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Com alta de quase 10%, Curitiba lidera inflação da cerveja nas capitais em 2019

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Curitiba puxou a inflação da cerveja em domicílio em 2019. A capital do Paraná registrou elevação de 9,65% no somatório dos preços nos 12 meses do ano, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Se no país a alta foi de 1,94%, outras sete capitais tiveram elevação superior a 2% no preço da cerveja no ano passado. Foram elas: Rio Branco, com 5,94%, Grande Vitória, com 3,76%, Goiânia, com 3,25%, Fortaleza, com 3,18%, Belém, com 3,07%, Porto Alegre, com 2,97%, e Rio de Janeiro, com 2,81%.

Por outro lado, cinco capitais pesquisadas pelo IBGE apresentaram deflação no ano passado. As mais expressivas foram em São Luís, com -3,42%, Brasília, com -2,56%, e Salvador, com -2,03%.

Já os preços da cerveja fora do domicílio tiveram variação de 1,13% em 2019 no cenário nacional. E Goiânia foi a capital pesquisada com maior inflação, de 9,07%. As outras cidades com alta maior do que a do índice nacional foram Curitiba, com 4,48%, Fortaleza, com 3,87%, Rio Branco, com 3,73%, Recife, com 3,33%, Porto Alegre, com 3,31%, Grande Vitória, com 3,01%, e Belém, com 1,95%.

Quatro capitais, por outro lado, tiveram deflação nos preços da cerveja fora do domicílio no ano passado. Nesse cenário, as principais quedas se deram em Campo Grande, com -2,41%, e em São Luís, com -1,72%.

Dezembro
No último mês de 2019, o preço da cerveja no domicílio teve deflação de 0,77%. São Paulo liderou a baixa, com queda de 2,59%. Já a maior alta foi registrada em Curitiba, com 2,53%, seguida por Porto Alegre, com 2,18%.

Fora do domicílio, por sua vez, a cerveja teve inflação de 0,37% em dezembro. Goiânia, com 3,03%, e Belém, com 2,04%, puxaram a alta nos preços. Já a maior queda foi no Rio de Janeiro, com deflação de 0,91%.

Confira, a seguir, a variação do preço da cerveja no domicílio em 2019:
Brasil: 1,94%
Curitiba: 9,65%
Rio Branco: 5,94%
Grande Vitória: 3,76%
Goiânia: 3,25%
Fortaleza: 3,18%
Belém: 3,07%
Porto Alegre: 2,97%
Rio de Janeiro: 2,81%
São Paulo: 1,10%
Campo Grande: 0,72%
Recife: 0,00%
Aracaju: -0,31%
Belo Horizonte: -0,35%
Salvador: -2,03%
Brasília: -2,56%
São Luís: -3,42%

E a variação do preço da cerveja fora do domicílio em 2019:
Brasil: 1,13%
Goiânia: 9,07%
Curitiba: 4,48%
Fortaleza: 3,87%
Rio Branco: 3,73%
Recife: 3,33%
Porto Alegre: 3,31%
Grande Vitória: 3,01%
Belém: 1,95%
Rio de Janeiro: 0,90%
Belo Horizonte: 0,87%
Aracaju: 0,76%
Brasília: 0,26%
Salvador: -0,11%
São Paulo: -0,84%
São Luís: -1,72%
Campo Grande: -2,41%

Caso Backer: Cervejaria anuncia recall de 82 lotes de oito rótulos diferentes

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A Backer publicou, na noite desta quarta-feira, um comunicado de recall de 82 lotes de suas cervejas em função das suspeitas de síndrome nefroneural, provocadas por intoxicação por dietilenoglicol. O problema causou quatro mortes, confirmadas pela Secretária Estadual de Saúde de Minas Gerais (Ses-MG). Ao todo, 22 casos suspeitos são investigados.

Leia também – Não há dietilenoglicol na água da Backer, diz especialista da UFMG

A Backer explica em seu comunicado que o recall dos lotes de cervejas foi iniciado no último sábado, em cumprimento a uma determinação da Justiça e também a uma notificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  A cervejaria vai buscar os lotes nos estabelecimentos comerciais. Além disso, disponibilizou um número de telefone para que os clientes solicitem a coleta.

“Informamos que iniciamos o recolhimento dos lotes de cervejas abaixo relacionados, nos estabelecimentos comerciais, a partir de 18/01/2020, mediante apresentação da respectiva nota fiscal de compra, bem como celebração de acordo de ressarcimento dos valores correspondentes aos produtos recolhidos”, afirma a cervejaria em nota.

“Quanto aos clientes,pessoa física, possuidores dos lotes elencados, que desejam entrar em contato diretamente com a empresa, poderão solicitar a coleta pelo telefone: (31) 3228-8888 em horário comercial – 2ª a 6ª de 08:00h às 17:00h e sábado de 08:00h às 12:00h”, acrescenta a nota.

No comunicado, a Backer relatou quais são os lotes alvos do recall:

Capitão Senra – Lotes L2 1609 e L2 1571;
Pele Vermelha – Lotes L1 1448 e L1 1345;
Fargo 46 – Lote L1 4000;
Backer Pilsen – Lotes L1 1549 e L1 1565;
Brown – Lote 1316;
Backer D2 – L1 2007;
Belorizontina – Lotes 1348, 1546, 1487, 1593, 1557, 1604, 1474, 1081, 1075, 1088, 1078, 1104, 1144, 1136, 1172, 1110, 1159, 1166, 1147, 1176, 1169, 1187, 1205, 1197, 1215, 1227, 1253, 1244, 1260, 1275, 1272, 1269, 1295, 1307, 1301, 1304, 1322, 1334, 1354, 1373, 1388, 1379, 1392, 1398, 1383, 1376, 1406, 1370, 1412, 1415, 1424, 1428, 1421, 1433, 1436, 1446, 1455, 1440, 1467, 1464, 1479, 1482, 1493, 1506, 1718, 1518, 1521, 1534, 1552, 1574, 1580 e 1615.
Capixaba – Lote 1348

A Backer também explica quais são os sintomas provocados pelo consumo da cerveja contaminada e assegura estar contribuindo com as investigações.

“Os riscos de consumo do produto, embora ainda não comprovado que há relação direta entre o consumo e os sintomas apresentados, são: gastrointestinais como dores abdominais, vômito e náusea, associados à oligúria de evolução rápida para insuficiência renal aguda, seguidos ou não de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, barramento visual, amaurose, alterações de sensório, paralisia descendente e crise convulsiva”, enumera a empresa, antes de finalizar.

“A Cervejaria Backer reitera que está colaborando de forma integral com todas as investigações e se coloca à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos”, conclui a marca no comunicado do recall.

Novos casos
Também na noite desta quarta-feira, a Ses-MG revelou que está monitorando dois casos de pessoas que apresentaram os sintomas da intoxicação por dietilenoglicol antes de outubro do ano passado. A suspeita pode alterar parâmetros da investigação, pois as autoridades trabalham apenas com contaminações a partir do décimo mês de 2019.

Mas os casos não estão sendo classificados como suspeitos porque não há confirmação de que os pacientes ficaram expostos ao dietilenoglicol. Além disso, outras doenças relacionadas aos sintomas da contaminação ainda não foram descartadas.

“Em 21/01/2020, a Ses-MG foi comunicada da ocorrência de dois casos com sinais e sintomas semelhantes ao quadro de intoxicação por dietilenoglicol e com relato de exposição em data anterior a outubro de 2019. Estes casos estão em monitoramento pela Ses-MG, no entanto, para serem considerados casos suspeitos de intoxicação por dietilenoglicol, é necessário que haja confirmação da exposição e exclusão de outras causas para o quadro clínico apresentado”, explica o informe da secretaria.

Nos 22 casos suspeitos de síndrome nefroneural, provocados por intoxicação exógena por dietilenoglicol após o consumo de cervejas contaminadas da Backer, 19 pessoas são do sexo masculino e três do feminino. Quatro casos foram confirmados e os 18 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas compatíveis com o quadro de intoxicação por dietilenoglicol e com relato de exposição.

A Ses-MG informa ainda que, desses 22 casos, quatro evoluíram para óbito. E, dos 22 casos, 15 são de contaminação em Belo Horizonte, enquanto os demais são de Capelinha, Nova Lima, Pompéu, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

Na esfera criminal, a Polícia Civil de Minas Gerais comunicou que mais duas testemunhas prestaram depoimentos na 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, localizada no bairro Estoril, região Oeste de Belo Horizonte, na quarta-feira.

Com isso, já são 12 pessoas ouvidas – haviam sido quatro na terça-feira, outras cinco na segunda e uma em Viçosa, logo no início da instauração do inquérito. São familiares de vítimas, sendo de algumas hospitalizadas e de uma falecida.

Caso Backer: Contaminação atinge 22 casos suspeitos e oito cidades em MG

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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (Ses-MG) divulgou na noite desta terça-feira uma atualização sobre os casos suspeitos de síndrome nefroneural, provocados por intoxicação exógena por dietilenoglicol após o consumo de cervejas contaminadas da Backer. E, segundo o informe, eles já atingem 22 pessoas no estado.

Leia também – O que se sabe sobre a síndrome nefroneural e um estudo sobre a contaminação

Dessas, segundo detalha a secretaria, 19 pessoas são do sexo masculino e três do feminino. Quatro casos, por sua vez, foram confirmados e os 18 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas compatíveis com o quadro de intoxicação por dietilenoglicol e com relato de exposição.

A Ses-MG informa ainda que, desses 22 casos, quatro evoluíram para óbito. “Um desses óbitos está entre os quatro casos em que foi confirmada a presença da substância dietilenoglicol no sangue. Trata-se de um homem, que esteve internado em hospital de Juiz de Fora e faleceu em 07/01”, pontua a secretaria, dando detalhes sobre as demais mortes.

“Já os outros três casos de óbito estão entre os 18 casos em investigação. Trata-se de um homem, que faleceu em 15/01 em Belo Horizonte; um homem, que faleceu na quinta, em 16/01, em Belo Horizonte e de uma mulher, que faleceu em 28/12 em Pompéu. Estes pacientes estão entre os casos suspeitos e a confirmação sobre a causa da morte depende do resultado de análises laboratoriais.”

Se antes estavam concentrados em Belo Horizonte, agora os 22 casos se espalharam para outras sete cidades: 15 contaminados estão na capital, enquanto os demais são de Capelinha, Nova Lima, Pompéu, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.

“Em decorrência das últimas evidências obtidas, a recomendação vigente é de que, por precaução, nenhuma cerveja produzida pela Cervejaria Backer, independente de marca e lote, seja consumida. A Ses-MG também orienta à população de Minas Gerais que, caso tenha em sua residência cervejas de qualquer marca ou lote produzida pela Backer, não a descarte em pias ou vasos sanitários, nem as coloque no lixo comum, pois outras pessoas podem pegar e consumir esses produtos. Estas cervejas devem ser identificadas com alguma inscrição do tipo: ‘não ingerir; produto impróprio para o consumo'”, finaliza a secretaria.

Investigação
Enquanto os casos seguem aumentando, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) continua a investigação para entender o que provocou a contaminação. No início desta semana, na 4ª Delegacia de Polícia Civil Barreiro, localizada no bairro Estoril, em Belo Horizonte, quatro familiares das vítimas – algumas hospitalizadas e uma falecida – prestaram depoimento sobre o ocorrido.

Leia também – Após inovar e crescer por 20 anos, Backer tem futuro incerto

Responsável pelo inquérito, o delegado Flávio Grossi também pediu a exumação do corpo da mulher que teria sido a primeira vítima fatal da intoxicação – ela faleceu no dia 28/12, antes da detecção de dietilenoglicol em amostras de cervejas.

“Paralelamente, as amostras recolhidas na semana passada, tanto da cervejaria, quanto da empresa química que vendia o monoetilenoglicol, continuam sendo analisadas pelas equipes de peritos do Instituto de Criminalística (IC), de forma criteriosa”, informa a Polícia Civil. “Ainda não há previsão para a conclusão dos laudos.”

Não há dietilenoglicol na água da Backer, diz especialista da UFMG

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A Backer contratou uma perícia particular para avaliar algumas amostras de Belorizontina e da água da cervejaria. E o laudo desse estudo, divulgado nesta terça-feira por um especialista, apresentou uma grande contradição em relação aos resultados apresentados por peritos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A análise pedida pela Backer foi realizada pelo doutor e professor de química Bruno Botelho, coordenador do laboratório de produção e análise de cervejas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Amostras de água de quatro pontos diferentes da empresa foram enviadas pela Backer: da caixa d’água, de alguns tanques (não especificados), do trocador de calor e do restaurante anexo à cervejaria. “Não foi detectada a presença nem do mono nem do dietilenoglicol nessas análises de água”, avaliou Bruno.

O resultado contradiz o laudo do Mapa, que apontou contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol na água usada na produção de cervejas da Backer. Ao ser questionado sobre a divergência, o professor da UFMG disse que a diferença da metodologia de análises pode explicar os resultados distintos.

“Eu não posso afirmar com mais detalhes porque não conheço a metodologia do ministério, mas é uma questão de metodologia utilizada. Dentro do meu método eu não consegui identificar as substâncias. Possivelmente, por usar um método diferente, o ministério conseguiu detectar”, explicou.

Após analisar amostras de 4 lotes diferentes de Belorizontina, por sua vez, Bruno concluiu que é muito difícil ter havido vazamento em algum ponto do processo de produção. Isso porque a concentração de dietilenoglicol encontrada nos lotes diminui ao longo da linha do tempo de produção – o lote mais antigo possui maior concentração, e o mais novo, menor.

“Esse perfil de declínio da concentração de dietlilenoglicol dificulta a gente a associar, por exemplo, a um vazamento. Se fosse um vazamento, a concentração permaneceria constante”, detalhou Bruno, apresentando um gráfico que demonstra esse declínio.

Reprodução do estudo que mostra queda da contaminação na cerveja ao longo do tempo

Em suas conclusões, o professor informou ainda que há uma dose mínima de dietilenoglicol para que o corpo humano seja intoxicado. Segundo ele, cada garrafa de 600ml de Belorizontina analisada possuía 4,98g de dietilenoglicol e, para contaminar uma pessoa de 70kg, seria necessária uma dose de 80g.

“Precisaria consumir aproximadamente 16 garrafas de 600 ml (para ser intoxicado), o que daria um volume final de 9,6 litros de cerveja”, completou o professor da UFMG.

Festival da Rota RJ ocorre em Nova Friburgo apostando em boas cervejas e paisagens

Precursora no turismo cervejeiro nacional, ao criar um movimento em 2014 que unia marcas da Região Serrana do Rio de Janeiro, a Rota Cervejeira RJ inicia o ano de 2020 organizando o primeiro festival de sua história. Será o Festival Cerveja das Montanhas, que ocorre no Nova Friburgo Country Clube, em Nova Friburgo, no sábado, das 11h à meia noite, e no domingo, das 11h às 22h.

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O evento será gratuito e reunirá 20 cervejarias de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Guapimirim: Black Princess, Bohemia, Brewpoint, Odin, Tortuga Craft Beer, Doutor Duranz, Bassaria da Matriz, Da Corte, Madame Machado, Vila de Secretário, Colonus, Rota Imperial, Lumiarina, Barão Bier, Pontal, Alpendorf, Soul Terê, Mad Brew, Kanton Bier e Favre Baum.

Cada marca levará quatro torneiras, sendo três com estilos de linha e uma com uma cerveja especialmente produzida para o festival. Serão, assim, 80 rótulos com preço fixo pelas doses de 200 ml: R$ 8 pelas Lagers e R$ 10 pelas Ales. Já os copos ecológicos serão vendidos a R$ 10, com direito a uma dose de 100 ml de chope.

E as belas paisagens da região também prometem ser um atrativo especial do evento. “Com licença à Lei de Pureza Alemã, os quatro ingredientes fundamentais de qualquer receita de boa cerveja – água, malte, lúpulo e levedura – ganham na Serra do Rio uma companhia: a exuberante natureza da região”, afirma Ana Claudia Pampillon, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

“Clima ameno, fauna e flora ricos e abundância de nascentes e cachoeiras tornam a região um celeiro de excelentes cervejas.  Isso tornou as cidades serranas berço de grandes cervejarias e destino certo para os amantes cervejeiros no Brasil”, acrescenta.

Ana Claudia destaca, ainda, a importância do evento para o turismo local. “O Festival Cerveja das Montanhas foi desenvolvido para ser o grande motor de divulgação da cultura e do turismo cervejeiro na Serra Verde Imperial. A experimentação, provocação e desenvolvimento de toda uma cadeia produtiva e turística através de uma plataforma onde o consumidor terá acesso não só às marcas, mas também aos ativos que emolduram a Rota Cervejeira RJ.”

Além de muita cerveja de qualidade e de uma paisagem exuberante, o festival contará com a conhecida gastronomia da região, espaço kids e muitos shows, como das bandas Trisônica, Absinto, Sabottage e Cecelo Frony.

O evento terá, ainda, um concurso informal com influenciadores e consumidores para escolher a melhor cerveja do evento, além de mini aulas gratuitas sobre harmonizações, processos de produção e universo cervejeiro, que serão administradas pelo Sindicato das Indústrias de Alimentação de Nova Friburgo.

Festival Cerveja das Montanhas
Data – 25 de janeiro, das 11h à meia noite, e 26 de janeiro, das 11h às 22h
Local – Nova Friburgo Country Clube
Entrada – Gratuita
Preço das cervejas –  R$ 8 (Lagers) a R$ 10 (Ales)
Preço do copo ecológico –  R$ 10, com direito a uma dose de chope

Artigo: A classe C desconfia do seu segmento, volte três casas

Por Paulo Darcie*

Além de editar o Guia, trabalho há oito anos fazendo pesquisas de comportamento do consumidor. Ao longo desse período, pude acompanhar o surgimento de tendências que chegaram silenciosas e assim foram se consolidando até se tornarem realidades; mas também vi outras despontando com força, se revelando “modinhas” e minguando logo em seguida. Definitivamente, a valorização do produto artesanal, da produção pequena e local, fazem parte primeiro grupo.

No início da década de 2010, quando o Brasil ainda surfava a onda do boom das commodities, do aumento do poder de compra e da inclusão social por meio do consumo, ainda soava estranho para a maior parte o público o consumo de marcas regionais, da pequena produção. A suposta ascensão da classe C (não gosto do conceito, mas ele é útil…) se consubstanciava justamente na possibilidade de comprar produtos e marcas já consagrados, sonhados e, até então, inalcançáveis – mesmo que considerados “de massa”, como um tênis com 12 molas, uma camisa com um jacarezinho ou um carro 1.0.

No mesmo período em que se comemorou o “milagre” do consumo, o acesso à informação iniciava um processo de reconfiguração interminável: a internet se popularizava e novos âmbitos para troca e consumo de informações (as redes sociais são um exemplo, mas não o único) tomavam forma e novas vozes passavam a ser ouvidas. O fluxo instantâneo de informações certamente tem sua parcela de responsabilidade na propagação de tendências de consumo que apontavam para a direção oposta.

Assim, a valorização do artesanal, do local e do exclusivo ganharam espaço dentre as classes mais abastadas no meio da década, adubadas por esse fluxo de dados e, até certo ponto, como uma forma de reação a uma dinâmica de consumo que não mais diferenciava classes por “si só”. O conceito de consumo de experiência veio para arrematar, escrevendo na pedra que o ato de comer um hambúrguer de R$ 30 feito em um food truck seria capaz de proporcionar uma satisfação existencial que um combo de fast food nunca ofereceria.

A cerveja artesanal fez parte dessa tendência, instalando-se no hábito da classe A, se expandindo rumo à classe B conforme se fez mais acessível. Nos últimos três anos, flertava com a classe C, impulsionada por fatores como a compra de marcas que se destacavam por grandes corporações e como o “despertar” das marcas menores para a importância da educação cervejeira na quebra de preconceitos.

Laboratório uberlandense
Estive na cidade mineira de Uberlândia na semana passada para estudar o consumo de TV paga por famílias da periferia. No entanto, não pude deixar de fazer uma sondagem paralela sobre a nova situação da cerveja artesanal em 2020. E nem se quisesse conseguiria evitar: lá, a contaminação das cervejas da Backer é o primeiro na fila de assuntos das pausas no trabalho, no restaurante, no Uber…  Todos têm e querem dar sua opinião – formada, muitas vezes, por desinformação. Em comum, no entanto, os discursos que ouvi culminam em um descrédito da “cerveja artesanal” como um todo:

“Esse negócio de artesanal sempre dá problema”

“Eu sou brahmeiro mesmo, pelo menos a gente sabe de onde vem”

“Prefiro ficar na minha Crystal de R$ 1,60”

Obviamente não há um rigor metodológico, muito menos valor estatístico nessas impressões coletadas. No entanto, o sentido para onde todas elas apontam é claro. Vinda de pessoas que tateiam, mas que não estão consolidadas como consumidoras de cervejas artesanais, essa postura preventivamente refratária é um péssimo sinal: voltamos três casas (três anos?) na árdua batalha pela popularização e democratização do segmento.

O caso veio como uma pá de cal para aqueles que estavam começando considerar (mesmo em um cenário de sufoco no orçamento familiar) o benefício de pagar mais por produtos diferenciados. De certa maneira, o impasse nos leva para uma situação análoga à do início dos anos 2010, mesmo que sob outra lógica e, talvez, apenas circunscrito ao universo das cervejas: para “as massas”, bom, confiável e viável é o produto dos grandes fabricantes, das marcas “famosas”.

Se o laboratório uberlandense pode sinalizar algum recado: para os próximos anos, o desafio do setor deixa de ser o de ampliar e passa a ser o de reconquistar seu espaço, credibilidade e atratividade perante a classe C. Para isso, as tão elogiadas união e cooperação entre cervejeiros brasileiros não pode se limitar a brindes em eventos bacanas. Muita mão na massa vai ser necessária.


*Paulo Darcie é editor do Guia da Cerveja e pesquisador de comportamento na Vox Pesquisas

Número de lotes contaminados da Backer chega a 32; Whisky e gin serão investigados

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As perícias técnicas realizadas nas investigações da Polícia Civil e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) identificaram mais 11 lotes de cervejas da Backer contaminados por monoetilenoglicol e dietilenoglicol.

Com isso, sobe para 32 o número de lotes contaminados, de 10 marcas diferentes – 70% dos rótulos afetados é da cerveja Belorizontina.

Levantamento divulgado pelo Mapa

A perícia do Mapa identificou contaminação na chamada água cervejeira da Backer, o que coloca em risco todos os rótulos produzidos pela fábrica, já que a mesma água é utilizada em todas. Também foram confirmadas contaminações em diferentes tanques de fermentação usados na produção de diversas receitas da cervejaria.

“Cada tanque da Backer fermenta e matura cerca de 20 mil litros de cerveja, em um ciclo médio de 2 semanas, dependendo do estilo, o que leva a crer que a lista de lotes contaminados será ainda maior do que a já confirmada pelo Mapa”, explica Rodrigo Sena, sommelier de cervejas e responsável pelo canal Beersenses.

Whisky e gin
Por conta da contaminação identificada em diversos pontos da cervejaria, o Mapa informou que irá realizar testes em outras bebidas fabricadas pela Backer na mesma planta.

A cervejaria inaugurou uma destilaria em 2018, onde estava produzindo o whisky single malt Três Lobos e o gin com lúpulos da marca Lebbos. A Backer informou que não utiliza a mesma água da cervejaria na produção dessas bebidas.

Vídeo e adulteração
Enquanto as investigações prosseguem, a Backer entregou à polícia um vídeo feito nas instalações da Imperquímica Comercial Ltda, em Contagem, fornecedora da cervejaria, que mostra uma suposta adulteração do monoetilenoglicol.

O vídeo, que teria sido gravado por um ex-funcionário da Imperquímica, mostra o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol sendo misturados em uma mesmo recipiente para venda.

“Ainda é prematuro dar qualquer informação sobre o vídeo nesse momento. As autoridades competentes estão buscando as informações necessárias para a apuração da verdade. A empresa é a maior interessada em esclarecer o que realmente aconteceu”, diz Estevão Nejm, advogado da Backer.

A denúncia motivou uma ação conjunta da polícia e da vigilância sanitária, que foram até a Imperquímica e a interditaram por estar fracionando mono e dietilenoglicol para venda sem ter a licença necessária.

Mas as irregularidades encontradas e a suposta adulteração de produtos feita pela Interquímica não explicariam a contaminação das cervejas da Backer. Afinal, o fato do fornecedor manipular e adulterar as substâncias não explica porque elas foram parar dentro das bebidas, já que no processo normal de produção não há contato da cerveja com mono ou dietilenoglicol.

Tanto a Polícia Civil quanto o Mapa ainda não divulgaram uma linha de investigação definida. Na semana passada, os policiais disseram que nenhuma hipótese pode ser descartada até o momento. Já os peritos do Mapa informaram, em entrevista coletiva, que trabalham com três hipóteses possíveis: sabotagem, vazamento acidental ou uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração da cervejaria.

Vítimas
Até o momento há 19 casos notificados com sintomas da síndrome nefroneural – 17 homens e duas mulheres. Destes, quatro pessoas morreram e outras 15 permanecem internadas em estado grave. No início os casos estavam restritos a pessoas que consumiram a Belorizontina em um bairro de Belo Horizonte, mas atualmente já há notificação de casos em outras cidades de Minas Gerais.

Leia também – O que se sabe sobre a síndrome nefroneural e um estudo sobre a contaminação

Das 19 pessoas notificadas com os sintomas da síndrome, apenas quatro casos estão tecnicamente comprovados como intoxicação por dietilienoglicol. Nos outros 15, inclusive em três mortes, ainda não há confirmação técnica da intoxicação.

A demora na confirmação se deve ao fato de que apenas a Polícia Civil possui a tecnologia necessária para confirmar as intoxicações. A Secretaria da Saúde de Minas explicou que não possui a tecnologia porque a contaminação de alimentos por dietilenoglicol é algo raro, nunca antes ocorrido no estado.

“É rara a intoxicação por dietilenoglicol. A gente não sabe em relação a sequelas, evolução. Existe a possibilidade de que estes pacientes se recuperem, mas pode ser que também tenham sequelas”, explica Virgínia Antunes de Andrade, infectologista e diretora do hospital público Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte.

A Secretaria da Saúde de Minas colocou no ar um portal com informações sobre a contaminação por dietilenoglicol para a população e para profissionais da área de saúde.

Leia também – Após inovar e crescer por 20 anos, Backer tem futuro incerto

Situação atual da Backer
A cervejaria está completamente interditada pelo Mapa desde o dia 10 de janeiro, além de ter sido notificada para fazer um recall de todas suas cervejas produzidas a partir de agosto de 2019. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu por 90 dias a venda de qualquer rótulo da Backer, independente do lote.

A diretora de marketing e sócia da Backer, Ana Paula Lebbos, concedeu entrevista coletiva onde disse que a empresa não sabe explicar a contaminação. “O que eu preciso agora é que vocês não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote, por favor”, disse na coletiva.

Tanto a polícia quanto o Mapa informaram que a Backer colabora ativamente com as investigações, fornecendo com rapidez as informações solicitadas e até mesmo munindo a investigação com dados que também não foram solicitados.

Menu degustação: Doktor Bräu sustentável, festival em Campinas, ZEV em lata…

Doktor Sustentável
A Doktor Bräu instalou 130 painéis solares em sua fábrica, localizada na divisa entre Congonhal e Pouso Alegre (MG), com a intenção de gerar toda a energia que precisa. A estrutura de 3.000m² conta com sede administrativa (400m²), área produtiva (350m²),Hospício Pub, que inclui brinquedoteca para crianças de até 7 anos e loja de presentes (150m²), e estacionamento gratuito para 50 carros. A expectativa é de que o projeto “se pague” em pouco mais de um ano, proporcionando uma economia de R$ 12 mil mensais. “Agora podemos dizer que a missão da empresa está mais completa: elaboramos cervejas inovadoras com qualidade inquestionável, lançamos rótulos saborosos com frequência e proporcionamos, a cada gole da nossa bebida, uma experiência única e inesquecível ao fã de cervejas artesanais… E tomamos ações que contribuem com a preservação do meio ambiente”, diz Nuberto Hopfgartner, um dos fundadores da Doktor Bräu.

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Lançamento da Cavok
A Cervejaria Cavok, que conta com um brewpub em Jundiaí (SP), lançou sua primeira cerveja no mercado em barril e lata. É a Spithops, uma American IPA. Em sua receita, foram utilizados os lúpulos Simcoe, Mosaic, Citra e Ekuanot. Possui 43 IBUs, com 6% de graduação alcoólica.

ZEV em lata
A cervejaria ZEV, de Suzano (SP), aproveitou o início do ano para lançar suas cervejas em lata. Inicialmente, serão três estilos: Vienna Lager (350ml), NE IPA com manga (473ml) e BerlinerWeisse com jabuticaba (473ml).  Para levar seus rótulos em lata para o mercado, a marca comprou no fim de 2019 sua própria envasadora. “Sempre tivemos a ideia e a vontade de envasar nossas cervejas em lata e agora conseguimos realizar esse sonho. Estamos ampliando as opções para nossos consumidores”, comenta Mikhail Ganizev, sócio-proprietário da ZEV.

Agenda: Bier Brasil
O Festival Bier Brasil será realizado na próxima semana, de sexta-feira até domingo, em Campinas, na Lagoa do Taquaral – portões 5 e 7 –, com entrada gratuita. O evento é realizado há quatro anos em diferentes cidades do estado de São Paulo, reunindo beer trucks para a comercialização das cervejas. Nesta edição serão 20, com mais de 120 estilos. A gastronomia ficará por conta de food trucks. Já estão confirmados os seguintes beer trucks: Cervejaria Copina, Bonde Beer – Cervejaria Campinas, Beer Truck do Barbosa – Cervejaria Berggren, Mundo – Cervejaria Providência, Barba – Cervejaria Leuven, Airsoft – Cervejaria Hoffen, Cervejaria Devorss, Shorsntein, Kombinha – Cervejaria Hausen, Cervejaria Mosteiro, Nineties Bier, Madalena, Ubier – Germania, Vai Tomar na Kombi – Cervejaria Dama, Campinas Chopp – Cervejaria Vila Alemã, Cevada Pura, Cervejaria Tarantino, Cervejaria Benedetto, Cervejaria Insana e Cervejaria Burgman. 

Perfil: Após inovar e crescer por 20 anos, Backer tem futuro incerto

No final da década de 90, em Belo Horizonte, uma casa de shows começou a se destacar por causa do chope que vendia. Embora não fosse de nenhuma marca conhecida, era muito bom e ganhou fama em uma cidade que sempre amou cerveja. O local se chamava Três Lobos e pertencia à família Lebbos. Os empresários mandavam fazê-lo em uma cervejaria e vendiam como “o chope made in Minas”. O sucesso foi tanto que decidiram mudar de ramo: investiram em uma cervejaria própria e criaram a Backer, que hoje tem 20 anos de história.

“A receita do chope Backer conquistou os clientes da memorável casa de shows Três Lobos. De lá, eu e meu marido, Halim, com Munir (irmão de Halim), investimos em um espaço para criar a primeira cerveja artesanal de Minas”, contou Ana Paula Lebbos, em outubro de 2016, ao jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

Munir, Ana Paula e Halim Lebbos em 2017

Esse é o início da história de 20 anos da cervejaria Backer (“padeiro”, em alemão), que viveu duas décadas de forte crescimento e prosperidade, mas que hoje está no centro de um caso policial que envolve contaminação, dezenas de pessoas hospitalizadas e três mortes confirmadas.

Durante sua trajetória, a Backer sempre inovou e se tornou um ícone da pujança do segmento de cerveja artesanal no Brasil. “A Backer foi uma das pioneiras no mercado mineiro entre as artesanais e já saiu na frente das outras (Krug e Wäls) ao ser a primeira a envasar cervejas de estilos até então desconhecidos, como Weiss e Pale Ale, isso em 1999″, conta a sommelière e jornalista Fabiana Arreguy.

“A partir do lançamento da linha Três Lobos, em 2010, a Backer mudou o conceito dela no mercado, por trazer estilos norte-americanos que ainda eram pouco difundidos no Brasil”,acrescenta Fabiana, que é de Belo Horizonte e conhece de perto a história da Backer.

Leia também – Contaminação chega a 8 rótulos e 21 lotes de cerveja

Em 2014, com forte crescimento nas vendas, a Backer investiu cerca de R$ 6 milhões em uma ampliação e criou o chamado Pátio Cervejeiro. Além de abrigar a cervejaria, o local concentra uma destilaria, uma loja e um restaurante. O investimento ampliou a produção da empresa, que em 2019 estava vendendo suas cervejas para 16 estados diferentes.

Prêmios e a Belorizontina
No foco das investigações, a cerveja Belorizontina foi inicialmente feita como uma edição limitada, mas agradou tanto que se tornou o principal rótulo da empresa, segundo detalha Fabiana.

“A Belorizontina, criada em homenagem aos 120 anos de Belo Horizonte, em 2018, trouxe mais uma inovação ao usar lúpulos franceses na receita de uma American Lager. Essa cerveja, feita em edição limitada, foi um fenômeno de vendas, tanto assim que entrou para o portfólio fixo da Backer. E não só isso, levou à expansão da fábrica para atender a demanda de mercado. A Belorizontina passou a responder por 60% da produção da Backer”, relata Fabiana.

O investimento em inovação na construção de receitas e a qualidade das cervejas produzidas levaram a Backer a conquistar dezenas de medalhas em importantes concursos nacionais e internacionais, como World Beer Award e European Beer Star.

E, justamente no ano passado, a empresa foi coroada como a melhor cervejaria de grande porte do Brasil, no Concurso Brasileiro de Cervejas, em Blumenau (o mais importante do país) – e, também, como a melhor cervejaria das Américas, na Copa Cervezas de Americas, no Chile.

Estrutura
Atualmente com cerca de 350 funcionários diretos, a Backer não divulga números oficiais sobre sua produção. Mas, pelo volume de tanques já citados na investigação, é possível estimar que a cervejaria possui uma capacidade produtiva em torno de 1 milhão de litros de cerveja por mês, com 20 rótulos registrados.

Segundo levantamento da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva), a média de produção das artesanais brasileiras é de 20 mil litros por mês por cervejaria, o que tornaria a Backer a maior do segmento no país.  

Já o Sindicato da Indústria de Bebidas de Minas Gerais (SindBebidas) estima que o faturamento mensal aproximado da Backer estaria em torno de R$ 7 milhões, o que representa 60% da receita de todas as cervejarias artesanais do estado. A empresa também vinha produzindo outras bebidas, como um uísque single malte – o 3 Lobos – e um gin com lúpulos.

Destilaria e novo bar criado pela Backer para a degustação do whisky 3 Lobos

Polêmicas
E, como toda empresa que possui grande participação e influência no mercado, a Backer sempre causou polêmicas com modelos de negócios que fechavam pontos de venda exclusivos da mesma forma que gigantes como Ambev e Heineken fazem.

“A Backer fechava pontos de venda para outras artesanais, dando bonificações, mesas, ombrelones e freezers para ser exclusiva. Por usar dessa prática, nunca foi bem quista pelas outras cervejarias artesanais, que a enxergavam como concorrente desleal”, analisa Fabiana.

O site UOL divulgou que os donos da Backer, em conjunto com um banco, teriam procurado a Ambev para vender a cervejaria, mas a oferta teria sido recusada por conta da quantidade de passivos que a empresa possui.

A situação atual da Backer é complicada. As investigações apontaram contaminação em diversos rótulos e ninguém da empresa consegue explicar o motivo. A marca já está bastante desgastada – e não só em Minas Gerais. Ninguém arriscaria dizer qual o futuro da Backer, mas os estragos já são palpáveis. A cervejaria está interditada pelo Ministério da Agricultura, proibida de produzir e de vender qualquer rótulo de cerveja.

Para Fabiana, que vivenciou de perto a trajetória da cervejaria, é muito difícil conseguir explicar o que está acontecendo. “Difícil compreender ou supor que um erro dessa natureza, de contaminação química em fábrica, tenha acontecido por negligência ou incompetência. Mais difícil ainda é enxergar uma história de 20 anos ser destruída em apenas uma semana”, lamenta a especialista.

Artigo: Adeus 2019 da consolidação, bem-vindo 2020 dos desafios no setor cervejeiro

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*Por Bia Amorim

Com certeza 2019 foi um ano em que muita coisa aconteceu no mercado cervejeiro e o ano de 2020 chega com muitos desafios. Alguns tópicos a serem abordados, pensados e discutidos pelo setor.

  • Tivemos uma enorme sintonia entre as políticas das grandes e pequenas cervejarias e o amadurecimento da Abracerva e suas importantíssimas reuniões. A existência do “Fla x Flu” entre as grandes e as artesanais é saudável em partes, pois traz à tona debates importantes.
  • O Ministério da Agricultura (Mapa) se mostrou pronto para o presente e o futuro, já que estava no passado. Este é um ano de elogios ao trabalho feito pelo Ministério, que nos entregou uma forma mais rápida e eficaz nos registros, mas também trabalhou para colocar em prática a IN 65 e a criação de formatos onde o mercado consiga se pronunciar, como a Câmara Setorial.
  • Grandes eventos consolidados: o Mondial de la Bière se mostra cada vez mais imprescindível tanto no Rio quanto em São Paulo, o Slow Brew esgotando convites e divertindo geeks e apreciadores, o IPA Day crescendo para outras praças, Blumenau com público cada vez mais regional, mas consistente, e a Copa de POA ganhando território com o bom enlace latino. Já eventos menores ganharam o espaço regional que merecem, mas ainda com lição de casa a fazer.
  • A mineira Zalaz está dando uma aula de sustentabilidade e criatividade. Cervejarias do interior do estado de São Paulo estão mostrando que são boas de fazer marcas ciganas e desenvolvem cada vez mais ferramentas, pois para o serviço ser 100% já não basta mais entregar cerveja pronta e só. Há muitas cervejarias se expandindo, investindo e também entendendo que criar taproom talvez seja a maneira mais fácil de lidar com o consumidor e as cargas tributárias e logísticas.
  • O crescimento da cerveja artesanal no Norte e Nordeste está indo bem, mesmo que em ritmo mais lento, e tem alcançado bons números.
  • A Lagunitas chegou ao mercado para lidar com um público que não se importa com o discurso artesanal, mas quer uma cerveja boa e que tenha outros engajamentos e um bom discurso. Cada vez mais entendemos que se ficarmos na bolha não vamos sobreviver – as marcas precisam estar mais conectadas com o consumidor.
  • A Eisenbahn deu um show com as escolhas feitas na mudança do reality-show Mestre Cervejeiro, convidando influenciadores para mostrar como é a vida real para quem não conhece sobre cerveja e sobre diversidade.
  • A Colorado se manteve fiel à expansão dos bares da marca e à conquista de mais espaço com as franquias, enquanto a Pratinha, depois de entregar muitas novidades em 2019, como foi o caso da Magic Booze e das interações com IA e Machine Learning, virou um braço importante de inovações para a Zx, empresa craft da Ambev. No começo de 2020 vimos a Lohn ser também incorporada em uma nova parceria com a grande. Quem é visto, é lembrado.
  • O ano de 2020 vai ser de desafios, pois, com o otimismo na economia, o crescimento chega, mas estarmos prontos é outra prateleira. A burocracia nas vendas para quem vai crescer para outros estados precisa vir com consistência e inteligência, então acredito que deve haver mais investimento na parte de gestão e assessoria jurídica.
  • Temos o desafio da nova regulamentação de rotulagem de garrafas.
  • Vamos observar as consequências das novas mudanças na liberdade de ingredientes a serem colocados nas receitas, com a liberação de lactose, mel e outros produtos de origem animal. Podemos criar monstros, saborosos ou ruins.
  • O país está em foco e muitas cervejarias de fora, como a Brooklyn, estão concentrando esforços por aqui. Mas com a alta do dólar só ganha quem produzir “in loco”. No caso das Japas, se mostraram um passo à frente quando o assunto é networking externo e já estão bombando em lugares da cena cervejeira nos Estados Unidos, produzindo por lá.
  • As tendências gringas continuam a bater em nossa porta e cervejas menos alcoólicas ou 0% ABV devem ter crescimento alto e mais aceitação, com sabores mais bem construídos. A Heineken investiu bastante nesse segmento e tem apresentado o produto pelo mundo.
  • Estou curiosa para ver uma melhora no conteúdo postado pelas redes sociais das marcas e não apenas “recebidos” de influenciadores. É preciso ir além do básico e mostrar que existe interesse em divertir e entreter melhor os consumidores, com qualidade.
  • Muitos lançamentos de cervejas, eventos e novidades devem surgir com a melhora nos ânimos econômicos.
  • Com o crescimento dos concursos cervejeiros nacionais neste ano, os empresários cervejeiros podem aproveitar a oportunidade e ter feedbacks bem feitos, com percepções do seu produto e um mini relatório sensorial. É importante ler sem levar para o lado pessoal, rever os processos e ingredientes que usam e, como resultado, ter um produto final sem defeitos, mais técnico e maduro, o que traz mais drinkability e recompra.
  • O caso da Backer, depois de solucionado, deve mostrar ao mercado como um todo que precisamos aprender a lidar de forma séria com diversas questões que vão nos assombrar como resultado desta catástrofe.

* Bia Amorim é sommelière e editora da Farofa Magazine