Início Site Página 268

Entrevista: Setor cervejeiro usa embalagem para agilizar aproximação com a sociedade

Um decreto do Ministério da Agricultura que passa a vigorar na segunda quinzena de novembro, criado após uma Ação Civil Popular do Ministério Público Federal, obrigará que todos os rótulos de cerveja comercializados no Brasil devam descrever de forma clara os ingredientes utilizados na bebida. Tal medida, que parte do pressuposto de que a rotulagem tem um papel social de informar exatamente o que será consumido, não poderia estar mais de acordo com o modo como a embalagem tem sido utilizada pela indústria cervejeira nacional.

Leia também – Entenda a nova regra de rotulagem de cerveja que entra em vigor em novembro

Para Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), a embalagem cumpre exatamente uma função “social” no setor cervejeiro, capaz de aproximar o consumidor do produto por meio de ações nas mais diversas searas.

A entrevista com Luciana foi realizada em outubro, pouco depois da realização do Prêmio da Embalagem Brasileira, que consagrou embalagens como a edição especial da Skol para comemorar o mês do orgulho LGBT+.

“Mais recentemente, o que chamou a atenção foi o uso de tecnologias diferenciadas para trabalhar uma agilidade de posicionamento da marca envolvendo a sociedade e as datas comemorativas”, analisa Luciana. “É um setor que entende a embalagem como uma ferramenta de aproximação do consumidor, de criação de um vínculo com os consumidores.”

Leia também – 5 cervejas medalhistas no Prêmio da Embalagem Brasileira

E a premissa parece identificada com a própria atuação da Abre. Referência no setor e com mais de 50 anos de atividades, a associação construiu sua trajetória calcada em três vetores: ser um catalisador e interlocutor no ecossistema de embalagem; construir uma visão de futuro para apoiar a aceleração do setor; e compartilhar conhecimento para valorizar o cenário brasileiro.

Confira, a seguir, a excelente análise sobre a relação entre cerveja e embalagem feita por Luciana Pellegrino, diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre).

Como você avalia a qualidade da embalagem das cervejas brasileiras?
Muito bem. Temos todos os anos o Prêmio Abre, que é o prêmio da embalagem brasileira, que visa reconhecer e incentivar as inovações de embalagens nos principais segmentos de bens de consumo. E todos os anos o setor de cerveja se destaca. Tanto as artesanais como as marcas mais tradicionais apresentam continuamente muitas inovações, tanto em design, em termos de abordagem para o consumidor, como em questões tecnológicas, estruturais em relação à embalagem. Já vimos inovação em termos de eficiência, envolvendo o uso dos materiais, com novos formatos, impressões diferenciadas em relação ao relevo, com aplicação até de verniz no rótulo de papel. Mais recentemente, o que chamou a atenção foi o uso de tecnologias diferenciadas para trabalhar uma agilidade de posicionamento de marca envolvendo a sociedade e as datas comemorativas. O que a gente sentiu foi uma diferenciação em termos de abordagem em campanhas promocionais, o que mostra um grande dinamismo dessa categoria.

Observando os prêmios que algumas cervejarias ganharam, podemos dizer, então, que a capacidade de dialogar com questões sociais e culturais é um dos grandes destaques dessas embalagens?
Essa capacidade de dialogar é um dos destaques, assim como esse protagonismo para construir esse diálogo. É um setor que entende a embalagem como uma ferramenta de aproximação do consumidor, de criação de um vínculo com os consumidores. O setor cervejeiro vem usando a embalagem como ferramenta para construção da percepção da marca.

Pensando na embalagem de cerveja, seja qual for o material, existe um equilíbrio ideal entre questões funcionais e estéticas? E o que é preciso ser feito para atingir esse equilíbrio?
Precisa trabalhar os dois aspectos. Cada um tem uma influência em momentos diferentes de consumo. A questão da apresentação é muito importante no momento da venda do produto, para captar a atenção do consumidor, passar a percepção de valor agregado, de diferencial do produto. O design tem muita importância no momento de venda e no consumo. O consumo da cerveja tem muitas vezes o cunho social. Você está em uma reunião de amigos, em um momento de comemoração, de festa e de confraternização. O design ajuda muito a construir essa mensagem.

A questão da funcionalidade também é fundamental no momento do uso, na eficiência na ocasião do consumo, na forma como ele foi proporcionado, na facilidade de abertura e fechamento, na manutenção das propriedades do produto, sua temperatura. A funcionalidade tem um peso grande na satisfação do consumo, o que é fundamental também. Eles se completam e precisam caminhar em conjunto.

O setor vê hoje o aumento da valorização das latas, ainda que parte do mercado consumidor mantenha a preferência pelas garrafas. Quais as vantagens e desvantagens de cada um desses materiais? E quando uma cervejaria deve apostar em um ou em outro?
O que acontece é ver qual seria a mais adequada para cada ocasião e público-alvo. São entregas diferentes. A garrafa, principalmente a de 600ml e a retornável, tem a questão do custo-benefício, da quantidade maior por um preço menor, porque você tem a possibilidade de retornar aquela garrafa ao ponto de venda, o que torna mais eficiente e caracteriza bem esse consumo coletivo, de compartilhamento, celebração.

A lata traz o aspecto da portabilidade, de entrar em ambientes diferentes de consumo pela praticidade. A long neck também traz o aspecto da portabilidade, mas a lata se insere melhor em alguns momentos de consumo. Então, a gente percebeu o movimento de algumas artesanais para atuar no alumínio, para ser uma opção nos momentos em que a portabilidade é fundamental, onde se busca uma eficiência com custo-benefício para essas ocasiões de consumo.

Agora, isso só passou a ser possível porque a própria indústria de embalagens se acomodou para atender cervejarias que têm volumes bem menores do que as grandes marcas. Não foi só um desejo delas, mas também uma viabilidade de produção que agora passou a ser possível. Muitas artesanais utilizavam uma garrafa standard em que a rotulavam para fazer a sua identidade de marca. A lata pressupõe uma impressão direta, você já tem que encomendar um lote personalizado, que é um desafio para o mercado. E ele se estruturou para também permitir esse lote das latas de alumínio.

Como fazer uma embalagem bonita e diferenciada no setor de artesanais? O que é tendência nesse mercado para conseguir produzir essa embalagem ideal?
A tendência é muita personalidade. A artesanal é assim porque ela foi feita por alguém, por uma pequena empresa que carrega consigo aspectos culturais, de identidade ou mesmo de propósitos que são muito fortes. Então ela tem que refletir o que significa a empresa que está colocando aquele produto no mercado, se ela é calcada na regionalidade, em alguma proposta específica, que mensagem aquela marca está trazendo. Isso tem que ser trabalhado de fato para uma forma muito criativa nos rótulos, porque você tem uma gama grande de cervejas artesanais. Então você precisa posicionar a sua marca, criar um diferencial e captar a atenção do consumidor no seu produto. É muito interessante, porque a gente vê nessa linha muita criatividade, tanto que muitas cervejas artesanais ganharam o Prêmio Abre, porque elas vêm de uma forma muito criativa, sem medo, quebrando barreiras e padrões. Elas vêm em cima da sua personalidade, em cima da mensagem que querem construir.

Pensando tanto no mercado nacional quanto no externo, quais bons exemplos você daria de embalagens de cerveja? E o que faz destes modelos um exemplo?
Os que sempre lembro melhor são os vencedores do Prêmio Abre. A Império traz uma long neck com um sistema de abertura e fechamento diferenciado, construindo a partir desse sistema todo o seu posicionamento e a sua proposta de valor. O que achei muito interessante nesses anos é que a Skol, mesmo sendo uma marca mainstream, de mercado, vem trabalhando muito no seu design, em novos posicionamentos, na conexão com o público. De alguma forma, está conectada com temas que estão na pauta da sociedade. É muito interessante ver que uma marca tão tradicional, e que poderia ter certos medos de se apresentar de modo diferente, consegue se diversificar para criar diferentes conexões. A garrafa da Budweiser que venceu o último prêmio tem um trabalho no rótulo de impressão bastante diferenciado, como atributo de valor agregado que chama bastante atenção.

O milho está nu: Entenda a nova regra de rotulagem que entra em vigor em novembro

4

O mercado brasileiro de cerveja está vivenciando intensas mudanças. Um ano depois do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicar uma instrução normativa que regulamenta a rotulagem de cerveja no Brasil, dando o prazo de 365 dias para as empresas se adaptarem, as novas exigências passam agora a ser oficiais.

Assim, a partir do dia 18 de novembro de 2019, todos os rótulos de cervejas comercializados no Brasil, sejam produzidas aqui ou importadas, devem descrever de forma clara todos os ingredientes utilizados na bebida.

O texto da Instrução Normativa 68 do Mapa afirma categoricamente: fica estabelecida a obrigatoriedade de constar, de modo claro, preciso e ostensivo, na rotulagem de cervejas, as informações que indiquem os ingredientes que compõem o produto, substituindo as expressões genéricas ‘cereais não malteados ou maltados’ pela especificação dos nomes dos cereais e matérias-primas efetivamente utilizados como adjunto cervejeiro.

Mas o decreto também determina que, quando forem usados derivados (como xaropes, quirera ou amido), o ingrediente citado deverá ser o de origem. Ou seja: se, por exemplo, a cerveja contiver xarope de milho de alta maltose, seu rótulo deverá conter apenas o ingrediente “milho”.

Essa, aliás, não é a primeira mudança a regulamentar o mercado brasileiro de cerveja dos últimos meses. Em julho, por exemplo, em uma decisão que trouxe muita polêmica, o Mapa assinou um decreto liberando o uso de produtos de origem animal – como mel e leite – na composição da cerveja.

E, na semana passada, o mercado cervejeiro nacional ganhou importante impulso com a instalação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja, órgão que reúne inúmeras entidades do setor.

Leia também – Entenda em 4 pontos como a Câmara da Cerveja pode fortalecer o mercado brasileiro

Saúde pública
A obrigatoriedade de detalhar os ingredientes é resultado de uma Ação Civil Popular do Ministério Público Federal de Goiás, que teve como réus grandes cervejarias do país e a União. A procuradora da República Mariane Guimarães, autora da ação, defende que o acesso à informação é uma questão de saúde pública para os consumidores de cerveja.

“A mera aposição da informação ‘cereais não-malteados’ ou ‘adjuntos cervejeiros’ nos rótulos das cervejas é insuficiente para que os fabricantes se desincumbam do ônus de prestar informações claras e precisas sobre os produtos que colocam no mercado de consumo”, conclui a procuradora.

Para Rodrigo Sena, sommelier de cervejas, adjunto pode ser considerado qualquer ingrediente usado na produção que não seja água, malte, lúpulo e levedura. “Frutas e condimentos, por exemplo, também são adjuntos, mas a polêmica está nos adjuntos que substituem o malte nas receitas”, detalha o especialista.

Segundo ele, as cervejarias que usam milho ou xaropes ocultam isso em seus rótulos por medo de rejeição dos consumidores, que preferem cervejas com mais sabores. “Muitas vezes uma cerveja que contém milho ou arroz não é ruim. O problema é que as cervejas de maior escala substituem cerca de 45% do malte por esses adjuntos, e isso deixa a cerveja neutra, sem diversidade de sabores”, explica Rodrigo. 

Repercussão
Com essa nova regra, as cervejas que não são puro malte estão obrigadas a dizer quais são suas fontes de açúcar, além do malte de cereais. “Essa mudança vai afetar muito mais as cervejarias mainstream (grandes), que ainda relutam em descrever os adjuntos usados, tanto que até esta data a maioria segue não se adequando”, explica André Lopes, advogado especializado no setor cervejeiro.

“É uma grande conquista para as cervejarias artesanais e, principalmente, para os consumidores que, por muitos anos, tiveram o direito à informação, que é uma garantia do Código de Defesa do Consumidor, sonegado pelas grandes cervejarias no Brasil”, completa André.

A decisão também foi bem vista pelo mercado de cerveja artesanal. Para Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), a rotulagem mais detalhada trará transparência aos consumidores.

“Havia sempre uma tentativa de esconder o milho. Agora a informação deverá ser mais clara e isso sempre é bom para o consumidor e para a indústria também”, defende Lapolli.

Já o empresário cervejeiro Vitor Fachini, gerente comercial da cervejaria Wayne190, de Sorocaba, garante que a nova regra de rotulagem vai ajudar os consumidores a escolherem melhor a sua cerveja.

“Com essas informações em mãos, o consumidor vai poder entender com mais clareza o que está bebendo. Acredito que isso aumenta a probabilidade de ele procurar mais qualidade em cervejas puro malte”, finaliza o gerente da Wayne190.

Amianto na cerveja foi responsável por aumento de casos de câncer, diz estudo

Cientistas da Universidade de Liverpool descobriram que o crescimento significativo de câncer de esôfago nos últimos 50 anos no Reino Unido e em outros países pode ter ligação com a ingestão de amianto junto de cerveja.

O uso da fibra era bastante comum na década de 1970 como parte de um método de filtragem de restos de cerveja e outras bebidas alcoólicas. Esse processo era adotado por donos de pubs, visando reaproveitar restos e vendê-los a clientes “desatentos” no dia seguinte.

Leia também – Morador de Londres gasta duas vezes mais em cerveja do que demais britânicos

Até a década de 1970, os efeitos cancerígenos do amianto eram pouco conhecidos. Com o crescimento das preocupações acerca dos efeitos colaterais da substância, ela foi perdendo espaço em diversas indústrias em que era largamente usada – no Brasil, foi explorada desde a década de 1940 e só foi proibida definitivamente em 2017. No entanto, poucos estudos buscaram compreender as consequências da ingestão do produto no aparelho digestivo.

O trabalho de Jonathan M. Rhodes, professor de medicina, e de Rebecca C. Fitzgerald, pesquisadora da Universidade de Liverpool, foi publicado em maio pelo British Journal of Cancer, mas só ganhou repercussão nessa semana, após reportagem do tabloide The Sun sobre o assunto.

Canal pelo qual o alimento ingerido é levado da garganta até o estômago para o processo de digestão, o esôfago tem funcionamento parassimpático, ou seja, faz movimentos involuntários de contração para “empurrar” o alimento para baixo. 

A incidência de câncer no esôfago aumentou seis vezes no Reino Unido nos últimos 50 anos e hoje mata cerca de 8 mil pessoas por ano. A letalidade, no entanto, é maior entre os homens: 90% das vítimas são do sexo masculino.

O amianto no Reino Unido
No estudo, os autores afirmaram que “parece plausível que fibras de amianto ingeridas – incluindo, mas não se limitando às presentes em cerveja consumida antes de 1980 – podem ser fator significante para o adenocarcinoma de esôfago que afeta prioritariamente indivíduos do sexo masculino em certos países”.

No entanto, o longo intervalo de tempo (décadas) entre a exposição inicial ao amianto e a manifestação do câncer os levou a inferir que a substância age como promotor da doença – e não como seu principal gerador.

O Reino Unido é o país com a maior incidência de mesotelioma, o câncer que se desenvolve a partir da exposição ao amianto. Quase todos os casos se relacionam à exposição anterior à década de 1980. O uso do amianto do tipo crocidolite, também chamado de amianto azul, foi interrompido lá em 1970, enquanto a amosite (o amianto castanho) foi proibida no final da mesma década.

Das 2542 mortes por esse tipo de câncer em 2015, apenas três foram de indivíduos nascidos após 1975, o que corrobora a hipótese do estudo. Se o padrão se repetir, o Reino Unido estará livre das mortes por mesotelioma em 2055, quando todos os possíveis afetados terão mais de 90 anos.

14 cursos de férias da Escola Superior de Cerveja e Malte

As férias prometem ser agitadas para o cervejeiro. A Escola Superior de Cerveja e Malte (ESCM) informou que abrirá 14 cursos intensivos para janeiro de 2020. As capacitações têm duração de até duas semanas.

As inscrições para as aulas ficarão abertas até 27 de novembro (clique aqui para mais detalhes). A Escola Superior de Cerveja e Malte fica em Blumenau, mas três desses cursos têm a opção de serem realizados à distância.

Além de ser a única instituição de ensino superior voltada à cerveja da América Latina, a ESCM é representante no Brasil da alemã Doemens Akademie, uma das principais escolas cervejeiras do mundo. Por isso, os alunos que concluírem o curso de Sommelier de Cervejas receberão a certificação internacional, que possibilita atuar fora do país.

“Temos alunos iniciantes no mercado e aqueles que já estão na sua terceira capacitação, por exemplo. Poder conviver com pessoas e realidades tão diferentes é de suma importância para quem quer atuar no setor. Entendemos que essa vivência agrega não só aos participantes, mas também traz uma nova perspectiva para o corpo docente como um todo”, pontua Carlo Bressiani, diretor da escola.

A sede da ESCM conta com salas de aula, brewpub, laboratórios de produção de cerveja industrial e caseira, de química e microbiologia, de micromaltaria, de destilação e de produção de bebidas não alcoólicas, além de uma biblioteca referência sobre cerveja.

Confira, a seguir, os 14 cursos de férias da ESCM:
– Como Vender Cerveja (à distância)
– Como Montar Sua Cervejaria (à distância)
– Gestão de Microcervejaria (à distância)
– Aprofundamento em Lúpulo
– Cervejeiro Artesanal – Home Brewer
– Sommelier de Cervejas
– Harmonização de Cervejas
– Master em Estilos de Cervejas
– Mestre Destilador
– Mestre Malteiro
– Microbiologia da Cerveja
– Produção de Bebidas Não Alcoólicas
– Produção de Cervejas Não Convencionais
– Tecnologia Cervejeira Avançada

Produção de bebidas alcoólicas tem recuperação expressiva em setembro

Após três meses de queda, a produção de bebidas alcoólicas voltou a crescer no Brasil em setembro. A elevação da fabricação foi relevante, de 10,9%, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contribuiu, portanto, para elevar o ritmo da produção industrial, que subiu 0,3% no nono mês do ano.

Assim, a produção de bebidas alcoólicas ampliou o crescimento em 2019, agora em 5,3% até setembro. Já o aumento no período de 12 meses é de 3,3%.

O cenário de crescimento na fabricação em setembro se repete na indústria de bebidas em geral. Houve elevação de 10,4% no nono mês do ano, com os dados também sendo positivos em 3,6% no somatório de 2019 e em 1,8% nos últimos 12 meses.

O crescimento se repetiu com a produção de bebidas não-alcoólicas: a elevação foi de 9,9% na comparação com o mesmo período de 2018. Há, também, aceleração de 1,8% nos nove primeiros meses de 2019, com estagnação – 0,0% – no acumulado dos últimos 12 meses.

Também correu melhora, ainda que tímida, nos  números para a indústria nacional, com crescimento de 0,3% no nono mês de 2019, na comparação com agosto. A produção também se elevou 1,1% em relação a setembro de 2019. Porém, há encolhimento de 1,4% em 2019 e nos últimos 12 meses.

“Temos o crescimento na produção da indústria por dois meses consecutivos, algo que não vemos desde março e abril de 2018. A observação é que esse crescimento está concentrado em poucas atividades: 11 das 26 atividades mensuradas pela pesquisa. O ideal é que esse crescimento atinja um número maior de setores”, explica André Macedo, gerente da pesquisa.

“Temos um ambiente de incerteza no mercado, com parte das famílias adiando as decisões de consumo, os trabalhadores fora do mercado de trabalho e a diminuição na demanda”, acrescenta Macedo.

Menu degustação: Ação da Brahma com São Marcos, pé de Mé da Cacildis…

São Marcos, o Goleiro Brahma
Em ação especial, a Rappi e a Brahma ofertaram uma opção inusitada na função Goleiro Brahma do aplicativo para telefones celulares. No último sábado, o ex-goleiro Marcos, pentacampeão mundial com a seleção brasileira em 2002 e herói da conquista da Libertadores de 1999 pelo Palmeiras, atuou em dois jogos em São Paulo. Foi uma forma de divulgar a funcionalidade do aplicativo, em que os interessados podem solicitar um goleiro, escolhendo a hora e o local da partida. “Queremos fazer parte da vida das pessoas, com presença nas principais celebrações. Quem não gostaria de jogar ao lado do Marcos? Ele foi um dos jogadores mais carismáticos do futebol brasileiro, com participação em grandes conquistas da seleção brasileira e do Palmeiras. Se aquele jogo entre os amigos é sempre divertido, imagine como será depois desse reforço no gol”, afirma José Octavio Freitas, gerente de marketing de Brahma.

Rótulo do All Beers
O All Beers lançou a sua própria cerveja, batizada de Phenomena. É uma West Coast IPA com 6,5% de teor alcoólico. Além disso, o portal criou uma nova página chamada All Beers Conspiracy, que será responsável por todos os rótulos feitos em parceria com a Invicta, de Ribeirão Preto. O rótulo minimalista da Phenomena foi feito pela artista Shee, tendo uma pintura com colagens inspirada no estilo West Coast IPA e suas características resinosas. O nome Phenomena deriva de uma música da banda norte-americana Yeah Yeah Yeahs.

Pé de Mé da Cacildis
A Brassaria Ampolis lançou mais um filme da Cacildis para reverenciar uma das expressões características do humorista Mussum: o Mé. Trata-se da campanha “Pé de Mé”, que mostra como eles são cultivados (veja aqui). No roteiro, um botânico apresenta a “salvação da lavouris”, uma árvore frondosa que dá frutos diferenciados, puro malte para agradar a todos. A criação é de Diogo Mello, um dos sócios da Brassaria Ampolis, em parceria com a Y&R.

Leia também – Entrevista: Mussum estaria orgulhoso, apaixonado pela marca

Colorado com Baru
A Cervejaria Colorado apostou em mais um ingrediente inusitado para o oitavo rótulo da linha “Brasil com S”: a castanha de Baru. A edição 08, a Ambaru, é uma Amber Lager com sabor maltado. O adocicado do malte se equilibra com a brasilidade da castanha de Baru em uma cerveja com 4,8% de teor alcoólico e 11 IBUs, segundo descreve a marca. A bebida já recebeu diversos prêmios neste ano: melhor do país no World Beer Awards, além da medalha de prata no World Beer Challenge e no Frankfurt Trophy 2019.

Rota da Brahma
A Brahma resgata a tradição da cultura de botequim e promove a Rota do Chopp N°1 no Rio, em homenagem aos bares emblemáticos da cidade e seus consumidores. O roteiro conta com paradas em 16 estabelecimentos da capital. Ao chegar em qualquer um dos bares, basta pedir o combo Brahma, que vem com dois chopes e um petisco a um preço promocional. Quem percorrer 10 dos 16 bares ao longo de duas semanas ganha 30% de desconto no Chopp Brahma Express e ainda concorre a uma chopeira exclusiva da marca.

Tweedles em garrafas
A Wonderland Brewery criou a Tweedless, uma sour frutada que leva morango, goiaba, cacau e cupuaçu. Ela surgiu do parti-gyle que também originou a Poacher e vem em edição limitada, de apenas 60 caixas. Ela estará pronta para ser comercializada na segunda-feira e espera conquistar os fãs de vinhos branco, rosé e de espumante.

Fusão da Schornstein com a Leuven
A Schornstein, de Pomerode (SC), e a Leuven, de Piracicaba (SP), oficializaram sua fusão e criaram a Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal (CBCA). A partir de agora, serão acelerados os processos de unificação das operações e colocadas em prática as estratégias conjuntas. Para o consumidor, elas seguem com produtos e identidades distintas. A CBCA já representa um portfólio de 30 produtos e nasce com uma capacidade produtiva que pode chegar a 280 mil litros ao mês, com sedes no Sul e no Sudeste do país.

Leia também: Leuven e Schornstein sinalizam fusão de olho em “estrutura capilarizada”

Agenda I: Enseada Sessions
Fabricada em Saquarema, na Região dos Lagos fluminense, a cerveja Enseada lançou o projeto Enseada Sessions em parceria com o DJ Marcelinho da Lua. Ocorrerá sempre nas primeiras sextas-feiras do mês, até fevereiro, no Rio Scenarium, no Rio de Janeiro. O guitarrista Heitor Nascimento e o baixista Márcio Menescal completam a banda. “A marca, que traz na sua personalidade a vibe das enseadas quase secretas, escondidas no litoral brasileiro, é traduzida por cervejas sofisticadas e de excelente drinkabilidade, criadas para quem curte as nuances da cerveja artesanal, sob o calor que predomina em nosso país. Foi sob esse conceito que nasceu a Enseada. E, para curtir nossas cervejas, nada melhor que a moderna música brasileira”, comenta Marco Antonio Frederico, consultor de branding/marketing da Cervejaria Lagos, responsável pela Enseada.

Agenda II: Festival em Ribeirão Pires
A cidade de Ribeirão Pires (SP) recebe entre sexta-feira e domingo da próxima semana o Festival de Chopp Artesanal e o Festival de Churros no Complexo Ayrton Senna. Os chopes serão comercializados em copos descartáveis de 300ml (R$ 10) e 500ml (R$ 15), com mais de 20 tipos. O evento ainda terá hambúrgueres, lanches de pernil, calabresa e contra filé, espetinhos variados, batata frita, comida mexicana, crepes franceses, iscas de frango e até churros salgados.

Ostra, shoyu, mostarda: Marca aposta no inusitado para mudar cultura cervejeira

Um copo cheio de cerveja como um prato de comida. É partindo da premissa de uni-los que a Three Monkeys decidiu ampliar a imersão na gastronomia ao lançar novos rótulos da sua linha de cervejas gourmet. São receitas do estilo Gose, que utilizam itens como curry, lula, gaspacho e pipoca doce.

A aposta gastronômica, aliás, já era anterior, pois a cervejaria carioca contava em seu portfólio com a Caramel Salé. Mas foi ampliada com o lançamento de cinco rótulos: Gazpacho (Gose com tomate e picles de pepino), Al Mare (Gose com ostras, tinta de lula e limão), Honey Dijon (Gose com mostarda e mel), Oriental (Gose com shoyu, wasabi e gengibre) e  Thai Curry (Gose com curry, especiarias e leite de coco).

Leia também – Primavera cervejeira: Dicas de harmonização para a estação mais querida do ano

E, por mais que pareçam improváveis, as combinações são “naturais”. De acordo com Leo Gil, um dos sócios e fundadores da Three Monkeys, aliar gastronomia e cerveja sempre foi visto como algo corriqueiro e até familiar.

“A gente sempre teve uma ligação com gastronomia em casa. Não por nossos pais ou familiares serem chefs profissionais, mas pela ligação com comida. O Bê (um dos sócios fundadores e nosso head brewer) cresceu com a mãe dele fazendo diferentes pratos em diferentes momentos. Então surgiu essa ideia de fazer uma cerveja que tivesse ligação com comida. Além dos aromas e sabores da própria cerveja, essa linha é muito interessante pra harmonização com diferentes pratos”, conta Leo ao Guia.

Novo consumidor
Essa escolha “gastronômica” se deve à percepção de uma mudança no paladar dos brasileiros em relação à cerveja. Uma mudança que se deve também pela busca por harmonização de rótulos com pratos, algo mais costumeiro e consolidado na cultura de outras bebidas, como o vinho. É o consumidor que já consolidou essa alteração no hábito de consumo que a Three Monkeys espera alcançar a partir da chegada dessas novas cervejas ao mercado.

“Durante muito tempo o vinho teve papel chave nesse pairing de bebida com comida, mas a cerveja vem ganhando mais espaço. Mais pessoas fazendo curso de sommelieria e entendendo que a cerveja é uma bebida muito dinâmica e diversa para harmonizar pratos, somando em termos sensoriais com o objetivo de criar uma experiência única. A cerveja possibilita uma enorme variação de sabores e aromas, o que é perfeito pra criar um momento única para uma pessoa”, aponta Leo Gil.

Para a Three Monkeys, aliar inovação e criatividade em seus rótulos é algo que deveria ser visto como um diferencial que deve ser empregado não apenas por ela, mas por todas as linhas das cervejarias artesanais. “Uma forma de trabalhar inovação e mostrar para as pessoas o que a cerveja pode ser, os diferentes formatos sensoriais que ela pode seguir”, diz o sócio da cervejaria.

É, aliás, buscando “quebrar barreiras” que a Three Monkeys se vê atuando no setor cervejeiro há seis anos, um conceito que a marca acredita que deve ser um norte para atrair mais público para as artesanais, ainda presa em alguns nichos da sociedade.

A própria Three Monkeys faz um balanço positivo do seu momento, apontando uma média estimada de venda de 15 mil litros por mês. Além disso, passou recentemente a contar com uma equipe de vendas própria em São Paulo, o que deve ampliar a distribuição a partir das melhoras nos preços, ainda um dos gargalos do setor.

“Nosso objetivo sempre foi fazer diferente, por isso temos como missão quebrar barreiras. Entendemos que o mercado brasileiro se acostumou rápido com cervejas bem complexas, e daí o nosso portfólio high end que tem o objetivo de inovar mesmo, mostrar os caminhos que a cerveja pode seguir. Sempre com criatividade e qualidade como default”, comenta Leo, para depois concluir.

“Mas acho que um objetivo em comum de muitas crafts é dar mais informação, explicar cada vez mais o que realmente é uma cerveja de qualidade. Conseguir mudar a cultura de beber cerveja aqui no país. Precisamos fortalecer essa experiência, as cervejarias artesanais brasileiras. Nosso mercado é muito difícil e quanto mais pessoas conseguirmos transportar das cervejas de massa para as cervejas artesanais, mais desenvolvido a nossa cultura cervejeira vai ser.”

Entenda em 4 pontos como a Câmara da Cerveja pode fortalecer o mercado brasileiro

0

O mercado cervejeiro nacional recebeu com euforia a notícia da instalação da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cerveja no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília. A cerimônia ocorreu na última quarta-feira e concretizou uma antiga demanda do setor.

Composta por representantes da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindcerv), Associação de Cervejeiros Artesanais (Acerva Nacional), ao lado de membros do Mapa, a Câmara promete desempenhar um importante papel como agente na evolução do mercado brasileiro de cerveja. Mas o que, na prática, significa a sua instalação?

Leia também – Empresários cervejeiros elogiam Câmara e projetam similaridade com Brewers Association

Não é a primeira vez que uma estrutura como essa se forma com o objetivo de desenvolver a indústria e o mercado cervejeiros. A década de 90 viu uma tentativa de implementar uma câmara setorial para a cerveja, mas que não teve resultados concretos: seu foco se limitou ao desenvolvimento do cultivo de cevada e pouco trouxe de novo ao mercado que, à época, vivia uma realidade bem diferente da atual.

Se antes poucas marcas, rótulos e estilos abasteciam o país, hoje temos o terceiro maior mercado do mundo em produção, com 14 bilhões de litros de cerveja por ano, 1.190 cervejarias registradas e quase 3 milhões de empregos gerados. A cerveja é responsável por movimentar R$ 100 bilhões por ano no Brasil, o que representa 2% do PIB nacional.

Agora, com a nova Câmara da Cerveja, os esforços devem ir na direção da elevação da competitividade e da qualidade da cerveja brasileira. Carlo Lapolli, atual presidente Abracerva, foi eleito como o primeiro presidente da nova Câmara Setorial, fato que agradou os empresários do setor, já que o aumento da representatividade do setor cervejeiro (como já acontece com a cachaça e com o vinho em suas respectivas câmaras) é, há alguns anos, uma demanda permanente dos membros da Abracerva.

“A Câmara surgiu com um único objetivo: transformar o cenário cervejeiro do país, trazendo melhorias para toda a cadeia. Somente desta forma conseguiremos nos destacar em âmbito mundial. Entendemos que, para isso, é necessário que todos estejam alinhados e trabalhando em conjunto. E é exatamente isso que buscaremos fazer”, afirma Lapolli.

Para entender como o mercado poderá se beneficiar com a criação da câmara, o Guia analisou suas propostas e estratégias. Confira, em 4 pontos, como ela pode fortalecer o mercado.

1- Desenvolvimento Agrícola
A produção de cerveja é totalmente dependente da agricultura. Por isso, ter uma política agrícola para o setor é fundamental. Uma das ações da câmara prevê apoio financeiro, com novas linhas de crédito e seguros para maltarias e agricultores que cultivam cevada, lúpulos e até adjuntos cervejeiros. Outra frente vai focar na pesquisa e desenvolvimento de insumos regionais em micromaltarias, plantações de lúpulo, produção de frutas, ervas e outros ingredientes típicos do Brasil que possam ser usados como adjuntos na cerveja.

2- Fortalecimento da Produção
Revisão da carga tributária e novas linhas de financiamento para cervejarias também estão em pauta. O fomento servirá para a instalação e ampliação de pequenas e médias cervejarias, bem como para a importação de máquinas, compra de insumos e estoques. A câmara prevê ainda discussões sobre a estrutura da cadeia, com o objetivo de elevar a produção e a competitividade do setor.

Leia também – “Precisamos facilitar a vida das artesanais”, diz ministra na instalação da Câmara

3- Regras Adequadas
As incoerências e as discrepâncias que hoje caracterizam as regras desse mercado serão alvos da nova Câmara Setorial. Uma grande força tarefa, com a participação de todos os representantes do órgão, vai debater os conceitos adotados de cerveja, de produção e de comercialização do produto, com ênfase na cerveja artesanal e caseira. Além disso, vai discutir a regulamentação da produção, de concursos, de regras de rotulagem e de transporte. A ideia é que as novas regras que venham a ser desenvolvidas tenham impacto nas fiscalizações e concessões de licenças do Mapa, buscando padronizar e adequar as metodologias de inspeções em cervejarias. Essa é uma antiga luta do setor, que atualmente impõe ao empresário dificuldades legais para operação.

4- Qualificação para o Mercado Externo
Levar a cerveja brasileira com qualidade e competitividade a importantes mercados externos é outra linha de ação da nova Câmara Setorial. Uma das prioridades é qualificar e capacitar as pequenas cervejarias para exportação. A agenda de trabalho prevê promoção da cerveja brasileira em importantes feiras e eventos internacionais. Há experiências muito bem-sucedidas, principalmente com a cachaça brasileira, que se tornou um produto mundialmente reconhecido. Agora, o setor espera que a cerveja nacional possa trilhar o mesmo caminho de sucesso.

Empresários cervejeiros elogiam Câmara e projetam similaridade com Brewers Association

0

Os empresários cervejeiros receberam com otimismo a criação da Câmara Setorial da Cerveja, anunciada na última quarta-feira, em Brasília. Com o objetivo de aumentar a competitividade, a qualidade e desenvolver o ambiente de negócios, a novidade é vista como uma grande oportunidade para que as pequenas empresas ganhem voz mais ativa no debate sobre os rumos do setor.

Leia também – Entenda em 4 pontos como a Câmara da Cerveja pode desenvolver o mercado brasileiro

O novo órgão reúne representantes do mercado, como a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) – cujo presidente, Carlo Lapolli, preside também a câmara –, a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindcerv), a Associação de Cervejeiros Artesanais (Acerva Nacional), além de quadros do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Gilberto Tarantino, sócio da Tarantino, de São Paulo, acredita que as ações da nova câmara irão fortalecer o setor. “Acho ótimo termos representatividade em Brasília. Nosso segmento é relevante, está crescendo e, apesar desta crise, somos otimistas e acreditamos que em um ou dois anos a situação estará melhor”, avalia.

Para ele, a revisão da carga tributária é fundamental. E a presença do líder da associação que representa as pequenas empresas do setor como presidente da estrutura política é um avanço significativo. “Estamos confiantes com a presidência do Carlo Lapolli e esperamos uma redução de alguns impostos, como o ICMS”.

Citando os Estados Unidos como exemplo, Tarantino aposta que a representatividade política trará benefícios ao setor. “Nos EUA a Brewers Association tem representantes em Whashington DC (capital do país e sede do parlamento) e isso fez a relevância política dela crescer ao longo dos anos. Espero que aconteça algo similar no Brasil”, completa.

Insumos nacionais
Um dos focos da câmara será o desenvolvimento das maltarias nacionais. O plano de ação, afinal, prevê ações tanto de desenvolvimento empresarial como de fomento à pesquisa científica. Para Marcel Longo, proprietário da Dortmund Bier, de Serra Negra (SP), a produção de insumos brasileiros é fundamental para ajudar na competitividade do setor.

“Se as micromaltarias brasileiras tiverem condições de produzir maltes especiais, nós não precisaremos comprar mais os importados”, aponta Marcel, citando a dependência atual que o setor cervejeiro tem das importações.

Leia também: “Precisamos facilitar a vida das artesanais”, diz ministra no lançamento da Câmara

Outro ponto destacado por Marcel é a revisão de algumas das obrigatoriedades impostas hoje às cervejarias. “Seria importante rever a obrigatoriedade de ter um químico responsável na cervejaria, reconhecendo a função de mestre-cervejeiro para isso”, reforça.

Para ele, medidas dessa natureza também vão ajudar na capacitação das cervejarias artesanais para a exportação. “Com a ajuda do governo, pequenos produtores terão acesso a eventos internacionais que são caros e inviáveis nesse momento”, finaliza o proprietário da Dortmund.

Selo, Vila e Niemeyer vão inspirar criação dos Caminhos Cervejeiros de Niterói

Uma das principais atrações turísticas de Niterói, o Caminho Niemeyer também servirá como inspiração para o mercado de cervejas. Já consolidada como um dos principais polos do país, após ter aprovado uma lei que dinamizou o setor, a cidade deve ganhar uma novidade especial em 2020: os Caminhos Cervejeiros, uma rota que unirá as principais atrações cervejeiras do município.

E, se depender de sua inspiração, a novidade tem tudo para ser um grande sucesso. Inaugurado no início da década passada, o Caminho Niemeyer reúne obras de grande valor cultural, projetadas por aquele que se tornou o maior arquiteto do país, Oscar Niemeyer.

O trajeto se estende por 11 quilômetros e passa por bairros litorâneos, pela orla, pela zona sul e até pelo centro de Niterói. Ao longo do caminho é possível conhecer algumas obras-primas da arquitetura de Niemeyer, como o Teatro Popular Oscar Niemeyer e o Museu de Arte Contemporânea – MAC.

Esse “passeio”, com sua sucessão de cartões-postais, serviu de inspiração para mostrar que as cervejarias de Niterói poderiam se juntar para criar algo ainda maior, atraindo mais atenção a elas, à cidade e a seus rótulos: um caminho que confirme a pujança do setor na cidade.

“Todos os bairros de Niterói têm a presença do setor. Como a cidade é conhecida pelo Caminho Niemeyer, nossa meta para 2020 é criar os Caminhos Cervejeiros em Niterói para desenvolver o turismo receptivo”, conta ao Guia Lindalva Cid, subsecretária de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura e presidente da Comissão Niterói Cervejeiro, acrescentando que a ideia ainda está em fase de desenvolvimento.

Cidade da cerveja
A possível criação dos Caminhos Cervejeiros, porém, é apenas mais um passo no fortalecimento de um projeto que colocou a cidade no mapa da cerveja brasileira. Colada ao Rio de Janeiro, que tem marcas de destaque no mercado nacional, Niterói se organizou para criar um movimento no mínimo tão pujante quanto o da capital do Estado.

Um dos passos iniciais dessa trajetória veio com a Lei dos Cervejeiros, apresentada em 2017 e oficialmente regulamentada em março de 2018. “Em janeiro de 2017 recebemos um grupo de micros e pequenos empresários do setor de artesanais e criamos um grupo de trabalho com a procuradoria do município presente, que culminou em uma mensagem executiva para um projeto de lei”, detalha Lindalva.

Leia também – Entenda como Niterói se tornou um polo das artesanais

Entre outras iniciativas importantes, a lei liberou a instalação de microcervejarias em todo o território do município – excetuando pequenas faixas em São Francisco e Itacoatiara -, facilitando a instalação de brewpubs e a divulgação da cultura das cervejas artesanais.

Ela também estabeleceu que os eventos promovidos pela Prefeitura de Niterói deveriam incluir espaços próprios destinados à comercialização e promoção das cervejas locais. Assim, além de incentivar a criação de microcervejarias, ela auxiliou no processo de consolidação de cada uma delas.

“A grande importância da lei foi a prática do nosso governo em ouvir os setores. Hoje, todos se apropriaram e aplicaram a lei, diferentemente de inúmeras leis que o usuário não sabe do que se trata e nem utiliza”, destaca Lindalva. “Nós consideramos microcervejarias uma indústria de pequeno porte e baixo risco ambiental.”

Como resultado, Niterói se tornou um celeiro das artesanais no estado fluminense – com nomes como Máfia, Matisse, Noi e Oceânica, entre tantos outros – e transformou a cerveja em uma alternativa de emprego e geração de renda.

Hoje, a cidade tem sete fábricas de cerveja artesanal, mais de 30 microcervejarias ciganas e de 20 caseiras associadas ao movimento. Também possui entidades como a Associação de Cervejarias de Niterói (NitCerva) e a Acerva Niterói, além de parcerias com a Universidade Federal Fluminense e a Firjan.

O selo de qualidade
Outra conquista importante da lei foi instituir as diretrizes para a concessão do Selo Niterói Cervejeiro. Trata-se de uma iniciativa para estimular o desenvolvimento de práticas que agreguem qualidade, cultura e sustentabilidade à cerveja produzida no município.

Para receber o selo de qualidade, as cervejarias interessadas devem fazer uma solicitação à Secretaria de Desenvolvimento Econômico. A partir daí elas passarão por uma criteriosa análise que envolve uma comissão formada por representantes das secretarias municipais de Cultura, de Meio Ambiente e de Desenvolvimento Econômico, além da Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), da Universidade Federal Fluminense e da Firjan.

A lista de exigências inclui mais de 50 itens. Estão entre elas, por exemplo, uma política de não agressão ao meio ambiente no processo de fabricação, a exigência de tratamento dos resíduos produzidos, o respeito aos valores históricos, sociais, culturais e ambientais de Niterói e a participação em programas de capacitação e qualificação.

Desde a sua criação, três cervejarias já foram contempladas pelo Selo Niterói Cervejeiro: a Noi, a Máfia e a Matisse.

A Vila Cervejeira
A força do setor e sua união resultaram no surgimento de outra interessante iniciativa: a Vila Cervejeira. Tendo uma gestão descentralizada, como em um coletivo, ela reúne seis cervejarias – Invocada, Matisse, Dead Dog, Mosaico, Araribóia e Brew Lab -, além de três operações de comida – Cevada Bbq, Ducas e Victorian Top Secret. Há, inclusive, a expectativa de outros empreendimentos se juntarem a elas.

“Uma outra iniciativa interessante foi o coletivo colaborativo da Vila Cervejeira, composto por seis cervejarias que se uniram em um complexo para se ajudarem e diminuírem os custos de produção e logística, organizando juntos, também, eventos quinzenais com shows e atividades interativas”, comenta Lindalva.

A ideia de criação da Vila Cervejeira se deu pelo desejo dos envolvidos de se aproximarem dos consumidores com a oferta de preços competitivos. E a proximidade física entre as cervejarias permitiu a instalação do complexo, que abriga quinzenalmente eventos culturais e cervejeiros.

Leia também – Matisse une cerveja e arte para resgatar o inexprimível da memória

“O que levou a criação foi a necessidade de ter contato direto com os nossos consumidores, com preços justos. Foi um processo bem natural. Os vários empreendimentos já tinham espaço no condomínio, onde também funciona a Associação dos Jornaleiros, e cada um foi aderindo aos poucos até que tivemos a necessidade de ir colocando regras e desenhando a cara do que queríamos que fosse a nossa atuação conjunta”, explica Mario Jorge Lima, fundador da Matisse, uma das três marcas contempladas com o selo.

IPA Day da Vila Cervejeira

A Vila Cervejeira de Niterói integra o movimento de revitalização do centro da cidade e está anexa à Galeria Urbana, uma rua toda dedicada à arte urbana, com grafite em todas as paredes. A iniciativa busca transformar a região em um polo gastronômico e de entretenimento da cidade.

“Aqueles que gostam de boa cerveja podem simplesmente se deliciar com os quase quarenta chopes plugados acompanhados de boas opções gastronômicas. Quem gosta de conhecer ou de fazer cerveja pode conversar com os cervejeiros, pois são eles mesmos que estão lá servindo, e você compra direto com o produtor. Se quiser entender os estilos, as receitas, os processos ou simplesmente contar e ouvir histórias de cerveja, é só parar para conversar”, relata Mario Jorge, demonstrando o caminho de união, confraternização e conhecimento que as une.