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Produção de bebidas alcoólicas começa 2023 com alta de 1,4%

A produção de bebidas alcoólicas começou o ano de 2023 em alta no Brasil. De acordo com os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada pelo IBGE, houve expansão de 1,4% na atividade em janeiro na comparação com o mesmo período de 2022. Apesar dessa alta, ainda há retração de 0,4% no período de 12 meses iniciado em fevereiro do ano passado.

A alta da produção de bebidas alcoólicas no primeiro mês de 2023 ficou acima do ritmo da indústria nacional, que expandiu 0,3% quando comparada com o janeiro do ano passado, mas que teve recuo de 0,3% em relação a dezembro de 2022 na série com ajuste sazonal.

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Por outro lado, o crescimento da produção de bebidas alcoólicas no início de 2023 ficou bem abaixo do ritmo das não alcoólicas. Esse item teve expansão de 8,8% ante janeiro de 2022 e agora acumula alta de 9,5% no período de 12 meses iniciado em fevereiro do ano passado.

Esse nível acelerado da fabricação de alcoólicas puxou a produção de bebidas em geral, que cresceu 4,8% na comparação com janeiro de 2022 e 0,8% em relação a dezembro, agora acumulando expansão de 4,2% em 12 meses.

A produção de bebidas, aliás, foi um dos destaques da atividade industrial brasileira em janeiro, ao lado de ramos como produtos de borracha e de material plástico (5,6%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (2,2%) e de móveis (9,2%).

Esses itens, porém, não foram suficientes para impedir o recuo da atividade industrial brasileira em janeiro. “Embora a produção industrial tenha mostrado alguma melhora de comportamento no fim do ano, uma vez que marcou saldo positivo nos últimos meses de 2022, inicia o ano de 2023 com perda na produção, e permanece longe de recuperar as perdas do passado recente”, explica o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

De acordo com o instituto, a atividade industrial brasileira está, hoje, 2,3% abaixo do nível pré-pandemia, embora em janeiro de 2021 tenha chegado a superá-lo, ficando 4% acima.

“Além dos fatores que impactam na renda disponível das famílias – inflação alta de alimentos, elevada taxa de juros impactando na concessão de crédito e endividamento, trabalhadores na informalidade ou fora do mercado de trabalho –, a indústria também foi afetada por restrições de oferta, dificuldades de obtenção de matérias-primas, componentes eletrônicos e insumos para a produção dos bens finais”, analisa Macedo.

Balcão do Aloisio: O que esperar das novas cultivares de cevada

Balcão do Aloisio: O que esperar das novas cultivares de cevada no Brasil

A produção de cevada no Brasil se concentra na região Sul do país, principalmente nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul. Vários fatores contribuem para essa concentração, sendo o principal o clima ameno durante o inverno, adequado para o desenvolvimento da cultura. Por essa razão, três das quatro maiores maltarias do País estão instaladas nessa região e mais uma deve entrar em operação até 2024.

Entretanto, embora se tenha nessa região temperaturas adequadas para o cultivo da cevada, existem problemas em relação às instabilidades de precipitação pluviométrica. Tais instabilidades têm relação com a temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico. Quando ocorre um aquecimento anormal (acima da média), isso gera o fenômeno El Niño. Já o resfriamento dá origem ao fenômeno La Niña.

Em anos nos quais predomina o fenômeno atmosférico La Niña, normalmente, o volume de chuvas é menor no Rio Grande do Sul. E embora em alguns anos possa comprometer o bom desenvolvimento da cultura, assegura a produção de grãos com maior qualidade, no que se refere aos teores de micotoxinas e capacidade de germinação. Já no Paraná e em Santa Catarina, sob La Niña, geralmente, o volume de chuvas é maior do que a média, podendo comprometer a qualidade do grão devido ao excesso de chuvas a partir do florescimento e durante o período de enchimento e maturação dos grãos. Nos anos nos quais predomina o fenômeno El Niño, ocorre o contrário. O volume de chuvas tende a ser maior que a média histórica no Rio Grande do Sul e menor no Paraná e em Santa Catarina.

A ocorrência de precipitações muito acima da média histórica tende a ser prejudicial para a cultura da cevada, pois favorece o aparecimento de problemas como maior incidência da doença giberela, causada pelo fungo Fusarium sp, aumento do teor de micotoxinas nos grãos e problemas de germinação em pré-colheita, comprometendo o vigor e a germinação, fundamentais para a produção de malte. Esses problemas têm um alto potencial de tornar os grãos de cevada produzidos inadequados para uso na malteação, trazendo prejuízos ao produtor e obrigando as maltarias a importar maior quantidade de grãos de cevada a fim de atender suas necessidades.

Uma forma de contornar esse problema é por meio do melhoramento genético. Os programas de melhoramento de cevada no Brasil já buscam, nas novas cultivares desenvolvidas, cada vez maior rendimento de grãos, maior resistência às principais doenças que ocorrem na cultura, maior tolerância ao acamamento e maior qualidade dos grãos para os fins a que se destinam. Com o clima se tornando cada vez mais instável, tem se tornado fundamental o desenvolvimento de cultivares que reúnam todas as características apontadas e que apresentem também estabilidade quanto às características que conferem qualidade ao grão de cevada para uso na malteação, independentemente das condições climáticas sob as quais o cultivo ocorra. Outra possibilidade é a produção no Brasil central, nas regiões de maior altitude, no período do inverno e sob irrigação. No entanto, essa segunda opção esbarra na existência de cultivos mais rentáveis para aquela região e no aumento das distâncias até as maltarias hoje instaladas no País.

Embora desafiador, o melhoramento buscando maior estabilidade nas características de qualidade dos grãos deve ser um dos focos dos programas de melhoramento de cevada cervejeira nos próximos anos, pois é fundamental para assegurar o abastecimento das maltarias, com grãos de cevada de qualidade, todos os anos e em todas as regiões produtoras, reduzindo a necessidade de importação e trazendo maior confiabilidade e segurança na produção nacional de cevada cervejeira.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

Graja e Goose Island lançam Fluxo, cerveja que reforça discurso da inclusão

Fluxo representa, em seu significado literal, um movimento contínuo de algo que segue um curso. Pode ser, assim, um tráfego de pessoas, um conjunto de ideias ou mesmo a continuidade de uma caminhada para um causa. Fluxo, agora, também é o nome da nova cerveja colaborativa de Graja Beer e Goose Island. E mais do que um nome, representa o chamamento para a continuidade da luta pela inclusão.

A Graja Beer, autointitulada a “cerveja da quebrada“, está localizada no Grajaú, na zona sul de São Paulo, enquanto a Goose Island tem sua brewhouse no Largo da Batata, em Pinheiros, próxima ao centro da cidade. Essa distância geográfica já havia motivado o nome de uma outra cerveja colaborativa entre as marcas, em 2019, quando foi lançada a 637-G, denominação da linha de ônibus Grajaú/Pinheiros.

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Agora, então, essa distância física também faz parte da criação da collab entre Graja e Goose Island, com o nome Fluxo para um rótulo que reforça a luta por acessibilidade, com a participação do projeto Cerveja Artesanal em Libras, inclusão e que integra elementos importantes para a identidade das marcas.

“Nós fizemos uma cerveja que brincava sobre o fluxo de moradores, da periferia para o centro, com as marcas relacionadas, e ainda trazendo a ideia do fluxo, porque fluxo não é só o movimento da periferia para o centro, mas também quando o povo da quebrada vai para o baile”, diz Leandro Sequelle, sócio e um dos fundadores da Graja.

A expectativa é, para Sequelle, seguir em diálogo com o mercado e mostrando que a periferia cria, produz e pode levar conhecimento para qualquer localidade. “Tem muita gente boa produzindo arte, educação e cultura para cá. Que essa ponte atravessada na parceria entre Goose e Graja Beer seja um pedacinho de uma história potente e que nesse mercado que ainda engatinha podemos e devemos fazer muito mais para, a cada dia que passa, termos mais a cara de Brasil, envolvendo, então, toda a diversidade nessa cultura craft que tanto amamos e poder devolver para a sociedade”, afirma.

A cerveja traz no rótulo a arte de Cauã Bertoldo, um artista preto envolvido com o afrofuturismo e a moda do Grajaú, além de um QR Code que leva para um vídeo em que a história da cerveja e suas características sensoriais são contadas em Libras pela interpretação de Marcos Roberto, idealizador do projeto “Cerveja Artesanal Em Libras”. Assim, o rótulo propõe tanto a travessia das pontes geográficas quanto a linguística.

“Como estamos em 2023 dando um passo a mais, nada mais justo que trazer pessoas e projetos que acreditamos. Primeiro, pelo olho no olho e verdade dessa galera, segundo, pela importância da proposta. Marcos [idealizador da Cerveja Artesanal em Libras) Mateus [Vinhal] e Fernando (Pacheco) [ambos sommeliers de cerveja surdos] estão vivendo o amor pela cerveja, e envolvendo pessoas da comunidade surda nessa paixão!”, destaca o sócio da Graja.

A novidade leva centeio e milho em sua receita, ingredientes com um forte significado para a Goose Island, pela sua presença no bourbon, que tem relação histórica com a marca norte-americana, cuja cerveja mais famosa é a Bourbon Country, maturada em barril de bourbon.

A Fluxo é uma Session Rye Corn IPA com 39 IBUs de amargor e tem 4,2% de graduação, sendo leve e lupulada. “O centeio dá um leve aveludado (potencializado pelo milho) e uma picância sutil na boca. Quem bebe sente aromas herbais, frutados, e florais vindos de uma combinação dos lúpulos Magnum, Simcoe e Loral”, explica Sequelle.

A Graja para 2023
A inclusão e o fortalecimento da relação entre a cerveja artesanal e a cultura da periferia tem sido um dos pilares da Graja. E Sequelle explica que para 2023, partindo dessa perspectiva, a atuação se dividirá em algumas frentes.

A marca espera fortalecer a relação com a rede de produtores culturais e educacionais locais, buscando uma gestão de programação do pub, assim como se aproximar de outros empreendedores envolvidos com linguagens fora do mercado cervejeiro para ampliar o campo de atuação.

Além disso, a Graja terá foco especial nos lançamento de cervejas colaborativas e na participação em eventos.  “Como nossa proposta é ser uma cervejaria social, nada mais legal e legítimo que focar no relacionamento com a galera. E essa é a principal estratégia de ação para 2023″, finaliza Sequelle.

Caso Backer: Justiça finaliza depoimentos das testemunhas de defesa

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A investigação contra a Backer avançou mais um estágio nas etapas necessárias para o julgamento dos acusados pelos casos de contaminação de cervejas que provocaram dez mortes, descobertos a partir de janeiro de 2020. Na última quinta-feira (29), terminaram, na 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, as audiências das testemunhas indicadas pela defesa da Backer.

Por duas semanas, sempre às segundas, terças e quintas-feiras, foram ouvidas 15 pessoas indicadas pela defesa dos acusados dos crimes de homicídio e tentativa de homicídio culposo. A previsão inicial era de que 60 testemunhas fossem ouvidas, mas 45 delas acabaram sendo liberadas pelos advogados de defesa.

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As últimas testemunhas a depor, nesta quinta-feira, foram três funcionários do parque industrial da Backer. A partir da fala deles, os advogados buscaram esclarecer responsabilidades dos acusados em relação ao uso e dinâmica de reposição do líquido refrigerante nos tanques, além de terem perguntado às testemunhas a quem competia a compra dos produtos ou o controle da reposição no parque industrial da Backer.

A reportagem do Guia teve acesso a resumos dos depoimentos dos dias anteriores e destaca alguns deles, que indicam estratégias da defesa. Na última terça-feira (28), através das testemunhas, a intenção da Backer foi buscar demonstrar que não seria possível identificar a contaminação.

Para isso, a primeira testemunha ouvida foi um engenheiro de alimentos com doutorado em química e mestrado em controle de qualidade de cervejas. Ele é professor na UFMG e falou sobre a atuação de um técnico no laboratório de controle de qualidade de cervejas.

A testemunha disse ter conhecido as instalações da Backer, em especial o laboratório de controle de qualidade, logo após os fatos, afirmando que o local tinha todos os equipamentos necessários para a aferição do controle de qualidade das cervejas, modernos, de alta tecnologia, alguns mais avançados que os da universidade.

Também afirmou que não faz parte do rol de procedimentos para aferir a qualidade das cervejas identificar o tipo de contaminação que aconteceu na Backer. Por isso, quando foi procurado pelo técnico da cervejaria, na tentativa de identificar o que ocorreu com os lotes contaminados, teria sido necessário desenvolver uma metodologia para identificação desse tipo de substância, pois não existia nada previsto na literatura especializada.

Outra testemunha foi uma engenheira química, que já lecionou sobre fermentação de alimentos, incluindo cervejas, também tendo atuado em uma cervejaria, trabalhando, hoje, em um laboratório especializado na indústria alimentícia, com destaque para a análise de bebidas, sendo inclusive o laboratório de referência em Minas Gerais para o ramo da cachaça.

O laboratório dela também foi procurado pela Backer na tentativa de se identificar como tinha acontecido a contaminação dos lotes. Ela afirmou que o laboratório da cervejaria estava equipado para os testes de qualidade padrão, mas não seriam suficientes para diagnosticar o tipo de contaminação por dietilenoglicol que ocorreu com a cerveja.

Para detectar a contaminação das cervejas, foi necessário equipamentos e técnicos especializados para análise da contaminação por aquela substância, que não é detectada nos métodos convencionais de avaliação. Além disso, essa substância não constava no rol de produtos comprados pela cervejaria para o resfriamento dos tanques e sim o monoglicol, menos tóxico, o que também prejudicou e atrasou a detecção da substância.

De qualquer forma, ela afirmou que a presença da substância não é esperada na composição das cervejas, razão pela qual não há um protocolo de teste para detecção. Assim, em sua visão, seria impossível para a Backer detectar a contaminação com os equipamentos que detinha no laboratório.

A testemunha de defesa afirmou, ainda, que se dedicou especialmente à tentativa de identificar como as cervejas da Backer foram contaminadas, sensibilizada pelo empenho do técnico e dos sócios da empresa na busca por uma resposta e, particularmente, pela situação do responsável técnico da cervejaria.

Em outros dias, foram ouvidos mestres cervejeiros de outras marcas, com objetivo de explicar quais são as funções desse profissional em uma cervejaria. Também depôs um empresário que chegou a revender as cervejas da marca, um especialista no ramo de indústria de bebidas que diz ter acompanhado o processo de criação e o desenvolvimento da Backer.

Os advogados também arguiram o gerente de departamento pessoal da Backer, que atua na empresa desde 2013 e respondeu perguntas para esclarecer função que exerciam na empresa os acusados e outros profissionais citados durante a apuração dos fatos.

Próximos passos e acusações
Finalizado o período de depoimento de testemunhas indicadas pela defesa da Backer, o próximo passo do processo será a marcação do interrogatório dos acusados. Anteriormente, em maio de 2022, foram realizadas audiências de acusação, com 27 pessoas sendo ouvidas.

A contaminação de cervejas da Backer, a maior parte delas da Belorizontina, começou a ser descoberta nos primeiros dias de 2020, quando várias pessoas passaram a ser internadas em hospitais com sintomas de intoxicação após consumi-las.

A Polícia Civil de Minas Gerais, então, abriu investigação sobre o caso, detectando que a contaminação das cervejas por monoetilenoglicol e dietilenoglicol aconteceu em função de vazamento no tanque da fábrica. O caso provocou dez mortes, com várias outras pessoas tendo sequelas, como deficiência renal, paralisias e surdez.

Uma denúncia apresentada pelo Ministério Público pediu o indiciamento de 11 pessoas por crimes cometidos entre o início de 2018 e 9 de janeiro de 2020, ano em que a solicitação foi aceita, em 8 de outubro, pelo juiz Haroldo André Toscano de Oliveira.

O magistrado acatou o pedido dos promotores após a materialidade dos delitos criminais ser comprovada por um laudo pericial da Polícia Civil de Minas Gerais e do Instituto de Criminalística em lotes de cervejas da Backer e em tanques da planta fabril da empresa, que pertence à Cervejaria Três Lobos.

Entre os réus estão três sócios-proprietários da Backer, Ana Paula Silva Lebbos, Hayan Franco Khalil Lebbos e Munir Franco Khalil Lebbos, que ainda terão seus depoimentos e julgamentos marcados pela Justiça, assim como dos sete funcionários que também foram indiciados, sendo um deles de uma empresa terceirizada, processado por falso testemunho. Já um 11º réu morreu pouco depois de ter sido indiciado em 2020.

Para o Ministério Público, os sócios-proprietários da cervejaria assumiram o risco de produzir as bebidas alcoólicas adulteradas ao adquirirem monoetilenoglicol. Já os outros sete profissionais teriam agido com dolo eventual ao fabricarem o produto sabendo que poderia estar adulterado, na visão da promotoria.

A Três Lobos, responsável pela marca Backer, está autorizada, desde abril de 2022, a produzir cervejas no parque industrial da empresa em Belo Horizonte, local onde aconteceu a contaminação. Atualmente, as cervejas da Backer são facilmente encontradas em diversos bares da capital mineira.

Menu Degustação: Mapa da ciência cervejeira, encontro de motos…

Os últimos dias do mês de março contaram com diversas ações cervejeiras pelo país. Em uma delas, o Science of Beer deu o pontapé inicial para a segunda edição do Mapa da Pesquisa e Ciência Cervejeira, que busca reunir diferentes trabalhos sobre essa temática.

Em outra frente, essa envolvendo as competições cervejeiras, o European Beer Star abrirá suas inscrições a partir da próxima segunda-feira, enquanto o Brasil Beer Cup divulgou o edital da edição de 2023, com algumas novidades.

Entre os eventos mais focados no consumidor, um dos destaques é a exposição de Harley-Davidson na cervejaria Madalena, neste domingo (2), no ABC Paulista.

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Confira essas e outras novidades cervejeiras no Menu Degustação do Guia:

Mapa da cena da ciência cervejeira
O Science of Beer está organizando um projeto de mapeamento da cena da ciência cervejeira no Brasil. O trabalho tem como objetivo conhecer e reunir pesquisadores, laboratórios e interessados em iniciar pesquisas no setor. O mapeamento ocorre de modo contínuo – não há um prazo para que os interessados preencham o formulário. A ideia é, com esse mapa, criar um canal para que pesquisadores possam discutir os caminhos para evoluir a ciência cervejeira no país, além de divulgar as pesquisas e projetos realizados e aproximar o público geral dessa temática. Podem participar os pesquisadores, cientistas e acadêmicos que estão desenvolvendo algum projeto científico na área da cerveja. Para isso, basta acessar o formulário da pesquisa e preencher seus dados. O primeiro relatório reuniu 43 pesquisadores de todo o Brasil.

Regulamento da Brasil Beer Cup
A Brasil Beer Cup, marcada para acontecer em agosto, em Florianópolis, divulgou o seu regulamento com algumas mudanças. Agora, as cervejarias ciganas e os brewpubs terão premiação própria como Cervejaria do Ano. A competição também subdividiu o estilo Catharina Sour em três grupos: Catharina Sour; Strong Catharina Sour; e Catharina Sour maturada em madeira. Outras novidades podem ser conferidas no edital. E as inscrições serão abertas em 20 de abril.

European Beer Star abre inscrições
O European Beer Star, uma das maiores competições cervejeiras do mundo, abrirá as suas inscrições na próxima segunda-feira (3). Os rótulos serão julgados por cerca de 130 especialistas internacionais, levando em conta critérios como aparência, aroma e sabor. Os vencedores serão anunciados em 29 de novembro, durante a BrauBeviale, em Nuremberg, na Alemanha.

Curso de sommelier online
O curso Sommelier Online do Science of Beer está com inscrições abertas. Serão 100 horas-aula, com 2 encontros semanais, online, no período noturno, de 9 de maio a 27 de julho. De acordo com os responsáveis, o curso foi projetado para ajudar os participantes a se tornarem especialistas em cervejas, aprendendo sobre os diferentes tipos, seu processo de fabricação, sua história, as principais escolas e como harmonizá-las com diferentes alimentos. O curso é ministrado por especialistas da indústria cervejeira e é composto por aulas em vídeo ao vivo, que ficam gravadas na plataforma do instituto, leituras complementares, quizzes e avaliações práticas.  O curso ainda conta com um kit com 40 cervejas e materiais exclusivos.

Encontro de motos
Uma exposição de Harley-Davidson, vários estilos de chope, gastronomia e rock n’ roll fazem parte da programação do próximo domingo (2) na cervejaria Madalena, em Santo André, no ABC Paulista. O evento começa às 9h, com exposição de Harleys carburadas e clássicas, com destaque para o modelo Panhead, além dos modelos mais novos. O Carburator Day celebra os 120 anos da Harley Davidson e os 75 anos do motor Panhead Harley. A casa conta com 25 torneiras e variados estilos de chope.

Circuito Beck’s de Arte e Design
A cerveja Beck’s criou o “Circuito Beck’s de Arte e Design” que teve início no fim de semana passado com uma série de opções culturais gratuitas. A iniciativa busca estimular as pessoas a viverem e descobrirem a cidade de São Paulo. Os eventos, galerias e exposições de arte acontecem até domingo (2).

Novo vice do Grupo Heineken
O Grupo Heineken anunciou a chegada de Hugo Lehmann para a posição de vice-presidente de vendas e distribuição. O executivo retorna à operação brasileira, onde trabalhou entre os anos de 2012 e 2019, para, conforme o grupo, sustentar o crescimento contínuo da empresa no país, manter a liderança da cervejaria na categoria premium e consolidar a estratégia de rota ao mercado. Lehmann junta-se ao Grupo Heineken a partir de abril, quando Rafael Andrade, atual vice-presidente de vendas e distribuição, deixa a cervejaria para assumir um novo desafio profissional. 

Prêmio para o Zé
O Zé Delivery foi eleito como uma das melhores empresas no atendimento aos consumidores no ranking Estadão Melhores Serviços, publicado no último domingo (26). O app de entrega de bebidas da Ambev ficou em segundo lugar na categoria Entrega/Mercados, atrás da Cornershop. A pesquisa teve 10 mil entrevistados e 62 mil avaliações, entre outubro e novembro de 2022. A avaliação mediu a experiência percebida pelo cliente, considerando como base conceitual para o selo características racionais e emocionais da marca na relação com consumidores.

APLCerva
O Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas, de Material Elétrico, Eletrônico, Siderúrgicas e Fundições de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras (Simespi) lançou o APLCerva, o Arranjo Produtivo Local de Máquinas, Equipamentos e Serviços Industriais para Cervejarias, cujo objetivo é desenvolver e apoiar a interação estratégica entre as empresas que oferecem soluções industriais em produtos e serviços à cadeia produtiva cervejeira, segundo Erick Gomes, presidente do Simespi. A criação do APLCerva é resultado de tratativas entre o Arranjo Produtivo Local do Álcool, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo da Prefeitura de Piracicaba, por meio do Hub Piracicaba e do Núcleo de Apoio à Gestão e Inovação.

Entrevista: Unificação e reforma tributária pautam presidente do Sindicerv

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Com mais de 20 anos de experiência em relações institucionais, Márcio Maciel assumiu, em janeiro, o cargo de presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) com objetivos claros. Eles passam por aumentar a representatividade da instituição que agora lidera através do diálogo que amplifique pautas e demandas, sendo a principal delas a reforma tributária. É o que ele relatou em entrevista ao Guia Talks.

Não à toa, embora represente no país Ambev e Grupo Heineken, que detêm mais de 80% do mercado cervejeiro, Maciel, nas primeiras semanas como presidente do Sindicerv, buscou estar em contato com as cervejarias artesanais no périplo que realizou por diferentes cidades brasileiras.

E nessa busca pelo diálogo e por interesses em comum, encontrou um ponto de consonância com esses representantes: a necessidade de mudanças na tributação. A pauta, prioridade do Sindicerv em 2023, também evoca desejos do governo do presidente Lula, que já indicou a intenção de realizar uma reforma tributária. E Maciel defende que a simplificação tributária é fundamental para tornar o setor mais competitivo e dinâmico, sem aumentar a carga tributária.

Para o presidente do Sindicerv, passa pela aprovação de uma nova tributação o crescimento da indústria cervejeira, que, assim, conseguirá seguir promovendo a inovação, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Confira os principais trechos do Guia Talks com Márcio Maciel, que antes trabalhava como diretor de assuntos institucionais e inteligência competitiva da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos e agora é o presidente-executivo do Sindicerv:

Com qual objetivo você chega ao Sindicerv?
Representamos cerca de 80% da produção de cerveja no Brasil. Então, até por isso, temos uma estrutura em Brasília que acaba olhando para diversos aspectos do nosso mercado que são importantes para o bom funcionamento dele. Eu cheguei ao Sindicerv com o objetivo de agregar cada vez mais ao setor. Apesar de representarmos 80% do mercado e várias marcas das duas empresas, estamos num processo, que vem desde antes de mim, desde o ano passado, com um termo de cooperação com a Abracerva, de nos aproximarmos dos micro e pequenos produtores, tentando trazer cada vez mais a cultura cervejeira para todo o Brasil. Estou com o trabalho de conversar cada vez mais com a cadeia como um todo, com governos, é claro,  com a imprensa e com a sociedade civil para as pessoas entenderem um pouco mais sobre a nossa paixão nacional. Entender mais sobre cerveja, deixar de pensar nela como um líquido que bebemos em comemorações e jantares, em alguns eventos, e entender o que ela significa para o nosso Brasil. É geração de emprego e de renda, é melhoria na qualidade de vida.

O que você traz dos seus trabalhos anteriores para oferecer à indústria da cerveja como presidente do Sindicerv?
Eu sou executivo de relações institucionais, tenho histórico de 20 anos trabalhando na área de relações governamentais, um trabalho que basicamente leva informações para governos e para a sociedade sobre o setor em que você atua. Muitas coisas são desconhecidas. Eu tenho esse histórico setorial e de associativismo, conheço sobre o que é trabalhar em uma associação e como você deixa essa associação mais forte e mais representativa para os seus associados. Esse foi um dos motivos que olharam para mim e falaram: essa pessoa faz sentido nesse momento em que queremos agregar cada vez mais à categoria e falar dela para fora. Então, vamos pegar alguém que conhece a dinâmica do associativismo e tem o histórico de trabalhar também em parcerias. Por onde eu passei, sempre busquei trabalhar em parceria com quem está na minha cadeia, no mesmo ambiente de negócio.

E como você, agora presidente do Sindicerv, tem colocado em prática esse diálogo?
Eu tenho conversado muito com a Abracerva, com a Câmara Setorial da Cerveja, do Ministério da Agricultura, que reúne todos os elos da cadeia para dialogar sobre políticas públicas positivas para o setor. Estou procurando pautas que sejam convergentes, vendo como é possível utilizarmos o Sindicerv para trabalhar de maneira unificada pelo setor. Além disso, em toda viagem que fazemos, estou procurando visitar uma micro e pequena cervejaria. Já conheço os problemas das grandes, mas não sei do dia a dia das pequenas. E estamos buscando trazer algumas dessas pautas para trabalhá-las institucionalmente. Escutamos e vemos se tem alguma coisa convergente. Algo super convergente é a questão tributária. E a pauta prioritária do Sindicerv para esse ano é a reforma tributária. Queremos trabalhar juntos e ver como conseguimos ajudar o governo a, de fato, resolver o problema desse manicômio tributário brasileiro, que é difícil de entender. E, pior ainda, os impostos são muito caros.

Como seria essa reforma tributária desejada pelo Sindicerv e, mesmo, por todo o ecossistema cervejeiro?
A nossa prioridade fundamental nessa reforma tributária é tornar fácil o pagamento de impostos no Brasil. Vou dar o exemplo de associados do Sindicerv que precisam guardar uma quantidade enorme de documentos por conta de fiscalizações futuras ou obrigações acessórias que dariam para preencher mais de seis Maracanãs. Isso sem contar os documentos que já existem e estão guardados em alguns lugares. Então, imagina o preço que é pagar por isso, que vira custo. Empresas do Sindicerv, e outras empresas também, têm mais gente do que seria razoável na sua área de pagamento de impostos. São mais de 200 pessoas trabalhando só para entender e pagar impostos. Imagina o custo para pagar essas pessoas. É muito provável que seja mais do que várias empresas têm para investir em inovação. Por isso que falamos da simplificação como a coisa mais importante neste momento. Claro que a simplificação não pode vir com um aumento da carga tributária, hoje 56% do que pagamos na cerveja é imposto. É uma coisa inacreditável, a maior taxa de imposto da América Latina. Não dá para conviver com isso. Por isso, não queremos aumento de imposto. Isso se reflete em toda a cadeia. Indo além, temos que olhar as especificidades dos pequenos e outros parceiros, não podemos fazer uma reforma tributária que penalize bares e restaurantes. A reforma tributária tem que desonerar custos dos pequenos empreendedores.

Vocês imaginam que essa reforma vai sair? Quais são as expectativas e como estão sendo as articulações?
Se fosse fácil fazer uma reforma tributária, ela já teria sido feita. Eu sou historiador de formação e sou apaixonado por história. A história nos mostra que as mudanças estruturais geralmente ocorrem em momentos de ruptura ou quando há algo muito grave em jogo. Todos já viram muitos governos e essa reforma nunca saiu. O que vemos nesse momento é que embora não estejamos em um momento crítico ou de ruptura, estamos enfrentando um momento econômico difícil, no qual o crescimento é desafiador. Precisamos olhar para dentro e resolver algumas questões não resolvidas anteriormente para impulsionar o crescimento. É encorajador ver que a reforma tributária é uma prioridade do governo e do Congresso, o que são bons indícios. Como membros da sociedade civil, precisamos nos fazer ouvir para apoiar essa medida, mostrando que é importante para gerar emprego e a melhoria da economia.

No ano passado, o Sindicerv assinou um acordo de cooperação com a Abracerva. Como essa relação está sendo estreitada e de que modo isso pode ajudar as cervejarias artesanais?
Queremos ver como a expertise do Sindicerv, que é trabalhar no ambiente regulatório, pode colaborar com a Abracerva. A Abracerva tem uma capacidade incrível de falar sobre cultura, eventos e gastronomia, enquanto temos a habilidade executiva para lidar com questões regulatórias e institucionais. Vamos ver como podemos unir essas habilidades para ajudar a todos. Cheguei em 2 de janeiro e conheci o Giba (Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva) na segunda quinzena do mês. Ainda estamos conversando e nossa relação é excelente, mas estamos criando um plano para ver o que podemos fazer. Como representantes do setor como um todo, sentimos a obrigação de falar em nome de todos, desde os micros aos pequenos. A Abracerva é nossa principal parceira, mas estamos abertos a conversar com qualquer pessoa interessada em melhorar esse setor.

Falando em tributação, 12 estados brasileiros elevaram o ICMS sobre a cerveja recentemente. Como o Sindicerv enxerga isso?
O impacto não é bom, já falamos que 56% do que se paga na cerveja é imposto. Então, se você coloca mais um pouquinho, esse número só tende a aumentar. Vimos com preocupação, tentamos trabalhar para evitar que o aumento fosse concedido ou fosse total. Mas quem sou eu para dizer a um gestor público qual deve ser a prioridade dele? O que tentamos fazer foi sensibilizar, falando do impacto de um aumento logo no verão, nas férias, com as pessoas na praia. Por isso falo que a questão de se apresentar é super importante. Os tomadores de decisão precisam entender quem nós somos e qual o efeito de você aumentar o imposto. Porque, no final das contas, o setor sempre evita ao máximo repassar o preço ao consumidor. Ou o preço fica mais caro e se o consumidor brasileiro não está tendo aumento de renda na mesma velocidade, ele vai ter que começar a fazer escolhas de acordo com o preço. Em alguns lugares, conseguimos ter algum sucesso no sentido de diminuir o tamanho da mordida e em outros, não. Seguimos nesse nosso trabalho, que está começando e está mostrando que a cerveja com preço razoável é boa para todo mundo, aumenta a geração de renda.

O ano de 2022 terminou com alta de 2,7% do PIB e de 8% da produção da cerveja, mas houve recuo da economia nacional no último trimestre. Quais são as expectativas do Sindicerv para a indústria da cerveja em 2023?
A expectativa para 2023 é positiva. É o primeiro ano cheio após a pandemia. Tivemos o melhor carnaval da história. Está explodindo o número de eventos em todos os lugares. E os eventos impulsionam o nosso setor. Há uma expectativa de um governo que está tentando trazer o máximo de previsibilidade possível para a economia, o que é muito positivo. Acreditamos que teremos um crescimento em nosso setor. Os bares e restaurantes pretendem contratar mais pessoas este ano. E os nossos principais pontos de venda são os bares, mais de 60% das cervejas consumidas no Brasil são vendidas nesses locais. A fase crítica da pandemia passou e as cadeias produtivas mundiais estão se realocando, com rearranjos logísticos. Acreditamos que teremos um crescimento no setor de cerveja no Brasil, possivelmente não tão forte quanto nos últimos anos, mas ainda assim positivo, já que o nosso setor está muito aquecido. Esperamos que continue assim. Não posso dar um número exato de crescimento agora, mas esperamos que no próximo anuário do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) tenhamos um aumento no número de fabricantes de cerveja no Brasil.

Pedido à Justiça expõe perda de mercado pelo Grupo Petrópolis

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O Grupo Petrópolis expôs a sua perda de participação no mercado cervejeiro do Brasil ao apresentar um pedido de recuperação judicial, concedido pela Justiça do Rio de Janeiro através de medida cautelar. Em um período de pouco mais de dois anos e meio, a companhia viu cerca de 30% da sua parcela no setor se esvair.

De acordo com os dados apresentados pelo Grupo Petrópolis, contabilizados pela Nielsen, o market share da empresa caiu de 15,3% em janeiro de 2020 para apenas 10,6% em agosto de 2022.

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Já o volume de bebidas vendidas pelo Grupo Petrópolis reduziu 23% entre 2020 e 2022. Foram comercializados 31,2 milhões de hectolitros em 2020, número que caiu para 26,4 milhões de hectolitros em 2021, fechando 2022 com 24,1 milhões de hectolitros.

Para piorar, esse declínio se dá em um cenário que contrasta com a capacidade produtiva da companhia – com oito unidades fabris, o Grupo Petrópolis afirma que pode fabricar 52,34 milhões de hectolitros de bebidas. Nesse momento, porém, produz menos da metade disso.

O uso reduzido da capacidade produtiva é, inclusive, um dos motivos utilizados pelo Grupo Petrópolis para embasar o seu pedido de recuperação judicial. A empresa defende que, adequando as suas contas e renegociando seus débitos, poderia voltar a crescer, se aproveitando de toda essa estrutura para fabricação de bebidas. Hoje, a empresa contabiliza dívida de R$ 4,2 bilhões.

“Como consequência da normalização do fluxo de caixa das requerentes e da adequação de sua estrutura de capital para níveis sustentáveis, será possível produzir utilizando-se toda essa capacidade instalada, o que terá reflexos benfazejos de toda sorte, inclusive e especialmente nas condições de pagamento dos credores ora afetados por essa medida recuperacional”, diz.

Esse contexto de queda na produção e na participação de mercado se transformou, evidentemente, em redução das receitas do Grupo Petrópolis. Os valores auferidos pela empresa caíram de R$ 15,6 bilhões em 2020 para R$ 13,6 bilhões em 2021. Também houve recuo, ainda que menor, em 2022, para R$ 13,0 bilhões.

Custos de produção e preços
No documento em que apresenta o seu pedido de recuperação judicial, o Grupo Petrópolis também aponta que os custos para produção de cerveja cresceram acima da inflação e do reajuste de preços implementados pela companhia.

Partindo da base 100, para 2019, o Grupo Petrópolis afirma que os custos de produção chegaram a 118,1 em 2020, indo a 138,4 em 2021 e a 152,7 em 2022. Já o salto dos preços das cervejas da empresa foi mais modesto. Da mesma base 100, passou para 102,1 em 2020, 104,6 em 2021 e 110,3 no ano passado.

O Grupo Petrópolis também relata ter reajustado seus preços em 1º de março. A companhia afirma que isso ocasionou nova perda de participação de mercado. Mas defende que reduzir os valores não é uma estratégia factível para aumentar o volume de vendas e o faturamento.

“Após sofrer por longo período, o grupo viu-se forçado a reposicionar os preços de seus produtos no dia 1º do mês de março corrente. Como consequência, houve retração nas vendas, na medida em que seus consumidores tradicionais, nesse primeiro momento, indispostos a pagar os preços reajustados, acabaram migrando para outras marcas”, afirma.

“Fato é que, nas últimas semanas, as vendas e, consequentemente, a receita bruta caíram de forma considerável. Apesar disso, retroceder e baixar os preços não é alternativa, sob pena de se voltar a operar com margens financeiramente insustentáveis”, acrescenta o Grupo Petrópolis.

Com dívida de R$ 4,2 bi, Grupo Petrópolis entra em recuperação judicial

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O Grupo Petrópolis entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio e teve a sua solicitação aceita através de medida cautelar. As dívidas da companhia, produtora de cervejas como Itaipava, Petra, Crystal e Black Princess, são de R$ 4,2 bilhões.

A recuperação judicial permite que a empresa suspenda o pagamento das dívidas, as renegociando durante o período em que perdurar, evitando que a companhia precise encerrar as suas atividades. No caso do Grupo Petrópolis, as suas dívidas são de R$ 2,2 bilhões com grandes fornecedores e outros R$ 2 bilhões derivados de operações financeiras e do mercado de capitais.  

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A juíza Elisabete Franco Longobardi, da 5ª Vara Empresarial da cidade do Rio de Janeiro, concedeu tutela cautelar de urgência ao Grupo Petrópolis, determinando a liberação de recursos da companhia que estão em instituições como Banco Santander, Fundo Siena, Daycoval, BMG e Sofisa. Além disso, ela nomeou o escritório de advocacia Zveiter e a empresa Preserva-Ação, do advogado Bruno Rezende, como administradores do Grupo Petrópolis.

A solicitação em regime de urgência pelo Grupo Petrópolis foi justificada pelos efeitos que seriam provocados pelo não pagamento de uma dívida de R$ 105 milhões, que venceria na segunda-feira (27), dia em que a empresa solicitou a recuperação judicial.

“Essa parcela vence hoje, dia 27.03.2023, e seu inadimplemento provocará o vencimento antecipado das demais operações existentes com a casa bancária, resultando na pronta liquidação dos recursos travados na conta vinculada e tentativa de apropriação dos recebíveis do Grupo Petrópolis que irão ingressar na referida conta nas próximas semanas”, diz.

A empresa defende ter sido vítima de uma “tempestade perfeita”, com perda de mercado, redução das receitas e desafios de lidar com as dívidas em função da elevada taxa de juros do Brasil. “Como em uma tempestade perfeita, a redução do volume de vendas, da receita e das margens veio acompanhada do aumento incessante da taxa Selic, utilizada sucessivamente pelo Banco Central como principal ferramenta de política monetária para combater a inflação”, diz.

Além disso, o Grupo Petrópolis afirma que precisaria aumentar o seu fluxo de caixa nas próximas semanas para conseguir arcar com suas contas. “Até o final deste mês de março, estima-se que a necessidade de capital de giro acumulada seja R$ 360 milhões superior à projetada para o período. E os números só fazem piorar: até 10 de abril, estima-se que a necessidade de capital de giro acumulada seja R$ 580 milhões superior a projetada”, afirma.

O Grupo Petrópolis cita, ainda, ter recebíveis em instituições bancárias. Eles “correspondem a R$ 215.771.487,82 (Santander), R$ 109.386.445,58 (Fundo Siena), R$ 47.569.456,72 (Daycoval), R$ 9.231.434,17 (BMG) e R$ 1.464.621,63 (Sofisa)”. Também afirma que ficaria com o caixa negativo já no início de abril caso a recuperação judicial não fosse concedida.

Atualmente, o Grupo Petrópolis produz as marcas de cerveja Itaipava, Crystal, Lokal, Black Princess, Petra, Cabaré, Weltenburger e Brassaria Ampolis (com os rótulos Cacildis, Biritis, Ditriguis e Forévis); as vodcas Blue Spirit Ice e Nordka; a Cabaré Ice; os energéticos TNT Energy Drink e Magneto; o refrigerante It!; o isotônico TNT Sports Drink; a água Petra e água tônica Petra. Com oito fábricas em operação, o grupo estima ser responsável pela geração de aproximadamente 24 mil empregos diretos.

Heineken une forças com Pernod Ricard em projeto sobre malte de cevada

Dois pesos pesados da indústria de bebidas decidiram unir forças. Na Irlanda, o Grupo Heineken e a Pernod Ricard, através da Irish Distillers, fecharam um acordo, válido por três anos, para colaboração e compartilhamento de conhecimento em apoio ao cultivo sustentável de cevada para produção de malte.

O projeto-piloto irlandês visa ajudar os agricultores na adoção de práticas regenerativas em suas fazendas. O aprendizado será implementado globalmente no futuro, incluindo informações sobre o impacto ambiental das medidas adotadas, que serão compartilhadas e aproveitadas por ambas as empresas para definição de estratégias de sustentabilidade envolvendo outras matérias-primas.

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O objetivo da iniciativa, de acordo com as companhias, é apoiar a transição de cada fazenda para a agricultura regenerativa e compartilhar esse conhecimento com outros agricultores. Na Irlanda, cerca de 2 mil agricultores trabalham na produção de 300 mil toneladas de grãos anualmente em uma área de 45 mil hectares.

O projeto buscará melhorar as condições do solo e a retenção de carbono, aumentar a biodiversidade, melhorar a qualidade da água e os meios de subsistência dos agricultores por meio da adoção de uma série de práticas agrícolas regenerativas, incluindo minimizar a perturbação do solo, aumentar a diversidade das culturas e a cobertura do solo, mantendo as raízes vivas durante todo o ano e reduzindo o uso de produtos químicos.

Como parte do projeto, a Earthworm medirá várias métricas nas fazendas participantes, como cobertura do solo, utilização de fertilizantes, absorção de água e lucratividade. Um relatório detalhando o desempenho de cada fazenda em relação aos indicadores definidos, bem como as áreas de melhoria, será compartilhado com cada produtor para que o impacto das novas práticas agrícolas possa ser avaliado. Um documento anual também será disponibilizado ao público para acompanhar o progresso, além de compartilhar aprendizados e melhores práticas. E um incentivo financeiro será fornecido aos agricultores para apoiar o custo da implementação e dos experimentos nos campo.

O Grupo Heineken destaca que a iniciativa na Irlanda está em consonância com os objetivos da companhia de reduzir as emissões de carbono, como definido através de suas metas de sustentabilidade, como ressalta Avril Collins, diretora de assuntos corporativos da Heineken Ireland.

“A Heineken é uma das primeiras cervejarias globais a fazer uma promessa de emissões líquidas zero de carbono em toda a cadeia de valor até 2040 e trabalhar com a fonte de nossos principais ingredientes é a chave para entender como podemos atingir essa meta, pois a agricultura representa 33% de nossa pegada global”, diz Avril, apontando que a companhia já tem obtido bons resultados em suas iniciativas.

“Nos últimos 2 anos, a Heineken desenvolveu um programa global de agricultura de baixo carbono. Os pilotos deste programa em 2021 mostram uma redução média de 25% de CO2 e um aumento de 40% no sequestro de CO2 durante o processo agrícola”, acrescenta.

A executiva da Heineken na Irlanda acredita que a parceria com a Pernod Ricard na Irlanda deve contribuir para a melhoria desses resultados iniciais.

“Estamos muito satisfeitos por estarmos levando essa iniciativa mais a fundo na Irlanda, para analisar vários parâmetros de condição do solo, água e biodiversidade, buscando entender completamente o impacto e onde a mudança pode ser feita. Apreciamos muito que esta jornada exija que muitos jogadores trabalhem juntos, por isso estamos muito satisfeitos em fazer parceria com nossos colegas da Irish Distillers”, diz Avril.

Ao lado da Guinness, o Grupo Heineken lidera o mercado cervejeiro da Irlanda. Para isso, também fez aquisições de peso, como da Murphy’s Brewery, em 1983, e da Beamish & Crawford, em 2008.

A Pernod Ricard, de origem francesa e com um portfólio que inclui o uísque Chivas Regal, o gin Seagram’s e a vodca Orloff, também possui participação relevante no mercado de bebidas alcoólicas da Irlanda, um status conquistado após a aquisição da Irish Distillers em 1988. A empresa também teve participação fundamental na internacionalização do uísque irlandês Jameson.

Curiosidade por cervejas em barris indica potencial no mercado, diz especialista

A curiosidade do consumidor e dos próprios fabricantes sobre as cervejas produzidas em barris pode ser um indicativo de um caminho a ser explorado pelas marcas artesanais. Essa é a avaliação da Tanoaria Agulhas Negras, através do seu CEO, Luís Cláudio Castro Nogueira, após a participação em um dos principais eventos do segmento cervejeiro.

Para Nogueira, o interesse despertado por essa possibilidade durante a Semana da Cerveja Brasileira, em Blumenau (SC), evidenciou a curiosidade do cervejeiro quando o assunto é produção da bebida em barris. “De dez anos para cá que começou essa história de maturar a cerveja no barril. Então, de alguns anos para cá é que isso está criando força. E as pessoas estão muito curiosas. Vemos muita vontade em fabricar uma cerveja e envelhecer no barril”, diz Nogueira.

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A sua empresa foi a única tanoaria presente com um estande ao evento, sendo procurada pelo público para tirar dúvidas sobre o processo produtivo de cervejas em barris. E, na visão do CEO, essa curiosidade do setor pode ser um termômetro para a expansão do envelhecimento de cervejas em barris.

“Acredito que a tendência do mercado é crescer devido à curiosidade. A procura pelo nosso estande foi muito grande durante todos os dias e nossa perspectiva é de muita venda futura”, diz Nogueira.

Para fortalecer e ampliar suas relações comerciais, a Tanoaria Agulhas Negras levou barris de capacidades menores, que tiveram boas vendas, assim como, em uma ação de marketing, contava com uma chopeira acoplada a um barril de carvalho. “As cervejarias compram barris menores de 20 e 50 litros. Foi o que levamos, sendo tudo vendido”, relata.

A tanoaria ainda aproveitou a presença do grande número de cervejeiros no evento para oferecer opções diversificadas de madeiras. “O público estava acostumado com carvalho, carvalho francês, então levamos jequitibá, bálsamo, castanheira e grápia para que o público cervejeiro possa conhecer melhor as madeiras e brincando mais com os ‘blends”, diz.

Assim, em Blumenau, a Tanoaria Agulhas Negras colocou em prática sua principal estratégia de relacionamento para 2023: a participação em eventos cervejeiros. Por lá, também encontrou antigos clientes e trabalhou na captação de interessados em usar barris nas suas produções. E acredita que o saldo será positivo. “O pós-venda está sendo muito bom, superando as nossas expectativas”, celebra.