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Cervejas Artesanais de Guarapuava: cidade conquista Indicação Geográfica inédita no Brasil

As cervejarias de Guarapuava, na região central do Paraná, fizeram história ao conquistar a primeira Indicação Geográfica (IG) para cervejas de todo o território nacional. “Cervejas Artesanais de Guarapuava” agora é uma Indicação de Procedência (IP) reconhecida em todo o Brasil. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu oficialmente o registro nesta terça-feira (4) com a publicação na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2900.

A Associação das Cervejarias de Guarapuava (Guaracerva) havia protocolado a solicitação no dia 22 de maio do ano passado. Com a homologação definitiva do pedido, a delimitação geográfica protegida passa a abranger integralmente os limites político-administrativos do município de Guarapuava.

Larissa Vier, presidente da Guaracerva e sócia da cervejaria Água do Monge, reforça o caráter único das cervejas da região (Crédito: Arquivo Pessoal)
Larissa Vier, presidente da Guaracerva e sócia da cervejaria Água do Monge, reforça o caráter único das cervejas da região (Crédito: Arquivo Pessoal)

Em nota publicada em seu perfil oficial do Instagram, a associação expressou orgulho e entusiasmo com o feito, destacando o ineditismo do fato. “Esta conquista representa um marco histórico para o Brasil e enche de orgulho todo o setor cervejeiro nacional”, diz o comunicado.

Larissa Vier, presidente da Guaracerva, reforça a alegria com o reconhecimento. “As cervejas guarapuavanas têm se destacado no cenário nacional e internacional pela sua qualidade. Faz parte da cadeia que vem desde o princípio com a plantação da cevada no campo, industrialização do malte e produção das mesmas cervejas”, diz.

Ela conta também que o processo é detalhista e moroso, mas que a iniciativa também contou com o apoio da Prefeitura de Guarapuava e do Sebrae/PR, que ajudou com um diagnóstico técnico de potencialidade. A análise considerou aspectos como a reputação das cervejas, sua relação com o território, a organização coletiva dos produtores e a importância de proteger a identidade da produção local. Com o registro, a expectativa é ampliar a competitividade das cervejarias nos mercados nacional e internacional e consolidar Guarapuava como referência brasileira no segmento.

Cervejas Artesanais de Guarapuava, do campo ao copo

A legitimidade histórica e geográfica das Cervejas Artesanais de Guarapuava apoia-se em fatores agrícolas indiscutíveis. A Presidência da República conferiu oficialmente a Guarapuava o título de “Capital Nacional da Cevada e do Malte” pela Lei Federal nº 14.956, de 3 de setembro de 2024, complementada pelas diretrizes federais da Lei nº 14.050/2020. 

O município domina a produção da principal matéria-prima cervejeira. Enquanto o estado do Paraná colhe anualmente 321,5 toneladas de cevada, Guarapuava responde sozinha por 95,9 toneladas, o que representa 21% de toda a produção nacional. A extrema proximidade entre as lavouras, as maltarias e as fábricas artesanais viabiliza uma logística de frescor insuperável aos cervejeiros da região. O ecossistema também conta com o suporte do Programa de Incentivo às Microcervejarias Artesanais, instituído pela Lei Municipal nº 2765 de 2017.

Este arranjo territorial e econômico impulsiona nove marcas locais, que respondem juntas por uma produção estimada em 100 mil litros mensais. São marcas como a multipremiada Água do Monge, a pioneira da região, Donau Bier, Hank Bier, Cervejaria Irmandade e Metzger Bier. O polo cervejeiro local completa-se com as operações da Cervejaria Jordana, Cervejaria Suábia, Over Beer e Cervejaria Heimdall.

Conquista inédita

A conquista do selo de IP pelas Cervejas Artesanais de Guarapuava é a primeira do país. Mas houve outra tentativa em Ribeirão Preto (SP). Em maio de 2026, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei nº 79/2026, de autoria do vereador Danilo Scochi (MDB), na tentativa de criar uma Indicação de Procedência para cervejas por meio de uma legislação municipal.

A tentativa, contudo, sofreu um revés jurídico. A Procuradoria Federal junto ao INPI emitiu o Parecer nº 00033/2026/CGPI, apontando a flagrante inconstitucionalidade do projeto. O parecer destaca que legislar sobre direito comercial e propriedade industrial é competência legislativa privativa da União (conforme prevê o artigo 22, inciso I, da Constituição Federal), o que proíbe municípios de instituir tais registros por decretos locais.

O advogado André Lopes, colunista do Guia da Cerveja e dono do perfil Advogado Cervejeiro no Instagram, detalha o erro técnico cometido na proposta paulista. “Por mais legítima que seja a intenção de valorizar a cultura cervejeira local, indicações geográficas são instituto federal, sob competência exclusiva do INPI, de modo que um município não pode criar por lei própria um selo com essa natureza jurídica sem usurpar competência da União. O caminho correto seria o pedido de registro perante o próprio INPI, com apoio institucional do poder público municipal, e não a criação de uma indicação por norma local”.

Marca britânica lança cerveja sustentável com cevada de agricultura regenerativa

A busca pela redução da pegada de carbono na indústria global de bebidas deu mais um passo. No Reino Unido, a cervejaria londrina Signature Brew anunciou o lançamento da cerveja sustentável Do It Right, uma Czech Pale Lager de 5% de teor alcoólico, elaborada integralmente com cevada maltada proveniente de agricultura regenerativa. O cereal é fornecido pela empresa Wildfarmed, uma das referências com esse foco no setor alimentício nas ilhas. 

Embora não seja a primeira experiência do mercado a utilizar o ingrediente, o projeto se destaca por levar a ideia para as prateleiras da Waitrose, um dos maiores supermercados do país, democratizando o consumo sustentável em maior escala.

A cevada utilizada na Do It Right vem de uma rede de agricultores britânicos parceiros da Wildfarmed. Os métodos priorizam o cultivo sem pesticidas nem fertilizantes sintéticos, adotando o plantio direto e a rotação de culturas para restaurar a saúde do solo e enriquecer a biodiversidade dos campos. Além disso, trabalha para reduzir a poluição hídrica em rios e lençóis freáticos e atuar sequestrando carbono, mitigando o aquecimento global.

A Wildfarmed também fornece farinha, cevada e aveia para mais de 1 mil negócios alimentícios que valorizam as práticas sustentáveis.

Cerveja sustentável

O lançamento da Signature Brew reflete um movimento global de conscientização em que gigantes da indústria de bebidas também começam a buscar soluções para a transição ecológica do campo.

Nos Estados Unidos, a Aslan Brewing (em parceria com a Patagonia Provisions) abriu caminho com IPAs focadas em certificações de agricultura regenerativa e orgânica ainda em 2023. 

Na Europa, grandes multinacionais iniciaram importantes transições. A Guinness (Diageo) mantém um projeto piloto de três anos com dezenas de agricultores de cevada na Irlanda para reduzir emissões no cultivo, enquanto a Carlsberg estabeleceu a meta de utilizar cevada 100% regenerativa em suas marcas principais no Reino Unido até o final da década.

Cultura, música e compromisso ESG

O projeto da cerveja sustentável é coprotagonizado por Andy Cato, integrante do renomado duo de música eletrônica Groove Armada e cofundador da Wildfarmed, que passou mais de dez anos dedicando-se a testes práticos nos campos agrícolas para viabilizar grãos regenerativos.

“Foram dez anos nos campos buscando formas de combinar o cultivo de grãos com a restauração dos solos. No início, a fazenda e a cabine de DJ pareciam mundos distantes, mas ambos têm o mesmo objetivo: unir pessoas em torno de uma missão. Não há forma melhor de apoiar agricultores regenerativos do que bebendo uma cerveja gelada de alta qualidade”, diz Cato.

Do lado da distribuição, Jourdan Gabbini, comprador da rede Waitrose, reforça que a novidade atende à estratégia rigorosa de ESG da empresa. A iniciativa consolida a Wildfarmed — que já atende mais de mil estabelecimentos no Reino Unido — como uma força de transformação da gastronomia e da indústria da cerveja em favor do planeta. A cerveja poderá ser encontrada na rede pelo preço de 3 libras esterlinas.

Para Tom Bott, cofundador da Signature Brew, a iniciativa eleva o patamar de responsabilidade da marca: “Criar um produto com propósito genuíno em parceria com a Wildfarmed é um marco. Mostra que o setor de bebidas pode liderar a recuperação ambiental.”

A Signature Brew, considerada a maior cervejaria independente de Londres, foi fundada em 2011 pelos primos Tom Bott e Sam McGregor. Foi vencedora do prêmio SIBA Brewery Business of the Year por duas vezes em 2018 e 2021 e tem o maior histórico de colaborações com músicos no mundo.

Mudanças no consumo de cerveja estão transformando a produção de lúpulo no mundo, mostra relatório da BarthHaas

A produção de lúpulo no mundo enfrenta hoje um cenário de excesso de oferta. E uma das grandes causas está longe das lavouras. O consumidor global mudou: ele está bebendo menos cervejas tradicionais, buscando novos perfis de sabor e impulsionando uma verdadeira explosão de opções sem álcool. Isso tudo está levando as fábricas a mudarem ou criarem receitas com menos dessa matéria-prima.

O resultado é um “efeito dominó” que está esmagando os preços — do outro lado, os custos estão aumentando com a inflação —, gerando sobras históricas e forçando os produtores a se reinventar. É o que mostram os dados e análises do BarthHaas Report 2025/2026, a principal e mais prestigiada referência estatística do setor no mundo, lançado em 21 de julho na Alemanha.

Produção de lúpulo mundial

Com o objetivo de não gerar ou diminuir os estoques, os produtores globais cortaram o tamanho de suas plantações, fazendo com que a área mundial cultivada caísse 5,5%, para 52.660 hectares. Houve também um declínio de 3,8% no volume físico da colheita, que totalizou 109.188 toneladas em todo o mundo. No entanto, o “tiro saiu pela culatra”. A planta se tornou mais eficiente: o rendimento médio global subiu de 2,04 para 2,07 toneladas por hectare, e o teor médio de ácido alfa — como o relatório nomeia o princípio ativo do amargor — subiu levemente para 10,6%. 

O resultado foi a manutenção de um quadro de excesso. “Embora a área cultivada tenha sido reduzida mais uma vez, o mercado ainda não encontrou o equilíbrio”, analisa Heinrich Meier, autor do relatório. Ele explica que a produção de lúpulo excedeu a demanda novamente em 2025, gerando uma sobra de aproximadamente 1,2 mil toneladas de ácido alfa no mercado global, o equivalente a uma capacidade estrutural de superprodução de cerca de 5,1 mil hectares. Quando somados os anos anteriores, o mundo acumula impressionantes 8,6 mil toneladas de amargor desde 2020.

Para os produtores, esse descompasso gerou impacto no preço. Nas vendas sem contrato prévio, variedades tradicionais como Perle e Hallertau Tradition chegaram a ser entregues por valores irrisórios, entre um e dois euros por quilo na Alemanha. No caso de lúpulos de amargor, como o Herkules, as propostas no mercado à vista foram de 25 euros por quilo de ácido alfa. “A indústria global de lúpulo e cerveja está passando por um período de profunda mudança estrutural”, crava Thomas Raiser, CEO da BarthHaas. Segundo ele, o excedente persistente é agravado pelo comportamento do consumidor e pela “crescente pressão econômica em toda a cadeia de valor”.

Amargor das cervejas em baixa

A raiz do problema não está apenas na estagnação das vendas de cerveja, mas na decisão contínua das cervejarias de utilizar cada vez menos lúpulo de amargor na elaboração de suas receitas, diz o relatório.

A produção global de cerveja caiu levemente (0,7%) em 2025, fechando em pouco menos de 1,896 bilhões de hectolitros. Entretanto, a demanda específica por lúpulo despencou de forma muito mais agressiva: uma queda de quase 3%, caindo para apenas 10,7 mil toneladas de ácido alfa demandadas.

Ou seja, além do menor volume de bebida fabricada, “os principais fatores responsáveis foram a redução da dosagem de lúpulo no processo de fabricação e as mudanças na estrutura de estilos de cerveja”, enfatiza o documento da BarthHaas.

Isso é comprovado pela chamada taxa de dosagem, que mede as gramas de ácido alfa utilizadas por hectolitro de cerveja. O dado vem caindo ano a ano, ininterruptamente, passando de 5,78 gramas alfa/hl em 2022 para 5,50 gramas alfa/hl em 2025, com projeções de que o índice recue ainda mais para 5,42 gramas alfa/hl em 2026. 

Aroma em alta

Enquanto o amargor puro perde espaço, a busca por aroma e sabor consolidou as variedades aromáticas como a prioridade das fazendas.

Os números mostram que a participação das variedades de aroma aumentou tanto no volume físico colhido quanto no volume de ácidos alfa produzidos. Em 2025, as variedades de aroma responderam por 53,4% do peso físico de toda a colheita mundial, relegando o lúpulo de amargor estrito a 46,6%. 

A força do aroma é tão resiliente que a variedade Citra® — uma das mais tradicionais dos EUA — quebrou a tendência de queda do mercado e voltou a crescer 11,9% em área plantada no Pacífico Noroeste americano.

Cervejas sem álcool aumentam

Sim! Cerveja Melancia Sour n’ Salt: cerveja brasileira premiada na categoria sem álcool no World Beer Cup, considerada a maior competição mundial (Crédito: Sim! Cerveja / Divulgação)
Sim! Cerveja Melancia Sour n’ Salt: cerveja brasileira premiada na categoria sem álcool no World Beer Cup, considerada a maior competição mundial (Crédito: Sim! Cerveja / Divulgação)

Mas uma das grandes esperanças da indústria do lúpulo são as cervejas sem álcool. O documento da BarthHaas dedica um capítulo inteiro para relatar o estrondoso sucesso da categoria, apontando que as vendas desse segmento estão crescendo a taxas impressionantes de 85% nos EUA, 8% na Alemanha e 150% na Irlanda nos últimos cinco anos. 

Do ponto de vista técnico, a ascensão das cervejas sem álcool acabou valorizando o uso do lúpulo. Sem o etanol, a cerveja perde muito do efeito conservante natural. O relatório explica que, para compensar essa ausência e evitar contaminações microbiológicas, as cervejarias estão utilizando os ácidos amargos do lúpulo na brassagem como escudos protetores. 

Em paralelo, para mascarar a falta do álcool e muitas vezes o sabor residual dos processos de produção, “o late hopping no whirlpool e no final da fermentação demonstraram ser eficazes na produção de um aroma de lúpulo que é ao mesmo tempo equilibrado e complexo”, diz o documento.

Aposta em novos produtos de lúpulo

O lúpulo em seu formato natural de flor ou mesmo peletizado está dividindo as atenções com soluções laboratoriais mais eficientes. Segundo o relatório, o mercado tem exigido o desenvolvimento de produtos modernos que ofereçam “soluções práticas e eficientes para a produção de cervejas e outras bebidas”. 

A resposta da indústria tem sido uma nova geração de extratos oferecidos em forma líquida e compacta. O apelo para a migração não é apenas produtivo, mas também financeiro: os novos produtos líquidos melhoram o prazo de validade do insumo e garantem “economias nos custos de logística e armazenamento”. 

Para o produtor de cervejas, a vantagem vai muito além da panela de fervura. O uso dessas formulações amplia o leque criativo, permitindo um “controle direcionado de parâmetros específicos do produto, como turbidez, sabor e estabilidade”, qualidades importantes para criar as novas cervejas artesanais e os produtos sem álcool.

Sustentabilidade e genética na produção de lúpulo

A crise econômica do lúpulo divide os holofotes com os severos desafios impostos pelas mudanças climáticas. O clima extremo tem forçado os agricultores a buscar soluções na agronomia e na genética. Nos EUA, o Pacífico Noroeste lidou com um terceiro ano consecutivo de seca, com os reservatórios do emblemático Yakima Valley operando com apenas 38% de sua capacidade normal na primavera, além de enfrentar incêndios florestais ameaçadores no verão. 

O grande laboratório de sucesso contra o clima hostil foi a Austrália. O país registrou secas prolongadas e duas ondas de calor intenso na região produtora de Victoria, no Sudoeste do país, mas manteve rendimentos excepcionais. O relatório da BarthHaas atribui esse êxito ao fornecimento confiável de água aliado ao uso de variedades proprietárias exclusivas “adaptadas ao clima” desenvolvidas pela Hop Products Australia (HPA).

O resultado de investir em genética focada em resistência climática fez com que a Austrália alcançasse um teor de ácido alfa altíssimo de 16,4% nas variedades Galaxy® e Vic Secret™, superando as médias globais.

O CEO Thomas Raiser alerta que “a sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial opcional. Está se tornando um pré-requisito fundamental para a competitividade a longo prazo”. Para o mercado de lúpulo do futuro, o sucesso não dependerá apenas da quantidade que se planta. Mas da eficiência limpa e tecnológica que se consegue colher.

Turismo cervejeiro de inverno: quando o frio ensina o Brasil a beber melhor

Coluna Ana Pampillón

O Brasil aprendeu a amar a cerveja no verão. Foi natural. Mas está aprendendo a entendê-la no inverno. Existe uma pedagogia no frio. Quando a temperatura cai, o nosso paladar muda. Ele fica mais paciente, mais atento, mais disposto ao complexo. Trocamos a sede pela curiosidade. E é exatamente aí que o turismo cervejeiro de inverno encontra sua força.

Chamamos de Inverno Cervejeiro aquele período de maio a agosto em que a Serra, o Sul e as montanhas viram destino. Mas o que acontece não é apenas uma mudança de estação. É uma mudança de relação.

No inverno, a cerveja deixa de ser coadjuvante da paisagem e vira a própria paisagem. Você não bebe uma Porter com notas de chocolate enquanto está com pressa. Bebe na frente da lareira, depois de visitar a sala de brassagem, ouvindo do cervejeiro por que ele escolheu aquele malte defumado. Você não prova uma Belgian Dubbel com pressa. Harmoniza com um queijo da região, com um fondue, com uma conversa longa.

Turismo cervejeiro de inverno

É por isso que o turismo cervejeiro de inverno é tão potente. Ele não vende apenas um estilo de cerveja mais encorpado. Ele vende tempo.

Vende a experiência completa que o verão, com sua correria, raramente permite: a visita guiada sem multidão, o balcão onde dá para conversar com quem fez a cerveja, a cidade que respira cerveja em cada restaurante, em cada vitrine, em cada história. Petrópolis sabe bem disso. Aqui, cerveja é patrimônio, não é moda. E o inverno é quando esse patrimônio fica mais visível, porque as pessoas vêm justamente para procurá-lo.

O Inverno Cervejeiro consolidou-se porque entendeu algo essencial: o consumidor brasileiro amadureceu. Ele já não busca apenas refrescância; busca profundidade, origem, narrativa. E quer saber de onde vem o que ele bebe e quer que esse beber aqueça, não apenas refresque.

No fundo, o Inverno Cervejeiro é o convite mais elegante que o mercado artesanal já fez. Um convite para desacelerar, vestir um casaco e descobrir que existe uma cerveja para cada temperatura da alma.

E que algumas delas, as melhores, só fazem sentido quando faz frio.


Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas. Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias. Leia mais colunas dela.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Skol Zero Zero amplia distribuição para todo o Brasil

A Ambev anunciou a expansão nacional da Skol Zero Zero, novo rótulo que integra o portfólio de escolhas equilibradas da companhia. A bebida se destaca por ser a primeira cerveja do mercado brasileiro a reunir zero álcool e zero açúcar na mesma fórmula, além de conter 12 calorias por lata de 350 ml e de ter um processo produtivo que elimina o glúten. Apresentado inicialmente no mercado paulistano durante o Carnaval, o produto passa a ser distribuído em pontos de venda e canais de varejo de todo o país.

Campanha de Skol Zero Zero

Para acompanhar o lançamento em escala nacional, a marca estreou a campanha “Chegou Skol Zero Zero”, criada pela agência GUT e veiculada em rede nacional na TV Globo, mídias digitais e plataformas de streaming. A produção foi dirigida pelo cineasta Clóvis Mello, responsável por filmes clássicos da marca, e utiliza o ambiente fitness e de bem-estar como plano de fundo para situações de humor. A proposta da comunicação é mostrar que o consumo da Skol Zero Zero permite manter o ritual da cerveja em novas ocasiões da rotina diária.

De acordo com o diretor de Marketing da Skol, Fernando Gama, a estratégia da Skol Zero Zero busca focar nas possibilidades que o produto oferece ao consumidor que pesquisa opções de menor teor calórico, em vez de ressaltar apenas a ausência de álcool. Os mestres-cervejeiros da Ambev aperfeiçoaram o processo de fermentação dos cereais para zerar o álcool e os açúcares residuais, mantendo o perfil de sabor, leveza e refrescância característicos da cerveja tradicional.

A novidade consolida o movimento de inovação da marca em São Paulo (SP) e demais capitais, alinhando o mercado cervejeiro às novas demandas de consumo equilibrado. A campanha publicitária conta ainda com desdobramentos em peças de mídia fora de casa (OOH), displays e formatos especiais para aplicativos de transporte e redes sociais, reforçando a presença da Skol Zero Zero no segmento de bebidas sem álcool.

Leia também neste Menu Degustação:

Grupo Heineken lança plataforma +Equilíbrio

O Grupo Heineken anunciou o lançamento da plataforma 360º +Equilíbrio, uma estratégia multicategoria que reúne suas marcas de bebidas com menos calorias, zero álcool e sem glúten. A iniciativa integra produtos como a Heineken 0.0, Sol Zero, Amstel Ultra e Heineken Ultimate, além de itens não alcoólicos como a bebida proteica Mamba Protein e o chá Baer Mate. O movimento acompanha o desempenho do portfólio de escolhas equilibradas da companhia no Brasil, que registrou crescimento de duplo dígito alto nas vendas durante o primeiro semestre de 2026.

A implementação do projeto ocorrerá em escala nacional nos canais de distribuição, incluindo ações de visibilidade em gôndolas e cardápios de bares e restaurantes, além de presença em feiras e comunicação digital. A meta do grupo é alcançar mais de 150 pontos de venda distribuídos por dez estados brasileiros até o fim do ano. A estratégia visa simplificar a jornada de compra do consumidor em diferentes ocasiões de consumo e ampliar a participação da cervejaria na categoria de bem-estar.

Como principal aposta da nova plataforma, a companhia destaca a consolidação da Heineken Ultimate, lançada no mercado nacional no mês de junho. O rótulo une teor alcoólico reduzido, menor quantidade de calorias e ausência de glúten na mesma receita. Segundo a vice-presidente de Marketing do Grupo Heineken, Cecilia Bottai, o desenvolvimento do segmento exige facilitar o acesso do público às opções do portfólio, expandindo a atuação da empresa para além do mercado de cervejas tradicionais.

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Lagunitas realiza ação com cães em bares e lança pizza com cerveja em São Paulo

A Cervejaria Lagunitas realiza no sábado (1º) a ação Pee Posters nos bares Lazy Park e The Barley House, em São Paulo (SP). A iniciativa utiliza cartazes impressos com tinta sensível à umidade e fixados na altura dos cães que, ao entrarem em contato com a urina dos animais, revelam um cupom de desconto para os tutores apresentarem no balcão do estabelecimento. Informações sobre os produtos do portfólio da marca e do Grupo Heineken podem ser consultadas no site da Heineken Brasil.

Em outra frente na capital paulista, a marca firmou parceria com a rede Jet Pizzas para o lançamento da Pizza Frango Supreme à Californiana, disponível até 15 de agosto. A receita combina frango, bacon, cream cheese e molho de tomate preparado com a cerveja Lagunitas DayTime. A novidade é comercializada nas unidades físicas da pizzaria, no site da empresa e em aplicativos de entrega, contendo também uma promoção que oferece uma segunda unidade do rótulo na compra do combo.

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Monte Verde reúne 10 estabelecimentos para o Dia Internacional da Cerveja

A Agência de Desenvolvimento de Monte Verde e Região (MOVE) selecionou dez estabelecimentos no distrito de Camanducaia (MG) para as comemorações do Dia Internacional da Cerveja, na sexta-feira (7). O roteiro gastronômico conta com opções de chopes importados e vista panorâmica no Hügel Bar & Gastronomia, fabricação de bebidas temáticas com pinhão na Cervejaria Kursi e visitação guiada mediante agendamento na fábrica da Cervejaria Monte Verde. A gastronomia alemã é representada pela Cervejaria Fritz, que produz a Bock Pedra Partida, além da Bartolomé Hamburgueria, que serve rótulos da marca em seu cardápio de lanches.

O itinerário reúne também a régua de degustação com seis torneiras de chope nas duas unidades do Arsenal da Cerveja, a cerveja Pilsen Rock no Bistrô Rock Bar, harmonizações com trutas defumadas na Confraria Monte Verde e rótulos artesanais de produção própria no Hotel Fazenda Itapuá. A lista de atrações da vila mineira completa-se com o banho de imersão no estilo Dry Stout oferecido pelo Cacau Beer Spa. Informações detalhadas sobre a rede de associados da região estão no site da MOVE Monte Verde.

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Spaten e o Festival Churrascada 2026 celebram a tecnica no churrasco

A Spaten, marca premium da Ambev, atua como cerveja oficial do Festival Churrascada neste sábado (1º), no bairro do Brás, em São Paulo (SP). O evento atinge sua 11ª edição com mais de 40 estações sob o comando de chefs e assadores nacionais e internacionais. Para atender o público, a fabricante disponibilizou o Paredão de Chopp Spaten com sistema de autoatendimento. As marcas do segmento premium da companhia registraram crescimento na casa de 20% no Brasil em 2025, impulsionando uma divisão que representa 25% do mercado cervejeiro nacional.

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Museu da Cerveja de Blumenau abre inscrições para concurso em comemoração aos 30 anos

O Museu da Cerveja de Blumenau (SC) abriu as inscrições gratuitas para o 1º Concurso Cervejeiro Museu da Cerveja, iniciativa que marca o início das comemorações dos seus 30 anos de fundação. A competição é voltada a produtores caseiros de todo o País, que devem inscrever receitas do estilo Vienna Lager. O rótulo vencedor será produzido pela Cervejaria Blumenau e servido na próxima edição da Oktoberfest. Mais detalhes e o regulamento completo estão disponíveis na página oficial do Museu da Cerveja de Blumenau.

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Brewine Leopoldina sugere roteiro de degustação para Dia da Cerveja

A Cervejaria Brewine Leopoldina, marca do Grupo Famiglia Valduga localizada em Bento Gonçalves (RS), apresentou sugestões de rótulos em celebração ao Dia Internacional da Cerveja. A seleção reúne o Kit Italian Grape Ale, elaborado com mosto de uvas cultivadas no Vale dos Vinhedos nas variedades Moscato, Chardonnay e Pinot Noir, com garrafas vendidas a R$ 89 cada. A casa também indica receitas tradicionais do seu portfólio, como a Leopoldina Weissbier, comercializada a R$ 26, e a Leopoldina IPA, a R$ 28. O catálogo completo de produtos pode ser consultado no site da Famiglia Valduga.

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Ambev fecha parceria nacional com a Restaurant Week e inicia projeto por Brasília

A Ambev anunciou a parceria nacional com a Restaurant Week e inicia a participação no festival durante a 34ª edição de Brasília (DF), que vai até 30 de agosto. O projeto prevê a distribuição de rótulos do portfólio de escolhas equilibradas aos clientes, com a Corona Cero no almoço e a Stella Artois Pure Gold no jantar. A estratégia acompanha o desempenho da linha sem álcool e de baixas calorias da companhia, que registrou alta de 70% em volume no primeiro trimestre do ano.

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Inside the Star celebra Dia da Cerveja e Dia dos Pais em Jacareí e Ponta Grossa

Os espaços interativos do Grupo Heineken em Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR) promovem ações especiais na primeira semana de agosto. Visitantes recebem um brinde exclusivo nos dias 7 e 8 para marcar o Dia da Cerveja. A loja oficial das duas unidades oferece descontos em produtos de 4 a 8 de agosto para as compras do Dia dos Pais. O espaço opera com tours convencionais, com ingressos a R$ 60, e opções harmonizadas para maiores de 18 anos, por R$ 80. Inscrições no site oficial.

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Taurus Festival tem cerveja artesanal no Shopping West Plaza em São Paulo

O Shopping West Plaza, em São Paulo (SP), recebe a edição especial do Taurus Festival a partir de sexta-feira (31) até o dia 2 de agosto. O evento gastronômico itinerante tem entrada gratuita no Boulevard do empreendimento, com funcionamento das 12h às 22h. A programação conta com assadores de cortes selecionados, cervejas artesanais, área infantil e shows de rock e blues. O shopping reúne mais de 40 operações de gastronomia, que representam 20,9% de sua área bruta locável.

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Bodebrown promove Festival Cultural de Inverno em Curitiba

A Cervejaria Bodebrown realiza a partir de sexta-feira (31) até o dia 2 de agosto o seu Festival Cultural de Inverno em Curitiba (PR). O evento ocupa a sede da empresa no bairro Hauer e um trecho da Rua Carlos de Laet, que foi fechada para o tráfego de veículos. A programação gratuita reúne nove atrações musicais, apresentações de grupos folclóricos e uma praça de alimentação com pratos orientais e belgas. A fábrica disponibiliza mais de 40 rótulos de chope e cervejas em garrafa e lata.

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Armazém Cardosão lança rótulos de cerveja artesanal em Laranjeiras

O tradicional Armazém Cardosão, localizado no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro (RJ), apresentou dois rótulos próprios de cerveja artesanal desenvolvidos em parceria com a Cervejaria Pontal, de Nova Friburgo (RJ). A casa passa a oferecer uma Hop Lager e uma Session IPA em garrafas de 500 ml e long neck. Os rótulos foram ilustrados pelo designer Cláudio Reston com elementos visuais que remetem ao bairro da Zona Sul carioca. As bebidas foram formuladas para harmonizar com o cardápio de petiscos do bar.

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Eisenbahn confirma Palco Eisen Rock Station no João Rock

A Eisenbahn atua pelo terceiro ano consecutivo como patrocinadora máster do Festival João Rock, que acontece no dia 1º de agosto, no Parque Permanente de Exposições, em Ribeirão Preto (SP). A marca consolidou o Palco Eisen Rock Station como a quinta atração oficial do evento, tendo a banda Rancore como atração principal. O line-up do espaço reúne seis apresentações selecionadas por curadoria com a participação de fãs. A estrutura da cervejaria no festival conta com 18 pontos de servimento e 246 torneiras de chope.

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Proibida relança versão Puro Malte Extra

A Cerveja Proibida anunciou o retorno da Proibida Puro Malte Extra ao mercado brasileiro. Classificada como uma Golden Malty Lager, a bebida apresenta maior concentração de malte de cevada em sua composição e utiliza três variedades de lúpulos europeus. O produto é engarrafado em embalagens de 600 ml com rótulo nas cores preta e dourada. A distribuição do rótulo em redes de supermercados de todo o País é realizada pelo Grupo Notória.

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Oktoberfest de Igrejinha inicia venda de ingressos em pontos físicos

A organização da 37ª Oktoberfest de Igrejinha deu início à comercialização de ingressos em mais de 45 pontos físicos de venda espalhados pelo Rio Grande do Sul. A festa comunitária, que acontece de 9 a 18 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings, em Igrejinha (RS), oferece opções de bilhetes para a Arena, Área VIP e Camarote. O evento disponibiliza o Passaporte Promocional Solidário, que destina 20% da arrecadação das vendas ao Hospital Bom Pastor. A lista completa de locais de compra pode ser consultada no site oficial da Oktoberfest de Igrejinha.

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Quintal do Minhocão reúne DJs BNegão e Malfeitona em São Paulo

A Cervejaria Central e a marca de camisetas El Cabritón promovem no dia 8 de agosto mais uma edição do Quintal do Minhocão, no centro de São Paulo (SP). O evento ocupa a quadra da escola de samba Filhos da Santa, no bairro de Santa Cecília, das 14h às 21h, com apresentações dos DJs BNegão e Malfeitona. A festa tem entrada gratuita sujeita à lotação do espaço de 300 pessoas. O cardápio do encontro inclui dois estilos de cerveja artesanal da fábrica e opções gastronômicas preparadas pela equipe do Deep Bar 611.

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RuERA Cervejaria com drinks em dobro em Campinas (SP)

A RuERA Cervejaria promove uma ação especial de drinks em dobro para o Dia dos Pais em seu espaço no Beco de Barão, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas (SP). A oferta contempla opções de coquetéis autorais do cardápio, como o drink Amadinho, preparado com cachaça da Geest Destilaria, frutas cítricas, gengibre, mate e guaraná. O estabelecimento funciona aos domingos das 17h às 22h e oferece estrutura pet friendly e seleção de chopes artesanais nas torneiras da casa.

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Brewteco lança colaborativa e se prepara para o IPA Day

O Brewteco lança no dia 6 de agosto a cerveja SilmarIPA para celebrar o IPA Day. O rótulo do estilo West Coast IPA é uma edição limitada produzida em colaboração com as cervejarias Overhop e FellowBeer. A rede carioca de bares oferece desconto nos copos do estilo IPA em suas unidades no Rio de Janeiro (RJ) durante a data comemorativa. A filial do Leblon reúne uma programação com 15 torneiras dedicadas exclusivamente a variações de cervejas lupuladas de marcas nacionais e importadas.

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Continental Shopping presenteia clientes com cerveja artesanal no Dia dos Pais

O Continental Shopping realiza sua campanha de Dia dos Pais em São Paulo (SP) entre quinta-feira (30) e 9 de agosto. A promoção oferece uma garrafa da cerveja puro malte 1824 Imigração Export aos clientes que acumularem R$ 400 em compras. O brinde é limitado a uma unidade por CPF, com retirada no balcão de trocas localizado no segundo piso. A receita do rótulo premia a tradição da escola alemã e conquistou a medalha de prata no Concurso Brasileiro de Cervejas de 2021.

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Ofertas de cerveja sem álcool crescem 239% no varejo nacional, aponta pesquisa

O volume de ofertas de bebidas no varejo brasileiro cresceu 19% entre janeiro e maio na comparação com o mesmo período de 2024, de acordo com levantamento da empresa Shopping Brasil. As promoções de cerveja sem álcool lideraram a expansão da categoria, com alta de 239% no intervalo. Já as cervejas alcoólicas registraram queda de 7% no espaço promocional. No Nordeste, a participação dos destilados alcançou 24% das ofertas, ultrapassando o segmento cervejeiro.

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Entrevista: “O mercado estava adormecido; nós apenas o despertamos”, diz fundador da Baden Baden

Em 1999, o Brasil enfrentava uma crise econômica aguda. Com o fim da banda cambial, o dólar disparou e inviabilizou a importação de cervejas que, até então, eram a aposta de uma pequena importadora e distribuidora comandada pelos sócios Alberto Ferreira e Aldo Bergamasco. O que parecia ser o fim do negócio, porém, tornou-se o gatilho para uma revolução no paladar brasileiro.

Pressionados por clientes fiéis — entre eles o Grupo Pão de Açúcar e o icônico restaurante Baden Baden, em Campos do Jordão — os sócios se viram diante de um dilema: fechar as portas ou produzir no Brasil. Durante um almoço num dia gelado na Serra da Mantiqueira, após o Vasco (José Vasconcelos), dono do restaurante, lançar a provocação: “Por que ninguém faz uma cerveja dessa aqui?”, a história mudou. Ao lado de Marcelo Moss, que possuía equipamentos de brassagem, o grupo deu início a uma das jornadas mais emblemáticas do empreendedorismo nacional: a fundação da Baden Baden, a marca que desbravou o até então inexistente mercado de cervejas artesanais brasileiras.

Um dos fundadores da Baden Baden, Alberto Ferreira esteve presente na press-trip para a cervejaria Baden Baden em Campos do Jordão e falou aos convidados (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja / Foto editada com auxílio de IA)
Um dos fundadores da Baden Baden, Alberto Ferreira esteve presente na press-trip para a cervejaria Baden Baden em Campos do Jordão e falou aos convidados (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja / Foto editada com auxílio de IA)

Em meio a uma press-trip para Campos do Jordão esta semana, Alberto Ferreira, um dos fundadores, concedeu uma entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja. E detalha como a união de quatro amigos e a audácia de vender cervejas diferentes com rótulos pretos e dourados em um mercado acostumado à Pilsen em embalagens azuis e brancas ajudaram a transformar a cultura cervejeira no país.

Como vocês combinaram perfis tão distintos — distribuidores, restaurateur e cervejeiro — para criar um negócio do zero?

Foi uma combinação perfeita, quase uma “nitroglicerina pura”. Tínhamos eu e o Aldo, com a experiência de mercado da nossa distribuidora; o Vasco, com a visão de um restaurante que já era ícone em Campos do Jordão; e o Marcelo Moss, que era um apaixonado pelas cervejas britânicas e tinha a cozinha de fabricação. Cada um contribuiu com seu perfil. O Marcelo, que ele mesmo dizia não ser mestre cervejeiro, mas um “fazedor de cerveja”, permitiu que a coisa acontecesse. Pouco tempo depois, o destino colocou no nosso caminho Carlos Hauser, mestre cervejeiro com passagem pela Antarctica, que nos ajudou a elevar a qualidade técnica.

Vocês entraram num mercado que, para o brasileiro, praticamente não existia. Como foi o trabalho de “evangelização” do paladar?

O jogo da distribuição na época era muito pesado e dominado pelas gigantes. Nós decidimos fazer assim mesmo. O brasileiro estava acostumado com cerveja clara, leve, barata e rótulos azuis ou brancos. Nós lançamos uma cerveja amarga, escura, cara e com rótulo preto e dourado. Como não havia redes sociais, criávamos folders explicativos e distribuíamos nos pontos de venda para ensinar as famílias o que era Lager, o que era Ale e por que provar aquilo. Uma vez que o consumidor experimentava uma craft, ele não queria mais voltar para as Pilsens convencionais. O mercado estava adormecido; nós apenas o despertamos.

A Baden Baden é reconhecida como uma das grandes precursoras do mercado de cervejas artesanais. O que tornava os produtos de vocês tão disruptivos naquele momento?

A Red Ale, a Stout e a Golden — que vinha com canela, algo fantástico — eram diferentes de tudo. A Red Ale, por exemplo, tecnicamente é uma Barley Wine, com quase 10% de álcool; as pessoas nem acreditavam que aquilo era cerveja. Nós quebrávamos regras o tempo todo. As grandes cervejarias só vendiam Bock no inverno, então nós lançamos Bock em janeiro. Quer tomar Bock no calor? Toma Bock. Essa ousadia de inovar, aliada à distribuição seletiva em clusters sofisticados de São Paulo, permitiu que a marca decolasse.

E por que Campos do Jordão? 

O restaurante do Vasco já era em Campos do Jordão. A cidade, conhecida como a “Suíça brasileira”, comportava coisas mais sofisticadas. Naquela época, ela era ainda mais exclusiva do que é hoje. Então, ter uma cerveja brasileira custando 3 dólares em Campos do Jordão era algo que funcionava de forma muito natural.

Você considera que a Baden Baden abriu, de certa forma, as portas para o mercado de cerveja artesanal de hoje?

Os fundadores da cervejaria na primeira produção. Da esquerda para direita: Vasco, Alberto Ferreira, Marcelo Moss e Aldo Bergamasco (Crédito: Reprodução / Arquivo pessoal)
Os fundadores da cervejaria na primeira produção. Da esquerda para direita: Vasco, Alberto Ferreira, Marcelo Moss e Aldo Bergamasco (Crédito: Reprodução / Arquivo pessoal)

Olha, sem nenhuma arrogância, de verdade, mas com muito orgulho: a Baden foi a pioneira. Ela que abriu esse mercado. Nós fomos desenvolvendo esse paladar no consumidor. Fomos a primeira cervejaria a produzir cervejas artesanais, envasar e distribuir nacionalmente. Começamos em Campos do Jordão, fomos descendo a serra devagarzinho para São Paulo e depois as garrafas nos permitiram ir para o Brasil inteiro.

A burocracia e a falta de infraestrutura foram os maiores obstáculos?

Eu costumo dizer que tínhamos uma “catedral” na mente: construir o melhor segmento de cervejas do Brasil. Isso nos dava ânimo, porque quebrar pedra era o nosso dia a dia. Tudo era importado: lúpulo, malte… O Ministério da Agricultura barrava os insumos porque nunca tinha visto aquilo e não sabia classificar o produto. Não existiam equipamentos adequados; nossa envasadora era adaptada de uma máquina argentina de processo seco e perdia 12% do líquido! Mas nascemos com o propósito de envasar e distribuir nacionalmente, algo que as microcervejarias da época não faziam.

Após anos de construção, a venda para grandes grupos. Como você vê hoje esse processo e o papel da Heineken?

Vendemos porque, na realidade, éramos quatro amigos amantes da cerveja, mas endividados como pessoas físicas. Não tínhamos financiamento, era tudo no cheque especial. Cheguei a usar meu cartão de crédito pessoal para comprar lúpulo. Em sete anos, eu nunca tinha tirado um centavo, só coloquei dinheiro. Olho para a Baden hoje como aquela história de interior: uma família humilde que tem um filho brilhante e o deixa ir para a cidade para estudar. Ele vira um grande médico, mas continua sendo seu filho. 

Prato do primeiro evento de gastronomia de realizado pela cervejaria (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja / Imagem editada com auxílio de IA)
Prato do primeiro evento de gastronomia de realizado pela cervejaria (Crédito: Marcelo Tárraga / Guia da Cerveja / Imagem editada com auxílio de IA)

A marca passou pela Schincariol em 2007, depois pela Brasil Kirin em 2011 e, em 2017, a Heineken comprou. Eu tenho muito a agradecer à Heineken. É muito difícil para uma gigante manter a inovação e cuidar tão bem de um “diamante” pequenininho como a Baden Baden. 

Nós fomos inovadores desde o início. Desmistificamos que a cerveja escura é encorpada, que fermenta no estômago e é ruim. A Heineken mantém esse DNA de inovação vivo. Tenho muito orgulho de ter sido uma das pessoas que construíram essa marca e esse mercado no Brasil.

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A reportagem viajou a convite da Baden Baden. Entrevista de Marcelo Tárraga com texto e edição de Luís Celso Jr.

Ambev: cerveja premium e Copa do Mundo elevam lucro em 23% no 2º trimestre

A Ambev divulgou nesta quinta-feira (30) o balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 com números bastante positivos. Impulsionada pelo avanço na venda de cerveja premium e pela forte demanda gerada pelas ativações da Copa do Mundo, além da tendência do segmento wellness, a gigante das bebidas registrou um lucro líquido ajustado de R$ 3,49 bilhões entre abril e junho — uma alta expressiva de 23,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para além dos números, os resultados trazem sinais claros: o consumidor brasileiro está consumindo rótulos de maior valor agregado, buscando opções com menor teor calórico e utilizando canais digitais de conveniência para abastecer a geladeira.

Balanço da Ambev

O crescimento do lucro líquido foi resultado de aumento nos volumes e melhoria das margens. 

O volume vendido, um dos pontos mais delicados dos últimos balanços, melhorou levemente, mantendo-se em faixa de estabilidade. A Ambev vendeu 39,7 milhões de hectolitros no mundo, uma alta de 1,4% no consolidado. 

O Brasil foi a principal área de crescimento da Ambev (o país responde por 61% do EBITDA). Por aqui, a divisão de cerveja cresceu 5%, superando o ritmo de vendas da média da indústria nacional.

Esse aumento no volume e a capacidade de vender produtos mais caros, como as cervejas premium, levaram a uma receita líquida de R$ 20,15 bilhões. O número mostra um aumento orgânico de 6,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o EBITDA ajustado — que na prática mede o quanto o negócio principal da Ambev rendeu antes das contas financeiras e impostos — foi de R$ 6,37 bilhões, um crescimento orgânico de 8,9%. A margem EBITDA foi de 31,6%, ou seja, de cada R$ 100 que entraram de receita líquida, sobraram R$ 31,60 de lucro operacional. Uma expansão de 80 pontos-base (0,8 ponto percentual), que  indica que a empresa conseguiu segurar custos e lucrar mais por litro vendido.

Aceleração da cerveja premium e escolhas equilibradas

O movimento de premiumização continua sendo a principal alavanca de rentabilidade da companhia. Os volumes das marcas do segmento de cerveja premium cresceram na casa dos 10% altos (próximo a 18-19%, segundo o relatório).

Paralelamente, a categoria balanced choices (cervejas de baixa caloria, low carb e sem álcool) dobrou de volume no Brasil (mais de 250%). O grande destaque do período foi a Michelob Ultra, marca que mais do que triplicou suas vendas (crescimento de mais de 200%) em solo brasileiro no trimestre. Já a Stella Pure Gold teve aumento de 180% e as cervejas zero álcool, como Corona Cero, Budweiser Zero, Brahma 0,0% e a Skol Zero Zero, cresceram 30%.

O portfólio Wellness já representa aproximadamente 7% do volume total de cervejas vendidas no Zé Delivery. Durante o primeiro mês da Copa do Mundo, ações de experimentação no aplicativo levaram a Michelob Ultra a mais de 150 mil novos consumidores pelo Brasil.

Ou seja, a busca por rótulos associados ao bem-estar e ao estilo de vida ativo deixou de ser nicho e virou motor de volume na Ambev.

A empresa também sinalizou novos passos em inovação funcional ao citar o lançamento da Spaten Pro. Trata-se de uma cerveja Munich Dunkel sem álcool reforçada com 10 gramas de proteína. A novidade deve chegar ao mercado a partir do final de agosto de 2026 com distribuição inicial focada nos estados de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), além da cobertura digital via Zé Delivery.

Efeito Copa do Mundo

O calendário esportivo do trimestre foi decisivo. As ações de marketing e ativações de marcas voltadas para a Copa do Mundo ajudaram a impulsionar o consumo e criar momentos incrementais de venda no comércio e nos bares.

O Mundial teve início em 11 de junho e finalizou em 19 de julho, o que mostra que os reflexos ainda poderão ser sentidos nos próximos relatórios. No entanto, com menos intensidade, já que a Seleção Brasileira foi eliminada no jogo contra a Noruega no dia 5 de julho.

O aumento nos investimentos em vendas e promoção fez com que as despesas operacionais (SG&A) subissem 10,7% no trimestre. Contudo, o retorno em volume de vendas compensou o investimento mais pesado.

A força do Zé Delivery e do BEES

A transformação digital da Ambev atua hoje diretamente na ponta de venda. A plataforma de entregas Zé Delivery teve crescimento de 16% no valor transacionado (GMV) e 6% na base de usuários ativos. Nos dias de jogos da Seleção Brasileira, o volume de pedidos no aplicativo mais do que dobrou em relação aos dias normais. O app funcionou ainda como canal de experimentação: mais de 250 mil consumidores provaram a Michelob Ultra por meio de ações no Zé.

Já o BEES, plataforma pela qual donos de bares e restaurantes fazem seus pedidos, registrou alta de 58% no faturamento do seu marketplace de terceiros, garantindo eficiência na distribuição e garantindo que os rótulos de cerveja premium chegassem com agilidade ao ponto de venda.

Custo sob controle e alívio financeiro

Do ponto de vista fabril, o custo de produção por hectolitro (CPV/hl) subiu 2,2% no trimestre. O avanço foi contido por iniciativas de produtividade nas cervejarias, que ajudaram a anular parte das pressões nos preços de insumos industriais e do câmbio.

Outro fator determinante para o lucro saltar 23% foi a melhora no resultado financeiro. A Ambev reduziu significativamente suas perdas com proteções cambiais e derivativos no comparativo com o segundo trimestre de 2025. Isso aliviou a linha de despesas e permitiu que o lucro líquido crescesse em ritmo muito superior ao da receita.

8 experiências imperdíveis de cerveja artesanal em Brasília

A cena da cerveja artesanal em Brasília é bastante diversificada. Em cada uma das minhas (infelizmente) poucas visitas à capital federal, conheci lugares completamente diferentes, traçando um verdadeiro mosaico de experiências que serve a todos os gostos. E se tudo o que você sabe sobre a cidade é que se trata do centro do poder político, está na hora de rever seus conceitos. Ela é também um grande polo turístico, um prato (ou copo) cheio para um roteiro cervejeiro e cultural.

Cerveja artesanal em Brasília

O ano de 2025 consolidou a capital federal como um dos destinos mais efervescentes do país, atraindo milhões de visitantes impulsionados por grandes shows internacionais, uma sólida agenda de eventos e negócios, turismo ecológico e o tradicional circuito arquitetônico e cívico. Somente de estrangeiros, foram 111 mil visitantes, segundo a Secretaria de Turismo do Distrito Federal. Um crescimento superior a 60% em relação a 2024, de acordo com dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).

Mas além do Plano Piloto, dos monumentos de Niemeyer e dos grandes complexos de eventos, a cidade vem conquistando também pela sua cena gastronômica e cervejeira. Para quem está visitando a capital — seja a trabalho ou a lazer —, nada melhor do que fazer uma pausa no roteiro para explorar a produção local. 

Para você que quer praticar o verdadeiro turismo da cerveja artesanal em Brasília, o Guia da Cerveja elaborou uma lista de oito paradas obrigatórias para incluir na sua programação pela cidade e arredores.

Cervejaria Madstein: vivencie o brewpub 

Se a sua ideia de viagem inclui conhecer os bastidores da gastronomia local, a Cervejaria Madstein é um excelente ponto de partida. Localizado no Núcleo Bandeirante desde 2019, o espaço opera no formato de brewpub — conceito em que o bar de degustação fica no mesmo ambiente onde a bebida é produzida.

É a escolha perfeita para tomar um chope fresco a poucos metros dos tanques de fermentação. A decoração é no melhor estilo industrial e o balcão é super convidativo para bater um papo com a equipe da casa, entender o processo de fabricação e descobrir as novidades engatadas nas torneiras.

Onde fica: Quadra 01, Conjunto B, Lote 13 — Setor de Indústria Bernardo Sayão (Núcleo Bandeirante)

Cruls Cervejaria: cervejas premiadas

A Cruls é uma parada indispensável para quem busca qualidade. Adoro as cervejas deles. Colecionando medalhas em concursos nacionais, a marca oferece duas alternativas ótimas para o perfil do viajante: a fábrica e os botecos.

Se você curte turismo de experiência e quer ver de perto o maquinário, a fábrica principal em Santa Maria oferece visitas guiadas mediante agendamento prévio no site oficial. Mas se a sua agenda estiver apertada entre um compromisso e outro, vale esticar até um dos dois tap rooms da marca na Asa Norte e na Asa Sul. São botecos modernos e descontraídos, com foco nas cervejas, mas que também têm sanduíches e petiscos para matar a fome.

Onde fica:

TETA Cheese Bar: bebida e gastronomia

Localizado na Asa Sul, o TETA Cheese Bar é uma parada quase obrigatória para quem gosta de comer bem. O espaço une duas grandes paixões nacionais em um conceito criativo e premiado: queijos artesanais brasileiros e bebidas de alta qualidade. É um dos lugares mais diferentes em que já bebi boas cervejas.

O bar conta com uma curadoria rigorosa que reúne dezenas de variedades de queijos de pequenos produtores e uma seleção impecável de bebidas, incluindo produções autorais da casa. É o local ideal para um happy hour, onde você pode pedir uma tábua personalizada e explorar harmonizações surpreendentes orientadas pela equipe.

Onde fica: CLS 103, Bloco B, Loja 34 — Asa Sul

Corina Cervejas Artesanais: espírito candango

Para quem deseja sentir a vibe cultural de Brasília, o galpão da Corina, na Asa Norte, é o endereço certo. Pioneira na cerveja artesanal em Brasília, a marca é famosa pelo seu tom bem-humorado e pelo ambiente democrático que atrai tanto moradores quanto turistas. Está na minha memória como um dos primeiros lugares que visitei na cidade há muitos anos.

O espaço funciona como um tap room de marca cigana (que não tem fábrica própria e produz em instalações parceiras). Com cerca de uma dúzia de torneiras, você pode encontrar produtos diversos, inclusive alguns com identidade local — como a Fiapo, uma American IPA com manga local. O local costuma também receber eventos, feiras e apresentações. Uma excelente opção para fechar um dia de passeios.

Onde fica: SOFN, Quadra 1, Conjunto B, Lote 11 — Asa Norte

Hop Capital Beer: estilo norte-americano

Se impressionar com a arquitetura e a escala de Brasília faz parte da viagem. E a Hop Capital Beer segue a mesma lógica. Instalada em um galpão imponente de mais de 10 mil metros quadrados no SIA (Setor de Indústria e Abastecimento), a casa recria a atmosfera e a estética das grandes cervejarias da Costa Oeste dos Estados Unidos.

Inaugurado em 2018, o espaço tem capacidade para centenas de pessoas, agenda constante de shows ao vivo e dezenas de torneiras servindo chope direto da fonte (também é um brewpub). Aproveite também a cozinha com carnes suculentas, petiscos e hambúrgueres.

A cervejaria também foi eleita a melhor cervejaria do Centro-Oeste no Concurso de Cervejas de Blumenau (SC) em 2023 e 2024. E se destacou com 12 prêmios na etapa regional da Copa Cerveja Brasil em 2025. É uma das experiências mais completas da cerveja artesanal em Brasília. Ótima para quem deseja alinhar boa música, gastronomia e cervejas de alta qualidade.

Onde fica: SIA, Trecho 17 — DF

Cambuí Cervejaria: boteco e cerveja artesanal

A casa da Cambuí é um boteco. E esse é seu maior charme. Trazer a cerveja artesanal para esse patrimônio cultural brasileiro, o botequim, é cercar a bebida da informalidade e descontração desses espaços. Mas não se engane: a qualidade das cervejas e comidinhas é fantástica.

Uma das minhas descobertas mais recentes, a Cambuí Cervejaria fica aberta para a rua, com balcão amplo e mesas de plástico na calçada, com atendimento super cordial e simpático. É ideal para relaxar e reunir amigos após um dia intenso de turismo ou compromissos de trabalho pela capital.

Nas bebidas, se destaca pela dedicação em criar misturas autorais que valorizam a produção artesanal e a identidade regional, seja nos coquetéis ou nas cervejas. Os chopes são rotativos, frescos e muito saborosos — não deixe de provar a Saison, eleita a melhor do Brasil em 2023 pela Copa Cervejas Brasil.

Onde fica: CLN 216, BL A, Lj 04 – Asa Norte

Quatro Poderes: a capital no copo

Inspirada na icônica arquitetura e no simbolismo da capital federal, a cervejaria Quatro Poderes une a identidade brasiliense ao copo. São produtos saborosos, criativos e que exploram ingredientes regionais — experimente a Saison Cagaita. A fábrica fica próxima ao Jardim Botânico (Lago Sul) e conta com taproom para visitar em horário comercial, que funciona principalmente para degustação e retiradas nos dias regulares. Mas a marca realiza diversos eventos que são uma ótima oportunidade para conhecer o local. Fique de olho na agenda. 

Onde fica: ADE – Conjunto 10, 26 – Bonsucesso (São Sebastião)

London Street Pub: tradição britânica no Planalto Central

Para quem deseja dar uma pausa nos passeios tradicionais e mergulhar em uma atmosfera internacional, o London Street Pub é o destino ideal. O espaço recria o clima clássico dos pubs britânicos, combinando iluminação aconchegante, boa música e uma seleção impecável que vai dos rótulos importados aos chopes artesanais locais. Conheci o lugar há muitos anos e é perfeito para um happy hour animado, desfrutando de aperitivos caprichados e uma experiência de bar imersiva no coração do Plano Piloto.

Onde fica: CLN 214, Lj 23-25 – Asa Norte

E qual é a sua dica cervejeira para visitar em Brasília? Deixe nos comentários abaixo!

Cerveja preta no pós-treino: entenda por que o estilo Munich Dunkel foi escolhido para a Spaten Pro

A Spaten Pro acaba de estrear no mercado brasileiro como a primeira cerveja proteica do portfólio global da AB InBev. Com zero álcool e 10 gramas de proteína por lata (75% whey protein e 25% colágeno), esta cerveja preta sem álcool aposta na funcionalidade voltada ao bem-estar. O diferencial técnico, porém, foge ao padrão das bebidas esportivas: para equilibrar os insumos, a marca resgatou o estilo alemão Munich Dunkel. Um tipo de cerveja que participa da história da própria cervejaria Spaten. O início das vendas foi adiantado para 22 de agosto.

Segundo Daniel Waks, vice-presidente de marketing da Ambev, a escolha não foi arbitrária. Em entrevista à Exame, ele explicou que a Munich Dunkel foi a vencedora de uma bateria de testes: “Queríamos fazer uma cerveja de altíssima qualidade. Entre todos os protótipos, foi o estilo que melhor preservou a combinação entre proteína e sabor”.

Waks ressalta que a escolha do estilo também tem um caráter educativo. “É uma oportunidade de falar sobre cerveja, mostrar a diversidade de estilos e resgatar um pouco dessa cultura”, afirma. Para entender o que o consumidor encontrará na lata, é preciso olhar para dentro da cerveja e para a própria característica do estilo Munich Dunkel.

Proteína numa cerveja preta sem álcool

O desenvolvimento de uma cerveja proteica sem álcool e de baixa caloria apresentou um desafio físico-químico: proteínas hidrolisadas podem deixar sabores residuais metálicos, lácteos ou adstringentes no final. Após cinco anos de pesquisa e cem protótipos, a equipe do Centro de Inovação e Tecnologia (CIT) da Ambev concluiu que as bases de cervejas claras não suportavam essa carga de insumos.

A solução veio da complexidade dos maltes tostados da Munich Dunkel. Notas naturais de cacau e biscoito do estilo atuam como um amortecedor para o paladar, enquanto o corpo aveludado preenche a sensação de boca. Para o mestre-cervejeiro Lucas Fachine Dato, o segredo esteve na fermentação: “Colocar proteína na cerveja não é fácil”, disse. “Nós não queríamos algo com ‘sabor de cerveja’, mas sim uma cerveja de fato”, completa.

O perfil do estilo Munich Dunkel

O termo Dunkel significa “escuro” em alemão. Antes da ascensão das cervejas claras modernas, como a Pilsen e a Munich Helles, este era o padrão do dia a dia na Baviera. O estilo é definido pelo protagonismo do malte, entregando complexidade sem o peso de uma Imperial Stout. O uso de malte Munich traz notas de casca de pão e biscoito, com toques de chocolate provenientes de pequenas porcentagens de maltes torrados.

Historicamente, as raízes do estilo são muito antigas e estão nas cervejas escuras comuns na região antes da popularização das técnicas modernas de secagem de malte. A versão moderna do estilo acaba se consolidando após o uso de leveduras de baixa fermentação (Lager), que se iniciou entre os séculos 15 e 16, e o desenvolvimento do malte Munich em meados de 1830 pela própria Spaten.

Embora escura, a Dunkel não deve ser confundida com estilos britânicos como Porters ou Stouts. A principal diferença desta cerveja escura alemã está na fermentação: a Dunkel é uma Lager (fermentada em temperaturas mais frias), enquanto as inglesas são Ales (mais próximas da temperatura ambiente). Além disso, a Dunkel usa maltes torrados apenas para nuances de chocolate, enquanto o DNA das Stouts está na torra intensa e acentuada, que remete ao café.

Antecipação do início das vendas

Nesta sexta-feira (21 de agosto), a Ambev comunicou que vai antecipar o cronograma de lançamento, que previa a chegada da Spaten Pro em setembro. O começo da comercialização agora será neste sábado (22 de agosto) pelo aplicativo Zé Delivery nas cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) por R$ 12,90 a lata de 350 ml. A distribuição atinge plataformas de comércio eletrônico em todo o país na semana seguinte. A produção da bebida ocorre na fábrica da cervejaria em Ribeirão Preto (SP).

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Cerveja sem álcool vai dobrar de tamanho no mundo até 2033, prevê IWSR

Que a cerveja sem álcool anda em alta, todos sabemos. Resta apenas entender se é uma moda passageira e que tamanho pode atingir. Para a primeira questão, não há resposta ainda. Mas a segunda já conta com dados. Um novo relatório da IWSR, uma das principais referências de mercado no setor, aponta que a categoria deve dobrar sua participação no consumo mundial nos próximos anos.

A projeção mostra a bebida saltando de 2% para 4% do volume total consumido globalmente até 2033. Mais do que uma escolha sazonal ou restritiva, o dado consolida o segmento como um pilar estratégico da indústria. No último balanço anual, o setor cresceu 8% em volume global, consolidando-se como a segunda maior subcategoria cervejeira no mundo.

Para a IWSR, essa aceleração é uma das principais frentes de atração de novos públicos. O avanço é impulsionado pelo que a pesquisa chamou de “mindful drinking”: na prática, o consumidor quer preservar o ritual da cerveja e a qualidade sensorial, mas sem o impacto do álcool — encaixando o brinde na rotina de treinos ou mesmo durante o expediente.

Essa mudança abre portas para estilos artesanais (indo muito além das Lagers convencionais) e consolida o produto na faixa premium, já que o público demonstra disposição crescente em pagar por qualidade técnica e sabor.

Cerveja sem álcool no Brasil

Essa dinâmica já tem reflexos aqui no mercado brasileiro. Embora o detalhamento por países da IWSR na América Latina tenha destacado um forte crescimento em volume para mercados como Colômbia e México, o Brasil se alinha à tese global ao registrar uma expansão acelerada do portfólio não alcoólico. O país deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026, segundo o Euromonitor, e já é o segundo maior produtor de cerveja sem álcool do mundo.

A busca por rótulos zero e por alternativas de menor teor alcoólico tem motivado grandes cervejarias e marcas artesanais no país a investirem em inovação, tecnologia de desalcoolização e lançamentos de receitas cada vez mais complexas para atender ao bebedor nacional.

Premium e migração do eixo do consumo

A pesquisa, que trata de bebidas em geral, também traz outros insights interessantes sobre a cerveja. O volume geral caiu 2% no último ano, parte de uma retração global de 500 milhões de caixas no mercado de bebidas. Na contramão, a categoria “Premium & Above” — que reúne rótulos de maior valor agregado e artesanais — avançou 1%. Uma troca de volume por valor: o consumidor prefere investir em qualidade e procedência, o que chancelou o mantra de “beber menos, mas beber melhor”.

O panorama global também desenha uma mudança clara na distribuição do consumo pelo mapa mundial. Enquanto mercados maduros e tradicionais projetam quedas nas doses consumidas ao longo da próxima década — com retrações previstas de 18% nos Estados Unidos, 14% na Alemanha e 13% no Reino Unido até 2035 —, a rota de crescimento do setor migrou para economias emergentes.

Países como Vietnã (com projeção de alta de 15%), México (+13%), Colômbia (+26%) e Índia (+38%) despontam como os grandes motores da indústria nos próximos anos. A Índia, inclusive, deve ultrapassar os EUA até 2032. Assim, se tornaraia o segundo maior mercado de bebidas do planeta, atrás apenas da China, prevê o IWSR.

Entre Stouts e RTDs

Na esteira da busca por sabores mais intensos, as Stouts roubaram a cena na pesquisa. As cervejas escuras cresceram 4% em volume global no último ano no mundo. O salto reflete tanto o desejo do público por perfis sensoriais complexos quanto o peso de marcas históricas que dominam o segmento, dizem os analistas.

O avanço dos drinques prontos em lata, conhecidos como RTDs, consolidou uma transformação no comportamento do consumidor jovem, que busca praticidade e variedade de sabores. A categoria atingiu pela primeira vez a marca de 1 bilhão de caixas de nove litros consumidas globalmente. O destaque vai para os coquetéis em lata, que saltaram 14% em volume no último ano.

Essa concorrência direta no consumo social exige do setor cervejeiro maior flexibilidade e reforça o posicionamento da cerveja sem álcool e dos rótulos especiais como produtos focados em experiência.

A cerveja até 2035

A IWSR aponta que o mercado global não caminha para o fim do consumo, mas para um profundo reequilíbrio estrutural. A projeção prevê uma queda no volume global de bebidas alcoólicas até 2031. Porém, seguida por uma recuperação gradativa: em 2035, o consumo deve ficar apenas 1% abaixo do patamar de 2025.

Esse ajuste será puxado pela expansão de mercados emergentes e por um aumento de 9% na população mundial em idade legal para beber nos próximos dez anos. Marten Lodewijks, presidente da IWSR, disse que 2035 será um jogo diferente em entrevista ao site The Drinks Business. O sucesso das marcas deixará de ser apenas sobre escala. E dependerá agora da habilidade das cervejarias em entregar a funcionalidade, a diversidade de estilos e a experiência sensorial que o novo consumidor exige.