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Cerveja e Negócios: O crescimento e suas dores

Coluna cerveja e negócios Escola Superior de Cerveja e Malte Calo Bressiani

Cerveja e Negócios: O crescimento e suas dores

O mercado cervejeiro artesanal latino-americano segue em franco crescimento. Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Peru, Colômbia e Brasil despontam como molas propulsoras deste movimento. O Brasil bem à frente, dada sua dimensão continental e sua população. Mas este crescimento é sustentável? Esta é a pergunta do milhão.

Nos Estados Unidos, nosso benchmarking para o entendimento da dinâmica deste mercado, houve um processo parecido, com uma explosão de cervejarias entre a década de 1980 e o final dos anos 1990, depois uma parada até 2008 e finalmente um crescimento quase que exponencial até chegar aos números de hoje, com mais de 8 mil cervejarias.

Ao fazermos um paralelo – tosco, é verdade, já que as realidades de ambientes de negócio e poder aquisitivo são totalmente díspares – chegamos à conclusão de que nossos países ainda estão na primeira fase do crescimento.

Os norte-americanos nos explicam que esta parada se deu após o estouro da bolha das .com no final da década de 1990 e que havia muitos aventureiros – investidores que não entendiam de cerveja e cervejeiros que não entediam de negócios – abrindo novos negócios que eram muito mal geridos ou entregavam um produto de baixa qualidade.

Leia também: Chegamos a 1000 cervejarias. E agora?

Desta forma, houve uma retração no consumo associada a problemas de precificação que levaram muitas cervejarias à lona. Após a depuração do mercado, que lá durou quase 10 anos, o setor voltou a crescer fortemente, chegando aos números de hoje. A pergunta é: o ciclo vai se repetir aqui?

Provavelmente sim em algum grau. Não se espera uma retração nem um prazo tão longo de recuperação, mas há alguns sinais de que podemos ser muito mais profissionais nos nossos empreendimentos.

Melhorias de produto, processo, controle, layout, conhecimento técnico, posicionamento, gestão e otimizações são a ordem do dia. Temos a chance de encurtar o ciclo de baixa e seguir crescendo se entendermos que cervejarias são indústrias e não fábricas de gambiarras onde tudo é permitido, já que somos “artesanais”.

O que o público espera de nós são bons produtos, com boas histórias para contar. É conhecer o cervejeiro, pisar no chão da fábrica e ouvir um sommelier apaixonado dando dicas. São sabores locais, especiais e únicos. E muito profissionalismo.


Carlo Enrico Bressiani é diretor geral da Escola Superior de Cerveja e Malte, sommelier de Cervejas ESCM/Doemens, PhD em Finanças pela Universitat Ramon Llull em Barcelona, consultor e autor de livros nas áreas inovação, projetos e finanças

Safra da cevada deve crescer 20% em área e ter qualidade em 2019, estima especialista

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Após encarar dificuldades em 2018, o cenário da safra da cevada em 2019 é bem mais positivo. Ainda que em uma avaliação extraoficial, o crescimento da área de produção do cereal cervejeiro deve ser de cerca de 20%, de acordo com Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo. E ele também terá qualidade para ser utilizado pela indústria.

Essa produção se concentrou, como ocorre tradicionalmente, na região sul do Brasil, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul. “Extraoficialmente, podemos afirmar que no total foram semeados cerca de 113.000 hectares, sendo 58% no PR, 37% no RS, 2,5% em SP, 2% em GO e MG e 0,5% em SC. Houve, portanto, aumento cerca de 20% em relação à área da safra passada”, aponta Minella ao Guia.

Leia também: Novas políticas públicas podem trazer efeitos nocivos para cevada nacional

O aumento da área de cultivo na safra da cevada é um alento diante da dificuldade enfrentada em 2018, quando a redução na área plantada foi de 14,7%, de acordo com os dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Minella ressalta que a maior parte da produção – concentrada no Sul do Brasil – ainda não foi colhida, mas que a expectativa é para uma lavoura com “bom potencial”, a não ser que o clima venha a atrapalhar. Além disso, ele prevê uma safra de 350 mil toneladas do cereal cervejeiro neste ano.

“A semeadura ocorreu desde maio até o final de julho, dependendo da região produtora. As semeaduras de maio em GO e MG já estão em processo de colheita, enquanto que as da Região Sul serão colhidas a partir do final de outubro”, explica Minella, detalhando a qualidade da safra da cevada.

“As lavouras em geral estão com bom potencial produtivo e, se desenvolvendo bem, permite a previsão de uma boa safra, caso o clima transcorra favorável até a colheita. Pela superfície semeada, a previsão é de uma safra de cerca de 350.000 toneladas”, acrescenta.

A avaliação do especialista da Embrapa Trigo traz dois aspectos positivos para o setor, especialmente no comparativo ao ano passado. O primeiro é que parte da produção de cevada brasileira em 2018 não atingiu o padrão de qualidade exigido para ser utilizada pela indústria cervejeira, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná, exatamente os estados com maior cultivo. E isso levou ao “descarte” de parte da produção e ao prejuízo em função dos baixos preços da cevada não cervejeira.

Leia também: Baixa qualidade trava aproveitamento da cevada pela indústria cervejeira em 2018

Além disso, de acordo com os dados do IBGE, a produção de cevada foi de 325.081 toneladas em 2018. Confirmada a estimativa de Minella, de uma safra de 350 mil toneladas, o aumento da produção seria de pouco mais de 7% em 2019, em um indicativo de recuperação do setor.

Balcão do tributarista: Planejamento tributário e modelos de negócios para cervejarias

Balcão do tributarista: Planejamento tributário e modelos de negócios para cervejarias

Inspirado pela série especial realizada pelo Guia sobre a montagem de uma indústria cervejeira ideal, na coluna deste mês abordo um assunto pertinente a tal temática: o planejamento tributário através da escolha do modelo de negócio.

Pelas matérias e reportagens apresentadas pelo Guia dentro dessa série especial, tivemos a oportunidade de verificar os erros mais comuns quando se está montando uma cervejaria, bem como os primeiros passos para este processo e a importância dos equipamentos certos. Do ponto de vista tributário, a escolha do modelo de negócio é um assunto que se coaduna a estes e que pode influenciar diretamente na montagem da cervejaria.

Leia também: 10 dicas industriais para a concepção da cervejaria ideal

Não é novidade que o setor cervejeiro (assim como praticamente todos os setores produtivos da economia brasileira) sofre com uma pesada carga tributária. Além de pagar inúmeros tributos, as cervejarias (e também as demais indústrias) estão obrigadas ao cumprimento de uma série de obrigações formais, incluindo a entrega de diversas declarações – muitas delas com informações redundantes.

Os valores dispendidos com o pagamento de tributos, mais todo o custo com estrutura, pessoal e tempo necessários para o cumprimento dessas obrigações, compõem o que chamamos de custo tributário. E este custo, que sempre é bastante pesado e de difícil previsão, pode variar bastante em função do modelo de negócio eleito para a futura cervejaria.

Modelos de negócio
Para ilustrar, tomemos como exemplo o caso de uma cervejaria cigana. Ela poderá operar com um modelo de negócio no qual comprará todos os insumos necessários e os fornecerá para uma cervejaria que irá produzir a cerveja. Depois de pronta, a cervejaria a entregará para a cigana que, então, poderá comercializar o produto.

Neste caso, a cigana assume os moldes de uma empresa distribuidora, de uma comercializadora. Por outro lado, a cigana pode locar o espaço e os equipamentos da cervejaria (com ou sem mão de obra) e ela própria produzir a cerveja que, posteriormente, será comercializada. Aqui, a cigana assume os moldes de uma verdadeira indústria.

Esta simples opção de modelo de gestão e de estrutura de negócio da cervejaria cigana implica desde a forma de sua constituição, ou seja, sob qual tipo societário poderá ser constituída (empresa individual, sociedade limitada), até a forma de tributação da sua atividade e a quais tributos estará sujeita.

Cervejarias “convencionais” também estão sujeitas a grandes e profundas modificações na forma de tributação dependendo da forma como foram constituídas e da forma como exploram a atividade industrial ou comercial. Isso sem falar dos brewpubs, que tem um tratamento tributário diferenciado.

A definição do modelo de negócio implica, portanto, desde a forma como a empresa será constituída, até à opção pelo regime de apuração dos impostos (lucro real, lucro presumido ou Simples Nacional), passando pela forma como os eventuais empregados serão contratados e como será realizada a logística, distribuição e comercialização dos produtos.

Regime de tributação
Uma ação que à primeira vista pode parecer simples e corriqueira, como a escolha do regime de tributação, deve ser encarada por aqueles que estão iniciando na montagem de sua cervejaria com a profunda importância e atenção que esta etapa requer.

É preciso ter em mente que a escolha do modelo de negócio e, consequentemente, da forma de constituição e tributação da cervejaria são ações de planejamento tributário que, se bem executadas, podem resultar em economia tributária. Considerando o peso da carga tributária, nem se precisa falar da importância disto. Porém, se mal planejadas, podem acabar por inviabilizar a operação.

Quando se fala em planejamento tributário, alguns cuidados devem ser observados como medida de evitar problemas futuros que podem ser mais prejudiciais do que a própria tributação incidente sobre a atividade.

Devemos ter em mente a premissa de que não existe planejamento tributário ou tese jurídica “de prateleira”, pois todas as medidas a serem adotadas precisam ser estudadas de forma individualizada. Sua aplicação não pode se dar de forma idêntica – e quase que automática, como muitas vezes parece ocorrer – a contribuintes diferentes, que, embora tenham atividades semelhantes, podem se encontrar em situações fáticas e/ou jurídicas completamente distintas.

Se for feito dessa forma, corremos o risco de as ações tomadas, ao invés de trazerem benefícios, acabarem gerando o extremo inverso: a constituição de um passivo tributário com o qual o contribuinte terá que lidar futuramente.

Um bom planejamento tributário passa, obrigatoriamente, por uma análise de cenários e de riscos possíveis para o contribuinte. Além disso, é preciso que todas as medidas adotadas tenham base legal para justificar sua adoção, bem como que sejam realizadas sempre de forma prévia ao acontecimento dos fatos geradores dos tributos que visam reduzir ou elidir.

Portanto, o planejamento tributário é ferramenta indispensável para todos os contribuintes, seja para os que estão iniciando, seja para os que já estão estabelecidos no mercado, pois a busca por economia tributária é fator decisivo para o êxito da empresa.


Clairton Kubaszwski Gama é advogado, especialista em Direito Tributário pelo Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBET) e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados

AB InBev perde batalha contra a MillerCoors na “guerra do xarope de milho”

A AB InBev tem até março de 2020 para se desfazer de todo o seu estoque de Bud Light com embalagens indicando que o produto não contém xarope de milho – “no corn syrup”. Trata-se de uma decisão judicial favorável à sua concorrente MillerCoors no que tem sido chamado de “guerra do xarope de milho”.

A disputa começou logo após o Super Bowl, em fevereiro. Na ocasião, a AB InBev veiculou no cobiçado intervalo da atração esportiva de maior audiência dos Estados Unidos um vídeo publicitário da Bud Light. Ele se passa na Idade Média, e um carregamento de xarope de milho que teria como destino o “castelo” da Miller é entregue ao “castelo” da Bud Light por engano.

https://youtu.be/LkHvj_KEHBk
Vídeo da Bud Light lançado no intervalo do SuperBowl

Na ação, a MillerCoors alega que o filme e a campanha publicitária “transparency” que o seguiu tinham o objetivo de influenciar o consumidor a acreditar que suas marcas continham o xarope de milho de alta frutose, adoçante comum e muito questionado nos EUA, e um componente diferente do xarope de milho – este amplamente usado por cervejarias.

A própria cervejaria, contudo, reconhece que usa xarope de milho nos dois rótulos – mas ressalta que não se trata de xarope de alta glicose e que o ingrediente não é encontrado no produto final.

Os lances da disputa
Uma primeira decisão judicial, de maio, favoreceu a MillerCoors proibindo a AB InBev de veicular peças da campanha que sugerissem a diferença de composição entre seu produto e os da concorrente. Agora, o juiz William Conley amplia a decisão determinando que a companhia deixe de vender latas, garrafas e packs que enfatizem a ausência do ingrediente em sua fórmula.

Segundo o juiz, a mensagem nas embalagens pode deixar implícito que outras cervejas contém o xarope. “Além disso, à luz de um limitado número de cervejas light no mercado, com Bud Light, Miller Lite e Coors Light somando quase 100% das vendas, seria possível encontrar um segmento considerável de consumidores que poderiam inferir que as principais concorrentes da Bud Light contêm xarope de milho, especialmente após uma campanha de cem milhões de dólares”, escreveu ele.

Leia também: AB InBev é proibida de vender cerveja na capital da Índia

A decisão determina que a AB Inbev cesse a venda de produtos com embalagens que levam esses dizeres até o final do estoque registrado no dia 6 de junho, ou em março de 2020 – o que acontecer primeiro.

Como era de se esperar, a diretoria da MillerCoors comemorou a decisão. O CEO da companhia, Gavin Hattersley, afirmou em nota que a campanha da Bud Light é ruim para a indústria e para o público. “Com essa decisão, responsabilizamos a marca por seus atos, e a mantemos sob pressão a cada vez que ela quiser enganar intencionalmente o público norte-americano”.

A AB InBev se posicionou por meio de nota, afirmando que a MillerCoors está se recusando a entregar ao público a transparência que ele demanda. “A Bud Light é feita sem xarope de milho, simples assim. Estamos buscando defender nosso direito de informar consumidores de cerveja no processo e na apelação”, diz a nota.

Na contramão da inflação, preço da cerveja tem alta expressiva em agosto

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Na contramão da inflação nacional, que desacelerou em agosto, o preço da cerveja em domicílio registrou alta expressiva no oitavo mês do ano, de 1,34%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Foi o oposto do que aconteceu com o índice geral, de apenas 0,11%, após elevação de 0,19% em julho.

Essa alta expressiva inverteu o cenário que era de deflação no preço da cerveja em 2019. Agora, há aumento nos preços em 2019, de 1,24%. E, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE, a inflação é de 2,89% quando considerados os últimos 12 meses.

Leia também: São Luís lidera inflação e São Paulo puxa preço da cerveja para baixo em julho

A alta expressiva nos preços da cerveja no domicílio foi uma exceção no setor de alimentação e bebidas, que teve deflação de 0,35% em agosto, pressionando positivamente o índice geral.

“Segundo o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov, a redução nos preços de alguns dos principais alimentos consumidos no dia a dia dos brasileiros aconteceu por questão de aumento de oferta nos pontos de venda. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o tomate (-24,49%), a batata inglesa (-9,11%) e as hortaliças e verduras (-6,53%)”, apontou o IBGE.

Já os preços da cerveja fora do domicílio tiveram alta em agosto, de 0,79%, segundo o IPCA. Também há inflação nos outros dois cenários observados: de 0,89% em 2019 e de 3,12% nos últimos 12 meses.

Os preços de outras bebidas alcoólicas no domicílio tiveram alta de 0,14% em agosto, mantendo a tendência de inflação em 2019 (1,24%) e nos últimos 12 meses (2,48%). Já os das bebidas alcoólicas fora do domicílio também cresceram em agosto (0,22%), continuando em elevação no ano (1,91%) e nos últimos 12 meses (3,38%).

8 destaques da sétima edição do Mondial no Rio

Sucesso de público, a sétima edição do Mondial de là Biere Rio de Janeiro chega ao fim neste domingo com inúmeros destaques, concluindo uma sequência de cinco dias em que os visitantes tiveram à disposição mais de 1.500 rótulos, ofertados por mais de 130 cervejarias espalhadas por estandes instalados nos armazéns 2, 3 e 4 do Pier Mauá.

O festival, realizado na zona portuária do Rio, também contou com apresentações musicais e mais de 20 food trucks, com direito a vista do Museu do Amanhã e também da Ponte Rio-Niterói. A equipe de reportagem do Guia esteve presente ao Mondial e selecionou oito destaques do evento. Confira.

1- Melhor cerveja: Timeless Porter
A Wonderland Brewery conquistou a medalha de platina do Mbeer Contest, o concurso do Mondial, com uma Porter com lactose e caramelo. Ela tem teor alcoólico de 6,3% e amargor leve, de 25 IBUs. O aroma e o sabor de caramelo se sobressaem no primeiro momento, e em seguida cedem o destaque à textura macia e cremosa obtida pelo uso da lactose. É feita com o lúpulo inglês East Kent Goldings. Seu rótulo é estrelado pelo Coelho, que com seu relógio é o mentor de Alice no país das maravilhas, temática inspiradora da cervejaria.

Leia também: Porter da Wonderland leva a medalha de platina no Mondial de la Bière

2- Cervejas mais inusitadas: Linha gourmet da Three Monkeys
A Three Monkeys optou por apostar na inventividade nos novos rótulos que levou ao Mondial. A cervejaria ampliou a sua linha do estilo Gose e despertou a curiosidade do público que circulou pelo festival com a Gazpacho, uma cerveja com tomate e picles de pepino; a Al Mare, com ostras, tinta de lula e limão; a Honey Dijon, com mostarda e mel; a Oriental, com shoyu, wasabi e gengibre; e a Thai Curry, com curry, especiarias e leite de coco. Seu estande, não à toa, esteve lotado durante todo o festival.

3- Produto mais inusitado: Sorvete de cerveja
A Cervejaria Roter cedeu parte do seu estande no Mondial para uma parceria que atraiu o paladar do público. A Bora Bora Gelateria produziu sorvetes a partir dos diferentes rótulos da cervejaria, aguçando a curiosidades dos visitantes, que precisavam esperar menos de cinco minutos para ver 120ml de cerveja transformados em sorvetes, a partir da utilização de uma fórmula com água e açúcar adicionada ao rótulo escolhido em uma tábua resfriada a pelo menos -20ºC.

4- Melhor personagem: Frida Kahlo
Se em 2018 a Cerveza Guapa aproveitou a edição carioca do Mondial para lançar a Frida, uma New England IPA, dessa vez optou por levar a própria personagem ao seu estande no Pier Mauá, atraindo a atenção do público, especialmente para fotos. A homenagem, no rótulo, e a presença de um personagem representando a icônica pintora mexicana têm relação direta com a cervejaria, que busca homenagear referências históricas da América Latina nos seus rótulos.

5- Melhor estande: Trópica Brewing Co
Embora seja de Campos dos Goytacazes, a Trópica decidiu lembrar outra localidade em seu estande no Mondial: Caraíva. A vila no litoral sul da Bahia, nas proximidades de Porto Seguro, foi homenageada pela cervejaria com a instalação reproduzindo a fachada de uma típica casa de Caraíva. A vila também dá nome a um dos rótulos da Trópica, uma Saison de maracujá, um dos seus lançamentos para o festival.

6- Produto não-cervejeiro inusitado: Gim tônica em garrafa
O Mondial é um evento cervejeiro, mas também há espaço para outros produtos. O que mais chamou a atenção foi a gin tônica da Easy Booze. Antes visto como um drinque com produção restrita aos bartenders, a gin tônica foi engarrafada pela empresa paulista e fez sucesso no festival no Rio, sendo mais uma atração para quem gosta de cerveja, mas também para quem possui outras bebidas de preferência.

7- Melhor colaborativa: Trooper IPA
A cervejaria curitibana BodeBrown levou ao Mondial um lançamento impactante e surpreendente: a Trooper IPA, um rótulo criado em parceria com o Iron Maiden, uma das maiores bandas de heavy metal do mundo. A cerveja foi lançada no festival em lata e despertou a curiosidade do público, especialmente dos roqueiros, também atraídos por camisetas, copos, bonés, bandeiras e bandeirolas, produtos expostos e colocados à venda no estande da cervejaria.

8- O não ao autoritarismo
No mesmo fim de semana em que o prefeito do Rio, Marcelo Crivellla, buscou censurar a literatura durante a Bienal do Livro, outra figura proeminente da política fluminense viu seus atos autoritários serem condenados publicamente. Em visita a estandes do Mondial, o governador Wilson Witzel foi alvo de gritos de “fascista” e de xingamentos do público durante a sua breve passagem pelo Pier Mauá.

Independência: Uma busca de consumidores, cervejeiros e do mercado

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É comum que os brasileiros mal se lembrem das razões para os feriados de nosso calendário. Quando essas datas caem em um final de semana sem provocar um dia de folga, como é o caso desse 7 de setembro, os fatos e personagens históricos homenageados pelo feriado vão de vez para o esquecimento. Mas este é o feriado da independência e, para cervejeiros e adoradores da bebida em geral, é um assunto bastante pertinente e atual. O que é ser independente nesse universo?

A história brasileira assume que (há versões menos glamourosas) a independência do país foi proclamada Por Dom Pedro I em 1822, às margens do Rio Ipiranga, desvinculando o Brasil do império português e acabando (em tese) com uma relação de dominação. Hoje, há 11 km de distância do Ipiranga, a Associação dos Cervejeiros Artesanais de São Paulo (Acerva Paulista) luta pela independência do cervejeiro, do consumidor e, consequentemente, das cervejarias, sob uma ótica bastante particular.

Leia também: Chegamos a 1000 cervejarias no Brasil. E agora?

Exercer a independência ao consumir, na opinião de Rodrigo Jordão Rosa, presidente da Acerva Paulista, é não aceitar tudo o que nos forçam de maneira passiva. “É buscar maneiras de pensar e de consumir. Ter as coisas perto de você e consumir comprando do produtor local te torna independente para escolher”, afirma ele. “Em Piracicaba você vai ao restaurante por quilo e tem cerveja local, de boa qualidade. Você pode escolher. Isso é lindo. É um caminho sem volta”.

Já os cervejeiros caseiros, que têm a produção de sua cerveja para consumo próprio estão, sob a ótica de Rosa e da Acerva Paulista, exercendo sua independência ao explorar, estudar e produzir.

“Ele vai para o mercado, compra cerveja por R$ 200, experimenta, estuda e volta para a panela para produzir algo semelhante”, diz ele sobre uma independência que se expressa tanto do ponto de vista do acesso a estilos e qualidade de produto quanto no da experiência que a atividade proporciona – em contraponto à experiência com produtos de escala. “Assim, ele se envolve com sensações e histórias diferentes.”

A atuação da Acerva Paulista, assim como de suas “irmãs” país afora, concentra esforços justamente nesse segmento, visando a disseminação da zitologia e da cultura cervejeira, por meio de encontros, palestras, discussões e campeonatos. “O mercado cervejeiro acaba usufruindo da formação de bons profissionais que crescem entre a gente”, avalia.

A batalha das cervejarias
Quando o assunto é cervejaria, na opinião de Rosa, a ideia de independência não se limita à característica de não estar ligada a um grupo grande, mas exige também posturas e atitudes específicas. “As independentes se juntam a outras para formar algum tipo de união, seja na produção, de marketing ou de distribuição”, conta ele, sobre esse aspecto que considera essencial para a sobrevivência dos menores.

“Assim como as grandes, a industria artesanal também é processo, mas tem mais desenvolvimento de produto, tem mais liberdade para buscar novas alternativas e se posicionar de maneira diferente no mercado”, avalia o presidente da Acerva Paulista.

Mesmo no mercado de artesanais, Rosa enxerga um constante movimento de busca por independência – movimento esse que se altera conforme o mercado se desenvolve e busca por novos formatos e modelos de negócio.

“Boas marcas que trabalhavam em fábricas de terceiros estão migrando para seu próprio brewpub. Isso tira dele um custo, e ele consegue trabalhar com volume menor e mais variedade, mostrando e explorando suas capacidades. Aí cada um se posiciona como preferir”, conclui Rosa.

A estreante e a experiente: Rotas cervejeiras ganham espaço e atenção no Mondial

A sétima edição do Mondial de la Bière no Rio também é uma oportunidade para a divulgação de roteiros turísticos para os “viajantes” cervejeiros. Nos cinco dias de evento no Pier Mauá, a área de expositores tem sido ocupada pelas Rotas Cervejeiras dos dois principais Estados do Brasil – São Paulo e Rio -, que têm aproveitado o contato direto com o público para apresentar suas atrações turísticas associadas ao setor cervejeiro.

A presença no Mondial funciona como uma estreia para a Rota Cervejeira paulista. Afinal, a Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo aproveitou o renomado festival internacional para lançar oficialmente a rota, que vai atuar como uma motivação para que o turista viaje em solo paulista, divulgando os destinos ao visitante que passa pelo seu estande.

“É a primeira vez que participamos de um evento tão gigantesco. Fizemos um mapa de onde se encontram essas rotas cervejeiras. É um início de trabalho de evidenciar essa região”, afirma Cristine Fuchs, diretora técnica da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo.

A secretaria dividiu o Estado em seis áreas com potencial turístico cervejeiro. São elas: as regiões de Ribeirão Preto, Piracicaba, Sorocaba, Campinas e São Paulo, além da Serra da Mantiqueira.

A ideia da secretaria paulista de participar do Mondial Rio surgiu a partir do convite realizado pela organização do evento. Além de divulgar o potencial turístico através das rotas cervejeiras, o planejamento é de aproveitar os cinco dias do festival para a aquisição de conhecimento a partir do contato com expositores experimentados no setor.

A secretaria adotou uma divulgação agressiva da sua presença no festival, com a inserção de pins gigantes em diferentes locais do Pier Mauá. “A gente agrega ao evento. E também aprende muito com empresas que têm larga experiência e movimentam a economia”, pontua Cristine.

São Paulo é o segundo estado com mais cervejarias no Brasil – são 218 fábricas instaladas em 118 municípios. Nesse contexto, a Rota Cervejeira surge para ajudar a fomentar um setor com grande potencial. “O objetivo é conhecer e valorizar o que temos. Incentivar e abrir campo para que novas oportunidades surjam a partir desse segmento”, explica.

A diretora também destaca intenção de aproveitar o reconhecido potencial do estado como importante polo gastronômico nacional para ampliar a penetração da cerveja nesse mercado. “Temos um legado grande de eventos de gastronomia. A cerveja vai agregar muito, porque também é um produto para esses eventos”, comenta.

Rota Rio
Se a atual edição do Mondial é uma “estreia” para a Rota Cervejeira Paulista, o evento já tem a presença da Rota Cervejeira RJ como uma tradição. Essa é a quarta vez que o grupo que agrega cervejarias da Região Serrana do Rio (liderada pela Associação das Cervejarias e Cervejeiros do Estado do Rio de Janeiro) participa do evento para valorizar a produção local e suas atrações turísticas. Em 2017, a rota esteve presente também na edição do Mondial de la Bière de Paris.

Leia também: Da lama ao sol – Conheça a Rota Cervejeira construída após uma tragédia climática

Criada em 2014, a rota possui 19 associados de quatro cidades: Teresópolis, Petrópolis, Friburgo e Guapimirim, e oferece uma série de passeios que inclui visitas a fábricas e degustação de diferentes rótulos e harmonizações, em meio a um cenário de montanhas e belas paisagens.

O já tradicional estande da Rota Cervejeira RJ não vem sozinho: traz sempre junto o lançamento de um rótulo colaborativo. O de 2019 é uma New England APA, batizada Florapa da Serra.

“A ideia é mostrar o associativismo na íntegra, com grandes cervejarias se unindo a pequenas para fomentar economicamente a região. E sempre temos uma pegada no rótulo que deixa clara a associação com a região”, afirma Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ.

No rótulo para a atual edição, o foco local ficou para o lúpulo do Viveiro Ninkasi, de Teresópolis. “Esse ano temos como novidade o lúpulo brasileiro plantado na Serra. Traz muito frescor para a cerveja. O lúpulo brasileiro está entrando com a característica do aroma, algo que exploramos ao máximo nessa cerveja”, detalha Ana Cláudia.

Já o nome da cerveja faz um trocadilho com o estilo APA do rótulo e com uma das principais atrações para o turista que visita a região serrana do Rio, conhecida pela produção de flores. “No nome remete ao estilo, mas também ao termo florada, às flores da Serra”, acrescenta a coordenadora da rota cervejeira.

Em nível mais avançado do que a recém-lançada rota paulista, a fluminense vê com bons olhos o surgimento de ações semelhantes em outros estados. Não há, nesse caso, concorrência, mas multiplicação das opções de turismo cervejeiro no Brasil, com a expectativa de atrair ainda mais olhares estrangeiros.

“Se o Brasil se tornar referência em turismo cervejeiro, como Estados Unidos e Alemanha são, seria motivo de muito orgulho. Por isso, nos deixa feliz vê-los (a rota cervejeira paulista) aqui também”, conclui Ana Claudia, satisfeita por ver as rotas cervejeiras conquistando espaço e atenção em meio a milhares de rótulos no Pier Mauá.

No embalo do Mundial, Mogi lança 1ª cerveja de um time nacional de basquete

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Parece que foi feita sob medida. Enquanto a seleção brasileira masculina de basquete derrotava Montenegro e confirmava a primeira colocação em sua chave da Copa do Mundo da China, algo considerado altamente improvável até o início do torneio, a primeira cerveja própria de um time nacional de basquete começava quase simultaneamente a ser vendida nesta quinta-feira.

Se tem extensa tradição no futebol, responsável por patrocínios ou parcerias em boa parte dos clubes do Campeonato Brasileiro, a cerveja tem pouca ligação com outros esportes, ainda mais quando se trata de basquete. Algo que começou a ser mudado quando o Mogi das Cruzes fez uma parceria com a Setti Cervejaria Artesanal para lançar a Jaguá Beer.

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E, assim, quase tão improvável quanto o Brasil ganhar no Mundial da Grécia de Giannis Antetokounmpo, nada menos do que o melhor jogador da NBA na última temporada, a cerveja alcançou novos mercados ao chegar no garrafão do basquete por meio do Mogi, uma das mais tradicionais equipes nacionais do esporte.

“Fazer uma parceria com uma cervejaria e ser uma marca de cerveja é uma situação bem inusitada no esporte brasileiro, principalmente no basquete. Estamos inovando, buscando novas situações fora da quadra”, afirma Nilo Guimarães, gestor da equipe.

A Jaguá Beer
O lançamento oficial da cerveja própria do Mogi ocorreu nesta semana, em evento fechado para autoridades, patrocinadores e convidados, no Norival Bar. Personalidades como Guerrinha, ex-jogador da seleção e técnico do time, marcaram presença.

A cerveja do Mogi

Pioneira de uma equipe brasileira de basquete, a Jaguá Beer está sendo produzida pela Setti, após um projeto desenvolvido pela Oxyon Sports em conjunto com o clube. A cervejaria ainda ajudará na distribuição dos rótulos.

A ideia é que a bebida possa ser uma opção de presente para torcedores e cervejeiros. Comercializada inicialmente no quiosque do time no Mogi Shopping, por R$ 50 o kit, ela vem com dois tipos de artesanais: Jaguá Beer ESB e Jaguá Beer IPA. Sócios-torcedores terão 10% de desconto para compra de até dois kits por CPF.

“A cerveja é um prêmio para o nosso torcedor que quer presentear um amigo e vai levar a nossa marca junto com uma cerveja de uma qualidade muito boa. Estamos muito felizes. É um dia diferente para nós”, comenta o gestor da equipe, antes de completar.

“Enfim, todos envolvidos, porque o basquete é a paixão municipal e a gente fica muito feliz neste momento apresentando novas situações para o nosso torcedor”, complementa Nilo.

Medieval, mas tecnológica: Primeiro cervejoduto do mundo completa 3 anos em Bruges

Parece lenda, ou uma história engraçada de propaganda de cerveja. Mas não é: existe um grande duto subterrâneo que transporta cerveja abaixo de uma localidade medieval na Bélgica. Estamos falando da cidade de Bruges, no noroeste do país, que está na lista de patrimônios mundiais da Unesco. Lá existe um ‘”Cervejoduto” que leva a bebida por três quilômetros sob as ruas históricas da cidade.

Este projeto inédito foi inaugurado em setembro de 2016 pela Cervejaria De Halve Maan, uma das mais antigas da Bélgica ainda em atividade. A marca produz cerveja no centro de Bruges há mais de 150 anos. Em 2012 ela passou a exportar mais e teve um grande aumento de produção. Para atender a demanda, foi necessária a construção de uma nova planta envasadora fora do centro da cidade.

Para conferir a reportagem em vídeo e na íntegra, acesse o canal de nosso sommelier Rodrigo Sena, autor do texto e do canal Beer Senses

Mas isso criou um problema, pois a cerveja continuou a ser fabricada no prédio histórico no centro e precisava ser enviada em caminhões-tanque até a nova planta envasadora, a 3 quilômetros de distância. Isso aumentou o trânsito de caminhões nas ruas medievais da cidade, colocando em risco o patrimônio histórico.

Pensando no problema, o atual diretor-geral e herdeiro da cervejaria, Xavier Vanneste, se inspirou vendo trabalhadores colocarem cabos de banda larga na porta da sua casa. Isso lhe deu a ideia de transportar a cerveja – assim como os cabos transportam a banda larga.

União pelo cervejoduto
O projeto envolveu toda a comunidade de Bruges e foi feito por experientes peritos em túneis, usando tecnologia de ponta para minimizar qualquer tipo de dano às ruas e prédios históricos. Ao todo o “Cervejoduto” custou € 4 milhões.

Cerca de 10% desse investimento foi arrecadado em um financiamento coletivo (chamado crowdfunding em inglês), uma espécie de “vaquinha” com diferentes cotas de participação. E a mais cara delas – de € 7,5 mil – garante aos doadores uma garrafa da cerveja Brugse Zot Blond todos os dias até o fim da vida.

Além de ajudar na preservação do patrimônio histórico, o “Cervejoduto” colabora para um aumento na qualidade das cervejas produzidas pela De Halve Maan. “Agora o risco de contaminação é menor do que antes, quando precisávamos encher os caminhões com cerveja e depois descarregar na planta envasadora”, conta Steve Snauwaert, diretor de exportações da De Halve Maan.

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O primeiro “Cervejoduto” do mundo transporta cerveja para encher em torno de 10 mil garrafas por hora. “Depois de cada transporte nós limpamos os dutos com produtos, procuramos desinfetar por dentro e bombeamos 300 litros de água antes de colocar cerveja novamente”, explica Bernard Degroote, gerente da unidade de envase da De Halve Maan.

Desde 2018, a De Halve Maan mantém exportações constantes para o Brasil. Portanto, conseguimos encontrar por aqui as cervejas que passam pelo “Cervejoduto”. “Temos muito orgulho de poder trazer essas cervejas da Bélgica para o Brasil. O mercado está nos recebendo muito bem, alguns bares cervejeiros até nos agradecem por disponibilizar essas cervejas no Brasil”, salienta Michiel Van der Voort, gerente comercial da De Halve Maan no Brasil.

Atualmente, no portfólio da De Halve Maan, estão os rótulos Brugse Zot (Blond e Dubbel), Sportzot (Blond sem álcool), Straffe Hendrik (Tripel e Quadrupel), Blanche de Bruges (Witbier) e também cervejas sazonais de fabricação limitada.