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Desaceleração da economia preocupa setor cervejeiro? 12 representantes avaliam

A perspectiva de crescimento modesto da economia brasileira em 2023 é mais um fator a desafiar a indústria cervejeira. Afinal, após alta de 2,9% em 2022, o Produto Interno Bruto (PIB) desacelerou 0,2% no quarto trimestre do ano passado, com as perspectivas não sendo muito melhores para os próximos meses.

De acordo com a última edição do Boletim Focus, documento do Banco Central que traz expectativas sobre indicadores econômicos, o PIB deve crescer apenas 0,93% neste ano. E para saber como a indústria cervejeira irá lidar com as adversidades econômicas ao longo de 2023, a reportagem do Guia ouviu 12 representantes de diferentes segmentos, empresas e entidades que atuam no setor em busca das perspectivas para os próximos meses, de avaliações sobre os resultados do primeiro trimestre e de como eles pretendem encarar o cenário atual.

Esses profissionais afirmaram manter o otimismo sobre o desempenho da indústria cervejeira em 2023, apesar das incertezas econômicas. Para isso, apostam no aumento da busca por produtos de maior valor agregado pelos consumidores, algo que favoreceria principalmente as cervejarias artesanais.

Mas além de confiar na aceleração do mercado premium em 2023, a indústria cervejeira e os fornecedores também prometem atuar para aproveitar oportunidades. E diante de parceiros e mesmo consumidores mais seletivos no momento de definição de compra, esses profissionais também apostam na diversificação da atuação.

Com isso, acreditam que irão encontrar alternativas para manter a expansão, mesmo que o temor de avanço em nível tímido da economia se confirme, após um começo de ano difícil, o que inclui o recuo de 0,3% da atividade industrial em janeiro, embora a produção de bebidas alcoólicas tenha crescido 1,4% no mesmo período.

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Confira as perspectivas de 12 profissionais da indústria cervejeira para 2023 e como a desaceleração da economia tem afetado seus negócios:

Agrária Malte (Thiago Chiumento, coordenador comercial da Agrária Malte
Acredito que veremos uma estagnação ao longo de 2023, até por questões econômicas. É um cenário sem crescimento abrupto. Na Agrária, a função é entender esse momento. Nos preocupou o verão, com mais chuvas do que o comum em algumas regiões. Acreditamos em crescimento, mas orgânico. Vemos uma aposta forte nos produtos puro malte, algo que não é de hoje, e em outros tipos, como a cerveja zero álcool. O público busca, hoje, produtos com maior qualidade, mas bebendo menos. Então, pode ser que visualizemos em dado momento uma retração na questão de volumes, mas com aumento significativo do valor agregado.

BierHeld (Ewerton Miglioranza, sócio-fundador)
Percebemos que o mercado agiu com cautela nesse primeiro trimestre de 2023, em grande parte devido às incertezas no cenário político e econômico. Embora ainda com saldo positivo, houve uma leve redução nos novos negócios fechados nesse período em relação ao ano anterior.

Brewtainer (Maurício Margaritelli, diretor)
Estamos descolados do PIB, atuando em um mercado pungente e com aquecimento. Em geral, o ramo de franquias tem crescido bastante, é uma solução muito prática, econômica e dinâmica.

CBCA (Gustavo Barreira, CEO)
Já em janeiro o humor mudou, apesar das chuvas persistirem. Foi o primeiro janeiro de retomada plena, após três anos de pandemia, com grandes eventos voltando. Para 2023, acreditamos em um novo crescimento do mercado de cervejas (trabalhamos com 2%) e nossa meta na CBCA é um crescimento orgânico de 32%, com reforço da equipe comercial e reorganização da estrutura de distribuição.

HBS Distribuidora (Pedro Bordin Hoffmann, vendedor)
O setor enfrenta fatores de sazonalidade, com a tendência para os próximos meses sendo de voltar a se aquecer. Acho que ainda existe uma fatia bem grande de espaço para crescimento. Não deve haver retração de mercado.

JT Instrumentação e Processos (Victor Ferraz, sócio)
Temos que acompanhar as tendências. O dinheiro não some, o que existe são momentos de retração. Precisamos estar preparados para buscar alternativas que não deixem o negócio recuar. Procuramos nos abastecer com novos produtos e tecnologias, pois o mercado fica mais seleto e busca alternativas que tragam benefícios diretos.

Label Sonic (Bruno Lage, sócio-fundador)
O nosso negócio é amplo. Acho que um dos segredos é diversificar. Na cerveja, houve diversificação das embalagens, da distribuição e até dos produtos, como algumas marcas que agora têm gin. O contraponto disso tudo é ter foco. Parece contraditório, mas não é. Então, dentro desse foco, você atua em diversas áreas. É uma das formas de atuar no mercado brasileiro, que tem questões políticas e estruturais que você precisa encarar.

Meu Chope (Bruno Medeiros, CEO)
A tendência é de uma aceleração a partir da segunda metade do ano. Se você observar o mercado mais premium em qualquer outra crise, é ele que sofre menos. Mas toda movimentação econômica, quando impacta com juros e dificuldades de importação, pode afetar a capacidade de investimento das artesanais, em um efeito cascata. Mas isso se dá mais pelo dinheiro do que por uma desaceleração do mercado.

NewAge (Edison Nunes, gerente comercial)
Seguimos otimistas com relação a 2023, tanto que acabamos de lançar mais rótulos para nosso chope growler PET, com as opções vinho, IPA e uma Pilsen mais leve para compor nosso mix com a Pilsen Hexamalte, lançada durante a Copa de 2022.

Prussia Bier (Fernando Cota Carvalho, diretor-executivo)
Todo ano, de forma geral, tem um início que nunca é fácil para a cerveja artesanal. Desde que começamos, o período de janeiro a março é desafiador. Não vejo nada diferente de outros anos. O carnaval é um período que a cerveja artesanal ainda não consegue aproveitar. É claro que a mudança política se soma a isso e deixa todos agitados. Creio que com o trabalho bem estruturado e um pensamento de marcado atualizado, podemos andar para frente. Não só nós, como todo o setor.

Sindicerv (Márcio Maciel, presidente-executivo)
A fase crítica da pandemia passou e as cadeias produtivas mundiais estão se realocando, com rearranjos logísticos. Acreditamos que teremos um crescimento no setor de cerveja no Brasil, possivelmente não tão forte quanto nos últimos anos, mas ainda assim positivo, já que o nosso setor está muito aquecido. Esperamos que continue assim.

Tanoaria Agulhas Negras (Luis Claudio de Castro Nogueira, CEO)
Estamos procurando alternativas na Tanoaria Agulhas Negras, como ir para feiras, porque não acreditamos que o mercado siga como antes. Está tendo uma retração muito grande.

Cauim mantém cultura dos povos indígenas viva e resgata ancestralidade

Os povos indígenas no Brasil têm resistido há anos diante das tentativas de apagamento de sua história, do genocídio e da ocupação das suas terras. Neste cenário, o respeito, a honra e o resgate da ancestralidade são manifestações importantes para assegurar a continuidade de suas culturas, fazendo parte do cotidiano das comunidades, como através da produção do cauim, uma cerveja ancestral.

O Brasil conta, hoje, com mais de 300 povos indígenas identificados, além daqueles isolados, que não possuem contato com o restante da sociedade. Muitos deles produzem o cauim, que leva mandioca e água em sua receita, com algumas comunidades usando melaço de cana-de-açúcar ou até o próprio açúcar.

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“A nossa cultura é diversa. Tradicionalmente, o cauim era feito mastigando a mandioca. Depois que ela [mandioca] estava um pouco mole, as mulheres mastigavam e colocavam num balde de cerâmica ou de barro para poder fermentar”, explica Tukumã Pataxó, estudante de gastronomia, comunicador e influenciador digital. “Quanto mais tempo passar fermentando, maior será o teor alcoólico”, acrescenta.

Com o tempo, a forma de preparo do cauim se diversificou, como conta Tukumã, que é do povo pataxó, localizado no extremo sul da Bahia. “Hoje em dia, não passa mais pelo processo de mastigação dentro do meu povo. E os homens também fazem o cauim no processo de amassar”.

Na produção do cauim pelo povo pataxó, a mandioca é amassada com as mãos e inicialmente reservada em um recipiente para sua fermentação por dois a três dias. Neste período, é feita somente a troca da água. “De dois a três dias de fermentação, é para tomar no dia a dia, tanto por crianças quanto por adultos [podem tomar], porque não tem teor alcoólico”, explica.

Segundo ele, a partir do sétimo dia, o cauim começa a fermentar ainda mais, passa a ter teor alcoólico e vira uma bebida para ser consumida em festividades e rituais, como forma de união nas cerimônias de casamentos e no ritual da lua cheia.

O preparo do cauim também pode ser feito com milho, mas o povo pataxó manteve a utilização da mandioca, como conta Tukumã. “Ela é o segredo para tudo. Dentro do meu povo, somente ela é usada. Para adoçar, como antigamente não tinha essa questão do açúcar, era usado o mel ou melado de cana. Hoje em dia, se coloca um pouco de açúcar por quem gosta. Quem não gosta, toma da forma tradicional, que é sem açúcar”, comenta.

Dentro do povo pataxó, além do cauim, também existem outras bebidas com importância espiritual, como o chá da folha da jurema. “A culinária indígena sempre tem seu significado. Significado de proteção, de fortalecimento espiritual, de cuidado…”, completa Tukumã.

Desconstruindo preconceitos
Comunicador, ativista, formado em gastronomia e influenciador digital, Tukumã, de apenas 23 anos, possui forte atuação na internet, buscando desconstruir narrativas cheias de estereótipos e preconceitos em relação às comunidades indígenas.

Ele conta que seu trabalho começou com a perspectiva de mostrar o olhar e a realidade de seu povo para o mundo. “Estudei gastronomia justamente para mostrar essa diversidade da culinária tradicional indígena e o quanto ela está no dia a dia do povo brasileiro, embora não seja reconhecida”, comenta.

Tukumã começou no universo digital com um canal no YouTube, em 2014, mas só ganhou visibilidade em 2020, durante a pandemia da Covid-19, quando um vídeo viralizou no Twitter.

Atualmente, o Instagram é a principal rede de Tukumã que tem mais de 222 mil seguidores, que acompanham o seu dia a dia. “Começou como uma forma de ‘aliviar’ porque estava cansado de escutar as mesmas perguntas, os mesmos sarcasmos, as mesmas piadas e ficar calado e responder só a uma pessoa”, diz.

A ideia de Tukumã era que, com as postagens na internet, pudesse alcançar mais pessoas, as ajudando a aprender mais sobre os povos indígenas. “Foi dessa forma que comecei a produzir. Uma forma de discutir bem e estar desabafando. E consegui trazer, também, para a questão do humor”, afirma.

Tukumã explica que seus conteúdos são produzidos para serem bem-humorados e debaterem questões como preconceitos e estereótipos. “Por exemplo, ‘índio’ e ‘tribo’ são termos estereotipados. E mostramos essas questões de outra forma, como: não se fala mais índio, é indígena, e não se pode falar mais tribo, é comunidade, aldeia, povo… Usamos do humor para poder desconstruir e alcançar outro público, que vai da criança ao adulto.”

A sociedade brasileira e o desconhecimento da cultura indígena
Atuando na internet diariamente falando sobre a cultura dos povos indígenas, Tukumã lamenta que falte conhecimento aos brasileiros sobre o assunto. “Que as pessoas conheçam a verdade da nossa história, sobre quem somos, onde estamos e o respeito também. Hoje em dia, eu vejo isso. Só de postar um vídeo na internet vem vários comentários maldosos. Eu ainda fico surpreendido com a ‘bolha’. Parece que estamos tão avançados, mas ao mesmo tempo estamos atrasados nestes pensamentos. Falta isso: aprender mais sobre a verdadeira história do nosso país”, conta.

Ele lembra que originalmente o Brasil era um território habitado apenas pelos povos indígenas.

Hoje em dia, a população indígena não é nem 10% da população que tinha antes da colonização e nem 2% da população brasileira. Quantos povos indígenas já foram dizimados, para, assim dizer, a ‘evolução’ do nosso país?

Tukumã Pataxó, estudante de gastronomia, comunicador e influenciador digita

A crise humanitária
O genocídio dos povos indígenas no Brasil teve início com a colonização do país pelos portugueses. Desde então, eles buscam resistir, em uma luta pelo direito de permanecerem em suas terras e manterem vivas a cultura ante a exploração e o extermínio. Recentemente, a luta dos ianomâmis ganhou visibilidade internacional devido aos impactos da ação de garimpeiros na região da Terra Indígena Ianomâmi, que conta com mais de 30 mil habitantes, em um chocante cenário de desassistência sanitária e nutricional.

De acordo com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a Terra Indígena Ianomâmi é morada dos povos indígenas ianomâmis e ye’kwana, com os primeiros contatos com o restante da sociedade tendo ocorrido entre 1910 e 1940. E uma grave crise sanitária foi desencadeada no final dos anos 1980 pela entrada de garimpeiros na região.

Desde então, o território, que fica no Amazonas e em Roraima, é impactado pelo desmatamento e mineração ilegal, contaminação por mercúrio, que atinge não somente os rios da região, mas também o solo e os animais, impactando diretamente na alimentação indígena, que é composta principalmente pela pesca, caça, coleta de frutos e raízes, além da agricultura.

Ao longo dos anos, os ianomâmis têm sofrido com a insegurança alimentar e desassistência de saúde, além da violência dos garimpeiros, em especial às mulheres e crianças, com denúncias de assassinatos, agressões e estupros. Dados recentes mostram elevados indicadores de mortalidade infantil, além de casos de infecção respiratória aguda, diarreia, malária e tungíase.

Diante da crise humanitária, o governo federal vem se mobilizando para ajudar os ianomâmis com a execução de ações, o que incluiu a declaração de emergência médica pelo Ministério da Saúde, assim como a sociedade civil, que tem buscado dar visibilidade à causa.

Balcão da Chiara: Como a capacidade produtiva ociosa impacta nos custos

Balcão da Chiara: Como a capacidade produtiva ociosa impacta nos custos

Equipamento parado é oportunidade de receita!

Por diversas vezes as fábricas são projetadas sem uma avaliação de cenário, sem um plano de negócios. E, na realidade, a implantação do projeto pode ser bem diferente do que se imagina. O conhecimento da capacidade produtiva e otimização dos processos e recursos para utilizá-la reduzem perdas e custos da empresa com equipamentos com elevado consumo de diversas fontes de energia para uma baixa demanda produtiva, excesso de paradas e partidas sem otimização das programações de produção ocasionando consumo energético excessivo, bem como outros desperdícios.

O planejamento é crucial para a definição da capacidade da fábrica. A partir daí, deve-se fazer a definição dos equipamentos e alinhar a produção com o nível da demanda. Realizar o planejamento de vendas, fazendo a projeção de crescimento da fábrica nos primeiros anos da cervejaria, pode ser o início do caminho. Claro que muitas outras variáveis estão inseridas nessa avaliação inicial. O foco da nossa conversa é a ociosidade da fábrica e o consumo energético.

Ao planejar a cervejaria, a seleção dos equipamentos de acordo com a capacidade necessária é primordial, bem como pensar em soluções para otimização dos consumos. A avaliação do espaço, layout, custo-benefício do equipamento levando em consideração a operacionalidade, o material, a assistência técnica pós-venda, disponibilidade de peças, eficiência e consumo energético são pré-requisitos importantes. Avaliar pontos como iluminação natural com portas, janelas, telhado, tipo de luminárias e a possibilidade de utilização de energia solar pode fazer muita diferença na redução do consumo de energia, por exemplo.

É possível avaliar o projeto para que haja reaproveitamento da água proveniente do resfriamento do mosto (sem desperdício), reaproveitamento de água da chuva e água de enxágue, instalação de CIP fixo (com reaproveitamento de água e soluções de assepsia), montagem de laboratório microbiológico para viabilizar o reaproveitamento de levedura, bem como a propagação.

Iniciar as operações da fábrica com plano de manutenção montado influencia diretamente na redução de custos com aquisição de peças, quebras e atendimentos não planejados, necessidade eventual de descarte de produtos, paradas na produção impactando na produtividade e entrega do produto.

As programações de produção e paradas de manutenção devem ser estratégicas de maneira que proporcionem reaproveitamento da levedura, redução de consumo energético em momentos críticos, aproveitamento da mão de obra para pequenas manutenções, pinturas, limpeza e treinamento. Realizar rotas de vazamentos de ar, água, produto, vapor, com ações imediatas de correção de problemas, além de envolver a equipe, vai reduzir os desperdícios.

Equipamentos ociosos por boa parte do tempo e uma má modulação da fábrica acarretam grandes custos de produção, que podem ser minimizados utilizando estratégias como inserção de ciganos, White Label ou mesmo desenvolvimento de novos produtos e estratégias de vendas para aumento de produção com fabricação em mais turnos. Máquina parada é dinheiro parado!

Antes de ampliar deliberadamente sua fábrica, conheça sua capacidade produtiva. Invista em um software de gestão, faça uma reanálise de seus processos, avalie a eficiência dos seus equipamentos, tenha a manutenção em dia e avalie as possibilidades de ampliação e otimização da sua produção. Essas ações serão importantes na redução de custos e melhoria na utilização de recursos já existentes.


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Bohemia lança cerveja com lúpulo cultivado por Thiago Lacerda em Petrópolis

Bohemia e Thiago Lacerda uniram forças para valorizar o lúpulo cultivado no Brasil e apoiar as vítimas das chuvas em Petrópolis. Para isso, a marca da Ambev e componente da Rota Cervejeira RJ lançou uma cerveja que utiliza o insumo cultivado pelo ator. Os recursos obtidos com as vendas sendo revertidos para uma ONG que atua na região serrana do Rio de Janeiro.

A novidade da Bohemia é uma Hop Lager que leva o lúpulo fresco da Lúpulo Riad, a empresa de Thiago Lacerda voltada para o cultivo do ingrediente cervejeiro. A marca produziu 250 litros dessa novidade e repassará as receitas para a ONG Todos Juntos e Ninguém Sozinho.

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O lançamento da cerveja, que aconteceu na unidade da Bohemia em Petrópolis, também fez parte das celebrações dos 180 anos da cidade da Serra Fluminense. A novidade leva os lúpulos cultivados por Thiago Lacerda em sua fazenda em Petrópolis, em um trabalho que teve início no ano passado.

“Eu sou consumidor e gosto de uma boa cerveja. A vocação cervejeira histórica de Petrópolis mais a possibilidade concreta de uma produção 100% orgânica me levaram a iniciar a jornada de produção do Lúpulo Riad. Hoje estou muito contente de poder oferecer para os moradores de Petrópolis uma cerveja que é resultado dessa dedicação em parceria com a Ambev”, afirma o ator.

As cervejas, fruto da parceria entre Bohemia e Thiago Lacerda, estão à venda no bar da Bohemia no centro da cidade de Petrópolis. É de lá, também, a ONG que vai ser beneficiada com os recursos obtidos pela comercialização da cerveja.

A Todos Juntos e Ninguém Sozinho surgiu em 2020 para apoiar famílias da cidade durante a pandemia do coronavírus. O trabalho cresceu em volume e em importância no ano passado, quando Petrópolis sofreu com enchentes e deslizamentos, na maior tragédia da sua história. Entre fevereiro e março de 2022, foram 241 mortes provocadas pela chuva, além da destruição de casas, deixando milhares de pessoas desamparadas.

A parceria com Thiago Lacerda também reforça a atuação da Ambev para fomentar o cultivo do lúpulo no país, como ressalta Laura Aguiar, sommelière, mestre-cervejeira, professora da Academia da Cerveja e diretora de conhecimento e cultura cervejeira na Ambev. “Queremos investir cada vez mais neste tipo de parceria para criar possibilidades para o cultivo e desenvolvimento de lúpulo nacional de qualidade em diferentes estados”, diz.

A Ambev atua em algumas frentes no Brasil para ampliar a cultura do lúpulo, sendo a principal delas em Lages, onde realiza o Projeto Fazenda Santa Catarina, no qual busca inserir o insumo cervejeiro na agricultura familiar.

“Até pouco tempo atrás, entendia-se que o lúpulo só poderia ser cultivado em regiões de climas muito frios, como nos Estados Unidos e Alemanha. Mas com o avanço da tecnologia nós já provamos que é possível produzir lúpulo brasileiro de altíssima qualidade”, conclui Laura.

Cervejas de Páscoa: Dinamarca tem tradição de lançamentos para a data

Produzir cervejas temáticas, em função de datas festivas e marcantes do calendário, é uma rotina no setor, mas na Dinamarca, quando o tema é a Páscoa, isso já se tornou uma tradição espalhada por toda a indústria. Por lá, as cervejarias investem no lançamento da “Påskebryg”, algo que começou a ganhar força no final do século XIX.

As cervejas de Páscoa são lançadas e colocadas à venda no varejo no que ficou conhecido como “Dia P” na Dinamarca, considerado uma das principais datas cervejeiras do país, ocorrendo, tradicionalmente, na quinta-feira que antecede o domingo da Páscoa. E acontecem festas e eventos no chamado “Påskefrokost” para celebrar a chegada da cerveja sazonal.

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Os relatos são de que a primeira cerveja de Páscoa lançada por uma marca de cerveja na Dinamarca ocorreu entre o final do século XIX e o início do século XX, embora essa tradição possa remeter à Idade Média, relacionada ao período da Quaresma, quando a população fazia jejum de alimentos, precisando consumir bebidas mais fortes nutritivas.

De modo mais industrializado, a produção foi se espalhando por outras cervejarias no começo do século passado, incluindo a Carlsberg, não só a maior produtora do país, como uma das maiores do mundo.

A primeira cerveja de Páscoa da Carlsberg foi criada em 1905, ainda que apenas em chope, depois passando a ser engarrafada. Outra das mais tradicionais cervejarias tradicionais do país, a Tuborg, incorporada no fim dos anos 1980 pela Carlsberg, também aderiu à iniciativa. E em 2018 viu suas cervejas de Páscoa se esgotarem rapidamente, mesmo tendo produzido 2 milhões de litros.

O número indica a intensa busca pelas cervejas de Páscoa, sendo que a associação de cervejarias da Dinamarca afirma que 111 rótulos alusivos ao período foram lançados em 2021. Isso inclui, claro, as marcas mais tradicionais, mas também conhecidas artesanais do país, como a Mikkeller e a Amager Bryghus. E não existe um estilo único para esse tipo de cerveja, embora a tradição tenha sido iniciada com aquelas mais escuras e consideradas mais fortes.

A Páscoa, na Dinamarca, costuma coincidir com o início da primavera. Por isso, o período possui tom festivo para celebrar o renascimento da natureza, o que provoca a reunião de familiares e amigos em torno de uma mesa farta, também impulsionando esses lançamentos. As cervejas, então, se unem a pratos típicos da culinária local, como ovos cozidos, arenque marinado e pão de centeio.

Outros países
A tradição de cervejas alusivas à Páscoa também existe em outros países da Europa. Na Alemanha, por exemplo, essas sazonais são chamadas de Osterbier, sendo, em geral, mais encorpadas e maltadas do que os rótulos regulares. Já na Inglaterra, elas são chamadas de Easter Ales.

E o Brasil?
Embora o Brasil não tenha a mesma tradição de cervejas de Páscoa da Dinamarca e de outros países europeus, há cervejarias que buscam aproveitar a tradicional data para explorar sabores e combinações de ingredientes, os harmonizando com pratos típicos do período. E não foi diferente em 2023.

Neste ano, em Curitiba, a Maniacs Brewing e a Cuore di Cacao se juntaram para criar uma cerveja de Páscoa. É a Maniacs Cioccolato, uma Dark Ale com adição de chocolate e nibs de cacau da chocolateria.

De acordo com o descritivo divulgado, a cerveja tem cor preta com reflexos rubi, leve turbidez e espuma bege. A novidade possui aromas e sabores predominantes do chocolate, seguido por notas maltadas que lembram caramelo com um final levemente torrado e adocicado, com baixo amargor.

Entrevista: O que o ChatGPT sabe dos desafios e tendências para o setor

Ninguém deve ter respondido a mais perguntas em 2023 do que o ChatGPT. O chatbot com inteligência artificial especializado em diálogo é um dos nomes mais falados, questionados e alvo de curiosidade sobre o seu potencial e funcionamento. E o ChatGPT respondeu mais uma leva de questões, agora da equipe de reportagem do Guia, sobre o segmento das cervejarias artesanais do país.

Lançado em novembro de 2022, o ChatGPT dá respostas detalhadas e articuladas, mas – lá vai um spoiler – adora uma lista. Foi assim em 3 das 9 perguntas realizadas a ele, que optou por sumarizar suas informações. Não é à toa, afinal, suas interações partem da análise de uma quantidade enorme de dados disponíveis online, que são organizados em uma linguagem compreensível, racional e simples.

Entre dicas para que as cervejarias encarem desafios e a avaliação de oportunidades de mercado, o ChatGPT parece já ter captado algumas características do mercado brasileiro de cervejas artesanais, citando a New England IPA como uma tendência, assim como as Sours e opções de baixo teor alcoólico.

Já tendo sido utilizado no Brasil para ajudar a Prussia Bier a produzir uma cerveja, o ChatGPT também participou de iniciativas semelhantes fora do Brasil, como da Rio Bravo Brewing Co e da Atwater Brewery. E embora o desenvolvimento da inteligência artificial provoque preocupações, com pedidos para barrar seu avanço, a sua presença é uma realidade na sociedade e no mercado de trabalho.

E, claro, a tendência é que seja cada vez mais utilizado em rotinas da indústria. Mas a inteligência artificial garante que não irá tomar o emprego de ninguém. “O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais a aprimorar a qualidade de seus produtos, identificar novas oportunidades de mercado e melhorar a eficiência em seus processos de produção e atendimento ao cliente”, propagandeia, na entrevista ao Guia.

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Confira a entrevista com o ChatGPT sobre as cervejarias artesanais:

Quais são os principais desafios para o crescimento do mercado de cervejas artesanais do Brasil?
Existem alguns desafios que podem afetar o crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil, tais como:
1) Regulamentação: O mercado de cervejas artesanais ainda não tem uma regulamentação específica no Brasil, o que pode dificultar a produção, comercialização e tributação desses produtos.
2) Concorrência: A concorrência com as grandes marcas de cervejas, que possuem grande poder de mercado, pode dificultar o crescimento das cervejarias artesanais.
3) Distribuição: A distribuição de cervejas artesanais pode ser um desafio, uma vez que muitas cervejarias artesanais ainda não possuem uma rede de distribuição consolidada, o que pode afetar a disponibilidade dos produtos em diferentes regiões do país.
4) Custo: A produção de cervejas artesanais geralmente é mais cara do que a produção em larga escala das grandes marcas, o que pode afetar o preço final dos produtos e torná-los menos acessíveis para o consumidor final.
5) Capacitação técnica: A produção de cervejas artesanais exige um conhecimento técnico específico, e nem todas as cervejarias têm a capacitação necessária para produzir cervejas de qualidade, o que pode afetar a reputação do mercado como um todo.

No entanto, apesar desses desafios, o mercado de cervejas artesanais no Brasil tem crescido nos últimos anos, impulsionado pelo aumento da demanda por produtos diferenciados e de qualidade, pela valorização de ingredientes locais e pela cultura cervejeira que tem se fortalecido no país.

Hoje, as cervejas artesanais têm participação diminuta no mercado cervejeiro brasileiro. O quanto é possível crescer?
É verdade que, atualmente, as cervejas artesanais ainda possuem uma participação relativamente pequena no mercado cervejeiro brasileiro, que é dominado pelas grandes marcas de cervejas industriais. No entanto, o potencial de crescimento do mercado de cervejas artesanais no Brasil é grande.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), a participação de cervejas especiais (que incluem as cervejas artesanais) no mercado brasileiro tem crescido nos últimos anos. Em 2016, essa categoria representava 6% do mercado, enquanto em 2020 essa participação havia aumentado para 11%.

Esse aumento de participação é um indicativo de que há espaço para crescer. O mercado de cervejas artesanais no Brasil ainda é relativamente novo e tem muito potencial de expansão, especialmente com o aumento da demanda por produtos de qualidade e de sabores diferenciados.

No entanto, o crescimento do mercado de cervejas artesanais dependerá de fatores como a regulação, a concorrência com as grandes marcas, a distribuição e a capacitação técnica, que mencionei anteriormente. Além disso, a pandemia da Covid-19 também pode ter impactado o mercado de cervejas artesanais, uma vez que muitas cervejarias foram afetadas pela crise econômica.

No entanto, apesar desses desafios, o mercado de cervejas artesanais no Brasil tem se mostrado resiliente e tem apresentado um grande potencial de crescimento nos próximos anos. É possível que, no futuro, a participação das cervejas artesanais no mercado cervejeiro brasileiro aumente ainda mais, alcançando patamares similares aos de outros países onde as cervejas artesanais já são bastante populares.

O que as cervejarias artesanais brasileiras precisam fazer para conquistar mais espaço?
Para conquistar mais espaço no mercado de cervejas artesanais no Brasil, as cervejarias artesanais precisam focar em alguns aspectos-chave. Aqui estão algumas recomendações:

1) Investir na qualidade do produto: As cervejarias artesanais devem focar em produzir cervejas de alta qualidade, com ingredientes selecionados e técnicas de produção adequadas. Isso é fundamental para que os clientes possam apreciar e fidelizar-se às marcas.
2) Diversificar a oferta: As cervejarias artesanais precisam diversificar suas ofertas para atender diferentes públicos e nichos de mercado. Isso inclui a produção de diferentes estilos de cervejas, cervejas sazonais, cervejas com ingredientes regionais, além de opções sem álcool e sem glúten.
3) Ter um bom planejamento de negócios: Para crescer e se consolidar no mercado, as cervejarias artesanais precisam ter um bom planejamento de negócios, que envolve aspectos como a gestão financeira, a estratégia de marketing, a distribuição e a logística.
4) Participar de eventos do setor: As cervejarias artesanais devem participar de eventos e festivais do setor, que são importantes para a divulgação de suas marcas e para a aproximação com o público consumidor.
5) Investir em marketing digital: As cervejarias artesanais podem usar as redes sociais e outras ferramentas de marketing digital para se aproximar do público e divulgar seus produtos. É importante ter uma presença forte na internet, com um site atualizado e uma boa estratégia de conteúdo.
6) Buscar certificações e selos de qualidade: Certificações e selos de qualidade são importantes para a credibilidade das cervejarias artesanais e podem ajudar a conquistar a confiança do público consumidor.
7) Fomentar a cultura cervejeira local: As cervejarias artesanais podem fomentar a cultura cervejeira local, valorizando ingredientes e técnicas regionais e criando produtos que reflitam a identidade cultural das regiões onde estão inseridas.
8) Ao implementar essas medidas, as cervejarias artesanais brasileiras poderão conquistar mais espaço no mercado, fidelizar clientes e contribuir para o desenvolvimento do setor de cervejas artesanais no país.

Qual estilo de cerveja tem mais potencial dentro do mercado brasileiro de cervejas artesanais?
Dentro do mercado brasileiro de cervejas artesanais, existem vários estilos que têm potencial para se destacar e conquistar mais espaço. No entanto, alguns estilos têm ganhado mais popularidade nos últimos anos e podem ser considerados como tendências do mercado.

Um desses estilos é a New England IPA, que é uma variação da IPA tradicional, mas com um sabor mais suave e menos amargo. Essa cerveja tem sido muito bem recebida pelos consumidores brasileiros, que buscam cervejas com sabor intenso e aromático, mas sem o amargor excessivo das IPAs mais tradicionais.

Outro estilo que tem ganhado destaque é a Sour Ale, que é uma cerveja ácida e refrescante, com sabor e aroma frutados. Esse estilo tem se tornado cada vez mais popular no Brasil, especialmente nos meses mais quentes do ano, e é uma boa opção para quem busca cervejas com sabores diferentes e inovadores.

Além desses estilos, outros que também têm potencial para crescer no mercado de cervejas artesanais no Brasil são as cervejas do estilo Belgian Dubbel, Belgian Tripel, Imperial Stout, e as cervejas de trigo (como as Witbiers e as Weizenbiers), entre outras.

Vale lembrar que o mercado de cervejas artesanais é bastante dinâmico e está sempre em constante evolução, com novos estilos e tendências surgindo a todo momento. Por isso, é importante que as cervejarias artesanais estejam atentas às demandas do mercado e às preferências dos consumidores para oferecer produtos que atendam às expectativas e sejam bem-sucedidos no mercado.

Qual é a principal tendência para o mercado cervejeiro que as marcas artesanais do Brasil podem aproveitar?
Uma das principais tendências para o mercado cervejeiro mundial é a busca por produtos mais saudáveis, com menor teor de álcool e ingredientes naturais e sustentáveis. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas com ingredientes locais e sustentáveis, como frutas regionais, ervas e especiarias, além de reduzir o teor alcoólico de suas cervejas para atender a um público mais amplo.

Outra tendência é o crescente interesse dos consumidores por cervejas com sabores diferenciados e exclusivos, que reflitam a identidade cultural e regional da marca. As cervejarias artesanais brasileiras podem explorar a diversidade da cultura e culinária brasileira, utilizando ingredientes regionais e exóticos em suas cervejas e criando sabores únicos e diferenciados.

Além disso, o mercado cervejeiro vem apresentando um interesse crescente por cervejas envelhecidas em barris de madeira, especialmente barris de carvalho. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas envelhecidas em barris de madeira de espécies nativas brasileiras, como ipê, jequitibá e carvalho brasileiro.

Outra tendência em alta é a busca por cervejas com teor alcoólico elevado, chamadas de “Imperial”, “Double” ou “Triple”. Esse tipo de cerveja apresenta sabores e aromas mais intensos e complexos, além de uma maior capacidade de envelhecimento. As cervejarias artesanais brasileiras podem aproveitar essa tendência ao produzir cervejas com sabores e aromas marcantes e complexos, que possam atrair um público mais exigente e apreciador de cervejas especiais.

Como o ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras?
O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras de várias maneiras. Aqui estão algumas sugestões:

1) Fornecer informações e insights sobre o mercado de cervejas artesanais no Brasil e em outros países, incluindo tendências, oportunidades e desafios.
2) Auxiliar na identificação de demandas e preferências do consumidor, por meio de análises de dados de consumo, pesquisas e outras fontes relevantes.
3) Oferecer ideias e sugestões para aprimorar a qualidade dos produtos, por meio de análises sensoriais e sugestões de ingredientes e técnicas de produção.
4) Fornecer orientações sobre como se destacar no mercado, incluindo estratégias de marketing e branding, desenvolvimento de embalagens e rótulos, entre outras.
5) Oferecer suporte na criação de receitas e novos estilos de cerveja, com base nas preferências dos consumidores e nas tendências do mercado.
6) Auxiliar na elaboração de planos de negócios e estratégias de crescimento para as cervejarias artesanais brasileiras, com base nas informações e insights fornecidos pelo ChatGPT.

Essas são apenas algumas maneiras pelas quais o ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais brasileiras. Como uma plataforma de inteligência artificial, o ChatGPT possui recursos e capacidades que podem ser personalizados para atender às necessidades específicas de cada cervejaria artesanal.

Algumas cervejarias têm utilizado o ChatGPT para criação de receitas, tanto no Brasil como em outros lugares do mundo. Você se sente apto a ajudá-las?
Sim, como um modelo de linguagem natural treinado em uma vasta quantidade de dados, o ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para ajudar cervejarias na criação de receitas. Com base nas preferências do consumidor e nas tendências de mercado, o ChatGPT pode gerar sugestões de ingredientes, propor combinações de sabores e auxiliar na determinação de quantidades e proporções de cada ingrediente.

É importante lembrar que o ChatGPT não é um especialista em cervejaria e não pode substituir a experiência e o conhecimento técnico de um mestre cervejeiro. No entanto, o ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para inspirar novas ideias e ajudar a criar novas receitas que possam agradar ao paladar dos consumidores. É importante que as cervejarias artesanais usem as sugestões geradas pelo ChatGPT como base para aprimorar e ajustar suas próprias receitas, de acordo com suas preferências e objetivos.

O ChatGPT vai tirar o emprego de pessoas, inclusive nas cervejarias?
Não, o ChatGPT não foi criado para substituir pessoas, mas sim para ser uma ferramenta que auxilia em diversas tarefas e processos, permitindo que as pessoas se concentrem em atividades mais complexas e estratégicas. O ChatGPT pode ajudar as cervejarias artesanais a aprimorar a qualidade de seus produtos, identificar novas oportunidades de mercado e melhorar a eficiência em seus processos de produção e atendimento ao cliente.

É importante lembrar que, apesar da grande capacidade do ChatGPT de processar e analisar grandes quantidades de dados, ele não pode substituir completamente o conhecimento, a criatividade e a experiência humana. As cervejarias artesanais ainda precisam de pessoas qualificadas e experientes em suas equipes, incluindo mestres cervejeiros, sommeliers, gerentes de marketing, entre outros profissionais. O ChatGPT pode ser uma ferramenta útil para auxiliar esses profissionais em suas tarefas, mas não pode substituí-los.

Como o pedido de recuperação judicial pelo Grupo Petrópolis pode afetar as cervejarias artesanais? Haverá algum impacto?
Para as cervejarias artesanais, o impacto do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis pode ser misto.

Por um lado, se o Grupo Petrópolis for incapaz de continuar operando normalmente, pode haver uma redução na oferta de cerveja no mercado, o que pode abrir espaço para as cervejarias artesanais ganharem participação de mercado. Isso pode ser especialmente verdadeiro em relação às cervejas especiais e artesanais, nas quais o Grupo Petrópolis tem uma forte presença.

Por outro lado, se houver uma maior consolidação no mercado de cerveja como resultado do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, pode se tornar mais difícil para as cervejarias artesanais competirem com as grandes empresas cervejeiras. Isso pode acontecer se outras grandes empresas cervejeiras adquirirem marcas e operações do Grupo Petrópolis, o que pode levar a uma maior concentração de poder nas mãos de algumas grandes empresas.

Em resumo, o impacto do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis no mercado de cervejas artesanais dependerá em grande parte de como a situação se desenrolará e de como as outras empresas cervejeiras reagirão às mudanças no mercado.

Qual é o futuro do Grupo Petrópolis e do mercado após recuperação judicial?

Dominado por três grandes grupos, o mercado cervejeiro brasileiro foi agitado na última semana com o anúncio do pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, algo que provoca enorme incerteza sobre o seu futuro. A medida causa questionamentos não só sobre a continuidade da companhia, mas também sobre qual será o impacto que terá sobre o setor e como Ambev e Grupo Heineken vão se acomodar diante desse novo contexto.

Afinal, o Grupo Petrópolis é, de acordo com o último levantamento divulgado pelo BarthHaas Group, a 12ª maior cervejaria do mundo. E mesmo tendo sofrido queda expressiva na participação de mercado no Brasil, o que é visto como uma das razões para a sua debacle, ainda possui market share relevante, superior aos 10%.

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Com dívidas de R$ 4,2 bilhões, o Grupo Petrópolis alegou, em seu pedido de recuperação judicial, que o vencimento de uma parcela de R$ 105 milhões no início da semana passada e o seu não pagamento poderiam impedir a continuidade da operação da companhia.

O crescimento da dívida se deu enquanto a produção de bebidas caía de 31,2 milhões de hectolitros em 2020 para 24,1 milhões de hectolitros no fim de 2022. Com isso, a participação no mercado cervejeiro despencou de 15,3% em janeiro de 2020 para 10,6% em agosto de 2022.

Para a XP Investimentos, a companhia teve mais dificuldade em lidar com o cenário adverso da pandemia do que as suas concorrentes, o que incluiu a pressão sobre os custos de produção por causa da alta dos preços de matérias-primas. “As empresas que superaram o setor o fizeram com um mix de hedge de preços de commodities, forte portfólio de marcas, menor custo de capital e uma base de clientes atomizada e geograficamente diversificada, como Ambev e Heineken”, diz.

E a XP destaca que a elevada taxa de juros colocou ainda mais em risco o futuro do Grupo Petrópolis – a companhia cervejeira declara que a Selic, hoje em 13,75%, adiciona despesas de R$ 395 milhões anuais ao caixa da companhia. “A empresa tem lutado com custos mais altos e um ambiente desafiador desde o início da pandemia (1T20), o recente aumento da taxa Selic provavelmente foi o coup de grâce (golpe de misericórdia, em francês)”, afirma a equipe de analistas da XP.  

Embora reconheça que algumas companhias, como a Ambev, conseguiram lidar melhor com o cenário de alta de custos, o Itaú BBA avalia que a difícil situação enfrentada pelo Grupo Petrópolis pode ser um sinal de que as atuais margens praticadas no setor cervejeiro brasileiro são insustentáveis.

“A notícia pode ser interpretada como um sinal de que o nível de rentabilidade do setor cervejeiro brasileiro está funcionando em níveis abaixo do ideal. Notamos que a Ambev vem entregando margem bruta contraída em Cerveja Brasil desde 2012, levando a uma queda na lucratividade de toda a indústria”, comenta.

Haverá um futuro comprador do Grupo Petrópolis?
Nesse cenário desafiador, o Grupo Petrópolis ganhou tempo para renegociar suas dívidas e manter sua operação, com a busca por melhorias na operação, ao mesmo tempo em que algumas opções são avaliadas. Entre elas, a possibilidade de ser adquirida por outros grupos cervejeiros, algo que a XP avalia ser complicado de se concretizar.

“Devido a sua operação de distribuição, que é mais forte no Sudeste do Brasil, há uma sobreposição em relação a outros distribuidores, o que pode tornar um M&A menos interessante. Para distribuidores menores, no entanto, o apetite é por um player regional, não por uma indústria grande e em dificuldades”, avalia.

A equipe de analistas do Itaú BBA aponta, porém, que uma eventual venda do Grupo Petrópolis poderia provocar grande impacto no futuro do setor. “Se isso for o caso, o lento processo de perda de market share seria substituído por dinâmicas diferentes, pois o novo player lutaria por uma tendência de recuperação”, diz.

O Itaú BBA avalia que entrar no setor no Brasil através do Grupo Petrópolis poderia ser um “cenário perfeito” para uma empresa estrangeira.

A atual capacidade de produção anual de Petrópolis está em torno de 50 milhões de hectolitros, o que seria um ponto de partida sólido para um player internacional para atingir um nível de participação de mercado que seria lucrativo

Itaú BBA

O Grupo Heineken não seria um possível comprador do Grupo Petrópolis, na visão do Itaú BBA, até pelas restrições antitruste, mas seus analistas avaliam que algumas fábricas podem interessar à multinacional de origem holandesa em caso de busca pela ampliação da capacidade produtiva. “Acreditamos que a Heineken poderia tentar adquirir várias plantas específicas para impulsionar seus planos de expansão de capacidade no Brasil”, comenta.

A outra opção, vista pelos próprios analistas do Itaú BBA como menos óbvia, seria a aquisição do Grupo Petrópolis pelo Sistema Coca-Cola, que em 2021 comprou a Therezópolis e possui uma grande capacidade de distribuição, utilizada pelo Grupo Heineken por anos.

“Petrópolis, agora, pode ser uma alternativa para preencher a capacidade ociosa da distribuição que já existe, e os recentes anúncios de expansão de capacidade na Therezópolis podem ser um indicador de que a empresa está disposta a expandir sua exposição ao segmento”, argumenta.

Quem se aproveita no curto prazo?
Enquanto uma eventual compra do Grupo Petrópolis é avaliada para o futuro, as duas maiores cervejarias presentes ao mercado brasileiro buscarão aproveitar o momento difícil da concorrente. No caso do Grupo Heineken, o Bank of America enxerga oportunidade para a Devassa conquistar parte do mercado que era da Itaipava.

A equipe do banco de investimentos também aponta a chance de a Ambev aumentar suas vendas. “Se a Ambev capturar 75% dos volumes de Petrópolis, isso sugere um potencial aumento de 19% para os volumes próprios no Brasil”, afirma o Bank of America, com o Credit Suisse ressaltando que uma fatia do mercado do Grupo Petrópolis já vem sendo conquistada pela Ambev desde 2020.

“No curto prazo, acreditamos que a Ambev está mais bem posicionada em termos de portfólio e alcance de distribuição para continuar absorvendo potenciais perdas de market share (do Grupo Petrópolis), como vem fazendo desde 2020”, argumenta.

Atualmente, o Grupo Petrópolis produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Dona da Guinness, Diageo terá pela primeira vez mulher como CEO

A Diageo, gigante da indústria de bebidas alcoólicas, terá pela primeira vez uma mulher como CEO. A função na empresa dona da cerveja Guinness será assumida por Debra Crew em 1º de julho. Ela vai substituir Ivan Menezes, que anunciou a sua aposentadoria, deixando a companhia.

Primeira CEO mulher da história da Diageo, Debra vinha exercendo o cargo de diretora de operações desde outubro, tendo sido presidente da divisão da América do Norte anteriormente. E além da nova função, ela também entrará para o conselho de administração de uma das maiores empresas produtoras de bebidas alcoólicas do mundo.

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A Diageo emprega 28 mil pessoas e se tornou, com esse anúncio, apenas a oitava das cem empresas listadas no principal índice da Bolsa de Londres, o FTSE 100, a ter uma mulher como CEO. “Estou muito feliz por ser nomeada CEO da Diageo. Ivan deixa a Diageo em uma posição muito forte para crescimento futuro e estou ansiosa para trabalhar com nossas equipes em todo o mundo para capturar as oportunidades futuras”, diz.

Antes de trabalhar na Diageo, Debra atuou como CEO da empresa de tabaco Reynolds American, em uma fase de crescimento que culminou na aquisição pela British American Tobacco no início de 2017. Ela possui extensa trajetória na indústria de alimentos e bebidas, tendo passado pela PepsiCo, assim como ocupou cargos na Kraft Foods, na Nestlé e na Mars.

“Estou focada em dar continuidade ao extraordinário histórico da Diageo de construir marcas líderes mundiais e melhorar nossa reputação como uma das empresas mais responsáveis no que acredito ser a categoria de produtos de consumo mais empolgante. É um privilégio incrível liderar a Diageo na próxima fase de seu desenvolvimento”, afirma.

Menezes sairá da Diageo após ocupar o cargo de CEO por dez anos. Ele estava na empresa desde o seu surgimento em 1997, quando da fusão da Guinness com a Grand Metropolitan.

“Estou muito feliz em passar as rédeas para Debra. Durante o tempo em que trabalhamos juntos, sempre me impressionei com sua paixão pelo crescimento e pela construção de equipes de alto desempenho. Estou confiante de que, sob a liderança de Debra e com nosso extraordinário portfólio de marcas e cultura, a Diageo continuará a cumprir nossa ambição de desempenho de longo prazo”, comenta.

A Diageo conta, hoje, com mais de 200 marcas espalhadas por mais de 180 países, sendo líder em vendas no mundo de uísque escocês, vodca, gin, rum, uísque canadense, licores e tequila. Já a Guinness se tornou, no fim de 2022, a cerveja número 1 do mercado britânico.

A Guinness é, sem dúvida, a marca de cerveja mais conhecida do portfólio da Diageo, mas também há outras opções, como Harp Lager, Hop House 13, Kilkenny, Smithwick’s e Tusker.

Seasons amplia série Moo England IPA com brasilidade da manga

Conhecida pelas inovações em suas cervejas e pela utilização da “vaquinha” em seus rótulos e ações de marketing, a Seasons usou a sua criatividade para ampliar a série Moo England IPA com um toque de brasilidade. Assim, lançou a Cowlifornication Manga, uma cerveja que leva a fruta em sua receita e com a qual espera atender aos anseios do consumidor.

“Neste produto da linha, optamos pela brasilidade da manga, visando extrair aromas e sabores diferenciados”, conta Juliano Dal Pont, gerente nacional de vendas da Companhia Brasileira de Cerveja Artesanal, a CBCA, grupo do qual a Seasons faz parte desde março de 2020.

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Com 6,2% de teor alcóolico e a adição de polpa da fruta, a cerveja do estilo Juicy IPA é composta pelos lúpulos Hallertau, Idaho Gem e El Dorado, unindo amargor com drinkability, de acordo com o descritivo divulgado pela Seasons.

Segundo a marca, a escolha da fruta se deu pela intensidade de sabor da manga e do aroma. Além disso, relata a Seasons, sua composição de proteína e pectina, além do açúcar, traz a densidade característica do suco de manga e aroma semelhante aos lúpulos usados em receitas juicy.

De acordo com Gustavo Barreira, CEO da CBCA, a criação passou por rigorosos testes até que atingisse o nível desejado para chegar ao consumidor, agora, em abril. A novidade da Seasons está disponível em latas de 473ml na loja virtual da CBCA, com entrega em todo o Brasil.

 “Nosso comitê de qualidade testou a receita em três lotes antes de chegar no equilíbrio perfeito, trazendo o conceito de privilegiar aromas e sabores tradicionalmente do lúpulo com produtos frescos brasileiros”, comenta Barreira.

Antes de apresentar a Cowlifornication Manga, a Seasons havia aberto a série Moo England com o lançamento da Cows on Parade, uma New England IPA. “O papel da Linha Moo England da Seasons é resgatar o DNA de criatividade e inovação da marca”, diz Dal Pont.

A Moo England é uma linha que veio para ficar e recolocar a Seasons como uma plataforma de criação de cervejas desejadas pelo consumidor

Juliano Dal Pont, gerente nacional de vendas da CBCA

Ação da Ambev sobe 7% em mês com recuperação judicial no setor e balanço

Se em março o principal índice da bolsa de valores brasileira acumulou queda de 2,9%, recuando aos 101.882,20 pontos, a ação da Ambev foi uma das 34 entre as 85 que compõem o Ibovespa a ignorar esse cenário de queda, se valorizando no terceiro mês de 2023. O ativo da cervejaria fechou a última sexta-feira valendo R$ 14,33, o que representou alta de 7,02% na comparação com fevereiro.

A ação da Ambev ainda apresenta desvalorização de 1,31% em 2023, pois tinha terminado 2022 com o preço de R$ 14,52. Porém, após quatro meses seguidos em que perdeu valor, o ativo teve alta em março, período marcado pela apresentação do balanço da companhia relativo ao quarto trimestre de 2022 e pelo pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis, algo que provoca reflexos em toda a indústria cervejeira.

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Em 2 de março, dia em que apresentou seu resultado financeiro com lucro líquido de R$ 5,1 bilhões nos últimos três meses do ano passado, a Ambev teve recuo de 2,52% em sua ação. A companhia, por outro lado, valorizou 4,74% na B3 na última terça-feira, data em que foi revelado o pedido de recuperação judicial do Grupo Petrópolis.

Em meio a oscilações, a Ambev conseguiu valorização de 7% na B3 em março, mês marcado por notícias econômicas de grande relevância. No Brasil, as principais foram a apresentação do arcabouço fiscal pelo governo federal, a manutenção da Selic em 13,75% – sob intensas críticas do governo Lula e de parcela do empresariado – e mudanças na política de dividendos da Petrobras. Já fora do país, houve o fechamento do Silicon Valley Bank nos Estados Unidos e o resgate do Credit Suisse, adquirido pelo UBS.

Nesse cenário, quem se deu melhor foram as empresas aéreas e as concessionárias, que acumularam as cinco maiores altas do Ibovespa em março. A Azul, que renegociou dívidas com arrendadores de suas aeronaves, liderou esse grupo, com valorização de 68,7%. Foi seguida por Ecorodovias (26,3%), Embraer (25,3%), Gol (20,8%) e CCR (16,5%).

Na direção oposta, as ações de empresas de saúde sofreram na B3 em março. O maior recuo foi da Hapvida, que desvalorizou 41,65%, com Qualicorp (21,2%) e Rede D’Or (16,9%) também compondo o Top 5 das perdas, que ainda incluiu 3R Petroleum (19,1%) e Arezzo (14,9%).

Fora do Brasil
O mês de março não foi bom apenas na bolsa brasileira para a Ambev. Em Nova York, a ação da cervejaria fechou a última sexta-feira valendo US$ 2,82, uma alta mensal de 10,59%. Assim, terminou o primeiro trimestre de 2023 com valorização de 3,68%.

Os dois maiores grupos cervejeiros do mundo também subiram em março na Europa. A ação da AB InBev fechou o mês valendo 61,33 euros, alta de 7,16% ante fevereiro e de 8,99% em relação ao fim de 2022. Já o ativo do Grupo Heineken terminou março valendo 99,06 euros. Isso representa valorização mensal de 2,65% e de 12,72% no primeiro trimestre de 2023.