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Produção de bebidas alcoólicas segue em alta em 2019

A fabricação de bebidas alcoólicas manteve a alta pelo segundo mês consecutivo no ano. Após um 2018 de quedas, a produção industrial do setor desacelerou um pouco em fevereiro se comparado a janeiro, mas foi suficiente para um crescimento acumulado de 4,5% no ano, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No acumulado dos últimos 12 meses, por sua vez, o crescimento da fabricação de bebidas alcoólicas é de 0,8%. E, em comparação a fevereiro do ano passado, a alta foi de 2,1%.

Um cenário de alta foi observado também na indústria de bebidas em geral, que cresceu 1,1% em fevereiro, acumulando 2,9% no ano. Já a produção de bebidas não-alcoólicas se recuperou da expressiva queda de 4,9% no mês passado e registrou aumento de 8,5% em relação a janeiro.

O movimento positivo da fabricação de bebidas vai na contramão da indústria nacional. Apesar de ter registrado alta de 0,7% em relação ao mês anterior e resultado 2% melhor do que o de fevereiro de 2018, a produção industrial nacional acumula queda de 0,2% no ano.

Segundo o IBGE, o resultado foi puxado principalmente pela baixa na produção da indústria de minérios, devido ao rompimento da barragem da Vale do Rio Doce em Brumadinho (MG).

Dos EUA, Stone Brewing encerra sonho europeu e vende cervejaria na Alemanha

Fim de um sonho. Menos de três anos após abrir a primeira cervejaria artesanal norte-americana em solo europeu, a Stone Brewing jogou a toalha e anunciou a venda da Stone Berlin, a sua operação na Alemanha, à escocesa BrewDog. “Investimos uma grande parte da década e milhões significativos em dinheiro para construir a Stone Berlin. E não deu certo”, confessa Greg Koch, fundador e dirigente da Stone em um texto no blog da marca.

Nele, Koch explica as razões pelas quais a empreitada não deu certo. “Para alimentar um monstro como a Stone Berlin, precisávamos de volume. O simples custo do prédio e da manutenção da cervejaria nos nossos padrões não nos permitia crescer lentamente”, diz. “Assim, o projeto acabou ficando muito grande, muito robusto e prematuro na nossa curva de crescimento na Europa”.

Mesmo assim, ele se “vangloria” de ter influenciado a cena cervejeira berlinense no sentido da diversidade. “Há dúzias de bares de craft beer (não havia nenhum na primeira vez que vim a Berlin, em 2011) e marcas locais”, relembra.

Pessoas ligadas ao mercado cervejeiro europeu estimam que o investimento da Stone Brewing na Alemanha tenha ficado na casa de US$ 30 milhões – e que a capacidade de produção da planta seja de 20 milhões de litros.

Em 2014, quando anunciou a aventura da Stone, Koch afirmava ver potencial para a popularização das craft beers norte-americanas em solo europeu. Havia, segundo ele, uma oportunidade de mercado: a prevalência do que ele chama de “cerveja barata”, abrindo espaço para a Stone Brewing levar um produto diferente.

“A cerveja alemã é a mais barata na Europa Ocidental e, como todos sabemos há tempos, os melhores produtos raramente são os melhores”, avalia. No entanto, a Stone não conseguiu convencer o consumidor alemão de que valia a pena pagar mais caro pela cerveja.

O mercado alemão
Dentre os diversos erros da Stone Brewing, segundo analistas de mercado, está justamente o de confundir cerveja barata com cerveja ruim na Alemanha. Trata-se de um país onde até mesmo a mais barata das bebidas pode ter um patamar muito alto de qualidade.

Em segundo lugar, o consumidor alemão tem uma variedade de estilos e marcas invejável, uma das maiores do mundo. É um cenário totalmente diferente dos Estados Unidos nos anos 1990, quando a Stone foi criada para trazer algo além das American Light Lager ao consumidor ávido por novidades.

Em terceiro lugar, a estrutura fragmentada do mercado alemão parece não dialogar com a lógica do lucro em curto prazo. A maior parte das cervejarias é de pequeno porte e são tocadas por gerações da mesma família. O objetivo, assim, é continuar na ativa por décadas, mesmo que isso signifique lucros menores.

Uma série de outros erros podem ter acelerado a saída da Stone. A decisão por vender cerveja em lata, que nos EUA parece a mais acertada, não foi uma ideia das mais brilhantes na Alemanha: desde 2003 há, no país, uma taxa extra sobre embalagens não retornáveis, o que encarece o produto nas gôndolas.

Apesar de inicialmente parecer uma ótima ideia, a instalação da Stone em um lindo prédio histórico longe do centro de Berlin pode ter dificultado o acesso de quem depende de transporte coletivo – o que é muito comum em Berlin e raro na maior parte das cidades norte-americanas.

Do ponto de vista simbólico, a “cena” que Koch e sua cervejaria protagonizaram ao esmagarem com uma grande pedra centenas de garrafas de cerveja europeia na inauguração da casa pode ter aberto feridas muito profundas para serem esquecidas tão cedo pela comunidade cervejeira local.

Novo dono
A saída de cena da Stone Brewing faz o caminho inverso ao sonhado pela marca. A nova dona, afinal, é a escocesa BrewDog – curiosamente uma cervejaria europeia que atingiu sucesso em solo norte-americano.

Os escoceses vão fechar temporariamente a fábrica com capacidade para 20 milhões de litros e dar a ela “a cara da marca”. Eles prometem reabrir com uma grande festa e colocar Berlin na rota de sua companhia aérea. A nova proprietária também garante que vai continuar produzindo e distribuindo rótulos da Stone na Europa.

“A história e a camaradagem entre BrewDog e Stone Brewing começa em 2007,” explica a BrewDog em comunicado. “Parte dos motivos pelos quais a BrewDog acabou construindo uma cervejaria em Columbus (Ohio) foi a generosidade de Greg [Koch] em dividir detalhes sobre lugares que ele havia considerado para sua própria cervejaria com James [Watt, co-fundador da BrewDog].”

Impactos do aquecimento global no setor cervejeiro alarmam especialistas

As mudanças climáticas no mundo devem provocar impactos diretos no setor cervejeiro. Após um estudo publicado no jornal Nature Plants mostrar que o aquecimento global pode afetar as principais regiões produtoras de cevada, especialistas consultados pelo Guia reiteram a avaliação e apontam os possíveis impactos para a produção agrícola.

É o caso de Marina Lacôrte, engenheira agrônoma e especialista do Greenpeace em Agricultura e Alimentação. “O ponto mais importante desse estudo é que ele mostra, usando o caso da cerveja, como as mudanças climáticas podem impactar a produção agrícola e, consequentemente, nossas vidas”, avalia a especialista.

De acordo com o estudo comandado pelo pesquisador britânico Dabo Guan, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, fenômenos como secas e ondas de calor podem afetar as principais regiões produtoras de cevada, o que diminuiria colheitas e provocaria aumento de preços – a não ser que o aquecimento global seja reduzido.

“Impactos dessas alterações devem ser sentidos no médio prazo, principalmente no que diz respeito ao aumento do custo de produção e quebras de safra”, confirma Rene Eugenio Seifert Junior, professor do Programa de Mestrado em Administração e do Departamento de Gestão e Economia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Segundo o estudo, a chance de eventos climáticos afetarem a produção agrícola na comparação com o século XX varia de 4% até 31%. Essa avaliação é reforçada pela especialista do Greenpeace, que aponta a possibilidade de redução da produção de alimentos e o aumento do seu preço.

“Mudanças nos regimes de temperatura e chuva e eventos extremos, como geadas ou secas prolongadas, afetam severamente a produção de alimentos. Um planeta 2°C mais quente poderá, por exemplo, reduzir significativamente a área produtiva de culturas como soja, arroz e feijão até 2030, diminuindo a oferta e aumentando o preço destes alimentos”, acrescenta Marina.

Se a mudança climática afetaria diretamente a produção agrícola mundial, a colheita de cevada não passaria, evidentemente, incólume. Seifert avalia que a produção do cereal cervejeiro será, por suas características, ainda mais afetada se a tendência de aquecimento global não for revertida.

“A mudança climática afeta a produção agrícola mundial. Entretanto, culturas como a cevada, que para produzir grãos com qualidade cervejeira demandam alta luminosidade, baixa umidade relativa do ar e temperaturas amenas, estão mais suscetíveis às alterações no clima”, finaliza o professor da UTFPR.

Confira, nas próximas semanas, a sequência do nosso especial sobre aquecimento global, cevada e cerveja. E, se quiser indicar alguma demanda, escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com.

Parcerias entre Dogma e StartUp, Heineken e ICB, Bud e Lolla: As novidades da semana

Interessantes parcerias movimentaram a semana cervejeira e ajudaram a dinamizar o mercado. A StartUp Brewing, por exemplo, anunciou que vai produzir alguns rótulos da Dogma, enquanto a Heineken fez um contrato de R$ 15 milhões com o Instituto da Cerveja Brasil para levar cursos ao país. Já a Budweiser criou um espaço próprio no Lollapalooza para demonstrar o “passo-a-passo” de uma banda em seu início de carreira. A semana trouxe ainda boas novas da Heroica, da Thornbridge e da Colorado. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Dogma e StartUp
A StartUp Brewing anunciou uma interessante novidade: passará a produzir algumas cervejas da Dogma. A parceria começa na segunda semana de abril, quando rótulos da marca cigana sairão dos tanques de Itupeva para seguirem aos pontos de venda. “Acreditamos que o conhecimento é intercambiável e deva ser passado para frente. Assim, sempre temos o que aprender e ensinar junto com novos parceiros comerciais”, avalia Leonardo Satt, um dos sócios da Dogma. Entram inicialmente na parceria os rótulos Estigma e Dankest, além da linha Lover, composta por uma série de Double IPAs. “Nós já contamos com quatro marcas próprias, como a Unicorn, a Avós, a Juan Caloto e mais uma que será lançada em breve, e atendemos outras ciganas, como a Perro Libre, que começou a produzir no início deste ano aqui. Estamos muitos animados em poder dar esse suporte industrial a uma cervejaria que admiramos tanto”, comenta André Kunrath, CEO da StartUp Brewing.

Budweiser no Lollapalooza
Cerveja oficial do Lollapalooza, a Budweiser desenvolveu uma cidade da música dentro do Autódromo de Interlagos, a Budtown, um quinto “palco” onde o público pôde encontrar interessantes atrações. A ideia foi mostrar o passo-a-passo de uma banda em seu início de carreira, com espaços que representam uma garagem, onde começam a ensaiar; um pub, onde realizam seus primeiros shows; e uma gravadora. O local contou ainda com shows realizados durante os intervalos dos palcos principais. “Os fãs sempre ficam curiosos com a história das bandas, desde o início de carreira até a chegada ao estrelato, quando elas se tornam um grande clássico. Vamos mostrar essa caminhada desde o início na Budtown e no Lolla Lounge. Afinal, a Budweiser sempre esteve presente em diversos momentos da música, seja nos principais eventos do mundo ou ao lado de músicos, sejam eles já consagrados ou em início de carreira”, conta André Gustavo Clemente, head de eventos de Budweiser.

Relançamento da Kuromatsu
A Heroica acaba de relançar em lata a sua primeira cerveja, a Kuromatsu Kamikaze IPA, uma American IPA que leva broto de bonsai Kuromatsu – um pinheiro negro japonês que traz aroma campestre e sabor cítrico resinoso. As plantas centenárias, que só podem ser podadas duas vezes ao ano com uma técnica bonsaística, são cedidas gentilmente pelo Studio Bocabello.

Novidades da Thornbridge
Por meio da importadora Suds Insanity, a conceituada cervejaria inglesa Thornbridge traz três novidades ao mercado brasileiro. A primeira delas é a Crackendale, uma Single Hopped Citra Pale Ale que tem 5,2% de teor alcoólico e possui uma “explosão de frutas tropicais, com perfeito equilíbrio entre amargor e dulçor”, de acordo com a marca. O segundo é a Jai Jai, uma American IPA feita colaborativamente com a norte-americana Cigar City – é produzida com sete diferentes lúpulos e possui 6,7% de álcool. E, por fim, a Melba, uma Peach IPA com 5,2% de teor alcoólico. Além dos lançamentos, a Thornbridge trouxe a reposição de seis rótulos: Jaipur (IPA), AM:PM (Session IPA), Halcyon (Imperial IPA), Cocoa Wonderland (Chocolate Porter), Tart (Sour colaborativa com a The Wild Beer Co) e Wild Swan (Pale Ale).

Heineken e ICB
Atenta ao crescimento exponencial do mercado de artesanais, a Heineken estabeleceu uma parceria com o Instituto da Cerveja Brasil (ICB) para promover uma série de cursos pelo país. O acordo prevê investimento de R$ 15 milhões e terá duração inicial de sete anos. “Essa parceria traduz o nosso compromisso com a qualidade em toda a experiência do consumidor com as nossas marcas, desde a democratização do conhecimento sobre cerveja artesanal, que contribui para a melhor decisão de compra a partir do amplo portfólio que oferecemos, até a degustação e a harmonização dos estilos”, explica Nelcina Tropardi, vice-presidente de Assuntos Corporativos do Grupo Heineken no Brasil. Diretora de Marketing do segmento Artesanal, por sua vez, Bruna Fausto espera que a parceria seja um alicerce importante de desenvolvimento do mercado. “A nossa vontade é continuar o crescimento no segmento artesanal e fazer com que os nossos colaboradores e consumidores aprendam ainda mais sobre o mercado cervejeiro. Esse é um propósito que está enraizado em cada uma das nossas marcas artesanais – Eisenbahn e Baden Baden – e ter um parceiro de conteúdo crível como o ICB, reforça ainda mais o compromisso com a qualidade.”

Maracujá da Colorado
Reforçando sua característica de investir em elementos brasileiros, a Colorado apostou no maracujá como diferencial do segundo rótulo da Linha “Brasil com S”. Trata-se de uma New England IPA com 6,5% de teor alcoólico e 40 IBUs, além de corpo médio, amargor médio/alto e aroma de frutas amarelas, proveniente do dry hop dos lúpulos Amarillo e Galaxy, segundo descreve a marca. “A linha ‘Brasil com S’ chegou para valorizar toda a biodiversidade do Brasil. O maracujá é muito usado para fazer doces, e as pessoas também gostam de comer sua polpa. Mas em uma cerveja é algo um tanto diferente. Então, a Colorado convida todos a desibernar com essa mistura do fruto com a cerveja”, pontua Guilherme Poyares, gerente de marketing da Colorado.

Festival no Sul
O Largo Cultural do Shopping Total, em Porto Alegre, recebe no próximo domingo (14 de abril) a décima edição do Festival Ceva. O evento terá entrada gratuita e contará com 30 cervejarias participantes, que levarão mais de 100 rótulos de diversos estilos. São elas: 4Beer, Al Capone, Alem Bier, Baita Bier, Cerveja Imigração, Cerveja Macuco, 4 Árvores, Abadessa, Baldhead, Delta, Elementum, Heilige, Hettwer Bier, Hunsrück, Solerun, Steilen Berg, Stier Bier, Vento Livre, Dado Bier, Fat Bull, KNY Quality Beer, La Birra, La Calavera, Macchina Cervejeira, Irmãos Ferraro, Moocabier, Old Boys, Ruradélica, Suricato Ales e Veterana.

Cervejas low carb propõem prazer sem comprometer vida saudável

Nos últimos anos, a cultura da cerveja artesanal extrapolou o status de hobby. Para muitos, se tornou parte integrante de um estilo de vida. Mas junto ao apreço pela cerveja, todos têm outros gostos culturais, hábitos e preferencias que, em alguns momentos, podem ser conflitantes. Um caso clássico é o da preocupação com a saúde e a forma física, que suscita uma pergunta para muitos inquietante: como manter o corpo saudável sem deixar de beber uma boa cervejinha? As cervejas low carb, aquelas com baixas quantidades de carboidratos, pretendem trazer a solução para isso.

A sabedoria popular é certeira quando diz que “cerveja dá barriga”. Segundo o nutricionista do Centro Olímpico de Treinamento (COTP) de São Paulo, Marco Queiróz Júnior, o que faz as pessoas ganharem ou perderem peso é o balanço energético.Ou seja, se alguém ingere mais energia do que gasta, ganha peso. De maneira geral, segundo ele, a cerveja pode ser considerada uma bebida calórica, justamente por ter em sua composição cereais – ricos em carboidratos – e álcool.

Cada 1g de carboidrato contém 4 calorias, enquanto 1g de álcool tem 7 calorias. A depender do estilo da cerveja, uma lata de 355ml pode ter de 120 calorias (Ales e Lagers) a 181 (Stout) – o equivalente a um copo de 200g de iogurte com açúcar.

“Quando tomamos cerveja, acaba contando como calorias extra da nossa dieta e, provavelmente, ela vai desequilibrar o balanço energético, fazendo com que ganhemos peso acumulando gordura, principalmente na região abdominal”, explica Queiróz.

Na ótica do nutricionista, as cervejas low carb levam vantagem por ter menos calorias do que as demais. As cervejas comuns têm em torno de 11g de carboidratos por lata de 355ml, enquanto as low carb têm de 2 a 3g. Essa diferença significa em média 36 calorias a menos a cada lata ingerida.

“No entanto, ela ainda tem o álcool, que é mais calórico do que o carboidrato. O ideal é que a quantidade de álcool também seja reduzida, para assim termos uma cerveja de fato ‘light’”, dize ele, sobre a cerveja ideal para dietas equilibradas.

A aposta da Noi
Na busca por produtos que possam atender ao público preocupado com a saúde, a cervejaria niteroiense Noi lançou em fevereiro sua versão Low Carb. Trata-se da Noi Low Carb, com 2,2g de carboidratos a cada lata de 355ml, resultando em 99,4 kcal por lata. Nesse ponto, ela acompanha a média das marcas de maior sucesso nos Estados Unidos, como Michelob Ultra e Miller Light. 

Segundo Bárbara Buzin, diretora da Noi, nem todos os carboidratos que vem do malte são fermentáveis pela levedura no processo comum. Acabam, assim, “sobrando” no produto final após a fermentação. “O processo da Noi Low Carb faz com que esses carboidratos residuais sejam quebrados em carboidratos fermentáveis pela levedura. Assim, a cerveja termina com uma quantidade bem menor de carboidratos do que as tradicionais”, explica.

A diferença entre a Noi e as cervejas low carb norte-americanas está no fato da niteroiense conseguir quebrar todos os carboidratos do malte, enquanto as outras se utilizam de outros cereais que permitem a fermentação completa como fonte de carboidratos – chegando mais facilmente a uma quantidade menor de carboidratos.

Para gente comum
Apesar do apelo do estilo de vida saudável, com a onda dos exercícios em academias e dietas, cervejas light ou low carb têm enfrentado dificuldades no Brasil. Um exemplo foi a empreitada da Ambev com a Skol Ultra, lançada em 2016, que se posicionava como a cerveja ideal para atletas – e que naufragou com um ano de mercado.

Mas, para Bárbara Buzin, não é essa a proposta da Noi Low Carb. O conceito por trás da marca seria o de explorar as mesmas ocasiões de consumo trabalhadas pelas marcas mainstream, como churrasco, praia e verão. No entanto, pretende somar a isso os valores da baixa caloria e da qualidade artesanal, já valorizados em diferentes graus e de maneiras diversas por setores do público cervejeiro.

“Acreditamos no estilo de vida saudável que tem sido cada vez mais importante para o consumidor. Com a tecnologia, e o grande acesso à informação, as pessoas se tornam mais interessadas em cada ingrediente que compõe os produtos que consomem. Uma artesanal, sem químicas, e ao mesmo tempo de baixa caloria, junta o útil ao agradável. Não prejudica o estilo de vida e ainda proporciona prazer”, analisa.

90 dias em 2: Cervejaria zera estoque após condenar celebração do golpe de 64

Um presidente eleito determinando a celebração do aniversário de um golpe militar que solapou a democracia por 21 anos do Brasil. Essa contradição foi explorada pela Cervejaria Rio Carioca em recente ação publicitária e se transformou em um sucesso estrondoso de vendas, que superou qualquer expectativa dos responsáveis pela marca.

Na sexta-feira passada, há dois dias do aniversário de 55 anos do golpe militar de 1964 que tirou João Goulart da presidência e instaurou uma ditadura no país, a Rio Carioca estampou em propaganda vinculada no jornal O Dia: “Se for para comemorar o Golpe de 64, por favor, não compre Rio Carioca“.

De acordo com Luis Eduardo Vieira, sócio-diretor da Rio Carioca, a ação trouxe impressionante retorno financeiro para a marca: em apenas dois dias, vendeu um estoque que costuma durar cerca de 90 dias e superou a “barreira logística” do Rio e sua região metropolitana, onde costumava concentrar os negócios.

“Nos trouxe um retorno financeiro absurdo. Nosso estoque que normalmente dura três meses foi embora em praticamente 48 horas. E tivemos muitos pedidos de fora do Rio. Talvez o volume para fora do Rio de Janeiro tenha sido até maior do que a demanda interna”, estima Luis em entrevista ao Guia, também apontando outro diferencial da iniciativa – a de ter alcançado consumidores que não costumam beber cervejas artesanais.

Por isso, na avaliação da Rio Carioca, o êxito da propaganda também trouxe benefícios para o setor. “O mais legal de tudo é que alcançamos um público que normalmente não consome cerveja artesanal, e isso é legal não apenas para nós, mas para todo o mercado. Gera curiosidade não apenas em relação à nossa marca, mas abre a perspectiva de trazermos novos consumidores para a cerveja artesanal que, no fundo, é o que todas as marcas buscam”, comenta o sócio da marca.

A cerveja e o rio
Viralizar um protesto contra a decisão de Jair Bolsonaro de festejar o golpe de 1964 trouxe luz a uma marca surgida em 2015, com uma história parecida com a da maior parte das artesanais: a do apaixonado por cervejas que começa uma produção caseira e evolui, a partir de um plano de negócios, para a criação dos seus próprios rótulos, transformando lazer e diversão em um negócio.

A criação da Rio Carioca e a concepção do seu nome se deu a partir da percepção de que a capital fluminense – e também o Estado – apresentavam pouca representatividade no setor cervejeiro. “Na época que criamos a Cerveja Rio Carioca nenhuma cervejaria do Estado carregava o Rio no nome, ou possuía referências culturas em suas marcas. No máximo possuíam um rótulo ou outro fazendo alusão a bairros ou cidades do Estado. Isso incomodava um pouco a gente, essa falta de identificação”, afirma Luis.

O Rio em questão, porém, tem um duplo sentido. A partir do desejo de valorizar a capital fluminense, a busca por um nome se encontrou com a história do rio que nasce na Floresta da Tijuca, percorre os bairros de Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e Flamengo e deságua na Baía de Guanabara, na altura da praia do Flamengo, tendo sido vinculado ao desenvolvimento urbano da cidade.

“Uma das coisas que veio à nossa cabeça foram as praias do Rio, e consequentemente a correlação das águas do Rio de Janeiro e a água necessária para a produção da cerveja. Aí, então, surgiu a ideia de homenagear o rio Carioca, que foi a primeira fonte de água potável para os cariocas, o grande responsável pela evolução urbana da cidade. O Rio cresceu graças a ele, sem falar em todas as suas lendas e histórias, desde a época dos índios tamoio, até a luta de Estácio de Sá contra Villegagnon”, aponta o sócio-diretor da Rio Carioca.

Também há, de acordo com Luiz, uma crítica ambiental na adoção do nome. A maior parte do rio Carioca hoje é subterrânea e sofre com a poluição, um descaso histórico para uma importante fonte de água doce durante o período colonial.

“O rio Carioca, com a evolução urbana, acabou sendo esquecido pelos cariocas. Inclusive, hoje, parte dele é coberto, além de estar em condições deploráveis de poluição. Além de uma justa homenagem à nossa história, foi uma forma de chamarmos a atenção para ele, mostrar que ele existe e está ali, mesmo não sendo visto por nós nos dias de hoje. Precisamos valorizar o nosso berço”, enaltece.

Atualmente, a Rio Carioca conta com três rótulos: uma Weizenbier (Trigo Especial), uma Bohemian Pilsner (Pilsen Responsa) e uma Witbier (Malte Limão). As escolhas possuem, segundo a cervejaria, relação com as características climáticas do Rio. “Sempre priorizamos cervejas refrescantes, que possam ser consumidas em quantidades e ao ar livre, no calor do Rio 40°, do jeito que a gente gosta”, afirma.

Sarcasmo ativo
A Rio Carioca, que busca manter em destaque essa ligação com o Rio e a história, também se demonstra ativa na era das redes sociais, apostando em uma comunicação diferente da usual. Foi isso que inspirou o tom crítico da peça publicitária sobre a celebração do golpe de 1964.

“Buscamos não apenas apresentar a nossa marca, mas também usar nosso espaço de mídia para dar destaque a assuntos cotidianos e fomentar a boa discussão de ideias entre as pessoas. Passou longe o tempo que falar de cerveja na mídia era mostrar uma praia e um monte de bundas de mulheres. A propaganda de cerveja precisa evoluir e ser criativa, fazer diferente, provocar, falar com a galera”, avalia Luis.

Com o apoio de uma agência de publicidade, a Rio Carioca tem feito frequentemente posts críticos e em tom bem-humorado sobre diversas temáticas. A regra, de acordo com seu sócio-diretor, é nunca deixar de lado o sarcasmo do carioca.

Não à toa, o seu slogan é “O espírito carioca engarrafado”. Além disso, a identidade visual da marca possui antigos azulejos portugueses, muito comuns nos tradicionais botecos do Rio e também na sua arquitetura. “A ideia nunca é levantar bandeiras ou defender um lado ou outro, mas sempre trazer o assunto, colocar o bode na sala e ser aquela mesa do bar que a galera toma uma boa cerveja harmonizada com uma boa conversa, como todo carioca gosta”, afirma Luiz.

Por isso, se agora ficou marcada pelo tom crítico sobre o golpe de 64, antes a Rio Carioca abordou temas como as prisões de Lula e Michel Temer, a reforma da previdência e acusações de corrupção contra Aécio Neves. Mas também foi muito além da seara política ao ironizar São Paulo em seu aniversário e a propaganda da empresa de investimentos Empiricus.

“O carioca por natureza é muito galhofeiro, ele quer fazer piada e brincar com tudo. E nós, como bons cariocas, não poderíamos ser diferentes. Ninguém foge da nossa ‘implicância’, pode ser o Lula, Dilma, Bolsonaro, Sérgio Cabral, Crivella, Justin Bieber… Nem o Donald Trump e o Kin Jong-um escaparam da gente”, lembra Luiz.

Balcão do Tributarista: O registro de estilos cervejeiros como marcas no INPI

Caso Helles: O registro de estilos cervejeiros como marcas no INPI

Um assunto relacionado à proteção de propriedade industrial, mais especificamente ao registro de marcas, movimentou a cena cervejeira nesta semana. É que surgiram relatos de que algumas cervejarias estariam sendo notificadas para não utilizarem em seus rótulos termos registrados como propriedade industrial junto ao INPI, embora estes termos identifiquem um estilo de cerveja.

Apesar de nossa coluna ter como pauta principal a tributação do mercado cervejeiro, dada a relevância e atualidade dessa questão, não poderíamos nos furtar de trazer alguns comentários do ponto de vista jurídico. Assim, iremos destacar três pontos desta controvérsia: a validade, ou não, do registro de um estilo cervejeiro como se fosse uma marca; a (im)possibilidade de que outra cervejaria, que não a detentora do registro, também utilize o nome do estilo; e quais as medidas que podem ser tomadas pelas cervejarias em situações como esta.

No Brasil, é a Lei n° 9.279/1996 que regula os direitos e as obrigações relativos à propriedade industrial, a qual se refere a bens imateriais, ou seja, bens não corpóreos, como as patentes, os modelos de utilidade, os desenhos industriais e as marcas. Estes bens devem ser registrados junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Com relação às marcas, de acordo com o artigo 122 da mencionada Lei nº 9.279/1996, poderão ser registrados no INPI todos os sinais distintivos visualmente perceptíveis, com a finalidade de identificar produtos e serviços.

Para que o registro da marca seja deferido, são exigidos três requisitos: (i) que a marca seja criativa e inovadora, representando uma novidade em relação à identificação do produto ou do serviço; (ii) que não haja conflito com as chamadas marcas notoriamente conhecidas ou de alto renome; e (iii) que a marca não esteja impedida de ser registrada por alguma disposição legal. É a este terceiro requisito que devemos nos atentar para o caso em análise.

Os impedimentos para registro de marcas são aqueles constantes no artigo 124 da Lei nº 9.279/1996. No inciso VI deste artigo, encontramos a impossibilidade de registro de marca que simplesmente descreva o produto que representa. E no inciso XVIII, temos o impedimento para registro como marca de “termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir”.

Registro nulo
A nosso entender, o registro de nomes indicativos de estilos cervejeiros como marca viola os referidos incisos VI e XVIII do artigo 124, pois a denominação do estilo é utilizada para descrever o próprio produto e caracteriza termo técnico utilizado na indústria cervejeira. Tanto é assim que o registro de bebidas perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) exige a indicação do estilo de cerveja segundo denominações internacionalmente reconhecidas.

Portanto, nomes indicativos de estilos cervejeiros não são resultado de processo criativo, mas sim meras denominações internacionalmente reconhecidas, não se tratando de marca passível de registro. Consequentemente, o registro de um estilo de cerveja como se fosse uma marca é nulo.

Quanto à possibilidade de que outra cervejaria, que não a detentora do registro, também utilize o nome do estilo, é preciso ter em mente que a Lei nº 9.279/1996 assegura ao titular do registro o uso exclusivo da marca em todo o território nacional. Assim, às cervejarias que receberam notificações para deixarem de usar determinado nome indicativo de estilo cervejeiro,
indica-se que seja feita uma contra-notificação, respondendo ao notificante com os argumentos jurídicos e técnicos pertinentes para demonstrar a nulidade do registro e a possibilidade de utilização do nome do estilo. 

Na via administrativa, caso o processo de registro do nome do estilo como marca esteja em curso, é possível a apresentação de oposição diretamente ao INPI, a fim de pleitear o indeferimento do registro. Caso o registro já tenha sido deferido, há possibilidade de instauração de processo administrativo de nulidade.

Na via judicial, as cervejarias que se sentirem prejudicadas pelo registro de uma determinada marca podem requerer o cancelamento do registro através de ação para declaração de nulidade do registro.

Enfim, trata-se de assunto muito polêmico e bastante controverso. Procuramos deixar aqui nossa opinião e dar um indicativo de caminho, de medidas, que podem ser tomadas por aqueles que se sentirem prejudicados.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET) e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados.

Assina o texto também Daniela Froener, advogada, especialista em Propriedade Intelectual pela World Intellectual Property Organization (WIPO) e sócia do escritório Silva Lopes Advogados.

Abracerva propõe solução coletiva para questão do registro Helles

O mercado brasileiro foi pego de surpresa com a notícia de que cervejarias estariam sendo impedidas de utilizar a palavra Helles em seus rótulos. Isso aconteceu devido ao fato de uma cervejaria ter registrado o termo como uma marca junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Para solucionar o problema, em nota oficial, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) propõe a união das cervejarias que encontrarem dificuldades em registrar produtos usando o termo.

Traduzida do alemão como “clara” ou “brilhante”, como referência ao aspecto da cerveja, Helles é a denominação de um estilo criado na Baviera no final do século 19. Nos dias de hoje, o estilo é produzido e consumido mundialmente.

Na nota publicada, a Abracerva ressalta que, com o crescimento do mercado, conflitos sobre propriedade intelectual acontecem naturalmente. No entanto, diz a associação, o registro de estilos como marcas contraria tanto o senso comum quanto a legislação.

Diante da polêmica, em seu texto desta quinta-feira, assinado em parceria com a também advogada Daniela Froener, o colunista do Guia Clairton Kubaszwski Gama debate a validade jurídica e os caminhos para o questionamento desse registro.

Confira na íntegra o posicionamento da Abracerva:

A ABRACERVA, Associação Brasileira de Cerveja Artesanal representa um setor que tem crescido em um ritmo acelerado, contando hoje com mais de 900 cervejarias.

Nessa esteira, conforme dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as cervejarias Brasileiras registraram mais de 6 mil rótulos no ano passado. 

Diante desses fatos, é natural que os conflitos de propriedade intelectual se avolumem nesta área. Porém, uma situação que tem gerado instabilidade no setor é fato de algumas empresas tem buscado o registro de expressões que designam estilos de cervejas, alguns de uso centenário como Pilsen, Helles, Alt, India Pale Ale, etc.

Tais designações são consideradas como estilos que remetem a cor (Helles, Dunkel, Shwarzbier) ou local (Pilsen, Dortmunder, etc). O Próprio Decreto Lei 6871/2009, que regulamenta o registro (obrigatório) do produto junto ao MAPA, reitera:

Art. 39.  De acordo com o seu tipo, a cerveja poderá ser denominada: Pilsen, Export, Lager, Dortmunder, Munchen, Bock, Malzbier, Ale, Stout, Porter, Weissbier, Alt e outras denominações internacionalmente reconhecidas que vierem a ser criadas, observadas as características do produto original.

Diante disso, a concessão de registro de marca desses estilos é algo contrário ao senso comum e a própria Lei de Propriedade Industrial no ser art. 124, VI e XVIII.

Dessa forma, a ABRACERVA aconselha às cervejarias que estiverem enfrentando este tipo de problema, que nos procure para uma solução coletiva, e da mesma forma informa que já está agendando uma reunião com o INPI para buscarmos uma solução que implique em uma troca de informações para evitarmos os litígios nesta área.

Brahma cria plataforma que “evolui” Movimento por um Futebol Melhor

Importante engrenagem na consolidação dos programas de sócio-torcedor do futebol brasileiro nos últimos anos, o Movimento por um Futebol Melhor passou por uma “evolução” nesta semana, como definido pela Brahma: ao invés de apenas dar descontos em produtos, estará focado também em permitir experiências exclusivas e mais diretas do torcedor com seus times.

Essa evolução veio com o lançamento nesta terça-feira do Clube Nº1, a nova plataforma para ativações da marca da Ambev envolvendo equipes do futebol brasileiro. A partir dessa ação, a Brahma vai buscar transformar ações de engajamento envolvendo a cerveja por experiências ligadas aos times com quem possui contratos de patrocínio: Bahia, Vitória, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Palmeiras, São Paulo, Santos, Náutico e Sport.

Há duas ações preparadas para as próximas semanas. O primeiro será o “Foto Com Seu Time”, que permitirá aos torcedores a participação em uma foto oficial com o elenco do seu clube. Já no “Estádio em Casa” a marca vai sortear um kit de TV, home theater, cervejeira e um ano de assinatura do canal Premiere.

Os dois sorteios vão ocorrer em 11 de maio. E o engajamento influenciará diretamente nas chances do participante ganhar em função da maior quantidade de número com os quais vai concorrer – até seis.

“Essas ações valorizam nossa parceria com o futebol. É por causa da paixão dos torcedores por seus clubes que o futebol se tornou um patrimônio nacional. E, como cerveja que sempre esteve ao lado do esporte no Brasil, queremos ampliar os momentos que realmente importam para os torcedores”, avalia João Pedro Zattar, gerente de marketing esportivo da Ambev.

Futebol melhor
A cervejaria assegura que o Clube Nº1 não representa a extinção das ações do Movimento por um Futebol Melhor. O novo site, segundo a Ambev, seguirá com um espaço para o torcedor usufruir das vantagens em serviços e compra de produtos de empresas parceiras por serem associados a seus times, o que era a base da iniciativa anterior.

Com descontos em produtos, o Movimento por um Futebol Melhor foi criado em 2013 e estimulou a adesão a programas de sócio-torcedor dos clubes – o balanço recente apontou mais de 1,4 milhão de associados entre os times cadastrados.

Desses, seis superavam a barreira dos 100 mil no que se denominou torcedômetro: Internacional (207.796), São Paulo (155.928), Grêmio (152.564), Palmeiras (129.880), Atlético-MG (122.042) e Corinthians (117.579).

Garrafa da Schornstein ganha régua que mostra imposto pago pelas cervejarias

Barreira para a popularização dos preços e responsável por até 60% do valor da cerveja artesanal, a carga tributária brasileira vem sendo um dos entraves para o crescimento do mercado consumidor de artesanais. E uma interessante iniciativa lançada pela Schornstein vai ajudar a quantificar o tamanho desse problema.

Para mostrar ao consumidor o volume de imposto pago por uma cervejaria artesanal, a Schornstein criou garrafas com uma régua “tributária”, que demonstra quanto do conteúdo da cerveja é “desperdiçado” com tributos.

Os lotes com a novidade começam a ser comercializados já nesta semana. “É importante que o consumidor saiba que temos uma preocupação ímpar com a qualidade dos processos, insumos e profissionais envolvidos”, aponta Adilson Altrão, diretor da cervejaria, antes de acrescentar.

“Mas não é isso, proporcionalmente, que encarece os nossos produtos. Os impostos aplicados a cervejarias são desproporcionais e queremos sensibilizar a população sobre isso”, complementa Adilson.

Uma série de campanhas nos últimos meses vêm alertando para o problema da carga tributária que atinge as artesanais. A Invicta, por exemplo, fez em março a Semana da Justiça, reproduzindo o preço da cerveja sem os altos impostos.

Com 13 anos de mercado e localizada em Pomerode, no estado de Santa Catarina, a Schornstein tem atualmente 17 estilos em linha e capacidade produtiva de mais de 200 mil litros de cerveja ao mês.