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Cerveja de mulher não existe; cerveja não tem gênero

Fui ao supermercado comprar uma cerveja e uns ingredientes para fazer uma harmonização para a Páscoa e deixar de dica para você, caro leitor e leitora. Contudo, fui atravessada por uma fala altamente machista: “cerveja de mulher”. E isso em pleno mês de março, época do ano que intensifica a luta pela vida das mulheres. Tomada por uma raiva súbita, devolvi ao interlocutor que sequer eu conhecia a informação de que ele precisava para despatriarcar o pensamento.

“Cerveja de mulher”

Tudo começou quando um senhor me abordou ao ver um rótulo de uma cerveja artesanal em minhas mãos e emitiu uma opinião que eu não havia solicitado: “Essa cerveja é forte. Mulher toma cerveja fraca”.

Expliquei a ele, de forma bem tranquila e didática, que a cerveja não tem gênero, que é uma bebida com muitos sabores, alguns com poucas e outros com bastante complexidade, e todos têm o seu valor. Que há cervejas cujo teor alcoólico é mais suave, outras mais intensas. E que eu gosto desde aquelas zero álcool até as que têm seus robustos 11% de teor alcoólico, por exemplo. E eu sou uma mulher.

Ele tentou contra-argumentar dizendo que sua namorada gostava de cerveja fraca. Pontuei que não existem cervejas fracas. Mas sim estilos com teor alcoólico não tão elevado, como German Pils e Witbiers, por exemplo. Há estilos de que gosto muito, de teor alcoólico na casa dos 10%, como Belgian Quadrupel. Uma das minhas preferidas é La Trappe, uma cerveja trapista que se encaixa nessa faixa e é um verdadeiro deleite.

Demonstrei brevemente que nem todas as mulheres gostam de cervejas menos intensas. E se algumas gostam, essa não deve ser a régua definidora do que é cerveja de mulher. Até porque cerveja é cerveja, e ponto.

Ainda, pontuei que a cerveja tem a sua origem no continente africano e que foram as mulheres que começaram a produzi-las. Logo, qualquer cerveja é cerveja de mulher. E cerveja é de quem gosta de degustar uma excelente bebida.

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Hoje não tem harmonização

No fim, acabei voltando para casa sem a cerveja e sem os ingredientes para executar o pareamento. Sendo assim, deixarei para vocês, meus caros e minhas caras, a escolha da harmonização. Espero na próxima coluna, em maio, trazer um prato bem saboroso e uma cerveja bem incrível para vocês executarem para suas mães.

Em tempo: homens, conversem com seus amigos e combatam o machismo, a misoginia, que ainda insiste em contaminar todos os ambientes.

Para aquelas pessoas que continuam com um pensamento arcaico, é bom lembrar que não importa o estilo. A cerveja foi feita para todos os paladares. Cerveja é de quem quiser degustar.


Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Ambev leva Flying Fish para o Lollapalooza Brasil 2026

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A Ambev escolheu o Lollapalooza Brasil 2026, que começou na sexta (20) e vai até domingo (22) no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), como plataforma estratégica para ampliar a distribuição da Flying Fish. A bebida pertence ao portfólio Beyond Beer e consiste em uma cerveja de baixo amargor, saborizada com limão siciliano, com graduação alcoólica de 4,5%.

A estratégia de expansão da Flying Fish em São Paulo inclui a presença da marca desde o trajeto até o interior do evento. O público poderá realizar experimentações em estações de metrô e no ponto de encontro oficial na Vila Buarque, onde haverá distribuição da bebida e brindes. Dentro do autódromo, a Flying Fish contará com um palco proprietário dedicado a talentos emergentes e o espaço imersivo “Stunt Piscina”, focado em DJs e cenários para redes sociais.

Além da novidade cítrica, a Ambev reforça sua conexão histórica com a música por meio da oitava participação da Budweiser no Lollapalooza Brasil. A marca ocupará uma área de 750 metros quadrados com a “Bud Mixtape Factory”, cabines onde fãs podem gravar mensagens em minigravadores que resgatam a estética das fitas K7. A estrutura da fabricante também inclui a tradicional arquibancada com vista para o palco principal e o Palco Bud Zero, garantindo a oferta de versões com e sem álcool para o público.

Leia também neste Menu Degustação:

Iniciativa feminina Criado por Elas ganha edição em Campinas

A Ruera Cervejaria, em Campinas (SP), recebe o evento Criado por Elas no sábado (28), das 16h às 22h. A iniciativa reúne nove torneiras de chope de marcas comandadas por mulheres, como Japas, Dádiva e Duas Irmãs. A programação gratuita inclui feira de artesanato de empreendedoras locais e apresentações musicais da banda The Dolls e da DJ Caroliss. O encontro busca fortalecer a visibilidade feminina no mercado cervejeiro e no empreendedorismo regional. O estabelecimento fica na Rua Manoel Antunes Novo, 338, em Barão Geraldo.

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Joy Project Brewing celebra oito anos com festa

A cervejaria Joy Project Brewing promove evento gratuito em Curitiba (PR) para comemorar seu oitavo aniversário no sábado (21). A celebração Another Year, Another Dale (AYAD) ocorre no taproom do bairro Xaxim, a partir das 14h. A programação inclui shows das bandas Lady Die, Baile Brasa e Rivotrio, além de espaço kids. O destaque é o lançamento da cerveja AYAD 2026, uma Barrel Aged Imperial Stout com 12% de teor alcoólico. A fábrica fica na Avenida Linha Verde, 15847, no bairro Xaxim.

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Pão com bolinho ganha harmonização com cerveja

O pub Masc Beer participa pela primeira vez do Festival de Pão com Bolinho em Curitiba (PR), que vai até 12 de abril. A casa apresenta uma versão do lanche feita com blend de carnes bovinas e suínas em pão crocante. O prato acompanha três shots de cerveja artesanal nos estilos Pilsen, Dunkel e IPA para harmonização. A receita do bolinho é inspirada na culinária caseira da família dos proprietários. O estabelecimento fica na Rua Sete de Abril, 835, no Alto da XV, na capital paranaense. Mais informações sobre o festival no Curitiba Honesta.

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UNIFEI recebe workshop de produção de cerveja artesanal

O mestre cervejeiro Gustavo Franke Brixner realizou palestra e workshop prático na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI) na terça-feira (17). O encontro apresentou a história da bebida e fundamentos técnicos do processo produtivo para estudantes da instituição. A atividade incluiu uma brassagem ao vivo para demonstrar conceitos de química, microbiologia e engenharia de processos em aplicação real. A iniciativa visou aproximar a cultura cervejeira do ambiente acadêmico e estimular o desenvolvimento tecnológico no setor. Brixner é consultor técnico e juiz BJCP.

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Grupo Petrópolis participa da Super Rio Expofood

O Grupo Petrópolis patrocina a 36ª edição da Super Rio Expofood entre terça-feira (17) e quinta-feira (19) no Riocentro, Rio de Janeiro (RJ). A companhia apresenta o seu portfólio de bebidas em uma gôndola virtual e oferece degustações das cervejas Itaipava, Petra e Black Princess. A estratégia visa ampliar a presença da maior cervejaria de capital 100% nacional no setor varejista do estado. O evento reúne mais de 180 expositores e espera atrair mais de 78 mil visitantes ao Riocentro.

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Estudantes da UNIFAL-MG lança e-book sobre qualidade na cerveja artesanal

Estudantes da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) desenvolveram um e-book focado na Tecnologia da Produção de Cerveja Artesanal (baixe o e-book aqui). A obra reúne trabalhos da turma de 2022 do curso de especialização em Tecnologia e Qualidade em Produção de Alimentos da Faculdade de Nutrição. O conteúdo abrange desde princípios básicos de fabricação até análises técnicas de moagem, mosturação, fervura e pasteurização. O material enfatiza boas práticas de fabricação, segurança alimentar e padronização de processos. A publicação serve como ferramenta técnica para estudantes e profissionais da indústria cervejeira que buscam inovação e controle de qualidade.

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Lagunitas estreia loja no TikTok Shop com linha pet

A Lagunitas, marca de cerveja do Grupo Heineken, lançou sua loja oficial no TikTok Shop com foco em produtos para cães e tutores. A iniciativa integra a plataforma de comunicação Boa pra Cachorro e oferece itens exclusivos como bandanas, frisbees, coleiras e camisetas. A ação, idealizada pela Ogilvy Brasil, reforça o vínculo histórico da marca californiana com a comunidade de criadores de animais. Os produtos buscam traduzir o estilo de vida irreverente da marca para o ambiente digital.

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Stella Artois patrocina torneio LA Open em São Paulo

A Stella Artois, cerveja premium da Ambev, anunciou o patrocínio ao Latin American Open (LA Open), torneio da ATP que ocorre em São Paulo (SP). O evento marca a estreia da competição inédita no Brasil e conta com a participação de lendas como Andy Roddick e Fernando Meligeni. A marca utiliza o palco esportivo para promover a Stella Pure Gold, versão sem glúten desenvolvida localmente que já representa 30% das vendas da marca no país. A iniciativa consolida a presença da cervejaria nos principais circuitos de tênis mundial.

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St. Patrick’s Day anima Rua da Música em Curitiba

A celebração de St. Patrick’s Day ocorre na Rua da Música, no Parque Jaime Lerner, em Curitiba (PR), no sábado (21) e domingo (22). O evento temático oferece programação com música celta, rock e blues, além do tradicional chope verde e gastronomia típica. As atrações incluem Gaiteiros do Lume e o tributo U2 Irish Cover. Os ingressos custam R$ 30, com valor promocional de R$ 15 para moradores da capital paranaense. A organização incentiva o uso de trajes verdes e distribuirá brindes para o público caracterizado.

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Ambev abre 163 vagas para programa de estágio 2026

A Ambev está com inscrições abertas para o seu Programa de Estágio 2026, com foco na formação de novas lideranças para frentes de negócio e suprimentos. São oferecidas 163 vagas para estudantes de graduação de todo o Brasil, distribuídas entre as unidades de Business e Supply. O programa inclui mentoria, trilhas de desenvolvimento personalizadas e estímulo ao uso de inteligência artificial em desafios reais da companhia. Os interessados podem se inscrever até segunda-feira (13 de abril) por meio do site oficial da cervejaria.

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IFF lança tecnologia para estabilização de cerveja

A IFF anunciou o lançamento no Brasil da BCLEAR™, uma solução enzimática destinada à estabilização coloidal da cerveja. A tecnologia promete simplificar os processos produtivos ao reduzir a turbidez da bebida de forma mais eficiente que os métodos tradicionais. Segundo a empresa, o uso da enzima contribui para a redução do consumo de água e energia, além de viabilizar a produção de itens com baixo teor de glúten sem alterar o sabor. O produto visa atender à demanda por processos industriais mais sustentáveis e previsíveis.

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Casa Cosmos promove roda de conversa com Daniela Arrais

A livraria Casa Cosmos, na Vila Madalena, em São Paulo (SP), recebe a autora Daniela Arrais para um debate no domingo (29), das 10h30 às 12h30. O encontro tem como tema o livro Para todas as mulheres que não têm coragem e oferece apenas 20 vagas. A participação ocorre mediante aquisição de um kit de R$ 150, que inclui a obra e três bebidas da cervejaria Dádiva. O evento é aberto para crianças e contará com opções gastronômicas da Tonga Comedoria. A cervejaria Dádiva, parceira da ação, é liderada pela empresária Luiza Tolosa.

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Sebrae-SP oferece workshop sobre IA para alimentos e bebidas

O Sebrae-SP realiza o workshop gratuito “Presença digital e IA na prática: alimentos e bebidas em foco” na terça-feira (31), em São Paulo (SP). O evento ocorre na Faculdade Sebrae, no bairro Campos Elíseos, entre 14h e 18h. O encontro visa capacitar micro e pequenas empresas a utilizarem inteligência artificial e estratégias digitais para ampliar resultados comerciais. A iniciativa tem o apoio do Google e da Abrasel. As inscrições devem ser realizadas pela internet por meio do site da instituição.

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Pilotos antecipam retorno da MotoGP ao Brasil

Os pilotos Marc Márquez e Diogo Moreira participaram de encontro em São Paulo (SP) para promover o Grande Prêmio Estrella Galicia 0,0 do Brasil. A etapa marca a volta da categoria ao país após duas décadas e será realizada no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia (GO). Moreira, campeão da Moto2 em 2025, estreia na categoria principal correndo em casa. A Estrella Galicia, patrocinadora da etapa, reforça sua estratégia de investir no motociclismo nacional. A corrida será a segunda etapa do calendário oficial da temporada 2026.

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Produtividade do lúpulo no país atinge recorde, aponta Mapa do Lúpulo Brasileiro

O cultivo de lúpulo no Brasil conseguiu elevar a produtividade por hectare, atingindo novo recorde, apesar do leve recuo em área cultivada e no número de produtores. Os dados são do Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024, da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo) e foram divulgados com exclusividade para o Guia da Cerveja (confira o elatório completo aqui).

Para Daniel Leal, vice-presidente da Aprolúpulo, os números refletem uma dinâmica no setor que está amadurecendo. Ele explica que o leve recuo em área plantada e no número de produtores, aliado ao aumento da produtividade, reflete a dinâmica de saída de pioneiros com atuação isolada e pequeno volume de produção para a entrada de novos produtores com estruturas de campo maiores, além do ganho com a melhoria das técnicas de cultivo.

Eficiência em alta

De acordo com o Mapa do Lúpulo Brasileiro, a produtividade média nacional atingiu o recorde de 852,3 quilos por hectare em 2024. Trata-se de um crescimento robusto, de mais de 8%, em relação aos 787,1 quilos por hectare da safra de 2023. E que superou consideravelmente o índice de 450 quilos registrado em 2021.

Raio X da produção de lúpulo no Brasil
AnoN° produtores de lúpuloÁrea total cultivada (ha)Produtividade por hectare (kg/ha)
20216040450
20228148,5597
2023114111,8787,1
202410995,4852,3

Esse salto técnico de rendimento ocorreu mesmo com a redução do número de produtores, que passou de 114 para 109, e a diminuição da área total cultivada, que recuou de 111,8 hectares para 95,4 hectares no último ano. 

Como resultado prático dessa otimização, a produção total do país ficou em 81,3 toneladas. Essa queda no volume geral (-7,6%) em relação a 2023 foi proporcionalmente muito inferior à retração da área de plantio (-14,67%), o que evidencia que o setor manteve sua força produtiva graças ao aprimoramento do manejo agronômico e à consolidação de produtores mais estruturados e eficientes, segundo Leal.

Expansão do lúpulo brasileiro

Outro dado apontado no Mapa do Lúpulo indica que quase três a cada dez produtores expandiram a área plantada. E 90% planejava crescimento nos próximos anos.

Os dados relativos à produção de 2024 indicam que 27% haviam expandido a área. Em relação aos planos de expansão, 63% planejava expandir no futuro, sem prazo definido; 16% afirmou estar em processo de expansão, 11% queria expandir em 2025 e 10% não tinham planos de ampliar a área.

Mais aroma, menos amargor

Considerando as variedades cultivadas no Brasil, o Mapa do Lúpulo aponta que, em 2024, a produção se voltou a variedades que contribuem mais com o aroma do que com o amargor.

O cultivo brasileiro tem 146,8 mil plantas que acrescentam notas de aroma à produção cervejeira, contra 31 mil plantas que levam amargor à bebida. Ao todo, foram colhidos 61,5 kg no cultivo de aroma e 19,8 kg no amargor.

Segundo Leal, isso ocorre porque o aroma tem maior valor de mercado. A variedade Comet se destaca por ter um bom desempenho no campo, adaptando-se a quase todos os climas do país, sendo resistente a doenças e com boa produtividade, além do apelo no mercado de cerveja artesanal.

“Variedades de amargor têm melhor desempenho em produtividade, mas menor valor de mercado, o que as torna menos competitivas no atual nível de escala do mercado brasileiro”, afirma Leal.

No entanto, com o crescimento e ganho de escala, a tendência é uma migração para a produção de lúpulos de amargor, que são mais baratos de produzir por quilo devido à maior produtividade e têm uma demanda maior nas grandes cervejarias, explica Leal.

TipoVariedadePlantasTotal (kg/ano)
AromaComet62.93128.100
AromaCascade40.44118.294
AmargorHallertau Magnum13.4426.730
AmargorZeus9.6356.531
AromaSaaz19.0286.109
AromaChinook7.9005.566
AmargorNugget4.3804.022
AmargorColumbus3.6222.529
AromaTriumph2.909822
AromaHallertau Mittelfrueh1.678549
AromaTriple Pearl965411
AromaCentennial1.932358
AromaSorachi Ace1.250318
AromaAlpha Aroma2.568287
AromaCrystal1.267202
AromaVista2.262100
AromaHersbrucker10085
AromaNorthern Brewer16043
AromaSouthern Cross74441
AromaBrewers Gold7533
AromaYakima Gold6233
AromaMapuche15031
AromaFuggle6727
AromaEast Kent Goldings5024
AromaDr Rudi5022
AromaSpalt Spalter5019
AromaGolding1214
AromaPacific Gem3011
AromaSmooth Cone605
AromaTeamaker93

“Terroir” brasileiro

Com a evolução do setor, muito se fala no “terroir” brasileiro, ou seja, em características de sabor especificamente vinculadas ao Brasil. Com tantas plantas voltadas ao aroma, daria para dizer que estamos evoluindo para uma indústria consolidada?

Segundo aponta Leal, a discussão é complexa. Ele afirma que, embora o lúpulo brasileiro tenha características aromáticas intensas (frutas amarelas, cítricas), a produção se espalha por um território muito amplo, e o terroir está associado a condições climáticas e de solo extremamente regionalizadas. Ele defende que, para a indústria, o mais salutar é ter um volume de produção grande e significativo com um padrão que se repita ao longo dos anos a fim de estabilizar a oferta da produção nacional.

Atualmente, a produção de lúpulo brasileiro atende apenas de 2% a 3% da demanda interna e tem grande potencial de crescimento, desde que superados os gargalos de comercialização.

Metodologia

A elaboração do estudo é feita a partir de entrevistas e coletas de informação junto a produtores de todo o Brasil, sejam associados ou não à Aprolúpulo. Nesta edição, a associação contou com a parceria do laboratório Casulo, vinculado à COPPE/UFRJ, implementando aprimoramentos metodológicos fundamentais. 

Daniel Leal destaca mudanças metodológicas para alinhar a coleta de dados ao mercado internacional. Se antes a coleta mostrava a produtividade por planta, agora ela é medida por hectare. Entraram também dados por variedade e número de safras.

Com uma base produtiva atualmente mais enxuta e qualificada, a expectativa da Aprolúpulo para os próximos anos é de que o lúpulo brasileiro consolide rotas de desenvolvimento apoiadas na maior integração técnica, apontando para a retomada do crescimento em volumes guiada pelas exigências de constância e eficiência do mercado cervejeiro.

Confira o relatório completo

Projeto do Imposto Seletivo deve seguir com urgência ou via Medida Provisória; entenda os próximos passos

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Com urgência ou via Medida Provisória (MP). Essas são as opções que o executivo está avaliando para enviar o projeto de lei que definirá as alíquotas do Imposto Seletivo para o Congresso, segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Cada caminho tem suas particularidades, mas ambos apontam para uma tramitação acelerada do tema, dado o prazo curto e a grande quantidade de recessos no ano por conta de feriados, eleições e Copa do Mundo. Tudo isso pode prejudicar as possibilidades do setor cervejeiro participar das discussões.

Para entender o rito do Legislativo para cada opção, o Guia da Cerveja consultou o contador e advogado tributarista Marcos Moraes, atual diretor tributário da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Articulação no Congresso

De acordo com matéria publicada pelo Valor Econômico, Motta disse que houve uma reunião recente com representantes do Ministério da Fazenda para tratar do assunto. A revelação aconteceu em um encontro com parlamentares da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE) e representantes do setor produtivo na terça-feira (17).

“Estão na mesa duas possibilidades: o envio de um projeto de lei com urgência, definindo as alíquotas dos setores incluídos no Imposto Seletivo. Ou a edição de uma Medida Provisória, prevista para o fim do primeiro semestre ou início do segundo, permitindo que a deliberação ocorra após o período eleitoral”, declarou.

Motta disse ainda que o executivo deve iniciar ainda no primeiro semestre uma articulação com o Congresso para organizar o cronograma de tramitação do tema.

Projeto de lei do Executivo com urgência

No caso específico do projeto de lei do Imposto Seletivo, Moraes diz que ele já foi criado a nível constitucional com a Reforma Tributária e agora precisa de uma lei ordinária para regulamentar o funcionamento, alíquota e forma de pagamento.

Se o projeto tivesse um trâmite normal no Congresso, isso exigiria tempo (veja o infográfico completo). Moraes explica que em começando pela Câmara dos Deputados, seria recebido e avaliado pelas comissões, receberia emendas e, se houvesse necessidade, passaria pelo Plenário. Caso fosse aprovado, seguiria ainda para o Senado (casa revisora). E na hipótese de ser modificado pelos senadores, teria que voltar para a Câmara dos Deputados para reanálise das alterações e finalmente retornar ao Senado para aprovação final. Só então, seria encaminhado para sanção ou veto do executivo.

Mas se o executivo colocar o projeto com urgência, a proposta tem que ser votada em 45 dias ou passará a bloquear a pauta da Câmara ou do Senado (onde estiver no momento). Para isso, ele “pula” as comissões e vai direto ao Plenário. Mas a urgência não anula a necessidade de passar por ambas as casas do Legislativo.

Medida Provisória

A maior novidade, no entanto, é que devido ao cronograma apertado, o governo avalia também a possibilidade de uma MP para o Imposto Seletivo, o que, segundo Moraes, pode dificultar a participação do setor na discussão. “Se existe alguma chance do setor em participar da discussão e aprovação do projeto, na hipótese de MP haverá muita limitação ao setor em poder contribuir”, diz Moraes.

Nesse caso, a vontade do executivo é colocada na Medida Provisória, com a discussão acontecendo posteriormente à vigência. “A MP tem força de lei, tem vigência inicial de 60 dias, prorrogáveis automaticamente por mais 60, totalizando um máximo de 120 dias, caso não seja convertida em lei. Se não for votada pelo Congresso nesse prazo, perde a eficácia (caduca). O prazo é suspenso durante o recesso parlamentar”, explica Moraes.

No entanto, a MP precisa ser votada pelo Congresso em até 45 dias. Caso contrário, tranca a pauta, impedindo votação de outros temas. Ou seja, também é uma forma de forçar a apreciação da matéria aceleradamente.

Corrida contra o calendário

Toda a correria acontece porque a Reforma Tributária prevê que o Imposto Seletivo deve começar a vigorar em 1º de janeiro de 2027. E, como se trata de um tributo, deve ser respeitado um período de 90 dias entre a publicação da Lei e a entrada em vigor do imposto, segundo a Constituição. Ou seja, a publicação no Diário Oficial deve acontecer até o final de setembro.

Desde a aprovação da Reforma Tributária, o governo trabalha no projeto de lei que definirá as alíquotas do Imposto Seletivo. Além do tema ser polêmico, os prazos estimados pelo governo para envio do projeto ao Congresso foram sendo adiados sucessivamente.

Os contratempos aumentaram ainda mais com a saída do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) do governo, prevista para esta semana — ele vai disputar as eleições para o Governo de São Paulo. No entanto, segundo a reportagem do Valor, Motta acrescentou que a proposta ainda está em elaboração e foi discutida com o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que deve ocupar o comando da pasta com a saída do ministro.

De acordo com Motta, a ideia envolve a realização de conversas com os setores impactados antes da definição final. Além disso, o governo considera manter, por ora, as alíquotas atuais. “Diante de uma situação orçamentária mais confortável em 2025, a proposta é manter, por ora, as alíquotas atuais e discutir eventuais mudanças para o futuro”, disse.

O que é o Imposto Seletivo

O Imposto Seletivo (IS), popularmente conhecido como “Imposto do pecado”, é um novo tributo federal criado pela Reforma Tributária (Emenda Constitucional 132/2023). Tem natureza extrafiscal, ou seja, seu objetivo central é desestimular o consumo de bens e serviços que, segundo os legisladores, fazem mal à saúde ou ao meio ambiente. Ele incidirá sobre cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e itens prejudiciais ao ecossistema, como derivados de petróleo e minerais.

Impressão digital de latas está mudando mercado de embalagens para cervejarias artesanais

O mercado de cervejas artesanais brasileiro, marcado pela agilidade e por lançamentos frequentes, está vencendo uma de suas barreiras mais antigas: a ditadura dos grandes volumes de embalagem. A consolidação da impressão digital de latas no país está permitindo que pequenos produtores abandonem os rótulos adesivos ou termoencolhíveis em favor de embalagens impressas em alta definição, com lotes que começam em apenas 400 unidades. Liderada por inovações como a da Ball Corporation, essa tecnologia não apenas reduz o imobilizado financeiro das cervejarias, mas eleva o design do setor a um patamar de competição direta com as gigantes do mercado.

Impressão digital de latas como solução

As cervejarias artesanais, especialmente as de pequeno porte ou que operam no modelo “cigano” (sem fábrica própria), têm na embalagem da bebida um dos principais desafios para entregar um produto de qualidade aos clientes. Enquanto a lata de alumínio oferece vantagens logísticas e de proteção ao líquido em relação às garrafas, a personalização da embalagem sempre foi um gargalo. O modelo tradicional de impressão feito em litografia (offset) exige volumes mínimos gigantescos, inviáveis para quem produz em pequena escala ou faz lançamentos sazonais, testes de mercado ou edições comemorativas.

Para contornar as limitações, muitas cervejarias recorrem ao uso de rótulos adesivos de papel, plástico ou sleeves (rótulos termoencolhíveis) aplicados sobre latas “básicas”. Algumas dessas soluções trazem problemas estéticos — embalagens tortas ou que se desfazem em contato com gelo ou água — e podem afetar a reciclabilidade.

Mas uma tecnologia que permite a impressão digital de latas em lotes a partir de apenas 400 unidades está mudando este cenário. Ao eliminar a necessidade de materiais extras, o processo entrega qualidade fotográfica de alta resolução (600 DPIs no padrão de cores CMYK). Isso traduz o design original com fidelidade absoluta, permitindo degradês e detalhes minuciosos que transformam a lata em um objeto de desejo no ponto de venda.

A vanguarda tecnológica no Vale do Paraíba

Uma das pioneiras dessa inovação foi a Ball Corporation com a Ball Digital Printing, que nasceu dentro do Can Experience, o centro de design da empresa, localizado em Jacareí, no Vale do Paraíba (SP). Disponível no mercado nacional desde 2022, a tecnologia foi criada justamente para atender a uma demanda crescente por personalização e flexibilidade, atributos essenciais para o dinâmico mercado de cervejas especiais.

Segundo João André Vilas Boas, gerente do Can Experience da Ball para a América do Sul, o objetivo principal foi democratizar o acesso à lata de alumínio. Ele explica que, historicamente, as grandes tiragens criavam uma barreira de entrada para pequenos produtores. “Ao desenvolver a impressão digital diretamente no corpo da embalagem, a Ball ampliou o acesso à lata de alumínio, oferecendo uma solução que combina inovação, escala reduzida e alta qualidade gráfica”, afirma o executivo.

Eficiência financeira: do lote mínimo ao giro de estoque

O grande diferencial para o mercado artesanal reside na redução do pedido mínimo. Com a possibilidade de rodar lotes de aproximadamente 400 latas, cervejarias podem lançar rótulos experimentais ou colaborações (collabs) sem imobilizar capital em estoques gigantescos de embalagens vazias.

Essa agilidade é crucial para um setor que vive de novidades. O tempo de resposta da impressão digital de latas é significativamente mais rápido do que os processos convencionais. O que permite que uma ideia se transforme em produto na prateleira em prazos curtos, ideal para acompanhar datas sazonais.

Outra vantagem criativa é a possibilidade de imprimir múltiplas artes em um mesmo lote, o que abre portas para o chamado “design dinâmico”. Isso permite que uma cervejaria explore estratégias de “marketing em tempo real”, lançando linhas colecionáveis ou variações de design para uma mesma cerveja sem custos proibitivos. Essa flexibilidade transforma a lata em uma ferramenta poderosa de comunicação e conexão, aumentando o valor agregado para o colecionador diretamente no ponto de venda.

“A Ball Digital Printing se destaca por imprimir a arte diretamente no corpo de alumínio, integrando totalmente o design à estrutura da embalagem”, detalha Vilas Boas. Essa integração traz um visual premium, afirma Vilas Boas, e acabamento uniforme em 360 graus.

Latas premiadas

A eficácia estética da impressão digital de latas já colhe frutos e reconhecimento no setor. A embalagem vencedora do prêmio “Lata Mais Bonita do Brasil 2025”, a Massala Red da cervejaria Go Brew, utilizou a tecnologia Ball Digital Printing.

De acordo com Vilas Boas, a tecnologia foi determinante para o prêmio, pois permitiu um alto nível de detalhamento gráfico e riqueza de cores. “A tecnologia permitiu explorar recursos visuais complexos e entregar um impacto diferenciado no ponto de venda, algo especialmente relevante para cervejarias artesanais, que dependem fortemente da comunicação visual para se destacar”, afirma.

Além da estética, a técnica elimina riscos associados à aplicação de rótulos externos e reforça a integridade do produto. Como a tinta faz parte do processo industrial, a lata mantém suas características de segurança e inviolabilidade, algo valorizado pelo consumidor final.

Sustentabilidade mantida

O avanço estético anda ao lado da sustentabilidade. A tecnologia não interfere no ciclo de reciclagem da lata de alumínio, mantendo a circularidade do material que, no Brasil, possui taxas de reciclagem acima de 95% há mais de 15 anos.

Para o futuro, a expectativa é que a adesão de brewpubs e pequenas marcas cresça consistentemente. O que pode nivelar o campo de jogo entre pequenos e grandes players. A combinação de segurança alimentar — com proteção contra luz e oxigênio — e a liberdade criativa oferecida pela impressão digital de latas permite que a qualidade do líquido seja acompanhada por uma embalagem de nível mundial, posicionando essa tecnologia como uma alavanca fundamental para a competitividade e profissionalização do mercado de cervejas artesanais no país.

“Acreditamos que o futuro da categoria passa por três pilares integrados: criatividade, segurança e sustentabilidade, e a lata de alumínio reúne esses atributos de forma consistente”, diz Vilas Boas.

5 curiosidades sobre a cerveja e o St. Patrick’s Day

O St. Patrick’s Day, comemorado todo dia 17 de março, é uma grande festa. Mas você sabe o que está comemorando? Muitos dizem que é uma festa cervejeira, mas não existe cerveja na história do padroeiro da Irlanda. Tem leprechaun, barbas ruivas, potes de ouro e tudo é verde. Até o chope é verde! — uma invenção americana, e não irlandesa. 

O que nasceu como um feriado religioso tornou-se um símbolo global do orgulho irlandês, contagiando até quem não possui raízes na Ilha da Esmeralda. Então, que tal desfazer alguns mitos e conhecer um pouco mais sobre a festa?

1 – Não há cerveja na história de São Patrício

Na verdade, sabe-se muito pouco sobre a vida de São Patrício. Nascido na Grã-Bretanha romana e sequestrado por piratas, ele teria sido escravizado na Irlanda. Fugiu de lá, mas retornou para propagar o cristianismo em uma cultura até então predominantemente pagã. Dizem que ele utilizava o trevo de três folhas (shamrock) para explicar a Santíssima Trindade. Mas mesmo essa informação é contestada por historiadores.

Não se sabe a data de nascimento, mas é certo que faleceu em 17 de março de 462 d.C. Por isso, esse dia foi escolhido para a festa em sua homenagem que, no início, era uma data estritamente religiosa. Só se torna feriado na Irlanda em 1903. Curiosamente, a lei exigia que os pubs permanecessem fechados durante o feriado, dificultando o consumo de álcool na data dedicada ao padroeiro.

Não há nenhuma menção à cerveja em sua história. Mas há uma lenda — dessas que não sabemos se é bem verdade — de que ele, em seu leito de morte, teria dito que não queria ninguém triste e teria pedido para que brindassem sua passagem com whisky.

2 – Beber cerveja é parte da cultura irlandesa

A associação com a bebida é uma construção cultural e comercial recente feita inicialmente pela comunidade irlandesa nos Estados Unidos. Os desfiles de St. Patrick’s Day (em inglês, chamados de parades) tiveram início em Nova York em 1792. Nesse contexto, os imigrantes e seus descendentes sentiram a necessidade de reafirmar sua identidade cultural. E a data passou a ser um pretexto para comemorar o orgulho de ser irlandês.

Todos os símbolos e o estilo de vida passaram a estar simbolicamente presentes na festa, da cor verde até a bebida mais querida dos irlandeses: a cerveja!

Na Irlanda, a liberação da venda de bebidas alcoólicas e a abertura dos pubs durante o feriado só ocorreram após a década de 1960. Mas foi apenas a partir de 1997 que o governo passou a explorar a data como uma ferramenta de marketing e identidade nacional, transformando o dia em um festival internacional de consumo de cerveja.

3 – A cerveja verde do St. Patrick’s Day é americana

O registro mais famoso atribui a invenção da cerveja verde ao médico irlandês-americano Thomas H. Curtin, que em 1914 adicionou gotas de corante azul — originalmente destinado a tecidos — à cerveja amarela, criando o visual vibrante para uma festa de clube.

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A moda demorou décadas para cruzar o oceano. Há registros de que barris de cerveja verde chegaram a Dublin em 1985 vindos dos EUA. No entanto, a brincadeira não se firmou e é vista na Irlanda como algo “para turistas”. Os irlandeses locais, em geral, preferem manter as cores naturais de suas bebidas tradicionais.

Até hoje a cerveja verde de São Patrício é feita com corante — hoje, de cor verde e alimentício, claro! Uma brincadeira pontual, sendo que a própria legislação brasileira da bebida não permite esse tipo de intervenção na bebida.

4 – Estilos irlandeses são os preferidos

O estilo Irish Dry Stout é o grande ícone das celebrações locais na Irlanda. Surgido no século 19 como uma evolução da Brown Porter, o estilo ganhou identidade própria quando passou a utilizar o malte torrado. Esse tipo de matéria-prima tinha acabado de surgir por meio de evoluções tecnológicas recentes. 

Uma das histórias que surgiram para explicar o sucesso diz que o estilo também teria surgido da necessidade de baixar custos. O malte torrado era caro por ser sobretaxado por impostos. Cervejarias locais então passaram a usar cevada torrada não malteada para fugir dos encargos, resultando em uma cerveja escura, leve e com notas picantes que conquistou o paladar nacional. Mas muitos especialistas contestam essa versão.

Durante as paradas e festivais de St. Patrick’s Day, o consumo de Stouts é quase obrigatório para celebrar a herança cultural, com festivais que incluem música, dança e artes valorizando as tradições da ilha.

5 – Marcas irlandesas são exaltadas

Embora a Guinness seja a soberana absoluta e o maior símbolo do país, ela divide as prateleiras com o mercado de cerveja de massa. Curiosamente, a preferência da população jovem no cotidiano recai sobre as refrescantes American Lagers – uma tendência que vem mudando recentemente, já que a Guinness vem reconsquistando espaço.

A cena de microcervejarias locais também é forte, explorando as tradições cervejeiras e buscando seu espaço entre as grandes cervejarias e as produtoras tradicionais.

Inflação da cerveja chega a 6,07% em 12 meses

A inflação da cerveja em domicílio acumulada nos últimos 12 meses chegou a 6,07% em fevereiro, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse é o maior número em 27 meses. Desde novembro de 2023, quando o índice da bebida atingiu 6,58%, o acumulado não era tão expressivo.

Essa tendência é oposta ao movimento da própria categoria em que a bebida está inserida na pesquisa mensal do IBGE. O índice de Alimentos e Bebidas em Domicílio acumulou deflação de -0,09% nos últimos 12 meses. Ou seja, a cerveja está pesando mais no carrinho do supermercado enquanto os alimentos estão ficando mais baratos em geral.

O índice geral do IPCA no mesmo período foi de 3,81%.

No índice mensal de fevereiro, a inflação da cerveja acumulou alta de 0,36%, abaixo da inflação oficial do país, que ficou em 0,70%.

Situação invertida fora do domicílio

Se em casa a cerveja está pesando mais no orçamento das famílias, a situação se inverte no consumo fora do lar. O preço da bebida é um respiro em bares e restaurantes, tendo subido menos do que os demais itens da categoria.

Enquanto nos últimos 12 meses a inflação da cerveja fora do lar foi de 3,11%, os preços da categoria Alimentos e Bebidas Fora de Domicílio cresceram 6,7%. O índice é praticamente o mesmo de dezembro de 2025 (3,13%), sendo ambos os mais baixos em 5 anos, desde fevereiro de 2021 (2,89%).

Especificamente no fechamento mensal de fevereiro de 2026, o índice de inflação da cerveja fora de domicílio apresentou variação nula (0%).

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Cerveja ajuda a contar a história do filme “O Agente Secreto”

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No longa-metragem “O Agente Secreto”, do diretor Kleber Mendonça Filho, o copo sobre a mesa fala tanto quanto os próprios personagens. Com direção de arte de Thales Junqueira, a ambientação vai além da estética: a cerveja ajuda a contar a história de forma silenciosa e potente, segundo os especialistas em cinema ouvidos pelo Guia da Cerveja.

O filme, que teve quatro indicações ao Oscar, mas acabou sem premiações na noite de domingo (15), acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia com um passado misterioso que volta ao Recife buscando refúgio, mas esbarra em uma realidade diferente da que procurava.

A “bebida nacional” como refúgio

Marcio Rodrigo, professor do curso de Cinema e Audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explica que, na década de 1970, a publicidade consolidou a cerveja como a bebida alcoólica mais consumida no Brasil, alcançando diversas classes sociais. Essa popularização orgânica justifica a escolha de associar a bebida aos protagonistas da trama.

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Para Rodolfo Stancki, professor do curso de Cinema da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o consumo em tela traduz uma sensação imediata de alívio. Isso fica evidente logo no primeiro momento em que o personagem de Moura chega ao alojamento da dona Sebastiana. Após uma jornada exaustiva, ele se depara com uma barulhenta festa de Carnaval. Ali, o primeiro gole de cerveja funciona como um convite para um ambiente seguro.

Stancki aponta que o filme constrói um tripé da identidade brasileira baseado no futebol, no Carnaval e na cerveja. Essa base ganha força na cena da reunião dos refugiados, onde latas, garrafas e cachaça compartilham a mesa.

Neste ambiente de acolhimento e celebração, a bebida destrava as amarras dos protagonistas e favorece o diálogo franco. É nesse contexto que o personagem de Moura, ao consumir a bebida, afirma estar em casa e se sente seguro para revelar o seu verdadeiro nome. “Dividir uma cerveja naquele momento é dividir uma intimidade e uma identidade”, avalia o professor da PUCPR.

Cena de “O Agente Secreto”. Foto: Vitrine Filmes/Divulgação

O contraste com o poder em “O Agente Secreto”

Se a cerveja aproxima, o uísque afasta. Marcio Rodrigo ressalta que a bebida destilada aparece tradicionalmente relacionada às classes sociais mais abastadas e poderosas da época, mas alerta que o roteiro não se limita a uma visão maniqueísta: a bebida demarca as barreiras de classe e de poder.

O contraste direto ocorre de forma evidente em uma cena de bar, onde o personagem de Moura consome cerveja enquanto um empresário bebe uísque. Mais do que um marcador financeiro (já que o alto custo inviabilizava o consumo corriqueiro para a maioria da população), o uísque é retratado como um signo de poder masculino e um elemento estrangeiro à identidade nacional dos refugiados.

A rejeição a essa dinâmica de poder é direta. Stancki descreve uma cena simbólica em que o personagem de Gabriel Leone recebe um copo de uísque. Antes do consumo, um assassino intervém e proíbe o rapaz de ingerir o líquido, deixando claro que aquele grupo não pertence à realidade da elite. 

“É uma bebida estranha, de um lugar que não é exatamente da identidade brasileira”, afirma o professor. O espectador entende, ali, que não há espaço para conforto ao lado de figuras de poder.

Personagem do ator  Luciano Chirolli em "O Agente Secreto", um empresário, bebendo whisky em seu escritório (Reprodução)
Personagem do ator Luciano Chirolli em “O Agente Secreto”, um empresário, bebendo whisky em seu escritório (Reprodução)

A calmaria no caos

Toda a estrutura de conflito de “O Agente Secreto” se apoia na identidade do brasileiro e do nordestino, e a cerveja atua como o mecanismo tátil que permite aos personagens vivenciarem suas origens.

A bebida opera como um respiro mesmo em situações extremas. Em outra sequência, o tio do personagem de Gabriel Leone come um salgado em um boteco com um copo de cerveja ao lado. A cena demonstra um relaxamento quase irônico para alguém que está jurado de morte.

Segundo Stancki, esse uso da bebida ao longo da obra gera uma identificação tão imediata que desperta no espectador a mesma sensação de familiaridade e a vontade instantânea de tomar uma cerveja gelada.

O que a Bourbon County ensina sobre o tempo que você jura que não tem

Toda cerveja pede calma pra beber. Se a gente bebe com calma, é outra história. E não tô falando sobre teor alcoólico alto nem rótulo raro, é outro papo. Pra quem gosta de cerveja de verdade, abrir uma garrafa é quase um convite silencioso pra diminuir o ritmo, aproveitar uma boa companhia e olhar com carinho o que descansa dentro do copo. Algumas cervejas carregam mais do que bons lúpulos. Elas trazem histórias, aprendizados e boas provocações. A Bourbon County é dessas.

A Bourbon County nasceu nos anos 90, quando o cervejeiro Greg Hall, da Goose Island, colocou uma imperial stout em barris de bourbon e deixou a natureza fazer o resto. Madeira, álcool, temperatura e silêncio trabalhando por meses ali dentro, transformando o líquido em algo que nenhuma fermentação apressada conseguiria entregar.

Quando a Bourbon apareceu pela primeira vez, os especialistas nem sabiam como classificar. Não tinha categoria pra ela. Era algo realmente novo e extremamente ousado.

Ao longo dos anos, a Bourbon County virou um ritual. Até hoje ela é sinônimo de ousadia, qualidade e inovação. E também tem o hype: lançamento anual, garrafas limitadas, eventos exclusivos e concorridíssimos. Gente tentando conseguir uma garrafa mesmo sabendo que, eventualmente, não vai conseguir porque esgota. Tem quem abre na mesma noite. Tem quem guarda. Eu sou um misto dos dois.

Lançamento é sempre brinde ao novo. E brinde precisa de copo cheio pra celebrar, sentir as camadas de aroma, as notas que aparecem aos poucos e os rituais que fazem parte da experiência. Mas também gosto de guardar. Deixar algumas garrafas esperando uma data especial enquanto a cerveja segue evoluindo dentro da própria garrafa.

Evoluindo parada, sem pressa.

Em tempos de vida no ritmo do algoritmo, é quase um presente ver valor sendo criado na paciência.

De Bourbon County a Cantillon

Na Bélgica, a Cantillon também ignora a urgência pra fazer cerveja. É fermentação espontânea, barris antigos, misturas que são conduzidas por quem entende que certos sabores só vão aparecer depois de longas jornadas.

Por lá também tem os monges da Abadia de Saint-Sixtus, que produzem a Westvleteren em volumes minúsculos. E quem quiser comprar uma garrafa, não adianta correr. Tem que ligar, marcar horário e retirar suas garrafas pessoalmente. Sem pressa. Sem escala.

Exemplos assim não faltam. O que falta, talvez, é reparar melhor em como algumas das bebidas mais desejadas do planeta nascem de rotinas que caminham em outra velocidade. Bem diferente do mundo atual: lançamento toda hora, novidade toda semana. A próxima tendência surgindo antes que a anterior termine e arrastando todo mundo junto. Quem constrói marca é quem sente na pele. Parece que aprofundar alguma coisa virou perder o bonde.

A corrida empurra pra responder rápido, aparecer mais, publicar mais.

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Conexão

No meio disso tudo eu fico pensando onde vai parar a profundidade das relações se a conexão dura o tempo de um post. Com tanto estímulo e tanta pressão, sobra pouco espaço para algo criar raiz.

E raiz precisa de tempo pra crescer.

Não tem dúvida: a forma como uma construção é feita determina se ela vai ser memorável. É o caminho que cria as camadas que dão valor, peso e memória ao que fica. Na bebida, cada garrafa registra uma jornada que não termina quando o líquido acaba. Quem abre uma dessas não está só bebendo uma cerveja.

Está atravessando uma história.

Viver rápido demais rouba da gente a chance de construir coisas que realmente podem ficar. Porque aquilo que marca de verdade costuma pedir convivência, tentativa, erro, repetição.

Cervejas maturadas sabem disso.

Depois que o barril fecha, o mundo pode correr lá fora. Mas lá dentro o tempo segue outro ritmo. E quando finalmente chega a hora de abrir, o que aparece no copo é único.

Entre um gole e outro, talvez valha olhar com mais calma para o que você tá construindo.

Porque algumas coisas a gente consome rápido.
Outras a gente constrói devagar.
E só uma dessas duas fica.


Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Academia da Cerveja oferece 6 mil bolsas em curso para mulheres

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A Academia da Cerveja, escola de cultura cervejeira da Ambev, abriu as inscrições para a 6ª edição do programa “Cervejeira Sou Eu” com a oferta inédita de 6 mil bolsas de estudo integrais. O lançamento da iniciativa ocorre em comemoração ao Mês da Mulher e dobrou o número de vagas disponíveis em relação ao ano anterior. O projeto é voltado exclusivamente ao público feminino e busca promover o avanço profissional de mulheres no mercado de bebidas.

O conteúdo pedagógico do curso da Academia da Cerveja serve para capacitar iniciantes que desejam atuar na produção, gastronomia ou gestão de estabelecimentos. A grade curricular é composta por cinco módulos que abrangem desde o histórico da bebida e das matérias-primas até temas sociais como inclusão, maternidade e segurança no setor. O curso também aborda critérios técnicos de qualidade e diretrizes para o consumo responsável de cerveja.

As aulas serão ministradas integralmente por um time de sommelières e cervejeiras especialistas da Academia da Cerveja no formato online e gratuito. As interessadas devem realizar o cadastro até 22 de março por meio da plataforma Sympla. As atividades ocorrem entre 23 e 27 de março e garantem certificado de conclusão para auxiliar na inserção profissional das participantes.

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Cervejaria Dádiva debate presença feminina no setor

A sócia-fundadora da cervejaria Dádiva, Luiza Lugli Tolosa, promove o projeto Criado por Elas para fortalecer o empreendedorismo feminino. O grupo realiza festa na sexta-feira (28) , das 16h às 22h, na Ruera, em Barão Geraldo (Campinas), com cinco cervejarias convidadas, nove taps, feira de artesanato com empreendedoras, além de banda formada por mulheres e DJ. No sábado (29), das 10h30 às 12h30, a rede promove o evento “Um livro e Uma cerveja – Bate-papo com Daniela Arrais”, na Casa Cosmos, na Vila Madalena (São Paulo), com vagas limitadas e um kit especial com um exemplar do livro.

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Jovens impulsionam mercado de bebidas sem álcool

O mercado global de bebidas com baixo teor de álcool registrou alta de 6% em valor em 2024. A consultoria IWSR projeta que a categoria deve expandir 36% até 2029, impulsionada pelo engajamento de consumidores mais jovens. No Brasil, a proporção de cidadãos que consomem álcool recuou de 47,7% para 42,5% em onze anos, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O vice-presidente da Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), Willyan Francescon, afirma que a mudança reflete a busca por saúde e bem-estar. Segundo o dirigente, o álcool passou a competir diretamente com metas de emagrecimento e rotinas de treinos. Francescon destaca que esses produtos ganharam padrão de qualidade e ocupam novas ocasiões de consumo, como o almoço e o lazer diurno.

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Tank Brewpub oferece bebidas para o Dia de São Patrício

O bar Tank Brewpub apresenta bebidas especiais para celebrar o Dia de São Patrício em março. O cardápio inclui o drinque Irish Bomb, composto por Stout, Baileys e uísque, por R$ 45. Outra opção é a Nitro Stout servida com nitrogênio para conferir textura aveludada. A casa em Pinheiros, São Paulo (SP), produz 8 mil litros de cerveja mensalmente.

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Skol lança campanha para feriados de 2026

A Skol anunciou a estratégia promocional para os 14 feriados previstos no calendário de 2026. Com o conceito de transformar datas festivas em dia útil para diversão, a ação utiliza termos corporativos sob a ótica do lazer. O projeto publicitário tem assinatura da agência GUT. O diretor de marketing Felipe Cerchiari coordena a iniciativa.

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Corona lança campanha global para assegurar o corte ideal no ritual do limão

A cervejaria Corona iniciou a iniciativa “Lime Guides” para padronizar o corte de limões usados nas garrafas da marca. A tecnologia a laser grava guias na casca da fruta para garantir o ajuste exato no gargalo da garrafa. Mais de 25 mil “Lime Guides” ficarão disponíveis em mais de 30 pontos de venda em três continentes (América, África e Ásia). No Brasil, os limões tatuados poderão ser encontrados em Curitiba, nos supermercados Carrefour e Muffato, no bairro Portão. Confira o vídeo da campanha no Youtube.

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Heineken promove tours de Páscoa em fábricas

O Grupo Heineken realiza tours com harmonização de cervejas e alimentos para celebrar a Páscoa em março de 2025. As sessões ocorrem no espaço Inside The Star nas unidades de Jacareí (SP) e Ponta Grossa (PR). A experiência custa 80 reais por pessoa. O roteiro inclui visita interativa aos bastidores da produção industrial. A venda de ingressos é online pela plataforma Sympla.

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Brewteco amplia rede e produção no Rio

O empresário Rafael Farrá registrou aumento na produção do Brewteco no primeiro semestre de 2025. A rede fluminense produziu mais de 95 mil litros de cerveja artesanal no período. Em 2026, a média mensal de fabricação atingiu 30 mil litros. O grupo mantém 182 torneiras de chope em unidades como Leblon e Lapa.

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Bodebrown realiza Beer Train nos trilhos paulistas

A cervejaria curitibana Bodebrown promove o evento Beer Train no interior de São Paulo no dia 23 de março. O roteiro utiliza os trilhos do Trem da República no trajeto entre as cidades de Itu (SP) e Salto (SP). A edição paulista conta com a parceria da fabricante Donnerstag, de Indaiatuba (SP).

O passeio oferece a degustação de cinco cervejas harmonizadas com queijos e pães ao longo do percurso. A programação começa às 10 horas com recepção na plataforma de Itu e partida programada para as 11 horas. Os passageiros almoçam filé à parmigiana no restaurante Stazione, localizado na estação de Salto. O retorno está previsto para as 14h30, com chegada final em Itu às 15h30.

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Oktoberfest de Igrejinha apresenta campanha para 2026

A 37ª Oktoberfest de Igrejinha lançou a campanha “Um brinde ao que nos move” para a 37ª edição. Desenvolvida pela agência Prod3 Design de Comunicação, a campanha está estruturada sobre os pilares de movimento, pertencimento e celebração. A festa é realizada por mais de 3 mil voluntários e reverte o resultado financeiro para entidades da região. Este ano, o evento ocorre de 9 a 18 de outubro no Parque de Eventos Almiro Grings.

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Shopping de São Paulo realiza festival Saint Patrick’s Weekend neste fim de semana

O Morumbi Town Shopping realiza o festival gratuito Saint Patrick’s Weekend no sábado (14) e domingo (15). As atividades ocorrem na Varanda do segundo piso, das 14 às 22 horas, em celebração ao dia de São Patrício. A programação musical inclui tributos a bandas como Legião Urbana e Charlie Brown Jr. O espaço oferece cervejas artesanais e cardápio com churrasco, torresmo e pernil.

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Budweiser aposta em nostalgia no Lollapalooza 2026

A Budweiser instalou um espaço de 750 metros quadrados no Lollapalooza Brasil 2026 para as atividades de sexta-feira (20) a domingo (22). Nele, criou a Bud Mixtape Factory, local onde o público pode gravar mensagens em minidispositivos com estética de fita cassete. O item em edição limitada funciona como chaveiro para acessórios e aparelhos celulares. O estande no Autódromo de Interlagos conta com bares de autoatendimento para as versões regular e Bud Zero. A diretora de marketing Mariana Santos coordena a oitava participação da marca no festival.

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