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O que se sabe sobre a síndrome nefroneural e um estudo sobre a contaminação

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A contaminação de dezenas de lotes da Backer pela presença de dietilenoglicol tem provocado uma árdua investigação. Mas não é apenas na seara do mercado cervejeiro e do controle de qualidade onde os debates têm se intensificado. Na saúde, os profissionais também se esforçam para entender o que é exatamente a síndrome nefroneural.

A doença que teve seus sintomas detectados em quatro pessoas que morreram em Minas Gerais é pouco conhecida. Tanto que o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Ciev-Minas) divulgou, em janeiro, uma nota técnica emergencial sobre a “insuficiência renal aguda associada a alterações neurológicas de etiologia”.

A nota foi publicada quando havia 7 casos suspeitos – hoje já se aproximam de 20. E, segundo a análise, “a média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de 2,5 dias. Todos com insuficiência renal aguda de rápida evolução (até 72 horas) e alterações neurológicas centrais e periféricas”.

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De maneira geral, segundo o Ciev-Minas, a síndrome nefroneural provoca náusea, vômito e dor abdominal, seguidos por um quadro de rápida evolução para insuficiência renal e alterações neurológicas.

“A partir da análise inicial elaborou-se nota técnica com orientações para vigilância do agravo inusitado”, orienta o Ciev. “Definição de caso: indivíduo que a partir de primeiro de dezembro de 2019, iniciou com sintomas gastrointestinais (náusea e/ou vomito e/ ou dor abdominal) associados a insuficiência renal aguda grave de evolução rápida (em até 72 horas) seguida de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório, paralisia descendente.”

A ligação da síndrome nefroneural com a contaminação está sendo investigada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e pela Polícia Civil de MG. As substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol foram encontradas no sangue dos contaminados, em inúmeros lotes da Backer, nos tanques de fermentação e na água usada para a produção das cervejas.

Caso anterior
Um artigo escrito em 2010 por Johann Morelle, Nada Kanaan e Philippe Hantson (https://www.kidney-international.org/article/S0085-2538(15)54302-0/fulltext) e denominado, em tradução livre, “Paralisia do nervo craniano e insuficiência renal aguda após consumo de uma ‘bebida especial'”, aborda um caso de contaminação por dietilenoglicol que parece ser semelhante ao das ocorrências que envolvem as cervejas da Backer.

Como diagnóstico, o material aponta que intoxicações que resultam em insuficiência renal aguda, acidose metabólica e anormalidades neurológicas devem levar o clínico a avaliar se ocorreu ingestão tóxica de álcool. “Em nosso paciente, a intoxicação por dietilenoglicol (DEG) foi fortemente sugerida pela associação de diplegia facial periférica, tetraparesia flácida, hepatite leve e pancreatite”, explica o trio no artigo.

No caso analisado, o paciente – um homem de 40 anos – foi encaminhado de outro hospital, onde esteve internado inicialmente por quatro dias com histórico de náusea, fraqueza geral, dor abdominal, diarreia e oligúria progressiva, mas sem déficit neurológico. Os dados laboratoriais iniciais mostravam insuficiência renal aguda e acidose metabólica.

Posteriormente, ele revelou ter ingerido inadvertidamente uma bebida incolor, que lhe tinha sido oferecida cinco dias antes como uma “bebida especial” por um colega em um canteiro de obras. O artigo também aponta sintomas semelhantes aos dos casos de Minas Gerais, assim como da evolução do estado clínico.

“As primeiras manifestações de intoxicação por DEG incluem sintomas gastrointestinais, estado mental alterado e acidose metabólica. Uma segunda fase é marcada por lesão tubular hepática e particularmente renal”, diz o artigo, continuando a descrição sobre os sintomas.

“A neurotoxicidade tardia inclui anormalidades do nervo craniano (fraqueza facial, paralisia bulbar, neurite óptica) e neuropatia periférica com aumento da concentração de proteínas no líquido cefalorraquidiano. A paralisia do nervo facial parece ser um problema neurológico predominante, pois 50% dos pacientes contaminados no surto de Panamá em 2006 foram afetados e 82% deles apresentaram diplegia facial”, acrescenta.

Nesse caso específico, com encaminhamento tardio ao hospital, o paciente foi tratado por hemodiálise intermitente. A visão se recuperou precocemente, enquanto a tetraparesia – desordem na qual músculos dos quatro membros ficam fracos – começou a se resolver no 27º dia. Ele conseguiu caminhar no 34º dia. Oito meses depois, a diplegia facial periférica completa e um leve comprometimento da função renal ainda persistiam.

Caso Backer: Contaminação chega a 8 rótulos e 21 lotes de cerveja

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Conforme as investigações e os testes conduzidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) avançam, mais produtos da cervejaria mineira Backer são detectados com contaminação. Nesta quinta-feira, os técnicos do ministério anunciaram que foi encontrada a presença de monoetilenoglicol e dietilenoglicol em amostras de outras seis marcas da empresa – além da Belorizontina e da Capixaba.

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Em nota oficial, o Mapa afirmou que análises conduzidas pelos Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária constataram 21 lotes contaminados, que incluem agora Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2. Em seu portfólio fixo, a cervejaria conta com 22 rótulos.

As apurações para identificar as circunstâncias da contaminação continuam, segundo o ministério, que segue tomando medidas para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas.

Na quarta, o Mapa concluiu que a contaminação das cervejas se deu por meio da água utilizada na produção. No entanto, ainda não está claro como isto aconteceu. Os técnicos trabalham com três hipóteses: má utilização das substâncias, vazamento e até sabotagem industrial.

A fábrica da Backer teve seu fechamento e a retirada de todos os seus produtos do comércio determinados pelo Mapa na semana passada. Segundo a pasta, essas condições devem prevalecer até que sejam restabelecidas e comprovadas as condições de operação.

“Ressaltamos que a empresa permanecerá fechada até que se tenha condições seguras de operação e os produtos somente serão liberados para comercialização mediante análise e aprovação do Mapa”, diz a nota.

Por meio de suas redes sociais, a Backer tem se colocado à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e dar suporte aos familiares.

Outra morte
A Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou a morte de um homem de 89 anos que teria sido infectado pela síndrome nefroneural, acarretada pela ingestão de cerveja contaminada.

Trata-se da terceira morte (dois habitantes de Belo Horizonte e um de Juiz de Fora) comprovadamente ligada ao caso. O falecimento de uma mulher, comunicado pelas autoridades de Ubá, pode também ter origem no envenenamento dos produtos. No entanto, a hipótese não está comprovada.

Uma outra morte na cidade de Pompéu foi notificada, mas ainda está sendo investigada.

Caso Backer: Morre mais uma pessoa com síndrome nefroneural em BH

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A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou nesta quarta-feira a morte de um homem de 76 anos que estava internado em um hospital de Belo Horizonte com sintomas da síndrome nefroneural. É o segundo caso confirmado com a mesma causa de morte em MG. Uma terceira morte na cidade de Pompéu foi notificada, mas ainda está sendo investigada.

A síndrome nefroneural provoca dores abdominais, náuseas, vômitos, insuficiência renal e problemas neurológicos, como perda de visão e paralisia facial.

A Polícia Civil de Minas Gerais e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estão investigando a ligação da síndrome com a contaminação da cerveja Belorizontina e da Capixaba, da Backer, depois que 17 pessoas que apresentaram os sintomas consumiram a bebida no mesmo bairro de Belo Horizonte.

Até o momento, foram encontradas as substâncias monoetilenoglicol e dietilenoglicol no sangue de 11 pessoas, em sete lotes diferentes da Backer, nos tanques de fermentação da cervejaria e na água usada para a produção das cervejas. A cervejaria se manifestou e pediu que a Belorizontina não seja consumida, independentemente do lote.

No mesmo hospital onde faleceu a segunda vítima, há um homem internado em estado muito grave, que também consumiu a cerveja Belorizontina.

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Ainda nesta quarta-feira, a Polícia Civil informou que subiu para 18 o número de casos da síndrome investigados em Minas Gerais. Uma nova notificação chegou da cidade de Itaúna, na região central do estado.

Trata-se de uma mulher de 23 anos, que foi internada apresentando os sintomas da síndrome e levou ao hospital uma garrafa vazia da cerveja Belorizontina que disse ter consumido.

Caso Backer: Mapa identifica água contaminada e cogita hipótese de sabotagem

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou nesta quarta-feira, durante entrevista coletiva, que encontrou dietilenoglicol e monoetilenoglicol na água usada na produção de cervejas na fábrica da Backer, em Belo Horizonte. Isso implica que a contaminação pode não estar restrita à Belorizontina e à Capixaba.

“Diante da suspeita de que a contaminação por dietilenoglicol e monoetilenoglicol é sistêmica, ou seja, está presente no processo de fabricação da Backer, o Ministério determinou o recolhimento de todos os produtos da cervejaria e a suspensão da fabricação, pois outras marcas podem estar contaminadas também”, afirmou Glauco Bertoldo, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa.

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O coordenador-geral de Vinhos e Cerveja do Mapa, Carlos Müller, disse que todo o processo de fabricação da Backer está sendo periciado e que, por enquanto, há três hipóteses sendo investigadas para a contaminação da água: sabotagem, vazamento e uso inadequado das moléculas de monoetilenoglicol no sistema de refrigeração.

“É importante ressaltar que não existem limites aceitáveis para a presença das substâncias em alimentos”, destacou Carlos Müller. “Temos que ir atrás de como ocorreu esta contaminação.”

Ele informou ainda que as notas fiscais de compra do monoetilenoglicol pela Backer indicam a aquisição de 15 toneladas da substância desde 2018, com picos em novembro e dezembro de 2019. Seria uma quantidade muito alta para uma substância que é usada em um sistema fechado, segundo ele.

“Em nossa primeira análise, ainda estamos apurando isso, não justificaria um consumo a não ser que você tenha uma contínua ampliação dos sistemas produtivos”, argumentou Müller.

Os representantes do Mapa disseram também que os lotes já confirmados como contaminados foram produzidos em diferentes tanques da cervejaria, e não apenas no tanque de número 10, como era a suposição inicial. Uma nova rodada de amostras está sob análise dos laboratórios federais agropecuários e os resultados serão divulgados em breve. 

A Backer, que responderá a um processo administrativo, ficará fechada por tempo indeterminado e seus produtos só poderão voltar a ser comercializados após o Mapa comprovar a normalidade do sistema de produção da empresa.

Confira todos os lotes onde foram identificados o dietilenoglicol, segundo o Mapa:

Belorizontina L2 1354
Belorizontina L2 1348
Capixaba L2 1348
Belorizontina L2 1197
Belorizontina L2 1604
Belorizontina L2 1455
Belorizontina L2 1464

Produção de cevada tem alta expressiva em 2019, mas previsão é negativa para 2020

A produção de cevada em grãos no Brasil teve crescimento expressivo em 2019, mas a previsão é de redução na safra do cereal cervejeiro no ano recém-iniciado. Os cenários opostos estão presentes no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado, segundo a pesquisa, a produção da cevada em grão registrou crescimento de 23,2% na comparação com 2018, resultando em 400.415 toneladas. Esse dado positivo foi acompanhado pela elevação de 11,7% no rendimento médio, atingindo 3.614 kg/ha. Além disso, a área plantada cresceu 10,3%, para 110.784 ha.

Os dados confirmam a avaliação de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo. Ele apontou ao Guia que os produtores de cevada conseguiram superar um cenário de clima adverso, especialmente na região Sul, onde se concentra a produção do cereal cervejeiro no Brasil, para que 2019 terminasse sendo positivo.

O resultado da safra da cevada no ano passado está em conformidade com a produção agrícola brasileira, que apresentou bons resultados em 2019. “As safras de grãos, cereais e leguminosas em 2019 e 2020 devem registrar dois recordes consecutivos, tornando-se as maiores da série histórica iniciada em 1975. Com 241,5 milhões de toneladas em 2019, e 243,1 milhões de toneladas em 2020, as duas safras superam o recorde anterior de 2017, de 238,4 milhões de toneladas”, informa o IBGE.

Mas a projeção para a safra nacional de 2020 é negativa para o cereal cervejeiro. A expectativa é de que a produção da cevada em grão no Brasil seja de 340.274 t neste ano, o que, se tornando realidade, representará uma queda considerável, de 15%, na comparação com 2019.

Já a previsão para o trigo é de crescimento de 1,7% na produção. E isso após um ano de resultados ruins, com redução de 1,4% na produção (5.231.336 t) e de 1,5% no rendimento médio. Já a área plantada teve crescimento modesto, de 0,1%.

Polícia diz estar perto de “resultado”; Backer pede “não bebam a Belorizontina”

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O delegado da Polícia Civil de Minas Gerais, Flávio Grossi, responsável pelas investigações de contaminação de lotes da Backer, disse que está próximo de definir uma tese sobre o que aconteceu. Até o momento 17 pessoas desenvolveram sintomas da síndrome nefroneural, causada pela substância dietilenoglicol, encontrada em cervejas da marca mineira – duas delas morreram.

“Acredito que em breve, pela celeridade das investigações, nós vamos ter algum resultado, nem que seja para fechar uma linha investigativa”, disse o delegado em entrevista na tarde desta terça-feira à Rádio Itatiaia, de Belo Horizonte.

Também participou da conversa o superintendente da Polícia Técnico-Científica Thalles Bittencourt, que está a frente das perícias do caso. Ele informou que é improvável que a cerveja tenha sido contaminada fora da fábrica da Backer.

Escute a entrevista dos policiais na íntegra no site da Rádio Itatiaia

“A gente pode dizer que tem (dietilenoglicol) no sangue, tem na cerveja da casa dos pacientes, tem na cerveja de dentro da fábrica e tem no tanque de resfriamento. Agora, o modo como isso se deu é algo que a investigação dirá”, informou Thalles.

Os policiais informaram ainda que, dentro da cervejaria Backer, foram encontrados tanto dietilenoglicol quanto monoetilenoglicol no sistema de resfriamento. “No tanque de onde sai todo o líquido refrigerante que vai resfriar os tanques da empresa existe o mono e o dietilenoglicol”, revelou Thalles.

Posição da Backer
A compra de monoetilenoglicol foi admitida pela cervejaria Backer, que inclusive apresentou notas fiscais à polícia. Mas a empresa continua negando que tenha comprado dietilenoglicol.

“A Backer nunca comprou, desde nosso primeiro tanque até o momento, esse dietilenoglicol. Nós usamos o monoetilenoglicol. Ele é o líquido refrigerante usado em nossos 70 tanques para refrigeração da cerveja, usado pela nossa cervejaria e centenas de outras no Brasil e no mundo inteiro”, destacou Paula Lebbos, diretora de marketing da Backer, em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira.

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A diretora de marketing também esclareceu que a cervejaria possui processos internos bem definidos e que os lotes da Belorizontina foram fermentados no tanque de número 10, que foi lacrado e está sendo periciado. “Isso é um mistério para nós. As autoridades constataram que houve algum problema aqui dentro e eles estão investigando, em breve teremos uma resposta.”

Paula falou, ainda, que o momento exige ponderação. Assim, segundo ela, as cervejarias artesanais brasileiras não podem ser condenadas pelo que aconteceu. “O mercado cervejeiro não pode ser indiciado”, pediu.

Preocupada com a contaminação, a diretora da Backer fez também um apelo aos consumidores. “O que eu preciso agora é que vocês não bebam a Belorizontina, qualquer que seja o lote, por favor”, reforçou Paula, dando a mesma orientação para a cerveja Capixaba, que é produzida no mesmo tanque e tem a mesma receita da Belorizontina.

Caso Backer: MG confirma segunda morte com sintomas da síndrome nefroneural

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A Secretaria Municipal de Saúde de Pompéu, que fica 170 km a noroeste de Belo Horizonte, confirmou nesta terça-feira que uma mulher morreu em 28 de dezembro na cidade com sintomas da síndrome nefroneural, causada pela substância dietilenoglicol, encontrada na cerveja Belorizontina, da Backer.

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“Trata-se de paciente residente no município de Pompéu que esteve em Belo Horizonte a passeio no período do dia 15/12/2019 a 21/12/2019, cuja residência familiar se encontra no bairro Buritis”, informa a nota oficial, assinada por Fernanda Guimarães Cordeiro, secretária Municipal de Saúde.

A nota acrescenta, ainda, que o óbito aconteceu no dia 28 de dezembro e que parentes da vítima relataram que ela consumiu a cerveja Belorizontina nos dias em que esteve na capital do estado.

Já a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou nesta terça-feira que o número de notificações de pacientes com sintomas da síndrome nefroneural subiu para 17, mas que, por enquanto, quatro casos estão confirmados.

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“Até a data de 14/01/2020 foram notificados 17 casos suspeitos de intoxicação exógena por Dietilenoglicol, desses, 16 são do sexo masculino e um feminino. Quatro casos foram confirmados (um caso evoluiu para óbito) e os 13 restantes continuam sob investigação, uma vez que apresentaram sinais e sintomas com relato de exposição”, diz a nota divulgada pela assessoria de comunicação da secretaria.

Ainda nesta terça, policiais civis e peritos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estiveram novamente na cervejaria investigando o caso.

Mapa determina recolhimento de todos os rótulos da Backer; Cervejaria contesta

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Por conta dos casos de intoxicação por dietilenoglicol, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou que a Cervejaria Backer recolha do mercado não só os lotes da Belorizontina, mas faça um “recall” de todos os produtos fabricados pela companhia a partir de outubro de 2019.

Até o momento, dois lotes da Belorizontina e uma da Capixaba – rótulos Pilsen da marca mineira – foram analisados pelo Mapa, que faz parte da força-tarefa de investigação das possíveis causas da contaminação que já conta 17 vítimas – uma delas, fatal. As investigações confirmaram a presença de dietilenoglicol nos três lotes e monoetilenoglicol em um deles.

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Antes do recall dos produtos, o ministério já havia realizado o fechamento cautelar da unidade Três Lobos, em Belo Horizonte, e a apreensão de 139 mil litros de cerveja engarrafada e 8.480 litros de chope. Também foram lacrados tanques e demais equipamentos de produção.

“O ministério segue atuando nas investigações e tomando medidas para mitigar o risco apresentado pelas cervejas contaminadas pelas moléculas dietilenoglicol e monoetilenoglicol. O Mapa faz parte da força-tarefa de investigação das possíveis causas desta contaminação”, informa o Mapa em comunicado oficial.

Outro lado
A Backer, no entanto, contesta a determinação da pasta e entrou na justiça pedindo a revogação do recall. Segundo a empresa, que se manifestou por meio de nota divulgada em suas redes sociais, a investigação e os problemas apresentados dizem respeito apenas à Belorizontina.

“A cervejaria reitera que não faz uso de dietilenoglicol em seu processo de produção, e que o episódio apurado pelas autoridades limita-se ao lote de Belorizontina, não tendo qualquer relação com os demais rótulos da empresa, que possui processos autônomos de produção”, diz a cervejaria.

A Backer é uma das cervejarias pioneiras na cena mineira. Foi fundada em 1999 e conta hoje, além da Belorizontina, com outros 21 rótulos em seu portfólio.

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A nota da cervejaria diz, ainda, que o foco da empresa está nos pacientes e em seus familiares, e que “prestará o suporte necessário, mesmo antes de qualquer conclusão sobre o episódio”.

A empresa diz também que está se encarregando de retirar do mercado os lotes citados pela Polícia Civil. Consumidores que compraram unidades contaminadas podem combinar o recolhimento dos produtos em casa, entrando em contato com a Backer pelo telefone (31) 99536-4042.

Além desses lotes, a Backer está recebendo devoluções de garrafas de quaisquer lotes da Belorizontina. Os produtos podem ser entregues no ponto de venda onde foram comprados, mediante apresentação do cupom fiscal para receber o dinheiro de volta.

A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte também está fazendo um esforço de recolhimento de produtos dos lotes contaminados em nove postos de coleta:

  • Barreiro: Av Olinto Meireles, 327 – Barreiro
  • Centro-Sul: Av. Augusto de Lima, 30 – 14ª andar – Centro
  • Leste: Rua Salinas, 1.447 – Santa Tereza
  • Nordeste: Rua Queluzita, 45 – Bairro São Paulo
  • Noroeste: Rua Peçanha, 144, 5º andar – Carlos Prates
  • Norte: Rua Pastor Murilo Cassete, 85 – São Bernardo
  • Oeste: Av. Silva Lobo, 1.280, 5º andar – Nova Granada
  • Pampulha: Av. Antônio Carlos, 7.596 – São Luiz
  • Venda Nova: Av. Vilarinho, 1.300 – 2º Piso – Parque São Pedro

Caso Backer: Dietilenoglicol é encontrado em terceiro lote de cerveja

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Laudos do Instituto de Criminalística do Distrito Federal apontaram a presença do dietilenoglicol em mais um conjunto de cervejas da Backer. Trata-se do terceiro lote contaminado com a substância tóxica, responsável por causar sintomas de síndrome nefroneural em 17 pessoas de Belo Horizonte – e o falecimento de uma delas.

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Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, além do dietilenoglicol, outra substância também usada como fluído anticongelante em equipamentos industriais – o monoetilenoglicol – foi detectada no lote L02 1345 da Capixaba, uma Pilsen idêntica à Belorizontina, que já foi recolhida da fábrica da Backer.

Na semana passada, o dietilenoglicol havia sido encontrado em amostras pertencentes aos lotes L01 1348 e L02 1348 da Belorizontina, recolhidas junto aos familiares das vítimas de intoxicação. Exames de sangue dos afetados também acusaram a presença da substância. Na sexta-feira, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou o fechamento da fábrica da Backer.

“Já podemos dizer que três lotes estão contaminados com o monoetilenoglicol e o dietilenoglicol. Podemos afirmar a existência do dietilenoglicol em garrafas recolhidas na empresa, na casa das vítimas e no sangue da vítimas”, afirma Wagner Pinto, delegado-geral e chefe da Polícia Civil de Minas Gerais.

As vítimas acometidas com a doença consumiram as cervejas no bairro de Buritis, mas os três lotes investigados também foram comercializados nos bairros de Lourdes e Cidade Nova, na capital, além de Nova Lima, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo Wagner Pinto, o próximo passo é entender como aconteceu a intoxicação. “Neste contexto há uma necessidade premente do trabalho pericial”, ressaltou, lembrando que até o momento só se pode afirmar a compatibilidade dos sintomas da síndrome nefroneural com o dietilenoglicol.

Saiba mais: Entenda o caso e a posição do mercado

Em nota, a Cervejaria Backer informou que a substância não é utilizada em nenhuma fase ou equipamento de seu processo de fabricação e que continua colaborando com as investigações por meio de apurações internas e perícias independentes para averiguar as possíveis causas do incidente.

Tanques contaminados
Além dos resultados da perícia em garrafas, a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou também resultados de exames de amostras recolhidas no tanque de refrigeração usado na produção da Belorizontina. E, neles, foram constatados a presença de monoetilenoglicol.

A substância também é utilizada na indústria para evitar o congelamento de líquido em processos de produção. Ao contrário do dietileno, a perícia realizada na Backer na última quarta-feira recolheu notas fiscais que comprovam a compra de monoetileno pela cervejaria. 

O fato de a empresa afirmar que o dietilenoglicol não faz parte de seu processo de produção levantou a suspeita de que a Backer possa ter sido vítima de um ato de sabotagem. Apesar de não haver indícios concretos, uma informação chamou a atenção do mercado e está sendo levada em conta pela polícia: um supervisor da fábrica registrou, no dia 19 de dezembro, um boletim de ocorrência por ter sido ameaçado por um funcionário demitido. O supervisor, no entanto, não voltou à delegacia para dar continuidade à ação penal.

Com queda em dezembro, cerveja fecha 2019 com inflação de quase 2%

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O preço da cerveja no domicílio registrou inflação de 1,94% em 2019, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta veio mesmo após a redução de 0,77% em dezembro.

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A inflação da cerveja, no entanto, é bem inferior à do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve elevação de 4,31% em 2019, acima da meta do governo federal, de 4,25%.

No último mês de 2019, por sua vez, a cerveja fora do domicílio teve alta de 0,37%, fechando o ano com inflação de 1,13%. Essa elevação, porém, foi bem abaixo do IPCA de dezembro, de expressivos 1,15%.

Outros itens pesquisados pelo IBGE também apresentaram alta em 2019. Foram os casos de outras bebidas alcoólicas, seja no domicílio, com elevação de 1,65%, ou fora do domicílio, com inflação de 2,11%. E, especialmente, do setor de alimentação e bebidas, com aumento nos preços de 6,37%, puxado pelas carnes.

Desses elementos pesquisados, apenas o item outras bebidas alcoólicas no domicílio teve deflação em dezembro, de 0,29%. Os demais apresentaram inflação: outras bebidas alcoólicas fora do domicílio subiram 0,28% e alimentação e bebidas, 3,38%.

“O destaque ficou com as carnes, cuja variação acumulada no ano foi de 32,40%, com a maior parte do aumento nos preços concentrada no último bimestre (27,61%)”, explica Pedro Kislanov, gerente do IPCA.

“Pesou também a alta nos planos de saúde (8,24%), por conta do reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A alimentação fora do domicílio também influenciou o índice, em função do aumento das carnes”, complementa Kislanov.