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Com chapa única, Giba Tarantino é reeleito presidente da Abracerva

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Depois de ter assumido a presidência da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) em janeiro, quando substituiu Ugo Todde, Gilberto Tarantino foi oficialmente reeleito para o biênio 2023-2024, nesta segunda-feira (7), na assembleia geral da entidade.

Sem oposição, o sócio-proprietário da Cervejaria Tarantino foi aclamado presidente-executivo para um novo mandato. O prazo para apresentação de chapas interessadas em participar das eleições se encerrou em 31 de agosto. E apenas um grupo se inscreveu para participar.

Em sua gestão inicial, Gilberto Tarantino assumiu a Abracerva com o foco em levar informação e educação aos associados e ao mercado cervejeiro. Para isso, promoveu um calendário de eventos, sendo alguns deles com a presença de figuras de relevância internacional, como Bob Pease, presidente da Brewers Association, a associação das cervejarias artesanais e independentes dos Estados Unidos, e de Greg Koch, fundador da icônica cervejaria norte-americana Stone Brewing.

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Neste período, a Abracerva também acertou uma parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa a Ambev e o Grupo Heineken no país. No início de julho, as entidades assinaram um termo de cooperação em prol dos principais temas de interesse da indústria do setor, como o aprimoramento da qualidade da fabricação, a educação e a cultura cervejeira, a livre concorrência, a sustentabilidade e o consumo responsável. Também junto com o Sindicerv, a entidade realizou o congresso Cerveja é Gastronomia.

Além disso, a Abracerva tem se envolvido em ações que visam fortalecer o setor das artesanais. Isso ficou claro, por exemplo, com o apoio dado ao Projeto Manipueira, lançado com a adesão de 37 marcas no fim de setembro e que hoje conta com mais de 50 cervejarias.

A Abracerva também assegurou a presença de um estande na Brasil Brau, graças à ajuda recebida dos seus associados, e ainda promoveu iniciativas como a série de lives Roda Fermentativa, que contou com especialistas brasileiros e internacionais, organizou webinars sobre rotulagem e legislação, além de cursos sobre tributação e off flavors.

Continuidade após mudanças na presidência
A reeleição de Gilberto Tarantino também significa uma nova fase de continuidade na Abracerva depois de várias mudanças. Após decisão tomada pela gestão anterior, em dezembro de 2021, ele assumiu o cargo em janeiro como quarto presidente em menos de um ano e meio.

As mudanças começaram em setembro de 2020, com a renúncia de Carlo Lapolli, o que provocou a realização de eleições e definiu Nadhine França como presidente. Em julho de 2021, ela renunciou com a intenção de morar no exterior, para estudar e trabalhar, sendo sucedida por Ugo Todde, à época o secretário da associação, que no final do ano passado deixaria o posto de presidente, assumido pouco depois por Tarantino de modo consensual.

Todde, inclusive, integra a chapa formada para essa última eleição da Abracerva. Ele é um dos conselheiros titulares da gestão 2022-2024 de Giba Tarantino, ao lado de Marcello Paixão, Carolina Starrett e Bia Amorim. Essa última é uma das pessoas que passaram a integrar a chapa ao lado de Patrick Bannwart e Priscilla Colares, ambos conselheiros suplentes e que também não faziam parte da composição anterior do grupo. Debora Lahnen, Leandro Sequelle e André Lopes são os outros membros desta suplência. Completam a chapa quatro conselheiros fiscais: os titulares Jayro Pinto Neto, Gabriela Flemming e Elizabeth Bronzeri e o suplente Rodolpho Tinini.

Melhor tributação é prioridade
Para o novo período à frente da Abracerva, Giba ressaltou a necessidade de uma tributação mais justa para o setor das artesanais. Ao ser reeleito, ele destacou que a entidade segue lutando no Congresso Nacional para a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, que atualiza a tabela do Simples Nacional e aumenta o teto de enquadramento dos Microempresários Individuais (MEIs).

Ele também promete continuar realizando e participando de eventos que promovam o mercado das artesanais e a cultura cervejeira, qualifiquem os profissionais do setor e ajudem a defender os interesses do segmento.

A tributação é um entrave fundamental para o crescimento do segmento da cerveja artesanal, incluindo não apenas as cervejarias, mas também profissionais como sommeliers, consultores, bares e empórios

Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva

Conheça a chapa da gestão 2022-2024 da Abracerva:
Gilberto Tarantino – Conselheiro – Presidente-executivo
Marcello Paixão – Conselheiro
Carolina Starrett – Conselheira
Ugo Todde – Conselheiro
Bia Amorim – Conselheira
Patrick Bannwart – Conselheiro (Suplente)
Debora Lahnen – Conselheira (Suplente)
Priscilla Colares – Conselheira (Suplente)
Leandro Sequelle – Conselheiro (Suplente)
André Lopes – Conselheiro (Suplente)
Jayro Pinto Neto – Conselho Fiscal
Gabriela Flemming – Conselho Fiscal
Elizabeth Bronzeri – Conselho Fiscal
Rodolpho Tinini – Conselho Fiscal (suplente)

Heineken deixa de vender 14 mil toneladas de plástico ao tirar PETs do portfólio

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O Grupo Heineken deixou de comercializar 14 mil toneladas de embalagens de plástico em 2022,como efeito da decisão de deixar de envasar seus produtos de 1 litro ou mais nesse tipo de solução. O balanço foi apresentado pela própria companhia, confirmando o impacto da medida, anunciada em outubro de 2021.

Naquela oportunidade, o Grupo Heineken comunicou a retirada de embalagens de garrafas PET de 1 e 2 litros das marcas Itubaína, FYs, Skinka e Viva Schin e as PETs de 1,5 litro das marcas Skinka e Água Schin do seu portfólio no Brasil.

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A decisão de abandonar tais SKUs, além do efeito sustentável, também causou forte impacto na participação de mercado do Grupo Heineken em refrigerantes. Segundo o relatório financeiro do terceiro trimestre, o volume de não alcoólicos declinou 43,8% no período de um ano.

A iniciativa, atrelada à redução do uso do plástico e à circularidade de 100% desse material nos canais on-trade e off-trade, faz parte da série de medidas adotadas pelo Grupo Heineken para alcançar a meta de neutralidade de carbono em toda a cadeia de valor até 2040.

A retirada desses SKUs do portfólio do Grupo Heineken também está relacionada com o compromisso estabelecido de ser 100% circular em plástico no on-trade (bares e restaurantes) e no off-trade (supermercados e varejistas) até 2025. E, segundo a companhia, resultou na redução de 80% do volume de PET do seu portfólio, o que representa 25% de diminuição no volume total de plástico utilizado pela companhia.

O Grupo Heineken também está envolvido em outras frentes para reduzir o uso de plástico. Assim, no mês passado, anunciou a utilização de 30% de PCR (post consumer resin – resina pós consumo – em uma tradução livre) nas embalagens de filme shrink da marca Devassa neste ano.

A companhia também afirma que pretende expandir a adoção do uso de PCR por todas as marcas de cerveja da categoria mainstream do seu portfólio a partir de 2023, prevendo um potencial de reutilização de 765 toneladas de plástico no próximo ano.

“Temos buscado por novas soluções, identificado os desafios e oportunidades e testando caminhos para que possamos, então, atingir os nossos objetivos, mas garantindo o cuidado e o respeito com todos os públicos impactados por nossas decisões”, afirma Ornella Vilardo, diretora de sustentabilidade do Grupo Heineken.

Além da redução do uso do plástico, a agenda sustentável do Grupo Heineken também envolve projetos de conscientização e engajamento dos consumidores no descarte correto dos materiais de vidro pós-consumo, como o programa Volte Sempre.

Balcão do Advogado: Ao cervejeiro caseiro, com carinho

Balcão do Advogado: Ao cervejeiro caseiro, com carinho

Sempre que o tema da venda de cerveja caseira é tratado, existe muita crítica por parte dos homebrewers. Mas não é uma opinião, é um fato: a venda de cerveja caseira é proibida no Brasil.

O objetivo aqui é esclarecer, de uma vez por todas, as dúvidas que permeiam essa questão, bem como oferecer alternativas para o cervejeiro caseiro que realmente pretende vender cerveja de forma legal.

– Sou cervejeiro caseiro. Posso vender minha cerveja?

Não. A regra é clara: só pode ser comercializada a cerveja que tenha sido produzida em cervejaria que tenha registro de estabelecimento junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e que tenha registro de produto no MAPA.

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– Onde diz que cerveja caseira não pode ser vendida?

Não existe lei que diga expressamente que é “proibida a venda de cerveja caseira”. A proibição decorre da interpretação do Decreto Nº 6.871/2009, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas.

Nesse decreto, o artigo 99 elenca todas as proibições e infrações relacionadas a bebidas (incluindo a cerveja):

Art. 99.  É proibida e constitui infração a prática isolada ou cumulativa do disposto abaixo:

I – produzir, preparar, beneficiar, envasilhar, acondicionar, rotular, transportar, exportar, importar, ter em depósito e comercializar bebida e demais produtos disciplinados neste Regulamento que estejam em desacordo com os parâmetros estabelecidos nos padrões de identidade e qualidade nele estabelecidos e em atos específicos;

II – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar, exportar e importar bebida e demais produtos abrangidos por este Regulamento, em qualquer parte do território nacional, sem o prévio registro do estabelecimento no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

III – produzir ou fabricar, acondicionar, padronizar, envasilhar ou engarrafar e comercializar bebida e demais produtos nacionais abrangidos por este Regulamento sem o prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

IV – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida desprovida de comprovação de procedência, por meio de documento fiscal, bem como sem registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; (…) (grifou-se)

Ou seja, a comercialização de cerveja caseira é proibida e constitui infração.

– O que pode acontecer com quem é “pego” vendendo cerveja caseira?

O artigo 104 do decreto citado acima prevê as seguintes sanções:

Art. 104.  Sem prejuízo das responsabilidades civil e penal, a infringência às disposições contidas no art. 99 sujeita o infrator, isolada ou cumulativamente, às seguintes sanções administrativas:

I – advertência;

II – multa no valor de até R$ 117.051,00 (cento e dezessete mil e cinqüenta e um reais), conforme o disposto no art. 1o da Lei no 8.936, de 24 de novembro de 1994;

III – inutilização de bebida, matéria-prima, ingrediente e rótulo;

IV – interdição de estabelecimento, seção ou equipamento;

V – suspensão da fabricação de produto; (…)(grifou-se)

Já os artigos 107 e 108 dispõem que, para os casos de venda de cerveja caseira, será aplicada multa no valor de R$ 2.000,00 até R$ 117.051,00, ainda que o infrator seja primário, não sendo possível a mera aplicação de sanção de advertência.

Art. 107.  Aplicar-se-á multa, independentemente de outras sanções previstas neste regulamento, ainda que o infrator seja primário, nos seguintes casos:

I – produzir ou fabricar, acondicionar, estandardizar, envasilhar ou engarrafar, exportar ou importar bebida ou demais produtos previstos neste Regulamento, em qualquer parte do território nacional, sem o prévio registro do estabelecimento no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

II – produzir ou fabricar, acondicionar, estandardizar, envasilhar, engarrafar ou comercializar bebida nacional ou demais produtos previstos neste Regulamento, desprovidos de prévio registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

III – transportar, armazenar, expor à venda ou comercializar bebida ou demais produtos previstos neste Regulamento, desprovidos de comprovação de procedência;

IV – produzir, manter em depósito ou comercializar bebida ou demais produtos previstos neste Regulamento em desacordo com os requisitos de identidade e qualidade; (…)

Art. 108.  As infrações previstas nos incisos de I a XIX do art. 107 serão passíveis de multas no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) até R$ 117.051,00 (cento e dezessete mil e cinqüenta e um reais). (grifou-se)

Logo, quem cometer a infração de comercializar cerveja caseira está passível de sofrer multa de R$ 2 mil a R$ 117 mil, a depender da gravidade do fato (art. 105), e ainda pode ser responsabilizado civil e penalmente.

– Ué… conheço um monte de gente que vende cerveja caseira e nunca deu absolutamente nada.

O fato de você não conhecer ninguém que tenha sido multado por venda de cerveja caseira não significa que isso não ocorra. Na maioria das vezes, as multas ocorrem em decorrência de fiscalizações feitas a partir de denúncias.

– Existindo uma lei municipal na minha cidade que permite a venda de cerveja caseira, posso vender minha cerveja?

Não, mesmo que exista uma lei municipal na sua cidade que permita a venda de cerveja caseira, a venda segue sendo proibida. A lei que prevalecerá será aquela oriunda do ente federado competente para o tratamento da matéria (ou seja, o MAPA), conforme a repartição de competências estabelecida na Constituição.

– Posso tentar obter registro de estabelecimento para a fábrica de cerveja que tenho em casa?

Pode tentar, mas não é um processo tão simples, já que depende da localização da sua casa estar em local permitido para instalação de cervejaria, conforme o plano diretor do seu município; da constituição de uma empresa; do cumprimento de todos requisitos estruturais e legais do MAPA, entre outros aspectos.

– Tá, mas e se eu vender um copo e de brinde der a cerveja / cobrar um ingresso ou convite para degustação das minhas cervejas / vender um churrasco ou um jantar e servir minhas cervejas / criar um festival de degustação de cervejas caseiras / (inserir outra ideia genial).

Você entende que está apenas querendo “driblar” a lei, né? Todas essas tentativas não passam de subterfúgios para mascarar a comercialização de cerveja caseira. Em caso de fiscalização, você muito provavelmente será multado.

– Mas porque existe toda essa proteção? É só para prejudicar o caseiro? É por causa dos interesses dos grandes conglomerados cervejeiros?

A legislação de bebidas existe principalmente para que os produtos sejam aptos para consumo e seguros. Outra questão importante é relativa à rastreabilidade: em caso de problemas com a cerveja, sem que esta tenha a indicação correta de sua origem comercial, o consumidor não poderá recorrer contra quem de direito, fora a repercussão negativa para todo o setor. Outro ponto é que a venda de cerveja caseira não paga tributos, constituindo concorrência desleal com as cervejarias. Na imensa maioria dos países existem as mesmas proteções, não é algo exclusivo do Brasil.

– Existe alguma perspectiva de ocorrer alguma mudança na lei em relação a isso?

Não, não existe, e depois do acidente ocorrido na cervejaria Backer é extremamente improvável (para não dizer impossível) que ocorra qualquer mudança relacionada à possibilidade de venda de cerveja caseira.

– Entendi… Não posso vender cerveja caseira, então como posso regularizar minha produção?

Existem 2 caminhos para quem quiser produzir e vender cerveja de forma legal: abrir uma fábrica de cerveja (ou brewpub) ou abrir uma cervejaria cigana.

A abertura de uma cervejaria cigana é muito mais simples do ponto de vista burocrático e exige muito menos investimento que a abertura de uma fábrica. Acesse o e-book Guia Para Abertura de Cervejaria Cigana que contém as principais informações necessárias.

No caso da abertura de uma fábrica é necessário estar ciente do alto custo envolvido e do processo burocrático. Neste e-book tem o passo a passo (o processo de constituição de uma cervejaria com fábrica é semelhante ao de abertura de brewpub).

Portanto, a venda de cerveja caseira é ilegal e pode acarretar sérios problemas ao infrator. Não há nada de errado em produzir cerveja caseira, muito pelo contrário: o movimento dos homebrewers foi o que originou a revolução da cerveja artesanal. A grande maioria dos cervejeiros profissionais e donos de cervejaria começa nas panelas. O alerta aqui serve apenas para que o caseiro esteja ciente dos riscos que corre ao comercializar cerveja ilegal e saiba das alternativas caso queira legalizar a sua produção.


André Lopes é sócio do escritório Lopes, Verdi & Távora Advogados e criador do site Advogado Cervejeiro.

Cerveja na Netflix: AB InBev fecha acordo para pacote com propaganda

A estreia dos anúncios na Netflix contou com a presença da cerveja. A AB InBev adquiriu espaço publicitário, sendo a responsável pela primeira propaganda de cerveja no serviço de streaming, que começou a ser exibida na última quinta-feira (3).

Aqueles que optarem por assinar o pacote da Netflix com publicidade e tenham 21 anos serão impactados nos Estados Unidos por três propagandas de cerveja da AB InBev. Duas delas, ambas de 15 segundos, são da Michelob Ultra, sendo intituladas “H.O.R.S.E” e “Last 100m”. Serão seguidas por outra campanha, essa de 30 segundos, da Bud Light, denominada “Easy to Enjoy”. As campanhas, porém, não são inéditas, já sendo exibidas em outras plataformas há alguns meses.

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De acordo com a AB InBev, a decisão de comprar espaço publicitário na Netflix está relacionada com a preocupação em alcançar os consumidores de modo mais preciso, diante da percepção de que o modo como as pessoas optam por se divertir tem se modificado ao longo do tempo.

“Sabemos que os consumidores têm cada vez mais opções quando se trata de como passam seu tempo online, por isso é fundamental que continuemos a evoluir à medida que procuramos integrar ainda mais nossas marcas à cultura”, afirma Spencer Gordon, vice-presidente de conexões com o consumidor da AB InBev, através de um comunicado.

Maior serviço de streaming do mundo, a Netflix terminou o terceiro trimestre com 223,09 milhões de assinantes. O pacote com publicidade estará disponível  em diversos países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos, assim como Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Espanha e Reino Unido.

No Brasil, o plano básico com publicidade da Netflix tem preço de R$ 18,90 mensais. É, assim, maia barato do que o plano básico, que custa R$ 25,90. Nessa nova modalidade, os anúncios serão divididos em spots de 30 e 15 segundos, sendo carregados, em média, a cada quatro a cinco minutos.

Mudança de direção
A chegada da AB InBev ao time da Netflix se dá apenas alguns meses após a companhia cervejeira encerrar um acordo de 34 anos como anunciante do Super Bowl. À época, a AB InBev justificou a decisão pela possibilidade de distribuir melhor seus gastos com marketing ao longo do ano. Agora, então, se juntou à maior rede de streaming do mundo.

Inflação global e guerra: como importadores de insumos lidam com desafios

Ainda que o Brasil seja um produtor de cevada e esteja começando a investir na fabricação de lúpulo, parcela relevante dos insumos utilizados pela indústria cervejeira são importados. E o ano de 2022 tem oferecido novos desafios para as companhias que atuam com a importação para abastecer fabricantes de cerveja, provocados pela continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e pela inflação global.

Especialista na venda de insumos básicos para a fabricação de cervejas, como maltes, lúpulos e produtos como leveduras, enzimas, clarificantes, estabilizantes e sanitizantes, a Eureka Insumos Cervejeiros tem precisado lidar com esse cenário, ao mesmo tempo em que busca expandir sua atuação, tendo inaugurado em agosto um centro de distribuição em Juiz de Fora (MG).

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Afinal, nos últimos dias de fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia, considerado o quarto maior produtor de grãos do planeta. A situação acendeu um alerta global sobre como isso iria impactar o mercado. Houve, de fato, efeito sobre os preços, mas não desabastecimento, com os importadores, eventualmente, buscando alternativas em outros mercados, como destaca o CEO da Eureka, Dario Occelli.

“A primeira reação, de pânico, que tivemos, já baixou um pouco. Nós vimos que realmente não há motivo para pânico. O mercado de insumos, tanto de maltes quanto de lúpulos, não vai sofrer com falta de produtos. É lógico que aconteceu um aumento de preços, mas isso é natural em função da especulação e da lei de mercado: quanto maior a demanda, o preço vai subindo”, argumenta.

A Eureka importa o malte base, o Pilsen, do Uruguai, comercializando com a marca própria, além de comprar lúpulos diretamente de fazendas produtoras e de cooperativas de diversos países, como Estados Unidos, Alemanha, República Checa, Eslovênia, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia.

Como empresa que atua com parceiros em todo o planeta, tem lidado com desafios comuns a importadores, como de logística, com a alta dos custos de transporte, assim como a valorização do dólar perante outras moedas.

“O mundo inteiro está conectado e o que acontece lá do outro lado do planeta nos afeta aqui. E no mercado cervejeiro, como em qualquer outro mercado, existe essa conectividade. Então, eu diria que nós estamos vivendo um carrossel de emoções”, completa o CEO da Eureka.

Mas uma “novidade” em 2022 tem sido o cenário de inflação global. Nos Estados Unidos, a taxa anualizada fechou setembro em 8,2%, com o índice ficando em 9,9% na Zona do Euro. O cenário é praticamente inédito ao longo dos últimos anos, representando mais um desafio para os importadores de insumos cervejeiros.

Às vezes, a safra em determinada região do lúpulo ou da cevada não era tão boa e então o preço subia porque a colheita iria ser um pouco menor. Agora, nesse ano, além dessas variações que nós já estamos acostumados, ainda existe a inflação. Então, é um agravante a mais e tem impactado nos preços

Dario Occelli, CEO da Eureka Insumos Cervejeiros

Em função disso, tem sido necessário reajustar os preços de insumos importados. “Infelizmente, nós somos obrigados a repassar esse custo, esses aumentos. E, em muitos casos, para não impactar tanto no preço final dos produtos, nós estamos diminuindo a nossa margem. Nossa margem está ficando cada vez mais reduzida e procuramos trabalhar o mais enxuto possível para conseguir ainda ter um preço mais competitivo no mercado”, conta.

Apesar dos desafios, o CEO da Eureka revela otimismo para as últimas semanas de 2022, principalmente devido à volta das comemorações de final de ano sem restrições e pela disputa da Copa do Mundo a partir de novembro. “Notamos um aumento nítido na demanda desde meados de agosto e as vendas vêm crescendo a cada mês”, afirma.

Menu Degustação: Festivais no Sul do Brasil, votação do Lata Mais Bonita…

O mês de novembro será cheio de festivais para o público cervejeiro. Para começar, Porto Alegre receberá neste sábado o Ceva no Mercado, com 31 cervejarias participantes, enquanto o Pomerode Bierfest vai acontecer no feriado da Proclamação da República, reunindo 15 marcas na cidade catarinense.

Em outra frente, Belo Horizonte será palco do Festival Internacional de Cerveja e Cultura, entre os dias 11 e 14, com um interessante congresso técnico. E o Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil entrou em fase decisiva, com o início da votação popular nas suas várias categorias.

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Confira essas e outras novidades do setor no Menu Degustação do Guia:

Pomerode Bierfest terá cervejarias de 10 cidades
O feriado prolongado da Proclamação da República (15) terá uma programação especial para quem quiser aproveitá-lo sem sair de Pomerode e do Vale Europeu. A cidade realizará, de 10 a 15 de novembro, a quarta edição do Pomerode Bierfest. Criado para aliar as cervejas e a gastronomia da região em uma experiência no centro histórico da cidade, o evento retorna depois de dois anos. Além da Schornstein, que também patrocina o evento, o Pomerode Bierfest terá ainda as marcas Seasons, Opa Bier, Linden Bier, Al Fero Birrificio, Frisanco, Borck, Das Bier, Observatorium, Belgard, Haensch, Green Coast, Container, Holzbier e Balburdia. As cervejarias representam a produção cervejeira de 10 diferentes cidades.

Ceva no Mercado
Neste sábado (5), será realizado o festival gratuito de cervejarias gaúchas Ceva no Mercado, em Porto Alegre, com 31 marcas participantes e dois palcos com atrações musicais, entre elas Tonho Crocco e Comunidade Nin Jitsu. O Mercado Paralelo é conhecido pela diversidade de opções nos 4 mil metros quadrados de área externa e interna que revitalizou o DC Shopping. A última edição do Ceva no Mercado, promovido pela Matinê Cervejeira em Porto Alegre, aconteceu em 2019 e reuniu 12 mil pessoas em outro shopping.

Para o amante de rock
O Pork n’ Roll, festival gastronômico voltado ao público cervejeiro e aos amantes de rock, será realizado no domingo (6), com uma grande variedade gastronômica, cortes de churrasco e cervejas da Krug Bier. Haverá porco no rolete, costelinha barbecue, arroz de costelinha, varal de joelho de porco defumado e medalhão de batata com bacon, destacando cortes suínos.

Congresso técnico no FICC
Entre os dias 11 a 14 de novembro, alguns dos principais nomes do mercado cervejeiro estarão reunidos para debater afinidades, sinergias e desafios do setor em Belo Horizonte, durante o Festival Internacional de Cerveja e Cultura (FICC). O congresso é aberto a pessoas de todo o Brasil, sejam cervejeiros, sommeliers, pessoas ligadas ao turismo, empreendedorismo, inovação, associados do Sindbebidas, Abracerva e Sindicerv, gastrônomos, jornalistas e organizadores de eventos. O evento será composto por mesas redondas, palestras, visitas técnicas, podcasts e beer tour, trazendo as várias temáticas do mercado cervejeiro.

Cervejas do IPA Day Brasil
O IPA Day Brasil de 2022 reunirá 40 rótulos de IPA e seus subestilos, elaborados por 38 cervejarias diferentes, sendo 23 lançamentos e 17 já consagrados no mercado nacional. Os cervejeiros utilizaram 37 variedades de lúpulo. O formato tradicional do festival é o open bar de cervejas e água, para incentivar a hidratação dos participantes, e inclui bandas independentes e diversas opções de street food. No line-up musical, o festival apresenta a banda Maria Orfina, o Al Bud Trio, a banda Kalize com rock nacional e internacional e Versão 2, com rock.  O evento será no dia 12, em Ribeirão Preto (SP).

Festival Bar em Bar
Já está acontecendo o festival Bar em Bar, promovido pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), que busca valorizar negócios e enaltecer a gastronomia dos bares. Neste ano, o festival conta com cerca de 500 estabelecimentos inscritos em 14 estados e no Distrito Federal. É possível experimentar novos pratos criados pelos bares participantes especialmente para o festival, que começou em 27 de outubro e vai até 13 de novembro.

Votação popular do Lata Mais Bonita
Chegou a vez de o público votar no seu rótulo de cerveja em lata preferido na 2ª edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil. A votação vai até 16 de novembro e as categorias são micros, médias e grandes cervejarias. Basta os interessados entrarem no site da campanha para escolher entre as dez finalistas de cada categoria. Cada pessoa pode votar apenas uma vez.  O prêmio é promovido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), com o objetivo de estimular a criatividade das cervejarias que, a cada ano, surpreendem e encantam consumidores com a beleza dos seus rótulos.

Campanha de verão da Itaipava
Os anos 2000 são a inspiração para a campanha de verão da cerveja Itaipava, marca do Grupo Petrópolis, que entra no ritmo do funk da época para convidar os consumidores a darem as boas-vindas à estação de forma atual, interativa e divertida. Na nova campanha, a comunicação está alinhada às tendências, trazendo em suas peças o comportamento, os códigos, o funk e a moda inspirada nos anos 2000.

Beck’s com ingressos para o Primavera Sound
Como aquecimento para o Primavera Sound, festival patrocinado pela Beck’s, a marca está realizando o “Bitter Tickets”, uma ativação em bares de São Paulo para promover uma experiência do sabor amargo em troca de ingressos para o festival. Na aquisição de um combo Beck’s compre três e leve quatro, um consumidor da mesa concorre a prêmios instantâneos. Ao fazer o pedido, a mesa receberá uma flor, símbolo da estação, em referência ao Primavera Sound. Um promotor da marca vai até a mesa com quatro shots de drinques com diferentes níveis de amargor e o copo com o sabor mais amargo dos quatro vale um par de ingressos para o festival. A ação vai até esta sexta-feira.

Coleção de roupas e acessórios  
O Brasil Beer Cup lançou sua primeira coleção de roupas e acessórios inspirada no universo cervejeiro. Com o desafio de estampar a “R-Evolução cervejeira” em looks versáteis e contemporâneos, o projeto foi inteiramente planejado e executado por mulheres, desde a ilustração e design, por Ana Andreiolo, até a produção e confecção de Lorena Hach e a atuação de Gabriela Xavier como estilista. A coleção é composta por um kimono, camisa, um lenço/canga e boné, todos com o tema e cores da edição de 2022.

Chope em dobro
Para potencializar a venda dos franqueados, a marca Quiosque do Lugui, fundada em 2018 em São José do Rio Preto (SP), quer atrair mais consumidores às unidades. Para isso, criou a campanha de marketing “Chope em dobro, todo dia, toda hora”. Nela, a franqueadora, que possui sua própria fábrica de chope, subsidia o segundo para que o franqueado possa garantir chope em dobro para o cliente durante todo o expediente como forma de atrair o público em todos os horários do dia.  Atualmente, a marca possui 13 lojas abertas em regiões como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Amazonas, além de 44 lojas em implantação.

Startup de diversidade
A Diversidade.io – startup com a proposta de aproximar talentos e empresas que valorizam a inclusão e a diversidade – realizou uma rodada de negociações para conectar afroempreendedores a tomadores de decisões de grandes empresas na sede da Ambev, em São Paulo. A expectativa é que esse encontro possa gerar até R$ 360 mil em negócios fechados nos próximos 90 dias. O encontro foi idealizado com o objetivo de acelerar o faturamento, promover networking e tratar a diversidade e inclusão como oportunidades de negócios.

Aceleradora da Ambev
A quarta edição da Aceleradora 100+, programa da Ambev que busca projetos inovadores para conectar aos seus pilares de sustentabilidade, acaba de abrir as portas para nove empresas testarem seus projetos. Em parceria com a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e com o Quintessa, as iniciativas serão implementadas nos próximos 4 meses. Mentores especialistas, fundos de investimento e executivos da companhia selecionaram as propostas mais aderentes entre 20 empresas participantes da primeira fase do programa. O teste será realizado em 12 bares de São Paulo e no Centro de Distribuição de Osasco (SP), a partir do monitoramento do consumo de energia e controle de câmaras frias, geladeiras, freezers e chopeiras, em tempo real.

Festa de aniversário do Mr. Hoppy Prado
O Mr. Hoppy Prado vai comemorar seu aniversário neste sábado (5), quando a casa abrirá às 14 horas, tendo shows durante todo o dia. Na compra de um copo personalizado do Mr. Hoppy, o cliente ganha 3 copos de chope pilsen de 330ml, enquanto durar o estoque.

Campanha vegana da Dádiva
Para celebrar o Dia Mundial do Veganismo, comemorado na terça-feira (1), a Dádiva criou a campanha “Vegan is Cool”. Na ação, que está sendo realizada ao longo de uma semana, 20 bares apresentaram pelo menos uma opção de prato ou de petisco vegano. As novidades deverão ser incluídas em definitivo nos cardápios das casas, que contarão com o suporte da Sociedade Vegetariana Brasileira por meio do programa Opção Vegana, de consultoria gratuita de criação de receitas. Para acompanhar as novidades nos cardápios dos bares, a cervejaria criou uma APA de 5,6% de teor alcoólico “Vegan is Cool”, feita com os lúpulos Lemondrop e Simcoe

Hidromel da Campos do Jordão
A Cerveja Campos do Jordão lançou seu primeiro hidromel. Considerado uma das bebidas mais antigas do mundo, consumida principalmente nas culturas nórdica e medieval, o hidromel, também conhecido como vinho de mel, é feito a partir da fermentação do mel diluído em água, podendo ser aromatizado com especiarias e frutas. De estilo tradicional seco frisante, o Hidromel Campos do Jordão leva na sua composição o mel de flora da Mantiqueira, água e fermento. Tem 11% de teor alcoólico, com aroma, corpo e sabor final muito similar ao do vinho branco seco.

Louvada Blond está de volta
A Louvada trouxe de volta a Louvada Blond Caju, uma sazonal produzida apenas na época de colheita do caju. Lançada em setembro de 2021, a bebida foi uma das mais pedidas pelos consumidores da marca desde então. A receita conta com malte de cevada, lúpulo, levedura e suco de caju. A Blond Caju pertence ao estilo Blond Ale, tem coloração amarelo profundo, teor alcoólico de 4.8% e 15 IBUs de amargor.

Indústria da cerveja quer crescimento da renda sob Lula para impulsionar setor

O resultado das eleições do último domingo definiu que o poder vai mudar de mãos no Brasil. Primeiro presidente a não receber da população um segundo mandato desde a instituição da reeleição, Jair Bolsonaro será sucedido por Luiz Inácio Lula da Silva, primeiro representante a ganhar nas urnas o direito a três mandatos presidenciais. A troca, histórica e profunda, enseja novas demandas e expectativas da sociedade para esse retorno de Lula, incluindo a indústria da cerveja, pela sua relevância econômica e cultural para o país.

O Brasil, afinal, é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo e conta com representantes importantes no cenário global. A Ambev compõe a AB InBev, o maior grupo cervejeiro mundial. O Grupo Heineken tem o Brasil como país preponderante na sua atuação. E ambas convivem com a concorrência de uma companhia 100% nacional, o Grupo Petrópolis.

Além disso, o Brasil atingiu a marca de 1.549 cervejarias registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de acordo com os dados mais recentes, com indústrias presentes em 672 municípios, em um indicativo de que a pujança do setor, responsável por 2% do PIB nacional, não se resume às grandes cervejarias.

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E até o caráter idílico envolvendo o consumo da bebida foi alvo da campanha eleitoral, com Lula citando que gostaria de dar condições econômicas que permitam ao brasileiro voltar a fazer um churrasquinho com cerveja e picanha, em uma referência à perda de poder de compra da população ao longo dos últimos anos.

Ouvidos pela reportagem do Guia após a eleição de Lula em segundo turno, representantes da indústria da cerveja apontaram a necessidade da recuperação econômica, com mais postos de trabalho, crescimento da renda e sua distribuição, como uma das pautas que devem ser prioridade para o próximo presidente. E isso traria, também, benefícios ao setor, que costuma ser pressionado por oscilações, até por se tratar de um segmento de consumo.

“O principal impacto positivo que o Poder Executivo pode trazer para o setor é, com muita responsabilidade fiscal, trabalhar pela recuperação econômica que traga emprego, riqueza e distribuição de renda, incentivando o empreendedorismo com crédito, um sistema tributário justo e redução da burocracia”, diz Gilberto Tarantino, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

As indústrias cervejeiras seguem confiantes de que o cenário de crescimento do setor se manterá ao longo dos próximos anos, dando a sua contribuição para a economia. Investimentos, inclusive, foram anunciados recentemente, para a construção de uma unidade produtiva de vidros pela Ambev, em Carambeí (PR), de R$ 870 milhões, assim como uma fábrica de cerveja do Grupo Heineken, em Passos (MG), de R$ 1,8 bilhão.

Além disso, as divisões do Brasil estiveram recentemente entre os destaques dos balanços do terceiro trimestre dessas companhias. O Grupo Heineken teve crescimento de mais de 30% da receita líquida no país, onde a expansão da venda de cerveja foi de quase 10%, ficando em dois dígitos no portfólio premium.

Já a Ambev apresentou crescimento orgânico de 6,9% na produção de cerveja no Brasil no terceiro trimestre, para 23,482 milhões de hectolitros. E durante a teleconferência de resultados do último dia 27, o CFO, Lucas Lira, disse que o foco da Ambev para 2023 será em continuar buscando uma melhoria contínua e consistente focando em proteger a liquidez, melhorar a rentabilidade por meio do retorno sobre o capital investido e das margens bruta e Ebitda além de fortalecer a geração de caixa.

“O Brasil é um mercado atrativo para empresas do setor da cerveja devido a sua taxa de crescimento de mercado estável. As projeções de produção da bebida são positivas e o setor será uma força motriz para o crescimento do país neste e nos próximos anos”, afirma Luiz Nicolaewski, superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), que representa Ambev e Grupo Heineken no Brasil.

E o segmento de cervejas artesanais também possui boas perspectivas para os próximos quatro anos, com a expectativa de acelerar o crescimento que amplie a sua participação no mercado. “O setor não vai ser afetado no ritmo que vinha crescendo. Pensamos em crescimento de 10% ao ano, o que nos deixaria em um nível muito interessante nos próximos quatro anos de obter cerca de 5% do mercado de cerveja no Brasil”, afirma Marco Antonio Falcone, presidente da Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva) e da Câmara Setorial da Cerveja.

O diretor-geral da CervBrasil, a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja, e presidente Paulo Petroni, também acredita na expansão do segmento, mas entende que a evolução do mercado cervejeiro estará fortemente relacionada com a ampliação da renda para consumo. “Estamos precisando acelerar a resolução dos problemas já diagnosticados e que tanto afetam o desempenho da indústria, a geração de empregos e a consequente melhoria da qualidade de vida das brasileiras e dos brasileiros”, diz.

Demandas do setor
Para que o segmento da cerveja cresça sob a nova gestão de Lula, representantes apontam a necessidade de que o próximo governo torne o ambiente mais seguro para os negócios, o que também passa por uma tributação considerada mais justa e simples.

Consideramos como pontos importantes para o setor a previsibilidade no ambiente de negócios e reformas estruturantes, como a reforma tributária, com um sistema que reduza a burocracia, o contencioso jurídico e a complexidade, com segurança jurídica e sem o aumento de carga tributária para os brasileiro

 Luiz Nicolaewski, superintendente do Sindicerv

O diretor-geral da CervBrasil também espera a intensificação do diálogo entre o setor público e privado “para o avanço das condições de competitividade da indústria brasileira através da redução dos diversos componentes do Custo Brasil” e que “ocorram a elaboração e a execução de uma política industrial atualizada, que atenda às tendências globais em inovação, tecnologia e sustentabilidade”.

O setor da cerveja também tem demandas urgentes, que espera ver solucionadas antes mesmo da posse dos novos deputados, senadores e mesmo de Lula. E elas envolvem a aprovação e sanção do projeto que atualiza limites de faturamento para enquadramento no Simples Nacional para que os novos valores já comecem a vigorar em 2023.

“Nossa demanda, neste primeiro momento, é que o Congresso possa acelerar a aprovação do PL que reajusta a tabela do Simples e o limites dos MEIs que hoje tramita na Câmara. Depois, que ele seja revisto e aprovado no Senado e sancionado pelo Executivo”, diz o presidente da Abracerva.

Já na esfera estadual, a cobrança envolve a isenção ou a redução dos valores cobrados no regime de substituição tributária do ICMS. “Esse é um trabalho em favor dos pequenos produtores junto aos governos estaduais e assembleias legislativas que também iniciam novos mandatos em 2023”, acrescenta Tarantino.

Além das demandas sobre tributação, o setor também tem preocupações envolvendo as normas que direcionam o funcionamento do setor e a gestão adequada das companhias, assim como o acesso às matérias-primas. Mas o presidente da Febracerva aposta no bom diálogo construído com as instituições para resolvê-las.

“Nós temos demandas que são extremamente importantes no setor, como de normatização, com a condução do Ministério da Agricultura para a implantação de normas, como a aprovação de rótulos. Também há questões de outras políticas, como condução de tratamento de resíduos, de reaproveitamento de vidros, de importação de chapas finas de alumínio para produção de latas”, conclui Falcone.

Balcão da Chiara: Perda de extrato, o terror das cervejarias

Balcão da Chiara: Perda de extrato, o terror das cervejarias

Existe um mal silencioso pairando nas cervejarias, inclusive desconhecido de muitas(os) cervejeiras (os): a perda de extrato!

Essa perda envolve desde o recebimento da matéria-prima até o envase do produto acabado e não apenas a perda de volume nos tanques, que é a maneira como a maior parte das cervejarias contabiliza. Isso quando existe algum acompanhamento.

 O cálculo da perda é realizado transformando toda a base para quilos de extrato para que se possa contabilizar a perda do líquido, bem como a perda da matéria-prima.

Nas cervejarias, o malte comumente não é avaliado. Diferença de estoque no recebimento ou armazenamento, pó e palha em excesso, grãos partidos, malte com umidade excessiva que irá impactar no rendimento, balança descalibrada. Já observou esses itens? A moagem também influencia diretamente na perda “invisível”. Presença de grãos inteiros ou mal moídos? Bem mais comum do que se imagina, muitas vezes por falta de limpeza, regulagem e manutenção dos moinhos. É ganhar fácil se fizer o básico!

Na brassagem, são diversos os pontos de perda. Baixa conversão na mostura (que a maioria nem mede!), procedimento de filtração do mosto sofrível, deixando um elevado residual de extrato no bagaço, o afofador na velocidade da luz ou sem utilização pela falta de conhecimento operacional do equipamento, turbidez do mosto elevada, falta de rotina de limpeza da tina de filtração, temperaturas e pH inadequados da água de lavagem do bagaço, fervura sem intensidade causando uma coagulação protéica deficiente e, em consequência, um elevado arraste de trub, falta de controle na vazão do resfriamento. Isso sem contar a perda em cervejas onde há uma lupulagem em grande quantidade.

Avaliar a calibração dos instrumentos, realizar corretamente as análises de extrato, fazer medição da perda de todos os fabricos, analisar a coagulação protéica e o arraste de trub, controle da velocidade do afofador e na bomba de resfriamento de mosto são itens simples e básicos para um maior controle, além de avaliar a possibilidade de utilização de soluções biotecnológicas, caso necessário.

Quando a gente migra para a área fria, a situação complica e parece ser um cenário “normal”. Perdas no recebimento de mosto, baixa compactação do fermento, taxa de multiplicação celular elevada (quanto maior a multiplicação, maior a perda no descarte), falta de reaproveitamento do fermento, purgas excessivas seja por falha nos procedimentos de retirada do fermento, ou seja pelo dry hopping, congelamento ou espumamento de tanque, vazamentos, ciclos curtos de filtração, centrífuga com deslodado com compactação baixa, descarte de produto, garrafas mal cheias, espumamento na enchedora, quebra no pasteurizador. E ainda tem muito mais…

Se você tem uma cervejaria de pequeno porte e acha que isso tudo não faz diferença, vamos fazer uma continha “burra”?

Digamos que você tem uma produção de 20 mil litros por mês e uma perda de 25% e que após um trabalho você consegue reduzir (facilmente) 10% dessa perda, isso significa que você deixaria de perder 24 mil litros de cerveja por ano! Agora imagine que você não tem controle no nível de enchimento e tem 5ml de cerveja a mais em cada garrafa. Parece pouco, não é? 40 mil garrafas/mês (garrafas de 500ml) representam 2,4 mil litros de perda por ano.

Controles simples fazem toda diferença. A gestão da perda de extrato pode possibilitar uns tanques a mais, um laboratório para realizar suas análises, a contratação de mais um funcionário! Dá trabalho? Claro que dá! Mas também pode trazer resultados significativos e impactar diretamente na precificação do seu produto.

Um passo necessário é entender como a perda é calculada para entender todos os fatores que a afetam. O controle de estoque é fundamental para ter o acompanhamento diário desse indicador.

Ter um número confiável é muito importante. Já ouviu alguma vez que só de olhar, o número já melhora? O fato de ter um controle de todas as etapas do processo aumenta a disciplina e certamente irá gerar resultados positivos. Comece e você irá se surpreender!


Chiara Barros é proprietária do Instituto Ceres de Educação e Consultoria Cervejeira. Engenheira Química, especialista em Biotecnologia e Bioprocessos, em Gestão da Qualidade e Produtividade e em Segurança de Alimentos, além de cervejeira e sommelière de cervejas.

Fabricação de alcoólicas recua 5,4% em mês com retração da indústria

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Depois de registrar altas em seu volume de produção por dois meses consecutivos, a fabricação de bebidas alcoólicas no Brasil teve expressiva queda de 5,4% em setembro. O índice foi confirmado nesta terça-feira pelo IBGE na divulgação da Produção Industrial Mensal, que também informa que a indústria retraiu 0,7% na comparação com agosto, na série com ajuste sazonal.

Antes desta retração de setembro, a fabricação de bebidas alcoólicas havia aumentado em 1,7% em agosto, na confrontação com o mesmo mês de 2021. Naquela ocasião, o índice geral da produção industrial nacional foi negativo em 0,6%. Agora, porém, a desaceleração da produção deste item de consumo ficou 4,8% abaixo do desempenho de toda a indústria.

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Com isso, a fabricação de alcoólicas no acumulado do ano contabiliza queda de 2,0%, sendo o recuo de 3,7% nos últimos 12 meses. Essas taxas negativas também são piores do que as da indústria brasileira, que tem recuos de 1,1% no amontoado entre janeiro e setembro e de 2,3% nos últimos 12 meses.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas manteve a tendência de alta, subindo 8,9% no nono mês de 2022, 11,8% no acumulado do ano e 5,6% no período de 12 meses anteriores a setembro. A produção de bebidas em geral registrou incremento de 1,4%. Assim, tem elevação de 4,4% ao longo de 2022 e de 0,6% nos últimos 12 meses. Entretanto, caiu 4,6% na comparação com agosto.

Produção de alimentícios cai 2,9%
Ao divulgar o seu balanço, o IBGE destacou que as quatro grandes categorias econômicas e 21 dos 26 ramos pesquisados tiveram diminuição de produção em setembro. Assim, o setor industrial ainda se encontra 2,4% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e com volume inferior em 18,7% ao do recorde alcançado em maio de 2011.

Frente a setembro de 2021, na série sem ajuste sazonal, a indústria cresceu 0,4%. Porém, acumula quedas de 1,1% no ano e de 2,3% em 12 meses. E uma das influências negativas mais importantes foi a produção de alimentícios, com redução de 2,9% em setembro. Produtos de madeira (-8,8%), metalurgia (-7,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,6%) também figuraram entre os “vilões” da indústria no nono mês de 2022.

Já entre as cinco atividades em alta, indústrias extrativas (1,8%) e máquinas e equipamentos (2,2%) tiveram impactos positivos em setembro.

“Podemos dizer que há uma redução no ritmo da produção industrial. Isso fica bem evidenciado não apenas nestes dois meses de queda em sequência, mas também na maior frequência de taxas negativas nos últimos quatro meses, com três variações negativas. Com esses últimos resultados e um perfil bem disseminado de recuo na produção em setembro de 2022, entendemos que houve perda no ritmo da produção nos últimos meses”, analisa o gerente da pesquisa do IBGE, André Macedo.

Segundo o IBGE, o freio do ritmo da indústria, com apenas cinco setores avançando entre todos os investigados, não ocorria desde janeiro, quando somente quatro segmentos industriais tiveram alta na produção.

Ação da Ambev se recupera após balanço e fecha mês em alta; veja análises

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Em um mês marcado pela oscilação, a apresentação pela Ambev do seu relatório financeiro do 3º trimestre acabou sendo fundamental para que a ação da companhia terminasse outubro em alta na B3, a bolsa de valores brasileira, O ativo fechou a sessão desta segunda-feira (31) cotado a R$ 16,00, o que representou valorização de 2,96% em relação ao fim de setembro.

Foi, assim, o quarto mês consecutivo de valorização da ação na B3. E se apresentava queda em outubro até a última quarta-feira, quando valia R$ 15,10 ante os R$ 15,54 de 30 de setembro, a ação emplacou três altas nas últimas sessões da Bolsa no término do mês. Só na quinta, dia da apresentação do balanço, a alta ficou em 3,05%. E, assim, já acumula valorização de 3,76% em 2022.

Essa boa recepção do mercado ao resultado financeiro da Ambev se deu menos pela alta do volume no terceiro trimestre, de 1,3% para 46,3 milhões de hectolitros, em comparação ao mesmo período do ano passado, e mais pelo crescimento da receita líquida, de 11,3%, para R$ 20,587 bilhões.

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Esse foi um fator destacado pelo BTG Pactual em relatório, apontando a importância de ampliação de receita a partir da prática de preços maiores. “Este foi o primeiro trimestre em muito tempo em que a precificação da cerveja brasileira da Ambev não veio com um comprometimento do volume. Isso deve interromper o processo de erosão das margens em 2023, o que é um bom motivo para comemorar”, diz.

Para a Ambev, isso foi possível diante da maior participação das marcas premium no Brasil e da retomada sem restrições de bares e restaurantes, com a venda da cerveja em garrafas retornáveis, o que lhe assegura mais rentabilidade.

O problema, para a Ambev, é que o Brasil “carregou” o bom resultado financeiro do terceiro trimestre, conseguindo compensar problemas enfrentados na América Central e Caribe, com recuo no volume e receitas.

Até por isso, a companhia teve recuo no lucro líquido, de 13,4%, para R$ 3,215 bilhões, embora com o Ebitda ajustado chegando aos R$ 5,6 bilhões, uma alta de 2,4%. “O arrasto vindo de outros segmentos tornou os resultados consolidados menos impressionantes e, de alguma forma, desafiam nossas esperanças”, pondera o BTG.

Contexto
A alta da ação da Ambev também se insere em um contexto de valorização do Ibovespa na B3 em outubro. O principal índice da bolsa brasileira terminou a segunda-feira em 116.037,08 pontos, alta de 5,45% no mês. Assim, também apresenta saldo positivo em 2022, de 10,7%.

Em outubro, das 92 ações que compõem o Ibovespa, 74 tiveram alta. E os destaques positivos da B3 foram as petroleiras 3R Petroleum (30,58%) e Petro Rio (28,55%), seguidas por Braskem (28,47%), Weg (25,33%) e Locaweb (21,44%). Já entre as quedas, três delas ficaram acima dos 10%: MRV (18,04%), IRB Brasil (14,55%) e Petz (13,86%).

Heineken recua
Se o balanço da Ambev foi bem recebido pelo mercado financeiro brasileiro, o oposto se deu com o resultado financeiro do Grupo Heineken no exterior. Na Europa, a ação da companhia desvalorizou 5,85% em outubro, para 84,60 euros. Por lá, esse recuo se deu na sequência da apresentação do balanço, na quarta-feira passada. Afinal, o papel caiu, em um dia, de 88,18 euros para 83,42 euros, perda de 5,4%.

No seu resultado financeiro, o Grupo Heineken relatou receita de 9,415 bilhões de euros no terceiro trimestre, um crescimento de 27,5% em relação ao mesmo período do ano passado, mas exibiu preocupação com a desaceleração da demanda, especialmente na Europa, o seu principal mercado regional.

Outros papéis
Nos Estados Unidos, a ação da Ambev também apresentou alta em outubro, acelerada após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. Valendo US$ 3,04, teve valorização de 7,42%.

Foi um cenário parecido ao que se deu com o papel da AB InBev. O ativo terminou outubro cotado a US$ 50,60, alta de 8,24% no mês.

Para entender o impacto dos resultados financeiros de Ambev e Grupo Heineken, o Guia reuniu sete materiais de análise de banco de investimentos. Confira:

Ativa Investimentos
“O bom resultado se deu pelo crescimento de receita da operação brasileira, que por sua vez, foi beneficiada com crescimento, tanto em volume quanto em receita, pela operação não alcoólica e, em cerveja Brasil, com volume crescendo zero, na comparação anual, o destaque foi a melhora do ticket médio, devido ao poder de repasse de custos, mix de produtos e crescimento do canal on trade (bares e restaurantes). As operações internacionais ainda passam por desafios de natureza macroeconômica, como também, rupturas na cadeia logística”.

“Com crescimento de volume a zero, o destaque foi para o ticket médio, graças às iniciativas comerciais, de mix de produtos e repasse de custos. Quanto às iniciativas e mix, destaque para as marcas premium, com crescimento de volume acima de dois dígitos. Além disso, as garrafas de vidro retornáveis continuaram a ganhar participação com a evolução do canal on trade. Com essas iniciativas, Cerveja Brasil manteve sua margem Ebitda em 26,1% (assim como no 3t21), o que vemos como positivo dado os desafios inflacionários do momento.”

“A AmBev enxerga o evento esportivo como uma oportunidade para reforçar/acelerar suas estratégias e iniciativas, como o Zé Delivery e o BEES, que terão sua primeira Copa do Mundo. Além disso, a combinação de o evento ser realizado no verão somado ao novo mix de produtos (mais cervejas premiums e core plus versus a última Copa) e a um market share robusto, aumenta a expectativa da empresa para entregar um volume acima do esperado”.

A Ambev reportou um resultado sólido frente aos desafios enfrentados, incluindo a pressão nas margens por conta do aumento no preço das commodities. Vemos a companhia entregando o melhor que poderia para compensar esses efeitos, com suas iniciativas para impulsionar a ROL/hl e alavancando suas plataformas digitais. No curto prazo, no entanto, considerando os patamares atuais das commodities e o cenário macroeconômico mundial, ainda desafiador, porém estamos otimistas com as alavancas que a Copa do Mundo pode trazer, tanto do ponto de vista de preços e volumes, como relacionamento com os clientes, B2C e B2B com possível aceleração de um maior uso de suas plataformas digitais

Ativa Investimentos

Bradesco BBI
“Prevemos uma reversão na tendência de queda em que as ações estão desde a publicação de nossa prévia dos resultados do 3T22 (6 de outubro), pois os resultados do segmento internacional ficaram em linha com expectativas e os resultados do Brasil superaram as expectativas. Tendências operacionais positivas e custos de commodities em declínio devem permitir que a Ambev entregue uma recuperação de margem em 2023”.

BTG Pactual
“Esta supostamente foi a temporada de preços mais forte da Ambev em anos, não apenas em termos de preços contra a inflação, mas também considerando a resiliência dos volumes. A Ambev ainda teve desempenho superior ao do principal concorrente, o que também ressalta uma categoria de cerveja, com volumes crescentes no local (Original e Brahma Chopp novamente foram destaques) preservando as ocasiões em casa. O momentum para Bees e Zé, por outro lado, parece estar desaparecendo aos poucos. A recuperação no Brasil dos não alcoólicos também foi mais forte do que o esperado”.

“Este foi o primeiro trimestre em muito tempo em que a precificação da cerveja brasileira da Ambev não veio com um comprometimento do volume. Isso deve interromper o processo de erosão das margens em 2023, o que é um bom motivo para comemorar. Mas o arrasto vindo de outros segmentos tornou os resultados consolidados menos impressionantes e, de alguma forma, desafiam nossas esperanças”.

Itáu BBA
“Podemos estar nos aproximando de um período de spreads entre a inflação e a cesta de commodities, dando a entender que a tão esperada expansão de margem é um cenário plausível para a Ambev. Além disso, acreditamos que o tom positivo transmitido no comunicado sobre a aceleração do momentum de receita no 2S22 vs. o 1S22 provavelmente será bem-visto pelos investidores”.

“Embora esperemos que a empresa apresente um aumento de margem na divisão brasileira em 2023, os altos custos de hedges cambiais na Argentina já estavam aumentando a dispersão dos cenários de lucro líquido para 2023, conforme informamos em nossa última atualização. Após o 3T22, também temos uma nova variável adicionada à equação, dependendo do ritmo de recuperação da rentabilidade da América Central e Caribe”.

Morgan Stanley
“Heineken continua ganhando participação premium/mainstream no Brasil. Como a Heineken registra volumes consolidados de cerveja no Brasil em alta, anualizada em um dígito (e superando o mercado, de acordo com o release da empresa), achamos que é correto dizer que a empresa continuou a ganhar alguma participação no país. E, mais importante, ganhando terreno dentro das categorias lucrativas (premium/mainstream)”.

“Com a nova capacidade de Ponta Grossa entrando em operação agora durante o 4T22, acreditamos ser concebível que o desempenho de volume da Heineken possa acelerar ainda mais, então acompanharemos isso de perto, levando em conta que a Copa do Mundo está ao virar da esquina”.

“A Heineken parece ter um desempenho bastante bom agora que as limitações de capacidade parecem ter ficado para trás na empresa, enquanto a capacidade adicionada (por exemplo, a expansão em Ponta Grossa e mais alguns outros projetos menores) poderia tornar o ambiente competitivo mais difícil em 2023. É claro que o baixo desempenho contínuo de Petrópolis é um risco para nossa postura mais cautelosa, mas acreditamos que a força da Heineken aqui poderia ser mais importante para o debate sobre investimentos. Por fim, outra preocupação que tivemos está relacionada ao canal mais rentável do Brasil, o on-trade. Heineken ainda tem menos penetração em comparação com o off-trade, com cerca de metade da participação no primeiro em relação à sua relevância”.

UBS
“A perspectiva para a margem de 2022 permanece inalterada com uma expectativa entre estável e melhoria sequencial modesta. Fora isso, a Heineken espera que a tradução do impacto no Ebitda no ano de 2022 será de cerca de250 milhões de euros contra o consenso de 237 milhões de euros. No geral, esperamos uma reação negativa à falta de base ampla e o tom cauteloso no início das negociações em seus mercados europeus no quarto trimestre.”

XP Investimentos
“A AmBev apresentou resultados mistos, porém fortes, com o Brasil melhor do que o esperado e suficiente para compensar um desempenho decepcionante em suas unidades internacionais. O volume consolidado foi recorde para um terceiro trimestre e essa tendência positiva permitiu que os preços aumentassem em 8 dos 10 principais mercados da AmBev”.

Esperamos um bom momento da indústria de cerveja e não alcoólicos, especialmente no 4T, impulsionado pelo clima favorável e pela Copa do Mundo. Prevemos que a AmBev aproveite esse momento favorável para recuperar margens

XP Investimentos