buscando fortalecer sua identificação com a cidade de São Paulo. “Aqui nos orgulhamos da pizza, das padarias, dos restaurantes, mas, quando o assunto é cerveja, existia um certo distanciamento que nos incomodava bastante”, detalha o sócio da cervejaria.

Delivery nacional
No entanto, assim como aconteceu com a maioria das cervejarias de pequeno porte, a pandemia do coronavírus forçou a marca a mudar seus planos, desviando parte do foco do taproom em Perdizes para a criação e a consolidação de sua loja virtual.

O impulso inicial, aliás, já fora dado. Desde o final de 2018 a Trilha opera um clube de cervejas, o Trilha Barrel Aged, que seleciona e envia mensalmente rótulos da marca envelhecidos em barris de madeira a um número bastante limitado de assinantes. E foi com os clientes do clube que, em maio, a cervejaria começou a colocar em prática seu sistema de entrega.

“Foram 3 meses de testes com os nossos clientes mais exigentes. Agora, estamos preparados para atender uma demanda maior e levar nossas cervejas para novas fronteiras”, relata Bekeierman.

Para ampliar e diversificar a operação, foi preciso desenvolver uma nova embalagem garantindo que as cervejas cheguem a seu destino nas mesmas condições em que são consumidas no taproom da fábrica. Para isso, a Trilha criou uma embalagem especial para a entrega de cervejas que precisam ser transportadas refrigeradas, a Termo-Pack. Além disso, para viabilizar a expansão, testou sua eficiência e experimentou algumas parcerias com transportadoras, monitorando o padrão de entrega nas cinco regiões do país.

“Estamos nos transformando e entendemos que o canal digital é o nosso caminho para nos aproximarmos de muita gente”, destaca o sócio da Trilha. “Queremos estar nas geladeiras de todo o país, mas precisamos criar a logística para nossas cervejas chegarem na melhor condição possível. Não faz sentido acabarmos com elas no meio do caminho.” 

E, de fato, não é o que tem acontecido. Segundo Bekeierman, o retorno dos clientes mais distantes tem sido positivo quanto à qualidade da bebida recebida. “Ver a alegria do pessoal ao receber nossas cervejas geladas em cidades como Recife e Salvador não tem preço.”

Junto da consolidação do sistema de entregas, a marca estendeu a abrangência do seu clube de cervejas “ultrafrescas”, enviadas diretamente do envase. Nele, a Trilha produz pequenos lotes especiais todo mês, em um “pacote” que inclui 4 latas de 350ml de receitas lupuladas de IPA – são dois rótulos diferentes por mês, ou seja, duas latas de cada receita.

Antes limitado à Grande São Paulo, o 4 Pack Ultrafresco pode ser comprado desde agosto por clientes do interior e do litoral do estado. E, de acordo com Bekeierman, aos poucos deve ficar disponível para outras regiões do Brasil.

Grupo Petrópolis investe R$ 40 milhões para auxiliar retomada de bares

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O Grupo Petrópolis vai investir R$ 40 milhões na retomada de bares, restaurantes e outros estabelecimentos através do programa “#GPcomVc. A ação pretende auxiliar o segmento de alimentação fora de casa, que tem sofrido com as necessárias medidas de isolamento social adotadas a partir de março, em função da pandemia do coronavírus.

O programa “#GPcomVc pretende auxiliar os estabelecimentos que têm enfrentado dificuldade em questões como o baixo fluxo de caixa, endividamento com fornecedores, dificuldades em obter linhas de crédito e alto custo para adequar os estabelecimentos às novas regras de distanciamento social.

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Para dar início ao projeto, o Grupo Petrópolis realizou um estudo para encontrar os estabelecimentos mais prejudicados pela pandemia. Com base nessas informações, o “#GPcomVc terá foco em bares e restaurantes localizados em áreas da periferia de grandes cidades.

O projeto de auxílio ao setor de alimentação fora de casa está previsto para começar nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, depois seguindo para outros municípios brasileiros.

O Grupo Petrópolis também vem realizando ações no país para auxiliar no combate à pandemia, como doações de álcool em gel, máscaras e distribuição de kits para os seus funcionários.

Nova fábrica na lata
Ao mesmo tempo em que busca auxiliar bares e restaurantes, o Grupo Petrópolis inaugurou recentemente a maior das suas oito fábricas, localizada em Uberaba. E, para marcar a abertura da planta industrial, a empresa inseriu na lata da Itaipava uma ilustração do local, além do selo “1ª produção da cerveja 100% Minas Gerais”. São mais de 5 milhões de latinhas que contarão com a inscrição, sendo vendidas dentro do Estado.

Com esse investimento, o Grupo Petrópolis espera aumentar a sua participação no mercado de Minas Gerais, que consome 14% de toda cerveja produzida no país. A fábrica tem quatro linhas capacitadas para o envase de 256 mil latas/hora e 140 mil garrafas/hora.

Inflação dos alimentos dispara no país, mas preço da cerveja segue em desaceleração

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O preço da cerveja em domicílio ampliou sua tendência de queda em 2020. Em agosto, o item apresentou deflação de 0,37%, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice negativo registrado no período dá sequência ao recuo do mês anterior, de 1,20%. No acumulado do ano, o produto acumula baixa de 1,98% no seu valor.

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Os dados divulgados pelo IBGE também apontaram que a cerveja fora do domicílio teve uma deflação de 0,44% em agosto. Ainda assim, o cenário é de inflação em 2020, com o acumulado do ano em 0,23%.

Já as outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram redução nos preços de 0,28% em agosto. No somatório com os outros meses de 2020, a inflação desse item está em 3,42%. Para as outras bebidas alcoólicas fora do domicílio, por sua vez, a inflação do mês foi de 0,49%. Essa variação fez o acumulado anual passar a registrar alta em 2020, ainda que de apenas 0,15%.

Alimentos disparam
A inflação registrada em agosto, de 0,24%, foi a mais elevada para o mês desde 2016. Os dados que compõem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que se refere às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos, levam o indicador a acumular alta de 0,70% em 2020 e de 2,44% nos últimos 12 meses.

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, explica que o item de maior peso (4,67% do total) no IPCA foi a gasolina (alta de 3,22%), com a segunda principal contribuição vindo do grupo Alimentação e Bebidas (aumento de 0,78%).

“Já no INPC, que é um índice mais voltado para famílias de menor renda, os produtos alimentícios (alta de 0,80% em agosto) pesam mais e por isso o índice acumula uma alta superior à do IPCA no ano”, detalha Kislanov, ressaltando que os alimentos têm peso de 20,05% no IPCA e 22,82% no INPC.

“O arroz (3,08% em agosto) acumula alta de 19,25% no ano e o feijão, dependendo do tipo e da região, já tem inflação acima dos 30%. O feijão preto, muito consumido no Rio de Janeiro, acumula alta de 28,92% no ano e o feijão carioca, de 12,12%”, acrescenta o especialista do IBGE.

Os alimentos para consumo no domicílio tiveram alta de 1,15% em agosto. Os principais itens que influenciaram a inflação foram o tomate (12,98%), o óleo de soja (9,48%), o leite longa vida (4,84%), as frutas (3,37%) e as carnes (3,33%).

Já a alimentação fora do domicílio manteve o cenário de queda nos preços, com deflação de 0,11%, apesar de ter sido menor do que a do mês anterior (-0,29%).

Casos de Covid-19 provocam greve em cervejarias da AB InBev na Bélgica

Funcionários de duas fábricas e três centros de distribuição da AB InBev na Bélgica iniciaram uma greve na quinta-feira passada. A paralisação ocorre em solidariedade a trabalhadores de uma das plantas da multinacional no país que foram contaminados pelo coronavírus. Eles cobram melhores condições nas indústrias.

Os casos foram registrados em Jupille-sur-Meuse, em Liège, que produz o rótulo Jupiler, além de outros do portfólio da multinacional. Até o momento, dez funcionários do departamento de logística da icônica cervejaria testaram positivo para a Covid-19.

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Na última sexta, funcionários fizeram uma barricada impedindo a entrada de qualquer pessoa no local, iniciando uma campanha de reivindicação por melhores condições de segurança no trabalho. A direção da empresa passou, então, a testar funcionários que pudessem ter tido contato com os infectados. No total, 148 pessoas da planta industrial foram examinadas, sem a detecção de novos casos de coronavírus.

E esses resultados foram vistos de maneira bastante positiva pela direção da empresa, que garante ter adotado critérios rigorosos de prevenção para impedir a propagação da Covid-19 em suas fábricas na Bélgica.

Novas paralisações
Ainda assim, na segunda-feira, funcionários dos centros de distribuição da AB InBev nas cidades de Ans e Jumet iniciaram greve em solidariedade a seus colegas de Jupille. Já na terça-feira foi a vez de trabalhadores de logística em Anderlecht aderirem ao movimento grevista.

Após decisão da Justiça, que obrigou a central sindical FGTB a retirar a barricada que impedia a entrada na fábrica, a paralisação na cervejaria de Jupille encerrou-se na tarde de terça-feira.

O movimento, no entanto, continua nos centros de distribuição e na fábrica de Anderlecht, mas a direção do grupo garante que não haverá problemas com as entregas e a distribuição de cerveja no país em função da greve.

(com The Brussels Times)

Ainda em queda no ano, fabricação de bebidas alcoólicas sobe 24% em julho

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A produção de bebidas alcoólicas registrou alta de 24,3% em julho, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em uma confirmação de que o pior período da crise do coronavírus já passou para o setor. Afinal, o segmento havia indicado um início de recuperação em junho, quando a fabricação também tinha crescido.

Apesar disso, a produção de bebidas alcoólicas continua em retração em 2020, agora de 6,3%, segundo o IBGE. Já a fabricação acumulada nos últimos 12 meses também permanece em queda, ainda que menor, de 2,1%.

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Em julho, a produção das bebidas não-alcoólicas ficou com um saldo positivo de 7%, na comparação ao mesmo mês de 2019. No acumulado dos primeiros sete meses do ano, porém, a queda continua sendo expressiva, de 10,2%. E, nos últimos 12 meses (de agosto de 2019 a julho de 2020), também existe retração, agora de 3,3%.

No geral, por fim, a produção de bebidas mais uma vez ficou entre os destaques da indústria nacional em julho, com alta de 4,6% na variação percentual mensal, com ajuste sazonal. O segmento também registrou alta de 16% no mês, na comparação com junho. Porém, no acumulado do ano, o setor tem queda de 8,1%. Já o saldo é negativo em 2,7% quando se leva em consideração a produção acumulada nos últimos 12 meses.

Indústria avança 8%
Pelo terceiro mês consecutivo, a produção industrial brasileira apresentou crescimento, agora de 8% em julho. A alta havia sido de 8,7% em maio e de 9,7% em junho, sempre em relação ao mês anterior e com ajuste sazonal.

Além disso, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2002, 25 dos 26 setores apresentaram taxa positiva. Mas o IBGE alerta que o resultado não elimina os efeitos da perda de 27% acumulada nos meses de março e abril, ocasionada pelas medidas de isolamento social e pela pandemia da Covid-19.

Desse modo, a indústria brasileira apresenta queda de 9,6% nos sete primeiros meses de 2020. Para o gerente da pesquisa, André Macedo, o índice e o patamar abaixo do ano passado mostram que ainda há espaço para uma recuperação maior.

“Observa-se uma volta à produção desde maio, e é um crescimento importante, mas que ainda não recupera as perdas do período mais forte de isolamento”, destaca Macedo. “Alguns setores sentiram menos, como alimentos e produtos de limpeza, mas no geral, houve uma perda muito grande no isolamento.”

Colorado lança Witbier que muda de preço conforme o desmatamento da Amazônia

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Em uma iniciativa criada com o intuito de chamar a atenção para a necessidade de uma atuação mais eficaz na proteção da Amazônia, a Cervejaria Colorado lançou um novo rótulo, a Colorado Amazônica. A sua chegada ao mercado se dá em um cenário de dados alarmantes sobre as queimadas na floresta. E o seu preço vai variar de acordo com o desmatamento no importante local para a biodiversidade brasileira.

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A cerveja Colorado Amazônica é uma Witbier, também conhecida como Belgian White. Feita com farinha de babaçu, pacová e casca de limão, a receita ressalta o sabor dos ingredientes da região amazônica, algo que se tornou recorrente para a marca que costuma usar produtos tipicamente nacionais em suas fórmulas. Tem 9 IBUs e 4,5% de teor alcoólico.

Trata-se de uma ação ousada da Colorado, uma das marcas da Ambev no Brasil. De acordo com a cervejaria, o valor da bebida cairá quando o desmatamento estiver reduzido. E, quanto menor a floresta, mais caro será o produto. O preço sugerido da lata de 310ml pode ser conferido através do link e está em R$ 5,49, com o qual foi lançado, no último fim de semana.  

Guilherme Poyares, gerente de marketing de Colorado, explica as razões que levaram a marca a assumir o compromisso com a preservação da Amazônia, destacando ser uma importante tarefa fomentar o debate sobre o tema.

“Mais do que uma cerveja, assumimos um compromisso com a conservação da biodiversidade e estamos ao lado daqueles que respeitam e ajudam a manter a Amazônia em pé. Por isso, nos cercamos de parceiros sérios que vivem e cuidam da floresta todos os dias e estamos muito felizes em fomentar essa conversa junto ao público”, afirma Poyares.

O engenheiro florestal Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, foi o responsável por desenvolver o Índice de Reajuste de Preços da Amazônia, que tem como base a comparação da média do desmatamento semanal detectado nas últimas quatro semanas e o mesmo período do ano anterior. A cada sete dias o índice será calculado e determinará o reajuste a ser aplicado ao preço da cerveja.

A ação da Colorado conta com a parceria da rede Origens Brasil®, iniciativa que promove negócios sustentáveis na Amazônia. “O Origens Brasil® é assim, acreditamos na força da atuação em rede, unindo empresas, organizações da sociedade civil, ribeirinhos, indígenas, extrativistas e consumidores em prol de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, que alia produção com conservação da floresta em pé”, conta Luiz Brasi Filho, coordenador de mercado da rede Origens Brasil®.

O valor arrecadado com as vendas da cerveja será destinado pela Colorado à Rede de Cantinas da Terra do Meio, formada por ribeirinhos, indígenas e agricultores familiares que atuam na conservação da floresta.

A situação da Amazônia
A ação da Colorado se dá em meio a um panorama complicado para a Floresta Amazônica, como ficou escancarado em fala do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em reunião do governo federal. Na época ele declarou que a pandemia do coronavírus seria uma “oportunidade” para “passar a boiada” e mudar legislações que permitiriam a ampliação do desmatamento.

Dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), levantados pelo portal IG, demonstraram que o desmatamento acumulado na Amazônia entre agosto de 2019 e julho de 2020 cresceu 34,49% em comparação ao período anterior — de agosto de 2018 a julho de 2019. Em relação à média dos últimos quatro anos, o aumento foi de 71,80%.

O mês de agosto também registrou o pior resultado de queimadas na região dos últimos dez anos, segundo informações do Estadão Conteúdo. Os dados do Inpe mostram que ocorreram 29.307 focos de calor no mês passado, volume bem acima da média histórica de 26 mil focos mensais e apenas 5% inferior aos alarmantes 30.900 registrados em agosto de 2019.

Presidente da Abracerva prega serenidade e foco na diversidade durante transição

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Dar sequência às ações e aos projetos da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) até a eleição de uma nova diretoria. Essa tem sido a missão de Nadhine França desde a última semana, quando assumiu a coordenação temporária da Abracerva na sequência da renúncia da diretoria, presidida por Carlo Lapolli, após o vazamento de mensagens de teor preconceituoso.

Junto com a diluição da gestão, definiu-se Nadhine como responsável por administrar a entidade até a escolha de uma nova chapa, o que ocorrerá em eleição agendada para 15 de outubro. “Entendo que meu papel é conduzir a associação de uma forma serena para a eleição de uma nova diretoria, mantendo os trabalhos que estavam em andamento”, aponta, ao Guia, a presidente interina da Abracerva.

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Até então, Nadhine ocupava a coordenação do recentemente criado Núcleo de Diversidade da Abracerva, tendo participação direta na confecção do código de ética da entidade, divulgado em agosto e que estava em debate para ser implementado até o fim de outubro.

Ela admite que foi surpreendida com a escolha para conduzir a organização em um cenário de ineditismo dentro da Abracerva. “Fiquei surpresa com o convite e, ao mesmo tempo, honrada pela responsabilidade de ser a cara da associação nesse momento tão sensível”, comenta Nadhine, destacando a importância do momento vivido pela associação e por ela.

A crise provocada pela divulgação de mensagens preconceituosas de diferentes personalidades do setor cervejeiro, acrescenta ela, demonstra como a diversidade é um assunto urgente para o segmento. Mas Nadhine avisa que a sua atuação nas próximas semanas será ainda mais ampla, pois se pautará por outras demandas e necessidades da Abracerva, que não poderia ter suas atividades paralisadas nos quase 40 dias que antecedem a eleição.

“A pauta sobre diversidade foi o que pautou a minha entrada na associação e segue ainda mais fundamental. E há outros projetos de capacitação, tributação e representatividade da cerveja artesanal no âmbito político e econômico em curso. Quero apoiar a equipe da Abracerva para que o período que antecede a eleição seja tranquilo e não pause esses projetos”, conta.

Nadhine tem formação como analista de sistemas. É sommelière, membro da Confraria Maria Bonita, coordenadora do Instituto da Cerveja em Pernambuco e do Núcleo de Diversidade da Abracerva, além de colunista do Guia. E, para ela, conduzir a associação durante uma crise provocada por ataques à diversidade dentro do setor cervejeiro tem um significado especial, ainda mais por esse ser o seu principal campo de atuação no segmento.

“É muito representativo que eu esteja aqui, cumprindo esse papel. Como você colocou na pergunta, sou uma mulher negra que trabalha com cerveja há algum tempo. Tenho me movimentado com essa pauta em vários recortes do mercado cervejeiro: entre os caseiros, cervejarias, apreciadores, sommeliers e comunidade”, conclui Nadhine.

Entenda a crise
As últimas semanas no setor de cervejas artesanais têm sido marcadas pela realização e revelação de ataques a pessoas, grupos e iniciativas que buscam valorizar a pluralidade dentro do segmento que teve, em janeiro, a criação de um núcleo de diversidade pela Abracerva, inspirado no modelo da Brewers Association, nos Estados Unidos.

Em julho, um rótulo da Cervejaria Nacional foi alvo de comentários sexistas, enquanto a Implicantes, cervejaria gaúcha que afirma ser a primeira fábrica negra do Brasil, sofreu ataques racistas em suas páginas nas redes sociais quando realizava campanha de financiamento coletivo.

“A namorada de um dos sócios replicou a publicação pedindo apoio e que as pessoas compartilhassem, uma corrente do bem, super normal. E ela começou a receber mensagens de ódio no perfil dela”, relembrou Diego Dias, fundador da Implicantes, em live realizada pelo Guia.

Os ataques à empresa não se resumiram às redes sociais, também ocorrendo em grupos privados de WhatsApp, como o Cervejeiros Illuminnati, composto apenas por homens e com a presença de figuras importantes. Além da Implicantes, outro alvo de comentários preconceituosos foi a sommelière Sara Araújo.

“O racismo, a misoginia, a LGBTfobia não dão um dia de trégua sequer. Eu estou muito abalada com as mensagens violentas, racistas e nojentas que recebi. Hoje, um bando de homens brancos do mundo da cerveja achou que seria legal levar minha imagem e da cervejaria Implicantes em um grupo para vomitar os seus racismos. O ataque não foi só a mim e à cervejaria. É a todo povo preto”, escreveu Sara em seu perfil no Instagram.

No fim de agosto, na sequência dos atos preconceituosos, a Abracerva criou o seu código de ética, abrindo um período para apresentação de sugestões ao documento que aponta os princípios que vão nortear as decisões da associação em questões de conduta.

“Serve para disciplinar e orientar a relação entre associados, com a Abracerva e os clientes. Serve para orientar condutas, não é uma inquisição ou um tribunal”, detalhou André Lopes, sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados, criador do site Advogado Cervejeiro, colunista do Guia e colaborador da associação.

Esse importante debate foi ofuscado no início da última semana com o vazamento de mensagens de teor preconceituoso e chulo, muitas delas escritas por Lapolli. Ele e sua diretoria, então, renunciaram na quarta-feira ao comando da associação, que tem eleições marcadas para 15 de outubro.

“A manutenção do trabalho da entidade e a necessidade de levar mais representatividade para a gestão da Abracerva foram apontadas por Lapolli como motivadores da decisão”, afirmou a Abracerva, agora comandada interinamente por Nadhine, em comunicado.

Ação da Ambev amplia desvalorização em 2020 com queda de 11% em agosto

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Em um ritmo maior de desvalorização do que o do índice Bovespa, que também caiu no último mês, a ação da Ambev teve queda expressiva em agosto, de 11,44%. O preço do papel, denominado ABEV3, até registrou leve recuperação na primeira semana de setembro, insuficiente, porém, para alterar o cenário de redução do seu valor em 2020.

A ação ordinária da Ambev fechou agosto com o preço de R$ 12,31, sendo que havia começado o mês cotada a R$ 13,90. Assim, ampliou o cenário de queda expressiva em 2020, pois o papel havia terminado 2019 a R$ 18,67. E, ainda que tenha encerrado o pregão da última sexta-feira com o valor de R$ 12,60, acumula desvalorização neste ano de 32,51%.

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Já a Bolsa de Valores de São Paulo, após quatro meses consecutivos de recuperação, teve queda em agosto. O índice Bovespa, considerado o mais importante do principal mercado nacional, fechou o oitavo mês de 2020 com 99.369,15 pontos, sendo que havia terminado julho em 102.912,24. Desse modo, desvalorizou 3,57% no período.

Na primeira semana de setembro, o Ibovespa teve alta e fechou o pregão da última sexta em 101.241,73. Isso, porém, foi praticamente irrisório para compensar as expressivas perdas do primeiro trimestre do ano, o pior da história do índice, que tinha encerrado 2019 com 115.645,34 pontos. Com isso, a queda acumulada em 2020 está em 14,23%.

Essa tímida recuperação ocorreu em uma semana em que o governo federal enviou ao Congresso a proposta de reforma administrativa, mas também de queda histórica do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que recuou 9,7% no segundo trimestre de 2020, deixando o PIB no mesmo patamar do fim de 2009.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, porém, definiu a retração como o “barulho do raio” que caiu em abril e assegurou que o país está “decolando em V”. Mas ele tem o difícil desafio de unir produção, consumo, necessidade de extensão do auxílio emergencial e cumprimento do teto de gastos.

Fora do Brasil
Entre as principais cervejarias do mundo, por sua vez, o destaque foi para a alta da ação da Anheuser-Busch InBev – multinacional fruto da fusão da belga Interbrew com a Ambev – na Europa. O papel da AB-Inbev começou o mês custando 46,12 euros e encerrou agosto com o valor de 48,81 euros. A valorização, portanto, foi de 5,83% no período.

Já a ação da Heineken teve resultado oposto ao fechar agosto cotada a 77,56 euros. Como havia terminado julho valendo 82,24 euros, a baixa foi de 5,69% no oitavo mês de 2020.